Estudando o Espiritismo

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quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Sobre a Fé, a Esperança e a Caridade

Sobre a Fé, a Esperança e a Caridade

A fé tem a característica de construir a esperança e fazer com que se tenha a certeza de que na vida, nada se acaba, tudo segue um ritmo de transformação.

Lavoisier, cientista francês do século XVIII, enunciou a conhecida Lei da Conservação da Matéria, que reflete esse princípio e mostra que no concerto universal, os fatos se harmonizam.

Todo espírita conhece e aceita esse princípio, pois a transformação é a principal conseqüência da reforma íntima preconizada por Kardec.

Fé e transformação estão presentes em toda a história da humanidade, vamos encontrar entre os primeiros cristãos, o dignificante exemplo do martírio conduzido pela fé e pela crença incondicional de que é preciso uma harmonia com a Lei de Causa e Efeito.

Em nossos dias, já não cabem mais os martírios circenses, porém, ainda é válido que, ao compreendermos nossas carências diante das faltas, usemos o combustível da fé para vencermos os obstáculos.
No passado, os homens sofriam perseguições vindas de agentes externos – estado, inquisição, despotismo, martírios – que, ou despertavam as responsabilidades ou estavam atendendo aos pedidos de reparos pela dor.

Hoje em dia, o processo é o mesmo quanto a sua natureza, mas diferente quanto à forma, as perseguições também são íntimas e o homem luta contra seus próprios monstros e não mais contra as feras do circo ou as fogueiras da intolerância.

Mas, em qualquer momento dentro do tempo, sempre foi a fé que permitiu ao homem conhecer o seu momento de transformação, aquele ponto quando a consciência derruba as barreiras e mostra a dimensão da verdade de cada um, é quando o coração abraça e conquista novos valores, é o PONTO DE MUTAÇÃO de cada ser humano, buscando a renovação e a luz. O ponto ou momento de mutação trabalha com o coração, com a percepção das imperfeições e sensíveis recados do coração.

Emoção, expectativa, esperança, fé... Retratos do coração...
Agostinho nos ensina que das muitas provas por que o Espírito tem que passar, as mais difíceis são as do coração. Onde quer que esteja o ponto de mutação de cada ser humano, ele representa a renovação e faz com que desapareçam os obstáculos do caminho e os fantasmas da noite.

Construindo os alicerces da fé, o homem, com seus recursos, também estará aprimorando o mundo que o cerca.

Por esse motivo, digo que a fé é o combustível que alimenta a esperança e a certeza, uma vez cultivadas, não mais acabam.

A esperança é uma potência interior que desenvolvemos, ela concilia os nossos sofrimentos com a realização das nossas expectativas.

A fé alimenta a esperança de tempos melhores, através da pratica da caridade, daí a importância da vivência espírita em nosso dia a dia, o espírita tem uma visão realista da vida futura e nesse caso, a esperança torna-se uma força inovadora... Seremos recompensados ou punidos, de acordo com o bem ou o mal que tenhamos feito, de acordo com o balizamento de nossa consciência.

Ao contrário, doutrinas como o niilismo, que nada consideram além da vida atual, destroem a esperança...Como se pode esperar algo de onde nada existe?

Mas a complexidade da natureza humana nos traz variações sobre o tema da fé.
A fé cega que nada examina e tudo aceita, choca-se com a evidência, com a razão e produz o fanatismo.

A fé raciocinada, que se apóia sobre os fatos e a lógica, é a que tem que ser mais forte do que os sofismas e a zombarias, ela é mãe da esperança e da caridade.

O entrelaçamento entre a fé, a esperança e a caridade, é bem demonstrado por Paulo em I Coríntios 13, 13 quando ele alerta sobre a excelência da caridade: “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e a caridade, estas três, mas a maior delas é a caridade”.

Todas as ações positivas, por mais nobres que sejam, muito pouco valerão se não nascerem no coração, no amor, na doação.

Esses três valores, sendo despertados pela própria natureza divina do homem, permitem que o pensamento ultrapasse o espaço e o tempo, penetrando no infinito, onde se aprende a suportar as dores e os sacrifícios, as doenças e as dificuldades, sob a regência da paz.

Alguns podem dizer que isso é utopia, mas o Espiritismo nos ensina que é a superação, no rumo da eternidade.

Assaruhy Franco de Moraes