Estudando o Espiritismo

Observe os links ao lado. Eles podem ter artigos com o mesmo tema que você está pesquisando.

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Bem vindo(a) ao grupo mediúnico

 Alguns princípios importantes que foram combinados pelo grupo:


  1. Mediunidade é coisa santa e santamente deve ser praticada.
  2. A natureza do trabalho é séria e requer comprometimento. 
  3. A finalidade principal de uma reunião mediúnica é socorrer os espíritos e não a nós os encarnados, embora indiretamente recebemos muitos benefícios. Então não está correto o pensamento "Hoje não estou bem, então vou para a reunião".
  4. O dia do trabalho requer algum preparo, reforço da oração, sintonizar com o trabalho e sintonia mental com a tarefa, especialmente à medida que se aproxima o horário da reunião.
  5. Além da assiduidade, é aconselhável o indivíduo chegar ao centro com antecedência de 30 minutos para ambientação.
  6. O grupo deve entrar na sala em silêncio 15 minutos antes do horário de início e se dedicar à oração. As falas neste momento somente quando extremamente necessárias e em tom de voz baixo.
  7. Um quesito muito importante é a necessidade de recolhimento e vigilância, especialmente nos minutos que antecedem a tarefa.
  8. Devemos ter cuidado com as conversas que antecedem a reunião. Elas não devem dispersar o recolhimento e vigilância, comprometendo o preparo individual. Nunca devem ser dentro da sala mediúnica. 
  9. As faltas ao grupo devem comunicadas e após longo período fora das tarefas a volta deve ser autorizada pelo dirigente. Não faz bem para o grupo ter pessoas que não são assíduas, aparecendo eventualmente. Os diretores espirituais precisam saber com quem contam.
  10. Não é aconselhável participação unicamente na reunião mediúnica. A pessoa deve se envolver com pelo menos alguma atividade de estudo.
  11. É importante o estudo de livros mediúnicos, que devem ser lidos com frequência. O grupo deve se reunir periodicamente para reciclagem de temas e/ou avaliações do trabalho.
  12. A boa vontade e algum equilíbrio emocional são tão importantes quanto um curso de preparação mediúnica.
  13. Na medida do possível, os médiuns devem respeitar as etapas da reunião, o horário para sofredores, outro para mentores, orações e registros de vivências. 
  14. Não deve haver preocupação com lugares à mesa ou na sala, evitando melindres por conta disso e exercitando a humildade e obediência/disciplina como cooperador de boa vontade do trabalho do Cristo.
  15. A saída da sala deve ser harmônica, evitando barulhos e conversas altas. Importante deixar o ambiente arrumado.
  16. Não fazemos discriminação de entidades de diferentes etnias que venham para auxiliar em nome de Deus. 
  17. Estando bem intencionado, o médium não precisa se sentir culpado por uma mensagem que provoque a crítica ou dúvida. Cabem aos dirigentes este discernimento das comunicações. O médium ao transmitir a mensagem já cumpriu seu papel. 
  18. Amigo já componente do grupo: Lembre-se de que um dia você foi acolhido e obteve a paciência da equipe com  a sua adaptação ou inexperiência. Portanto, evite interferir no eventual acolhimento a novos participantes.
Fábio Pires.

domingo, 2 de agosto de 2020

A Regra de Ouro

A Regra de Ouro

Imagine um grande empresário que além de ser um homem de sucesso também fosse
um visionário. Imagine que este homem, mundialmente conhecido, resolvesse
pesquisar o porquê do sucesso, isto é, resolvesse pesquisar qual seria a razão
de determinadas pessoas destacaram-se pessoal e profissionalmente enquanto
outras ficam à margem da sociedade.

Imagine ainda que, para conseguir tal intento, este empresário financiasse
todas as despesas desta pesquisa durante 25 anos. Durante 25 anos ( um quarto de
século! ) seriam entrevistadas pessoas de sucesso. Durante 25 anos seriam
catalogadas e pesquisadas as respostas destas pessoas para se chegar a um
denominador comum.

Se tal ocorresse, seria uma pesquisa seríssima. E o resultado desta pesquisa
deveria ser leitura e estudo obrigatório de todas as pessoas e de todas as
escolas.

Mas será que existiu um empresário com tal disposição e visão de futuro?

Existiu.

Seu nome: Andrew Carnegie. Um dos propulsores do progresso dos Estados Unidos
da América do Norte. Um legendário homem de negócios.

Andrew Carnegie financiou esta pesquisa e colocou à frente da mesma uma
pessoa cujos estudos tornaram-na também legendária. Um nome respeitado por todos
os consultores e pessoal ligado a treinamento e desenvolvimento humano: Napoleon
Hill.

Napoleon Hill em seu livro “A Lei do Triunfo” ( Editora José Olympio )
ensina-nos em, 16 lições, como ser um homem de sucesso. Uma destas lições é
denominada por ele de REGRA DE OURO e, conforme palavras do próprio, deve ser a
base de toda conduta humana.

Qual é a regra de ouro?

“NUNCA FAREI AOS OUTROS AQUILO QUE NÃO DESEJARIA QUE ME FIZESSEM”.

Decepcionou-se? Esperava mais que isto? Mas, creia, aí está o princípio dos
princípios. Aí está a base real das pessoas que realmente são um sucesso. Esta
regra funciona como uma alavanca mágica. Aplique-a e se surpreenderá pelos
resultados alcançados.

Como aplicar a regra de ouro?
Usemos da empatia. Isto é, antes de falarmos ou agirmos, coloquemo-nos no
lugar do próximo. Criemos o hábito de colocarmo-nos no lugar do próximo e,
então, ficará fácil aplicar a regra de ouro.

Do livro “Viver Bem É Simples, Nós É Que Complicamos”, Alkíndar de Oliveira,
Editora Didier

A regra de ouro

Qual será o segredo do sucesso? Por que determinadas pessoas se destacam pessoal e profissionalmente enquanto outras ficam à margem da sociedade?

Houve um legendário homem de negócios, um dos propulsores do progresso nos Estados Unidos da América do Norte que desejou ter resposta a essas perguntas.

Ele se chamava Andrew Carnegie e, para conseguir o seu intento, financiou todas as despesas de uma pesquisa, durante nada menos de vinte e cinco anos.

Durante esse período deveriam ser entrevistadas pessoas de sucesso. As suas respostas seriam catalogadas de forma a que se pudesse chegar a um denominador comum.

O resultado da pesquisa deveria ser leitura e estudo obrigatório de todas as pessoas e de todas as escolas, pensava o visionário americano.

Ele colocou à frente da pesquisa um nome respeitado por todos os consultores e pessoal ligado à capacitação e desenvolvimento humano: Napoleon Hill.

Durante um quarto de século a pesquisa séria foi desenvolvida. E como resultado, foi publicado um livro chamado A lei do triunfo.

Nele, Napoleon Hill apresenta dezesseis lições para se alcançar o sucesso.

Uma dessas lições ele denomina regra de ouro e, conforme seu autor, deve ser a base de toda conduta humana.

Qual é essa regra de ouro?

Nunca fazer aos outros aquilo que não deseja que lhe façam.

*   *   *

Há mais de dois mil anos, a mais Ilustre Personalidade que a Terra conheceu, já ditara a regra áurea.

À margem do lago, nas estradas da Galiléia, nas sinagogas, Ele proclamou: Amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a vós mesmos.

Fazei ao outro o que desejardes vos seja feito.

Ele era um Galileu, um Rabi, o Messias aguardado e anunciado.

Disse da felicidade ao servir ao seu semelhante, da conquista do Reino dos céus a todos os que exercitassem o amor.

Ele falava como quem tinha autoridade porque ninguém como Ele tinha conhecimento dos seres que habitavam esse planeta.

Todos, ovelhas do rebanho que o Pai Lhe confiara à guarda.

Tendo realizado toda a trajetória de luz, detinha a ampla ciência dos destinos da criatura.

Por isso, as normas que legou à Humanidade e foram enfeixadas em capítulos e versículos se denominou: Evangelho.

Evangelho quer dizer Boa Nova, boa notícia. Notícia que vem falar de felicidade, apontar roteiros, dizer que todo sofrimento é transitório.

Só a felicidade é perene. E ela pode ser alcançada a qualquer tempo, bastando que a pessoa realize o gesto no sentido de detê-la entre seus dedos e usufruí-la na intimidade de sua alma.

E o maior sucesso que uma pessoa pode almejar para a sua própria vida é ser feliz.

Pense nisso!

Redação do Momento Espírita, a partir de fato da
vida de Andrew Carnegie.
Disponível no livro Momento Espírita, v. 8, ed. FEP.
Em 8.1.2014.

sábado, 25 de julho de 2020

A tríplice função social do Centro Espírita

http://feeb.org.br/index.php/institucional/artigos/498-a-triplice-funcao-social-do-centro-espirita

Por André Luiz Peixinho
Diretor – presidente da FEEB.
Para que um saber se insira na sociedade é necessário a existência  de estruturas formais  que assegurem a sua difusão, a criação de uma consciência coletiva de profitentes e o desenvolvimento de práticas que validem e utilizem tal conhecimento de modo a fazê-lo mais aceito. Por isto a Cosmovisão espírita, construída a partir da revelação espiritual codificada por Allan Kardec, presentificando-se no mundo, vivencia os mesmos processos de outras mundividências para se instaurar nas entranhas da sociedade.
Em que pese suas profundas diferenças de organização em relação a outros saberes, a começar pela inexistência de hierarquia bem como  o contato permanente com participantes interexistenciais  – espíritos desencarnados –  o Espiritismo constituiu uma célula máter para desenvolver suas atividades: o centro espírita  hoje considerado sua unidade fundamental.
Nele realizamos  os mais variados trabalhos em consonância com as demandas evolutivas  das pessoas que o buscam  organizando suas atividades sob a ótica dos princípios espíritas que nos oferece os parâmetros  necessários para discernirmos o que convém efetivar, seu modo de operar e como avaliar nossas ações.
Como os centros espíritas surgem ao sabor das decisões pessoais e de pequenos grupos, algumas vezes sob orientação ostensiva de entidades espirituais, é compreensível que apresentem variedade de formas de organização, de ênfase em algumas atividades, e até mesmo de foco em um ou outro princípio norteador da Doutrina Espírita.
Considerando os motivos identificados nas pessoas que buscam tais instituições e seus objetivos institucionais decorrentes da cosmovisão espírita, organizamos suas atividades prevalentes em três núcleos  que correspondem a aspectos da sua função social: centro de saúde e promoção da pessoa, educandário e templo.
A tríplice função social do centro espírita - Parte I
Centro de saúde e promoção da pessoa
Considerando que estarmos encarnados é reflexo da nossa situação espiritual cujo movimento evolutivo é impulsionado pela dor, todos em algum momento demandaremos hospitalidade. E pelo fato do pensamento espírita nos mostrar numa maior inteireza como seres espirituais manifestando-se por instrumentos intermediários impermanentes  ou passíveis de transformação, nossas vestes transitórias chamadas de corpo somático e perispírito, é necessário que dediquemos parte da nossa atenção a atividades referentes a melhoria da qualidade de vida no sentido multidimensional biopsicossocioespiritual incluindo inclusive os sofredores incorpóreos.
Assim tem relevância tudo que fizermos em termos de saúde e promoção humana, justificável por vários princípios espíritas a começar pela solidariedade entre irmãos já que somos filhos da mesma criação divina, da necessidade evolutiva de expressarmos amor  como alavanca do nosso progresso e da compreensão do mandamento de Jesus, considerado guia e modelo por excelência pelo Espiritismo, que recomendava:” curai os enfermos”.
Como a cosmovisão espírita não despreza as contribuições da visão materialista do mundo, incluindo-as e transcendendo-as é natural que algumas de nossa atividades  se assemelhem na forma  àquelas existentes na sociedade. Em nome da caridade acolhemos as pessoas que precisam de cuidados biológicos, de atendimentos psicológicos e  de ações sociais e até nos propomos a seguir normas jurídicas vigentes para minimizarmos a dor do mundo . Ainda que não elejamos o corpo como foco principal de nosso existir devemos vê-lo como o “templo onde habita o espírito, veículo de manifestação do ser imortal, síntese evolutiva do espírito no domínio das formas materiais.
Entretanto mesmo nestas instâncias devemos fecundar nossas ações com a perspectiva de que lidamos com um ser imortal em transitória condição de vida  cujas circunstâncias são também momentos significativos para dinamizarmos  o processo evolutivo.  E porque entendemos que a vida biopsicossocial é uma conseqüência da dimensão espiritual evolutiva de cada ser mesmos nos procedimentos  triviais  de elevação da  qualidade de vida além de aliviarmos os efeitos devemos remontar às causas que são em última instância derivadas do espírito.
Na ação espírita solidária também diferimos das práticas materialistas por termos conhecimento sobre fluidos, energias psíquicas, influências espirituais obsessivas, processos de adoecimento palingenésico, ausência de Deus, como fatores geradores de sofrimento. Por outro lado temos ao nosso dispor modalidades de trabalho não disponíveis em um centro de saúde comum como a água magnetizada, o passe, a consulta espiritual, as práticas desobsessivas, o aconselhamento a partir da trajetória evolutiva,  os trabalhos de esclarecimento grupal sobre o adoecer e o curar-se,  para citar algumas das práticas mais corriqueiras já consagradas pelo uso no movimento espírita.
A tríplice função social do centro espírita – Parte II
Educandário
Segundo a análise dos princípios espíritas a educação é concebida como um caso particular, basicamente humano, do processo evolutivo que encadeia o átomo e o arcanjo, numa série de transformismos inerentes à lei do progresso. Trata-se assim o fenômeno educativo como um desvelar de potencial do ser essência  nas suas manifestações até atingirmos o estágio preconizado por Jesus ao afirmar: sede perfeitos como perfeito é o Pai Celestial.
Mais uma vez estamos, neste aspecto das atividades espíritas, enriquecidos por fundamentos filosóficos e psicológicos para a educação que consideram os avanços das concepções pedagógicas humanistas centradas numa vida corporal única  e vão além, fazendo os ajustes necessários. Enfatizamos a primazia do espírito sobre a matéria  ao trabalharmos com a informação de que somos seres espirituais  vivendo uma experiência humana.
Por razões históricas e sociais, no Brasil dos séculos XIX e XX, o movimento espírita definiu ser prioritário investir na educação do povo seja porque exercia sua solidariedade com os mais necessitados seja por entender que a compreensão lingüística, mesmo em moldes tradicionais, favorece a liberdade de consciência, um passo evolutivo relevante na atualidade e facilita o acesso intelectual ao saber espírita. Assim nasceram muitas instituições educacionais comandadas por espíritas, inseridas na rede de ensino oficial e, em conseqüência, utilizando-se de didáticas que por sua origem se restringem  à formação intelectual, ao cultivo de habilidades psicomotoras e preparação para o mercado de trabalho e ao cultivo de alguns valores de forma incipiente.  Em alguns casos, quando possível se inseriu em sua grade curricular momentos de educação moral e religiosa e até mesmo estudos espíritas.
Este esforço de valorização da educação, uma demonstração clara do sentido de benemerência  difundido nos arraiais espíritas, em certo sentido facilitou o reconhecimento dos espíritas no meio social e perante órgãos governamentais. Entretanto, por sua própria natureza, não explorou as fontes do saber espírita e se tornou uma introdução à prática educacional espírita, hoje muito mais organizada e diversificada na sua célula máter. Em muitos centros espíritas ensino-aprendizagem  inclui  palestras organizadas para públicos flutuantes, ações didáticas para diferentes faixas etárias com programas diversificados, estudos específicos de autores, de temas selecionados, grupos de autoconhecimento e desenvolvimento do potencial humano, práticas educativas em torno da mediunidade e mais raramente pesquisas.
Construir um arcabouço teórico-prático  e vivencial para as atividades espíritas em educação é uma demanda cada vez mais significativa para o progresso do Espiritismo e o cumprimento de sua missão quanto a renovação social. O que já foi realizado até então, nada desprezível, situa-se como parte do edifício pedagógico que precisamos erguer .
Tomando como base o discurso de Allan Kardec sobre a educação do caráter , sua vivificação e ampliação  pelos seguidores que o sucederam, esboça-se o aproveitamento de todas as faculdades psíquicas, de diferentes estados de consciência, do uso da compreensão evolutiva e palingenésica como realidades possíveis no ato pedagógico a partir da cosmovisão espírita.
E tendo como modelo pedagógico as ações de Jesus e seus apóstolos no Evangelho deveremos levar em consideração a adequação dos conteúdos e das vivências educacionais a cada ser em sua zona proximal de aprendizagem pois Ele falava por parábolas ao povo, reunia um  grupo para convivência diária, ampliava este grupo nos momentos de difusão do Evangelho e o reduzia quando se tratava de vivências especiais como no monte Tabor ou no jardim  das Oliveiras.
Também deveremos dar ênfase ao finalismo da educação do Evangelho, que o Espiritismo pretende revitalizar pois  assume como missão sua reviver o  padrão evangélico, e ele nos aponta para um ser educado em conformidade com a lei de Deus, buscando prioritariamente o reino dos céus, tendo fé a ponto de imitar Jesus em seus feitos, desapegado dos bens do mundo, amando a ponto de fazê-lo incluindo os inimigos e dando a própria vida corpórea em favor dos amados, e fazendo brilhar a luz diante dos homens para a glória de Deus.
Em decorrência das atividades do educandário deverá florescer uma comunidade espírita unificada pelo  pelos princípios ainda que expressando sua diversidade evolutiva. Um mais amplo sentido de família será desenvolvido através de laços espirituais onde todos se reúnem em torno de um projeto evolutivo individual e comunitário e aporta sua contribuição conforme suas possibilidades e recebe apoios de acordo com suas necessidades e disponibilidades da comunidade, aos poucos convergindo para uma idealizada situação similar aos apóstolos que segundo a narrativa de Lucas eram um só pensamento e um só coração, na comunidade original perto de Jerusalém.
A  tríplice função social do centro espírita – Parte III
Templo
Em nossa viagem evolutiva precisamos de estímulos que nos façam sair dos limites da consciência normal e das influências dos hábitos do subconsciente. Isto só é possível de retirarmos o véu que impede o acesso as zonas superiores da nossa psique configuradas no superconsciente, em cujo âmago está a assinatura de Deus. Isto é possível através dos momentos de oração, em preces que pedem, agradecem e louvam, em contemplações que nos fazem perceptivos a unidade fundamental do cosmos, em meditações que nos permitem realizar a ascese espiritual do estágio humano até a percepção unificada em Deus, na busca de vivências de transcendência quando superamos  as barreiras da mente e seu modo de perceber centrado no espaço e no tempo, enfim na experiência do êxtase que nos permite adentrar com consciência o reino propriamente dito da essência.
A função social de templo nos remete ao lugar do sagrado, à experiência do numinoso, à entrada na consciência do permanente, e por conseqüência, a compreensão da sabedoria perene, do deleite no Eterno, no Absoluto, na Plenitude.
Por considerarmos a mais arrojada atividade do espírito, viver o sagrado, é essencial para dinamizar nosso processo evolutivo. Através dela fazemos conexões interdimensionais com os luminares da Verdade, do Belo, do Bem, da Justiça e gozamos  de momentos ditosos que são incomparavelmente superiores aos prazeres até então vividos em sua maioria restritos a uma consciência sensório-emocional. Ainda que não consigamos manter o clima psíquico especial sua presença sutil impregnará nossas atitudes e reorientará nosso sistema de  decisão nas questões humanas do cotidiano.
Ainda que não tenhamos alcançado a mesma desenvoltura nas práticas de templo quando comparadas ao hospital e ao educandário, o que em certo sentido nos sinaliza para nossas dificuldades em ultrapassar o humano em direção à angelitude, realizamos algumas atividades que merecem maior disseminação como as orações introdutórias nas atividades do centro espírita, os círculos de oração à distância, os encontros de práticas meditativas, estes mais raros, a leitura em grupo de textos sagrados, em especial os evangelhos canônicos, os ensaios espirituais através da arte  de qualidade transcendental, as viagens mentais ou imaginativas em direção ao nosso futuro evolutivo e os encontros com líderes espirituais desencarnados através das vivências em desdobramento espiritual ou da mediunidade que orientam a implantação das percepções espirituais elevadas na consciência humana .
Como pretendemos  ultrapassar a consciência mítica e mágica caracteristicamente pré-racional, alijamos de nossas instituições rituais que nos aprisionam nesta fase anterior do desenvolvimento psíquico. Entretanto ainda não conseguimos ultrapassar com facilidade a nossa estabelecida racionalidade para adentrarmos o reino consciencial intuitivo-afetivo onde vigora a síntese e as experiências de fé que nos dão certeza além dos fatos, referendando o ensino de Jesus a Tomé que dizia serem bem-aventurados os que não viram e creram. Esta limitação nos priva de realizarmos  as  possibilidades entrevistas nas afirmações de que deveremos gravitar em torno de Deus ou de sermos co-criadores do Universo em união com Ele.  O exercício perseverante no templo nos facultará acessarmos a regiões inusitadas da psique e do mundo espiritual, ampliando nosso sentimento de religiosidade até alcançarmos a gênese fenomênica do Cosmos e sua causa primordial.
É evidente que  o centro de saúde, o educandário e o templo só existem e realizam a sua missão a contento na medida em que preparam trabalhadores competentes para cada mister. Daí porque é essencial a adequada capacitação do voluntariado espírita em alguma instância do movimento espírita o que usualmente é uma tarefa prioritária das  chamadas atividades federativas. Há porém que se responder algumas indagações prementes para cultivarmos o progresso do movimento espírita ao tempo que asseguramos a sua unidade substancial. Entre elas destacamos:
Quais os parâmetros utilizados para caracterizar uma atividade espírita?
Como proceder para facilitar o surgimento de trabalhadores compromissados com a cosmovisão espírita e, portanto orientando-se pelos ensinos do Evangelho, capazes de atender as demandas do centro de saúde, do educandário e do templo?.
Como construir a melhor forma de organização institucional adequada a cada comunidade de espíritas e ao mesmo tempo unificada nos objetivos e princípios espíritas?
E como avaliar se nossas atividades estão congruentes com os objetivos espíritas e alcançam os resultados  que delineamos?
Vale ainda ressaltar que esta divisão de funções é ainda um artifício organizacional  pois elas estão entrelaçadas, formando uma totalidade organísmica, e como tal podem, até certo ponto, serem exercidas simultaneamente.
E mesmo esta descrição das funções não ilustra a totalidade da ação dos centros espíritas  pois seus profitentes podem estar realizando ações espíritas em ambientes de trabalho, nos órgãos de comunicação, em conselhos sociais  etc…
Os que acreditamos  na visão de mundo centrada no espírito e temos nosso oásis evolutivo no centro espírita e em seus órgãos de unificação do pensamento e sentimento devemos levar adiante com redobrado denodo a tarefa de semearmos no mundo esta percepção da realidade que de tão revolucionária demandará muitas transformações pessoais, coletivas e interexistenciais.
O desafio é vasto, a meta é grandiosa, a missão vista através deste prisma é entusiasmante.
Avante pois trabalhadores espíritas. O reino da bem-aventurança é o nosso destino.
ALPeixinho
Diretor – presidente da FEEB.

domingo, 5 de abril de 2020

Deixe claro para seu Filho

https://espirito.org.br/artigos/centro-espirita-e-adolescencia-2/


Deixe claro para seu Filho


Luiz Carlos D. Formiga

“Formam famílias os Espíritos que a analogia dos gostos, a identidade do progresso moral e a afeição induzem a reunir-se. Mas, como não lhes cumpre trabalhar apenas para si, permite Deus que Espíritos menos adiantados encarnem entre eles a bem de seu progresso. Esses Espíritos se tornam, por vezes, causa de perturbação, o que constitui para estes a prova e a tarefa a desempenhar” (ESE).

Em 1983 procuramos discutir o ensino na universidade. Na biologia e biomedicina a evasão de alunos incentivou estudos que pudessem identificar as causas (3,4). Será a evasão o reflexo de um estado social, de uma administração mal conduzida, que além de abortiva é também favorecedora de circunstâncias que podem ser consideradas precipitantes? Investigações semelhantes poderiam explicar porque algumas Casas Espíritas possuem jovens conscientes, atuantes, e outras não.

De uma hora para outra ele não quer mais ir ao Centro!

O que fazem os pais diante da resistência religiosa?(1)

Comportamentos Polares
Encontramos comportamentos polares. O autoritarismo estava manifesto na decisão de J. quando avisou que o filho perderia a mesada e o uso do carro nos fins de semana. Ele arranjou um emprego de “auxiliar de serviços gerais” e passou a andar de carona(1).

A aceitação pacífica, sem maiores discussões foi o que encontramos em F. que disse: “mais tarde ele voltará”. O pai desconhecia a necessidade que os jovens têm de lutar. Nessa fase eles precisam “ser do contra”.

“No nosso tempo não havia discussão, os pais mandavam, eles iam e ponto final”. Frase da mãe de R., 16 anos, que vive arranjando desculpas para não ir ao Centro. Este é um fato que aflige aos pais. Embora nascidos em lares espíritas jovens são atraídos por idéias niilistas. Isto faz surgir falsa idéia de que o anjo da guarda nem sempre está de plantão.

Ouvimos uma explicação sobre o respeito que se deve depositar na questão do livre arbítrio: “se estivermos avançando na direção de algo que irá nos ensinar uma lição valiosa, porém difícil, eles poderão nos mostrar maneiras mais alegres de aprender a mesma coisa. Se resolvermos persistir no caminho original, eles não tentarão nos impedir. Cabe a nós escolhermos a alegria, mas caso aprendamos melhor através da dor e do esforço, os guias espirituais não os afastarão de nós”.

O que fazer?

Vacinar a mente infanto-juvenil para prevenir a doença causada pelo micróbio da alienação.(2)

Quais as causas da resistência encontrada na hora de ir ao Posto de Vacinação?

As Causas Naturais
Existem causas naturais e legítimas. Na fase de crescimento existem períodos naturalmente conturbados, como o da “expansão subjetiva”, conhecido como “descobrimento da realidade exterior”. Surge a dor “pela perda dos pais ideais”, quando a imagem idealizada e mágica se choca com a realidade. Em relação à evasão do jovem na casa espírita não podemos esquecer que é natural a rebelião contra a autoridade constituída, neste período da vida. Nessa fase os jovens são constantemente avaliados e aprendem a avaliar a fé da família. Ao encontrarem pais espíritas de fachada sentem-se frustrados. No dia em que a criança percebe que todos os adultos são imperfeitos torna-se adolescente, e, se tornará adulta quando puder perdoá-los.

As Causas Legítimas
Por outro lado, existem outras causas para a evasão:

Eles encontram com muita freqüência discursos que ficam aquém de suas ansiedades e reuniões pouco atraentes.
Quando encontram temas que aguçam a curiosidade, percebem também que esses estudos são mal administrados e ministrados por evangelizadores bem intencionados, mas incompetentes. Alguns são incapazes de formular objetivos e selecionar estratégias adequadas.
Outra causa legítima é o encontro de contradições. O que é pregado, não é vivenciado no Centro. O comportamento dos pais é ainda mais fácil de observar. Quando aprendem que devem amar ao próximo, mas os pais não vivem de acordo com esse preceito, eles se sentem traídos.
Examinando as condições sócio-familiares, vamos encontrar luz no fundo do túnel, principalmente quando tentamos compreender o impulso homossexual. Neste caso temos que considerar vários raciocínios e olhar através das várias janelas do edifício do holismo espiritualista.
O homem é um ser de natureza multifacetada. Na sua análise é necessário utilizar diversos raciocínios: o critério estatístico; o biológico; o psicológico; o antropológico (psicanalítico); o familiar; o político e o espiritual, que estão separados apenas didaticamente.

Quando examinamos detidamente as condições sócio-familiares no homossexualismo encontramos uma constelação familiar defeituosa. Há continuidade e severidade de relações patológicas entre pais e filhos. É possível identificar progenitores complicados, ausentes, subservientes, alcoólatras, machistas, violentos, autocratas, dominadores.

Mulheres transexuais sofreram em 22% abuso sexual dos próprios pais e em 37% dos casos a relação entre os pais era turbulenta, doentia, com separação (*). Uma constelação semelhante foi encontrada entre crianças que tentaram o suicídio.(**)

Abandonar as reuniões no Centro pode indicar a necessidade de romper as amarras de um progenitor possessivo.

A Solução
Podemos pedagogicamente sugerir a luta em favor de uma causa justa. Na luta, contra o estigma da lepra; contra o aborto; contra as condições inadequadas do Hospital Psiquiátrico Espírita; contra o uso de drogas, temos tido ajuda valiosa dos estudantes que participam dos grupos espíritas nas universidades.(***)

Dirigentes Espíritas; Pais e Professores Podem Complicar
Professores e pais muitas vezes não compreendem a verdadeira extensão dessas iniciativas acima referidas. Pensam que é um trabalho muito pontual. Acreditam que estamos empregando muita energia numa atividade que deveria ser dos representantes do poder público.

Muitos não percebem que nestas atividades de “luta contra”, em favor de uma causa justa, nossos jovens, na realidade, estão adquirindo proteção contra diversos apelos que poderiam atraí-los, se não estivessem com a atenção concentrada no seu ato de heroísmo, no seu exercício de cidadania. Gastam tempo e energia, é verdade, mas também se imunizam contra a doença causada pelo micróbio da alienação ou da desesperança.

Quando o mais velho participa, com o apoio logístico, o choque de gerações desaparece e todos ganham. A Casa Espírita que vive centrada em si mesma, não possui crianças nem jovens, desestimula colaboradores e, por isso, não tem futuro.

Diversos dirigentes são “desconfiados”, sendo incapazes de delegar responsabilidades. São pessoas responsáveis e acreditam que o jovem ainda não se encontra, como eles, preparado para assumir determinadas missões. A falta de fé no jovem e nos orientadores espirituais e o medo do fracasso fazem com que centralizem tudo e acabam prejudicando a quem tanto gostariam de beneficiar. Isto é uma causa de evasão.

Através de um conto popular, soubemos que um cientista estava interessado em realizar um estudo sobre a vida do maior comandante existente na face da Terra. Após exaustiva investigação foi informado que este já havia morrido. O pesquisador foi até o céu e pediu a São Pedro que lhe possibilitasse uma entrevista com o desencarnado, de modo a obter as informações preciosas. Diante dele o cientista reagiu dizendo que não era a pessoa com quem desejava falar: “esta eu conheci por muitos anos. Foi um simples sapateiro na cidade onde vivi”. São Pedro explicou: “Teria sido o maior de todos, se tivesse tido oportunidades e as condições ambientais adequadas para o seu desenvolvimento”.

“Embora devamos caminhar sem medo, não sejamos imprudentes, a pretexto de cultivar o desassombro, uma vez que o arrojo desnecessário é comparado à leviandade perigosa”. Emmanuel, ainda, nos diz que “o equilíbrio é fundamental, pois um coração temerário incendeia qualquer serviço, arrasando-o. Mas, um coração medroso congela o trabalho”.

Nesta questão de congelamento o artigo “Na Universidade – Indiferença ou Medo?” Publicado na Revista Internacional de Espiritismo, ano LXXV (2): 77-79, março de 2000, diz que em algumas universidades, existem espíritas que temem ser identificados como adeptos da Doutrina Consoladora.

Jesus, o Guia e Modelo
Em educação modelos de excelência são de grande valia. No entanto, nos dias de hoje há uma tendência a favor da desmistificação dos heróis. Em conseqüência os jovens carecem de imagens concretas de pessoas admiráveis para ajudá-los no esforço de evolução pessoal. É natural, na juventude, querer ser ou ter um herói. Jesus será seu guia e modelo, quando ele perceber que, na sua proposta pedagógica, existe uma conceituação revolucionária em torno das dores, dos tabus e preconceitos.

Jesus discute uma escala de valores que só os heróis, mesmo os pequenos e anônimos, podem possuir. Haverá identificação com o Evangelho e desaparecerá a crise de identidade, que é freqüente na homossexualidade oriunda de uma constelação familiar defeituosa.

Será que estou exagerando?
Afinal o jovem quer apenas afirmar a sua independência!

Vamos lembrar que a rebelião, quando não encontra a resistência paterna, sem luta, pode ser um fracasso para ele. Aí o jovem pode escolher um novo campo de batalha. A droga pode ser a opção. Afinal, todos os dependentes dizem: – “na hora que eu quiser deixar, eu deixo”. A aceitação pacífica, sem maiores discussões, é um comportamento perigoso.

A aceitação com o empreendimento de algumas “batalhas”, utilizando estratégias bem escolhidas – é a melhor opção.

Não estamos fazendo exercício ilegal da profissão de psicólogo, mas estimulando a troca de experiências, no exercício legal da paternidade responsável.

Como pais e/ou como cônjuges aprendemos com o erro e o acerto. O erro é parte do processo e deve ser transformado em estímulo de crescimento. Foi assim com a mulher adúltera e não atiramos a primeira pedra. Foi assim com o paralítico, quando o Mestre fez o reforço pedagógico: – “vai e não tornes a errar”. (João, 8:11).

Somos espíritos imperfeitos, se erramos devemos reparar o erro e “dar a volta por cima”, demonstrando maturidade emocional e saúde mental.

Informar ao filho que continuamos com a nossa crença, mas que respeitamos o seu direito de decidir por si, é fundamental.

Trabalhar no sentido do amadurecimento e fortalecimento da personalidade dos filhos, sabendo ouvir, num diálogo franco, coerente e seguro é tão importante quanto incentivar o companheirismo, o empenho e a responsabilidade nas suas atividades, que devem ser diversificadas, do trabalho aos esportes, dos estudos aos lazeres.

A Vacina Atraente
A posição do “meio”, adotada pelo pai de S. que decidiu não mais comparecer as reuniões na mocidade, nos pareceu satisfatória, quando informou que ela “era atenciosa com a família e os amigos, se esforçava para ajudar aos outros e era voluntária numa escola para crianças com necessidades especiais”. Na verdade, ela não ia ao centro, mas vivia espiritamente.

Melhorar o homem e a sociedade ainda é o setor que reclama a maior urgência(5), até no Movimento Espírita.

Diante da revolta religiosa, precisamos parar para refletir. A angústia vivida na adolescência é muito grande. A separação do mundo infantil e a incorporação ao dos adultos é um período tão difícil que a experiência clinica permite concluir que as ocorrências são tão intensas, quanto aquelas vividas pelo adulto ante a perda de um ente querido.

M., 15 anos, começou a apresentar os sintomas da revolta religiosa. Os pais pararam para discutir e no final acharam que deveriam avaliar também a Casa Espírita. Fizeram um diagnóstico. A maioria dos freqüentadores era de meia idade ou mais. As atividades para os jovens eram pouco atraentes. Aplicavam vacinas muito dolorosas. Decidiram procurar outra casa mais “jovem”, onde havia um extenso programa de atividades para adolescentes. Rapidamente constataram que o filho não mais faltava.

Com a vacina Sabin imunizamos até crianças, que não compareceram ao posto de saúde, pelo contágio do vírus vacinal. A vacina viva, indolor, é contagiante.

Procuramos também atender ao domínio afetivo na vacina tríplice. Isso é alcançado, quando aplicamos apenas uma injeção intramuscular, mas prevenimos três doenças. Com essa explicação as mães são tocadas nas fibras do coração e aderem mais facilmente à campanha de vacinação, suportando melhor a dor dos filhos na picada da agulha. Evangelização não é apenas para crianças.

Aquele jovem foi contaminado pelo estudo bem elaborado e acabou contagiando os amigos, que passaram a freqüentar as reuniões. Pais atualizados e atuantes são evangelizadores diretos e indiretos na vacinação das mentes em formação. Há contágio do idealismo em família. Ao adotarem a posição firme, sem radicalismos, devem estar preparados para a derrota eventual.

Imortalidade E Reencarnação. Allan Kardec É Base Fundamental
Discutir valores foi proposta do dia mundial de prevenção ao uso de drogas. Quando os jovens possuem e compreendem sua própria escala de valores e são capazes de explicá-la aos outros, torna-se, para eles, mais fácil expressar e justificar sua decisão de abster-se de drogas.

Os pais devem provar aos jovens que a religião para eles não é simples formalidade, apenas um credo, com aparência de espuma flutuante.

Se nos colocarmos em oposição a determinados comportamentos, deveremos estar aptos a explicar as razões do nosso posicionamento. Para isso precisamos ser contemporâneos do nosso tempo e ter, na base dos nossos argumentos, as informações disponíveis nos livros da codificação da Doutrina Espírita. Os pais espíritas devem estudar as obras básicas com o mesmo cuidado com que o codificador estudou os ensinos morais do Cristo.

Os jovens precisam de uma nova ordem de idéias, que possa trazer também uma nova ética comportamental. Imprescindível a noção de Imortalidade, base da doutrina do Cristo que a demonstrou em inúmeras oportunidades.

Sem o seguro conhecimento das diversas evidências científicas sugestivas da imortalidade da alma, não tem sentido falar-se em escala de valores, em regras dirigentes da conduta e em livre arbítrio. No entanto, demonstrada a Imortalidade e examinadas as conseqüências futuras, dela derivadas, a vida ganhará outro sentido.

Sabendo que retornamos com as mesmas almas, mas em diferentes relacionamentos, estaremos atentos para as relações afetivo-emocionais e veremos com maior nitidez que a liberdade tem os seus limites e compromissos. A educação será um processo de formação de valores e de libertação espiritual. Desaparecerão as famílias patogênicas, onde há a educação para o egoísmo e o comodismo, que buscam o conforto antes do dever.

Isso é preconceito!
Na sociedade atual tudo é normal, tudo é permitido e sem culpa. Os pais devem se preparar para ouvir: – ”isso é preconceito!”.

Sabemos que não devemos violentar consciências, mas podemos apontar outros caminhos, alternativas menos dolorosas. Podemos e devemos trabalhar no sentido de aumentar o nível de consciência da sociedade, onde estamos inseridos e a quem devemos servir. Não há dúvida de que deveremos procurar ter vida moralmente sadia, mas lembrando sempre que na pedagogia de Jesus o erro faz parte do processo. Não fiquemos acorrentados aos nossos erros do passado e nem deixemos aprisionados nossos amores que foram surpreendidos pelo engano.

Com “O Livro dos Espíritos” lembremos que os valores internalizados na infância provavelmente ficarão para o resto da vida. O exemplo ainda é o da jovem voluntária numa escola para crianças com necessidades especiais.

Educar dá trabalho, mas a criatura humana é o maior investimento divino. Como a essência de qualquer religião é o amor, deixe claro para seu filho rebelde que se ele se afastar da Doutrina Espírita, “a afeição que você tem por ele permanecerá inalterada.”(1)

(*) Dores, Valores, Tabus e Preconceitos. Editora CELD.

(**) Suicídio infantil, artigo disponível na página do NEU – http://zap.to/neurj.

(***) “Campanhas” na página do NEU.

Referências Bibliográficas.
Fleming, A. 1979. Filhos que Rejeitam a Religião dos Pais. Seleções do Reader’s Digest, XVI (97): 57-60. Condensado de “Womans Day. Fawcett Publications, Inc”. Nova York, 1978.
Formiga, LCD.1981. Vacinação – Desafio de Urgência. Reformador (fevereiro). Compara as técnicas de Evangelização e Desobsessão, utilizadas pela Doutrina Espírita, com as de Vacinação e Soroterapia, utilizadas nas Ciências Biomédicas.
Formiga, LCD. 1983. Biologia e Biomedicina – Evasão Escolar. Ciência e Cultura, 35: 474-475.
Formiga, LCD. 1983. Paradoxo – Ensino de Ciências Biomédicas. Ciência e Cultura, 35: 1655-1656.
Formiga, LCD. 1999. Ética, Sociedade e Terceiro Milênio. Elaborado com base na palestra, “Ética: educação para o terceiro milênio”, durante o Primeiro Congresso Interativo Sobre Educação Para o Terceiro Milênio. “A Educação da Alma é a Alma da Educação”. Centro de Convenções do Barrashopping, RJ, RJ, dezembro de 1999. Disponível no NEU-RJ – http://zap.to/neurj

Quem é Fenelon?


https://correio.news/quem/quem-e-fenelon

Quem é Fénelon no espiritismo?

Fenelon é um dos espíritos da codificação espírita, pertencente à equipe do Espírito da Verdade, que se comunicou com Allan Kardec para que ele pudesse trazer o espiritismo à humanidade terrena no século 19.

Fenelon é o nome literário de François de Salignac de la Mothe, nascido no castelo de Fénelon, em Périgord, a 6 de agosto de 1651.

Foi prelado e escritor francês, ordenou-se sacerdote em 1675 e passou a dirigir uma instituição que tinha por objetivo reeducar as jovens protestantes convertidas ao catolicismo. Aos 44 anos, tornou-se arcebispo de Cambrai. É autor dos livros Explicação das máximas dos santos, As aventuras de Telêmaco, Fábulas e Diálogos dos mortos, O exame de consciência de um rei e Cartas sobre as ocupações da Academia francesa.

Fénelon aparece nos livros básicos da doutrina espírita, em vários momentos: assina os Prolegômenos do O livro dos espíritos e a resposta à questão 917, onde considera o egoísmo como a mais difícil das imperfeições humanas de se superar. Em O evangelho segundo o espiritismo apresenta-se em vários momentos, discursando acerca da terceira revelação e da revolução moral do homem (cap. 10); o homem de bem e os tormentos voluntários (cap. 5); a lei de amor (cap. 11); o ódio (cap. 12) e emprego da riqueza (cap. 16). Em O livro dos médiuns, está no capítulo das Dissertações Espíritas (cap. 31), onde desenvolve aspectos acerca de reuniões mediúnicas e a multiplicidade dos grupos espíritas.



A INDULGÊNCIA José – Espírito Protetor – fala-nos dessa nobre virtude (...) “sentimento doce e fraternal que todo homem deve alimentar para com seus irmãos, mas do qual bem poucos fazem uso. A indulgência não vê os defeitos de outrem, ou, se os vê, evita falar deles, divulgá-los.” (1) É claro que quando se visa a prestar um serviço à coletividade, os próprios Espíritos advertem que os maus atos de outrem devem ser apontados, mas mesmo neste caso, ter o cuidado de os atenuar tanto quanto possível, não se esquecendo de ser caridoso... Conta-se que um rapaz procurou Sócrates – sábio da Grécia Antiga – e lhe disse que precisava contar algo sobre alguém. Sócrates ergueu os olhos do livro que lia e perguntou: - O que você vai me contar já passou pelas três peneiras? – Três peneiras? Indagou o jovem assustado. Continuando disse Sócrates: - Sim. A primeira peneira é a VERDADE. O que você quer contar dos outros é um fato? Caso tenha ouvido falar, a coisa deve morrer por aí mesmo. Suponhamos então, que seja verdade. Deve passar pela segunda peneira: a BONDADE. O que você vai contar é coisa boa? Ajuda a construir ou destruir o caminho, a fama do próximo? Se o que você quer me contar é verdade, é coisa boa, deverá passar ainda pela terceira peneira: a NECESSIDADE. Convém contar? Resolve alguma coisa? Ajuda a comunidade? Pode melhorar o planeta? E arremata Sócrates: - Se passar pelas três peneiras, conte. Tanto eu, quanto você e seu irmão iremos nos beneficiar. Caso contrário, esqueça e enterre tudo. Será uma intriga a menos para envenenar o ambiente e fomentar a discórdia entre irmãos. Devemos ser sempre a estação terminal de qualquer comentário infeliz. Ainda com relação aos comentários de José – Espírito Protetor – (op. cit.) diz o mesmo: “Sede, pois, severos para convosco, indulgentes para com os outros”. Há ditos populares que nos advertem quanto aos reproches, como por exemplo: “Nunca digas dessa água não beberei”, “Fulano pagou com a língua”... A verdade é que ninguém se encontra indene para bater no peito e dizer: “Isso, eu nunca farei...” Não conhecemos as nossas fraquezas mais íntimas, Jesus, referindo-se a essa questão, disse a Pedro: (...) “Mas vais aprender, ainda hoje, que o homem do mundo é mais frágil do que perverso.” (2) E tão logo se consumou a prisão de Jesus, Pedro ataca com a espada um dos soldados que veio prender o Mestre, cortando-lhe uma das orelhas... Parece, neste momento, ter esquecido as lições de amor do Mestre Jesus. E mais adiante, nega-o por três vezes, lembrando-se de imediato, após a terceira negação, das palavras sábias de Jesus a dizer-lhe o quanto o homem no mundo é frágil. Jesus nos deu mostras em diversas passagens do Evangelho da indulgência para com as imperfeições alheias, como no caso da mulher adúltera, dos soldados que o crucificaram, do próprio Judas que o traiu. E nos advertiu da severidade do julgamento do Pai para conosco, na mesma proporção com que julgarmos os outros. (Mateus, 7:1-2). Óbvio está que a falta de indulgência para com o próximo demonstra o nosso esquecimento dos ensinos de Jesus – prova inequívoca da nossa fraqueza espiritual. Exorta o Espírito Dufêtre: (3) “Caros amigos, sede severos convosco, indulgentes para as fraquezas dos outros. É esta uma prática da santa caridade, que bem poucas pessoas observam. Todos vós tendes maus pendores a vencer, defeitos a corrigir, hábitos a modificar; todos tendes um fardo mais ou mesmos pesado a alijar (...) Por que, então, haveis de mostrar-vos tão clarividentes com relação ao próximo e tão cego com relação a vós mesmos?” Tanto tempo temos estudado a Doutrina Espírita. É preciso, pois, que nós, os espíritas, adotemos os ensinos morais, como este, aplicando-os, sobretudo dentro das nossas Casas Espíritas. Entendendo a individualidade espiritual de cada um, deixando de tentar submeter consciência às “nossas verdades”. Sabendo implementar os conhecimentos doutrinários de acordo com a capacidade de aprendizado de cada um. Acabando com as rusgas, maledicências, comentários infelizes acerca do próximo, que demonstram a nossa falta de indulgência e de evangelho no coração. Busquemos primeiro, acender a nossa luz interior, para depois começarmos a iluminar as trevas que nos cercam. . Reformador set99 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA: S 1. KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. X, item 16. 111. ed. FEB. 2. XAVIER, F. C., Boa Nova. Pelo Espírito Humberto de Campos, cap. 26, pág. 173, 20 ed. FEB. 3. KARDEC, Allan, O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. X, item 18. 111. Ed. FEB.

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Links sobre indulgência


https://cursodeespiritismo.blogspot.com/2016/07/indulgencia-e-nos-maria-dolores.html

https://cursodeespiritismo.blogspot.com/2016/07/indulgencia.html

https://cursodeespiritismo.blogspot.com/2016/07/falar-ou-nao-falar.html


terça-feira, 31 de março de 2020

Indulgência

A indulgência é um dos sentimentos mais elevados que pode ser desenvolvido pelos seres humanos.

Caracteriza-se pela compaixão que se demonstra pelo próximo e pelas suas imperfeições.

Permite que perdoemos as ofensas que nos atingem.

Ao mesmo tempo, proporciona ao ofensor a possibilidade de reabilitar-se por meio de ações meritórias que o ajudam na reconquista de si mesmo.

É a mensageira angelical que entoa hinos de ternura aos ouvidos daqueles que sofrem.

Se alguém mostra-se um acusador cruel e rebelde, atacando os demais com injúrias e recriminações violentas, também ele é merecedor de indulgência.

Tais distúrbios de comportamento expressam, em verdade, o estágio de inferioridade pelo qual ele transita infeliz.

Se outro esmaga o fraco que se encontra sob sua dependência, também este opressor demonstra estar necessitando de grande dose de indulgência.

Seu transtorno emocional, capaz de fazê-lo comprazer-se com essa espécie de violência, por certo, está a ponto de enlouquecê-lo.

Se uma pessoa se alegra com o sofrimento daquele que elegeu como adversário, perseguindo-o sem trégua, carece também ele de indulgência.

Esta bênção funcionará para o desequilibrado como bálsamo a apaziguar a aflição em que se debate.

Se a criatura é ingrata e soberba, esquecendo-se de todo o bem que tem recebido, porque se encontra momentaneamente em posição confortável, também esta prova ser carecedora da indulgência.

Esta virtude será o melhor recurso para que tal enfermidade moral estanque no nascedouro.

Se este outro é rude e presunçoso, esquecido das próprias limitações, somente a indulgência para com ele será capaz de demonstrar-lhe a ruína moral em que se encontra.

Indulgência para com os outros, eis aí um dos mais significativos convites que nos deixou o Mestre Nazareno.

Porquanto, no grau evolutivo em que nos encontramos, não há aquele que não necessite recebê-la durante a caminhada terrestre.

A indulgência espalha a oportunidade de reabilitação ao ofensor, mas também pacifica o coração daquele que a oferece.

Sem indulgência a vida terrena perde o seu significado e o ser humano torna-se joguete de paixões que desencadeiam consequências nefastas.

Graças à indulgência o ser edifica-se e se engrandece, entesourando paz e alegria de viver.

*   *   *

Indulgente para com as misérias humanas, o Cristo veio ter com as criaturas para auxiliá-las no árduo caminho do progresso.

Desde sempre suporta nossas imperfeições com amor e compreende-as com misericórdia.

Consciente de que a libertação do erro e a ruptura das algemas dos instintos agressivos são processos lentos, Jesus jamais Se irritou ou desanimou.

Em momento algum demonstrou cansaço ou perturbação.

Nas ocasiões em que Se mostrava enérgico, evitou a rispidez e a agressividade, tão comuns ainda em nossos atos cotidianos.

Além disso, o Mestre jamais necessitou da indulgência de ninguém.

Ele tomou Sua cruz e plantou-a no monte da adversidade humana, sem queixas, nem lamentações.

Mesmo no momento derradeiro, traído e abandonado, Ele Se manteve indulgente e compassivo.

Perdoou, de forma incondicional, a perversidade daqueles que haviam recebido Dele Seu inefável amor.

Sem cobrança, nem lamúrias, exemplificando de modo inquestionável a virtude que nos concita a exercer e a conquistar.

Desde agora e para sempre.

Redação do Momento Espírita com base no
 capítulo 34 do livro Lições para a felicidade,
pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia
 de Divaldo Pereira Franco, ed.Leal.
Em 01.03.2010.

A INDULGÊNCIA - PARTE III


Dufétre, bispo de Nevers, do qual não encontramos referências, traz a terceira e última mensagem deste capítulo, sobre a indulgência, iniciando-a com a mesma recomendação das duas anteriores: “sede severos para vós mesmos e indulgentes para as fraquezas alheias.”

A insistência do conselho nos mostra a importância da prática dessa ação em nossas vidas, neste planeta de expiações e de provas, como condição sine-qua-non de nossa evolução espiritual, de nossa paz interna e externa.

Para que possamos conseguir vivenciar no cotidiano essa recomendação, parece-me, indispensável, a aceitação de que somos todos iguais em potencialidades, desde a nossa criação, e que estamos todos fazendo nossa caminhada evolutiva para atingir a perfeição e a felicidade. Para isso há necessidade da aceitação da continuidade da vida do Espírito.

Essa certeza acaba com o orgulho e o egoísmo, desenvolve a humildade, que leva o homem a sentir-se igual ao outro, nem superior, nem inferior, tornando-o indulgente para as fraquezas alheias, e exigente consigo, porque compreende o que pode exigir de si mesmo.

Enquanto os homens viverem com a idéia de uma vida única, vivendo-a guiados pelo orgulho e egoísmo, não vendo senão seus próprios interesses, julgando-se mais merecedores do que os outros, as lutas entre pessoas e entre nações continuarão trazendo dores e sofrimentos, além de atrasar o progresso geral.

O autor dessa mensagem escreve que seguir a recomendação acima é fazer “a santa caridade”, visto que todos nós, os habitantes da Terra, encarnados e desencarnados, temos “más tendências a vencer, defeitos a corrigir, hábitos a modificar”. Temos um fardo mais ou menos pesado para alijar, ou seja, para livrarmo-nos, para retirar de nós, a fim de que possamos atingir o “cume da montanha do progresso”.

Por que, então, enxergarmos com tanta clareza as falhas alheias, sendo tão cegos com as nossas? Por que faltar com essa caridade?

“O verdadeiro caráter da caridade é a modéstia e a humildade, e consiste em não se verem superficialmente os defeitos alheios, mas em procurar destacar o que há de bom e virtuoso no próximo. Porque, se o coração humano é um abismo de corrupção, existem sempre, nos seus mais ocultos refolhos, os germes de alguns bons sentimentos, centelhas ardentes da essência espiritual”.

Escreve sobre o espiritismo, considerando felizes os que o conhecem e põem em prática seus claros ensinos, que lhes ensinam que a caridade em relação ao próximo tem de ser praticada como para si mesmo.

“Caridade para com todos e amor a Deus sobre todas as coisas, porque o amor a Deus resume todos os deveres, e porque é impossível amar a Deus sem praticar a caridade, da qual Ele fez uma lei para todas as criaturas”.

Enquanto não nos libertarmos do hábito de destacar as imperfeições alheias, por muito que façamos em atividades de beneficência, não estamos sendo caridosos, estamos amparando necessitados, mas não estamos aproveitando essas atividades para nossa transformação moral, visto que estamos sendo malévolos para com nossos irmãos e orgulhosos em não vermos ou camuflarmos as nossas próprias mazelas.

Leda de Almeida Rezende Ebner
Fevereiro / 2009

Bibliografia:
KARDEC, Allan -“ O Evangelho Segundo o Espiritismo”

A INDULGÊNCIA - PARTE II


 “Sede indulgentes para as faltas alheias, quaisquer que elas sejam; não julgueis com severidade senão as vossas próprias ações, e o Senhor usará de indulgência para convosco, como usastes para com os outros.”

Assim inicia sua mensagem João, bispo de Bordeaux.

Novamente, a mesma recomendação da mensagem anterior, levando-nos à importância do entendimento de que, perante Deus e suas leis, somos todos iguais e nossa conduta em relação aos outros determina a maneira como essas leis serão aplicadas a nós.

Na prece do Pai Nosso que milhões e milhões de pessoas dizem, diariamente, na frase: “Perdoai-nos, Senhor, assim como perdoamos aos nossos devedores”, está-se assumindo, com Deus, o compromisso do esforço de perdoar aos que ofendem, mas, poucos se dão conta de que esse compromisso, não é o do pensamento ou da palavra, mas sim o da ação.

No exercício de sermos severos para com nossas falhas, estamos exigindo de nós o que devemos e podemos fazer, pois se já somos capazes de perceber nossos erros, já temos evolução suficiente para evitá-los.

O contrário se dá, quando julgamos o outro, do qual nada sabemos, por mais que o conheçamos. Não sabemos das suas experiências anteriores, dos seus sonhos, das suas angústias, frustrações e sofrimentos, das suas necessidades, dos motivos que o levam a agir dessa ou de outra forma.

Para julgar alguém precisaríamos conhecê-lo como nos conhecemos.

Daí a necessidade de sermos severos para conosco e indulgentes para com os outros, se queremos ter paz interior, evitando maiores sofrimentos para nós mesmos.

Perdoar não é só o esquecimento das faltas, pois se as leis divinas se esquecerem das faltas, esquecerão também das conseqüências das ações boas, dos méritos. Sendo as leis divinas sábias e justas, nada pode ser simplesmente apagado, esquecido.

O perdão de Deus não pode suspender as conseqüências de suas leis, visto que Ele, AMOR e SABEDORIA, não iria infringi-las.

Quando pedimos perdão a Deus por nossas faltas, estamos ou deveríamos estar pedindo que Ele nos faculte os meios de repará-las da melhor maneira possível. Que Ele nos dê forças para não recairmos nos mesmos erros, proteção para libertarmo-nos das imperfeições que lhes dão origem e auxílio para entrarmos nesse novo caminho de arrependimento, de reparação, de submissão e de amor.

Assim, devemos perdoar aos que nos ofendem. Esquecer as ações ofensivas, mas ir além, procurar ter para com ele pensamentos e sentimentos bons, fazendo por ele o que faríamos para com um amigo, assim como queremos que Deus faça conosco.

Esse é o perdão que vem do coração esclarecido pela razão. É o amor em ação, é a caridade ativa e infatigável!

“Substituí a cólera que mancha, pelo amor que purifica. Pregai pelo exemplo essa caridade ativa, infatigável, que Jesus ensinou. Pregai-a como ele mesmo o fez por todo o tempo em que viveu na Terra, visível para os olhos de corpo, e como ainda prega sem cessar, depois que se fez visível apenas para os olhos do Espírito. Segui esse divino modelo, marchai sobre as suas pegadas: elas vos conduzirão ao refúgio onde encontrareis o descanso após a luta. Como ele, tomai a vossa cruz e subi, penosamente, mas corajosamente, o vosso calvário: no seu cume está a glorificação.”

Leda de Almeida Rezende Ebner
Janeiro / 2009

A INDULGÊNCIA - PARTE I


“Espíritas, queremos hoje falar-vos da indulgência, esse sentimento tão doce, tão fraternal, que todo homem deve ter para com seus irmãos, mas que tão poucos praticam.”

Com essas palavras, inicia José, Espírito Protetor, sua sublime mensagem sobre a indulgência, sentimento que leva o homem a perdoar culpas, usar de clemência, ter misericórdia, ser tolerantes com as atitudes que lhe pareçam estranhas ou são negativas.

Seu antônimo é a malevolência, que leva a perceber as falhas alheias, criticá-las e comentá-las.

“A indulgência não vê os defeitos alheios, ou se os vê evita comentá-los e divulgá-los. Oculta-os, pelo contrário, evitando que se propaguem, e se a malevolência os descobre, tem sempre uma desculpa à mão para os disfarçar, mas uma desculpa plausível, séria, e não daquelas que, fingindo atenuar a falta, a fazem ressaltar com pérfida astúcia.”

Quem lê essas palavras, penetrando-lhes no seu profundo significado, vai esforçar-se para vivenciá-las. Vai falhar muitas vezes, vai pegar-se, em flagrante, na malevolência, outras muitas vezes, porque muito mais difícil do que adquirir um hábito novo é perder hábitos antigos, e comentar falhas e erros alheios é um hábito muito arraigado no Espírito humano, que aparece sempre nas conversas entre pessoas, um mau hábito social, como se fora algo sem importância, inocente.

Como o homem aprende e fixa o aprendizado pelo exercício, quanto mais pratica o hábito da malevolência, da maledicência, mais se distancia da indulgência.

Sentir indulgência para com os outros, procurando não destacar seus defeitos, mas exaltar suas boas qualidades é uma excelente atitude para estimular o outro a querer ser melhor do que é, sem que se sinta ferido no seu orgulho.

Todos nós poderíamos evoluir com menos dores e sofrimentos, se eliminássemos esse mau hábito de ver, apontar, criticar, comentar os erros alheios, principalmente, na ausência dos mesmos, como se não errássemos nunca; se fôssemos mais indulgentes com os outros e mais severos conosco; se buscássemos entender as dificuldades alheias tanto quanto enxergamos as nossas; se ao percebermos uma falha em alguém, procurássemos evitá-la em nós ao invés de a ressaltarmos no outro; se tentássemos auxiliar o que erra, com benevolência, com discrição, com humildade.

Quantas situações de grandes dores são criadas com esse hábito horrível de destacarmos, com malevolência, os defeitos alheios!

 Mas se houver perseverança e vontade nesse esforço, um dia iremos conseguir ser indulgentes para com os erros dos outros, como queremos que os outros o sejam para com os nossos erros.

             “Ó homens! Quando passareis a julgar os vossos próprios atos sem vos ocupardes do que fazem os vossos irmãos? Quando fitareis os vossos olhos severos somente sobre vós mesmos?

             “Sede, pois, severos convosco e indulgentes para com os outros”.

No Livro da Esperança, Emmanuel, no capítulo 27, destaca que Deus “espera as criaturas, no transcurso do tempo, tolerando-lhes as faltas, e encorajando-lhes as esperanças, embora lhes corrija todos os erros, através de leis eficientes e claras”.

Diz que se toda obra de bem, exige responsabilidade e disciplina, dentre outras coisas, “é imperioso considerar que toda boa obra roga auxílio, a fim de aperfeiçoar-se”.

Daí a necessidade de se compreender que “o bem exigido pela força da violência, gera males inúmeros em torno, e desaparece da área luminosa do bem para converter-se no mal maior”.

Estudemos bem essa mensagem de José, Espírito Protetor, tão atual, como se ela fosse escrita hoje, para nós, e reflitamos bastante na frase final: “Sede indulgentes, meus amigos, porque a indulgência atrai, acalma, corrige, enquanto o rigor desalenta, afasta e irrita”.

Leda de Almeida Rezende Ebner
Dezembro / 2008

Bibliografia:
KARDEC, Allan -“ O Evangelho Segundo o Espiritismo”

Indulgência, a virtude da compreensão

IVOMAR SCHÜLER DA COSTA
ivomarcosta@gmail.com
Pelotas, RS (Brasil)

 


Indulgência, a virtude
da compreensão


Sucedendo à benevolência, Kardec classifica a indulgência como a segunda virtude elementar da caridade .

Ao ler as obras fundamentais do Espiritismo encontram-se termos em que os significados por vezes se aproximam e por vezes se afastam, causando alguma confusão ao leitor menos atento ao processo sinonímico e diacrônico, dentro do campo semântico. Este é o caso de alguns utilizados nos evangelhos, bem como nas obras espíritas.  Perdão, indulgência e misericórdia aparecem muitas vezes em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”. Seriam eles sinônimos? Para que possamos entender e aplicar a caridade em toda a sua extensão, necessário se faz conhecer o sentido exato dos termos utilizados pelos luminares que em todos os tempos os revelaram a nós, como condição indispensável ao bom entendimento e à boa aplicação dos seus conselhos morais.

A caridade ainda é uma grande desconhecida; para que a sua prática seja fiel precisamos apreender o seu significado, a sua estrutura e composição. Kardec, com sua enorme capacidade intelectual, conseguiu sintetizar em apenas seis virtudes, classificadas como elementares, mais de dois mil anos de perquirições a respeito deste tema essencial para a humanidade.

A despeito de todo o cuidado que ele tomou na elaboração das obras básicas, buscando esclarecer com exatidão o significado dos termos utilizados, alguns ainda foram deixados para que a posteridade os estudasse e esclarecesse. Contando com o nosso interesse e capacidade de entendimento, e com a evolução dos métodos de interpretação, tendo em vista a impossibilidade material de escrever sobre cada mínimo detalhe, ele deixou-nos inúmeras pistas. Sem dúvida, ele sabia que os termos utilizados sofreriam alterações de sentido, assim tratou de organizar seus textos de maneira que a disposição destes oferecesse condições de serem de decodificados e seus sentidos exatos serem apreendidos pelos espíritas dos séculos vindouros. A questão de que tratamos é um destes casos.

Sendo a indulgência uma das virtudes elementares da caridade, para captar o sentido exato desta não podemos, em hipótese alguma, passar ao largo do entendimento daquela. Contudo, essa tarefa não é tão fácil como pode parecer à primeira vista. No decorrer dos séculos essa virtude essencial foi expressa por diversos termos, atendendo à necessidade dos tempos e da evolução da mente humana. Tudo isso leva os interessados na própria evolução a um esforço interpretativo no qual devem procurar as raízes semânticas para apreender o seu sentido exato, pois sem isso a prática da caridade restará enfraquecida, ou distorcida.

Comecemos notando que Kardec coloca uma das bem-aventuranças como título do capítulo X: Bem-aventurados os que são misericordiosos. No decorrer do capítulo vemos os evangelhos e os espíritos usarem termos como misericórdia, perdão e indulgência. Pela colocação dos termos na estrutura do capítulo, observamos que, apesar das fortes relações de sinonímia, existem perceptíveis diferenças de significado entre eles.

O posicionamento do termo misericórdia no título do capítulo nos indica que tem significado bem mais amplo do que os outros dois. Logo a seguir, no primeiro subtítulo temos “Perdoai, para que Deus vos perdoe” e depois em “Instrução dos Espíritos”, item 14, identificamos o termo “perdão” em “Perdão das ofensas”, e mais adiante “A indulgência”. Desta forma, entendemos que o sentimento de misericórdia abrange os outros dois, apesar disso causar certa confusão, já que no linguajar cotidiano costumamos utilizar ambos como sinônimos absolutos.

Vejamos as relações de sentido entre os termos utilizados. Em “Perdoai, para que Deus vos perdoe”, item 4, § 1º, Kardec diz que “Ela (a misericórdia) consiste no esquecimento e no perdão das ofensas. [...]. O esquecimento das ofensas é próprio da alma elevada, que paira acima dos golpes que lhe possam desferir.”, o que nos leva a entender que o perdão é um ato próprio da misericórdia.

Uma característica do perdão, que podemos inferir do texto, é que os espíritos que já atingiram as culminâncias da evolução não se sentem ofendidos pelas ações derivadas das imperfeições alheias. Portanto, somente precisa perdoar quem se sente ofendido, e estes são aqueles espíritos que ainda se encontram na luta pela conquista da superioridade moral. Decorre daí que a necessidade de perdoar é sempre relativa ao nível espiritual; um dia não necessitaremos mais perdoar.

No item 15, § 1º, ainda no subtítulo “Perdão da ofensas”, Paulo, o apóstolo, diz que “[...] o vosso adversário andou mal em se mostrar excessivamente suscetível; razão de mais para serdes indulgentes [...]”, relacionando, desta forma, o perdão com a indulgência.

Além destas relações estabelecidas pelos espíritos, Kardec, como poliglota, deve ter percebido, devido às origens latinas do termo, que a relação entre eles é histórica e semântica. O termo indulgéntia era usado pelos romanos como sinônimo de outras palavras, tais como: remíssio, que significava quitação, remissão, perdão; relaxátio, ou seja, alívio, atenuação; absolútio, cujo sentido era o de dissolução ou absolvição; indúltum, ou mais especificamente, perdão. A palavra indúltum era usada no sentido de perdão dos tributos não pagos (remíssio tributi) ou de perdão das penas (remíssio poenae). Não pagar os tributos devidos a Cezar era um erro gravíssimo. Em determinadas épocas os imperadores concediam indultos, ou seja, perdão, àqueles que haviam sido condenados ou que não haviam pago seus impostos. O termo abolitio era algo parecido com uma anistia ou libertação dada durante festividades públicas, uma forma de libertação.

Um exemplo do sentido de termo sinônimo de indulgência é encontrado em “Atos dos apóstolos 24:23” . Paulo havia sido preso e conduzido à Cesareia. Lá, depois de ouvido pelo procurador Felix, o centurião encarregado da sua guarda recebeu instruções para tratá-lo com brandura, inclusive permitindo que recebesse a visita de amigos e que fosse ajudado por eles. O texto em latim diz: habére mitigatiónem. A ordem era para que o centurião amenizasse a severidade e, geralmente, a crueldade, com que os prisioneiros eram tratados pelo poder imperial. Neste caso a indulgência significou brandura, suavização do tratamento dispensado ao prisioneiro.

Originalmente o termo indulgência era muito amplo e abrigava vários significados e sinônimos, inclusive o de perdão. Este era apenas um caso específico dentro do campo semântico do termo indulgência. Portanto, não se deve entender e tratar indulgência e perdão como sinônimos exatos e absolutos. 

De modo semelhante ao termo em latim, indulgência para os espíritos da codificação é também abrangente.

De acordo com José, Espírito protetor, no subtítulo “Indulgência”, item 16, ela consiste em a pessoa evitar conhecer intencionalmente os defeitos alheios, e se por acaso toma conhecimento deles não os divulga, a não ser em caso em que um grupo maior possa vir a ser ou estar sendo prejudicado. Mesmo assim procura atenuar as suas observações. Evitar críticas e censuras aos erros alheios faz parte da indulgência.

Ela seria muito simples caso se resumisse a isto. Existem situações em que é impossível fugir a crítica e a censura, em primeiro lugar porque somos dotados pela providência divina de faculdades intelectuais e morais próprias para o exercício do discernimento entre o bem o mal, portanto, sob pena de conivirmos com o erro, não devemos nos omitir. Quando somos obrigados pela força da situação a emitir pareceres sobre o comportamento alheio, os espíritos nos recomendam a brandura. No item 15 temos “[...] se fordes duros, exigentes, inflexíveis, se usardes de rigor até por uma ofensa leve, como querereis que Deus esqueça de que cada dia maior necessidade tendes de indulgência?”; no item 16, § 4, é dito, “Sede, pois, severos para convosco, indulgentes para com os outros” e no § 5, “Sede indulgentes, meus amigos, porquanto a indulgência atrai, acalma, ergue, ao passo que o rigor desanima,a fasta, irrita.”; no 1º § do item 17, o espírito João, Bispo de Bordéus, nos recomenda: “Sede indulgentes com as faltas alheias, quaisquer que elas sejam; não julgueis com severidade senão as vossas próprias ações [...]”. O espírito Dufêtre, Bispo de Nevers, no item 18, § 1º recomenda: “[...], Sede severos convosco, indulgentes para com as fraquezas dos outros.”. No mesmo parágrafo ele diz que a indulgência consiste em cada um observar apenas superficialmente os defeitos de outrem, esforçando-se para fazer prevalecer os que há nele de bom e virtuoso.

A indulgência, então, implica não em fechar a mente para a percepção dos erros alheios, o que seria negar e anular as capacidades de que fomos dotados, mas sim, apesar de vê-los, suavizar nossas críticas e censuras e, simultaneamente, destacar os aspectos positivos daqueles que os cometem. Ser indulgente é tratar com menos severidade os erros alheios do que os nossos.

A razão pela qual devemos desenvolver a indulgência está em nossa própria imperfeição. No § 1º do item 13, ao tratar da questão da autoridade para julgar e condenar os erros dos outros diz “‘Atire a primeira pedra aquele que estiver isento de pecado’ disse Jesus. Esta sentença faz da indulgência um dever para nós outros [...]. Ela nos ensina que não devemos julgar com mais severidade os outros, do que julgamos a nós mesmos, nem condenar em outrem aquilo de que nos absolvemos.”. Embora sendo autoexplicativa, podemos acrescentar que ser indulgente requer profundo autoconhecimento.

Extraímos quatro conclusões do exposto. A primeira delas é que indulgência é mais ampla do que o perdão. Existe uma área de intersecção dos significados dos termos, em que ambos se confundem; a necessidade de perdoar é temporária, pois deixa de existir quando o espírito atinge o cume da evolução moral, ao passo que a indulgência permanece sempre e cada vez mais, porquanto o espírito evoluído terá sempre de se confrontar com as imperfeições daqueles que ainda palmilham as difíceis estradas da ascensão moral. Dessa forma, como segunda conclusão temos que a indulgência se expande na medida em que o perdão se encolhe, até este desaparecer.

A terceira conclusão refere-se à identidade entre indulgência e misericórdia. Este termo aparece no título do capítulo X, ao passo que o termo indulgência, Kardec o coloca como uma das virtudes elementares da caridade. Portanto, em decorrência da expansão da indulgência na medida em que evolui o espírito, chega um momento em que se identificam como uma só virtude, embora termos diferentes a denominem. Podemos representar a misericórdia como o circulo que contém dois outros círculos inscritos e secantes. Os dois círculos secantes são a indulgência e o perdão. No entanto, quando o espírito evolui a ponto de não precisar perdoar, resta apenas um circulo inscrito; na medida em que ele evolui o circulo que representa a indulgência cresce até se confundir totalmente com o circulo maior; misericórdia e indulgência se tornam dois termos que significam a mesma virtude.

Finalmente, a quarta conclusão é que a indulgência é a capacidade de compreender os erros cometidos por outrem, devido as suas fraquezas morais. A partir do reconhecimento da nossa própria imperfeição aumentamos nossa capacidade de compreender a imperfeição dos outros. Portanto, a indulgência é substancialmente uma virtude em que o espírito, a partir do autoconhecimento, passa a entender e a sentir compaixão pelos espíritos ainda imperfeitos. O espírito abandona o orgulho, ou seja, o sentimento de superioridade que alimenta em relação aos outros. Entende, sobretudo, que todos guardam dentro de si a capacidade de se melhorarem, e assim passa a ver os outros com olhos carregados de amor. Por isso a indulgência é a virtude da compreensão. 

A indulgência e a salvação

 - Por Dineu de Paula


Espiritismo adota a divisa “Fora da caridade não há salvação”.  Há nessa máxima dois conceitos principais, cujo conteúdo é preciso desvendar: caridade e salvação.

Quanto ao conceito de salvação da alma, o Espírito Emmanuel, mediante a psicografia de Francisco Cândido Xavier, no livro O Consolador, questão nº 225, assim a enuncia: “Dentro das claridades espirituais que o Consolador vem espalhando nos bastidores religiosos e filosóficos do mundo, temos de traduzir o conceito de salvação por iluminação de si mesmo, a caminho das mais elevadas aquisições e realizações no infinito.”

A conceituação não poderia ser mais feliz. Do conjunto da obra de Kardec, surge clara a ideia de que o aprimoramento é tarefa individual de cada Espírito, tendo como meta final a condição de Espírito puro. Os Espíritos mais elevados incentivam e auxiliam o progresso dos que seguem na retaguarda, mas cada qual ilumina e, pois, salva a si mesmo. A evolução é pessoal e intransferível – a cada um segundo suas obras.

Quando conquista o estado de pureza, o Espírito deixa de experimentar a influência da matéria e não tem mais de sofrer provas ou expiações. Realiza a vida eterna no seio de Deus, como seu mensageiro e ministro, no gozo de inalterável felicidade. Trata-se de um estado glorioso, inconcebível para quem dele ainda se acha distante.

A salvação, segundo essa concepção, constitui a meta para a qual todos os Espíritos foram criados, o seu maravilhoso destino final. Como condição de sua conquista, o Espiritismo estabelece a caridade. Tendo em mira que se trata de algo com o condão de afastar o sofrimento e produzir felicidade e plenitude, todos têm o maior interesse em entendê-la e praticá-la.

Objetivando obter o melhor conceito de caridade, na questão nº 886 de O livro dos Espíritos, Kardec indaga à espiritualidade superior qual o verdadeiro sentido dessa palavra, segundo a entendia Jesus. Obtém a seguinte resposta: “Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas”.

Como se vê, a caridade é composta por três virtudes: benevolência, indulgência e perdão. Considerando que o objeto deste trabalho cinge-se à indulgência, nele não serão abordadas as outras duas virtudes.

Consoante se infere da Codificação, a indulgência implica fazer um juízo suave das fissuras morais alheias, do que os outros fazem ou são e que parece errôneo. É uma questão de valorizar o bem, em vez do mal, e de temperar com uma certa doçura o próprio refletir sobre o semelhante.

Ela se liga diretamente ao raciocínio, ao modo como se processam no íntimo do homem as impressões que ele tem do outro, como ele julga as imperfeições alheias.

Quando se fala em julgamento, logo vem à mente a famosa frase de Jesus: “Não julgueis, para que não sejais julgados.” (Mateus: 7:1). Com base nessa assertiva, parece que todo e qualquer julgamento é um erro. Ocorre ser impossível viver tingue a raça humana no conjunto da criação e não parece desejável que se abdique dela, especialmente quando se tem em mente o caráter racional do Consolador prometido pelo Cristo, o Espiritismo. Assim, quando Jesus exorta a que não se julgue, a exortação não parece ser em sentido absoluto, mas apenas a que não se julgue de certa maneira (com severidade).

Essa interpretação nada tem de arbitrária e se revela coerente e possível em variadas outras passagens evangélicas. Por exemplo, no Sermão da Montanha, Jesus afirma a bem-aventurança dos que sofrem e choram. Ora, em um mundo de provas e expiações, como é a Terra, absolutamente todos sofrem e choram, em maior ou menor grau. Não se há de imaginar que sejam bem-aventurados os que sofrem entre murmúrios de revolta e blasfemando contra Deus. Bem-aventurado é quem sofre bem, com dignidade, sem revolta, e não todo e qualquer sofredor.

Então, não é interdito refletir sobre os equívocos alheios, em sentido absoluto. Aliás, na questão nº 629 de O livro dos Espíritos consta que “a moral é a regra de bem proceder, isto é, de distinguir o bem do mal. (…)”. Para distinguir o bem e o mal é preciso refletir sobre eles, mesmo quando presentes no proceder dos semelhantes. Essa análise pode impulsionar a evolução da criatura, ao discernir o que não lhe convém, inclusive pelas consequências verificadas na vida alheia. Na questão nº 635 de O livro dos Espíritos, está expresso que Deus deu a inteligência para o homem distinguir por si mesmo o bem do mal.

Nessa linha, no Capítulo X de O Evangelho segundo o Espiritismo, item nº 20, afirma-se: “(…), a ninguém é defeso ver o mal, quando ele existe. Fora mesmo inconveniente ver em toda a parte só o bem. Semelhante ilusão prejudicaria o progresso.”

Contudo, se não é defeso refletir a respeito das fissuras morais alheias, em um contexto cristão isso apenas pode dar-se sob o influxo da indulgência. Ela implica fazer um juízo suave, lançar um olhar generoso ao próximo. Em mundo ainda inferior, todos têm luz e sombra em seu íntimo, todos possuem virtudes e vícios. A indulgência pressupõe valorizar o bem em vez do mal, relevar os equívocos e compreender a fragilidade natural de todo ser humano.

Trata-se de uma medida prudente, tendo em mira a afirmação de Jesus de que cada um será medido com a medida que aplicar aos outros (Mateus: 7:2). Toda a lei divina encontra-se inscrita na consciência de cada ser, que funciona como juiz da própria conduta. Quem se habitua a analisar severamente os erros do próximo molda em seu íntimo um juiz implacável. Quando chegar a hora de prestar contas à Eterna Justiça, as medidas desse severíssimo censor é que lhe serão aplicadas. A respeito, o seguinte trecho de O Evangelho segundo o Espiritismo: “Sede indulgentes com as faltas alheias, quaisquer que elas sejam; não julgueis com severidade senão as vossas próprias ações e o Senhor usará de indulgência para convosco, como de indulgência houverdes usado para com os outros” (Capítulo X, item 17, primeira parte). Como ninguém suporta um olhar muito severo sobre suas fraquezas, importa treinar um olhar generoso sobre as fissuras morais alheias, até como medida de autopreservação.

Nesse mesmo capítulo do Evangelho segundo o Espiritismo, no item 16, há uma interessante dissertação de José, Espírito Protetor, a respeito da indulgência. Ele afirma que a indulgência não vê os defeitos de outrem, mas, se os vê, evita falar deles. Ao contrário, oculta-os. Se a malevolência os descobre, encontra escusa plausível e séria para eles, não uma visivelmente falsa, a fim de mais os evidenciar. Observa-se aí um genuíno esforço em valorizar o bem que há no próximo, perante si mesmo e perante terceiros. Faz-se efetiva opção de ver o semelhante de forma positiva, considerá-lo digno e valioso, malgrado seus problemas.

A mensagem também fala que a indulgência consiste em um sentimento doce e fraternal que todo homem deve alimentar para com seus irmãos. A doçura remete à ideia de sabor agradável. O sentimento da indulgência é suave, saboroso, tranquilizador e fraterno, próprio de irmãos, de seres que se gostam, que se sentem ligados. Nada tem de amargor e de ásperas reprimendas.

É especialmente esclarecedor o último parágrafo da mensagem: “Sede indulgentes, meus amigos, porquanto a indulgência atrai, acalma, ergue, ao passo que o rigor desanima, afasta e irrita.”

Trata-se de uma eloquente verdade, pois ninguém aprecia ficar perto de uma pessoa severa, que só percebe e valoriza os defeitos alheios. É desagradável sentir-se criticado, não apreciado, sem falar que ter as próprias dificuldades ressaltadas desanima, a ponto de muitas vezes surgir o raciocínio de que nada mais há para fazer: é-se um caso perdido!

Ao contrário, quando as virtudes de alguém são valorizadas, ele se considera digno e ganha forças para ser melhor e lutar contra suas fraquezas, que se tornam apenas um detalhe. A indulgência sacia a sede de compreensão e acalma o coração por vezes atormentado pela culpa. Ela atrai quem mais necessita de amparo e compreensão. E especialmente ergue em direção ao refazimento do caminho, à reparação dos erros praticados.

O esforço em ver o próximo de forma positiva torna mais fácil gostar dele e estabelecer vínculos de genuína fraternidade, na medida em que ninguém almeja ser amigo de réprobos, mas, sim, de criaturas dignas.

Pode-se concluir que a indulgência, além de se inserir no âmbito maior da salvação do Espírito, rumo ao seu angelical destino, também possui o condão de salvar os relacionamentos humanos, ao conduzi-los a um patamar saudável de auxílio e amparo mútuos. Ela salva o coração do homem da indiferença e da severidade.

A indulgência, como componente da caridade, não é só a meta (a libertação final, fruto da vivência perfeita), mas também o caminho, ao viabilizar a fraternidade entre seres ainda imperfeitos, mas que sonham com a perfeição e precisam se auxiliar em sua caminhada.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. BÍBLIA. Português. Tradução de João Ferreira de Almeida. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 1995.

2. EMMANUEL (Espírito) / Francisco Cândido Xavier. O Consolador. 25ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2004.

3.  KARDEC, Allan. Tradução de Guillon Ribeiro. O Evangelho segundo o Espiritismo. 3ª ed. especial. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2005.

4. KARDEC, Allan. Tradução de Guillon Ribeiro. O livro dos Espíritos. 1ª ed. especial. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2005.

INDULGÊNCIA UEM

INDULGÊNCIA  

 IDÉIAS BÁSICAS   • Indulgência é o sentimento fraternal que necessitamos cultivar para com os nossos irmãos, evitando censurar, criticar, fazer observações chocantes e falar mal de quem quer que seja. • A pessoa indulgente não vê os defeitos dos outros, ou, se os observa, evita falar deles ou divulgá los, a fim de que não se tornem conhecidos por outrem. • Devemos ser severos para conosco e indulgentes para com as fraquezas alheias, reconhecendo que todos temos inúmeros defeitos a corrigir e hábitos a modificar. • O Cristo nos adverte: não podemos pretender tirar o argueiro dos olhos de nossos irmãos, se temos em nossos olhos a trave que nos cega, dificultando nos a caminhada. • A criatura indulgente demonstra sempre ser caridosa e fraterna, não compactua com o mal e busca sempre ver o lado positivo de tudo e as coisas boas do semelhante. • A indulgência nos leva, quando preciso, a esclarecer a outrem sem magoar ou ferir e a compreender as deficiências de todos sem pruridos de falsa superioridade.   

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS PARA PREPARAÇÃO DO EVANGELIZADOR   1. Bases Evangélicas   Mateus: 5:7   5:13   5:161 - 7:1 a 5   7:12   9:12   9:35 e 36   10:42   13:12   14:13 e 14   15:32   17:16   18:23 a 35. Marcos: 2:17. Lucas: 10:33 a 35   11:41   16:2. João: 8:1 a 11. Atos: 3:6. Romanos: 12:16 e 17   14:1   14:10 e 11   15:1. I Coríntios: 3:9. Gálatas: 6:9. Efésios: 2:10   5:8 a 10   6:6 a 9. Colossenses: 3:12 a 17   4:6. Tessalonicenses: 4:9. II Timóteo: 4:5. Tiago: 3:17. I Pedro: 4:9 - 5:2. Velho Testamento: Salmos: 31:7. Provérbio: 21:21. 2. 

Bases Doutrinárias   O Livros dos Espíritos: 886, 903 e 918   O Evangelho Segundo o Espiritismo: Cap.10, itens 9, 13, 16 a 18 e 21   Cap. 12 (todo). 3. Obras Subsidiárias   Alma e Coração: 18, 28, 32   Almas em Desfile: 1ª parte: 12 Alvorada Cristã: 8 e 19   Antologia da Espiritualidade: 12, 26 e 28   Assim Vencerás: 20   Astronautas do Além: 1 e 16   Através do Tempo: 14, 20 e 44 Baú de Casos: 6   Bênçãos de Paz: 40   Bezerra, Chico e Você: 10   Busca e Acharás: 11 e 13   Chão de Flores: “Amor e Entendimento”   Companheiro: 4, 6, 8 e 10   Coração e Vida: 23 e 32   Encontro Marcado: 15, 22 e 45   Entre Duas Vidas: 27   Escrínio de Luz: “Compaixão para os Ofensores”   Estude e Viva: 33   Fonte Viva: 113   Idéias e Ilustrações: 16, 22 e 24   Instrumento do Tempo: 12   Justiça Divina: 54   Livro da Esperança: 26 e 27   Luz Acima: 36 e 41   Mãos Marcadas: 22   Mãos Unidas: 3, 9, 13, 17, 29, 32, 37, 41 e 50   Maria Dolores: 14 e 19   Resposta da Vida: 22 e 36   Rumos Libertadores: 25   Segue me: 43 e 77   Somente Amor: 11, 19 e 21   Taça de Luz: 12 e 14   A Vida Escreve: 1ª parte: 1   Vinha de Luz: 78.   

REFERÊNCIAS PRÁTICAS PARA O DESENVOLVIMENTO DA AULA   II e III Ciclos   Os mestres que repetem sempre a lição   Os pais que não se cansam de corrigir os filhos   O patrão que dá nova oportunidade ao empregado   A uva esmagada produz vinho   As flores são maceradas e produzem o perfume   O óleo é queimado e oferece a luz e o calor   O trigo é triturado e aparece a farinha   O ouro sofre no cadinho e se transforma em jóia   O pano é cortado e produz o vestido - A roupa recebe o calor do ferro de engomar e apresenta se mais vistosa   Os frutos são consumidos e fazem a nutrição   As plantas, mesmo fervidas, produzem o chá para combater a doença   As árvores são podadas e oferecem mais frutos.   

CONCLUSÃO EVANGÉLICO DOUTRINÁRIA   • A falta de indulgência ainda é no mundo a característica dos seus habitantes. Geralmente, habituamo nos a ver o lado mal das coisas e das pessoas, esquecendo-nos de que todos somos portadores de imperfeições que precisamos exterminar. • O nosso dever básico deve ser o de vigiarmos a nós mesmos na conversação, ampliando os recursos de entendimento nos ouvidos alheios. Sejamos indulgentes, rogando perdão para os nossos erros e perdoando os que erram. • “Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela”. (Jesus) Se hoje não somos portadores de determinadas imperfeições, já o fomos no passado e ainda hoje a nossa caminhada evolutiva prossegue cheia de tropeços. • Sejamos indulgentes uns para com os outros, procurando silenciar ante as fraquezas de nossos irmãos, pois se fomos chamados ao testemunho de nossas obras, não saberemos ao certo em que condições iremos nos apresentar.

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