Estudando o Espiritismo

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sábado, 16 de abril de 2022

A velha ilusão das aparências[1]

Ermance Dufaux


Não basta que dos lábios manem leite e mel. Se o coração de modo algum lhes está associado, só há hipocrisia.

Aquele cuja afabilidade e doçura não são fingidas nunca se desmente; é o mesmo, tanto em sociedade, como na intimidade.

Esse, ao demais, sabe que se, pelas aparências, se consegue enganar os homens, a Deus ninguém engana.


Lázaro (Paris, 1861)


O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO – Cap. 9, Item 6



Os adeptos sinceros do Espiritismo mais que nunca carecem de abordar com franqueza o velho problema da hipocrisia humana. Nesse particular, seria muito proveitoso que as agremiações doutrinárias promovessem debates grupais acerca dos caminhos e desafios que enfrentamos todos nós, os que decidimos por uma melhoria moral no reino do coração.

O chamado “vício de santificação” continua escravizando o mundo psicológico do homem a noções primitivas e inconsistentes sobre como desenvolver o sagrado patrimônio das virtudes, que ele encontra adormecido de vida superconsciente do ser.

Hipocrisia é o hábito humano adquirido de aparentar o que não somos, em razão da necessidade de aprovação do grupo social em que convivemos. Intencional ou não, é um fenômeno profundo nas suas raízes emocionais e psíquicas, que envolve particularidades específicas e cada criatura, mas que podemos conceituar como a atitude de simular, antes de tudo para nós mesmos, uma “imagem ideal” daquilo que gostaríamos de ser. Difícil definir os limites entre o desejo sincero de aperfeiçoar-se em direção a esse “eu ideal”, e o comportamento artificial que nos leva a acreditar no fato de estarmos nos transformando, considerando a esteira de reflexos que criamos nas fileiras da mentira.

Aliás, para muitos corações sinceros que efetivamente anelam por aprimoramento e mudança, detectar uma atitude falsa e uma ação que corresponda aos novos ideais costuma desenvolver um estado psicológico de insatisfação consigo mesmo, que pode ativar a culpa e a cobrança impiedosa. Instala-se assim um cruel sistema mental de inaceitação de si mesmo, que ruma para a mais habitual das camuflagens da hipocrisia: a negação, a fuga.

Não podemos asseverar que todo processo de defesa psíquica que vise negar a autêntica realidade humana seja algo patológico e nocivo. Muitas almas não teriam a mínima saúde mental não fossem semelhantes recursos que, em muitas ocasiões, funcionam como um “escudo protetor” que vai levando a criatura, pouco a pouco, ao conhecimento doloroso da verdadeira intimidade, até ter melhores e mais seguros recursos de libertação e equilíbrio. No entanto, quando nesse processo existe a participação intencional de ações que visem impressionar os outros com qualidades ainda não conquistadas, principalmente para auferir vantagens pessoais, então se estabelece a hipocrisia, uma ação deliberada de demonstrar atitudes que não correspondem à natureza dos sentimentos que constituem a rotina de sua vida afetiva.

As vivências sociais humanas com suas exigências materialistas conduziram o homem à aprendizagem da hipocrisia. A substituição de sentimentos foi um fenômeno adquirido. O hábito de camuflar o que se sente tornou-se uma necessidade perante os grupos, e certas concepções foram desenvolvidas nesse contexto que estimulam a falsidade. Convencionou-se por exemplo que homens não devem chorar, criando a imagem da insensibilidade masculina, em torno da qual bilhões de almas trafegam em papéis hipócritas e doentios. Certas profissões como a de educador, durante séculos aprisionadas nas sombras do mito, levaram à criação de um abismo entre educador e educando, que eram ambos obrigados a disfarçar emoções para respeitarem seus limites, impostos pela perversa institucionalização dos “super-heróis da cultura”. Naturalmente todos esses convencionalismos vêm sofrendo drásticas reformulações para um progresso das comunidades em direção a um dia mais feliz e pleno de autenticidade nas atividades humanas.

Acompanhando essas renovações de mentalidade na cultura, é imperioso que os líderes e condutores espíritas tenham a coragem de sair de seus papéis, perante a coletividade doutrinária, e erguerem a bandeira do diálogo franco e construtivo acerca das reais necessidades que todos carregamos, rompendo com um ciclo de “faz de conta”. Ciclo esse que somos infelizmente obrigados a afirmar, tem feito parte da vida de muitos adeptos espíritas e até mesmo de grupos inteiros. Sem qualquer reprimenda, vejamos esse quadro como sendo inevitável em se tratando de almas como nós, mal saídas do primarismo evolutivo. Nada mais fizemos que caminhar para a nossa hominização, ou seja, largar a selvageria instintiva e galgar os degraus da humanização – o núcleo central do aprendizado na fase hominal, a qual estamos apenas penetrando.

Adquirir essa consciência de que a evolução não se faz aos saltos, e sim etapa a etapa, é um valoroso passo na libertação desse “vício de santificação”, essa necessidade neurótica que incutimos ao longo de eras sem fim, especialmente nas letras religiosas, com o qual queremos passar por aquilo que ainda não somos. Disso resulta o conflito, a dor, a cobrança, o perfeccionismo e todo um complexo de atitude de autodesamor.

Sejamos nós mesmos e não nos sintamos menores por isso. Aparentar santificação para o mundo não nos exonera da equânime realidade dos princípios universais. Ninguém escapa das leis criadas pelo Criador. A elas todos estamos submetidos. Que nos adiantará demonstrar santificação para os outros, se a vida dos espíritos é um espelho da Verdade que mostrará, a cada um de nós, particularmente, como somos?

Se acreditamos, portanto, na imortalidade e sabemos da existência dessas “leis espelho”, deveríamos então concluir que o quanto antes, para aqueles que se encontram na carne, tratamos nossa realidade sem medos e culpas, maior será o bem que fazemos a nós mesmos.

Recordemos, nesse ínterim, que a caridade para com o outro, conquanto seja extenso tributo de ajuste aos Estatutos Divinos, não é “passaporte de garantia” par a movimentação nas experiências de autoridade e de equilíbrio nos planos imortais. Aprendamos o quanto antes a cultivar essa “sensação de salvação”, experimentada nos serviços de doação, também em nossos momentos de autoencontro. Essa conquista realmente nos pertence e ninguém nos pode tirar em tempo algum.

Viver distante da hipocrisia necessariamente não significa expor a vida íntima e as lutas que carregamos a qualquer pessoa, mas expô-las antes de tudo, a nós mesmos, assumindo o que sentimos, os desejos que nutrimos, os sonhos que ainda trazemos, os sentimentos que nos incendeiam de paixões, os pensamentos que nos consomem as horas, esforçando-se por analisar nossas más condutas. Por outro ângulo, esse mesmo processo de “detecção consciente” precisa ser realizado com nossos valores, as decisões infelizes que deixamos de tomar, o sacrifício de construir uma atividade espiritual, os novos costumes que estamos talhando na personalidade, os sentimentos sublimes que começam a ensaiar projetos de luz na nossa mente, as escolhas que temos feito no bem comum.

Reforma íntima, como a própria expressão comunica, quer dizer a mudança que fazemos por dentro. E jamais, em caso algum, ela se dará repentinamente, num salto. A santificação é um processo lento e gradativo. Cuidemos com atenção das velhas ilusões que nos fazem acreditar na “angelitude por osmose”, ou seja, de que a simples presença ou participação nos ofícios doutrinários é garantia de aperfeiçoamento.

Temos recebido na vida espiritual inúmeros companheiros de ideal, cuja revolta consigo próprios leva-os a tormentos patológicos de graves proporções, quando percebem o equívoco em acreditar que tão somente suas adesões às atividades de amor lhes renderam o “reino dos céus”. A ilusão é tão intensa que requer tratamentos especializados e longos em nosso plano. E vejam, os meus amigos na carne, o que a mente é capaz, pois muitos desses corações poderiam intensamente se beneficiar das realizações a que se entregaram, podendo mesmo alguns obter um trespasse tranquilo, todavia, sem exceção, estão esperando mais do que merecem, é quando surge a inconformação diante das expectativas de honrarias e glórias injustificáveis na espiritualidade. Então esbravejam ao perceberem que são tratados com muito carinho e amor, a fim de assumirem sua verdade realidade de doentes com baixo aproveitamento na reencarnação, colhendo espinhoso resultado de seu autoengano.

Espíritas amigos e irmãos, lembrai-vos de que todos estamos na Terra, planeta de testes infindáveis ao nosso aperfeiçoamento. Mesmo os que nos encontramos fora do corpo ajustamo-nos a essa conotação evolutiva. E nessa conjuntura o caminho da santificação se amoita à realidade do homem que nela habita. Se, por agora, estivermos pelo menos nos esforçando para sair do mal que fazemos a nós e ao próximo, dirigimo-nos para essa proposta sagrada. Todavia, se ansiamos por concretizar em mais larga escala as luzes de nossa santificação, lancemo-nos com louvor a outra etapa do processo e aprendamos como criar todo o bem que pudermos em torno de nossos passos, soltando-nos definitivamente de todos os grilhões do terrível sentimento do fingimento, o qual ainda nos faz sentir que somos aquilo que supomos ser.




[1] Reforma Íntima sem Martírio – Wanderley S. de Oliveira

domingo, 28 de novembro de 2021

O HOMEM NO MUNDO

 O HOMEM NO MUNDO

Escrito por João Lima em 6 de fevereiro de 2016

 


Todos somos espíritos imortais, temporariamente encarnados.


À luz da ciência Espírita, somos espíritos imortais, temporariamente estamos habitando uma veste carnal (encarnados no corpo físico).


Temos portanto um corpo físico por empréstimo divino, e não o inverso.


Acreditamos na imortalidade do espírito portanto nós não morremos.


O espiritismo veio comprovar de maneira indubitável a continuidade da vida do espírito ora encarnado, no mundo espiritual, quando este se despe da veste física.


Portanto o espiritismo veio “Matar a Morte”. Nós não morremos, o nosso corpo se desfalece mas nós não.


Este tema foi psicografado.


Psicografia recebida de UM ESPÍRITO PROTETOR, na cidade francesa de Bordeaux, 1863, e transcrita para nós pelo Codificador de nossa querida doutrina, Allan Kardec.


A historia humana, segundo os paleontólogos, estudiosos dos resíduos fósseis, remonta a aproximadamente 2 milhões de anos atrás.


Segundo portanto estes cientistas e após comprovações feitas através de datação por carbono, o ser humano, ou hominídeos como são chamados surgiram neste orbe a aproximadamente 2 milhões de anos.


Já o homo sapiens – a nossa espécie surgiu a aproximadamente 200 mil anos atrás.


Com isto entendemos que, a historia humana neste planeta já é longa, e que ela não se resume aos poucos séculos que nossos historiadores conseguem descrever em detalhes.


É necessário que entendamos que no princípio o mundo influenciou muito mais o homem do que o inverso. Naquela época pré-histórica os seres estavam expostos aos intempéries da natureza e eram pequenos grupos. Imaginemos os temores destes primeiros hominídeos diante da selva que os envolvia.


Os temores destes quanto os animais selvagens, e da noite que sempre trazia pavor.


Alguns grupos deixaram inscrições que falavam do céu noturno e dos sonhos.


Certos povos que viveram próximos á baia de Hudson no Canadá, denominados hoje de Inuítes, acreditavam que sua alma iria para outro mundo enquanto sonhavam.


Portanto no principio os homens adotaram como “forças sobrenaturais” tudo que não conseguiam compreender, como o porque do Sol, da lua, das estrelas, dos próprios animais e plantas e as pedras.


Mas o homem evoluiu ao longo da história e passou a desempenhar um importante papel diante do mundo, desta forma influenciando muito mais do que sendo influenciado.


Hoje em dia temos o homem influenciando fortemente o mundo de inúmeras maneiras. Através por exemplo da Economia, da Política, da diversidade dos povos e das crenças diversas.


Com esta introdução podemos então adentrar mais profundamente ao estudo do nosso tema que é praticamente 1 pagina de O Evangelho Segundo o Espiritismo, mas que é de uma profundidade enorme.


Para uma melhor didática, o tema foi subdividido em 6 partes.


1 – Pois bem, nos fala o Espírito Protetor:


“Um sentimento de piedade deve sempre animar o coração daqueles que se reúnem sob o olhar do Senhor, implorando a assistência dos Bons Espíritos. Purificai, portanto, os vossos corações.Não deixeis que pensamentos fúteis ou mundanos os perturbem. Elevai o  vosso espírito para aqueles a quem chamais, a fim de que eles possam, encontrando em vós as necessárias disposições favoráveis, possam lançar em profusão as sementes que devem germinar os vossos corações, para neles produzir os frutos da caridade e da justiça.”


Elevai os vossos corações, o vosso espírito, que em vossa mente não seja povoada por pensamentos mundanos, profanos, fúteis.


Quantas vezes nos temos estes pensamentos ? Talvez possa ser até na maior parte do nosso dia, não é mesmo ?


Pois os pensamentos fúteis, mundanos, as notícias de caráter menos nobre elas circulam sempre em maior quantidade do que as noticias boas.


Desta maneira, torna-se um desafio para nós manter o pensamento elevado.


Mas este é o desafio, educar os nossos instintos, é sair do “homem velho”. O que é o homem novo senão a elevação a renovação dos nossos sentimentos.


Do que adianta nos orarmos, virmos á Casa Espírita, se nos aqui estamos pensando no mundo lá fora. Se ficamos nos preocupando apenas com o que ainda está por ser feito amanhã.


Elevar os vossos corações… Por quantas vezes pedimos, meu anjo de guarda, por favor me ajude….mas nós não nos ajudamos, por mantermos um pensamento, uma posição mental deletéria ou seja extremamente nociva e prejudicial.


Como é que nossos amigos bem feitores irão nos ajudar, se nós mesmos não nos ajudamos ?


Desafio: Educar instintos, impulsos e ações mundanas fúteis.


Evitar os excessos em geral: alimentação, sono, ócio, trabalho.


Evitar exteriorizar tensões e anseios através de instintos grotescos: vícios.


Procurar viver integralmente o presente, elevar os nossos corações, estar completo, estar por inteiro onde nós estivermos. Vivenciar o presente na sua integralidade. Dominar os instintos substituindo tensões por sentimentos elevados.


É claro para nós que instintos nós ainda os temos. São bagagens trazidas de nossas existências pretéritas.


Porem temos que nos trabalhar firmemente para substituí-los por sentimentos nobres e elevados.


2 – Na segunda parte continua nosso Espírito Protetor:


“Não penseis, porém, que queiramos […] vos levar a viver uma vida mística, isolado do mundo, que vos mantenha fora das leis da sociedade em que estais condenados a viver. Não. Vivei com os homens do vosso tempo, da vossa época, como devem viver os homens; sacrificai-vos às necessidades, e até mesmo às futilidades de cada dia, mas fazei-o com um sentimento de pureza que as possa santificar.”


NO Livro dos Espíritos – Parte Terceira– Das leis morais


CAPÍTULO VII


DA LEI DE SOCIEDADE


 


Necessidade da vida social

 


Questão: 766. A vida social está na Natureza?


“Certamente. Deus fez o homem para viver em sociedade. Não lhe deu inutilmente a palavra e todas as outras faculdades necessárias à vida de relação social.”


Nos temos os 5 sentidos para serem utilizados…


Tudo tem uma razão de ser na obra divina, e deve ser bem utilizado.


Questão: 767. É contrário à lei da Natureza o insulamento absoluto?


“Sem dúvida, pois que por instinto os homens buscam a sociedade e todos devem concorrer para o progresso, auxiliando-se mutuamente.”


 


Nós temos pois um objetivo enquanto homens no mundo, enquanto seres humanos encarnados.


É concorrer para o progresso.


E aí pensamos, mas este mundo é tão grande tenho 7 bilhões de irmãos e irmãs que eu preciso ajudar ?


Mas devemos nos ater principalmente ao “nosso mundo” que é a principio o meio familiar, nossos vizinhos, nossos parentes, colegas de escola, colegas de trabalho, nossa cidade. É neste meio social que nós devemos concorrer para o progresso.


Temos as vezes aquele vizinho ou aquele colega que perde a paciência e aí é que entra o nosso auxilio. Seja ficando em silencio, seja fazendo uma prece, seja auxiliando mais diretamente este nosso irmão.


Pois no âmago todos nos somos irmãs em humanidade.


Nos aqui podemos atuar em papeis como pais, mães, filhos, avós, tios, chefes, subordinados, mas na essência todos nós somos irmãos.


Na 3ª parte continua o Espírito Protetor:


“Fostes chamados ao contato de espíritos de naturezas diversas, de características opostas: não magoeis a nenhum daqueles com quem vos encontrardes. Estai sempre alegres e contentes, joviais e ditosos, mas com a alegria de uma boa consciência e a ventura do herdeiro do céu, que conta os dias que o aproximam de sua herança.”


Aqui o Espírito Protetor nos lembra que no mundo vamos conviver com os mais diversos indivíduos. E que estes na maioria das vezes serão diferentes de nós, pensando diferente, com crenças e ideologias diferentes, posicionamentos e comportamentos distintos dos nossos. Ou seja, em maioria, totalmente diferente de nós.


Aí imaginamos….Mas seria melhor se Deus colocasse junto de mim pessoais iguais, que pensassem como eu penso…..


Mas se todos pensássemos igual não haveria espaço para o progresso, pois o crescimento vem da diversidade. E é justamente na diversidade que vamos encontrar a dificuldade. Vamos enxergar a possibilidade de crescermos mais um pouco e entendermos aquele nosso irmão, que não foi educado como eu fui. Preciso pois entende-lo e respeita-lo.


Sede joviais…sede ditosos…mas que sua jovialidade provenha de uma consciência limpa.


O Espírito Francisco de Paula Victor, na obra “Quem é o Cristo?” Cap. 29 – Psicografia de Raul Teixeira diz: “Em chegando ao mundo terrestre, todo Espírito, desde os mais simplórios até os mais aquinhoados de valores gerais, estará a braços, com as condições do planeta.”


Exemplificando:


Socrates, não teve que sorver o veneno mortal ?


Gandhi, pregador da não violência, não foi assassinado ?


E continua Francisco de Paula… “Os que sonham com uma vida sem problemas, mesmo estando na terra, com certeza se julgam injustiçados por Deus, por tê-los internado nesta e não noutra paragem cósmica.


   Ref.“Quem é o Cristo?” Cap. 29 – Psicografia de Raul Teixeira.


     Precisamos compreender que o crescimento, o nosso papel de cristãos e Espíritas e enquanto seres humanos é sim uma diferença. É entender aquele meu semelhante muitas vezes difícil. É aí que eu vou crescer.


Neste ínterim, analisando o primeiro parágrafo refletimos…. Quantas vezes ao adentrarmos a um colégio, uma academia, a uma doutrina, e por este motivo adotar um posicionamento, uma atitude sombria. Jesus quer que nós sejamos alegres, felizes. Não deve ter nenhuma relação negativa o meu crescimento intelectual e moral por exemplo, com minha postura com relação ao meu semelhante. Por que agora sou Espírita não possa dizer, irmão, que bom que você veio. Que bom que está aqui, vamos dialogar.


Joanna de Angelis nos diz:


Alguém que cultiva a alegria de viver já possui um tesouro. Espalhe-o onde te encontras e oferta-o a quem te acerque, tornando mais belo o dia-a-dia de todos os seres com o sol de tua alegria.


     (Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco)


Muitas vezes algum irmão nosso está triste, depressivo, isolado, passando por determinada situação e a gente chega e dá um bom dia…sorri para ele. Este seu simples ato pode fazer a diferença.


Nós não sabemos quando vamos partir deste plano, temos que refletir, nós estamos aproveitando a nossa vida, deixando de lado as nossas boas marcas. Quais marcas deixarei para que os meus familiares se lembrem de mim? Não importa a idade…


Na figura visualizamos pessoas jovens e pessoas idosas, mais maduras, com alegria de viver.


Uma pessoa velha o que é ? É aquela que não vê o maravilhoso em viver. É aquela pessoa que se isola. E hoje nós temos muitos jovens velhos.


O envelhecimento é uma condição humana. Mas podemos aprender a ser felizes e a sorrir em qualquer fase da nossa vida. Este é o convite que a Joanna de Angelis nos faz. Exteriorizarmos a nossa alegria de viver. E não temos ideia de como isto pode ser importante para o nosso semelhante.


Na 5ª Parte continua o Espírito Protetor:


“A perfeição, como disse o Cristo, encontra-se inteiramente na prática da caridade sem limites, pois os deveres da caridade abrangem todas as posições sociais, desde a mais íntima até a mais elevada. O homem que vivesse isolado não teria como exercer a caridade. Somente no contato com os semelhantes, nas lutas mais penosas, ele encontra a ocasião de praticá-la. Aquele que se isola, portanto, priva-se voluntariamente do mais poderoso meio aperfeiçoamento: só tendo de pensar em si, sua vida é a de um egoísta. “


Nosso papel é muito relevante neste mundo.


Pensamos então naquelas pessoas eremitas, aqueles monges isolados que estão nas montanhas do Tibet….e esquecemos de que nós diariamente nos isolamos de nossos semelhantes. Em casa, eu converso com os meus familiares ? Muitas vezes nos nos isolamos nos meios eletrônicos. E aí observamos familiares que conversam mais através dos meios eletrônicos do que pessoalmente. Isto não seria um isolamento ? O isolamento está em nós….não é necessário subir numa montanha ou fechar-se num claustro. O que estamos fazendo para mudar isto ? Como poderemos praticar a caridade absoluta se nós estivermos isolados ?


O Cristo estava somente com os seus apóstolos, ou com os doutores da lei ? Não, ele estava sempre no meio da multidão passando sua mensagem de amor para a humanidade.


Neste ambiente em que vivemos, com pessoas as vezes de má fé. E é neste ambiente em que devemos atuar, para dar a nossa contribuição, mesmo que seja pequenina, uma parcela mínima, mas que uma palavra que nos digamos ou uma ação que nos tenhamos possa modificar a forma de pensar do nosso semelhante. Independente da posição social. Pois que uma pessoa pode ter muitas posses materiais mas estar necessitando de forma extrema de uma palavra de consolo.


O Homem no mundo.


   “Vós porem que vos retirais do mundo, para lhe evitar as seduções e viver no insulamento, que utilidade tendes na terra.”


   (O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. 5 – Bem aventurados os aflitos – item 26. Kardec A.)


A 6ª parte:


   “Não imagineis, portanto, que para viver em constante comunicação conosco, para viver sob o olhar do Senhor, seja preciso entregar-se ao cilício (ao martírio) e cobrir-se de cinzas. Não, não, ainda uma vez: não! Sede felizes no quadro das necessidades humanas, mas que na vossa felicidade não entre jamais um pensamento ou um ato que possa ofender a Deus, ou fazer que se envergonhe a face dos que vos amam e vos dirigem.”


Esta é a essência do Capitulo XVII do Evangelho Segundo o Espiritismo. “Sede Perfeitos”


É uma META para todos nós.


Quando gradualmente chegamos ao final do dia e fazemos nossa autoanalise… E pensamos por exemplo….Hoje eu não ofendi a ninguém. Ou então hoje eu perdi a paciência…Hoje eu deixei de sorrir….ou de dar um bom dia….assim começa a auto analise que leva a uma melhoria continua do ser.


Evangelho, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Livro dos Espíritos, Sem categoria

O homem no mundo - um minuto de reflexão

 Hoje vamos refletir um pouco sobre o capítulo XVII, Sede Perfeitos, de O Evangelho Segundo o Espiritismo – mais especificamente o item O homem no mundo.


Em primeiro lugar, essa mensagem é direcionada para seres humanos de ambos os sexos, não é restrita ao sexo masculino; Ela fala sobre a postura que o Espírito encarnado deve ter durante sua passagem pelo plano físico.


Muitos perguntam: como o espírita deve se comportar? O que pode ou não pode fazer? E a resposta é muito simples: ele faz o que quiser e achar certo. A Doutrina Espírita o esclarece quanto a sua origem e o seu destino, qual o objetivo de sua encarnação e as leis divinas que regem o Universo, bem como as consequências positivas ou negativas que certas atitudes acarretam para sua existência atual e também para as futuras. Em momento algum o Espiritismo faz exigências de como se comportar, se vestir, ou uma lista de “certo ou errado”. Contudo, os Espíritos Superiores, que já caminharam mais do que nós e que seguem o caminho indicado por Jesus, orientam a humanidade com seus conselhos e aprendizados, sempre estimando o progresso da mesma. O Espiritismo, então, é uma dádiva de Deus para o despertar da luz no mundo, pois de forma clara e simples revela o mundo espiritual e os meios de interação deste com o plano físico.


Assim, a mensagem ditada por um Espírito protetor é mais uma orientação da Espiritualidade Superior para aqueles que desejam viver de forma mais equilibrada. Começa dizendo:


Não consitais que pensamentos fúteis ou mundanos os perturbem. Elevai o vosso espírito para aquele a quem chamais, a fim de que eles possam, encontrando em vós as disposições favoráveis, lançar em profusão as sementes que devem germinar em vossos corações.


Ora, é a questão da sintonia. Não faz sentido esperar o apoio dos bons Espíritos enquanto estivermos, por exemplo, irritados, contrariados, cultivando paixões inferiores em nossos corações sem a menor preocupação de mudar.


Ninguém precisará se transformar da noite para o dia, mas a vontade sincera de ser uma pessoa melhor abre espaço para que Espíritos benevolentes se aproximem de nós e nos ajudem no que for possível. Então, se esforçar para purificar os sentimentos e os pensamentos é fundamental.


Lembrem-se de que nossa vida exterior reflete o nosso interior, tudo começa com nossa criação mental. Mas se engana quem pensa que para realizar tal tarefa é preciso se isolar ou abandonar compromissos que a vida física nos impõe. Não. Desde que estejamos com o pensamento elevado, buscando manter nosso coração em sintonia com o Amor e o Bem, toda tarefa, por mais corriqueira que seja, será banhada de luz – independente de o ambiente ou as pessoas ao nosso redor estarem nessa sintonia ou não.


Jesus, nosso modelo e guia, não se isolou em um palácio, sentado a espera daqueles que se reconheciam como necessitados da alma ou do corpo. Ele andou no meio da multidão, foi ao encontro de pessoas com todos os tipos de desequilíbrios e que, não raro, tinham uma antipatia gratuita por sua pessoa, foi à festas, à templos, à casa de ricos e pobres, de virtuosos e de viciados, e não deixou de cumprir sua missão de amor, não perdeu sua sintonia com o Pai.


Nós estamos aqui para evoluir e a vida em sociedade é repleta de oportunidades para desenvolver nossas potencialidades divinas. Nos momentos aparentemente insignificantes é que estamos sendo testados e fortalecidos em variados aspectos. Por isso o Espírito Protetor diz:


Vivei com os homens do vosso tempo, como devem viver os homens; sacrificai-vos às necessidades, e até mesmo às frivolidades de cada dia, mas fazei-o com um sentimento de pureza que as possa santificar.


Ao fazer qualquer coisa, voltai vosso pensamento à fonte suprema; nada façais sem que a lembrança de Deus venha purificar e santificar os vossos atos.


Sede felizes no quadro das necessidades humanas, mas que na vossa felicidade não entre jamais um pensamento ou um ato que possa ofender a Deus.


Assim, atendamos aos compromissos que a vida nos traz, seja no trabalho, na família, no grupo de amigos; tenhamos nossos momentos de diversão, que são necessários; estejamos em casa, na rua, no centro espírita, em uma festa ou um show; se nossos pensamentos e sentimentos estiverem harmonizados com as leis divinas, tudo estará bem.

O homem no mundo

 O homem no mundo

Escrito por Dilton Pereira


O homem no mundo


Podemos, por um determinado tempo de nossa vida material, que pode ser de

maior ou menor duração, viver de forma descuidada, indiferente, sem a menor

noção de solidariedade, vivendo somente para nós, esquecidos de tudo e de todos

que nos cercam. Uma vida egoísta, onde tudo que interessa são as satisfações de

nossas vontades, e nada mais.


Mas… existe sempre um mas… na vida de cada um – chega para todos aquele

momento em que se acende uma luzinha vermelha em nossas mentes, e passamos a nos

perguntar: “Afinal, quem realmente sou eu? O que estou fazendo no mundo? De onde

vim? Para onde vou? Qual a minha destinação?”


São perguntas que brotam na mente de todos, uma a uma, em determinado momento

da vida. Essas considerações, essas perguntas que passam a martelar a mente do

ser humano, podem demorar a chegar, mas chegam. Para atingir este estágio, o

homem pode consumir mesmo muitas existências – de forma que, de experiência em

experiência, de luta em luta, de queda em queda, vai moldando seu caráter.


Em um dos muitos diálogos com seus discípulos, Jesus exortou a todos: “Sede

perfeitos, como perfeito é o vosso Pai Celestial”. Evidentemente, o Mestre não

queria, com tal exortação, dizer que todos podem chegar à perfeição do Pai

Celestial. Deus é um só, é único, é onipotente, é a causa primária de todas as

coisas, e a criatura jamais poderá igualar-se ao Criador.


O que certamente Jesus quis dizer é que todos possuímos dentro de nós um

potencial de crescimento espiritual que nós mesmos desconhecemos, e que muito,

muito mesmo, poderemos fazer, dentro daquilo que Ele pregou e exemplificou.


Mas… como chegar a esse estágio de perfeição relativa face à perfeição

absoluta de Deus?


As lutas a que somos compelidos a enfrentar no mundo, as desavenças, as

incompreensões, as atitudes alheias que nos chocam, as pessoas, com grau de

parentesco ou não, que gozam de nossa intimidade, que vivem conosco o dia-a-dia,

e que tantas vezes agem de forma a agredir ou contrariar nosso modo de ser e

pensar, são outros tantos obstáculos a impedir ou retardar nosso esforço no bem.


Como vencer tudo isso, como superar tantos obstáculos, se a vida material nos

oferece tão somente algumas dezenas de anos de existência? Cinqüenta, sessenta,

oitenta ou até mesmo cem anos constituem um espaço de tempo muito pequeno para

que tenhamos condições de atingir um grau tal de tolerância, de paciência,

tamanha capacidade de perdão, para amar os que nos odeiam, perdoar os que nos

ofendem, abraçar os que nos traíram, compreender no irmão faltoso o irmão

necessitado de compreensão e carinho.


Foi para responder tantas perguntas, esclarecer tantas dúvidas, que Allan

Kardec, sob a orientação de Espíritos superiores, codificou a Doutrina Espírita,

interpretando com clareza o pensamento de Jesus. Não resta a menor dúvida que,

baseando-nos no raciocínio simplista de uma só existência, torna-se praticamente

impossível conciliar alguns ensinamentos de Jesus com a realidade da vida, ao

passo que, com a reencarnação, sublime concessão de Deus para com todos os seus

filhos faltosos, tudo se esclarece, tudo se torna de fácil entendimento. Com a

Lei dos Renascimentos, já não somos os condenados ao sofrimento eterno.


Todos nós, Espíritos falíveis, estamos sujeitos a cometer erros, e somente a

certeza da reencarnação nos fortalece para prosseguir a caminhada. O próprio

Apóstolo Paulo, num rasgo de humildade, exclamou: “Sinto que faço o mal que não

quero, mas não faço o bem que desejo”, sintetizando, naquele momento, as

dificuldades que encontramos pelo caminho. Mas, para demonstrar que temos

condições de superar todos os obstáculos da caminhada. afirmou em outra ocasião:

“Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração”.

E exortando os discípulos a atitudes corajosas, afirmou: “Em tudo somos

atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados; perseguidos,

mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos”. E no final da jornada,

afirmou: “Combati o bom combate, terminei minha tarefa, conservei a fé”.


A fidelidade, a coragem e a perseverança do Grande Apóstolo foram a mola

propulsora do Cristianismo no mundo, e poderão ser, também, a mola propulsora do

nosso crescimento espiritual.


Texto extraído do Jornal “Macaé Espírita” – maio e junho/98.


(Jornal Mundo Espírita de Agosto de 1998)

O homem no mundo - Links

https://kardecpedia.com/roteiro-de-estudos/887/o-evangelho-segundooespiritismo/2519/capitulo-xvii-sede-perfeitos/instrucoes-dos-espiritos/o-homem-no-mundo 

https://cebatuira.org.br/estudos_detalhes.asp?estudoid=1055

http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=1313&

http://espiritoandre.blogspot.com/2012/03/reflexoes-espiritas-o-homem-no-mundo.html

http://www.caminhosluz.com.br/detalhe.asp?txt=4386



Autoridade

 Autoridade

 

 


 


O que é a autoridade? Existe diferença entre ela e o autoritarismo? Qual foi a lição de Jesus sobre o assunto? A autoridade verdadeiramente nos pertence? Será cobrado de nós, um dia, o uso que fazemos do nosso poder perante os demais?


 


 


Uma das definições de autoridade é: “Direito ou poder de mandar”. [1]


 


Todo agrupamento social – uma nação, cidade, empresa, um grupo familiar, a própria Casa Espírita... – necessita de um líder que exerça o poder com a finalidade de organizá-lo, dirigi-lo e mantê-lo.


 


Porém, não é tão raro que o direito de mandar fascine aquele que o possui, distorcendo sua capacidade de pensar e agir, porque esse deslumbre faz com que o “poderoso”, intimamente, se coloque num pedestal e olhe, de cima para baixo, todos aqueles que dele dependem.


 


Analisando, historicamente, o uso da autoridade, por muito tempo prevaleceu na sociedade humana – salvo algumas exceções atuais – o exercício do poder contra a igualdade e a justiça, para a subordinação de indivíduos e povos. Ocorreram, então, os mais variados desmandos através da tirania e da opressão.  E isso porque as diretrizes sociais eram determinadas pelo indivíduo ou pelo povo mais forte, que estabelecia as regras em função dos próprios interesses. Aos menos fortes, não restava outra alternativa senão obedecer. O que vigorava, portanto, era a autoridade caracterizada pelo comando absoluto e a obediência irrestrita. Quem liderava não prestava contas senão aos seus superiores, se os tivesse, e sempre tinha a razão perante os seus inferiores. Era o autoritarismo, o despotismo ou o absolutismo.


 


O inconveniente, porém, é que, ainda hoje, prevalece esse tipo de comportamento em certas criaturas. Em seu desequilíbrio e “sede” de poder, impõem ordens e regras que, obedecidas passivamente, lhes trazem um enorme prazer e satisfação. Mas, em virtude do medo de perderem o respeito, acreditam que precisam ser temidas. E, para sustentarem o seu status de “poderosa”, costumam adotar uma postura fria, rígida, arrogante, altiva, ameaçadora, intransigente, intimidativa, enfim, de total desrespeito à pessoa do outro.


 


Compreensível se torna, assim, a diferença entre a autoridade e o autoritarismo. A autoridade é a liderança necessária, na qual se exerce o poder com o objetivo de gerenciar – organizar, conduzir – o desenvolvimento e a harmonia do grupo. O autoritarismo se caracteriza pela tirania e opressão, em que se pratica o comando com fins egoísticos.


 


****


 


Na questão 684 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec pergunta:


“Que se deve pensar dos que abusam de sua autoridade, impondo a seus inferiores excessivo trabalho (afazeres, tarefas e exigências)?”


 


Resposta:


“Isso é uma das piores ações. Todo aquele que tem o poder de mandar é responsável pelo excesso de trabalho que imponha a seus inferiores, porquanto, assim fazendo, transgride a lei de Deus.” [2]


 


E essa subordinação da autoridade terrestre perante uma autoridade maior encontra-se enfaticamente ilustrada por uma passagem da vida do Cristo (Jo 19:10-11).


 


Diante de seu julgamento, Pilatos diz a Jesus: "Não sabes que tenho autoridade para te soltar e autoridade para crucificar?". E o Cristo lhe responde: "Nenhuma autoridade teríeis sobre mim, se de cima não te fosse dada.” [3]


 


O próprio conceito de autoridade diverge nos dois casos. Para Pilatos e para o mundo, a autoridade é o Estado, o Chefe, o grupo que detém a força, faz as leis e impõe a ordem social. Mas, para Jesus, esta é uma autoridade secundária, porque a que comanda realmente é a autoridade da Lei de Deus, à qual todos estão igualmente sujeitos e que se serve da autoridade humana como um instrumento. Ou seja, a verdadeira autoridade não pertence aos indivíduos. Elucida o Espírito Emmanuel:


 


É justo, porém, salientar que a fortuna ou a autoridade são bens que detemos provisoriamente na marcha comum e que, nos fundamentos substanciais da vida, não nos pertencem.  [4]


 


A autoridade de Pilatos realmente era grande. O destino dos homens, da região sob sua jurisdição, estava de fato em suas mãos. Ele tinha pleno poder não apenas para governar a Judéia, mas para atuar como um grande pretor, ou seja, um juiz que julgava os homens segundo o direito romano. Para pequenas causas, designava outros pretores, mas as grandes eram julgadas por ele mesmo. No caso em questão, esperava intimidar o condenado com sua autoridade. Porém, Jesus o chocou, afirmando que esta não vinha de Roma, mas do Alto. O Cristo até reconheceu a autoridade terrena de Pilatos, mas não deixou de ressaltar que existe um poder no universo do qual emanam todos os outros poderes.


 


Sendo assim, podemos afirmar que, através de Jesus, Deus estava ensinando aos homens que o poder mundano vale bem pouco diante de Suas determinações, e que o mais simples e humilde dos homens pode ser aquele de que Ele se utiliza como Seu mensageiro.


 


Portanto, perante as leis de Deus, o poder terrestre, seja ele exercido na área que for, é temporariamente permitido. E o que é permitido, um dia, será cobrado. É este o ensinamento que nos traz O Evangelho segundo o Espiritismo:


 


A autoridade, da mesma forma que a fortuna, é uma delegação da qual serão pedidas contas àquele que dela se acha investido; não creiais que lhe ela lhe seja ela dada para lhe proporcionar o vão prazer de comandar; nem, assim como o crêem (nova ortog) falsamente a maioria dos poderosos da Terra, como um direito, uma propriedade. Deus, entretanto, lhes prova suficientemente que não é nem uma nem outra coisa, uma vez que lhas retira quando isso lhe apraz. Se fosse um privilégio ligado à sua pessoa, ela seria inalienável. Ninguém pode, pois, dizer que uma coisa lhe pertence, quando lhe pode ser tirada sem seu consentimento. Deus dá a autoridade a título de missão ou de prova quando isso lhe convém, e a retira da mesma forma.


Todo aquele que é depositário da autoridade, de qualquer extensão que ela seja, desde o senhor sobre seu servo até o soberano sobre seu povo, não deve se dissimular que tem encargo de almas; ele responderá pela boa ou má direção que tiver dados aos seus subordinados, e as faltas que estes poderão cometer, os vícios a que serão arrastados, em consequência dessa direção ou de maus exemplos recairão sobre ele, enquanto que recolherá os frutos da sua solicitude para conduzi-los ao bem..


(...) Ele (Deus) perguntará àquele que possui uma autoridade qualquer: Que uso fizeste dessa autoridade? Que mal detiveste? Que progresso fizeste? Se eu te dei subordinados não foi para fazer deles escravos da tua vontade, nem os instrumentos dóceis de teus caprichos e de tua cupidez; eu te fiz forte e confiei-te, e te confiei os fracos para os sustentar e os ajudar a subir até mim.


O superior, que está compenetrado das palavras do Cristo, não despreza a nenhum daqueles que estão abaixo de si, porque sabe que as distinções sociais nada instituem diante de Deus.  [5]


 


****


 


No entanto, existem muitos tipos de poder: o físico, o político, o financeiro, o intelectual, o pessoal, o espiritual, o moral...


 


Embora algumas pessoas o busquem em muitas de suas formas e expressões, Jesus só estava interessado naquele que não se impõe pelas circunstâncias ou à força, mas conquista-se. Esse é o verdadeiro poder, porque perdura.


 


E o Cristo possuía um poder pessoal bastante intenso, porque influenciava as pessoas pela sua autoridade moral – porque fundamentada no exemplo – e pela sabedoria de que era portador. Detinha a capacidade única de transmitir confiança, sem ser confundido com um homem arrogante com necessidade de exercer controle sobre os demais.


 


O Evangelho segundo o Espiritismo nos traz mais essas considerações sobre aquele que usa de sua autoridade para contribuir com o desenvolvimento alheio:


 


Se a ordem social colocou homens sob a sua dependência, ele os trata com bondade e benevolência, porque são seus iguais perante Deus; usa de sua autoridade para erguer-lhes o moral e não para os esmagar com o seu orgulho; evita tudo o que poderia tornar a sua posição subalterna mais penosa. [6]


 


Esse é o uso da autoridade de forma produtiva, eficiente e respeitosa, porque firmeza, disciplina e ordem não são sinônimos de ditadura. A pessoa que comanda – ou manda –, necessita construir a sua autoridade e poder de forma a se tornar, pelo seu modo de ser e de agir, uma positiva referência aos demais. Ou, segundo as palavras do próprio O Evangelho segundo o Espiritismo: “O homem não procura se elevar acima do homem, mas acima de si mesmo, aperfeiçoando-se.” [7]


 


É fácil de testar se estamos na presença de uma pessoa com verdadeiro poder pessoal. Diante dela não nos sentimos diminuídos ou intimidados, mas à vontade para nos mostrarmos quem realmente somos, no que acreditamos, que sentimentos alimentamos, na certeza de que não seremos criticados ou menosprezados em seu julgamento. Era isso o ocorria com Jesus! Ele não precisava que os outros se diminuíssem em sua presença; pelo contrário, eram as pessoas que se sentiam agraciadas e agradecidas em seu contato com ele.


 


Com a Doutrina Espírita, podemos aprender que, perante a eternidade, a única força que tem real valor é a autoridade moral do Espírito, caracterizada pelo equilíbrio e elevação conscienciais. 


 


 


Silvia Helena Visnadi Pessenda


sivipessenda@uol.com.br


 


 


 


REFERÊNCIAS  


 


[1] MICHAELIS: moderno dicionário da língua portuguesa. São Paulo: Companhia Melhoramentos, 1998.


 


[2] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Salvador Gentile, revisão de Elias Barbosa. 100. ed. Araras, SP: IDE, 1996.


 


[3] BÍBLIA. Português. Bíblia de Estudo Almeida. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.


 


[4] EMMANUEL (espírito); XAVIER, Francisco Cândido (psicografado por). Fonte viva. 12. ed.  Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira. Cap. 60.


 


[5] KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Tradução de Salvador Gentile, revisão de Elias Barbosa. 195. ed. Araras, SP: IDE, 1996. Cap. XVII. Item 9.


 


[6] Idem. Item 3.


 


[7] Idem. Capítulo III. Item 10.


 


NAZARETH, Joamar Zanolini. Um desafio chamado família. 1. ed. Araguari, MG: Minas Editora, 1999.


 


Literatura não-espírita


 


CURY, Augusto Jorge. O Mestre da Vida: análise da inteligência de Cristo. 30. ed. São Paulo: Academia de Inteligência, 2001.

Superiores e Inferiores - Links

https://kardecpedia.com/roteiro-de-estudos/887/o-evangelho-segundooespiritismo/2517/capitulo-xvii-sede-perfeitos/instrucoes-dos-espiritos/os-superiores-e-os-inferiores 

https://pt.slideshare.net/gespirita/os-superiores-e-os-inferiores


quinta-feira, 25 de novembro de 2021

As Virtudes Essenciais

 As Virtudes Essenciais




A palavra virtude (do latim virtus) designa excelência ou qualidade.  O significado é genérico quando aplicado a tudo o que é considerado correto e desejável em relação à moral, à ética, à vida em sociedade, às práticas educacionais, científicas e tecnológicas, assim como à eficácia na execução de uma atividade.  Em sentido específico o conceito se restringe a duas capacidades humanas:  conduta moral no bem e habilidades para fazer algo corretamente.


Em relação a este assunto, elucidam os orientadores da Codificação Espírita:


“Toda virtude tem seu mérito próprio, porque todas indicam progresso na senda do bem.  Há virtude sempre que há resistência voluntária ao arrastamento dos maus pendores.  A sublimidade da virtude, porém, está no sacrifício do interesse pessoal, pelo bem do próximo, sem pensamento oculto.  A mais meritória é a que assenta na mais desinteressada caridade”.


O filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.) classificou as virtudes em dois grupos, quanto à natureza, ambos aceitos nos dias atuais:  virtudes éticas ou do caráter – indicam todas as qualidades ético-morais, inclusive o dever, as quais nem sempre são submetidas à razão; virtudes dianoéticas ou do pensamento – abrangem as competências intelectuais (inteligência, discernimento, conhecimento científico, aptidões técnicas), controladas pela razão.


As primeiras são desenvolvidas pela educação e pela prática que conduz ao hábito.  Filósofos, do passado e do presente, defendem a ideia de que as virtudes ético-morais são dons inatos, desenvolvidos por seres humanos especiais.  Diferentes interpretações religiosas pregam que essas virtudes somente ocorrem por graça ou concessão divinas.  As segundas, as virtudes dianoéticas ou do pensamento, podem ser ensinadas por meio da instrução, daí serem muito valorizadas pelas ciências humanas, sobretudo as educacionais.


O Espiritismo considera que as virtudes são aquisições do Espírito imortal, adquiridas e desenvolvidas por meio de trabalho incessante no bem:


[…] a virtude é sempre sublime e imorredoura aquisição do Espírito nas estradas da vida, incorporada eternamente aos seus valores, conquistados pelo trabalho no esforço próprio.


Importa destacar que a classificação aristotélica é, na verdade, uma síntese dos ensinamentos de Sócrates (470-399 a.C.), posteriormente transmitidos por Platão (428/427-347 a.C.) em seu livro A República.  Para Sócrates, a virtude se identifica com o bem (aspecto moral) e representa o fim da atividade humana (aspecto funcional ou operacional).  Pelo aspecto moral sabe o homem virtuoso distinguir o bem e o mal.  Pelo sentido funcional, ou fim da atividade humana, a virtude é capacidade ou habilidade de realizar corretamente uma tarefa.  Contudo, tanto Sócrates como Platão entendiam que as virtudes eram dons inatos, ainda que esses filósofos possuíssem conhecimentos sobre a vida no além-túmulo e sobre as reencarnações sucessivas.


O seguinte texto, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, ilustra o assunto:


Palavras de Sócrates, registradas por Platão:  “A virtude não pode ser ensinada; vem por dom de Deus aos que a possuem”.

Interpretação espírita, fornecida por Allan Kardec:

É quase a doutrina cristã sobre a graça; mas, se a virtude é um dom de Deus, é um favor e, então, pode perguntar-se por que não é concedida a todos.  Por outro lado, se é um dom, carece de mérito para aquele que a possui.  O Espiritismo é mais explícito, dizendo que aquele que possui a virtude a adquiriu por seus esforços, em existências sucessivas, despojando-se pouco a pouco de suas imperfeições.  A graça é a força que Deus faculta ao homem de boa vontade para se expungir do mal e praticar o bem.


Sócrates e Platão, entretanto, desenvolveram notável sistema filosófico sobre as virtudes, denominando-o Virtudes Cardeais.  Essas virtudes, inseridas em seguida, são consideradas essenciais por representarem a chave para a aquisição de todas as demais:


Prudência, também conhecida como sabedoria.  É a virtude que controla a razão.

Fortaleza, entendida como coragem.  É a virtude do entusiasmo (thymoiedés), a que administra os impulsos da sensibilidade, dos sentimentos e do afeto.

Temperança, vista como autodomínio, medida, moderação.  Essa virtude age sobre os impulsos do instinto, colocando freios nos prazeres e nas paixões corporais.

Justiça, estabelece o discernimento entre o bem e o mal.  É a virtude que conduz à equidade; ao saber considerar e respeitar o direito do outro; a valorizar ações e coisas que garantem o funcionamento harmonioso da vida, individual e coletiva.

Essa classificação não só permitiu a Aristóteles elaborar o seu sistema de virtudes éticas e dianoéticas, mas também exerceu forte influência no pensamento teológico dos chamados pais da igreja, durante a Idade Média, sobretudo no desenvolvimento das teses de Agostinho (354-430) e Tomás de Aquino (1225-1274), os quais fizeram acréscimos às virtudes cardeais socráticas, a partir da análise dos textos do Evangelho.  Esses acréscimos foram denominados Virtudes Teologais e se resumem nas seguintes:  fé, esperança e caridade.


As orientações teológicas católicas e protestantes preservaram as ideias socráticas e platônicas, no sentido de que as virtudes são concessões divinas, revestindo-as, porém, de um aspecto sobrenatural, de acordo com este raciocínio:  se as virtudes representam uma graça de Deus só podem ser concedidas aos santos, nunca ao ser humano comum.


Com o Espiritismo, porém, tudo se aclara, felizmente.  Entendemos que somos seres perfectíveis, construtores do próprio destino.  A aquisição e desenvolvimento de virtudes são entendidos como necessidade evolutiva do Espírito, um meio para regular os atos humanos, ordenar as paixões e guiar a conduta humana, segundo os preceitos da razão, da moral e da fé.


As pessoas virtuosas destacam-se das demais, não porque são especialmente marcadas por Deus, mas porque souberam aproveitar as lições da vida e investiram no aprendizado, moral e intelectual, ao longo das reencarnações e das experiências vividas no plano espiritual, após a morte do corpo físico.  Encontram-se muito distantes da santidade, entretanto, revelam-se como Espíritos que “[…] lutaram outrora e triunfaram.  Por isso é que os bons sentimentos nenhum esforço lhe custam e suas ações lhes parecem simplíssimas.  O bem se lhes tornou um hábito […]”.


A forma como a Doutrina Espírita caracteriza a virtude e o homem virtuoso está sintetizada na belíssima mensagem do Espírito François-Nicolas-Madeleine, constante em O Evangelho Segundo o Espiritismo, ditada em Paris, em 1863:


A virtude, no mais alto grau, é o conjunto de todas as qualidades essenciais que constituem o homem de bem.  Ser bom, caritativo, laborioso, sóbrio, modesto, são qualidades do homem virtuoso.  Infelizmente, quase sempre as acompanham pequenas enfermidades morais que as desornam e atenuam.  Não é virtuoso aquele que faz ostentação da sua virtude, pois que lhe falta a qualidade principal:  a modéstia, e tem o vício que mais se lhe opõe:  o orgulho.  A virtude, verdadeiramente digna desse nome, não gosta de estadear-se.  Adivinham-na; ela, porém, se oculta na obscuridade e foge à admiração das massas.  […] À virtude assim compreendida e praticada é que vos convido, meus filhos; a essa virtude verdadeiramente cristã e verdadeiramente espírita é que vos concito a consagrar-vos.  Afastai, porém, de vossos corações tudo o que seja orgulho, vaidade, amor-próprio, que sempre desadornam as mais belas qualidades.  Não imiteis o homem que se apresenta como modelo e trombeteia, ele próprio, suas qualidades a todos os ouvidos complacentes.  A virtude que assim se ostenta esconde muitas vezes uma imensidade de pequenas torpezas e de odiosas covardias.


Autor:  Marta Antunes Moura


Revista Reformador (Federação Espírita Brasileira)


Revista de Espiritismo Cristão


Ano:  217 – Nº:  2.158 – Janeiro de 2009


Páginas:  24 à 26


Livros (Referências):


KARDEC, Allan – O Livro dos Espíritos – Tradução de Guillon Ribeiro – 91 Edição – 1ª reimpressão – Rio de Janeiro – Federação Espírita Brasileira (FEB) – Questões nº 893 e 894 – 2008.

XAVIER, Francisco Cândido – O Consolador – Pelo Espírito Emmanuel – 28 Edição – Rio de Janeiro – Federação Espírita Brasileira (FEB) – Questão nº 253 – 2008.

KARDEC, Allan – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Tradução de Guillon Ribeiro – 127 Edição – Rio de Janeiro – Federação Espírita Brasileira (FEB) – “Introdução IV”, Item XVII – 2007.

KARDEC, Allan – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Tradução de Guillon Ribeiro – 127 Edição – Rio de Janeiro – Federação Espírita Brasileira (FEB) – Capítulo XVII, item 08 – 2008.

Qual a maior virtude?

 Qual a maior virtude?


Itair Rodrigues Ferreira



Muitos de nós, imbuídos dos propósitos edificantes tão enfatizados pelo espiritismo, gostaríamos de ajudar as pessoas, atendendo suas necessidades básicas, e, de vez por todas, colocá-las no patamar superior, onde não teriam mais as dificuldades que nos cortam à alma ao vê-las sofrer.


No entanto, sabemos também, estudando essa doutrina iluminada, que todos nós, sem exceção, somos amparados pela Misericórdia Divina. Nem mesmo aqueles que se comprometeram seriamente com a Justiça Divina ficam esquecidos. No mundo espiritual há seres bondosos cuja missão é socorrer as almas infelizes, amparando-as e encaminhando-as à Verdade. “Nem nos cárceres, nem nos hospitais, nem nos lugares de devassidão, nem na solidão, estais separados desses amigos que não podeis ver, mas cujo brando influxo vossa alma sente, ao mesmo tempo que lhe ouve os ponderados conselhos”. (1)


É necessário desenvolvermos a generosidade em nossas atitudes combatendo o egocentrismo, a fim de nos tornarmos altruístas começando nas pequenas coisas que podemos fazer pelo próximo, sem pensamento oculto, sem interesse em levarmos vantagens, isento da ideia de colhermos qualquer benefício.


O homem do século XXI, o século da grande transição da humanidade, que evolui de mundo de expiação e provas para mundo de regeneração, precisa controlar seus desejos e necessidades. Moderar seu interesse nos bens materiais, enaltecendo os valores sutis da alma a fim de se tornar melhor, mais feliz e constituir-se, dessa forma, o modelo das próximas gerações.


Para essa realização, basta querer e traçar um roteiro. Com o forte desejo de servir a humanidade, entraremos em conexão com os altos valores espirituais participando da transformação da Terra.


Jesus enalteceu o óbolo da viúva pobre, que fez o donativo, depositando no gazofilácio, duas pequenas moedas da antiga Grécia, que representavam, cada uma, dez centavos da nossa moeda. O valor era ínfimo, mas era tudo o que ela possuía.


E Jesus disse: “Verdadeiramente vos digo que esta viúva pobre deu mais do que todos. Porque todos estes deram como oferta daquilo que lhes sobrava; esta, porém, da sua pobreza deu tudo o que possuía, todo o seu sustento”. (2)


“O mérito do bem está na dificuldade em praticá-lo. Nenhum merecimento há em fazê-lo sem esforço e quando nada custe. Em melhor conta tem Deus o pobre que divide com outro o seu único pedaço de pão, do que o rico que apenas dá do que lhe sobra, disse-o Jesus, a propósito do óbolo da viúva”. (3)


Além da caridade de ordem material, necessária, mas nem sempre a mais importante, existe a caridade moral, que independe do dinheiro: entretanto, é a mais difícil de ser praticada.


Quantos seres transitam em nosso caminho, necessitados de um ouvido que os ouça com paciência e humildade, na solidão do mundo repleto de pessoas indiferentes às suas dores. Como podemos ajudá-los!


Seremos verdadeiramente caridosos ao conseguirmos domar nossas más inclinações, renunciando aos nossos defeitos , freando nossa língua, não passando notícias, mesmo que verdadeiras, mas que podem conspurcar a honra do nosso próximo, seja ele quem seja.


Seremos verdadeiramente caridosos quando tivermos atitude em defesa do fraco, contra a prepotência do forte, mesmo sabendo, de antemão, que essa postura nos prejudicará o interesse pessoal.


Muitos não se interessam pelo próximo. Olham e não os enxergam. Esbarram-se e não se sentem próximos. São indiferentes a tudo o que lhes acontece.


Devemos fazer o bem pelo bem, desinteressadamente. Olhar para as pessoas com os olhos cheios de amor, a fim de que o bem cresça em nós. Auscultar a dor do próximo; entender a sua necessidade para ajudá-lo, evitando o seu constrangimento em nos pedir, porque muitos sofrem de inibição, introspecção, ou mesmo, do orgulho, o pai de todos os vícios.


As Entidades Sublimadas responderam ao Codificador que “não há quem não possa fazer o bem. Somente o egoísta nunca encontra oportunidade de o praticar” (4) e, “que não bastará que o homem não pratique o mal. Cumpre-lhe fazer o bem no limite de suas forças, porquanto responderá por todo o mal que haja resultado de não haver praticado o bem”. (5)


Mas, vale a retidão da nossa intenção, como afirmaram os Espíritos Superiores, em diversas respostas que deram a Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos. (6)


A maior de todas as virtudes, “a sublimidade da virtude, porém, está no sacrifício do interesse pessoal, pelo bem do próximo, sem pensamento oculto. A mais meritória é a que assenta na mais desinteressada caridade”. (7)


Muita paz!


 


Notas bibliográficas:


1 – O Livro dos Espíritos – Q. 495.


2 – A Bíblia Sagrada – João Ferreira de Almeida – Lucas, 21, 3 e 4.


3 – O Livro dos Espíritos – Q. 646.


4 – Idem – Q. 643.


5 – Idem – Q. 642.


6 – Idem – Questões: 655, 658, 872, 954... etc.


7 – Idem – Questão 893.