Estudando o Espiritismo

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sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Igualdade natural e desigualdade de aptidões

Igualdade natural e
desigualdade de aptidões

Apresentamos nesta edição o tema no 50  do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita, que está sendo aqui apresentado semanalmente, de acordo com programa elaborado pela Federação Espírita Brasileira, estruturado em seis módulos e 147 temas.

Se o leitor utilizar este programa para estudo em grupo, sugerimos que as questões propostas sejam debatidas livremente antes da leitura do texto que a elas se segue.

Se destinado somente a uso por parte do leitor, pedimos que o interessado tente inicialmente responder às questões e só depois leia o texto referido. As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final da lição.

Questões para debate

1. Por que há sofredores e felizes em nosso mundo?

2. Por que as aptidões humanas são tão diversas?

3. A diversidade das aptidões, ao contrário da uniformidade, é um bem ou é um mal?

4 . Essas diversidades no tocante às aptidões humanas sempre existirão em nosso mundo?

5. Qual é, segundo o Espiritismo, a condição básica para que as anomalias sociais sejam, na Terra, erradicadas definitivamente?

Texto para leitura

Aos olhos de Deus todos os seus filhos são iguais
1. Todos os homens estão submetidos às mesmas leis da Natureza. Todos nascem igualmente fracos, acham-se sujeitos às mesmas dores e o corpo do rico se destrói como o do pobre. Deus a ninguém concedeu superioridade natural, nem pelo nascimento, nem pela morte. Todos os seus filhos são iguais aos seus olhos.

2. Ensinam os Espíritos Superiores que Deus não tolera distinções de linhagem familiar, não confere honrarias extemporâneas, nem favorece com privilégios qualquer de suas criaturas, mas proporciona a todos idênticas e incessantes oportunidades.

3. O Criador coloca, em estado latente, o mesmo poder, a mesma sabedoria e os mesmos estímulos evolutivos para todas as suas criaturas, no longo e fastidioso percurso que elas têm de trilhar com vistas à perfeição.

4. Atentos a estas considerações é que podemos perceber o sentido correto da lei de igualdade no seu aspecto natural, em contraposição à pretendida igualdade sócio-econômica, freqüentemente artificial na vida de relação dos Espíritos encarnados.

O Pai não concede privilégios a ninguém
5. Sendo todos da mesma essência divina e criados para os mesmos gloriosos destinos, o gênero humano constitui uma única família. É por isso que todos os homens se encontram sujeitos às mesmas leis.

6. O Pai Eterno não concede privilégios a ninguém. Se há sofredores e felizes em nosso planeta, isso não se dá em razão das preferências divinas, mas por força do mau ou do bom uso do livre-arbítrio dos seus habitantes.

7. Fomos criados simples e ignorantes, porém destinados à perfeição. Se ao longo de nossa trajetória evolutiva falimos ou nos elevamos, isso se dá por força de nossa livre vontade. As desigualdades sociais existentes são produto das opções voluntárias dos homens, e não de um capricho particular do Criador.

8. As aptidões humanas, tão diversas, resultam igualmente da variedade de experiências vividas nas múltiplas encarnações, porque, em razão do livre-arbítrio, cada indivíduo decide qual o caminho a seguir. Os Espíritos foram criados iguais uns aos outros, mas cada um deles vive há mais ou menos tempo e, conseguintemente, tem feito maior ou menor soma de aquisições. A diferença existente entre eles funda-se, pois, na diversidade dos graus da experiência  alcançada e da vontade com que obraram.

A diversidade das aptidões é um meio propulsor do progresso
9. Como uns se aperfeiçoam mais rapidamente do que os outros, resultam daí para eles aptidões diversas. Mas a variedade das aptidões permite que cada um possa concorrer para a execução dos desígnios da Providência, no limite do desenvolvimento de suas forças físicas e intelectuais. O que um não faz, faz o outro, de forma que todos têm um papel útil a desempenhar na comunidade em que vivem. A diversidade das aptidões, ao contrário da uniformidade, constitui, pois, um meio propulsor do progresso, visto que cada homem contribui para a obra coletiva com sua parcela de conhecimento.

10. As dessemelhanças que os Espíritos apresentam, quer em inteligência, quer em moralidade, não derivam, portanto, de sua natureza íntima. Resultam apenas do fato de haverem sido criados há mais ou menos tempo e do maior aproveitamento desse tempo no desenvolvimento das aptidões e virtudes que lhes são intrínsecas.

11. As desigualdades naturais das aptidões humanas são os degraus das múltiplas experiências que nos conduzirão aos mundos superiores e que nos propiciarão implantar o reino de Deus na Terra. Essas diferenças constituem os agentes do progresso e preenchem uma necessidade inapreciável, na economia da evolução, favorecendo-a, por mais que existam pessoas que as detestem. Tais diferenças, todavia, subsistirão enquanto tenham razão de ser e, enquanto subsistirem, satisfarão a uma necessidade da própria Natureza, favorecendo o progresso humano.

Um dia em nosso mundo ninguém mais precisará mendigar
12. É provável que no estágio atual da nossa civilização nem todos os homens estejam exercendo a ocupação adequada às suas aptidões naturais.

13. Quando, porém, o egoísmo e o orgulho deixarem de ser os sentimentos predominantes na Terra e compreendermos que somos todos irmãos, amando-nos realmente uns aos outros, como preceitua o Cristo, todo o homem de boa vontade achará ocupação adequada às suas aptidões, que lhe garanta o mínimo necessário a uma existência compatível com a dignidade humana.

14. Um dia esse estado de coisas será realidade em nosso mundo.  Então os homens que não mais puderem manter-se em atividade, seja por doença, seja por velhice, terão a seu favor o amparo da lei, sem lhes ser preciso humilhar-se recorrendo à caridade pública.

Respostas às questões propostas

1. Por que há sofredores e felizes em nosso mundo? R.: Deus não concede privilégios a ninguém. Se há sofredores e felizes em nosso planeta, isso não se dá em razão das preferências divinas, mas por força do mau ou do bom uso do livre-arbítrio dos seus habitantes. Fomos criados simples e ignorantes, porém destinados à perfeição. Se ao longo de nossa trajetória evolutiva falimos ou nos elevamos, isso se dá por força de nossa livre vontade.

2. Por que as aptidões humanas são tão diversas? R.: As aptidões humanas resultam da variedade de experiências vividas nas múltiplas encarnações, porque, em razão do livre-arbítrio, cada indivíduo decide qual o caminho a seguir. Os Espíritos foram criados iguais uns aos outros, mas cada um deles vive há mais ou menos tempo e, conseguintemente, tem feito maior ou menor soma de aquisições. A diferença existente entre eles funda-se, pois, na diversidade dos graus da experiência alcançada e da vontade com que obraram.

3. A diversidade das aptidões, ao contrário da uniformidade, é um bem ou é um mal? R.: Essa diversidade é, em verdade, um bem, porque permite que cada pessoa possa concorrer para a execução dos desígnios da Providência, no limite do desenvolvimento de suas forças físicas e intelectuais. O que um não faz, faz o outro, de forma que todos têm um papel útil a desempenhar na comunidade em que vivem. A diversidade das aptidões constitui, pois, um meio propulsor do progresso, visto que cada homem contribui para a obra coletiva com sua parcela de conhecimento.

4 . Essas diversidades no tocante às aptidões humanas sempre existirão em nosso mundo? R.: As desigualdades naturais das aptidões humanas subsistirão enquanto tiverem razão de ser e, enquanto subsistirem, satisfarão a uma necessidade da própria Natureza, favorecendo o progresso humano.

5. Qual é, segundo o Espiritismo, a condição básica para que as anomalias sociais sejam, na Terra, erradicadas definitivamente? R.: A condição fundamental para que isso se dê é o enfraquecimento ou mesma a extinção do sentimento de egoísmo e de orgulho que ainda predomina no planeta. Quando isso se verificar e compreendermos que somos todos irmãos, todos acharão ocupação adequada às suas aptidões, que lhes garanta o mínimo necessário a uma existência compatível com a dignidade humana. Um dia, sem dúvida alguma, esse estado de coisas será realidade em nosso mundo.


Bibliografia:

O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, itens 803 e 804.

O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, cap. 11, item 8.

As Leis Morais, de Rodolfo Calligaris, 2a. edição, págs. 136 e 138.

Grandes e Pequenos Problemas, de Angel Aguarod, 3a. edição, pág. 174.