Estudando o Espiritismo

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sexta-feira, 26 de maio de 2017

O filho pródigo e a bênção do perdão

O filho pródigo e a bênção do perdão

Durante suas prédicas espiritualistas em todos os locais em que passava, Jesus falava quase sempre de maneira indireta, por parábolas, uma espécie de figuração em forma de histórias curtas, que talvez na sua época, não tenham sido bem assimiladas, mas com o passar dos anos, descobriu-se que elas continham ensinamentos valiosos e profundos, embutidos de uma maneira sutil e dinâmica, que os interessados no seu Evangelho de Amor podem visualizar.
Uma dessas parábolas foi a do filho pródigo, que ganhou notoriedade por se tratar da ingratidão, e ao mesmo tempo do perdão, no seguinte relato evangélico:

Um pai amoroso, dono de uma fazenda com muitas terras, tinha dois filhos que o ajudavam na administração, no cultivo das terras, no plantio e na colheita dos cereais, e ainda no controle dos empregados.
Era uma propriedade próspera e feliz, em que todos os componentes daquela sociedade viviam bem, com fartura de tudo, nada faltando para o dono das terras, sua família e aos empregados, que também gozavam da abundância que reinava naquele recanto isolado das grandes cidades.
Quando completou 25 anos, o filho mais novo do fazendeiro, exatamente aquele em que o pai depositava maior confiança, se dirigiu ao seu genitor e falou: “Pai, até o dia de hoje eu o servi e trabalhei incansavelmente na fazenda, ajudando-a a progredir e prosperar, usando minha força jovem em todo o tipo de trabalho sem reclamar. Mas sempre tive a vontade de conhecer lugares novos, outras pessoas; viajar pelo mundo sem destino, até saber o que eu realmente quero para minha vida. Por isso, queria pedir ao Senhor que calculasse o valor da herança a que tenho direito, por ser seu filho legítimo, e me adiantasse o que é meu por direito, afim de que eu possa seguir destino. Se tudo der errado, eu volto, e tenho certeza que o Senhor me receberá de braços abertos, e mesmo tendo sofrido decepções, eu estarei feliz por ter sido dado a mim o direito de escolher minha vida e o meu destino”.
O velho pai não disse uma única palavra, e simplesmente retirou de um cofre velho uma grande quantia em dinheiro, dando-a ao filho, mas recomendando que ele agisse fora de casa, exatamente como fazia na fazenda, respeitando todos e tudo, não se envolvendo em brigas, jogo, álcool e drogas. Pediu ainda, que aceitasse qualquer tipo de trabalho, não recusando serviço, principalmente se tratasse de sua sobrevivência, abençoando-o em seguida, desejando-lhe muita sorte.
O jovem aventureiro passou por muitas cidades e alguns países, percorrendo vilas e fazendas, gastando gradativamente os recursos que o pai lhe ofertara, sem observar que aonde tira e nada põe, pode acabar, e foi o que aconteceu; o dinheiro acabou, e ele teve que voltar a trabalhar para o seu próprio sustento. A partir daí começou sua via sacra, pois em nenhuma fazenda ou local de trabalho encontrou o clima de amizade e respeito, carinho e solidariedade que tinha na fazenda do pai, pois os patrões exigiam muito e não pagavam quase nada.
Tanto andou na busca de alguma coisa que se comparasse à fazenda do seu pai, que foi parar numa zona desértica, gelada, cuja temperatura se aproximava de 30 graus negativos. Nesse local não havia quase que trabalho nenhum, e o único serviço que arranjou foi o de cuidador de porcos, e sua alimentação era a dos próprios porcos, tendo que dormir junto a eles, nenhuma proteção do frio e das intempéries da natureza. Começou a questionar que o seu sofrimento estava relacionado com o seu abandono da casa paterna, resolvendo então voltar para casa e pedir perdão ao seu pai, além de se oferecer para trabalhar como peão, sem nenhuma renumeração, só em troca da alimentação.
Depois de uma jornada terrível de peregrinação, vivendo de esmolas e ajuda alheia, esfarrapado, sujo e doentio, chegou finalmente à casa do pai, depois de longos anos ausente, onde só foi reconhecido pelos empregados, depois de dizer quem era. Ao saber da chegada do filho, o pai correu ao seu encontro, abraçando-o e chorando copiosamente enquanto o abraçava e o beijava. Mandou então que um dos empregados o levasse ao banheiro, onde recebeu um longo banho, vestindo roupas novas e quentes.
Em seguida, o dono da fazenda chamou seu homem de confiança e disse: “Prepare uma festa como nunca tivemos antes; convide todos os meus vizinhos; mate quantos bois forem necessários; prepare iguarias de todos os tipos, vinhos e fogos de artifícios, porque quero comemorar a chegada do meu filho que estava ausente”.
Ao saber da chegada do irmão mais novo, que dilapidara a fortuna do pai e voltara como mendigo, e ainda assim estava ganhando uma festa, o irmão mais velho, que nunca se afastara de casa e nem gastara nada do pai, questionou o fazendeiro: “Pai, nunca saí da minha casa, sempre estive com o senhor; nunca dilapidei nenhum recurso da fazenda e nunca ganhei nenhuma festa, nem mesmo nos meus aniversários”. E o pai respondeu: “Filho, você sempre esteve comigo, tem sido esse filho obediente e amoroso e nunca me preocupei com você, mas seu irmão estava perdido e se achou, estava morto e agora está vivo entre nós!”.

Em síntese, Jesus quis dizer que Deus nunca abandona seus filhos, por mais rebeldes que sejam, e dá sempre preferência aos que estão mais afastados do pai, e por isso o próprio Jesus afirmou que “não necessitam de médicos os sãos, e sim os doentes”. As ovelhas desgarradas do rebanho divino são as que merecem maior atenção, porque nenhuma delas se perderá, e Deus espera pacientemente nossa mudança de postura diante da vida e diante dele, para então nos dar os recursos necessários à nossa evolução física e espiritual.