Estudando o Espiritismo

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sábado, 7 de setembro de 2019

OS PERIGOS DA VAIDADE NO COMANDO DA CASA ESPÍRITA

OS PERIGOS DA VAIDADE NO COMANDO DA CASA ESPÍRITA! HUMILDADE ENSINADA POR JESUS!



Vivo experiências na casa espírita, que me fazem pensar na tremenda necessidade do estudo do Evangelho, principalmente das partes que tratam da humildade, vaidade, vigilância e soberba. Em virtude disto, trago este texto para que reflitamos sobre nossa postura em nossas abençoadas casas.

“Sabeis que os príncipes das nações as dominam e que os grandes as tratam com império. - Assim não deve ser entre vós; ao contrário, aquele que quiser tornar-se o maior, seja vosso servo; - e aquele que quiser ser o primeiro entre vós seja vosso escravo; do mesmo modo que o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida pela redenção de muitos ”

Uma reflexão, para nós espíritas, se faz necessária sobre um tema relevante e atual. Como deve ser a organização de uma casa espírita? Se a legislação humana prescreve a necessidade de estatuto social, cargos, funções, formação de um conselho e assembleias para as deliberações da sociedade, o que prescreve a legislação divina?
Alguns acham que a casa espírita se assemelha a uma empresa. Entendem que, para o seu bom funcionamento, apesar de não possuir acionistas, não visar lucro, deve ter presidente, diretores, gerentes, coordenadores, supervisores, e uma linha hierárquica bem definida, com ordens sendo proferidas pelos cargos superiores e sendo obedecidas plenamente pelos cargos inferiores ou subalternos. Pensam que assim, fica preservada a harmonia da mesma, pela imposição de uma disciplina rígida e inquestionável a ser respeitada á risca. Argumentam que sem isso, não se tem trabalho de equipe.
Fica bem na fita aquele que fizer um melhor marketing pessoal, aquele que vender melhor a sua imagem. Pode até ser eleito presidente! Não importa se essa imagem é verdadeira ou não. O que importa é que as pessoas se convençam que ele é “O Cara”.
Alguns acham que a casa espírita, por ser uma associação de pessoas com ideal religioso, deve funcionar como a maioria das instituições religiosas do planeta terra. Argumentam que assim deve ser. Castas bem definidas de sacerdotes, noviços, líderes religiosos máximos, crentes, adeptos, seguidores fiéis ou simplesmente simpatizantes, e naturalmente com uma estrutura hierárquica mais rígida ainda. Com a disciplina e obediência cegas beirando as raias da irracionalidade. Tudo para preservar, acima de tudo e de todos, a instituição religiosa, sua hierarquia e sua tradição.
Mas, como organizar uma casa espírita atendendo a legislação divina? O que ela prescreve? O que os espíritos superiores nos aconselham e ensinam sobre a sua organização?
Nosso querido Mestre Jesus alerta os apóstolos “Sabeis que os príncipes das nações as dominam e que os grandes os tratam com império. - Assim não deve ser entre vós; ao contrário, aquele que quiser tornar-se o maior, seja vosso servo; - e, aquele que quiser ser o primeiro entre vós seja vosso escravo”.
Kardec esclarece outro sábio ensinamento de Jesus "Será o maior no reino dos céus aquele que se humilhar e se fizer pequeno como uma criança, isto é, que nenhuma pretensão alimentar à superioridade ou à infalibilidade.” E complementa mais adiante “Não procureis, pois, na Terra, os primeiros lugares, nem vos colocar acima dos outros, se não quiserdes ser obrigados a descer. Buscai, ao contrário, o lugar mais humilde e mais modesto, porquanto Deus saberá dar-vos um mais elevado no céu, se o merecerdes”.
Emmanuel no livro “Seara dos Médiuns”, sabiamente apresenta ponderações sobre a organização do espiritismo e nos ensinando:
”Todos estamos concordes em que a Doutrina Espírita revive agora o Cristianismo puro; no entanto, há muita gente que lhe estranha a organização, sem os chamados valores nobiliárquicos que assinalam a maioria das instituições terrestres.
A força de se iludirem com a idolatria, que sempre nos custa caro, muitos companheiros, menos vigilantes, desejariam condecorar trabalhadores da Nova Revelação, criando galerias para o relevo pessoal. E se pudessem determinar o rumo das coisas, no consenso opinativo, decerto que há muito estaríamos mobilizando doutrinado­res-chefes e médiuns-titulares, com as nossas casas de serviço perdendo tempo em mesuras e rapapés.”....
“.....Não existem, desse modo, médiuns maiores ou médiuns menores, favorecendo, entre nós, a constituição de prerrogativas e castas....”
“ ....Sustentar a ideia espírita, indene de qualquer imaginária fidalguia para aqueles que a servem, é dever para todos nós. ...”
No livro “Aconteceu na Casa Espírita” Nora, a autora espiritual nos relata na psicografia de Emanuel Cristiano, em seu Capítulo 05 a técnica de Júlio César, o líder dos obsessores. Ele oferece favores e cargos aos obsessores, e estimula a vaidade da médium para que esta acreditasse em sua superioridade perante os demais médiuns da casa espírita.
“.... Júlio Cesar acompanhou o trabalho de Maria Souza (médium) durante várias semanas, fazendo com que casos semelhantes a estes fossem repetidos(casos de cura); para isso oferecia cargos, favores e retribuições aos obsessores, provocando nela a certeza de que finalmente havia desenvolvido a faculdade de cura...”
Mais adiante no Capítulo - 08 “Cedendo á Tentação” após a infiltração dos obsessores no pensamento dos trabalhadores da casa espírita. É relatada pelo espírito Nora a característica da perturbação que se instalou:
“ .... Não faltavam, porém, os invigilantes perturbando o serviço. Sequiosos por cargos, disputavam a organização das entrevistas, quais representantes do orgulho em uma empresa do mundo. Esqueceram que os candidatos a comandar o trabalho do bem devem, primeiramente, se esforçar por comandarem a si mesmos....”
O nosso querido Francisco Cândido Xavier, o maior exemplo de atuação de um verdadeiro espírita, serviu durante diversos anos em um centro em Uberaba. Após quatorze anos de atividade a casa espírita havia crescido, ocupando quase um quarteirão. Não havia mais espaço para o servidor humilde de Jesus. Chico se afastou e fundou uma nova casa espírita. Com estrutura menor, com menos participantes, mas com o amor e a humildade que caracterizam os verdadeiros seguidores do Mestre Divino. De vez em quando ele comentava:
“ .... Em casa que muito cresce o amor desaparece......”
O que será que Chico constatou? Será que a casa espírita havia perdido a pureza e simplicidade do início quando era um pequeno núcleo de fraternidade e solidariedade? Será que o tamanho e a estrutura da mesma induziam os colaboradores a posturas menos humildes, com hierarquia, cargos, disputas de poder e vaidades pessoais?



O Professor Herculano Pires, que nas palavras de Emmanuel, é “o metro que melhor mediu Kardec”, em seu Livro “O Centro Espírita”, cap. III faz a seguinte ponderação sobre a organização de uma casa espírita:
“ ....Mas, acima de tudo e antes de tudo: humildade. Porque Espiritismo sem humildade é água poluída, cheia dos germes da pretensão, da vaidade, do orgulho que atraem os espíritos inferiores. Um presidente de Centro não é o Presidente da República e um doutrinador não é um sábio. Pelo contrário, são criaturas necessitadas que estão aprendendo a arte difícil de servir e não a de baixar decretos, dar ordens e humilhar os outros em público. Sem humildade que gera e sustenta o amor ao próximo, nem o estudo pode dar frutos....”
Relembrando um relevante ensinamento de Emmanuel, no longuinguo ano de 1.937, em sua obra entitulada “Emmanuel”, no capítulo XI - “Mensagens aos Médiuns”, na qual ele apresenta diversas ponderações aos médiuns, para relembrar sobre o passado espiritual destes.
“ ....O seu pretérito, muitas vezes, se encontra enodoado de graves deslizes e de erros clamorosos. Quase sempre, são Espíritos que tombaram dos cumes sociais, pelos abusos do poder, da autoridade, da fortuna e da inteligência, e que regressam ao orbe terráqueo para se sacrificarem em favor do grande número de almas que desviaram das sendas luminosas da fé, da caridade e da virtude. São almas arrependidas que procuram arrebanhar todas as felicidades que perderam, reorganizando , com sacrifícios, tudo quanto esfacelaram nos seus instantes de criminosas arbitrariedades e de criminosa insânia...”
Reforçando este sábio conceito ensinado por Emmanuel no livro “Aconteceu na Casa Espírita” a mesma afirmação. Castro, o presidente do Centro Espírita sob ataque obsessivo, recebendo instruções do dirigente espiritual, que lhe relembra a necessidade de humildade e sacrifício em sua atuação, é informado que também já participou, no passado das “hostes infernais”
“ ....E se queres saber, tu mesmo já fizestes parte das “hostes infernais” ! Quem de nós, peregrinando pelos caminhos da ignorância, não contribuímos para entravar o progresso?”
Mais adiante, na mesma obra literária, após o arrependimento de seus atos, Júlio Cesar, o obsessor chefe, é conduzido á nova reencarnação em família espírita, para reparar o mal praticado. Com aproximadamente 50 anos de idade física, portador do dom da mediunidade, assumirá a presidência da Casa Espírita que tanto ele perseguiu, para tentar reparar o mal praticado.
Vale para todos nós, com raríssimas exceções, um importante alerta. Quando faltar a humildade em nossa atuação, lembremo-nos de que não somos seres angélicos repletos de virtudes que assumimos, nesta encarnação, cargos importantes, devido á nossa elevação espiritual. Somos sim, seres milenares envolvidos, em diversas encarnações, em grandes faltas perante as Leis Divinas, aos quais, pela bondade infinita de Deus, foram concedidos oportunidades de resgate e expiação dessas faltas, atuando em funções transitórias de caráter religioso nas casas espíritas.
Por tudo que foi exposto acima, por todas as ponderações de espíritos bondosos nas citações da literatura espírita, neste artigo, creio que é de grande utilidade para todos nós, repensarmos o centro espírita, e as nossas posturas e atuações nessas instituições.

Renato Mayrink

O EGO E A VAIDADE, DESTRUINDO A CASA ESPÍRITA.


Douglas Rainho

Outro dia na preleção antes das giras de atendimento na Casa de Caridade Nossa Senhora Aparecida, o orador Lima abordou um assunto muito pertinente e que se mostrou imediatamente familiar a mim.

Como os leitores desse blog já sabem, fui espírita durante muitos anos, tendo passado de casa para casa sem encontrar uma a qual me sentisse bem adequado. Visitei e frequentei por longos períodos centros espíritas nos bairros do Tatuapé, da Vila Guilherme, de Vila Maria e também Vila Mariana, todos da cidade de São Paulo, mas sempre me senti um estranho nesses locais. Nunca consegui me sentir como parte da casa em nenhum desses locais e isso se deve de fato a forma como o espiritismo é praticado e como eu o aprendi.

Eu fui iniciado nas questões espíritas e espiritualistas pela minha tia materna Regina, a qual é uma figura, tanto como pessoa, quanto como médium. Ela começou as andanças por conta e risco desde muito cedo procurando suas próprias verdades e indo de frente, para um sistema dos anos 70, muito conservador e militarizado. Quando alguém se assumia espírita, ainda mais advindo de uma família católica, era um escândalo, imagina então se a pessoa fosse uma adolescente.

Contudo, tudo que aprendi com os ensinamentos da minha tia – médium, estudiosa, oradora e trabalhadora caritativa – batia de frente contra as questões que via na prática nos demais centros espíritas. Apesar de tudo isso, sempre adorei a casa espírita e as palestras, as oportunidades de aprendizados nos cursos e tudo que ela oferecia.

Atualmente, sou trabalhador de Umbanda, e temos a oportunidade de ouvir um orador antes de todos os trabalhos, que advém da doutrina espírita. Ouvindo, na preleção do orador Lima as experiências dele e por ele ser um orador espírita e frequentador de um núcleo espírita, cheguei a triste conclusão de que isso é endêmico do espiritismo brasileiro.

O Lima comentou que as pessoas veem as palestras espíritas como algo para passar o tempo, simplesmente para distrair o público enquanto as sessões de passe não acontecem. Ele está absolutamente correto, pois eu também constatava que enquanto eu estava prestando atenção na oratória do palestrante uma pessoa chegava e começava a gritar os números das fichas para os atendimentos com passes espíritas e por fim para entregar a “hóstia espírita” que é a água fluidificada. O mesmo ocorria em algumas das casas que ele vai palestrar. Seria coincidência? Creio que não.

Subverteu-se a pesquisa espiritual por uma dogmatização religiosa, o que não é necessariamente ruim, mas amputaram uma das pernas do espiritismo, que agora é manco. Pois, sem o questionamento, sem o estudo, sem pesquisa e o aprofundamento, passamos a aceitar tudo que trazem para nós como verdades absolutas e deixamos de exercitar o nosso discernimento. Criamos assim aberrações de “crentes espirituais” sem qualquer amparo racional e indo completamente contra uma das mais célebres frases de Allan Kardec:

“Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão em todas as épocas da humanidade.”

Passamos agora a aceitar que o intuito do espiritismo é tomar o passe magnetizado, beber a água fluidificada, comprar um ou dois livros espíritas e ir embora para ainda pegar a macarronada do domingo. Semelhante ao que nossos confrades católicos faziam e que era alvo de críticas dos espíritas e de outros religiosos de diversas denominações.

Conseguem perceber a armadilha que armamos para nós mesmos?

O passe espírita é inócuo, assim como a água fluidificada, se o espírito não se abre para o aprimoramento. Esse aprimoramento vai além das questões intelectuais, que podem ser angariadas através de leitura e de estudos. Esse aprimoramento é de um valor moral e ético imenso e que só pode ser aprendido pela prática. A água fluidificada, o passe, a literatura, são apenas ferramentas para nos auxiliar enquanto trabalhamos verdadeiramente a reforma íntima com atitudes, com caridade e com investigação de nós mesmos.

Logo, posso afirmar conclusivamente que a palestra espírita é muito mais eficaz nos tratamentos espirituais que os passes espíritas e que é impossível uma doutrinação de obsessores, sem doutrinar o obsedado através das palavras evangelizadoras e da reforma moral.

Hoje as casas espíritas, assim como os terreiros de Umbanda, se tornaram um centro de encontro de espíritos (encarnados e desencarnados) vaidosos, egoístas e extremamente arrogantes. Médiuns que se julgam “o escolhido que há muito foi profetizado”, simplesmente porque dá voz aos espíritos comunicantes; Dirigentes, tanto espíritas quanto umbandistas, que se assoberbam e assenhoram de tamanha arrogância e prepotência que não conseguem ouvir as dificuldades de seus próprios tutelados. Frequentadores que procuram a solução mais rápida e fácil, sem raciocinar sobre suas atitudes diárias e sem fazer o esforço pela mudança. Estamos criando uma geração de estagnados com pano-de-fundo espiritualizado, que dão cada vez mais vazão para as críticas dos não-religiosos aos que possuem uma religião.

Eu creio que já é chegada a hora do basta! Não podemos mais permitir que as experiências sejam tão rasas, pois não tardará para que essas religiões sumam e deem lugares a mentes cristalizadas e totalmente anacrônicas. Precisamos de forma urgente trazer o evangelho para a vida pessoal, precisamos de forma imediata de Jesus e das mensagens dos espíritos evoluídos, para nos auxiliar, mas precisamos ainda mais de pessoas com atitudes, para que mudando a si próprios, possam também mudar o mundo ao seu redor.

A vaidade - Revista Espírita 1860

(Pela Sra. Leso..., Médium)
Quero falar-te da vaidade, que se mistura a todas as ações humanas. Ela mancha todos os pensamentos delicados; penetra o coração e o cérebro. Planta má, abafa a bondade em seu germe; todas as qualidades são aniquiladas por seu veneno.

Para lutar contra ela, é preciso usar a prece; só ela nos dá a humildade e a força. Incessantemente, ó homens ingratos, vos esqueceis de Deus. Ele não é para vós senão o socorro implorado na aflição, e jamais o amigo convidado para o banqueteda alegria. Para iluminar o dia, ele vos deu o sol, radiação gloriosa, e para clarear a noite, as estrelas, flores de ouro. Por toda parte, ao lado dos elementos necessários à Humanidade, pôs o luxo necessário à beleza de sua obra. Deus vos tratou como faria um anfitrião generoso que, para receber os convidados, multiplica o luxo de sua morada e a abundância do festim. Que fazeis vós, que tendes apenas o coração para lhe oferecer? Longe de enfeitá-lo de alegria e de virtudes, longe de lhe oferecer as premissas de vossas esperanças, não o desejais, não o convidais a vos penetrar o coração, senão quando o luto e as amargas decepções vos arranharam e feriram. Ingratos! Que esperais para amar vosso Deus? A desgraça e o abandono. Ofereceilhe antes o vosso coração livre de dores; oferecei-lhe, como homens em pé, e não como escravos de joelhos, vosso amor isento de medo, e na hora do perigo ele se lembrará de vós, que não o esquecestes na hora da felicidade.

GEORGES (Espírito Familiar)

O último requinte da vaidade


DAVILSON SILVA
davsilva.sp@gmail.com
São Paulo, SP (Brasil)


O último requinte da vaidade


Se alguém diz: modéstia à parte, logo, denota falta de modéstia... “O último requinte da vaidade é a falsa modéstia“, frase do célebre ensaísta e moralista francês Jean de La Bruyère (1645/1696). Com base na mencionada máxima do notável escritor, compomos: “A falsa modéstia não passa de virtude ostentosa“. Aliás, virtude ostentosa é ótimo! Tremendo contrassenso igual a este: caridade orgulhosa...

De contínuo, isso me fez lembrar uma fábula (1),  tendo como figura principal bizarra criatura onívora e cursora, ave estrutioniforme do gênero Struthio, a maior delas, de asas rudimentares, com apenas dois dedos em cada pé, oriunda das zonas semidesérticas da Arábia e África: a avestruz.

Reuniram-se diversos tipos de aves para um encontro recreativo, num determinado local da floresta. Entrementes, em conversa animada e fraterna, após encomiásticas referências às aves-do-paraíso, aos canários, beija-flores, periquitos e papagaios, comentou-se sobre a beleza, a agilidade, a astúcia e a elegância do voo das águias. Dada a palavra à avestruz, partícipe também do encontro, disse ela:

— Jamais serei como uma águia!

As colegas ovíparas e emplumadas entreolharam-se, experimentando súbita admiração por aquele ato de modéstia. Porém, ela estragou o gesto, ao acrescentar:

— É. Eu não só voo perfeitamente como também posso caminhar e correr qual perfeita e exímia velocista!

Brilho apagado

À vista do até aqui exposto, dizemos que toda pessoa apontada por suas atitudes de arrogância há de surpreender desagradavelmente aos que lhe dão ouvidos. Esse tipo de pessoa, pela antipatia que provoca, perde o respeito até de quem a estima. A ausência de modéstia é uma falha que, a propósito, mancha todos os pensamentos delicados. Alojada no íntimo, ela sufoca as virtudes, apaga o brilho de toda qualidade moral.

Por sua vez, o portador dessa tola vaidade não deixa de se decepcionar por não poder fruir de um carinhoso e franco agradecimento pelo benefício, por algum serviço que prestou. Depois de um obséquio, principalmente, após um gesto nobre, se alguém se deixa levar por tal exibicionismo, querendo se impor, forçando elogios, é digno de pena; revela sobremodo pouquíssima elevação espiritual.

Modéstia: o inverso da vaidade que jamais deve permanecer no íntimo de quem se diz cristão, especialmente, espírita. Afirmou o Espírito François-Nicolas-Madeleine:   “Não  imiteis esse homem que se apresenta como modelo e se gaba das próprias qualidades para todos os ouvidos tolerantes“ (2).

Segundo essa mensagem dada em Paris, França, 1863, muitas vezes, quem se apresenta como modelo, e ainda por cima se gaba do que faz, quase sempre esconde “pequenas torpezas e odiosas fraquezas“. A vanglória de uma qualidade, de uma aptidão, da inteligência que se supõe ter, provém do sentimento de orgulho.

É compreensível

Não que seja errada a íntima sensação de euforia, seguidamente ao se despender com generosidade um bem. É compreensível sentir-se profundo e demorado contentamento ao se minimizar a dor, a carência do próximo, por torná-lo feliz, em outras palavras ressaltadas pela Entidade da referida mensagem. Conforme ela, trata-se de intenso júbilo do fundo do coração. Mas, contrapondo, disse que, desde o instante em que esse júbilo se exteriorize a fim de auferir elogios, degenera em amor-próprio.

Amor-próprio, por extensão: vaidade, não passa de orgulho que faz o insensato acreditar que possui supostas virtudes, e o orgulho está vinculado ao egoísmo, origem de todas as misérias deste mundo. Portanto, a falsa modéstia é decorrente do orgulho e egoísmo, e, neste caso, necessário se torna saber se estamos em falta com a modéstia antes que nos igualemos à avestruz da narração sobredita. Se quisermos ser mesmo virtuosos, perseveremos em pensar, meditar, submetendo-nos a um autoexame profundo e sincero, com o propósito de não decepcionarmos os outros e sermos malvistos como indivíduos antipáticos pelo alardeio, pela vanglória e arrogância que nos caracterizem.

Em suma: a falsa modéstia nada mais é que hipocrisia, ou impostura de uma virtude. E qual o antídoto da vaidade? Segundo o Espírito Georges: a prece (3). Para se vencer essa tolice, é preciso valer-se da prece, mas, é claro, da prece sincera, e da efetiva vigilância de pensamentos e sentimentos. “Vigiar e orar“, indicou Jesus... Qualquer um pode utilizar-se de judicioso expediente, se, de fato, quiser ser feliz, ainda que, neste mundo, tenha esta ou aquela crença. E os espíritas — especialmente os espíritas! —, sabemos como ninguém que a única grandeza reconhecida por Deus é a humildade e que só serão reconhecidos pelo Altíssimo através dos esforços empregados no combate ao referido defeito que deslustra e enfraquece a força de todo ato generoso (4).

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1) A partir de um breve texto do poeta alemão Christian Friedrich Hebbel (1813/1863).

2) KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Tradução Herculano Pires. 62. ed. São Paulo: Lake — Livraria Allan Kardec Editora, 2001. Cap. 17, item 8, p. 228.

3) KARDEC, Allan. Revista Espírita: jornal de estudos psicológicos (1860). São Paulo: Edicel — Editora Cultural Espírita Ltda., s/d., p. 197.

4) Idem. O Evangelho segundo o Espiritismo. Trad. H. Pires. Cap. 17, item 4, p. 224.

Visite o blog: Pensamento & Espiritualidade:  http://pensesp.blogspot.com/.

A Vaidade, o Evangelho e o Discípulo

Em clara manhã de primavera encontraram-se, na mesma via, a Vaidade, o Evangelho e o Discípulo.
Disse a Vaidade: “Vem comigo; goza a vida, és jovem.”
Esclareceu o Evangelho: “Renuncia a ti mesmo, vem, e segue o Mestre!” O Discípulo ouviu e calou.
Disse a Vaidade: “Tens saúde; aproveita os dias e, enquanto as forças te permitem, desfralda o banquete do prazer.”
Esclareceu o Evangelho: “Aquele que pega da charrua e olha para trás não é digno do Senhor!”
O Discípulo entristeceu-se e continuou calado.
Disse a Vaidade: “Odeia os que te prejudicam e retribui o amor aqueles que te amam e serás feliz no mundo.”
Esclareceu o Evangelho: “Perdoar, não apenas sete vezes, mas, setenta vezes sete, para ser digno da vida.”
O Discípulo, entristecido e calado, perturbou-se.
Disse a Vaidade: “Bebe e vive, repousa e levanta-te para mais gozar. A mocidade é rápida e a morte logo vem. Aproveita!”
Esclareceu o Evangelho: “Deixai que venham a mim os jovens, pois que deles é o reino dos céus!”
O Discípulo, atônito, recuou alguns passos e, inquieto, se pôs a chorar.
Disse a Vaidade: “Aproveita o ensejo que passa, reúne dinheiro, armazena para o futuro e usa teus bens na conquista do prazer. é tudo quanto se leva da vida.”
Esclareceu o Evangelho: “Louco! Ainda esta noite te tomarão a alma. Que te valem as posses?”
E o Discípulo, traumatizado, dobrou-se, tombando ao solo, em convulsões.
Disse a Vaidade: ‘Levanta-te e esmaga o mundo aos teus pés. A vida é dos fortes e ousados; avança, resolutamente e sem receio. O triunfo te aguarda.”
Esclareceu o Evangelho: ‘E da forma que medires, julgares e agires, assim também serás medido, julgado e condenado.”
O Discípulo, tomado pelo pavor do conflito íntimo, teve um delíquio. Levantando-se, depois, olhou o adornado corpo da vaidade, o fulgor das suas jóias e enrubesceu entusiasmado. Ao lado, o Evangelho, de lirial brancura, vestia-se com a simplicidade da pureza.
E o Discípulo, atormentado, febril e inquieto, disse à Vaidade: “Seguirei contigo; sofro muito; ainda é tempo; preciso viver; procurarei servir a Cristo e amar o mundo.” Abraçando-se à Vaidade, partiu precipitadamente.
É certo que triunfou. Guardou o corpo em tecidos caros, defendeu os pés das asperezas do caminho com calçados resistentes e macios, adereçou os dedos e os braços com jóias reluzentes, deixando que algumas migalhas da mesa farta chegassem às esfaimadas bocas dos pobrezinhos.
Mas, quando veio a velhice, a Vaidade fugiu, temerosa. O Discípulo, atormentado, foi atrás dela, nas vascas de loucura cruel.
E o Evangelho, que nunca o abandonara, seguiu-o, ainda, e a meio do caminho convidou-o amorosamente: “Vem a mim, tu que estás cansado e aflito, e eu te aliviarei.”

Pe. Natividade (por Divaldo Franco)
Reformador(FEB) , pág. 176 08.1960

Orgulho e Vaidade

Orgulho e Vaidade

Procuremos, agora, ilustrar, entre os defeitos que mais comumente
manifestam-se em nós, o orgulho e a vaidade. Busquemos tranqüilamente
conhecê-los, tão profundamente quanto possível, sem mascarar os seus impulsos
dentro de nós mesmos. Entendamos que a tolerância começa de nós para nós mesmos.
Assim, o nosso trabalho de prospecção interior é suave, e não podemos nos
maldizer ou nos martirizar pelos defeitos que
ainda temos. Vamos, então, trazer aos níveis de nossa consciência aquelas manifestações
impulsivas que nos dominam de certo modo, e que, progressivamente, desejamos controlar.

Vejamos, então, como identificar em nós o orgulho e a vaidade.

Orgulho

“Aquele que não encontra a felicidade senão na satisfação do orgulho e dos apetites
grosseiros é infeliz quando não os pode satisfazer, enquanto que aquele que não
se interessa pelo supérfluo se sente feliz com aquilo que, para os outros, constituiria
infortúnio.”

(Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Livro Quarto. Capítulo 1. Penas
e Gozos Terrenos. Parte dos comentários à resposta da pergunta 933.).

“O orgulho vos induz a julgardes mais do que sois, a não aceitar uma comparação
que vos possa rebaixar, e a vos considerardes, ao contrário, tão acima dos vossos
irmãos, quer em espírito, quer em posição social, quer mesmo em vantagens pessoais,
que o menor paralelo vos irrita e aborrece. E o que acontece, então? Entregai-vos
à cólera.”

(Allan Kardec. O Evangelho Segundo Q Espiritismo. Capítulo IX. Bem-aventurados
os Brandos e Pacíficos. A Cólera.).

As principais reações e características do tipo predominantemente orgulhoso são:

Amor-próprio muito acentuado: contraria-se por pequenos motivos;
Reage explosivamente a quaisquer observações ou críticas de outrem em relação
ao seu comportamento;
Necessita ser o centro de atenções e fazer prevalecer sempre as suas próprias
idéias;
Não aceita a possibilidade de seus erros, mantendo-se num estado de consciência
fechado ao diálogo construtivo;
Menospreza as idéias do próximo;
Ao ser elogiado por quaisquer motivos, enche-se de uma satisfação presunçosa,
como que se reafirmando na sua importância pessoal;
Preocupa-se muito com a sua aparência exterior, seus gestos são estudados,
dá demasiada importância à sua posição social e ao prestígio pessoal;
Acha que todos os seus circundantes (familiares e amigos) devem girar em torno
de si;
Não admite se humilhar diante de ninguém, achando essa atitude um traço de
fraqueza e falta de personalidade;
Usa da ironia e do deboche para com o próximo nas ocasiões de contendas.
Compreendemos que o orgulhoso vive numa atmosfera ilusória, de destaque social
ou intelectual, criando, assim, barreiras muito densas para penetrar na realidade
do seu próprio interior. Na maioria dos casos o orgulho é um mecanismo de defesa
para encobrir algum aspecto não aceito de ordem familiar, limitações da sua formação
escolar-educacional, ou mesmo o resultado do seu próprio posicionamento diante da
sociedade da imagem que escolheu para si mesmo, do papel que deseja desempenhar
na vida de “status”.

E preferível nos olharmos de frente, corajosamente, e lutar por nossa melhora,
não naquilo que a sociedade estabeleceu, dentro dos limites transitórios dos bens
materiais, mas nas aquisições interiores: os tesouros eternos que “a traça não come
nem a ferrugem corrói! “.

Vaidade

“O homem, pois, em grande número de casos,é o causador de seus próprios infortúnios;
mas, em vez de reconhecê-lo, acha mais simples, menos humilhante para a sua vaidade,
acusar a sorte, a Providência, a má fortuna, a má estrela, ao passo que a má estrela
é apenas a sua incúria.”

(Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo V. Bem-aventurados
os Aflitos. Causas Atuais das Aflições.)

A vaidade é decorrente do orgulho, e dele anda próxima. Destacamos adiante as
suas facetas mais comuns:

Apresentação pessoal exuberante (no vestir, nos adornos usados, nos gestos
afetados, no falar demasiado);
Evidência de qualidades intelectuais, não poupando referências à própria pessoa,
ou a algo que realiza;
Esforço em realçar dotes físicos, culturais ou sociais com notória antipatia
provocada aos demais;
Intolerância para com aqueles cuja condição social ou intelectual é mais humilde,
não evitando a eles referências desairosas;
Aspiração a cargos ou posições de destaque que acentuem as referências respeitosas
ou elogiosas à sua pessoa;
Não reconhecimento de sua própria culpabilidade nas situações de descontentamento
diante de infortúnios por que passa;
Obstrução mental na capacidade de se auto-analisar, não aceitando suas possíveis
falhas ou erros, culpando vagamente a sorte, a infelicidade imerecida, o azar.
A vaidade, sorrateiramente, está quase sempre presente dentro de nós. Dela os
espíritos inferiores se servem para abrir caminhos às perturbações entre os próprios
amigos e familiares. É muito sutil a manifestação da vaidade no nosso íntimo e não
é pequeno o esforço que devemos desenvolver na vigilância, para não sermos vítimas
daquelas influências que encontram apoio nesse nosso defeito. De alguma forma e
de variada intensidade, contamos todos com uma parcela de vaidade, que pode estar
se manifestando nas nossas motivações de algo a realizar, o que é certamente válido,
até certo ponto. O perigo, no entanto, reside nos excessos e no desconhecimento
das fronteiras entre os impulsos de idealismo, por amor a uma causa nobre, e os
ímpetos de destaque pessoal, característicos da vaidade.

A vaidade, nas suas formas de apresentação, quer pela postura física, gestos
estudados, retórica no falar, atitudes intempestivas, reações arrogantes, reflete,
quase sempre, uma deformação de colocação do indivíduo, face aos valores pessoais
que a sociedade estabeleceu. Isto é, a aparência, os gestos, o palavreado, quanto
mais artificiais e exuberantes, mais chamam a atenção, e isso agrada o intérprete,
satisfaz a sua necessidade pessoal de ser observado, comentado, “badalado”. No íntimo,
o protagonista reflete, naquela aparência toda, grande insegurança e acentuada carência
de afeto que nele residem, oriundas de muitos fatores desencadeados na infância
e na adolescência. Fixações de imagens que, quando criança, identificou em algumas
pessoas aparentemente felizes, bem sucedidas, comentadas, admiradas, cujos gestos
e maneiras de apresentação foram tomados como modelo a seguir.

O vaidoso o é, muitas vezes, sem perceber, e vive desempenhando um personagem
que escolheu. No seu íntimo é sempre bem diferente daquele que aparenta, e, de alguma
forma, essa dualidade lhe causa conflitos, pois sofre com tudo isso, sente necessidade
de encontrar-se a si mesmo, embora às vezes sem saber como.

O mais prejudicial nisso tudo é que as fixações mentais nos personagens selecionados
podem estabelecer e conduzir a enormes bloqueios do sentimento, levando as criaturas
a assumirem um caráter endurecido, insensível, de atitudes frias e grosseiras. O
Aprendiz do Evangelho terá aí um extraordinário campo de reflexão, de análise tranquila,
para aprofundar-se até as raízes que geraram aquelas deformações, ao mesmo tempo
que precisa identificar suas características autênticas, o seu verdadeiro modo de
ser, para então despir a roupagem teatral que utilizava e colocar-­se amadurecidamente,
assumindo todo o seu íntimo, com disposição de melhorar sempre.

Manual Prático do Espírita – Ney Prieto Peres

Qual a visão espírita da vaidade?

https://radioboanova.com.br/estudo_espirita/visao-espirita-da-vaidade/



Enviado em 30 de agosto de 2018 | Publicado por Rádio Boa Nova

visão espírita da vaidade

Qual a visão espírita da vaidade? Antes de falarmos deste tema tendo como base a doutrina espírita. Vamos relembrar que nas últimas semanas casos de mulheres que realizaram procedimentos estéticos e tiveram graves consequências, sendo alguns a morte, chamaram a atenção tanto nas redes sociais como na televisão.

A vaidade, que também pode ser chamada de orgulho ou soberba, é o desejo de atrair a atenção do outro. Ou seja, a pessoa cria uma imagem tendo como objetivo a admiração.

Hoje em dia, muitas pessoas realizam diversas cirurgias plásticas, tomam remédios, fazem lipoaspiração, para seguirem o chamado “padrão de beleza” que é imposto pela sociedade, ou até mesmo para elevarem a sua autoestima, já que se sentem inferiores. E este “padrão” está relacionado a ter seios grandes, barriga trincada, medidas de modelo, etc.

“Quando a pessoa tem um complexo de inferioridade, ela se acha inadequada. E as vezes, procura se identificar com uma imagem social que tenha aceitação, então, quando ela se identifica com aquela imagem, quando ela é aceita socialmente é como se passasse a ter valor”, Mario Mas.

No programa Mundo Maior Repórter da TV Mundo, o comunicador e psicólogo Maior Mas, disse que a esta beleza que é vendida na sociedade é fabricada e artificial.

“Qual a pessoa acha que essa beleza vai garantir sua felicidade, ela se desvencilhou do principal, que é a beleza interna. A pessoa busca também uma aparência bonita para atingir os interesses dos outros. Com isso, acaba não percebendo que ela está apresentando e valorizando somente o aspecto exterior, sem valorizar o interior”, Mario Mas.

Consequências da vaidade
A vaidade atinge também os aspectos morais e intelectuais do ser humano, já que aquele que é vaidoso demais acaba não tendo humildade. Com isso, esta falta de humildade faz com que a pessoa não aprenda com o próximo, não admita seus erros e não peça perdão.

Além disso, a vaidade faz com que a pessoa se sinta superior, por isso, acaba pensando somente na sua imagem e escolhendo quem deseja ajudar.

Visão espírita da vaidade
Ainda na programa Mundo Maior Repórter, o comunicador comentou o ponto de vista espiritual tendo como base a obsessão.

“Você pega uma pessoa muito bonita, mas ela se acha feia, inadequada. Ela vê uma imperfeição que ninguém está vendo. Com isso, ela vai fazer uma cirurgia que vai colocar a vida dela em risco. Então, o obsessor pode suscitar na cabeça dela, fantasias de inadequação, de ser feia, desagradável”.

Também no programa, a comunicadora Joely Pucci, citou a questão 719, de O Livro dos Espíritos:

“Merece censura o homem, por procurar o bem-estar?

É natural o desejo do bem-estar. Deus só proíbe o abuso, por ser contrário à conservação. Ele não condena a procura do bem-estar, desde que não seja conseguido à custa de outrem e não venha a diminuir-vos nem as forças físicas, nem as forças morais”.

Ou seja, a pessoa pode procurar o seu bem-estar desde que tenha um limite porque tudo o que é demais, exagerado não faz bem nem para o corpo físico, nem para o corpo espiritual.

“Não adianta você cuidar só da aparência física, é necessário o cuidado do espírito. O que eu estou pensando, o que eu estou vibrando, o que eu estou buscando. Porque isso vai movimentar moléculas, vai ajudar o nosso perispírito brilhar cada vez mais”, Guaraci Silveira.

Para finalizar, a doutrina espírita ensina que o vaidoso vive um personagem que escolheu. E em seu íntimo está toda a insegurança do indivíduo e a carência do afeto.

Segundo Allan Kardec, no livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo V: Bem-aventurados os aflitos – Causas atuais das aflições:

“O homem, pois, em grande número de casos,é o causador de seus próprios infortúnios; mas, em vez de reconhecê-lo, acha mais simples, menos humilhante para a sua vaidade, acusar a sorte, a Providência, a má fortuna, a má estrela, ao passo que a má estrela é apenas a sua incúria.”

A vaidade prejudica a saúde física e mental. Cuide de seu corpo de maneira saudável!

Saiba mais sobre a visão espírita da vaidade no programa Mundo Maior Repórter:

Siga o link

sábado, 17 de agosto de 2019

quatro pilares da educação moderna.

EADE — Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita — Programa II — Filosofia e Ciência Espíritas

Roteiro 5

Educação Espírita
Objetivos:

» Indicar as diferenças entre instrução e educação.

» Esclarecer a respeito dos quatro pilares da educação moderna.

» Correlacionar os quatro pilares da educação com ensinamentos do Evangelho e do Espiritismo.




IDEIAS PRINCIPAIS
Educar é disponibilizar condições para o pleno desenvolvimento do ser humano nos aspectos: biológico, intelectual, psíquico, psicológico, social, estético, ecológico e moral. Instruir é transmitir ou adquirir conhecimento.

Para o Codificador da Doutrina Espírita, educar […] consiste na arte de formar caracteres. Allan Kardec: O Livro dos Espíritos, questão 685-a.

A educação deve envolver, necessariamente, aprendizado moral.

Os quatro pilares da educação moderna, definidos pelo Relatório Delors são: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser.

Os quatro pilares da educação podem ser correlacionados a estas máximas do Cristo:

Aprender a conhecer:     “Conhecereis a verdade e ela vos libertará” (Jo, 8.32)

Aprender a fazer:            “…Faze isso e viverás.” (Lc, 10.28)

Aprender a conviver:      “Fazei aos outros o que gostaríeis que eles vos fizessem.” (Mt, 7.12)

Aprender a ser:               “Sede perfeitos …” (Mt, 5.48)

Sandra Maria Borba Pereira: Reflexões pedagógicas à luz do Evangelho. Capítulo 2.




SUBSÍDIOS

1. EDUCAR E INSTRUIR


É importante estabelecer a diferença entre educar e instruir ou educação e instrução. Ambos os vocábulos se relacionam, mas não significam a mesma coisa. Um é amplo, abrangente, outro é restritivo, específico.

Educar é disponibilizar a alguém condições para o pleno desenvolvimento de sua personalidade. Trata-se, pois, de uma ação consciente que permite ao ser humano desenvolver as suas aptidões biológicas (físicas), intelectuais, morais, sociais, psicológicas, estéticas e ecológicas. Dessa forma, a educação é, ao mesmo tempo, processo e resultado que, em princípio, não deve desconsiderar o valor, inalienável, de o homem se transformar em criatura melhor — fundamento essencial da educação. Em síntese, educar é promover o desenvolvimento de faculdades físicas, morais e intelectuais.

Daí Allan Kardec considerar que a educação […] consiste na arte de formar caracteres […]. (1)

Instruir é transmitir/adquirir conhecimento, em geral viabilizado pelo ensino formal ou direto. Mas há outras formas de se adquirir instrução: pela observação, imitação, inspiração, intuição, repetição, etc. Assim, a instrução é sempre entendida como a capacidade de ministrar/assimilar conhecimentos e habilidades, direcionados para o aprendizado cognitivo e ou formação de talentos, genericamente destinados ao exercício profissional. Dessa forma, a instrução é necessária à vida profissional, mas só a educação apresenta condições para a formação de caracteres, por desenvolver no homem valores intelectuais e morais, que nele existem embrionários.

E preciso estar atentos a esses aspectos, pois é comum encontrarmos uma pessoa culta, instruída, mas pouco educada em termos de valores morais. Esta é a razão por que o conhecimento pode ser usado para a destruição. Assim, é ambiguidade empregar os termos educação e instrução como sinônimos, capazes de gerar outras ambiguidades, às vezes difíceis de serem controladas, como confundir processo educacional com processo docente.


Ao analisar o assunto, esclarece Emmanuel: (2)


Reparamos, assim, a necessidade imprescritível da educação para todos os seres. Lembremo-nos de que o Eterno Benfeitor, em sua lição verbal, fixou na forma imperativa a advertência a que nos referimos: “Brilhe vossa luz.” (Mt) Isso quer dizer que o potencial de luz do nosso espírito deve fulgir em sua grandeza plena. E semelhante feito somente poderá ser atingido pela educação que nos propicie o justo burilamento. Mas a educação, com o cultivo da inteligência e com o aperfeiçoamento do campo íntimo, em exaltação de conhecimento e bondade, saber e virtude, não será conseguida tão só à força de instrução, que se imponha de fora para dentro, mas sim com a consciente adesão da vontade que, em se consagrando ao bem por si própria, sem constrangimento de qualquer natureza, pode libertar e polir o coração, nele plasmando a face cristalina da alma, capaz de refletir a Vida Gloriosa e transformar, consequentemente, o cérebro em preciosa usina de energia superior, projetando reflexos de beleza e sublimação.


2. FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO


Os filósofos, educadores e especialistas concordam que não é possível educar alguém colocando-o fora ou distante do mundo, da realidade da vida. É necessário que os envolvidos no processo educativo, no seio da família ou na escola, adquiram visão mais pragmática da realidade, atentando-se para o fato de que a educação é dinâmica e deve acompanhar de perto as características da época, do progresso e da cultura.

Da mesma forma, não se pode imaginar uma educação espírita que só priorize o conhecimento doutrinário, mas que não auxilia a pessoa a superar as más inclinações, e que não enfatize como a pessoa pode se transformar em criatura melhor. Entendemos, então, que


[…] Nenhum educador, nenhuma instituição educacional pode colocar-se à margem do mundo, encarapitando-se numa torre de marfim. A educação, de qualquer modo que a entendamos, sofrerá necessariamente o impacto dos problemas da realidade em que acontece, sob pena de não ser educação. Em função dos problemas existentes na realidade é que surgem os problemas educacionais, tanto mais complexos quanto mais incidem na educação todas as variáveis que determinam uma situação. Deste modo, a “Filosofia na educação” transforma-se em “Filosofia da Educação” enquanto reflexão rigorosa, radical e global ou de conjunto sobre os problemas educacionais. […] (3)


Neste sentido, o estudioso do assunto deve procurar conhecer propostas educacionais relevantes que favoreçam o desenvolvimento integral do ser. Apenas como ilustração, citamos alguns exemplos de estudiosos contemporâneos, pois o assunto é vasto.


2.1. A educação pragmática


Refere-se ao método educacional que prioriza a prática ou os efeitos, de grande influência no continente americano, inclusive no Brasil. O pragmatismo focaliza a instrução, é certo, mas como escola filosófica, destaca os aspectos éticos da prática profissional. Nasceu nos Estados Unidos da América como crença generalizada de que só a ação humana, movida pela inteligência e pela energia, pode alterar os limites da condição humana.

Os fundadores do pragmatismo foram os estadunidenses Charles Sanders Peirce (1839-1914),  †  matemático, filósofo e cientista, a partir da publicação do seu artigo “Como tornar claras as nossas ideias” (How to make our ideas clear), e William James (1842-1910),  †  filósofo e psicólogo de renome, para quem o pragmatismo indica que tudo está na utilidade ou no efeito prático que qualquer ato, objeto ou proposição possa ser capaz de gerar.


2.2. Educação progressiva ou instrumentalista


O filósofo e pedagogo estadunidense John Dewey (1859-1952)  †  apresenta um sistema educacional semelhante ao pragmatismo, porém denominado instrumentalismo, pois para ele as ideias só têm importância desde que sirvam de instrumento para a resolução de problemas reais. Nota-se que o enfoque ainda é a instrução, pois os princípios fundamentais do pensamento de John Dewey, sobre a educação, fundamentam-se no desenvolvimento da capacidade de raciocínio e do espírito crítico do aluno.

A Educação Progressiva considera, contudo, o crescimento constante da vida, na medida em que se amplia a experiência individual e coletiva. O filósofo esclarecia, neste contexto, que o aprendizado só ocorre, efetivamente, quando há compartilhamento de experiências. Nesta situação, compartilha-se não apenas conhecimentos e instruções, a bem dizer, mas também, comportamentos, atitudes, valores.


2.3. A construção da inteligência


A despeito de Jean Piaget (1896-1980)  †  não ter sido educador (era biólogo) e a sua obra não tratar da educação, propriamente dita (está mais relacionada à psicologia), suas ideias conduzem a reflexões pedagógicas — aplicadas, sobretudo, à educação infantil — , pelos conceitos relacionados à construção da inteligência e do conhecimento (epistemologia).

Neste sentido, a contribuição de Jean Piaget é importante, sobretudo por explicar os estágios do desenvolvimento da inteligência e da aprendizagem humanas. Ensina, por exemplo, que a criança é concebida como um ser dinâmico que, a todo momento, interage com a realidade, operando ativamente com objetos e com pessoas. Essa interação permite que ela construa e desenvolva suas estruturas mentais e adquira maneiras (formas) de fazê-las funcionar. O eixo central da doutrina piagetiana é, portanto, a interação organismo-meio, ocorrida através de dois processos simultâneos: a organização interna e a adaptação ao meio, funções exercidas pelo organismo ao longo da vida.

Na prática educacional, porém, nem sempre os ensinos de Piaget foram bem utilizados, focalizando-se mais (ou só) a construção da inteligência lógico-matemática e da linguagem, não enfatizando outros recursos da capacidade humana, tão importantes quanto a cognição, como intuição, percepção extrassensorial, e no caso do ensino espírita, as ideias inatas, influências espirituais, entre outros.

Os currículos escolares, inclusive os do ensino espírita, focalizam os autores citados, entre outros, que revelam, entretanto, falhas consideráveis por não enfatizarem o aprendizado moral. Este tem sido o “calcanhar de Aquiles”  †  do processo educacional vigente no Mundo e nas casas espíritas. As consequências morais do aprendizado devem ser enfaticamente consideradas em qualquer processo de ensino-aprendizado, sobretudo numa época, como a atual, plena de conflitos de toda sorte.


3. EDUCAÇÃO MODERNA


3.1. Os quatro pilares da educação


Em 1996, Jacques Delors,  †  político e economista francês, assinou importante relatório, proveniente dos resultados obtidos nas reuniões da Comissão Internacional sobre educação para o século XXI, da UNESCO,  †  que ele presidia. O relatório, intitulado Educação, um tesouro a descobrir, causou grande impacto, cujos ecos continuam nos dias atuais. O Relatório Delors, como ficou conhecido, expõe e analisa os quatro pilares da educação moderna. Como esclarece a confreira Sandra Borba, trata-se de


[…] rico material para as reflexões tão necessárias em momentos tão graves como os que vivemos, em que se impõe a urgência de uma educação para todos, comprometida com o bem-estar sócio-moral de todos os habitantes da Terra. Temas importantes são tratados de modo objetivo e de fácil linguagem, como um exercício de espalhar luz, semear ideias e relatar fatos capazes de fundamentar propostas ali contidas, nos velhos ideais da igualdade e da solidariedade humanas. Educação continuada, cooperação internacional, desenvolvimento autossustentável, educar para o desenvolvimento humano são alguns temas ilustrados com depoimentos, relatos e estatísticas. (4)


É impossível escrever ou falar sobre educação, atualmente, sem fazer referência aos Quatro Pilares, que são: (5)

Aprender a conhecer. É a aprendizagem que visa não tanto a aquisição de um repertório de saberes codificados, mas antes o domínio dos próprios instrumentos do conhecimento. É pilar que pode ser considerado, simultaneamente, meio e finalidade da vida humana. Meio, porque se pretende que cada um aprenda a compreender o mundo do qual faz parte, pelo menos na medida em que isso lhe é necessário para viver dignamente, para desenvolver as suas capacidades profissionais, para interagir. Finalidade, porque seu fundamento é o prazer de compreender, de conhecer, de descobrir. Trata-se de uma busca que […] exige libertação interior de pré-conceitos, o afastamento do ceticismo sistematizado que a tudo nega e do absolutismo epistemológico que tudo reduz e “engessa”. (6)

Só a abertura ao novo aliada a uma busca séria do conhecimento facultará ao ser humano em evolução a consciência crítica, a única capaz de situar-se no mundo e não diante / à parte / sobre / sob o mundo. Estar no mundo e com o mundo, significa identificar-se com a natureza e com os outros, “dialogar” com a Vida buscando-lhe os sentidos. (7)

Aprender a fazer. Na verdade, aprender a conhecer e aprender a fazer são princípios indissociáveis. Esse pilar, aprender a fazer, está mais estreitamente relacionado à questão da formação profissional: como ensinar o aluno a pôr em prática os seus conhecimentos e, também, como adaptar a educação ao trabalho futuro quando não se pode prever qual será a sua evolução. Aprender a fazer não pode, e não deve, no mundo atual, restringir-se ao simples significado de preparar alguém para uma tarefa material específica, bem delineada, para fazê-lo participar, por exemplo, do fabrico de algo. Tal pilar determina, ao contrário, que os aprendizados devem evoluir em outra dimensão, a que se coloca fora do esquema reducionista da simples transmissão de práticas mais ou menos rotineiras, embora estas continuem a ter um valor formativo que não é de se desprezar. Para tanto, é preciso inovar, liberar a criatividade. É preciso ter […] coragem de executar, de correr riscos, de errar na busca de acertar. É um convite permanente à descoberta de métodos e instrumentos mais integradores, que respeitem os saberes e fazeres das outros e auxiliem na superação do mero tecnicismo. (7)

Aprender a conviver. Sem dúvida, esta aprendizagem representa, hoje em dia, um dos maiores desafios da educação. O mundo atual carece de boa convivência, a fraterna, pois estamos inseridos dentro de uma realidade em que a violência dita normas, que se opõe à esperança posta, às realizações nobres e superiores. Não se ignora que a história humana sempre foi conflituosa, mas há elementos novos que acentuam o perigo e, especialmente, o extraordinário potencial de autodestruição criado no decorrer do século XX. Poderemos, então, conceber uma educação capaz de evitar os conflitos, ou de resolvê-los de maneira pacífica, desenvolvendo o conhecimento dos outros, das suas culturas, da sua espiritualidade? É possível, sim. Especialmente quando se prioriza a educação moral. E isto se aprende pelo ensino, mas sobretudo pelo exemplo: […] Implica em construir uma identidade própria e cultural, situar-se com os outros seres compartilhando experiências e desenvolvendo responsabilidades sociais. […] As experiências sociais nos facultam acesso ao saber, ao fazer, ao viver em conjunto, ao crescer em todas as nossas possibilidades. (8)

Essas experiências geram responsabilidades que reclamam a busca da integração com a Natureza, o compromisso com a Humanidade e a necessária superação dos egoísmos coletivos ou individuais de cor, raça, gênero, credo ou condições sociais e de localização geográfica. Para o desenvolvimento desse princípio há algo fundamental: a busca de intercessões capazes de oportunizar conhecer o outro, suas ideias, saberes e fazeres, costumes, valores, tradições e espiritualidade. Isto só é possível pelo compartilhamento, pela comunhão, pelo diálogo, pela convivência. (8)

Aprender a ser: A educação deve contribuir para o desenvolvimento total da pessoa — espírito e corpo, inteligência, sensibilidade, sentidos estético e ecológico, responsabilidade pessoal, espiritualização. Todo ser humano deve ser preparado pela educação para elaborar pensamentos autônomos e críticos, mas com respeito ao outro, para formular os próprios juízos de valor, de modo a aprender a decidir sobre como conduzir a própria existência e como agir, eticamente, nas diferentes circunstâncias da vida: “[…] Sem qualquer sombra de dúvida é o mais importante entre todos os princípios. Ressalta a necessidade de superação das visões dualísticas sobre os homens, das visões fragmentadas acerca da educação, fruto das limitações, dos preconceitos, das más paixões, da ignorância e do orgulho que são próprios. Contempla uma concepção integral do ser humano […].” (9)

Aprender a ser — enquanto compromisso — significa também a superação da superficialidade com que se tem tratado, no campo educacional, o ser humano, reduzido muitas vezes a uma cabeça que deve receber conceitos, normas e todo um conteúdo comportamental sem questionamento ou possibilidade de transformação. […] Descobrir-se enquanto ser integral — biopsicossocial e espiritual; penetrar na essência de sua humanidade, entrar na posse de sua herança divina e conscientizar-se de sua condição de ser imortal são ações próprias do aprender a ser na perspectiva cristã. (10)

4. A EDUCAÇÃO DO FUTURO


Edgar Morin (pseudônimo de Edgar Nahoum),  †  reconhecido filósofo, sociólogo e pesquisador francês, considerado um dos maiores pensadores da modernidade, nascido em Paris em 1921, é o principal representante da escola filosófica denominada Complexidade, muito referenciada nos dias atuais. Trata-se de uma linha de pensamento educacional que define a Humanidade como um todo indissociável e que propõe uma abordagem multidisciplinar e multirreferencial para a construção do conhecimento. Entre as mais de 39 obras publicadas, encontra-se o livro Os sete saberes necessários à educação do futuro, obra muito apreciada pelos educadores.

Os sete saberes apresentam os seguintes eixos de estudo: (11)

As cegueiras do conhecimento: o erro e a ilusão — indica que a educação deve mostrar por que não há conhecimento que não esteja, em algum grau, ameaçado pelo erro e pela ilusão.

Os princípios do conhecimento pertinente — refere-se à organização e sistematização do conhecimento, o que é pertinente ao homem, para que este não fique fora do processo.

Ensinar a condição humana — torna-se necessário que se questione e contextualize objetos do conhecimento do homem como: “quem somos”, “onde estamos”, “de onde viemos”, “para onde vamos”.

Ensinar a identidade terrena — é preciso que os cidadãos do novo milênio compreendam tanto a condição humana no mundo em que vivem, desenvolvendo sentimento ecológico de preservação das espécies e da Natureza, como um todo.

Enfrentar as incertezas — trata-se da capacidade de enfrentar os desafios da existência, tendo em vista que o que se produz no presente tende a ser questionado no futuro, em razão dos atos anteriormente praticados, nem sempre justos ou sábios. Assim, as ideias e teorias por não refletirem, necessariamente, a realidade, são transmitidas (ensinadas) de forma errônea.

Ensinar a compreensão — este eixo do saber indica que a compreensão humana é a missão propriamente espiritual da educação: ensinar a compreensão entre as pessoas como condição e garantia da solidariedade intelectual e moral da Humanidade. O problema da compreensão é duplamente polarizado. Um polo é o da compreensão geral, definido nas relações sociais, culturais e entre os povos. O outro polo é o individual, específico, voltado para as relações particulares entre pessoas próximas. Há duas formas de compreensão: a compreensão intelectual ou objetiva e a compreensão humana intersubjetiva, a qual perpassa, naturalmente, pelo grau de moralidade do indivíduo.

A ética do gênero humano — a educação deve conduzir à “antropo-ética”, levando em conta o caráter da condição humana, que é ser ao mesmo tempo indivíduo/sociedade/espécie. Desta forma, a ética indivíduo / espécie necessita do controle mútuo da sociedade pelo indivíduo e do indivíduo pela sociedade. A ética não poderia ser ensinada por meio de meras lições de moral. Deve formar-se nas mentes com base na consciência de que o humano é, ao mesmo tempo, indivíduo, parte da sociedade, parte da espécie. E, segundo o Espiritismo, um Espírito imortal, que antecede a atual experiência física e sobrevive à morte do corpo. Daí surgem duas grandes finalidades ético-políticas do novo milênio: estabelecer uma relação de controle mútuo entre a sociedade e os indivíduos pela democracia, e conceber a Humanidade como comunidade planetária.

O texto de Edgar Morin tem o mérito de introduzir uma nova e criativa reflexão nas discussões que acontecem sobre a educação no atual século. Aborda temas fundamentais, por vezes ignorados ou deixados à margem dos debates sobre a política educacional. Sua leitura conduz à reflexão das práticas pedagógicas da atualidade, demonstrando a necessidade de situar a importância da educação integral (corpo-mente e espírito) na totalidade dos desafios e incertezas dos tempos atuais.


5. EDUCAÇÃO ESPÍRITA


Kardec enfatizou a importância da educação como condição para o processo evolutivo humano, entendido nos seus aspectos intelectuais e morais. “[…] Kardec via a educação como um remédio eficaz para o combate ao mal em geral e às más tendências que o Espírito manifesta desde cedo e que devem ser observadas pelos pais. Estes são os primeiros educadores da criança.” (12) Afirmou, ainda, o que só “[…] a educação poderá reformar os homens […].” (13)

Neste contexto, escreveu no seu livro Plano proposto para a melhoria da educação pública, quando ainda se encontrava investido da personalidade Hippolyte Léon Denizard Rivail (22): (14)


Todos falam da importância da educação, mas esta palavra é, para a maioria, de um significado excessivamente impreciso […]. Em geral, nós a vemos somente no sistema de estudos, e este equívoco é uma das principais causas do pouco progresso que ela obteve. Uma outra causa desse atraso prende-se a um preconceito, geralmente admitido, contra tudo o que se une a essa profissão, dela afastando uma infinidade de homens que, por seu mérito, poderiam contribuir para o seu adiantamento. A educação a arte de formar homens, isto é, a arte de neles fazer surgir os germes das virtudes e reprimir os do vício; de desenvolver sua inteligência e dar-lhes instrução adequada às necessidades […]. Em uma palavra, o objetivo da educação consiste no desenvolvimento simultâneo das faculdades morais, físicas e intelectuais. (14)


A educação espírita valoriza todas as conquistas no campo da inteligência humana, mas prioriza a melhoria moral, porque, enquanto o conhecimento intelectual tem como base a instrução, o conhecimento moral atende ao propósito de educar o ser imortal. Daí o Codificador afirmar que a educação é fundamental até para os problemas econômicos: “[…] Há um elemento a que não se tem dado o devido valor e sem o qual a ciência econômica não passa de simples teoria: a educação. Não a educação intelectual, mas a educação moral. […]” (1)

Em relação à questão moral, considerada como pilar da educação espírita, temos a dizer que a


[…] melhoria moral do Espírito, que é a questão essencial, nem sempre é considerada com a seriedade que merece, sendo relegada à Filosofia ou à Religião. A formação moral do indivíduo continua sendo estrategicamente abafada pelos recursos tecnológicos ou por métodos e processos pedagógicos, teóricos e reducionistas, que camuflam a realidade porque não querem ou não sabem enxergar o indivíduo como um ser integral, que antecede e sobrevive à morte do corpo físico. (15)


Sem a educação moral, ou com uma educação moral de superfície, dificilmente os indivíduos se transformam em pessoas de bem. Daí o Codificador considerar com a lucidez que lhe era característica:


Quando se pensa na grande quantidade de indivíduos que todos os dias são lançados na torrente da população, sem princípios, sem freio e entregues a seus próprios instintos, serão de admirar as consequências desastrosas que daí resultam? Quando essa arte [educação moral] for conhecida, compreendida e praticada, o homem terá no mundo hábitos de ordem e de previdência para consigo mesmo e para com os seus, de respeito a tudo o que é respeitável, hábitos que lhe permitirão atravessar com menos dificuldade os dias ruins que não pode evitar. (1)


Na condição de primeiros educadores, os pais devem ser conscientizados do seu papel primordial, pois o “[…] período infantil é o mais sério e o mais propício à assimilação dos princípios educativos”, (16) assevera Emmanuel que, em seguida acrescenta:


Até aos sete anos, o Espírito ainda se encontra em fase de adaptação para a nova existência que lhe compete no mundo. Nessa idade, ainda não existe uma integração perfeita entre ele e a matéria orgânica. Suas recordações do plano espiritual são, por isso, mais vivas, tornando-se mais suscetível de renovar o caráter e estabelecer novo caminho, na consolidação de princípios de responsabilidade, se encontrar nos pais legítimos representantes do colégio familiar. Por isso o lar é tão importante para a edificação do homem, e por que tão profunda é a missão da mulher perante as leis de Deus. (17)


Retomando as ideias de Rivail, ele nos faz ver que não é suficiente, em educação, “[…] conhecer o objetivo que se quer alcançar, é preciso ainda conhecer perfeitamente a estrada que se deve percorrer. […].” (18) Sendo assim, conclui:


A origem das qualidades morais encontra-se nas impressões que a criança recebe desde o seu nascimento, talvez mesmo antes, e que podem atuar com mais ou menos energia sobre seu espírito, no bem ou no mal. Tudo o que a criança vê, tudo O que ouve, causa-lhe impressões. Ora, do mesmo modo que a educação intelectual é constituída pela soma das ideias adquiridas, a educação moral é o resultado de todas as impressões recebidas. (19)


Mais adiante, nesse admirável livro, o professor Hippolyte Rivail analisa não só as influências diretas dos pais e dos professores, mas outras, menos sutis que, aparentemente poderiam não fazer intromissão no processo educativo. Ledo engano. Sigamos os seus esclarecimentos:


Quero, principalmente, falar daquelas impressões que a criança recebe diretamente nas suas relações com as pessoas que a rodeiam, as quais, sem dar à criança maus exemplos ou maus conselhos, muitas vezes, no entanto, dão origem a vícios muito graves, como os pais por sua indulgência exagerada e os mestres por uma severidade mal compreendida, ou pelo pouco cuidado que se tem ao adequar a nossa maneira de agir ao caráter da criança: quando, por exemplo, cede-se às suas solicitações importunas, quando se tolera os seus erros sob pretextos ilusórios, quando se obedece aos seus caprichos, quando se deixa a criança perceber que é vitima das astúcias […], frequentemente, toma-se as imperfeições ou germes de vício por qualidades, o que acontece muitas vezes aos pais […]. (20)


A formação científica e humanista de Allan Kardec lhe permitiu encarar os fatos espíritas com lucidez, sem negá-los ou aceitá-los, de imediato, só opinando a respeito após criteriosa análise racional. Aplicou a combinação de quatro critérios na tentativa de julgá-los com acerto, mantendo cuidadosa postura antes de emitir conclusões ou fazer publicações. Os critérios foram:

Humanismo: pesava sempre os valores éticos e as consequências morais das novas ideias.

Racionalismo: utilizou, com sabedoria, os seguintes instrumentos do método experimental, que lhe forneciam a visão do todo e das partes: observação; análise crítica e criteriosa dos fenômenos; conclusões lógicas.

Intuição: agiu com bom senso, equilíbrio intelectual e sem fanatismo, sempre que não encontrava resposta racional para um fato.

Universalismo: impôs controle universal dos ensinos dos Espíritos, pela aplicação da metodologia científica. Conjugou, então, razão e sentimento, bom senso e lógica, só aceitando como verdade aquilo que fora submetido à análise racional, pela consulta a outros Espíritos, cujas respostas vinham de diferentes médiuns, da França e de outros países.

Na condição de espírita, Kardec apresenta alguns princípios para elaboração de um plano pedagógico de educação, à luz do Espiritismo, que deve ser utilizado em nossas casas espíritas com êxito, desde que se analise e conheça, efetivamente, o significado dado pelo Codificador.


5.1. Princípios Orientadores do Ensino, por Allan Kardec (21)

1° Cultivar o espírito natural de observação das crianças, dirigindo-lhes a atenção para os objetos que as cercam.

2° Cultivar a inteligência, observando um comportamento que habilite o aluno a descobrir por si mesmo as regras.

3° Proceder sempre do conhecido para o desconhecido, do simples para o composto.

4° Evitar toda atitude mecânica (mécanisme), levando o aluno a conhecer o fim e a razão de tudo o que faz.

5° Conduzi-lo a apalpar com os dedos e com os olhos todas as verdades. Este princípio forma, de algum modo, a base material deste curso de aritmética.

6° Só confiar à memória aquilo que já tenha sido apreendido pela inteligência.


INSTRUÇÕES AO MONITOR


OBSERVAÇÃO: sugerimos que o conteúdo seja desenvolvido em duas reuniões, para melhor aproveitamento do assunto.


Primeira reunião:

1. Fazer breve apresentação das ideias gerais, desenvolvidas neste Roteiro de Estudo.

2. Em seguida dividir a turma em grupos, cabendo a cada um ler e trocar ideias a respeito dos itens destacados nos subsídios, com exceção do item Educação Espírita, a ser desenvolvido no próximo encontro.

3. Os grupos escolhem relatores que apresentam uma síntese do que foi estudado. O monitor complementa informações, se necessário.

4. O monitor faz o fechamento do estudo, destacando os fundamentos da educação do futuro.


Segunda reunião:

1. Tendo como referência o estudo realizado na reunião anterior o monitor apresenta as principais características da educação espírita, favorecendo a participação da turma.

2. Analisa Os Princípios Orientadores do Ensino, de Allan Kardec.

3. Em seguida, pede à turma que se organize em quatro grupos para fazer correlação dos quatro pilares da educação com os ensinos de Jesus, inseridos no seu Evangelho. Para tanto, seguir roteiro de tarefas que se segue, e buscar apoio doutrinário nos textos inseridos em anexo.


Roteiro de tarefas:


Pilar do Grupo 1: Aprender a conhecer | Máxima do Evangelho “Conhecereis a verdade e ela vos libertará” (Jo, 8.32)

Pilar do Grupo 2: Aprender a fazer | Máxima do Evangelho “…Faze isso e viverás.” (Lc, 10.28)

Pilar do Grupo 3: Aprender a conviver | Máxima do Evangelho “Fazei aos outros o que gostaríeis que eles vos fizessem.” (Mt, 7.12)

Pilar do Grupo 4: Aprender a ser | Máxima do Evangelho “Sede perfeitos …” (Mt, 5.48)


4. Pedir aos relatores dos grupos que apresentem as conclusões das tarefas.

5. Destacar pontos significativos das correlações realizadas, retornando aos princípios orientadores do ensino, de Allan Kardec, para fechamento do estudo.


ANEXO — TEXTOS PARA SUBSIDIAR O TRABALHO EM GRUPO

Grupo 1. Aprender a conhecer

Ante a luz da verdade (Emmanuel)


Grupo 2. Aprender a fazer

Faze isso e viverás (Emmanuel)


Grupo 3. Aprender a conviver

Amar o próximo como a si mesmo (Allan Kardec)


Grupo 4. Aprender a ser

Características da perfeição (Allan Kardec)


REFERÊNCIAS

1. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2008, questão 685-a. Comentário, p. 431.

2. XAVIER, Francisco C. Pensamento e vida. Pelo Espírito Emmanuel. 18. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2009. Capítulo 5, p. 27-28.

3. Origem: http://educalara.vilabol.uol.com.br/lara2.htm

4. PEREIRA, Sandra Maria Borba. Reflexões pedagógicas à luz do Evangelho. Curitiba: Federação Espírita do Paraná, 2009. Capítulo 2, p. 39-40.

5. Origem: http://educalara.vilabol.uol.com.br/pilares.htm

6. PEREIRA, Sandra Maria Borba. Op. Cit., p. 40.

7. Idem ibidem - p. 41.

8. Idem ibidem - p. 43.

9. Idem ibidem - p. 44.

10. Idem ibidem - p. 45.

11. MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro - Google Books. Tradução de Catarina Eleonora E da Silva e Jeanne Sawaya. 10. ed. São Paulo, Cortez; Brasília: UNESCO, 2005, p. 13-18.

12. PORTASIO, Manuel. Fora da educação não há salvação. São Paulo: DPL, p. 25.

13. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Op. Cit., questão 796, p. 484.

14. RIVAIL, Hippolyte Léon Denizard: Plano proposto para a melhoria da educação pública. Tradução de Albertina Escudeiro Seco. 1ª ed. Rio de Janeiro: Edições Léon Denis, 2005, p. 11-12.

15. MOURA, Marta Antunes. A educação em um mundo de transição. In: Reformador. Rio de Janeiro: FEB, julho de 2007. Ano 125. Nº 2. 140, p. 27.

16. XAVIER, Francisco C. O consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 28. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2008, questão 109, p. 229-230.

17. Idem ibidem - p. 230.

18.  RIVAIL, Hippolyte Léon Denizard: Plano proposto para a melhoria da educação pública. Op. Cit., p. 12.

19. Idem ibidem - p. 13.

20. Idem ibidem - p. 16-17.

21. WANTUIL, Zêus e THIESEN, Francisco. Allan Kardec. 4. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004. Volume I, Capítulo 15, p. 98.

22. (Nota da Organizadora) O professor Hippolyte L. D. Rivail só iria tomar conhecimento das ideias espíritas 26 anos depois da publicação do Plano proposto para a melhoria da educação pública, cuja primeira edição foi em 1828. Somente em 7854 teria os primeiros contatos com os fenômenos espíritas. Acreditamos que a frase “talvez mesmo antes” faz referência ao período gestacional.

Pilares da Educação

Pilares da Educação

O jornal MUNDO ESPÍRITA*, de novembro de 2002, publicou excelente artigo de Sandra Borba Pereira (RN) com o título Os quatro pilares da educação para o século XXI e o Evangelho. Referido trabalho está elaborado de forma bastante didática e facilita sua abordagem através de palestra ou aula.
A matéria é fruto de relatório da Comissão Especial em Educação da UNESCO, sob a coordenação de Jacques Delors e intitulado Educação, um tesouro a descobrir. O documento da UNESCO constitui-se em valioso instrumento "norteador para pessoas, instituições e nações que vêem na ação educacional o caminho do real progresso das sociedades em particular e da humanidade", como pondera a autora do texto, que continua: "... é rico material para as reflexões tão necessárias em momentos tão graves como os que vivemos em que se impõe a urgência de uma educação para todos, comprometida com o bem-estar sócio-moral de todos os habitantes da Terra...".

E a autora destaca o capítulo 4 do citado relatório, que aborda os quatro pilares de uma educação para o século XXI, associando-os e identificando-os com algumas máximas de Jesus. São os seguintes:

Quatro pilares: a) Aprender a conhecer = associado com a máxima Conhecereis a verdade e ela vos libertará (Jo, 8:32); b) Aprender a fazer = associado com o ensinamento Faze isso e viverás (Lc, 10:28); c) Aprender a conviver = identificado com o preceito Fazei aos outros o que gostaríeis que eles vos fizessem (Mt, 7:12) e d) Aprender a ser = perfeitamente identificado com a máxima Sede Perfeitos (Mt, 5:48).

O primeiro deles indica o interesse, a abertura para conhecimento, que verdadeiramente liberta da ignorância; O aprender a fazer, segundo item, mostra a importância da coragem de executar, de correr riscos, de errar mesmo na busca de acertar; no terceiro temos o desafio da convivência que apresenta o respeito a todos e o exercício de fraternidade como caminho do entendimento e finalmente o último deles, o Aprender a ser, talvez seja o mais importante. Está explícito aí o papel do cidadão, o objetivo de viver.

A autora apresenta como conclusão quatro itens de nossa adesão à proposta educacional de Jesus, alicerçada assim: a) no respeito à pessoa; b) no respeito às leis divinas; c) na certeza da possibilidade de vida abundante para todos e d) na prática educativa baseada no diálogo.

Como notam os leitores, a matéria é extremamente didática e possibilita amplos desdobramentos para comentários, palestras, aulas e estudos. Por esta razão, recomendamos aos leitores o texto na íntegra, que pode ser obtido com aquele jornal através do site acima citado.

Os quatro pilares da educação e o evangelho

http://www.cvdee.org.br/evangelize/pdf/1_0355.pdf