Estudando o Espiritismo

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quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Meu Próprio Conflito com a Baixa Auto-Estima


  Por Rabino Dr. Abraham J. Twerski
 
As pessoas freqüentemente me perguntam: “É verdade que você escreveu mais de cinqüenta livros? Como encontrou tempo, com suas múltiplas atividades, para escrever tantos livros?”

Digo a elas que eu na verdade não escrevi cinqüenta livros, escrevi um livro, em cinqüenta maneiras diferentes.

Quase tudo que escrevo tem relação de uma maneira ou outra com o tema da auto-estima. Defino auto-estima como a verdadeira e acurada percepção dos próprios talentos, capacidades e limitações. A importância disso deveria ser óbvia. Uma pessoa pode ajustar-se perfeitamente à realidade apenas até o grau em que a própria percepção da realidade é correta. Uma percepção equivocada da realidade é uma ilusão, e a pessoa não pode ajustar-se corretamente à realidade. Por exemplo, se a pessoa não tem um centavo seu mas tem a ilusão de que é um milionário, compra carros de luxo, roupas e jóias, vai se meter em sérios problemas.

Sou uma parte importante da minha realidade. De fato, a parte mais importante. Se eu me iludo a respeito de mim mesmo, não há como levar uma vida produtiva e feliz. Se sou inteligente mas penso que sou bobo, se sou agradável mas me acho indesejável, se sou simpático mas penso que sou comum, então estou iludido, e minha idéia distorcida sobre eu mesmo impede que me ajuste bem à vida. Na verdade, creio que o esmagador número de problemas psicológicos que não são de origem fisiológica invariavelmente se devem à baixa auto-estima, i.e., a uma idéia distorcida sobre si mesmo, na qual a pessoa se subestima.

Os sentimentos de inadequação e de não ser querido são muito dolorosos, e o inconsciente exercita uma série de manobras para proteger a pessoa desse sofrimento. Essas manobras podem resultar num comportamento abaixo de um nível bom, e numa variedade de sintomas. Descrevi alguns desses sintomas em A Vida é Muito Curta.

Tenho empatia com o problema da baixa auto-estima porque fui uma vítima desse problema, porém não sabia o que era isso, assim como qualquer pessoa que se ilude não sabe que a própria percepção da realidade está incorreta. Em retrospecto, fiz muitas coisas para proteger minha frágil auto-estima, coisas que foram custosas para mim e para minha família.

Fiquei consciente de que tinha um problema com a auto-estima pela primeira vez aos 38 anos. Durante três anos, tinha sido diretor de um enorme hospital psiquiátrico com um pronto socorro sempre lotado. Se a enfermeira não conseguia localizar um médico de plantão, eu era chamado. Noite sim, noite não, eu estava de plantão no pronto socorro. Numa noite boa, era acordado cinco vezes; numa noite má, dez ou mais vezes.

Minhas férias estavam chegando e eu estava desejoso de me afastar de uma situação frenética. Procurei um local para as férias que me permitisse não fazer nada além de vegetar. Não queria passeios ou atividades. Finalmente me decidi por Hot Springs, Arkansas, que me prometia um descanso total.

A atividade em Hot Springs é uma loucura, que começa em meados de fevereiro. Cheguei lá em dezembro, quando não havia nada acontecendo na cidade. A maioria das lojas estava fechada. Eram as férias dos meus sonhos.

Sofrendo de dor nas costas há muitos anos, eu pensei em aproveitar os banhos de água mineral, que se dizia produzir resultados milagrosos. Fui levado a um cubículo, e um atendente deu-me dois copos de água mineral naturalmente aquecida nas profundezas do solo. Fui então colocado numa banheira dessas águas mágicas, e a hidromassagem foi ligada.

Senti-me no paraíso! Ninguém poderia me alcançar – nenhum paciente, enfermeira, médico, membro da família, assistente social, oficial de liberdade condicional – eu estava além do alcance deles. E nessa situação paradisíaca, banhando-me na própria água quente da natureza... O que poderia desejar mais?

Após cerca de cinco minutos, levantei-me e disse ao atendente: “Foi maravilhoso. Exatamente o que eu queria.”

O atendente disse; “Aonde está indo, senhor?” Respondi: “Aonde quer que seja a próxima parte do tratamento.” Ele disse: “Primeiro deve permanecer na banheira de hidromassagem por 25 minutos.”

Voltei ao banho, e após cinco minutos, eu disse: “Olhe, preciso sair daqui.” O atendente disse: “Como quiser, mas não pode continuar com o restante do tratamento.”

Eu não queria perder o tratamento, portanto voltei à banheira para mais 15 minutos de purgatório. Os ponteiros do relógio na parede pareciam não estar se movendo.

Mais tarde naquele dia, percebi que tivera um despertar um tanto rude. Eu tinha levado três anos de estresse constante sem dificuldade, mas não conseguira suportar dez minutos de paraíso! Algo estava errado.

Quando voltei para casa, consultei um psicólogo. Ele apontou que se você perguntasse às pessoas como elas relaxavam, uma diria: “Leio um bom livro” ou “Escuto música”, ou ainda “Jogo golfe.” Cada um fala sobre aquilo que acha relaxante. O que a maioria das pessoas descreve como relaxamento é na verdade “afastamento, distração”. Você se distrai com o livro, algum trabalho de agulha ou com a bola de golfe.

As distrações são válidas, porém na verdade não passam de técnicas escapistas. Trabalho e distração são técnicas bastante sadias. Infelizmente, algumas pessoas escapam para o álcool, comida, drogas ou jogo.

No cubículo em Hot Springs, eu não tinha nada para me distrair: nada para ler, nada para olhar, nada para ouvir, ninguém com quem conversar, nada para fazer. Na ausência de todas as distrações, fui deixado em contato imediato comigo mesmo. Eu não consegui ficar ali muito tempo porque não gostava da pessoa que estava ali comigo!

Por que as pessoas estão usando uma variedade de manobras escapistas? Do que é que estão procurando escapar? Com freqüência é delas mesmas. Se, como foi o meu caso, elas têm um auto-conceito errôneo, não conseguem ficar consigo mesmas.

As pessoas presumem que a baixa auto-estima é causada por negligência paterna, abuso, comparação com outros irmãos, doenças ou falhas. Nenhuma dessas se aplica a mim. Tive pais amorosos, uma babá que me considerava um presente de D’us ao mundo. Fui um prodígio no xadrez, excelente aluno na escola, o que me permitiu terminar o ensino médio aos 16 anos. Simplesmente não havia um motivo lógico para eu me sentir inferior, porém sofria de baixa auto-estima e não fui consciente disso até o incidente em Hot Springs.

A causa ou as causas da baixa auto-estima, os sintomas que resultam dela e o que pode ser feito para superá-la são discutidos em meus livros Let Us Make Man, Life’s Too Short, Angels Don’t Leave Footprints e Ten Steps to Being Your Best.

Você poderia dizer: “Conheço-me muito bem, e sei que não sou desagradável, tedioso, feio ou impessoal. Estes são fatos, e não é a minha imaginação.”

Foi dessa maneira que me senti mesmo após ser psiquiatra durante muitos anos. Se você achar que tem qualquer uma das características que discuti em Life’s Too Short, você está sofrendo desnecessariamente de baixa auto-estima.
Faça tudo que puder para se livrar disso.

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