Estudando o Espiritismo

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terça-feira, 26 de agosto de 2014

Instinto de conservação


       702. É lei da Natureza o instinto de conservação?
“Sem dúvida. Todos os seres vivos o possuem, qualquer que seja o grau de sua inteligência. Nuns, é puramente maquinal, raciocinado em outros.”

703. Com que fim outorgou Deus a todos os seres vivos o instinto de conservação?

“Porque todos têm que concorrer para cumprimento dos desígnios da Providência. Por isso foi que Deus lhes deu a necessidade de viver. Acresce que a vida é necessária ao aperfeiçoamento dos seres. Eles o sentem instintivamente, sem disso se aperceberem.”

Textos complementares

Introdução:

Analisando-se o processo evolutivo de todos os seres, podemos entender a importância fundamental do conhecimento da vida espiritual e, em especial, dos ensinamentos da Lei e da vontade Divina, que nos foram trazidos pelo Mestre Jesus.

Evoluem os seres, desta forma, através das múltiplas experiências tanto no plano espiritual como no plano físico, onde a influência da matéria, o contato com as demais pessoas, as vicissitudes, as provações, proporcionam inúmeras condições e oportunidades para o aprendizado, para o desenvolvimento das virtudes, para o crescimento.

Sabemos que a nossa realidade mais importante é a espiritual, mas por representar o plano físico, imprescindível instituição de aprendizado e burilamento, não podemos olvidar que, quando encarnados, a organização física, bem como os bens e condições materiais, terão grande importância como meios de evolução do próprio Espírito.

Este, no entanto, deve ter o pleno conhecimento da sua posição de usufrutuário – tem a posse momentânea, podendo "usar e fruir", porém, com a condição inalienável de "conservar", ou "bem empregar" tudo aquilo que lhe foi emprestado.

Consequentemente, de forma natural, em havendo o abuso, haverá a responsabilização proporcional.

Dentro de sua obra e leis perfeitas, nos proporcionou o Pai Criador o "instinto de conservação".

Para que bem possamos compreender o que isto significa, mister se faz a distinção inicial entre inteligência e instinto.

Instinto e Inteligência:

Em suas primeiras manifestações no plano físico, através de experiências sucessivas em organismos progressivamente mais complexos, o Espírito automatizou reações aos impulsos exteriores, grafando-as em seu perispírito, de modo a melhor adequar-se ao meio ambiente. Essas ações reflexas incorporam-se, dessa maneira, ao patrimônio perispiritual do ser e se manifestam no vegetal, no animal e no homem através de atos espontâneos e involuntários, que têm, em geral, uma finalidade útil tanto para o ser que os realiza quanto para sua espécie. Podemos identificar esses atos no movimento da planta que se volta na direção dos raios solares, na arte com que a aranha tece sua teia para capturar os insetos de que se nutre, ou no ato de sucção através do qual o bebê se alimenta.

Esses atos inconscientes são o resultado, portanto, do mecanismo coordenado e cada vez mais complexo das ações reflexas, a que denominamos "instintos".

No vegetal, a estruturação desse mecanismo está em seus primórdios, no animal manifesta-se plenamente e no homem sofre a ação da inteligência, que lhe altera e aperfeiçoa as manifestações.

No cap. III do livro "A Gênese", encontramos as seguintes referências: "Podemos, assim, traçar uma demarcação bem nítida entre instinto e inteligência:" "...O instinto é a força oculta que solicita os seres orgânicos a atos espontâneos e involuntários, tendo em vista a conservação deles. Nos atos instintivos não há reflexão, nem combinação, nem premeditação. É assim que a planta procura o ar, se volta para a luz, dirige suas raízes para a água e para a terra nutriente; que a flor se abre e fecha alternativamente, conforme se lhe faz necessário."

"...É pelo instinto que os animais são avisados do que lhes convém ou prejudica; que buscam, conforme a estação, os climas propícios..."

No homem, só no começo da vida o instinto domina com exclusividade; é por instinto que a criança faz os primeiros movimentos, que toma o alimento, que grita para exprimir as suas necessidades, que imita o som da voz, que tenta falar e andar. No adulto, certos atos são instintivos, tais como os movimentos espontâneos para evitar um risco, para fugir a um perigo, para manter o equilíbrio do corpo; tais ainda o piscar das pálpebras para moderar o brilho da luz, o abrir maquinal da boca para respirar, etc.

Ainda no mesmo cap. do livro "A Gênese", encontramos: "a inteligência se revela por atos voluntários, refletidos, premeditados, combinados, de acordo com a oportunidade das circunstâncias. É incontestável um atributo exclusivo da alma. Todo ato maquinal é instinto; o ato que denota reflexão, combinação, deliberação é inteligente. Um é livre, o outro não o é...".

Instinto de Conservação:

Na Parte Terceira – Das Leis Morais, capítulo V, de "O Livro dos Espíritos", encontramos o subtítulo "Instinto de Conservação", onde são formuladas duas questões à Espiritualidade Maior:

Questão 702: É lei da Natureza o instinto de conservação? Resposta: "Sem dúvida. Todos os seres vivos o possuem, qualquer que seja o grau de sua inteligência. Nuns, é puramente maquinal, raciocinado em outros".

Questão 703: Com que fim outorgou Deus a todos os seres vivos o instinto de conservação? Resposta: Porque todos têm que concorrer para cumprimento dos desígnios da Providência. Por isso foi que Deus lhes deu a necessidade de viver. Acresce que a vida é necessária ao aperfeiçoamento dos seres. Eles os sentem instintivamente, sem disso se aperceberem.

O despertar da necessidade de viver tem por finalidade a manutenção da vida orgânica, necessária ao desenvolvimento físico e moral dos seres, bem como à realização das tarefas de colaboração com a obra divina que Deus, em Sua sabedoria, concedeu a cada um como oportunidade de crescimento para o Bem. O instinto de conservação, portanto, se constitui em mais um dos eficientes instrumentos naturais que cooperam em favor do mecanismo evolutivo dos seres da criação.

Rodolfo Calligaris, no seu livro "As Leis Morais", em referindo-se ao ensinamento proporcionado pela espiritualidade, de que o instinto de conservação, por ser uma das manifestações da Lei Natural, é inerente a todos os seres vivos, complementa:

Maquinal entre os espécimes situados nos primeiros degraus da escala evolutiva, vai-se desenvolvendo à medida que os seres animam organismos mais complexos e melhor dotados, tornando-se, no reino hominal, inteligente e raciocinado.

Sendo a vida orgânica absolutamente necessária ao aperfeiçoamento dos seres, Deus sempre lhes facultou os meios de conservá-la, fazendo com que a terra produzisse quanto fosse suficiente á matança de todos os que a habitam.

Sabendo, entretanto, que, se as criaturas tivessem que usar os frutos da terra apenas em função de sua utilidade, a lei da conservação não seria cumprida, houve Deus por bem imprimir a esse ato o atrativo do prazer, dando a cada coisa um sabor especial que lhes estimulasse o apetite.

A par disso, pela própria constituição somática com que modelou os seres, restringiu-lhes o gozo da alimentação ao limite do necessário, limite esse que, se observado, lhes asseguraria uma saúde perfeitamente equilibrada.

O homem, porém, no exercício de seu livre arbítrio, freqüentemente se desmanda, cometendo toda a sorte de excessos e extravagância, resultando daí muitas doenças que o excruciam e o conduzem à morte, prematuramente. Mas, como nada se perde na economia da evolução, os sofrimentos decorrentes dos desregramentos que comete dão-lhe experiência, fortalecem-lhe a razão, habilitando-o, finalmente, a distinguir o uso do abuso.

Poder-se-á dizer que, em certas regiões do globo, o solo, imenso fértil, não produz o bastante para a nutrição de seus habitantes e que o grande número de pessoas que nelas sucumbem vitimadas pela fome parece desmentir haja uma Providência Divina a provê-los dos recursos com que cumprirem a lei da conservação da vida.

Tais calamidades ocorrem de fato, mas não por culpa de Deus, a quem não se pode imputar as falhas de nossa sociedade, na qual uns se regalam com o supérfluo, enquanto outros carecem do mínimo necessário.

Fossem os homens menos egoístas, não tivessem apenas a máscara de religiosos, e, nessas contingências, prestar-se-iam mútuo apoio, já que a terra e eles mesmos pertencem a uma só família: a Humanidade.

Cumpre aos homens aplicarem-se no estudo dos problemas que os afligem, seja aperfeiçoando cada vez mais as técnicas de cultivo da gleba, de modo a conseguirem aumento da produção, seja entregando-se a pesquisas, no sentido de descobrirem outras fontes de alimentos, esforços esses que lhes engrandecerão a inteligência, assinalando novas etapas no progresso da civilização.

Mesmo nos casos de circunstâncias críticas, para a conservação da vida, não é lícito, para matar a fome, sacrificar um semelhante. Isto seria homicídio e crime de lesa-natureza. Em casos assim, é preferível morrer, já que grande será o merecimento se formos capazes de tão sublime renúncia por amor ao próximo.

Por outro lado, as privações voluntárias observadas em algumas religiões, de nada contribuem para a elevação da alma. Todos os usos que prejudiquem a saúde, longe de apressarem o desenvolvimento espiritual, retardam-no, pois solapam as forças vitais de seus praticantes, diminuindo-lhes a disposição para o trabalho, que sempre foi e continuará sendo o único caminho do progresso.

(Retirado do site: http://sef.feparana.com.br/apost/unid30.htm)

Veja também:

http://www.omensageiro.com.br/cursos/csde/67.htm

http://www.espirito.org.br/portal/palestras/irc-espiritismo/estudos-espiritas/le260102.html