Estudando o Espiritismo

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quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Dualismo e Monismo - Filosofia Vedanta

Dualismo e Monismo - Filosofia Vedanta



Swami Vivekananda

O Erro das Escolas Dualistas

"A primeira escola de que vos falarei é chamada escola dualística. Os dualistas acreditam que Deus, Criador e Governador do universo, está eternamente separado da natureza, eternamente separado da alma humana. Deus é eterno, a natureza é eterna, e eternas são todas as almas. A natureza e as almas manifestam-se e mudam, mas Deus permanece o mesmo. Segundo os dualistas, Deus é pessoal, pelo fato de ter qualidades, não por ter um corpo. Tem atributos humanos. É misericordioso, justo, poderoso, onipotente; podemo-nos nos aproximar d'Ele, orar para Ele, amá-Lo. Ele retribui o amor, e assim por diante. Numa palavra, é um Deus humano, apenas infinitamente maior do que o homem, sem qualquer dos defeitos que o homem tem. Não pode criar sem materiais, e a natureza é o material do qual Ele se serve para criar todo o universo.

A vasta massa do povo da índia é dualista. Todas as religiões da Europa e da Ásia Ocidental são dualistas: têm de ser dualistas. O homem comum não pode pensar em coisa alguma que não seja concreta. Gosta, naturalmente, de agarrar-se ao que o seu intelecto apreende. Essa é a religião das massas, em todo o mundo. Acreditam num Deus inteiramente separado delas, um grande rei, um poderoso monarca, por assim dizer. Ao mesmo tempo, fazem-no mais puro do que os monarcas de Terra; dão-lhe todas as boas qualidades e removem dele todos os defeitos, como se fosse possível o bem existir sem o mal, ou qualquer concepção de luz sem a concepção das trevas!

Eis a primeira dificuldade no que se refere às teorias dualísticas: como é possível que sob a direção de um Deus justo e misericordioso haja tantos males no mundo?"


A doutrina salvacionista e evolucionista dos dualistas

"Outra doutrina dos dualistas diz que todas as almas devem, finalmente, alcançar a salvação. Nenhuma delas ficará do lado de fora. Através de várias vicissitudes, através de vários sofrimentos e prazeres, cada uma delas sairá, por fim. Sairá de quê? A idéia comum é a de que todas as almas têm de sair deste universo. Nem o universo que vemos e sentimos, nem mesmo um universo imaginário, podem ser o certo, o verdadeiro, porque ambos estão mesclados com o bem e o mal. Segundo os dualistas, há, para além deste universo, um lugar cheio de felicidade e de bem, apenas, e quando esse lugar for alcançado, não haverá mais necessidade de nascer e renascer, de viver e morrer, e essa idéia lhes é muito cara. Ali não há mais doenças, não há morte. Existirá uma felicidade eterna, e eles estarão na presença de Deus todo o tempo, e gozarão essa presença para sempre. Acreditam que todos os seres, do verme mais baixo até os mais altos anjos e deuses, atingirão, mais cedo ou mais tarde, o mundo onde não mais haverá sofrimento. Mas nosso mundo jamais terminará. Continuará a existir infinitamente, embora movendo-se em ondas. Embora movendo-se em ciclos, jamais terminará. O número de almas que devem ser salvas, que devem ser aperfeiçoadas, é infinito."



A doutrina monista (Vedanta)

Que declaram os advaitistas (vedantas)? O seguinte: Se há um Deus, esse Deus deve ser ao mesmo tempo a causa material e eficiente do universo. Não só é o Criador, mas é também o criado. Ele próprio é este universo.
Como pode ser isso? Deus, o puro, o espírito, tornou-se universo? Sim, aparentemente é assim. Aquilo que todas as pessoas ignorantes vêem como universo, não existe, realmente. Que somos, vós e eu, e todas as coisas que vemos? Simples auto--hipnotismo. Não há senão uma Existência, a infinita, a sempre abençoada. Nessa Existência sonhamos todos esses vários sonhos. É o Atman para além de tudo, o infinito, para além do conhecido, para além do conhecível, e através disso vemos o universo. Essa é a única realidade. Ela é esta mesa, é a parede, é tudo, menos o nome e a forma. Retirai a forma da mesa, retirai--lhe o nome, e o que permanecer será a mesa. O vedantista não diz "ele" ou "ela", pois essas são ilusões, ficções do cérebro humano. Não há sexo na alma. As pessoas que estão sob a ilusão, que se tornaram como que animais, vêem a mulher ou o homem. Deuses vivos não vêem homens nem mulheres. Como podem vê-los, eles que estão para além de tudo que tenha idéia de sexo? Tudo e todos são Atman, o Eu - assexuado, puro, sempre abençoado. O nome, a forma, o corpo, é que são materiais, e fazem toda essa diferença. Se retirardes essas duas diferenças de nome e forma, todo o universo é um. Não há dois, mas um, por toda a parte. Vós e eu somos um. Não há natureza, nem Deus, nem universo - apenas uma Existência infinita, da qual, através de nome e de forma, todas essas coisas são manufaturadas.


MONISMO OU DUALISMO


Sócrates, Platão e Aristóteles também defendiam as realidades do espírito e da matéria.

O monismo e o dualismo são duas das correntes filosóficas que caracterizam as diversas possibilidades humanas de compreender a obra divina.

O dualismo esteve majoritariamente presente na filosofia da antigüidade. Segundo Aristóteles, no século VII foi criada a religião masdeísta, na antiga Pérsia, de caráter dualista, sob a inspiração do profeta Zoroastro. Sócrates e Platão também eram dualistas, defendendo a existência de uma realidade do espírito e outra da matéria. Com o amadurecimento intelectual do homem, inclusive com uma compreensão mais justa do universo, a proposta monista avançou para alcançar adeptos e defensores na nossa cultura contemporânea. O filósofo holandês Baruch de Spinosa, no século XVII, acompanhando o pensamento cartesiano de René Descartes, enquadra sua compreensão de Deus e da criação na unidade monista. Já no século XIX é a vez do naturalista alemão Haeckel construir suas teses fundamentais da doutrina monista. Agora, mais recentemente, com as descobertas da física quântica, alguns autores acham estar definitivamente sepultada qualquer possibilidade de defesa do pensamento dualista. Mas será ... ? A doutrina espírita seria dualista ou monista ..?

Bem .... acho que essa resposta não existe na sua concepção simplista. Isto porque as doutrinas dualistas e monistas são muito vastas, compreendendo hipóteses diferenciadas quanto ao objeto em análise. Assim sendo o espiritismo é monista em um aspecto e deve ser dualista em outro. O dualismo e o monismo discorrem sobre a unidade ou não de comando no universo, mas também sobre a unidade ou não do elemento primitivo. Quanto à unidade de comando no universo, o espiritismo é monista. A doutrina codificada por Allan Kardec não preconiza a existência de dois poderes independentes, o do Bem e o do Mal.

Ao contrário, fala de um Deus único, imutável e todo poderoso, e estabelece a existência do bem e do mal não institucionalizados, mas como um estado conseqüente ao cumprimento ou não das leis soberanas estabelecidas por Deus, ou seja, em decorrência da adequação do homem à ordem única do universo estabelecida no seu poder central. Tudo tende para Deus, ainda que momentaneamente pareça dele se afastar. Contudo, a nossa saudável polêmica começa quanto à unicidade de um elemento básico à criação.

Segundo "O Livro dos Espíritos", questão 27, há dois elementos gerais no universo, a matéria e o espírito, e acima de tudo Deus. Refletindo com mais conhecimento de causa sobre o assunto em "A Gênese" - já que este livro foi editado 11 anos depois - Allan Kardec formula conceitos muito claros, no capítulo XI, itens I a 9. Afirma o codificador: "Desde que a inteligência e o pensamento não podem ser atributos da matéria, chega-se, remontando-se dos efeitos à causa, à conclusão de que o elemento material e o elemento espiritual são os dois princípios constitutivos do universo.

Individualizado, o elemento espiritual constitui os seres chamados Espíritos, como, individualizado, o elemento material constitui os diferentes corpos da natureza, orgânicos e inorgânicos'". Nesta definição dos elementos gerais do universo Kardec deixa explícita a postura dualista do Espiritismo, em relação a este aspecto da criação divina, como dissemos atrás. E não digam que Kardec se referia ao mundo espiritual e à matéria densa, pois no mesmo livro, no capítulo VI, item 7, ele afirma sobre o elemento material: "Logo, quer a substância que se considere pertença aos fluidos propriamente ditos, isto é, aos corpos imponderáveis, quer revista os caracteres e as propriedades ordinárias da matéria, não há, em todo o universo, senão uma única substância primitiva: o cosmo, ou matéria cósmica dos uranógrafos."

Chegada a esta conclusão, temos que admitir que ela pode não ser a verdade definitiva, e que com o tempo tenhamos que rever tal postura. Este o caráter progressista e permanentemente correlato às descobertas científicas que o espiritismo adota.

Voltando nossos olhares para a ciência, o "Princípio da incerteza" elaborado pelo cientista alemão Werner Heisenberg, em 1926, e até hoje sustentando a física moderna, marcou irrevogavelmente a forma de percepção do mundo, determinando o fim de um modelo de universo determinístico, nos moldes de Laplace. Baseado neste princípio reformulou-se a mecânica de Newton para o surgimento da mecânica quântica, introduzindo o elemento da imprevisibilidade às experiências que descrevem o universo. Ou seja, foi observado que a medição da velocidade e da posição de partículas subatômicas em sistemas semelhantes, iniciados da mesma maneira, não apresentavam um único resultado mas uma diversidade de resultados possíveis e incapazes de serem especificados por sistema.

Tentando explicar esses fenômenos surgiu a hipótese da existência de um domínio diretor, imanente à estrutura atômica, organizando-a e dando-lhe individualidade comportamental.

Esta hipótese vem reforçar a teoria espírita da existência do mundo espiritual com seres espirituais que, na visão da ciência, seriam o fruto da associação dos agentes diretores das partículas que formam os átomos, as moléculas, as células, resultando em um agente diretor para a estrutura corporal.

Claro que ainda há uma imensa diferença filosófica de uma para a outra, mas a cada dia a ciência acadêmica aproxima-se da constatação da realidade espiritual. Nesse domínio diretor estão localizadas as várias regiões do mundo espiritual, bem como lá estão vinculados, pela lei da sintonia, os espíritos com seus corpos espirituais ou perispíritos. Até aí tudo bem. Tanto a realidade da matéria densa quanto a do mundo espiritual têm a mesma base de formação que é o princípio material.

Isso poderia ser, para nós espíritas, motivo de alegria e esperança. Na verdade o é, mas mesclada por uma preocupação que surge, a nosso ver, em decorrência da precipitação.

Alguns escritores e oradores espíritas, pesquisadores do assunto, e mesmo com formação acadêmica ligada à área em questão - declino de citar nomes pois contesto a tese e não pessoas - vêm defendendo idéias de caráter pessoal, supondo, segundo tenho entendido, que neste domínio diretor, o espírito, compreendido na conceituação Kardequiana como individualização do princípio espiritual, também tem sua estrutura forjada no mesmo princípio que a matéria universal, supondo-se, assim, um caráter monista para a criação.

Alguns há ainda que concluem sobre a realidade de Deus como se ele fosse o domínio diretor do universo e, como corolário da hipótese monista que defendem, o próprio universo. Mero retorno ao panteísmo de Spinosa. Esta hipótese se anula a si mesma no raciocínio de que se tudo fosse oriundo de um único princípio, princípio esse que não tem estabilidade, se deteriora e se transforma por ação de forças externas, jamais haveria eternidade de vida e nem perenidade das conquistas adquiridas para a individualidade espiritual. Seria a tácita aceitação das doutrinas materialistas.

Por outro lado, apesar do avanço da ciência e das promissoras descobertas que evidenciam a realidade espiritual, não existe, por enquanto, nenhuma razão para se rejeitar a proposta dualista de Allan Kardec. O fato de se estar desvendando a intimidade atômica, encontrando a causalidade da vida, não nos autoriza a negar a existência do princípio espiritual essencialmente diferente do princípio material. Por não tê-lo alcançado não significa a sua não existência. Aliás, sempre dissemos isso aos cientistas materialistas: "se o espírito ainda não foi demonstrado em laboratório, não quer dizer que ele não exista". E, agora, estamos a tentar encaixar sua concepção em uma hipótese reducionista materialista.

Temos avançado muito no campo das descobertas da ciência, isso é verdade. Mas o que nos falta saber deveria ser o suficiente para soterrar nosso ímpeto de buscar conclusões precipitadas.

O tempo dos deuses da natureza ou do Deus antropomórfico já vai longe para nós espíritas. Mas a real compreensão acerca de Deus está reservada para um futuro longínquo, quando o homem "não mais tiver o espírito obscurecido pela matéria. Quando, pela sua perfeição, se houver aproximado de Deus, ele o verá e compreenderá". ("O Livro dos Espíritos", item 11).

João da Silva Carvalho Netto - R.I.E.

Monismo e Dualismo

http://textosparareflexao.blogspot.com/2012/09/monismos-e-dualismos.html


A Origem da Vida: Monismo e Dualismo

http://cienciamestre.blogspot.com.br/2012/02/origem-da-vida-monismo-e-dualismo.html

Existem duas correntes filosóficas principais para inquirir sobre a vida. O dualismo e o monismo. Entenda-se por dualismo a atribuição de duas características importantes à matéria viva. A matéria propriamente dita e o espírito, a alma, a força vitalista, ou o que quer que defina a fração imaterial e invisível que comporia o ser vivo. Segundo essa visão, não basta que tenhamos um sistema organizado, no qual as reações químicas que constituem o metabolismo celular encarreguem-se de prover energia para os processos vitais, além de interagir com o meio ambiente. Na visão dualista, há também algo mais, que promove e controla todas as manifestações do ser vivo e que, de certa maneira, lhe dá uma direção, um propósito. Somente quando o ser morre, o corpo se torna exclusivamente matéria. Porém, após a morte, a alma ingressaria então em um plano sobrenatural, cuja estrutura vara de acordo com as diversas crenças que interpretam a vida dualista. Em algumas, o espírito passaria a habitar uma região perfeita e justa, livre dos problemas do plano material. Em outras, o espírito seria reciclado e voltaria a “animar” um organismo, semelhante ou não, àquele que morreu.

De forma geral, o dualismo também implica que tanto o Universo como todas as forças de vida tenham sido criadas por um demiurgo, uma entidade divina, ou um princípio organizador que transformou o caos do Universo em compartimentos organizados e com propriedades distintas. A um desses sistemas denominamos vida. Assim, é comum associar ao dualismo o conceito do criacionismo, que nada mais é do que um ato ou evento no qual a matéria é criada a partir do nada.

Já o monismo interpreta a natureza estritamente do ponto de vista da física, da matéria, sem a intervenção de um componente espiritual. No monismo, ou materialismo, tudo que observamos ao nosso redor, direta ou indiretamente, é produto de interações físico-químicas. Esse cenário também inclui a vida. Isso não quer dizer que a filosofia monista tem explicações para tudo. Muito pelo contrário. Conforme já foi aludido, poucos são os fenômenos entendidos em toda sua extensão. No entanto, a diferença mas perceptível entre o dualismo e o monismo é que este último generaliza certos princípios utilizados para se estudar um determinado fenômeno, os quais necessariamente seguem os ditames do método científico. Em outras palavras, os modelos materialistas da natureza devem ser formulados com base em medidas sistemáticas e lógicas que idealmente permitam prever com um determinado sistema irá se comportar sob certas condições. A noção e o uso do método científico ficarão mais claros em nossas discussões subseqüentes.

Como consequência da forte aliança entre o monismo e o método científico, a visão materialista da natureza evita sempre que possível apelar para o criacionismo como uma explicação razoável tanto para a vida como para a própria matéria. O materialismo procura usar o conhecimento disponível para propor hipóteses que expliquem de maneira razoável as observações feitas pelos filósofos e cientistas. Foi desse modo que as ideias evolucionistas substituíram o criacionismo. No entanto, ainda há dificuldades. Veremos que, logo de início, a própria cosmologia, em uma de suas versões para a origem do Universo, de certa maneira apela para o criacionismo. Mas não é exatamente o criacionismo das doutrinas religiosas. Esse que entre os cosmólogos recebe o nome de “singularidade” é simplesmente um dispositivo, um recurso inventado pelos cientistas, que apela para um arquivo ainda vazio da física. Os físicos esperam que num dado momento essa explicação apareça de maneira mais convincente. O advento de uma nova física, ou um adendo à física contemporânea será importante para eliminar a possível ambiguidade entre o criacionismo dualista e o evolucionismo no contexto da discussão da origem da vida. De qualquer modo, todos os argumentos encontrados nessa temporada do blog foram construídos com base no método científico, ou seja, são modelos que lançam mão exclusivamente das pistas mencionadas.





1. Introdução
1.1 Como a Vida Surgiu e Como Evoluiu




Fonte: AB INITIO de Franklin David Rumjanek

A Unidade da Existência

https://www.vedanta.org.br/vedanta


A unidade de existência é um dos grandes temas da Vedanta e um pilar essencial da sua filosofia. A unidade é a canção da vida; é o grande tema que subjaz às ricas variações que existem em todo o cosmos. O que quer que vemos e o que experimentamos é apenas uma manifestação dessa eterna unidade. A divindade no âmago do nosso ser é a mesma divindade que ilumina o sol, a lua e as estrelas. Não há nenhum lugar onde nós, infinitos em nossa natureza, não existimos. Embora o conceito de unicidade possa ser intelectualmente atraente, sem dúvida é muito difícil colocá-lo em prática. Não há nenhuma dificuldade em sentir essa unidade com os grandes e nobres seres ou com aqueles que já amamos. Também não é
difícil experimentarmos um sentimento de unidade com as árvores, com o mar e com céu. Mas a maioria de nós se recusa a experimentar a unidade com seres repelentes tais como a barata ou o rato – sem falar no antipático colega de trabalho a quem mal conseguimos tolerar. No entanto, é justamente aí que precisamos aplicar os ensinamentos do Vedanta e perceber que todos estes múltiplos aspectos da criação estão unidos em e através da divindade. O Ser que está dentro de mim, o Atman, é o mesmo Ser que está dentro de você, não importa se o “você” em questão é um santo, um assassino, um gato, uma mosca, uma árvore, ou um motorista irritante com quem cruzamos no trânsito. “O Ser está em toda parte”, diz o Isha Upanishad. “Aquele que vê todos os seres no Ser, e o Ser em todos os seres, não odeia ninguém. Para quem vê a unicidade em todos os lugares, como pode haver decepção ou tristeza? ” Todo o medo e toda a infelicidade surgem de nosso senso de separação da grande unidade cósmica, a rede do ser que nos envolve. “Existe o medo do segundo/do outro”, diz o Brihadaranyaka Upanishad. A dualidade, o nosso sentimento de separatividade em relação ao resto da criação, é sempre um equívoco, uma vez que implica na existência de algo além de Deus. Não pode haver nenhum outro. “Esta grande pregação, a unidade de todas as coisas, que faz de nós um com tudo o que existe, é a grande lição a aprender”, disse Swami Vivekananda um século atrás.
…. O Ser é a essência do universo, a essência de todas as almas…. Você é uno com o universo. Aquele que diz que é diferente dos outros, mesmo que apenas por um fio de cabelo, torna-se imediatamente infeliz. A felicidade pertence àquele que conhece essa unidade, que sabe que ele é uno com o universo.

O Conceito de Maya

https://www.vedanta.org.br/vedanta


A Vedanta declara que nossa natureza real é divina: pura, perfeita, eternamente livre. Não temos que nos tornar Brahman, nós somos Brahman. Nosso verdadeiro Ser, o Atman, é um com Brahman. Mas, se nossa natureza real é divina, por que, então, estamos tão incrivelmente inconscientes disso?

A resposta para essa pergunta está no conceito de maya, ou ignorância. Maya é o véu que encobre nossa natureza real e a natureza real do mundo à nossa volta. Maya é fundamentalmente insondável: não sabemos por que ela existe e não sabemos quando ela começou. O que realmente sabemos é que, como qualquer forma de ignorância, maya deixa de existir com o raiar do conhecimento, o conhecimento da nossa natureza divina.

Brahman é a verdade real da nossa existência: em Brahman, vivemos, movemo-nos e existimos. “Tudo isto é verdadeiramente Brahman”, declaram os Upanishads – as escrituras que compõem a filosofia Vedanta. O mundo mutável que vemos à nossa volta pode ser comparado às imagens que se movem na tela do cinema: sem a tela imutável por trás, não pode haver filme. Da mesma forma, por trás deste mundo mutável, é o imutável Brahman – o substrato da existência – quem dá ao mundo sua realidade.

Porém, para nós, essa realidade é condicionada, como um espelho deformado, por tempo, espaço e causalidade – a lei de causa e efeito. Além disso, nossa visão da realidade ainda é obscurecida pela identificação equivocada: nós nos identificamos com o corpo, a mente e o ego, em vez de nos identificarmos com o Atman, o Ser divino.

Essa percepção equivocada original cria mais ignorância e dor, num efeito dominó: ao nos identificarmos com o corpo e a mente, tememos a doença, a velhice e a morte; ao nos identificarmos com o ego, sofremos de raiva, ódio e centenas de outros tormentos. Ainda assim, nada disso afeta nossa natureza real, o Atman.

Maya pode ser comparada às nuvens que encobrem o sol: o sol permanece no céu, porém a nuvem densa nos impede de vê-lo. Quando as nuvens se dispersam, tornamo-nos conscientes de que o sol lá esteve o tempo todo. Nossas nuvens – maya, que surge como egoísmo, ódio, ganância, luxúria, raiva, ambição – são sopradas para longe quando meditamos sobre nossa natureza verdadeira, quando nos ocupamos de ações altruístas e quando agimos e pensamos consistentemente nas formas de manifestarmos nossa real natureza: isto é, por meio de veracidade, pureza, contentamento, autocontrole e paciência. Essa purificação mental afasta as nuvens de maya e deixa nossa natureza divina brilhar.

Shankara, o grande sábio-filósofo da Índia do século sétimo, usava o exemplo da corda e da cobra para ilustrar o conceito de maya. Andando por uma rua escura, um homem vê uma cobra; seu coração bate mais forte, sua pulsação acelera. Examinando mais de perto, a “cobra” vem a ser um pedaço de corda enrolada. Uma vez que a ilusão se desfaz, a cobra desaparece para sempre.

Assim, andando pela rua escura da ignorância, vemos a nós mesmos como criaturas mortais, e, à nossa volta, o universo do nome e da forma, o universo condicionado por tempo, espaço e causalidade. Ficamos cientes de nossas limitações, escravidão e sofrimento. “Examinando mais de perto”, tanto a criatura mortal quanto o universo não são outra coisa senão Brahman. Uma vez que a ilusão se desfaz, nossa mortalidade e também o universo desaparecem para sempre. Vemos Brahman existindo em todo lugar e em todas as coisas.

Tudo é Maya

http://quanticaevedas.blogspot.com.br/2012/02/tudo-e-maya.html

A Física Quântica e os Vedas têm a mesma visão quanto à inconsistência do mundo visível - o chamado universo manifestado.

"O cosmos não existe. Ele é uma ilusão: nunca é, foi, ou será. A criação do cosmos, a dissolução do cosmos, estes bilhões de indivíduos emergindo e se fundindo - tudo isto é somente um sonho. Não há espírito individualizado separado; então, como pode haver bilhões de espíritos? Há somente um Indivisível Completo Absoluto. Do mesmo modo que um Sol se reflete como um bilhão de Sóis em um bilhão de lagos e outros corpos d’água, as almas são apenas reflexos do Uno nas mentes que O refletem." (Sri Sathya Sai Baba)

"As escrituras mais antigas que conhecemos, os Vedas, descrevem o mundo físico como ilusão, maya. A física quântica afirma que a realidade não é o que vemos; na melhor das hipóteses, ela é praticamente vazia, ondas de nada insubstancial." (William Arntz, produtor do filme "Quem Somos Nós?").

O vocábulo maya, em sânscrito, tem um significado bem mais amplo do que a simples tradução "ilusão". Maya é o grande poder que materializa o cenário externo e sua multiplicidade de formas. Nossa incapacidade de enxergar a essência através dessas imagens externas é que faz com que Maya nos pareça ser uma grande ilusão.
O estudo da física moderna, ao mergulhar nos mistérios do átomo, descobriu que só aparentemente os objetos parecem sólidos. A matéria é infinitamente mais vazia do que nossos olhos físicos conseguem perceber. Somos todos míopes, enxergando apenas uma fração mínima da realidade. É justamente essa miopia que nos dá a sensação de separatividade, de dualidade. Esta sensação é fruto da nossa ignorância. Se pudéssemos enxergar sem os véus que encobrem a realidade, perceberíamos que tudo é unidade e a separatividade é uma idéia ilusória.

"Não há essencialmente nada na matéria - ela é completamente insubstancial. A coisa mais sólida que se pode dizer a respeito de toda essa matéria insubstancial é que ela é mais como um pensamento; é como um bit concentrado de informações." (Jeffrey Satinover, médico).

Um conglomerado de informações, um sonho, um holograma... o universo manifestado é bem menos sólido do que pode sonhar nossa vã filosofia...

REFLEXÕES SOBRE UNIDADE E DUALIDADE

http://somostodosum.ig.com.br/clube/artigos/reflexoes-sobre-unidade-e-dualidade-31520.html

https://monicavoxblog.wordpress.com/2017/03/06/harmonizacao-e-unificacao-dos-aspectos-da-dualidade/


J.Krishnamurti - El poder de la ilusión - Parte 1


A ilusão de separatividade - (Krishnamurti)

A ilusão de separatividade - (Krishnamurti)

"Vós, homens, como indivíduos, desenvolveis vossos sentidos pela luta social, pela auto-preservação e dais inicio, assim, à consciência de separação. Desde a infância que vos foi incutida a idéia de que sois uma entidade separada; e desta ilusão provem a divisão entre “vosso” e “meu”, no que pensais e no que sentis, no que possuis e em todas as cosias.

Daí surge também a idéia de que vos deveis tornar algo de grande no futuro e a de que fostes já algo no passado. Um contraste contínuo. E desta consciência separada surgem – cobiça, a inveja, o ódio, o sentimento de posse, a preocupação da vaidade, as alegrias passageiras, as tristezas transitórias e os transitórios prazeres. Esta é uma civilização grosseira baseada na competição, na qual cada um trata de si, sem benevolência, sem equanimidade. É um mundo de conflito, de corrupção, de contenda, que a seu tempo conduzirá à guerra.


Em virtude de tal entendimento de separatividade, o “Eu” torna-se todo poderoso; dessa consciência de separação nasce o medo. E onde quer que exista o medo, manifesta-se imediatamente o desejo de buscar o conforto, em lugar do entendimento que dissipa todo o temor. Pois o conforto adormece o vosso temor inato de perder vossa identidade separada.

O conforto produz tão somente um ajuste temporário, mas não uma harmonia e equilíbrio permanentes; produz um alivio imediato em vez de um entendimento compreensivo, contínuo; produz o adiamento do esforço, uma evasão contínua em lugar da luta para compreender no presente. Por causa desse temor, buscais o consolo no culto, na prece, no erguimento de imagens, por intermédio de ritos e cerimônias. Essa ilusão de separação vos leva à preocupação da morte, e do que vai acontecer no futuro, isto é, sobre se tereis de vos reencarnar e sobre o que haveis de ter sido no passado. Por outras palavras, são o passado e o futuro que empolgam o homem que se acha atemorizado; a compreensão do presente, nunca. Enquanto o presente não for compreendido, o futuro jamais vos proporcionará seu verdadeiro significado, pois que o futuro, na realidade, não existe.

Todos esses problemas – o de porque nasci, ou o que acontecerá após a morte, o da sobrevivência da alma, o da reencarnação, o de como posso tornar-me algo mais e de como posso adquirir mais qualidades afim de encontrar a verdade – todas essas coisas nascem da consciência da separação.

Quando é compreendida a idéia de que a verdade, essa realidade viva, existe em todas as coisas e em todos os instantes, em toda a sua integridade, então não mais existirá o pensamento de progresso, ou seja – tornar o que é ilusório, o “Ser”, em algo permanente. Em todas as fases da vida dá-se importância ao individuo – não a individualidade que, tornada plenamente consciente, dissipa sua própria consciência, para o engrandecimento do “Eu”.

Observe a maioria das pessoas, e verificareis que todas pensam que, por tornarem-se maiores, por ampliarem sua consciência, mediante uma série de experiências, pelo fato de retroceder, avançar e reencarnar, se estão aproximando cada vez mais da verdade.

Para mim, essa concepção é inteiramente ilusória, pois a realidade, em sua inteireza, em sua plenitude, em sua riqueza, existe em tudo e, portanto, é eterna. O que é permanente, eterno em tudo, não pode progredir. O que denominamos progresso somente pode ser aplicado a determinado fato, não à realidade.

Nossa principal preocupação deverá ser, então, a de por qual maneira cada um se poderá tornar apercebido desse eterno, dessa viva realidade que sustenta, nutre e eleva todas as coisas e que se acha em nós mesmos. Enquanto criardes um mundo exterior e um mundo interior e vos esforçardes por produzir um ajustamento entre ambos, jamais, encontrareis a realidade.

Quando o homem está consciente de si próprio como entidade separada, continuamente busca o exterior para encontrar auxilio, para sua subsistência, para seu bem-estar; e desse modo cria ele desordem em lugar de ordem, e por causa dessa desordem surgem as superstições, as ilusões, as cerimônias.

Trata-se, portanto, da maneira, do processo mediante o qual cada um pode realizar essa realidade interior que assegura a tranqüilidade da vida, não a estagnação, não a paz que obscurece, que destrói, porém essa tranqüilidade que é a fonte da compreensão viva e eterna.

É somente por meio do esforço individual que a verdade pode ser realizada, não por meio de associações de qualquer espécie que sejam. Não podereis, por via de uma instituição, encontrar a verdade, pois a verdade habita em vós mesmos e as instituições não podem ajudar o indivíduo a encontrar a verdade. Não importam quais sejam elas. Todas tendem a tornarem-se cada vez mais formalistas e a verdade cada vez mais delas se distancia. Precisais buscar a verdade por vós mesmos, como indivíduos; visto que ela mora em vós, não no exterior. Quando o individuo se houver compreendido a si mesmo, viverá num ambiente de perfeita harmonia e não contribuirá para a desordem do mundo.

A partir do momento em que vós, como indivíduos, tende resolvido vosso problema particular, tenhais realizado a verdade por vós mesmos, não mais contribuireis para a crueldade, para as guerras, para a espantosa tirania e desgraça que imperam no mundo.

É importante que cada individuo compreenda, não os adornos superficiais da vida, mas como, pelo continuamente deixar de parte a consciência que cria a separação, se pode ele tornar apercebido dessa realidade interior que reside em todas as coisas.

Se quiserdes verificar isto, vós, como indivíduos, tendes que inteiramente vos desapegar de todos os sistemas tradicionais, convencionados e socializados, de pensamento e de conduta. Verificareis, então, quão necessário é não confiar, quer em autoridades de tradição, quer na conduta sistematizada. Antes que possais compreender a verdade, é preciso que vos torneis plenamente conscientes de vossa própria separatividade e, assim, de todas as qualidades e seus respectivos opostos. Isto é, tendes que vos tornar tão consciente de vós mesmos que todos os vossos desejos, propósitos e conflitos ocultos sejam trazidos à evidência, examinados e compreendidos por vós. Por vos tornardes intensamente conscientes, consumireis toda a subconsciência, pois que, quando estiverdes plenamente cônscios de vossas ações, de vossos pensamentos e emoções, a hipocrisia cessará de existir, cessarão as ilusões, os desejos secretos e as fantasias não mais terão ascendência sobre vós. E então, quando estiverdes assim, limpos e cheios de propósito, podereis chegar à esse estado em que não existem pretensas qualidades e, portanto, não há conflitos.

Quando introduzis o elemento pessoal em vosso julgamento, inevitavelmente perverteis vossa compreensão. Necessitais distinguir entre o que é pessoal e o que é individual. O pessoal é acidental, e por acidental entendo eu, as circunstancias de nascimento, o ambiente em que fostes criados, vossa educação, vossas tradições, vossas superstições, vossas distinções de nacionalidade e classe, e todos os preconceitos que por este processo se desenvolvem. O que é pessoal somente se relaciona com o acidental, com o que é momentâneo, ainda que esse momento possa durar o período inteiro de uma existência. A educação moderna conduz à perversão do pensamento e o espírito de nacionalidade, de classe, de tradição aumentada pelo medo. Quando ajuizardes de um fato não o façais partindo do ponto de vista pessoal: julgai-o sob o ponto de vista do individuo, que é o do eu.

Pois as qualidades – as virtudes e os pecados, o bom e o mau, as alegrias e as tristezas – pertencem a consciência do “Eu”. Quando estou consciente de mim mesmo, invento virtudes e pecados, o bom e o mau, o céu e o inferno, para me proporcionarem equilíbrio em minha luta com os opostos.

Enquanto houver tal consciência da separação, do eu, da personalidade, não pode existir a realização da verdade; antes, porém, que possais transcender essa consciência, tendes que vos tornar plena e vitalmente auto-conscientes. Tal significa que necessitais vos tornar conscientes de vós próprios como indivíduos, não como uma máquina, não como um mero dente da engrenagem desta rude civilização onde impera a competição.

Antes que vos possais tornar plenamente conscientes, e, dessa forma, perder a auto-consciência, há três condições a passar, relativas à consciência. Na primeira delas, o individuo é escravo dos sentidos e de seus anseios. Para satisfazê-los, torna-se ele simplesmente egoísta, dependendo, inteiramente, para a sua felicidade, das coisas exteriores, das sensações e excitações e, desse modo, fica cada vez mais emaranhado na tristeza e na dor. Sua conduta é encaminhada pelo egoísmo. Toma cada vez maiores responsabilidades sobre si e torna-se, por essa forma, um simples escravo da ação. Tal homem não tem tempo nem inclinação para a quietação do pensamento, para a reflexão, para o exame. Pois a verdadeira reflexão cria a dúvida, as investigações que levam ao isolamento, ao afastamento, o que ele cuidadosamente evita.

Depois, vem o segundo estágio em que o homem se apercebe de suas faltas, de seus defeitos, de suas ilusões, de suas crueldades. Tornando-se, assim, consciente de sua própria natureza, tenta desembaraçar-se, livrar-se do domínio dos sentidos e começa a libertar a mente e o coração. Começa por diminuir, gradualmente as próprias responsabilidades, sem abandonar sua vida na torrente do mundo. A ação, nascida da consciência de si mesmo, e na qual existe a separatividade, é embaraçante, limitadora, pesada; porém a ação, que é o resultado da liberdade, da individualidade, é libertação.

O indivíduo que possui, agora, o forte desejo de libertar-se, começa a disciplinar-se. Essa disciplina não lhe é imposta pelo exterior, não é o resultado da repressão; antes, em virtude do seu desejo de ser livre, de realizar a verdade, impõe ele a si próprio uma disciplina oriunda do entendimento – não oriunda do medo, não coagido pelas circunstâncias sociais ou pelo ambiente. Deseja então libertar a mente, o coração e, desse modo, viver em harmonia. Impõe a si mesmo, por isso, uma disciplina maior do que qualquer das disciplinas provindas do exterior.

Em seguida vem o terceiro estágio de consciência, em que o homem está completamente senhor dos sentidos, completamente senhor do seu corpo. Isso não significa ser desenvolvido muscularmente, nem que o corpo não sinta dores, nem tão pouco que ele morra; será senhor do corpo, no sentido de não mais se emaranhar em seus anseios, suas sensações e excitações.

Começa ele, então, a libertar-se do medo e das ilusões que ele próprio cria.

Uma vez que estejais libertos das ilusões, do temor, de todas as outras qualidades, haverá para vós, um como retiro interior nascido da alegria, retiro nascido não do tédio, nem do retraimento, nem do intuito de fugir a este mundo de conflito, porém um retiro interno de alegria em meio da ação.

Quando tal acontecer, a reflexão e a analise virão dar lugar a uma concentração tremenda; não a concentração sobre um objeto, mas a concentração em que não há sujeito nem objeto, o pleno conhecimento em que não há mais contrastes.

Ulteriormente, proveniente deste retiro, manifesta-se uma harmonia interior, a equanimidade entre a razão e o amor – o pensamento liberto das fantasias e teorias pessoais, o amor liberto da especialização, amor que é como o perfume de uma flor.

Quando existe esta harmonia, não mais se inquire a respeito de futuro e de passado.

Não mais terá lugar a pergunta de – se continuarei “Eu” a viver como entidade separada.

O passado com suas faltas e tristezas, desaparece, e o futuro, com suas esperanças, anseios e antecipações, desaparece também: oriunda desses dois termos, nasce a harmonia do presente, a qual é a realização dessa inteireza que existe em todas as coisas.

Quando ela for realizada, haverá tranqüilidade, haverá a realidade viva da felicidade."



Fonte: Krishnamurti – Palestra realizada em Londres – 1931 – Do livro: Coletânea de Palestras

A ilusão da ideologia especulativa


Teorias e crenças não alteram a nossa vida; o homem sempre as teve, através de milhares de anos, e não mudou; deram-lhe elas, talvez, um polimento superficial; tornaram-no talvez menos selvagem, mas o homem continua brutal, violento, caprichoso, incapaz e manter seriedade. Vivemos uma vida em que há muito sofrimento, do nascimento à morte. Eis um fato; não há quantidade de teorias e especulações que possam alterá-lo. O que realmente altera "o que é" é a capacidade, a energia, a intensidade, a paixão com que o olhamos. E não poderemos ter essa paixão e intensidade se nossa mente está a correr atrás de alguma ilusão, de alguma ideologia especulativa.

Krishnamurti - Fora da Violência - Ed. Cultrix

A Natureza - Eckhart Tolle


O Conceito de Maya

https://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/o-conceito-de-maya

O conceito de Maya

Assis Ribeiro

O QUE SIGNIFICA MAYA?

Do SociedadeTeofísica.org


O conceito de Maya é outra das expressões importadas das filosofias hindus e transladadas diretamente do sânscrito, tendo sido incorporada ao vernáculo de forma açodada e superficial.



Tal como o conceito de Dharma, Maya comporta uma série de sutilizações de significado e está longe de ser somente “ilusão”, como imaginam alguns desavisados.


Maya é, de fato, o princípio causador da ilusão por via indireta, mas não é a ilusão em si mesma.


O que é ilusório não são as coisas em si mesmas. A ilusão está em nossa incapacidade de perceber as coisas como são em seu próprio nível de realidade. Nós as vemos de forma distorcida, de acordo com nossas limitações sensoriais e nossos condicionamentos. Isso não significa que as coisas “não existam”, e sim que não podemos percebê-las como são em si mesmas.


Nossas percepções são coloridas e distorcidas por nossos sentidos. Esse fenômeno de distorção de nossa percepção objetiva é, sem dúvida, ilusório. Maya, porém, é mais do que isso. È a propriedade de plasmação de formas, sons, imagens e ritmos que formam o mundo natural.


Maya é o princípio de polaridade feminina, que torna a Natureza uma artífice de criatividade sem limites. É o próprio poder criador se manifestando em miríades de imagens, que se modificam em perpétuo movimento (Krya Shakti).


Lançando mão da metáfora do Shivaísmo hindu, Maya é a dança da Skakti em torno de Shiva, produzindo um movimento contínuo e envolvente, que dá origem a todo o movimento cósmico.


Poderíamos também usar a metáfora egípcia e compreender Maya como os Véus de Ísis, a deusa consorte de Osíris.


Os véus de Ísis simbolizam a roupagem externa da natureza, que oculta o segredo dos segredos: a essência última que existe no âmago da realidade e só se pode manifestar através dos “véus” que representam a face exterior da natureza.


Por um lado Maya é o poder criador da Natureza. Por outro, é a ilusão causada pela mente humana, que percebe essas manifestações, enxergando-as como a mente é, e não como as coisas são em si mesmas.


Não sabemos como as coisas são em si mesmas, porque não podemos perceber as coisas em si. Tudo o que percebemos (cores, sons, formas, sensações) são vibrações provenientes dos objetos, captadas por nossos sentidos e formatadas pelo cérebro de acordo com os efeitos neurológicos causados por essas imagens. Somos conscientes apenas dessas imagens e não dos objetos representados por elas. Vivemos em um mundo de imagens e consideramos reais essas imagens projetadas, a partir de algumas vibrações que recebemos dos objetos.


Assim, podemos considerar toda a matéria e toda a energia do universo como o poder exteriorizado (Shakti) de uma consciência. Não da nossa consciência em particular, mas da consciência suprema da qual somos uma pequena parcela, um ponto focal.


Por sermos, em nosso ser essencial mais íntimo, partes integrantes e inseparáveis de uma consciência única, estamos ligados por elos invisíveis com tudo o que existe, inclusive com a própria matéria. A matéria é a projeção exterior da consciência única e absoluta, sendo que essa projeção nos faz sentir enganosamente que estamos separados dos outros seres e dos objetos. Tudo está contido dentro da consciência.


Maya ou a Shakti é o poder exteriorizado e manifesto, enquanto Shiva é o centro imanente ou emanador deste poder. Por essa razão, nas imagens de tantrismo, Shakti é quem dança em torno de Shiva estático.


Da mesma forma, na teogonia egípcia, é Ísis que dança em torno de Osíris, balançando suas verdes asas sobre o deus morto e restituindo a vida ao “grande apático”


Não caiamos no erro do positivista que, para retrucar o argumento de um niilista que dizia ser tudo uma ilusão, chutou-lhe a canela e gritou: “Isso não vai doer! É o chute ilusório de um pé ilusório numa canela ilusória!”


É claro que algo aconteceu ali. Diferentes coisas interagiram e produziram um resultado.


A ilusão não está no fato em si nem nos aglomerados de matéria que produziram esses efeitos. Está na maneira com que esses eventos foram registrados pela consciência dos participantes.


Maya é um atributo criativo do aspecto feminino da divindade: são os véus de Ísis que nenhum mortal poderia erguer, porque seria necessário que um homem se elevasse acima de sua condição de mero mortal, para poder ver e compreender o que existe sob os véus de Ísis.


Por isso, Maya é muito mais do que a ilusão dos sentidos. É o poder formador e plasmador de todos os cenários e de todos os aspectos “externalizados” de tudo que existe. É a capacidade infinita da mente universal de criar imagens caleidoscópicas para o fluxo da existência. Nossa incapacidade de decodificar essas imagens e ver sua realidade intrínseca é que faz com que Maya pareça ser para nós a grande ilusão.


Comentário -


Immanuel Kant parece coincidir com o pensamento expresso no texto sobre Maya, quando diz que não podemos conhecer as coisas em si mesmas, para o que precisaríamos de uma intuição espiritual que a humanidade neste estágio de evolução não tem. Só podemos conhecer os fenômenos, ou seja, somente as coisas como elas aparecem aos nossos sentidos, através da nossa intuição sensível no espaço e no tempo, formas a priori da nossa sensibilidade. 

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

ALLAN KARDEC COLEGA DE KARL MARX?

ALLAN KARDEC COLEGA DE KARL MARX?


do Luz Espírita 
Uma tese fantástica – e muito substancial – foi levantada aqui no Brasil, pelo pesquisador espírita Clóvis Nunes, um dos mais respeitados especialistas de TCI (TransComunicação Instrumental) no mundo. Diz respeito à identidade de um personagem misterioso que aparece no livro "OBRAS PÓSTUMAS", Allan Kardec: um tal Sr. M.
Na mesma mensagem mediúnica, a 30 de abril de 1856, em que o prof. Rivail recebe o primeiro anúncio de sua grandiosa missão de Codificador Espírita, o rapaz misterioso também é mencionado:
“(...) A ti, M..., a espada que não fere, porém mata; contra tudo o que é, serás tu o primeiro a vir. Ele, Rivail, virá em segundo lugar: é o obreiro que reconstrói o que foi demolido”.
Em seguida, Kardec comenta sobre o Sr. M. nestes termos:
“O Sr. M..., que assistia àquela reunião, era um moço de opiniões radicalíssimas, envolvido nos negócios políticos e obrigado a não se colocar muito em evidência. Acreditando que se tratava de uma próxima subversão, aprestou-se a tomar parte nela e a combinar planos de reforma. Era, aliás, homem brando e inofensivo”.
Eram conceitos marxistas tão fortes que Kardec chega mesmo a submeter o caráter do cavalheiro misterioso à apreciação dos mentores espirituais, ao que toma nota de que o Sr. M. tem boas ideias e que é homem de ação, mas é aconselhado a não se envolver com ele, que seria a personificação de um partido, ligado a terríveis acontecimentos que estariam por vir.
Segundo Clóvis Nunes, o Sr. M. é ninguém menos que Karl Marx, o idealizador da doutrina comunista. Ele seria descrito como uma “espada que não fere” (pacífico e brando, conforme o próprio Kardec menciona), em contraponto ao Partido Comunista, personificado nele, “que mata” a pretexto de uma revolução social positiva. A biografia do filósofo comunista confirma a estadia dele em Paris, em conformidade com as datas de referências em "OBRAS PÓSTUMAS".
Nesse contexto, a espiritualidade preveniu Kardec de que Marx era um revolucionário e suas propostas haveriam de causar grande ruído; que sua ideologia daria azo a uma contraproposta às religiões (“demolir” o sistema de então), para depois o kardecismo (a Doutrina Espírita) cuidaria de “reconstruir”; que Marx estava sob influência de Espíritos levianos que lhe exploram a exaltação – qualidade do fundador do Comunismo também atestada por seus biógrafos.
No clássico “O CAPITAL”, de Marx e Engels, determinada nota menciona o entusiasmo na burguesia europeia com o Espiritismo. Engels chega a lamentar que o colega perca tempo com os eventos, a que intitula de “jogo da mesa dançante”.
Conterrâneo de Divaldo Franco, Clóvis Nunes ganhou notoriedade nacional depois de revelar um segredo católico: o Museu das Almas do Purgatório: depositório que reúne peças comprovando manifestações espíritas no seio da Igreja Católica – lugar trancado a sete chaves pelo Vaticano.
Sobre a aproximação de Allan Kardec e Karl Marx, o pesquisador promete um livro, quem sabe até, com novas informações, fontes e provas

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Paulo e Tiago: A Ética da Alteridade

http://www.oconsolador.com.br/ano7/316/especial.html

Lições sobre o nascimento de Jesus


Carlos Torres Pastorino apresenta, em sua obra “Sabedoria do Evangelho” [1], uma interessante análise sobre os primeiros vinte versículos do segundo capítulo do livro de Lucas. Estudando essa narrativa do nascimento de Jesus, depreendem-se lições tão lindas como práticas acerca de nosso próprio despertamento moral.

Os primeiros sete versículos assim são narrados:

1. Naqueles dias foi expedido um decreto de César Augusto, para que todo o mundo fosse recenseado.
2. Este recenseamento foi primeiro (antes) do que se fez no tempo em que Quirino era governador da Síria.
3. E todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade.
4. José também subiu da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia, à cidade de David, chamada Belém, por ser ele da casa e família de David,
5. para alistar-se, acompanhado de Maria, sua noiva, que estava grávida.
6. Estando eles ali, completaram-se os dias de dar à luz,
7. e teve um filho primogênito, e o enfaixou e o deitou em uma manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria.

Não era da visão prática romana exigir que os cidadãos se deslocassem a grandes distâncias, abandonando seus negócios, para ter de ir à sua cidade natal fazer recenseamento. O ensino profundo dessa narrativa do nascimento de Jesus é distinto.

Belém significa “Casa do Pão”; e David significa “Bem-Amado”. Analisemos os elementos masculino e feminino, respectivamente José e Maria, por razão e intuição, bem como o menino nascido como o “homem novo”, ou o ser renovado.

A ida da razão (José) à Casa do Alimento Espiritual (Belém), terra de seus antepassados, exprime uma rememoração de existências corpóreas anteriores, usualmente parte do planejamento encarnatório de Espíritos que já dispõem de evolução moral para acessá-las.

Estando a razão (José) e a intuição (Maria) juntos no ambiente propício, tomam contato com a divindade dentro de si (Emanuel, que significa Deus conosco, como anunciado por um Espírito a José, uma ocorrência mediúnica em desdobramento no sono, narrada em Mateus 01:23). Eles (razão e intuição) estavam sós: o despertamento da Divindade em cada um depende de uma visão para dentro de si, uma experiência entre o indivíduo e Deus, sem interferência de terceiros.

A intuição (Maria) envolve o menino em faixas, e o põe na manjedoura, lugar próprio para o alimento dos animais. Ser enfaixado corresponde à colocação do ser na matéria (a encarnação); e as ideias do homem encarnado passam pelo cérebro físico, ou cérebro animal, de onde ele se alimenta de orientações.

Seguindo adiante nos subsequentes sete versículos, temos:

8. Naquela região havia pastores que viviam nos campos e guardavam seus rebanhos durante as vigílias da noite.
9. Um anjo do Senhor apareceu-lhes e a glória do Senhor brilhou ao redor deles, e encheram-se de grande temor.
10. Disse-lhes o anjo: “não temais, pois vos trago uma boa notícia de grande alegria, que o será para todo o povo,
11. e é que hoje vos nasceu. na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor;
12. e eis para vós o sinal: encontrareis uma criança envolta em faixas e deitada numa manjedoura”.
13. De repente apareceu com o anjo uma multidão da milícia celeste, louvando a Deus e dizendo:
14. “Glória a Deus nas maiores alturas e paz na Terra aos homens de boa vontade”.

Verifica-se, nos versículos 9 a 13, a ocorrência de uma sessão de materialização de Espíritos de alta evolução moral, designados como anjos do Senhor, anunciando a chegada de Jesus.

Analisemos os pastores que vivem na região como as células do sangue, o qual efetua toda a alimentação do corpo físico, além de guardar forte interação com o perispírito, justamente a estrutura de interface entre o Espírito e o corpo físico (conforme os ensinamentos que André Luiz recebe e transmite em sua obra “Missionários da Luz” [2], “(...) o corpo perispiritual, que dá forma aos elementos celulares, está fortemente radicado no sangue.”).

Em interpretação a respeito do significado profundo dos pastores e a notícia que receberam, nas palavras de Pastorino, “Ao sangue aparece, por meio do sistema nervoso, o ‘anúncio’ do extraordinário e divino fato. No primeiro momento, o sangue se retrai aterrorizado (a criatura empalidece), mas depois que recebe o aviso, se acalma, porque vem a saber que na Casa do Amado (na ‘cidade de David’) - o coração - nasceu o Cristo que é o Salvador, e que lá se encontra sob a forma de uma criança envolta em faixas. Realmente, o Encontro se dá na ‘célula-mônada’ que está fixa no ventrículo esquerdo do coração (exatamente no nódulo de Keith e Flack [ou nódulo sinoatrial] e feixe de Hiss). Ora, o sangue poderá dar-se conta desse nascimento, ao encontrar o ‘menino’ espiritual, envolto em faixas (envolto em matéria), cercado do intelecto (José) e da intuição (Maria), que descem ao coração, na meditação profunda, mergulhando em si mesmo. Só quando a mente desce ao coração pode encontrar o Eu Profundo, a Centelha Divina, que lá permanece em estado latente, mas que nascerá um dia.”

FIGURA “OS PASTORES COM JESUS” - Pintura de Guido Reni, gravura de H.B.Hall

Os versículos 15 a 20 contêm a seguinte narrativa:

15. Quando os anjos se haviam retirado deles para o céu, diziam os pastores uns aos outros: “vamos até Belém e vejamos o que aconteceu, o que o Senhor nos deu a conhecer”.
16. E foram a toda pressa e acharam Maria e José e a criança deitada numa manjedoura;
17. e vendo isso, divulgaram o que se lhes havia dito a respeito desse menino.
18. Todos os que o souberam admiravam-se das coisas que lhes referiam os pastores.
19. Maria, porém, guardava todas essas coisas, meditando-as em seu coração.
20. Os pastores voltaram glorificando e louvando a Deus, por tudo quanto tinham ouvido e visto, como lhes fora anunciado.

Findo o impacto do encontro, as células sanguíneas (os pastores) vão à Casa do Alimento Espiritual (Belém), o coração, agora despertado pela Luz Divina no homem renovado. Após ir ao coração (o estábulo), o sangue (pastores) vai ao cérebro (manjedoura) e absorve as vibrações elevadas das ideias renovadas pela Inspiração Divina. Por sua vez também renovado, o sangue vai divulgar a boa nova às demais células do corpo, que também evolui. Conforma cita Pastorino, “Em linguagem científica moderna diríamos que as vibrações das células sanguíneas, ao modificar suas próprias vibrações em contato com o coração, que se transformou pelos novos pensamentos surgidos, vai elevar as vibrações de todas as demais células, fazendo que estas se modifiquem para melhor, sintonizando com o Homem-Novo, expulsando as aflições e mazelas do corpo físico. A intuição, porém, (Maria) guarda ciosamente todas essas coisas no âmago de si mesma, e nunca jamais se esquecerá das experiências vividas, e frequentemente medita sobre elas.”

Em suma, a lição sobre o nascimento de Jesus também ensina que nossa modificação interior, nossa reforma íntima, quando razão e intuição se unem em prol do Bem, nos modifica para melhor inclusive em nível físico, como a Ciência terrestre tem confirmado por seus ramos como a Medicina Psicossomática.

Joanna de Ângelis, no livro Autodescobrimento, capítulo Doenças Psicossomáticas [3], esclarece que:
"(...) O pensamento salutar e edificante flui pela corrente sanguínea como tônus revigorante das células, passando por todas elas e mantendo-se em harmonia no ritmo das finalidades que lhes dizem respeito. O oposto também ocorre, realizando o mesmo percurso, perturbando o equilíbrio e a sua destinação.
(...) Adequando-se à saúde e à harmonia, o pensamento, a mente, o corpo, o perispírito, a matéria e as emoções receberão as cargas vibratórias benfazejas, favorecendo-se com a disposição para os empreendimentos idealistas, libertários e grandiosos, que podem ser conseguidos na Terra graças às dádivas da reencarnação. (...)"

Ano Novo! Eis aí o convite para o nascimento do Cristo em nós, com a renovação de nossos pensamentos e emoções, refletindo no próprio corpo físico...


Bons estudos!
Carla e Hendrio


A respeito desses temas, leia também, neste blog, as postagens “Muitas Moradas”, “Faixas”, “Mediunidade na Bíblia”, “Instrumento Mediúnico” e “A lembrança dos sonhos”.


Referências:

1. PASTORINO, Carlos Torres. “Sabedoria do Evangelho”. Rio de Janeiro, RJ: Sabedoria, 1964. Volume 1. “Nascimento de Jesus”, “Anjos e Pastores” e “A Visita dos Pastores”.
2. XAVIER, Francisco Cândido. “Missionários da Luz”. Pelo Espírito André Luiz. 25ª ed. Rio de Janeiro: RJ, FEB, 1994. Capítulo 13.
3. FRANCO, Divaldo P. "Autodescobrimento". Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Salvador, BA: LEAL. Disponível em: GEAL - Grupo de Estudos André Luiz. http://geal-ba.blogspot.com/2008/05/doenas-psicosomticas-por-joanna-de.html. Acesso em 26.12.2009.


Leia mais no endereço: http://licoesdosespiritos.blogspot.com/2009/12/licoes-sobre-o-nascimento-de-jesus.html#ixzz4zP9GKFp3

O Nascimento de Jesus - Richard Simonetti


1 – Por que os detalhes do nascimento de Jesus, no glorioso Natal, constam apenas do Evangelho de Lucas, sem nenhuma referência nos demais?
A tradição nos diz que grande parte do Evangelho de Lucas foi registrada a partir das reminiscências de Maria, mãe de Jesus. Faz sentido. Ela foi uma testemunha ocular daqueles acontecimentos inesquecíveis.
2 – Os pastores de Belém também participaram. No entanto, situaram-se como meros figurantes, desaparecendo em seguida. A que atribuir o fato de terem permanecido no anonimato, sem nenhum destaque no movimento cristão?
Provavelmente apenas se deslumbraram, como quem se empolga com fogos de artifício, sem maior repercussão em suas vidas. Simplesmente continuaram a cuidar de suas ovelhas.
3 – Não é estranho que isso tenha acontecido, tendo em vista a os fenômenos maravilhosos que contemplaram e, sobretudo, o seu encontro com o menino Jesus, inspiração para toda uma eternidade?
Entendo que eles apenas foram dignos representantes de uma Humanidade capaz de empolgar-se com fenômenos transcendentes, sem nenhum envolvimento. Os homens permanecem, em grande maioria, presos ao imediatismo terrestre. Admiram as belezas do Céu, mas de pés chumbados à Terra.
4 – Você acredita que isso esteja ocorrendo também com o Espiritismo?
Os espíritas não constituem exceção. Kardec considerava que isso aconteceria. Falou até dos que aceitam a Filosofia Espírita, sem cumprirem seus princípios, quando destaca, em O Livro dos Médiuns, capítulo III, os espíritas imperfeitos. Estes, em grande maioria, compreendem o Espiritismo, admiram sua moral, mas não a praticam, não mudam seus hábitos, não se privam de seus gozos, não combatem suas imperfeições. Destaca, ainda, que os referidos consideram a caridade cristã apenas uma bela máxima.
5 – A Doutrina não repercute em seu comportamento...
Pior do que aconteceu com os pastores de Belém, porquanto os pastores observaram fenômenos sem o respaldo de uma doutrina orientadora, ao passo que o Espiritismo nos oferece uma doutrina orientadora com o respaldo de fenômenos maravilhosos de intercâmbio com o Além que autenticam seus princípios.
6 – Devemos debitar esse comportamento à imperfeição humana?
Isso seria mera simplificação. Assim como o Evangelho, o Espiritismo não veio para uma minoria santificada. Então o problema não é de mera imaturidade humana, considerando que não somos vegetais a crescer atendendo à Natureza. Somos seres pensantes, dotados da capacidade de mudar os rumos de nossa vida com a alavanca da vontade, independentemente do estágio de evolução em que nos encontramos.
7 – Você acredita que um Espírito imperfeito possa mudar radicalmente o seu comportamento simplesmente aderindo de coração a um ideal?
Não é o que vemos todos os dias, com criminosos que se regeneram, viciados que se tornam virtuosos, pecadores que se redimem? Jesus dizia que não viera para os bons, mas para as ovelhas tresmalhadas, para atender às pessoas de má vida. O mesmo ocorre com o Espiritismo. Consideremos, portanto, que nem Jesus nem a Doutrina Espírita vieram para atender aos santos.
8 – Essa disposição de mudar, de se regenerar, de superar mazelas e imperfeições não surge a partir de certa maturidade do indivíduo?
Eu diria que a maturidade é efeito, não causa. A partir do momento em que o indivíduo cai em si, conforme a parábola do filho pródigo, dispondo-se a caminhar ao encontro de Deus, começa a amadurecer. O filho pródigo não revelou maturidade ao reconhecer que estava longe de seu pai. Apenas reconheceu sua miséria moral. Começou a amadurecer quando se dispôs a caminhar rumo à casa paterna. O mesmo acontece com o simbolismo do Natal. Jesus nasce em nosso coração não quando viramos santos. Caminhamos para a santidade quando Jesus nasce em nosso coração e repercute em nossas ações.

Predição do nascimento de Jesus

http://bibliadocaminho.com/ocaminho/txavieriano/livros/Cea/..%5C..%5C..%5CTematica/EE/Estudos/EadeP1T1.2.1.htm

Predição do nascimento de João - links

https://www.youtube.com/watch?v=l_AG9UuSMt8

A HISTÓRIA DE JOÃO BATISTA NA VISÃO ESPÍRITA

A HISTÓRIA DE JOÃO BATISTA NA VISÃO ESPÍRITA


Hoje, 24 de junho os católicos comemoram o dia de São João. Por isso, resolvemos colocar a história de João Batista pela ótica espírita.
João Batista, chamado de “O Precursor’, era primo de Jesus, filho de Isabel e Zacarias e vestia-se de peles e alimentava-se de mel e animais silvestres. Tinha rigidez em suas ideias, opiniões e comportamento. Abstendo-se de bens e prazeres, vivendo unicamente para o bem, convocando o povo ao arrependimento dos pecados e a se prepararem para receber o Redentor (Jesus). João utilizava o ato simbólico do batismo para ressaltar ser indispensável o arrependimento, o reconhecimento dos deslizes do passado, para receber as bênçãos que o mensageiro divino (Jesus) traria. A imersão era precedida de uma confissão pública e da profissão de fé do iniciado, que se dispunha à renovação, combatendo as próprias fraquezas. É o que fica evidente, em passagens como estas: “Arrependei-vos, fazei penitência, porque é chegado o reino dos céus”; “Eu na verdade, vos batizo com água para vos trazer à penitência; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo e com o fogo”. MAS O QUE É O BATISMO COM FOGO E COM O ESPÍRITO SANTO? Batismo de fogo é o esforço de vencermos nossos instintos e hábitos inferiores, procurando praticarmos o bem. Este esforço é uma luta dentro de nós e em meio a tudo e a todos. E o batismo com o Espírito Santo é a sintonia com os benfeitores do plano invisível, através de manifestações mediúnicas ostensivas (ver, ouvir, etc., os desencarnados) ou sutis (pressentir, intuir, etc.). Os discípulos, receberam um magnífico Batismo do Espírito Santo, no dia de Pentecostes, quando os Espíritos do Senhor se manifestaram através deles, em diversos idiomas, aos habitantes e visitantes de Jerusalém (Atos, cap.2)."
João pedia ao povo: "QUEM TIVER TÚNICAS, REPARTA COM QUEM NÃO TEM, E QUEM TIVER ALIMENTOS, FAÇA DA MESMA MANEIRA”; aos publicanos (coletores de impostos) orientava dizendo: "NÃO PEÇAIS MAIS DO QUE VOS ESTÁ ORDENADO”; aos soldados aconselhava: "A NINGUÉM TRATEIS MAL NEM DEFRAUDEIS, E CONTENTAI-VOS COM O VOSSO SOLDO”.
Mas, certa vez, João chamou a atenção de Herodes por se divorciar de sua esposa e, ilegitimamente, tomar como amante Herodias, a esposa de seu irmão Herodes Filipe I. No aniversário de Herodes, a filha de Herodias (tradicionalmente chamada de Salomé) dançou perante o rei e seus convidados. Sua dança agradou tanto Herodes que, bêbado, ele prometeu a ela qualquer coisa que desejasse, limitando a promessa em metade de seu reino. Quando a filha perguntou à mãe o que deveria pedir, Herodias pediu que ela pedisse a cabeça de João Batista numa bandeja. Mesmo chocado com o pedido, Herodes relutantemente concordou e mandou decapitar João na prisão.
Mais tarde, como conta no evangelho de Mateus 17:10: "OS DISCÍPULOS DE JESUS LHE PERGUNTARAM: O QUE QUEREM DIZER OS DOUTORES DA LEI, QUANDO FALAM QUE ELIAS DEVE VIR? Jesus lhes explicou: "CERTAMENTE ELIAS VIRÁ PRIMEIRO, E RESTAURARÁ TODAS AS COISAS. MAS DIGO-VOS QUE ELIAS JÁ VEIO, E NÃO O CONHECERAM, MAS FIZERAM-LHE TUDO O QUE QUISERAM."
Comenta Mateus em 17:13 "ENTÃO OS DISCÍPULOS COMPREENDERAM QUE JESUS LHES FALARA A RESPEITO DE JOÃO BATISTA."
Nesta passagem, Jesus deixa claro que Elias, que muitos esperavam a volta, já veio, ou seja, já REENCARNOU, e já haviam feito com ele o que quiseram. Então, os discípulos entenderam que João Batista era a reencarnação de Elias.
Que João não seja lembrado apenas na festa junina e com interesse de fazer pedidos, mas para que sigamos seus pedidos que ecoam até os dias de hoje.
Viva São João! Aliás, vivamos os ensinamentos de João!



Compilação de Rudymara

Síntese de Pastorino sobre Zacarias, Isabel, nascimento de João Batista e de Jesus

http://www.mundoespirita.net/lc-01.html

http://cursodeevangelho.blogspot.com.br/2012/03/joao-batista-o-precursor.html

Ver links ao lado deste post acima.


Zacarias e o Anjo - Richard Simonetti

Conta o evangelista Lucas (capítulo I) que sob o reinado de Herodes, rei da Judéia, há perto de dois mil anos, morava na região serrana, nas proximidades de Jerusalém, o velho Zacarias. Era um dedicado sacerdote, homem piedoso e nobre, pertencente à turma de Abias, uma das vinte e quatro que, segundo as disciplinas do culto judeu, serviam no Templo, em Jerusalém, obedecendo a um sistema de rodízio.

     Zacarias carregava uma tristeza: não tinha filhos. Durante anos implorara a Deus lhe concedesse a graça de acolher um rebento querido em seus braços. Com a velhice desistira da ideia. Difícil antes, impossível agora. Isabel, sua esposa, jamais lhe daria um herdeiro.

     Para os judeus, não ter filhos era uma desgraça. A desonra pesava sobre a mulher que nunca concebera. Ambos suportavam com paciência a penosa situação e cumpriam seus deveres com retidão, sempre submissos ao Senhor.

     Espíritos evoluídos jamais condicionam a confiança em Deus à satisfação dos desejos humanos. Confiam porque guardam plena consciência de que Deus sabe o que faz.

     ***

     Certa feita, quando chegou a vez de sua turma, Zacarias partiu para a cidade santa. No Templo, tirada a sorte, coube-lhe entrar no santuário onde queimaria incenso em homenagem ao Senhor. A multidão aguardava do lado de fora.

     Para espanto de Zacarias, sozinho no sagrado recinto, surgiu diante dele uma entidade angelical. Tratava-se de Gabriel, o mais famoso anjo das escrituras bíblicas, chamado pela tradição religiosa de alta categoria.

     Além de Zacarias, ele esteve com o profeta Daniel e também com Maria, mãe de Jesus. Provavelmente apareceu em outros episódios bíblicos sem se identificar. Em linguagem espírita diríamos que Gabriel é um Espírito superior, um dos mais importantes prepostos de Jesus.

     Zacarias teve medo, o que revela sua pouca familiaridade com manifestações dessa natureza. Os judeus não estavam acostumados a lidar com os Espíritos. Diga-se de passagem, caro leitor, raras pessoas não se assustariam. São sempre temidas as “assombrações”.

     O anjo buscou tranquilizá-lo:

     Não tenhas medo, Zacarias, porquanto a tua súplica foi ouvida e Isabel, tua mulher, te dará um filho a quem chamarás João. Ficarás feliz e muitos se rejubilarão com seu nascimento, pois será grande aos olhos do Senhor. Não beberá vinho nem bebida inebriante. Será cheio do Espírito Santo, desde o seio materno. Converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, Deus deles. E irá adiante dele, no Espírito e poder de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos e os desobedientes à sabedoria dos justos, a fim de preparar para o Senhor um povo dedicado.

     Gabriel reporta-se à grandeza moral daquele que nasceria filho de Zacarias e Isabel. Um Espírito que, obviamente, já vivera muitas encarnações na Terra, com larga bagagem de experiências e aquisições morais.

     Impossível negar essa evidência. Equivaleria a admitir que Deus beneficia filhos seus com virtudes que a outros nega, uma flagrante e inaceitável injustiça.

     Como o próprio Cristo revelaria mais tarde (Mateus, 17:10-13), aquela criança seria a reencarnação de Elias, o austero e poderoso profeta judeu que vivera há oito séculos.

     ***

     Naqueles tempos recuados, os homens consagrados a Deus obrigavam-se a uma existência especial. Dentre os compromissos que assumiam, estava a abstenção de álcool. Daí a observação do anjo.

     Sempre que se volta para a religião, o homem é inspirado a preservar a pureza, evitando a taça dos prazeres inebriantes que anestesiam a consciência e afetam os sentidos, simbolizados pelo álcool.

     As forças do Bem pedem instrumentos dóceis, equilibrados e puros para que possam se manifestar em plenitude na Terra, derramando bênçãos de esperança e paz aos Homens.

     ***

     Zacarias admirou-se.

     – Como pode isso acontecer se eu e minha mulher somos velhos e ela, além do mais, sempre foi estéril?

     O visitante parece não ter apreciado a pergunta.

     – Sou Gabriel, que estou diante de Deus e fui enviado para anunciar esta boa nova. E porque duvidaste, doravante vais ficar mudo. Não poderás falar, até o dia em que teu filho nascer, visto não haveres acreditado em minhas palavras, que a seu turno se cumprirão.

     O povo aguardava Zacarias, estranhando a demora. Quando ele saiu sem poder falar, causou estupefação. Algo inusitado acontecera no santuário. Zacarias explicou, por meio de sinais, e continuou mudo.

     Decorridos os dias de seu ministério sacerdotal, regressou ao lar. Imensa foi sua surpresa quando, tempos depois, confirmando as palavras do anjo, Isabel ficou grávida. Após nove meses dava à luz um menino forte que, conforme a recomendação angélica, recebeu o nome de João. Seria conhecido mais tarde como o Batista.

     Com o nascimento de seu filho, Zacarias recuperou a voz e pôde relatar melhor sua experiência, rendendo graças a Deus pela dádiva recebida.

     ***

     Gabriel aparenta ser um anjo de pavio curto, que não gosta de ser contestado. Pior: atropelou a justiça ao condenar Zacarias a tão longo mutismo, apenas por manifestar justificável dúvida.

     Inadmissível os Espíritos Superiores nos castigarem por pedirmos esclarecimentos a respeito de suas afirmações. Eles orientam, explicam, ajudam, amparam, mas jamais se exasperam e muito menos impõem sanções, ainda que revelemos ceticismo.

     É fácil entender o que aconteceu. As circunstâncias que envolveram o nascimento de João tinham por objetivo impressionar os judeus.

     Em linguagem atual, diríamos que houve uma ação de marketing. Um sacerdote que ficou mudo, após conversar com um anjo, e uma mulher estéril que concebeu em avançada idade eram acontecimentos marcantes. Fatalmente causariam assombro e dariam o que falar, particularmente na humilde aldeia onde residiam.

     Importante que João fosse recebido desde o início como alguém consagrado a Deus, que o povo se habituasse a ver nele um grande profeta, pois lhe seria confiada a tarefa de preparar os caminhos para o enviado celeste, há séculos aguardado pelo povo judeu.

     ***

     A experiência de Zacarias lembra algo importante:

     Todos temos um anjo de guarda, um mentor espiritual que nos inspira e ampara na jornada humana. Um amigo reclamava:

     – Se é assim, os anjos de guarda lá em casa andam de férias. Meu filho foi reprovado nos exames; minha filha adolescente envolveu-se com um rapaz e ficou grávida; minha mulher bateu o carro; nosso cão foi atropelado por um automóvel e eu, num momento de irritação, dei um tapa na mesa e fraturei a mão.

     Há aqui um equívoco em relação à atuação dos protetores espirituais. Não são babás à nossa disposição, diuturnamente.

     Não é sua obrigação evitar transtornos como: a reprovação do aluno displicente; a gravidez da jovem inconsequente; o acidente com o motorista distraído; o atropelamento do cão negligenciado; a fratura resultante de ato irracional.

     Sua função é inspirar-nos ao bem, ao cumprimento de nossos deveres. O protetor espiritual atua na intimidade de nossa consciência. É a voz inarticulada que nos alerta:

     Cuidado! Controle-se! Cultive a prudência. Olhe por onde anda!

     Ele tem poderes para evitar que nos atinjam certos males e o faz frequentemente, sobretudo em relação à nossa estabilidade física e psíquica. Não fosse por ele, bem maiores seriam nossas dificuldades e problemas.

     Mas deixa que colhamos as consequências de nossas ações, a fim de que aprendamos a respeitar as leis da Vida, as regras de bem viver.

     Assim como a mudez de Zacarias marcava acontecimento auspicioso, inúmeros males que nos afligem situam-se como gloriosos marcos de renovação que nos estimulam a repensar a existência, induzindo-nos a procurar os valores espirituais.

     Assim muitos descobrem as bênçãos da religião.

     Assim muitos se aproximam de Deus.

Zacarias e Isabel - links

http://www.oconsolador.com.br/ano4/171/esnt.html

O PRÓLOGO DE LUCAS - Pastorino

O PRÓLOGO DE LUCAS
Luc. 1:1-4


      1. Tendo muitos empreendido fazer uma narração coordenada dos fatos que entre nós
se realizaram,

      2. como nô-las transmitiram os que foram dele testemunhas oculares desde o princípio
e ministros da palavra,

      3. também a mim - depois de haver investigado tudo cuidadosamente desde o começo -
pareceu-me bem, excelentíssimo Teófilo, dar-te por escrito uma narração em ordem,

      4. para que conheças a verdade das coisas em que foste instruído.



      Por este prólogo, ficamos sabendo que muitos haviam tentando escrever a história da vida de Jesus.

      Mas  as  obras  eram  desorganizadas,  já  que  os  autores  não  possuíam  cultura.  Lucas,  por  ser  médico, estava acostumado ao estudo sistemático, tendo por isso competência para traçar um quadro numa ordem que era mais lógica que cronológica.

      É o que ele tenta fazer. Habituado, porém, à pesquisa científica, antes de fazê-lo empreende a busca de pessoas que haviam conhecido de perto o Mestre e acompanhado Sua vida, já que o médico grego não chegara a encontrar-se pessoalmente com Jesus.

      Pelo que narra, e por suas viagens ao lado de Paulo, passando por Éfeso, chegamos à conclusão de que uma das pessoas ouvidas foi Maria, a mãe de Jesus, que passou os últimos anos de sua vida nessa cidade, em companhia de João (o Evangelista).

      Lucas deseja começar "desde o princípio" ( Üíïèåí NOTA: Por falta de "fonte" no idioma grego, o Word não a transcreveu como consta no original que poderá ser consultado na Seção "Arquivos" deste Grupo, em PDF. Nota do Moderador do Grupo, Ruach Kadosch). Esse advérbio grego pode ter dois sentidos principais: "do alto" (donde o sentido de "desde o começo", isto é, "do ponto mais alto no tempo"), e também o sentido de "de novo". Ambos podem caber aqui: "depois de haver investigado tudo cuidadosamente de novo", ou seja, sem fiar-se ao que apenas lera nos muitos escritos anteriores.

      A obra é dedicada a Teófilo, palavra grega èåüöéëïò (vide Nota anterior) que significa "amigo de Deus". De modo geral, afirmam os comentadores tratar-se de uma personagem real e viva àquela época, por causa do título "excelentíssimo" que lhe é anteposto. E deduzem ser o "Teófilo" convertido por Pedro em Antióquia, e do qual fala a obra Recognitiones (Patrologia Grega, vol. 1, col. 1453) , dizendo-se "o mais elevado entre todos os poderosos da cidade".

      Entretanto, parece-nos dirigir-se Lucas aos cristãos que realmente fossem "amigos de Deus no mais sublime ou excelente sentido". Não confundamos o sentido atual do título "excelentíssimo", aplicado habitualmente às pessoas de condição social elevada, com o sentido etimológico da palavra, ainda usado por nós, quando dizemos: "esta pintura está excelente". A época de Lucas, não nos consta ser corrente o título honorífico; mas é indubitável que o sentido etimológico existia.

      Compreendamos, então: "ó amigo excelente de Deus".

      O mesmo tipo de prólogo lemos no início dos "Atos dos Apóstolos", obra também do mesmo autor Lucas,  e  que  serviria  de  continuação  natural  ao Evangelho  que  ele  escrevera.  Nos  Atos  lemos:  "em minha primeira narrativa, ó Teófilo, contei"...

      Se pois, os cristãos, a quem se dirigia Lucas, eram "excelentes", no mais elevado grau (excelentíSSIMOS), o evangelista tinha a intenção de dedicar-lhes uma obra com revelações profundas, alegóricas e simbólicas,  que  pudessem  trazer  algo  mais  didático  quanto  à  espiritualização;  e  não  apenas  o  relato "histórico e cronológico".

      Queixam-se os comentadores profanos de que não há datas nos Evangelhos, e que portanto os fatos não podem ser situados "cronologicamente na História". Mas eles não escreveram para a personalidade transitória: trouxeram ensinos para a individualidade eterna, transitoriamente de passagem pela Terra ("enquanto estou nesta TENDA DE VIAGEM", 2ª Pe. 1:13). E por isso, o essencial era o sentido profundo, que se escondia nas entrelinhas, e que hoje precisa ser lido mais com o coração do que com o intelecto.


      RESUMO DA TEORIA DA ORIGEM E DO DESTINO DO ESPÍRITO


      Os cristãos, pelo menos os que eram "excelentíssimos amigos de Deus", deviam ter conhecimento do sentido profundo (digamos "oculto") que havia nos ensinos e nas palavras de Jesus, assim como nos de toda a Antiga Escritura (da qual dizia Paulo que, àquela época, "ainda não fora levantado o véu", 2 Cor. 3:14) com referência à origem e destino da criatura humana.

      Cada ensinamento e cada fato constituem, por si mesmos, uma alusão, clara ou velada, à orientação que Jesus deu à Humanidade, para que pudesse jornadear com segurança pela Terra.

      Afastados de Deus, da Fonte de Luz (não por distância física, mas por freqüência vibratória muito mais baixa), o Espírito tinha a finalidade de tornar a elevar sua freqüência, para novamente aproximar-se do Grande Foco de Luz Incriada.

      Note-se bem que, estando Deus em toda parte e em tudo (Ef. 4:6} e em todos (1 Cor. 15:28), ninguém e nada pode jamais "separar-se" de Deus, donde tudo provém e n'O Qual se encontram todas as coisas, já que Deus é a substância última, a essência REAL de tudo e de todos. Tudo o que "existe", EST EX, ou seja, está de fora, exteriorizado, mas não "fora" de Deus, e sim DENTRO DELE.

      Assim, a centelha divina, o "Raio de Luz", afastando-se do Foco - não por distanciamento físico, mas - por abaixamento de suas vibrações, chegou ao ponto ínfimo de vibrações por segundo, caindo no frio da matéria (de 1 a 16 vibrações por segundo). Daí terá novamente que elevar sua freqüência vibratória até o ponto de energia e, continuando sua elevação, até o espírito, e mais além ainda, onde nosso intelecto não alcança.

      A criatura humana, pois, no estágio atual - a quem Jesus trouxe Seus ensinamentos - é uma Centelha-Divina, porque provém de Deus (At. 17:28, "Dele também somos geração"). Mas está lançada numa peregrinação pela Terra, numa jornada árdua para o Infinito. Na criatura, então, a essência fundamental é  a  Centelha-Divina,  a  Mônada:  isso  constitui nosso EU PROFUNDO ou EU SUPREMO, também denominado CRISTO INTERNO, que é a manifestação da Divindade.

      Entretanto, um raio-de-sol, por mais que se afaste de sua fonte, nunca pode ser dela separado, nunca pode "destacar-se" dela (quem jamais conseguiu "isolar" um raio-de-sol de sua fonte? qualquer tentativa de interceptá-lo, fá-lo retirar-se para trás, e só permanecemos com a sombra e as trevas).

      Assim o ser humano, o EU profundo, jamais poderá ser "destacado" nem "separado" de sua Fonte, que é Deus; poderá afastar-se aparentemente, por esfriamento, devido à baixa freqüência vibratória que assumiu.

      Ora, acontece que esse Raio-de-Sol (a Centelha-Divina) se torna o que chamamos um "Espírito", ao assumir uma individualidade. Esse espírito apresenta tríplice manifestação ("à imagem e semelhança dos elohim", Gên. 1:26):


      1 - a Centelha-Divina --- o EU, o AMOR;
      2 - a Mente Criadora --- o Verbo, o AMANTE
      3 - o Espírito Individualizado --- o Filho, o AMADO, que é sua manifestação no
tempo e no espaço.


      Encontramos,  pois,  o  ser  humano  constituído,  fundamental  e  profundamente,  pela  Centelha-Divina, que é o EU profundo (o "atma" dos hindus); a mente criadora e inspiradora, que reside no coração (há 86 passagens no Evangelho que o afirmam categoricamente), e a individualização, que constitui o Espírito, iluminado pela Centelha (hindu: "búdico"), com sua expressão "causal", porque é a causa de toda evolução.

      Essa trípice manifestação da Mônada é chamada a INDIVIDUALIDADE ou o TRIÂNGULO SUPERIOR do ser humano atual.

      Entretanto, ao baixar mais suas vibrações, esse conjunto desce à matéria ("torna-se carne", Jo. 1: 14), manifestando-se no tempo e no espaço, e constituindo a PERSONALIDADE ou o QUATERNARIO INFERIOR, para onde passa sua consciência, enquanto se encontra "crucificada" no corpo físico.

      É chamado "quaternário" porque se subdivide em quatro partes:


      1 - o Intelecto (também denominado mente concreta, porque age no cérebro físico e através dele);

      2 - o astral, plano em que vibram os sentimentos e emoções;

      3 - o duplo etérico, em que vibram as sensações e instintos;

      4 - o corpo físico ou denso, que é a materialização de nossos pensamentos, isto é, dos pensamentos e desejos do Espírito, acumulando em si e exteriorizando  na  Terra,  todos  os  efeitos  produzidos  pelas  ações  passadas  do  próprio Espirito.
Entre a Individualidade e a Personalidade, existe uma PONTE de ligação, através da qual a consciência "pequena" da Personalidade (única ativa e consciente no estágio atual das grandes massas humanas), pode comunicar-se com a consciência "superior" da Individualidade (que os cientistas começam a entrever e denominam, ora "superconsciente", ora "inconsciente profundo") . Essa ponte de ligação é chamada INTUIÇÃO.

      Temos, então, no processo mental, três aspectos:

      1 - o Pensamento criador, produzido pela Mente Inspiradora;
      2 - o Raciocínio, produzido pelo cérebro físico, e que é puramente discursivo;
      3 - a ligação entre os dois, que se realiza pela Intuição.

      Podemos portanto definir a INTUIÇÃO como "o contato que se estabelece entre a mente espiritual (individualidade) e o intelecto (personalidade)".

      Em outras palavras: "é o afloramento do superconsciente no consciente atual".

      Todas essas explicações são indispensáveis para a compreensão dos símbolos e alegorias que se encontram nos fatos evangélicos, nos ensinamentos de Jesus, assim como no de todos os demais mestres da Humanidade.

      Como toda Escritura "divinamente revelada", isto  é,  trazida  à  Humanidade  para  ajudá-la  a  encaminhar-se na senda evolutiva, o Evangelho apresenta DOIS sentidos principais:

      1 - um sentido para a personalidade (sentido literal, único que pode ser percebido por aqueles que só trabalham com raciocínio, e não realizaram ainda, por meio da intuição, sua ligação com a consciência profunda);

      2 - um sentido para a individualidade (que é o alegórico, o simbólico, e o místico ou espiritual).

      Ambos são REAIS e produzem seus efeitos, cada qual em sua escala própria na fase evolutiva em que se encontra o leitor.

      Quando aprendemos a descobrir, num FATO, o sentido simbólico, ou quando vemos que uma PERSONAGEM representa um simbolismo, isto NÃO significa que o fato não se tenha realizado, nem que a personagem não tenha tido existência REAL. Não. Há que atentar continuamente para isto: os FATOS REALIZARAM-SE; as PERSONALIDADES EXISTIRAM.

      Desses  fatos,  porém,  e  dessas  personagens  (que  AMBOS  tiveram  existência  REAL),  deduzimos  e compreendemos um sentido profundo alegórico, simbólico ou místico, um ensinamento oculto, que só pode aparecer a quem tenha "olhos de ver, ouvidos de ouvir e coração de entender" (cfr. Mr. 8:17-18, "não compreendes  ainda  nem  entendeis?  tendes  vosso  coração  endurecido?  tendo  olhos  não  vedes, tendo ouvidos não ouvis?" e também Deut. 29:4, "Mas YHWH não vos deu até hoje coração para entender, nem olhos para ver, nem ouvidos para ouvir") .

      Uma coisa, porém, é essencial: NÃO PERDE O EQUILÍBRIO. Nada de exageros, nem para um lado (vendo só a parte e o sentido literal), nem para o outro (interpretando o Evangelho apenas como simbolismo e negando o sentido literal). Os dois TÊM que ser levados em conta. AMBOS são REAIS e instrutivos.

      Assim,  verificamos  que  todas  as  personagens  citadas  são  reais,  físicas,  existentes  na  matéria,  mas constituem,  além  disso,  TAMBÉM,  um  símbolo  para  esclarecer  a  caminhada  evolutiva  do  Espírito através  de  suas  numerosas  vidas  sucessivas,  iniciadas  no  infinito  da  eternidade  e  que  terminarão  na eternidade do infinito, embora, no momento presente, estejam jornadeando através do tempo finito e do espaço limitado.

      A fim de dar um pequeno e rápido exemplo, num relancear d'olhos, daremos em esquema os símbolos mais acentuados das personagens evangélicas. A pouco e pouco chamaremos a atenção de nossos leitores sobre outras personalidades e fatos que forem ocorrendo.

NOTA: No livro original, que estamos transcrevendo nesta série de e-mails ao Grupo Sabedoria-do-Evangelho, o que vem a seguir é um gráfico explicativo de vários símbolos, nomes e personagens da Bíblia e seus significados "ocultos" ou "transcendentes". Infelizmente o Word não transcreveu conforme o original que temos em PDF na Seção "ARQUIVOS" deste Grupo e que pode ser consultado para melhor compreensão de quem se interessar. Nota de Ruach Kadosch, moderador do Grupo.

TRÍADE SUPERIOR ou INDIVIDUALIDADE  eterna,  que  reencarna muitas vezes até total libertação de  todos  os  desejos,  conquistada através das experiências de prazer e dor.

1- Centelha-Divina,  Atma,  Mônada, EU profundo - CRISTO INTERNO. Envolve-se e desenvolve, sem já mais errar nem sofrer, porque é perfeita e onisciente, como emanação da Divindade.


2- Mente-espiritual  (Manas). Vibra  no plano  mental,  criando  idéias  e  formas  e  individualizando  o  Espírito, lançando-o  à  personalidade  para fazê-lo evoluir. Criador  de  Idéias  e  inspirador,  que transmite  os  impulsos  e  chamados  do  EU  profundo,  forçando  a  evoluir. Mas, desligado da  personalidade  pela  supremacia  do  intelecto,  com  ele  só  se  comunica  por  lampejos, pela intuição.

3- Espírito  -  Vibra  no  plano  causal, registro  das  causas  e  experiências  e impulsionador dos efeitos. Involui  e  evolui,  errando  e  aprendendo, através  da  dor  e  das  experiências  adquiridas em sua imensa jornada evolutiva.
INTUIÇÃO - ponte de ligação entre a mente e o intelecto, ou seja, entre a individualidade e a personalidade.


QUATERNÁRIO INFERIOR ou PERSONALIDADE transitória  que  se  renova  a  cada  nova  encarnação,  assumindo  novo nome e tendo consciência (menor) apenas desse nome da existência  "em  ato",  que  permanece  durante  sua  vida  na  Terra  e continua  após  desencarnação,  até  o  renascimento  seguinte, quando outra personalidade e outro nome são adquiridos ("ao homem  foi  ordenado  que  morra uma  só  vez",  Heb.  9:27).  A personalidade, pois, é "O HOMEM".


1- Intelecto ou mente concreta. Manipula as idéias que se transformam em pensamentos  e  raciocínios  discursivos; necessita  desenvolver-se  a  cada  novo  nascimento,  porque o cérebro físico é novo; filtra  as  idéias  da mente  de  acordo  com  a capacidade do cérebro. Se nem isso consegue, limita-se a receber idéias alheias através  de  livros  e  mestres,  até  aprender  a  ligar-se à mente pela intuição.


2- Corpo astral. Sede dos sentimentos e emoções, desejos e ambições, prazeres e dores morais.


3- Duplo etérico sempre ligado à Sede  das  sensações  chamadas  "físicas" (dor,  calor,  prazer  etc.),  que  criam  os  impulsos,  os  quais,  tornando-se  habituais, formam os instintos.


4- Corpo físico ou denso. Condensação  do  corpo  astral  na  matéria densa,  onde  repercutem  todos  os  pensamentos, pois o corpo físico é apenas a materialização do pensamento do Espírito que ainda  busca  sensações  e  alimenta  desejos (de qualquer espécie).


Figuras que são ou simbolizam as diversas escalas evolutivas.


PAI NOSSO que estás nos céus (na individualidade).



A Centelha Divina e Mente-espiritual (os dois primeiros aspectos da Tríade-Superior) relacionam-se a CRISTO, o Filho Unigênito de Deus, manifestado em toda a Criação e ao seguinte trecho do Pai-Nosso: Santificado seja Teu Nome (Tua essência, existente  em todas as coisas criadas). Venha a nós o Teu reino (é o que  pede a  Mente, que  se afastou da Fonte, e que está ansiosa a voltar a ela a reunificar-se).


O Espírito, terceiro aspecto da Tríade Superior, relaciona-se a JESUS, o Espírito humano em  seu  estágio de maior  evolução (pelo menos relativamente à Terra), e ao seguinte trecho da prece Pai-Nosso: Seja feita a Tua vontade (do Pai através do Cristo), na Terra (na personalidade) assim como no céu (na Individualidade).


INTUIÇÃO - ponte de ligação entre a mente e o intelecto, ou seja, entre a individualidade e a personalidade (entre a Tríade-Superior e o Quaternário-Inferior) refere-se também a, na simbologia dos nomes e personagens da Bíblia:

1- MARIA DE NAZARÉ.

2- ISABEL, mãe de João Batista.

O Intelecto ou Mente Concreta (que manipula as idéias que se transformam em pensamentos  e  raciocínios  discursivos; necessita  desenvolver-se  a  cada  novo  nascimento,  porque o cérebro físico é novo; filtra  as  idéias  da mente  de  acordo  com  a capacidade do cérebro. Se nem isso consegue, limita-se a receber idéias alheias através  de  livros  e  mestres,  até  aprender  a  ligar-se à mente pela intuição), aspecto mais elevado do quaternário inferior ou personalidade humana e transitória encarnada refere-se, simbólicamente, aos seguintes personagens bíblicos:

1- JOSÉ DE NAZARÉ.

2- ZACARIAS, pai de João Batista.

E ao seguintes trecho do Pai-Nosso: O pão nosso sobressubstancial (não apenas o do corpo, nem
só o do  conhecimento  intelectual  livresco  e  externo, mas  o que  provém  do  Cristo  interno)  dá-nos  hoje  (agora,  não  no futuro remoto).

O Corpo Astral (sede dos sentimentos e emoções, desejos e ambições, prazeres e dores morais), segundo aspecto mais elevado do quaternário inferior ou personalidade humana e transitória encarnada refere-se, simbolicamente, aos seguintes personagens bíblicos:

1- MARIA MADALENA.

2- PEDRO O APÓSTOLO.

E refere-se ao seguinte trecho do Pai-Nosso: Perdoa nossas dívidas (cármicas) como perdoamos aos nossos devedores.


O Duplo Etérico (sempre ligado à Sede  das  sensações  chamadas  "físicas":dor,  calor,  prazer  etc.,  que  criam  os  impulsos,  os  quais,  tornando-se  habituais, formam os instintos) e o Corpo físico ou denso (condensação  do  corpo  astral  na  matéria densa,  onde  repercutem  todos  os  pensamentos, pois o corpo físico é apenas a materialização do pensamento do Espírito que ainda  busca  sensações  e  alimenta  desejos de qualquer espécie), terceiro e quarto aspectos do quaternário inferior ou personalidade humana e transitória encarnada, referem-se aos seguintes personagens bíblicos e trechos do Pai-Nosso:

1- HERODES - Não nos induzas em tentação (ou  seja, não nos submetas a provações e experiências fortes demais).

2- JUDAS ISCARIOTES -  Mas liberta-nos do Mal (isto é, liberta-nos da matéria que nos prende e asfixia).

Nota: Até aqui o Gráfico que nos referimos na Nota anterior.

O CRISTO


      CRISTO, a terceira manifestação de Deus, o Filho Unigênito do Pai (ou Verbo), está integralmente em todas as coisas criadas, embora nenhuma coisa criada seja O CRISTO senão quando souber anular-se totalmente, para deixar que o Cristo se manifeste nela.

      Há exemplos que poderão esclarecer esta verdade.

      Apanhe um espelho grande: ele refletirá o sol. Quebre esse espelho num milhão de pedacinhos: cada pedacinho de per si refletirá o sol. Já reparou nisso? Se o desenho estivesse NO espelho, e ele se partisse, cada pedacinho ficaria com uma parte minúscula de um só desenho grande. Mas com o sol não é isso que se dá: cada pedacinho do espelho refletirá o sol todinho.

      Ora. embora não possamos dizer que o pedaço de espelho SEJA o sol, teremos que confessar que ali ESTÁ o sol, todo inteiro, com seu calor e sua luz. E quanto mais puro, perfeito e sem jaça for o espelho, melhor refletirá o sol. E as manchas que o espelho tiver, tornando defeituosa e manchada a imagem do sol, deverão ser imputadas ao espelho, e não ao sol que continua perfeito. O reflexo dependerá da qualidade do espelho; assim a manifestação Crística nas criaturas dependerá de sua evolução e pureza, e em nada diminuirão a perfeição do Cristo.

      Outra comparação pode ser feita: um aparelho de televisão. A cena representada no estúdio é uma só, mas as imagens e o som poderão multiplicar-se aos milhares, sem que nada perca de si mesma a cena do estúdio. E no entanto, em cada aparelho receptor entrará a imagem TOTAL e INTEGRAL. Se algum defeito houver no aparelho receptor,  a  culpa  será  da  deficiência  do  aparelho,  e  não  da  imagem projetada. E podemos dizer que a cena ESTÁ toda no aparelho receptor, embora esse aparelho NÃO SEJA  a  cena.  Assim  o  Cristo  ESTÁ  em  todas  as  criaturas,  INTEGRALMENTE, não obstante cada criatura só manifestá-Lo conforme seu estágio evolutivo, isto é, com a imagem distorcida pelas deficiências DA CRIATURA que o manifesta, e NÃO do Cristo, cuja projeção é perfeita.

      O rádio é outro exemplo, e muito outros poderiam ser trazidos.

      Da mesma forma que, quanto melhor o espelho, a televisão ou o aparelho de rádio, tanto melhor poderão manifestar o sol, a imagem e o som, assim ocorre com a manifestação da força cristônica em cada criatura.

      Por isso é que JESUS, a criatura mais perfeita e pura (pelo menos em relação à Terra), pôde manifestar O CRISTO integralmente e sem Jaça. E por fazê-Lo, justamente, é que foi denominado Jesus, o CRISTO.

      E porque o Cristo é a manifestação integral de DEUS, foi com razão que a Humanidade o confundiu com o próprio Deus. Tanto mais que, em se tratando da encarnação de Jeová (YHWH), conforme predissera  Isaías  (60:2),  e  sendo  Jeová  considerado  como  Deus,  mais  do  que  justo  era  que  Jesus  fosse considerado Deus; não Deus O ABSOLUTO, o Pai, mas o FILHO DE DEUS, Sua manifestação entre os homens, "aquele que é" (YHWH = Jeová) , como Jesus mesmo se definiu: "antes que Abraão fosse feito, EU SOU" (Jo. 8:58). Ora, "EU SOU" é exatamente o sentido de YHWH (YAHWEH ou Jeová).

      Então o próprio Jesus confirmou que Ele era Jeová, a encarnação de Jeová.

      Na realidade, em relação a nós tão pequenos e imperfeitos, a manifestação divina em Jesus foi total, e bem pode Ele ser dito Deus (embora não em sentido absoluto); da mesma forma que podemos dizer que o reflexo do sol num espelho de cristal puríssimo seja O SOL; ou que a música reproduzida por ótimo aparelho de rádio ou de vitrola, seja A ORQUESTRA. Nesse sentido, Jesus é indubitavelmente Deus,  porque "n'Ele  reside  a  PLENITUDE  DA  DIVINDADE" (Col. 2:9). Entretanto, TODAS AS CRIATURAS também têm em si essa mesma plenitude ("da PLENITUDE DELE TODOS NÓS RECEBEMOS", Jo. 1:16), apesar de não n'A manifestarem por causa das próprias deficiências e defeitos.

      Foi  nesse  sentido  que  Jesus  pode  confirmar  o  Salmista  (Ps.  81:6)  e  dizer: "vós  SOIS  deuses" (Jo. 10:35), da mesma forma que podemos afirmar que cada pequenino reflexo do sol num espelho é o sol; embora em sentido relativo, já que o sol, em sentido absoluto, é UM só; e também DEUS, em sentido absoluto, é UM só, se bem que esteja manifestado integral e plenamente em TODOS (1 Cor. 15:28) e em TUDO (Ef. 4:6).

MANIFESTAÇÃO CRÍSTICA


      Aproveitando o assunto que ventilamos, procuremos dizer de modo sumário e sucinto, simplificando ao máximo  (para  poder  ser  compreendidos  por  todos), COMO essa Manifestação Divina ESTÁ em todas as coisas e COMO, através da evolução, as criaturas irão manifestando cada vez mais e melhor o CRISTO INTERNO.

      Comparemos o fato ainda ao sol (o ser que melhor representa, para nós da Terra, a Divindade - e que por isso foi apresentado antigamente como a maior manifestação divina). Um raio-de-sol, sempre ligado  à  sua  fonte,  afasta-se,  no  espaço  e  no  tempo,  de  seu  foco.  Após  caminhar  durante  oito  minutos, atravessando 150 milhões de quilômetros, chega a nós, sofrendo várias refrações ao entrar na atmosfera  terrestre.  Sua  luminosidade  é  diminuída  e  seu calor abrandado, por causa  desse  afastamento. No entanto o raio-de-sol, que perdeu luz e calor, não perdeu sua essência íntima.
Da mesma  forma,  a  Centelha-Divina,  sem  jamais  separar-se  nem  destacar-se  de  seu  Foco,  afasta-se dele,  não  espacial  nem  temporalmente,  mas VIBRACIONALMENTE,  isto  é,  baixando  suas vibrações, envolvendo-se em si mesma, concentrando-se, contraindo-se, e chega ao ponto mais baixo que conhecemos, solidificando-se na matéria. Proveniente da vibração mais alta que possamos imaginar, o raio luminoso que partiu da Fonte de Luz Incriada vai gradativamente baixando o número de suas vibrações e diminuindo a freqüência por segundo, de acordo com o princípio já comprovado pela ciência da física. No entanto, jamais chega a zero (ao nada), porque a energia jamais se destrói.

      Esse fato científico de que a energia não pode ser criada nem destruída, mas apenas "transformada", é perfeitamente certo. A mesma quantidade de energia que existia, neste globo, há milhões ou bilhões de anos, continua a mesma, sem crescer nem diminuir. Perfeito: porque essa energia é exatamente a manifestação divina; e sendo infinito Deus, nada pode ser-lhe acrescentado nem tirado: o infinito não pode sofrer aumento nem diminuição de qualquer espécie.

      Então, o FOCO-DE-LUZ-INCRIADA é Deus, que irradia por Sua própria natureza, assim como o sol.

      Sendo luz, TEM que iluminar; sendo calor, TEM que aquecer; sendo energia, TEM que irradiá-la, e tudo por NECESSIDADE INTRÍNSECA E INEVITÁVEL.

      Mas à medida que sua irradiação se afasta, vai baixando sua frequência vibratória, segundo o "efeito de Compton" que diz: "quando uma radiação de frequência elevada encontra um elétron livre, sua frequência diminui" (além de outras consequências, que não vêm ao caso no momento).

      Portanto, à proporção que se afasta do Foco (sem dele  destacar-se  jamais),  sua  frequência  espiritual baixa para ENERGIA, e daí desce mais para a MATÉRIA. (Consulte-se, a propósito, a "Grande Síntese" de Pietro Ubaldi). Entretanto, permanecerá sempre a vibrar, porque, no Universo, tudo o que existe é vibração e tem movimento. A frequência vibratória pode chegar ao mínimo, mas nunca atingirá o zero  (o  nada),  segundo  a  "teoria  dos  limites":  por  mais  que  aumente  o  divisor  ou  denominador (1/10n+1), mesmo aproximando-se do infinitamente pequeno, jamais chegará a zero.

      Ora, quando o Raio Espiritual, dotado de Mente Inteligente - o que é natural, por causa da Fonte de onde proveio que é a Inteligência Universal - parte de seu Foco, automaticamente esse Raio baixa suas vibrações e se torna INDIVIDUAL (ESPÍRITO).

      Esse  Espírito,  pelo  movimento  inicial  da  partida  (Lei  de  Inércia)  vai  descendo  suas  vibrações  até  o ponto máximo, sendo então a Centelha-Divina envolvida pela matéria, na qual o Espírito se transforma, ou melhor, da qual o Espírito se reveste. O Raio-de-Luz se concentra, contrai, condensa e cristaliza, solidificando-se.

      O processo é claro: o Raio-Divino tem EM SI, potencialmente, a matéria (já que o MAIS contém o MENOS) e a vibração mais elevada contém em si, potencialmente, a vibração mais baixa. Não havendo diferença outra, entre espírito e matéria, senão a da escala vibratória, se o espírito baixa demais suas vibrações,  ele  chega  à  materialização,  ou  seja,  congela-se,  na  expressão  de  Albert  Einstein. Mas o oposto é também verdadeiro: a matéria contém EM SI, potencialmente, o espírito: bastar-lhe-á fazer elevar-se sua frequência vibratória, para retornar a ser espírito puro.

      A essa descida vibratória do raio-de-luz, chamaram outrora os teólogos, por falta de melhor expressão, de QUEDA DOS ANJOS. E a prova de que tinham noção do que estavam dizendo, é que chamaram ao pólo oposto do espírito (a matéria) de "adversário" do espírito (ou seja, DIABO, que em grego significa "opositor" ou "adversário"); e mais ainda: o "guia e chefe" do adversário era chamado LUCIFER, palavra latina que significa "portador da luz". Observe-se bem: se a matéria era o opositor do espírito (porque em pólos opostos), e se o "chefe" personificado era "Lúcifer" (portador da luz) , isto demonstra que, pelo menos inconscientemente, se sabia que a MATÉRIA TINHA A LUZ EM SI, era "portadora da luz", isto é, do espírito-divino.

OBJEÇÕES



      Antes de prosseguir, vamos responder a algumas objeções:

      1ª- Se O Raio-de-Luz possui MENTE DIVINA (portanto consciente e onisciente e perfeita), como se torna capaz de erros?

      R- O Raio-de-Luz, a Centelha-Divina, jamais erra, nem sofre, nem involui: sua tarefa é envolver-se, concentrar-se,  contrair-se,  para  impulsionar  à  evolução  a  individualização  que  dele  mesmo  surgiu. Essa  individualização,  ou  Espírito, é um NOVO SER, que surge "simples  e  ignorante"  (resposta  n.º 115 de "O Livro dos Espíritos", de Allan Kardec). E o próprio espírito que responde, esclarece: "ignorante no sentido de não saber", de não ter colhido ainda experiências.

      Há, pois, uma diferença fundamental entre a Centelha-Divina e o Espírito.

      O Espírito é criado pela (por ocasião da) individualização da Centelha. Como se dá isso?

      A Centelha é a irradiação da Divindade, do Princípio Inteligente Universal e Incriado; é Sua manifestação,  com  a  Mente  própria  de  origem  divina.  Mas  o  Espírito  é  a  individualização que nasce dessa Centelha, e por isso é "obra de Deus, filho de Deus" (resposta nº 77, idem ibidem).

      O Espírito, portanto, pelo menos logicamente tem um princípio, embora a Centelha, por ser emanação direta de Deus, seja ETERNA quanto o próprio Deus.

      Mas, como a irradiação é uma NECESSIDADE INTRÍNSECA da Divindade, assim também a individualização da Centelha é uma NECESSIDADE INTRÍNSECA dessa mesma Centelha. Toda Centelha que parte do Foco Divino inexoravelmente se individualiza. Donde pode afirmar-se que o Espírito não tem princípio, porque é o resultado necessário e inevitável da própria essência da Divindade. Allan Kardec recebeu na resposta 78 quase que essas mesmas palavras: "podemos dizer que não temos principio, significando que, sendo eterno, Deus há de ter criado sempre, ininterruptamente." E na resposta 79, vem a definição clara e insofismável de tudo o que asseveramos acima, confirmando a nossa tese: "os Espíritos são a individualização do Princípio Inteligente";  é  esse  "Princípio  Inteligente"  que chamamos DEUS, que se manifesta necessária e inevitavelmente pelas Centelhas-Divinas que d'Ele se irradiam, pelos Raios-de-Luz que d'Ele partem.

      Então a Centelha-Divina (que tem a mesma essência do Princípio Inteligente) jamais erra nem sofre nem involui, porque, tal como sua Fonte-Incriada (DEUS) é inatingível a qualquer força finita, temporal ou espacial, e isto por sua própria natureza, que é divina. E como tudo o que é de essência divina é REAL, sua individualização é REAL e constitui UM ESPÍRITO REAL. Mas esse Espírito, como individualidade, ainda é "simples e ignorante". Então a Centelha-Divina, que o anima, impulsiona-o a descer até a matéria, e permanece dentro dele através de todos os passos de seu aprendizado experimental, ou seja, de sua evolução, a fim de que, individualizado como está, conquiste conhecimento e sabedoria, através das experiências por ele mesmo vividas, e finalmente atinja POR SI, o estado de perfeição em  que  foi  criado,  mas  já  então  PERFEITO  E  SÁBIO. A  Centelha-Divina  jamais  o  abandona.  DE DENTRO DELE impulsiona-o a evoluir, dirigindo-lhe, todos os movimentos e aspirações, mas sem forçá-lo nem coagi-lo: é uma força natural e constante que o atrai a si, à sua própria perfeição intrínseca e divina.

      Resumindo: por que é da natureza da Centelha a individualização de um Espírito? Porque NÃO PODE DEIXAIR DE FAZÊ-LO. Sendo a Centelha um Raio-de-Luz que parte do Foco-Incriado, que é Deus, o Princípio Inteligente, e portanto, possuindo ela  também  a  ESSÊNCIA  DIVINA,  ela  tem,  EM  SI MESMA, como NECESSIDADE INTRÍNSECA E INEXORÁVEL, a objetividade concreta, a realidade objetiva. Em conseqüência, essa Centelha é UM EU, um ser objetivo e real, e NÃO PODE deixar de produzir um SER OBJETIVO.  E  como  o  Princípio  Inteligente  ou  Foco-de-Luz-Incriado  irradia "sempre  e  ininterruptamente",  assim  "Deus  há  de ter  criado  sempre  e  ininterruptamente" e  continua criando até hoje: "meu Pai até agora trabalha (produz com seu trabalho = Ýñãáòå.áé Nota: Por falta de "fonte" no idioma grego, o Word não a transcreveu como consta no original que poderá ser consultado na Seção "Arquivos" deste Grupo, em PDF. Nota do Moderador do Grupo, Ruach Kadosch), como ensinou Jesus em Jo. 5:17.

      A Centelha, então, É NOSSO VERDADEIRO "EU", que apenas se envolve e desenvolve, se contrai e descontrai, impelindo nosso Espírito à evolução. O Espírito, aprisionado na matéria (involuído) é que terá que evoluir, pelo impulso da Centelha (nosso EU) que está INCLUÍDO em nosso Espírito.

      Firmemos ainda o fato de que a Centelha possui MENTE SÁBIA E PERFEITA, mas o Espírito recebe o influxo desse atributo como uma potencialidade, e ele deverá desenvolver-se (evoluir) aprendendo à custa própria, até chegar à sintonia total, à união absoluta com o CRISTO INTERNO (que é a Centelha-Divina, nosso verdadeiro EU). Só nesse ponto pode a MENTE de nosso EU agir livremente através do nosso Espírito. Recordemos as palavras do CRISTO (o EU profundo) de Jesus: "Eu e o PAI somos UM" (Jo. 10:30); e referindo-se a seus discípulos, acrescenta: "para que como Tu, Pai, és em mim (Cristo), e eu em TI, também sejam eles em nós" (Jo. 17:21); e ainda: "para que sejam UM, assim como nós SOMOS UM, eu (Cristo) neles (Espíritos) e Tu (Pai) em mim (Cristo)" (Jo. 17:22-23).

      A sabedoria da Centelha, do Cristo-Interno, ou seja, de nosso EU, é total e plena, mas só pode ser recebida por nosso Espírito gradativamente, aos poucos, de acordo com a capacidade que nosso espírito for conquistando através de seu esforço próprio. Assim, à proporção que o Espírito evolui, a Mente de nosso EU poderá expressar-se com maior amplitude.

      Recordemos, ainda, que o Espírito, à medida que se vai aperfeiçoando, vai "construindo para si" veículos materiais cada vez mais aperfeiçoados. Começou na escala mais baixa da matéria - o MINERAL - e Jesus ensinou: "meu Pai pode suscitar destas pedras filhos de Abraão" (Mat. 3:9 e Luc. 3:8), coisa que já fora explicada no Gênesis (2:7) quando está dito que a origem do homem é o pó da terra, isto é, o MINERAL. Mas o EU irá forçando o aperfeiçoamento dos veículos, fazendo aparecerem qualidades maiores,  com  o  desenvolvimento do DUPLO ETÉRICO, passando a manifestar-se  no  reino-vegetal; depois desenvolverá o CORPO ASTRAL, e penetrará o reino-animal. Em outras palavras poderíamos dizer: o mineral desenvolve a sensação física, quando então atinge o reino-vegetal (e hoje está cientificamente comprovado que os vegetais "sentem"); e o faz enviando seus átomos, em serviço, para ajudar a formar o corpo dos vegetais, animais e homens, em contato com os quais os átomos minerais adquirem experiência. Continuando a evolução, desenvolver-se-á a sensibilidade, como a têm os animais.

      Até aí, a Mente da Centelha (do EU profundo) age sem embaraços, e por isso vemos que a LEI funciona sem distorções nesses reinos, e o vegetal e o animal não "erram" nem são responsabilizados.

      Quando  entretanto  surge  a  racionalização  do  intelecto,  que  começou  a  desenvolver-se  no  reino-animal, o Espírito passa a servir-se dos veículos do reino-hominal, com cérebro muito mais evoluído.

      Começa a verificar-se a "independização" do Espírito, que se desliga do Mental (do EU profundo) para poder  aprender  a  discernir,  a  decidir-se  e  a  escolher  POR  SI  a  estrada  que  deverá  percorrer  em  seu progresso lento mas infalível. A Mente (o EU profundo) limita-se a dirigir os veículos inferiores (as células, os órgãos, o metabolismo etc.) e deixa ao Espírito a tarefa de dirigir-se externamente, por meio do raciocínio, a fim de adquirir experiência própria, com sua responsabilidade pessoal. Aí sentem-se melhor as dualidades da Individualidade e da Personalidade.

      O Espírito, nesse ponto, julga que é o verdadeiro eu, e CRESCE, abafando a voz do EU REAL, que só quer agir por lampejos, através da voz silenciosa das intuições, para deixar ao Espírito inteira liberdade e total responsabilidade.

      Nesse ponto é que o Espírito, "expulso do paraíso" (Gên. 3:24), penetra o mundo da responsabilidade, "comendo com o suor de seu rosto" (Gên. 3:19) e "conhecendo o bem e o mal" (Gên. 13:22). O intelecto, "mente concreta" da personalidade, e que já evoluiu após tantos milênios de milênios de jornadas pela Terra nos planos inferiores, assume a liderança, para DECIDIR POR SI, tendo pois a responsabilidade total de todos os seus atos, suas palavras e seus pensamentos.


      2ª- Sendo onisciente a Força Cósmica ou Princípio Inteligente, por que lança seus raios divinos
para que atravessem, com o Espirito, uma evolução longa e trabalhosa, de afastamento e reaproximação? Não lhe seria mais fácil dar, de imediato, o conhecimento e a sabedoria a todos os Espíritos que surgem de seus Raios divinos, sem fazê-los percorrer tão árdua jornada?


      R- A radiação da Luz é LEI. Ninguém poderá conceber um Foco de Luz que não irradie luz. A
individualização desse raio num Espírito é NECESSIDADE inexorável. A realidade objetiva é inevitável, por ser divina a essência.

      Comecemos, então, por não imaginar Deus como UMA PESSOA semelhante a um homem (embora em proporções infinitas), que faça caprichosamente isto ou aquilo e que tenha preferências e predileções pessoais. NÃO! Deus é A FÔRÇA CÓSMICA, é a INTELIGÊNCIA (ou o Princípio Inteligente) UNIVERSAL, é a MENTE RACIONAL INFINITA E INCRIADA. Mas também é tão NATURAL quanto a Natureza toda, que é a manifestação Dele. Deus é A LEI, igual em todos os tempos e lugares, e igual mesmo fora do tempo e do espaço, e vibra em todos os planos: espiritual, moral, mental e físico.

      Consideremos ainda que Deus é A LIBERDADE, embora Deus NÃO SEJA LIVRE. Um homem pode escolher entre O bem e o mal. Deus não pode fazê-lo: por sua própria natureza essencial, SÓ PODE FAZER O BEM E O CERTO. A Onipotência divina só existe na direção do BEM e do AMOR, porque a Força Cósmica é IMPLACAVELMENTE BOA E AMOROSA.

      Ora, a LEI estabeleceu que tudo o que surgisse de si passasse pelos mesmos passos de aprendizado, SEM PRIVILÉGIOS. E é isso O que ocorre.

      Ninguém pode saciar sua fome se outra pessoa comer por ele. Ninguém aprenderá uma língua, se outra pessoa estudar por ele. Donde deduzimos que todo aprendizado tem que ser PESSOAL. Qualquer experiência é, pois, um aprendizado INTRANSFERÍVEL.
Desta maneira, o Espírito que se individualiza é "simples e ignorante", isto é, AINDA nada sabe. E terá que aprender. Como o fará? Através das experiências vividas por ele mesmo. Eis a razão da necessidade dessa evolução árdua, trabalhosa e de duração infinita.

      Mas então, argumenta-se, POR QUE esse Espírito, que NASCE DA Centelha-Divina perfeita e onisciente, não é desde logo perfeito e onisciente? Um filho é sempre da mesma natureza, família, gênero e espécie que seu pai e sua mãe...

      Não  há  dúvida  que  sim. Como não  há  dúvida  de  que  o  Espírito é da MESMA NATUREZA E ESSÊNCIA do Raio-de-Luz. No entanto, pela lei que vige nos planos que conhecemos, nós deduzimos as Leis dos Planos desconhecidos. Assim como  o  que  nasce  da  planta  é  uma  SEMENTE  que  terá  que desenvolver-se e não uma árvore já grande; assim como de um animal adulto nasce um filhote minúsculo, que terá que crescer; assim como do homem nasce uma criancinha pequenina, que terá que desenvolver-se e aprender (e não outra criatura adulta), assim também (a LEI é a mesma em todos os planos), compreende-se que foi estabelecido que o Espírito fosse criado "simples e ignorante" para então, por si mesmo, desenvolver-se.

      Agora se nos perguntarem "POR QUE Deus fez assim e não diferente"? - responderemos: NAO SABEMOS. Mas quem somos nós para tomar satisfações de Deus (Rom.  9:21)? Se assim  é,  é  porque assim  é  o  MELHOR.  Quando  evoluirmos  mais,  compreenderemos.  Tenhamos  paciência.  No  curso primário, não podemos pretender o conhecimento de demonstrações abstrusas próprias do curso universitário. Aceitemos o que a professora nos diz: tensão se escreve com S, e atenção com Ç. O aluno pode perguntar: "por quê?" Ela responderá: "porque vem do latim", e nada mais. No ginásio, o aluno aprenderá que a primeira palavra provém de tenSionem, com S, e a segunda de attenTionem, com T, que passa ao português para C ou Ç. Mas só quando o aluno chegar à Faculdade, é que poderá descobrir O PORQUÊ de uma ser assim e outra diferente no próprio latim, quando estudar a etimologia da língua latina e penetrar os segredos do etrusco e do sânscrito. Até lá, terá que contentar-se com ACEITAR sem discutir, sabendo que deve haver para isso razões que ele desconhece AINDA, mas que um dia conhecerá. Assim nós. Se não podemos penetrar todos os SEGREDOS, aceitemos, por enquanto. Mais tarde, se evoluirmos bastante, nós o compreenderemos.

A CURVA INVOLUÇÃO-EVOLUÇÃO


      Podemos  tentar  apresentar  graficamente  esse  imenso  ciclo  de  involução-evolução.  Representaremos a parte espiritual (tríade superior), ou seja, a Centelha-Divina, a Mente e o Espírito, por um triângulo.

      Representaremos o quaternário inferior por um quadrado, sendo: o traço horizontal inferior, a matéria densa;  o  traço  vertical  à  esquerda  de  quem  olha,  o  duplo  etérico;  o  traço  vertical  à  direita de  quem olha, o corpo astral. E o traço horizontal por cima dessas linhas verticais, o intelecto. Temos aí a personalidade completa.

      Vejamos,  então,  o  triângulo,  que  tem,  incluso  em  si,  potencialmente,  o  quadrado,  isto  é,  uma  futura personalidade. O quadrado está representado em preto, porque o espírito ainda se encontra nas "trevas" da Ignorância (do não-saber):


NOTA: No livro original, que estamos transcrevendo nesta série de e-mails ao Grupo Sabedoria-do-Evangelho, o que vem a seguir é um gráfico explicativo composto de um triângulo grande representando a parte espiritual ou "Tríade Superior", ou seja, a Centelha-Divina, a Mente e o Espírito trazendo dentro de si, em seu centro, um pequenino quadrado negro representando o quaternário inferior, sendo: o traço horizontal inferior, a matéria densa;  o  traço  vertical  à  esquerda  de  quem  olha,  o  duplo  etérico;  o  traço  vertical  à  direita  de  quem olha, o corpo astral. E o traço horizontal por cima dessas linhas verticais, o intelecto. Temos aí a personalidade completa.O quadrado está representado em preto, porque o espírito ainda se encontra nas "trevas" da Ignorância (do não-saber).  Infelizmente, o Word não transcreveu conforme o original que temos em PDF na Seção "ARQUIVOS" deste Grupo e que pode ser consultado para melhor compreensão de quem se interessar. Nota de Ruach Kadosch, moderador do Grupo.


      Numa projeção linear, esse triângulo torna-se achatado, formando uma linha horizontal: dentro dela, porém, está contida, "incluída" ou "envolvida", a Centelha-Divina, o EU profundo, acompanhado de Sua mente e do Espírito recém-individualizado. Essa linha, portanto, que contém a Centelha-Divina, é Lúcifer, é "portadora da Luz"; é o pólo oposto do Espírito, é o adversário (ou diabo) que teremos que vencer pela evolução, e que tantas vezes foi "personificado" nos Evangelhos. A Centelha-Divina, o EU profundo, comandará toda a evolução do Espírito, através desse e de todos os demais veículos materiais que forem sendo paulatinamente formados por ele, para poder expressar-se cada vez melhor.

Representemos assim essa projeção:
NOTA: No livro original, o que vem a seguir é um gráfico explicativo composto de uma linha horizontal de meio centímetro de espessura, em preto, trazendo dentro de si, em seu centro, um minúsculo triângulo branco. Maiores detalhes poderão ser vistos no texto original, na Seção "ARQUIVOS" deste Grupo. Nota de Ruach Kadosch, moderador do Grupo.


      Por aí compreendemos que, tendo baixado suas vibrações até o átomo material, daí se iniciará a subida, através do reino-mineral, do reino-vegetal, do reino-animal, do reino-hominal, até voltar ao reino-divino ou, como dizia Jesus, ao "Reino-de-Deus", embora passando, acima do homem, por outros reinos,  que  desconhecemos  em  virtude  de  nossa  pequenez  e  atraso  (como  reino-angélico,  reino-arcangélico, reino-seráfico etc.).

      Verifica-se, assim, a realidade palpável do ensino de Jesus, quando dizia: "O REINO DE DEUS ESTÁ DENTRO DE VÓS" (Luc. 17:21).

      Essa  Verdade  pode  ser  dita  a  qualquer  das  fases  evolutivas,  porque dentro de TODAS e de CADA UMA DELAS, está, REAL e ESSENCIALMENTE, o Reino-de-Deus,  potencialmente  contido. Firmemos mais  uma  vez:  Reino-de-Deus  tem o mesmo  sentido  de  nossas  expressões:  reino-vegetal  ou reino-animal. E por isso pôde Jesus afirmar (Jo.10:34) , sublinhando o Salmista (Ps. 81:6) : "Vós SOIS deuses".

      Da mesma maneira, dirigindo-nos a uma semente, poderíamos dizer: "a árvore ESTÁ dentro de ti". E falando a um vegetal, poderíamos repetir: "o REINO-ANIMAL ESTÁ dentro de ti".

      Comprovamos, assim, que Reino-de-Deus (ou reino-dos-céus, isto é, reino-da-individualidade), não é um paraíso EXTERNO, onde ficaríamos a gozar de algo EXTERIOR a nós; mas, ao contrário, reino-de-Deus é UMA EVOLUÇAO NOSSA, à qual DEVEMOS CHEGAR, por força natural de nosso progresso interno.

      E quando para lá não formos espontaneamente, iremos obrigados pela dor e pelo sofrimento, que nos impelem para a frente e para o alto, qual aguilhão que açoda bois vagarosos. Todavia, a dor não é indispensável: dentro de cada ser está o impulso para a evolução, dado pela Centelha-Divina ou EU profundo, e o Espírito poderá escolher caminhos de perfeição espontaneamente, sem precisar ser aguilhoado.  Com  efeito,  todos  os  seres  querem  "progredir". Mas  enquanto  não  compreendem  o  verdadeiro sentido  da  evolução  CERTA,  buscam  o  progresso em  atalhos  enganosos  (riquezas,  prazeres,  poder, gozos etc.) e por isso vem a dor para corrigir o Espírito, até que ele, mais amadurecido e experiente, aprenda POR SI quão falsas são essas estradas largas, que só levam ao desgosto, ao tédio e à dor. Volta-se, então, de modo geral, para a busca ansiosa de outros progressos (nobreza, posição, cultura, intelectualismo, religião), até descobrir que NÃO É nenhum desses caminhos externos, por mais nobre e elevado que seja, que constitui o Reino-de-Deus: este só pode ser encontrado, como disse Jesus, DENTRO DE SI MESMO.

      No gráfico representativo desta teoria, procuraremos esclarecer o pensamento.

      Partindo do ponto em que a Centelha-Divina, o Eu profundo, está no SEIO de Deus, apenas iniciado o afastamento vibratório do FOCO INCRIADO, com a matéria potencialmente contida dentro de si, vemos  que  daí  a  Centelha  parte,  natural  e  necessariamente  (inexoravelmente),  por  efeito  da  irradiação inevitável do Foco de Luz, e por força da Lei de Inércia, dirigindo-se ao pólo oposto, e congelando-se na matéria.

      Daí então, a Centelha ou EU profundo, faz que a matéria vá desenvolvendo através dos  milênios,  o duplo-etérico, o corpo-astral, e o intelecto, até constituir a personalidade completa e desenvolvida. Já pode, então, a Mente Divina do EU profundo, por meio da INTUIÇAO, agir sobre o intelecto, até que obtenha o predomínio da MENTE DIVINA (isto é, da individualidade). Continua, então, a caminhada: a individualidade ABSORVERÁ a PERSONALIDADE em si, e o Espírito voltará ao estado primitivo, mas JÁ COM EXPERIÊNCIA E SABEDORIA,  conquistadas  por  si mesmo  através  da  longa  linha evolutiva.  Por  isso  o  quadrado  interno  (que  representa  a  personalidade)  já  é  apresentado,  no  fim  do ciclo, não mais em preto ("trevas" da ignorância), mas branco, exprimindo a Luz da Sabedoria.

      Aí está a RAZÃO de toda nossa evolução, e o PORQUÊ de nossa, existência.

      Resumindo tudo: partindo a Centelha do Foco de Luz (por necessidade intrínseca), esta, também por necessidade intrínseca (ou seja, porque é de essência divina, sua existência é uma essência real e objetiva, um EU real), causa a individualização de um Espírito, de um SER com existência também real e objetiva, e participante da Essência Divina.

      Em outras palavras: ao afastar-se do Foco de Luz, que a irradia por necessidade intrínseca, a Centelha Divina  (EU  profundo)  causa  a  individualização  de  um  Espírito, também  por  necessidade  intrínseca.

      Isto é, sendo de ESSÊNCIA DIVINA, a existência do EU é uma essência real e objetiva, que SE REVESTE de um Espírito, individualizando-o e fazendo-o copartícipe de sua Mente. Mas, atuando por meio de um Espírito ainda "simples e ignorante" (não-sábio), o EU profundo PRECISA fazê-lo evoluir, para poder expressar-se por seu intermédio. Começa então a evolução a partir do átomo, para fazê-lo chegar ao ponto máximo, ao estado crístico ("até que TODOS cheguemos ... à medida da estatura da plenitude DE CRISTO", Ef. 4: 13). E a confirmação: "tudo se encadeia em a natureza desde o átomo primitivo até o arcanjo, que também começou por ser átomo" (resposta 540 de "O Livro dos Espíritos", de Allan Kardec).

      Ao chegar à "medida da estatura da plenitude de Cristo", o Espírito já evoluiu o bastante, para permitir ao  EU  profundo  ou  Cristo  Interno,  a  manifestação  plena  da  Divindade,  tal  como  ocorreu  a  JESUS ("Nele habita TODA A PLENITUDE DA DIVINDADE", Col.  2:9),  embora  "DA  PLENITUDE DELE TODOS NÓS recebamos" (Jo. 1:16).

      Entre o estado inicial ("simples e ignorante") do Espírito e seu estado final (perfeito e sábio), a distância é inimaginável. No estágio último, o Espírito já conquistou SABEDORIA e AMOR. Então a Centelha-Divina, o EU profundo, já POSSUI UM VEÍCULO pelo qual pode manifestar-se total e completamente: chegou ao fim de sua evolução (qual a podemos conceber em nossa pequenez e atraso), embora esse final jamais atinja o fim, porque, por mais que evolua, JAMAIS ALCANÇARÁ O INFINITO, que é sua meta. Quem conhece matemática, compare esta nossa afirmativa à assíntota da hipérbole, e verá que estamos com a razão. (Por aí entrevemos que a Ciência - e a matemática, que é a ciência-exata por excelência - é a PESQUISA DA DIVINDADE que está contida em todas as coisas. E por isso, a Ciência constitui a verdadeira e única RELIGIÃO, para levar a criatura - dentro do limite dos possíveis - ao conhecimento de Deus). Paulo, o grande Apóstolo, ao comentar o versículo 18 do Salmo 68, "subindo às alturas, levou cativo o cativeiro", escreve, resumindo todo esse processo: "que significa subiu, senão que também desceu às regiões (vibrações) mais baixas da Terra? aquele que desceu é o mesmo que subiu muito além de todos os céus, para encher todas as coisas" (Ef. 4:9-10). O Salmista revela-nos que o Espírito, ao subir, leva cativa a matéria, que fora o seu cativeiro, durante tantos milênios. Para uma idéia muito pálida, observe-se o gráfico, na página seguinte.



      NOTA: No livro original, que estamos transcrevendo nesta série de e-mails ao Grupo Sabedoria-do-Evangelho, o que vem a seguir é um gráfico explicativo descrevendo a "passagem" da Centelha-Divina pelos Reinos de Deus, ou seja, pelo reino-mineral, reino-vegetal, reino-animal, reino-hominal e "acima"... Inicia com o desenho de um triângulo, representando o Ternário Superior (Centelha-Divina, Mente e Espírito) contendo "dentro" de si, potencialmente, um pequenino quadrado em preto (expressando as "trevas" da matéria, do "não-Deus" ou "não-saber"), representando o Quaternário Inferior, do seguinte modo:

1- O traço horizontal inferior expressa a matéria densa;
2- O traço vertical à esquerda de quem olha, o duplo etérico;
3- O traço vertical à direita de quem olha, o corpo astral; e
4- O traço horizontal por cima dessas linhas verticais, o intelecto. Temos aí, representado, a personalidade completa.

      Continuando, quando esta Centelha-Divina (triângulo) que trás em si, potencialmente, a personalidade individualizada (quadrado em "preto" pelas "trevas" do não-saber) se afasta de seu Centro-Gerador, ela "baixa" suas vibrações, congela-se, e torna-se matéria densa, adentrando o "reino-mineral". O gráfico do texto original trás sete figuras representando a passagem da Centelha-Divina pelo reino-mineral. Na primeira temos uma linha vertical preta, de meio centímetro de espessura, trazendo em seu interior, em seu "centro" um minúsculo triângulo branco. Nas figuras seguintes vai-se formando, progressivamente, o traço vertical à esquerda (a formação do corpo chamado "Duplo Etérico"), que se completa na primeira figura do reino vegetal. Nas figuras seguintes do reino-vegetal vai-se formando, progressivamente, o traço vertical à direita de quem olha, representando a formação do corpo "astral" ou "espiritual", também em número de sete, que se completa na primeira figura do reino-animal. Nas figuras seguintes, também em número de sete, representando a passagem da Centelha-Divina ou Mônada pelo reino-animal, vai-se formando, progressivamente, o traço horizontal superior, por cima dos traços verticais, representando a formação do intelecto, que se completa na primeira figura do reino-hominal, quando o minúsculo triângulo branco (ternário superior) liberta-se do traço-negro inferior do quadrado (matéria sólida) e passa para o interior das quatro linhas do quaternário inferior (personalidade) onde vai, nas próximas figuras representativas deste reino-hominal, progressivamente aproximando-se da linha horizontal superior (intelecto) até transpassá-la colocando-se acima dela, formando uma figura de um triângulo sobre um quadrado. Nas próximas sete figuras, que representam a passagem da Centelha-Divina ou Mônada pelo reino-acima do reino-hominal, este triângulo vai, progressivamente, absorvendo para dentro de si, para o seu "interior" os traços do quaternário inferior (personalidade), a começar pelo traço horizontal superior (intelecto) e prosseguindo até que, na sétima figura deste reino-acima, temos o desenho de um triângulo grande (Ternário Superior, representando a Centelha-Divina, a Mente e o Espírito) contendo "dentro" de si um quadrado "branco" (quaternário inferior ou "personalidade individualizada" sábia e perfeita, o grau máximo de evolução para o "Espírito" surgido na individualização da Centelha-Divina que podemos idealizar).

      Infelizmente, o Word não transcreveu o gráfico  conforme o original (o que nos obrigou a fazer uma rápida descrição das figuras) que temos em PDF na Seção "ARQUIVOS" deste Grupo e que pode ser consultado para melhor compreensão de quem se interessar.

      Nota de Ruach Kadosch, moderador do Grupo Sabedoria do Evangelho.

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          msg 003/ - O Prólogo de Lucas (Lc. 1:1-14)  - Obra "Sabedoria do Evangelho", Vol. l págs. 16 a 29, de autoria do teólogo e ex-padre católico, Dr. Carlos Juliano Torres Pastorino.

      Obs.: Vc encontra a Obra completa deste autor, em Word (sem ilustrações) e em PDF (com belíssimas ilustrações gráficas), na seção "ARQUIVOS" deste Grupo. Para entrar nesta Seção é necessário usar sua ID (identificação) e Senha do Yahoo! Se vc ainda não possui, faça a sua. É fácil! Vale a pena baixá-los para o seu computador! Vá até este endereço: http://br.groups.yahoo.com/group/Sabedoria-do-Evangelho/  E boa pesquisa! E bom estudo!