Estudando o Espiritismo

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terça-feira, 12 de agosto de 2014

CAUSAS ANTERIORES DAS AFLIÇÕES - 1 e 2 por Leda

CAUSAS ANTERIORES DAS AFLIÇÕES - 1

Se muitos dos sofrimentos na Terra são conseqüências de infrações às leis de Deus, cometidas nesta existência, outros parecem imerecidos e injustificáveis, quando quem os sofre nada fez por merecê-los.

Nascer em ambientes miseráveis, material e espiritualmente falando. Nascer com deficiências físicas ou mentais. Nascer de pais que não os querem e os abandonam ou os maltratam. Ter doenças que causam sofrimentos e para as quais não se descobriram a cura. Morte de entes queridos, filhos, pais de família. Falta de oportunidade para trabalho que supra as necessidades da família. Alterações drásticas na renda familiar, por motivos alheios a ações dos seus membros . Acidentes sem culpa dos que os sofrem. Flagelos naturais, como enchentes, secas, etc. Antipatias inexplicáveis. Frustrações apesar do esforço em realizar os sonhos. Tantos outros sofrimentos, aparentemente, injustificáveis.

Se já compreendemos Deus com Seus atributos absolutos, como já vimos no estudo 36, não podemos culpá - Lo. Se pensarmos no axioma: " todo efeito tem uma causa ", não existindo aquele sem este, concluiremos que todos os sofrimentos citados têm também uma causa e se essa causa não pode vir de Deus, tem de vir do homem.

Aí entra a lei das vidas sucessivas, oferecendo oportunidades infinitas de evolução contínua ao Espírito imortal. Somente ela mostra a justiça de Deus na lei de causa e efeito ou de ação e reação, dando a todos os seus filhos oportunidades de errando e acertando, corrigindo e aprendendo, ir se completando, no desenvolvimentos do seu potencial espiritual.

As causas das aflições, das dores e dos sofrimentos que não estejam na existência atual estão nas anteriores, originadas por quem as sofre.

A justiça de Deus, que dá a cada um segundo as suas obras, através das suas leis sábias e perfeitas, oferece assim, a benção do aprendizado constante, na corrigenda e na reparação das faltas cometidas, não havendo pois, injustiça mas sim justiça perfeita.

Então, os sofrimentos do viver na Terra são conseqüências de faltas cometidas pelos homens, na existência atual ou em anteriores. Cada um, com seu livre arbítrio, sua vontade, sua perfectibilidade, sendo responsável pelo seu desenvolvimento espiritual, é, consequentemente, responsabilizado pelas suas ações, por tudo que faz, na medida do seu entendimento.

Por isso a Terra, morada de espíritos imperfeitos, em evolução para a perfeição possível , é considerada um mundo de expiações e de provas, onde ainda há necessidade de experiências dolorosas e desagradáveis, para que o homem aprenda a fazer aos outros somente o bem, amando-os como irmãos.

Enquanto rebelde, vai de ações e reações, sofrendo o que faz sofrer, colhendo do que planta, até compreender que de si depende libertar-se das aflições desta vida e que a justiça de Deus nunca falha.

Numa visão materialista, do nascer, crescer e morrer, a Terra é um mundo injusto na distribuição de dores, bens e felicidade a bons e maus. Mas se a olharmos, sob o ponto de vista da imortalidade do espírito e das vidas sucessivas, perceberemos que essa injustiça é apenas aparente, visto que cada um está, no momento, vivendo experiências necessárias ao seu aprendizado, colhendo o que plantou nas anteriores, e de cada um depende libertar-se dessas necessidades expiatórias, exercitando o bem.

Na Terra, permanecem presos os que se prendem aos seus valores, os que ainda não aprenderam valorizar o bens espirituais. Quem entende esses últimos, passa a usar seus recursos próprios e os que o viver na Terra propicia, para não infringir as leis divinas, respeitá-las e vivenciá- las como puder, mas, exigindo o máximo de si, para libertar-se da atração que os valores materiais exercem sobre os espíritos imperfeitos.

Assim, sofrer as conseqüências das faltas, além de ser prova de justiça é também um estímulo para evitá-las, porque evitando-se as causas elimina-se, concomitantemente, as conseqüências.

Errar é humano, mas persistir no erro é falta de inteligência e de sensibilidade.

Leda de Almeida Rezende Ebner
Agosto / 2004

CAUSAS ANTERIORES DAS AFLIÇÕES - 2
Como vimos, em geral, as causas das aflições deste mundo podem estar na vida atual e nas vidas anteriores, visto que todos os Espíritos estão sujeitos às leis divinas, não havendo ninguém que escape à justiça divina.

Através da vidas sucessivas, em mundos materiais, vai o Espírito, no seu desenvolvimento, fazendo escolhas que contrariam as leis divinas e, como tem qualificações para ser responsável pelas suas ações, sofre as sanções implícitas nessas leis, afim de corrigir as falhas e suas conseqüências, aprender com elas e continuar sua evolução.

As reencarnações na Terra, mundo de expiações e provas, têm pois, como finalidades sofrer as consequências das faltas cometidas, repará-las e aprender com elas, evitando-se as causas que lhes deram origem, e assim, continuar evoluindo com menos sofrimentos e mais segurança.

Existe pois, um planejamento de vida a cada reencarne. Enquanto Espírito ainda embrutecido, a reencarnação lhe é imposta, e Espíritos mais adiantados, escolhem o gênero de experiências mais adequadas ao seu crescimento espiritual.

A partir porém, de um certo grau de entendimento, os que se arrependem e desejam corrigir suas faltas, aproveitar melhor uma nova reencarnação, amparados e aconselhados por Espíritos especializados e amigos seus, escolhem e aceitam o gênero de experiências pelas quais devem passar, a fim de expiar suas faltas, ressarci-las, para poder continuar sua evolução.

É assim que a justiça e a misericórdia de Deus se manifestam nas suas leis, dando a todos as oportunidades de aprendizado nos acertos e nas falhas, porque "Assim pois, não é da vontade de vosso Pai celeste que pereça um só destes pequeninos." ( Mateus, 18:14)

Mas será que essas explicações valem para todas as atribulações do viver na Terra? Elas são sempre conseqüências de faltas cometidas nesta ou em outras existências anteriores?
Não. Kardec explica que muitas dessas aflições são provas escolhidas por Espíritos que as pedem para apressar seu adiantamento ou para terminar sua purificação.

O conhecimento desse fato é importante para não julgarmos todo sofrimento como resultado de faltas, como expiação.

Que é expiação? É sofrer as consequências de faltas cometidas. É passar pelos mesmos sofrimentos causados a si e/ou aos outros, na infringência da lei do Bem. Tem por objetivo, despertar no espírito culpado a consciência do sofrimento que provocou com suas ações, reparar os males causados por elas, perceber o porquê dessas ações, corrigir-se na eliminação dos sentimentos e emoções negativas que as originaram, prosseguindo sua evolução em melhores condições.

Provações são testes de avaliação do aprendido. Passar pelas mesmas dificuldades, que deram origem às ações negativas, para resolvê-las, sem ferir a ninguém, usando-as para o desenvolvimento das suas qualificações intelectuais e morais.

Por isso, Kardec informa que "a expiação serve sempre de provas, mas a prova nem sempre é uma expiação. Mas provas e expiações são sempre sinais de uma inferioridade relativa, pois aquele que é perfeito não precisa ser provado."

Um Espírito pode portanto, ter conquistado um certo grau de elevação, mas querendo avançar mais, solicita uma missão, uma tarefa, pela qual será tanto mais recompensado se sair vitorioso, quanto mais penosa tiver sido a luta. Esses são, mais especialmente, os casos das pessoas de tendências naturalmente boas, de alma elevada, de sentimentos nobres inatos, que parecem nada trazer de mau de sua precedente existência e que sofrem com resignação cristã as maiores dores, pedindo forças a Deus para suportá-las sem reclamar.

"Podem-se, ao contrário, considerar como expiações as aflições que provocam reclamações e levam o homem à revolta contra Deus."

Desse modo, entende-se que as existências expiatórias podem também ser de provações se quem as sofre, aceita - as como necessárias e não se revoltam contra elas.

" Diz-nos a razão que Deus não pode ferir um inocente. Assim, se formos feridos e se não somos inocentes: o mal que sentimos é o castigo, a maneira como o suportamos é a prova." *
" As misérias daqui são pois, expiação, por seu lado efetivo e material, e provas, por suas consequências morais. Seja qual for o nome que se lhes dê, o resultado deve ser o mesmo: o melhoramento." *

Sempre presente a ação do livre arbítrio na escolha das reações às vicissitudes da vida. Compreendidas assim, essas vicissitudes se constituem no tratamento adequado a espíritos rebeldes às leis do bem.

Se agora queremos alcançar nosso aperfeiçoamento, como rebeldes que ainda somos, temos de considerá-las como benéficas, necessárias e indispensáveis, pois sem elas não despertaríamos para o esforço do aprendizado no bem. Permaneceríamos embrutecidos, estacionados no orgulho, no egoísmo e a Terra seria, constantemente, um só campo de batalha.

Quanto mais entendemos os mecanismos das leis divinas, mais vai fortalecendo dentro de nós a certeza da existência de Deus, absoluto em seus atributos de Amor, Justiça e Sabedoria e mais cresce em nós a confiança em nós e na humanidade, permitindo-nos entender o presente, mesmo o mais dificultoso, como necessário à aquisição da perfeição e da felicidade, destino glorioso de todos nós, e que vale o esforço de viver de acordo com essas leis!

O mesmo acontece com nossos estudos dos livros de Kardec. Quanto mais os estudamos e os compreendemos, mais cresce em nós admiração e a gratidão por ele, por sua capacidade intelectual, pela sua sensibilidade na codificação desta doutrina bendita que nos abre a mente e o coração para o entendimento da vida, do existir, não deixando vazios de raciocínios nas suas lições.

Feliz quem já compreendeu e aceitou a lei da reencarnação, porque só ela explica as causas de determinados sofrimentos, aparentemente injustos e, portanto difíceis de serem aceitos e só ela nos mostra a perfeita justiça de Deus.

Leda de Almeida Rezende Ebner
Setembro / 2004