Estudando o Espiritismo

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quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Deve-se expor a vida por um malfeitor? - Links


http://cebatuira.org.br/estudos_detalhes.asp?estudoid=468

http://ipeak.net/site/estudo_janela_conteudo.php?origem=5252&idioma=1

Caridade para com os criminosos

EESE070b - Cap. XI - Itens 14 e 15
Tema: Caridade para com os criminosos
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A - Texto de Apoio:
A verdadeira caridade constitui um dos mais sublimes ensinamentos que Deus deu ao mundo. Completa fraternidade deve existir entre os verdadeiros seguidores da sua doutrina. Deveis amar os desgraçados, os criminosos, como criaturas, que são, de Deus, às quais o perdão e a misericórdia serão concedidos, se se arrependerem, como também a vós, pelas faltas que cometeis contra sua Lei. Considerai que sois mais repreensíveis, mais culpados do que aqueles a quem negardes perdão e comiseração, pois, as mais das vezes, eles não conhecem Deus como o conheceis, e muito menos lhes será pedido do que a vós.

Não julgueis, oh! não julgueis absolutamente, meus caros amigos, porquanto o juízo que proferirdes ainda mais severamente vos será aplicado e precisais de indulgência para os pecados em que sem cessar incorreis. Ignorais que há muitas ações que são crimes aos olhos do Deus de pureza e que o mundo nem sequer como faltas leves considera?

A verdadeira caridade não consiste apenas na esmola que dais, nem, mesmo, nas palavras de consolação que lhe aditeis. Não, não é apenas isso o que Deus exige de vós. A caridade sublime, que Jesus ensinou, também consiste na benevolência de que useis sempre e em todas as coisas para com o vosso próximo. Podeis ainda exercitar essa virtude sublime com relação a seres para os quais nenhuma utilidade terão as vossas esmolas, mas que algumas palavras de consolo, de encorajamento, de amor, conduzirão ao Senhor supremo.

Estão próximos os tempos, repito-o, em que nesse planeta reinará a grande fraternidade, em que os homens obedecerão à lei do Cristo, lei que será freio e esperança e conduzirá as almas às moradas ditosas. Amai-vos, pois, como filhos do mesmo Pai; não estabeleçais diferenças entre os outros infelizes, porquanto quer Deus que todos sejam iguais; a ninguém desprezeis. Permite Deus que entre vós se achem grandes criminosos, para que vos sirvam de ensinamentos. Em breve, quando os homens se encontrarem submetidos às verdadeiras leis de Deus, já não haverá necessidade desses ensinos: todos os Espíritos impuros e revoltados serão relegados para mundos inferiores, de acordo com as suas inclinações.


Deveis, àqueles de quem falo, o socorro das vossas preces: é a verdadeira caridade. Não vos cabe dizer de um criminoso: ~ um miserável; deve-se expurgar da sua presença a Terra; muito branda é, para um ser de tal espécie, a morte que lhe infligem." Não, não é assim que vos compete falar. Observai o vosso modelo: Jesus. Que diria ele, se visse junto de si um desses desgraçados? Lamentá-lo-ia; considerá-lo-ia um doente bem digno de piedade; estender-lhe-ia a mão. Em realidade, não podeis fazer o mesmo; mas, pelo menos, podeis orar por ele, assistir-lhe o Espírito durante o tempo que ainda haja de passar na Terra. Pode ele ser tocado de arrependimento, se orardes com fé. E tanto vosso próximo, como o melhor dos homens; sua alma, transviada e revoltada, foi criada, como a vossa, para se aperfeiçoar; ajudai-o, pois, a sair do lameiro e orai por ele. Elisabeth de França. (Havre, 1862.)


Deve-se expor a vida por um malfeitor?


Acha-se em perigo de morte um homem; para o salvar tem um outro que expor a vida. Sabe-se, porém, que aquele é um malfeitor e que, se escapar, poderá cometer novos crimes. Deve, não obstante, o segundo arriscar-se para o salvar?
Questão muito grave é esta e que naturalmente se pode apresentar ao espírito. Responderei, na conformidade do meu adiantamento moral, pois o de que se trata é de saber se se deve expor a vida, mesmo por um malfeitor. O devotamento é cego; socorre-se um inimigo; deve-se, portanto, socorrer o inimigo da sociedade, a um malfeitor, em suma. Julgais que será somente à morte que, em tal caso, se corre a arrancar o desgraçado? E, talvez, a toda a sua vida passada. Imaginai, com efeito, que, nos rápidos instantes que lhe arrebatam os derradeiros alentos de vida, o homem perdido volve ao seu passado, ou que, antes, este se ergue diante dele. A morte, quiçá, lhe chega cedo demais; a reencarnação poderá vir a ser-lhe terrível. Lançai-vos, então, ó homens; lançai-vos todos vós a quem a ciência espírita esclareceu; lançai-vos, arrancai-o à sua condenação e, talvez, esse homem, que teria morrido a blasfemar, se atirará nos vossos braços. Todavia, não tendes que indagar se o fará, ou não; socorrei-o, porquanto, salvando-o, obedeceis a essa voz do coração, que vos diz: "Podes salvá-lo, salva-o!" - Lamennais. (Paris, 1862.)

B - Questões para estudo e diálogo virtual:

1 - Como fazer a caridade a um criminoso?

2 - A desencarnação seria um bem para o criminoso?

3 - Pode um homem vir a se arrepender de seus atos incorretos, se tiver, diante da morte iminente, a chance de ser salvo?

Caridade para com os criminosos - Conclusão Voltar ao estudo

Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo
Sala Virtual Evangelho

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EESE070b - Cap. XI - Itens 14 e 15
Tema: Caridade para com os criminosos
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A - Conclusão do Estudo:
A nossa atitude diante de um criminoso deverá ser de benevolência, de amor, de consolação e encorajamento. Se tivermos oportunidade de salvá-lo diante da morte, não deveremos desperdiçá-la. Ele é tanto nosso irmão quanto o melhor dos homens.

B - Questões para estudo e diálogo virtual:

1 - Como fazer a caridade a um criminoso?

Não lhe desejando mal, não julgando seus atos, visitando-o no presídio, levando-lhe uma mensagem que poderá conduzi-lo à regeneração.

A violência é fruto do desamor, do egoísmo e da indiferença para com o próximo.

2 - A desencarnação seria um bem para o criminoso?

Só a Deus cabe julgar. Mas, podemos acreditar que, a partir do ato salvacionista, a vida do malfeitor poderia reformular-se para melhor, e conquistaríamos um amigo para a eternidade, disposto a ouvir nossas propostas renovadoras.

Sem a caridade das almas nobres, o malfeitor demoraria muito mais para renovar-se.

3 - Pode um homem vir a se arrepender de seus atos incorretos, se tiver, diante da morte iminente, a chance de ser salvo?


É possível, pois, nesse instante, o homem perdido vê surgir diante de si todo o seu passado, fazendo-se ver a chance de redimir-se vivendo mais algum tempo na recuperação renovadora.

Ao salvar um malfeitor da morte, não devemos indagar se ele vai agradecer ou não: devemos seguir a voz do nosso coração.

Caridade para com os criminosos

Caridade para com os criminosos

Postura cristã solicita misericórdia

"Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela" - João, 8: 7

1. A palavra criminoso pode comportar duas interpretações. Do ponto de vista técnico, o seu destinatário é aquele que praticou uma ação previamente definida como crime pelo Código Penal ou por alguma outra lei penal, e que foi condenado pelo Poder Judiciário, em caráter final e definitivo, com o trânsito em julgado da sentença condenatória. O autor de um crime de homicídio, por exemplo, somente poderá será considerado criminoso após ter esgotado, sem êxito, todas as vias recursais ao seu alcance, em face do que dispõe o artigo 5º, LVII, da Constituição Federal, assim redigido: "ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado da sentença penal condenatória”.

No sentido vulgar, criminoso é toda pessoa contra quem pesa a acusação de ter cometido um crime, mesmo que não tenha sido nem julgada nem condenada. Esse conceito imperou em todas as épocas da história da Humanidade. Exemplo marcante foi o episódio da mulher adúltera, sumária e previamente condenada pelos escribas e fariseus (João, 8: 3 a 11).

Nos dias autuais, ele praticamente se generalizou em face do índice alarmante de criminalidade constatado na maioria dos povos e países, e da sua rápida e sensacionalista divulgação pela mídia nacional e internacional. O homem ainda convive com os mesmos delitos típicos do mais cruel e bárbaro primitivismo, mas se vê, também, às voltas com a criminalidade sofisticada decorrente da tecnologia avançada e da inteligência postas a serviço do mal (os chamados "crimes de colarinho branco").

Não são, pois, apenas os assaltantes de Bancos, estupradores, latrocidas, extorcionários, homicidas, traficantes, peculatários, estelionatários, etc, que integram o extenso rol dos criminosos, no seu sentido mais amplo e genérico. Nele, podem ser incluídos quase todos os membros da sociedade, embora a maioria jamais tenha sido sequer processada, porquanto a ninguém é lícito, a exemplo dos que se arvoraram em juízes da mulher adúltera, afirmar-se isento de pecado (ou de crime). Um ligeiro exame das ações humanas, conduzirá fatalmente à inquietante conclusão de que é considerável o número de crimes que são praticados diariamente, principalmente contra a honra alheira, no particular aspecto da difamação, que o artigo 139 do Código define como sendo a ação de "difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação ".

Não se cogita, no caso, se o fato é verdadeiro ou não. Basta que ele seja imputado a alguém e que possa atingir a sua reputação. O animus difamandi - exigido para a tipificação do delito depreende-se da própria narrativa do acontecimento desairoso, uma vez que, a não ser como brincadeira de mau gosto, como demonstração de falta de educação ou de leviandade, ninguém revela fato desabonador de conduta de terceiros com a Intenção de elogiá-lo ou de enaltecê-lo.

A sociedade aceita e até estimula o hábito de se falar mal da vida alheia. Os que cultivam tal comportamento são tidos a conta de indivíduos espirituosos, possuidores de grande vivacidade e, conseqüentemente, muito respeitados pela contundência de seus juízos e críticas. A um exame mais superficial, isso parece constituir apenas um costume inofensivo. No entanto, revela uma forma de conduta eivada de intolerância, de vaidade e de prepotência, própria do atraso espiritual ainda reinante.

Os contumazes juízes e difamadores, conquanto muito severos em relação a terceiros, são excessivamente benignos quanto aos próprios erros. Normalmente, trazem a vista coberta por enormes traves, mas são capazes de enxergar o mais insignificante cisco no olho do vizinho. Não sabem perdoar, uma vez que vêem no perdão um ato de covardia e uma atitude que não se afina com o alto grau de importância de que se julgam investidos. Isso se observa em todos os níveis e em todas as camadas sociais, não sendo privilégio das mais elevadas.

2. A caridade para com o criminoso defronta-se com dois obstáculos de difícil transposição. O primeiro resulta da dificuldade de se entender, compreender e viver, a noção do amor ao próximo, de acordo com a mensagem evangélica. A identidade entre o amor para consigo mesmo e o amor para com terceiros (o próximo) ainda continua sendo vista com as restrições compatíveis com o pequeno grau de desenvolvimento moral vigente.

O segundo é quase que inteiramente invencível, e raríssimos foram os que, no curso dos dois milênios da Era Cristã, puseram-no em prática. Trata-se do amor aos inimigos, fecho de ouro da primeira parte do Sermão do Monte, e que antecede à imperativa conclamação de Jesus: "Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o Vosso Pai que está nos céus" (Mateus, 5: 48).

A sociedade considera o delinqüente como pessoa de ínfima moral e, por isso mesmo, inimiga de tudo e de todos. É objeto de uma notória rejeição, elevada a um grau superlativo quando se trata do chamado criminoso habitual. Nas hipóteses do criminoso ocasional, o fenômeno é menor, mas, ainda assim, existe.

O velho e inato sentimento de vingança, que serviu de fundamento da pena nos primitivos agrupamentos humanos, recrudesceu violentamente nos últimos tempos. Trata-se, iniludivelmente, de uma reação natural e quase instintiva, em face de certos crimes e de determinados criminosos. No Brasil, não obstante a tendência pacifista e sentimental de seu povo, uma enorme parcela da população já admite e defende o retomo da pena de morte. Os espíritas não podem participar desse entendimento, não porque aplaudam as ações criminosas, mas em razão de seu maior conhecimento a respeito do sentido e significado da vida humana, e de sua fidelidade à moral evangélica que não lhes permite esquecer a alentadora afirmativa de Jesus: "Os são não precisam de médico, mas, sim, os que estão doentes; eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores ao arrependimento" (Marcos, 2: 17).

3. Ademais, a sua responsabilidade em face desse quadro é muito mais séria do que a dos profitentes dos outros credos religiosos, em virtude da aceitação da reencarnação. Todos sabem, ou quando nada pressentem, que os seus passados quase sempre não os recomendam e que os seus "antecedentes criminais" não lhe permitem sequer obter um "atestado de boa conduta". Hoje, podem usufruir das elevadas e disputadas honrarias sociais. Todavia, ninguém dispõe de condições de garantir-lhes que, ontem, não foram delinqüentes da pior qualidade. O enredo central de ENTRE O CÉU E A TERRA, narrado por André Luiz através da psicografia de Chico Xavier, corrobora essa afirmativa e serve de alerta contra os julgamentos apressados, impiedosos e irreversíveis contra os que tiveram a infelicidade de infringir as normas penais da sociedade.

4. Para o espírita, mais do que para qualquer outro, a condenação não deve ser vista como o ponto final de um episódio reprovável da vida do sentenciado, em virtude da lei do progresso, da qual nenhum ser humano escapa. Criminoso, hoje; homem de bem amanhã, ainda que este amanhã esteja muito distante. Mas, para que isso ocorra, é preciso que o cumprimento da pena se revista de uma forma mais misericordiosa, sem implicar a perda de seu caráter retribuitivo, preventivo e reeducativo, sobretudo este último, cuja relevância foi especial¬mente destacado por Montesquieu, ao afirmar que, nos regimes livres, educar vale mais do que punir.

Partidária dessa tese a penalista espanhola ConcepciónArenal afirma que "não há criminoso irrecuperável, mas irrecuperado" (OBRAS COMPLETAS, Tomo 3, p. 35, Madri, 1869). Esse pensamento ressumbra nitidamente das Questões 114 e 115 de O LIVRO DOS ESPÍRITOS, quando estes informam que "Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, isto é, sem saber"; que eles não são bons ou maus por natureza, e que a sua melhora e evolução dependem do esforço individual de cada um.

Alguns demoram-se mais para alcançar tal objetivo, e entre eles se acham os criminosos. Em face disso, são mais carecedores do auxílio e da ajuda do que os que já se encontram alguns passos à frente no caminho da evolução, entre os quais devem estar os espíritas, principalmente em razão do "amai-vos e instruí-vos",

E o Codificador, nas anotações da Questão 685 (OLE), não obstante se referisse, na oportunidade, a problemas de natureza econômica, fez um comentário que se aplica perfeitamente ao tema:

"Há um elemento que se não costuma fazer pesar na balança e sem o qual a ciência econômica não passa de simples teoria. Este elemento é a educação, não a educação intelectual, mas a educação moral. Não nos referimos, porém, à educação moral pelos livros e sim à que consiste na arte de formar os caracteres, à que incute hábitos, porquanto a educação é o conjunto de hábitos adquiridos” .

Nota:O autor é ex-Procurador do Estado de Minas Gerais, expositor espírita e atualmente dirige o Centro Espírita Francisco de Assis, em Belo Horizonte - MG.


Revista Internacional de Espiritismo - Outubro de 2003

A CARIDADE PARA COM OS CRIMINOSOS*

A CARIDADE PARA COM OS CRIMINOSOS*

Cada vez mais os veículos de comunicação têm reservado grande espaço para notícias relacionadas a crimes. De igual forma, nunca se viu tantas pessoas preocupadas com a própria segurança como atualmente.

É bem verdade, também, que a quantidade de crimes cometidos aumenta proporcionalmente à quantidade de pessoas que habitam o nosso Planeta.
           
Entretanto, será que a sociedade vem agindo da forma correta com os ditos criminosos? E nós, será que sabemos nos comportar diante daquele que já cometeu algum crime contra nós ou contra terceiros?
           
Em primeiro lugar, é necessário que nos despojemos do orgulho e do egoísmo e saibamos amar esses irmãos infelizes como criaturas de Deus, as quais o perdão e a misericórdia serão concedidos caso se arrependam, assim como nós, quando cometemos faltas contra as suas leis.
           
Sabe-se que isso é bem difícil, porém muito mais culpados somos nós que, conhecendo Deus, cometemos diversas faltas contra as suas leis, ao passo que aquele que é taxado de criminoso, muitas vezes, sequer O conhece.
           
O julgamento efetuado contra este criminoso certamente o será feito contra nós de modo muito mais severo, porque não se pode deixar de lado que diversas faltas que a sociedade sequer aponta, aos olhos de Deus, são crimes bem graves.
           
O Espírito Elisabeth de França, em comunicação oferecida em Havre, no ano de 1862 e que está reproduzida em O Evangelho Segundo o Espiritismo de autoria de Allan Kardec, refere que “não é preciso dizer de um criminoso: é um miserável, é preciso expurgá-lo da Terra (...). não, não é assim que deveis falar. Olhai vosso modelo, Jesus; que diria ele se visse esse infeliz perto de si? Lamentá-lo-ia, o consideraria como um doente bem miserável e lhe estenderia a mão. Não podeis fazer isso em realidade, mas, pelo menos, podeis orar por ele, assistir seu Espírito durante alguns instantes que deve ainda passar sobre a vossa Terra. O arrependimento pode tocar-lhe o coração se orardes com fé”.
           
Ora, não poderíamos ter um modelo mais claro do que aquele oferecido por Deus, através de seu próprio filho Jesus, vítima de uma das maiores injustiças que já se viu sobre a Terra. Enquanto Pôncio Pilatos lavava as mãos e não se importava com o destino do Mestre Nazareno e, assim, permitia que ele fosse conduzido ao suplício injustiçadamente, Jesus perdoava todos os seus algozes e orava por eles.
           
Que possamos percorrer as santas estações dos martírios que nos são destinados, abraçando os irmãos criminosos e ofertando as nossas orações a eles. Essa é a prática da mais pura caridade exemplificada por Jesus e que se encontra ao alcance de todos nós.
 
José Artur M. Maruri dos Santos
Colaborador da União Espírita Bageense
https://www.facebook.com/bagespirita
Comente: josearturmaruri@hotmail.com

*Artigo publicado no Jornal Minuano, edição de final de semana, dias 05 e 06 de janeiro de 2013 e que também pode ser lido pelo link http://www.jornalminuano.com.br/noticia.php?id=82978&data=&volta=.

CARIDADE PARA COM OS CRIMINOSOS


A verdadeira caridade constitui um dos mais sublimes ensinamentos que Deus deu
ao mundo. Completa fraternidade deve existir entre os verdadeiros seguidores da sua
doutrina. Deveis amar os desgraçados, os criminosos, como criaturas, que são, de Deus, às quais o perdão e a misericórdia serão concedidos, se se arrependerem, como também a vós, pelas faltas que cometeis contra sua Lei. Considerai que sois mais repreensíveis, mais culpados do que aqueles a quem negardes perdão e comiseração, pois, as mais das vezes, eles não conhecem Deus como o conheceis, e muito menos lhes será pedido do que a vós.
Não julgueis, oh! não julgueis absolutamente, meus caros amigos, porquanto o juízo
que proferirdes ainda mais severamente vos será aplicado e precisais de indulgência para os pecados em que sem cessar incorreis. Ignorais que há muitas ações que são crimes aos olhos do Deus de pureza e que o mundo nem sequer como faltas leves considera?
A verdadeira caridade não consiste apenas na esmola que dais, nem, mesmo, nas
palavras de consolação que lhe aditeis. Não, não é apenas isso o que Deus exige de vós. A caridade sublime, que Jesus ensinou, também consiste na benevolência de que useis sempre e em todas as coisas para com o vosso próximo. Podeis ainda exercitar essa virtude sublime com relação a seres para os quais nenhuma utilidade terão as vossas esmolas, mas que algumas palavras de consolo, de encorajamento, de amor, conduzirão ao Senhor supremo.
Estão próximos os tempos, repito-o, em que nesse planeta reinará a grande fraternidade, em que os homens obedecerão à lei do Cristo, lei que será freio e esperança e conduzirá as almas às moradas ditosas. Amai-vos, pois, como filhos do mesmo Pai; não estabeleçais diferenças entre os outros infelizes, porquanto quer Deus que todos sejam iguais; a ninguém desprezeis. Permite Deus que entre vós se achem grandes criminosos, para que vos sirvam de ensinamento. Em breve, quando os homens se encontrarem submetidos às verdadeiras leis de Deus, já não haverá necessidade desses ensinos: todos os Espíritos impuros e revoltados serão relegados para mundos inferiores, de acordo com as suas inclinações.
Deveis, àqueles de quem falo, o socorro das vossas preces: é a verdadeira caridade.
Não vos cabe dizer de um criminoso: “É um miserável; deve-se expurgar da sua presença a Terra; muito branda é, para um ser de tal espécie, a morte que lhe infligem.” Não, não é assim que vos compete falar. Observai o vosso modelo: Jesus. Que diria ele se visse, junto de si, um desses desgraçados? Lamentá-lo-ia; considerá-lo-ia um doente bem digno de piedade; estender-lhe-ia a mão. Em realidade, não podeis fazer o mesmo; mas, pelo menos, podeis orar por ele, assistir-lhe o Espírito durante o tempo que ainda haja de passar na Terra. Pode ele ser tocado de arrependimento, se orardes com fé. É tanto vosso próximo, como o melhor dos homens; sua alma, transviada e revoltada, foi criada, como a vossa, para se aperfeiçoar; ajudai-o, pois, a sair do lameiro e orai por ele. Elisabeth de França. (Havre, 1862.)

O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap XI, Item 14

CONSIDERAÇÕES

Para a análise acerca do dever de se praticar caridade ou não mesmo com um criminoso, há que se considerar, em primeira instância, o que venha a ser criminoso e, claramente, qual o significado de crime. Segundo o conceito jurídico, crime é qualquer ato que seja repreensível por ir de encontro à lei vigente. Desta forma, segundo o estabelecido pela humanidade, um criminoso é todo aquele que pratica um ato que não condiga com as leis estabelecidas.
As leis humanas são mutáveis e portanto, ainda carecem de uma estruturação que nos permita um julgamento mais amplo das atitudes tomadas pelos seres, talvez mesmo por ainda sermos incapazes de abranger todos os aspectos que levaram ou não a um ser a praticar tal ou qual ato. Carecemos desta forma de mecanismos assaz seguros que nos permitam, por conseguinte, julgar com segurança os atos incorridos pelos demais seres humanos assim como os incorridos por nós mesmos.
No entanto, apesar de ainda não termos em mãos tais mecanismos, já conseguimos, através do imo de nossas consciências e através de uma análise racional, estabelecer aspectos e pensamentos que nos permitam julgar um ato, como o assassínio, por exemplo, um ato atroz, por não condizer com a disposição natural do ser humano à preservação da vida, abstendo-nos de analisarmos questões sociais e históricas, que por mais sejam fatores atenuantes, não eximem em absoluto, a responsabilidade do autor em razão do ato incorrido.
De fato, não abordamos aqui a questão da necessidade de um julgamento ou não por parte de um ser ou da sociedade, analisando a questão sobre a óptica estabelecida de que o julgamento, qualquer que seja, desde que incorra à melhoria do ser humano através da análise dos atos incorridos por ele ou por terceiros, proporcionando uma base segura para não incorrer novamente em delitos análogos e, desde que proporcione segurança e melhoria de uma sociedade, sob qualquer aspecto, são válidos . Desta forma, não nos alongaremos neste assunto, o qual merece todo o respeito e uma análise mais apurada do que nos permite o momento.
Ainda agora a questão em pauta não fora abordada: deve-se praticar caridade mesmo com um criminoso?
Desta forma, reiteramos a pergunta feita no início: o que é um criminoso?
Ao analisarmos sobre o viés da doutrina espírita e de toda religião que se paute verdadeiramente sobre a égide do pensamento cristão, criminoso é todo aquele que, aos olhos de Deus, comete um ato que seja repreensível, não diretamente pelo Criador, mas pelas leis estabelecidas pelo mesmo; é cada homem o algoz e juiz de si próprio.
E, como cada homem se estabelece, consciente ou inconscientemente, como algoz e juiz de si próprio, havemos de pensar que, a análise dos atos incorridos pelo mesmo se relacionem, dentre outros aspectos, ao conhecimento maior ou menor das leis de Deus, estabelecendo fatores atenuantes às suas ações mas, como já fora reportado, não eximindo-o da responsabilidade pelo mesmo.
Se assim for, podemos considerar que, todos nós, em caráter mais atenuado ou mais ostensivo, somos, em parte, criminosos, desde que ainda somos incapazes de agir a todo tempo de acordo com as leis do Senhor até mesmo porque ainda não estamos de um todo conscientes de todas as suas leis, cabendo-nos, por agora, tentarmos seguir em caráter integral às que conhecemos.
Emmanuel * nos reporta que criminoso, segundo o conceito estabelecido pela sociedade, é todo aquele que, por falta de dissimulação, deixou que uma parte de suas torpezas ficasse à frente dos olhos do vulgo.
Assim, reiteramos pela segunda vez a pergunta: devemos praticar caridade mesmo para com um criminoso?
A resposta, sob a égide cristã, talvez seja bem simples como também, talvez não carecesse de todas as ressalvas e informações anteriormente reportadas:
Sim. Devemos praticar caridade mesmo para com um criminoso.
Um criminoso, não obstante por que óptica analisemos a conceituação e/ou designação desta palavra, como da pessoa a que se deva estabelecer tal adjetivação, é um irmão em Deus, nosso próximo (talvez “nosso próximo mais próximo ou mais longínquo”) que, segundo as idéias cristãs, merece indulgência, amor e quaisquer outras atitudes, tomadas de nossa parte, que se relacionem a idéia de caridade tal qual merecemos nós.
Não podemos inferir qual será a conseqüência de tal atitude em nosso irmão transviado: se receberá de bom-grado, se aproveitará a nossa disposição e melhorará a si mesmo, ou se simplesmente será indiferente ou rude em razão de nossa proposição, digamos, humanitária para com ele. O que nos compete, por agora, é a pratica do bem, não obstante sejam os frutos do mesmo, colhidos hoje ou no futuro. Referimos frutos, estabelecendo a idéia de que estes frutos são a melhoria pessoal deste irmão e não a volúpia em que nos rejubilamos por praticarmos um ato de caridade.
Sejam quais forem as idéias, questionamentos ou conceituações em que nos propormos neste texto ou em outros, em palavras e palestras amistosas, em atitudes benfazejas ou proposições tomadas em nossas vidas, há que se considerar em caráter essencial e absoluto, por nos propormos à idéia cristã do amor ao próximo, de que a caridade deve ser praticada sempre, seja com quem seja, através de atitudes mais ostensivas ou pelo “inaudito melodioso de uma prece”, a caridade é o nosso meio e, de certa forma, “o nosso fim”.

Bergamini, F. R. G.; 2009

Nota: * Emmanuel – espírita de alta monta, mentor do já desencarnado médium Francisco Cândido Xavier. Ao que se tenha notícia, algumas de suas escarnações, foram sobre a roupagem do senador romano Públio Lêntulus, à época da vinda de Jesus à Terra e sob a roupagem de padre jesuíta Manuel de Nóbrega, durante o Brasil Colonial.

Caridade para com os criminosos

Caridade para com os criminosos

publicado em 01 março de 2016 • Odiléa Ferraz
Ao ouvirmos mais um caso de violência urbana, como reage o nosso pensamento? Qual o teor de nossos sentimentos mais íntimos diante de uma arbitrariedade ou agressão insana? Essas são perguntas necessárias para que possamos fazer uma reflexão quanto à prática do Evangelho de Jesus, diante de uma sociedade abalada por crimes bárbaros onde uma de suas frações coloca na pena de morte a esperança de modificação de nosso mosaico social.

A criatura delituosa é alguém que ainda não se conscientizou da Lei de Deus, e embora possua esta Lei registrada em sua consciência,  ainda não despertou, semelhante a uma pequenina semente que aguarda a irrigação necessária para que um dia possa vir a eclodir, pois, em seu âmago, possui a potencialidade de frondosa árvore.

A agressividade é doença da alma que requer grande atenção desde os primeiros anos de vida, como resquícios de eras distantes em relação ao tempo, mas ainda presente em diferentes graus em nossa esfera moral.

Atualmente não mais atingimos os companheiros de caminhada terrena com armas perfuro-cortantes ou projéteis mortais, mas quantas vezes matamos o sonho, dilaceramos a alegria e usurpamos a paz de alguém?

O Mestre Jesus conhecedor do mais íntimo propósito que nos habita, coloca em sua assertiva  um alerta para cada um de nós, anotado por Mateus no capítulo 5, versículos 43 a 48, do Novo Testamento:

“Ouviste que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celestial, porque ele faz nascer o sol sobre os maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos. Porque, se amares os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos também o mesmo? E se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os gentios também o mesmo? Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celestial.”

Amar os inimigos é ter por estes irmãos um pensamento sem ódio, nem rancor. É, não lhes desejar o mal, ou vingança, é entender que a sua melhora e evolução dependem do esforço individual de cada um ao seu tempo e ao seu modo.

O aprofundamento do conhecimento da Doutrina Espírita,  leva-nos  a entender essas situações bárbaras que abalam nossa sensibilidade, não mais com o impetuoso revide de violência que nos iguala ao infrator, mas com vibrações de paz, de caridade e de amor que podem neutralizar desatinos, ajudar a transformar criaturas e situações, auxiliando assim a implantação de um mundo melhor, menos sofrido e mais justo, como explica Elisabeth de França numa mensagem  dada em Havre, no ano de 1862, transcrito por Kardec no capítulo XI de O Evangelho Segundo o Espiritismo, item 14:

“Ainda vos digo que estão próximos os tempos em que a grande fraternidade reinará sobre a Terra; os homens serão regidos pela lei do Cristo, que será o freio e a esperança e conduzirá as almas para as moradas bem-aventuradas. Amai-vos, pois, como filhos de um mesmo pai; não façais diferenças entre os outros infelizes porque é Deus que deseja que todos sejam iguais; não desprezeis ninguém. Deus permite que grandes criminosos estejam entre vós a fim de vos servirem de ensinamento. Brevemente, quando os homens forem levados a praticar as verdadeiras leis de Deus, não haverá mais necessidade desses ensinamentos, e todos os espíritos impuros e revoltados serão dispersados pelos mundos inferiores, de acordo com suas tendências.”

CARIDADE PARA COM OS CRIMINOSOS

Revista Espírita 1862 » Março » Ensinos e dissertações espíritas » Caridade para com os criminosos - Problema moral


CARIDADE PARA COM OS CRIMINOSOS[1]



PROBLEMA MORAL



“Um homem está em perigo de morte. Para salvá-lo é preciso arriscar a vida. Sabe-se, porém, que aquele é um malfeitor e que, se for salvo, poderá cometer novos crimes. Apesar disso devemos arriscar-nos para salvá-lo?”

A resposta que se segue foi obtida na Sociedade Espírita de Paris, a 7 de fevereiro de 1862, pelo médium Sr. A. Didier:

Eis uma questão muito grave que se pode apresentar naturalmente ao Espírito. Responderei de acordo com o meu adiantamento moral, pois que se trata de saber se deve-se expor a vida, mesmo por um malfeitor.

A dedicação é cega. A gente socorre um inimigo pessoal, logo, deve socorrer um inimigo da Sociedade, isto é, um malfeitor. Credes, então, que é só à morte que a gente subtrai aquele infeliz? Talvez seja à sua vida passada inteirinha.

Pensai nisto: Nesses rápidos instantes que lhe subtraem os últimos minutos da vida, o homem perdido revê sua vida passada, ou antes, ela se ergue à sua frente. Talvez a morte chegue muito cedo para ele, e a reencarnação talvez seja terrível. Atirai-vos, pois, homens esclarecidos pela Ciência Espírita! Atirai-vos, arrancai-o de sua danação e talvez então aquele homem, que talvez morresse blasfemando contra vós, se lance em vossos braços. Contudo, não pergunteis se o fará ou não: lançai-vos, porque salvando-o obedecereis a essa voz do coração que vos diz: “Tu podes salvá-lo; salva-o!”

LAMENNAIS



OBSERVAÇÃO: Por singular coincidência, recebemos, há alguns dias, a seguinte comunicação, dada no grupo espírita do Havre, tratando mais ou menos do mesmo assunto.

Escrevem-nos que logo depois de uma conversa a respeito do assassino Dumollard, o Espírito da Sra. Elisabeth de França[2], que já havia dado várias mensagens, apresentou-se espontaneamente e ditou o seguinte:[3]



“A verdadeira caridade é um dos mais sublimes ensinamentos dados por Deus ao mundo. Deve existir entre os verdadeiros discípulos de sua dou­trina uma fraternidade completa. Vós deveis amar os infelizes, os criminosos, como criaturas de Deus, às quais o perdão e a misericórdia serão concedidos se se arrependerem, como a vós mesmos, pelas falhas que cometerdes contra a sua lei. Pensai que sois mais repreensíveis e mais culpados que aqueles a quem recusais o perdão e a comiseração, pois muitas vezes eles não conhecem Deus como o conheceis e lhes será pedido menos do que a vós.

Não julgueis. Oh! Não julgueis, minhas caras amigas, porque o julgamento que fizerdes vos será aplicado ainda mais severamente, e necessitais de indulgência para os pecados que incessantemente cometeis. Não sabeis que há muitas ações que são crimes ante os olhos do Deus de pureza e que o mundo nem considera faltas leves?

A verdadeira caridade não consiste apenas na esmola que dais, nem mesmo nas palavras de consolo com que a acompanhais. Não. Não é somente isso que Deus exige de vós. A caridade sublime ensinada por Jesus Cristo também consiste na benevolência concedida sempre e em todas as coisas ao vosso próximo. Podeis, ainda, exercer essa virtude sublime para com muitas criaturas que não necessitam de esmola, mas que palavras amorosas e consoladoras encorajarão e as conduzirão ao Senhor.

Os tempos estão próximos, eu ainda vos digo, nos quais reinará a grande fraternidade neste globo. A lei do Cristo é a que regerá os homens. Só ela será o freio e a esperança, e conduzirá as almas às moradas da bem-aventurança.

Amai-vos, pois, como filhos de um mesmo pai. Não façais diferença entre os outros infelizes, porque Deus quer que todos sejam iguais. Assim, a ninguém desprezeis. Deus permite que grandes criminosos estejam em vosso meio, a fim de que vos sirvam de ensinamento. Em breve, quando os homens forem conduzidos pelas verdadeiras leis de Deus, não haverá mais necessidade desses ensinamentos, e todos os Espíritos impuros e revoltados serão espalhados por mundos inferiores, em harmonia com as suas inclinações.

A esses, de quem vos falo, deveis o auxílio das vossas preces: é a verdadeira caridade. Não se deve dizer de um criminoso: “É um miserável; deve-se expurgar de sua presença a Terra; a morte que lhe infligem é muito suave para um ser de sua espécie”. Não. Não é assim que deveis falar. Olhai o vosso modelo, Jesus. Que dizia ele ao ver o malfeitor ao seu lado? Ele o lamentava; considerava-o um doente muito infeliz e estendia-lhe a mão. Na realidade, tal não podeis fazer, mas ao menos podeis orar por esse infeliz e assistir o seu Espírito nos momentos que ainda deve passar na Terra. O arrependimento pode tocar o seu coração se orardes com fé. Ele é vosso próximo, tanto quanto o melhor dos homens. Sua alma transviada e revoltada foi criada, como a vossa, à imagem de Deus perfeito. Assim, orai por ele. Não o julgueis, pois não o deveis. Só Deus o julgará.



ELISABETH DE FRANÇA



ALLAN KARDEC[4]


[1] Esta dissertação foi inserida no Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo XI, item 15, com o subtítulo “Deve-se expor a vida por um malfeitor?”

[2] Seu nome era Elisabeth-Philippine-Marie-Helène. Nasceu no palácio de Versailles em 1764, tendo sido a última filha do Delfim Louis e de Marie Josephine de Saxe e, portanto, irmã de Luís XVI. Ficou órfã aos três anos de idade. Subindo ao trono, Luís XVI lhe deu o Castelo de Montreuil, mas viveu sempre junto ao rei, sobre o qual exerceu influência benéfica. Recusou casar-se com o Infante de Espanha e com o Duque de Aosta. Foi aprisionada com a família real. Depois da execução de sua cunhada, a rainha Maria Antonieta, cuidava da sobrinha. Separada desta, foi encerrada na Conciergerie, levada ao tribunal revolucionário a 9 de maio de 1794 e decapitada no dia seguinte.

[3] Dissertação inserida no Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo XI, item 14, com o título “Caridade para com os criminosos.”

[4] Paris. Tipografia de Cosson & Cia. Rua do Four-St-Germain, 43.



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Caridade para com os criminosos



Escrito por Jayme Lobato

À noite, Jandira e Ricardo, após o noticiário da TV, conversam na sala em companhia dos dois filhos, Mateus e Roberta. E Jandira comenta:
– Que mundo louco é esse, gente?! O desvario está grande.
– Estamos passando por momentos difíceis. O noticiário de hoje, da TV, constou especialmente de assaltos e seqüestros – acrescenta Ricardo.
– Contudo, Ricardo, acho que dão muito espaço para as coisas ruins. Há coisas boas acontecendo. Só que não têm o mesmo espaço na mídia.
– Mamãe tem razão. Com relação aos jovens, nem se fala. Só divulgam os casos que envolvem violência, drogas, assaltos, etc.
– Há muitos jovens, mana, realizando trabalhos importantes, tanto na área cultural quanto na social.
– Taí, Mateus, uma coisa que precisa ser incentivada: a realização de eventos sociais e culturais que atraiam os jovens – afirma Ricardo.
– O esporte também pode contribuir muito para o engajamento do jovem num processo de auto-estima e valorização da vida.
– Certamente, mamãe!
– O noticiário que acabamos de assistir, filha, divulgou o caso de um rapaz que, não conseguindo roubar o carro de uma moça, acabou dando-lhe três tiros à queimaroupa. Fiquei indignada com o grau de violência do rapaz.
– O problema, mamãe, é que o nosso país ainda vive uma crise social muito grande. Infelizmente, há uma parcela da sociedade que não tem direito a um projeto escolar decente. Da exclusão social eclodem situações de difícil controle – assevera Mateus.
– Isso é verdade, mano! Fui ajudar no reforço escolar, que o centro está promovendo, e fiquei estarrecida. Crianças da terceira e quarta séries são sabiam escrever o próprio nome.
– Nós, no entanto, Roberta, tivemos oportunidade de estudar em bons colégios. Nem precisamos freqüentar cursinho pré-vestibular.
– Os mais simples levam desvantagem em tudo, Mateus. Os colégios que podem freqüentar não têm um programa que lhes permitam o desenvolvimento intelectual exigido na atualidade.
– Além de não terem condições de freqüentar colégios da rede particular, mana, também não podem pagar cursinho preparatório. Como poderão chegar à faculdade?
Aí, Ricardo intervém:
– Mas, meus filhos, há pessoas que conseguiram vencer essas dificuldades e, hoje em dia, desfrutam de boa condição social.
– Não podemos legislar pelas exceções, pai – fala Roberta.
– É isso mesmo! – exclama Mateus. Roberta disse-o bem. Enquanto alguns poucos conseguem se instruir, uma quantidade enorme de jovens brasileiros está marginalizada pelo sistema dominante.
– O ensino público fundamental a cada dia mais se deteriora – observa Jandira.
– Não se esqueça, querida, de que nós estudamos em escolas públicas!
– Que não podem, Ricardo, ser comparadas às atuais. O desleixo do poder público com a instrução das classes mais simples tem um preço muito alto.
– O assunto me faz lembrar do estudo que fizemos, no ESDE, de um caso citado no livro O Céu e o Inferno, de Allan Kardec. O caso do Espírito Jacques Latour.
– Lembro-me desse estudo, Roberta. Ele, na Terra, fora criminoso. No mundo espiritual se arrepende e se beneficia pelas orações que lhe eram endereçadas pelo grupo espírita.
– É esse caso mesmo, mano! Jacques Latour, após despertar para a necessidade de transformação, assinala com entusiasmo o bem que lhe fizeram as preces proferidas em seu benefício.
– Há um momento na comunicação de Jacques Latour, mana, que acho muito importante para a nossa reflexão. É quando ele diz que se enganam aqueles que pensam que, com soldado e polícia, se previnem crimes.
– E há um outro alerta dele, Mateus, que é também atualíssimo. É quando adverte que assumem grandes responsabilidades aqueles que negam instrução às classes mais pobres da sociedade. A mãe dos jovens ressalta:
– Acho muito justo tudo o que vocês dois falaram, porém não consigo ainda ver com olhos de caridade esse caso que a TV mostrou.
E Jandira tenta se explicar melhor:
– Quando apareceu a imagem do criminoso na tela, cheguei a sentir uma revolta tão grande que seria capaz de, naquele instante, concordar com a pena de morte.
– Aí está a importância da vida de relação, querida. Alguns fatos externos são capazes de despertar em nós sentimentos dos quais já nos considerávamos libertos. É essa a possibilidade de nos conhecermos realmente, conforme propõem as questões 919 e 919-a, de O Livro dos Espíritos.
– É mesmo, marido! Logo depois de ter-me surgido esse sentimento de revolta, pude refletir com maior segurança e me lembrei da proposição do Pai Nosso, que nos recomenda pedir ao Pai que não nos deixe cair em tentação.
– Bem lembrado, mãe. Precisamos estar atentos para não nos deixar levar pelo arrastamento do mal que ainda trazemos conosco, fruto da nossa imperfeição – confirma Roberta.
– Precisamos, maninha, aprender a domar a fera que ainda se esconde nos escaninhos de nossa alma.
– Gostei do que papai falou antes. Pois, vejo na vida de relação as melhores condições para reconhecermos essa fera escondida em nossa intimidade e podermos, assim, dominá-la – diz Roberta.
– A experiência que tive hoje me valeu bastante. Consegui perceber-me reagindo de modo contrário aos princípios espíritas. Decepcionei-me um pouco comigo. Imaginava-me já liberta do rancor, do revide.
– O bom é que você, querida esposa, após o primeiro impacto causado pela imagem do rapaz, pôde perceber o sentimento rancoroso, avaliá-lo e sustá-lo em tempo.
– Após ter-me pego em estado de rancor, busquei tranqüilizar-me. Aí, desliguei-me do rancor e pude até orar pelo rapaz.
– Devemos atentar para o conceito bíblico de que o Pai não quer a morte do ímpio, mas a sua recuperação – propõe Ricardo.
– Orar é muito importante, pai. E devemos entender que, quando oramos pelos criminosos, não os estamos isentando da responsabilidade que assumiram diante das leis de Deus e dos homens, pelo que fizeram.
– Entendo que a oração, nesse caso, Mateus, se traduz num desejo sincero de que aquela alma se reabilite e se ilumine.
– Também penso assim, mana. Esse negócio, de se revidar a um ato de violência, mostra que ainda estamos dentro do campo violento e sofrendo-lhe as conseqüências.
– Uma coisa que me ocorreu agora: por trás de um criminoso, há sempre um coração de mãe, de pai, ou um afeto qualquer, que sofre pela situação criada por ele.
– Boa lembrança, Jandira. Não nos custa, também, rogar a Deus que fortaleça todos aqueles que estão sofrendo pelo desatino dos companheiros invigilantes.
– Há muita coisa a ser corrigida no comportamento humano para que fatos como o que vimos no noticiário da TV deixem de ocorrer – observa Mateus. – O egoísmo, Mateus, que faz com que as pessoas queiram levar vantagem em tudo, é uma dessas coisas que precisam ser erradicadas. Nenhuma convivência social pode dar bons frutos e resultados promissores se só uma parte leva vantagem.
– Infelizmente, mana, a tese de que “farinha pouca, meu pirão primeiro” ainda está muito vigorosa na relação humana.
– E essa tese nós assistimos ser vivenciada até mesmo na condução, nas filas de bancos e de supermercados – enfatiza Ricardo. Todos querem estar à frente, querem tirar vantagem em tudo, não se importando com o meio utilizado para que isso aconteça.
– Ante a situação atual, querido, chegamos a pensar que, ao invés de avançar, o homem está regredindo, tal a violência que assistimos.
– A questão 784, de O Livro dos Espíritos, Jandira, nos mostra que essa idéia é enganosa e que é preciso, em determinadas ocasiões, haver excesso do mal, para que o homem compreenda a necessidade do bem e das reformas. Urge que reflitamos sobre isso.
Dado o adiantado da hora, Ricardo, Jandira, Mateus e Roberta se recolhem para o sono reparador, todos eles refletindo no conteúdo da questão 784, de O Livro dos Espíritos. O assunto voltaria a ser comentado noutra oportunidade.
Boletim de Novembro/2006

CARIDADE PARA COM OS CRIMINOSOS


A violência hoje domina as manchetes dos jornais de todo o mundo. Crimes bárbaros, cruéis e hediondos aos poucos vão tornando as pessoas mais frias, após o choque de revolta do primeiro instante. Mas logo vem outra, e mais outra, e vai sumindo o interesse Ou melhor, o desinteresse vai aumentando. Acostumamos-nos a isso, e passamos a achar tudo isso muito banal.

Em vista de notícias como estas, infelizmente tão comuns nos dias de hoje, recordamos a pergunta 746 do LE:
“É crime aos olhos de Deus o assassínio?”
“Grande crime, pois aquele que tira a vida ao seu semelhante corta o fio de uma existência de expiação ou de missão. Aí é que está o mal”.

A partir da resposta dos Espíritos entendemos que um dos grandes problemas do crime é interrompermos a existência alheia, uma existência que poderia estar sendo levada com muita seriedade por parte do espírito que foi atingido. Comprometemo-nos não apenas com a nossa consciência, mas também por interferirmos no destino de irmãos que, a partir deste instante, se liga ao nosso, até que possamos corrigir nossa falta e continuar nossa marcha rumo ao progresso.

Mas, nos dias de hoje, temos um agravante a mais para considerarmos: a mídia, que leva em tempo real as notícias que ocorrem a todo instante. Estamos permanentemente conectados ao dia-a-dia do mundo, seja através da internet, do rádio ou da televisão. E como conhecemos apenas um lado da notícia, ou seja, o lado do portador da mesma, nós formamos nossa opinião baseada na postura tratada pelo repórter ou apresentador. Julgamos sem conhecer todos os fatos que envolvem a história. Julgamos levados, muitas vezes, pela calúnia e maledicência que ainda impera na mente de muitos irmãos em desequilíbrio. E isto é um fato tão perigoso quanto o próprio crime.

Ao lermos ou ouvirmos tais notícias, somos levados a tomar um partido sobre um dos lados da questão, sob pena de parecermos alienados. E julgamos porque somos cidadãos honestos que querem paz e justiça neste mundo em que vivemos.

Mas o que de fato fazemos pela paz no mundo?

Analisando friamente nossa consciência, não descobrimos nenhum ponto que possa ter, ainda que inconscientemente, estimulado a violência? Quando utilizamos drogas, não contribuímos para o tráfico? Quando facilitamos o uso de bebidas, não abrimos o caminho para o desequilíbrio de irmãos ainda vacilantes e fracos, que alheios ao que fazem, causam tragédias diversas? Quando negamos a caridade aos necessitados, não estamos fomentando a revolta social, estimulando uma nova luta de classes?

Se respondermos sim a qualquer uma destas perguntas, então estamos envolvidos no problema. E que moral temos de julgar, se auxiliamos de uma forma ou de outra posturas que nos parecem monstruosas?

No entanto, como verdadeiros hipócritas, fazemos passeatas, colocamos camisetas brancas, mas continuamos vivendo do mesmo modo, sem olhar para o fundo da questão.

Mas isto não é de hoje. Jesus nos o exemplo da mulher adúltera. E no momento em que as pessoas se preparavam para a lei, Jesus, instigando o povo à reflexão, ávido por “justiça”, falou com voz firme: “Aquele dentre vós que estiver sem pecado, atire a primeira pedra” (S. João, cap. VIII, vv. 3 a 11)

A verdade absoluta é que não temos nenhuma condição moral alguma para julgar. E se o fazemos, estamos nos colocando em evidência para sermos tratados da mesma forma, como nos mostra o Evangelho:

“Não julgueis, a fim de não serdes julgados; - porquanto sereis julgados conforme houverdes julgado os outros; empregar-se-á convosco a mesma medida de que tenhais servido para com os outros” (S. Mateus, cap. VII, vv 1 e 2)

Quem garante que não fizemos coisas piores em um passado talvez remoto?

Devemos, sim, combater o mal e lutar por justiça, mas há uma forma correta de se buscar a paz. Vamos lembrar, seguindo Kardec, que a “autoridade para censurar está na razão direta da autoridade moral daquele que censura. (...) Aos olhos de Deus, uma única autoridade legítima existe: a que se apóia no exemplo que se dá do bem”.

Uma vez que não dispomos desta autoridade legítima, devido ao nosso próprio estágio evolutivo, não há condições adequadas para julgarmos os criminosos que nos amedrontam.

Mas quem são de fato os criminosos? Antes de tudo, há que se entender que o criminoso é um ser humano como qualquer outro. É um irmão que se desviou do caminho correto, motivado por toda espécie de problemas. Infelizmente, pelo poder de influência da mídia, muitas vezes somos levados a acreditar que os criminosos (principalmente aqueles que cometeram crimes hediondos) são seres animalizados, bestas humanas que atormentam e destroem a vida das pessoas. São seres que viveram e vivem ainda à margem da sociedade, seja por opção própria, seja como resultado de ambientes sociais complexos. De qualquer forma, são seres que precisam e merecem nosso respeito e ajuda.

Além do mais, precisamos entender que ninguém reencarna com a missão de matar.

Na resposta da pergunta 861 do LE, os Espíritos alertam que “escolhendo uma vida de lutas, sabe que terá ensejo de matar um de seus semelhantes, mas não sabe se o fará, visto que o crime precederá, quase sempre, de sua parte, a deliberação de praticá-lo. Ora, aquele que delibera sobre alguma coisa é sempre livre de fazê-la, ou não. Se soubesse previamente que, como homem, teria que cometer um crime, o espírito estaria a isto predestinado. Ficai, porém, sabendo que ninguém há predestinado ao crime e que todo crime, como qualquer outro ato, resulta sempre da vontade e do livre-arbítrio.”

Em nossos grupos mediúnicos, nos acostumamos a encontrar irmãos que vivem nestas condições, que são sofredores, e que por baixo da carapaça de mal, revelam-se irmãos que choram muito, e que estão cansados da situação em que vivem. E nestas ocasiões, nos compadecemos, e fazemos um esforço muito grande para ajudá-los.

E porque temos que esperar que eles desencarnem e se tornem obsessores para receber nossa atenção?

Esta nova compreensão do problema é muito importante em momentos em que, no auge de crises de violência, toda a sociedade clama pela instituição da pena de morte, tentativa infeliz e inútil de solucionar as anomalias referentes à segurança pública.

Sabemos que a Doutrina Espírita é contra a pena de morte. Mas, e os espíritas? Nos momentos em que as notícias estão mais assustadoras, muitos espíritas alegam que “neste caso, o bandido deveria mesmo morrer!” São companheiros descuidados e que ainda não estão bastante firmes na postura cristã e doutrinária. Afinal, quem quer que se diga espírita ou cristão não poderá jamais apoiar tais movimentos, uma vez que Cristo sempre nos ensinou o amor e o perdão. Disse também que são os doentes que precisam de remédio, e não os sãos.

Entendemos que as grandes dificuldades da vida às vezes nos deixam em situações de cansaço e estresse de tal forma que precisamos de uma maneira de descarregar nossas angústias e mágoas em “alguma coisa”.

São fatos que mostram a falta de uma visão de vida superior. Falta de fé no Reino de Deus prometido por Jesus, falta de motivação para trabalhar no bem e pelo bem.

O julgamento alheio é coisa muito séria, e antes de emitirmos nossa opinião, paremos por um instante, e façamo-la passar pelo crivo da razão.

A emoção deve ser bem dirigida para ocasiões em que realmente precisamos dela.

O ideal é sempre lançar um pensamento de luz, uma prece ao espírito envolvido em crimes, pois assim demonstramos que somos efetivamente cristãos. Não vamos nos deixar levar pela turba odiosa que pede justiça com armas na mão. Lembremos que foi a voz do povo que condenou injustamente à morte o maior Espírito que pisou a Terra, que foi o nosso Mestre Jesus.

Quando lermos alguma notícia sobre crimes violentos ou hediondos, vamos nos comprometer a refrear nossos impulsos, e façamos uma prece não apenas pela vítima, mas principalmente pelos autores do crime, pois estes são os que efetivamente estão precisando de ajuda. Pois enquanto a vítima normalmente está quitando seus débitos, o criminoso está assumindo débitos novos.

Isabel de França, no Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XI, item 14, nos desafia a pensar da seguinte forma: “Observai o vosso modelo: Jesus. Que diria ele, se visse junto de si um desses desgraçados?” Com certeza não seria a condenação à pena de morte, mas o amor sublime que precisamos ainda aprender. É a verdadeira caridade, ainda nas palavras de Isabel.

Por Fernando Luiz Petrosky

Caridade para com os criminosos

Caridade para com os criminosos

"O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo XI, item 14"

Estudo Espírita
Promovido pelo IRC-Espiritismo
http://www.irc-espiritismo.org.br
Centro Espírita Léon Denis
http://www.celd.org.br

Expositor: Marcio Alves
Rio de Janeiro
23/10/2002

Dirigente do Estudo:

Marcio Alves

Mensagem Introdutória:

NEGADORES NECESSITADOS

Verdadeira conspiração. Programa que se transmite de incauto a incauto, propalando cepticismo, negação.

Religiosos em desalinho, combatendo afirmações imortalistas que foram hauridas nas fontes da sobrevivência. Pesquisadores honestos em teimosa dúvida, engendrando teorias fascinantes e complexas, para fugirem à realidade da vida extra-física.

Indiferentes, zombando das respeitáveis conquistas alcançadas no campo da informação espiritual, como se estivessem indenes à desencarnação e conseqüentemente ao prosseguimento da vida...

Pedem provas novas.

Exigem fatos atuais...

Preocupam-se e esperam que os outros lhes ofertem fatos probantes sobre a imortalidade, a comunicabilidade e a reencarnação dos espíritos, enquanto eles apenas negam, somente negam, sem provarem a validade de tal sistemática negação.

Cômodos, cooperam com a desordem que irrompe alarmante.

Apaixonados, açulam os instintos e as paixões da personalidade infeliz.

Neutros, pendem para a indiferença, numa neutralidade de niilistas, dizendo aguardarem resultados...

Continua tu o honesto labor da fé, penetrando cada vez mais as lições valiosas e consoladoras do Espiritismo libertador.

Aqueles espíritos que engendram dificuldades e criam cizânia, sempre os houve.

Alguns estão invariavelmente contra.

As próprias mazelas somente lhes permitem ver o que lhes apraz e convém.

Não evitarão, entretanto, a viagem através da porta do túmulo.

Conhecerão de perto a realidade, e despertarão, como ocorrerá contigo mesmo.

Confia, portanto, e ama, servindo sem cansaço, vinculado ao ideal de fé que te irmana a todos os homens, e ajuda-os. Se outro socorro não lhes puderes oferecer, ora por eles, compreende-os, pois que, embora não te reconheçam, também necessitam de ti.

Se parecer-te difícil essa atitude, repete mentalmente como fez Jesus, perdoando-os, ao clamar: "Eles não sabem o que fazem!" e prossegue tranqüilo.

Joanna de Ângelis
Do Livro: Celeiro de Bênçãos
Psicografia: Divaldo Pereira Franco
Editora: LEAL

Oração Inicial:

<Marcio_Alves> Senhor Jesus, mais uma vez aqui reunidos em Teu nome, rogamos a Tua inspiração para estes momentos de estudos em que juntos ao Teu coração bondoso, iremos estudar a mensagem da Boa Nova. Que nestes momentos de paz, possamos estar juntos aos bons espíritos dirigentes e inspiradores desta tarefa. Que Deus possa nos abençoar agora e sempre.

Que assim Seja!

Exposição:

<Marcio_Alves> Amigos, que Jesus possa nos abençoar na noite de hoje!

Observando as palavras de Jesus, na passagem anotada por Mateus, capítulo VII, versículo 12, que diz: "Fazei aos homens tudo o que desejais que eles vos façam, pois esta é a lei e os profetas", vemos que Jesus é realmente o maior psicoterapeuta que a humanidade conheceu.

Hoje, na sociedade que vivemos, em que a violência nos envolve todo o tempo, nas ruas, na mídia e muitas vezes dentro de nossos lares, o estudo deste item de "O Evangelho Segundo o Espiritismo" provoca as mais variadas reações em nossos espíritos.

Quando tratamos o perdão no âmbito das pessoas que conhecemos e/ou convivemos, muitas vezes encontramos barreiras enormes, que muitas vezes, julgamos intransponíveis, para a prática do perdão.

Mas, quando pensamos no perdão e caridade para com os criminosos, nos encontramos muitas vezes a dizer para nós mesmos: perdoar, ser caridoso... nunca. Quando encontramos criaturas assim, ou nós mesmos agimos assim, podemos ter certeza de que o alerta de Jesus ainda não encontrou eco em nossos espíritos. O problema se torna maior em entender estas situações quando a idéia da imortalidade da alma não se encontra fixada em nossos espíritos.

Assim, quando começamos a observar a criatura sob o ponto de vista da reencarnação e da imortalidade da alma, podemos, com um pouco de estudo e boa vontade, começar a entender tais criaturas, e mais, podemos começar a entender o porquê de sermos caridosos para com elas, ensaiando até mesmo os primeiros passos rumo ao perdão.

Observamos, intimamente, que quanto mais o nosso conceito de caridade se amplia, rompendo as barreiras da esmola que damos, alcançando o aperto de mão, o abraço, a palavra amiga, ou mesmo o silêncio, começamos a perceber a caridade praticada por Jesus.

Ele não possuía bens para distribuir, mas possuía a palavra que elevava. Não possuía os recursos materiais, mas possuía os ouvidos do Bom Pastor, que percebe a ovelha perdida ao longe. Conseguia com o olhar, aliviar as dores e entender os sofrimentos mais profundos daquele povo, que ainda assim muitas vezes não o compreendia.

É nesse sentido de caridade, que vê o homem como um ser integral, que precisamos começar a praticar. A caridade que não espera o agradecimento, a compreensão que é invisível para os que passam.

Exemplos de criaturas assim, não nos faltam.

Coloquemos a nossa vontade em ação e veremos como as forças aparecem, a vergonha, o medo e a insegurança em sermos caridosos passarão ao longe.

Como dizíamos no início, a reencarnação nos mostra muitas vezes o porquê de toda a situação que vivenciamos hoje em dia.

Quando, nós, espíritos imortais, compreendermos a reencarnação como oportunidade de avanço e de progresso, deixaremos de presenciar muitas destas cenas que vemos hoje em dia.

E quanto a nós, que já compreendemos e estudamos a reencarnação, comecemos a ajudar com as nossas preces, com a conversa fraterna aos jovens que se encontram nas ruas, na nossa vizinhança. Muitas vezes perdemos oportunidades de auxiliar àquele espírito, que está buscando somente uma palavra amiga e um gesto de carinho.

Como nos alerta o Espírito Elisabeth de França, aproveitemos a oportunidade que Deus nos concede de ter entre nós grandes criminosos, para que, com o exemplo que eles nos dão, podermos compreender o verdadeiro sentido da reencarnação: progresso, iluminação, felicidade!

Auxiliar com a nossa prece, voltamos a repetir, para que um dia não tenhamos mais que precisar destes tristes exemplos e gozar de um mundo mais pacífico.

E, à medida que compreendermos cada vez mais a caridade, a idéia de perdoar se tornará mais fácil ao nosso espírito.

Robin Casarjian, psicoterapeuta americana, em seu livro "O Livro do Perdão", nos faz ver que na grande maioria das vezes o agressor está, por trás de toda a violência, pedindo socorro! Fica difícil entender e compreender como uma criatura que comete atrocidades com outra pessoa pode estar pedindo socorro.

Analisando somente do ponto de vista material, ao examinarmos a vida da criatura, veremos que ela está refletindo a sua vivência, muitas vezes violenta, da infância. Com a visão do espírito, percebemos que muitas vezes este socorro está sendo pedido a muito tempo.

E o que ela propõe: que nós comecemos a ver a criatura que agride como uma criatura que está pedindo socorro, mas que deve também saber que terá um dia de corrigir estes desacertos.

Não mais a idéia do pecado que gera a idéia de punição, que não permite que eu me veja em condições de reparar o erro e que devo sofrer, mas sim a idéia de responsabilidade, que me faz senhor dos meus créditos e débitos e RESPONSÁVEL em corrigir as faltas, não mais sofrer somente.

Vamos assim, como nos alerta ao longo de sua mensagem, seguir o conselho de Elisabeth de França: Ajudar, da forma que me for possível, estas almas que sofrem e acumulam mais sofrimento, a sair do "lamaçal" que se encontram.

Que Jesus nos abençoe.

Oração Final:

<Marcio_Alves> Jesus! Que Tua paz e harmonia que nos envolveram durante todo o estudo de hoje possa servir sempre de leme seguro em nossas vidas. Ampara a todos nós que estivemos aqui e abençoa-nos para que, compreendendo o Teu evangelho, possamos nos tornar pessoas melhores e felizes. Sendo assim, em Teu nome, mas acima de tudo em nome de Deus, pedimos a permissão para encerrarmos os nossos trabalhos.

Que assim seja!