Estudando o Espiritismo

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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A visão espírita da morte

                                         
Escrito por IRC-Espiritismo            
 
A visão espírita da morte
 Para entender a atitude dos espíritas diante da perda de entes queridos, é preciso entender a visão espírita da morte. O que é a morte para o espírita?

 Em primeiro lugar, a destruição do corpo físico, que é um fenômeno comum a todos os seres biológicos. Segundo, a morte é um instante em meio a um caminho infinito. E em terceiro lugar, a morte é uma transição e não um ponto final.
Há que se considerar também que o espírito está permanentemente em processo de crescimento e renovação e a morte é a forma de forçar esta renovação, mudando am-bientes e projetos de vida.
Esta visão um tanto pragmática e aparentemente fria da morte não exclui a existência de sentimentos e emoções, porque tanto quanto sentimos mais ou menos fortemente a separação geográfica entre duas pessoas e ansiamos por reencontrarmos aqueles que estão longe, assim também ansiamos por ter novamente conosco os que se foram.
Mesmo na vida física há separações que são traumáticas, longas e, às vezes, definitivas. Na morte, então, a saudade e a vontade de ter outra vez aquele que se foi é perfeitamente natural e compreensível, mas a certeza da retomada do afeto e de projetos comuns no futuro é profundamente consoladora e faz com que a esperança possa ser tranqüila e confiante.

Por que é tão doloroso ainda para nós o fenômeno da morte física, com a separação dos entes que amamos?
Mauro Operti – Exatamente porque os amamos, queremos tê-los continuamente junto a nós. Isto não precisa de explicação, é natural. Vivemos em função dos outros. Tudo o que fazemos na vida tem como referência o outro. Se o outro que amamos se vai, como não sentir?

É licito procurarmos o contato com entes que partiram, já que a morte não é o fim?
Mauro Operti – Perfeitamente, desde que a nossa atitude mental e as nossas emoções estejam equilibradas. Por outro lado, toda vez que tentamos o contato com o mundo espiritual, temos que ter certeza de que os meios dos quais dispomos (ambiente, médiuns etc.) sejam apropriados para a nossa intenção. De qualquer modo, temos que ser prudentes quando intentamos qualquer contato com o mundo espiritual. E mesmo que a nossa intenção seja boa ou a nossa saudade muito grande, as leis da comunicação mediúnica continuam em vigência. Mas, de qualquer maneira, se a misericórdia divina nos forneceu os meios de comunicação, é perfeitamente razoável buscarmos o contato com aqueles que nós amamos. Quem não anseia uma palavra de afeto de quem está longe? É profundamente consoladora esta certeza.

O que se pode dizer às pessoas que buscam o centro espírita com profundo desejo de receberem uma mensagem de um ente querido que já partiu?
Mauro Operti – Em primeiro lugar, estar avisado de que este contato nem sempre é possível. Às vezes, passam-se meses ou anos antes de conseguirmos uma palavra ou uma mensagem. Nem os médiuns, nem os espíritos estão obrigados a nos dar a resposta que queremos. Se a misericórdia divina permitir, nós a receberemos, como muitos que já receberam. As evidências para alguns de nós são numerosíssimas, como é o meu próprio caso. Eu não tenho como negar o fato da sobrevivência pelo muito que já vivenciei ou já presenciei.

Qual a garantia de estarmos nos comunicando com nossos verdadeiros entes?
Mauro Operti – As evidências para a comunicação entre mortos e vivos são de dois tipos: são subjetivas ou objetivas. As evidências objetivas são confirmações externas, através de fatos objetivos que deixam motivo para poucas dúvidas (ou nenhuma dúvida). É claro que, como acontece com a própria pesquisa científica, sempre se pode levantar hipóteses explicativas para os fenômenos. O que se faz é levar em conta a soma de evidências que levam, quase sem deixar dúvidas, a se aceitar que o fenômeno foi genuíno. Mesmo na pesquisa científica, isto também acontece. Na realidade, nada é definitivamente provado em ciência. Mas, para muitas coisas, o peso das evidências a favor de uma determinada explicação é tão grande que, do ponto de vista prático, é como se estivesse provado. É assim também com os fatos mediúnicos. Mas existem também as evidências subjetivas e essas são pessoais e intransferíveis. Eu não posso provar a uma outra pessoa que sonhei com um ente querido e que isto significa que eu realmente estive com ele, mas, interiormente, eu tenho certeza, pelo realismo das cenas vividas oniricamente e por detalhes que me trazem uma certeza interior que não pode ser transferida. E quando isto acontece, não me importa absolutamente o que o outro possa pensar da minha experiência.

As perdas vivenciadas por qualquer encarnado, quando acompanhados de sentimento de resignação e capacidade de perdão, podem se tornar um aprendizado, um treinamento que nos levaria a entender melhor a perda dos entes queridos?
Mauro Operti – Certamente, porque é o aprendizado da renúncia, a certeza de que não somos donos de nada, nem de ninguém. Que o que temos num certo momento nos pode ser tirado no outro e continuamos vivendo, continuamos lutando sempre com a visão do futuro.

O ente desencarnado assiste ao seu velório? Assim sendo, qual sua postura diante da demonstração de dor dos entes encarnados?
Mauro Operti – Nem sempre. Vai depender do próprio espírito e da assistência por parte dos seus amigos espirituais. Às vezes, ele não tem condições emocionais e está tão desarvorado que deve ser afastado do local. Outras vezes o seu estado de perturbação é tal que ele não tem consciência do que está se passando. Mas, muitas vezes, isso é possível.

A vontade de ver o ente que se foi, a saudade, não atrai o espírito do parente querido desencarnado? Isto pode levar a uma obsessão?
Mauro Operti – Depende do estado mental e emocional que acompanha esta vontade. Também depende das condições do espírito desencarnado, mas não há perigo em pensarmos com saudade nos nossos afetos desencarnados. Isto é uma expressão do carinho e da afeição que une dois seres. Como proibir? Seria, no meu modo de ver, uma falha das Leis Divinas não deixar que nos lembremos com carinho daqueles que um dia se foram.

Como proceder para saber se os entes queridos estão bem?
Mauro Operti – Rezar, pedir a Deus que lhe permita sentir o carinho daquele de quem você gosta. Com o tempo e a prática aprendemos a nos dirigir mentalmente àqueles de quem gostamos e as evidências subjetivas que colhemos desses contatos nos dão a certeza de que realmente estivemos com eles. Mas é preciso aprender a fazer as rogativas mentais com tranqüilidade, confiança e a certeza da assistência espiritual de nossos guias. Peçamos a Jesus acima de tudo e esperemos com serenidade.

Que mensagem você daria para as pessoas que perderam seus entes queridos e acreditam que nunca mais irão encontrá-los?
Mauro Operti – Para estas pessoas eu diria que Deus não cometeria esta maldade de separar definitivamente dois seres que se amam. A essência da vida é o outro. Por que Deus juntaria num breve tempo de uma existência duas criaturas que se sentem felizes de estar juntas e depois as separaria pela eternidade? A certeza da sobrevivência que a prática espírita garante às criaturas está acompanhada da certeza da reunião daqueles que se amam depois da perda do corpo físico. Esta é a maior consolação que poderíamos desejar, mas não é só uma consolação piedosa, é uma certeza proveniente da vivência que, aos poucos, vai nos tornando mais seguros e menos propensos às crises de ansiedade e aflição que são tão comuns às pessoas hoje em dia. Temos certeza e sabemos, não apenas acreditamos.

Entrevista publicada na edição 11 da Revista Cristã de Espiritismo.
Ao reproduzir o texto, favor citar o autor e a fonte.

Imortalidade da Alma


    A morte amedronta tanto o ser humano, que este assume posturas as mais variadas, desde aquelas infantis, em que nega toda a sua maturidade, até outras em que chega a negar a sua condição de ser racional. É profundamente estranho que essa criatura, que se pavoneia de ser o rei da criação, se mostre tão dolorosamente despreparada diante da única certeza comum a todos os seres humanos: a certeza da morte.
    Ao interrogarmos uma pessoa onde quer ser enterrada quando morrer, certamente ouviremos como resposta a designação de um local de sua preferência. Ao ser interrogada sobre o destino da sua alma, certamente responderá que irá para o céu. Mas a fragilidade desse posicionamento é facilmente demonstrável diante de um simples questionamento: “E se ela não for para o céu e sim para o inferno, que isso importa a você, vez que é ela quem vai e não você? Você não disse que deseja ficar enterrado em tal lugar?” Essas perguntas causam perplexidade e levam muitas pessoas, pela primeira vez, a usarem seu raciocínio no exame do assunto morte. Depois de algum tempo, costumam aparecer saídas como esta, ditas até em tom vitorioso: “Não sou eu quem vai ser enterrado em tal lugar; é o meu corpo!” Com essa afirmativa, ao invés de resolver o problema, agrava-o ainda mais.
    O ar de vitória desaparece logo, ao se lembrar à pessoa que ela usou dois possessivos: meu corpo e minha alma. Ora, o possessivo, como bem ensinam as gramáticas, é a palavra que indica posse. Se há posse, há possuidor. Quem é o possuidor daquele corpo e daquela alma? Quem está habilitado a apresentar-se como proprietário e, conseqüentemente, recla-mar-lhes a posse?
    É exatamente essa falta de racionalidade que leva o homem a fugir do assunto, portando-se como a criança que, ao esconder o rosto atrás das mãos, imagina ter resolvido o problema do seu esconderijo. Ou como o avestruz que, segundo dizem, esconde a cabeça sob a areia, pensando fugir do perigo.
    A criatura humana recusa-se a pensar, porque pensar na morte dói. Meditar, refletir sobre a questão, só pode revelar-lhe a sua fragilidade, o seu despreparo diante do magno as-sunto.
    E qual a saída para o impasse? A única posição lógica é aquela de o homem assumir a sua condição de Espírito imortal, detentor da posse de um corpo físico, pelo qual ele se mani-festa temporariamente, enquanto esse corpo tiver vida. É o Espírito que pensa, que aprende, que odeia, que ama. O corpo é mero instrumento de uso transitório. Pode-se até dizer que é descartável. O Espírito, não. Ele é imortal, indestrutível. É o arquivo vivo de todas as experiên-cias vividas durante a romagem terrena.
    Com o fenômeno da morte, o Espírito se afasta do corpo que já não mais lhe serve como instrumento, podendo dizer, na ocasião: “habitei esse corpo, serviu-me ele de vestimenta durante muitos anos”. O corpo jamais poderá dizer: “Esse espírito que aí vai foi meu”, simplesmente porque o corpo é matéria morta, que começa a decompor-se tão logo ocorra a morte.
    Ao conscientizar-se dessa realidade, o homem passa a ter uma verdadeira consciência de imortalidade. Quanto mais medita sobre o assunto – desde que desligado de explicações de determinados teólogos –, tanto mais adquire um estado de consciência a que se pode chamar “cidadania espiritual”. Passa a sentir-se imortal. A morte já não mais se constitui naquele desastre terrível a bi - ou tripartir-lhe o ser: “Vou para debaixo da terra, minha alma vai para o céu e eu para não sei onde.” Ao assumir a cidadania espiritual, seus horizontes se alargam. Já não é apenas um homem, mas um Ser imortal, cujo destino não se prende apenas à Terra, vez que se sente pertencente ao Universo, às “muitas moradas da casa do Pai”, conforme ensinamento de Jesus. Assim pensando, chegamos à conclusão de que somos essencialmente espíritos, atualmente encarnados. Um dia deixaremos nosso corpo terrestre, como Jesus dei-xou o seu, conservando apenas o corpo celeste, imortal, conforme o Mestre, de forma genial ensinou e exemplificou!
    Fica, entretanto, para muitas pessoas, uma pergunta que invariavelmente aparece quando são feitos estes comentários: Se o túmulo estava vazio e o corpo com que Jesus se apresentava era espiritual, onde ficara seu corpo físico? O Mestre, evidentemente, não podia esclarecer o assunto àqueles com quem convivera, conforme se comprova em suas palavras, já citadas: “Ainda tenho muito a vos dizer, mas não o podeis suportar agora.” (Jo, 16: 12).
    Cumprindo a promessa de Jesus, o Consolador vem relembrar as suas lições e explicar muitos fatos que foram registrados pelos Evangelistas, mas que à época não foram compreendidos, como as súbitas aparições de Jesus no cenáculo e na pesca, e o seu desaparecimento desconcertante diante dos companheiros de caminhada a Emaús. Tais fatos, tomados por miraculosos por muitos teólogos, encontram no Espiritismo explicações claras e lógicas, não no campo das especulações teológicas, mas dentro da objetividade da Ciência, nas pesquisas do fenômeno de materialização – hoje chamado ectoplasmia pelos parapsicólogos – levado a efeito por vários cientistas, entre os quais se destaca a figura de Sir William Crookes o célebre físico inglês, que pôde provar que o Espírito Katie King, com seu corpo espiritual materializado, limitava-se dentro do plano material como se estivesse encarnado, tornando-se visível, audível e tangível.(“Fatos Espíritas”, William Crookes; “História do Espiritismo”, Arthur Conan Doyle).
    Quanto ao desaparecimento do corpo físico de Jesus, pode-se ler esclarecimento sobre a dissipação de fluidos remanescentes em cadáveres, no livro “Obreiros da Vida Eterna”, de André Luiz (caps. 15 e 16). Trata-se de operação piedosa levada a efeito por benfeitores espirituais, que dissipam na atmosfera os fluidos remanescentes no corpo, antes do sepultamento, afim de resguardá-lo de profanação que poderia ser levada a efeito por Espíritos inferiores.
    Fazendo-se um paralelo, é lícito supor que o próprio Mestre se haja encarregado de dissipar as energias remanescentes em seu corpo e, ao fazê-lo, desmaterializou-o completamente. É fácil entender que o corpo de Jesus não poderia ficar no túmulo, pois quando se divulgasse a notícia que o Mestre ressurgira da morte, ele seria fatalmente exposto pelos sacerdotes, a fim de negar a ressurreição, que, para quase todos, era apenas física.
    E não seria essa a resposta à pergunta crucial deixada no ar pelos cientistas que estudaram exaustivamente o Sudário de Turim, que apresenta impressa a figura de um homem, cujas características coincidem com o que se sabe a respeito do corpo de Jesus, tanto no que tange às características físicas, quanto aos sofrimentos que lhe foram impostos, sem que hajam eles conseguido saber que tipo de fenômeno ocorreu na superfície do tecido para fixar, de maneira impressionante, aquela imagem?
     Entretanto, é inegável que a essa impressão no tecido não foi provocada por radiação, nem por calor, nem por tintura, nem por pintura. Até hoje não se sabe o que provocou aquelas impressões que permitem a um computador restaurar a figura de um cadáver que fora flagelado e crucificado, antes de ser deposto sobre aquele pano.
    Concluindo, pode-se dizer que o Espiritismo, ao decodificar a mensagem de imortalidade deixada por Jesus, esclarece-nos a respeito do que verdadeiramente somos: Espíritos imortais, temporariamente encarnados em corpos mortais!
José Passini
Juiz de Fora

Mais Além



Sérgio Biagi Gregório
SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Considerações Iniciais. 4. O Além Visto pelas Religiões: 4.1. Religião Egípcia; 4.2. As Religiões da Índia; 4.3. O Budismo Chinês; 4.4. O Cristianismo. 5. A Filosofia: 5.1. Platão e Aristóteles; 5.2. Concepção Segundo a Escolástica; 5.3. A Imortalidade Segundo Kant; 5.4. Concepções mais Recentes sobre a Imortalidade. 6. Visão Espírita da Vida Futura: 6.1. Progresso Ininterrupto do Espírito; 6.2. A Continuidade do que Somos; 6.3. Um Exemplo: O Suicídio não Resolve o nosso Problema. 7. Conclusão. 8. Bibliografia Consultada.
1. INTRODUÇÃO
É possível tratar da questão da vida sem evocar a da morte? O que acontece conosco depois da morte? Existiremos para sempre? É possível provar a imortalidade da alma? O que as religiões têm a nos ensinar? E a filosofia? Tencionamos fazer um estudo das religiões, da filosofia e da visão espírita acerca deste tema.
2. CONCEITO
O mais-além é o mesmo que além-da-vida, além-túmulo, mundo invisível, plano espiritual, mundo dos desencarnados, esferas espirituais. Em espanhol, costuma-se dizer más allá; em inglês, afterdeath De acordo com o Espiritismo, o mais-além é o verdadeiro mundo, sendo este apenas transitório.
3. CONSIDERAÇÕES INICIAIS
A existência do espírito e de uma vida futura é uma das principais preocupações que acompanha a humanidade em toda a sua trajetória, desde a antiguidade até os nossos dias. Diz-se que se o "além-túmulo" não existisse, o ser humano teria de inventá-lo, tal qual ocorre com a noção de Deus e de reencarnação.
Há muitos pensamentos a respeito da vida futura. Eis alguns deles:
Sócrates: "Enterrai-me, se logrardes reter-me, enterrai-me onde quer que desejes. Já tantas vezes não vos disse, a vós e aos sábios, que este corpo não é Sócrates?"
Confúcio: "Não choreis com excessivo pesar os que partiram. Os mortos são amigos devotados e leais; eles estão sempre junto de nós"
Paracelso: "Todos podemos educar e equilibrar nossa imaginação, a fim de poder entrar em contato com os seres espirituais e receber seus ensinamentos".
Dr. Samuel Johnson: "Eu não acredito em espíritos... Vi muitos deles".
Dr. T. J. Hudson: "O homem que hoje nega os fenômenos do espiritualismo não pode ser intitulado cético; é, simplesmente, ignorante".
Este assunto – a vida após a vida – é tão palpitante que despertou o interesse dos psicólogos pelos casos de pacientes terminais. Eles fazem entrevistas com os moribundos para saber o que essas pessoas pensam a respeito do mundo espiritual. Para atender a tal objetivo, Sukie Miller, psicóloga e psicoterapeuta, fundou, em 1988, nos Estados Unidos, o Institute of Study of Afterdeath (Instituto de Estudo do Pós-Morte). Posteriormente, em 1997, publicou o livro Depois da Vida, em que trata essencialmente da questão: "O que acontece conosco depois que morremos?"
4. O ALÉM VISTO PELAS RELIGIÕES
4.1. RELIGIÃO EGÍPCIA
A religião egípcia é identificada com o culto da morte. O embalsamamento dos cadáveres (faraós) é um exemplo marcante, pois com isso esperavam dar continuidade à vida, mesmo depois que o corpo morreu. A ciência secreta e os mistérios de Isis e Osíris simbolizam as forças espirituais que se prendiam ao fenômeno da morte. O Livro dos Mortos dá a conhecer os obstáculos que os defuntos encontram no outro mundo e os meios de vencer as dificuldades. Às vezes, no momento dos funerais, representam-se dramas simbolizando o triunfo do morto sobre os demoníacos adversários.
4.2. AS RELIGIÕES DA ÍNDIA
As religiões da Índia – Vedismo, Bramanismo, Hinduismo, Jainismo e budismo – embora tivessem partido das mesmas premissas do povo egípcio, a crença na imortalidade da alma tomou um rumo diferente, pois salientou a necessidade da metempsicose, que é a volta do espírito em corpos de animais, como castigo dos erros cometidos. Independentemente deste lado negativo da evolução, a faculdade de tolerar e de esperar aflorou no sentimento coletivo das multidões, que suportaram heroicamente todas as dores e aguardaram o momento sublime da redenção. A salvação (moksha) consistiria em libertar-se do karman, em libertar-se de qualquer renascer, pois renascer é participar novamente "da dor do mundo".
4.3. O BUDISMO CHINÊS
O budismo chinês ofereceu um socorro com a idéia de Nirvana. Nirvana é sinônimo da imperturbável quietude ou beatífica realização do não ser. Não se trata, pois, da união permanente da alma com Deus, finalidade de todos os caminhos evolutivos. De qualquer forma, oferece-nos uma outra maneira de tratar da imortalidade da alma.
4.4. O CRISTIANISMO
Jesus, na sua caminhada por este planeta, apresentou-nos a vida futura. No entender de alguns, este foi o principal trunfo do êxito do Cristianismo. Ao falar das bem-aventuranças e as recompensas prometidas ao servo fiel, colocou todos os seres humanos num mesmo nível de salvação e eternidade na posse de Deus. Jesus estendeu a imortalidade da alma aos bárbaros e aos escravos, que, no Império Romano, não eram admitidas ao culto oficial. Isso representou uma verdadeira evolução espiritual. (Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira)
5. A FILOSOFIA
5.1. PLATÃO E ARISTÓTELES
Baseando-se na teoria das formas, Platão defende a tese da imortalidade da alma, em que o espírito viria do mundo das idéias, faria a sua jornada neste mundo, e a ele voltaria novamente. Assim, aquele que tivesse praticado o bem, teria uma volta tranqüila; o que tivesse praticado o mal, uma volta difícil. Para Platão, o objetivo final da vida é a alma libertar-se do corpo, a fim de voltar para a eternidade. Aristóteles, por sua vez, estabelece a hipótese de existir no homem a razão passiva e a razão criadora. A razão criadora é a centelha divina, uma parte de Deus que, procedente de fora, entra na alma e não se acha afetada pelo seu lado vil. Uma vez que tudo, exceto a razão criadora, perece com o corpo, a imortalidade da alma é impossível no sistema de Aristóteles. A única parte da alma que sobrevive à morte faz parte de Deus, e a Ele volta. Tudo o mais perece. (Frost Jr, s.d.p., p. 162 a 164)
5.2. CONCEPÇÃO SEGUNDO A ESCOLÁSTICA
Para Santo Agostinho, cada indivíduo possui uma alma, sendo-nos impossível saber a sua origem, porque é um mistério divino. Depois que surge, continua a existir eternamente. Daí a sua crença na imortalidade. Imaginava que a alma poderia ser feliz ou infeliz na eternidade, dependendo dos atos praticados nesta vida. As bem-aventuranças dependem de um favor divino, e quem não o receber estará condenada para sempre.
Santo Tomás de Aquino doutrinou que a alma humana foi criada por Deus. Essa alma é agregada ao corpo por ocasião do nascimento. Essa alma inteligente não depende do corpo para a sua existência ou função; pode continuar a existir depois de ter perecido. Forma, pois, para si mesmo um novo corpo, um corpo espiritual, por meio do qual atua por toda a eternidade. (Frost Jr, s.d.p., p. 166 a 168)
5.3. A IMORTALIDADE SEGUNDO KANT
Kant afirmou que o intelecto somente pode conhecer aquilo que pode experimentar. A razão pode ir além e penetrar num mundo em que não temos a experiência. É a razão que dá ao homem a imagem de alma como resultado de todos os processos mentais. Embora não possamos provar a existência de uma alma imortal, podemos agir como se existisse, porquanto vale realmente fazê-lo. Achava ele que a noção de alma tem valor ético. É resultado da lei moral e serve como base da vida moral; daí a sua celebre frase: "Age de tal forma que a tua ação possa ser considerada lei natural". (Frost Jr, s.d.p., p. 173 a 174)
5.4. CONCEPÇÕES MAIS RECENTES SOBRE A IMORTALIDADE
O desenvolvimento da filosofia evolucionista do séc. XIX nega a imortalidade. De acordo com essas concepções, a vida mental do homem está tão estreitamente ligada ao cérebro e tão dependente dele, que se torna inacreditável a continuação das funções intelectuais depois da decomposição do corpo. (Frost Jr, s.d.p., p. 176 a 179)
6. VISÃO ESPÍRITA DA VIDA FUTURA
Allan Kardec, em todas as suas obras, nada mais faz do que nos mostrar as influências que os nossos atos presentes propiciarão em nossa vida futura.
6.1. PROGRESSO ININTERRUPTO DO ESPÍRITO
Dentre as várias alternativas da humanidade com relação à vida futura, o Espiritismo opta pela individualidade da alma e pelo progresso ininterrupto do Espírito. De acordo com os seus postulados, fomos criados simples e ignorantes, mas com a determinação de nos tornarmos perfeitos, tal como Deus o é. Podemos adiar, desviar-nos do caminho reto, deixarmos a evolução para a próxima encarnação, mas todos teremos voltar ao caminho do progresso, porque este é compulsório.
6.2. A CONTINUIDADE DO QUE SOMOS
Pergunta: um encarnado infeliz será um desencarnado feliz? A princípio, não. Por quê? A morte não nos transforma de todo, apenas mudamos de indumentária, mas continuamos com a nossa ignorância ou o nosso saber. O passamento é apenas uma mudança de dimensão: de posse de um corpo físico para o estado em que o corpo físico está ausente. Isso não altera o nosso status quo, ou seja, se nesta existência automatizamos os reflexos de infelicidade, forçoso nos é que continuaremos com eles no mundo dos Espíritos.
6.3. UM EXEMPLO: O SUICÍDIO NÃO RESOLVE O NOSSO PROBLEMA
Sócrates já nos alertava que a vida nada mais é do que uma preparação para a morte, para o que há de vir. É por esta razão que o suicídio não resolve problema algum, porque aquele que pensa tirar a sua vida e resolver os seus problemas acaba tendo a surpresa de que não morreu, de que continua vivo, apenas um pouco mais confuso e mais devedor da lei.
7. CONCLUSÃO
Pesquisas e ilações não podem substituir a experiência. Sigamos, assim, a advertência de Nietzsche, ao tratar do imperativo de Zaratustra: "Viva (presentemente) de maneira que possa viver eternamente com alegria em cada momento de sua vida".
8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
FROST JR., S. E. Ensinamentos Básicos dos Grandes Filósofos. São Paulo: Cultrix, s.d.p.
GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA. Lisboa/Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia, [s.d. p.]
São Paulo, junho de 2007

Cientistas confirmam teses Espíritas


José Lucas
A imortalidade da alma deixou de ser uma crença para passar a ser uma certeza em 1857, após as experiências que deram origem ao espiritismo ou doutrina espírita. Actualmente, outros cientistas vêm confirmar as teses que o espiritismo apresentou e que ainda não foram desmentidas. Tudo aconteceu na «Casa do Médico», no Porto, no IV Simpósio «Aquém e Além do Cérebro» organizado pela Fundação Bial.
Mais uma vez a Fundação Bial organizou o simpósio «Aquém e Além do Cérebro» na Casa do Médico, no Porto, e que este ano decorreu de 5 a 7 de Abril de 2002. Este evento tem-se tornado um marco na medida em que reúne os cientistas mais conhecidos a nível mundial que pela sua abertura de espírito buscam novos horizontes existenciais e que investigam áreas até então pouco penetradas.
Allan Kardec, foi um dos grandes investigadores na área do paranormal, em meados do século XIX em França. Pessoa muito culta e prestigiada, discípulo de Pestalozzi, com quem estudou, investigou a fundo os fenómenos das mesas girantes que serviam à época para distracção das noites sociais. Após anos de pesquisa compilou as informações que lhe foram ditadas pelos espíritos e cinco livros, hoje conhecidos com as oras básicas da doutrina espírita ou espiritismo. «O Livro dos Espíritos», «O Livro dos Médiuns», «O Evangelho segundo o espiritismo», «O céu e o Inferno», e «A Génese» são a codificação espírita, numa abordagem experimental, filosófica e ética. Com o espiritismo a morte morreu, na medida em que se comprovou a imortalidade da alma, através da mediunidade (capacidade de percepcionar o mundo espiritual). Allan Kardec utilizou os métodos experimental e indutivo, pesquisando, comparando e estabelecendo propostas de trabalho, apelando sempre a uma atitude fria e séria, sem qualquer tipo de dogmatismo.
Já não podemos rejeitar a existência paranormal.
Há resultados que comprovam, por exemplo, a cura à distância por intermédio da oração.
Há algo que funciona fora do nosso espaço-tempo.
Outros cientistas à época lhe seguiram, alguns deles procurando desmistificar aquilo que consideravam ser uma fraude, acabando à posteriori por admitir a realidade dos fenómenos espíritas, como foi o caso do ilustre William Crookes, Cesare Lombroso, entre muitos outros.
Actualmente muitas pesquisadores, em várias áreas do conhecimento buscam provas da imortalidade da alma.
No simpósio «Aquém e Além do Cérebro» deste ano, estiveram vários pesquisadores que investigam áreas fronteiriças com o paranormal. Alguns deles apresentaram trabalhos que causaram impacto.
Um deles foi David Fontana, professor de psicologia transpessoal na universidade de Liverpool, em Inglaterra, e professor convidado nas universidades do Minho e Algarve, para além de ser vice-presidente da Society for Psychical Research, a mais conceituada sociedade de pesquisas psíquicas do mundo. Com um curriculum invejável, este psicólogo teve a coragem de publicamente afirmar que «há evidências de vida após a morte». Na sua comunicação «Pode a mente sobreviver à morte física?» Fontana descreveu alguns estudos que efectuou sobre mediunidade, aparições e comunicações evidentes após o falecimento. Segundo Fontana, embora não possua uma teoria para explicar os processos imateriais do pensamento, há um conjunto de estudos que demonstram a imortalidade da alma. Segundo ele, numa pesquisa recente sobre comunicações após a morte, feita paralelamente nos EUA e em Inglaterra, mostrou que cerca de metade das pessoas que perderam os seus cônjuges diz ter tido algum contacto com o companheiro morto. Desse total, 14% dos casos consistem em aparições, 13% na percepção de vozes e 20% na sensação de que a pessoa, ainda que invisível, estaria presente e próxima. Num outro estudo recente, realizado em 80 hospitais britânicos, conseguiu reunir cerca de 20 mil casos de pessoas que «ressuscitaram» após o diagnóstico de morte clínica. Um trabalho desenvolvido pela equipe de Fontana, em 1999, mostrou que os fenómenos excepcionais testemunhados são, quase sempre, vozes independentes, luzes brilhantes, aparições e materializações de dedos que tocam o observador. David Fontana explicou que ele próprio já apertara «uma mão no escuro total», cena registrada em imagens fotográficas, experiências estas acompanhadas por um mágico profissional para que não houvesse hipótese de fraude ou ilusionismo. David Fontana relata ainda um contacto que tivera através de uma médium onde esta lhe dera uma informação acerca da existência de uma pequena caixa, para guardar cigarros, decorada com flores ou monograma de prata. «Não me lembrava desse objecto pois não fumo. Mas acabei por encontrá-lo em casa e verificar que realmente apresentava letras metálicas com florzinhas à volta.»
Cientistas de hoje comprovam experiências de ontem efectuadas por Allan Kardec, o codificador do espiritismo.
«Já não podemos rejeitar a existência paranormal. Há resultados que comprovam, por exemplo, a cura à distância por intermédio da oração. Há algo que funciona fora do nosso espaço-tempo. As investigações evidenciam isso, embora haja mecanismos da mente que não podem ser explicados de forma material. Muitas pessoas não percebem esses fenómenos porque não gastam tempo para desenvolver as suas capacidades» assegura o professor de psicologia.
Para quem conhece o espiritismo, como movimento cultural, todas essas pesquisas são perfeitamente naturais, já que tais fenómenos acontecem diariamente ou semanalmente nas associações espíritas. No entanto estes estudos que vêm confirmar os postulados espíritas são uma porta aberta para o derrube do preconceito cultural ainda vigente, no que concerne à realidade da imortalidade da alma e da reencarnação.
Bibliografia: PSICÓLOGO DEFENDE QUE HÁ EVIDÊNCIAS DE VIDA APÓS A MORTE, Jornal «Público», Portugal, 6 de Abril de 2002.

A VIDA FUTURA

José Argemiro da Silveira
de Ribeirão Preto, SP

"Tornou pois a entrar Pilatos no pretório, e chamou a Jesus, e disse-lhe: Tu és o Rei dos Judeus? Respondeu-lhe Jesus: O meu reino não é deste mundo" (João - cap. XVIII, 33-34)

Com estas palavras, Jesus se refere claramente à vida futura, fim a que se destina a humanidade. Sem a vida futura, a maior parte dos seus preceitos de moral não teriam razão de ser. A continuidade da vida, após a morte do corpo físico, é o ponto central do ensino do Cristo.

Sem compreendermos a continuidade da vida, depois da morte do corpo material, não há como entender as afirmativas de Jesus no Sermão da Montanha. As compensações prometidas aos sofredores em geral, não se cumprem nesta dimensão física. Em algumas passagens do Evangelho, Jesus fala da felicidade que, no plano espiritual, aguarda os que fizerem o bem na Terra, e do sofrimento reservado aos que viveram no egoísmo, sem se preocuparem com o seu semelhante. No quadro do juízo final, o Mestre afirma que todo aquele que ajudou o próximo necessitado: deu de comer ao faminto, vestiu o nu, visitou o encarcerado, enfim todo bem praticado aos irmãos necessitados seria como se a Ele tivesse feito. E estes usufruirão felicidades. E os que agiram de modo contrário, deixando de dar assistência aos necessitados, seria como se a Ele mesmo tivessem negado o socorro. E estes sofrerão as conseqüências de sua omissão, da falta de amor e solidariedade. Também na Parábola do rico e Lázaro, Jesus informa a desigualdade de situações em que se acham no plano espiritual, as duas personagens, em conseqüência do modo como viveram aqui na Terra.

As pessoas, no tempo de Jesus, tinham idéias vagas e imprecisas sobre a vida futura. Acreditavam na sobrevivência da alma, mas não sabiam como isto podia acontecer. Considerando o estado evolutivo das pessoas daquele tempo, Jesus não podia falar toda a verdade com relação a vida futura, pois não tinham condições de compreender. "Conformando o seu ensino ao estado dos homens da época, Jesus evitou lhes dar o esclarecimento completo, que os deslumbraria em vez de iluminar, porque eles não o teriam compreendido. Ele se limitou a colocar, de certo modo, a vida futura como um princípio, uma lei da natureza, à qual ninguém pode escapar. Todo cristão, portanto, crê forçosamente na vida futura, mas a idéia que muitos fazem dela é vaga, incompleta, e por isso mesmo falsa em muitos pontos". *

O Espiritismo traz grande contribuição para melhor compreendermos a vida após a morte do corpo físico. Não são hipóteses; não são apenas crenças baseadas em suposições. São fatos produzidos pelos Espíritos, aqueles mesmos que viveram aqui no plano físico e que, agora, na outra dimensão, vêm nos esclarecer o que passou e o que passa com eles. Esses fatos estão bem documentados em muitos livros, amplamente comprovados, e continuam acontecendo. Todo estudioso e observador sem preconceito constatará esta realidade. Com o estudo dos fenômenos produzidos pelos Espíritos, através dos médiuns, passamos a saber, efetivamente, que a vida continua depois da morte do corpo material, e, inclusive, como as coisas podem acontecer. Em conseqüência, "a idéia clara e precisa que se faz da vida futura dá uma fé inabalável no porvir *. E isto produz modificações enormes sobre a moralização das criaturas porque muda o ponto de vista pelo qual se encara a vida terrena.

No subtítulo "O Ponto de Vista", cap. II, do Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec nos dá uma bela aula sobre a questão dos valores. Valor é o que orienta a nossa vida. Conforme a tabela de valores que adotamos é o modo como administramos nossa vida. A pessoa que tem uma crença vaga na imortalidade tende a seguir o ditado popular: "Vale mais um pássaro na mão do que dois voando". Ante uma expectativa duvidosa sobre a vida futura, trata de gozar o presente, buscando a satisfação dos seus apetites, custe o que custar. É o mundo competitivo que vivemos. A lei humana que deveria disciplinar e organizar a vida em sociedade acaba não sendo obstáculo aos astuciosos, bastante espertos e inteligentes para burlar essas regras sociais, só sendo pegos em atividades lesivas ao bem comum, em raras oportunidades. A pessoa pode ostentar um rótulo religioso, aparentar crença na imortalidade até por conveniência, mas a maneira como efetivamente vive demonstra a falta de sinceridade, ou de convicção nessas crenças.

Quem sabe que a vida continua, após a morte do corpo físico, e que a Justiça Divina, a Lei de Causa e Efeito, não dormem, e que ninguém transgride impunemente essas Leis, por certo se orientará por outra tabela de valores.

Os bens do Espírito - o saber e as virtudes - passam a ser considerados, e mesmo buscado como os bens maiores.

O presente é resultado do passado, assim como no presente estamos construindo o futuro. O Criador nos dá liberdade para escolher caminhos, e nos faz responsáveis por tudo que realizamos. É uma questão de inteligência evitar aquilo que nos causa algum prazer no presente, mas que compromete o futuro. "Essa visão de conjunto os homens do tempo do Cristo não podiam compreender, e por isso o seu conhecimento foi reservado para mais tarde". *

* - Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. II - Allan Kardec.

(Jornal Verdade e Luz Nº 176 de Setembro de 2000)

DIÁLOGO SOBRE A VIDA DEPOIS DA MORTE

Benjamin Teixeira em diálogo com o espírito Eugênia



Nossos leitores desejariam saber como é o mundo espiritual. Quando morremos, para onde vamos?

O mundo espiritual constitui uma mera continuação das aflições, aspirações, bem como da vida intelectual, afetiva e moral de quem esteja no plano físico de vida e sofra o decesso do corpo.

O organismo de carne é simplesmente um aparelho biológico para manifestação do ser pensante, em certa ordem de freqüência existencial, assim como a Física revela ser a dimensão material aquilo que está incluso num determinado espectro vibratório de elementos subatômicos.

Desvencilhando-se do arcabouço animal, o indivíduo trafega para a dimensão espiritual condizente com seus gostos, afinidades, interesses e caráter. Assim, veremos viciados acoplarem-se a grupos de viciados, atormentados na outra dimensão em busca de "vasos vivos" (os encarnados que partilhem da mesma ordem de dependência), para dar continuidade às suas expansões de desequilíbrio.

Os pervertidos e malévolos consorciam-se, de sua parte, com aqueles que se afinam com seu modo de ser, conjugando-se a planos mefistofélicos, azucrinando indivíduos e multidões de encarnados, com sua inspiração medonha, dando asas à sua compulsão de poder, ainda que aplicado no mal.

Aqueles, todavia, detentores de relativos patrimônios de moralidade e de virtude, cumpridores de seus deveres profissionais, familiares e sociais, gravitam para circuitos de pensamento e sentimento que se coadunam, igualmente, com sua condição mais civilizada. Destarte, colônias, cidades, instituições, verdadeiras organizações avançadas para fins humanitários, científicos, filosóficos e religiosos estruturam-se na nossa dimensão de vida, oferecendo aparato comunitário àqueles que almejam aprimorar suas qualidades, bem como devotar-se às atividades do bem, inspirando, por exemplo, os encarnados que desejem contribuir para o progresso da humanidade ou apenas realizar o melhor pelos entes queridos sob sua responsabilidade.

ESPERANÇA

Domério de Oliveira

de São Paulo, SP

"L’espoir des hommas, c’est leur raison de vivre et de mourir". (Malraux - 1901-1976)

Esperança, do étimo latino "sperantia", é o ato de esperar o que se deseja. Também, significa a fé ou seja a confiança em conseguir o que se deseja. A esperança é a segunda das três virtudes teologais, simbolizada por uma âncora.

Meus amigos, como Espíritas, alimentamos a viva esperança de encontrarmos, após o nosso decesso físico, com os nossos parentes e amigos que nos precederam na viagem de regresso ao Plano Maior. Alimentamos a esperança de nos encontrarmos com aquelas pessoas com as quais já temos afinidades.

Neste sentido, encontramos uma página maravilhosa em um livro clássico, "Il Cuore" de Edmundo de Amicis, No livro, em tela, 46.ª ed., edit. Francisco Alves, 1954, encontramos, às fls. 114/115, uma verdadeira profissão de Fé do autor sobre a Imortalidade. Amicis, sabiamente, coloca o assunto em forma de diálogo entre a mãe e o filho Henrique. Sentimos, neste diálogo, a firmeza do autor e a sua plena convicção na vida maior do Espírito. Vale à pena, à guisa de ilustração, transcrevermos "ipsis verbis" as sábias e ponderadas palavras de Edmundo de Amicis:

"Deus que nos lançou um nos braços do outro, não há de separar-nos, para sempre; quando eu morrer, quando teu Pai morrer não nos diremos aquelas tremendas e desesperadas palavras: mamãe, papai, Henrique, nunca mais te verei. Ver-nos-emos em uma outra vida, onde os que sofreram nesta, serão compensados; onde o que muito amou na Terra, tornará a encontrar as Almas amadas num outro mundo, sem lágrimas e sem morte. Mas devemos tornar-nos todos dignos dessa outra vida. Ouve, filho, a tua ação boa, a tua palavra de afeto aos que te amam, cada ato de cortesia para com os teus companheiros e cada nobre pensamento, será como que mais um impulso que te irá erguendo e te irá aproximando daquele mundo. E também te elevam todas as dores, porque cada dor é a expiação de uma culpa e cada lágrima apagará uma nódoa. Procura, cada dia, ser melhor e mais amável que no dia anterior. E pede a Deus que te dê força para realizar o teu propósito:

Senhor, eu quero ser Bom, eu quero ser Nobre, Corajoso, Sincero; socorrei-me, fazei que todas as noites, quando minha mãe me dá o último beijo, eu possa dizer-lhe: Tu beijas esta noite um filho mais honesto e mais digno do que o que beijaste ontem".

E, conclui, com maestria, nosso ínclito Amicis:

"Oh! Deus Grande! Deu Bom! Tornar a ouvir depois da morte o meu Henrique, o Henrique abençoado e imortal, apertá-lo num abraço que não se dissolverá mais, nunca mais..."

Meus amigos, que lição de Espiritismo, de legítimo Espiritismo, nos dá o Grande Escritor Edmundo de Amicis, neste seu magnífico Livro - "Il Cuore". As suas palavras são claras, objetivas, alicerçadas nos ensinamentos de Kardec e, nestas circunstâncias, dispensam quaisquer comentários. O Livro "Il Cuore", em todas as suas páginas, deixa-se banhar pelas águas lustrais da Educação Moral e Cívica. Esse Livro deveria ser de leitura obrigatória nas Escolas. Livros como "Il Cuore" de Edmundo de Amicis, como "Valor" de Charles Wagner que edificam o Espírito, infelizmente, são esquecidos e a subliteratura, como erva daninha, que nada edifica, vai arrasando os corações jovens. Razão tinha nosso Monteiro Lobato quando sustentava que um "País se faz com Homens e Livros". Logicamente nosso Mestre Lobato referia-se a Homens Bons e a Livros Bons.

(Jornal Verdade e Luz Nº 176 de Setembro de 2000)

VERDADEIRA E INALIENÁVEL PROPRIEDADE

Rogério Coelho

"A ninguém caberá dizer que uma coisa lhe pertence, quando lhe pode ser tirada sem o seu consentimento".
François- Nicolas-Madeleine; Cardeal Morlot (1)

Dizia Sócrates:

"Todo homem que ama a riqueza não ama a si mesmo, nem ao que é seu; ama a uma coisa que lhe é ainda mais estranha do que o que lhe pertence."

O fundo do pensamento do célebre filósofo grego expressa uma insofismável realidade: o que de fato é - inalienavelmente - nosso, é o que nos é dado levar deste mundo, quando daqui saímos.

Afinal, o que na realidade nos pertence?

Socorramo-nos das informações prestadas por Pascal no Terceiro Livro Básico da Codificação: (2)

"Do que o homem encontra ao chegar e deixa ao partir goza ele enquanto aqui permanece. Forçado, porém, que é a abandonar tudo isso, não tem das suas riquezas a posse real, mas, simplesmente, o usufruto. Que é então o que ele possui? Nada do que é de uso do corpo; tudo que é de uso da alma: a inteligência, os conhecimentos, as qualidades morais. Isso o que ele traz e leva consigo, o que ninguém lhe pode arrebatar, o que lhe será de muito mais utilidade no outro mundo do que neste. Depende dele ser mais rico ao partir do que ao chegar, visto como, do que tiver adquirido em bem, resultará a sua posição futura."

Um Espírito Protetor, observando a ânsia de posse das criaturas assinalou(3)

"Quando considero a brevidade da Vida, dolorosamente me impressiona a incessante preocupação de que é para vós objeto o bem-estar material, ao passo que tão pouca importância dais ao vosso aperfeiçoamento moral, a que quase nenhum tempo consagrais e que, no entanto, é o que importa para a Eternidade. Insensatos! Credes, então, realmente, que vos serão levados em conta os cuidados e os esforços que despendeis movidos pelo egoísmo, pela cupidez ou pelo orgulho, enquanto negligenciais do vosso futuro? Seria essa a finalidade da existência que Deus vos outorgou?"

Cardeal Morlot aduz: (1)

Tanto quanto da riqueza, também da autoridade terá de prestar contas aquele que dela se ache investido. Não julgueis que lhe seja ela conferida para lhe proporcionar o vão prazer de mandar, e nem que ela é uma propriedade particular. Deus, aliás, lhes prova constantemente que não é nem uma nem outra coisa, pois que deles a retira quando Lhe apraz. Se fosse um privilégio inerente à sua personalidade, seria inalienável."

Conta F. V. Lorenz que, seiscentos anos antes do advento do Cristo, reinava na Lídia, um dos países mais prósperos e mais civilizados da Ásia, o rei Creso, famoso por seu luxo e opulência.

Uma vez, recebeu a visita de um sábio grego chamado Solon. Creso o recebeu muito bem, e, vaidoso, mostrava-lhe - com orgulho - suas obras de arte, a suntuosidade de seu palácio e seus inúmeros e raros tesouros.

O rei, acostumado a ser incensado por seus vassalos e turiferários, querendo provocar elogios para enaltecer-se, perguntou ao sábio (já contando certo que a resposta o apontaria):

- Tu, Solon, que conheces muitos países, poderás dizer-me quem é o mais ditoso dos homens?

- Bem , senhor, de todos os homens que conheci, os mais ditosos foram três cidadãos gregos, pobres, que viviam do trabalho de suas mãos, honestos, caridosos, de vida pulcra, sem jaça, um exemplo, aliás, para todos nós...

- Ora, Solon, pensei que iria mencionar o nome de algum rei glorioso e riquíssimo e tu me apontas três desconhecidos pobretões?!... Não me julgas feliz, então?

A resposta de Solon, merece ser lida e entendida com muito cuidado, vez que serve para todos nós. Foi a seguinte:

- "Não se deve louvar o dia antes da entrada do Sol, e não se pode chamar verdadeiramente feliz a ninguém, enquanto ainda está vivendo na Terra. A fortuna é muito instável, e gosta de abandonar muitos dos que tem favorecido, e humilhar os que tem exaltado."

*

Passaram-se os anos, durante os quais houve notáveis acontecimentos políticos e reviravoltas do poder, e o rei Creso perdeu a guerra que ele mesmo iniciara contra Ciro, rei da Pérsia, que o aprisionou e condenou à pena máxima.

Já estava Creso atado a um pau, para ser queimado vivo, quando exclamou três vezes em alta voz: "Ó Solon!" Perguntou-lhe Ciro o que significava essa exclamação. Então, contou-lhe Creso da visita de Solon e como o sábio não quisera chamá-lo ditoso, apesar das enormes riquezas e grande poder, de que naquele tempo gozava, e como lhe advertira de que a fortuna era instável. – "Agora vejo que o sábio grego teve plena razão" - acrescentou o infeliz condenado.

Ciro, ouvindo as palavras de Creso, ficou comovido e ordenou que soltassem imediatamente o rei vencido; revogou a sentença e conservou Creso livre em sua corte. Sem dúvida, tornou-se-lhe claro, naquele momento, que também a sua sorte não era tão garantida, que não pudesse virar-se contra ele.

E realmente, depois de muitos anos de prosperidade, após muitas guerras vitoriosas, o destino entregou-o a um povo bárbaro da Citia, cuja rainha Tomíris, vendo-o caído em suas mãos como prisioneiro, mandou decapitá-lo, mergulhando-lhe, empós, a cabeça num vaso cheio de sangue humano, exclamando: - "Ciro, sacia-te desse sangue, de que sempre foste sedento".

*

(1) Kardec, A. In "O Evangelho Segundo o Espiritismo"- Capítulo XVII, item 9

(2) ______________________________________________ XVI , item 9

(3)_______________________________________________________12

(Jornal Mundo Espírita de Maio de 1998)

MORTE: ANGÚSTIA OU LIBERTAÇÃO?

Por Américo Domingos Nunes Filho

Na Codificação Kardeciana, onde sobeja o conhecimento das leis que regem as relações do Espírito e da matéria, recebemos informações valiosas a respeito do que acontece no chamado fenómeno da morte.

De início, o ensinamento básico de que a alma se separa do corpo físico por desprendimento dos laços que a prendem. Em realidade, os liames são desatados e nunca quebrados ("O.L.E." n" 155).

É importante frisarmos, também, que há considerável diferença entre morrer e desencarnar, desde que a morte é a cessação da vida de um ser biológico, enquanto a desencarnação consiste no desatamento total do perispírito da matéria.

Através dessa informação, podemos avaliar que, na maior parte das vezes, o momento do falecimento não é acompanhado da libertação completa do Espírito.

Informa-nos Kardec que o processo desencarnatório pode operar-se gradualmente e com lentidão muito variável, chegando ao ponto de durar alguns dias. semanas ou meses, nos indivíduos que nutriram excessivas paixões materiais ("O.L.E.". n° 155).

Essa afinidade tenaz e persistente com o veículo físico acontece nos que viveram mais da matéria que do espírito, levando mesmo à sensação dos vermes a consumirem suas entranhas, junto à decomposição cadavérica.

Algumas suicidas, também, experimentam essa horripilante impressão, podendo durar o tempo equivalente ao da vida abreviada, consoante as circunstâncias agravantes da falta.

Da obra "O Céu e o Inferno", retiramos algumas palavras proferidas pelo "Suicida de Samaritana", quando evocado pelo Codificador:

"Estou abandonado; fugi ao sofrimento para entregar-me à tortura"(...) "Ansiava pela morte; esperava repousar"(...) "A vida não se extinguiu; minha alma está ligada ao corpo. Sinto os vermes a corroerem-me" (Pág. 296/FEB).

Quanto ao fato de a alma não ter consciência de si mesma imediatamente após deixar o veículo somático, a Doutrina Espírita ensina-nos o seguinte: "... Aquele que já está purificado, se reconhece quase imediatamente, pois que se libertou da matéria antes que cessasse a vida do corpo, enquanto que o homem carnal, aquele cuja consciência ainda não está pura, guarda por muito mais tempo a impressão da matéria" ("O.L.E.", n° 164, FEB).

Allan Kardec, comentando o tema, relata que essa "perturbação apresenta circunstâncias especiais, de acordo com os caracteres dos indivíduos e, principalmente, com o gênero de morte".

Afirma o Mestre francês que "nos casos de morte violenta, por suicídio, suplício, acidente, apoplexia, ferimentos, etc., o Espírito fica surpreendido, espantado e não acredita estar morto" ("O.L.E.", pág. 118-FEB)

Os leitores que assistiram ao filme "Ghost, o outro lado da vida", devem lembrar-se de que, de início, o Espírito se mostra surpreendido, não sabendo que não fazia mais parte do mundo dos encarnados, apresentando-se com corpo bem semelhante ao que deixou no ambiente físico.

Diz o Codificador que o Ser Espiritual "vê o seu próprio corpo, reconhece que esse corpo é seu, mas não compreende que se ache separado dele. Acerca-se das pessoas a quem estima, fala-lhes e não percebe por que elas não o ouvem. Semelhante ilusão se prolonga até ao completo desprendimento do perispírito. Só então o Espírito se reconhece com tal e compreende que não pertence mais ao número dos vivos. Este fenômeno se explica facilmente. Surpreendido de improviso pela morte, o Espírito fica atordoado com a brusca mudança que nele se operou; considera ainda a morte como sinônimo de destruição, de aniquilamento. Ora, porque pensa, vê, ouve, tem a sensação de não estar morto.

Mais lhe aumenta a ilusão o fato de se ver com um corpo semelhante, na forma, ao precedente, mas cuja natureza etérea ainda não teve tempo de estudar. Julga-o sólido e compacto como o primeiro e, quando se lhe chama a atenção para esse ponto admira-se de não poder palpá-lo." ("O.L.E.", págs. 118 e 119, FEB)

Na obra "Voltei", psicografada pelo estimado médium Francisco Cândido Xavier, editada pela FEB (Federação Espírita Brasileira), vem-nos à lembrança o momento em que o irmão Jacob (pseudônimo do confrade Frederico Figner), já liberto dos liames terrenos, toca uma parte do seu corpo extrafísico, surpreendendo-se por sua consistência amolecida, como se fosse constituído de borracha macia.

A propósito, lembramo-nos de um caso pitoresco, vivenciado por amigo espírita que estava viajando, à noite, para São Paulo, e dormiu ao volante. Acordou, em plena escuridão, fora da estrada, e logo lhe veio à mente a certeza da desencarnação.

Na dúvida, chutou um bloco de pedra e a dor que sentira, ao mesmo tempo entremeada de alegria, revelava-lhe a comprovação de que se achava ainda entre os "vivos", embora com o pé quebrado.

Se o companheiro fosse afeito ao estudo da Doutrina, saberia que bastava apenas simples toque em seu corpo, para cientificar-se de que estava ainda encarnado.

Do final do tópico “Da Volta à Vida Espiritual" (Parte 2°, Capítulo III de "O.L.E."), não podemos deixar de trazer a afirmação da Espiritualidade Superior, dizendo-nos que a prática do bem e a consciência pura são o que maior influência exercem sobre o estado espiritual que se segue à morte.

Disse o Cristo: "Em verdade ,em verdade vos digo que, se alguém guardar a minha palavra, nunca verá a morte " (João 8:51).

"Eu sou a ressurreição e a vida, aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá (João 11:25).

"Quanto à ressurreição dos mortos,não tendes lido o que Deus vos declarou: "Eu sou o Deus de Abraão, Isaque e Jacó?. Ele não é Deus de mortos, e sim, de vivos"

(Mateus 22:31 e 32).

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Entrevista com Divaldo

Amigos,
Repasso entrevista concedida por Divaldo Franco
sobre as transformações que ora vivenciamos no 
planeta. 
Muita paz!



 "A paz pode ser multiplicada a partir de nossas ações cotidianas, no exercício de sentimentos como tolerância, amor e perdão. Amando o próximo, construímos o verdadeiro amor por nós mesmos."


A DOUTRINA ESPÍRITA

ADEP/JDE – Como é que se deve dar o auto-passe, por exemplo, se eu estou necessitado, estou obsidiado, ou perturbado, se eu vou dar o auto-passe eu não me vou auto-perturbar na mesma?
Divaldo – Não, porque vai criar a condição necessária mediante a oração. Para você poder aplicar-se o auto-passe, irá concentrar-se, orar, e enquanto realiza esse mister desvincula-se do psiquismo negativo e, nesse momento revigora-se. As suas energias, como numa auto-hemoterapia, irão auxiliá-lo no refazimento. No meu caso, porque estou sempre junto a muitas pessoas, quando me sinto indisposto, recorro a esse maravilhoso expediente autoterapêutico. Noutras ocasiões, solicito a Nilson que me aplique a bioenergia, quando nos encontramos juntos, ocorrendo com ele o mesmo, o que nos ajuda a manter o equilíbrio e o bem-estar.
ADEP/JDE – (…) é no sentido dos ponteiros do relógio ou ao contrário?
Divaldo – No sentido dos ponteiros do relógico. Após o que eu denominaria, embora com imprecisão, como sendo uma limpesa psíquica, concentro-me nos plexo coronário e cardíaco, logo conseguindo a recuperação anelada.
ADEP/JDE – Olhe Divaldo, se os espíritas são a minoria porque é que sofrem tanto o assédio dos Espíritos inferiores?
Divaldo – Porque aqueles Espíritos inimigos foram nossas vítimas, e vendo hoje o nosso esforço para melhorarmos moralmente, agridem-nos a fim de manter-nos na retaguarda onde se encontram. Um número expressivo de espíritas, é constituído de cristãos que falimos e que gerámos situações embaraçosas, infelicitando muitas vidas, de forma que essas vítimas tornaram-se nossos adversários e não nos desculpam o mal que lhes fizemos.
ADEP/JDE – Então não é pela grandeza, vá lá, da Doutrina Espírita mas sim por uma perseguição pessoal?
Divaldo – Exactamente. Porque eles vêm para a cobrança e sabem que o Espiritismo representa tudo de libertador, e que, se nos afeiçoarmos à doutrina, servindo-a com abnegação eles nos perdem, entregando-se, desse modo ao infeliz tentame de prejudicar-nos.
ADEP/JDE – Com o avanço tecnológico destes últimos cem anos é esperado que a tecnologia no Além pelo menos esteja igual, ou superior, não é? Se assim for, podemos dizer que as obsessões deixaram de ser pessoais, isto é, o obsessor andar atrás de outro e passar a haver obsessões electrónicas?
Divaldo – Eles usam muitas técnicas e utilizam de recursos que antes não conhecíamos, portanto, não sabendo precatar-nos. Desse modo, já os utilizavam, só que os ignorávamos, porque nos faltavam esclarecimentos próprios. Muitos casos, por exemplo, de auto-obsessão decorrem de chips colocados no cérebro perispiritual, , resultando na hipnose por uma voz monótona, repetitiva, levando o indivíduo a certos estados psicopatológicos com o tempo; outras vezes, eles utilisam a ressonância magnética. Ao invés de ficarem ao lado, enviam ondas mentais sucessivas. As mesmas vêm em nossa direção e se encontram resistência não nos afetam, mas isso raramente ocorre. Com o tempo, porém, a sua insistência como que vai gastando o campo defensivo até sermos alcançados, passando a sentir-lhes as idéias infelizes, assim estabelecendo-se o vínculo que abre espaço ao intercâmbio doentio.
ADEP/JDE – E como é que os trabalhadores espíritas se podem preparar para combater essas obsessões, esses trabalhos? É só confiar na equipe espiritual?
Divaldo – Não. Têm que fazer o esforço de deter-se numa auto-análise a respeito da própria conduta. Encontramos essa diretriz na resposta que os Mentores deram à questão de n° 919, conforme exarada em O Livro dos Espíritos, lutando, sem cessar para superar as más inclinações e fazer todo o bem possível. Se, por exemplo, me dou conta de que estou muito interessado numa coisa que não me é normal e que me pode trazer danos, eu reflexiono que essa ocorrência pode ser uma inspiração negativa. Então eu procuro diluí-la, substituindo esse tipo de pensamento por um outro edificante. Os cuidados com a mente, as palavras e os atos devem ser constantes.
ADEP/JDE – Vigilância.
Divaldo – Vigilância, sim, sem cessar.
ADEP/JDE – Uma pergunta, Divaldo, Infante D. Henrique é o guia de Portugal, não é? Porque é que ele se chama Helil?
Divaldo – Eu tenho a impressão que o nome procede de uma tradição do mundo espiritual, na condição de membro dos primeiros colaboradores de Jesus na construção das sociedades terrestres, sendo uma designação muito especial, e que não foi física, a ele dada, talvez, pelos Espíritos nobres.
ADEP/JDE – E o Infante D. Henrique não reencarnou desde que foi Infante D. Henrique?
Divaldo – Acredito que não. Ele veio com a missão especial de alargar os horizontes do mundo e de desenhar para Portugal a missão do país dos navegantes mais notáveis de todos os tempos...
ADEP/JDE – Então era um Espírito muito evoluído.
Divaldo – Sem qualquer dúvida, sim.
ADEP/JDE – A Rainha Santa Isabel, desde que foi rainha também não voltou a encarnar?
Divaldo – Segundo a informação que tenho do mundo espiritual, não, porque ela atingiu um estado de completude. A sua vida foi tão notável, que não deixou débitos morais para futuros resgates. As emoções nobilitantes foram-lhe tão superiores que ela não precisou mais de retornar. Espíritos desse nível podem retornar nestes ou nos dias do futuro, no período de regeneração, para promover a sociedade de maneira mais rápida, digamos que num salto quântico.
ADEP/JDE – Ela é o guia do movimento espírita?
Divaldo – Acredito que sim, mas não apenas do movimento espírita...
ADEP/JDE – Lá na organização do mundo espiritual cada país tem um guia? São subordinados de quem? É tipo presidente da república e cada cidade tem um governador?
Divaldo – Seria mais um conselho de administradores dos povos. Cada um deles estaria vinculado a um povo sob a presidência de Jesus, como numa grande empresa, em que Jesus é o presidente e os outros são chefes de departamentos...
ADEP/JDE – Os Apóstolos estão reencarnados na Terra ou estão “santificados”?
Divaldo – Os Apóstolos continuam trabalhando. Daquilo que sabemos, Judas teve a sua última reencarnação como Joana d’Arc, João Evangelista como Francisco d’Assis. De alguns outros não temos informações confiáveis, porém eles continuam no Colégio Apostólico trabalhando pela construção do mundo novo sob a égide de Jesus.
ADEP/JDE – 2012 é um ano mágico? Segundo as tradições Maias e outras, parece que vão acontecer muitas coisas, terramotos, tsunamis.
Divaldo – Eu confesso que não acredito. Porque é provável que os Maias hajam parado o seu calendário por qualquer circunstância que nos escapa. A humanidade gosta muito de tragédias, de fenómenos físicos dolorosos, de apocalipses e desgraças. Os Espíritos nobres afirmam que essas profecias não podem ter data fixa, porque dependem muito do livre-arbítrio da sociedade. Se nós prosseguirmos em determinadas circunstâncias acontecerão tais ou quais ocorrências, mas se mudarmos para melhor acontecerão outras. Então, o ano 2012 talvez esteja dentro desse cômputo das transformações naturais lentas, porque em todas as épocas temos tido maremotos, tisunamis e outros fenômenos sísmicos tão graves quanto esses que ora se encontram anunciados.
ADEP/JDE – A ciência vai descobrir o Espírito?
Divaldo – Já o descobriu em diversas ocasiões através de diversos cientistas, que optaram porém, em dar-lhe outra denominação. Por exemplo, o dr. Firsoff, inglês, declarou: «O espírito, para mim, é um ser de interacção universal, semelhante à electricidade e à gravidade, que pensa.» Utilizando-se da palavra inglesa Mind, afirmou que o mesmo é constituído de mindons, de corpúsculos. Portanto, um astrofísicodessa talha fazer tal afirmação, é a constatação da descobverta do Espírito. O dr. Rupert Scheldrak, que é um notável biólogo, autor dos campos "morfogenéticos", muito criticado na época (o que não lhe tira o valor de pesquisador honesto e respeitado por outros), quando apresentou a sua tese, também conseguiu constatar que existe no universo uma força oculta. .De igual maneira, diversos outros estudiosos lograram encontrar o Espírito.
ADEP/JDE – A transcomunicação instrumental praticamente não evoluiu desde os anos sessenta. Quer dizer, há assim uns factos, mas vá lá, não há uma coisa mais aprofundada. Isto deve-se a quê? À falta de condições ético-morais da humanidade ou estão à espera de novas oportunidades?
Divaldo – Não, eu acredito que não. Se bem observarmos, o fenómeno espírita veio até à TCI, só que usando os instrumentos da época: a mesinha, a ardósia, a cesta de vime. Com o advento dos gravadores, da televisão, acreditou-se que se poderia mais facilmente detectar essa realidade nessa área, assim como na virtual. Mas os passos até então conseguidos não foram muito expressivos. Que eu saiba hoje são poucos os grupos que estão trabalhando em TCI com os resultados desejáveis, salvadas algumas nobres exceções.
ADEP/JDE – Divaldo, há tempos, se não me falha a memória, o Divaldo tinha apontado que por volta mais ou menos de 2050 poderia iniciar-se a época da Regeneração…
Divaldo – Sim, é verdade. Nessa época já estaremos em um período avançado na condição de mundo de regeneração. Penso, que esse, é também o conceito defendido pelo Espírito Emmanuel através de Francisco Cândido Xavier.
ADEP/JDE – A grande maioria da população não é espiritualista, ou se o é, é boca para fora, não é? A guerra, compadrio, tráfico de armas, tráfico de pessoas, tráfico de drogas, será a sensação que está tudo num caos. Falta tão pouco tempo, os espíritas são tão pouquinhos, não vivem um bocado à margem da realidade? Será que Deus tem outros planos mais assertivos para mudar?
Divaldo – Acredito que sim. Tenho certeza que as reencarnações, conforme vem ocorrendo, serão massivas e o número de Espíritos nobres que se reencarnarão é muito grande. Teremos uma espécie de Renascença da beleza, do amor e da verdade...
ADEP/JDE – Nessa altura, não é?
Divaldo – Nessa altura, sim, nesses anos próximos. A partir de 2025 a 2050 teremos o momento da grande transição e, como os Espíritos maus, segundo as tradições, não encontrarão campo vibratório para reencarnar na Terra, irão para planos inferiores. Haverá uma mudança em breve, graças às gerações que formarão a Era Nova.
ADEP/JDE – A Igreja Católica vai acabar?
Divaldo – Não acredito. Como organização acredito que se adaptará aos novos métodos como vem acontecendo através da História.
ADEP/JDE – Emmanuel estará com nove anos, segundo dizem. Ele vai ser espírita? Tem uma missão fora do Espiritismo?
Divaldo – Confesso que, a esse respeito, tenho poucas ou quase nenhumas informações que mereçam confiança. A considerar-se como verdadeiras, acredito que o nobre Espírito desempenhará um papel de alta relevância na sociedade do porvir.
ADEP/JDE - A Joanna d’Ângelis segundo lhe disse vai reencarnar por volta de 2015. Vai ser no Brasil?
Divaldo – Na oportunidade em que abordou o tema, ela não estabeleceu uma data, informando-me que estava sendo programada para renascer no Brasil. Esclareceu que, terminada a tarefa que desenhou para realizar orientando-me, logo que ocorra a minha desencarnação, ela estará de retorno...
ADEP/JDE – Ela disse que vinha ser espírita?
Divaldo – Ela foi religiosa católica, nas próximas anteriores reencarnações, no entanto, nos últimos duzentos anos no Além estudou muito o Espiritismo, fez parte da equipe de o Consolador, e pretende vir na condição de espírita.
ADEP/JDE – (risos). Olhe, não sente um friozinho na barriga por ela estar voltando e você ter de partir primeiro?
Divaldo – Não, pelo contrário, sinto-me jubiloso, porque ela constatará como é difícil a existência na Terra... (risos)
ADEP/JDE – Tem conhecimento de outros Espíritos nobres que estejam voltando, para além dela?
Divaldo – Os Espíritos amigos me esclarecem que várias Entidades superiores que estiveram na Terra nos períodos passados estão preparando-se para retornar, quais estrelas do Céu que cairão sobre o planeta, para fazerem a grande mudança para mundo de regeneração, adoptando o comportamento espírita.
ADEP/JDE – Quem é que o vai substituir na condição de “Paulo de Tarso” da actualidade ? Raul Teixeira?
Divaldo – José Raul Teixeira é um grande trabalhador, um verdadeiro missionário da seara espírita. Eu acredito, porém, que cada um de nós tem um tipo de tarefa. Desse modo, cada qual encerra o seu ciclo de atividades e a Divindade envia novos trabalhadores bem equipados para darem prosseguimento à construção do Bem.
ADEP/JDE – O que é que os Espíritos lhe dizem sobre a cura do cancro, do sida, do Alzheimer? Estão aí com a genética?
Divaldo – Informam-me que, por enquanto, essas doenças ainda são uma necessidade para o nosso processo de autoiluminação.
ADEP/JDE – Porque é que as pessoas têm ansiedade sem a querer ter, e sem ter razões para isso?
Divaldo – Muitas dessas aflições procedem de existências pretéritas que se impõem como necessidade de libertação. Desse modo, a culpa, ínsita no inconsciente do indivíduo, produz-lhe reacções emocionais, que impulsionam aos distúrbios de ansiedade, assim como de outras denominações.
ADEP/JDE – Quem foi Maria, Mãe de Jesus? Ela voltou a encarnar?
Divaldo – A Mãe de Jesus é um Espírito de alta estirpe, que foi elegida para recebê-lO na Terra. Não acredito que ela haja retornado ao proscênio terrestre, reencarnando-se.
ADEP/JDE – Ela é endeusada pelas religiões ou é mesmo um Espírito muito evoluído?
Divaldo – O endeusamento é fruto da ignorância, das superstições das massas. Nada obstante, trata-se de um Espírito muito elevado. Eu estive na Turquia, na casa onde ela teria vivido os seus últimos dias, e confesso que foi um dos ambientes psíquicos mais agradáveis que eu já vivenciei. Oportunamente, eu visitei a Gruta da Natividade, o local do Calvário, a Cave de Lázaro, conforme asseveram as tradições, mas em nenhum desses recintos eu experimentei as emoções dulçurosas que senti naquele recanto de paz...Aquela região impressionou-me profundamente, como se permanecesse impregnada pelos fluidos dos antigos tempos... Para ser elegida como a mãe de Jesus não podia ser um Espírito qualquer, e que veio nessa missão única, não mais tendo retornado em corpo físico.
ADEP/JDE – E o Pai de Jesus?
Divaldo – Também foi um homem extraordinário, isso eu sei. E o tenho em alto conceito, em razão da sua renúncia e humildade, apagando-se, quanto possível, como enunciou João Baptista: «É necessário que eu diminua para que Ele cresça».
ADEP/JDE – Mas também terá deixado de reencarnar na Terra?
Divaldo – Penso, que sim.
ADEP/JDE – As notícias veiculadas nos meios de comunicação (eu não sabia disto) informam que, na América, já se faz uma operação que consiste numa pequena rede num cabo perto da axila, debaixo da pele, isto sobre a depressão. Depois uma nova incisão no cérebro onde é colocado um arame que irá provocar um estímulo eléctrico ao nervo vago. Mediante este tratamento a depressão desaparece. A questão é a seguinte: como é que se pode analisar à luz da Doutrina Espírita se está ligada a processos obsessivos ou a espíritos?
Divaldo – Caso isso seja verdade, porque eu também desconheço a técnica, ocorre que, no problema cármico a pessoa já merece a libertação do transtorno, conforme sucede com tantas outras enfermidades. Todavia, se o paciente ainda não possua créditos morais para a libertação, o processo terapêutico poderá produzir estímulos para a produção da serotonina, da noradrenalina, o que ajudará na melhora da depressão, mas não, penso, na conquista da saúde integral. Passará a apresentar outros distúrbios de conduta, outros tipos de problemáticas afligentes, porque, para as Divinas Leis não importa como a pessoa resgate os seus débitos, mas que os resgate.
ADEP/JDE – Duas últimas: Barack Obama é um enviado de Deus?
Divaldo – Eu diria que ele veio numa grande missão para resgatar o seu povo que se encontrava equivocado, politicamente, acreditando-se senhores do mundo, como ocorrera no passado com os romanos... Tornou-se necessário que viesse um Espírito sereno e não belicoso para colocar certos limites e favorecer com a humildade de reconhecer os limites a que todos estamos submetidos.
ADEP/JDE – Está no nosso carma passarmos por uma guerra mundial, com tanto armamento militar?
Divaldo – Por incrível que pareça, o excesso de armas inibe a guerra, porque todos têm medo de iniciá-la, face aos danosos resultados que podem advir.. O Professor Pietro Ubaldi disse-me, faz muitos anos, quando estivemos juntos, que uma 3ª guerra mundial não seria factível, porque o vencedor tombaria sobre o vencido. As armas de destruição em massa seriam de tal forma desastrosas, que os ventos contaminariam toda a Terra, e ninguém seria vencedor... Desse modo, pessoalmente não creio numa 3ª guerra mundial, mas acredito que muitas dessas armas, quando superadas, são utilizadas em movimentos destrutivos locais, guerrilhas, terrorismo, agressividade...
ADEP/JDE – Uma última mensagem?
Divaldo – Está na hora de todos nos abraçarmos e construirmos uma socidade saudável, caracteriza pelo ideal que dignifique a presença do homem novo, do cristão autêntico; que esqueçamos mágoas e ressentimentos e nos recordemos que o amor é a única solução, conforme recomendaram Allan Kardec e Jesus.
Deveremos, nós, os espíritas, olhar o futuro com otimismo e trabalharmos para que o bem e a verdade sejam os sinais defluentes do amor na edificação da felicidade humana.

Entrevista concedida ao Jornal de Espiritismo (ADEP), em Portugal, 05/10/2009.