Estudando o Espiritismo

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sexta-feira, 15 de setembro de 2017

INDULGÊNCIA





De acordo com alguns dicionários a palavra indulgência significa:
Facilidade em perdoar os erros dos outros, clemência, tolerância,
indulto, perdão, bondade, misericórdia.

O Espiritismo adota a divisa “Fora da caridade não há salvação”.
Há nessa máxima, dois conceitos principais:
Salvação: Emmanuel (o consolador, nº 225): Temos de traduzir
o conceito de salvação por iluminação de si mesmo, a caminho
das mais elevadas aquisições e realizações no infinito.

O aprimoramento é tarefa individual de cada Espírito, tendo como
objetivo final a condição de Espírito perfeito. A evolução
é pessoal e intransferível – a cada um segundo suas obras.
Caridade: é composta por três virtudes: benevolência, indulgência
e perdão.

Objetivando obter o melhor conceito de caridade, na questão nº 886
de O livro dos Espíritos, Kardec indaga à espiritualidade superior
qual o verdadeiro sentido dessa palavra, segundo a entendia Jesus.
Obtém a seguinte resposta: “Benevolência para com todos, indulgência
para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas”.

Assim, quando Jesus aconselha que não se julgue, o conselho não
parece ser em sentido absoluto, mas apenas a que não se
julgue com severidade.

A indulgência implica fazer um juízo suave das imperfeições
morais alheias.

É uma questão de valorizar o bem, em vez do mal.

Quando se fala em julgamento, logo vem à mente a famosa
frase de Jesus: “Não julgueis, para que não sejais julgados.”
(Mateus: 7:1).

Trata-se de uma medida prudente, tendo em mira a afirmação
de Jesus de que cada um será medido com a medida que
aplicar aos outros (Mateus: 7:2).

A respeito, o seguinte trecho de O Evangelho segundo o
Espiritismo: “Sede indulgentes com as faltas alheias,
quaisquer que elas sejam; não julgueis com severidade
senão as vossas próprias ações e o Senhor usará
de indulgência para convosco, como de indulgência
houverdes usado para com os outros”
(Capítulo X, item 17, primeira parte).

Nesse mesmo capítulo do Evangelho segundo o Espiritismo,
no item 16, há uma interessante dissertação de José,
Espírito Protetor, a respeito da indulgência. Ele afirma que
a indulgência não vê os defeitos de outrem, mas, se os vê,
evita falar deles. Ao contrário, oculta-os.

Ninguém gosta de ficar perto de uma pessoa severa, que só
percebe e valoriza os defeitos alheios. É desagradável sentir-se
criticado, não apreciado, sem falar que ter as próprias dificuldades
ressaltadas desanima, a ponto de muitas vezes surgir o raciocínio
de que nada mais há para fazer: é-se um caso perdido!

A indulgência, como componente da caridade, não é só a meta
(a libertação final, fruto da vivência perfeita), mas também o
caminho, ao viabilizar a fraternidade entre seres ainda imperfeitos,
mas que sonham com a perfeição e precisam se auxiliar em sua
caminhada.

A INDULGÊNCIA



Com certeza você já deve ter ouvido muito falarem em indulgência, no meio cristão é uma palavra que é
frequentemente utilizada, como a dizer um dos predicados que devemos ter.
Pois bem e você sabe o que significa a indulgência, ou o ser indulgente?
Vejamos o que nos ensina o dicionário sobre esta palavra: Indulgência - in.dul.gên.cia - sf (lat indulgentia) 1 Qualidade de indulgente. 2 Clemência. 3 Condescendência, tolerância. 4 Remissão total ou parcial das penas relativas aos pecados. 5 Perdão. I. plenária: absolvição plena das penas temporais.
Creio que a melhor definição para esta palavra seria tolerância.
Ser indulgente é ser tolerante com os defeitos de nossos irmãos, é não ver esses defeitos, ou se vê-los não torná-los públicos, até por que temos também os nossos defeitos e não gostamos que sejam tornados  públicos, não é mesmo?
A indulgência nos é descrita pelos espíritos como um sentimento doce e fraternal que todos os homens devem alimentar para com os seus irmãos, mas são muito poucos os que fazem isso.
A pessoa que é indulgente procura ocultar os defeitos do seu próximo, procura antes,  destacar as qualidades deste, principalmente quando pessoas maldosas tentam acusar essas pessoas.
Os indulgentes jamais perdem seu tempo com as más atitudes dos outros, emitindo criticas, desabonando, antes seu desejo é somente interceder por aquela alma através da prece e de todo o bem que lhe possa fazer.
O indulgente ao invés de julgar os outros julga ao seu próprio coração, suas atitudes, ao invés de usar de severidade com o seu semelhante, usa-a com os próprios pensamentos, atos, contra si mesmo, pois sabe muito bem que também é impefeito.
Nos tornando indulgente teremos com certeza subido um degrau a mais em nossa escalada evolutiva, e teremos com certeza um débito a menos para administrarmos perante a Divindade.
Devemos sempre ter em nossa mente que aquele que julga em última instância, que conhece o íntimo de cada um dos nossos corações pode perdoar as faltas que nós apontamos nos outros, e condenar aquelas que desculpamos em nós.
Portanto busamos em nós a indulgência como a quem busca a pedra preciosa, o ouro no garimpo, pois com a indulgência seremos ricos, pois com ela ajuntaremos tesouros no céu, enquanto a indulgência atrai, acalma e ergue, a intolerância e o rigor desanima, afasta e irrita.
Meditemos sobre isso.


PJC

*

Adaptação de texto do Evangelho Segundo o Espiritismo
Capitulo X - item 15

Caridade conforme Jesus


Qual o sentido da palavra caridade conforme a entendia Jesus?

Allan Kardec propõe, no item 886 de O livro dos Espíritos, uma das mais importantes reflexões de toda a Doutrina Espírita.

Mostrando mais uma vez, claramente, a raiz cristã do Espiritismo, busca em Jesus – o tipo mais perfeito que Deus deu ao homem para lhe servir de guia e modelo – a referência maior da caridade, para que possamos tê-la como base segura e definitiva.

A resposta dos Espíritos, clara e didática, terá consequências em todas as demais obras da Codificação:

Benevolência para com todos; indulgência com as imperfeições dos outros; perdão das ofensas.

Ser benevolente é agir de boa vontade para com quem quer que seja.

A benevolência está em nossa delicadeza, em nossos gestos de gentileza e de preocupação com as outras pessoas.

Ser benevolente é ser dócil e afável no trato, nas palavras, procurando sempre deixar o outro à vontade.

É pensar no próximo também, e não apenas em nós mesmos, nos nossos problemas, prioridades e urgências.

A benevolência tem o caráter da doação. Doar-se, em primeiro lugar.

Doar o nosso tempo para ouvir alguém, para prestar um favor, um auxílio mínimo que seja, até os grandes gestos de altruísmo que, por vezes, nos fazem dedicar toda uma parte de nossa vida a alguém especial.

A benevolência abrange ainda, em nuance importante, a filantropia, a esmola dada com sentimento de carinho e atenção.

Num mundo onde ainda tantos carecem do necessário para a sobrevivência material, a assistência social aos carentes faz-se urgente e indispensável.

Indulgência é misericórdia, compreensão, é tolerância para com as atitudes alheias.

É virtude que deve atuar no pensamento, toda vez que estivermos julgando, analisando e refletindo sobre o outro.

O indulgente não vê os defeitos de outrem, ou se os vê, evita falar deles, divulgá-los.

Ao contrário, oculta-os, a fim de que se não tornem conhecidos senão daquela pessoa, e, se a malevolência os descobre, tem sempre pronta uma escusa para eles, escusa plausível, séria.

O homem de bem é indulgente para com as fraquezas dos outros porque sabe que ele mesmo precisa de indulgência, e se recorda das palavras do Cristo: Aquele que estiver sem pecado lhe atire a primeira pedra.

Não se satisfaz em procurar defeitos nos outros, nem colocá-los em evidência. Se a necessidade o obriga a fazer isso, procura sempre o bem que possa atenuar o mal.

Finalmente, o perdão das ofensas nos coloca na posição de não mais odiar. É a virtude que triunfa sobre o ressentimento, sobre o ódio, o rancor, o desejo de vingança ou de punição.

Perdoar é dar o direito a cada um de ser como é, e nos dar o direito de ser como estamos – entendendo que nosso estado atual é provisório e devemos estar em constante melhoria.

Benevolência, indulgência e perdão – eis o caminho da caridade, da salvação, da felicidade do Espírito – tão sonhada por nós.


Redação do Momento Espírita, com base no item 886, de
O livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ed. Feb.
Em  19.7.2013.

A INDULGÊNCIA E A CARIDADE

 Bianca Pinheiro

O Apóstolo Paulo, muito antes do advento da Doutrina Espírita, já nos advertia para a importância da caridade, como podemos constatar na belíssima passagem existente na primeira epístola aos Coríntios, capítulo 13, quando diz: “Ainda quando eu falasse todas as línguas dos homens e a língua dos próprios anjos, se eu não tiver caridade, serei como o bronze que soa e um címbalo que retine; ainda quando tivesse o dom de profecia, que penetrasse todos os mistérios, e tivesse perfeita ciência de todas as coisas; ainda quando tivesse toda a fé possível, até ao ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, nada sou. E, quando houvesse distribuído os meus bens para alimentar os pobres e houvesse entregado meu corpo para ser queimado, se não tivesse caridade, tudo isso de nada me serviria.” Na questão 886 de “O Livro dos Espíritos”, se pergunta aos companheiros do plano extra-físico: “Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus?” E a resposta dos Espíritos é direta e objetiva: “Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.” Indulgência é então um dos três pilares que sustentam a caridade e que deve ser objeto da nossa reflexão. No capítulo dez de “O Evangelho segundo o Espiritismo”, os companheiros do Plano Maior esclarecem que a indulgência é a postura daquele que, dentre outras coisas, não vê os defeitos dos outros e, quando os vê, procura não evidenciá-los, não divulgá-los; não tem nos lábios censuras, mas sim conselhos edificantes e, preferencialmente, velados; vê primeiro os seus defeitos, ao invés de se preocupar com as imperfeições de seus companheiros; não propaga a maledicência, ao contrário, procura obstá-la com contra-argumentações firmes e cuidadosas. E acrescentam que aquele que pratica a indulgência é calmo, brando, pacífico, tolerante, compreensivo, paciente, pois vê no irmão, um Espírito em caminhada, um igual, um necessitado, assim como ele. Entende as faltas dos companheiros, como parte de um processo de aprendizado, no qual também se encontra inserido. É daí que retira a força para praticar a caridade através da indulgência, perdoando e auxiliando sempre que necessário, pois se reconhece também na posição daquele que, muitas vezes, precisa da compreensão e do perdão alheios. Todos temos arestas a aparar, vícios a transformar em virtudes e, por isso, a importância de praticarmos a indulgência, um dos pilares da caridade, fora da qual não conseguiremos desenvolver nossas potencialidades de filhos de Deus. Cheap Offers: http://bit.ly/gadgets_cheap

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A indulgência - ESE

https://evangelhoespirita.wordpress.com/capitulos-1-a-27/cap-10-bem-aventurados-os-misericordiosos/instrucoes-dos-espiritos/ii-a-indulgencia/

INDULGÊNCIA – COMPILAÇÃO

http://www.acasadoespiritismo.com.br/temas/indulgencia.htm

INDULGÊNCIA – COMPILAÇÃO

OBSERVAÇÃO: NO ESPIRITISMO A PALAVRA QUE MELHOR REPRESENTA A "INDULGÊNCIA" É A "TOLERÂNCIA".

01 - A AGONIA DAS RELIGIÕES - J. HERCULANO PIRES - PÁG. 29

(..)O problema da religião no Espiritismo tem provocado discussões e controvérsias infindáveis, porque essa doutrina não se apresenta como religião no sentido comum do termo. Allan Kardec, discípulo de Pestalozzi, adotava a posição de seu mestre no tocante à classificação das religiões. Pestalozzi admitia a existência de três tipos de religião: a animal ou primitiva, a social e a espiritual. Mas recusava-se a chamar esta última de religião, dando-lhe a designação de moralidade. Isso porque a religião superior ou espiritual, segundo ele, só era professada individualmente pela criatura que superava o ser social e desenvolvia em si o ser moral. Kardec recusou-se a falar em Religião Espírita, sustentando que o Espiritismo é doutrina científica e filosófica, de consequências morais. Mas deu a essas consequências enorme importância ao considerar o Espiritismo como desenvolvimento histórico do Cristianismo, destinado a restabelecer a verdade dos princípios cristãos, deformados pelo processo natural de sincretismo-religioso que originou as igrejas cristãs.
Essa posição espírita manteve a doutrina e o movimento doutrinário em posição marginal no campo religioso. Para os espíritas, entretanto, a posição da doutrina não é marginal, mas superior, pois o Espiritismo representaria o cumprimento da profecia evangélica da Religião em espírito e verdade, que se desenvolveria sob a égide do próprio Cristo. A religião espírita não se organizou em forma de igreja, não admite sacramentos nem admitiu nenhuma forma de autoridade religiosa de tipo sacerdotal. Não há batismo, nem casamento religioso no Espiritismo, nem confissões ou indulgências. Todos esses formalismos são considerados como de origem pagã e judaica. Entende-se o batismo como rito de iniciação, que Jesus substituiu pelo batismo do espírito, sendo este considerado como a iniciação no conhecimento doutrinário, feita naturalmente pelo estudo da doutrina, sem nenhum ato ritual. Admite-se também que o batismo do espírito, segundo o texto do Livro de Atos dos Apóstolos sobre a visita de Pedro à casa do centurião Cornélius, no porto de Jope, pode completar-se, nos médiuns, quando se verifica espontaneamente, com o desenvolvimento da mediunidade.
Essa posição espírita no campo religioso causou numerosas dificuldades aos espíritas no tocante às relações de instituições doutrinárias com os poderes oficiais, particularmente para a declaração de religião em documentos oficiais, para o resguardo dos direitos escolares em face do ensino religioso, para a declaração de religião nos recenseamentos da população, até que medidas oficiais reconheceram esses direitos.

03 - ESTUDE E VIVA- EMMANUEL E ANDRÉ LUIZ - PÁG. 188 - ÍTEM 33 - Perdão e nós


Habitualmente, consideramos a necessidade do perdão apenas quando alvejados por ofensas de caráter público, no intercurso das quais recebemos tantos testemunhos de solidariedade, na esfera dos amigos, que nos demoramos hipnotizados pelas manifestações afetivas, a deixar-nos em mérito duvidoso . A ciência do perdão, todavia, tão indispensável ao equilíbrio, quanto o ar é imprescindível à existência, começa na compreensão e na bondade, perante os diminutos pesares do mundo íntimo. Não apenas desculpar todos os prejuízos e desvantagens, insultos e desconsiderações maiores que nos atinjam a pessoa, mas suportar com paciência e esquecer completamente, mesmo nos comentários mais simples, todas as pequeninas injustiças do cotidiano, como sejam:

- a observação maliciosa; - a referência pejorativa; - o apelo sem resposta; - a gentileza recusada; - o benefício esquecido; - o gesto áspero; - a voz agressiva; - a palavra impensada; - o sorriso escarnecedor; - o apontamento irônico; - a indiscrição comprometedora; - o conceito deprimente; - a acusação injusta; - a exigência descabida; - a omissão injustificável; - o comentário maledicente; - a desfeita inesperada; - o menosprezo em família; - a preterição sob qualquer aspecto; - o recado impiedoso... Não nos iludamos em matérias de indulgência.

Perdão não é recurso tão-somente aplicável nas grandes dores morais, à feição do traje a rigor, unicamente usado em horas de cerimônia. Todos somos suscetíveis de erro e, por isso mesmo, perdão é serviço de todo instante, mas, assim como o compositor não obtêm a sinfonia sem passar pelo solfejo, o perdão não existe, de nossa parte, ante os agravos grandes, se não aprendemos a relevar as indelicadezas pequenas.
Resignação e resistência: De fato, há que se estudar a resignação para que a paciência não venha a trazer resultados contraproducentes . Um lavrador suportará corajosamente aguaceiro e granizo na plantação, mas não se acomodará com gafanhoto e tiririca. Habitualmente, falamos em tolerância como quem procura esconderijo à própria ociosidade. Se nos refestelamos em conforto e vantagens imediatas, no império da materialidade passageira, que nos importam desconforto e desvantagens para os outros ? Esquecemo-nos de que o incêndio vizinho é ameaça de fogo em nossa casa e, de imprevisto, irrompem chamas junto de nós, comprometendo-nos a segurança e fulminando-nos a ilusória tranquilidade . Todos necessitamos ajustar a resignação no lugar certo.

Se a Lei nos apresenta um desastre inevitável, não é justo nos desmantelemos em gritaria e inconformação. É preciso decisão para tomar os remanescentes e reentretecê-los para o bem, no tear da vida. Se as circunstâncias revelam a incursão do tifo, não é compreensível cruzar os braços e deixar campo livre aos bacilos. Sempre aconselhável a revisão de nossas atitudes no setor da conformidade. Como reagimos diante do sofrimento e diante do mal? Se aceitamos penúria, detestando trabalho, nossa pobreza resulta de compulsório merecimento. Civilização significa trabalho contínuo contra a barbárie. Higiene expressa atividade infinitamente repetida contra a imundície.

Nos domínios da alma, todas as conquistas do ser, no rumo da sublimação, pedem harmonia com ação persistente para que se preservem. Paz pronta ao alarme. Construção do bem com dispositivo de segurança. Serenidade é constância operosa; esperança é ideal com serviço. Ninguém cultive resignação diante do mal declarado e removível, sob pena de agravá-lo e sofrer-lhe a clava mortífera. Estudemos resignação em Jesus-Cristo. A cruz do Mestre não é um símbolo de apassivamento à frente da astúcia e da crueldade e sim mensagem de resistência contra a mentira e a criminalidade mascaradas de religião, num protesto firme que perdura até hoje.

04 - ESTUDOS ESPÍRITAS - JOANNA DE ÂNGELIS - ÍTEM 13- PÁG. 107

TOLERÂNCIA: Conceito — A indulgência, a condescendência em relação a outrem, seja de referência às suas opiniões ou comportamento, ao direito de crer no que lhe aprouver, pautando as suas atitudes nas linhas que lhe pareçam mais compatíveis ao modo de ser, desde que não firam os sentimentos alheios, nem atentem contra as regras da dignidade humana ou do Estado, constitui a tolerância. Apanágio das almas nobres, medra em clima de elevada cultura e de sentimentos superiores, espraiando-se nas comunidades onde o progresso forja a dignidade e combate o obscurantismo, a tolerância é medida de enobrecimento a revelar valores morais e ascendência espiritual. Onde quer que um homem ou um povo lute pelas expressões da liberdade e da verdade, logo a tolerância se faz o florete com que esgrime na defesa das suas aspirações. Enfloresce no estóico e frutesce no santo. Sempre que triunfa, ao seu lado fenecem o fanatismo e a perseguição de qualquer matiz, ensejando campo para o entendimento pacífico, no qual os homens se revelam sem peias coarctadoras, sucumbindo sob os escombros das manobras infelizes que promovem.

Nem sempre compreendida, porque adversária da tirania e opositora da prepotência, é malevolamente confundida com a indiferença ou a cobardia moral. Supõem-na, os árbitros da arrogância, como acomodação conivente ou submissão servil, contra o que se rebelam, por exigirem subserviência total e desfalecimento das aspirações nobres naqueles que os devem atender. A tolerância, porém, jamais conive; antes oferece-se aos que a estimam e a exercitam com altos critérios de renovação íntima, paciência, humildade e coragem. Não se impondo, expõe com perseverança e conquista pela lógica da razão, auxiliando no amadurecimento do interlocutor ou do adversário que se lhe opõe, sem azedume ou precipitação. A muitos compraz vencer, esmagar, sobressair, embora os métodos infelizes impetrados e os ódios gerados. E vencer é tarefa de fácil consecução, desde que se pretenda triunfar sobre os outros. Multiplicam-se métodos da hediondez e da pusilanimidade, desde os que destroem o corpo aos que dilaceram a alma.

A urgente tarefa a que todos se devem atirar é a de vencer-se a si mesmo, sublimando as más tendências e mantendo vitória sobre as inclinações negativas e as paixões subalternas do espírito enfermo. A tolerância, pela argumentação em que se firma, convence quanto à necessidade de respeitar-se e amar-se, concedendo-se ao próximo o direito de fruir e experimentar tudo quanto se deseja para si próprio. Manifesta-se invariavelmente como boa disposição, mesmo em relação às idéias e pessoas que não são gradas. Acima da conivência, expressa segurança de opinião e firmeza de proceder.
Considerações — Raramente a História revela a presença da tolerância nos seus fastos. Sempre dominou a imposição política, filosófica e religiosa, através da qual pequenas minorias tidas como privilegiadas exigiram total subordinação aos seus postulados, raramente salutares ou benéficos para a coletividade. A seu turno, a intolerância, que se alia à covardia, foi a grande fomentadora de mártires e supliciados, nos múltiplos setores da vida, fazendo que irrigassem com o seu sangue as plântulas dos formosos ideais de que se fizeram apóstolos. No que se refere ao tolerantismo, a predominância da Igreja Católica, na Europa Meridional, durante toda a Idade Média, se impunha, impedindo qualquer liberdade de culto e exigindo ao poder civil a aplicação de medidas legais aos que considerava heréticos, culminando, normalmente, tais conchavos, na punição capital da vítima.

Com a Reforma surgiram os pródromos de um tolerantismo por parte do Estado, que desapareceria ao irromper das imposições do Protestantismo, repetindo os mesmos erros do Clero romano, no que redundaram a Contra-reforma e as lamentáveis guerras de religião dos séculos XVI e XVII, cujos lampejos infelizes vezes que outras reacendem labaredas destruidoras. A John Locke, o pai do Empirismo, deve-se a Carta sobre a Tolerância, iniciada em 1689, através da qual muitos pensadores se insurgiram, seguindo-lhe o exemplo, contra a ortodoxia religiosa. Posteriormente os enciclopedistas se rebelaram, preconizando o tolerantismo a nascer e fomentar a tríade que serviria de base para a Revolução Francesa de 1789, que, no entanto, descambou, igualmente, para a intolerância, a perseguição e os crimes contra os "direitos humanos", apesar de os haver gerado na madre dos ideais eloquentes das horas primeiras.

O século XIX dilatou o conceito da tolerância, embora as lutas de opinião entre liberais e conservadores que, em controvérsias contínuas, pugnavam, os primeiros, pelo respeito às opiniões alheias, e os segundos, pela obediência como respeito às idéias políticas e religiosas predominantes. A pouco e pouco, à medida que o homem emerge da ignorância e sonha com o Infinito que o abraça, a tolerância atende-lhe a sede de crescimento e a ânsia de evolução.
Conclusão — Havendo surgido a Codificação do Espiritismo no meado do século XIX, quando a Religião Católica, em França, fazia parte do Estado e se impunha dominadora, os Espíritos Excelsos, pontificando nas leis de amor, fizeram que Allan Kardec estabelecesse como um dos postulados relevantes a tolerância, na qual a caridade haure sua limpidez e grandeza para ser a virtude por excelência. Tolerância, pois, sempre, porquanto, através dos seus ensinos, a fraternidade distende braços, enlaçando cordialmente toda a família humana.
ESTUDO E MEDITAÇÃO: "Que se deve pensar dos que abusam da superioridade de suas posições sociais, para, em proveito próprio, oprimir os fracos "Merecem anátema! Ai deles! Serão, a seu turno, oprimidos: renascerão numa existência em que terão de sofrer tudo o que tiverem feito sofrer aos outros." (O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, questão 807.)
"Sustentai os fortes: animai-os à perseverança. Fortalecei os fracos, mostrando-lhes a bondade de Deus,que leva em conta o menor arrependimento; mostrai a todos o anjo da penitência estendendo suas brancas asas sobre as faltas dos humanos e velando-as assim aos olhares daquele que não pode tolerar o que é impuro. Compreendei todos a misericórdia infinita de vosso Pai e não esqueçais nunca de lhe dizer, pelos pensamentos, mas, sobretudo, pelos atos: "Perdoai as nossas ofensas, como perdoamos aos que nos hão ofendido." Compreendei bem o valor destas sublimes palavras, nas quais não somente a letra é admirável, mas principalmente o ensino que ela veste." (O Evangelho segundo o Espiritismo, Allan Kardec, cap. X, item 17.)

06 - O ESPÍRITO DA VERDADE - ESPÍRITOS DIVERSOS - PÁG. 25, 187, 231

DEUS TE ABENÇOE - Cap. X — Item 16: Logo após fundar o Lar "Anália Franco", na cidade de São Manuel, no Estado de São Paulo, viu-se D. Clélia Rocha em sérias dificuldades para mantê-lo. Tentando angariar fundos de socorro, a abnegada senhora conduzia crianças, aqui e ali, em singelas atividades artísticas. Acordava almas. Comovia corações. E sustentava o laborioso período inicial da obra. Desembarcando, certa noite, em pequena cidade, foi alvo de injusta manifestação antiespírita. Apupos. Gritaria. Condenações. D. Clélia, com o auxílio de pessoas bondosas, protege as crianças. Em meio à confusão, vê que um moço robusto se aproxima e, marcando-lhe a cabeça, atira-lhe uma pedra. O golpe é violento. O sangue escorre. Mas a operosa servidora do bem procede como quem desconhece o agressor. Medica-se depois. Há espíritas devotados que surgem. D. Clélia demora-se por mais de uma semana, orando e servindo.

Acabava de atender a um doente em casa particular, quando entra senhora aflitíssima. É mãe. Tem o filho acamado com meningite e pede-lhe auxílio espiritual. D. Clélia não vacila. Corre ao encontro do enfermo e, surpreendida, encontra nele o jovem que a ferira. Febre alta. Inconsciência. A missionária desdobra-se em desvelo. Passes. Vigílias. Orações. Enfermagem carinhosa. Ao fim de seis dias, o doente está salvo. Reconhece-a envergonhado e, quando a sós, beija-lhe respeitosamente as mãos e pergunta: — A senhora me perdoa? Ela, contudo, disse apenas, com brandura: — Deus te abençoe, meu filho. Mas o exemplo não ficou sem fruto, porque o moço recuperado fez-se valoroso militante da Doutrina Espírita e, ainda hoje, onde se encontra é denodado batalhador do Evangelho.
Hilário Silva.

HISTÓRIA DE UM PÃO - Cap. XIII — Item 15: Quando Barsabás, o tirano, demandou o reino da morte, buscou debalde reintegrar-se no grande palácio que lhe servira de residência. A viúva, alegando infinita mágoa, desfizera-se da moradia, vendendo-lhe os adornos. Viu ele, então, baixelas e candelabros, telas e jarrões, tapetes e perfumes, jóias e relíquias, sob o martelo do leiloeiro, enquanto os filhos querelavam no tribunal, disputando a melhor parte da herança. Ninguém lhe lembrava o nome, desde que não fosse para reclamar o ouro e a prata que doara a mordomos distintos. E porque na memória de semelhantes amigos ele não passava, agora, de sombra, tentou o interesse afetivo de companheiros outros da infância...Todavia, entre estes encontrou simplesmente a recordação dos próprios atos de malquerença e de usura.

Barsabás entregou-se às lágrimas, de tal modo, que a sombra lhe embargou, por fim, a visão, arrojando-o nas trevas...Vagueou por muito tempo no nevoeiro, entre vozes acusadoras, até que um dia aprendeu a pedir na oração, e, como se a rogativa lhe servisse de bússola, embora caminhasse às escuras, eis que, de súbito, se lhe extingue a cegueira e ele vê, diante de seus passos, um santuário sublime, faiscante de luzes. Milhões de estrelas e pétalas fulgurantes povoavam-no em todas as direções. Barsabás, sem perceber, alcançara a Casa das Preces de Louvor, nas faixas inferiores do firmamento. Não obstante deslumbrado, chorou, impulsivo, ante o ministro espiritual que velava no pórtico. Após ouvi-lo, generoso, o funcionário angélico falou, sereno:

— Barsabás, cada fragmento luminoso que contemplas é uma prece de gratidão que subiu da Terra...— Ai de mim — soluçou o desventurado — eu jamais fiz o bem...— Em verdade — prosseguiu o informante — trazes contigo, em grandes sinais, o pranto e o sangue dos doentes e das viúvas, dos velhinhos e órfãos indefesos que despojaste, nos teus dias de invigilância e de crueldade; entretanto, tens aqui, em teu crédito, uma oração de louvor. .. E apontou-lhe acanhada estrela que brilhava à feição de pequeno disco solar.— Há trinta e dois anos — disse, ainda, o instrutor— deste um pão a uma criança e essa criança te agradeceu, em prece ao Senhor da Vida. Chorando de alegria e consultando velhas lembranças, Barsabás perguntou: — Jonakim, o enjeitado? — Sim, ele mesmo — confirmou o missionário divino.

— Segue a claridade do pão que deste, um dia, por amor, e livrar-te-ás, em definitivo, do sofrimento nas trevas. E Barsabás acompanhou o tênue raio do tênue fulgor que se desprendia daquela gota estelar, mas, ao invés de elevar-se às Alturas, encontrou-se numa carpintaria humilde da própria Terra. Um homem calejado aí refletia, manobrando a enxó em pesado lenho...Era Jonakim, aos quarenta de idade. Como se estivessem os dois identificados no doce fio de luz, Barsabás abraçou-se a ele, qual viajante abatido, de volta ao calor do lar. Decorrido um ano, Jonakim, o carpinteiro, ostentava, sorridente, nos braços, mais um filhinho, cujos louros cabelos emolduravam belos olhos azuis. Com a bênção de um pão dado a um menino triste, por espírito de amor puro, conquistara Barsabás, nas Leis Eternas, o prêmio de renascer para redimir-se. Irmão X

A REIVINDICAÇÃO - Gap. X — Item 17: Há muito aspirava Saturnino Peixoto ao interesse de algum homem público para favorecê-lo na abertura de certa estrada. Para isso, conversou, estudou, argumentou... Concluiu, por fim, que a pessoa indicada seria o deputado Otaviano, recém-eleito, homem ao qual se referiam todos da melhor maneira, pela atenção e carinho com que se dedicava à solução dos problemas da extensa região que representava. Depois de ouvir o escrivão da cidade, Saturnino redigiu longa carta-memorial, minudenciando a reivindicação. E ficou aguardando a resposta. Correram dias, semanas, meses. Nenhum aviso. Revoltado, Saturnino começou a exprobrar a conduta política do deputado que nem sequer lhe respondera à carta.

Sempre que se lembrava do assunto, criticava o político, censurando-o acremente, a envolver todos os homens públicos em condenação desabrida. Nada valiam ponderações da companheira, D. Estefânia, espírita convicta, que lhe pedia perdoar e esquecer. Transcorreram três anos, até que a solicitação caducou. Saturnino, obrigado a desistir da idéia, guardou, contudo, profundo ressentimento do legislador que terminava o mandato. Certo dia, porém, revolvia os guardados de velha prateleira no escritório, quando encontrou, surpreendido, entre livros e papéis relegados à traça, o memorial que escrevera ao deputado, dentro de envelope sobrescritado, selado e recoberto de pó. Saturnino se esquecera de enviar a carta...Hilário Silva

62 INDULGÊNCIA - Cap. X — Item 16
A luz da alegria deve ser o facho continuamente aceso na atmosfera da experiência. Circunstâncias diversas e principalmente as da indisciplina podem alterar o clima de paz, em redor de nós, e dentre elas se destaca a palavra impensada, como forja de incompreensão, a instalar entrechoques.

Daí o nosso dever básico de vigiar a nós mesmos na conversação, ampliando os recursos de entendimento nos ouvidos alheios. Sejamos indulgentes. Se erramos, roguemos perdão. Se outros erraram, perdoemos. O mal que desejarmos para alguém, hoje, suscitará o mal para nós, amanhã.

A mágoa não tem razão justa e o perdão anula os problemas, diminuindo complicações e perdas de tempo. E assim que a espontaneidade no bem estabelece a caridade real. Quem não reconhece as próprias imperfeições demonstra incoerência em si mesmo.

Quem perdoa, desconhece o remorso. Ódio é fogo invisível na consciência. O erro, por isso, não pede aversão, mas, entendimento. Erro nosso, requer a bondade alheia; erro de outrem, reclama a nossa clemência.

A Humanidade dispensa quem a censure, mas necessita de quem a estime. E, ante o erro, debalde se multiplicam justificações e razões. Antes de tudo, é preciso restaurar o trabalho em andamento, porque o retorno à tarefa é a consequência inevitável de toda fuga ao dever.

Quanto mais conhecemos a nós mesmos, mais amplo em nós o imperativo de perdoar. Aprendamos com o Evangelho, a fonte inexaurível da Verdade. Você, amostra da Grande Prole de Deus, carece do amparo de todos e todos lhe solicitam amparo.

Saiba, pois, refletir o mundo em torno, recordando que se o espelho, inerte e frio, retrata todos os aspectos dignos e indignos à sua volta, o pintor, consciente e respeitável, buscando criar atividade superior, somente exterioriza na pureza da tela os ângulos nobres e construtivos da vida.
ANDRÉ Luiz

07 - O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - ALLAN KARDEC - CAP. X, 16; CAP. XIII, 15

CAPÍTULO X, ÍTEM 16 - A INDULGÊNCIA, PÁG. 134: A INDULGÊNCIA: JOSÉ - Espírito protetor, Bordeaux, 1863
16. Espíritas, queremos hoje falar-vos da indulgência, esse sentimento tão doce, tão fraternal, que todo homem deve ter para com os seus irmãos, mas que tão poucos praticam. A indulgência não vê os defeitos alheios, se os vê, evita comentá-los e divulgá-los. Oculta-os, pelo contrário, evitando que Se propaguem, e se a malevolência os descobre, tem sempre uma exculpa à mão para os disfarçar, mas uma desculpa plausível, séria, e não daquelas que, fingindo atenuar a falta, a fazem ressaltar com pérfida astúcia. A indulgência jamais se preocupa com os maus atos alheios, a menos que seja para prestar um serviço, mas ainda assim com o cuidado de os atenuar tanto quanto possível. Não faz observações chocantes, nem traz censuras nos lábios, mas apenas conselhos, quase sempre velados. Quando criticais, que dedução se deve tirar das vossas palavras? A de que vós, que censurais, não praticastes o que condenais, e valeis mais do que o culpado. Ó homens! Quando passareis a julgar os vossos próprios corações, os vossos próprios pensamentos e os vossos próprios atos, sem vos ocupardes do que fazem os vossos irmãos? Quando fitareis os vossos olhos severos somente sobre vós mesmos? Sede, pois, severos convosco e indulgentes para com os outros. Pensai n'Aquele que julga em última instância, que vê os secretos pensamentos de cada coração, e que, em consequência, desculpa frequentemente as faltas que condenais, ou condena as que desculpais, porque conhece o móvel de todas as ações. Pensai que vós, que clamais tão alto: "Anátema!" talvez tenhais cometido faltas mais graves. Sede indulgentes, meus amigos, porque a indulgência atrai, acalma, corrige, enquanto o rigor desalenta, afasta e irrita.

JOÃO - Bispo de Bordeaux, 1862: 17. Sede indulgentes para as faltas alheias, quaisquer que sejam; não julgueis com severidade senão as vossas próprias ações, e o Senhor usará de indulgência para convosco, como usastes para com os outros. Sustentai os fortes: estimulai-os à perseverança; fortificai os fracos, mostrando-lhes a bondade de Deus, que leva em conta o menor arrependimento; mostrai a todos o anjo da contrição, estendendo suas brancas asas sobre as faltas humanas, e assim ocultando-as aos olhos daqueles que não podem ver o que é impuro. Compreendei toda a misericórdia infinita de vosso Pai, e nunca vos esqueçais de lhe dizer em pensamento, mas sobretudo pelas vossas ações: "Perdoai as nossas ofensas, como perdoamos aos nossos ofensores." Compreendei bem o valor destas sublimes palavras; pois não são admiráveis apenas pela letra, mas também pelo espírito que elas encerram.

Que solicitais ao Senhor quando lhe pedis perdão? Somente o esquecimento de vossas faltas? Esquecimento que nada vos deixa pois se Deus se contentasse de esquecer as vossas faltas, não vos puniria, mas também não vos recompensaria. A recompensa não pode ser pelo bem que não se fez, e menos ainda pelo mal que se tenha feito, mesmo que esse mal fosse esquecido. Pedindo perdão para as vossas transgressões, pedis o favor de sua graça, para não cairdes de novo, e a força necessária para entrardes numa nova senda, numa senda de submissão e de amor, na qual podereis juntar a reparação ao arrependimento. Quando perdoardes aos vossos irmãos, não vos contenteis com estender o véu do esquecimento sobre as suas faltas.

Esse véu é quase sempre muito transparente aos vossos olhos. Acrescentai o amor ao vosso perdão, fazendo por eles o que pedis a vosso Pai Celeste que faça por vós. Substituí a cólera que mancha, pelo amor que purifica, Pregai pelo exemplo essa caridade ativa, infatigável, que Jesus vos ensinou. Pregai-a como Ele mesmo o fez por todo o tempo em que viveu na Terra, visível para os olhos do corpo, e como ainda prega, sem cessar, depois que se fez visível apenas para os olhos do espírito. Segui esse divino modelo, marchai sobre as suas pegadas: elas vos conduzirão ao refúgio onde encontrareis o descanso após a luta. Como Ele, tomai a vossa cruz e subi penosamente, mas corajosamente, o vosso calvário: no seu cume está a glorificação.

DUFÉTRE Bispo de Nevers, Bordeaux: 18. Queridos amigos, sede severos para vós mesmos e indulgentes para as fraquezas alheias. Essa é também uma forma de praticar a santa caridade, que bem poucos observam. Todos vós tendes más tendências a vencer, defeitos a corrigir, hábitos a modificar. Todos vós tendes um fardo mais ou menos pesado que alijar, para subir ao cume da montanha do progresso. Por que, pois, ser tão clarividentes quando se trata do próximo, e tão cegos quando se trata de vós mesmos? Quando deixareis de notar, no olho de vosso irmão, um argueiro que o fere, sem perceber a trave que vos cega e vos faz caminhar de queda em queda? Crede nos Espíritos, vossos irmãos. Todo homem, bastante orgulhoso para se julgar superior, em virtudes e méritos, aos seus irmãos encarnados, é insensato e culpado, e Deus o castigará, no dia da sua justiça. O verdadeiro caráter da caridade é a modéstia e a humildade, e consiste em não se verem superficialmente os defeitos alheios, mas em se procurar destacar o que há de bom e virtuoso no próximo.

Porque, se o coração humano é um abismo de corrupção, existem sempre, nos seus mais ocultos refolhos, os germes de alguns bons sentimentos, centelhas ardentes da essência espiritual. Espiritismo, Doutrina consoladora e bendita, felizes os que te conhecem e empregam proveitosamente os salutares ensinos dos Espíritos do Senhor! Para esses, o ensino é claro, e ao longo de todo o caminho eles podem ler estas palavras, que lhes indicam a maneira de atingir o alvo: caridade prática, caridade para o próximo como para si mesmo. Em uma palavra, caridade para com todos e amor de Deus sobre todas as coisas, porque o amor de Deus resume todos os deveres, e porque é impossível amar a Deus sem praticar a caridade, da qual Ele faz uma lei para todas as criaturas.

09 - O LIVRO DOS ESPÍRITOS - ALLAN KARDEC, QUESTÕES: 660, 886, 888, 903, 918, 947, 1009, CONCL. VII

Perg. 660. A prece torna o homem melhor? - Sim, porque aquele que faz preces com fervor e confiança se torna mais forte contra as tentações do mal, e Deus lhe envia bons Espíritos para o assistir. É um socorro jamais recusado, quando o pedimos com sinceridade.
Perg. 66a. Como se explica que certas pessoas que oram muito sejam, apesar disso, de muito mau caráter, ciumentas, invejosas, implicantes, carentes de benevolência e de indulgência? Que sejam até mesmo viciosas? - O essencial não é orar muito, mas orar bem. Essas pessoas julgam que todo o mérito está na extensão da prece e fecham os olhos para os seus próprios defeitos. A prece é para elas uma ocupação, um emprego do tempo, mas não um estudo de si mesmas. Não é o remédio que é ineficaz, neste caso, mas a maneira de aplicá-lo.
Perg. 886. Qual é o verdadeiro sentido da palavra "caridade", como a entende Jesus? - Benevolência para com todos, INDULGÊNCIA para com as imperfeições alheias, perdão das ofensas.

Perg. 888. Que pensar da esmola? - O homem reduzido a pedir esmolas se degrada moral e fisicamente: se embrutece. Numa sociedade baseada na lei de Deus e na justiça, deve-se prover a vida do fraco sem humilhação para ele. Deve-se assegurar a existência dos que não podem trabalhar, sem deixá-los à mercê do acaso e da boa vontade.
Perg. 903. Há culpa em estudar os defeitos alheios? - Se é com o fito de criticar e divulgar, há muita culpa, porque isso é faltar com a caridade. Se é com intenção de proveito pessoal, para evitar aqueles defeitos, pode ser útil. Mas não se deve esquecer que a INDULGÊNCIA para com os defeitos alheios é uma das virtudes compreendidas na caridade. Antes de censurar as imperfeições dos outros, vede se não podem fazer o mesmo a vosso respeito. Tratai, pois, de possuir as qualidades contrárias aos defeitos que criticais nos outros. Esse é um meio de vos tornardes superior. Se os censurais por serem avarentos sede generosos; por serem orgulhosos, sede humildes e modestos; por serem duros, sede dóceis; por agirem com mesquinhez, sede grandes em todas as vossas ações. Em uma palavra, fazei de maneira que não vos possam aplicar aquelas palavras de Jesus: "Vede um argueiro no olho do vizinho e não vedes uma trave no vosso".

Perg. 918. Por que sinais se pode reconhecer no homem o progresso real que deve elevar o seu Espírito na hierarquia espírita? — O Espírito prova a sua elevação quando todos os atos da sua vida corpórea constituem a prática da lei de Deus e quando compreende por antecipação a vida espiritual. O verdadeiro homem de bem é aquele que pratica a lei de justiça, : amor e de caridade na sua mais completa pureza. Se interroga sua consciência sobre os atos praticados, perguntará se não violou essa lei, : não cometeu nenhum mal, se fez todo o bem que podia, se ninguém vê de se queixar dele, enfim, se fez para os outros tudo o que gostaria ie os outros lhe fizessem. O homem possuído pelo sentimento de caridade e de amor ao próximo faz o bem pelo bem, sem esperança de recompensa, e sacrifica seu interesse pela justiça. Ele é bom, humano e benevolente para com todos, porque vê mãos em todos os homens, sem exceção de raças ou de crenças. Se Deus lhe deu o poder e a riqueza, olha essas coisas como um depósito do qual deve usar para o bem, e disso não se envaidece porque ibe que Deus, que lhas deu, também poderá retirá-las. Se a ordem social colocou homens sob a sua dependência, trata-os com bondade e benevolência porque são iguais perante Deus; usa de sua autoridade para lhes erguer a moral e não para os esmagar com o seu orgulho. É indulgente para com as fraquezas dos outros, porque sabe que ele esmo tem necessidade de indulgência e se recorda destas palavras do risto: "Que aquele que estiver sem pecado atire a primeira pedra".

Perg. 947. O homem que se vê às voltas com a necessidade e se deixa morrer de desespero pode ser considerado como suicida? - É um suicida, mas os que causaram o suicídio ou que o poderiam impedir são os mais culpáveis que ele, a quem a INDULGÊNCIA espera. Não acrediteis, porém, que seja inteiramente absolvido se lhe faltou a firmeza e a perseverança e se não fez uso de toda a sua inteligência para sair das dificuldades. Infeliz dele, sobretudo, se o seu desespero é filho do orgulho; quero dizer, se é desses homens em quem o orgulho paralisa os recursos da inteligência e que se envergonhariam se tivessem de dever a existência ao trabalho das próprias mãos, preferindo morrer de fome a descer do que chamam a sua posição social! Não há cem vezes mais grandeza e dignidade em lutar contra a adversidade, em enfrentar a crítica de um mundo fútil e egoísta, que tem boa vontade para aqueles a quem nada falta, e que vos volta as costas quando dele necessitais? Sacrificar a vida à consideração desse mundo é uma coisa estúpida, porque ele não se importará com isso.

Perg. 1009. Segundo isso, as penas impostas jamais seriam eternas?— Consultai o vosso bom senso, a vossa razão e perguntai se uma condenação perpétua, em consequência de alguns momentos de erro, não seria a negação da bondade de Deus. Que é, com efeito, a duração da vida, mesmo que seja de cem anos, em relação à eternidade? Eternidade! Compreendeis bem essa palavra? Sofrimento, torturas sem fim e sem esperança, apenas por algumas faltas! Não repugna ao vosso próprio critério semelhante pensamento? Que os antigos tivessem visto contradição em se lhe atribuir a bondade infinita e a vingança compreende-se; na sua ignorância emprestaram à divindade as paixões dos homens. Mas não é esse o Deus dos cristãos, que coloca o amor, a caridade, a misericórdia, o esquecimento das ofensas no plano das primeiras virtudes; poderia Ele mesmo não ter as qualidades que exige como um dever? Não há contradição em se lhe atribuir a bondade infinita e a vingança infinita? Dizeis que antes de tudo Ele é justo e que o homem não compreende a sua justiça. Mas a justiça não exclui a bondade e Deus não seria bom se destinasse às penas horríveis e perpétuas a maioria de suas criaturas. Poderia fazer da justiça uma obrigação para os seus filhos, se não lhes desse os meios de compreender? Aliás, não é sublime a justiça unida à bondade, que faz a duração das penas depender dos esforços do culpado para se melhorar? Nisto se encontra a verdade do preceito: "A cada um segundo as suas obras".

11 - RELIGIÃO DOS ESPÍRITOS - EMMANUEL -CAMPANHA NA CAMPANHA - PÁG. 207

Reunião pública de 23-10-59: Questão n° 886: «Campanha», além de outros significados na sinonímica, pode também figuradamente expressar «esforço para conseguir alguma coisa». Possuímos, desse modo, campanhas múltiplas no terreno da solidariedade, como simples dever; todas, porém, rogando a campanha da indulgência, no âmago de si mesmas. Ouçamos, assim, o que nos diz semelhante campanha íntima. • Ajuda a construir o templo de tua fé, mas não creias que os outros devam crer conforme crês. Ergue um lar que recolha os infortunados da via pública; entretanto, não expulses do coração as vítimas do mal, para que o mal não as aniquile. Agasalha a epiderme desnuda do companheiro; todavia, não exponhas a vida do próximo às rajadas mortíferas da censura. Estende o prato reconfortante ao faminto; contudo, não te falte apoio moral para os sedentos de compreensão. Presta serviço aos irmãos do caminho, mas não lhes cobres favores especiais. • Realmente, em quaisquer campanhas de redenção, não te despreocupes da campanha da indulgência na campanha a que te afeições.

Traze a cadeira de rodas à necessidade do paralítico; no entanto, não deixes de levantar os caídos em desapreço. Indulgência exprime «entendimento» e «entendimento» quer dizer «simpatia fraterna». Protege os obsidiados como puderes, mas desculpa incondicionalmente os amigos perturbados da própria rota, quando te compliquem a experiência. Dá remédio aos enfermos; entretanto, não negues algum bálsamo de esperança aos corações tombados no vício. Ampara a criança menosprezada; contudo, não a escravizes à tua exigência. Promove a pregação da virtude; no entanto, atende ao culto incessante da gentileza para com todos, começando da própria casa. Jesus, entre os homens, partilhou campanhas diversas, inclusive aquelas do amor pelos inimigos e da oração pelos que perseguem e caluniam. Entretanto, fosse na tolerância aos sarcasmos da rua ou no perdão aos ingratos, em momento algum se esqueceu da própria consagração à campanha da bênção.

15 - INDULGÊNCIA - EMMANUEL - PÁG. 14

Concedeu-te o Senhor: O berço em que nasceste. O ar em que respiras. O lar que te abençoa. O sol que te ilumina. O corpo em que estagias. O passo equilibrado. A escola que te auxilia. A lição que te acolhe. O amigo que te ampara. O pão que te alimenta. A fonte que te acalma. A ação que te renova. A fé que te sustenta. O afeto que te nutre. A flor que te consola. A estrela que te inspira. A idéia e o sentimento. A bondade e a alegria. O trabalho e o repouso. A oração e a esperança. Ante a Eterna Indulgência, Com que o Céu te acompanha. Sê também complacente, E usa a misericórdia, Para que a Paz Divina, Permaneça contigo, À maneira de luz, Que te guarde hoje e sempre. Ainda que tudo te pareça na atualidade terrestre, sombra e derrota, cadeia e desalento, ergue a Deus o teu coração em forma de prece e roga-lhe forças para fazer luz e confiança onde a treva e o desespero dominam, porque se ontem foi o tempo de nossa morte na queda, hoje é o dia de nossa abençoada ressurreição.

As almas, no fundo, são semelhantes às plantas no campo imenso da vida. Repara, desse modo, o que produzes. Corações isolados na sensibilidade egoística, receando dissabores no relacionamento com o próximo, parecem cardos amargosos na terra seca. Verbos maledicentes que encontram motivo para a crítica destruidora, nos menores acontecimentos de cada dia, simbolizam a urtiga brava, sempre disposta a ferir.

Inteligências ruidosas na reiterada exposição de nobres ideais que nunca realizam, lembram arbustos ricos de folhagens, que jamais se confiam à frutescência. Companheiros ociosos e entediados da luta humana, em fuga das elevadas obrigações que o mundo lhes assinala, oferecem pontos de contato com o cipó absorvente que, enlaçado a outras plantas, lhes suga a vitalidade e lhes furta a existência.

Almas em sofrimento constante que sabem cultivar a fé e a esperança, ofertando a quem passa os melhores testemunhos de amor e coragem são roseiras abençoadas, produzindo flores de paz e alegria, sobre os espinheiros terrestres. Espíritos generosos e amigos, que buscam a intimidade com a luz da compreensão e do serviço, apresentam similaridade com as copas opulentas, sempre habilitadas a socorrer quem lhe procura o regaço acolhedor, com a sombra refrigerante ou com o fruto nutriente.

Irmãos prestimosos parecem valiosas plantas medicinais, cuja essência consegue curar inquietações e feridas. Espíritos benevolentes e sábios, no apoio incessante à Humanidade, surgem por troncos veneráveis, de que o homem retira a madeira de lei para o lar que lhe serve de berço e templo, escola e moradia. Observa o que fazes. Por tuas demonstrações e exemplos no recanto em que o Senhor te situou, o mundo conhecer-te-á, de perto, e abençoará ou corrigirá tua vida.

16 - PLANTÃO DA PAZ. - EMMANUEL - PÁG. 18

TOLERÂNCIA

Tolerância é caminho de paz. Não julgues esse ou aquele companheiro ignorante ou desinformado, porquanto, se aprendeste a ouvir, já sabes compreender. Diante de criaturas que te enderecem qualquer agressão, conversa com naturalidade, sem palavras de revide que possam desapontar o interlocutor.

Perante qualquer ofensa, não percas o sorriso fraternal e articula alguma frase, capaz de devolver o ofensor à tranquilidade. Nos empecilhos da existência, tolera os obstáculos sem rebeldia e eles se te farão facilmente removíveis. No serviço profissional, suporta com paciência o colega difícil, e, aos poucos, em te observando a calma e a prudência, ele mesmo transformará para melhor as próprias disposições.

Em família, tolera os parentes menos simpáticos e, com os teus exemplos de abnegação, conquistarás de todos, eles a bênção da simpatia. No trânsito público, não passes recibo aos palavrões que alguém te dirija e evitarás discussões de consequências imprevisíveis.

Nos aborrecimentos e provações que te surgem, a cada dia, suporta com humildade as ocorrências suscetíveis de ferir-te, e a tolerância se te fará a trilha de acesso à felicidade, de vez que aceitarás todos os companheiros do mundo na condição de filhos de Deus e nossos próprios irmãos.

17 - TREVO DE IDÉIAS - EMMANUEL - PÁG. 71

TOLERÂNCIA

O trabalho edifica. A solidariedade aperfeiçoa. A tolerância eleva. Trabalhando, melhoraremos a nós mesmos. Solidarizando-nos, enriqueceremos o mundo. Tolerando-nos engrandeceremos a vida.

Para trabalhar, com êxito, é necessário obedecer a lei. Para solidarizar-nos, com proveito, é indispensável compreender o bem e cultivá-lo. Para tolerar-nos, em sentido construtivo, é imprescindível amar.

Em vista disso, o Mestre dos Mestres, há quase dois milênios, afirmou para o mundo: "Meu Pai trabalha, até hoje, e eu trabalho também". Estarei convosco até o fim dos séculos. Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei". Solidarizemo-nos, beneficiando. Toleremo-nos, amando sempre.

Vinculada aos fundamentos da Verdade, a sublime trilogia de Allan Kardec é plataforma permanente, em nossos círculos doutrinários, constituindo lema substancial que não pode empalidecer.

18 - FLORAÇÕES EVANGÉLICAS - JOANNA DE ÂNGELIS - PÁG. 211

TOLERÂNCIA E FRATERNIDADE

O ser querido desertou do lar, vencido pela fragilidade das forças ainda impregnadas de alta dose de animalidade; todavia, acusa-te, fazendo-te responsável pela sua fuga. Sê tolerante e conserva-te fraterno em relação ao evadido. O amigo dedicado de ontem não deseja mais a tua lealdade e sai, arremetendo diatribes que te maceram. Sustenta a tolerância e mantém a fraternidade pensando nele.

O beneficiário da tua bondade, navegando em situação de bonança, esquece as tuas dádivas e faz-se soberbo, masinando o teu nome. Acautela-te na tolerância e reserva-lhe a fraternidade. A tuas palavras de advertência, tocadas no mais nobre desejo de acertar, são agora transformadas por antigos comparsas que se fizeram teus adversários, em açoutes que te alcançam. Continua tolerante e dissemina a fraternidade.

Os convidados pela tua lição de sacrifício a participarem do banquete de luz e vida do Evangelho, apontam-te mil débitos, e sofres. Porfia na tolerância e trabalha pela fraternidade. Divulgas o bem por amor do bem, tentanto viver o bem que fazes disso, não faltam as agressões ao bem que fazes e desafios por parte daqueles que supões beneficiar.

Confia na tolerância e aciona a fraternidade... Tolerância e fraternidade sempre. Em toda e qualquer circunstância essas duas armas cristãs, da "não-violência", pode operar milagres. Talvez aqueles a quem as ofertas, recusem-na momentaneamente, todavia, ser-te-ão benéficas utilizá-las, já que elas restaurarão tua paz, se a perdeste, ou manterão tua tranquilidade, se a conservas.

"Bem-aventurado aquele que sofre a tentação porque, quando for aprovado receberá a coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que O amam" - conforme ensinou o apóstolo Tiago, na sua Epístola universal, Capítulo um, versículo doze. A tentação, por isso mesmo, possui as suas raízes no cerne daquele que é tentado, e como é natural, reponta frequentamente, ensejando-lhe a nobre batalha da própria redenção.

Viajores de muitas experiências malogradas, somos a soma das nossas dívidas em operação de resgate. Cada ensejo depurador é bênção impostergável. Ora, se alguém nos fere ou magoa, nos acusa ou abandona, com fundamentos injusto, tentando nossa fraqueza ao revide ou à deserção do combate, mantenhamos tolerância para com ele - o instrumento inconsciente da Lei - e sejamos fraternos, facultando-lhe retornar com a certeza de ser recebido pelo nosso coração.

A sombra é geratriz de equívocos como o erro é matriz de tormentos íntimos naquele que o pratica. A punição mais severa, portanto, para o transviado é o despertar da consciência, hoje ou amanhã. Jesus convocou-nos ao amor incondicional e ao perdão das ofensas, e Allan Kardec, o discípulo fiel, na tríade que formulou, situou a tolerância como uma das bases da felicidade humana, sendo a fraternidade, dessa forma, o espelho onde se pode refletir a alma do amor, em todas as circunstâncias e lugares.

Tolerância e fraternidade, como roteiros para a harmonia que buscamos, são lições vivas de entendimento humano, nos deveres que esposamos à luz do Cristianismo Redivivo.

Pois o filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos. Marcos: 10-45.

O homem de bem é bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de raças, nem de crenças, porque em todos os homens vê irmãos seus. Cap. XVII - ítem 3.

LEMBRETE:

1° - É a indulgência a expressão de um sentimento delicadíssimo de reta justiça (...). (...) A indulgência é, portanto, uma dívida de amor, que toda criatura humana precisa satisfazer todas as vezes que se encontre diante de irmãos seus que incorram em delito, falta ou defeito. Angel Aguarod

2° - A indulgência, portanto, não consiste em fechar os olhos ante as faltas do próximo, para não as ver; mas, em reconhecer essas faltas, para colocar sobre elas um sudário de piedade, impregnado de amor. (...) a indulgência é filha da bondade e a bondade exige em todas as ocasiões que a criatura faça o bem ao seu semelhante (...) Angel Aguarod

3° - (...) a indulgência é um sentimento doce que faz esquecer as faltas e os defeitos do nosso próximo (...) Manoel P. Miranda

Edivaldo

ERMANCE DUFAUX

ERMANCE DUFAUX
Autor: Mauro Quintella

Grupo de Estudos Avançados Espíritas (GEAE)
Ano 14 – Número 519 –
30 de Julho de 2006
Site: http://www.geae.inf.br/

(Fonte da Imagem: Sociedade Espírita Ermance Dufaux)

Transcrito do site do Instituto do Pensamento e da Cultura Espírita (Anápolis, GO)

Ermance De La Jonchére Dufaux nasceu em 1841, na cidade de Fontainebleau, França. Próxima a Paris, abrigava a residência oficial de Napoleão III e de outros nobres. O pai de Ermance, rico produtor de vinho e trigo, era um deles.

Tradicional, a família Dufaux residia num castelo medieval, herança de seus antepassados.

Em 1853, a filha dos Dufaux começou a apresentar inquietante desequilíbrio nervoso e a fazer premonições. Por causa desse problema, seu pai procurou o célebre médico Cléver De Maldigny.

Pelo relato do Sr. Dufaux, o médico disse que Ermance parecia estar sofrendo de um novo distúrbio nervoso, que havia feito diversas vítimas na América e que, agora, estava chegando à Europa. As vítimas da doença entravam numa espécie de transe histérico e começavam a receber hipotéticas mensagens do Além.

O médico aconselhou o Sr. Dufaux a trazer Ermance a seu consultório, o mais rápido possível. Assim foi feito. Alguns dias depois, a mocinha comparecia à consulta.

Maldigny colocou um lápis na mão da menina e pediu que ela escrevesse o que lhe fosse impulsionado. Ermance começou a rir, gracejando, mas, de súbito, seu braço tomou vida própria e começou a escrever sozinho. Ao ver-se dominada por uma força estranha, Ermance assustou-se, largou o lápis e não quis continuar a experiência.

Maldigny examinou o papel e confirmou seu diagnóstico. Os pais de Ermance ficaram extremamente preocupados. Como a família era famosa na corte, a notícia logo se espalhou em Paris e Fontainebleau, chegando aos ouvidos do Marquês de Mirvile, famoso estudioso do Magnetismo.

O Marquês visitou o castelo dos Dufaux e pediu para examinar Ermance. Os pais aquiesceram, mas a mocinha teve que ser convencida. Por fim, Ermance colocou-se em posição de escrever e Mirvile perguntou ao invisível:
– Está presente o Espírito em que penso? Em caso positivo, queira escrever seu nome por intermédio da garota.

A mão de Ermance começou a se mover e escreveu:

– Não, mas um de seus parentes remotos.

– Pode escrever seu nome?

– Prefiro que meu nome venha diretamente à sua cabeça. Pense um instante.

– São Luís, rei de França (1), primo do primeiro nobre de minha família?

– Sim, eu mesmo.

– Vossa Majestade pode dar-me um prova de que é realmente o nosso grande rei?

– Ninguém nesta casa sabe que você e seus parentes me consideram o Anjo da Guarda da família.

Se Maligny via o caso de Ermance como doença, o Marquês também tinha suas explicações preconcebidas. Na sua opinião, ela apenas captava as idéias e pensamentos presentes no ambiente. Isso na melhor das hipóteses. Na pior, a jovem estava sendo intérprete do Diabo, pois, como católico, ele não acreditava que os mortos pudessem se comunicar.

Uma análise conclusiva deveria ser feita pela Academia de Ciências de Paris.

O Sr. Dufaux, no entanto, não levou o caso adiante. Embora também fosse católico, ele preferiu acreditar que sua filha não era doente ou possessa, mas apenas uma intermediária entre os vivos e os mortos. A família foi se acostumando com o fato e a faculdade de Ermance passou a ser vista como uma coisa natural e positiva.

Os contatos com São Luís passaram a ser frequentes. Sob seu influxo, ela escreveu a autobiografia póstuma do rei canonizado, intitulada “A história de Luís IX, ditada por ele mesmo”. Em 1854, esse texto foi publicado em livro, mas a Censura do Governo de Napoleão III proibiu a sua distribuição. Os censores acharam que algumas passagens podiam ser entendidas como críticas ao Imperador e à Igreja.

O posicionamento favorável dos Dufaux ao neo-espiritualismo (spiritualisme) gerou retaliações. Numa confissão, Ermance recusou-se a negar sua crença nos Espíritos, atribuindo suas mensagens a Satanás, e foi proibida de comungar. A Imperatriz também esfriou seu relacionamento com a família. No entanto, o Imperador Napoleão III ficou curioso e pediu para conhecer a Srta. Dufaux.

Ela foi recepcionada no Palácio de Fontainebleau e recebeu uma mensagem de Napoleão Bonaparte para o sobrinho. A mensagem respondia a uma pergunta mental de Luís Napoleão e seu estilo correspondia exatamente ao de Bonaparte.

Com o tempo, os Espíritos também começaram a falar por Ermance. Em 1855, com 14 anos, Ermance publica seu segundo livro “spiritualiste” (na época, não existiam os termos espírita, mediunidade, etc). O primeiro a ser distribuído e vendido: “A história de Joana D’Arc, ditada por ela mesma” (Editora Meluu, Paris).

Segundo Canuto Abreu, a família Dufaux conheceu Allan Kardec na noite do dia 18 de abril de 1857. O Codificador teria dado uma pequena recepção em seu apartamento e os Dufaux foram levados por Madame Planemaison, grande amiga do professor lionês.

No final da reunião, Ermance recebeu uma belíssima mensagem de São Luís, que, a partir dali, tornaria-se uma espécie de supervisor espiritual dos trabalhos do Mestre. Segundo o ex-rei, Ermance, assim como Kardec, era uma druidesa reencarnada. Os laços entre os dois se estreitaram e ela se tornou a principal médium das reuniões domésticas do Prof. Rivail.

No final de 1857, Kardec teve a idéia de publicar um periódico espírita e quis ouvir a opinião dos guias espirituais.

Ermance foi a médium escolhida e, através dela, um Espírito deu várias e ótimas orientações ao Mestre de Lion. O órgão ganhou o nome de “Revista Espírita” e foi lançado em Janeiro do ano seguinte.

Como o apartamento de Allan Kardec ficou pequeno para o grande número de frequentadores da sua reunião, alguns dos participantes decidiram alugar um local maior.

Para isso, porém, precisavam de uma autorização legal. O Sr. Dufaux encarregou-se de obter o aval das autoridades, conseguindo em quinze dias o que, normalmente, levaria três meses. Conquistada a liberação, o Codificador e seus discípulos fundaram a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, em Abril de 1858. Ermance foi uma das sócias fundadoras.

Durante o ano de 1858, Ermance recebeu mais duas autobiografias mediúnicas. Desta vez, os autores foram os reis franceses Luís XI e Carlos VIII. O Codificador elogiou o trabalho da Srta. Dufaux (2) e transcreveu trechos das “Confissões de Luís XI” na Revista Espírita(3). Nesse mesmo ano, Kardec divulgou três mensagens psicografadas pela jovem sensitiva (4). Não temos notícia sobre a possível publicação das memórias de Carlos VIII.

Canuto Abreu revelou que Rivail a utilizou como médium na revisão da 2ª edição de O Livro dos Espíritos.

Em 1859, Ermance não é mais citada como membro da SPEE nas páginas do mensário kardeciano. Isso leva-nos a crer que ela teria saído da Sociedade. Outro indício dessa suposição é que São Luís passou a se comunicar através de outros sensitivos (Sr. Rose, Sr. Collin, Sra. Costel e Srta. Huet). Não há, igualmente, registros da continuidade do seu trabalho em outros grupos.

O que teria acontecido com Ermance? Teria casado e deixado a militância, como Ruth Japhet e as meninas Baudin? Teria se desentendido com Kardec? Teria mudado da França? Teria desanimado com o Espiritismo? São perguntas que só ela poderia responder. Seja como for, o Codificador continuou a divulgar seu trabalho. Em 1860, ele noticiou a reedição de “A história de Joana D’Arc ditada por ela mesma”, pela Livraria Lendoyen de Paris.

Em 1861, enviou vários exemplares desse livro, junto com suas obras, para o editor francês Maurice Lachâtre, que se encontrava exilado em Barcelona, Espanha. O objetivo era a divulgação do Espiritismo em solo espanhol. Esses volumes acabaram confiscados e queimados em praça pública pela Igreja Católica no famoso Auto-de-fé de Barcelona.

“A história de Luís IX ditada por ele mesmo”, foi liberada pela Censura e finalmente publicada pela revista La Verité de Paris em 1864. No início de 1997, a editora brasileira Edições LFU traduziu “A história de Joana D’Arc” para o português.

NOTAS:

(1) Rei francês, filho de Luís VIII e Branca de Castela, nascido em 1215, coroado em 1226 e morto em 1270. Luís IX teve um reinado bastante conturbado. Até 1236 enfrentou a Revolta dos Vassalos e a Guerra dos Albigenses. Venceu duas batalhas contra os ingleses em 1242. Em 1249, organizou uma Cruzada, foi vencido e aprisionado. Resgatado, ficou na Palestina até 1252, quando voltou à França. Empreendeu mais uma Cruzada e morreu de peste ao desembarcar em Tunis. Foi canonizado pela Igreja em 1297.

(2) Página 30 do Volume 1858, EDICEL.

(3) Páginas 73, 148 e 175, ibidem.

(4) Páginas 137, 167 e 317, ibidem.

BIBLIOGRAFIA:

ABREU, 1992.
KARDEC, 1993.

_____________

Algumas Informações Adicionais sobre Ermance Dufaux (GEAE)

Pesquisando na Internet verificamos que Ermance Dufaux publicou livros na década de 1880 que foram citados em obras de outros autores e traduzidos para outras linguas. Edições impressas ainda existem a venda em sites de livros raros e versões digitalizadas podem ser encontradas no site da Biblioteca Nacional da França.

Algumas das referências que encontramos:

1) No site da Biblioteca do Congresso Americano há uma página dedicada a preservação da memória americana com a digitalização de obras raras (http://memory.loc.gov/ammem/index.html). Encontramos nesse site um livro de 1909 – Traité Pratique et Thèorique de La Danse (Tratado Teórico e Prático da Dança, BOURGEOIS, 1909) – que traz na sua bibliografia a indicação de duas obras em nome de Ermance Dufaux.

Não há dadas de publicação indicadas:
Le savoir-vivre dans la vie ordinaire et les cérémonies civiles et religieuses, par Ermance Dufaux. 1 vol. in-18 (O saber viver na vida cotidiana e nas cerimônias civis e religiosas).

L’enfant, hygiène et soins médicaux pour le premier âge; par Ermance Dufaux de la Jonchère. Nombreuses gravures. 1 vol. in-18 (A criança, higiene e cuidados médicos na primeira idade).

2) No site da Amazon Books em francês há a indicação de uma obra histórica de Ermance Dufaux de 1885:
La vie du vaillant bertrand du guesclin, de d’Aprés les Chanson de Geste du Trouvère, Tx Rajeuni par E. Dufaux de la Jonchere. Description: dos léger , cartonnage perca. décoré édition tranche dorées, illustration de Tofani in et hors texte Garnier , 1885. (A vida do Valoroso Bertrand du Guesclin, conforme as canções de gesta dos trovadores, em prosa contemporânea por E. Dufaux de la Jonchere).

3) A página do DICTIONNAIRE DES AUTEURS / ECRIVAINS traz a seguinte relação de obras de Ermance Dufaux:
Auteur : DUFAUX DE LA JONCHERE ERMANCE
Livre : LE SAVOIR-VIVRE DANS LA VIE ORDINAIRE ET DANS LES CEREMONIES CIVILES ET RELIGIEUSES
Edité par Garnier freres – Paris en s.d.(ca 1883)
Auteur : DUFAUX DE LA JONCHERE (MLLE E.)
Livre : LA VIE DU VAILLANT BERTRAND DU GUESCLIN, D’APRES LA CHANSON DE GESTE DU TROUVERE CUVELIER ET LA CHRONIQUE EN PROSE CONTEMPORAINE. Edité par Garnier – Paris en 1885
Auteur : DUFAUX ERMANCE
Livre : HISTOIRE DE JEANNE D’ARC PAR ELLE MEME
Edité par Philman – Paris le 25/09/2000
Auteur : DUFAUX ERMANCE
Livre : LE SAVOIR-FAIRE DANS LA VIE ORDINAIRE ET DANS LES CEREMONIES CIVILES ET RELIGIEUSES
Paris en 1883

4) O livro de Ermance Dufaux sobre higiene e cuidados na infância teve uma tradução para o espanhol em 1888. Esta informação foi encontrada em um site de leilões: Durán Sebastas de Artes (acesso 25/09/2006):
DUFAUX DE LA JONCHERE, Erm.- “EL NIÑO Higiene y cuidados maternales dela infancia PARA USO DE LAS MADRES JOVENES Y DE LAS NODRIZAS… Versión castellana anotada y arreglada por D. Gonzalo de Lorenzo”. París, Garnier Hermanos. 1888. 8º, tela edit., estamp. 475 pgs. Figuras en texto.

5) No site Gallica da Biblioteca Nacional da França está disponível para consulta e download o livro Le Saivoir-Vivre e no seu início há uma carta datada de 1883.

6) No mesmo site há outro livro dela de 1884:
Ce que les maîtres et les domestiques doivent savoir [Texte imprimé] / par Mlle E. Dufaux de la Jonchère (O que os patrões e os criados domésticos devem saber). Paris : Garnier frères, 1884. 461-36 p. Sujet: Employeur et employé (droit) — 19e siècle.
Vários livros de autoria espiritual de Ermance Dufaux foram psicografados através do médium Wanderley Soares de Oliveira a partir de 2000. Segundo o site da Livraria Espírita Candeia, Wanderley atua em Belo Horizonte (MG) como expositor e médium. Os livros são publicados pela editora Dufaux:
Seara Bendita (2000 – em parceria com outros espíritos)
Laços de Afeto (2002)
Mereça ser Feliz (2002)
Reforma Íntima sem Martírio (2003)
Unidos Pelo Amor (2004 – em parceria com outros espíritos)
Atitude de Amor (opúsculo – em parceria com outros espíritos
Lírios de Esperança (2005)
Escutando Sentimentos (2006)
Referências Bibliográficas
ABREU, S. C. O Livro dos Espíritos e sua Tradição Histórico e Lendária. São Paulo: Edições LFU, 1992.
BOURGEOIS, E. Traité pratique et théorique de la danse. Paris: Garnier frères, 1909. Disponível em: http://memory.loc.gov/cgi-bin/query/r?ammem/musdi:@field(DOCID+@lit(musdi235)). Acesso em 25 de setembro de 2006.
DOYLE, A. C. The History of Spiritualism – Vol I. Australia: Projeto Guttemberg, 2003. Disponível em:
http://gutenberg.net.au/ebooks03/0301051.txt
DUBY. G. Histoire de La France. 3. ed. Paris: Larousse, 2003
KARDEC, A. Coleção da Revista Espírita. São Paulo: EDICEL, ?
______. Obras Póstumas (Coleção das Obras Completas de Allan Kardec – Volume XIX). São Paulo: EDICEL, 1976.
______. Obras Póstumas. Rio de Janeiro: FEB, 1993
______. Revista Espírita – 1858. Tradução Salvador Gentile. 1.a ed. São Paulo: Mundo Maior Editoria, 2003.
MORAL, A. M. El Segundo Imperio. Historia y Vida – n° 413. Barcelona (Espanha): Editora Mundo Revistas, agosto de 2002.
WANTUIL, Z.; THIESEN, F. Allan Kardec. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 1979
WIKIPEDIA. Bernadette Soubirous. In: WIKIPEDIA, The Free Encyclopedia. Disponível em: http://en.wikipedia.org/wiki/St_Bernadette. Acesso em 19 de setembro de 2006.
*
Colaboração:
Sergio Goldstein
sergio.goldstein@terra.com.br
Campos do Jordão
*
Publicado em: SinapsesLinks
http://sinapseslinks.wordpress.com/

Habilidade essencial


ÉDO MARIANI
edo@edomariani.com.br
Matão, SP (Brasil)



Habilidade essencial


Em O Livro dos Médiuns, cap. XXIX, item 335, Allan Kardec, o Codificador do Espiritismo, ensina: “(...) a caridade e a tolerância são o dever primário que a Doutrina (Espírita) impõe aos seus adeptos”.

Nestes tempos em que a violência e a intolerância campeiam por toda parte, vale meditar sobre a determinação de Kardec sobre o tema.

A grande maioria dos seres humanos possui uma forte tendência em examinar meticulosamente os erros alheios, hábito adquirido através das vidas sucessivas, e, nessa habilidade de avaliar a conduta alheia, somos “juízes e psicanalistas”, dotados de vastas possibilidades de encontrar causas e razões para os desatinos que ocorrem fora da esfera do nosso “eu”.

O que é muito lamentável é não utilizarmos nossas habilidades de avaliar os erros alheios em recurso para reerguer e auxiliar, colaborando com o aprimoramento do próximo, no lugar de só destacar o “lado” ruim e amargo de sua atitude e costume.

Focar apenas ângulos sombrios do próximo é atitude comum para a maioria dos homens nas experiências da vida presente. Espera-se, entretanto, de nós outros, aprendizes do bem, maior lucidez nas nossas ações, pois o grande desafio da atualidade é saber manter-se afetivamente focado no “lado” bom, nas qualidades, nos instantes bem-sucedidos de alguém, conquanto tenhamos vastas possibilidades de perceber-lhes as imperfeições e mazelas.

A essa qualidade chamamos indulgência.

No livro Ideal Espírita, psicografado por Chico Xavier, de autoria de Espíritos diversos, há uma belíssima página de André Luiz com o título "Indulgência", onde encontramos valiosos ensinamentos.

Escreve ele:

“A luz da alegria deve ser o facho continuamente aceso na atmosfera das nossas experiências.

Circunstâncias diversas e principalmente as de indisciplinas podem alterar o clima de paz, em redor de nós, e entre elas se destaca a palavra impensada com forja de incompreensão, a instalar entrechoques.

Daí o nosso dever básico de vigiar a nós mesmos na conversação, ampliando os recursos de entendimento nos ouvidos alheios.

Sejamos indulgentes. Se erramos, roguemos perdão. Se outros erraram, perdoemos.

O mal que desejarmos para alguém, hoje, suscitará o mal para nós, amanhã. A mágoa não tem razão justa e o perdão anula os problemas, diminuindo complicações e perdas de tempo.

É assim que a espontaneidade no bem estabelece a caridade real. Quem não reconhece as próprias imperfeições, demonstra incoerência. Quem perdoa desconhece o remorso. Ódio é fogo invisível na consciência. O erro, por isso, não pede aversão, mas entendimento. O nosso erro requer a bondade alheia; erro de outrem reclama a clemência nossa. A Humanidade dispensa quem a censure, mas necessita de quem a estime.

E ante o erro, debalde se multiplicam justificações e razões. Antes de tudo, é preciso refazer, porque o retorno à tarefa é a consequência inevitável de toda fuga ao dever.

Quanto mais conhecemos a nós mesmos, mais amplo em nós o imperativo de perdoar. Aprendamos com o Evangelho, a fonte inexaurível da Verdade.

Você, amostra da Grande Prole de Deus, carece do amparo de todos, e todos solicitam-lhe amparo. Saiba, pois, refletir o mundo em torno, recordando que, se o espelho inerte e frio retrata todos os aspectos dignos à sua volta, o pintor, consciente, buscando criar atividade superior, somente exterioriza na pureza da tela os ângulos nobres e construtivos da vida”.

É importante reflexionar sobre o tema focado pelo Espírito André Luiz, o qual nos convida a esmerar no desenvolvimento de nossas habilidades essenciais: o hábito de apreciar e valorizar as boas qualidades em detrimento das más, nos companheiros de romagem terrena.

Se analisarmos os ensinamentos e atos de Jesus, o qual, como sempre, é o nosso modelo, constataremos que em momento algum do seu ministério de Amor o percebemos em atitude de destaque ao mal; embora, vigilante, soubesse sempre onde ele se ocultava e procurava erradicá-lo sem que o evidenciasse, como lembra o Espírito Ermance Dufaux em seu livro Laços de Afeto, cuja leitura recomendamos aos nossos leitores.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

TOLERÂNCIA

Francisco Masan

Tolerância é quando eu sou capaz de aceitar você sem reservas. É quando minha alma consegue enxergar a sua e perceber que somos iguais, mas livres para sermos diferentes.
Neste sentido, eu não desejo impor-lhe meus pensamentos e ideias, porém me sinto livre para me expressar sem tentar lhe convencer. Posso perceber que você, por alguma razão, escolheu um caminho equivocado e, além de entender que você tem o seu tempo de se descobrir, eu nem deixo de seguir o que acredito e nem sou omisso, se tenho a oportunidade de lhe dizer como penso.
Não tenho mais vontade de lhe criticar e não sou maledicente em sua ausência. A irritação e a impaciência vão sendo substituídas pela compaixão e o apascentamento. Não preciso lhe perdoar, pois sei que tudo o que você fez foi deixar claro para mim onde devo trabalhar para amadurecer. Não quero modifica-lo, mas quero ser a minha melhor expressão para você. Escolho, portanto, observar o que posso aprender consigo e me ponho à disposição para ser útil a você, se você quiser e precisar, sem me sentir violentado e sem forçá-lo a nada.
Ficarei feliz com sua alegria, mesmo que aquilo que lhe traz alegria não seja objeto de minha afinidade. E quando você estiver triste ou angustiado, por alguma razão, tentarei saber esperar o momento certo para trazer até você aquilo que você precisa, da maneira que você precisa.
Como podemos ver, a tolerância é derivada do amor. O amor, porém, é amadurecimento da alma que se torna capaz de perceber unidade na diversidade. No sentimento de igualdade, portanto, aquilo que oferto a você, também estou ofertando a mim mesmo.
Se pudermos praticar este exercício uns com os outros, certamente descobriremos muito mais acerca de nós e da liberdade que reside em não desejar possuir ninguém a não ser a si mesmo.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

A Droga e o Jovem

A Droga e o Jovem

Autor: Rosa Maria Silvestre Santos

O jovem desprovido de maturidade emocional, vivendo a complexidade da vida humana, o medo de enfrentar dificuldades, as frustrações e o modismo é um forte candidato para as drogas.

O jovem usa droga para:

* reduzir tensão emocional - ansiedade;

* remover o aborrecimento;

* alterar o humor;

* facilitar encontrar amigos;

* resolver problemas;

* seguir os colegas;

* ficar na moda;

* expandir a consciência - transcender;

* buscar o auto-conhecimento;

* atingir o prazer imediato; etc.

O jovem usuário de drogas tem dificuldade de formar um "eu" adulto e fica sempre com uma sensação de incompletude, a droga age como um cimento nas fendas da parede que completa seu "eu", é a conhecida fase do "estágio do espelho quebrado" em que Olieveinstein (1991, apud Bergeret & Leblansc) diferencia o usuário do toxicômano. As carências constituídas na primeira infância acarretam esta "falta" ou "incompletude" e a droga vem para completar.

O início do uso de drogas é uma lua de mel. Os pais ficam longos anos desconhecendo que o filho as utiliza. Depois da lua de mel vem o desconforto de estar sem o produto, aumenta a "tolerância" (necessidade de mais doses para o mesmo efeito) e a "dependência" (dificuldade de controlar o consumo).

Geralmente, encontramos jovens que usam drogas legais e ilegais nos shows e festinhas, mas não se consideram dependentes delas. "Brincam com fogo" e desprezam toda informação científica que alerta sobre os perigos da "tolerância" e da "dependência".

A experiência internacional (Carlini,Carlini-Cotrim & Silva-Filho,1990), constata a existência de três fatores que, juntos, favorecem o desenvolvimento da "toxicomania" ou "dependência química", são eles: a droga, o jovem e sua personalidade e o momento dele dentro da família e sociedade.

O que leva o jovem a fazer uso de droga é a busca do prazer, da alegria e da emoção. No entanto, este prazer é solitário, restrito ao próprio corpo, cujo preço é a autodestruição. Tudo isto faz esquecer a vida real e se afundar num mar de sonhos e fantasias. Esta é uma opção individual, se bem que, muito condicionada ao papel do grupo.

"O uso de drogas pode ser uma tentativa de amenizar sentimentos de solidão, de inadequação, baixa auto-estima ou falta de confiança." Silveira, 1999.

Além do prazer, a droga pode funcionar como uma forma de o adolescente afirmar-se como igual dentro de seu grupo. Existem regras no grupo que são aceitas e valorizadas por seus membros, tais como: o uso de certas roupas, o corte de cabelo, a parada em certos locais e a utilização de drogas.

É no grupo que o jovem busca a sua identidade, faz a transição necessária para alcançar a sua individualização adulta. Porém, o jovem tem o livre-arbítrio na escolha de seu grupo de companheiros. O tipo de grupo com o qual ele se identifica tem tudo a ver com sua personalidade.

Outra motivação forte para o jovem buscar a droga é a transgressão. Transgredir é contestar, é ser contra a família, contra a sociedade e seus valores. Uma certa dose de transgressão na adolescência é até normal, mas quando ela excede com drogas, representa a desilusão e o desencanto.

Os jovens, muitas vezes, utilizam determinada droga para apontar a incoerência do mundo adulto que usa e abusa das drogas legais como álcool, cigarro e medicamentos. Acreditam que os adultos deveriam ser um "porto-seguro", um referencial da lei e dos limites. No entanto, muitos adultos não pararam para refletir sobre isso.

A "onipotência juvenil" é uma característica da adolescência que faz com que o jovem acredite que nada vai acontecer. Pode transar sem camisinha e não vai engravidar ou pegar AIDS ou DST, pode usar drogas e não vai se tornar dependente. No entanto, é ainda maior o risco de dependência, no jovem quando:

* possui dificuldade de desligar-se da situação de dependência familiar;

* existem falhas na capacidade de reconhecer-se como indivíduo adulto, capaz e separado dos outros;

* possui dificuldades de lidar com figuras de autoridade, desafia e transgride compulsivamente.

Os adolescentes sofrem influências de modismos e de subculturas, são contestadores, sofrem conflitos entre a dependência e a independência, têm uma forte tendência grupal, um desprazer com a vida urbana rotinizada e uma grande ausência de criatividade. Alguns adolescentes fazem a descoberta do valor da vida em confronto com a morte, através de esportes violentos, pegas de carros, roleta russa, anorexia nervosa, suicídio e drogas.

A primeira onda de socialização da droga surgiu nos anos 60. Muitas pessoas começaram a questionar a realidade social e procurar uma cura psíquica na natureza, já que o mundo urbano não oferecia alternativas. Aprenderam a usar certas plantas para modificar a percepção consciente, era a época dos hippies.

Hoje, depois de 30 anos conhecemos o grande equívoco, definitivamente todas as drogas causam dependência e esta "falsa" sensação divina acaba anestesiando a realidade individual de não se sentir "bom o bastante".

Segundo Griscom, o desejo de drogas é sempre a busca de algo mais. Os pais transmitem isso aos filhos quando eles próprios ingerem droga e os seus filhos acabam fazendo a mesma coisa. Isso é explicado geneticamente, já existe no equilíbrio bioquímico uma predisposição.

"O uso de drogas ativa a expansão para a dimensão astral, fazendo a pessoa entrar em realidades que podem ser muito sedutoras, atraentes e abrangentes; por isso as drogas ofereciam uma saída, um escape da realidade linear e da luta para conseguir um lugar no mundo" Griscom, (1991, p.71).

A sociedade atual tem pouco a oferecer para o jovem antes que sejam considerados adultos produtivos, suas vidas estão sem significado e seus modelos são os heróis intocáveis da TV. Os jovens sabem que nunca serão estes heróis e sentem necessidade de se descobrir e responder a questão "Quem sou eu?"

"Os jovens procuram encontrar-se utilizando drogas. Tentam eliminar a dor, a limitação, sacudir-se do desconforto de serem pequenos demais. Fazem isso por meio de drogas porque foram criados num modo de vida quase passivo. Hoje a juventude acumula eletricidade estática que não deixa uma marca, não encontra um canal para escoar. A agitação é grande demais para o Sistema Nervoso que é estimulado em excesso e não possui um canal de reação. Assim os jovens simplesmente utilizam vários tipos de drogas para sintonizar-se e livrar-se do desconforto que sentem no corpo, nas emoções e na mente." Griscom (1991, p72 e 73).

É tão difícil para o jovem ser ele mesmo que acaba representando vários papéis, um em casa, outro com os colegas, outro na escola, indefinidamente espera ser levado em conta. Chegar aos 18 anos, de nada alivia porque o processo educativo é prolongado, a adolescência também é prolongada e fica muito longe a chegada à idade adulta, na qual a sociedade o aceitará e aprovará seus conceitos, pensamentos e criatividade.

Os pais não sabem o que fazer com a caótica energia do jovem e a escola muito menos. O jovem vive uma realidade tensa com as notas, provas, semestres... sem que se perceba como um sentido real de força e valor. Esta separação emocional e intelectual acaba provocando o "aluno desistente". Desistir de estudar é sedutor, é uma defesa contra um mundo hostil. As drogas aliviam o desconforto social, funcionam como uma cortina de fumaça para disfarçar a sensação de vazio. (Griscom,o. cit.)

"Muitas pessoas começam a utilizar drogas como um meio de alcançar o seu próprio eu divino, mas pagam um alto preço por isso. A aglutinação do núcleo da nossa percepção consciente fica enfraquecido pelas drogas. Quando tomamos alguma droga que nos leva à dimensão do altral, sempre ocorre um afrouxamento do controle do ego, que diz: "Tenha cuidado! Cuidado com isso". É isso mesmo, libertamos o ego que nos aborrecia, mas quando entramos na dimensão do astral perdemos também a nossa essência!" Griscom (1991, p. 77).

Nosso caminho evolutivo acaba sendo atrasado por esta opção que tanto ilude e prejudica nossa essência e nossa capacidade de discernimento.

O que acontece é que as drogas trazem uma percepção de realidade passiva. Podem até ser um caminho para a expansão da percepção consciente, porém é um caminho passivo, de fora para dentro, é artificial e causa dependência. A dimensão do astral não é passiva, exige ação intencional, práticas de respiração, meditação e recolhimento interior.

"A maconha é uma das drogas que criam uma modificação permanente no cérebro. A maconha deposita nas sinapses nervosas um resíduo viscoso que é parecido com o piche e não pode ser retirado. Esse resíduo retarda nossa capacidade de entrar em outras oitavas de percepção consciente porque as sinapses, que transportam mensagens, perdem a faculdade de entregar os dados que recebem. As pessoas que optam por essa forma de alterar a percepção consciente estão de fato diminuindo suas próprias vibrações." Griscom, 1991, p.78

Se quisermos entrar em contato com a Espiritualidade Maior, em outras dimensões, não podemos danificar nosso campo eletromagnético, somos sistemas energéticos. Quando utilizamos drogas criamos buracos no campo de nossa aura.

Quando os jovens conhecem sua finalidade na vida, reconhecem a força no seu coração e na sua intuição, não sentem necessidade de recorrer às drogas como meio de fuga. Podem compartilhar a ligação com o Eu Superior e sentir a energia criativa que emanam através das palavras, imagens, quadros ou música.

As principais recomendações de Divaldo Franco para o jovens são essas:

1. A pretexto de comemorações, festas, não se comprometa com o vício; apenas um pouquinho pode ser uma picada de veneno letal que mesmo em pequenas doses pode ser fatal;

2. Se está feliz, fique feliz lúcido;

3. Se está sofrendo, enfrente a dor abstêmio e forte;

4. Para qualquer situação recorra à prece.

Drogas na Juventude

A questão das drogas deve ser observada com muita atenção por todos os setores da sociedade nos dias atuais. Uma importante justificativa para isso são os resultados de estudos feitos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), que foram reunidos em um livro intitulado Drogas na Escola, o qual foi lançado no dia 11 de novembro de 2002, em Brasília. Para elaborar esses estudos, a UNESCO entrevistou 50.049 alunos de escolas públicas e privadas de ensino fundamental e ensino médio em todo o Brasil. A amostra de alunos foi baseada em probabilidades, de modo que as deduções resultantes da pesquisa pudessem ser generalizadas para o universo de estudantes das 14 maiores capitais brasileiras, o que equivale a um total de 4.663.301 alunos.
Nestas entrevistas foi constatado que um grande número de jovens hoje em dia consome com certo grau de regularidade algum tipo de droga, lícita ou ilícita (ver tabela). Qual será o motivo de tantos adolescentes porem em risco suas vidas para irem em busca dessas substâncias que, embora inicialmente lhes proporcionem sensações de prazer, com o passar do tempo acabam se tornando a causa de tantos sofrimentos para eles?
Muitas razões são mencionadas: curiosidade, rebeldia, necessidade de auto-afirmação, etc. Todas estas causas são válidas, mas não são as mais importantes. O Espiritismo nos fornece explicações simples e claras para compreendermos esta questão.
Recorremos a Joanna de Ângelis, que no seu livro Adolescência e Vida1, no capitulo “O Adolescente e o Problema das Drogas” (pág. 122 a 126), destaca como um dos principais motivos do jovem se viciar a rejeição que este sofre por parte da família, que não supre as suas necessidades afetivas e muitas vezes o incentiva a buscar substâncias químicas a fim de superar as dificuldades da vida e resolver seus conflitos interiores. Afirma Joanna que os pais, "demonstrando incapacidade para suportar esses problemas sem a ajuda de químicos ingeridos, abrem espaço na mente da prole, para que, ante dificuldades, fuja para os recantos da cultura das drogas que permanece em voga".
Neste mesmo capítulo, Joanna nos alerta que o destino final desses jovens que fazem uso de drogas é muito triste, caso não se livrem do vício a tempo. Afirma ela que "Todas estas drogas tornam-se convites-soluções para os jovens desequipados de discernimento, que se lhes entregam inermes, tombando quase irremissivelmente nos seus vapores venenosos e destruidores", o que significa que a ilusão daquele que usa drogas, procurando obter com elas uma fuga da realidade, acaba conduzido-o a uma situação muito mais difícil do que a que vivenciava antes de começar a fazer uso dos tóxicos.
São muitos os prejuízos que as drogas acarretam às pessoas que as usam. As emanações perniciosas provenientes dessas substâncias tóxicas, legais e ilegais, desarmonizam os chakras, que são centros vitais através dos quais o espírito, utilizando um envoltório fluídico que o reveste e que serve de intermediário entre ele e o corpo físico, envoltório esse chamado perispírito, distribui pelo nosso corpo físico as energias necessárias ao seu bom funcionamento. Mais informações sobre esses centros vitais podem ser encontradas no livro Entre a Terra e o Céu, do espírito André Luiz2 nas páginas 126 a 128. Os desequilíbrios desses chakras acabarão se refletindo em nosso organismo como na forma de distúrbios de natureza variada, pois todo mal físico tem sua origem no espírito imortal. Joanna de Ângelis em seu livro Autodescobrimento3, confirma essa informação quando diz, na página 38, que "Na raiz, portanto de qualquer enfermidade, encontra-se a distonia do espírito".
Estes distúrbios podem, por exemplo, atingir os pulmões daquele que fez uso do cigarro, o fígado do que abusou das bebidas alcoólicas e o sistema nervoso do usuário de cocaína. E se o espírito após desencarnar não melhorar seu estado mental e permanecer com a mente fixada nos tóxicos, as desarmonias em seus centros vitais terão reflexo no corpo físico que terá de usar em sua próxima encarnação. Esses reflexos se farão perceber no corpo carnal através de deformidades corporais ou de moléstias congênitas ou hereditárias. Este fato é mais uma prova de que sempre estaremos ligados às conseqüências boas ou ruins de nossos atos passados.
O vício das drogas também expõe quem as usa ao assédio de entidades espirituais inferiores. O espírito quando desencarna leva para o mundo espiritual todos os hábitos por ele cultivados na Terra. Então, se encarnado ele usava tóxicos, ao desencarnar, não procurando se desprender do vício, ele continuará a sentir dentro de si a necessidade de consumir esses mesmos tóxicos, mesmo estando sem seu corpo de carne. Para satisfazer esse seu desejo, ele voltará a Terra em busca de encarnados que façam uso de drogas e quando encontra algum viciado ele o submeterá a um processo obsessivo denominado vampirismo, que consiste em o espírito acoplar-se ao perispírito do encarnado e sugar as energias vitais de seus chakras.
Esse procedimento obsessivo em longo prazo resulta na desarmonização e desvitalização de seus centros vitais, dando origem a enfermidades físicas e mentais graves. E, após desencarnar, aquele que quando encarnado tinha suas energias sugadas, conservando-se viciado depois de desencarnar, passará a sorver as energias de outra pessoa consumidora de drogas, fazendo com que ela siga o mesmo caminho que ele seguiu, caso essa pessoa não altere o seu comportamento equivocado.
Diante destes quadros dolorosos, pergunta-se: Como evitar que as drogas nos dominem? Diversas sugestões já foram dadas para solucionar esse preocupante problema, sugestões essas que, embora respeitáveis, apresentam diversas falhas. A doutrina Espírita, novamente através de Joanna de Ângelis, em Adolescência e Vida (Pág. 125-126), nos apresenta a melhor das soluções. Diz ela que: “Em todo esse conflito e fuga pelas drogas, o amor desempenha papel fundamental, seja no lar, na escola, no grupo social, no trabalho, em toda parte, para evitar ou corrigir o seu uso ou o comportamento negativo”.
Não há dúvida de que, na prevenção e no combate as drogas, a terapia do amor será sempre a mais eficaz. Na família, essa terapia deve ser exercida pela atenção e carinho que os pais devem sempre dispensar a seus filhos, atendendo-os nas suas necessidades emocionais e educando-os dentro dos princípios do evangelho. Os pais também devem dar aos filhos informações sobre as drogas, informando-os das implicações que seu consumo traz para quem as usa. Os centros espíritas também devem contribuir para a resolução desta problemática, desenvolvendo atividades de evangelização infanto-juvenil em suas dependências, atividades essas que auxiliarão os pais a informar os filhos sobre os malefícios das drogas e a implantar em seus jovens corações as virtudes evangélicas, defesas seguras contra qualquer tipo de mal.
E aquele que está tentando se livrar do vício das drogas encontrará no Espiritismo valiosos auxiliares, como os tratamentos pelo passe e pela água fluidificada, que o ajudarão a harmonizar os seus chakras, eliminando deles as vibrações deletérias resultantes do uso dos tóxicos. Além disso, através das reuniões de obsessão'>desobsessão, se houver algum espírito que o esteja estimulando a consumir drogas, este será esclarecido sobre sua conduta errada e do mal que o atingirá se não mudar de atitude e concluir por si mesmo que é melhor deixar sua vítima e buscar sua própria reabilitação.
Lembramos, porém, que a reforma íntima e a vontade firme de largar esse doloroso vício são os mais importantes instrumentos para se atingir a vitória nesta difícil batalha, pois os bons espíritos sempre estarão ao lado de todo aquele que realmente almeja libertar-se dos tóxicos e evoluir espiritualmente. E garantimos que não há nenhuma droga no mundo que nos proporcionará a alegria de saber que sempre estaremos envolvidos pelo infinito amor de Deus, nosso Pai.

O abuso de drogas - como orientar os jovens?

As drogas são conceituadas como toda substância natural ou sintética que altera o comportamento humano, sendo classificadas em estimulantes, depressoras ou perturbadoras do Sistema Nervoso Central. As estimulantes estão presentes principalmente na cocaína, nicotina e na cafeína, as depressoras no álcool e narcóticos e as perturbadoras na maconha, ecstasy e LSD.

Classificam-se também como lícitas e ilícitas, sendo que as lícitas são aquelas que têm compra e venda autorizada por legislação específica, que são as drogas medicamentosas (tranqüilizantes, analgésicos, etc.); drogas sem finalidade terapêutica (álcool e tabaco) e drogas industriais (cola, esmalte, fluídos, solventes, etc.). Drogas ilícitas são todas aquelas relacionadas no rol de ilicitudes da Lei 11.343/06.

O ser humano possui três tipos de perfis psicológicos, quais sejam, estimulante, depressor e perturbador, sempre preponderando um deles no comportamento individual. Na busca da satisfação do seu anseio de êxtase, que é o alcance da felicidade, do prazer, não estando psicologicamente equilibrado, o indivíduo poderá utilizar-se de drogas psicotrópicas em conformidade com o seu perfil.

Com o uso constante de drogas podem surgir três fenômenos a tolerância, a dependência e a Síndrome da Abstinência. A tolerância ocorre porque com o uso da droga o cérebro humano libera um neurotransmissor, específico para cada tipo de droga, que proporcionará prazer ao dependente químico, porém, com a administração constante ocorre uma adaptação biológica à droga, diminuindo a liberação dos neurotransmissores, neste momento, o drogadicto precisa aumentar a dose para obter o mesmo efeito.

A dependência se caracteriza por vínculo extremo onde a droga é priorizada em detrimento de outras relações, na falta da droga as pessoas que se acostumaram a consumi-la são invadidas por sintomas penosos.

Dois tipos de dependência podem ser identificados no indivíduo:

Dependência física: quando a droga é utilizada em quantidades e freqüências elevadas, o organismo se defende estabelecendo um novo equilíbrio em seu funcionamento e adaptando-se à droga de tal forma que, na sua falta, funciona mal. Manifesta-se por distúrbios físicos quando o uso de uma droga é interrompido, causando crise de abstinência. Na dependência física, a droga é necessária para que o corpo funcione normalmente.

Dependência psíquica: se instala quando a pessoa é dominada por um impulso forte, quase incontrolável, de se administrar a droga à qual se habituou, experimentando um mal-estar intenso (fissura), na ausência da mesma.  A droga produz um sentimento de satisfação e um impulso psicológico, exigindo uso periódico ou contínuo para produzir prazer ou evitar desconforto.

E a Síndrome da Abstinência são sintomas apresentados quando se interrompe o uso da droga parcial ou totalmente, ocasionando sensações de mal estar.

No início o dependente químico consegue conviver normalmente usando a droga e não se privando da sua vida de relação com os demais integrantes de seu grupo social, mas conforme observamos no quadro descritivo, com o aumento da dependência, as relações pessoais são prejudicadas e por fim totalmente excluídas.

SINAIS CARACTERÍSTICOS DE UM DEPENDENTE QUÍMICO

Quando o indivíduo começa a usar drogas ocorre uma forte mudança de comportamento que se caracteriza por:
- Irritabilidade sem motivos aparentes e explosões nervosas.
- Inquietação motora: apresenta-se impaciente, inquieto, agressivo, irritado e violento.
- Depressão, com estado de angústia, sem motivo aparente;
- Queda do aproveitamento escolar ou desistência dos estudos;
- Insônia rebelde (troca o dia pela noite);
- Isolamento (vive em seu mundo, evita contatos);
- Mudança de hábitos (descuida-se da higiene pessoal, mudança de amigos, modo de falar, vestir, não dá explicações do que faz etc);
- Desaparecimento de objetos de valor, dinheiro ou incessantes pedidos de dinheiro, chegando a ameaçar quando contrariado;
- Tornar-se indolente, irônico, mentiroso, desafiador, indo contra qualquer tipo de autoridade, rompendo laços afetivos e emocionais.

Como orientar?

Para se orientar qualquer pessoa acerca das drogas é preciso identificar se ele é dependente químico ou não. A diferença é que se ainda não fez uso a orientação deve se basear no maior número possível de informações acerca dos malefícios que a droga causa ao futuro do indivíduo, sendo necessário que o orientador se abasteça de largo conhecimento acerca do assunto. As informações devem ter o objetivo de reforçar educação moral do ser, buscando conscientizá-lo da necessidade da valorização da vida, para que não sei envolva com substâncias psicotrópicas.

Se o indivíduo já é um dependente químico a abordagem não deve restringir-se apenas à informação sobre os malefícios, se ele está se drogando é porque não acredita que esta substância química possa lhe fazer algum mal e não valoriza sua vida, carecendo de uma abordagem mais apurada em que envolva não apenas o dependente químico, mas o seu contexto social e o tipo de droga que usa. Quando se instala o vício é porque um ou mais fatores de influência está em desequilíbrio.

Portanto o orientador tem que passar a conhecer intimamente o orientado, procurando identificar, principalmente no seu contexto social (localidade onde mora, família, amigos, valores morais, dificuldades financeiras, sonhos não realizados) para que possa efetivar a correção moral do dependente químico e a diminuir acessibilidade à compra da droga. A dependência é uma doença que atinge principalmente o caráter, é preciso remoldar este caráter.

Uma intervenção direta tem que observar critérios tais como:

- De preferência agir dentro de diretrizes de um programa maior;
- Realizar a abordagem com especial ênfase em   atitude  não   julgadora, persecutória;
- Oferecer ajuda;
- Ressaltar os prejuízos observados e possíveis conseqüências futuras;
- Saber que dependência química é uma doença, seja ela álcool, maconha, cocaína, cigarro etc;
- Ler a respeito da Droga;
- Procurar ajuda de um profissional (Psicólogo, Psiquiatra, Clínicas).

Conforme preconiza a Doutrina Espírita, a predisposição ao uso indevido de drogas psicotrópicas advém de eras passadas onde o espírito imortal cometeu diversos desvios, que se apresentam no presente através de dificuldades de relacionamento humano, materiais e morais, gerando um desequilíbrio psicológico, que no momento vêm sendo preenchidos através da alucinação dos sentidos, na insana tentativa da fuga da própria realidade de vida.

A não fixação de valores morais e uma visão não-espiritualizada da vida, características muito comuns na sociedade materializada possivelmente fará com que o jovem não resista às pressões do seu grupo de convivência, desequilibre-se com facilidade e vindo a fugir de sua realidade moral e material através do consumo de alcoólicos e demais drogas que provocam o entorpecimento da mente humana.

Um dependente químico pode ter nas suas proximidades duas modalidades de espíritos, uma de obsessores, inimigos do passado que não desejam o seu bem, impulsionando-o para o desequilíbrio e a fuga pelas drogas, a outra modalidade é de espíritos viciados, aqueles que desencarnaram e não abandonaram o vício, sentindo necessidade constante do consumo, mesmo após o desenlace do corpo físico, ficam "ao redor" do dependente incentivando-o ao consumo, para que possam se aproveitas dos fluidos que saem de seu corpo físico, saciando o seu vício, são verdadeiros vampiros.

Desta forma, pode-se concluir que muitas são as conseqüências geradas pelo uso de drogas, abaixo relacionamos algumas:

- Vinculações com espíritos viciados através da obsessão ou da vampirização;
- Destruição do perispírito na vida atual;
- Herança de doenças cármicas em reencarnações futuras;
- Escravização no plano espiritual por espíritos menos esclarecidos;
- Necessidade de tratamento médico no plano espiritual para deixar o vício, atrasando a sua evolução.

Considerações

O consumo indiscriminado de drogas vem afetando de forma muito grave a sociedade brasileira e mundial, não sendo apenas um problema de classes menos favorecidas economicamente, deve-se evitar tratar como dependentes químicos apenas aqueles oriundos de bairros mais carentes, pois os integrantes das classes média e alta também usam drogas, com a diferença de que têm condições econômicas para sustentar o vício.

Álcool e maconha são drogas usadas no início e que agem como porta de entrada para uso de outros tipos de psicotrópicos, uma vez que o álcool age diretamente no lobo frontal inibindo o senso moral do indivíduo e a maconha pelo fato da regra moral de manter-se "limpo" ter sido quebrada e por necessidade de drogas mais pesadas, isso não quer dizer que a maconha seja uma droga leve.

A grande dificuldade para se combater o álcool é sua aceitação cultural, estando presente inclusive em cultos religiosos da Igreja Católica, Judaica e práticas espiritualistas (Umbanda e Candomblé). No caso da maconha, devido a muita propaganda nos meios político e televisivo muitos ainda acreditam ser uma "droga leve", o que é um imenso engano, seus níveis de THC são hoje trinta vezes maiores do que na década de 1960, quando surgiu nos movimentos hippies, tendo no seu composto químico mais de quatro mil substâncias identificadas e considerada de poder destruidor do organismo físico muito maior que o cigarro.

Ao se identificar um dependente químico ele não deve ser tratado apenas como transgressor, antes ele é um doente e junto com as medidas coercitivas previstas pelo Estado, ele precisa ser tratado com especialistas para que tenha uma chance de deixar o vício. No início a droga é diversão, mas no fim, ao se instalar a dependência, ela transforma-se em escravidão, destruindo seu caráter moral.

Cabe às Casas Espíritas o socorro imediato aos jovens, adolescentes e adultos que lhe pedem o devido socorro, não sendo justo deixar o tratamento apenas por conta do Estado, possuindo muitas formas de socorro ao dependente químico, cabe a ela o auxílio imediato através do passe, da água fluidificada, da prece intercessória, do atendimento fraterno e das reuniões de desobsessão. Não deixando nunca de tratar a família, pois o uso de drogas reflete um desequilíbrio no lar.

"Se o drama adentrou no teu lar, não  fujas dele, procurando ignorá-lo, nem te rebeles, assumindo atitude hostil.Conversa, esclarece, orienta e assiste  os que  se tornaram  vítimas,  procurando  os  recursos   competentes  da  medicina como  da   doutrina espírita, a fim de conseguires  a reeducação e a felicidade daqueles que a lei divina Te confiou para  a  tua ventura e a deles." Livro Após a Tempestade - Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis.

Sobre o autor

- Presidente do Centro Espírita Francisco Cândido Xavier - Distrito da Serrinha do Alambari - Resende/RJ.
- Militar da Ativa do Exército Brasileiro.
- Bacharel em Direito pela Universidade Estácio de Sá.
- Cursos: Prevenção ao uso indevido de drogas - Departamento de Narcóticos (DENARC) da Polícia Civil do Estado de São Paulo.
- Conselheiro em Dependência Química - ONG Serviço Nacional de Prevenção (SENPRE) - Volta Redonda/RJ - em realização.
- Autor do Livro Momentos de Paz na Serrinha - Espíritos Diversos.