Estudando o Espiritismo

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terça-feira, 16 de setembro de 2014

Espiritismo: ciência, filosofia ou religião?

Espiritismo: ciência, filosofia ou religião?

O Espiritismo “surgiu” em meados do século XIX, na França, tendo como “marco inicial”, por assim dizer, a codificação de O Livro dos Espíritos, por Allan Kardec, em 1857. É importante dizer que os termos espírita e espiritismo foram criados por Kardec para dar nome a tudo o que estava surgindo naquele momento, sendo errado entender, por Espiritismo, qualquer culto ou religião onde há a mediunidade e a crença na reencarnação. Por esse motivo ouve-se muito os termos "espiritismo kardecista", "espiritismo de mesa branca", “baixo e alto espiritismo”, quando na verdade, o Espiritismo real é apenas um e é aquele que encerra toda a doutrina espírita, cuja base são os cinco principais livros deixados por Kardec, a saber: O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864), A Gênese (1868), O Céu e o Inferno (1865) e O Livro dos Médiuns (1861), além, é claro, do Livro dos Espíritos.
O Espiritismo traz em si três faces: a religião, a filosofia e a ciência. Um pensamento de Chico Xavier elucida bem isso: "poderíamos figurar, por exemplo, a ciência como sendo a verdade, a religião, como sendo a vida e a filosofia como sendo a indagação da criatura humana entre a verdade e a vida. Todos os três aspectos são muito importantes, porque a filosofia estuda sempre, a ciência descobre sempre, mas a vida atua sempre. Todos esses aspectos são essenciais, mas a religião é sempre a mais importante, porque a verdade é uma luz a que todos chegaremos, a indagação é um processo do que todos participamos, mas a vida não deve ser sacrificada nunca e a religião assegura a vida, assegurando a ordem da vida". Chico Xavier corrobora ainda essa visão em um trecho do livro Momentos com Chico, de Adelino da Silveira.
Contudo, alguns espíritas preferem não ver o Espiritismo como religião. O próprio Allan Kardec, em certo momento, definiu o Espiritismo como uma ciência e uma filosofia (no livro O Que É o Espiritismo), não tendo caráter religioso, apesar de sua filosofia levar a considerações de ordem religiosa. Temos aqui algo como a idéia de Deus, iniciando a religião; a indagação prenunciando a filosofia e a experimentação anunciando a ciência. Não mais a fé cega, mas o saber racional, vindo da experimentação e observação. No entanto, essas considerações de Kardec se faziam mais no sentido de não colocar o Espiritismo no grupo das religiões dogmáticas existentes na época (e ainda hoje, claro). Diante de tantos abusos e explorações já feitas pelo homem em nome de suas várias religiões na história, ele preferiu diferenciar o Espiritismo disso tudo, para que a doutrina não fosse apenas mais uma repetição da intolerância e abuso humanos. Em seu último discurso, proferido em 1o de novembro de 1868, Kardec explica bem isso:
“Se assim é, perguntarão, então o Espiritismo é uma religião? Ora, sim, sem dúvida, senhores. No sentido filosófico, o Espiritismo é uma religião, e nós nos glorificamos por isto, porque é a doutrina que funda os elos da fraternidade e da comunhão de pensamentos, não sobre uma simples convenção, mas sobre bases mais sólidas: as mesmas leis da natureza. "Por que, então, declaramos que o Espiritismo não é uma religião? Porque não há uma palavra para exprimir duas idéias diferentes, e que, na opinião geral, a palavra religião é inseparável da de culto; desperta exclusivamente uma idéia de forma, que o Espiritismo não tem. Se o Espiritismo se dissesse uma religião, o público não veria aí senão uma nova edição, uma variante, se se quiser, dos princípios absolutos em matéria de fé; uma casta sacerdotal com seu cortejo de hierarquias, de cerimônias e de privilégios; não o separaria das idéias de misticismo e dos abusos contra os quais tantas vezes se levantou a opinião pública. "Não tendo o Espiritismo nenhum dos caracteres de uma religião, na acepção usual do vocábulo, não podia nem devia enfeitar-se com um título sobre cujo valor inevitavelmente se teria equivocado. Eis porque simplesmente se diz: doutrina filosófica e moral".
Concluindo, vê-se que nesse ponto tudo depende do pensamento de cada um, pois se considerarmos religião como algo que incorpore rituais, dogmas variados, sacramentos, sacerdócios, uso de objetos santos ou sagrados e cultos ou práticas exteriores, então o Espiritismo não é uma religião, já que nada disso possui. Mas se considerarmos religião como algo que seja um elo de ligação entre o homem e Deus (lembrando que esse é o significado original da palavra religião; do latim: religare), algo que seja uma fonte de caminhos ao homem para a sua busca ao Ser superior, nada tendo em importância a forma, mas sim o conteúdo (pensamento), então o Espiritismo é sim uma religião. Para que haja um elo forte entre o homem e Deus não são necessárias atitudes exteriores, importando tão somente o que está guardado dentro do coração de cada um, pois é isso o que Deus realmente vê e considera.
De forma objetiva, sete são os princípios básicos do Espiritismo:
1) Deus existe, e Ele é a causa primária de todas as coisas;
2) a existência do espírito e sua sobrevivência após a morte;
3) a reencarnação;
4) a lei de causa e efeito;
5) a comunicação entre o mundo material e o mundo espiritual;
6) a evolução progressiva dos espíritos;
7) a prática da caridade. Tais princípios são melhor elucidados em: quais são as bases da doutrina espírita?
Pensamento de Chico Xavier sobre a face religiosa do Espiritismo
"Se tirarmos Jesus do Espiritismo, vira comédia. Se tirarmos religião do Espiritismo, vira um negócio. A doutrina espírita é ciência, filosofia e religião. Se tirarmos a religião, o que é que fica? A filosofia humana, embora seja uma conversa sem fim, tem ajudado a clarear o pensamento, mas não consola perante a dor de um filho morto. A ciência humana, embora seja uma pergunta infindável, está aí em nome de Deus. Antigamente tínhamos a varíola, mas Deus, inspirando a inteligência humana, nos deu a vacina e hoje a varíola está quase eliminada da face da Terra. Sofríamos com o problema da distância, mas a bondade divina, inspirando a cabeça dos cientistas, nos trouxe o motor. Hoje temos o barco, o carro, o avião suprindo distâncias...o telefone aliviando ansiedades...a televisão colocou o mundo dentro das nossas casas... Tínhamos medo da escuridão, mas a misericórdia divina nos enviou a lâmpada, através da criatividade humana. A dor nos atormentava, mas a compaixão divina nos enviou a anestesia. Há, porém, uma coisa em que a ciência não tem conseguido ajudar. Ela não tem conseguido eliminar o ódio do coração humano. Não podemos pedir misericórdia a um computador. Jesus, porém, está na nossa vivência diária, porquanto em nossas dificuldades e provações, o primeiro nome de que nos lembramos, capaz de nos proporcionar alívio e reconforto, é JESUS. De maneira que se tirarmos religião fica um corpo sem coração, se tirarmos a ciência fica um corpo sem cabeça e se tirarmos a filosofia fica um corpo sem membros."