Estudando o Espiritismo

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sábado, 23 de fevereiro de 2019

Queda dos anjos

Queda dos anjos

O mito da queda dos anjos, ou o pecado original, tem suas raízes em todas as culturas e mais especificamente nos dogmas católicos. Kardec não se furtou em discuti-lo assim como fez sobre todas as outras coisas. E esta discussão veio desde o início pela publicação da primeira edição do Livro dos Espíritos até a publicação de sua derradeira obra, A Gênese, quando expõe a sua já sancionada doutrina dos anjos decaídos.

Esta doutrina ou teoria difere bastante da idéia tradicional do mito da queda. Basicamente, ela pressupõe a possibilidade de que espíritos que perseveram no mal e que se tornam um embaraço para o progresso de um mundo são excluídos deste e vão para um mundo menos adiantado. E o objetivo desta "queda" do espírito seria tanto a sua ajuda no progresso deste mundo inferior quanto a expiação de suas faltas e o seu consequente amadurecimento.

Entretanto, esta teoria não veio totalmente pronta e foi se estabelecendo com o desenvolvimento do trabalho de Kardec. Vamos, então, a um mapeamento entre as duas primeiras edições no qual se observa uma sutil diferença em relação aos objetivos da encarnação em um mundo inferior.

Primeira edição
133. Os espíritos podem se encarnar em um mundo menos perfeito do que àquele ao qual pertençam?
"Sim."
__ Mas então, uma vez que já ficaram apurados, por que suportam as tribulações de uma existência inferior?
"Ê uma missão de contribuir para o progresso."
Os espíritos que habitam em um mundo superior podem encarnar-se em um mundo menos perfeito; mas então isso não é uma expiação, é uma missão que eles cumprem assistindo os homens nas sendas do progresso, e que aceitam satisfeitos pelo ensejo que têm de praticar o bem.

Segunda edição
178. Os Espíritos podem reviver corporalmente num mundo relativamente inferior àquele em que já viveram?
"Sim, quando devem cumprir uma missão para ajudar o progresso, e, nesse caso, aceitam com alegria as tribulações dessa existência, visto que lhes fornecem um meio de progredir."
__ Isso não pode ocorrer por expiação e Deus não pode enviar os Espíritos rebeldes para mundos inferiores?
"Os Espíritos podem permanecer estacionários, mas não retrogradam; a sua punição, pois, é a de não avançar e de recomeçar as existências mal empregadas num meio conveniente à sua natureza."
__ Quais são aqueles que devem recomeçar a mesma existência?
"Os que faliram em suas missões ou em suas provas."

Isto é, na nova edição Kardec já admite a possibilidade de que o espírito volte a encarnar em um mundo inferior para expiação. Por sua vez, na primeira edição só se admitia esta volta para uma missão. É interessante que nesta edição encontramos um diálogo mais direto sobre a queda dos espíritos e que não foi aproveitado na nova edição. Vejam:

Primeira edição
61. Que pensar da crença nos espíritos decaídos?
"Já dissemos que todos os espíritos foram criados ignorantes e sem experiência; aprendem a verdade pelos testes a que todos são submetidos e nas missões que lhes são outorgadas. Aqueles que dão desempenho à missão sem nenhuma queixa avançam, os outros ficam para trás. Não são portanto decaídos; são, se quiser, rebelados; tal como a criança indócil para com o pai. Mas Deus não é impiedoso; fornece-lhes, incessantemente, os meios de se melhorarem; e cumpre-lhes aproveitá-los mais ou menos depressa, segundo a sua vontade, eis aí o livre arbítrio."
A idéia da queda dos espíritos implica uma degradação; ora os espíritos, tendo todos igual ponto de partida que é o estado de ignorância e de inexperiência, não podem senão elevar-se ou ficar estacionários; não pode portanto haver queda no sentido vulgar ligado a esta palavra. E como a elevação depende da vontade pessoal, e da sua submissão à vontade de Deus, e que alguns espíritos não têm aceitado sua missão sem queixa, há no caso simples rebelião da parte deles, e eles ficam punidos por si mesmos, permanecendo maior temporada sob as penas inerentes à sua inferioridade, não porém eternamente, pois cedo ou tarde compreendem sua falta e avançam pouco a pouco. Não são porém anjos rebelados, visto como os anjos são espíritos já chegados à perfeição e que não podem degenerar.

Neste diálogo observamos uma ênfase maior em não associar tal queda dos espíritos a doutrina espírita. Na segunda edição já há uma maior aceitação da idéia por encontrar espaço em uma nova interpretação de que estes espíritos poderiam expiar as suas faltas em um mundo inferior.

Provavelmente, esta teoria foi se consolidando na medida em que os relatos de espíritos chegavam até Kardec demonstrando a possibilidade desta forma de expiação. Por exemplo, veja as respostas de um espírito familiar sobre a questão:

Revista Espírita, outubro de 1858
Morte de cinco crianças por um menino de 12 anos
10. Qual será a posição desse Espírito em uma nova existência?
"Se o arrependimento vier apagar, senão inteiramente pelo menos em parte, a enormidade de suas faltas, então ele permanecerá na Terra; se, ao contrário, ele persistir nisso que chamais a impenitência final, ele irá para uma morada onde o homem está no nível do animal."
11. Assim, pode ele encontrar, sobre essa Terra, os meios de expiar suas faltas sem ser obrigado a retornar para um mundo inferior?
"O arrependimento é sagrado aos olhos de Deus; porque é o homem que julga a si mesmo, o que é raro em vosso planeta."

Aparentemente, Kardec busca uma conciliação com as idéias universalmente aceitas sem, contudo, deixar de interpretá-las sob uma visão menos mística e conforme os princípios espíritas. Especialmente, no caso do mito da queda que faz parte da cultura cristã, Kardec procura aproximar o Cristianismo do Espíritismo sobretudo porque ambos compartilham da mesma mensagem de amor de Jesus.
 por Vital Cruvinel

Anjos caídos e o paraíso perdido


https://radioboanova.com.br/estudo_espirita/anjos-caidos-e-o-paraiso-perdido/

https://www.youtube.com/watch?v=tw4ojOW7BK0

https://www.youtube.com/watch?v=-0ijdTMP-ZA

https://www.youtube.com/watch?v=oAoCqbuZJ9g

http://ipeak.net/site/estudo_janela_conteudo.php?origem=5256&idioma=1

https://www.crbbm.org/media/GUILLET%20-%20FINAL%20CORRIGIDO.pdf

https://livrodosespiritos.wordpress.com/mundo-dos-espiritos/cap-1-dos-espiritos/vii-progressao-dos-espiritos/


Jesus e o Consolador Prometido

Jesus e o Consolador Prometido
Palestra Virtual
Promovida pelo Canal #Espiritismo
http://www.irc-espiritismo.org.br

Palestrante: Nara Coelho
Rio de Janeiro
04/12/1998

Organizadores da Palestra:
Moderador: “Caminheiro” (nick: Moderador) “Médium digitador”: “jaja” (nick: Nara_Coelho)

Oração Inicial:
<_CASTELHANO> Amado Mestre Jesus, mais uma vez aqui nos encontramos para com a assistência de nossos irmãos mais evoluídos do plano espiritual e como eternos pedintes que somos pedir-te, mais uma vez, senhor, para que, nesse instante, nos dispamos de todo sentimento de orgulho, vaidade, egoísmo para recebermos, se assim for de tua vontade, ó Divino Peregrino, mais um dia de ensinamentos que certamente nos servirão para futuras cavalgadas espirituais que se não for na terra certamente será em outras paragens. Te agradecemos, ó Mestre, por mais uma jornada neste canal de amor! Que assim seja!

Apresentação do palestrante:
<Nara_Coelho> Paz para todos. É com muita alegria que estou novamente neste espaço para conversar com vocês sobre o que mais me felicita a alma: o Espiritismo. E que Jesus nos abençoe para que possamos estabelecer um diálogo profícuo e edificante, beneficiando-nos a todos. Tenho 49 anos, sou casada, tenho 3 filhos adultos, espírita de berço, embora tenha me formado em Direito, preferi defender a causa da Doutrina. Faço palestra aqui em Juiz de Fora, na região toda, cidades vizinhas, no Rio de Janeiro, etc. Tenho dois livros infantis publicados e sou articulista espírita, escrevendo, inclusive, no maior jornal de circulação da nossa região, que é “Tribuna de Minas” desde maio de 1992. (t)

Considerações iniciais do palestrante:
<Nara_Coelho> Jesus, quando de sua passagem pela Terra, deixou-nos um código de vida. Entretanto, devido ao nosso atraso moral e intelectual de então, deixou a complementação dos seus ensinos para mais tarde. E nos anunciou: “Se me amais, guardai os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai e Ele vos dará outro Consolador, para que fique eternamente convosco, o Espírito da Verdade, a quem o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece. Mas vós o conhecereis, porque ele ficará convosco, e estará em vós. Mas o Consolador que é o Espírito Santo, a quem o pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que eu vos tenho dito”. Eis que o Mestre sabia que nós confundiríamos os seus ensinos, deturpando-os. Fazia-se mister que se fizesse entre nós o advento do Cristianismo. É sobre o que conversaremos hoje. (t)

Perguntas/Respostas:
<Moderador> [01].<Caminheiro> Quem foi Jesus e qual a sua importância para o mundo e para o Espiritismo?

<Nara_Coelho> Jesus é o espírito mais iluminado que a Terra conheceu. Veio até nós a mando do Pai para que nos ensinasse a ciência do bem viver, que Ele já conhecia e praticava, desde há muito. É de importância fundamental a sua vinda para o mundo inteiro. Mesmo para quem ainda não o reconhece, porque todos recebemos as influências dos seus ensinos entre nós. (t)

<Moderador> [02].<Dejavu> Um novo “messias” poderia vir à Terra, nos dias atuais, no papel de Consolador Prometido?

<Nara_Coelho> Não haveria necessidade. O retorno de Jesus se fez através da Doutrina Espírita que é justamente o Consolador que Ele prometeu. (t)

<Moderador> [03] <Gilbert> Não é muita pretensão de nossa parte chamarmos o Espiritismo de o “Consolador Prometido” por Jesus?

<Nara_Coelho> Por quê? Se o Espiritismo nos dá todas as respostas capazes de sossegar o nosso coração, de falar ao nosso entendimento, preenchendo as lacunas deixadas pela cultura humana; se o Espiritismo preenche todas as expectativas anunciadas por Jesus por ocasião de sua passagem entre nós; se o Espiritismo nos diz de onde viemos, para onde vamos e o que estamos fazendo na Terra e, mais do que isso, nos ensina como viver Dizer que seria pretensão nossa seria considerar pretensiosas várias afirmativas do Mestre, dentre elas a que Ele se disse o caminho, a verdade e a vida. (t)

<Moderador> [04] <Jo> Tendo a certeza de que Jesus é o messias, como ficam os que não o conhecem ainda?

<Nara_Coelho> Ficam entre aqueles que virão a conhecê-lo. Certamente, são espíritos ainda imaturos no campo do aprendizado espiritual. Mas, de qualquer maneira, já foram beneficiados pelos melhoramentos que o mundo recebeu a partir do advento do Cristianismo. (t)

<Moderador> [05] <Dejavu> O Espiritismo é considerado a Terceira Revelação (após as revelações de Moisés e Jesus). Que dizer das demais revelações surgidas em outros povos, em outras épocas (China, Índia, Tibete, etc)?

<Nara_Coelho> Essas revelações do mundo oriental concentram ensinamentos que também participam das três revelações citadas. A verdade é uma só: está contida em todos os ramos do conhecimento humano, só que nós, os homens, temos o mau hábito de deturpar esses ensinos com os nossos próprios erros. Isto é, materializamos o que é espiritual. Como espíritas sabemos que ninguém está abandonado. Em qualquer parte do mundo somos espíritos em evolução. (t)

<Moderador> [06] <_Mara_> Qual o sentido exato da expressão: “…porque ele ficará convosco e estará em vós”, usada por você na introdução que fez ao tema?

<Nara_Coelho> O Consolador, que é a complementação dos ensinos de Jesus, na ocasião apropriada, ficará entre nós eternamente. Essa mensagem que nos instrui o espírito é fonte inesgotável de aprendizado. (t)

<Moderador> [07].<Caminheiro> O que devemos entender por “No principio era o verbo, e o verbo estava com Deus, e o verbo era Deus… E o verbo se fez carne e habitou entre nós…”(na introdução do Evangelho de João)? Será Jesus Deus, como querem os cristãos em geral, ou será ele o “Filho unigênito de Deus”, como se vê em várias partes do Novo Testamento?

<Nara_Coelho> Não! Com o Espiritismo sabemos que essa idéia de “no princípio era o verbo” é de influência grega responsável pela mitificação de Jesus. Jesus cansou de afirmar que era filho de Deus. Em diversas partes do Evangelho Ele se refere às ordens que recebeu de Deus. Não há dúvida quanto a individualidade do Mestre. Tampouco Ele é unigênito. Eis que existem muitos espíritos do nível de Jesus por esse Universo infinito. (t)

<Moderador> [08] <Jo> Que Jesus nos ama, não resta dúvida, pois nos deu inúmeras demonstrações; entretanto, como nós poderemos, também por nosso turno, darmos o testemunho de amor a Ele?

<Nara_Coelho> Isso é muito importante. Amamos a Jesus quando nos esforçamos para seguir-lhe os ensinos. Amamos a Jesus quando lutando para vencer as nossas más tendências. “Tomamos da nossa cruz e o seguimos” através da exemplificação que pudermos realizar. (t)

<Moderador> Duas questões que me parecem muito próximas: [09]. <Dejavu> Haverá uma Quarta Revelação? [10]. <Caminheiro> Jesus “voltará sobre as nuvens e todos verão o seu esplendor”? (Como nos ensina o livro do Apocalipse?)

<Nara_Coelho> Não haverá uma quarta revelação. Existe até “na praça” quem se auto-intitule de “A Quarta Revelação”, como a LBV e os Roustainguistas. Kardec nos disse que nunca deveríamos abrir mão do bom senso. Diante deste fato, é com bom senso que analisamos essas afirmativas. Nenhuma dessas duas “Quartas Revelações” apresentam fato novo que pudesse justificar essa afirmativa. Ao contrário, até apresentam postulados que significam um retrocesso na evolução do pensamento moderno. (t)

<Moderador> [11] <Jo> Qual o esclarecimento que você pode nos fornecer, para aumentar o nosso esclarecimento sobre Jesus, exemplos: o significado de Messias, Cristo, Jesus Cristo?

<Nara_Coelho> Messias significa o mensageiro de Deus. O que traz um recado de Deus. Cristo é o pensamento grego infiltrado no Cristianismo, mitificando um espírito cuja diferença reside na sua iluminação. É muito importante essa pergunta porque, como espíritas, precisamos trabalhar para restituir a Jesus o valor que lhe cabe. Precisamos, mesmo como espíritas, tirar o cunho igrejeiro que envolve a personalidade de Jesus, muitas vezes anulando-a. Jesus é o nosso irmão mais velho, mais experiente, mais iluminado, que por amor aos seus irmãos mais novos e a Deus. (t)

<Moderador> [12] <Gilbert> Que pensar dos irmãos de outras religiões. Eles continuarão a esperar o “Consolador Prometido por Jesus”?

<Nara_Coelho> A natureza não dá saltos. Eles, gradativamente, irão se dando conta da verdade. Deus nunca nos abandona e o Espiritismo não tem a pretensão de ser o único meio de evolução para o homem. Eles poderão chegar, e chegarão, à verdade, que está resumida em Jesus por caminhos diferentes. Certamente, demorarão um pouco mais. (t)

<Moderador> [13] <Jo> Com os esclarecimentos que você nos está oferecendo, mais sentimos o fortalecimento de nossa convicção. Perguntamos: o que podemos e devemos fazer, considerando que realmente o Espiritismo é o Consolador Prometido por Jesus?

<Nara_Coelho> Exemplificar. Acima de tudo, ter muita coragem para seguir os ensinos de Kardec, porque são eles que nos trazem de volta a lógica e a praticidade dos ensinos libertadores do Mestre. Mas, repito, precisamos ter coragem para não permitir que interferências “externas” influenciem na nossa exemplificação. Como nos disse Emmanuel: Cristianismo significa Cristo em nós. (t)

<Moderador> [14].<Jo> Como conciliar a moral e os ensinos de Jesus (se alguém lhe bater na face…), de mansidão e não violência, com o momento atual? Não estaríamos criando ovelhas para entregá-las aos lobos?

<Nara_Coelho> Não! Tais ensinos dizem respeito a nossa compreensão para com aqueles que ainda atuam na faixa da violência. Cabe-nos, com o conhecimento da Doutrina Espírita, melhorarmos de tal maneira a nossa faixa vibratória que nos coloquemos distantes da violência. E, além disso, trabalhar sempre para contagiar a todos que convivem conosco com a compreensão de quem sabe que é responsável pelo próprio futuro, para que também eles sejam estimulados a não violência. (t)

<Moderador> [15] <Dejavu> Jesus nasceu na Palestina, mas sua Doutrina se espalhou por toda Europa e Américas. O Espiritismo surgiu na Europa, mas hoje está confinado ao Brasil. Quando será que o Consolador chegará a todos os povos do planeta?

<Nara_Coelho> Ele não está confinado ao Brasil, ele é mais desenvolvido aqui, mas já dá os primeiros passos em outros países. Claro que sua caminhada tem sido mais lenta do que a prevista por Kardec. E eu, sinceramente, acredito que tal se dê por culpa do movimento espírita, que tem copiado muitas coisas pouco edificantes das religiões dogmáticas, comprometendo o avanço do Espiritismo. Cabe-nos, portanto, a nós, os espíritas deste final de milênio, a grande responsabilidade de nos manter fiéis ao ensinos de Kardec, única fonte segura de fazer propagar o Espiritismo. (t)

<Moderador> [16] <Biato> O Espiritismo, sendo o CONSOLADOR, no futuro teremos só uma religião ou crença?

<Nara_Coelho> Na verdade, Jesus não veio trazer-nos nenhuma religião. Até a palavra Cristianismo foi invenção dos homens. Jesus veio nos trazer a verdade que um dia será de conhecimento de todos. (t)

<Moderador> [17] <Caminheiro> Teria Jesus passado por muitas encarnações para evoluir e chegar ao grau evolutivo em que se apresentou a nós ou terá ele sido criado diferente dos outros homens, já cheio de conhecimentos e sabedoria?

<Nara_Coelho> Claro que passou por muitas encarnações em outros planetas. Por isso Ele tem moral para nos ensinar. Para nos concitar a segui-lo. Ele sabe, por experiência própria, qual o melhor caminho, qual a melhor forma de agir. Por isso, pode nos ensinar. Além do mais, com o Espiritismo sabemos que não existe privilégios nas Leis de Deus e entendemos porque o Mestre nos disse que poderíamos fazer tudo o que Ele fazia e muito mais ainda. (t)

<Moderador> [18].<Jo> Que conclusão devemos chegar sobre o pretenso “ecumenismo” das religiões, tendo em vista o Consolador Prometido?

<Nara_Coelho> Você disse bem: “pretenso”, porque, na realidade, o Espiritismo nunca faz parte desse ecumenismo, que só diz respeito às religiões dogmáticas. O que precisamos ter em mente é que não podemos engrossar as fileiras do sectarismo religioso, pois o Espiritismo não é uma religião salvacionista. Precisamos estar atentos para não nos sentirmos superiores aos nossos irmãos de outras religiões, fazendo a nossa parte para que o Espiritismo possa realmente transformar para melhor o Homem Moderno. (t)

<Moderador> [19].<Caminheiro> Ecumenismo, em seu fundo mais filosófico e moral, não significaria “união no que há de comum”, e, portanto, não seria uma bandeira a se abraçar nas fileiras espíritas?

<Nara_Coelho> O ideal é que fosse. Só que existe muito Centro Espírita que se permite misturar conceitos outros que não os preconizados pelo Espiritismo. Precisamos estar atentos a isso para que não ocorra com o Espiritismo, em nome da tolerância, o mesmo que aconteceu com o Cristianismo; ou seja, a sua deturpação. (t)

Considerações finais do palestrante:
<Nara_Coelho> Foi muito bom estar aqui mais uma vez. O Espiritismo realmente nos desperta a mente para a profundidade dos ensinos de Jesus. É importante que nunca nos cansemos de estudá-lo. E mais ainda, que estudemos tudo o que estiver ao nosso alcance para fortalecer a nossa convicção espírita. O Espiritismo não pode ser contaminado pelo misticismo, nem pelo fanatismo, o que é sempre mais fácil quando não estudamos. Estar sempre em dia com os preceitos de Kardec para que recusemos informações que fujam da codificação. Graças a ela é que entendemos Jesus. É que sentimos sua presença ativa, constante e capaz de nos conduzir a uma vida mais feliz, longe da tristeza do Cristianismo oficial e perto das esperanças e certezas do Cristianismo de Jesus. Com o Espiritismo, Jesus desceu da cruz, matou a morte e nos proporciona um destino de responsabilidade, mas de liberdade. Somos artífices do nosso futuro. Não precisamos ser “santos” para segui-lo, mas precisamos ter determinação e vontade de atuar no bem. Jesus apresentando-nos o Espiritismo através do Espírito da Verdade, cortou-nos os grilhões com o passado, permitindo-nos desvendar um horizonte cheio de luz e paz que já podemos vislumbrar nas pequenas alegrias que conseguimos atingir através do esforço no bem. Meu abraço amigo a todos e a minha gratidão pelo carinho com que me receberam, pedindo a Jesus que nos abençoe nessa caminhada evolutiva, quando, certamente, estamos decididos a segui-lo, apesar da nossa pequenez. Um grande abraço e até a próxima, se Deus quiser! (t)

Oração Final:
<Dejavu> Pai nosso, agradecemos pelas elucidações obtidas aqui nesta noite, as quais, certamente, serão motivo de reflexões e tocarão as mentes dos muitos espectadores encarnados e desencarnados que acompanharam a palestra, e também daqueles que terão acesso a ela, posteriormente. Que a tua luz e a tua paz atinjam todos nossos corações e abram os horizontes que nos conduzirão rumo à elevação. Perdoa-nos e ampara-nos sempre! Amém!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

O Espiritismo: Consolador Prometido

José Carlos Leal


O Espiritismo entra exatamente neste contexto já que possui explicações lógicas, claras e concretas para as causas do sofrimento.

Muitas pessoas sabem que, em nosso meio,  o Espiritismo é chamado de O Consolador Prometido. Nesse artigo vamos examinar o sentido desta expressão, começando com o adjetivo prometido. Conta-nos o Evangelho de João (XVI : 5-1 ) que, certo dia, sabendo de sua volta ao Plano Espiritual, o mestre reuniu seus apóstolos e lhes contou que  sua volta ao Mundo Maior estava próxima. Vendo a tristeza que tomou conta do coração dos apóstolos e discípulos, ele os consola dizendo que enviaria um seu mensageiro ( Paracleto )que conduziria a eles e ao mundo à verdade plena.

Nós - os espíritas - temos por certo que esta promessa evangélica se realizou na Segunda metade do século XIX com a codificação da Doutrina dos Espíritos realizada por Leon Hipollyte Denizard Rivail mais conhecido pelo pseudônimo de Allan Kardec e exposta em cinco livros básicos a saber : O Livro dos Espíritos; O Evangelho Segundo o Espiritismo; O Livro dos Médiuns, A Gênese e O Céu e  o Inferno.

Vejamos agora a questão em que sentido o Espiritismo é consolador.

A palavra consolador é um substantivo que deriva do verbo consolar. Consolador, portanto, é aquele que consola, que diminui a dor ou a aflição, que está junto de outro que sofre. É interessante lembrar que o consolador não interfere diretamente mas atua por meio de palavras, procurando auxiliar o consolado a passar o momento difícil.

Um outro aspecto que não podemos perder de vista é o fato de que a dor humana cresce mais à medida que não é explicada. Assim, a maioria das pessoas pergunta: por que Deus me impôs tal sofrimento? Por que logo meu filho que é tão bom, tão amigo, tão prestativo, sofre este acidente e fica neste estado?  Por que minha filha morreu logo agora que havia acabado um curso universitário? Por que meu marido faleceu quando nós mais precisávamos dele?  A proporção que as pessoas não encontram uma resposta a estas  e outras questões a dor lhes parece mais forte e chegam mesmo a desconfiar da bondade e da justiça de Deus, tornando-se amargas e revoltadas; isto quando, no auge do seu, sofrimento não apelam para o suicídio como solução de seus males.

O Espiritismo entra exatamente neste contexto já que possui explicações lógicas, claras e concretas para as causas do sofrimento. A leitura da Doutrina dos Espíritos oferece à vida um novo sentido. A reencarnação reentroniza o conceito do Deus justo e bom que não faz  que soframos por causa do pecado original ou pelos erros de nossos pais atuais. Ficamos sabendo que o sofrimento não é um mal em si mesmo, muito pelo contrário mas uma espécie de acicate que nos empurra para frente em busca dos mundos maiores e que, se soubermos retirar do sofrimento as lições que ele nos oferece, estaremos nos candidatando a um lugar mais elevado na escala espiritual  e nos adiantando em nossa jornada em busca dos Mundos Ditosos.

O Espiritismo, por meio da mediunidade, veio comprovar, à saciedade, que a vida continua. Não há céu ou inferno depois da morte, mas vida e mais vida, como nos mostra com bastante clareza e fartura de exemplos na obra de André Luiz e as diversas mensagens consoladoras que Francisco Cândido Xavier tem recebido em sessões públicas nas quais pais reconhecem os filhos desencarnados e ficam mais tranqüilos, sabendo, não só que o filho continua a viver, mas que ele se encontrou com a avozinha querida do ouro lado e que ela aproveita a oportunidade ara mandar lembranças.

Por fim, o Espiritismo apresenta uma nova concepção da divindade que, perdendo os caráter antropomorfizado das religiões primitivas, torna-se A Inteligência Universal, Causa Primeira de todas as coisas sem, entretanto, perder os seus atributos  de amor e de Justiça.  Frente a esta imagem de Deus não pode haver revolta mas compreensão  de que existe uma  ordem universal e que esta ordem dá sentido  não só à vida na Terra mas em todo o cosmos.

Em resumo, o Espiritismo é, sem dúvida alguma, O Consolador prometido por João e a em seus textos e contextos atualiza a mensagem de Jesus, a mensagem a que Jesus apenas aludiu em sua época, por causa da impossibilidade de compreendê-lo àquele tempo. Não é a toa que o espírito que liderou a equipe da terceira revelação, tenha se apresentado a Kardec como Espírito Verdade.

Por que o espiritismo é o consolador prometido por Jesus?

https://www.otempo.com.br/opini%C3%A3o/jos%C3%A9-reis-chaves/por-que-o-espiritismo-%C3%A9-o-consolador-prometido-por-jesus-1.1861046


terça-feira, 29 de janeiro de 2019

VELHO PROCESSO

“E congregados eles com os anciãos, e tomando conselho entre si, deram muito dinheiro aos soldados.”   Mateus:- 28-12


Judas não foi o único, no quadro da missão de Jesus, que se deixou fascinar pela perspectiva de ganho e de evidencia pessoal.

-o
Quantos homens puros refletirão na iluminada visão do Mestre, desejando permanecer,
a seu lado, pelo menos durante um minuto?

-o

Entretanto, aqueles soldados, com o galardão de se manterem a dois passos do Senhor,
igualmente o venderam na expectativa de lucros e facilidades na Terra.
-o

Para que os judeus pudessem satisfazer suas velhas ambições de domínio, sacerdotes e
anciãos, à custa de soma vultosa, compraram-nos, capciosamente, transportando-os de uma
situação honrosa para o caminho negro da deslealdade.
-o

O fenômeno não ficou circunscrito à época.
Em todas as fases do cristianismo, a maioria dos trabalhadores recebeu a sugestão do
velho processo e poucos aprendizes se portaram, até o fim, superiores à sedução de “muito
dinheiro”.
-o

Surgiam realizações generosas, grandeza de convicção e caracteres sublimes? Distribuíam-se coroas, títulos, terras e prerrogativas.
-o

E o verdadeiro apelo de Jesus ficava confundido no grande vozerio dos interesses subalternos.
-o

Hoje, as coroas e as terras são escassas, mas os títulos bancários e os privilégios políticos funcionam muito bem.
-o

E basta que surja o discípulo preparado ao serviço de Cristo e aparecem logo os antigos
anciãos, em outras vestes, com as mesmas propostas.
-o

É justo vigiar, incessantemente, porque muitos continuam adormecendo com a visão de
“muito dinheiro”.

Emmanuel, no livro Levantar e Seguir

domingo, 13 de janeiro de 2019

COMO DEVEMOS AGIR PERANTE OS CRIMINOSOS?

É com imensa tristeza que lemos a notícia sobre alegada morte, no Iêmen, de Rawan (1), uma menina de 8 anos, em decorrência de lesões que sofreu na noite de núpcias com um homem de 40 anos. (2) O caso foi divulgado pelo jornalista Mohammad Radman e o Gulf News. Vários sites espalharam a história, incluindo o Opera Mundi – que se baseou em relatos da agência alemã DPA, do jornal alemão Der Tagesspiegel, do espanhol El País, do Huffington Post (em sua versão britânica) e da agência de notícias Reuters. Os chefes tribais locais estão acobertando a história. O governo do Iêmen nega o fato; entretanto, para Mohammad, as autoridades estão tentando sepultar a história”. (3)

Se é uma questão cultural, isso não absolve o crime de pedofilia. A rigor, é um processo de legalização da pedofilia nalguns países. Casamentos envolvendo menores de idade são corriqueiros no Iêmen. Em 2010 uma menina de 13 anos também morreu com graves lesões nos órgãos internos após ter sido forçada a se casar com um adulto, coforme denuncia uma organização de direitos humanos que atua no Iêmen.

Esse comportamento existe noutras comunidades muçulmanas ortodoxas, tais como ocorre em países como Somália, Nigéria e Afeganistão. Um relatório da Organização das Nações Unidas registra que mais de 50% de todas as jovens iemenitas estão casadas antes de completarem 18 anos e cerca de 14% estão para se casar sem terem ainda 15 anos. (4) A ativista Hooria Mashhour tem lutado para que a prática do casamento infantil seja de uma vez por todas banida do país. (5)

O casamento entre adulto e criança abaixo da idade de consentimento é um crime na legislação de inúmeros países. Contudo, há outro aspecto na discussão: muitas culturas reconhecem pessoas como “adultas” (idade de consentimento) em variadas faixas etárias. Por exemplo, a tradição do Judaismo considera como “adultos” (membros da sociedade) as mulheres aos 12 e os homens aos 13 anos de idade, sendo a cerimônia de transição chamada Bat Mitzvah para as garotas e Bar Mitzvah para os rapazes.

Ao longo da história antiga, no período medieval, na Idade moderna e nos séculos XIX e XX, eram comuns os casamentos de crianças e pré-adolescentes (sobretudo meninas menores de 12 anos de idade) com adultos. Atualmente, tal situação configura-se como ação delitiva que prejudica gravemente o desenvolvimento atual e futuro da criança. Tal aberração, à luz do código penal de diversos países, hoje é classificada como crime de pedofilia. (6)

Em que pese essa criminalização, a situação não se modificou em diversos paises. “Mais de 200 milhões de crianças sofrem violência sexual no mundo e quase metade das vítimas das agressões sexuais são meninas menores de 16 anos. Em nível global, estima-se um número entre 500 milhões e 1,5 bilhão de meninos e meninas que sofrem algum tipo de violência sexual a cada ano, segundo relatórios de organizações internacionais realizados em pelo menos 70 países.” (7)

Ao tratarmos sobre violência infantil que ocorre no Iêmen o assunto que se destaca é a pedofilia. Esse tema nos remete inteiramente aos desvios sexuais e/ou culturais, convidando-nos a embrenhar nos códigos da lei de causa e efeito. Entretanto, na perspectiva da criança não submergiremos nos “porquês”, nem nos rudimentos cáusicos reencarnatórios de espíritos que padecem tamanha crueldade. Não recorreremos à lógica (ação e reação) sobre esses processos expiatórios, enfocaremos tão somente o crime da pedofilia sob a lupa da indulgência. Seria isso possível?

O termo pedofilia (8) significa depravação sexual na qual a fascinação sexual do adulto ou adolescente está conduzida para crianças pré-púberes (antes da puberdade) ou no início da adolescência. A Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança, aprovada em 1989 pela Assembleia Geral das Nações Unidas, define que os países signatários devem tomar “todas as medidas legislativas, administrativas, sociais e educativas” adequadas à proteção da criança, sobretudo no que se refere à violência sexual.

No que tange aos criminosos, inclusive agressores sexuais (pedófilos) que sucumbem diante de crianças para fúria das suas truculências, a Doutrina Espírita recomenda não condenar ninguém, advertindo sempre que tenhamos com todos a prática da caridade. Tais criminosos constituem espíritos que atravessam um momento difícil em que necessitam promover a sua edificação moral, através de uma conduta sexual equilibrada.

O tema é na essência potencialmente complexo, culturalmente polêmico e trágico; não há como ignorá-lo no contexto de nossa situação na terra. O pedófilo, sendo um desnorteado da alma, e ao mesmo tempo um criminoso, logicamente não pode ficar impune. Contudo, precisa, antes, de tratamento psíquico e espiritual.

Sim! Cabe aqui refletir, à luz da Doutrina Espírita, sobre os crimes e sobre a lei. O mandamento maior da lei divina inclui a caridade para com os criminosos, por mais difícil que possa parecer ter este sentimento diante da barbárie da pedofilia. Perante a Lei de Deus, somos todos irmãos, por mais repugnante que seja para alguns tal ideia. O criminoso é alguém que desconhece a Lei Divina, que não reconhece a paternidade divina e, portanto não vê no outro um irmão. Nós, que já temos esses valores, sabemos que ele é também um filho de Deus, por enquanto transviado do bem, que precisa do nosso amor fraterno.

Mas de que maneira amar um criminoso, um inimigo da sociedade? Kardec nos ensina que amar os inimigos não é ter-lhes uma afeição que não está na natureza, visto que o contato de um inimigo nos faz bater o coração de modo muito diverso do seu pulsar ao contato de um amigo. Amar tais inimigos é não lhes guardar ódio, nem rancor, nem desejos de vingança; é perdoar-lhes, sem pensamento oculto e sem condições, o mal que causem; é desejar-lhes o bem e não o mal; é socorrê-los, em se apresentando ocasião; é abster-se, quer por palavras, quer por atos, de tudo o que os possa inutilizar; é, finalmente, retribuir-lhes sempre o mal com o bem, sem a intenção de degradá-los. (9)

Se assim procedermos, preencheremos as condições do preceito do Mestre Jesus: “Amai os vossos inimigos.”(10)

 Jorge Hessen

Referência bibliográficas

(1)            Rawan residia em  Meedi, uma cidade na província norte-ocidental de Hajjah , fronteira com a Arábia Saudita. A  menina foi vendida pelo padrasto para um saudita por cerca de R$ 6 mil, segundo o jornal alemão Der Tagesspiegel

(2)            Segundo os médicos, a Rawan morreu com hemorragia  no útero e alguns órgãos internos decorrente da união carnal

(3)            Disponível no site http://oglobo.globo.com/mundo/policia-do-iemen-nega-morte-de-menina-de-oito-anos-apos-lua-de-mel-com-marido-de-meia-idade-diz-site-9904846#ixzz2fpzsOAFH

(4)            Disponível no site http://www.ionline.pt/artigos/mundo/iemen-luta-banir-casamento-infantil-num-dos-paises-arabes-mais-pobres

(5)            Disponível no site http://www.ionline.pt/artigos/mundo/iemen-luta-banir-casamento-infantil-num-dos-paises-arabes-mais-pobres

(6)            A Classificação Internacional de Doenças (CID-10), da Organização Mundial da Saúde (OMS), item F65.4, define a pedofilia como “Preferência sexual por crianças, quer se trate de meninos, meninas ou de crianças de um ou do outro sexo, geralmente pré-púberes

(7)            Disponível  no site http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias

/27705/mais+de+200+milhoes+de+criancas+sofrem+violencia+sexual+no+mundo+diz+ong.shtml

(8)            Também conhecida como paedophilia erótica ou pedosexualidade

(9)            Mateus 5:44

(10)          Kardec, Allan. O Evangelho Segundo O Espiritismo, Cap. XII, Item 3, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000

Caridade para com os criminosos

Caridade para com os criminosos
Escrito por Jayme Lobato  
Qui, 10 de Fevereiro de 2011 15:52


À noite, Jandira e Ricardo, após o noticiário da TV, conversam na sala em companhia dos dois filhos, Mateus e Roberta. E Jandira comenta:

– Que mundo louco é esse, gente?! O desvario está grande.

– Estamos passando por momentos difíceis. O noticiário de hoje, da TV, constou especialmente de assaltos e seqüestros – acrescenta Ricardo.

– Contudo, Ricardo, acho que dão muito espaço para as coisas ruins. Há coisas boas acontecendo. Só que não têm o mesmo espaço na mídia.

– Mamãe tem razão. Com relação aos jovens, nem se fala. Só divulgam os casos que envolvem violência, drogas, assaltos, etc.

– Há muitos jovens, mana, realizando trabalhos importantes, tanto na área cultural quanto na social.

– Taí, Mateus, uma coisa que precisa ser incentivada: a realização de eventos sociais e culturais que atraiam os jovens – afirma Ricardo.

– O esporte também pode contribuir muito para o engajamento do jovem num processo de auto-estima e valorização da vida.

– Certamente, mamãe!

– O noticiário que acabamos de assistir, filha, divulgou o caso de um rapaz que, não conseguindo roubar o carro de uma moça, acabou dando-lhe três tiros à queimaroupa. Fiquei indignada com o grau de violência do rapaz.

– O problema, mamãe, é que o nosso país ainda vive uma crise social muito grande. Infelizmente, há uma parcela da sociedade que não tem direito a um projeto escolar decente. Da exclusão social eclodem situações de difícil controle – assevera Mateus.

– Isso é verdade, mano! Fui ajudar no reforço escolar, que o centro está promovendo, e fiquei estarrecida. Crianças da terceira e quarta séries são sabiam escrever o próprio nome.

– Nós, no entanto, Roberta, tivemos oportunidade de estudar em bons colégios. Nem precisamos freqüentar cursinho pré-vestibular.

– Os mais simples levam desvantagem em tudo, Mateus. Os colégios que podem freqüentar não têm um programa que lhes permitam o desenvolvimento intelectual exigido na atualidade.

– Além de não terem condições de freqüentar colégios da rede particular, mana, também não podem pagar cursinho preparatório. Como poderão chegar à faculdade?

Aí, Ricardo intervém:

– Mas, meus filhos, há pessoas que conseguiram vencer essas dificuldades e, hoje em dia, desfrutam de boa condição social.

– Não podemos legislar pelas exceções, pai – fala Roberta.

– É isso mesmo! – exclama Mateus. Roberta disse-o bem. Enquanto alguns poucos conseguem se instruir, uma quantidade enorme de jovens brasileiros está marginalizada pelo sistema dominante.

– O ensino público fundamental a cada dia mais se deteriora – observa Jandira.

– Não se esqueça, querida, de que nós estudamos em escolas públicas!

– Que não podem, Ricardo, ser comparadas às atuais. O desleixo do poder público com a instrução das classes mais simples tem um preço muito alto.

– O assunto me faz lembrar do estudo que fizemos, no ESDE, de um caso citado no livro O Céu e o Inferno, de Allan Kardec. O caso do Espírito Jacques Latour.

– Lembro-me desse estudo, Roberta. Ele, na Terra, fora criminoso. No mundo espiritual se arrepende e se beneficia pelas orações que lhe eram endereçadas pelo grupo espírita.

– É esse caso mesmo, mano! Jacques Latour, após despertar para a necessidade de transformação, assinala com entusiasmo o bem que lhe fizeram as preces proferidas em seu benefício.

– Há um momento na comunicação de Jacques Latour, mana, que acho muito importante para a nossa reflexão. É quando ele diz que se enganam aqueles que pensam que, com soldado e polícia, se previnem crimes.

– E há um outro alerta dele, Mateus, que é também atualíssimo. É quando adverte que assumem grandes responsabilidades aqueles que negam instrução às classes mais pobres da sociedade. A mãe dos jovens ressalta:

– Acho muito justo tudo o que vocês dois falaram, porém não consigo ainda ver com olhos de caridade esse caso que a TV mostrou.

E Jandira tenta se explicar melhor:

– Quando apareceu a imagem do criminoso na tela, cheguei a sentir uma revolta tão grande que seria capaz de, naquele instante, concordar com a pena de morte.

– Aí está a importância da vida de relação, querida. Alguns fatos externos são capazes de despertar em nós sentimentos dos quais já nos considerávamos libertos. É essa a possibilidade de nos conhecermos realmente, conforme propõem as questões 919 e 919-a, de O Livro dos Espíritos.

– É mesmo, marido! Logo depois de ter-me surgido esse sentimento de revolta, pude refletir com maior segurança e me lembrei da proposição do Pai Nosso, que nos recomenda pedir ao Pai que não nos deixe cair em tentação.

– Bem lembrado, mãe. Precisamos estar atentos para não nos deixar levar pelo arrastamento do mal que ainda trazemos conosco, fruto da nossa imperfeição – confirma Roberta.

– Precisamos, maninha, aprender a domar a fera que ainda se esconde nos escaninhos de nossa alma.

– Gostei do que papai falou antes. Pois, vejo na vida de relação as melhores condições para reconhecermos essa fera escondida em nossa intimidade e podermos, assim, dominá-la – diz Roberta.

– A experiência que tive hoje me valeu bastante. Consegui perceber-me reagindo de modo contrário aos princípios espíritas. Decepcionei-me um pouco comigo. Imaginava-me já liberta do rancor, do revide.

– O bom é que você, querida esposa, após o primeiro impacto causado pela imagem do rapaz, pôde perceber o sentimento rancoroso, avaliá-lo e sustá-lo em tempo.

– Após ter-me pego em estado de rancor, busquei tranqüilizar-me. Aí, desliguei-me do rancor e pude até orar pelo rapaz.

– Devemos atentar para o conceito bíblico de que o Pai não quer a morte do ímpio, mas a sua recuperação – propõe Ricardo.

– Orar é muito importante, pai. E devemos entender que, quando oramos pelos criminosos, não os estamos isentando da responsabilidade que assumiram diante das leis de Deus e dos homens, pelo que fizeram.

– Entendo que a oração, nesse caso, Mateus, se traduz num desejo sincero de que aquela alma se reabilite e se ilumine.

– Também penso assim, mana. Esse negócio, de se revidar a um ato de violência, mostra que ainda estamos dentro do campo violento e sofrendo-lhe as conseqüências.

– Uma coisa que me ocorreu agora: por trás de um criminoso, há sempre um coração de mãe, de pai, ou um afeto qualquer, que sofre pela situação criada por ele.

– Boa lembrança, Jandira. Não nos custa, também, rogar a Deus que fortaleça todos aqueles que estão sofrendo pelo desatino dos companheiros invigilantes.

– Há muita coisa a ser corrigida no comportamento humano para que fatos como o que vimos no noticiário da TV deixem de ocorrer – observa Mateus. – O egoísmo, Mateus, que faz com que as pessoas queiram levar vantagem em tudo, é uma dessas coisas que precisam ser erradicadas. Nenhuma convivência social pode dar bons frutos e resultados promissores se só uma parte leva vantagem.

– Infelizmente, mana, a tese de que “farinha pouca, meu pirão primeiro” ainda está muito vigorosa na relação humana.

– E essa tese nós assistimos ser vivenciada até mesmo na condução, nas filas de bancos e de supermercados – enfatiza Ricardo. Todos querem estar à frente, querem tirar vantagem em tudo, não se importando com o meio utilizado para que isso aconteça.

– Ante a situação atual, querido, chegamos a pensar que, ao invés de avançar, o homem está regredindo, tal a violência que assistimos.

– A questão 784, de O Livro dos Espíritos, Jandira, nos mostra que essa idéia é enganosa e que é preciso, em determinadas ocasiões, haver excesso do mal, para que o homem compreenda a necessidade do bem e das reformas. Urge que reflitamos sobre isso.

Dado o adiantado da hora, Ricardo, Jandira, Mateus e Roberta se recolhem para o sono reparador, todos eles refletindo no conteúdo da questão 784, de O Livro dos Espíritos. O assunto voltaria a ser comentado noutra oportunidade.

Boletim de Novembro/2006

Caridade para com os criminosos

1 - Como fazer a caridade a um criminoso?

2 - A desencarnação seria um bem para o criminoso?

3 - Pode um homem vir a se arrepender de seus atos incorretos, se tiver, diante da morte iminente, a chance de ser salvo?

Caridade para com os criminosos - Conclusão Voltar ao estudo

Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo
Sala Virtual Evangelho

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EESE070b - Cap. XI - Itens 14 e 15
Tema: Caridade para com os criminosos
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A - Conclusão do Estudo:
A nossa atitude diante de um criminoso deverá ser de benevolência, de amor, de consolação e encorajamento. Se tivermos oportunidade de salvá-lo diante da morte, não deveremos desperdiçá-la. Ele é tanto nosso irmão quanto o melhor dos homens.

B - Questões para estudo e diálogo virtual:

1 - Como fazer a caridade a um criminoso?

Não lhe desejando mal, não julgando seus atos, visitando-o no presídio, levando-lhe uma mensagem que poderá conduzi-lo à regeneração.

A violência é fruto do desamor, do egoísmo e da indiferença para com o próximo.

2 - A desencarnação seria um bem para o criminoso?

Só a Deus cabe julgar. Mas, podemos acreditar que, a partir do ato salvacionista, a vida do malfeitor poderia reformular-se para melhor, e conquistaríamos um amigo para a eternidade, disposto a ouvir nossas propostas renovadoras.

Sem a caridade das almas nobres, o malfeitor demoraria muito mais para renovar-se.

3 - Pode um homem vir a se arrepender de seus atos incorretos, se tiver, diante da morte iminente, a chance de ser salvo?


É possível, pois, nesse instante, o homem perdido vê surgir diante de si todo o seu passado, fazendo-se ver a chance de redimir-se vivendo mais algum tempo na recuperação renovadora.

Ao salvar um malfeitor da morte, não devemos indagar se ele vai agradecer ou não: devemos seguir a voz do nosso coração.

Fazendo o que todos fazem


        Há algum tempo, um programa televisivo dramatizou uma das questões que, com certeza, muito preocupa a todos nós: a violência.

        A história girava em torno da vida de uma assistente social devotada à recuperação de jovens delinqüentes.

        Defensora dos direitos de tais criaturas, trazia sempre nos lábios frases de ponderação, mesmo face à descrição de crimes terríveis cometidos pelos jovens.

        Até o dia em que foi surpreendida, em seu próprio lar, pela invasão de um garoto que, armado com um revólver, a subjugou e, durante horas, a manteve prisioneira.

        Nesse período, despejou a sua raiva em gestos e palavras, levando a profissional à exasperação.

        Depois de exaustivas horas de ameaças e agressivas atitudes, ela conseguiu tomar de uma arma e a apontou na direção do seu agressor.

        Nesse instante, o povo opinou e decidiu, ante três alternativas, qual deveria ser o desfecho do drama: perdoar, entregar o delinqüente à lei ou vingar-se.

        De forma maciça, as pessoas optaram pela última alternativa. E então, como é o povo que decide nesse programa, o jovem foi abatido com um tiro no peito.

        Ante o seu conflito, ao perceber o que fizera, a senhora teve amenizado o seu arrependimento por um amigo que afirmou: "Você não fez nada além do que qualquer outro faria, em seu lugar. Afinal, ele não passava de um criminoso."

        O que nos surpreendeu foi justamente a votação das pessoas, optando pela vingança, ou seja, pela sumária execução do delinqüente.

        Será de nos surpreendermos que a violência abunde no Mundo, quando nós mesmos trazemos a informação e a predisposição à agressão, à destruição?

        E se fosse o nosso filho o agressor, teríamos a mesma disposição?

        Compete-nos pensar um tanto mais a respeito das delicadas questões da vida e do que nos prescreve o Evangelho, como salutar medida.

        Recordar que Jesus perdoou os Seus algozes. Ele, cujo poder poderia ter destruído os agressores, rogou ao Pai pelos inconseqüentes.

        Pensar o quanto erramos, dilapidando a Lei Divina e, contudo, nosso Pai não nos extermina.

        Concede-nos a reencarnação, a outra chance, para a emenda.

        Permite-nos retificar os atos e nos recuperarmos.

        Como podemos agir de forma diversa?

        Caridade para com os criminosos é o que dita o Evangelho.

        Segregação do convívio social, pelo grau de periculosidade, reeducação de hábitos, trabalho para o reajustamento, a par das coisas básicas de que necessita o homem, nesta vida: alimento, escola, lar, saúde.

        Eis a fórmula para erradicar a violência da Terra e do coração do homem.

* * *

        O criminoso é um doente, digno de piedade.

        Ele também é nosso próximo, como o melhor dos homens.

        Sua alma, transviada e revoltada, foi criada, como a nossa, para se aperfeiçoar.

        Podemos ajudar a tais criaturas com a oração, rogando a Deus que assista a esses Espíritos pelo tempo que ainda hajam de passar na Terra.

Redação do Momento Espírita com base no item 14,
 do cap. XI de O evangelho segundo o espiritismo,
de Allan Kardec, ed. Feb.
Em 02.01.2008.