Estudando o Espiritismo

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terça-feira, 3 de junho de 2014

Pesquisa para futuras terapias com células-tronco embrionárias é contrária ao espiritismo?

Pesquisa para futuras terapias com células-tronco embrionárias é contrária ao espiritismo?

Apesar de o Manifesto, promulgado no V Congresso Médico-Espírita (1), ter sido contrário à utilização das células-tronco embrionárias, quer em pesquisas ou em terapias, mas, aprovando, quanto à utilização das células-tronco adultas, insistimos no tema, por conhecer muitos médicos favoráveis às pesquisas e utilização das células-tronco embrionárias e, também, por não conceber tal documento como posicionamento da Doutrina Espírita, ou seja, não se trata de uma posição do Espiritismo, e sim uma opinião institucional que será, futuramente, confirmada, ou não, pelos fatos.

Em face disso, e pela lógica do “óbvio”, todos nós espíritas sabemos que o processo reencarnatório, conforme nos ensina a Doutrina Espírita, tem início no momento da fecundação do óvulo (2), a partir do instante em que passa a existir vida, no processo biológico natural. Porém, deixa de ser tão “óbvio” e patente, como tentam impor alguns confrades, no processo artificial, ou seja, in vitro.

Outra situação óbvia é a de que qualquer tentativa de interrupção no desenvolvimento do futuro zigoto (no processo biológico natural), que é o ser humano em formação, constitui um crime. Situação, essa, completamente diferente do processo artificial (in vitro). Há instituições e pessoas que insistem, impertinentemente, nas explicações de fundo fundamentalista, de que os resultados das pesquisas, com as células-tronco embrionárias, são, ainda, incertos, inseguros, embora se apresentem, teoricamente, positivos. Sabemos que a Ciência, ainda, não comprovou que os resultados sejam os anelados, mesmo porque, na prática, existe um alto risco na geração de tumores, sendo passíveis de provocar rejeição. Ora, quaisquer pesquisas no campo da genética, ou em outros domínios do conhecimento, têm seu grau de risco, isso não somente vale para com as células embrionárias.

As células-tronco embrionárias são estudadas desde o século 19, embora, só há 20 anos, pesquisadores tenham conseguido imortalizá-las, ou seja, cultivá-las, indefinidamente, em laboratório. Para isso, utilizaram células retiradas da massa celular interna de blastocistos (um dos estágios iniciais dos embriões de mamíferos) de camundongos. Essas células são conhecidas pela sigla ES, do inglês embryonic stem cells (células-tronco embrionárias), e são denominadas pluripotentes, pois podem proliferar, indefinidamente, in vitro, sem se diferenciar, ou, também, diferenciam-se, uma vez modificadas as condições de cultivo. Por causa de suas capacidades, as células-tronco têm sido objeto de intensas pesquisas hoje, pois poderiam no futuro funcionar como células substitutas em tecidos lesionados ou doentes, como nos casos de Alzheimer, Parkinson e doenças neuromusculares em geral, ou ainda no lugar de células que o organismo deixa de produzir por alguma deficiência, como no caso de diabetes. Entretanto cabe dizer que a aplicação imediata ainda está longe. (3)

Dentro da retórica do ÓBVIO, todo espírita é, absolutamente, contra o aborto Não há justificativa alguma para ser favorável, mas, entre essa situação, e as pesquisas com células-tronco embrionárias, vai uma distância sem limites lógicos. Percebe-se que, na base dos movimentos contra as pesquisas, há uma carga egoísta, ou seja, os interessados em cargos políticos. Usam aqueles que se lhes submetem, para levantarem a bandeira do “pró vida”, através de festivais e de “passeatas”, e angariarem votos dos eleitores, a fim de que seus líderes permaneçam na mordomia dos altos salários de parlamentares. Percebe-se, igualmente, que, no inconsciente de certas lideranças espíritas, há um nítido atavismo vaticanista, dos que são artífices das ideologias ultramontanistas do “crê ou morre medievalesco”. Isso é fanatismo!

Percebemos uma postura reducionista da Associação Médico-Espírita que é contra a liberação dessas pesquisas com CTE, uma vez que, até o momento, não se pode ter certeza se existe, ou não, Espírito ligado ao embrião, segundo crêem. Porém, o bom senso nos impele a inferir que, no processo de fecundação artificial (in vitro), não estamos diante de um embrião que caracterize um ser humano; para tal, ele necessita estar ligado a um elemento espiritual. Sem a ligação espiritual, o óbvio nos sussurra que não temos uma vida humana, mas uma vida vegetativa. Nesse caso, os conceitos espíritas fazem cristalina diferenciação entre vida vegetativa e vida espiritual, consoante os insertos às questões 25, 62 e 354, de O Livro dos Espíritos. (4) Portanto, sem a presença do Espírito, ligado ao embrião, não há crime, assim, como, não existe crime ao retirarmos células do corpo, para estudo histopatológico, em uma biópsia. Também, não há transgressões às Leis de Deus em desprezarmos células do sangue, extraídas no método de sangria, de um doente que necessite desse processo.

Não existe, portanto, qualquer justificativa translúcida para que fertilizações in vitro (embriões congelados em laboratórios de reprodução humana), que serão objeto de descarte, sejam “masmorras para ulteriores reencarnações” destinadas a irmãos nossos do mundo espiritual que, obviamente, têm mais o que fazer, e com o que se ocupar.

Ainda que certo embrião, uma vez destruído pela retirada de uma célula-tronco, tivesse uma entidade espiritual, por um motivo qualquer, vinculada a ele, ainda, assim, é de se refletir: Onde existe maior crueldade? Manter um espírito, indefinidamente, ligado às masmorras das células inúteis em um laboratório, ou libertá-lo para eficazes reencarnações, fazendo com que suas poucas células sejam utilizadas em prol de milhares e milhares de espíritos reencarnados em luta com suas próprias dificuldades?

Afinal, embriões humanos congelados têm, ou não, espírito ligado a ele? A questão 356 de O Livro dos Espíritos explica que pode haver o desenvolvimento de gestação sem espírito. (5) André Luiz elucida o mecanismo desse processo, na segunda parte de o livro Evolução em Dois Mundos, considerando “que o molde perispiritual é o materno, dado pelo comando espiritual da mãe que deseja muito ter o filho.” (6) A propósito, a questão 136-a de O Livro dos Espíritos, reenfatiza:” (…) A vida orgânica pode animar um corpo sem alma (…)” (7) idéia, essa, que nos remete a refletir sobre a possibilidade de existir embriões sem que espíritos estejam a eles ligados. Mais ainda, não se estaria cometendo um grande equívoco espectar, apenas, milhares de vidas congeladas (descartáveis) a espera da morte? Vale meditar, mais profundamente, sobre esta questão!

O tema é complexo e muitas outras observações podem ser feitas. O assunto deve e pode ser debatido de forma inteligente, e livre do ranço religiosista impenetrável, levando-nos a conclusões futuras mais satisfatórias. Não adianta posicionamento radical, até porque, a proposta científica, aqui no Brasil, é a da utilização, em pesquisa, dos embriões excedentes nas clínicas de reprodução assistida. (8)

O geneticista Oliver Smithies, de 82 anos, prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia em 2007, tem alertado que o nosso País deve acelerar o processo de pesquisas com células-tronco, que já começou (graças a Deus!) com a anuência da Lei de Biossegurança pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Caso contrário, ficará para trás no processo científico mundial. Smithies trabalha com células-tronco, há mais de 20 anos, e afirmou, recentemente, em São Paulo, que “Um país que não tomar parte nas pesquisas com células-tronco embrionárias perderá a oportunidade de oferecer sua contribuição à humanidade.” Com sua experiência de 60 anos, como biólogo molecular, disse, ainda, que “Existe muita discussão sobre matar embriões. Mas, na verdade, trata-se de preservar a vida do embrião.” O cientista acredita que “Os primórdios de qualquer campo de pesquisa costumam ser controversos, mas, com o tempo, as restrições, inclusive religiosas, tendem a diminuir e desaparecer.” (9) Já vimos essa história antes, ou seja, a Igreja, batendo de frente contra as pesquisas científicas e a ciência, avançando e os dogmas, caducando.

Seguindo nosso argumento sobre a relação corpo físico/espírito, temos a pergunta 356, em O Livro dos Espíritos, onde nos ensinam que existem corpos, aos quais, nunca algum Espírito fora destinado, ou seja, há corpos físicos que se desenvolvem sem que haja a finalidade da reencarnação. (10) Se há um planejamento reencarnatório com o concurso de Espíritos superiores, por que estes especialistas do além iriam designar um Espírito, que tem provas a cumprir, a um conjunto de células que será, apenas, matéria orgânica, que não têm, em sua finalidade, a evolução da gestação? Essa é uma situação, no mínimo bizarra.

Cabe, aqui, explicar que há diferença entre células-tronco embrionárias e células-tronco adultas no tratamento de um paciente. As células adultas têm uma capacidade limitada de se transformarem em tecidos, já as células embrionárias podem dar origem a todos os tecidos do corpo humano.

Nos últimos meses, vários religiosos e especialistas vêm se reunindo, em várias partes do Orbe, para discutir esses avanços da ciência e suas controvertidas questões éticas. Alguns crêem ser um “aborto”. Não podemos desconsiderar que os Mentores espirituais, especialistas nessa área, são inteligentes o suficiente para saberem que tal, ou qual, óvulo será, ou não, destinado à produção de células-tronco para fins terapêuticos, e, portanto, que nenhum espírito deverá estar ligado a ele, magneticamente. Caso contrário, estaremos entronizando a força vigorosa da imprevisibilidade, do “acaso”.

Será que, hoje, aqueles que se opõem às pesquisas científicas, em questão, poderão garantir, com a máxima segurança, que, no futuro, não se beneficiarão dessa inovadora proposta de terapia humana? Diante destas questões tão polêmicas, é preciso que a sociedade como um todo se manifeste através de seus legisladores, e defina o que é socialmente aceitável no uso de células-tronco embrionárias humanas para fins médicos.

Inaceitável é impedir o progresso científico, baseado na premissa de que o uso do conhecimento pode infringir conceitos arraigados em dogmas estanques, medievais, ou morais, como matizes de defesa da vida. Aliás, existem muitos confrades que são “defensores intransigentes” das festivas marchas pela vida e negam, sistematicamente, um pedaço de pão ou um prato de comida à criança miserável e abandonada que esmola e implora atenção nas calçadas frias das grandes cidades.

Não podemos permanecer na ignorância. A ciência tem que atingir a finalidade que a Providência lhe assinou. Kardec ensina que nos instruímos pela força das coisas. As revoluções morais, como as revoluções sociais, se infiltram nas idéias pouco a pouco; germinam durante séculos; depois, irrompem subitamente e produzem o desmoronamento do carunchoso edifício do passado, que deixou de estar em harmonia com as necessidades novas e com as novas aspirações. (11) Para os que crêem que os pesquisadores estariam subvertendo a ordem divina ao manipular células-tronco embrionárias, importa que se sensibilizem diante desta grande verdade: transgressão à ordem da natureza é a criança subnutrida, cidades bombardeadas, atos terroristas, doentes sem tratamento, trabalhadores sem emprego. (12) Pensemos nisso.

Jorge Hessen

FONTES:
1 Carta de Princípios estabelecida no V Congresso Médico-Espírita (MEDNESP) – 28/05/2005
2 Kardec Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2002, questão 344
3 Lygia da Veiga Pereira, do Centro de Estudos do Genoma Humano da Universidade de São Paulo (USP).
4 Kardec Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2002 questões 25, 62 e 354
5 Kardec Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2002 questão 356
6 Xavier Francisco Cândido. Evolução em Dois Mundos, Ditado pelo Espírito André Luiz. 5ª Ed. 2 ª parte. Rio de Janeiro, RJ: Ed FEB, 1972
7 Kardec Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 2003, perg. 136-a
8 Talvez seja prudente e necessário que o Governo, através da ANVISA, exigir o cadastro dos embriões não implantados. Estabelecer uma melhor regulamentação na produção e no uso dos embriões, a fim de evitarem-se abusos nos excedentes. E óbvio que é importante que as clínicas de reprodução assistidas devam ser fiscalizadas para se coibir o crime de venda de óvulos ou a produção de embriões para a venda. Porém , se o problema é radicalizar, por que, então, não fechar as clínicas de reprodução assistida? Assim, o problema das células-tronco estaria resolvido. Os embriões excedentes não ficariam à mercê da ignorância de alguns, ou mesmo, os espíritos que, porventura, neles estivessem ligados, não permaneceriam presos a uma vida inútil, congelados, à espera da morte, conforme pensam os que têm interesses outros. Aí, diriam: Fechar as clínicas seria um absurdo! Por que? Isso constituiria um grande prejuízo para a classe médica?
10 Kardec Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001, perg. 356
11 Comentário à questão 783 de O Livro dos Espíritos
12 Simonetti Richard. Reencarnação: Tudo o que você precisa Saber Bauru/SP ed. CEAC, 2003

O Dilema das Células-Tronco Embrionárias

Artigo de Marcelo Coimbra Régis - Dezembro de 2001


Nos últimos meses um tema que vem ganhando grande repercussão aqui nos Estados Unidos é a questão de se o governo norte-americano deve apoiar, através de financiamento federal, as pesquisas realizadas com a utilização de células-tronco (stem cells) de embriões humanos. Novamente o desenvolvimento da genética nos coloca frente às questões morais profundas, com o poder de modificar (ou seria atualizar) conceitos defendidos pelos espíritas.
Células-tronco
Células-tronco encontradas em embriões com até uma semana de vida, aparentemente constituem o material perfeito para que cientistas desenvolvam novos e poderosos tratamentos para diversos tipos de doenças.
As células-tronco embrionárias são células-mestre que podem se especializar e formar diferentes tipos de células e tecidos no organismo. Ou seja, a partir das células-tronco se formam outros tipos de células especializadas e presentes em diferentes tecidos do corpo humano. Devido a essa característica elas oferecem o potencial de regenerar órgãos ou tecidos lesados. O problema é que ao se extrair as células-tronco os embriões são mortos. Atualmente existem três métodos para a obtenção de células-tronco embrionárias:
1. Utilização de embriões em excesso encontrados nas clínicas de fertilização, ou seja, os embriões não usados nos processos de fertilização assistida;
2. Criação de embriões especificamente para a obtenção das células-tronco, através da fertilização in-vitro, com a utilização de óvulos e espermatozóides de doadores voluntários;
3. A clonagem. Uma vez desenvolvido o embrião, através dos métodos discutidos acima, os cientistas removem as células-tronco, matando os embriões. As células-tronco removidas são colocadas em um caldo rico em proteínas e enzimas onde podem crescer e se multiplicar. Os cientistas estão desenvolvendo técnicas onde é possível direcionar o crescimentos das células-troncos em células especializadas desejadas. Assim, para diferentes tratamentos seriam desenvolvidas, a partir das células-tronco originais, células sanguíneas, pancreáticas, nervosas etc. Essas novas células sadias seriam implantadas em pacientes receptores com diversos problemas. A esperança aqui é que as “novas” células (desenvolvidas em laboratório a partir das células-tronco) atuem terapeuticamente no receptor tratando doenças tais como Alzheimer, Parkinson, diabete, enfarte, derrame e lesão na medula espinhal.
Aonde começa a vida?
Apesar dos benefícios que tais pesquisas podem trazer e a possibilidade de salvar várias vidas, as pesquisas com as células-tronco embrionárias encontram fortes opositores. O fato de que a retirada destas células causa a morte dos embriões levantou a ira da comunidade religiosa, notadamente as de origem cristã. Afinal, o cristianismo determina que a vida começa desde a concepção, portanto, matar embriões humanos seria o mesmo que retirar vidas humanas.
É interessante notar que a definição do início da vida como sendo a concepção é um conceito relativamente novo na história da Igreja Católica, sendo definido como dogma apenas em 1869. Anteriormente essa questão teve várias interpretações condizentes com os conhecimentos científicos da época e das proposições teológicas de bispos e papas.
Aristóteles estabeleceu que um novo ser humano só existia após os primeiros movimentos do feto no ventre materno. Hoje sabemos que os primeiros movimentos perceptíveis no ventre materno ocorrem mais ou menos após 20 semanas da concepção. Porém, Aristóteles definiu como 40 dias o tempo para que um feto de sexo masculino ( 80 dias para fetos de sexo feminino) se manifestasse no ventre materno e por isso definiu esse como o ponto que marca o início da vida moral, ou o momento em que o feto adquire a alma. A regra dos 40 dias foi aceita em várias religiões, sendo que muitas a mantém até hoje. Judeus e muçulmanos ainda hoje ensinam que os embriões de até 40 dias não diferem muito da matéria inanimada e podem ser utilizados em pesquisas sem nenhuma consequência moral adversa.
No catolicismo tal regra foi pela primeira vez contestada em 1588, quando o Papa Sixtus V declarou que o aborto e os métodos anticoncepcionais eram pecados capitais, definindo que a alma se manifestava no corpo desde o momento da concepção. Apenas três anos mais tarde o Papa Gregório XIV trouxe a Igreja Católica de volta à regra dos 40 dias, como definido por Aristóteles. Tal posição se manteve inalterada até 1869, quando o Papa Pio IX retomou o conceito de que a ligação alma-corpo se dá no momento da concepção, definindo como passível de excomunhão o aborto e a contracepção. A partir daí tornou-se majoritária na Igreja Católica a idéia de que a alma se liga ao corpo desde o exato momento da concepçao até a morte do corpo. Recentemente, o Papa João Paulo II lançou um veemente apelo ao presidente Bush para que os Estados Unidos não patrocinassem as pesquisas com células-tronco embrionárias, alegando que estariam consolidando um crime e, portanto, comprometendo o desenvolvimento de uma sociedade moral.
A) Allan Kardec
344- Em que momento a alma se une ao corpo?
- A União começa na concepção, mas ela não se completa senão no momento do nascimento. Desde o momento da concepção, o Espírito designado para habitar tal corpo a ele se liga por um laço fluídico que vai se apertando, cada vez mais, até que a criança nasça; o grito que se escapa, então, da criança, anuncia que ela se conta entre os vivos e servidores de Deus.
346 – Que acontece para o Espírito se o corpo que escolheu morrer antes de nascer?
- Ele escolhe um outro.
- Qual pode ser a utilidade dessas mortes prematuras?
- As imperfeições da matéria são as mais frequentes causas dessa mortes.
353 – A união do Espírito e do corpo não estando completa e definitivamente consumada senão depois do nascimento pode-se considerar o feto como tendo uma alma?
– O Espírito que o deve animar existe, de alguma forma, fora dele. Ele não tem propriamente falando, uma alma, pois a encarnação está somente em vias de se operar; mas está ligado à alma que o deve possuir.
356- Existem natimortos que não foram destinados a encarnação de um Espírito?
Sim, há os que jamais tiveram um Espírito designado para os seus corpos: nada deviam realizar por eles. É, então, somente pelos pais que essas crianças vieram.
Em A Gênese, Kardec explora mais o tema, introduzindo o conceito de que o perispírito se liga ao óvulo fecundado desde a concepção e vai se ligando molécula a molécula ao corpo de acordo com o desenvolvimento do feto, culminando no nascimento quando a ligação é completa e irreversível.
B) André Luiz
André Luiz em Missionários da Luz descreve com detalhes o processo reencarnatório de Segismundo. No caso em questão os Espíritos acompanham, influem e dirigem todo o processo reencarnatório. Em linhas gerais o processo descrito por André Luiz se dá da seguinte forma:
1. Segismundo (o Espírito desencarnado) se prepara para sua reencarnação, reduzindo seu perispírito ao tamanho de uma criança. Tal redução ocorre anteriormente à fecundação.
2. Os mentores espirituais “entregam” Segismundo aos pais, num processo de assimilação mental.
3. Após o ato sexual, os mentores escolhem o espermatozóide mais conveniente para a fecundação, dirigindo seus influxos energéticos de forma que o mesmo tenha sucesso em fecundar o óvulo.
4. Nesse momento as atenções se voltam novamente para a forma reduzida de Segismundo, passsando os mentores a coordenar a ligação do perispírito ao óvulo fecundado.
5. Estando perispírito e óvulo ligados, o processo caminha normalmente até o nascimento.
À luz das pesquisas atuais a descrição acima é bem difícil de sustentar. Hoje centenas de óvulos fecundados não chegam a produzir nenhum ser humano, deixados que são nas clínicas de reprodução assistida ou em hospitais. Além disso sabemos que o óvulo fecundado pode se dividir em dois nas primeiras semanas após a fecundação, gerando os gêmeos idênticos. Sendo a alma ligada ao óvulo fecundado no momento da concepção e sendo a mesma indivisível como explicar o processo de nascimento de gêmeos idênticos? O segundo Espírito se ligaria posteriormente? Saberiam os Espíritos de antemão que aquele óvulo em particular produziria gêmeos?
Conclusão
Como sempre a posição exposta por Allan Kardec em O Livro dos Espíritos me parece a mais adequada. Minha interpretação de tais conceitos no Espiritismo é de que os embriões desenvolvidos para a pesquisa ou aqueles não utilizados pelos casais em processo de fertilizaçao assistida não possuem alma, sendo passíveis de destruição em prol da vida de outros. Ou seja, no âmbito da Doutrina Espírita não temos nenhuma consequência maior no fato de que vários embriões não cheguem a bom termo. Não estatriamos “matando” um ser, nem traumatizando o Espírito.
Novamente a conclusão aqui é que temos muito a aprender e que o Espiritismo e os espíritas devem acompanhar de perto a evolução da ciência. A realidade é que não sabemos quase nada do processo reencarnatório, nos prendendo apenas às descrições feitas por André Luiz há mais de 50 anos atrás. Nenhuma pesquisa de maior relevância foi levada a efeito. Poucas vezes temos solicitado aos Espíritos que descrevam o processo, e muitas vezes temos assumido como verdades opiniões e descrições particulares.
A marcha das pesquisas genéticas continuará forte, e é muito provável que o presidente Bush reafirme o patrocínio federal às pesquisas com células-tronco embrionárias. Se o Espiritismo não pode contribuir cientificamente pelo menos podemos tentar contribuir com nossa análise ético-moral, provendo nossa perspectiva sobre tais assuntos. O fórum sobre Espiritismo e Genética planejado para o VII SBPE foi muito apropriado e espero ter contribuído para o debate colocando “mais lenha nessa fogueira”.
Bibliografia
Kardec, Allan – O Livro dos Espíritos; A Gênese;
Xavier, F.C. – Missionários da Luz
Weiss, Rick – Stem Cell Dilemma in Maine Sunday Telegram, Sunday July 22.

Células Tronco: Quando Começa a Vida?

Células Tronco: Quando Começa a Vida?


ESPIRITISMO E CÉLULAS TRONCO: QUANDO SE DÁ O COMEÇO DA VIDA, SEGUNDO A DOUTRINA DOS ESPÍRITOS?

O embrião humano já tem alma?

Quando se dá a ligação do corpo e da alma, segundo os Espíritos?



Muito tem se falado a respeito do uso de células tronco para fins científicos.

Os opositores, defendem que a vida começa na fecundação. Os defensores, acreditam que a vida começa no nascimento.

A igreja católica é radicalmente contra; em seu comunicado de 29 fev 2008, a CNBB reafirma a posição da Igreja Católica contra o uso de células tronco embrionárias para pesquisas científicas. O motivo principal é que o embrião humano já é um ser humano dotado de uma alma imortal, imagem e semelhança de Deus, e que por isso não pode ser destruído.

E o que nos ensina a Doutrina Espírita? Quando se dá o começo da vida, segundo a concepção espírita?

Para falar sobre o tema, temos que considerar em primeiro lugar uma premissa básica dos ensinamentos dos espíritos: a alma não nasce com o nascimento do corpo, e também não morre com a morte do corpo. A alma é anterior à criação do corpo, e a morte não existe, senão para o corpo físico.

Esse é o ponto de partida de nossa discussão.

Kardec abordou a questão da união da alma com o corpo, no Livro dos Espíritos, questões 344 a 360.

Vou reproduzir aqui algumas dessas questões:

LIVRO DOS ESPÍRITOS – LIVRO SEGUNDO

CAPÍTULO VII – RETORNO À VIDA CORPORAL

ITEM II – UNIÃO DA ALMA COM O CORPO – ABORTOS

Pergunta 344: Em que momento a alma se une ao corpo?

Resposta dos Espíritos: “A união começa na concepção, mas não se completa senão no momento do nascimento. Desde o momento da concepção, o Espírito designado para tomar determinado corpo a ele se liga por um laço fluídico, que se vai encurtando cada vez mais, até o instante em que a criança vem à luz; o grito que então se escapa de seus lábios anuncia que a criança entrou para o número dos vivos e dos servos de Deus.”

Pergunta 345: A união entre o Espírito e o corpo é definitiva desde o momento da concepção? Durante esse primeiro período, o Espírito poderia renunciar a tomar o corpo que lhe foi designado?

Resposta dos Espíritos: “A união é definitiva no sentido de que outro Espírito não poderia substituir o que foi designado para o corpo; mas, como os laços que o prendem são muito frágeis, fáceis de romper, podem ser rompidos pela vontade do Espírito que recua ante a prova escolhida. Nesse caso, a criança não vinga”.

Pergunta 346: Que acontece ao Espírito, se o corpo que ele escolheu morrer antes de nascer?

Resposta dos Espíritos:“Escolhe outro”.

Pergunta 353: A união do Espírito com o corpo não estando completa e definidamente consumada, senão depois do nascimento, pode considerar-se o feto como tendo uma alma?

Resposta dos Espíritos: “O Espírito que deve animar existe, de qualquer maneira, fora dele. Propriamente falando, ele não tem uma alma, pois a encarnação está apenas em vias de se realizar, mas está ligado à alma que deve possuir”.

Pergunta 354: Como se explica a vida intra-uterina?

Resposta dos Espíritos: “É a da planta que vegeta. A criança vive a vida animal. O homem possui em si a vida animal e a vida vegetal, que completa, ao nascer, com a vida espiritual”.

Pergunta 355: Há, como o indica a Ciência, crianças que desde o ventre da mãe não têm possibilidades de viver? E com que fim acontece isso?

Resposta dos Espíritos: “Isso acontece freqüentemente, e Deus o permite como prova, sejapara os pais, seja para o Espírito destinado a encarnar”.

Pergunta 356: Há crianças natimortas que não foram destinadas à encarnação de um Espírito?

Resposta dos Espíritos: “Sim, há as que jamais tiveram um Espírito destinado aos seus corpos: nada devia cumprir-se nela. É somente pelos pais que essa criança nasce”.

Meus comentários:

De acordo com o que acabamos de ler:

1. A união da alma com o corpo só se completa no nascimento. Antes disso, a alma está ligada ao corpo por um laço fluídico “frágil, fácil de romper”, que vai se estreitando à medida que a gestação vai se completando. SOMENTE NO NASCIMENTO SE DÁ A UNIÃO DO CORPO COM A ALMA.

2. A alma está designada para o corpo, mas não vive nele e nem depende dele para viver. O corpo em formação está ligao à alma que deve possuir, e é o corpo que depende da alma para viver, pois é a alma que anima o corpo, e não o contrário.

3. Os espíritos dizem que a vida intra uterina é como “a da planta que vegeta. O homem possui em si a vida animal e a vida vegetal, que completa, ao nascer, com a vida espiritual”

Isso nos leva a uma outra reflexão: muitos poderão interpretar, erroneamente, que se a vida intra uterina é vegetativa, e a alma não se une ao corpo antes do nascimento, então o aborto não pode ser considerado um crime aos olhos de Deus, pois o feto ainda não está animado por uma alma.

Vejamos o que nos dizem os espíritos, no mesmo capítulo:

Pergunta 358: O aborto provocado é um crime, qualquer que seja a época da concepção?

Resposta dos Espíritos: “Há sempre crime quando se transgride a lei de Deus. A mãe ouqualquer pessoa cometerá sempre um crime ao tirar a vida à criança antes do seu nascimento, porque isso é impedir a alma de passar pelas provas de que o corpo devia ser o instrumento”.

Minhas considerações finais:

Através das reencarnações sucessivas, o espírito passa pelas muitas experiências que a veste carnal lhe propicia, e pode trilhar seu caminho de evolução. É também pela lei de reencarnação que a justiça divina se faz, pois como espíritos eternos somos responsáveis por nossos atos, e a reencarnação é a possibilidade de reparar nossos erros. Portanto, se muitas vezes pensamos erroneamente que a justiça não se faz, é porque nossa visão se restringe a apenas uma encarnação, mas a vida do espírito não começa nem termina em uma única existência. Daí se explicam tantas desigualdades que vemos – que podem muito bem ser consequencias do que, na outra ponta, consideramos como “impunidades”.

Se Deus é amor, ele também é justiça. Estamos TODOS, indistintamente, sujeitos às mesmas leis, e não há “eleitos”. Todos nós colhemos o que plantamos, e somos responsáveis por nossas ações, no aqui e no Além. A Justiça Divina não permite que nossos erros passem incólumes, mas nos oferece oportunidades incontáveis de redenção, através das vidas sucessivas.

Assim sendo, o aborto delituoso é um crime aos olhos de Deus, porque impede a outro espírito a oportunidade de renascer na carne, para se redimir dos seus erros e prosseguir na sua senda evolutiva.

Por outro lado, as células tronco congeladas em laboratório, não possuem alma. Se bem que o feto já tenha uma alma destinada para ele, e ambos estejam ligados por um liame, a união só se completa no nascimento. Portanto, a conclusão a que chego, depois de ler O Livro dos Espíritos, é que no caso das células tronco, o espiritismo, mais uma vez, vai de encontro à ciência.

Conforme a questão 356, quando perguntados se há crianças natimortas, para as quais nenhum espírito foi destinado, os Espíritos responderam que sim, “há as que jamais tiveram um Espírito destinado aos seus corpos: nada devia cumprir-se nelas”.

É assim que eu entendo as células tronco embrionárias: que não têm espíritos designados para animar seus corpos, pois eles não irão nascer, e não precisam portanto de alma para animá-los. Como dizem os espíritos: “nada devia cumprir-se nelas” – ou seja, essas células não se transformarão em corpos que precisam da alma para serem animados, em outras palavras, para que vivam. Mas, servem de qualquer modo à ciência, na busca do homem por uma vida melhor, com menos dor.

Sobre isso, O Livro dos Espíritos nos traz outro capítulo de estudo, que trata das Leis Morais: Capítulo 8, Lei do Progresso.

Por último, quero salientar que exponho aqui a minha interpretação pessoal do Livro dos Espíritos, e não a posição oficial da doutrina espírita. A esse respeito, fiz uma pesquisa na internet e recomendo um artigo muito esclarecedor escrito pelo dr. Iso Jorge Teixeira, aqui.

Já, o autor espírita Eurípedes Kühl classifica o uso de células tronco embrionárias como aborto, em entrevista aqui.

A coleta de células tronco pelo cordão umbilical ou da medula óssea do próprio paciente conta com amplo apoio dos meios espíritas. A polêmica surge quando se trata da retirada de células-tronco de embriões, uma vez que isto implica na destruição desses embriões.

Nesse ponto, vemos opiniões divergentes no meio espírita. É claro que o espiritismo condena o aborto, mas a questão é saber se utilizar embriões congelados em laboratório pode ser considerado aborto. Aliás, uma das fontes para a coleta desse material seria justamente embriões e fetos provenientes de abortos.

Um outro artigo para consulta, que fala da posição de distintas religiões, pode ser lido aqui.

Está aberto o debate! Eu pouco conheço os aspectos científicos do processo. Mas creio que podemos refletir sobre as implicações éticas e morais desse procedimento, para tentar, mais uma vez, pautar nossas escolhas com base no que aprendemos na doutrina que abraçamos. Ainda não sei qual a posição “oficial” do espiritismo a esse respeito. Ah, que falta o Chico nos faz…



por Liz Bittar
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e o endereço deste site http://oqueosespiritosdizem.com.br

Os artigos publicados na seção Reflexões, por Liz Bittar são, como o nome diz, minhas reflexões pessoais, e não constituem material doutrinário, nem refletem posicionamento oficial da doutrina espírita. Eles refletem, entretanto, o que eu assimilei da doutrina, e o impacto que esses ensinamentos têm na minha vida, em minhas escolhas pessoais, e na minha forma de ver o mundo.
Como material de consulta sobre o espiritismo, recomendo as obras de Allan Kardec e os mais de 500 livros de Chico Xavier. Os artigos desta seção são apenas reflexões pessoais, ou narrativas de experiências pelas quais passei.
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Liz Bittar

Há espírito vinculado ao embrião congelado?


Reinaldo M. Macedo


Introdução

Elaborar nosso estudo só foi possível graças aos trabalhos anteriores de diferentes estudiosos e autores atuantes do Movimento Espírita, por meio de seus esforços em artigos, livros, seminários e palestras, conforme consta da Bibliografia citada ao final do mesmo, sem o que não teríamos como absorver o pouco que conseguimos.

O assunto é muito moderno e polêmico, sendo motivo de discussões sobre ética e moralidade pelas várias religiões existentes no Planeta.

Para um estudo um pouco mais aprofundado, levaríamos em torno de 2 ou 3 horas, precisaríamos do uso de retro-projetor, computador, projeção de imagem em tela, e até contar, preferencialmente, com a presença de um palestrante médico espírita conceituado (como tivemos a oportunidade de conhecer o Dr. José Henrique Rubim, ao participarmos do último Seminário 2005 da AME-RIO - Associação Médico Espírita do Rio de Janeiro, o qual, exercitando o ensinamentos do Evangelho de Jesus, nos ajuda a tirar a candeia debaixo do alqueire, pois gentilmente disponibilizou o fruto do seu trabalho para nos auxiliar a elaborar o nosso estudo) e, mesmo assim, somente iríamos nos aproximar discretamente do entendimento desse assunto.

Mas hoje, objetivamos estudar especificamente o “embrião congelado” no que se refere ao seu uso, em vista da discussão da existência ou não de espírito vinculado ao mesmo, pois, nesse caso, poderia até estar sendo praticado um assassinato ao se utilizar esse embrião.

Sendo assim, tentaremos ao máximo fazer uma síntese dos estudos que selecionamos e pesquisamos, buscando ajudar a esclarecer o tema em questão no tempo estabelecido para nossa reunião.

Nossa intenção aqui é esclarecer um pouco sobre o assunto e não fazer afirmações veementes em nome da Doutrina Espírita. O tema ainda está sendo alvo de análises e, no máximo, daremos num ou noutro aspecto uma opinião pessoal logicamente passível de modificação a partir de outros melhores entendimentos a que venhamos ter acesso.

Aproveitamos para nos congratularmos com a Administração de nossa Casa Espírita, na pessoa de nossa Presidente aqui presente, por abrir espaço e escolher um tema tão moderno para estudo público, pois a “verdade precisa caminhar” e é preciso apoiar os fundamentos da nossa Doutrina Espírita na Ciência para que nossa fé possa estar apoiada na inteligência que Deus nos deu para evoluirmos, conforme nos ensina Kardec quando deixou para nossa reflexão no Livro "Obras Póstumas" que “a fé para ser inabalável precisa encarar a razão em todas as época da Humanidade”.


Pesquisando em "O Livro dos Espíritos"...

344 - Em que momento a alma se une ao corpo?

“A união começa na concepção, mas só é completa por ocasião do nascimento”.

356 - Entre os natimortos alguns haverá que não tenham sido destinados à encarnação de Espíritos?

“Alguns há, efetivamente, a cujos corpos nunca nenhum Espírito esteve destinado. Nada tinha que se efetuar para eles. Tais crianças então só vêm por seus pais.”

136-a - Pode o corpo existir sem a alma?

“Pode...”    “... A vida orgânica pode animar um corpo sem alma, mas a alma não pode habitar um corpo privado de vida orgânica.”

136-b - Que seria o nosso corpo, se não tivesse alma?

“Simples massa de carne sem inteligência, tudo o que quiserdes, exceto um homem.”

353 – Não estando completa a união do Espírito ao corpo, não estando definitivamente consumada, senão depois do nascimento, poder-se-á considerar o feto como dotado de alma?

“O espírito que vai animar existe, de certo modo, fora dele. O feto não tem pois propriamente falando, uma alma, visto que a encarnação está apenas em via de operar-se. Acha-se, entretanto, ligado à alma que virá a possuir”.

132 – Qual o objetivo da encarnação dos Espíritos?

“Deus impõe a reencarnação como missão para alguns e expiação para outros.”

264 – Que é que dirige o Espírito na escolha das provas que queira sofrer?

“...O espírito escolhe suas expiações...”

Comentários de Kardec a Perg. 568:

- As missões dos Espíritos têm sempre por objeto o bem. Quer como Espíritos, quer como homens, são incumbidos de auxiliar o progresso da Humanidade;

- O Espírito se adianta conforme à maneira pela qual desempenha a sua tarefa.

570 – Os Espíritos percebem sempre os desígnios que lhes compete executar?

“Não, existem muitos espíritos que são instrumentos cegos e outros sabem muito bem com que fim atuam...”

572 – A missão de um Espírito lhe é imposta, ou depende de sua vontade?

Na resposta, os espíritos reafirmam que os espíritos pedem missões e ficam felizes quando as recebem.

573 – Em que consiste a missão dos Espíritos encarnados?

“A missão dos espíritos encarnados consiste em instruir os homens, em lhes auxiliar o progresso”. E também que “Ao mesmo tempo que o Espírito se depura pela encarnação, concorre, dessa forma, para a execução dos desígnios da Providência. Cada um tem neste mundo a sua missão, porque todos podem ter alguma utilidade.”

348 - Sabe o Espírito, previamente, que o corpo de sua escolha não tem probabilidade de viver?

“Sabe-o algumas vezes...”

345 - É definitiva a união do Espírito com o corpo desde o momento da concepção? Durante esta primeira fase, poderia o Espírito renunciar a habitar o corpo que lhe está destinado?

“É definitiva a união, no sentido de que outro Espírito não poderia substituir o que está designado para aquele corpo. Mas, como os laços que ao corpo o prendem são ainda muito fracos, facilmente se rompem e podem romper-se por vontade do Espírito, se este recua diante da prova que escolheu. Em tal caso, porém, a criança não vinga.”

No livro "Dias Gloriosos", o espírito de Joanna de Ângelis nos diz que “para fugirem de seus perseguidores podem ser levados a "estagiar" nestes embriões congelados, passando por um período de dormência, período este em que estariam livres das perseguições obsessoras e em fase preparatória para um possível retorno ao orbe”.

Ela, sabendo da importância dessas pesquisas, ressalta ainda dizendo: "... Verdadeira bênção, o transplante de órgãos concede oportunidade de prosseguimento da existência física, na condição de moratória, através da qual o Espírito continua o périplo orgânico."

Não podemos deixar de reconhecer que, conforme diz Joanna, “o corpo físico é a máquina divina que o Senhor nos empresta para a confecção de nossa felicidade na Terra”.

Paralelamente, conforme consta do estudo de escritor, articulista e palestrante espírita Jorge Luiz Hessen, “não podemos desconsiderar também que os mentores espirituais, especialistas da área, são inteligentes o suficiente para saberem que tal ou qual óvulo será ou não destinado a produção de células-tronco para fins terapêuticos, e, portanto, que nenhum espírito deverá estar ligado a ele. Se não for assim, estaremos atribuindo tudo à imprevisibilidade do “acaso”...

Outra verdade é que não podemos permanecer na ignorância e a ciência tem de atingir a finalidade que a Providência lhe assinou.

Kardec ensina que nos instruímos pela força das coisas e nos lembra que: “As revoluções morais, como as revoluções sociais, se infiltram nas idéias pouco a pouco; germinam durante séculos; depois, irrompem subitamente e produzem o desmoronamento do carunchoso edifício do passado, que deixou de estar em harmonia com as necessidades novas e com as novas aspirações”.


Pesquisando no Livro "Genética Além da Biologia", de Eurípedes Kühl

O embrião manipulado em laboratório pode ter duas destinações:

- Reprodutiva - fertilização assistida (nos casos de casais inférteis);
- Pesquisas Laboratoriais - para produção de células-tronco para fins terapêuticos.

Se admitirmos que haja um Espírito vinculado ao embrião que é congelado, seja para futura reencarnção ou para pesquisa, poderemos aventar algumas hipóteses que justifiquem tal condição do Espírito que está ali, todas desconfortáveis e porque não até dizer causadoras de sofrimentos:

1) Um voluntário, que se ofereceu para auxiliar no progresso da Ciência terrena, por ser dela devedor em vidas passadas (essa condição o obrigará ao mutismo e às reflexões para um ajustamento futuro, o que lhe será benéfico);

2) Um semi-morto (aqueles que padecem de um sono mais pesado, conforme o livro Nosso Lar – Cap.27 - André Luiz);

3) Um paralítico (qual o feto da espiritualidade, conforme o livro “Os Mensageiros” – Cap. 22 - André Luiz);

4) Um ovóide - que está mergulhado no mal, que passou pela “2ª morte” e assim ficou passando a ser hóspede de outro espírito (conforme o livro “Libertação” – Cap. 6 - André Luiz);

Deduzimos que a transferência de alguns espíritos nessas condições para embriões congelados poderá representar um primeiro passo para uma futura reencarnação com maiores chances de sucesso, uma vez que permaneceriam “num quase sono”, que seria um vestibular para a gestação, similar ao descrito na pergunta 351 de "O Livro dos Espíritos".
 
5) Um espírito que durante suas existências amealhou inúmeros inimigos, por causa do seu grande poder ou procedimentos cruéis, podendo ter causado milhares de vítimas que agora o perseguem obstinadamente com propósitos vingativos. Se for colocado num embrião congelado, isso lhe proporcionará abrigo (esconderijo). Quanto mais tempo ali ficar, maior a chance dos perseguidores irem evoluindo e abandonarem a idéia de vingança ou, no mínimo, reencarnarem, o que servirá de trégua temporária, o que será uma bênção fabulosa da misericórdia divina. O que confere com o que Joanna de Ângelis disse no livro "Dias Gloriosos".


Um pouquinho sobre Clonagem...

Há quem imagine que seja possível obter-se através da clonagem indivíduos em série, com habilidades específicas, como soldados "programados" ou legiões de gênios para desenvolvimento de tecnologias.

O Espiritismo aponta a necessidade da discussão sobre a ética de tais experimentos, mas não receia este tipo de resultados, posto que os espíritos são individuais, sendo seus corpos físicos vestimentas temporárias.

Não podemos duvidar da integridade moral de um Francisco de Assis, mesmo que o vestissem com a farda de um Hitler. Certamente viveria e pensaria como Francisco, a despeito da roupa que usasse.

Outro ponto, freqüentemente levantado pelas religiões acerca deste assunto, é a proibição do homem em manipular as leis que regem a vida, que seria atribuição exclusiva de Deus.

Também neste aspecto, a Doutrina Espírita sai na frente, pois apresenta o homem como co-criador a quem o Pai confia responsabilidades à medida que seu conhecimento e moralidade se aprimoram.

Confirmando esta posição de Deus, com relação ao progresso da Ciência, observemos que os bebês de proveta, nascidos da fecundação "in vitro", têm uma alma e esta alma não foi ligada a este corpo pelos profissionais em reprodução humana que propiciaram a "concepção" deste ser.

A famosa ovelha Dolly também tem um princípio espiritual, muito menos desenvolvido que a alma humana, mas que também foi acoplado ao seu embrião-clone por Deus.

Além desses pontos de reflexão, devemos lembrar ainda que os cientistas não criam o embrião humano ou animal, eles somente unem as partes constituintes da vida material (espermatozóide, óvulo) e ainda assim inserem o “ovo” resultante num útero.

As discussões sobre a ética da clonagem são necessárias, mas não devem roubar a atenção sobre questões muito importantes e urgentes acerca da manipulação desastrosa do homem sobre a natureza, como o aborto, a extinção de espécies, o comprometimento de gerações inteiras pela fome de justiça e educação, de respeito e de amor.

A clonagem trará muitos benefícios para a produção de alimentos e remédios, culturas de tecidos para transplante e conhecimento sobre o envelhecimento e doenças como o câncer, contribuindo para um mundo mais feliz.

Depende, no entanto, do nosso desenvolvimento moral, para que essa evolução não seja apenas tecnológica e que seu uso venha a garantir a ascensão da humanidade para novos rumos, em busca da Luz e do Bem Maior.

Por sua vez, objeto de inúmeras publicações recentes, científicas e leigas, o estudo das células-tronco oferece renovadora esperança no controle de doenças que afligem a Humanidade. No entanto, a utilização definitiva das células-tronco necessita ser submetida, como está sendo, ao crivo de séria discussão de natureza ética.

Nós espíritas, em especial, devemos adotar com relação a esse assunto uma conduta prudente, compatível com as orientações doutrinárias do Espiritismo e do Evangelho de Jesus, perante as informações que nos chegam de diferentes fontes.


Um pouquinho sobre Célula-Tronco: O que é?

É um tipo de célula que tem a propriedade de se diferenciar, ou seja, de se multiplicar e formar diferentes tecidos no organismo, enquanto que as demais células geralmente só podem fazer parte de um tecido específico.

Outra capacidade especial das células-tronco é a auto-replicação, ou seja, elas podem gerar cópias idênticas de si mesmas.

Exemplos: Células da pele, do cérebro, dos ossos, do coração e dos músculos. Tratamento de doenças até hoje incuráveis, como câncer (a leucemia inclusive), lesões na coluna (problemas de paralisia), tratamentos para doenças neuro-degenerativas, danos no coração, entre outras (Alzheimer, Parkinson, Miocardiopatia Dilatada, etc.)

Métodos de Coleta das Células-Tronco

Alguns métodos de coleta das células-tronco não geram polêmicas ético-religiosas, como a coleta pelo cordão umbilical ou da medula óssea do próprio paciente.

A polêmica surge quando se trata da retirada de células-tronco de embriões, pois isso implicaria na destruição deles.

O uso de células-tronco retiradas de embriões humanos - geralmente descartados em clínicas de reprodução assistida - enfrenta sérias resistências em vários países. Muitos consideram estes embriões como seres vivos, pois caracterizam a vida a partir da fecundação do óvulo pelo espermatozóide.

Por isso, argumenta-se que o extermínio desses embriões é tão criminoso quanto o aborto, uma vez que acaba com uma forma de vida, inclusive porque embriões e fetos provenientes de abortos seriam fontes para a coleta desse material.

Mas as células-tronco podem ser encontradas mais comumente em duas regiões do corpo: na medula óssea e no sangue do cordão umbilical, que permanece na placenta após o nascimento do bebê.

E elas podem ser uma alternativa, por exemplo, para os casos de leucemia, em que o transplante de medula óssea nem sempre pode ser realizado, embora hoje em dia já seja um procedimento de sucesso.

Já com o sangue do cordão umbilical congelado, as células-tronco ficam disponíveis para serem usadas em casos como o que acabamos de mencionar em, pelo menos, 15 anos após a coleta, embora alguns estudos já considerem a possibilidade de sua estocagem por até 50 anos.

Obs: Fica evidente que se quizermos formar uma opinião mais lúcida a respeito de clonagem, embriões e células-tronco, precisamos compreender no mínimo as importantes diferenças nos métodos de coleta de células-tronco e do seu emprego efetivo, através de estudos sérios e dedicados utilizando fontes confiáveis, observando o assunto de forma global e, submetendo-nos humildemente a críticas construtivas e, como espíritas que somos, enfocarmos nossos estudos à luz do Evangelho de Jesus, calcados na Doutrina Espírita. Por isso, é recomendável que tenhamos uma conduta prudente.

Além dessas vantagens, quando as células-tronco provêm da medula óssea do próprio paciente, não há risco de rejeição.

Entretanto, cabe dizer que a aplicação imediata ainda não está tão perto. Elas são uma promessa de melhoria e cura, não um “milagre”, como se o paciente fosse soltar a muleta e sair andando de repente.

Por enquanto, sobram esperanças e faltam pesquisas que, embora aceleradas, ainda estão num estágio inicial.

Células-tronco no Brasil

O governo federal lançou dia 20 de abril de 2005 o primeiro edital que permitirá o financiamento de pesquisas com células-tronco no país, para o desenvolvimento de projetos de pesquisas básicas (experimentações in vitro), pré-clínicas (experimentos com animais) e clínicas (experimentos em seres humanos) que tenham o objetivo de desenvolver procedimentos inovadores em terapia celular.

Poderão ser pesquisadas: células-tronco adultas da medula óssea e do cordão umbilical e células-tronco embrionárias (incluídas no edital por causa da Lei de Biossegurança).

Com aprovação da Lei de Biossegurança, os cientistas do Brasil estão autorizados a realizar pesquisas em células-tronco embrionárias que, sem dúvida, é uma das mais promissores áreas da medicina na atualidade. Mas as pesquisas com células-tronco só poderão ser realizadas se elas forem obtidas através de fertilização in vitro e que já estiverem congeladas há mais de três anos.

O Ministério da Saúde anunciou a implantação no país da rede BrasilCord, um banco de sangue público de cordões umbilicais (retirados de cordão umbilical de recém-nascidos)


Um pouquinho sobre Clonagem terapêutica

Clonagem (Dicionário Michaelis): Introdução de um fragmento do material genético de uma célula em outra, a qual passa a conter e multiplicar a informação genética contida nesse fragmento introduzido; engenharia genética.

Muitas pessoas pensam que a clonagem serve apenas para a criação de cópias de seres humanos. Entretanto, vários cientistas a vêem como uma possibilidade de cura para diversas doenças que atualmente não podem ser tratadas. Trata-se da tão falada clonagem terapêutica.

Esse processo consiste em obter um embrião da pessoa doente por meio da clonagem e retirar as células-tronco dele.

Como já dissemos, essas células têm potencial para se transformar em qualquer tipo de célula adulta do nosso corpo, como, por exemplo, células cardíacas ou nervosas.

Assim, elas poderiam ser estimuladas a se transformar no mesmo tipo de célula que estão lesadas no organismo do doente. Por exemplo: uma pessoa com leucemia que necessitasse de um transplante de medula seria clonada, dando origem a um embrião, do qual seriam retiradas células-tronco.

Dessa forma, a pessoa seria doadora para si mesma, sem correr o risco de que seu organismo viesse a rejeitar o transplante, pois as células utilizadas seriam retiradas de seu clone, que apresentaria a mesma constituição genética que ela.

Com o sangue do cordão umbilical congelado, as células-tronco ficam disponíveis para necessidades futuras, como no caso do surgimento de doenças, durante pelo menos 15 anos após a coleta. Além dessa vantagem, não há risco de rejeição quando essas células forem implantadas no paciente, uma vez que elas foram retiradas dele mesmo.

Mas ainda existe uma séria e relevante discussão envolvendo a técnica: embriões teriam de ser sacrificados em prol da vida do doente. Muitas pessoas no mundo inteiro se manifestam contra esse procedimento, alegando que, se o embrião não tivesse seu desenvolvimento interrompido, uma pessoa nasceria. Isso é comparar essa forma de clonagem a um aborto.

Por outro lado, muitas pessoas portadoras de doenças genéticas ou lesões medulares que impedem a locomoção defendem essa técnica porque enxergam nela a única possibilidade de cura definitiva atualmente conhecida.


Fechamento

O conhecimento científico não pode tratar o homem como um meio, mas como um fim em si mesmo. Estamos diante de uma questão de princípios fundamentais:

1) devemos respeitar a vida humana em qualquer circunstância;
2) todos os seres humanos devem ter os mesmos direitos;
3) a vida humana começa no momento da fecundação.

Ainda não dispomos de meios seguros de afirmar sobre a existência ou não de vinculação de espíritos a embriões congelados e a partir daí tomar decisões sobre seu emprego na medicina. Mas é preciso não confundir isso com o emprego de células-tronco adultas.

Existem interpretações conflitantes e dúbias, mas neste ponto lembramos Kardec no livro "Obras Póstumas", no capítulo sobre a Constituição do Espiritismo, quando nos disse que a Doutrina se modificaria no ponto exato em que algo seja confirmado como verdade, se ela assim já não o considere.

Acreditamos, e a espiritualidade superior nos ensina repetidamente, que enquanto tecnologicamente a ciência caminha a passos largos, espiritualmente, apenas engatinha. Nossa vida aqui é uma pálida imitação da vida no plano espiritual.

A reprodução do corpo humano certamente passará por mudanças consideráveis ao longo dos próximos séculos, por isso não devemos nos surpreender com os avanços da clonagem do corpo humano e mesmo com as gestações em ambientes extra-uterinos.

Toda tecnologia nova gera polêmicas. Dentre os argumentos dos que se opõem à técnica terapêutica com células-tronco está o temor de que se vai gerar um comércio de óvulos e embriões. A ser factível essa realidade, vamos estagnar a ciência? Se fosse assim não haveriam tomógrafos eletrônicos, radioterapia, ressuscitador cardíaco... É preciso refletir e muito...

Mas nenhum desses avanços substituirá os planos reencarnatórios das criaturas. Portanto, não importa a maneira como voltamos a este plano e sim a jornada que teremos que percorrer, pois o corpo é um conjunto de células formadas basicamente de carbono, hidrogênio e oxigênio (matéria), mas que só existem se tiverem vida.

Temos certeza que a Ciência aprenderá a lidar melhor com as técnicas que envolvem a clonagem, tornando-a mais simples e segura. Quanto à sua disseminação, disso também temos certeza, que sempre dependerá dos programas da Espiritualidade Superior.

Quem dá vida à célula é o espírito, que ensina a cada molécula da célula qual é o seu papel.

Kardec deixou bem claro que o Espiritismo caminharia com a Ciência. Não há por que opor-se às suas conquistas, porquanto nada é descoberto ou desenvolvido sem o consentimento de Deus.

Aos que ainda pensam que o homem tenta subverter, lembramos que “O corpo vem do corpo, mas o espírito vem de Deus”.

Subverter a ordem divina é causar ou permitir a existência de crianças subnutridas, de cidades bombardeadas, de atos terroristas, de doentes sem tratamento, de trabalhadores sem emprego, do aborto provocado deliberadamente. Subverter a ordem divina é ter mais do que o necessário e fazer das conquistas materiais o motivo da vida. É não amar ao próximo como a nós mesmos.

Toda oportunidade de reencarnação é aproveitada pelos organizadores do plano maior. Cremos que assim seja, tanto num breve contato com a matéria, como nos abortamentos precoces naturais, quer seja por meio dos embriões congelados que aguardarão seu destino nos tanques de nitrogênio líquido por muito tempo.

Nós que temos acesso a essa Doutrina, ao mesmo tempo racional e fraterna, não podemos nos deixar envolver por posicionamentos dogmáticos do religiosismo fundamentalista que supere a razão e o discernimento, de que já somos medianamente dotados, para entravar uma Lei Natural e Divina que é a Lei do Progresso.

Nada que acontece é por acaso. E não cai uma folha sequer de uma árvore se não for da vontade de Deus, nosso Criador, causa primária de todas as coisas...

Muita Saúde e Muita Paz!


Bibliografia

- Livro dos Espíritos – Allan Kardec;

- Livro Dias Gloriosos – Divaldo P. Franco / Joanna de Ângelis;

- Livro Genética Além da Biologia – Eurípedes Kühl (Editora Fonte Viva);

- Seminário da AME-RIO – Células-Tronco na Visão Espírita - Dr. José Henrique Rubim (estudo gentilmente cedido pelo próprio);

- Artigo – Cientistas Estariam Subvertendo a Ordem Divina ao Manipular Células-Tronco Embrionárias? - Jorge Luiz Hessen – Escritor, Articulista e Palestrante – Nosso companheiro do Espiritismo.net;

- Artigo - A polêmica do Uso de Células-Tronco - Oswaldo Magalhães Rodrigues;

- Palestra feita por Divaldo P. Franco na 52ª Semana Espírita de Vitória da Conquista – set/2005;

- Reformador – abril/2005 – Artigo “Em dia com o Espiritismo I” – Marta Antunes Moura;

- Reformador – julho/2005 – Artigo “Em dia com o Espiritismo II” – Marta Antunes Moura;

- Reformador – dez/2004 – Em dia com o Espiritismo - Célula-tronco – Marta Antunes Moura;

- RIE – Revista Internacional de Espiritismo - abr/2005 – Embriões congelados: Espíritos ligados por até 12 anos – Alexandre Fontes da Fonseca e Alvaro Vannucci;

- RIE – Revista Internacional de Espiritismo - jul/2005 – Mitos e Verdades Sobre Células-Tronco – Décio Iandoli Jr.;

- Artigo - Internet - Espiritismo e Clonagem Humana - Gilberto Schoereder e Alex Alprim;

- Artigo - Internet - A Clonagem Humana - Pedro Gregori (Médico Ginecologista);

- Artigo - Internet - Clonagem - Richard Simonetti;

- Artigo - Internet - Alvorada do Mundo de Regeneração - Orson Peter Carrara;

- Artigo - Do Leproestigma ao Clone Estigmatizado (Enfoque microbiológico) - Luiz Carlos Formiga;

- Artigo - Doação de Órgãos e Transplantes - Eurípedes Kühl;

- Artigo - Clonagem, Espírito e Ciência - Alex Alprim;

- Artigo - O Clone Tem Alma? - Marlene Nobre;

- Artigo - Clonagem - Um Problema ou uma Solução? - Jornal Mundo Espírita, de Agosto de 1997 – Maringá-PR - Carmem Lúcia M. S. C. Rocha;

- Jornal Correio Fraterno – A Questão dos Embriões Sob a Ótica Espírita - edição de mai-jun/2005 – Doris Madeira Gandres.

Células-Tronco e Doutrina Espírita

Células-Tronco e
Doutrina Espírita

Américo Domingos Nunes Filho



Tema, de grande atualidade, empolga classe médico-científica

Dedico este artigo aos abnegados cientistas, em todos os países, que estão trabalhando nas louváveis e memoráveis pesquisas com células-tronco.


As células-tronco correspondem à fonte formadora do corpo físico, podendo dar criação a todos os tipos de células, ensejando a geração dos tecidos, constituindo os órgãos e sistemas. São igualmente capazes de recuperação tecidual, reparando áreas danificadas, não só cicatrizando feridas, como também regenerando órgãos enfermos. As células-tronco, com maior facilidade de formação de outros tipos de células, são as encontradas no embrião (fertilização em vitro), no estágio de blastocisto (100 células), cerca de oito dias após a fecundação do óvulo, sendo dotadas de plasticidade alta, possuindo elevada capacidade de diferenciação, a ponto de se transformarem em um organismo completo.
Existem também as chamadas células-tronco adultas, retiradas da medula ou tutano do osso esterno ou do ilíaco do próprio doente, como, igualmente, da pele e tecido nervoso. Outras fontes de obtenção: o cordão umbilical, a placenta e os dentes de leite.
No Brasil, nas pesquisas com células-tronco, são utilizadas as adultas, por causa das questões éticas e do impedimento da legislação em vigor, em relação às embrionárias. Outro dado importante é a possibilidade de rejeição, quando essas células provêm de outro indivíduo, mesmo sendo um embrião.
Trabalhos com células-tronco estão sendo realizados em todo o mundo. Em nossa pátria, as pesquisas estão bem avançadas, com os primeiros resultados já aparecendo, principalmente na área da cardiologia e da neurologia.
Em São Paulo, na USP, no Instituto de Ortopedia e Traumatologia, há uma equipe de cientistas trabalhando com um protocolo de pesquisas, visando a recuperação de pacientes paralíticos com lesão de medula espinhal, introduzindo, através de cateter, solução de células-tronco adultas, na coluna, esperando que elas se transformem em células nervosas, recompondo os neurônios afetados.

Maravilhoso constatar a possibilidade, no futuro, de um paralítico poder andar por meio da aplicação das células-tronco, acarretando a reparação do local afetado. Que lindo! A ciência curando, assim como o próprio Cristo o fez.
Em tese, centenas de doenças poderão ser erradicadas de nosso orbe, através da terapia por células-tronco, deixando, portanto, de ser a Terra, no futuro, planeta de provas e expiações, sendo promovida, então, a mundo de regeneração.


IMPLICAÇÕES DOUTRINÁRIAS

As pesquisas com células-tronco, envolvendo embriões, estão causando muita ansiedade nos meios religiosos, porquanto há necessidade de sacrificar os embriões, mesmo em fase inicial, sendo constituídos de apenas 100 células. Em verdade, através da fertilização in vitro, técnica também conhecida como bebê de proveta, muitos embriões estão sendo manipulados em laboratórios e a oferta é grande.
Algumas nações, inclusive a nossa, estão utilizando células-tronco adultas; portanto, sem a utilização de células embrionárias e estão obtendo ótimos resultados iniciais. Como as pesquisas estão em fase bem precoce, ainda é prematuro chegar a alguma conclusão a respeito da técnica ideal.
 Fica no ar uma questão: Se, no futuro, o sucesso das experiências apenas ocorrer com a clonagem terapêutica, exatamente sacrificando os embriões, como se comportarão as religiões?
Será que nós vamos proceder como na Idade Média, levando qualquer Galileu a um tribunal, querendo sufocar suas idéias? Será que estaremos contrários ao progresso científico, principalmente se doenças tão graves puderem ser erradicadas do planeta? Será que deixaremos de obter a cura de um mal, até então incurável, como a paralisia, que nos acomete ou a um familiar, devido a não aprovação de uma crença religiosa?
Os cientistas afirmam ser imprescindível não descartar o material embrionário nas pesquisas, porquanto as células-tronco de embriões são muito versáteis, proporcionando maior facilidade no acompanhamento de todo o processo de diferenciação celular, facilitando a ciência assenhorear-se dos mecanismos gênicos, envolvidos no processo.
A oposição dos grupos religiosos é intensa e radical. É muito fácil combater as idéias, quando estão na fase de elaboração e encaminhamento. Queremos ver a reação dos segmentos religiosos (O Espiritismo, como o Consolador Prometido por Jesus, certamente estará fora desse contexto), se as curas, através das células-tronco, provindas de células embrionárias, se processarem, fazendo os paralíticos andarem, os cegos verem, a insuficiência cardíaca desaparecendo do contexto médico, assim como numerosas doenças sendo erradicadas do nosso orbe. Duvidamos que os conceitos religiosos serão inquestionáveis em caso de necessidade premente da cura, através das células-tronco embrionárias, para si próprio, para um familiar ou mesmo para um amigo.
 Imagine, estimado leitor, você, por exemplo, sofrendo intensamente de um mal só curável pela terapia com utilização de embriões, com até mesmo a possibilidade de andar ou de enxergar novamente e, infelizmente, recusar o tratamento que o levaria à libertação porque sua religião não permite. E se, porventura, exemplificando, o necessitado for seu próprio filho?
Certamente, em obediência a preceitos religiosos, o indivíduo, infelizmente, deixará de receber o alívio imediato. Na dimensão espiritual será recebido, não com glória (como pensam os fundamentalistas de todas as religiões), mas com grande pesar.
Sendo o Espiritismo, o Consolador prometido por Jesus, certamente as respostas serão obtidas. O Mestre ressaltou que não deixaria a humanidade órfã, porquanto i (João 14:26). Afinal, estamos no limiar de uma nova era, na qual os enigmas serão decifrados e as barreiras do desconhecido sofrerão um intenso processo de desmoronamento.
 Aos espíritos, reencarnados com o “talento” da pesquisa, lhes são dadas a permissão e a responsabilidade do conhecimento e do avanço científico, em nosso orbe, e os religiosos têm a obrigação de acompanhar o desenvolvimento da ciência, interferindo, quando necessário, através de colaboração com a Bioética. Certamente, o evolver amplo do crescimento científico, sendo inevitável, acompanhado do desenvolvimento moral, assentará, em nosso planeta, a mudança vibratória de mundo de provas e expiação para o de regeneração.
 O cientista está incumbido pela Divindade de expandir o conhecimento científico terreno, enquanto o religioso deve ter precaução e discernimento na perquirição dos assuntos da ciência, que não são da sua alçada, não se furtando, porém, a participar dos debates, quando alicerçado no conhecimento científico e, assim mesmo, através da Bioética. No nosso modo de entendimento, o Espiritismo é a religiosidade do amor universal e da fé raciocinada, amalgamada com o espírito científico.
 No episódio da clonagem da ovelha Dolly, foram utilizados 277 embriões e apenas um vingou. A presença do princípio inteligente deu vida a um dos embriões, os outros, apesar de ser utilizado o mesmo procedimento técnico, não chegaram a termo, exatamente porque não possuíam o princípio transcendental gerador da vida em total plenitude.
As pesquisas recentes com clonagem reprodutiva de animais estão revelando resultado positivo em apenas 1% dos casos; portanto, 99% dos embriões resultantes de animais clonados, utilizando o raciocínio e a lógica, são desprovidos de princípio espiritual, enquanto a taxa de sucesso na fertilização assistida, com aperfeiçoamento das técnicas, está em torno de 20% a 30%.
Importantes esses dados, porquanto sabemos pela questão 344 de OLE que a união da alma ao corpo se realiza na concepção. Logo, pelo menos 70% a 80% dos embriões de laboratório, descartados, que são utilizados nas pesquisas de células-tronco, são despojados de espíritos, totalmente de acordo com a codificação espírita, a qual, com muita felicidade, afirma que pode haver formação de corpos que jamais tiveram um espírito destinado, desenvolvendo-se, apenas, segundo as leis biológicas, porém não sobrevivem (natimortos) (Questão 356 de OLE).
Se imaginarmos um estudo imaginário de emprego de células-tronco em ovelhas, 276 embriões poderiam ser aproveitados, sem qualquer sacrifício do princípio inteligente. O mesmo pode acontecer na espécie humana, sabendo que pode haver formação de embrião sem que haja o espírito organizador da forma ali presente. Portanto, as células-tronco podem provir de um embrião desprovido de espírito.
Teoricamente, a obtenção de células-tronco embrionárias, através da clonagem terapêutica, contendo o princípio transcendental, baseando-nos nas pesquisas realizadas com a ovelha Dolly e com outros animais, é de 1%. Dos embriões resultantes da fertilização assistida, em tese, somente 20 a 30% contêm espírito. E agora, como raciocinaremos, diante do fato da obtenção das células-tronco ser conseguida às custas do sacrifício da entidade extrafísica?
Primeiramente, a certeza de que o acaso não pode presidir os fenômenos vitais, já que o Universo é regido por leis sábias e precisas. Efeitos inteligentes não podem ter como causa fatores casuais. Segundo Kardec, “um acaso inteligente já não seria acaso” (“OLE”, Q. 8). Portanto, está tudo sob controle superior, existindo uma Soberana Justiça, regendo toda a vida, proporcionando cada indivíduo passar pelas experiências necessárias ao seu progresso evolutivo, visando uma harmonia futura, dentro do contexto evolutivo, no qual toda a criação divina está mergulhada.
A Questão 345 de “OLE” é valiosíssima para o assunto em tela, já que a união do espírito com o corpo,desde o momento da concepção, não é definitiva, podendo o ser extrafísico renunciar a habitar o corpo que lhe está destinado. Portanto, os laços fluídicos, que o prendem ao embrião, facilmente podem ser rompidos. Se o espírito está ligado a um embrião, fecundado em laboratório, e não utilizado, não desejando participar, por algum motivo, da doação de suas células-tronco, mediante o seu livre-arbítrio, pode libertar-se, rompendo os frágeis laços, deixando seu corpo embrionário, aproveitado para o trabalho terapêutico. Nesse caso, não haveria presença de espírito, no momento da retirada das células-tronco.
Em outra possibilidade, estaremos diante, certamente, de encarnações grandiosas, compulsórias, de seres que negaram a vida no passado e agora doam seu precioso arcabouço físico, justamente suas células-tronco. Sendo espíritos, por exemplo, sem comando e psiquicamente desagregados, essas encarnações, perfumadas pelas flores da fraternidade legítima, dando ou doando de si próprios, serão muito necessárias aos seus espíritos, desejosos de paz e ansiando pela redenção espiritual.
Estamos, em tese, nos referindo aos ovóides, seres espirituais que sofrem um processo de auto-aniquilamento, isto é, ostentando pensamentos transitórios de desintegração psíquica dentro de si mesmos, vivenciando intenso remorso.
Acreditamos que muitos homicidas e suicidas se encontram nessa faixa de sofrimento, assumido suas estruturas perispirituais a forma esférica, porém sem perda de sua integridade. Assim como diz o benefeitor espiritual André Luiz no livro “Libertação”: “Há apenas perda da forma e não do veículo”.
É claro que “Deus é Amor” e utiliza-se de tudo, aproveitando esses irmãos para reencarnarem, sim, e nessas condições. Muitas vezes, a regressão psíquica é de tal monta, apresentando o perispírito tão retraído, que, após a concepção, quase nada conseguem arquitetar. Porém, apresentam-se aptos, para doar as células da camada interna do blastocisto, exatamente as cobiçadas células-tronco. De qualquer forma, está havendo uma melhora psíquica, porque já estão recebendo as bênçãos de agradecimento da vida por movimentarem forças vibratórias intensamente amorosas.
Não é difícil imaginarmos o que é o sofrimento espiritual, vivenciado num tempo que parece não ter fim, já distanciado do mundo físico, sem ter a carne para servir de “mata-borrão”. Esses espíritos padecem intensamente. A Misericórdia Divina propícia esse processo de depuração espiritual, reencarnando os ovóides compulsoriamente em corpos sem condições de desenvolvimento normal, porém servindo para que a fraternidade legítima seja praticada nessas condições.
Certamente foram seres que, em diversas encarnações, utilizaram suas vidas contra a vida e, agora, estão utilizando suas vidas para a vida, doando, sob as bênçãos do Alto, suas tão ardentemente desejadas linhagens de células-tronco.
No futuro, esperando que esteja bem próximo, acreditamos que os espíritas estarão em uma posição bem confortável, em relação às células-tronco embrionárias. Não nos negaremos a uma possível cura e, ao mesmo tempo, mesmo sabendo da pequena possibilidade de ter estado algum espírito ali presente, oraremos ao Pai para que abençoe e guarde, se lá estava, o irmão espiritual, ovóide ou quem quer que seja, que proporcionou a possibilidade do resgate de faltas pretéritas, sendo veículo do expurgo da aflição e do sofrimento, acarretando a extinção da expiação.
“Deus é AMOR” (1- João 4:8).

O autor é médico, presidente da AME-RIO e Vice-Presidente da ADE-RJ; é também escritor espírita com nove livros publicados


Células tronco e espiritismo - Slides Antônio Santos


http://pt.slideshare.net/AntonioSSantos/64-clulas-tronco-e-a-doutrina-esprita

Visão espírita sobre o emprego de células-tronco

Marlene Rossi Severino Nobre, presidente da Associação Médico-Espírita do Brasil, analisa a polêmica sobre o emprego de células-tronco e oferece esclarecimentos espíritas:

Reformador: Como avalia as pesquisas com células-tronco? 
Marlene: Depende de que tipo de células-tronco estamos falando. Primeiramente é preciso lembrar que as células-tronco são indiferenciadas, quer dizer, em princípio, são capazes de gerar qualquer outra célula. Há dois tipos: a célula-tronco embrionária (CTE), retirada de embriões no início do seu desenvolvimento; e a célula-tronco adulta (CTA), obtida do cordão umbilical, da medula óssea ou de outros tecidos do corpo. As CTEs estão presentes no embrião do 5º ao 15º dia de vida. Para serem empregadas em pesquisa, há necessidade, portanto, de se destruir o embrião. A proposta que está sendo discutida, aqui no Brasil, é a da utilização em pesquisa dos embriões excedentes nas clínicas de reprodução assistida. A Associação MédicoEspírita é contra a liberação dessas pesquisas com CTE, uma vez que, até o momento, não se pode ter certeza, se existe ou não Espírito ligado ao embrião. E isto porque a questão 344 de O Livro dos Espíritos afirma, com clareza, que a ligação do Espírito com a matéria se dá na concepção, isto é, no momento em que o gameta masculino se une ao feminino. Kardec afirma em A Gênese (cap. XI) que a ligação do Espírito com o embrião se dá de forma irresistível. Somos a favor das pesquisas, mas com células-tronco adultas, as que já existem nos tecidos do corpo, porque a aplicação delas evita a destruição de embriões, não causa rejeição, e são as únicas que têm demonstrado eficácia terapêutica, até o momento. O Brasil é um dos pioneiros no emprego das CTAs. Destacam-se os trabalhos já publicados pelo Dr. Hans Dohmman e o biólogo Radovan Borojevic, do Hospital Pró-Cardíaco, no Rio de Janeiro, e o Dr. Ricardo Ribeiro dos Santos, na Bahia, tratando de casos graves de insuficiência cardíaca com bons resultados.
 
Reformador: Mas, afinal, e a polêmica sobre a utilização dos embriões congelados em pesquisa se, conforme se tem propalado, o destino final deles seria o lixo? 
Marlene: Não, o destino final deles não pode e não deve ser o lixo. O descarte é crime. Admitir isso seria “coisificar” o embrião. Desprezar a vida que existe nele. Para evitar que isto aconteça, a ANVISA exige o cadastro dos embriões não implantados. O que se deve fazer é uma melhor regulamentação na produção e no uso dos embriões, a fim de evitarem-se os excedentes. Além disso, hoje já há a possibilidade de se congelar óvulos, o que vai diminuir em muito a produção de excedentes. As clínicas de reprodução assistidas deverão ser fiscalizadas para se coibir a venda de óvulos ou a produção de embriões para a venda. 
 
Reformador: Alguns pesquisadores afirmam que, após três anos de congelamento, os embriões ficam inviáveis. Isso é verdade?
Marlene: Não, isso, em alguns casos, não é verdade. Basta ver casos concretos, como o que ocorreu com o menino do interior paulista, Vinícius Dorte, de 6 meses. Antes que ele fosse parar no útero da mãe, passou oito anos congelado num tanque de nitrogênio líquido (Folha de São Paulo, 9/3/2008). O mesmo 7 aconteceu com a menina Laina Beasley, norte-americana, nascida em 2005, e congelada por 13 anos. E há outros casos mais. É claro que o Espírito não está congelado, sua ligação com o embrião é tão-somente magnética. E se esses embriões tivessem sido enviados à pesquisa? Não se teria configurado o aborto? Como responderia, por exemplo, o pesquisador espírita, perante o plano espiritual, se impedisse a reencarnação desses Espíritos? Como dissemos, o embrião congelado pode ter e pode não ter Espírito ligado. Cabe a nós desenvolver e efetuar mais pesquisas.
 
Reformador: As células-tronco embrionárias são as únicas que têm possibilidade de dar origem a todo e qualquer tipo de célula do nosso corpo?
Marlene: Teoricamente, sim. Hoje, no entanto, já se sabe que a versatilidade da célula-tronco adulta é enorme. Na verdade, a Medicina só tem obtido bons resultados com o emprego delas. Inclusive, conseguiu-se ir além, produzir as próprias CTEs a partir de células adultas. Duas equipes conseguiram esse feito a partir de fibro-blastos (células dos músculos). Uma delas, da Universidade de Wiscosin-Madison, dos Estados Unidos, conduzida por James Thomson; a outra, da Universidade de Kyoto, no Japão, chefiada por Shynia Yamanaka. Além disso, é preciso não esquecer que as CTEs são muito instáveis, difíceis de ser cultivadas em laboratório. Quando implantadas em animais de experimentação, têm dado um alto índice de rejeição e de câncer. Uma pessoa que viesse a ser tratada com células-tronco embrionárias teria de tomar imunodepressores pelo resto da vida para evitar rejeição. Com o uso da CTA, isso não ocorre por ser retirada do próprio paciente.
 
Reformador: E a esperança que tem sido dada a tantos doentes? Afinal, não foram eles que influíram na votação dos deputados, pensando numa cura futura?  
Marlene: Tão cedo não se obterá resultado algum. Segundo Robert Winston, um dos principais especialistas em Bioética, do Reino Unido, em recente entrevista ao jornal inglês The Guardian, a população desconhece as dificuldades que estão por trás das pesquisas com a CTE. Ele também lamentou o fato de os defensores dessas pesquisas gerarem falsas esperanças e exagerarem na campanha utilizada para a sua aprovação.
 
Reformador: Qual a questão bioética que mais choca no caso das pesquisas com CTEs?
Marlene: A destruição de embriões humanos para pesquisas. Em uma terapia com CTE é preciso sacrificar cerca de 300 a 400 mil embriões. Além disso, o cultivo in vitro das CTEs necessita da presença de finíssimas camadas de tecidos retiradas dos fetos vivos de qualquer estágio, chamadas Feeder layers e que são “produzidas” no Exterior e vendidas no mercado. Tudo isto implica dilemas éticos graves.
 
Reformador: Se houver a liberação do emprego de células-tronco embrionárias para pesquisa e tratamento, qual será o papel dos espíritas e do Movimento Espírita?
Marlene: Só nos resta acatar a decisão do Supremo Tribunal Federal. O fato, porém, de ser legal não torna o procedimento moralmente aceito. Cada pesquisador deverá agir de acordo com a sua própria consciência. Cremos, no entanto, que a liberação dessas pesquisas vai expor os pontos frágeis das células que não estão sob o comando do modelo organizador biológico. Tudo indica que a célula-tronco embrionária é selvagem, indócil, porque não tem perispírito acoplado. Assim, embora antiético, quem sabe, esse procedimento, ao se tornar legal, permita chegar à conclusão de que existe algo extrafísico no material genético? Tudo é possível.” (Reformador, maio de 2008).

Células Tronco e o Espiritismo

Células Tronco e o Espiritismo

Plínio Mariano do Nascimento

A FECUNDAÇÃO

Uma criança é formada a partir da união de uma célula reprodutora da mãe (o óvulo) e uma célula reprodutora do pai (o espermatozóide). Quando um espermatozóide se une ao óvulo, forma-se a célula inicial de um novo ser. Esta célula é denominada ovo (ou zigoto) e se divide muitas vezes, originando outras células que, por fim, formam o embrião, e de seu desenvolvimento resulta o feto.
As células reprodutoras são formadas em órgãos especiais: os ovários, na mulher, e os testículos, no homem. Estas células reprodutoras, ao contrário das demais células do organismo, têm 23 cromossomas diferentes (um de cada par). Após a união do óvulo com o espermatozóide, a célula formada terá os 46 cromossomas da espécie humana.

Os cromossomas são longas seqüências de DNA (da sigla em inglês para o ácido desoxiribonucleico) que contém os genes. Estes últimos são os responsáveis pela transmissão das características físicas do indivíduo formado.

O óvulo (a célula reprodutora feminina) ao ser penetrado pelo espermatozóide (a célula reprodutora masculina) gera a célula denominada ovo e o processo é denominado fecundação ou fertilização. Na atualidade, a fecundação pode ser produzida em laboratório e a célula-ovo obtida pode ser implantada em um útero, com a finalidade de desenvolver a gravidez ou pode, simplesmente, ser congelada para uma eventual gravidez futura. Essas células -ovo ou os blastócitos gerados e congelados que os pesquisadores desejam utilizar, constituem as “sobras” que os casais em busca do auxílio da fertilização assistida, deixam nos laboratórios. Esses blastócitos, via de regra, não são utilizados e são destinados ao descarte.

O ovo constitui a primeira célula-tronco, ou seja, uma célula com capacidade de formar qualquer célula existente no ser completamente formado. Essa célula-tronco inicial se divide em duas, que se dividem em quatro, que se dividem em oito e assim sucessivamente até formar um conjunto de células que constitui o blastocisto. As células dos blastocistos são as células-tronco embrionárias, que tem motivado tanta discussão ultimamente, á luz da ética e dogmas religiosos.

CONSIDERAÇÕES DOUTRINÁRIAS

Não há referências ao uso experimental ou terapêutico das célulastronco nos textos e nas comunicações que se referem à Doutrina Espírita.

Desse modo, o exame do tema pelos seus adeptos, à luz dos ensinamentos doutrinários espíritas, apenas pode ser feito por analogias ou inferências. Essas, entretanto, são passíveis das interpretações imperfeitas a que estamos sujeitos, devido ao estágio de desenvolvimento em que nos encontramos. Nas obras que constituem os alicerces da Doutrina Espírita,  O Livro dos Espíritos trata da vida, da reencarnação e das suas relações com a fecundação natural.

Examinando as questões 344, 358 e 880 de O Livro dos Espíritos, vemos que Kardec recebeu claros conceitos sobre a vida humana e suas origens:

Pergunta 344 (LE) - Em que momento a alma se une ao corpo?

R. “A união começa na concepção, mas só é completada por ocasião do nascimento. Desde o instante da concepção, o Espírito designado para habitar certo corpo a este se liga por um laço fluídico, que cada vez mais se vai apertando até o instante em que a criança vê a luz. O grito que o recém nascido solta anuncia que ela se conta no mundo dos vivos e servos de Deus”.

Pergunta 358 (LE) – Constitui crime a provocação do aborto, em qualquer período da gestação?

R. “Há crime sempre que transgredis a lei de Deus. A mãe, ou quem quer que seja, cometerá crime sempre que tirar a vida a uma criança antes do seu nascimento, por isso que impede uma alma de passar pelas provas a que serviria de instrumento o corpo que se estava formando”.

Pergunta 880 (LE) – Qual o primeiro de todos os direitos naturais do homem?

R. “O de viver. Por isso é que ninguém tem o direito de atentar contra a vida de seu semelhante, nem de fazer o que quer que possa comprometer-lhe a existência corporal”.

Ainda segundo a doutrina espírita, a paternidade e a maternidade são sempre decorrentes de vínculos pretéritos; o triângulo constituído por pai, mãe e filho resulta de uma continuidade necessária para todos os envolvidos na nova constelação familiar, onde, também, irmãos e parentes próximos são normalmente ligações de encarnações anteriores. A reencarnação é presidida por Espíritos Superiores que auxiliam o Espírito reencarnante nas escolhas dos pais e das eventuais provas a que deverá submeter-se ou das eventuais expiações que deverá sofrer.

A fecundação artificial, produzida pela fusão de um óvulo e um espermatozóide no ambiente de laboratório, com a finalidade imediata de congelamento e preservação, representa uma tecnologia nova, inexistente à época de Kardec. Esse fato permite supor que as perguntas formuladas em  “O Livro dos Espíritos” referem-se especificamente à fecundação natural, única possível à época em que a Doutrina Espírita foi codificada.

Sabedores da intenção de imediato congelamento e preservação por tempo indeterminado da célula-ovo, é possível supor que os Espíritos Superiores não tenham contribuído para a programação reencarnatória em um blastocisto não destinado ao implante em um útero materno. Entretanto, esse argumento tem apenas um caráter especulativo.

Outros argumentos devem ser lembrados nessa discussão, como o desígnio de Deus, de que seus filhos permaneçam sadios e progridam em sua caminhada de aperfeiçoamento moral e espiritual, até alcançar o amor pleno e absoluto. Além disso, como os Espíritos Superiores nos tem asseverado, o conhecimento científico só é revelado ao Homem quando este se encontra em condições de compreendê-lo e utilizá-lo corretamente, em benefício da humanidade.

A convergência e a fusão entre a ciência e a doutrina espírita são inevitáveis e o processo teve início há bastante tempo. Entretanto, nas últimas décadas, tem acelerado seu ritmo inexorável. Não é improvável que o uso terapêutico das células tronco seja um dos pontos dessa convergência. As células (óvulo e espermatozóide) utilizadas para a fecundação artificial são produtos de doação e, sem dúvida, representam incomparáveis e sublimes gestos de amor ao próximo.

A ciência e a sociedade humana se defrontam com a necessidade de estabelecer se a fecundação ocorrida em um laboratório pela fusão de células reprodutoras doadas (óvulos e espermatozóides) para o congelamento da célula-ovo resultante, sob nossa ótica, representa o início de uma nova vida ou representa uma esperança de cura para doenças incapacitantes ou fatais.

Avaliado sob esse aspecto, talvez seja lícito considerar que o uso terapêutico das células-tronco destinadas ao descarte, após anos de criopreservação, pode ser analisado de um modo distinto e particular, não encontrando similitude em nenhuma forma de aborto.

Como tem ocorrido com os mais importantes progressos da ciência, Espíritos Superiores, através de médiuns de elevada reputação, oportunamente farão divulgar seus comentários que deverão ser entendidos como acréscimos doutrinários capazes de dirimir as dúvidas ainda existentes. Joanna de Angelis, em sua magistral obra “Dias Gloriosos” nos ensina: - Não obstante as incomparáveis realizações da ciência e da tecnologia, continuam desafiadores inumeráveis outros quesitos que aguardam solução nos laboratórios. ... Em outro trecho, Joanna refere: - “Lentamente, mesmo sem dar-se conta, os cientistas se tornam sacerdotes do Espírito e avançam corajosamente ao encontro de Deus e das Suas Leis, que vigem em toda parte.”

Esperamos que em um futuro não muito distante tenhamos soluções definitivas, capazes de atender a todos os interesses envolvidos, especialmente daqueles que, em suas cadeiras de rodas, anseiam por uma injeção de células capazes de devolver lhes os movimentos e a vida normal a que podem ter direito.

Somos favoráveis ao emprego das células-tronco adultas (removidas dos próprios pacientes) por não constituírem qualquer ofensa à moralidade, aos costumes, à lei ou à Doutrina Espírita. Somos também favoráveis ao uso científico das células-tronco dos blastocistos ou dos embriões criocongelados e abandonados pelos doadores, cujo destino final será o descarte e destruição. Não acreditamos que a espiritualidade superior, elevada a esse estado pelo sublime desenvolvimento do amor ao próximo, permita qualquer programação reencarnatória em um embrião destinado ao aprisionamento por anos, mediante os processos de congelamento e preservação artificiais, sem perspectivas de gerar um corpo físico.

Não se pretende criar a vida nos laboratórios. A ciência busca utilizar o conhecimento de algumas das forças criadoras de vida com o elevado intuito de amenizar o sofrimento de milhões de irmãos, cuja existência terrena é abalada pela presença de doenças graves e incuráveis. Além disso, o merecimento, apesar de todos os esforços que a ciência contemporânea possa empreender, jamais poderá ser modificado, porque faz parte da lei natural.

Fontes de Pesquisa:

Elias, Decio O. e Souza, Maria Helena L. As células-tronco e a bioética espírita
Luiz, André. Missionários da Luz, Psicografado por Francisco Cândido Xavier.
Zats, M. Clonagem e células-tronco. Estudos Avançados. 2004.
Zats, M. Biossegurança. Saiba mais sobre o assunto. Publicação do Senado Federal do Brasil, 2005.
Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Ed. Petit, Paris, 1857.
Kardec, Allan. A Gênese. Ed. Petit, Paris, 1868.
De Angelis, Joana. Dias Gloriosos. Psicografado por Divaldo Franco.
E-mail: pliniomariano@yahoo.com.br

São Paulo, 18 de junho de 2009

Células Tronco

Células Tronco

Anízio Fernandes de Moraes

O que é célula-tronco?

É um tipo de célula que pode se diferenciar e constituir diferentes tecidos no organismo. Esta é uma capacidade especial, porque as demais células geralmente só podem fazer parte de um tecido específico (por exemplo: células da pele só podem constituir a pele). Outra capacidade especial das células-tronco é a auto-replicação, ou seja, elas podem gerar cópias idênticas de si mesmo.

"A clonagem ("broto", em grego) é um método de reprodução normal para muitos seres, mas não para o resto do organismo. Por que essa diferença? As bactérias, por exemplo, que têm uma célula só, se reproduzem por meio da clonagem. Toda bactéria nasce como um clone, ou seja, as filhas são cópias genéticas perfeitas das mães, que simplesmente duplicam o seu "corpo" e depois se dividem em duas.

No resto dos organismos nenhuma célula do corpo é capaz de gerar um novo ser. A reprodução tem que ser feita por meio da fecundação, o que exige células muito especiais - o óvulo e o espermatozóide. Inexistentes nos microorganismos ou nas plantas muito primitivas, essa dupla se distingue por ter apenas um conjunto de genes, enquanto todas as outras células carregam dois conjuntos iguais. Durante a fecundação, o óvulo e o espermatozóide se unem e somam os seus genes, de modo que a célula resultante passa a ter dois conjuntos de DNA. Daí para a frente, ela se multiplica, dividindo-se sucessivamente, e se transforma num embrião.

Fábricas de órgãos – formação do embrião.

A – O embrião no início é só uma célula - o ovo, união do óvulo com o espermatozóide – que lentamente se multiplica.

B – Por volta dos quatro dias, o embrião tem cerca de 40 células formando duas esferas ocas, uma dentro da outra. A de fora vai gerar a placenta e a interna, o bebê.

C – A bola interna, nessa fase, é feita de células-tronco. Extraídas do embrião, podem ser transformadas em qualquer órgão do corpo, com a mesma identidade genética do embrião.

Diferença entre clonagem terapêutica e clonagem reprodutiva

A clonagem reprodutiva humana é a técnica pela qual pretende-se fazer a cópia de um indivíduo. Nessa técnica transfere-se o núcleo, que pode ser uma célula de um adulto ou de um embrião, para um óvulo sem núcleo. Se o óvulo com esse novo núcleo começasse a se dividir, fosse transferido para um útero humano e se desenvolvesse, ter-se-ia uma cópia da pessoa de quem foi retirado o núcleo da célula.

Diferença entre os dois procedimentos

Na transferência de núcleos para fins terapêuticos as células são multiplicadas em laboratório para formar tecidos;

Na clonagem reprodutiva humana há necessidade da inserção em um útero humano.

Utilidades das células-tronco

As células-tronco podem se transformar em qualquer parte do corpo. Doenças causadas por problemas celulares podem ser curadas por injeções de células-tronco, que passam a fazer a função de suas colegas defeituosas. Tratamentos possíveis:

Doenças neuro-degenerativas – novos neurônios;

Mal de Huntington – correção de neurônios;

Mal de Alzheimer – correção de neurônios;

Mal de Parkinson – correção de neurônios;

Paralisia – corrigem-se os danos causados à espinha dorsal;

Enfarte – recuperação dos tecidos cardíacos;

Cirrose e Hepatite – recuperação de células do fígado;

Diabetes – células novas para a produção de insulina;

Queimadura – regeneração de tecidos da pele;

Artrite – regeneração de embriões;

Osseoartrite – restaura a ligação de ossos e tendões;

Transplantes – células-tronco geram qualquer órgão.

Como podemos ver, a aplicação das células-tronco vai revolucionar a medicina e a biologia. A sua aplicação, portanto, é motivo de muitas discussões, criando questões filosóficas, religiosas e morais levantadas pela ciência e a medicina.

A prática da clonagem-terapeutica suscita grandes dúvidas que exigem, por parte dos órgãos responsáveis estudo, bom senso e ética, para que não se legalize um comportamento que contrarie os interesses humanos e, por outro lado, abra um campo enorme à exploração maldosa.

Alguns métodos de coleta de células-tronco não geram polêmicas ético-religiosas, como a coleta pelo cordão umbilical, que permanece na placenta após o nascimento do bebê, ou da medula óssea do próprio paciente. A polêmica surge quando se trata da retirada de células-tronco dos embriões, porque isso implica na destruição deles.

1. O Espiritismo é a favor ou contra as experiências com células tronco embrionárias?

A evolução material e intelectual do ser humano é uma condição necessária e imprescindível, cujo sucesso está subordinado ao seu esforço na busca de conhecimentos e experiências.

Desde o tempo das cavernas até a chegada do homem à lua imenso progresso ocorreu, sofrendo no entanto pequeno interregno na idade média, período de trevas e obscurantismo, quando a religião, conduzida por uma fé cega, cerceou a liberdade de expressão.

O progresso trouxe imenso benefícios à humanidade: na área da saúde, transportes, comércio, assistência social, tecnologia, etc.

O Espiritismo enfatiza a necessidade do progresso

Na questão da ciência, encontramos em "A Gênese", Cap. I, n.º 55 a seguinte afirmação: "Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará."

Na questão da filosofia, em "O Livro dos Espíritos", Cap. VIII, Da Lei do Progresso, item 778, encontramos o seguinte: "... O homem deve progredir sem cessar... Se ele progride é que Deus assim o quer.; ... .

Na questão n.º 8, de "O Livro dos Espíritos", encontramos a afirmação de Espíritos Superiores de que "o acaso não existe".

Diante do exposto, por uma questão de coerência com a Doutrina, não podemos repudiar o avanço da ciência. Por outro lado, em respeito aos princípios morais, não podemos admitir violações às Leis Divinas. Cabe-nos, portanto, analisar cada caso, tendo como parâmetro as Leis de Deus.

Células-tronco embrionárias

O Espiritismo concorda, em parte, com a utilização de células-tronco embrionárias, tendo em vista o seguinte:

Não concorda: (só a Deus compete tirar a vida) porque após a retirada das células o embrião será sacrificado, configurando-se o aborto. Por outro lado, para obter, estudar e utilizar as células-tronco, é preciso tirá-las de embriões muito jovens; de preferência logo após quatro dias de idade, quando o futuro bebê ainda é apenas uma esfera invisível a olho nu, formada por algo entre 50 e 300 células.

Concorda: Há situações em que o embrião não vingará, ou seja, por variadas razões o espírito não reencarnará naquele corpo ou não se manterá nele, conforme orientação constante de "O Livro dos Espíritos", questão 355: "Há crianças que desde o ventre da mãe não têm possibilidade de viver... .e, questão 356: "crianças natimortas".

Concorda com a utilização da célula-tronco da própria pessoa ( auto emprego ) cuja rejeição é zero. Seriam células- tronco da medula óssea ou do cordão umbilical.

Pesquisas feitas nos EUA mostram que religiosos e oponentes do aborto concordam com que as pesquisas continuem, porque alegam que há uma diferença muito grande entre a clonagem reprodutiva, realizada com o objetivo de gerar uma criança, e a clonagem terapêutica, empregada na produção de células-tronco.

Para o Espiritismo, a preocupação reside no produto final do processo, ou seja, o embrião, que poderá gerar um novo ser.

2. No momento da fecundação, há um espírito que se liga ao embrião, mesmo tendo consciência de que este embrião será destruído?

Quando o Espírito tem de reencarnar num corpo humano em vias de formação, um laço fluídico, que é a expansão de seu perispírito, o liga ao germe que o atrai por uma força irresistível (magnetismo) desde o momento da concepção. (ver "A Gênese", cap. XI, item 18).

No "O Livro dos Espíritos", Questão 344, encontramos a seguinte afirmação: "A união começa na concepção, mas não se completa senão no momento do nascimento. Desde o momento da concepção, o Espírito designado para tomar determinado corpo, a ele se liga por um laço fluídico..."

Cada espírito tem o corpo que merece. Antes da reencarnação é realizado pelos "Espíritos Construtores" um estudo prévio da situação cármica do reencarnante, a fim de se ajustar a uma programação referente ao organismo físico que o reencarnante receberá. ("Perispírito"; Reencarnação, pg.341; "Missionários da Luz", André Luiz, Caps. 13 e 14).

Em "O Livro dos Espíritos", questão 348, Allan Kardec nos ensina que o Espírito reencarnante tem conhecimento, às vezes, do destino de seu corpo físico.

3. No caso de o espírito se ligar a este embrião, esta "fecundação" (*) feita em tubos difere de um útero para o espírito?

Ocorrendo a fusão (núcleo da célula mais óvulo) com sucesso, começa a se formar um embrião, cujo desenvolvimento será formalizado pelo perispírito reencarnante (ver questão n.º 344, de "O Livro dos Espíritos). Neste momento o embrião seria implantado em um útero de uma pessoa, o que nos permite afirmar que o Espírito não sentiria qualquer diferença

Vejamos a seqüência abaixo:

Da pessoa a ser copiada, retira-se uma célula comum, cujo núcleo é extraído;

O núcleo da célula é enxertado em um óvulo de outra pessoa;

Para unir o óvulo ao núcleo inserido, é usada uma descarga elétrica. Com essa fusão começa a se formar um embrião; (a partir deste momento seriam utilizadas as células-tronco).

O embrião é implantado no útero de uma outra pessoa.

Nascerá um indivíduo geneticamente igual à pessoa da qual foi extraído o núcleo.

Devemos ter em vista, também, que há casos em que ocorre a fecundação mas não há um espírito destinado àquele corpo, cujo feto será um natimorto (L.E., questão 356). Poderá ocorrer, também, que o espírito reencarnante, que inicia o processo de ligação perispiritual ao corpo físico, não tem ainda consciência da sua situação (L.E., questão 351).

(*) O termo fecundação não é apropriado para este caso, porque fecundação se refere à união de duas células sexuais (espermatozóide mais óvulo).

Fontes de consulta:

Clone, Gina Kolata, Ed. Campus, 1998, RJ.;
"A Gênese", Allan Kardec, Cap. XI, item 18;
"O Livro dos Espíritos", Allan Kardec, Lv. II, Cap. VII, item II;
sites: www.espirito.com.br; www.cade.com.br;
 www.cryopraxis.com.br/celulas.htm.
Artigos de revistas e jornais.
Organizador: Anízio F. Moraes – "Centro Espírita Ismael"