Estudando o Espiritismo

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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

SABER AMAR • J. Herculano Pires (Irmão Saulo)

SABER AMAR  •  J. Herculano Pires (Irmão Saulo)


Às vésperas do Natal, a poetisa Maria Dolores nos lembra o mandamento do amor. Se o houvéssemos obedecido, a Terra seria hoje um mundo tranquilo e feliz. Como não fomos capazes de segui-lo, vemo-nos envolvidos em lutas inglórias e submetidos a terríveis ameaças. Quando Jesus advertiu os discípulos contra o fermento dos fariseus, eles entenderam que o Mestre lhes falava de pão. Dois milênios depois fazemos o mesmo. O fermento do orgulho e da vaidade nos leva a desfigurar os seus ensinos e rejeitar as suas palavras. Somos alunos repetentes de muitos séculos!
O item 5 do capítulo VI de O evangelho segundo o espiritismo, citado por Chico Xavier, constitui-se de uma mensagem do Espírito da Verdade, que há mais de um século repetiu-nos, como porta-voz de Cristo, o seu ensino esquecido: “Espíritas, amai-vos, eis o primeiro ensinamento; instrui-vos, eis o segundo”. A mensagem é dirigida aos espíritas, na era da razão, porque eles devem estar em condições de compreendê-la.

Não basta amar, é preciso saber amar. Jesus não nos trouxe apenas o amor, mas também a verdade. Ensinou-nos a raciocinar, a buscar o sentido da vida, a não nos perdermos de novo nas trevas da vaidade farisaica. Por isso o Espírito da Verdade acentua: "Instrui-vos".

O espiritismo é a Renascença cristã, segundo a bela definição de Emmanuel. Inicia na Terra uma fase nova da Ilustração, de Iluminismo, desalojando a nossa mente do fanatismo sectário. No Renascimento tivemos a iluminação das ciências. No espiritismo temos a iluminação da verdade, sob as luzes conjugadas da ciência, da filosofia e da religião.

Não temos o direito de nos perdermos de novo em jogos de palavras, como fizeram os sofistas gregos, os rabinos judeus, os clérigos medievais. Não temos o direito de corrigir os textos de Jesus e Kardec segundo a medida estreita de nossa miopia mental. Precisamos instruir-nos, arejar-nos, libertar-nos dos preconceitos para não confundirmos o fermento do passado com o pão de cada dia que o padeiro nos entrega.

A prece de Maria Dolores é um convite de Natal à compreensão profunda das lições do Mestre, à rejeição “das bagatelas entre as quais nos perdemos”, como crianças que brincam com os seixos da praia sem compreender a extensão e a profundidade do mar.

Abençoada lição que nos dá a grande poetisa do além: deixemos de lado os bilros das palavras e cuidemos do sentido real dos ensinos de Jesus, pondo-nos em prática na realidade da vida. Neste Natal, o Mestre nos olha compassivo, perguntando a si mesmo até quando continuaremos apegados à ilusão dos sofismas, tentando corrigir os seus ensinos.

SABEDORIA DO EVANGELHO - FERMENTO DOS FARISEUS

SABEDORIA DO EVANGELHO - FERMENTO DOS FARISEUS


Olá,


Mat. 16:5-12 5. " Indo seus discípulos para o outro lado, esqueceram- se de levar pão. 6. Disse-lhes Jesus: "Olhai: guardai-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus". 7. Eles, porém, dialogavam entre si dizendo: "É porque não trouxemos pão". 8. Percebendo-o Jesus, prosseguiu: "Por que estais discorrendo entre vós, homens de pequena fé, por não terdes pão? 9. Não compreendeis ainda, nem vos lembrais dos cinco pães para cinco mil homens e quantos cestos apanhastes? 10. Nem dos sete pães para quatro mil, e quantas cestas recolhestes?



11. Como não compreendeis que não vos falei a respeito de pão, mas: Guardai-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus"? 12. Então entenderam que lhes não dissera que se guardassem do fermento do pão, mas do ensinamento dos fariseus e dos saduceus. "


Marc. 8: 14-21 14. " E esqueceram-se os discípulos de levar pão; e não tinham consigo no barco senão um só pão. 15. E preceituava-lhes, dizendo: "Olhai: guardai- vos do fermento dos fariseus e do fermento de Herodes". 16. Eles racionavam entre si, dizendo: "É porque não temos pão". 17. Percebendo-o Jesus, lhes perguntou: "Por que discorreis por não terdes pão? Não compreendeis ainda, nem entendeis? Tendes vosso coração endurecido? 18. Tendo olhos, não vedes? e tendo ouvidos, não ouvis? e não vos lembrais de 19. quando parti os cinco pães para cinco mil, quantos cestos cheios de pedaços apanhastes"? Disseram-lhe: "Doze". 20. "E quando parti os sete para quatro mil, quantas cestas cheias de fragmentos recolhestes"? Disseram: "Sete". 21. E disse-lhes: "Ainda não entendeis"?


O episódio que se desenrola, todo natural e cheio de vivacidade, é um instantâneo da vida, com seus esquecimentos inevitáveis e suas confusões. Ao embarcar, os discípulos esqueceram de prevenir-se com provisões de boca.


Lembra-se Marcos de que tinham apenas um pão, pois Pedro lhe frisara bem esse ponto. E isso talvez preocupasse os discípulos desde o início da travessia. Ora. de seu travesseiro de couro, à popa, o Mestre ergue a voz máscula, embora repassada de doçura, para dar-lhes um aviso, precedido de uma interjeição:


 "Olhai! Cuidado com o fermento dos fariseus e saduceus" (em Marcos: "dos fariseus e de Herodes").


Diante disso, eles extravasam a angústia represada:


 "Pronto! é porque esquecemos os pães"! ... E quem sabe principia urna discussão entre eles, buscando qual o "culpado" ...


Mas Jesus interrompe-os com entonação de tristeza e desilusão na voz. Mais uma vez fora mal interpretado: seu ensino era espiritual, não material. Que importava o pão físico? Então já haviam esquecido as duas multiplicações?


E aqui vem a comprovação da realidade de ambas, citadas separadamente, com os pormenores salientados, numa vivacidade natural: quantos cestos apanhastes quando cinco mil foram saciados com cinco pães? E quantas cestas, quando quatro mil o tornam com sete?


 A expressão "ter olhos e não ver" ... é bíblica (cfr Jer. 5:21; Ex. 12:2; Salmo 115:5 e 135:16), salientando a decepção causada ao Mestre pelos próprios discípulos, que com Ele conviviam há bastante tempo, e que não percebiam ainda o sentido oculto. Era uma desilusão forte, após a outra sofrida na aula dada na sinagoga de Cafarnaum (João, 6:66; vol. 3.º).


 Parece então que foi percebido, como anota Mateus: o fermento, elemento corruptor (tanto que era proibido colocá-lo no pão utilizado na Páscoa e no das oblatas, Lev. 2:11) era a hipocrisia (Luc. 12:2) e outros graves defeitos citados em vários pontos do Evangelho, mas sobretudo em Mat. 23: 1-7.


A lição da individualidade chega-nos com frequência à personalidade física. Mas esta, envolvida pela materialidade que a circunda, não entende os sussurros silenciosos de advertência que lhe são feitos, e quase sempre os interpreta viciosamente, atribuindo aos avisos espirituais sentido material. Por vezes, mesmo, há amigos desencarnados que se encarregam de advertir-nos. No entanto, queixamonos de que "não são claros nem objetivos", porque não os ouvimos com os ouvidos espirituais, mas apenas com os materiais ... eles querem facilitar-nos a compreensão, mas temos os olhos da mente vedados!


As palavras do Espírito só podem tratar de aspectos espirituais. Todavia, o aviso é oportuno: cuidado com os fariseus (os hipócritas intelectuais), com os saduceus (os materialistas agnósticos) e os herodianos (os que se prendem aos gozos dos sentidos), porque eles, que de todos os lados nos cercam, acabam permeando-nos com suas doutrinas e agindo como o fermento: fazendo-nos inchar toda a massa, corrompendo-a.


O sentido espiritual se deduz da letra, única que pode chegar até nós através do intelecto. E que o sentido da palavra deva ser percebido em todas as minúcias, vemo-lo num pormenor que parece insignificante: ao relembrar as duas multiplicações, o Mestre sublinha os termos utilizados em cada uma, distinguindo que, na primeira, os fragmentos foram recolhidos em cestos (kophínos) e na segunda em cestas (spurídas), recipientes maiores.


Não há confusão possível. O espiritualista está cercado de doutrinas exóticas e facilmente deixa-se penetrar por elas sem sentir. Quando abrir os olhos, verificará que saiu da renda reta despercebidamente. Cuidado! O pão sobressubstancial é simples, sem fermentos de grandezas, sem exterioridades, sem misturas: é sincero (no sentido etimológico, "sem mistura"), não hipócrita, não fariseu; é espiritual, sem materialidade nem agnosticismo, não saduceu; e não busca prazeres físicos dos sentidos, é não herodiano."

O FERMENTO DOS FARISEUS E SADUCEUS - Texto evangélico

O FERMENTO DOS FARISEUS E SADUCEUS

MATEUS 16.5-12

Introdução

O fermento é presente em todas as nossas vidas, tanto figura quanto literalmente.

Literalmente sabemos que o fermento, mesmo invisível, é presente. O padeiro quando quer fazer pão italiano faz uma massa sem fermento e deixa descansar no ar livre para ser fermentado naturalmente. O fermento no ambiente e no ar livre é suficiente para que a massa do pão italiano cresça. Assim prova que o fermento está em todo lugar.

Figurativamente sabemos que o fermento está em todo lugar pois o homem, com a sua natureza pecaminosa, junto com seu coração enganoso, está junto dele em todo lugar que ele for. Entenderemos melhor como o homem é igual ao fermento, logo logo.

O Significado da Palavra "Fermento"

A palavra “fermento” aparece treze vezes no Novo Testamento como substantivo (#2219, Strong’s) e quatro vezes como verbo (#2220, Strong’s). Outras nove vezes as palavras “pães azimos”, ou seja, pão não fermentado (#106, Strong’s) estão usadas no Novo Testamento.

A Natureza do Fermento

A natureza do fermento, tanto literal quanto figurativamente, aumenta o tamanho de algo. A aparência é feita maior, aparecendo melhor e mais valioso. Todavia, o aumento que o fermento faz em algo não é um aumento de substância. A massa não está acrescentada. Se pesássemos a massa do pão antes de ser fermentada e anotássemos o peso, e, depois de ser fermentada, a massa fosse pesada novamente, creio eu, o peso do pão fermentado seria muito semelhante ao peso da massa antes de adicionar o fermento. O fermento faz que a massa enche-se mas não com substância. O efeito do fermento no pão é bom para o pão, mas não é bom como qualidade para os Cristãos.

No nosso texto Jesus advertiu os seus discípulos de acautelai-vos do fermento dos Fariseus e dos Saduceus. Os discípulos não perceberam a razão da advertência. Vamos entender um pouco mais sobre o fermento no uso Bíblico para que possamos acautela-nos deste fermento.

O Fermento nas Escrituras

I Co. 5.6-8 – ‘fermento velho’ representa o tempo de estar dominado pelo pecado; viver segundo as concupiscências dos olhos, da carne, do soberba da vida.

Gl. 5.7-9 – fermento usado no contexto daquilo que impede o crescimento espiritual.

Mt 16.5-12 – nosso contexto o fermento é usado para representar a carnalidade entre os que líderes religiosos.

Ex 12.15-20 – A instituição da Páscoa quando o fermento é tirado das casas por sete dias (v. 19), / I Co. 11.17-30 – A instrução da Ceia do Senhor com admoestações de não comer indignamente, ou seja com pecado reinando na vida.

Mt. 13.33 – O Reino de Deus tem os que dizem ser ‘filhos do Reino’ mas são somente ‘filhos’ em aparência.

Acautelai-vos do Fermento dos Fariseus e Saduceus – A Sua Doutrina, Vista na Prática

Jesus estava advertindo os Seus discípulos da doutrina dos Fariseus (v. 12). Os Fariseus e os Saduceus confiaram muito em aparências. Para eles “Tanto maior que aparenta, melhor”. Pensaram: Maior o conhecimento das Leis e da Historia judaica, então maior o seu valor. Tanto mais correções eles poderiam derramar os outros, mais a aparência da sua própria retidão fosse assumida. Tanto mais publico o seu senso de devoção, mais perto parecia o seu andar perto diante de Deus. Mais branco as suas vestes, maior santidade quiseram aparentar. Maior o numero de vitórias nos debates, melhores esperavam evidenciar. Mas tudo isso Jesus quis advertir e acautelar os Seus discípulos para que não se assemelhassem a eles.

Os Fariseus e os Saduceus com toda a cerimônia gloriosa, a tradição rígida e o conhecimento detalhado, não eram proveitosos para real edificação ou para a evangelização da verdade. Se estufaram pelas suas astúcias e aparências e, nisso, deixaram de ter substância, ou seja, deixaram de ser úteis, de ser luz para os que andam em trevas.

Os Saduceus e os Fariseus, agindo com o seu maldito fermento, não tinham como ajudar os outros entrar no caminho estreito e nem poderiam ajudar-se a si mesmos a conhecer Cristo. Eram cheios de si mesmo ao ponto não enxergar a sua necessidade de um Salvador.

Tanto mais fermento, mais rejeição da Verdade. Estes que eram cheios de religião e auto justiças foram os próprios homens que em poucos meses enviaram uma grande multidão com espadas e varapaus para prender Jesus e leva-lo à casa do Sumo Sacerdote Caifas (Mt. 26.47-57).

Jesus advertiu os discípulos do fermento dos Fariseus e Saduceus com grande razão. Se os discípulos sentiam satisfeitos consigo mesmos, se os dons extraordinários fizessem eles pensar mais de se mesmos do que deviam, de ser auto-suficientes por serem escolhidos a mão por Jesus e ajuntados na primeira igreja do Senhor, e de pensar que tudo isso era por ter algo de mérito em si mesmos, eles seriam inúteis para a obra. Se eles ficassem cheios de si mesmos por terem a confissão correta que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo, ou seja, o alicerce da igreja, eles tornariam inúteis para o povo, desagradáveis a Deus e fedorentos à causa de Cristo. Com grande razão Cristo advertiu os discípulos do fermento dos Fariseus e Saduceus. Com grande razão somos advertidos pelo que lemos nas Escrituras. Confie nas Escrituras! Não creia no seu próprio coração.

Cristo é a Páscoa que foi sacrificado pelos pecadores. Uma característica dos lares dos judeus na festa da páscoa era de ser limpos de toda e qualquer fermento (Ex. 12. 15-20). Esta cerimônia representava Cristo, sem pecado, sem mancha, sem ruga, um sacrifício puro e justo no lugar do impuro e injusto (I Co. 5.7; I Pedro 3.18). Para entrar-mos em Cristo é necessário ser lavado pelo Seu sangue, ser vestido com a Sua justiça. Por isso a nossa mensagem é arrependei-vos do pecado, crendo pela fé em Cristo Jesus. Seja advertido do fermento dos fariseus e saduceus que diz: Aparências valem tudo! Você é o que você aparenta! Tal atitude leva a condenação.

O Cristão precisa ser constantemente purificado do fermento velho. Como o fermento está em todo lugar no ar, fermentando o pão naturalmente e provocando as alergias que muitos têm dele, também as influencias que estimulam a exaltação da carne está em todo lugar. O Cristão constantemente ser sondado pelo Espírito Santo usando a Palavra de Deus, e purificado pela confissão daquilo que o Espírito Santo mostra-lhe pela sondagem da Palavra, para ser aquela nova massa que Deus deseja. Não é aparência que agrada o Senhor mas a substância, a verdadeira vida nova de Cristo vivendo nas vidas, orações, e testemunhos dos Cristãos.

Convém que lembrem-se desta advertência. Não é agradável a Deus que sejam satisfeitos com as tapinhas nas costas, o favor do povo, as posições na igreja ou na sociedade religiosa. Seja acautelados dessas coisas pois isto é o fermento dos Fariseus e dos Saduceus! Tenha substância, ou seja, o próprio Cristo como Salvador! Tenha a verdadeira santificação que vem pela obediência pessoal da Palavra de Deus como alvo! Pode ser que o homem olhe ao lado exterior mas Deus vê o coração. Tanto vê quanto julga. Cuide-se!

Um pouco de fermento leveda toda a massa. Portanto tome cuidado com as coisas pequenas.

Pouca meditação de assuntos alheiros, da concupiscência, de maldade, malícia, vingança, ou ganância logo influencia as nossas ações em serem pecaminosas (Mt 15.19-20; Tg 3.13-16).

Palavras que parecem pequeninas podem separar grandes amigos - Pv 18.19, “O irmão ofendido é mais difícil de conquistar do que uma cidade forte; e as contendas são como os ferrolhos de um palácio.” Um momento de descuido nas palavras podem destruir bons costumes que levou meses e anos para construir (I Co 15.33, “Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes”). Para ser munido contra tais corrupções pelas palavras, faz que sejam poucas as palavras e os seus comentários sim, sim e não, não (Mt 5.37; Tg 1.19, “Portanto, meus amados irmãos, todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar.”; 5.12, “Mas, sobretudo, meus irmãos, não jureis, nem pelo céu, nem pela terra, nem façais qualquer outro juramento; mas que a vossa palavra seja sim, sim, e não, não; para que não caiais em condenação.”).

Um pouca de impureza numa vida somente faz que uma família seja destruída (Esaú e José são exemplos disso – Gn 27; ou Aça é exemplo de como uma pessoa pode permitir somente um pouco de desobediência na sua vida que destrua a família toda – Js 7). Por um pouco de fermento numa vida, uma igreja pode ser enfraquecida. Um pouco de abrir mão da doutrina, da prática, uma coisa mínima para agradar um irmão ou uma irmã, pode fazer que Cristo seja no lado de fora batendo a porta e aconselhando arrependimento e a volta ao primeiro amor (I Co 5.1-7).

Conclusão

Tem sido alimpado do fermento velho? Tem sido lavado pelo sangue de Jesus? Pela obra de Deus conhece o que é de ser uma massa nova? Cristo morreu para justificar os Seus, fazer dos Seus uma nova criatura, honrosa, santa, zelosa para as boas obras da obediência à Sua Palavra. Entra nessa nova vida pela regeneração, ou seja, arrependendo-se dos pecados e crendo em Cristo pela fé.

A sua religião depende de aparências? Tem sido feito uma nova massa com substância verdadeira?



Autor: Pr Calvin Gardner
Fonte: www.PalavraPrudente.com.br

Fariseus

Fariseus

"Acautelai-vos, primeiramente, do fermento dos fariseus" - Jesus. (LUCAS, 12:1.)
Fariseu ainda é todo presunçoso, dogmático, exclusivo, pretenso privilegiado das Forças Divinas.
O orgulhoso descendente dos doutores de Jerusalém ainda vive. Atravessa todas as organizações humanas. Respira em todos os templos terrestres. Acredita-se o herdeiro único da Divina Bondade. Nada aprecia senão pelo prisma do orgulho pessoal. Traça programas caprichosos e intenta torcer as próprias leis universais, submetendo-as ao ponto de vista que esposou na sua escola ou no seu argumento sectarista.
Jamais comparece, ante a bênção do Senhor, na condição de alguém que se converteu em instrumento de seus amorosos desígnios, mas como crente orgulhoso, cheio de propósitos individualistas, declarando-se detentor de considerações especiais.
Os aprendizes fiéis necessitam acautelar-se contra o lêvedo de tais enfermos do espírito.
Toda idéia opera fermentações mentais.
Certamente que o Mestre não determinou a morte dos fariseus, mas recomendou cautela em se tratando da influenciação deles.
Exigências farisaicas constituem perigosas moléstias da alma. Urge auxiliar o doente e extinguir a enfermidade. Todavia, não conseguiremos a realização, provocando tumultos, e sim usando a cautela na antiga recomendação de vigilância.
XAVIER, Francisco Cândido. Vinha de Luz. Pelo Espírito Emmanuel. 14.ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1996. Capítulo 54.

O que entender por Doutores da Lei e Fariseus

Amados Irmãos,
Por doutores da Lei, designamos todo estudioso que, pelo seu empenho assimilou mais que a maioria acerca dos ensinamentos, quaiquer sejam as religiões, doutrinas, seitas, credos etc... O Cristianismo houve por bem criar os Teólogos, que de conformidade com a lei civil pode receber o titulo de doutor, em tendo cumprido todas as etapas da disciplina curricular, mas preferem mesmo o titulo de teólogo. Todas as outras religiões elegem seus principais e lhes nomeiam conforme seus desideratos.
Somente o Espiritísmo, houve por bem não criar nenhum sistema hierárquico, contudo, nos mesmos inconscientemente elegemos em todo lugar onde reunimos alguns maiorais a quem ouvimos e atendemos mais em detrimento de outrem...
Kardec sempre asseverou e o Espírito da verdade consagrou que toda autoridade seria exercidada pela  sabedoria e conhecimento...

Mas... ainda assim... vemos doutores a mancheias no Espiritismo...

Os Fariseus, eram como um partido político em um estado que se dizia tolerante só de boca pra fora, então se reuniram pelo saber que se entreensinavam e exerceram vasta dominação (hoje chamamos de panelinha), centenas de outras organizações semelhantes com os mesmos propósitos há espalhadas, inclusive a população em geral vê com desconfiança inclusive as ordens de profissionais, que se valem de suas afiliações para receberem julgamento somente dentro de suas ordens... mas  a pergunta è Fariseu....

Na introdução do ESE há extensa lista de grupos com diferentes nomes entre os quais figuram os tais:

Fariseus (do hebreu parush, divisão, separação). - A tradição constituía parte importante da teologia dos judeus.
Consistia numa compilação das interpretações sucessivamente dadas
ao sentido das Escrituras e tomadas artigos de dogma. Constituía, entre os doutores, assunto de discussões intermináveis, as mais das vezes sobre simples questões de palavras ou de formas, no gênero das disputas teológicas e das sutilezas da escolástica da Idade Média. Daí nasceram diferentes seitas, cada uma das quais pretendia ter o monopólio da verdade,
detestando-se umas às outras, como sói acontecer.
Entre essas seitas, a mais influente era a dos fariseus, que teve por chefe Hillel (2), doutor judeu nascido na Babilônia, fundador de uma escola célebre, onde se ensinava que só se devia depositar fé nas Escrituras. Sua origem remonta a 180 ou 200 anos antes de Jesus- Cristo.
Os fariseus, em diversas épocas, foram perseguidos, especialmente sob Hircano - soberano pontífice e rei dos judeus -, Aristóbulo e Alexandre, rei da Síria.
Este último, porém, lhes deferiu honras e restituiu os bens, de sorte que eles readquiriram o antigo poderio e o conservaram até à ruína de Jerusalém, no ano 70 da era cristã, época em que se lhes apagou o nome, em  conseqüência da dispersão dos judeus.
Tomavam parte ativa nas controvérsias religiosas. Servis cumpridores das práticas exteriores do culto e das cerimônias; cheios de um zelo ardente de proselitismo, inimigos dos inovadores, afetavam grande severidade de princípios; mas, sob as aparências de meticulosa devoção, ocultavam costumes dissolutos, muito orgulho e, acima de tudo, excessiva ânsia de
dominação. Tinham a religião mais como meio de chegarem a seus fins, do que como objeto de fé sincera. Da virtude nada possuíam, além das exterioridade e da ostentação; entretanto, por umas e outras, exerciam grande influência sobre o povo, a cujos olhos passavam por santas criaturas.
Daí o serem muito poderosos em Jerusalém.
Acreditavam, ou, pelo menos, fingiam acreditar na Providência, na imortalidade da alma, na eternidade das penas e na ressurreição dos mortos. (Cap. IV, nº. 4.) Jesus, que prezava, sobretudo, a simplicidade e as qualidades da alma, que, na lei, preferia o espírito, que vivifica, a' letra, que mata, se aplicou, durante toda a sua missão, a lhes desmascarar a hipocrisia, pelo que tinha neles encarniçados inimigos. Essa a razão por que se ligaram aos príncipes dos sacerdotes para amotinar contra ele o povo e eliminá-lo.

____________
(2) Não confundir esse Hillel que fundou a seita dos fariseus com o seu homônimo que viveu duzentos
anos mais tarde e estabeleceu os princípios religiosos e sociais de um sistema todo de tolerância e amor,
sistema hoje conhecido por Hilelismo. - A Editora da FEB, 1947.

Reflitamos:
Toda essa reflexão, não desdoura o livre direito associativo dos humanos, mercê dos erros que cometem havemos pois de nunca criar empeços a um direito inalienável de um ser humano se unir a outros em defesa de seus ideais...
Saúde e Paz!

filhodobino

Modernos fariseus

Modernos fariseus

“Aproveitai as oportunidades de aprendizado que o Pai Celestial colocou em vossas mãos para seguirdes com segurança em direção à verdadeira vida. A perfeição é vosso destino e nada poderá vos afastar desse "desideratum", mesmo que permaneçais por muito tempo nas malhas da ignorância, trilhando os caminhos do erro.

Direis que é muito difícil conseguir a perfeição neste mundo de desigualdades, onde os apelos do materialismo ainda vos enche os olhos e vos embota os sentidos da alma. Diremos que de muito longe já viestes e de lá, do mundo de costumes bárbaros e atitudes animalescas, retirastes ensinamentos que nem de longe poderíeis supor que um dia serviriam.

Tudo se encontra em vosso patrimônio espiritual e se acumula de forma a que não lembreis de quase nada, mesmo quando ficardes de posse de vossa potencialidade e liberdade espiritual. Funciona como se fosse em camadas, onde as experiências mais novas vão sobrepondo-se às mais antigas. Se um dia precisardes, podereis buscar do fundo do vosso inconsciente e lá estarão todas as lembranças necessárias ao seguimento do aprendizado.

Sabeis que tudo no mundo se encadeia. E não falo só do mundo terreno, mas do Universo como um todo. Fazeis parte de uma engrenagem onde o Criador colocou em vossas mãos as possibilidades de fazer crescer tanto o micro quanto o macro. Para tanto, entrega em vossas mãos instrumentos infalíveis de crescimento, dando-vos a capacidade de analisar vossos atos, medir vossas ações e avaliar vossas condutas.

Para auxiliá-los no crescimento, envia do Alto os mais sublimes ensinamentos através do filho muito Amado. Entretanto, caríssimos, fazeis disso um meio de crescimento pessoal, quando atrai para si a atenção por passar a idéia de que sois diferente dos outros. De fato deveis ser diferentes, mas não a diferença altiva do orgulhoso, que se porta no mais alto da escada e brada aos quatro ventos quantas vezes fez a caridade, o quanto é bom e quanto tempo ainda lhe resta para semear o bem. Não! Essa não é a atitude de quem entende de fato a mensagem de Jesus.

Coloqueis em vossos corações verdadeiramente a palavra do Senhor e vereis que suas preocupações com as questões de forma não passam de procedimentos pueris, que apenas demonstram a distância enorme existente entre o que sois e o que deveis ser.

Ainda hoje, à semelhança dos fariseus de outrora, preocupai-vos com a forma matando o espírito e vivificando a letra. Evolução espiritual é sinônimo de maturidade do senso moral e vós ainda permaneceis preocupados com esta ou aquela interpretação das Escrituras. Sabeis que toda a verdade vem de Deus e todas as doutrinas originadas dos homens serão destruídas em breve tempo.

A idolatria e o fanatismo existente em mundo, e mais especificamente no meio religioso do vosso tempo, é prova inconteste do vosso atraso na compreensão das coisas divinas. Ainda não compreendeis que todos os dons vem de Deus e a Ele retornam pois é a fonte de tudo, é a vida, é o sentido, é o princípio e o fim. Só o vosso orgulho não vos faz perceber o ambiente de hipocrisia em que viveis e de como esse espírito de moral leviana entranha-se cada vez mais em vossa sociedade, fazendo dela um ambiente propício para a instalação definitiva do reino da destruição de que falam os profetas.

Acordai! Muitos de vós já bem podeis compreender a verdade. Levantai a bandeira do Evangelho de Jesus e mostrai aos homens deste mundo a razão de seus sofrimentos. Vós, espíritas, que sois a encarnação dos antigos cristãos, perderão o rumo se não compreenderdes com urgência o que tendes em mãos. Decerto surpreender-vos-eis ao retornardes à pátria verdadeira e não estiver de posse da bagagem que supondes ter.

Alertai-vos! Viveis em mundo de fantasias acreditando ser o que não sois, pois estais mais preocupados com a forma que com o fundo das questões, como os que criticavam os discípulos de Jesus por não lavarem as mãos antes de tocarem o pão.                                                                                                                

Não é o que entra pela boca que faz imundo o homem, disse o Senhor, pois sabia que aqueles homens só tinham a aparência do Bem mas não possuíam a sinceridade dele. Hoje comportai-vos como os fariseus, que julgavam-se doutos e sábios e cultivavam a aparência, deixando o interior sujo e carcomido pela vaidade, orgulho, desonestidade, egoísmo e todas as torpezas que fazem dos homens prisioneiros de si próprios.

Uni-vos pois, no ideal verdadeiro de fé e esperança em um futuro melhor. Os que buscam para si  as glórias da transitoriedade por certo as encontrarão, mas não estarão afinizados com os ideais de amor de Jesus, embora tenham o belo verniz das palavras a emoldurar-lhes a aparência e nomes pomposos a acobertar-lhes a ignorância. Falo dos médiuns que decerto vieram para cumprir a missão de espalhar a mensagem entre os homens e, ao invés disso, construíram em torno de si castelos de fama, estimulando com sua omissão e falsa bondade a cegueira dos que lhes deitam honrarias para satisfazer vaidades.

Tolos! Serão um dia chamados à responsabilidade e dirão Senhor, Senhor, mas não encontrarão eco no coração dos que cumpriram sua tarefa isentos do veneno do orgulho, tampouco serão reconhecidos pelo Mestre que, de seu rebanho, conhece os menores deslizes, como as maiores qualidades.

Segui, pois, esses que estão de posse da verdade ensinada pelo Cristo, confiantes em sua jornada, pois mesmo com todas as atribulações do caminho, encontrarão ao final da estrada um ambiente de luminosidade, determinada pela beleza e consciência do dever cumprido em nome de Deus.

Que as luzes do esclarecimento desçam sobre todos os que tem olhos de ver e que possam curar os cegos de espírito e suas doenças morais, para que amanhã o mundo terreno abrigue Espíritos mais esclarecidos e preparados". - Um Espírito Protetor

Espírito: Um Espírito Protetor
Sociedade de Estudos Espíritas Allan Kardec
São Luís, MA


Fermento espiritual

Fermento espiritual

"Não sabeis que um pouco de
fermento leveda a massa toda?"
- Paulo.
(I Coríntios, 5:6.)

O fermento é uma substância que excita outras substâncias, e nossa vida é sempre um fermento espiritual com que influenciamos as existências alheias.

Ninguém vive só.

Temos conosco milhares de expressões do pensamento dos outros e milhares de outras pessoas nos guardam a atuação mental, inevitavelmente.

Os raios de nossa influência entrosam-se com as emissões de quantos nos conhecem direta ou indiretamente, e pesam na balança do mundo para o bem ou para o mal.

Nossas palavras determinam palavras em quem nos ouve, e, toda vez que não formos sinceros, é provável que o interlocutor seja igualmente desleal.

Nossos modos e costumes geram modos e costumes da mesma natureza, em torno de nossos passos, mormente naqueles que se situam em posição inferior à nossa, nos círculos da experiência e do conhecimento.

Nossas atitudes e atos criam atitudes e atos do mesmo teor, em quantos nos rodeiam, porquanto aquilo que fazemos atinge o domínio da observação alheia, interferindo no centro de elaboração das forças mentais de nossos semelhantes.

O único processo, portanto, de reformar edificando é aceitar as sugestões do bem e praticá-las intensivamente, por intermédio de nossas ações.

Nas origens de nossas determinações, porém, reside a idéia.

A mente, em razão disso, é a sede de nossa atuação pessoal, onde estivermos.

Pensamento é fermentação espiritual. Em primeiro lugar estabelece atitudes, em segundo gera hábitos e, depois, governa expressões e palavras, através das quais a individualidade influencia na vida e no mundo. Regenerado, pois, o pensamento de um homem, o caminho que o conduz ao Senhor se lhe revela reto e limpo.

- Emmanuel -

Fonte Viva, psicografia de Francisco C. Xavier.

O fermento dos fariseus e dos saduceus

O fermento dos fariseus
e dos saduceus


 
Ora, seus discípulos tendo passado além da água, tinham esquecido de levar pães. – Jesus lhes disse: Tende cuidado de vos guardar do fermento dos fariseus e dos saduceus. – Porém pensavam e diziam entre si: Isto é porque não trouxemos pães. Jesus, conhecendo isso, lhes disse: Homens de pouca fé, por que comentais entre vós a respeito de não terdes trazido pães? Não compreendestes ainda, e não vos lembrais que cinco pães foram bastante para cinco mil homens, além do quanto sobrou nas cestas? - Como é que não compreendeis que não vos falo do pão, quando vos alerto para vos guardardes do fermento dos fariseus e dos saduceus? Então compreenderam que ele não se referia ao fermento que se coloca nos pães, mas da doutrina dos fariseus e dos saduceus.
 (Mateus, 15: 5 a 12.)

1) Jesus saíra de Genesaré, passara por Tiro e Sidon, atravessara a Galileia e chegara a Magdala – curando enfermos e alimentando cinco mil pessoas, com a multiplicação dos pães; 2) Jesus saiu do Monte Carmelo, na Galileia, onde multiplicara os pães e os peixes pela segunda vez, passou numa barca para Magdala, com os doze discípulos indo ao Seu encontro.
 
Nas longas viagens que faziam com Jesus, os discípulos costumavam carregar pães, para se alimentarem. Mas na ocasião da conversação do Mestre registrada na passagem acima, os discípulos deixaram de levar pão. A recomendação de Jesus foi para que se acautelassem do fermento dos fariseus e dos saduceus, mas os discípulos julgaram, inicialmente, tratar-se de pão, pois para a fabricação do mesmo é necessário o fermento. Após o devido esclarecimento de Jesus: que Ele não estava falando do pão material, mas do fermento dos fariseus e dos saduceus, só então os discípulos compreenderam que Jesus estava falando da doutrina dos fariseus e dos saduceus.

O fermento dos fariseus e dos saduceus era, pois, a mentira e a falsidade. Eles viviam em torno de Jesus, não para aprender os Seus ensinamentos, mas para terem uma oportunidade real de O flagrarem num erro que levasse o Mestre à condenação. Vemos, nos Evangelhos, a sua presença insidiosa, fazendo perguntas  capciosas, às quais o Mestre respondia magistralmente, o que os deixavam confusos e contrariados. Por tudo isso, Jesus os classificou de sepulcros caiados por fora, mas podres por dentro.

Noutra passagem, no Evangelho de Lucas, capítulo 12, versículos de 1 a 3, lemos: Tendo-se juntado milhares de pessoas, de modo que um e outro se atropelavam, começou Jesus a dizer primeiro aos seus discípulos: Guardai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. Nada há encoberto que não venha a descobrir; em oculto que não se venha a saber. Por isso, o que dissestes na treva, à luz será ouvido; o que falastes ao ouvido, no interior da casa, sobre os telhados será proclamado.

Este fermento dos fariseus – a hipocrisia – é o fermento humano, que pode enganar a muitos na Terra, mas não no Mundo Espiritual, onde não se pode esconder aquilo que se pensa, pois a linguagem dos Espíritos é o pensamento.
Nas pesquisas que Allan Kardec fez para a Revista Espírita sobre o assunto, vemos Espíritos que se queixam profundamente das situações em que se encontram, porque não podem fazer nada escondido, e o que querem ocultar está sempre sob os olhares das Entidades espirituais.
 
Assim, é preciso que nos libertemos desses vícios morais, para não nos colocarmos  em situações embaraçosas, do outro lado da vida. A desencarnação não dá atestado de santidade a ninguém, nem àqueles que, por força de suas crenças religiosas, acreditam que os "pecados" que forem confessados aqui na Terra serão apagados, como num passe de mágica. Seremos, lá, o que fomos aqui. Se cultivamos, na Terra, maus hábitos, os levaremos para lá. Se cultivarmos bons pensamentos e bons hábitos, não teremos por que nos envergonhar.
 

Nesta viagem que todos empreenderemos, queiramos ou não, somente três qualidades serão importantes para a nossa entrada no Reino dos Céus: o saber, a inteligência e as qualidades morais. O resto passa, o resto morre, o resto esquece.

ALTAMIRANDO CARNEIRO

O fermento dos fariseus


POR CéLIA ELMY

“Ao passarem para a outra margem do lago, os discípulos esqueceram-se de levar pães. Como Jesus lhes dissesse: “Cuidado, guardai-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus!”, puseram-se a refletir entre si: “Ele disse isso porque não trouxemos pães”. Jesus, percebendo, disse: “Homens fracos na fé! Porque refletir entre vós por não terdes pães? Ainda não entendeis, nem vos lembrais dos cinco pães para cinco mil homens e de quantos cestos recolhestes? (...) Como não entendeis que eu não estava falando de pães quando vos disse: Guardai-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus?” Então compreenderam que não dissera Guardai-vos do fermento do pão, mas sim do ensinamento dos fariseus e dos saduceus.”
Mateus, 16:5, 12

Como sempre, os homens com sua tendência para entenderem tudo ao pé da letra. Esse episódio aconteceu logo depois da multiplicação dos pães e também logo após os fariseus terem pedido a Jesus um sinal do céu para provar que Ele era o Messias Prometido, justo eles que O seguiam a toda parte, presenciaram vários fenômenos, mas não tinham “olhos de ver”, nem “ouvidos de ouvir”, queriam apenas pô-Lo à prova, terem do que O acusar perante o Sinédrio porque não acreditavam nEle.

Por isso Jesus adverte aos apóstolos: “Guardai-vos do fermento dos fariseus.” E os discípulos pensaram que dissera isso porque não haviam levados pães.

Lembremo-nos quem eram os fariseus: um partido religioso que se caracterizava pelo extremo formalismo na observação das prescrições da Lei (de Moisés e dos profetas). Apegavam-se às exterioridades como o “lavar as mãos antes das refeições” e consideravam-se puros pela observância desses rituais exteriores e atribuíam-se o papel de fiscais dos que não os praticavam.

Jesus foi duro com eles, chamava-os de hipócritas, sepulcros caiados, brancos por fora e por dentro, cheios de podridão. De fato, pelas vestes, pelas longas franjas, pelos filactérios que amarravam na testa e nos pulsos, aparentavam santidade, mas viviam envolvidos em intrigas, em tribunais de perseguição aos que não pensavam como eles, em longas discussões inúteis sobre questiúnculas da lei.

Jesus criticou-os também pelo subterfúgio que usavam, como deixar de atender aos deveres filiais de amparo aos genitores, transformando o mandamento “honrai pai e mãe” em oferenda ao templo.

É essa cegueira e desvirtuamento da religião que Ele chama de “fermento dos fariseus”. Que o pequeno grupo de apóstolos não se contaminasse com tais práticas, que conservassem a simplicidade, a união fraterna, o amor verdadeiro e poderiam bem desempenhar sua tarefa como aprenderam com o Cristo, socorrendo os necessitados do corpo e da alma.

E, como o Evangelho não é para apontarmos as faltas alheias, ele é para nós, devemos analisá-lo e ver onde nos encaixamos nesta passagem. Estaríamos agindo como os fariseus?

Consideramo-nos puros porque tomamos o nosso passe toda semana? Estamos pedindo sinais do céu, querendo apenas presenciar fenômenos mediúnicos, receber mensagens espirituais, sem cuidar de nossa renovação interior? Explanamos o Evangelho envoltos em uma aura de arrogância e prepotência, apontando os defeitos alheios sem conseguir enxergar os nossos? Estimamos longos estudos da doutrina espírita, orgulhosos do nosso extenso saber sem que isso nos torne um pouquinho mais fraternos? Ou achamos que, porque doamos o quilo, estamos quites com nossas obrigações?

Práticas exteriores não avaliam o grau do nosso progresso. Mas então nada disso é válido? Devo abandonar tudo? Tudo isso é válido, porém deve ser um meio de conseguirmos nossa transformação.

“Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega em dominar suas más inclinações”.

Pe. Sabóia de Medeiros

Pe. Roberto Sabóia de Medeiros nasceu no Rio de Janeiro, em 18 de maio de 1905 e faleceu em São Paulo, em 31 de julho de 1955, no dia de Santo Inácio de Loyola. Coincidência e graça para um grande jesuíta.
Uma vida consagrada a Deus e a seus semelhantes. O Pe. Sabóia ingressou na Companhia de Jesus em 1922. Foi ordenado sacerdote em 1936, em Buenos Aires, Argentina. A partir de 1939 desenvolve seu trabalho em São Paulo. Sua grande preocupação era a questão social, objeto de tantas encíclicas e ensinamentos dos Papas. Junto com o estudo e oração, a ação.
Nesta tarefa empenhou toda a sua alma, todo o seu dinamismo. E as obras, as comissões, os institutos, os centros técnicos e as escolas foram surgindo. Alceu Amoroso Lima define seu trabalho como “uma ponta de lança nas conquistas sociais”. A educação foi outra preocupação sua. Além do aprendizado de disciplinas exatas e técnicas, queria colocar à disposição de seus estudantes de administração e engenharia uma formação ligada aos valores transcendentais do homem.
"Ele não tinha um tostão" disse certa vez um de seus colaboradores. Podemos imaginar o que lhe custou em termos de tempo, paciência, ousadia, insistência, criatividade levantar os recursos para que tudo começasse a funcionar. Na busca de fundos, acabou por estabelecer enorme rede de amigos, empresários, conhecidos e benfeitores, que se convenceram da seriedade de seus propósitos. Os que com ele privaram dão notícia de um homem de temperamento exuberante, extrovertido e até “um pouco espalhafatoso”.
O que não diminuía em nada seu zelo apostólico, sua vida espiritual e atividade intelectual. Foi um grande admirador do Cardeal Newman, figura maior da Igreja da Inglaterra, de quem tinha um retrato sobre a escrivaninha. Foi ardoroso adepto do filósofo francês Maurice Blondel e leitor assíduo de Aldous Huxley. Manteve correspondência com ambos. As absorventes ocupações e os seus empreendimentos não impediram o cultivo da filosofia e teologia. A biblioteca da Ação Social, fundada por ele em 1944, e hoje recolhida na Biblioteca Pe. Aldemar Moreira, no campus de São Bernardo atesta a profundidade e a variedade de suas preocupações, que incluiam também literatura inglesa e a história da União Soviética. O Prof. Dino Bigalli, que ele trouxera da Itália, considerava-o, mais que um fundador de obras, “um pastor de almas”. Não admira que o Dr. Peter Grace, um de seus benfeitores americanos o chamasse “a man in a million”.
O Pe. Sabóia foi grande comunicador, festejado pregador. Manteve programas de rádio e escreveu artigos; não raro, segundo o gosto da época, envolveu-se em debates de grande repercussão. A Ação Social mantinha um Centro Técnico do Trabalho, que ministrava cursos de orientação social para trabalhadores, a Clínica Santo Inácio, para atender pessoas carentes, numa época em que os serviços da Previdência Social ainda não estavam organizados; uma tipografia (que hoje são as Edições Loyola) e editava as revistas “Serviço Social” e “Carta aos Padres”. Mas foi na área da educação que sua memória mantém-se mais viva e inspiradora.
A Escola Superior de Administração de Negócios, a ESAN (1941), a Faculdade de Engenharia Industrial, a FEI (1946) firmaram-se. Até hoje permanece a Escola Técnica São Francisco de Bórgia (1946). O Pe. Sabóia anteviu o desenvolvimento industrial brasileiro. Na década de 40 não existia ainda a figura do engenheiro industrial e a ESAN precedeu, em pelo menos dez anos, os cursos da Fundação Getúlio Vargas.
Idealista, sonhador, profeta. Mas igualmente pioneiro, batalhador, realizador. Para angariar recursos, conquistar benfeitores, empreendeu quatro viagens aos Estados Unidos, uma viagem à Itália e outra à Suécia. Conseguiu aparelhos, máquinas e instrumentos, mas de modo geral as contribuições ficaram aquém das expectativas. Mas em nenhum momento desanimou. Pelo contrário descobriu fórmulas, inventou caminhos, surpreendeu os céticos, enfim superou-se. Sabendo-se muito doente (leucemia), pediu a amigos de confiança que não deixassem perecer suas empresas. A Providência divina ouviu seus rogos. Apareceram muitos continuadores, principalmente o Prof. Joaquim Ferreira Filho e o Pe. Aldemar Moreira, S.J., que cuidaram bem do seu legado. Cuidaram, consolidaram e ampliaram.

Foto - Padre Sabóia de Medeiros

http://www.fei.org.br/PadreSaboiaMedeiros.aspx