O mesmo tema, vários artigos, para ajudar a alguém que está preparando uma exposição ou estudando um assunto
Estudando o Espiritismo
Observe os links ao lado. Eles podem ter artigos com o mesmo tema que você está pesquisando.
quinta-feira, 12 de julho de 2012
quarta-feira, 11 de julho de 2012
Ataques antifraternais
Wanderley, o que você pensa dos ataques antifraternais na seara espírita a respeito de seu trabalho?
Depois de tantos erros e acertos, a melhor coisa que eu aprendi convivendo com os irmãos de doutrina espírita é que estamos todos em um barco só. Ninguém é melhor, ninguém é pior. Afora isso é só ilusão que vai passar um dia.
A mim só me resta, sabendo disso, apostar na melhor parte de quantos cruzem meu caminho, mesmo sabendo que tantos irmãos queridos preferem destacar minhas falhas e erros, mantendo-se contra meus pequenos esforços no bem.
Paciência com a imaturidade dos outros é, sem dúvida, uma extraordinária fonte de leveza para alma.
Sigo minha vida. Fiz minha escolha. Prefiro as rosas que perfumam e deixo as pedras para quem quer atirá-las...
http://www.wanderleyoliveira.blog.br/
terça-feira, 10 de julho de 2012
Jesus Caminha Sobre as Águas
"A Gênese"
Cap XV - Jesus Caminha Sobre as Águas
41. Logo, Jesus fez com que seus discípulos embarcassem e atravessassem antes dele, enquanto ficava a despedir o povo. Depois de haver mandado o povo embora, subiu sozinho ao alto de uma montanha, para orar; e tendo chegado a tarde, encontrou-se sozinho naquele lugar.
Enquanto isso, a barca era fortemente açoitada pelas ondas no meio do mar, pois o vento lhe era contrário. Porém, na quarta vigília da noite, Jesus veio andando sobre o mar. (1) Quando eles o viram assim andar por sobre as águas, turbaram-se, e diziam: É um fantasma; e gritavam atemorizados. Logo Jesus lhes falou e lhes disse: Tranqüilizai-vos, sou eu, não temais.
Pedro lhe respondeu:
- Senhor, se és tu, ordena que eu vá contigo andando sobre as águas.
Jesus lhe disse:
- Vem.
E Pedro, descendo da barca, andou sobre a água para ir a Jesus. Mas vendo soprar um grande vento, teve medo; e começou a afundar, e gritou:
Senhor, salva-me. Logo, Jesus, dando-lhe a mão, o tomou e disse:
Homem de pouca fé, por que duvidaste?
E subindo à barca, o vento cessou.
Então, aqueles que estavam nessa barca, aproximando-se dele, o adoraram dizendo:
Sois verdadeiramente filho de Deus. (S. Mateus, cap. XIV, vers. de 22 a 33).
42. Este fenômeno encontra sua explicação natural nos princípios acima expostos, cap. XIV, nº 43.
Exemplos análogos provam que isso nem é impossível, nem milagroso, pois que está nas leis da Natureza. Pode ser produzido por duas maneiras.
Jesus, mesmo vivo, pôde aparecer sobre a água sob uma forma tangível, enquanto seu corpo carnal se encontrava alhures; é a hipótese mais provável. Neste relato, pode-se mesmo reconhecer certos sinais característicos das aparições tangíveis. (Cap. XIV, ns. 35 a 37).
Por outro lado, seu corpo poderia ser sustentado, e a gravidade ser neutralizada pela mesma força fluídica que mantém uma mesa no espaço sem ponto de apoio. O mesmo efeito tem se produzido muitas vezes sobre corpos humanos.
(1) O Lago de Genesaré ou Tiberíades.
Clique aqui para ler mais: http://www.forumespirita.net/fe/a-genese/cap-xv-jesus-caminha-sobre-as-aguas/#ixzz20Ezrp7S9
Suicidas - Morrem... mas... Não desencarnam
Suicidas - Morrem... mas... Não desencarnam
Marcos Paterra
No espiritismo costuma se usar o termo “Desencarnar” quando uma pessoa morre, porém no caso do suicídio as coisas ocorrem de forma mais lentas.
Em diversas obras encontramos trechos em que os espíritos afirmam que ficam presos ao corpo até sua completa extinção, Allan Kardec nos revela isso com propriedade na entrevista publicada na Revista Espírita de junho de 1858 com o titulo “ O suicida de Samaritana”
“5. Qual foi o motivo que vos levou ao suicídio? - R. Estou morto?... Não...
Habito meu corpo... Não sabeis o quanto sofro!... Eu estufo... Que mão compassiva procure me matar!
13. Que reflexões fizestes no momento em que sentistes a vida se extinguir em vós? - R. Não refleti; senti... Minha vida não está extinta... minha alma está ligada ao meu corpo... Sinto os vermes que me roem.”
No livro “Depois do Suicídio” de Cleonice Orlandi de Lima, temos o depoimento de Jacinto[1] : “ Continuei com o corpo morto, mas sem poder me separar do cadáver. Assim paralisado assisti aos funerais, ouvi os lamentos e as recriminações dos presentes pelo meu ato. Horrorizado, vi fecharem o caixão sobre mim.
Fui conduzido, assistindo a tudo e sempre sentindo a dor do ferimento na boca. Carregaram-me ao cemitério, enterraram-me e me deixaram sozinho. Senti a sufocação do fundo da cova, mas não podia fazer o mais leve movimento. Estava colado ao corpo morto! As dores que sentia eram fabulosamente insuportáveis. E, logo a seguir, passei a sentir o cheiro do corpo apodrecendo. Senti a mordedura dos vermes, milhões de mordidas ao mesmo tempo, por todo o corpo. Dores incríveis!
Muito tempo depois a carne foi se separando dos ossos, foi se acabando e eu sempre ali, sentindo as dores e assistindo a tudo. A sede, a fome e o frio me torturavam. A dor do ferimento da boca nunca me abandonou. Jamais tive um único minuto de descanso, em que pudesse dormir.”
Emmanuel no livro “O Consolador” confirma :
“Suicidas há que continuam experimentando os padecimentos físicos da última hora terrestre, em seu corpo somático, indefinidamente. (...) a pior emoção do suicida é a de acompanhar, minuto a minuto, o processo da decomposição do corpo abandonado no seio da terra, verminado e apodrecido."[2]
Yvone Pereira no livro “Memoria de um Suicida” nos trás uma visão do que ocorre quando finalmente o espírito se desliga do corpo contando a história de Camilo Castelo Branco que desencarnado, foi para o "Vale dos Suicidas", onde sofreu horrores, , durante 12 anos até ser resgatado em 1903.
Devemos ainda levar em conta que o suicídio não é só aquele brutal e relativamente rápido, tem também os fumantes, alcoólatras, e/ou viciados de maneira geral.
“O suicídio brutal, violento, é crueldade para com o próprio ser. No entanto, há também o indireto, que ocorre pelo desgastar das forças morais e emocionais, das resistências físicas no jogo das paixões dissolventes, na ingestão de alimentos em excesso, de bebidas alcoólicas, do fumo pernicioso, das drogas aditícias, das reações emocionais rebeldes e agressivas, do comportamento mental extravagante, do sexo em uso exagerado, que geram sobrecargas destrutivas nos equipamentos físicos, psicológicos e psíquicos...”[3]
Kardec é bem claro sobre a questão do suicídio no Livro dos espíritos entre as questões 944 até 946.
“Na morte violenta as sensações não são precisamente as mesmas. Nenhuma desagregação inicial há começado previamente a separação do perispírito; a vida orgânica em plena exuberância de força é subitamente aniquilada. Nestas condições, o desprendimento se começa depois da morte e não pode completar-se rapidamente. No suicídio, principalmente, excede a toda expectativa. Preso ao corpo por todas as suas fibras, o perispírito faz repercutir na alma todas as sensações daquele. Com sofrimentos cruciantes.”[4]
Muitos podem questionar se o suicídio pode ser induzido por um obsessor, Yone Pereira novamente nos brinda com a resposta : “Não obstante, homens comuns ou inferiores poderão cair nos mesmos transes, conviver com entidades espirituais inferiores como eles e retornar obsidiados, predispostos aos maus atos e até inclinados ao homicídio e ao suicídio. Um distúrbio vibratório poderá ter várias causas, e uma delas será o próprio suicídio em passada existência.”[5]
A doutrina espírita nos ensina que a morte não é o fim; e que de outra forma a vida continua. Que muitas vezes somos influenciados por obsessores, porem esses só agem devido ao nosso desiquilíbrio, e que precisamos ter consciência do que ocorre, caso desistamos da vida a qual tivemos o privilegio de através da reencarnação buscar compreender e superar as provas e expiações.
“A certeza da vida futura, com todas as suas consequências, transforma completamente a ordem de suas ideias, fazendo-lhe ver as coisas por outro prisma: é um véu que se ergue e lhe desvenda um horizonte imenso e esplêndido. Diante da infinidade e da grandeza da vida além da morte, a existência terrena desaparece, como um segundo na contagem dos séculos, como um grão de areia ao lado da montanha. Tudo se torna pequeno e mesquinho e nos admiramos por havermos dado tanta importância às coisas efêmeras e infantis. Daí, em meio às vicissitudes da existência, uma calma e uma tranquilidade que constituem uma felicidade, comparados com as desordens e os tormentos a que nos sujeitamos, ao buscarmos nos elevar acima dos outros; daí, também, ante as vicissitudes e as decepções, uma indiferença, que tira quaisquer motivos de desespero, afasta os mais numerosos casos de loucura e remove, automaticamente, a idéia de suicídio.”[6]
Artigo publicado pela RIE em Junho de 2012
[1] Rio de Janeiro, outubro de 1917- Ed. DPL. São Paulo.1998.
[2] XAVIER, Francisco C. O Consolador, pelo Espírito Emmanuel. 7 ed. Rio de Janeiro:. p. 96. FEB, 1977
[3] FRANCO Divaldo P. ADOLESCÊNCIA E VIDA. CAPÍTULO 25 - O ADOLESCENTE E O SUICÍDIO. P. 76. Ed. FEB.1999.
[4] KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno. Capítulo 1, 2ª Parte, ítens 11 e 12Ed. FEB. Rio de Janeiro.2.000
[5] PEREIRA, Yvone. Recordações da Mediunidade. Editora FEB. Rio de Janeiro.
[6] KARDEC, Allan. O Principiante Espírita. Cap. Consequências do Espiritismo (item 100). P. 44. Ed. Pensamento. São Paulo. 1955
domingo, 8 de julho de 2012
"Fingi ser gari por 8 anos e vivi como um ser invisível"
Vale a pena ser lida até o fim Pesquisa sobre a invisibilidade social COMO VOCE TRATA AS PESSOAS MAIS "HUMIILDES PROFISSIONALMENTE" "Fingi ser gari por 8 anos e vivi como um ser invisível" (PUBLICAÇÃO DIÁRIO DE SÃO PAULO) Psicólogo varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado da "invisibilidade pública". Ele comprovou que, em geral, as pessoas enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionado sob esse critério, vira mera sombra social O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali, constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são "seres invisíveis, sem nome". Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da "invisibilidade pública", ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa. Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição de sua vida: "Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência", explica o pesquisador. O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano. "Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes, esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão", diz. Apesar do castigo do sol forte, do trabalho pesado e das humilhações diárias, segundo o psicólogo, são acolhedores com quem os enxerga. E encontram no silêncio a defesa contra quem os ignora. Diário - Como é que você teve essa idéia? Fernando Braga da Costa - Meu orientador desde a graduação, o professor José Moura Gonçalves Filho, sugeriu aos alunos, como uma das provas de avaliação, que a gente se engajasse numa tarefa proletária. Uma forma de atividade profissional que não exigisse qualificação técnica nem acadêmica. Então, basicamente, profissões das classes pobres. Diario - Com que objetivo? A função do meu mestrado era compreender e analisar a condição de trabalho deles (os garis), e a maneira como eles estão inseridos na cena pública. Ou seja, estudar a condição moral e psicológica a qual eles estão sujeitos dentro da sociedade. Outro nível de investigação, que vai ser priorizado agora no doutorado, é analisar e verificar as barreiras e as aberturas que se operam no encontro do psicólogo social com os garis. Que barreiras são essas, que aberturas são essas, e como se dá a aproximação? Diario - Quando você começou a trabalhar, os garis notaram que se tratava de um estudante fazendo pesquisa? Eu vesti um uniforme que era todo vermelho, boné, camisa e tal. Chegando lá eu tinha a expectativa de me apresentar como novo funcionário, recém-contratado pela USP pra varrer rua com eles. Mas os garis sacaram logo, entretanto nada me disseram. Existe uma coisa típica dos garis: são pessoas vindas do Nordeste, negros ou mulatos em geral. Eu sou branquelo, mas isso talvez não seja o diferencial, porque muitos garis ali são brancos também. Você tem uma série de fatores que são ainda mais determinantes, como a maneira de falarmos, o modo de a gente olhar ou de posicionar o nosso corpo, a maneira como gesticulamos. Os garis conseguem definir essa diferenças com algumas frases que são simplesmente formidáveis. Diario - Dê um exemplo? Nós estávamos varrendo e, em determinado momento, comecei a papear com um dos garis. De repente, ele viu um sujeito de 35 ou 40 anos de idade, subindo a rua a pé, muito bem arrumado com uma pastinha de couro na mão. O sujeito passou pela gente e não nos cumprimentou, o que é comum nessas situações. O gari, sem se referir claramente ao homem que acabara de passar, virou-se pra mim e começou a falar: "É Fernando, quando o sujeito vem andando você logo sabe se o cabra é do dinheiro ou não. Porque peão anda macio, quase não faz barulho. Já o pessoal da outra classe você só ouve o toc-toc dos passos. E quando a gente está esperando o trem logo percebe também: o peão fica todo encolhidinho olhando pra baixo. Eles não. Ficam com olhar só por cima de toda a peãozada, segurando a pastinha na mão". Diario - Quanto tempo depois eles falaram sobre essa percepção de que você era diferente? Isso não precisou nem ser comentado, porque os fatos no primeiro dia de trabalho já deixaram muito claro que eles sabiam que eu não era um gari. Fui tratado de uma forma completamente diferente. Os garis são carregados na caçamba da caminhonete junto com as ferramentas. É como se eles fossem ferramentas também. Eles não deixaram eu viajar na caçamba, quiseram que eu fosse na cabine. Tive de insistir muito para poder viajar com eles na caçamba. Chegando no lugar de trabalho, continuaram me tratando diferente. As vassouras eram todas muito velhas. A única vassoura nova já estava reservada para mim. Não me deixaram usar a pá e a enxada, porque era um serviço mais pesado. Eles fizeram questão de que eu trabalhasse só com a vassoura e, mesmo assim, num lugar mais limpinho, e isso tudo foi dando a dimensão de que os garis sabiam que eu não tinha a mesma origem socioeconômica deles. Diario - Quer dizer que eles se diminuíram com a sua presença? Não foi uma questão de se menosprezar, mas sim de me proteger. Diario - Eles testaram você? No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha caneca. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns se aproximavam para ensinar o serviço. Um deles foi até o latão de lixo pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro. Eu nunca apreciei o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada, parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse: 'E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?' E eu bebi. Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar comigo, a contar piada, brincar. Diario - O que você sentiu na pele, trabalhando como gari? Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central. Aí eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse trajeto e ninguém em absoluto me viu. Eu tive uma sensação muito ruim. O meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angustia, e a tampa da cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar, não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado. Diario - E depois de oito anos trabalhando como gari? Isso mudou? Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a situações pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se aproximando - professor meu - até parava de varrer, porque ele ia passar por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se tivesse passando por um poste, uma árvore, um orelhão. E quando você volta para casa, para seu mundo real? Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais. Acredito que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa. Esses homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, freqüento a casa deles nas periferias. Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador. Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe. Eles são tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo nome. São tratados como se fossem uma coisa. José Trevisan Psicólogo clínico, escolar e organizacional CRP 06/16442; Professor universitário; RH e estratégias de gestão; Trabalhou por 30 anos na área de Recursos Humanos; Congressista USA 1996/97 missão brasileira Suécia 1999; Estágio Alemanha e Espanha; Especializou-se na área de psicologia clínica; Trabalha pessoas com transtorno pós-traumático com EMDR:" Dessensibilização e Reprocessamento através de Movimento Oculares"; Hipnose e Gestalt e outras abordagens da psicologia; Gravou um CD: "Curando suas feridas com relaxamento e meditação"; Atua com consultoria e treinamentos comportamentais e motivacionais para empresas - Leader Training. Formatação: Fátima Oliveira Imagens: Google Midi: Amanhã-Guilherme Arantes |
Suicídio é uma dor silenciosa - Gazeta do Povo
Suicídio é uma dor silenciosa
Carlos Estellita-Lins, psiquiatra, psicanalista e coordenador do Grupo de Pesquisa de Prevenção do Suicídio – PesqueSui, da Fiocruz
Publicado em 08/07/2012 | DENISE PARO, DA SUCURSAL DE FOZ DO IGUAÇUEnvolto por uma dor extremamente silenciosa, o suicídio é algo carregado de preconceito e estigma. No século 20, o filósofo existencialista Albert Camus classificava-o como “o único tema filosófico realmente sério”, no livro O Mito de Sísifo.
No Brasil, o suicídio começa a ser considerado um problema de saúde pública e chama atenção pelo crescimento: o número de suicidas no país passou de 4,2 para 4,9 em cada 100 mil habitantes na população de todas as idades, e de 4,4 para 5,1 a cada 100 mil jovens entre 1998 e 2008.
Psiquiatra, psicanalista e coordenador do Grupo de Pesquisa de Prevenção do Suicídio – PesqueSui, da Fiocruz, Carlos Estellita-Lins é organizador do livro Trocando seis por meia dúzia – Suicídio como emergência do Rio de Janeiro, lançado recentemente. Nesta entrevista, concedida por telefone para a Gazeta do Povo, ele fala sobre o tema.
O aumento no número de suicídios preocupa?
Há uma preocupação crescente com o suicídio no mundo em lugares onde há taxas de 35 a 45 casos a cada 100 mil habitantes – que são bastante elevadas – como na Rússia e nos países eslavos.
Contudo, no Brasil o que verificamos é um crescimento entre os jovens, idosos e uma interiorização, ou seja, municípios menores têm mostrado taxas mais altas. Em 2008 foram registrados números intrigantes e alarmantes em Amambaí e Paranhos, ambos no Mato Grosso do Sul, com 49,3 e 35 casos de suicídio por 100 mil habitantes, respectivamente, segundo o Datasus.
Em Ibirubá (RS) o índice é de 34,5. Já Nova Prata do Iguaçu (PR) está em 15.º lugar no Brasil, com 24,7 casos. Em Mato Grosso do Sul, as comunidades indígenas respondem claramente pelas taxas elevadas. No Rio Grande do Sul a incidência é maior em comunidades de colonos ou aquelas ligadas à indústria fumageira.
Quais sãos os principais distúrbios relacionados à prática do suicídio?
É importante observar que o suicídio não é algo isolado, é desfecho de alguns distúrbios. Boa parte dos suicídios, talvez acima de 60%, está diretamente ligada a estados depressivos, incluindo as chamadas doenças afetivas, como o transtorno bipolar. Mas qualquer depressão mais grave, na qual a pessoa esteja em situação de dificuldade e de falta de apoio social, pode levar ao suicídio. A prática também está bastante associada ao uso de drogas e é algo mais comum do que a gente imagina.
As pessoas não necessariamente tentam o suicídio quando adoecem, mas muita gente está exposta a isso em função de estresse grave, conflitos psíquicos, por uma enfermidade concomitante e por uma suscetibilidade biológica. Há também casos de psicose, especialmente a esquizofrenia, em que o suicídio ocorre quando o tratamento é inadequado ou insuficiente.
Por último, sabemos que a impulsividade, característica de personalidade, também aumenta o suicídio quando somada a esses aspectos que mencionamos. Temos um contingente grande de pessoas sob esse risco. Também notamos que a vida moderna, ou seja, a vida desumanizada, excessivamente mecanizada, com poucas relações sociais, com pouca rede social, parece ser danosa. Há menos saúde mental e mais suicídios.
Há uma tendência na população em não falar sobre o assunto. Isso é um problema?
A pesquisa percebeu que a comunidade tende a não falar sobre suicídio em razão dos vários aspectos já conhecidos: preconceitos religiosos, estigma, mas também pelo fato de as pessoas deprimidas serem mal vistas pela família, por amigos ou pela comunidade em geral. Não se compreende bem o que é a depressão.
A população mais carente, mais dependente de renda, tende a ver alguém que não está trabalhando como moralmente condenável, preguiçoso. Assim, a depressão é sempre mal compreendida, o que parece agravar a situação.
Além disso, muitas vezes o suicídio é visto como uma fraqueza moral, ou seja, quem pratica o suicídio é tido como alguém que desistiu e, portanto, não seria uma pessoa digna, o que é incorreto.
A experiência de depressão e de suicídio é algo muito silencioso porque existe tabu e porque todos nós estamos despreparados, os profissionais de saúde e a comunidade. Também é silenciosa porque se trata de uma experiência limite-humana que merece todo respeito, cuidado e carinho, mas na enorme maioria dos casos precisa de tratamento adequado.
Como avalia a forma como a sociedade lida com o sofrimento psíquico? Há profissionais preparados para o tratamento e prevenção?
O suicídio é um assunto extremamente difícil de lidar e não é exclusivo do psiquiatra, do psicólogo, do psicoterapeuta, mas de todo profissional de saúde.
Na Europa já existe uma tendência que diz ser um assunto da comunidade como um todo. Quer dizer que cada cidadão tem de se preocupar e tentar ajudar. O outro extremo é o treinamento dos profissionais, especialmente nas emergências.
O que temos percebido em alguns estudos é que as emergências psiquiátricas estão muito defasadas, existe pouco treinamento do residente e ainda são separadas da emergência geral, o que é uma tendência antiga.
Como a mídia deve tratar o suicídio?
Há dois aspectos importantes. Um é o fato de a Organização Mundial de Saúde (OMS), no início da década de 2000, ter feito recomendações para os profissionais de imprensa no mundo todo, especialmente jornalistas. Essas recomendações foram prudentes no sentido de não se veicularem notícias de pessoas famosas de uma maneira descuidada. O segundo é que nessas recomendações há uma preocupação no sentido de que não se deixe de noticiar.
Não se trata de esconder o assunto nem torná-lo tabu, mas sim sempre dizer que é um distúrbio, que é tratável, que é passível de prevenção, portanto se deve noticiar com cuidado. Também é importante não informar precisamente os meios utilizados [para cometer o ato], ainda mais quando a pessoa é pública. Isso pode ser útil porque você não está dando sugestões para quem é suscetível.
O TESOURO DE BRESA
O TESOURO DE BRESA
O árabe, com sua prodigiosa imaginação, faz a lenda surgir de todos os recantos do deserto, e como são interessantes as lendas que os baduínos e caravaneiros vão colher para além dos oásis... Malba Tahan era um verdadeiro caçador de lendas. A lenda abaixo atesta o valor desse grande pesquisador brasileiro, que projetou-se nos mais diversos campos do saber e é reconhecido internacionalmente.
O árabe, com sua prodigiosa imaginação, faz a lenda surgir de todos os recantos do deserto, e como são interessantes as lendas que os baduínos e caravaneiros vão colher para além dos oásis... Malba Tahan era um verdadeiro caçador de lendas. A lenda abaixo atesta o valor desse grande pesquisador brasileiro, que projetou-se nos mais diversos campos do saber e é reconhecido internacionalmente.
Houve, outrora, na Babilônia – a famosa cidade dos jardins suspensos – um pobre e modesto alfaiate chamado Enedim Musseieb, homem inteligente e trabalhador, que por suas boas qualidades e dotes de coração, granjeara muitas simpatias no bairro em que morava.
Enedim passava o dia inteiro, de manhã até à noite, cortando, consertando e preparando as roupas de seus numerosos fregueses, e embora fosse paupérrimo, não perdia a esperança de vir a ser riquíssimo, senhor de muitos palácios e de grandes tesouros. Como conquistar, porém essa tão ambicionada riqueza? – pensava o mísero remendão, passando e repassando a agulha grossa de seu ofício – como descobrir um desses famosos tesouros que se acham escondidos nas profundezas dos mares?
Ouvira ele contar, em palestras com estrangeiros vindos do Egito, da Síria, da Grécia e da Fenícia, histórias prodigiosas de aventureiros que haviam topado com cavernas, cheias de ouro; grutas profundas, forrageadas de brilhantes; luras sórdidas que guardavam caixas pesadíssimas a transbordar de pérolas, mimosos frutos da rapina de bárbaros cartagineses. E não poderia ele, á semelhança desses aventureiros felizes, descobrir um tesouro fabuloso, e tornar-se, assim, de um momento para outro, mais rico do que Naboinid, o rei poderoso? Ah! Se tal acontecesse, ele seria, então, senhor de um coruscante palácio: teria numerosos escravos; e, todas as tardes, num grande carro de ouro, tirado por mansos leões, passaria, de seu vagar, por sobre as grandes muralhas de Babilônia, cortejando amistosamente os príncipes ilustres da casa real.
Assim meditava o bondoso Enedim, divagando por tão longínquas riquezas, quando parou à porta de sua casa um velho mercador da Fenícia, que vendia tapetes, caixas de ébano, bolas de vidro, pedras coloridas e uma infinidades de objetos extravagantes tão apreciados pelos babilônios. Por simples curiosidade começou Enedim a examinar as quinquilharias que o vendedor lhe oferecia, quando descobriu, no meio de uma porção de bugigangas, uma espécie de livro de muitas folhas, onde se viam caracteres estranhos e desconhecidos.
Era uma preciosidade aquele livro – afirmava o traficante, passando as mãos ásperas pelas barbas que lhe caiam ao peito – e custava apenas três moedas. Três moedas? Era muito dinheiro para o pobre alfaiate. Para possuir um objeto tão raro Enedim seria capaz de gastar até duas moedas.
- Está bem – respondeu o mercador – fica-lhe o livro por duas moedas, mas esteja certo de que lhe dou de graça.
Afastou-se o comerciante e Enedim tratou, sem demora, de examinar cuidadosamente a preciosidade que havia adquirido. E qual não foi o seu espanto quando conseguiu decifrar, na primeira página, a seguinte legenda escrita em complicados caracteres caldaicos: “O segredo do tesouro de Bresa”
Por Baal! Por Baal! Aquele livro maravilhoso cheio de mistérios, ensinava com certeza onde se encontrava algum tesouro fabuloso, o tesouro de Bresa! Mas que tesouro seria esse? Enedim recordava-se vagamente de já ter ouvido qualquer referência a ele. Mas quando? Onde? E com o coração a bater descompassado decifrou ainda: “O tesouro de Bresa, enterrado pelo gênio do mesmo nome, entre as montanhas de Harbatol, foi ali esquecido e ali se acha ainda até que algum homem esforçado venha encontra-lo. Harbatol! Que montanhas seriam essas que encerravam todo o lendário ouro de um gênio? E Enedim dispôs-se a decifrar todas as páginas daquele livro, a ver se atinavam, custasse o que custasse, com o segredo de Bresa para apoderar-se do tesouro imenso que o capricho de seu possuidor fizera enterrar nalguma gruta perdida entre montanhas. As primeiras páginas eram escritas em caracteres de vários povos: Enedim foi obrigado a estudar os hieróglifos egípcios, a língua dos gregos, os trinta dialetos fenícios e o complicado idioma dos judeus.
Ao fim de três anos, Enedim deixava a sua antiga profissão de alfaiate, e passava a ser o intérprete do rei, pois, na cidade não havia quem soubesse tantos idiomas estrangeiros. O cargo de intérprete da Babilônia era bem rendoso: ganhava Enedim cem moedas por dia; ademais, morava numa grande casa, tinha muitos criados e todos os nobres da corte saudavam-no respeitosamente.
Não desistiu, porém, o esforçado Enedim, de descobrir o grande mistério de Bresa. Continuando a ler o livro encantado, encontrou várias páginas cheias de cálculos, números e figuras. E, a fim de ir compreendendo o que era, foi obrigado a estudar matemática com os calculistas da cidade, tornando-se ao cabo de algum tempo grande conhecedor das complicadas transformações aritméticas. Graças a esses novos conhecimentos pode Enedim calcular, desenhar e construir uma grande ponte sobre o Eufrates, esse trabalho agradou tanto ao rei, que o monarca resolveu nomear Enedim para excercer o cargo de prefeito.
O antigo e humilde alfaiate passava, assim, a ser um dos homens mais notáveis da cidade. Ativo e sempre empenhado em desvendar o segredo do livro, foi obrigado a estudar profundamente as leis, os princípios religiosos de seu país e os do povo caldeu, com o auxílio desses novos conhecimentos conseguiu Enedim dirimir uma velha pendenga entre os sacerdotes de Marduque e os de Raman.
- É um grande homem o Enedim! – exclamou o rei da Babilônia quando soube do fato – Vou nomeá-lo Ministro Geral do Reino. E assim fez. Foi o nosso esforçado herói ocupar o elevado cargo de Ministro. Vivia, então, num suntuoso palácio, tinha muitos escravos e recebia visitas dos príncipes mais ricos e mais poderosos do mundo. Graças aos trabalhos e ao grande saber de Enedim, o reino progrediu rapidamente, a cidade ficou repleta de estrangeiros, ergueram-se grandes palácios, várias estradas se construíram para ligar Babilônia às cidades vizinhas. Enedim era o homem mais notável do seu tempo, ganhava diariamente mais de mil moedas de ouro, e tinha em seu palácio de mármores e pedrarias, caixas de bronze cheias de jóias riquíssimas e de pérolas de valor incalculável.
- Mas – coisa interessante! – Enedim não conhecia ainda o segredo de Bresa, embora tivesse lido e relido todas as suas páginas! Como poderia penetrar naquele mistério? E um dia, cavaqueando com um velho sacerdote de Ramaní, teve ocasião de referir-se ao segredo que o atormentava. Riu-se o sacerdote ao ouvir a ingênua confissão do grande Ministro da Babilônia, e, afoito a decifrar os maiores enigmas da vida assim falou:
- “O tesouro de Bresa já está em vosso poder, meu senhor. Graças ao livro misterioso adquiristes um grande saber, e esse saber vos proporcionou os invejáveis bens que já possuís. Bresa significa “saber”. Harbatol quer dizer “trabalho”. Com estudo e trabalho pode o homem conquistar tesouros maiores do que aqueles que estão ocultos no seio da terra.”
Tinha razão o velho pensador de Ramaní. Bresa, o gênio, oculta realmente um tesouro incalculável que qualquer homem esforçado e inteligente pode conquistar, essa riqueza prodigiosa não se acha, porém, perdida no seio da terra nem nas profundezas dos mares: acha-se nos bons livros, que, proporcionando saber aos homens, abrem para aqueles que se dedicam aos estudos com ardor e tenacidade, as grutas maravilhosas de mil tesouros encantados.
Transcrito do livro ‘Lendas do Deserto’, de Malba Tahan.
PS. Malba Tahan é o pseudônimo do matemático brasileiro Júlio César de Mello e Souza, nascido no Rio de Janeiro em 6 de maio de 1895 e falecido no Recife em 18 de junho de 1974). Ao longo de sua vida, o professor Júlio César proferiu mais de duas mil palestras em todo o Brasil, principalmente sobre a didática da matemática. Escreveu e publicou 114 livros.
Formatação: Fátima Oliveira
Por dia, 25 pessoas cometem suicídio no Brasil
Tribuna da BahiaPublicada: 23/07/2011 02:16| Atualizada: 23/07/2011 01:14
Catiane Magalhães
A cada minuto, duas pessoas se suicidam no mundo. Por dia, são aproximadamente três mil que tiram a própria vida. Os dados são da Organização Mundial de Saúde (OMS). Segundo o Órgão, o Brasil ocupa o 73º lugar no ranking dos que registram o maior percentual de casos. Entretanto, considerando números reais, o país avança 64 casas, alcançando a 9ª colocação. Aqui, a média diária é de 25 mortes provocadas, ou seja, pouco mais de nove mil por ano.
Os números, apesar de relativamente baixos, se comparado a outros países, cujos índices são alarmantes, como o Japão, Eslovênia, Rússia, Hungria, Canadá e Grécia, já preocupam, pois crescem a cada ano.
Na última década, a taxa de suicídio aumentou mais de 17% entre os jovens de 15 a 24 anos, e 20% entre a população com mais de 60 anos.
A pesquisa revela um dado ainda mais alarmante: para cada suicídio cometido, são registrados, no mínimo, 20 tentativas frustradas. Para cada tentativa mal sucedida, outras cinco pessoas estão planejando pôr fim à própria vida e outras 17 já pensaram ou pensam seriamente em se matar.
O que pouca gente sabe é que tragédias assim podem ser evitadas. Há quase 50 anos, o Centro de Valorização da Vida (CVV) presta ajuda a pessoas com todo o tipo de problemas, sobretudo as com tendência suicida, nas capitais e principais cidades do país, totalizando 70 postos em várias regiões do Brasil.
Sem cunho religioso ou político, o CVV atende 24 horas por dia, sete dias por semana, inclusive nos feriados. Um grupo de profissionais voluntários trabalha com a prevenção do suicídio, através da valorização da vida. Os profissionais ouvem os problemas e fazem aconselhamentos fundamentados na psicologia e filosofia.
Em Salvador, uma unidade funciona na Rua do Bângala, na Moraria, com atendimentos presenciais de segunda à sexta, das 8 às 18 horas; e virtuais, 24 horas, todos os dias, através dos telefones 3322-4111 ou 141, além de respostas a e-mails e bate-papo por chat.
Apesar da pouca divulgação, o grupo tem uma procura razoável e chega a fazer, em média, 1.500 atendimentos, entre presenciais e por telefone. Esse número é bem maior se contabilizadas às correspondências respondidas.
“As pessoas vivem tão atribuladas, sempre com tanta pressa, que não se dispõem a ouvir a outra. É o que eu costumo chamar de solidão em grupo, ou seja, é quando o indivíduo vive cercado de gente, mas se sente sozinho.
Quando a pessoa nos procura é porque não está mais aguentando e, na maioria dos casos, ouvimos algo que jamais foi dito para alguém, nem mesmo à família. Isso demonstra como as relações andam superficiais. As pessoas não se doam; não se ajudam”, disse a coordenadora e voluntária do CVV, Soraia Coelho.
Segundo ela, o surgimento das redes sociais contribuiu para o aumento da solidão em grupo. “Agora, a moda é ‘colecionar’ amigos e seguidores, com quem, na maioria das vezes, o indivíduo não se relaciona ou, ao menos, conversa na vida real. São amizades vazias ou pseudorelacionamentos”, ressalta.
Em contrapartida, essa carência faz aumentar a procura por instituições de ajuda, a exemplo do CVV, onde todas as informações são mantidas em absoluto sigilo. As vítimas não precisam se identificar e os voluntários também mantêm o anonimato. Toda informação ouvida não é comentada nem entre os profissionais da entidade. “Não sabemos quem está do outro lado da linha, do mesmo modo que eles não sabem quem somos, mas mantemos uma relação de confiança um pelo outro”, salienta Soraia.
De acordo com ela, o trabalho dos voluntários da CVV já impediu várias tragédias. “A gente só encerra o diálogo, seja pessoalmente ou por telefone, depois que conseguimos proporcionar alguma melhora no outro. É impossível estabelecer números, mas temos a consciência de que ajudamos muitas pessoas à beira da loucura. Prova disso é a quantidade de ligações de agradecimento que recebemos”, comenta.
Entre os mais velhos, o transtorno de bipolaridade, endividamento, perda de emprego são os supostos motivos. A maioria dos atentados à própria vida está diretamente ligada à depressão, que pode ser desencadeada por um ou a soma de vários desses problemas.
“Não podemos dizer que todo suicida é depressivo, mesmo porque existe uma diferença grande entre depressão e tristeza. O que há é diferentes formas de enfrentar os problemas. Tem pessoas que sabem contornar. Outras, não. A maneira como lidar com o acúmulo faz toda diferença”, pontua.
Curso para voluntários – Criado por um grupo de 17 amigos, no início da década de 60, com o intuito de reduzir a taxa de suicídio, o CVV atualmente conta com o trabalho de 30 voluntários, que se revezam em esquema de plantão, 24 horas por dia. O grupo que oferece ajuda às pessoas, agora pede ajuda para continuar se mantendo.
“Precisamos de mais colaboradores para dá sequência aos trabalhos. Por isso, ministraremos, nos dias 13 e 14 de agosto, o curso preparatório para voluntários”, a coordenadora da entidade, ressaltando que qualquer pessoa maior de 18 anos pode se candidatar.
Os números, apesar de relativamente baixos, se comparado a outros países, cujos índices são alarmantes, como o Japão, Eslovênia, Rússia, Hungria, Canadá e Grécia, já preocupam, pois crescem a cada ano.
Na última década, a taxa de suicídio aumentou mais de 17% entre os jovens de 15 a 24 anos, e 20% entre a população com mais de 60 anos.
A pesquisa revela um dado ainda mais alarmante: para cada suicídio cometido, são registrados, no mínimo, 20 tentativas frustradas. Para cada tentativa mal sucedida, outras cinco pessoas estão planejando pôr fim à própria vida e outras 17 já pensaram ou pensam seriamente em se matar.
O que pouca gente sabe é que tragédias assim podem ser evitadas. Há quase 50 anos, o Centro de Valorização da Vida (CVV) presta ajuda a pessoas com todo o tipo de problemas, sobretudo as com tendência suicida, nas capitais e principais cidades do país, totalizando 70 postos em várias regiões do Brasil.
Sem cunho religioso ou político, o CVV atende 24 horas por dia, sete dias por semana, inclusive nos feriados. Um grupo de profissionais voluntários trabalha com a prevenção do suicídio, através da valorização da vida. Os profissionais ouvem os problemas e fazem aconselhamentos fundamentados na psicologia e filosofia.
Em Salvador, uma unidade funciona na Rua do Bângala, na Moraria, com atendimentos presenciais de segunda à sexta, das 8 às 18 horas; e virtuais, 24 horas, todos os dias, através dos telefones 3322-4111 ou 141, além de respostas a e-mails e bate-papo por chat.
Apesar da pouca divulgação, o grupo tem uma procura razoável e chega a fazer, em média, 1.500 atendimentos, entre presenciais e por telefone. Esse número é bem maior se contabilizadas às correspondências respondidas.
“As pessoas vivem tão atribuladas, sempre com tanta pressa, que não se dispõem a ouvir a outra. É o que eu costumo chamar de solidão em grupo, ou seja, é quando o indivíduo vive cercado de gente, mas se sente sozinho.
Quando a pessoa nos procura é porque não está mais aguentando e, na maioria dos casos, ouvimos algo que jamais foi dito para alguém, nem mesmo à família. Isso demonstra como as relações andam superficiais. As pessoas não se doam; não se ajudam”, disse a coordenadora e voluntária do CVV, Soraia Coelho.
Segundo ela, o surgimento das redes sociais contribuiu para o aumento da solidão em grupo. “Agora, a moda é ‘colecionar’ amigos e seguidores, com quem, na maioria das vezes, o indivíduo não se relaciona ou, ao menos, conversa na vida real. São amizades vazias ou pseudorelacionamentos”, ressalta.
Em contrapartida, essa carência faz aumentar a procura por instituições de ajuda, a exemplo do CVV, onde todas as informações são mantidas em absoluto sigilo. As vítimas não precisam se identificar e os voluntários também mantêm o anonimato. Toda informação ouvida não é comentada nem entre os profissionais da entidade. “Não sabemos quem está do outro lado da linha, do mesmo modo que eles não sabem quem somos, mas mantemos uma relação de confiança um pelo outro”, salienta Soraia.
De acordo com ela, o trabalho dos voluntários da CVV já impediu várias tragédias. “A gente só encerra o diálogo, seja pessoalmente ou por telefone, depois que conseguimos proporcionar alguma melhora no outro. É impossível estabelecer números, mas temos a consciência de que ajudamos muitas pessoas à beira da loucura. Prova disso é a quantidade de ligações de agradecimento que recebemos”, comenta.
Motivos do desespero
Sobre os motivos que levam uma pessoa a suicidar-se, a coordenadora do CVV disse que não existe uma fórmula. Além disso, as razões variam de acordo com a faixa etária. Entre os mais jovens, as causas mais prováveis são: desilusão amorosa, fim de relacionamento, gravidez precoce e o uso de álcool e drogas.Entre os mais velhos, o transtorno de bipolaridade, endividamento, perda de emprego são os supostos motivos. A maioria dos atentados à própria vida está diretamente ligada à depressão, que pode ser desencadeada por um ou a soma de vários desses problemas.
“Não podemos dizer que todo suicida é depressivo, mesmo porque existe uma diferença grande entre depressão e tristeza. O que há é diferentes formas de enfrentar os problemas. Tem pessoas que sabem contornar. Outras, não. A maneira como lidar com o acúmulo faz toda diferença”, pontua.
Curso para voluntários – Criado por um grupo de 17 amigos, no início da década de 60, com o intuito de reduzir a taxa de suicídio, o CVV atualmente conta com o trabalho de 30 voluntários, que se revezam em esquema de plantão, 24 horas por dia. O grupo que oferece ajuda às pessoas, agora pede ajuda para continuar se mantendo.
“Precisamos de mais colaboradores para dá sequência aos trabalhos. Por isso, ministraremos, nos dias 13 e 14 de agosto, o curso preparatório para voluntários”, a coordenadora da entidade, ressaltando que qualquer pessoa maior de 18 anos pode se candidatar.
sábado, 7 de julho de 2012
Falar mais sobre suicídio ajuda na prevenção, dizem especialistas
SAÚDE A falta de diálogo e reflexão sobre o tema, ainda tabu no Brasil, aumenta o sofrimento psíquico Por: Cida de Oliveira, Rede Brasil Atual Publicado em 05/07/2012, 08:35 Última atualização às 09:10 Características pessoais, somadas ao sofrimento inerente à vida, podem levar a desequilíbrios emocionais profundos (João Correira Filho/Arquivo RBA)) São Paulo – Enquanto a população brasileira cresceu 17,8% entre 1998 e 2008, o número de homicídios aumentou 19,5% e o de óbitos por acidentes de transporte, 26,5%. Porém, o suicídio teve crescimento de 33,5% no mesmo período, conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Embora o Brasil não esteja entre os países com maiores médias, o dado se torna preocupante quando é levado em conta o tamanho da população brasileira. Além disso, é crescente o número de pessoas em algumas regiões do Rio Grande do Sul e sobretudo entre os indígenas, que se enforcam, se intoxicam com medicamentos e agrotóxicos, como o chumbinho (substância também usada como veneno contra ratos), que disparam contra si próprios armas de fogo ou saltam de grandes alturas. Considerado problema de saúde pública, o suicídio é definido como ato de deliberadamente tirar a própria vida. “No entanto, nem todas as pessoas que põem fim à própria vida estão em condições emocionais e mentais para tomar essa decisão sem a interferência de um problema mental ou falsas crenças”, diz Neury Botega, professor de Medicina da Universidade de Campinas (Unicamp) no documentário Suicídio no Brasil, realizado pelo Grupo de Pesquisa e Prevenção do Suicídio (PesqueSui), do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Seu coordenador, o pesquisador Carlos Eduardo Estellita-Lins, é organizador do livro Trocando seis por meia dúzia – Suicídio como emergência do Rio de Janeiro, lançado esta semana no Rio de Janeiro. Conforme especialistas, o suicídio é resultado de uma combinação perigosa de depressão, alcoolismo, traços de impulsividade e outros problemas mentais, além da perda de esperança no futuro, da fé, dos sonhos utópicos. A maioria das vítimas brasileiras é de adultos jovens, do sexo masculino. Para José Belisário Filho, psiquiatra especializado em infância e adolescência que também participa do documentário da Fiocruz, o período correspondente à infância encolheu e a adolescência aumentou. “Pela própria transitoriedade da fase, surgem no período mais ideações suicidas”, diz. Segundo ele, estudos mostram que o número de casos em idade escolar aumentou em comparação com o do século passado. “As pessoas têm medo de falar disso. E os jovens acham que têm algo de muito errado com eles quando têm esses pensamentos. Se eles pudessem dialogar sobre isso, iriam ver que muitos pensam ou pensaram como eles em algum momento da vida”, diz o especialista. “O problema não é ter o pensamento suicida, mas não saber o que fazer com ele. Falta preparação dos adolescentes e jovens para o sofrimento”, completa Neury Botega, que considera que a falta de diálogo sobre suicídio é como jogar para debaixo do tapete um problema e ser surpreendido mais tarde por um caso fatal que poderia ter sido evitado. Ainda segundo os especialistas, os serviços de saúde devem oferecer medidas para aumentar as chances de reflexão e ampliar as possibilidades de saídas para a angústia e para o sofrimento e que, assim, a pessoa em sofrimento psíquico encontre outras alternativas além do fim de sua própria existência. Entre as medidas de prevenção apontadas estão campanhas divulgadas pela imprensa e, principalmente, a restrição de acesso aos meios letais, como o chumbinho, um agrotóxico usado como raticida que tem causado muitas mortes. Em alguns países, como a Austrália, houve redução nas taxas de suicídio depois de amplas campanhas e do desarmamento da população. Em outros, há sucesso com a colocação de barreiras em plataformas de trens e metrôs e de intervenções em grandes edificações, como a colocação de redes, além da embalagem de comprimidos em cartelas-bolha em vez de soltos, em vidros. “Com isso dá tempo de chegar alguém enquanto a pessoa destaca comprimido por comprimido. Há uma chance de socorro”, diz Marcelo Tavares, do Núcleo de Intervenção ao Suicídio da Universidade de Brasília (UnB). “A menor dificuldade que se coloca para o salto de uma janela, de um parapeito, pode levar a pessoa a refletir melhor se vale mesmo a pena aquele esforço”, diz Marcelo. Seis por meia dúzia O livro Trocando seis por meia dúzia – Suicídio como emergência do Rio de Janeiro é resultado de três anos de pesquisa realizada nos polos de emergência psiquiátrica do Rio de Janeiro. Relata o atendimento aos pacientes que atentam contra a sua própria vida nas emergências dos hospitais da cidade, e aborda as dificuldades dos profissionais de saúde desde a recepção até o atendimento pelo psiquiatra e, principalmente, a constatação da inexistência de serviços preparados para esta demanda. O livro traz ainda depoimentos de profissionais, de sobreviventes e de camelôs que vendem o chumbinho, veneno dos mais procurados por suicidas, sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e vendido livremente.
Sexualidade, uma visão de anjo ou de gente?
Sexualidade, uma visão de anjo ou de gente? - 30/05/12 “Chico: – sendo o sexo uma força criativa eu diria que talvez quem não tiver problemas de sexo está doente.” (“A Ponte”, entrevistas de Fernando Worm com Chico Xavier) O delicado tema da sexualidade parece cada vez mais distante de nós espíritas. Não é discutido, não é mencionado e nem se mostra interesse por ele. Compreensível! Muito compreensível! É difícil falar daquilo que nos embaraça e causa desconforto. Para muitos chega a ser um tema áspero, traumático. Que fazer diante desse silêncio perigoso em um assunto de tanta relevância? Chico Xavier em sua sabedoria afirmou que o assunto não é tratado porque faltam os “professores”, aqui simbolizando pessoas com autoridade para falar do assunto. E ele está certíssimo. Autoridade nenhum de nós detém nesse assunto. Será que por essa razão não devemos examiná-lo? Alguns escritores e médiuns, corajosos e desejosos a ultrapassar essa barreira do sigilo, publicaram suas ideias, experiências e produções mediúnicas no intuito de contribuir. Entretanto, muitos deles, apesar de superarem a barreira do silêncio, não conseguiram ultrapassar o muro do preconceito, deixando manifesto em seus escritos que não basta expressar opiniões sobre o tema. Mais que discussão e debate, a abordagem da sexualidade para alcançar um objetivo terapêutico e educativo requer uma visão bem consolidada sobre a alteridade humana. Isto é, sobre as peculiaridades de cada ser, uma visão que nasça das entranhas do mais íntegro respeito aos diferentes e suas diferenças. Exige-se, para tal, uma isenção emocional, uma abertura mental. Um dos mais costumeiros equívocos no exame da sexualidade é tratá-la com receitas coletivas, sendo essa uma questão totalmente particularizada. Outro grave descuido é o puritanismo, ainda soberano no entendimento da grande maioria de nós. E por conta desse puritanismo, quando a sexualidade encontra espaço de debate, lhe é imputada um discurso angelical, recheado de regras e normas que se tornam decretos para todos, aumentando ainda mais a angústia e a dor de quantos procuram orientação e lenitivo diante de seus conflitos interiores à luz do Espiritismo. Não podemos culpar a ninguém por tudo isso, é bem verdade! Sabe por quê? Porque tudo isso é apenas um sintoma da nossa condição ainda limitada diante dos temas que envolvem sexo e afetividade. A análise desse estado de coisas na nossa comunidade espírita deve ser feita com muito carinho e com muito respeito a todos nós. As coisas não estão como se encontram por má intenção de nossa parte. Essa é a realidade de nossa condição moral e espiritual diante dessa questão. Porém, convenhamos, precisamos fazer algo! Alguém tem que falar desse assunto! Colocá-lo na mesa de estudos! O que fazer para trazer o assunto sexualidade à ótica humana, com enfoque em pessoas comuns e não em anjos, sem os puritanismos e preconceitos? Eis uma reflexão que, na minha opinião, deveria estar ocupando um pouco mais a cabeça de dirigentes de centros espíritas ou de qualquer pessoa que sinta a necessidade de criar alternativas para que haja espaços para esse debate. No livro “A Ponte”, no qual foram realizadas diversas e instrutivas entrevistas por Fernando Worm, com Chico Xavier, gostaria de destacar um trecho. “Uma jovem estudante propõe outra questão:” “– Você concorda que o sexo é um dos principais problemas da vida? Como devo encarar o ato da sedução?” “Chico: – sendo o sexo uma força criativa eu diria que talvez quem não tiver problemas de sexo está doente.” “Somo seres sexuados, está é uma das realidades humanas.” “Aquele que nada sente neste sentido, no mínimo está com os centros genésicos oclusos. Não somos anjos e, se o fossemos, nosso lugar não seria aqui... Saibamos, porém que os anjos não podem ser ingênuos. Eles passaram com certeza por nossas experiências.” A resposta continua tratando outros ângulos. Eu gostaria muito de saber outras opiniões de meus leitores, mas quando Chico diz: “sendo o sexo uma força criativa eu diria que talvez quem não tiver problemas de sexo está doente.” acredito que a condição humana natural é ter conflitos com a sexualidade. E quem não olha para eles com intuitos curativos é que está doente e não quem tem os problemas a vencer. Talvez, pior que as doenças da sexualidade, sejam as doenças do orgulho e do medo em submeter-se ao tratamento necessário de suas próprias necessidades. Estamos reencarnados carregando os conflitos, as dores e as angústias das questões afetivas e sexuais. O corpo reclama orientação. A sensualidade pede educação. O prazer reivindica ética. Será que abstinência e tarefa doutrinária vão curar essas necessidades? Será que negando nossos desejos estamos avançando em moralidade para canalizar de forma luminosa as expressões da sexualidade? O que é tabu e o que lucidez na conduta sexual do espírita? Quando agimos com preconceito e quando estamos sendo sensatos e coerentes com os ensinos da doutrina espírita a respeito da aplicação da energia sexual? Quantas perguntas sobre o assunto, não é mesmo? Pergunta é coisa de gente! Quem não as tem, de duas uma: ou está doente ou é realmente um anjo. Blog do Wanderley
Assinar:
Postagens (Atom)