Estudando o Espiritismo

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domingo, 4 de setembro de 2011

O Amor que tenho é o que dou...




“... No seu início, o homem não tem senão instintos; mais avançado e corrompido, só tem sensações; mais instruído e purificado, tem sentimentos; e o ponto delicado do sentimento é o amor, não o amor no sentido vulgar do termo, mas este sol interior..." (Cap. XI item 8) - O Evangelho Segundo o Espiritismo

Somente se dá aquilo que se possui. Como, pois, exigir amor de alguém que ainda não sabe amar? Como requisitar respeito e consideração de criaturas que não atingiram o ponto delicado do sentimento que é o amor? Quem dá afeto recolhe a felicidade de ver multiplicado aquilo que deu, mas somente damos de conformidade com aquilo de que podemos dispor no ato da doação. Há diversidades de evolução no planeta. Homens mal saídos da primitividade campeiam na sociedade moderna, ensaiando os primeiros passos do instinto natural para a sensibilidade amorosa. Eis aqui uma breve relação de sintomas comportamentais que aparecem nas criaturas, confundindo o amor que liberta e deseja o bem da outra pessoa com a atração egoísta que toma posse e simplesmente deseja:
- Há indivíduos que, para conquistar os outros e convencê-los de suas habilidades e valores, contam vantagens, persuadindo também a si mesmo, pois acreditam que para amar é preciso apresentar credenciais e louros, satisfazendo assim as expectativas daqueles que podem aceitá-lo ou recusá-lo. - Há criaturas que tentam amar comprando pessoas, omitindo e negando suas necessidades e metas existenciais, abandonando tudo que lhes é mais caro e íntimo e depois, por terem aberto mão de todos os seus gostos e desejos, perdem o sentido de suas próprias vidas, terminando desastrosamente seus relacionamentos. - Alguns delegam o controle de si mesmos aos outros, cometendo assim, em "nome do amor", o desatino de renunciar ao próprio senso de dignidade, componente vital à felicidade. Não é de surpreender que vivam vazios e torturados, pois se tornaram "um nada" ao permitirem que isso acontecesse.- Outros tantos usam da mentira, encobrindo realidades e escondendo conflitos. Convictos de que têm de ser perfeitos para ser amados, temem a verdade pelas supostas fraquezas que ela possa lhes expor diante dos outros. Acabam fracassados afetivamente por falta de honestidade e sinceridade. - Certas criaturas afirmam categoricamente que amam, mas tratam o ser amado como propriedade particular. Por não confiarem em si mesmas, geram crenças cegas de que precisam cuidar e proteger, quando na realidade sufocam e manipulam criando um convívio insuportável e desgastante.
Uma das características mais tristes dos que dizem saber amarem é a atitude submissa dos que nunca dizem "não", convencidos de que, sempre sendo passivos em tudo, receberão carinho e estima. Esse tipo de comportamento leva as pessoas a concordar sempre com qualquer coisa e em qualquer momento, trazendo-lhes desconsideração e uma vida insatisfatória. Requisitar dos outros os que eles ainda não podem dar é desrespeitar suas limitações emocionais, mentais e espirituais, ou seja, sua idade evolutiva. Forçar pais, filhos, amigos e cônjuge a preencher o teu vazio interior com amor que não dás a ti mesmo, por esqueceres teus próprios recursos e possibilidades, é insensato de tua parte.
É dando que se recebe; portanto cabe a ti mesmo administrar tuas carências afetivas e fazer por ti o que gostarias que os outros te fizessem. Não peças amor e afeto; antes de tudo, dá a ti mesmo e em seguida aos outros, sem mesmo cobrar taxas de gratidão e reconhecimento. Importante é que sigas os passos de Jesus na doação do amor abundante, sem jamais exigi-lo de ninguém e sem jamais esquecer que és responsável pelos teus sentimentos. Quanto aos outros, sejam eles quem for, responderão por si mesmos conforme o seu livre arbítrio e amadurecimento espiritual.
(Livro: Renovando Atitudes)

Emoção e Espiritismo


Emoção e Espiritismo

Sérgio Biagi Gregório 
SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Considerações Iniciais. 4. Emoção: 4.1. Emotividade; 4.2. Alguns Tipos de Emoção; 4.3. Tensão entre Sentir e Expressar. 5. Emoção, Paixão e Razão: 5.1. Origem da paixão; 5.2. Paixão: Boa ou Má?; 5.3. Emoção versus Razão. 6. Emoção e Doutrina Espírita: 6.1. A Excitação Cerebral; 6.2. Cuidar do Corpo e do Espírito; 6.3. Ferramentas Espíritas. 7. Conclusão. 8. Bibliografia Consultada.
1. INTRODUÇÃO
Um estado de desequilíbrio emocional poderá nos trazer dificuldades para a harmonia familiar, a convivência no emprego e o relacionamento com o próximo. Pergunta-se: o que se entende por emoção? Qual a sua natureza? Quais são os tipos de emoção? As emoções são boas ou más? Que influência o Espiritismo exerce sobre as emoções?
2. CONCEITO
Emoção – Designa, na psicologia moderna, um estado da mesma natureza com o sentimento, mas muito mais forte que ele, pois surge de improviso e, durante certo período de tempo, impõe-se ao espírito, paralisando a associação livre e natural das representações.
Canus acrescenta: “Creio que a emoção deve ser distinguida do sentimento pela sua maior complexidade, no sentido que, enquanto no sentimento o homem é excitado por uma simples percepção sensorial, na emoção é excitado por um complexo ideológico”. (Monaco, 1967, p. 34)
É o reverbero cortical do fenômeno perceptivo que ocorre na subcorticalidade, em nível subliminar, e só posteriormente se delineia na consciência – no córtex – assumindo a forma de conhecimento propriamente dito. (Equipe da Feb, 1995)
Paixão – Do grego pathos, pena. Significa a disposição para receber alterações ou comoções mais ou menos vivas e com elas corresponder. São reações às emoções, produzidas por causas externas e internas. Inicialmente passiva, torna-se ativa quando espontaneamente a elas adere e quase coopera com elas.
3. CONSIDERAÇÕES INICIAIS
As emoções são os determinantes de nossas ações, tanto para o bem quanto para o mal. Às vezes elas nos incitam a produzir muito e outras vezes inibem todos os nossos campos da vontade. Hoje, costuma-se apelar muito para os sentimentos emocionais das pessoas, principalmente para a compra deste ou daquele produto.
A emoção faz parte do indivíduo, mas é fortemente influenciada pela sociedade, por suas regras e seus costumes. Observe que muitos governos querem ditar normas de conduta aos seus cidadãos.
Há também aquilo que sentimos particularmente, mas que não podemos expressá-lo em público, pois morreríamos de vergonha.
Caso não tenhamos força de vontade, acabamos nos desviando do nosso projeto de vida, porque não soubemos controlar os nossos estados emotivos. O que dá prazer nem sempre é o que deve ser seguido. O importante para o consumo pode ser um péssimo negócio para o nosso crescimento moral e espiritual.
4. EMOÇÃO
4.1. EMOTIVIDADE
Emotividade é a reação excessiva diante de um acontecimento, idéia ou sensação. Podemos distingui-la: sentimento, emoção e paixão. 
No sentimento, nossas reações permanecem organizadas, reguladas e controladas;
Na emoção, há descontrole; não conseguimos organizá-las ou regulá-las;
Na paixão, temos um sentimento superdesenvolvido a expensas de outros, exaltado, que nos pode conduzir ou a grandes realizações ou a grandes quedas, segundo seu teor. (Curti, 1980, p. 44)
4.2. ALGUNS TIPOS DE EMOÇÃO
Raiva – Sentimento violento de ódio ou de rancor. Quando alguém se sente enraivecido toma atitudes violentas. Por exemplo, atirar em alguém.
Termos correlatos: fúria, revolta, ressentimento, exasperação, indignação vexame, animosidade, aborrecimento, irritabilidade e hostilidade.
Medo – Fenômeno psicológico marcado pela consciência de um perigo ou objeto ameaçador determinado e identificável. Nessa situação, o sangue corre para todos os músculos mais rapidamente permitindo a fuga e movimentos rápidos.
Termos correlatos: ansiedade, apreensão, nervosismo, preocupação, consternação, cautela, escrúpulo, inquietação, pavor, susto, terror e, como psicopatologia, fobia e pânico.
Amor – É a totalidade dos sentimentos e desejos que estruturam o pensamento para a liberação de energia e de forças que guiam a ação na produção do bem e possibilitam a aquisição de qualidades, constituintes do crescimento do Espírito. Provoca um estado geral de calma e satisfação, facilitando a cooperação entre os seres humanos.
Termos correlatos: aceitação, amizade, confiança, afinidade, dedicação, adoração, paixão, ágape (caridade).
Felicidade – Em geral, é um estado de satisfação devido à própria situação do mundo. Inibe o aparecimento de sentimentos negativos e favorece o aumento da energia existente.
Termos correlatos: alegria, alívio, contentamento, deleite, diversão, orgulho, prazer sensual, emoção, arrebatamento, gratificação, satisfação, bom humor, euforia, êxtase e, no extremo, mania.
Tristeza – Estado afetivo duradouro em que a consciência se vê invadida por um doloroso sentimento de insatisfação, sendo acompanhada de uma ideia de desvalorização da existência e do real. A tristeza acarreta uma perda de energia e de entusiasmo pelas atividades da vida, em particular por diversões e prazeres. Quando a tristeza é profunda aproxima-se de depressão.
Termos correlatos: sofrimento, mágoa, desânimo, desalento, melancolia, autopiedade, solidão, desamparo, desespero e, quando patológica, severa depressão.

4.3. TENSÃO ENTRE SENTIR E EXPRESSAR
Há, no indivíduo, uma acepção interna e particular, que se distingue da sua apresentação pública. Suponha a corrupção: internamente, o sujeito é contra, pois o seu valor moral a reprime veemente. Na vida pública, é obrigado a conviver com ela, o que lhe causa uma grande tensão entre os seus sentimentos de pureza, de honestidade, de ético, com aqueles que é obrigado a enfrentar no seu dia a dia.
5. EMOÇÃO, PAIXÃO E RAZÃO
5.1. ORIGEM DA PAIXÃO
As paixões têm origem na emoção. Pode-se dizer que a paixão é um sentimento mais duradouro do que a própria emoção. É um movimento da alma que nos arrasta pra fora do nosso estado normal, provocado ou pela atração de um bem que se ama, ou pela repulsa de um mal do qual se foge. Paixão é um desejo que não permite outros. Rousseau dizia: “Todas as nossas paixões são boas quando nos tornam senhores; todas são más quando nos tornam escravos”. Descuret acrescenta: “necessidades desregradas que geralmente começam por nos seduzir para acabar tiranizando-nos”. (Mônaco, 1967, p. 39)
5.2. PAIXÃO: BOA OU MÁ?
A paixão, se não for guiada para o bem, pode se descambar para mal. Os atos e os movimentos das paixões são sempre acompanhados por um distúrbio físico no organismo. A emoção é, inicialmente, orgânica, porque é a resposta a uma sensação. No caso da paixão, é aquele ímpeto do nosso ser para realizar alguma coisa, que geralmente emprestamos um valor extraordinário.  
5.3. EMOÇÃO VERSUS RAZÃO
Agimos mais em função da emoção do que da razão. Observe um torcedor de futebol. Mesmo que seu time seja mais fraco do que o do adversário, ele tem que ganhar de qualquer jeito. Caso seu time não vença, o torcedor acaba xingando o juiz, correndo atrás dos jogadores e punindo-os com as próprias mãos.
A fé é um sentimento do coração, portanto emocional. Ele precisa ser melhorado, trabalhado segundo a razão, para que não se transforme em fé cega, que pode gerar o fanatismo. Não é sem razão que Allan Kardec escreveu no início de O Evangelho Segundo o Espiritismo:
“Não há fé inabalável senão aquela que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da humanidade”.
6. EMOÇÃO E DOUTRINA ESPÍRITA
6.1. A EXCITAÇÃO CEREBRAL
As decepções, os infortúnios e as afeições contrariadas excitam sobremaneira o nosso cérebro, sendo as causas mais freqüentes de suicídio. “Ora, o verdadeiro espírita vê as coisas deste mundo de um ponto de vista tão elevado; elas lhe parecem tão pequenas, tão mesquinhas, a par do futuro que o aguarda; a vida se lhe mostra tão curta, tão fugaz, que, aos seus olhos, as tribulações não passam de incidentes desagradáveis, no curso de uma viagem. O que, em outro, produziria violenta emoção, mediocremente o afeta”. (Kardec, 1995, Introdução, item 15)
6.2. CUIDAR DO CORPO E DO ESPÍRITO
Devemos cuidar do corpo e do Espírito. Os dois estão de tal modo inter-relacionados que não podemos nos dar ao luxo das fortes emoções sem as respectivas consequências para o nosso estado espiritual. Observe a obsessão. Ela acontece porque nos desregramos com alimentação, os prazeres e outras excitações da carne, com coisas que nos trazem a influência desses Espíritos menos felizes.
6.3. FERRAMENTAS ESPÍRITAS
A Doutrina Espírita oferece-nos as ferramentas racionais para enfrentarmos qualquer tipo de problema, inclusive os de cunho emocional, que nos fazem entrar em contato com Espíritos inferiores. Estes se aproveitam de nossa fraqueza momentânea para nos incutir o remorso, o medo, a raiva e outros tipos de emoções, que devemos defender com a prece e os pensamentos voltados para o bem.
7. CONCLUSÃO
Saibamos dosar emoção, paixão e razão. Caso estejamos em dúvida, conclamemos a presença dos benfeitores do espaço, para nos guiar no caminho do bem e da verdade.
8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
CURTI, R. Espiritismo e Evolução. São Paulo: Feesp, 1980.
EQUIPE DA FEB. O Espiritismo de A a Z. Rio de Janeiro: FEB, 1995.
KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed. São Paulo: Feesp, 1995.
MONACO, Nicola. As Paixões e os Caracteres. Tradução de Miguel Zaupa. 2. ed. São Paulo: Paulinas, 1967. (Psicologia Maior)
São Paulo, janeiro de 2011.

PENSAMENTOS E SENTIMENTOS



André Luis, nosso bom repórter do além, em seu livro “Ação e Reação” recebe do Instrutor Silas a seguinte explicação: “Na radiofonia e na televisão os elétrons que carreiam as modulações da palavra e os elementos da imagem se deslocam no espaço a uma velocidade igual à da luz, ou seja, a trezentos mil quilômetros por segundo. Ora, num só local podem funcionar um posto e emissão e outro de recepção, compreendendo-se que, num segundo, as palavras e as imagens podem ser irradiadas e captadas, simultaneamente, depois de atravessarem imensos domínios do espaço, em função infinitesimal de tempo.

Imaginemos agora o pensamento, força viva e atuante, cuja velocidade supera a da luz. Emitido por nós, volta inevitavelmente a nós mesmos, compelindo-nos a viver, de maneira espontânea, em sua onda de formas criadoras, que naturalmente se nos fixam no espírito quando alimentadas pelo combustível de nosso desejo ou de nossa atenção."

“Daí, a necessidade imperiosa de nos situarmos nos ideais mais nobres e nos propósitos mais puros, porque energias atraem energias da mesma natureza, e quando estacionários, na viciação ou na sombra, as forças mentais que exteriorizamos retornam ao nosso espírito, reanimadas e intensificadas pelos elementos que com elas se harmonizam, engrossando, dessa forma, as grades da prisão em que nos detemos irrefletidamente, convertendo a alma num mundo fechado, cujas vozes e quadros de nossos próprios pensamentos, acrescidos pelas sugestões daqueles que se ajustam ao nosso modo de ser, nos impõem reiteradas alucinações, anulando-nos, de modo temporário, os sentidos sutis”.

É como diz a doutora Marlene Nobre em seu livro A Obsessão e Suas Máscara – “Nossos pensamentos geram nossos atos e nossos atos geram pensamentos nos outros”. Comentando ainda que para Emmanuel “A mente humana é um espelho de luz, emitindo raios e assimilando-os” e que são esses raios ou radiações mentais, a fonte de treva ou de luz, felicidade ou desventura, céu ou inferno, onde quer que o Espírito esteja.

Quando nossa mente, por atos contrários à Lei Divina, prejudica a harmonia de qualquer um desses fulcros de força de nossa alma, ela se escraviza aos efeitos da ação desequilibrante, obrigando-se, oportunamente, ao trabalho de reajuste. – Lei de Ação e Reação.

Em verdade, estamos ainda longe de conhecer todo o poder criador e aglutinante encerrado na palavra, no pensamento e no sentimento puro e simples, e, em razão disso, precisamos nos libertar de tudo que nos escravize à ignorância e à miséria, à preguiça e ao egoísmo, à crueldade e ao crime, porque!

No bem ou no mal, nossa mente subjetiva acaba nos inserindo naquilo em que acreditamos.

Para finalizar queremos lembrar que Jesus, o Mestre Amado, nos deixou sempre muito claro ao longo do Seu Evangelho que a imensa bondade de Deus nos propicia infinitas graças através da ajuda espiritual sempre ao nosso alcance, mas também da nossa responsabilidade perante as graças que recebemos. Busquemos, pois, o melhor possível usar a palavra como o estímulo que edifica, o pensamento como a mola que eleva e o sentimento como a compreensão, que aumentando o nosso, aumenta amor a nossa volta.

Nos aceitando como somos, Deus nos dá a cada dia novas oportunidades para que sejamos como devemos.

Doracy Mércia Azevedo Mota

Caminhando para o suicídio inconsciente

ADÉSIO ALVES MACHADO

Invigilância moral que nasce e se estrutura na ignorância humana, com relação ao conhecimento da vida espiritual, tem dizimado milhões de criaturas através dos tempos, e o pior é que continuará sua marcha lúgubre.
O Espiritismo vem tirar da pasmaceira moral os Espíritos aqui reencarnados, a fim de que melhorem, um pouco que seja, a qualidade de suas vidas, fazendo-os ver e sentir as conseqüências de seus vícios, paixões e desatinos cultivados através do corpo carnal.
Nessas horas de devaneio a criatura se deixa envolver por Espíritos  inferiores, de baixo padrão vibratório, quando o ser perde o domínio integral de si mesmo. Criam-se algemas cruéis, difíceis de serem abertas. É a malha do vício que aprisiona, cerceia a iberdade, impõe condições, passa a dominar.
Queremos referir-nos ao tabagismo, esquecendo por enquanto os demais, como por exemplo o alcoolismo, o uso de drogas, a maledicência, o hábito de caluniar, a lutonaria, o sexo em desregramento, a violência, etc., tudo isso causando sérios curtos-circuitos no perispírito do viciado, energeticamente desestruturando-o, tendo em is-  ta que ele será o molde do novo corpo físico da próxima reencarnação do viciado.
Segundo dados colhidos num trabalho sobre saúde, da jornalista Magaly Sonia onzáles,  publicado na revista IstoÉ, de julho de 2000, “o vício do fumo foi adquirido pelos espanhóis, junto aos índios da América Central, que o encontraram nas adjacências de Tobaco, província de Yucatán. Um dos primeiros a cultivar o tabaco na Europa foi Monsenhor Nicot, embaixador da França, em Portugal, de onde se derivou o nome nicotina, dado à principal toxina nele contida”.
O tabagismo apodera-se do viciado em processo lento mas contínuo, fazendo-o mais uma “vítima”, inicialmente de si mesmo, depois do fumo. Em verdade, o viciado se torna escravo de sua vontade pusilânime. O tabagismo é uma doença que, tratada a tempo, tem cura, requerendo do viciado, no entanto, muita obstinação para dele se desvencilhar, determinação esta que ainda não é apanágio dos Espíritos aqui reencarnados.
Para deixar o cigarro é preciso readquirir o poder da vontade que se estiolou diante da prepotência, do autoritarismo da nicotina e seus sequazes. 
O viciado é aquele que perde o comando da mente.
A luta do viciado pela recuperação do controle da vontade torna-se mais acerba pelo fato de o vício haver encontrado quem lhe insufla maior potência: os Espíritos tabagistas desencarnados. As mentes de além-túmulo não se desvinculam com facilidade sem mais nem menos, deste foco que alimenta seus desregramentos: o fumante terreno.
Os efeitos do tabagismo são devastadores, a saber: ele afeta o sistema respiratório, provocando bronquite, enfisema, câncer pulmonar, laringite, tuberculose, tosse e rouquidão; ataca o sistema digestivo, dificultando o apetite e a digestão, além de provocar úlcera gastroduodenal; aumenta a concentração do ácido úrico, instalando a chamada gota; o sistema circulatório sofre com o aparecimento de varizes, flebite, isquemia, úlceras varicosas, palpitação, trombose, aceleração de doenças coronarianas e cardiovasculares; o sistema nervoso, sempre muito sensível, leva à uremia, mal de Parkinson, vertigem, náuseas, dores de cabeça, nervosismo e opressão. A falta do fumo no organismo do viciado gera ansiedade, angústia, desencadeando crises, convulsões e espasmos. Instala-se, como se depreende, toda uma dependência mental, psíquica e física.
Para os indígenas, a fumaça afastava os “maus espíritos”, daí o surgimento dos defumadores. Os pajés jogavam folhas secas no braseiro, ao mesmo tempo em que invocavam os seus deuses. Com o passar do tempo, habituaram-se a fazer um rolo de folhas secas de tabaco, fumegantes, aspirando e tragando a fumaça, o que neles provocava sensações de prazer. Nascia aí, para desgraça de tantas pessoas e o enriquecimento despudorado de muitas outras, o vício de fumar.
Rogamos a Deus que surjam, cada vez mais, medidas restritivas aos fumantes e aos que propagam o cigarro, como também exemplos de abominação ao tabagismo nas famílias, nas escolas e na sociedade em geral. Com tal procedimento se dará uma demonstração de que o tabagismo é um suicídio em processo inconsciente e lento, porém pertinaz.
A tendência do tabagismo é desaparecer antes do alcoolismo. Os dois têm seus dias contados na face da Terra.
Um vício altamente destruidor da vida física, como o tabagismo, perturba também a vida espiritual pelo fato de lesar o perispírito. Acompanhando o Espírito na erraticidade, não só de imediato aparecem as seqüelas mas, também, no seu retorno à vida carnal, num novo corpo bastante comprometido, estruturado que se acha em matriz defeituosa – o perispírito lesado.
Deixar o vício de fumar, dizem os entendidos, tem de ser feito de uma só vez. Não concordamos tacitamente com isso, tendo em vista que cada criatura tem suas próprias reações orgânicas. O resultado que se obtém em relação a um caso pode ser diverso daquele que se constata em um outro. Deve-se, entendemos, colocar em ação todos os recursos existentes e, estando a pessoa determinada a parar com o uso do cigarro, surgirá  o meio mais eficaz, o que seja mais aconselhável para o seu organismo reagir ao assédio do vício. Referimo-nos ao fato de que, na hora em que o viciado se predispõe a deixar o vício, logo a Espiritualidade Superior passa a cuidar do caso, a ele se dedicando com determinação e amor. Os resultados só poderão ser o melhor – libertação do vício.
O Espiritismo analisa o tabagismo como um “inimigo” do ser humano que precisa ser “eliminado”. Sendo um gerador de doenças e de dependências, merece do Espiritismo uma batalha sem trégua. Contudo, ele atuará sem violentação de consciências, somente ajudando, com a sua terapia, a quem quiser ser ajudado.
O viciado recebe do Espiritismo, além de informações fornecidas pela medicina tradicional quanto aos males provocados pelo fumo, o alerta contra as obsessões e as desastrosas conseqüências no campo energético do Espírito, fator este a exigir atenções especiais e procedimentos profundos na mentalização do fumante.
Mostra a Doutrina Espírita a necessidade não só de se cuidar do corpo, mas, so-bretudo, do Espírito e de seu campo vibratorial, o perispírito.
A visão reencarnacionista é o principal fator que induz à reformulação dos valores ético-morais de quem se aproxima do Espiritismo, pois representa, acima de tudo, o uso da lógica e da razão na busca de uma melhor compreensão da vida, abrangendo o aspecto dual da existência: o material e o espiritual.
Compete-nos, portanto, ajudar os nossos irmãos e irmãs que se encontram sob o jugo do vício a fugirem desta forma sub-reptícia de mergulhar num suicídio inconsciente.

952. Comete suicídio o homem que perece vítima de paixões que ele sabia lhe haviam de apressar o fim, porém a que já não podia resistir, por havê-las o hábito mudado em verdadeiras necessidades físicas?
“É um suicídio moral. Não percebeis que, nesse caso, o homem é duplamente culpado? Há nele então falta de coragem e bestialidade, acrescidas do esquecimento de Deus.”
a) – Será mais, ou menos, culpado do que o que tira a si mesmo a vida por desespero?
“É mais culpado, porque tem tempo de refletir sobre o seu suicídio. Naquele que o faz instantaneamente, há, muitas vezes, uma espécie de desvairamento, que alguma coisa tem da loucura. O outro será muito mais punido, por isso que as penas são proporcionadas sempre à consciência que o culpado tem das faltas que comete.”

ATENÇÃO


    OS ENSINAMENTOS DE JESUS E A TRADIÇÃO ESOTÉRICA CRISTÃ

    AS CHAVES QUE ABREM O REINO DOS CÉUS NA TERRA 

    VI. AS CHAVES DO REINO DOS CÉUS

    Capítulo 23 

    ATENÇÃO 
    A falta de atenção do ocidental é notória. Quantas vezes não entendemos o que alguém está nos dizendo porque estamos pensando em outra coisa enquanto o outro está falando. O desenvolvimento da atenção em todas as atividades de nossa vida cotidiana não só servirá para tornar-nos mais eficientes no que tivermos que realizar, mas também facilitará o desempenho de nossa meditação. A inabilidade em manter a plena atenção é uma das principais razões porque os ocidentais têm mais dificuldade para meditar do que os orientais. 
    Mas a atenção também é necessária para evitar que cometamos deslizes na vida. Jesus já dizia: "Vigiai e orai, para que não entreis em tentação, pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca" (Mt. 26:41). Se não estivermos atentos às circunstâncias de nossa vida, analisando as implicações de diferentes cursos alternativos de comportamento, podemos nos deixar levar pelos nossos condicionamentos, geralmente expressando tendências materiais e egoístas. O cuidado e a atenção são especialmente importantes no que se refere às instruções espirituais. No Antigo Testamento encontramos diversas passagens a este respeito, como por exemplo: 
    "Se aceitares, meu filho, minhas palavras e conservares os meus preceitos, dando ouvidos à sabedoria, e inclinando o teu coração ao entendimento; se invocares a inteligência e chamares o entendimento; se o procurares como o dinheiro e o buscares como um tesouro; então entenderás o temor de Iahweh e encontrarás o conhecimento de Deus" (Prov 2:1-5). 
    "Meu filho, sê atento às minhas palavras; dá ouvidos às minhas sentenças: não se afastem dos teus olhos, guarda-as dentro do coração. Pois são vida para quem as encontra, e saúde para a sua carne. Guarda o teu coração acima de tudo, porque dele provém a vida" (Prov 4:20-23). 
    "Deus fala de um modo e depois de um outro, e não prestamos atenção. Em sonhos ou visões noturnas, quando a letargia desce sobre os homens adormecidos em seu leito: então lhes abre os ouvidos, e os aterroriza com aparições, para afastar o homem de suas obras e pôr-lhe fim ao orgulho, para impedir sua alma de cair na sepultura e sua vida de cruzar o Canal" (Jó 33:14-18). 
    Alguns autores da tradição cristã sugerem que a atenção é um elemento fundamental da prática espiritual. Theophanis, o recluso, escreveu: "A vida de atenção, levada a fruição em Cristo Jesus, é o pai da contemplação e do conhecimento espiritual (gnosis). Ligada à humildade, ela gera a exaltação divina e pensamentos do tipo mais sábio."[1] 
    Entre os padres da igreja primitiva falava-se da interdependência da atenção e da prece, que se unem na luta contra o orgulho, levando à humildade, que por sua vez abre o coração aos poderes do alto. S. Hesychios, o Padre, escreveu: "Se nosso intelecto é inexperiente na arte da atenção, ele começa imediatamente a entreter todas as fantasias intensas que nele aparecem, importunando-o com perguntas ilícitas e respondendo-as de forma ilícita. Então, nossos próprios pensamentos juntam-se à fantasia demoníaca, que cresce e se expande até que parece ser maravilhosa e desejável para o intelecto acolhedor e despojado."[2] 
    A atenção pode ser enfocada sob dois aspectos: o que os budistas chamam de "plena atenção" e a técnica da "auto-observação." Esses dois aspectos são de capital importância no caminho espiritual. 
    O importante em ambos aspectos é o direcionamento de nossa atenção. Na maior parte dos exercícios o que é preciso é o unidirecionamento da atenção, no que poderíamos chamar de concentração. As atividades do mundo e a meditação analítica demandam essa concentração. No entanto, em certas situações, em vez de concentrar o foco da atenção, é preciso justamente o contrário, expandir ao máximo o foco da atenção para que ela abarque tudo o que possa estar ocorrendo ao nosso redor. Em certos tipos de meditação, o meditador deve permanecer atento a todos os pensamentos que passam por sua tela mental sem, porém seguir ou apegar-se a nenhum deles. Numa volta mais elevada da técnica meditativa, o objetivo é a contemplação que requer perfeita aquietação da mente. Para que isso ocorra, a mente deve ser pacientemente treinada.  
    A plena atenção voltada para o aqui e agora de cada atividade que está sendo realizada é a melhor disciplina da mente, para que durante o período meditativo ela possa ser naturalmente direcionada a um determinado objeto, e firmemente mantida durante o tempo necessário para analisar tudo o que for possível pela lógica. Se o meditador continuar a manter a atenção no objeto, poderão surgir inspirações reveladoras vindas da pura luz da intuição.  
    O exercício da plena atenção é tão fundamental para a prática budista que eles costumam dizer, com sua alegria costumeira, que a diferença entre eles e os não-praticantes é que quando eles caminham eles caminham, quando comem eles comem, quando meditam eles meditam, etc. A explicação dessa aparente tautologia é que um praticante budista procura voltar toda a sua atenção para o que está sendo realizado, evitando que a mente divague enquanto está fazendo alguma coisa.[3] Como parte do treinamento da mente, os iniciantes são instados a praticar a concentração sobre a respiração como uma técnica meditativa básica. Alguns praticam a meditação ao caminhar lentamente, procurando concentrar-se em todos os movimentos; o mesmo é feito ao comer, com a concentração em cada movimento da mão, do maxilar, etc. 
    Dois autores budistas contemporâneos escreveram a esse respeito: 
    "Quando de pé, andando, sentados ou deitados, durante todo o tempo em que estivermos acordados, deveremos desenvolver a plena atenção mental e o amor universal. Isso, dizem, é a mais elevada conduta aqui."[4] 
    A atenção está relacionada aos sentidos e à mente. O grau mais elevado de atenção é aquele em que a mente está engajada, pois é a mente que sintetiza os sentidos. Mas existe um nível ainda mais elevado de atenção, que é a atenção relacionada aos sentidos espirituais. É para esse nível de atenção que Paulo parecia estar se reportando quando escreveu: "Não olhamos para as coisas que se vêem, mas para as que não se vêem; pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno" (2 Cor 4:18) 
    A atenção é geralmente relacionada na Bíblia como vigilância, daí as várias passagens em que os fiéis são instados a vigiar. Uma passagem merece ser citada em virtude de suas implicações esotéricas: 
    "Felizes os servos que o senhor, á sua chegada, encontrar vigilantes. Em verdade vos digo, ele se cingirá e os colocará à mesa e, passando de um a outro, os servirá" (Lc 12:37). 
            Usando as chaves para a interpretação dos textos sagrados sugeridas anteriormente, podemos assumir que o sentido esotérico da passagem é interior. O senhor é o Eu Superior. Os servos são os veículos inferiores. Felizes, pois, as almas cujos veículos inferiores estiverem vigilantes quando a Graça da chegada consciente do Cristo interior ocorrer. Nesse caso o senhor colocará estas almas à mesa e as servirá com o banquete celestial da sagrada Comunhão. 

    [1] St. Theophanis, o recluso, Four Sermons on Prayer, citado por R. Amin, A Different Christianity, op.cit., pg. 276.
    [2] St. Hesychios the Priest, em The Philokalia (London: Faber and Faber, 1979), vol. I, pg. 187.
    [3] Uma passagem do Dhammapada ilustra a importância da vigilância, ou plena atenção, para os budistas: "A vigilância é o caminho da imortalidade, o Nirvana. A negligência é o caminho da morte. Os vigilantes não perecem; os negligentes já estão como mortos." Op.cit., pg. 21.
    [4] Georges da Silva e Rita Homenko, Budismo: Psicologia do Autoconhecimento (S.P.: Pensamento), pg. 147.

Como trabalhar intimamente




33 - Como trabalhar intimamente

"Não existem paixões de tal maneira vivas e irresistíveis, que a vontade seja impotente para as superar?
— Há muitas pessoas que dizem 'EU QUERO', mas a vontade está somente em seus lábios. Elas querem, mas estão muito satisfeitas que assim não seja. Quando o homem Julga que não pode superar suas paixões, é que o seu Espírito nelas se compraz, por consequência de sua própria inferioridade. Aquele que procura reprimi-las, compreende a sua natureza espiritual; vencê-las é para ele um triunfo do Espírito sobre a matéria."
(Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Capítulo XII. Perfeição Moral. II. Das Paixões. Pergunta 911.)

O nosso trabalho, como acontece em qualquer processo de aprendizagem é gradual e crescente, vai de etapa a etapa, progredindo sempre. Admitimos que, seguindo-se o roteiro deste manual de aplicação, após compreendidas as bases da Transformação Intima (Parte I) e estudado o que se pode transformar (Parte II), o nosso esforço em exercitar, através dos meios apresentados (Parte III), conduziu-nos de início à auto-análise.
De algum modo fazermos, embora empiricamente, as nossas reflexões, é atributo do ser pensante e até certo ponto racional; no entanto, quando procuramos realizar esse trabalho dentro de um contexto filosófico-moral, fundamentado no conhecimento da natureza espiritual do homem, da sua origem, constituição, relacionamento e destino, quando entendemos, à luz do Espiritismo, as leis morais que nos regem, então a nossa motivação se amplia e passamos a impulsionar com a nossa vontade que, apoiada nas realidades da vida espiritual, leva-nos a marchar irreversivelmente, rumo ao progresso moral, isto é, leva-nos a contribuir decisiva e vigorosamente para avançar na nossa evolução.
Assim sendo, praticamos a auto-análise não ape­nas para livrarmo-nos de algum conflito que nos desequilibra, tentando, portanto, conhecer as suas causas, mas o fazemos como um trabalho necessário para alcançar transformações dentro de padrões compatíveis com os ensinamentos do nosso modelo de perfeição: Jesus de Nazaré. (Id. ibid. Pergunta 625.) A auto-análise é um trabalho que se desenvolve com o tempo e não cessa mais, pois é o meio de identificar deliberadamente o que se deve melhorar. Quem está interessado em ser melhor nunca mais pára de pro­gredir, a evolução é infinita.

Do diagnóstico propriamente dito, ou seja, da identificação das manifestações impulsivas de inferioridade às transformações, quase sempre realizadas lentamente, aplicamos a auto-observação, que é sequente e decorrente da auto-análise. Podemos comparar a auto-observação com uma ação consciente de autopoliciamento, de vigilância, interligada ao esforço de auto-aprimoramento, ou seja, de remover defeitos introduzin­do virtudes, e ainda de verificação, para que aquelas virtudes sejam autênticas, sem mesclas de orgulho ou vaidade, quer dizer, virtude sem osten­tação.

A auto-observação, vimos como fazê-la, contando com exatidão e registrando graficamente as contagens das manifestações impulsivas. Agora, o auto-aprimoramento se interrelaciona com a auto-observação e, embora silencioso, ele é desenvolvido com energia e muita atividade mental.

Como podemos trabalhar intimamente nesse auto-aprimoramento é o que vamos discutir. Calma! Tenho que parar aqui! Uma pausa necessária. Não há arrastamentos irresistíveis, há sim arrastamentos apenas (Id., Ibid. Pergunta 845) e, diante deles, o que precisamos fazer? Sair de qualquer modo, com rapidez, daquela situação de perigo. Dar um tempo, respirar fundo, afastar-se, dar uns passos atrás, pedir licença para ir ao banheiro, lavar o rosto, tomar um copo d'água, relaxar, contar até dez, desculpar-se pelo engano, morder a língua, dar-se um beliscão, num instante dizer, de si para si:
"CALMA Al', AMIGO! AQUI TENHO QUE PARAR!"
Precisamos só de um pouco de coragem para conseguir as primeiras vezes, porque nas próximas já dominaremos com maior facilidade. Esse é o processo das Pausas, que podemos aplicar todas as vezes em que o nosso vulcão interior ameaçar entrar em erupção. Temos que ser velozes e parar de imediato com uma ordem mental firme, que cada um saberá elaborar para surtir maiores efeitos.

Estabelecendo pausas, damos tempo para que o próprio tempo trabalhe a nosso favor. O que dissermos em pensamento agirá produzindo novas disposições, em substituição àquele primeiro impacto de reação, e, desse modo, quebramos o processo automático ao qual estamos condicionados ou habituados, e que nos leva às reações explosivas.
As pausas dão lugar às manifestações construtivas, renovadoras, tranquilizantes, confortadoras, portanto de efeitos reais.

Relaxamento e Meditação

Hoje, as práticas de relaxamento e de meditação não são apenas utilizadas pelos místicos orientais de vida reclusa, são largamente empregadas no Ocidente, divulgadas e ensinadas por um surpreendente número de autores estrangeiros e brasileiros: filósofos, pensadores, psicólogos, educadores, médicos e terapeutas.

Essas técnicas ajudam grandemente o homem moderno a suportar as tensões e os desgastes de seu trabalho diário.
Não queremos aqui, atrevidamente, apresentar uma técnica ou método pessoal, preferimos recomendar aos interessados que consultem algumas obras específicas e escolham por si mesmos a que lhes parecer melhor. A nossa experiência é muito relativa e temos nos utilizado simplesmente dos processos de fácil emprego, em resumo compreendidos no que segue:
1° Em local isolado e silencioso, sentado, reclinado ou deitado, com pequeno gravador cassete, tocando baixinho músicas suaves de meditação e prece, em hora conveniente;

2° Começando por relaxar pausadamente, em ordem, dos pés à cabeça, descontraindo músculos e aliviando tensões, penetrando em profunda calma;

3° Pode-se respirar compassadamente com maior profundidade, algumas vezes, imaginar-se absorvendo energias vitalizantes e envolto numa atmosfera reconfortante de vibrações azul-claro;

4° Imaginando-se às margens de um lago sereno, numa paisagem tranquila, identificado emocionalmente com aquelas irradiações, iniciamos, assim, a mentalização de algumas afirmações dentro do que esperamos alcançar, ou seja: obter equilíbrio emocional, dominar impulsos, superar tentações, vencer vícios, eliminar hábitos, transformar defeitos, adquirir virtudes, realizar o bem desinteressadamente, não reagir com violência, ser compreensivo, amigo, tolerante, benevolente, piedoso, laborioso, modesto, despretensioso, e assim por diante...

Essas afirmações devem ser claras, bem definidas e independentes umas das outras, fazendo-se uma por vez, sem se deixar saturar cansativamente por um prolongado e extenso número delas. Essas práticas contribuem de forma generalizada para obtermos uma razoável condição de equilíbrio emocional e movimentarmos nossas potencialidades espirituais, no sentido das transformações íntimas. Desse modo, nos predispomos a reagir com serenidade e a controlar nossos impulsos, como também nos auxiliando a superar ansiedades e tensões.

O mecanismo em ação é: ao trabalharmos profunda e permanentemente as raízes do inconsciente, agimos magneticamente em nossos regis­tros mentais, de maneira a modelar as suas manifestações.
Conversas consigo mesmo
Quantas vezes precisamos ponderar para nós mesmos as razões sérias em que nos apoiamos para não cometer esse ou aquele erro? As conclusões que tiramos sobre a maneira grosseira de agir para com alguém, o fazemos numa conversa silenciosa conosco mesmo.

Repreendemo-nos então, com frases articuladas mentalmente, reconhecendo nossa culpa e encorajando-nos a expressar nosso arrependimento num pedido de escusas.
Diante de um envolvimento forte, que possa nos induzir a um ato repreensível, precisamos balancear os "prós" e os "contras", trazendo à discussão íntima os conhecimentos apreendidos, pesando bem as consequências desastrosas e renunciando a algum prazer ilusório.

É como se conversássemos, persuadindo-nos amigavelmente a não nos deixar levar por esse ou aquele impulso, apelando para a própria compreensão dos prejuízos a causar, não valendo a pena, por tão pouco, destruir todo um esforço de edificação interior.
Nessa conversa bem consistente, vamos sentindo que o clima emocional muda e a fogueira que ardia vai abrandando até extinguir-se. Consegui­mos, assim, reprimir o impulso e remover a ação prejudicial.

O Espiritismo nos reforça a necessidade prática dessa conversa interior, ao mostrar a influência oculta dos espíritos sobre os nossos pensamentos e ações. (Id., ibid. Capítulo IX. Intervenção no Mundo Corpóreo. Perguntas 459 e 472.) Desse modo, distinguindo sempre o bem do mal, separamos as más influências das boas, os próprios maus impulsos, as sugestões perniciosas, e afastamo-nos do proceder transgressor, repelindo as tentativas dos espíritos que nos incitam ao mal.

O caminho seguido para que nos utilizemos desse método é aproximadamente esse:

1° Ao começar a descobrir a inclinação disfarçada para cometermos algum deslize, mesmo na forma sutil, como uma expectativa de satisfação, prazer ou algo semelhante, vamos logo ao encontro dela;

2° Vamos, então, indagando o "porquê" daquela emoção sorrateira e sondemos onde estão as suas raízes. Podemos até dizerem pensamento: "Aproxime-se, quero lhe conhecer melhor", "Por que vou seguir a sua sugestão?", "Não é preferível saber primeiro os seus motivos?", "Acontece que não espero agradar-lhe", "Quero manter meu equilíbrio e não ceder às suas tentações", "Quais as suas necessidades?", "Não serão os chamamentos corpóreos, as predominâncias do ser animal que habita em mim?"

3° Assim prosseguimos, e identificando as origens das manifestações atraentes, ponderamos as consequências: "Se eu ceder, serei levado a colher profundas tristezas, depressões, sofrerei amargamente", "Assim fazendo prejudicarei a (A) e a (B), pois sucederá (isso) ou (aquilo)", "Se­rá que eu gostaria que assim fizessem comigo?", "Ah! Não vale a pena, a minha tranquilidade é mais importante!", "Quero seguir Jesus, ele me ensina a agir nessas ocasiões, (desse) e (daquele) modo", "Ë isso que vou fazer", "Estou decidido e basta!"

4° Recorrer à leitura de algumas páginas de livros como:

Conduta Espírita. André Luiz.
Sinal Verde. André Luiz.
Rumo Certo. Emmanuel.
Coragem. Espíritos Diversos.
Segue-me. Emmanuel.
Pão Nosso. Emmanuel.
Vinha de Luz. Emmanuel.
Caminho, Verdade e Vida. Emmanuel.
Fonte Viva. Emmanuel,
e tantos outros que nos incentivam ao bem proceder, apoiados no Evangelho de Jesus.

Gritar Mentalmente
Algumas vezes, quando a conversa conosco mesmo não consegue mudar a impregnação de qualquer desejo, quando ainda ficamos alimentando-os e, apesar de compreender que não devemos e eles dar escoamento, permanecemos envolvidos sem afastá-los. Nessas ocasiões de indefinição corremos sérios riscos de cometê-los e necessitamos de um salva-vidas para não afundar.
Nesses casos é muito válido gritar mentalmente, com bastante ener­gia, expressões como:

"Saia da minha cabeça!"
"Afaste-se de mim!"
"Não me atormente!"
"Não vou cair nesse erro!"
"Basta!"
"Chega!"
"Suma!"

Podemos gritar mentalmente em qualquer situação, sem chamar a atenção dos outros, cada vez que aparece um pensamento nocivo, uma emoção caprichosa, uma imagem erótica, um desejo incontido. Podemos gritar, se for necessário repetidamente, qualquer frase de contenção vi­gorosa, como uma ordem à fonte geradora, até que a emissão perigosa desapareça.

Ao emitir mentalmente um grito de alerta, respondemos com uma reação ao impulso destruidor e derrubamos a sua força de envolvimento, saindo, portanto, daquele instante perigoso.
Com um grito, diz o adágio popular, "se salva uma boiada", e podemos salvar a nós mesmos de cair num abismo.

Evitar as ocasiões de perigo

Ao observar o que nos leva a agir de modo indesejável, podemos muito bem identificar as situações que nos cercavam ao manifestar aquela reação incontrolada.

Ora, conhecendo as circunstâncias que possam nos envolver e assim nos fazer cometer ações que procuramos evitar, qual será a disposição mais inteligente para quem conhece as suas próprias fraquezas? É afastar-se dos momentos perigosos. Assim faz o alcoólatra em recuperação: evita experimentar um gole, mesmo inofensivo, de qualquer bebida contendo álcool. O jogador que combate a sua forte inclinação não vai a rodas de amigos que praticam esse hábito. Os glutões em regime preferem fugir dos restaurantes atraentes e dos pratos suculentos. Quem não quer poluir sua imaginação com erotismo não lê revistas pornográficas nem vai assistir filmes que exploram o sexo. E assim por diante...

Conhecer os defeitos que ainda não conseguimos vencer é medida de prudência, de precaução, em lugar de querer testar a nossa fortaleza, simplesmente contornar os precipícios que possam nos fazer cair naqueles abismos.
Podemos, então, antes de ser arrastados às circunstâncias que propiciem o acontecimento dos incidentes, ou que possam nos induzir a repeti-los, não aproximarmo-nos delas. Em discussões, por exemplo, sobre posições contrárias em aspectos religiosos, nas quais dificilmente convencer alguém das nossas convicções, o melhor é não prosseguir em argumentos, mesmos que fundamentados na mais evidente comprovação, porque, conhecendo as nossas tendências, podemos terminar, no ardor do vozerio, em agressões e contrariedades que nada constróem.

Nessas eventualidades, trabalhemos como um vigilante e intimamente acendamos uma luz amarela, como sinal de atenção, colocando-nos em estado de alerta, e podemos também dizer para nós mesmos:
"Estou diante de uma situação perigosa. É preferível recuar pois mais vale um covarde vivo do que um herói morto". "Corajoso é aquele que, conhecendo os riscos de cair em erros, consegue evitá-los, afastando-se das situações que os possam provocar."

Desse modo, se soubermos modificar, contornar, evitar as ocasiões que nos cercam, poderemos com isso transformar as habituais ações defeituosas e nos aprimorar progressivamente. Conhecendo as nossas situações de perigo, por que iremos nos expor a elas? Não temos necessidade de dar ouvidos aos convites tentadores ou às sugestões hipnóticas invisíveis, de experimentar para dar provas.

Ler e orar
O livro é sempre um bom companheiro. Quase sempre os pensamentos bailam e a imaginação voa, explorando as esferas de atração, em que a nossa predominância animal se compraz, quando a mente está livre, vazia ou ociosa.
O hábito da leitura edificante sempre é salutar ao nosso espírito, com o meio de ampliação dos nossos conhecimentos, como enriquecimento do espírito na sintonia com as idéias renovadoras, como meio para encontrar respostas às nossas indagações, ou para fortalecer os nossos propósi­tos de reforma íntima.

O nosso trabalho de auto-aprimoramento pode ser grandemente intensificado pela leitura das obras que nos esclarecem e incentivam ao comportamento evangélico. É precisamente o meio que temos para renovar as nossas idéias, estimular a reflexão, saber como agir, escolher rumos e alimentar nosso espírito no trabalho permanente de efetiva aplicação.
Em quaisquer circunstâncias em que estejamos vivendo nossas provas, nos testes mais diretos dos defeitos a burilar, precisamos recorrer à leitura para comer subsídios que norteiem o nosso esforço. Isso é fundamental, é mesmo imperioso. E o orar? Por que será que o Cristo deu tanta ênfase ao "orar"? No "orai e vigiai" o Mestre da Galiléia colocou-o em primeiro lugar. "Amar a Deus sobre todas as coisas..." é outra máxima que se eleva a tudo mais.

Não será exatamente no "orar" que mais nos aproximamos do Criador e melhor expressamos a Ele o nosso amor? Evidentemente que dependerá do conteúdo, da essência das nossas preces, do que elas traduzem em profundidade. Não será por muito orar que seremos ouvidos, já o sabemos, bem como, "a oração não nos exime das faltas, o perdão rogado só se obtém mudando de conduta, e são as boas ações a melhor prece". (Id., Ibid. Pergunta 661.)

É também clara a resposta dada à pergunta 910 do mesmo livro, referindo-se à ajuda eficaz que os Espíritos possam nos dar para superarmos as paixões: "Se orar a Deus e ao seu bom gênio com sinceridade, os bons espíritos virão certamente em seu auxílio, porque essa é a sua missão".
"Orar constitui a fórmula básica da renovação íntima, pela qual o divino entendimento desce do Coração da Vida para a vida do coração." (André Luiz. Mecanismos da Mediunidade. Capítulo XXV. Oração, Prece e Renovação.)

Constantemente vemo-nos defrontados por vibrações desgastantes que nos atingem, causando depressões, fadiga, desânimo e irritação, prove­nientes de criaturas próximas ou afastadas, no próprio plano terreno ou já desencarnadas, em condições de revolta, ora curtindo ódios ocultos, inve­jas, ou mantendo desafetos recônditos, de certa forma relacionadas conos-co, nessa ou em outras experiências, com as quais tenhamos convivido no erro, e agora unidos sob o mesmo teto ou comprometidos com objetivos profissionais comuns, sentimo-nos então vulneráveis, frágeis ainda, entre o estágio ideal a conquistar e a realidade íntima que nos condiciona ao mundo dos desejos.
Encontramos, assim, na prece, o meio de renovação íntima, envolvendo-nos nas vibrações balsâmicas dos planos elevados ao estabelecer a sintonia com os Espíritos amigos e benevolentes, que nos impulsionam, convertidos em fiéis companheiros, que por já terem ascendido aos níveis sublimados, nos estendem a mão, desejosos de que os alcancemos.

Nos momentos de oração, despojados de interesses, sem repetir peditórios cansativos, abrimos simplesmente a nossa alma, desejosos de compreender mais e aceitar resignadamente as provas que escolhemos, empenhando a nossa persistência e a nossa resistência, para bem aproveitar as oportunidades de crescer interiormente, no trabalho de auto-aprimoramento e no serviço do bem comum.

O orar é espontâneo e informal. Quanto mais profundamente falar o coração, mais alto projetamos, em formas luminosas, os nossos sentimentos, sejam eles as expressões de intraduzíveis emoções, de dores dilacerantes, de súplicas aflitivas ou de sofrimentos buriladores. Nesses instantes emitimos irradiações de imenso poder transformador, que inundam a nossa alma de energias reconfortadoras, nos ajudando a caminhar e ampliando as potencialidades espirituais. (Id., ibid. Capítulo IV. Matéria Mental e Matéria Física.)

No nosso trabalho interior, as ocasiões de dificuldade em superar os defeitos arraigados ao espírito, ou os desfalecimentos do bom ânimo são precisamente os momentos para recorrermos à prece. Aí falará o nosso coração e a sinceridade nos fará chegar aos bons espíritos, que certamente virão em nosso auxílio.

A automatização do bem proceder

Até que ponto chegaremos, realizando esse trabalho interior? Sendo-nos tão dificultoso eliminar vícios e defeitos, quando nos libertaremos e concluiremos nossa empreitada?
Essas indagações que certamente faremos de início não podem ter respostas plausíveis, mesmo a contento dos nossos apressados anseios.

De certo modo, o que nos cabe fazer é desempenhar, da melhor maneira, a nossa parte, isto é, trabalhar, trabalhar e trabalhar, permanentemente e sem pretensões. A rigor, quanto mais nos conhecemos e melhor desvendamos nossos segredos seculares, mais amplamente abrem-se os horizontes da nossa compreensão, e também melhor aquilatamos as distâncias a serem galgadas.
Apesar de tudo, em lugar dos desânimos passamos a sentir incontáveis emoções sustentadoras e as expressões de humildade, de abnegação nos fazem penetrar num mundo novo de vivências.

Nada é mais animador do que as alegrias experimentadas no dever cumprido, na consciência reta.
Do mesmo modo, como os hábitos nocivos seguem um mecanismo em que nos viciamos pelos processos de respostas num sistema de reflexos condicionados — como automatismos repetitivos —, o contínuo modelar das nossas atitudes no bem proceder cria, com o tempo, respostas naturais e espontâneas, sem que para isso precisemos despender maiores esforços.
Reagimos sempre evangelicamente, em quaisquer situações, como hábitos salutares adquiridos e já automatizados, resultantes das construções íntimas, conscientemente elaboradas. Entendemos que, na condição de espíritos em vias de regeneração, muito temos a realizar, e não podemos achar que as remodelações interiores se façam todas numa única encarnação. No entanto, muito podemos transformar, mesmo numa atual existência, trabalhando de forma ordenada o burilamento das nossas diferentes facetas e ângulos de imperfeições.
No final, de regresso à pátria espiritual, com bagagem quase sempre aquém da realização desejada, é que avaliaremos os frutos do nosso esforço, e daí nos prepararemos para nova viagem ao mundo das provas. Contamos, porém, com os relativos meios de aferição dos rumos seguidos nessa vida. A bússola ainda é a nossa consciência, dela recolhemos as respostas e por ela percebemos se estamos progredindo, isto é, conseguindo articular nossos automatismos no bem proceder.
E o que periodicamente carecemos efetuar são as nossas auto-avaliações, assunto a ser abordado em capítulo próximo, de importante utilização no delineamento da trajetória em percurso, que nos solicita cotidiano exercício dos bons impulsos a se tornarem um dia espontâneos.
Ney Prieto Peres

DUALIDADE DO BEM E DO MAL




Livro: Amor Imbatível Amor: Capítulo 14-PDFImprimirE-mail




Amor Imbatível Amor - Joanna de Angelis
Escrito por Joana de Ângelis   


Um velho koan Zen-Budista narra que um homem muito avarento recebeu, oportunamente, a visita de um mestre.
O sábio, depois de saudá-lo, perguntou-lhe: — Se eu fechar a minha mão para sempre, não a abrindo nun­ca, como te parecerá?
o avaro respondeu-lhe sem titubear: — Deforma­da.
Muito bem, prosseguiu o interlocutor: — E se eu a abrir para sempre, como a verás?
— Igualmente deformada — redargüiu, o anfitrião.
O homem nobre concluiu, informando-o: — Se en­tenderes isso, serás um rico feliz.
Depois que se foi, o anfitrião começou a meditar e, a partir daí, passou a repartir com os necessitados, aqui­lo que lhe parecia excedente, tornando-se generoso.
Todos os opostos, afirma o antigo koan, bem e mal, ter e não ter, ganhar e perder, eu e os outros, dividem a mente. Quando são aceitos, afastam as pessoas da mente original, sucumbindo ao dualismo.
A sabedoria, concluiu a narração sintética, está no meio, no Zen, que é o caminho.
A dualidade sempre esteve presente no ser huma­no, desde o momento em que ele começou a pensar, desenvolvendo a capacidade de discernir. Os opostos têm-lhe constituído desafios para a consciência, que deve eleger o que lhe é melhor, em detrimento daquilo que lhe é pernicioso, perturbador, gerador de conflitos.
Não poucas vezes, por imaturidade, toma decisões compulsivas e derrapa em estados de perturbação, demarcando fronteiras e evitando atravessá-las, assim
perdendo contato com as possibilidades existentes em ambos os lados, que podem auxiliar na definição de rumos. Essa definição, no entanto, não pode ser cercea­dora das vivências educativas, produtoras. Devem ca­racterizar-se pela eleição natural do roteiro a seguir, de maneira que nenhuma forma de tormento pelo não ex­perimentado passe a gerar frustração.
A experiência ensina a conquistar os valores legíti­mos, aqueles que propiciam a evolução, facultando, na análise dos contrários, a opção pelo que constitui estí­mulo ao crescimento, sem que gere danos para o pró­prio indivíduo, para o meio onde se encontra, para ou­trem. Somente assim, é possível a aquisição do com­portamento ideal, propiciador de paz, porque não traz, no seu bojo, qualquer proposta conflitiva.
Do ponto de vista ético, definem os dicionaristas, o bem é a qualidade atribuida a ações e a obras huma­nas que lhes confere um caráter moral. (Esta qualida­de se anuncia através de fatores subjetivos — o senti­mento de aprovação, o sentimento de dever — que le­vam à busca e à definição de um fundamento que os possa explicar.)
O mal é tudo aquilo que se apresenta negativo e de feição perniciosa, que deixa marcas perturbadoras e afugentes.
Na sua origem, o ser não possui a consciência do bem nem do mal. Vivendo sob a injunção do instinto, é levado a preservar a sobrevivência, a reprodução, atu­ando por automatismos, que irão abrindo-lhe espaços para os diferenciados patamares do conhecimento, do pensamento, da faculdade de discernir.
A seleção do que deve em relação ao que não deve realizar dá-se mediante a sensação da dor física, depois emocional, mais tarde de caráter moral, ascendendo na escala dos valores éticos. Percebe que nem tudo quanto lhe é lícito executar, pode fazê-lo, assim realizando o que lhe é de melhor, no sentido de descobrir os resulta­dos, porqüanto aquilo que lhe é facultado, não poucas vezes fere os direitos do próximo, da vida em si mes­ma, quanto da sua realidade espiritual.
Essa percepção torna-se a presença da capacidade de eleger o bem em detrimento do mal. Faz-se a reali­dade livre da sombra, o avanço psicológico sem trau­ma, a ausência de retentivas na retaguarda.
Embora haja o bem social, o de natureza legal, aquele que muda de conceito conforme os valores éticos estabelecidos geográfica ou genericamente, pai­ra, soberano, o Bem transcendental, que o tempo não altera, as situações políticas não modificam, as cir­cunstâncias não confundem. É aquele que está ins­crito na consciência de todos os seres pensantes que, não obstante, muitas vezes, anestesiem-no, perma­nece e se impõe oportunamente, convidando o in­frator à recomposição do equilíbrio, ao refazimento da ação.
O mal, remanescente dos instintos agressivos, pre­domina enquanto a razão deles não se liberta, sob a dominação arbitrária do ego, que elabora interesses hedonistas, pessoais, impondo-se em detrimento de todas as demais pessoas e circunstâncias.
O seu ferrete é tão especial que, à medida que fere quantos se lhe acercam, termina por dilacerar aquele que se lhe entrega ao domínio, tombando, exaurido, pelo caminho do seu falso triunfo.
O ser humano foi criado à imagem de Deus, isto é, fadado à perfeição, superando os impositivos do trânsito evolutivo, nessa marcha inexorável a que se encon­tra compelido.
Possuindo os atributos da beleza, da harmonia, da felicidade, do amor, deve romper, a pouco e pouco, a casca que o envolve — herança do período primário por onde tem que passar — a fim de desenvolver as apti­dões adormecidas, que lhe servem temporariamente de obstáculo a esses tesouros imarcescíveis.
O Bem pode ser personificado no amor, enquanto o mal pode ser apresentado como sendo-lhe a ausên­cia.
Tudo aquilo que promove e eleva o ser, aumentan­do-lhe a capacidade de viver em harmonia com a vida, prolongá-la, torná-la edificante, é expressão do Bem. Entretanto, tudo quanto conspira contra a sua eleva­ção, o seu crescimento e os valores éticos já logrados pela Humanidade, é o mal.
O mal, todavia, é de duração efêmera, porque re­sultado de uma etapa do processo evolutivo, enquanto o Bem é a fatalidade última reservada a todos os indi­víduos, que se não poderão furtar desse destino, mes­mo quando o posterguem por algum tempo, jamais o conseguindo definitivamente.
Eis porque o ser tem a tendência inevitável de bus­car o amor, de entregar-se-lhe, de fruí-lo.
Encarcerado no egoísmo e acostumado às buscas externas, recorre aos expedientes do prazer pessoal, em vãs tentativas de desfrutar as benesses que dele decorrem, tombando na exaustão dos sentidos ou na frustração dos engodos que se permite.
Oportunamente um aprendiz indagou ao seu mes­tre: — Dize-nos o que é o amor.
— E o sábio, após ligeira reflexão, redargüiu com um sorriso:
— Nós somos o amor.
Esse sentimento que temos todos os seres viventes expressa o Supremo Bem, que nos cumpre buscar, em­bora estejamos na faixa da libertação da ignorância, errando, ainda praticando o mal temporário por falta da experiência evolutiva, que nos junge às sensações, em detrimento das emoções superiores que alcançare­mos.
Há uma tendência para a experiência do Bem, face à paz e à beleza interior que se experimenta, constitu­indo-se um grande desafio ao pensamento psicológico estabelecer realmente o que é de melhor para o ser hu­mano, graças aos impositivos dos instintos que prome­tem gozo, enquanto que a sua libertação, às vezes, do­lorosa, em catarse de lágrimas, proporciona em plenitude.
A terapia do Bem — essa eleição dos valores éticos que propiciam paz de consciência — constitui proposta excelente para a área da saúde emocional e psíquica, conseqüentemente, também física dos seres humanos, que não deve ser desconsiderada.
A medida que se amplia o desenvolvimento psico­lógico, seu amadurecimento, são eliminadas as distân­cias entre o eu e os outros, superando o mal pelo bem natural, suas ações de fraternidade e de compreensão dos diferentes níveis de transição moral, compreenden­do-se que o mal que a muitos aflige, por eles mesmos buscado, transforma-se na sua lição de vida.
Eis porque é necessária a terapia da realização edi­ficante, produzindo sempre em favor de si mesmo, do próximo e do meio ambiente, evitando qualquer tenta
tiva de destruição, de perturbação, de desequilíbrio.
Por isso, não realizar o bem é fazer-se a si mesmo um grande mal. Dificultar-se a ascensão, é forma de comprazer-se na vulgaridade, na desdita, assumindo um comportamento masoquista, no qual se sente valo­rizado.
Certamente, nem todos os indivíduos conseguem de imediato uma mudança de conduta mental, por­tanto, emocional, da patologia em que se encarcera, para viver a liberdade de ser feliz. Isso exige um esforço her­cúleo que, normalmente, o paciente não envida. Acre­dita que a simples assistência psicológica irá resolver-lhe os estados interiores que o agradam, quase que a passo de mágica, transferindo para o psicoterapeuta a tarefa que lhe compete desenvolver.
Para esse cometimento, o do reequilíbrio, a assis­tência especializada é indispensável, somada à contri­buição de um grupo de apoio e ao interesse dele pró­prio para conseguir a meta a que se propõe.
A religião bem orientada, pelo conteúdo psicológi­co de que se reveste, desempenha um papel de alta re­levância em favor do equilíbrio de cada pessoa e, por extensão, do conjunto social, no qual se encontra loca­lizada.
A religião que se fundamenta, no entanto, na con­duta científica de comprovação dos seus ensinamen­tos, que documenta a realidade do Espírito imortal e a sua transitoriedade nos acontecimentos do corpo, como é o caso do Espiritismo, melhores condições possui para auxiliá-la na escolha do caminho a trilhar com os pró­prios pés, propondo-lhe renovação interior e adesão natural aos princípios que promovem a vida, que a dig­nificam, portanto, que representam o Bem.
Por outro lado, proporciona-lhe uma conduta res­ponsável, esclarecendo-a que cada qual é responsável pelos atos que executa, sendo semeadora e colhedora de resultados, cabendo-lhe sempre enfrentar os desafi­os de superar-se, porque toda conquista valiosa é re­sultado do esforço daquele que a consegue. Nada exis­te que não haja sido resultado de laborioso esforço.
Ainda mais, faculta-lhe o entendimento de como funcionam as Leis da Vida, em cuja vigência todos os seres somos participantes, sem exceção, cada qual res­pondendo de acordo com o seu nível de consciência, o seu grau de pensamento, as suas intenções intelecto-morais.
Abre, ademais, um elenco de novas informações que a capacitam para a luta em prol da saúde, expli­cando-lhe que existe um intercâmbio mental e espiritu­al entre as criaturas que habitam os dois planos do mundo: o espiritual ou da energia pensante e o físico ou da condensação material.
A morte do corpo, não extinguindo o ser, apenas altera-lhe a compleição molecular, mantendo-lhe, não obstante, os valores intrínsecos à sua individualidade, o que faculta, muitas vezes, o intercâmbio psíquico.
Quando se trata de alguém cuja existência foi pau­tada em ações elevadas, a influência é agradável, rica de saúde e de harmonia. Quando, porém, foi negativa, inquieta ou doentia, perturbada ou insatisfeita, trans­mite desarmonia, enfermidades, depressões e alucina­ções cruéis, que passam a constituir psicopatologias de classificação muito complexa, na área das obsessões espirituais e de libertação demorada, que exigem mui­to esforço e tenacidade nos propósitos em favor da re­cuperação da saúde.
O Bem, portanto, é o grande antídoto a esse mal, como o é também para quaisquer outros estados per­turbadores e traumáticos da personalidade humana.
Outrossim, a experiência do Bem se dará plena após o trânsito pelas ocorrências do Mal, os insucessos, as perturbações, as reações emocionais conflitivas, que facultam o natural selecionar dos comportamentos agra­dáveis, tranqüilos, que validam o esforço de haver-se optado pelo que é saudável. Caso contrário, a aquisi­ção positiva não se faz total, porque será mais o resul­tado de repressão aos instintos do que superação de­les, graças ao que se pode adquirir virtudes — sentimen­tos bons, conquistas do Bem —, no entanto, perder-se a integridade, a naturalidade do processo de elevação. A pessoa torna-se frustrada por não haver enfrentado as lutas convencionais, evitando-as, ocasionando um sen­timento de culpa, que é, por sua vez, uma oposição à proposta encetada para a vida correta.
A experiência do Bem e do Mal começa na infância diante das atitudes dos pais e dos demais familiares. Por temor a criança obedece, porém, não compreende o que é certo e aquilo que é errado, que lhe querem incutir os genitores, muitas vezes por imposição sem o esclarecimento correspondente para a análise lenta e àassimilação da razão.
Se a criança não consegue entender aquilo que lhe é ministrado e exigido, passa a aceitar a informação por medo de punição, até o momento em que se liberta da imposição, transformando o sentimento em culpa, e temendo reagir pelo ódio ou pelo ressentimento, ou, noutras situações, reprimindo-se, tomba na depressão. O inconsciente, utilizando-se do mecanismo de preser­vação do ego, resolve aceitar o que foi ministrado, pas
sando a insuflar a conduta reta, no entanto, em forma de máscara que oculta a realidade reprimida.
A conquista paulatina do Bem produz equilíbrio e segurança, eliminando as armadilhas do ego, que mais tem interesse em promover-se do que em ser substituí­do pelo valor novo, inabitual no seu comportamento.
Por isso mesmo, o Bem não pode ser repressor, o que é mal, porém, libertador de tudo quanto submete, se impõe, aflige. A sua dominação é suave, não constri­tora, porque passa a ser uma diferente expressão de conduta moral e emocional, dando prosseguimento àassimilação dos valores que foram propostos no perío­do infantil, e que constituem reminiscências agradáveis que ajudam nos procedimentos dos diferentes perío­dos existenciais, na juventude, na idade adulta, na ve­lhice.
Em razão disso, torna-se mais difícil a assimilação e incorporação dos valores do Bem em um adulto acli­matado à agressão, às lutas, nas quais predominou o Mal, houve a sua vitória, os resultados prazerosos do ego, a vitalização dos comportamentos esmagadores, que geraram heróis e poderosos, mas que não escapa­ram das áreas dos conflitos por onde continuam transi­tando.
Somente através da renovação de valores desde cedo é que o Bem triunfará nas criaturas.
Quando adultas, o labor é mais demorado, porque terá que substituir as constrições do ego e, através da reflexão, dos exercícios de meditação e avaliação da conduta, substituir os hábitos enraizados por novos comportamentos compensadores para o eu superior.
Eis porque se pode afirmar que o Bem faz muito bem, enquanto que o Mal faz muito mal. A simples mudança, portanto, de atitude mental do indivíduo en­seja-lhe o encontro com o Bem que irá desenvolver-lhe os sentimentos profundos da sua semelhança com Deus.

Joana de Ângelis - Psicografado por Divaldo franco

Auto descobrimento



Joanna de Ângelis (espírito)
Muito antes da valiosa contribuição dos psiquiatras e psicólogos humanistas e transpessoais, quais Jubler Ross, Grof, Raymond Moody Júnior, Maslow, Tart, Viktor Frankl, Coleman e outros, que colocaram a alma como base dos fenômenos humanos, a psicologia espírita demonstrou que, sem uma visão espiritual da existência física, a própria vida permaneceria sem sentido ou significado.
O reducionismo, em psicologia, torna o ser humano um amontoado de células sob o comando do sistema nervoso central, vitimado pelos fatores da hereditariedade e pelos caprichos aberrantes do acaso.
A saúde e a doença, a felicidade e a desdita, a genialidade e as patologias mentais, limitadoras e cruéis, não passam de ocorrências estúpidas da eventualidade genética.
Assim considerado, o ser humano começaria na concepção e anular-se-ia na morte, um período muito breve para o trabalho que a Natureza aplicou mais de dois bilhões de anos, aglutinando e aprimorando moléculas, que se transformaram em um código biológico fatalista...
Por outro lado, a engenharia genética atual, aliando-se à biologia molecular, começa a detectar a energia como fator causal parea a construção do indivíduo, que passa a ser herdeiro de si mesmo, nos avançados processos das experiências da evolução.
Os conceitos materialistas, desse modo, aferrados ao mecanismo fatalista, cedem lugar a uma concepção espiritualista para a criatura humana, libertando-a das paixões animais e dos atavismos que ainda lhe são predominantes.
Inegavelmente, Freud e Jung ensejaram uma visão mais profunda do ser humano com a descoberta e estudo do inconsciente, assim como dos arquéticos, respectivamente, constatando a realidade do Espírito, como explicação para os comportamentos variados dos diferentes indivíduos que, procedentes da mesma árvore genética, apresentam-se fisiológica e psicologicamente opostos, bem e mal dotados, com equipamentos de saúde e de desconserto.
Não nos atrevemos a negar os fatores hereditários, sociais e familiares na formação da personalidade da criança. No entanto, adimos que eles decorrem de necessidades da evolução, que impõem a reencarnação no lugar adequado, entre aqueles que propiciam os recursos compatíveis para o trabalho de auto-iluminação, de crescimento interior.
O lar exerce, sem qualquer dúvida, como ocorre com o ambiente social, significativa influência no ser, cujos ônus serão o equilíbrio ou a desordem moral, a harmonia física ou psíquica correspondente ao estágio evolutivo no qual se encontra.
A necessidade, portanto, do auto descobrimento, em uma panorâmica racional torna-se inadiável, a fim de favorecer a recuperação, quando em estado de desarmonia, ou o crescimento, se portador de valores intrínsecos latentes. Enquanto não se conscientize das próprias possibilidades, o indivíduo aturde-se em conflitos de natureza destrutiva, ou foge espetacularmente para estados depressivos, mergulhando em psicoses de vária ordem, que o dominam e inviabilizam a sua evolução, pelo menos momentaneamente.
A experiência do auto descobrimento faculta-lhe identificar os limites e as dependências, as aspirações verdadeiras e as falsas, os embustes do ego e as imposturas da ilusão.
Remanescem-lhe no comportamento, como herança dos patamares já vencidos pela evolução, a dualidade do negativismo e do positivismo diante das decisões a tomar.
Não identificado com os propósitos da finalidade superior da Vida, quando convidado à libertação dos vícios e paixões perturbadores, das aflições e tendências destrutivas, essa dualidade do negativo e do positivo desenha-se-lhe no pensamento, dificultando-lhe a decisão.
É comum, então, o assalto mental pela dúvida: Isto ou aquilo? A definição faz-se com insegurança e o investimento para a execução do propósito novo diminui ou desaparece face às contínuas incertezas.
Fazem-se imprescindíveis alguns requisitos para que seja logrado o auto descobrimento com a finalidade de bem-estar e de logros plenos, a saber: insatisfação pelo que se é, ou se possui, ou como se encontra; desejo sincero de mudança; persistência no tentame; disposição para aceitar-se e vencer-se; capacidade para crescer emocionalmente.
Porque se desconhece, vitimado por heranças ancestrais - de outras reencarnações -, de castrações domésticas, de fobias que prevalecem da infância, pela falta de amadurecimento psicológico e outros, o indivíduo permanece fragilizado, suscetível aos estímulos negativos, por falta de auto-estima, do auto-respeito, dominado pelos complexos de inferioridade e pela timidez, refugiando-se na insegurança e padecendo aflições perfeitamente superáveis, que lhe cumpre ultrapassar mediante cuidadoso programa de discernimento dos objetivos da vida e pelo empenho em vivenciá-lo.
Inadvertidamente ou por comodidade, a maioria das pessoas aceita e submete-se ao que poderia mudar a benefício próprio, auto punindo-se, e acreditando merecer o sofrimento e a infelicidade com que se vê a braços, quando o propósito da Divindade para com as suas criaturas é a plenitude, é a perfeição.
Dominado pela conduta infantil dos prêmios e dos castigos, o indivíduo não amadurece o eu profundo, continuando sob o jugo dos caprichos do ego, confundindo resignação com indiferença pela própria realização da ocorrência - dor sem revolta, porém atuando para erradicá-la.
Liberando-se das imagens errôneas a respeito da vida, o ser deve assumir a realidade do processo da evolução e vencer-se, superando os fatores de perturbação e de destruição.
Ao apresentarmos o nosso livro aos interessados na decifração de si mesmos, tentamos colocar pontes entre os mecanismos das psicologias humanista e transpessoal com a Doutrina Espírita, que as ilumina e completa, assim cooperando de alguma forma com aqueles que se empenham na busca interior, no auto descobrimento.
Não nos facultamos a ilusão de considerar o nosso trabalho mais do que um simples ensaio sobre o assunto, com um elenco amplo de temas coligidos no pensamento dos eméritos da alma e com a nossa contribuição pessoal.
Uma fagulha pode atear um incêndio.
Um fascículo de luz abre brecha na treva.
Uma gota de bálsamo suaviza a aflição.
Uma palavra sábia guia uma vida.
Um gesto de amor inspira esperança e doa paz.
Esta é uma pequena contribuição que dirigimos aos que sinceramente se buscam, tendo Jesus como Modelo e Terapeuta Superior para os problemas do corpo, da mente e do espírito.
Rogando escusas pela sua singeleza, permanecemos confiantes nos resultados felizes daqueles que tentarem o auto descobrimento, avançando em paz.
Salvador, 30 de novembro de 1994.
(Do livro Autodescobrimento - Uma busca interior por Joanna de Ângelis/Divaldo P. Franco)

Como surgiu a ilusão?

Olá,

Boa questão não acham?? 
 

Vivekananda: “Mas como se explica que o que é infinito, sempre perfeito, sempre abençoado, Existência-Conhecimento-Bem-aventurança Absoluta, viesse a ficar sob tais ilusões? É a mesma pergunta que tem sido feita em todo o recanto do mundo". 

Na forma vulgar a questão é assim proposta: "Como veio ter ao mundo o pecado?"


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Em outras palavras, como surgiu o “mal” no mundo?? Como o que é perfeito pode ter criado o imperfeito?? Como o que é real produziu a ilusão?? 

No dualismo encontramos várias respostas, uma delas é a visão ubaldiana de “queda e salvação”, como explicita Gilson Freire nesse artigo: 

 http://www.freire.med.br/default.asp?id=18&ACT=5&content=52&mnu=18


Na visão espírita, o livre-arbítrio do Espírito teria criado o “mal” no mundo. Será?? 

E temos os mitos, como os de Adão e Eva, o de Prometeus e a caixa de Pandora etc.
 

Swami (mestre) Vivekananda aborda a questão da seguinte maneira:

“ Pode qualquer realidade produzir ilusão? Certamente não. Vemos que uma ilusão produz outra, e assim por diante. É sempre a ilusão que produz ilusão. É a doença que produz doença e não a saúde que produz doença. A onda é a mesma coisa que a água; o efeito é a causa sob outra forma. O efeito é ilusão, portanto, a causa deve ser ilusão. Que produziu essa ilusão? Outra ilusão. E assim vai, sem princípio. A única pergunta que vos resta fazer, é: "Não rompe nosso monismo o fato de termos duas existências no universo - uma o Eu, e a outra a ilusão?" A resposta é: "A ilusão não- pode ser chamada uma existência. Milhares de sonhos entram em vossa vida, mas não formam qualquer parte de vossa vida. Os sonhos vêm e vão: não têm existência. Chamar existência à ilusão seria sofisma. Há, portanto, apenas uma Existência indivisível no universo, sempre livre e sempre abençoada, e é isso que sois". É essa a última conclusão a que chegaram os advaitistas.

“ Acabamos de ver que o Eu não pode ver a si próprio. Nosso conhecimento está dentro de uma teia de maya, de irrealidade, e além disso fica a libertação. Dentro da teia há escravidão e tudo está sob a lei. Para além não há lei. No que se refere ao universo, a existência é governada pela lei, e para além dele fica a liberdade. Enquanto estiverdes na teia do tempo, do espaço, da causalidade, dizer que sois livres é tolice, porque essa teia está sob lei rigorosa. Todos os pensamentos que tendes são causados, todos os sentimentos são causados, e dizer que a vontade é livre não passa de mera tolice. Só quando a Existência infinita vem, por assim dizer, para essa teia de maya, é que ela toma a forma de vontade. Vontade é uma porção daquele Ser, apanhada nas teias da maya; portanto, a vontade é um nome falso, uma denominação imprópria. Nada significa - simples tolice. Assim é todo esse falatório com respeito a liberdade. Não há liberdade em maya. Não há liberdade enquanto não fordes além de maya. Essa é a verdadeira liberdade da alma.”

E então, como surgiu a ilusão? 

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