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Estudando o Espiritismo
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quinta-feira, 19 de junho de 2014
Destruição necessária e destruição abusiva
Destruição necessária e
destruição abusiva
Apresentamos nesta edição o tema no 45 do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita, que está sendo aqui apresentado semanalmente, de acordo com programa elaborado pela Federação Espírita Brasileira, estruturado em seis módulos e 147 temas.
Se o leitor utilizar este programa para estudo em grupo, sugerimos que as questões propostas sejam debatidas livremente antes da leitura do texto que a elas se segue. Se destinado somente a uso por parte do leitor, pedimos que o interessado tente inicialmente responder às questões e só depois leia o texto referido. As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final da lição.
Questões para debate
1. Por que motivo o Criador estabeleceu a necessidade de os seres vivos mutuamente se destruírem?
2. Quais são os outros dois motivos?
3. A luta pela própria sobrevivência ajuda de que modo o ser inteligente?
4. O uso de alimentação carnívora pelo homem está de acordo com as leis de Deus?
5. Em que situações o homem é escusado de responsabilidade na destruição de outros seres?
Texto para leitura
A destruição atinge os corpos, mas não afeta os Espíritos
1. A destruição recíproca do seres vivos é, dentre as leis da Natureza, uma das que menos parecem conciliar-se com a bondade de Deus. Por que o Criador estabeleceu a necessidade de eles mutuamente se destruírem para se alimentarem uns à custa dos outros?
2. Para aquele que enxerga apenas a matéria, que limita sua visão à vida presente, isto parece, sem dúvida, uma imperfeição na obra divina. É que, em geral, os homens julgam a perfeição de Deus pelo seu ponto de vista; sua própria opinião é a medida da sua sabedoria; pensam, assim, que Deus não poderia fazer melhor do que eles próprios o fazem.
3. Como sua vista curta não lhes permite julgar o conjunto, não entendem que de um mal aparente pode resultar um bem real. O conhecimento do princípio espiritual e da grande lei de unidade, que constitui a harmonia da Criação, é o único que pode dar ao homem a chave desse mistério e mostrar-lhe a sabedoria providencial e a harmonia onde não via, antes, senão uma anomalia e uma contradição.
4. A primeira utilidade que decorre dessa destruição – utilidade de natureza puramente física – é esta: os corpos orgânicos não se mantêm senão por meio de matérias orgânicas, que são as únicas que contêm os elementos nutritivos necessários à sua transformação. Como os corpos – instrumentos da ação do princípio inteligente – têm necessidade de ser incessantemente renovados, a Providência os faz servir para a sua manutenção mútua. É por isso que o corpo se nutre do corpo, mas o Espírito não é destruído nem alterado; apenas se despoja do seu envoltório.
A luta pela sobrevivência desenvolve o ser espiritual
5. Outra utilidade decorrente da lei de destruição é a necessidade que tem o ser espiritual de desenvolver-se. A luta é necessária a esse desenvolvimento, porque na luta ele exercita suas faculdades. O ser que ataca em busca do alimento e o que se defende para conservar a vida usam de habilidade e inteligência, aumentando por conseguinte suas forças intelectuais. Um dos dois sucumbe, mas, em realidade, que foi que o mais forte ou mais destro tirou ao outro? A veste de carne, nada mais. Ulteriormente, o ser espiritual – que jamais morre – tomará outra.
6. Nos seres inferiores da criação, naqueles a quem ainda falta o senso moral, a luta tem por móvel unicamente a satisfação de uma necessidade material. Ora, uma das mais imperiosas dessas necessidades é a de alimentar-se, para assegurar a própria sobrevivência. Eles lutam, pois, unicamente para viver, ou seja, para fazer ou defender uma presa, visto que nenhum móvel mais elevado os estimula. É nesse período que a alma se elabora e se ensaia para a vida.
7. Uma terceira utilidade da lei de destruição é que, ao se destruírem uns aos outros, pela necessidade de alimentar-se, os seres infra-humanos mantêm o equilíbrio na reprodução, impedindo-a de tornar-se excessiva e contribuindo, além disso, com seus despojos, para uma infinidade de aplicações úteis à Humanidade.
Toda destruição abusiva é uma violação da lei de Deus
8. Examinando a questão apenas do ponto de vista do comportamento do homem, aprendemos com a Doutrina Espírita que a matança de animais, bárbara sem dúvida, foi, ainda é e será por algum tempo necessária na Terra; contudo, à medida que os terrícolas se depuram, sobrepondo o espírito à matéria, o uso de alimentação carnívora passa a ser cada vez menor, até desaparecer definitivamente, como já se verifica nos mundos mais adiantados que o nosso.
9. A necessidade de destruição guarda proporção com o estado mais ou menos material dos mundos. E cessa quando o físico e o moral se acham mais depurados. Muito diversas são, pois, as condições de existência nos mundos mais adiantados que a Terra.
10. Conforme os ensinos espíritas, o homem só é escusado de responsabilidade nessa destruição na medida em que a faça para prover ao seu sustento ou garantir sua segurança. Fora disso, quando, por exemplo, se empenha em caçadas pelo simples prazer de matar, terá que prestar contas a Deus pelos abusos que cometa, os quais revelam inegavelmente a predominância dos maus instintos.
11. Toda destruição – ensina o Espiritismo – que excede os limites da necessidade constitui uma violação da lei de Deus e será, por esse motivo, severamente punida.
Respostas às questões propostas
1. Por que motivo o Criador estabeleceu a necessidade de os seres vivos mutuamente se destruírem? R.: São três os motivos. O primeiro: Os corpos orgânicos não se mantêm senão por meio de matérias orgânicas, que são as únicas que contêm os elementos nutritivos necessários à sua transformação. Como os corpos – instrumentos da ação do princípio inteligente – têm necessidade de serem incessantemente renovados, a Providência os faz servir para a sua manutenção mútua. É por isso que o corpo se nutre do corpo, mas o Espírito não é destruído nem alterado; apenas se despoja do seu envoltório.
2. Quais são os outros dois motivos? R.: O desenvolvimento do ser inteligente e a manutenção do equilíbrio das espécies.
3. A luta pela própria sobrevivência ajuda de que modo o ser inteligente? R.: Essa luta é necessária ao seu desenvolvimento porque na luta ele exercita suas faculdades. O ser que ataca em busca do alimento e o que se defende para conservar a vida usam de habilidade e inteligência, aumentando por conseguinte suas forças intelectuais. Um dos dois sucumbe, mas, em realidade, que foi que o mais forte ou mais destro tirou ao outro? A veste de carne, nada mais. Ulteriormente, o ser espiritual – que jamais morre – tomará outra.
4. O uso de alimentação carnívora pelo homem está de acordo com as leis de Deus? R.: Segundo a Doutrina Espírita, a matança de animais foi, é e será por algum tempo necessária na Terra; contudo, à medida que os terrícolas se depuram, sobrepondo o espírito à matéria, o uso de alimentação carnívora passa a ser cada vez menor, até desaparecer definitivamente, como já se verifica nos mundos mais adiantados que o nosso.
5. Em que situações o homem é escusado de responsabilidade na destruição de outros seres? R.: Conforme os ensinamentos espíritas, o homem só é escusado de responsabilidade nessa destruição na medida em que a faça para prover ao seu sustento ou garantir sua segurança. Fora disso, quando, por exemplo, se empenha em caçadas pelo simples prazer de matar, terá que prestar contas a Deus pelos abusos que cometa, os quais revelam inegavelmente a predominância dos maus instintos. Toda destruição que excede os limites da necessidade constitui uma violação da lei de Deus e será, por esse motivo, severamente punida.
Bibliografia:
O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, itens 728, 730 e 735.
A Gênese, de Allan Kardec, itens 20, 23 e 24.
O Céu e o Inferno, de Allan Kardec, itens 2 a 4.
As Leis Morais, de Rodolfo Calligaris, págs. 91 e 92.
destruição abusiva
Apresentamos nesta edição o tema no 45 do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita, que está sendo aqui apresentado semanalmente, de acordo com programa elaborado pela Federação Espírita Brasileira, estruturado em seis módulos e 147 temas.
Se o leitor utilizar este programa para estudo em grupo, sugerimos que as questões propostas sejam debatidas livremente antes da leitura do texto que a elas se segue. Se destinado somente a uso por parte do leitor, pedimos que o interessado tente inicialmente responder às questões e só depois leia o texto referido. As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final da lição.
Questões para debate
1. Por que motivo o Criador estabeleceu a necessidade de os seres vivos mutuamente se destruírem?
2. Quais são os outros dois motivos?
3. A luta pela própria sobrevivência ajuda de que modo o ser inteligente?
4. O uso de alimentação carnívora pelo homem está de acordo com as leis de Deus?
5. Em que situações o homem é escusado de responsabilidade na destruição de outros seres?
Texto para leitura
A destruição atinge os corpos, mas não afeta os Espíritos
1. A destruição recíproca do seres vivos é, dentre as leis da Natureza, uma das que menos parecem conciliar-se com a bondade de Deus. Por que o Criador estabeleceu a necessidade de eles mutuamente se destruírem para se alimentarem uns à custa dos outros?
2. Para aquele que enxerga apenas a matéria, que limita sua visão à vida presente, isto parece, sem dúvida, uma imperfeição na obra divina. É que, em geral, os homens julgam a perfeição de Deus pelo seu ponto de vista; sua própria opinião é a medida da sua sabedoria; pensam, assim, que Deus não poderia fazer melhor do que eles próprios o fazem.
3. Como sua vista curta não lhes permite julgar o conjunto, não entendem que de um mal aparente pode resultar um bem real. O conhecimento do princípio espiritual e da grande lei de unidade, que constitui a harmonia da Criação, é o único que pode dar ao homem a chave desse mistério e mostrar-lhe a sabedoria providencial e a harmonia onde não via, antes, senão uma anomalia e uma contradição.
4. A primeira utilidade que decorre dessa destruição – utilidade de natureza puramente física – é esta: os corpos orgânicos não se mantêm senão por meio de matérias orgânicas, que são as únicas que contêm os elementos nutritivos necessários à sua transformação. Como os corpos – instrumentos da ação do princípio inteligente – têm necessidade de ser incessantemente renovados, a Providência os faz servir para a sua manutenção mútua. É por isso que o corpo se nutre do corpo, mas o Espírito não é destruído nem alterado; apenas se despoja do seu envoltório.
A luta pela sobrevivência desenvolve o ser espiritual
5. Outra utilidade decorrente da lei de destruição é a necessidade que tem o ser espiritual de desenvolver-se. A luta é necessária a esse desenvolvimento, porque na luta ele exercita suas faculdades. O ser que ataca em busca do alimento e o que se defende para conservar a vida usam de habilidade e inteligência, aumentando por conseguinte suas forças intelectuais. Um dos dois sucumbe, mas, em realidade, que foi que o mais forte ou mais destro tirou ao outro? A veste de carne, nada mais. Ulteriormente, o ser espiritual – que jamais morre – tomará outra.
6. Nos seres inferiores da criação, naqueles a quem ainda falta o senso moral, a luta tem por móvel unicamente a satisfação de uma necessidade material. Ora, uma das mais imperiosas dessas necessidades é a de alimentar-se, para assegurar a própria sobrevivência. Eles lutam, pois, unicamente para viver, ou seja, para fazer ou defender uma presa, visto que nenhum móvel mais elevado os estimula. É nesse período que a alma se elabora e se ensaia para a vida.
7. Uma terceira utilidade da lei de destruição é que, ao se destruírem uns aos outros, pela necessidade de alimentar-se, os seres infra-humanos mantêm o equilíbrio na reprodução, impedindo-a de tornar-se excessiva e contribuindo, além disso, com seus despojos, para uma infinidade de aplicações úteis à Humanidade.
Toda destruição abusiva é uma violação da lei de Deus
8. Examinando a questão apenas do ponto de vista do comportamento do homem, aprendemos com a Doutrina Espírita que a matança de animais, bárbara sem dúvida, foi, ainda é e será por algum tempo necessária na Terra; contudo, à medida que os terrícolas se depuram, sobrepondo o espírito à matéria, o uso de alimentação carnívora passa a ser cada vez menor, até desaparecer definitivamente, como já se verifica nos mundos mais adiantados que o nosso.
9. A necessidade de destruição guarda proporção com o estado mais ou menos material dos mundos. E cessa quando o físico e o moral se acham mais depurados. Muito diversas são, pois, as condições de existência nos mundos mais adiantados que a Terra.
10. Conforme os ensinos espíritas, o homem só é escusado de responsabilidade nessa destruição na medida em que a faça para prover ao seu sustento ou garantir sua segurança. Fora disso, quando, por exemplo, se empenha em caçadas pelo simples prazer de matar, terá que prestar contas a Deus pelos abusos que cometa, os quais revelam inegavelmente a predominância dos maus instintos.
11. Toda destruição – ensina o Espiritismo – que excede os limites da necessidade constitui uma violação da lei de Deus e será, por esse motivo, severamente punida.
Respostas às questões propostas
1. Por que motivo o Criador estabeleceu a necessidade de os seres vivos mutuamente se destruírem? R.: São três os motivos. O primeiro: Os corpos orgânicos não se mantêm senão por meio de matérias orgânicas, que são as únicas que contêm os elementos nutritivos necessários à sua transformação. Como os corpos – instrumentos da ação do princípio inteligente – têm necessidade de serem incessantemente renovados, a Providência os faz servir para a sua manutenção mútua. É por isso que o corpo se nutre do corpo, mas o Espírito não é destruído nem alterado; apenas se despoja do seu envoltório.
2. Quais são os outros dois motivos? R.: O desenvolvimento do ser inteligente e a manutenção do equilíbrio das espécies.
3. A luta pela própria sobrevivência ajuda de que modo o ser inteligente? R.: Essa luta é necessária ao seu desenvolvimento porque na luta ele exercita suas faculdades. O ser que ataca em busca do alimento e o que se defende para conservar a vida usam de habilidade e inteligência, aumentando por conseguinte suas forças intelectuais. Um dos dois sucumbe, mas, em realidade, que foi que o mais forte ou mais destro tirou ao outro? A veste de carne, nada mais. Ulteriormente, o ser espiritual – que jamais morre – tomará outra.
4. O uso de alimentação carnívora pelo homem está de acordo com as leis de Deus? R.: Segundo a Doutrina Espírita, a matança de animais foi, é e será por algum tempo necessária na Terra; contudo, à medida que os terrícolas se depuram, sobrepondo o espírito à matéria, o uso de alimentação carnívora passa a ser cada vez menor, até desaparecer definitivamente, como já se verifica nos mundos mais adiantados que o nosso.
5. Em que situações o homem é escusado de responsabilidade na destruição de outros seres? R.: Conforme os ensinamentos espíritas, o homem só é escusado de responsabilidade nessa destruição na medida em que a faça para prover ao seu sustento ou garantir sua segurança. Fora disso, quando, por exemplo, se empenha em caçadas pelo simples prazer de matar, terá que prestar contas a Deus pelos abusos que cometa, os quais revelam inegavelmente a predominância dos maus instintos. Toda destruição que excede os limites da necessidade constitui uma violação da lei de Deus e será, por esse motivo, severamente punida.
Bibliografia:
O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, itens 728, 730 e 735.
A Gênese, de Allan Kardec, itens 20, 23 e 24.
O Céu e o Inferno, de Allan Kardec, itens 2 a 4.
As Leis Morais, de Rodolfo Calligaris, págs. 91 e 92.
LEI DE DESTRUIÇÃO
“O estouro da crise mundial completa um ano nesta terça-feira (dia 15) com a economia global dando os primeiros passos no sentido da recuperação e o Brasil mostrando um fôlego impressionante. Apesar de a percepção entre os brasileiros ainda ser a de que os estragos do fim da bolha imobiliária americana não foram superados por completo, o que é verdade, no exterior, a sensação é de que o país deixou todos os problemas para trás e deve ser visto como modelo. ‘Aos olhos dos investidores estrangeiros, o Brasil saiu mais forte da crise do que entrou’, resume o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal.” Foi assim que Vicente começou o texto Olhar Estrangeiro, postado neste blog na última segunda-feira.
É muito bom ler esse tipo de notícia, que diz que o pior já passou. A última crise econômica mundial nos trouxe dificuldades e momentos de grande apreensão. Algumas vezes, pareceu que nossas conquistas estavam indo ralo abaixo. Depois de tantas lutas, quando pensávamos que era só correr para o abraço, ela se apresentou, em toda plenitude, pronta a derrubar todos, os grande e os pequenos; os desenvolvidos, os em desenvolvimento e os que ainda nem sabem para que lado fica o progresso; até os mais ricos. E fomos invadidos pelo sentimento de que alegria de pobre dura pouco, de que não adianta muito esforço, já que a vida sempre muda as perguntas quando a gente acredita ter todas as respostas.
Crises têm dessas coisas. Mas, se ampliarmos nossa visão, enxergaremos que já passamos por poucas e boas, sobrevivendo a tudo, saindo, lá do outro lado, intelectual e moralmente fortalecidos, mesmo que esfolados. É assim que a vida funciona. E só demora a com ela ganhar quem opta por não enfrentá-la, quem decide dela se esconder, fazendo-se de desentendido ou morto. Desses, inclusive, o mundo certamente cobra maior taxa de superação. Então, o melhor é respirar fundo e encarar o que vier, apoiado na fé de que não há mal que sempre dure. Era mais ou menos sobre isso que, na quarta-feira, eu conversava, por telefone, com Amluz, leitora desta coluna que ainda não conheço pessoalmente, mas a quem dedico este texto.
Falávamos sobre a Lei de Destruição, que alguns Instrutores Espirituais preferem chamar de Lei de Transformação, uma das que formam o conjunto das sábias, eternas e imutáveis normas que regem o Universo. Ela é exatamente aquela que turbina nosso processo evolutivo, forçando-nos a passar pelas mudanças que constituem a estrada do aprimoramento. Sei que é dureza perder o que lutamos tanto para conquistar. Mas é preciso morrer para renascer. Querem ver um exemplo? Uma crise conjugal não costuma ser fácil. Ao contrário, é do tipo que mais dói. E ninguém sai ileso de uma separação, nem mesmo quem desejou e propôs o rompimento. Afinal, as pessoas não se juntam para se separarem, mas para permanecerem unidas.
Entretanto, de repente, o que era lindo pode ficar esquisito e até se tornar horroroso, sinalizando que precisa ser reavaliado. E todos sabemos que, dessa análise, pode restar concluído que o melhor é colocar um ponto final no que um dia foi uma história de amor, a realização de um dos nossos mais caros sonhos. Só que, como somos, desde pequenos, treinados para ganhar, manter, acumular a qualquer custo, entramos em pânico e nos agarramos, com unhas e dentes, ao nosso parceiro, mesmo que aquele convívio não faça mais sentido ou tenha se tornado péssimo.
Acreditando que nada mais de bom nos espera, sentimos o coração destroçado. A partir daí, podemos agir de forma irracional, fazendo e dizendo coisas que jamais imaginamos fazer ou dizer, das quais terminamos nos arrependendo profundamente. Ou podemos buscar o isolamento, a distância, mesmo daqueles que nos amam, esquecidos de que estamos todos no mesmo barco, que somos todos um. Nessas horas, ficamos irreconhecíveis. Nem de longe parecemos aquele bebezinho frágil, mas corajoso, que, um dia, encarou a perigosa e estressante aventura de nascer, mobilizando e encantando tanta gente grande com sua chegada.
Um rompimento não é o fim dos tempos, mesmo que venha a bordo de uma tremenda crise. Ele não quer dizer que o que foi vivido a dois foi em vão, que tudo deu errado, que nada valeu a pena. Ele não é sinônimo de fracasso. Significa apenas que a conjuntura é outra, que o que funcionou por um tempo não funciona mais da mesma forma. Não devemos dar a uma separação mais peso do que ela realmente tem. Ela não deve superar, em importância, os anos felizes que a antecederam. Deve ser vista exatamente como é – o encerramento de mais um capítulo de nossa vida e a oportunidade de recomeço.
A crise econômica que sacudiu o mundo recentemente não foi a primeira nem será a última por nós enfrentada. E devemos dar graças a Deus por isso. Outras virão e nos encontrarão mais fortes do que essa nos encontrou. Com o fim de cada uma delas, diremos adeus a mais uma série de acontecimentos dos quais restarão cicatrizes que nos ajudarão a contar nossa história. Porque é para isso que servem as cicatrizes. Só que, nesse ponto, já estaremos totalmente em outra, vivendo um novo ciclo, plantando o que obrigatoriamente colheremos nos seguintes. Valeu, Amluz! Valeu, irmã! Até sábado, leitores!
Maraci Sant'Ana
Reflexões sobre a tragédia no Rio de Janeiro sob à luz do Espiritismo
Os jornais têm cada vez mais noticiado sobre a última tragédia no Rio de Janeiro provocada pelas enchentes que deixaram centenas de mortos e desaparecidos na Região Serrana do Estado. Tal tragédia nos afetou, deixando os nossos corações entristecidos. Diante de destruições como estas, ficamos até mesmo inconformados com as atitudes de Deus: como pode Deus permitir tantos flagelos e tantas destruições, causando sofrimentos às vítimas? Será por acaso? Há alguma razão?
Um dos princípios que permeia a Doutrina Espírita é a lei de causa e efeito. O acaso não existe para o Espiritismo. De acordo com Allan Kardec, a Lei de causa e efeito é um dos princípios fundamentais preconizados pela Doutrina Espírita para explicar as contingências ligadas à vida humana. Também é conhecida na literatura espírita como Lei da causalidade. Segundo ela, a todo ato da vida moral do homem corresponderia uma reação semelhante dirigida a ele. A Lei de causa e efeito, segundo a compreensão Kardec, distanciava-se da concepção de Karma, erroneamente difundida no Ocidente, por não admitir o determinismo e sim o exercício do livre-arbítrio. A Lei de causa e efeito procura explicar os acontecimentos da vida atribuindo um “motivo justo”, e uma “finalidade proveitosa” para todos os acontecimentos com que se depara o homem, inclusive o sofrimento.
A Lei da causalidade, ou de causa e efeito, está intimamente ligada a Lei de destruição. No Livro dos Espíritos de Allan Kardec, no capítulo VI, item II, perguntas 737 à 741, a Espiritualidade Superior nos explica a razão desses trágicos acontecimentos que muitas vezes, à primeira vista, pode nos parecer desprovido de justiça divina.
Segundo a Lei de Destruição, os flagelos destruidores são permitidos por Deus na medida em que os resultados que deles advêm, e que nem sempre são vistos, admitidos e aceites pelo homem, os levam a uma regeneração moral, dando advento a uma melhor ordem, que se realiza em poucos anos, em vez de alguns séculos. São meios de aceleração do progresso da humanidade que, pelas dificuldades, se vê obrigada a mudar a maneira de agir. Tais meios, porém, são de exceção, pois, regularmente, o homem tem, como meio de progredir, o conhecimento do bem e do mal, que, não sendo convenientemente usado pelo livre-arbítrio, resulta em medidas de exceção, tomadas pela lei de equilíbrio que rege a vida das pessoas, dos grupos, da sociedade, das nações e da humanidade.
Pelo fato dos espíritos preexistirem e sobreviverem a tudo, eles formam o mundo real. Os seus corpos físicos e o meio físico no qual eles desenvolvem as suas potencialidades espirituais são meros instrumentos de aperfeiçoamento do verdadeiro eu espiritual. Portanto, quaisquer flagelos que nos atinjam, enquanto encarnados e pelo tempo que for, nada mais serão que meios de educação para a eternidade. Paciência, resignação, abnegação, desinteresse, amor ao próximo, são sentimentos que caracterizam o homem livre do egoísmo. A forma pela qual eles são conquistados é secundária, tanto podendo ser por adoção como pelo sofrimento que advém da não adoção. Grande parte dos flagelos são resultados da imprevidência e do abuso, como se fossem um contragolpe às manifestações orgulhosas e cheias de vaidade do homem. Ou seja, os flagelos são efeitos de causas “criadas” preteritamente.
Importante é ressaltar que Deus não castiga a humanidade, a Lei da destruição não provoca efeitos injustos. Tal lei é importante para a evolução da humanidade. Entretanto, é verdade que, às vezes, Deus pode empregar alguns “meios” que para nós são dolorosos e/ou que fogem a nossa compreensão mediana, como 0s flagelos ou as guerras, mas ela é extremamente fundamental para a nossa evolução enquanto espíritos eternos e nada mais refletem os efeitos do exercício do nosso livre-arbítrio.
Por fim, os flagelos são provas que proporcionam ao homem a ocasião de exercitar a inteligência e a resignação ante a vontade de Deus e permitir desenvolver os sentimentos de abnegação. É importante também lembrar que a morte do corpo físico existe para todos nós encarnados. Mesmo que não venhamos a desencarnar em virtude de flagelos, todos nós teremos que deixar a Terra e continuar a nossa vivência espiritual em outras instâncias. Mesmo que não tenhamos vividos flagelos, com certeza, teremos ou já tivemos outras provas e outras expiações em nossa atual existência. Tudo em prol do nosso progresso espiritual, a nossa verdadeira condição.
Diante de tantas provas, flagelos e destruições, precisamos confiar em Deus e em sua justiça, lembrando que nada acontece por acaso, nada acontece sem que Deus o permita.
Eis aqui uma pequena reflexão,
Muita a paz a todos!
LEI DE DESTRUIÇÃO
Desde os tempos remotos, há bilhões de anos, quando os primeiros habitantes do orbe ainda eram animálculos unicelulares, abrigados no seio das águas tépidas dos mares, a saga evolutiva dos seres vivos sempre foi marcada pela constante luta pela sobrevivência, em que duelam dois instintos: o da conservação e o da destruição. Para sustentar a vida, as criaturas precisam de energia, que encontram nos alimentos. Nessa faina, impulsionadas pelo instinto, entre devoram-se mutuamente.
É quando se opera o ciclo de transferência de energia e de nutrientes, que segue numa espiral infinita. Em uma das pontas dessa cadeia estamos nós, que também nos alimentamos dos vegetais e das vísceras dos animais, “nossos irmãos inferiores”. 1
Não bastasse isso, os hóspedes da casa planetária têm, ainda, que enfrentar os flagelos naturais que ameaçam a vida e outros valores, causando grande sofrimento. Essa constatação, impactante a princípio, já nos dá uma ideia da faixa evolutiva em que ainda nos situamos, apesar da idade estimada do Planeta em 4,6 bilhões de anos. 2
Todavia, os mentores celestes, por meio do Espírito André Luiz, informam que o homem lida com a razão há apenas 40 mil anos, aproximadamente. Assim, cálculos elementares nos levam a concluir que estamos ainda nas primeiras lições da cartilha da vida. Não é sem razão que o comportamento social da criatura humana, blindado com o verniz da civilização, ainda apresenta os atavismos de competição e beligerância:
[...] com o mesmo furioso ímpeto com que o homem de Neandertal aniquilava o companheiro, a golpes de sílex, o homem da atualidade, classificada de gloriosa era das grandes potências, extermina o próprio irmão a tiros de fuzil. 3
Por isso, a convivência em sociedade, muitas vezes marcada pela opressão e pela violência de todos os tipos contra o semelhante, é interpretada por algumas pessoas com fundamento no célebre aforismo, cunhado pelo filósofo inglês Thomas Hobbes (1588-1679), de que “o homem é o lobo do homem”.
Que razões teria a Sabedoria Divina para estabelecer entre os seres vivos, como regra da natureza, a luta pela sobrevivência, a destruição recíproca e a destruição pelos flagelos naturais? Estariam esses princípios em consonância com a bondade e a justiça do Criador? O estudo das Leis Morais reveladas em O Livro dos Espíritos abre uma ampla visão filosófica e científica, baseada na unidade da criação, na imortalidade, na reencarnação e no progresso dos seres, que permite um entendimento melhor dos propósitos superiores da Inteligência Suprema, em que “as aquisições de cada indivíduo resultam da lei do esforço próprio no caminho ilimitado da Criação”4 (Grifo nosso):
[...] Só o conhecimento do princípio espiritual, considerado em sua verdadeira essência, e o da grande lei de unidade, que constitui a harmonia da criação, pode dar ao homem a chave desse mistério e mostrar-lhe a sabedoria providencial e a harmonia, exatamente onde apenas vê uma anomalia e uma contradição. 5
O homem começa a perceber que também integra os ecossistemas, tanto que já propugna pela substituição do modelo de desenvolvimento atual, ecologicamente predatório,
socialmente perverso e politicamente injusto, por outro sustentável, que tem por divisa progredir sem destruir. Mas será que é possível progredir sem destruir? Em caso afirmativo, onde estariam os limites éticos da destruição? Destruição, no sentido comum, significa extinção, aniquilamento. Sob o ponto de vista espírita, contudo, a Lei de Destruição é transformação, metamorfose, tendo por fim a renovação e a melhoria dos seres vivos.
A destruição tem dupla finalidade: manutenção do equilíbrio na reprodução, que poderia tornar-se excessiva, e utilização dos despojos do envoltório exterior que sofre a destruição: [...] É esse equilíbrio dinâmico baseado em sofisticadas engrenagens que regem a vida e a morte que assegura a perenidade dos ecossistemas e dos seres vivos que neles existem. 6
A parte essencial do ser pensante (elemento inteligente) é distinta do corpo físico e não se destrói com a desintegração deste. Logo, a verdadeira vida, seja do animal, seja do homem, não está no organismo físico. Está no princípio inteligente, que preexiste e sobrevive ao corpo material, que se consome nesse trabalho, ao contrário do Espírito, que sai daquele cada vez mais forte, mais lúcido e mais apto. Enfim, a vida e a morte, dentro do planejamento divino, se apresentam como faces da mesma moeda:
[...] a lei de destruição é, por assim dizer, o complemento do processo evolutivo, visto ser preciso morrer para renascer e passar por milhares de metamorfoses, animando formas corporais gradativamente mais aperfeiçoadas, e é desse modo que, paralelamente, os seres vão passando por estados de consciência cada vez mais lúcidos, até atingir, na espécie humana, o reinado da razão. 7
O instinto de destruição coexiste com o de conservação, a título de contrapeso, de equilíbrio, para que a primeira não se dê antes do tempo, visto que toda destruição antecipada constitui obstáculo ao desenvolvimento da inteligência, motivo pelo qual Deus fez que cada ser experimentasse a necessidade de viver e de se reproduzir.
Há dois tipos de destruição: a destruição natural e a destruição abusiva. A destruição natural opera-se com o objetivo de manter o equilíbrio dos ecossistemas, como, por exemplo, na morte natural dos corpos pela velhice, nos incêndios naturais das matas que dizimam pragas, na erupção de vulcões, nos terremotos, nas cheias dos rios, que regulam os ciclos de renovação da vida.
Os flagelos naturais que ceifam a vida de milhares de pessoas não constituem meros acidentes da Natureza, uma vez que o globo não está sob a direção de forças cegas. Ninguém sofre sem uma razão justa. Tais fenômenos representam fator de elevação moral, com vistas à felicidade dos indivíduos. Além de favorecerem o desenvolvimento da inteligência ante os desafios, auxiliam o desabrochar dos sentimentos, tais como paciência, resignação, solidariedade e amor ao próximo. Isto é, [...] as comoções do globo são instrumentos de provações coletivas, ríspidas e penosas. Nesses cataclismos, a multidão resgata igualmente os seus crimes de outrora e cada elemento integrante da mesma quita-se do pretérito na pauta dos débitos individuais. 8
Já a destruição abusiva, que exprime faces diferentes da violência, é aquela provocada de forma predatória, com fins egoísticos, a pretexto de prover o sustento alimentar ou para satisfazer paixões e necessidades supérfluas, a exemplo do consumismo desenfreado, das caçadas de animais, das touradas. Sem embargo da destruição abusiva, o homem também ofende gravemente a lei divina quando assassina, quando pratica o suicídio e o aborto ilícito, quando provoca guerras etc. Os animais, por terem no instinto um guia seguro, somente destroem para satisfação de suas próprias necessidades, mas o homem, dotado de livre-arbítrio, nem sempre utiliza sua liberdade com sabedoria, sujeitando-se ao princípio de causa e efeito.
As leis divinas são perfeitas! A necessidade de destruição tende a desaparecer, à medida que o homem (Espírito encarnado), pela evolução intelectual e moral, sobrepuja a matéria. À proporção que adquire senso moral, vai desenvolvendo a sensibilidade e tomando aversão à violência. É quando passa a ver no seu semelhante não mais o “lobo”, mas o companheiro necessitado de amparo e de solidariedade. Entretanto, ainda que se despoje dos sentimentos belicosos, o homem, até que desenvolva plenamente o Espírito, sempre estará sujeito aos desafios da luta humana, cuja superação depende do trabalho, do esforço, da experiência e do conhecimento:
[...] Mas, nessa ocasião, a luta, de sangrenta e brutal que era se torna puramente intelectual.
O homem luta contra as dificuldades, não mais contra os seus semelhantes. 9
Há, da parte das instituições, grande preocupação com o desequilíbrio ambiental, com o crescimento demográfico e as desigualdades sociais, com a miséria, a criminalidade,
a corrupção. As medidas tópicas, de ordem econômica, tecnológica, muitas delas com a utilização da força bruta, não alcançam as verdadeiras causas do problema, que estão na ausência de educação moral do Espírito, educação essa que deve iniciar desde a infância como forma preventiva.
É possível colher os benefícios de uma vida sóbria, sem necessidade de agir com violência ou de destruir o próximo: “A vida é muito menos uma luta competitiva pela sobrevivência do que um triunfo da cooperação e da criatividade”. 10 Que o homem não se iluda: sem dominar a si mesmo, ele jamais dominará a Natureza.
Christiano Torchi
Reformador Março/2011
Referências:
1 XAVIER, Francisco C. Emmanuel. Pelo Espírito Emmanuel. 27. ed. 2. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 17, it. Os animais – nossos parentes próximos, p. 122.
2 Disponível em: .Acesso em 28/11/ 2010.
3 XAVIER, Francisco C. Libertação. Pelo Espírito André Luiz. 31. ed. 3. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 1, p. 18.
4 Idem. O consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 28. ed. 3. reimp.Rio de Janeiro: FEB, 2010. Q. 86.
5 KARDEC, Allan. A gênese. Trad. Guillon Ribeiro. 52. ed. 2. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2009. Cap. 3, it. 20.
6 TRIGUEIRO, André. Espiritismo e ecologia. 2. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. Lei de destruição.
7 CALLIGARIS, Rodolfo. As leis morais. 15. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. A lei da destruição. Apud ROCHA, Cecília (Organizadora). Estudo sistematizado da doutrina espírita. Programa fundamental. Tomo 2. 2. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Módulo 13, rot. 1, p. 99.
8 XAVIER, Francisco C. O consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 28. ed. 3. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Q. 88.
Lei da destruição
Lei da destruição
Aulas
Aula ministrada por jairocapasso@uol.com.br em curso básico de espiritismo - Piracicaba
Terremotos, maremotos, furações, Tempestades, guerras, violência, doenças, sofrimento
Tudo está ligado à evolução do planeta e dos espíritos que o habitam.
Na natureza nada se cria, nada se finda, tudo se transforma. (Lavoisier)
Esse lei liberta o homem do apego à matéria pelo menos vai mostrando que ele não evolui por esse caminho. (apego às coisas passageiras)
A morte não existe, o espírito apenas passa por transformações, usando a matéria. O entra e sai da matéria é apenas parte do processo evolutivo.
sdificuldades, a dor, são processos de experiências e depurações para a evolução. Os Espíritos Superiores explicaram a Kardec que
A matéria no Universo É usada para a evolução do Espírito. E que toda transformação da matéria, inclusive do corpo está relacionada a essa evolução.
Não nasce um ser, não rola uma lágrima, não explode uma estrela, não voa um inseto, não cai uma folha, sem obedecer a uma lei Universal.
- DESTRUIÇÃO OU RENOVAÇÃO?
o que chamais destruição não passa de uma tranformaçâo, que tem por fim a renovaçâo e melhoria dos seres vivos. " Questão n° 728 (Da Lei de Destruição).
Livro dos Espíritos
- a necessidade de destruição é proporcional ao estado mais ou menos material dos mundos e desaparece num estado físico e moral mais apurado, portanto, diminui à medida que o Espírito supera a matéria. A natureza nos ensina e nos proteger e valorizar a vida. (Instinto de conservação)
A destruição vem por outro lado relacionada à lei de causa e efeito e ao às necessidades de aprendizado (nossas ações podem atrair transformações brutas).
Daí ocorrem as reencarnações retificadoras. ( mortes em terremotos, prédios incendiados, navios afundados, aviões que caem)
Os animais só destroem para satisfação de suas necessidades;
enquanto que o homem, dotado de livre-arbítrio, destrói sem necessidade. A carne não é o espírito, a evolução do homem nos ensina a preservar nossos corpos e dos animais, como uma forma de respeito. O futuro será assim. Nessa condição ainda de espírito atrasado, nossa falta está no abuso, na crueldade. Matam por prazer ou ambição.
(na sobrevivência, a carne que nutre a carne)
Mas o amor vai nos livrando de destruir.
Vejam os cachorros, em paises asiáticos matem-nos para alimentação.
O que causa indignação no ocidente que já os tem como amigos do homem e aprenderam a amá-los.
Os habitantes de mundos mais evoluídos sabem que é preciso respeitar os seres inferiores e evitam sacrificá-los até mesmo para atender suas necessidades de alimentação, utilizando-se de recursos alternativos.
COMANDO DIVINO:
Há uma ordenação divina no Universo.
Deus a tudo prevê e provê, atendendo às necessidades evolutivas de seus filhos.
Nada ocorre por acaso.
Seriam casuais as ocorrências Traumáticas?
Para o materialista, certamente.
Mas o religioso, que concebe a onisciência e onipotência de Deus, não pode desenvolver semelhante raciocínio, que equivaleria ao reconhecimento de que a Natureza escapa ao comando divino.
Muitos flagelos beneficiam fisicamente o planeta, principalmente na renovação de sua atmosfera mas, sobretudo, impõem um agitar das consciências humanas,
tanto para aqueles que desencarnam em circunstâncias dolorosas e traumáticas, quanto para os que colhem as conseqüências da devastação ocasionada.
Experiências assim representam a oportunidade de resgate de seus débitos do pretérito, ao mesmo tempo em que fazem sua iniciação nos domínios da solidariedade.
As vítimas das grandes calamidades tornam-se menos envolvidas com as ilusões,
mais dispostas a ajudar o semelhante, após sentirem na própria carne a dor que aflige seus irmãos.
A Lei de Destruição funciona, também, para conter os impulsos desajustados da criatura humana.
Não é preciso grande esforço de raciocínio para perceber que a AIDS,
representa uma resposta da Natureza aos abusos cometidos pelo Homem nos domínios do sexo, a partir da decantada liberdade sexual,
na década de sessenta.
A AIDS vem impondo ao Homem disciplinas
às quais não se submeteria em circunstâncias normais.
MISCIGENAÇÃO CÁRMICA
"Como pode dar-se que, no seio da mais adiantada civilização, se encontrem seres às vezes tão cruéis quanto os selvagens?"
Como justificar semelhante comportamento?
Ninguém, em circunstância alguma, nem mesmo em destrambelho mental, adotará comportamento incompatível com sua natureza.
A crueldade não é sinônimo de loucura.
Apenas revela uma condição evolutiva.
Em indivíduos assim o senso moral é incipiente,
prevalecendo neles as iniciativas do bruto, sempre disposto a resolver suas pendências pela violência.
O grande problema da atualidade é a concentração de Espíritos assim em meio civilizado, agindo segundo seus horizontes evolutivos.
Se lhes faltam recursos de subsistência, tornam-se assaltantes e assassinos impiedosos;
se atrelados a cargos policiais fazem-se torturadores frios;
se contestadores de ordem social, atuam como terroristas sanguinários, que não vacilam na matança de inocentes.
Muitos desses Espíritos estagiam entre nós por imposição de um carma coletivo.
Quando todos nós, superando a indiferença que caracteriza o homem comum, compreendermos que viver em sociedade é, sobretudo, participar de iniciativas que visam
ao bem estar coletivo, estaremos no caminho certo.
Sobre a guerra, na Lei de Destruição aprendemos que se trata da predominância da natureza animal sobre a espiritual e satisfação das paixões.
Em estado de barbárie o homem só conhece o direito do mais forte, e é por isso que a guerra é um estado normal. (pensamento desse grau de evolução)
Constata-se o momento evolutivo em que o homem se encontra.
Essa realidade só poderá sofrer uma profunda transformação quando o princípio da natureza animal não prevalecer sobre o Espírito.
Aulas
Aula ministrada por jairocapasso@uol.com.br em curso básico de espiritismo - Piracicaba
Terremotos, maremotos, furações, Tempestades, guerras, violência, doenças, sofrimento
Tudo está ligado à evolução do planeta e dos espíritos que o habitam.
Na natureza nada se cria, nada se finda, tudo se transforma. (Lavoisier)
Esse lei liberta o homem do apego à matéria pelo menos vai mostrando que ele não evolui por esse caminho. (apego às coisas passageiras)
A morte não existe, o espírito apenas passa por transformações, usando a matéria. O entra e sai da matéria é apenas parte do processo evolutivo.
sdificuldades, a dor, são processos de experiências e depurações para a evolução. Os Espíritos Superiores explicaram a Kardec que
A matéria no Universo É usada para a evolução do Espírito. E que toda transformação da matéria, inclusive do corpo está relacionada a essa evolução.
Não nasce um ser, não rola uma lágrima, não explode uma estrela, não voa um inseto, não cai uma folha, sem obedecer a uma lei Universal.
- DESTRUIÇÃO OU RENOVAÇÃO?
o que chamais destruição não passa de uma tranformaçâo, que tem por fim a renovaçâo e melhoria dos seres vivos. " Questão n° 728 (Da Lei de Destruição).
Livro dos Espíritos
- a necessidade de destruição é proporcional ao estado mais ou menos material dos mundos e desaparece num estado físico e moral mais apurado, portanto, diminui à medida que o Espírito supera a matéria. A natureza nos ensina e nos proteger e valorizar a vida. (Instinto de conservação)
A destruição vem por outro lado relacionada à lei de causa e efeito e ao às necessidades de aprendizado (nossas ações podem atrair transformações brutas).
Daí ocorrem as reencarnações retificadoras. ( mortes em terremotos, prédios incendiados, navios afundados, aviões que caem)
Os animais só destroem para satisfação de suas necessidades;
enquanto que o homem, dotado de livre-arbítrio, destrói sem necessidade. A carne não é o espírito, a evolução do homem nos ensina a preservar nossos corpos e dos animais, como uma forma de respeito. O futuro será assim. Nessa condição ainda de espírito atrasado, nossa falta está no abuso, na crueldade. Matam por prazer ou ambição.
(na sobrevivência, a carne que nutre a carne)
Mas o amor vai nos livrando de destruir.
Vejam os cachorros, em paises asiáticos matem-nos para alimentação.
O que causa indignação no ocidente que já os tem como amigos do homem e aprenderam a amá-los.
Os habitantes de mundos mais evoluídos sabem que é preciso respeitar os seres inferiores e evitam sacrificá-los até mesmo para atender suas necessidades de alimentação, utilizando-se de recursos alternativos.
COMANDO DIVINO:
Há uma ordenação divina no Universo.
Deus a tudo prevê e provê, atendendo às necessidades evolutivas de seus filhos.
Nada ocorre por acaso.
Seriam casuais as ocorrências Traumáticas?
Para o materialista, certamente.
Mas o religioso, que concebe a onisciência e onipotência de Deus, não pode desenvolver semelhante raciocínio, que equivaleria ao reconhecimento de que a Natureza escapa ao comando divino.
Muitos flagelos beneficiam fisicamente o planeta, principalmente na renovação de sua atmosfera mas, sobretudo, impõem um agitar das consciências humanas,
tanto para aqueles que desencarnam em circunstâncias dolorosas e traumáticas, quanto para os que colhem as conseqüências da devastação ocasionada.
Experiências assim representam a oportunidade de resgate de seus débitos do pretérito, ao mesmo tempo em que fazem sua iniciação nos domínios da solidariedade.
As vítimas das grandes calamidades tornam-se menos envolvidas com as ilusões,
mais dispostas a ajudar o semelhante, após sentirem na própria carne a dor que aflige seus irmãos.
A Lei de Destruição funciona, também, para conter os impulsos desajustados da criatura humana.
Não é preciso grande esforço de raciocínio para perceber que a AIDS,
representa uma resposta da Natureza aos abusos cometidos pelo Homem nos domínios do sexo, a partir da decantada liberdade sexual,
na década de sessenta.
A AIDS vem impondo ao Homem disciplinas
às quais não se submeteria em circunstâncias normais.
MISCIGENAÇÃO CÁRMICA
"Como pode dar-se que, no seio da mais adiantada civilização, se encontrem seres às vezes tão cruéis quanto os selvagens?"
Como justificar semelhante comportamento?
Ninguém, em circunstância alguma, nem mesmo em destrambelho mental, adotará comportamento incompatível com sua natureza.
A crueldade não é sinônimo de loucura.
Apenas revela uma condição evolutiva.
Em indivíduos assim o senso moral é incipiente,
prevalecendo neles as iniciativas do bruto, sempre disposto a resolver suas pendências pela violência.
O grande problema da atualidade é a concentração de Espíritos assim em meio civilizado, agindo segundo seus horizontes evolutivos.
Se lhes faltam recursos de subsistência, tornam-se assaltantes e assassinos impiedosos;
se atrelados a cargos policiais fazem-se torturadores frios;
se contestadores de ordem social, atuam como terroristas sanguinários, que não vacilam na matança de inocentes.
Muitos desses Espíritos estagiam entre nós por imposição de um carma coletivo.
Quando todos nós, superando a indiferença que caracteriza o homem comum, compreendermos que viver em sociedade é, sobretudo, participar de iniciativas que visam
ao bem estar coletivo, estaremos no caminho certo.
Sobre a guerra, na Lei de Destruição aprendemos que se trata da predominância da natureza animal sobre a espiritual e satisfação das paixões.
Em estado de barbárie o homem só conhece o direito do mais forte, e é por isso que a guerra é um estado normal. (pensamento desse grau de evolução)
Constata-se o momento evolutivo em que o homem se encontra.
Essa realidade só poderá sofrer uma profunda transformação quando o princípio da natureza animal não prevalecer sobre o Espírito.
Ensaio sobre a Lei da Destruição
Ensaio sobre a Lei da Destruição
Quando falamos de lei de destruição, devemos sempre nos lembrar da sabedoria do criador.
O mundo, o universo é regido por leis perfeitas e eternas, para que não fosse necessárias intervenções da providencia divina, corrigindo rotas e rumo.
Apenas Deus é imutável. Se ele não o fosse , suas leis não seriam eternas.
A lei de destruição dentre todas as leis, em conjunto com a de reprodução é uma das que mais abrem possibilidades e oportunidades de aprendizado para os seres em evolução.
Poderia ser chamada como a lei da renovação ou lei da mudança, do aprendizado, das tentativas, da persistência e da dedicação.
Mas o que tudo isso tem a ver com a destruição?
Destruição entre nós encarnados tem uma conotação muito ruim, ligado a perda, ao desfazimento das coisas sem chances ou proposta de recuperação.
Do ponto de vista puramente materialista, esta lei não foge muito a esta pequena e grosseira definição.
Mas para espíritos encarnados como nós, ou seja, almas, esta lei se mostra como uma ferramenta única de evolução, esperança e oportunidade.
Desde que nos reconheçamos como almas imortais, nossa essência, nossa individualidade passa a ser por definição, imortal.
Se somos eternos, o que na verdade esta sujeita a destruição?
Nada. Nem mesmo a matéria, já que no universo são dois os elementos: Espírito e matéria.
A matéria pode transformar-se em energia, e a energia não pode ser destruída.
O que existe em relação à matéria é a sua transformação, uma reorganização de moléculas, átomos e partículas, um constante refazer de todas as coisas. E para que algo seja refeito, é necessário um temporário desarranjo, uma aparente desorganização, ou seja, uma mudança.
Chamamos a esta desorganização momentânea dos elementos que nos cercam de destruição. Algo que se findou. Encerrou o seu ciclo e desapareceu.
Desapareceu de onde ou para onde? Apenas desapareceu da percepção de nossos sentidos para se rearranjar ali na frente em uma nova proposta de organização molecular ou celular.
Sim, celular. Refiro-me também a nosso corpo, que é composto da mesma matéria encontrada em todo o universo.
E qual seria a finalidade disso tudo, não pareceria mais lógico algo não se desfazer para que fizéssemos uso constante das coisas das quais já estamos acostumados ou adaptados?
Sim parece, mas muito vezes e quase sempre estamos adaptados e acostumados a muitas coisas longe do ideal e da harmonia proposta pelas leis divinas, que são a expressão de bondade e sabedoria do próprio Criador.
Apenas DEUS é imutável, todas as outras coisas estão em constante evolução.
E neste nosso momento evolutivo, em que estamos descobrindo valores e adquirindo qualidades e virtudes, a multiplicação de experiências, e a diversidade de oportunidades e circunstancias são fundamentais, ou melhor, imprescindíveis.
E estas oportunidades só poderiam acontecer, ou surgir, se outra que no momento não nos tem mais utilidade deixa-se de existir.
Como crianças, só que espirituais, estamos aprendendo a lidar com tudo o que nos cerca.
Tocando , mudando, sentindo. E como a criança que aprende a entender o mundo através de brinquedos que imitam a realidade, até que ela possa lidar de forma responsável com a verdadeira, estamos dentro desta realidade provisória, aprendendo a lidar com a matéria que nos cerca e da qual também fazemos uso para manter nosso corpo físico, para que, ao entrarmos em nossa verdadeira moradia, tenhamos a capacidade, a habilidade de lidar e nos harmonizar com a verdadeira realidade, aquela que vamos vivenciar quando não mais precisarmos passar pelas experiências das reencarnações.
Então, quando tudo se extingue, devemos agradecer ao alto, pela oportunidade de termos usufruído daquilo que nos cercava, de poder ter compartilhado com pessoas e coisas, experiências que foram de uma importância ímpar em nosso desenvolvimento, acrescentando valores e habilidades em nosso ser.
E, tamanha é a sabedoria Divina ao permitir que tudo o que é de mais valioso em cada experiência permaneça eternamente conosco.
Tudo aquilo que adquirimos em todas as nossas experiências, todos aqueles que amamos em cada vivência terrena, permanecem como um registro, em nossos corações.
Levamos para todas as encarnações, presentes e futuras, aquilo que somos, nossas virtudes e imperfeições e também reencontramos aqueles que amamos, muitas vezes em momentos diferentes de nossas vivências, mas sempre é um reencontro.
Sendo assim, e enxergando com os olhos da Alma (Espírito), tudo que nos cerca não passa de instrumentos, ferramentas, para que possamos nos relacionar com os outros e com as coisas, para que aprendamos em cada experiência, a lidar de forma mais harmoniosa e equilibrada com a nossa realidade provisória, nosso laboratório, nosso rascunho de uma vida que será escrita em um papel único e definitivo, quando por experiência termos adquirido todas as virtudes, qualidades e habilidades para criarmos a nossa realidade definitiva, de paz, equilíbrio, amor e harmonia com tudo e com todos, partindo de dentro para fora, por compreensão e ação, que nos levam da teoria (conhecimento) a prática (hábitos), exteriorizando as conquistas que nossa alma carrega, compartilhando-as e vivenciando as conquistas do outro.
Todas estas experiências só são possíveis pela constante renovação, pela troca das experiências e circunstancias que são proporcionadas pela destruição (mudança) da realidade que estamos inseridos, para que haja o surgimento (reorganização) de uma nova oportunidade, através de um novo corpo, uma nova vivência, agora mais ampla, com mais recursos e uma maior visão, com a amplianção de nossa consciência.
Destruir, para uma Alma imortal, nada mais é do que concluir um ciclo, terminar um dia, na eternidade das experiências, para que outro possa se levantar a seguir.
A lei da evolução se faz presente em cada tentativa e erro, que nos levará inevitavelmente ao acerto. E quando acertamos, passamos a lição seguinte.
Uma nova lição exige novas experiências, novo material e um novo laboratório para continuarmos nosso aprendizado.
Tudo que deixa de existir, se nos foi útil, cumpriu seu papel. Se não foi útil, também não faz mais sentido existir.
A destruição abre caminho para renovação.
E só a renovação pode nos levar a novas oportunidades.
E, enquanto Alma em evolução, nada é mais importante do que a chance de vivenciar novas oportunidades, que DEUS nos concede, a cada hora, a cada dia, e a cada vida.
Saibamos compreender suas leis eternas para que delas possamos tirar o máximo de proveito.
E quanto mais as compreendermos, mais passamos a agir de acordo com elas.
E, ao nos harmonizamos com SUAS leis, passamos a vivenciar o equilíbrio que lhe são próprias.
Assim, passamos a estar em DEUS, NELE existindo e caminhando.
Existindo por compreensão e sintonia, e caminhando por ação e harmonia.
A Lei de Destruição é na verdade a da Renovação?
Escreveria DEUS, certo por linhas tortas?
NÃO, DEUS nos concede o papel, a tinta, e o tema para que, ao começarmos escrevendo em linhas tortas, aprendamos a escrever de forma correta as páginas de nossa vida, que contarão a história de nossa Alma, única , mas harmonizada com o todo, fazendo da diversidade de cada um, o apoio necessário para manter a unidade do universo.
Única, mas harmonizada com o todo.
Fazendo da diversidade de cada um, o apoio necessário para manter a unidade do universo.
Quando falamos de lei de destruição, devemos sempre nos lembrar da sabedoria do criador.
O mundo, o universo é regido por leis perfeitas e eternas, para que não fosse necessárias intervenções da providencia divina, corrigindo rotas e rumo.
Apenas Deus é imutável. Se ele não o fosse , suas leis não seriam eternas.
A lei de destruição dentre todas as leis, em conjunto com a de reprodução é uma das que mais abrem possibilidades e oportunidades de aprendizado para os seres em evolução.
Poderia ser chamada como a lei da renovação ou lei da mudança, do aprendizado, das tentativas, da persistência e da dedicação.
Mas o que tudo isso tem a ver com a destruição?
Destruição entre nós encarnados tem uma conotação muito ruim, ligado a perda, ao desfazimento das coisas sem chances ou proposta de recuperação.
Do ponto de vista puramente materialista, esta lei não foge muito a esta pequena e grosseira definição.
Mas para espíritos encarnados como nós, ou seja, almas, esta lei se mostra como uma ferramenta única de evolução, esperança e oportunidade.
Desde que nos reconheçamos como almas imortais, nossa essência, nossa individualidade passa a ser por definição, imortal.
Se somos eternos, o que na verdade esta sujeita a destruição?
Nada. Nem mesmo a matéria, já que no universo são dois os elementos: Espírito e matéria.
A matéria pode transformar-se em energia, e a energia não pode ser destruída.
O que existe em relação à matéria é a sua transformação, uma reorganização de moléculas, átomos e partículas, um constante refazer de todas as coisas. E para que algo seja refeito, é necessário um temporário desarranjo, uma aparente desorganização, ou seja, uma mudança.
Chamamos a esta desorganização momentânea dos elementos que nos cercam de destruição. Algo que se findou. Encerrou o seu ciclo e desapareceu.
Desapareceu de onde ou para onde? Apenas desapareceu da percepção de nossos sentidos para se rearranjar ali na frente em uma nova proposta de organização molecular ou celular.
Sim, celular. Refiro-me também a nosso corpo, que é composto da mesma matéria encontrada em todo o universo.
E qual seria a finalidade disso tudo, não pareceria mais lógico algo não se desfazer para que fizéssemos uso constante das coisas das quais já estamos acostumados ou adaptados?
Sim parece, mas muito vezes e quase sempre estamos adaptados e acostumados a muitas coisas longe do ideal e da harmonia proposta pelas leis divinas, que são a expressão de bondade e sabedoria do próprio Criador.
Apenas DEUS é imutável, todas as outras coisas estão em constante evolução.
E neste nosso momento evolutivo, em que estamos descobrindo valores e adquirindo qualidades e virtudes, a multiplicação de experiências, e a diversidade de oportunidades e circunstancias são fundamentais, ou melhor, imprescindíveis.
E estas oportunidades só poderiam acontecer, ou surgir, se outra que no momento não nos tem mais utilidade deixa-se de existir.
Como crianças, só que espirituais, estamos aprendendo a lidar com tudo o que nos cerca.
Tocando , mudando, sentindo. E como a criança que aprende a entender o mundo através de brinquedos que imitam a realidade, até que ela possa lidar de forma responsável com a verdadeira, estamos dentro desta realidade provisória, aprendendo a lidar com a matéria que nos cerca e da qual também fazemos uso para manter nosso corpo físico, para que, ao entrarmos em nossa verdadeira moradia, tenhamos a capacidade, a habilidade de lidar e nos harmonizar com a verdadeira realidade, aquela que vamos vivenciar quando não mais precisarmos passar pelas experiências das reencarnações.
Então, quando tudo se extingue, devemos agradecer ao alto, pela oportunidade de termos usufruído daquilo que nos cercava, de poder ter compartilhado com pessoas e coisas, experiências que foram de uma importância ímpar em nosso desenvolvimento, acrescentando valores e habilidades em nosso ser.
E, tamanha é a sabedoria Divina ao permitir que tudo o que é de mais valioso em cada experiência permaneça eternamente conosco.
Tudo aquilo que adquirimos em todas as nossas experiências, todos aqueles que amamos em cada vivência terrena, permanecem como um registro, em nossos corações.
Levamos para todas as encarnações, presentes e futuras, aquilo que somos, nossas virtudes e imperfeições e também reencontramos aqueles que amamos, muitas vezes em momentos diferentes de nossas vivências, mas sempre é um reencontro.
Sendo assim, e enxergando com os olhos da Alma (Espírito), tudo que nos cerca não passa de instrumentos, ferramentas, para que possamos nos relacionar com os outros e com as coisas, para que aprendamos em cada experiência, a lidar de forma mais harmoniosa e equilibrada com a nossa realidade provisória, nosso laboratório, nosso rascunho de uma vida que será escrita em um papel único e definitivo, quando por experiência termos adquirido todas as virtudes, qualidades e habilidades para criarmos a nossa realidade definitiva, de paz, equilíbrio, amor e harmonia com tudo e com todos, partindo de dentro para fora, por compreensão e ação, que nos levam da teoria (conhecimento) a prática (hábitos), exteriorizando as conquistas que nossa alma carrega, compartilhando-as e vivenciando as conquistas do outro.
Todas estas experiências só são possíveis pela constante renovação, pela troca das experiências e circunstancias que são proporcionadas pela destruição (mudança) da realidade que estamos inseridos, para que haja o surgimento (reorganização) de uma nova oportunidade, através de um novo corpo, uma nova vivência, agora mais ampla, com mais recursos e uma maior visão, com a amplianção de nossa consciência.
Destruir, para uma Alma imortal, nada mais é do que concluir um ciclo, terminar um dia, na eternidade das experiências, para que outro possa se levantar a seguir.
A lei da evolução se faz presente em cada tentativa e erro, que nos levará inevitavelmente ao acerto. E quando acertamos, passamos a lição seguinte.
Uma nova lição exige novas experiências, novo material e um novo laboratório para continuarmos nosso aprendizado.
Tudo que deixa de existir, se nos foi útil, cumpriu seu papel. Se não foi útil, também não faz mais sentido existir.
A destruição abre caminho para renovação.
E só a renovação pode nos levar a novas oportunidades.
E, enquanto Alma em evolução, nada é mais importante do que a chance de vivenciar novas oportunidades, que DEUS nos concede, a cada hora, a cada dia, e a cada vida.
Saibamos compreender suas leis eternas para que delas possamos tirar o máximo de proveito.
E quanto mais as compreendermos, mais passamos a agir de acordo com elas.
E, ao nos harmonizamos com SUAS leis, passamos a vivenciar o equilíbrio que lhe são próprias.
Assim, passamos a estar em DEUS, NELE existindo e caminhando.
Existindo por compreensão e sintonia, e caminhando por ação e harmonia.
A Lei de Destruição é na verdade a da Renovação?
Escreveria DEUS, certo por linhas tortas?
NÃO, DEUS nos concede o papel, a tinta, e o tema para que, ao começarmos escrevendo em linhas tortas, aprendamos a escrever de forma correta as páginas de nossa vida, que contarão a história de nossa Alma, única , mas harmonizada com o todo, fazendo da diversidade de cada um, o apoio necessário para manter a unidade do universo.
Única, mas harmonizada com o todo.
Fazendo da diversidade de cada um, o apoio necessário para manter a unidade do universo.
Destruição necessária e destruição abusiva
Destruição necessária e destruição abusiva
É lei da Natureza a destruição, pois é preciso que tudo se destrua para renascer e se regenerar. Porque, o que chamamos destruição não passa de uma transformação, que tem por fim a renovação e melhoria dos seres vivos. As criaturas são instrumentos de que Deus se serve para chegar aos fins que objetiva. Para se alimentarem, os seres vivos reciprocamente se destroem, destruição esta que obedece a um duplo fim: manutenção do equilíbrio na reprodução, que poderia tornar-se excessiva, e utilização dos despojos do invólucro exterior que sofre a destruição. Esse invólucro é simples acessório e não a parte essencial do ser pensante. A parte essencial é o princípio inteligente, que não se pode destruir e se elabora nas metamorfoses diversas por que passa. (LE – 728).
A Natureza tem os meios de preservação e conservação a fim de que a destruição não se dê antes de tempo. Toda destruição antecipada é contrária ao desenvolvimento do princípio inteligente. Por isso foi que Deus fez que cada ser experimentasse a necessidade de viver e de se reproduzir. (LE – 729)
O homem deve procurar prolongar a vida, para cumprir a sua tarefa. Tal o motivo por que Deus lhe deu o instinto de conservação, instinto que o sustenta nas provas. A não ser assim, ele muito freqüentemente se entregaria ao desânimo. A voz íntima, que o induz a repelir a morte, lhe diz que ainda pode realizar alguma coisa pelo seu progresso. A ameaça de um perigo constitui aviso, para que se aproveite da dilação que Deus lhe concede. Mas, ingrato, o homem rende graças mais vezes à sua estrela do que ao seu Criador. (LE – 730)
Ao lado dos meios de conservação, a Natureza colocou os agentes de destruição para manter o equilíbrio e servir de contrapeso. (LE – 731)
A necessidade de destruição guarda proporções com o estado mais ou menos material dos mundos. Cessa, quando o físico e o moral se acham mais depurados. São muito diversas as condições de existência nos mundos mais adiantados do que o nosso. (LE – 732)
A necessidade da destruição se enfraquece no homem, à medida que o Espírito sobrepuja a matéria. Assim é que, como podemos observar, o horror à destruição cresce com o desenvolvimento intelectual e moral. (LE – 733)
O direito de destruição que o homem tem sobre os animais se acha regulado pela necessidade, que ele tem, de prover ao seu sustento e à sua segurança. O abuso jamais constitui direito. (LE – 734)
A destruição, quando ultrapassa os limites que as necessidades e a segurança, da caça, por exemplo, quando não objetiva senão o prazer de destruir sem utilidade, significa predominância da bestialidade sobre a natureza espiritual. Toda destruição que excede os limites da necessidade é uma violação da lei de Deus. Os animais só destroem para satisfação de suas necessidades; enquanto que o homem, dotado de livre-arbítrio, destrói sem necessidade. Terá que prestar contas do abuso da liberdade que lhe foi concedida, pois isso significa que cede aos maus instintos. (LE – 735)
O excesso de escrúpulo, quanto à destruição dos animais que muitos povos tem, no tocante a um sentimento louvável em si mesmo, se torna abusivo e o seu merecimento fica neutralizado por abusos de muitas outras espécies. Pois, entre tais povos, há mais temor supersticioso do que verdadeira bondade. (LE – 736)
Flagelos destruidores
Deus fere a Humanidade por meio de flagelos destruidores com a finalidade de fazê-la progredir mais depressa, pois a destruição é uma necessidade para a regeneração moral dos Espíritos, que, em cada nova existência, sobem um degrau na escala do aperfeiçoamento. Preciso é que se veja o objetivo, para que os resultados possam ser apreciados. Não podemos apreciar a destruição do nosso ponto de vista pessoal porque os qualificamos de flagelos, por efeito do prejuízo que nos causam. Essas subversões, porém, são freqüentemente necessárias para que mais pronto se dê o advento de uma melhor ordem de coisas e para que se realize em alguns anos o que teria exigido muitos séculos. (LE – 737 ver também 744)
Deus, também emprega todos os dias outros meios que não os flagelos destruidores para que a Humanidade consiga sua melhora, pois que deu a cada um os meios de progredir pelo conhecimento do bem e do mal. O homem, porém, não se aproveita desses meios. Necessário, portanto, se torna que seja castigado no seu orgulho e que se lhe faça sentir a sua fraqueza. Se nesses flagelos, tanto sucumbe o homem de bem como o perverso, nisto também esta a justiça de Deus. Durante a vida, o homem tudo refere ao seu corpo; entretanto, depois da morte pensará de maneira diversa. A vida do corpo bem pouca coisa é. Um século no nosso mundo não passa de um relâmpago na eternidade. Logo, nada são os sofrimentos de alguns dias ou de alguns meses, de que tanto nos queixamos. Representam um ensino que se nos dá e que nos servirá no futuro. Os Espíritos, que preexistem e sobrevivem a tudo, formam o mundo real. O mundo espírita, preexiste e sobrevive a tudo. Esses os filhos de Deus e o objeto de toda a Sua solicitude. Os corpos são meras vestes com que eles aparecem no mundo. Por ocasião das grandes calamidades que dizimam os homens, o espetáculo é semelhante ao de um exército cujos soldados, durante a guerra, ficassem com seus uniformes estragados, rotos, ou perdidos. O general se preocupa mais com seus soldados do que com os uniformes deles. Não podemos considerar a vida, simplesmente qual ela é, mas conforme representa seu verdadeiro objetivo em relação ao infinito. Em outra vida, as vítimas desses flagelos acharão ampla compensação aos seus sofrimentos, se souberem suportá-los sem murmurar. (LE – 738 e 85)
Venha por um flagelo a morte, ou por uma causa comum, ninguém deixa por isso de morrer, desde que haja soado a hora da partida. A única diferença, em caso de flagelo, é que maior número parte ao mesmo tempo.
Se, pelo pensamento, pudéssemos elevar-nos de maneira a dominar a Humanidade e abrangê-la em seu conjunto, esses tão terríveis flagelos não nos pareceriam mais do que passageiras tempestades no destino do mundo. (Nota LE - 737/738)
Os flagelos destruidores, também tem utilidade do ponto de vista físico, não obstante os males que ocasionam. Muitas vezes mudam as condições de uma região. Mas, o bem que deles resulta só as gerações vindouras o experimentam. (LE – 739)
Os flagelos são provas que dão ao homem ocasião de exercitar a sua inteligência, de demonstrar sua paciência e resignação ante a vontade de Deus e que lhe oferecem ensejo de manifestar seus sentimentos de abnegação, de desinteresse e de amor ao próximo, se o não domina o egoísmo. (LE – 740)
Em parte, é dado ao homem intentar contra os flagelos que o afligem, porém, não, como geralmente o entende. Muitos flagelos resultam da imprevidência do homem. À medida que adquire conhecimentos e experiência, ele os vai podendo afastar nauralmente, isto é, prevenir, se lhes sabe pesquisar as causas. Contudo, entre os males que afligem a Humanidade, alguns há de caráter geral, que estão nos decretos da Providência e dos quais cada indivíduo recebe, mais ou menos, o contragolpe. A esses nada pode o homem opor, a não ser sua submissão à vontade de Deus. Esses mesmos males, entretanto, ele muitas vezes os agrava pela sua negligência. (LE – 741)
Na primeira linha dos flagelos destruidores, naturais e independentes do homem, devem ser colocados a peste, a fome, as inundações, as intempéries fatais às produções da terra. Não tem, porém, o homem encontrado na Ciência, nas obras de arte, no aperfeiçoamento da agricultura, nos afolhamentos e nas irrigações, no estudo das condições higiênicas, meios de impedir, ou, quando menos, de atenuar muitos desastres? Certas regiões, outrora assoladas por terríveis flagelos, não estão hoje preservadas deles? Que não fará, portanto, o homem pelo seu bem-estar material, quando souber aproveitar-se de todos os recursos da sua inteligência e quando aos cuidados da sua conservação pessoal, souber aliar o sentimento de verdadeira caridade para com os seus semelhantes? (Nota LE - 739 à 741)
É freqüente a certos indivíduos faltarem formas de subsistência, mesmo em meio à abastança. É pelo nosso egoísmo, que nem sempre fazemos o que nos cumpre. E no mais das vezes, devemo-lo a nós mesmos. "Buscai e achareis"; estas palavras não querem dizer que, para acharmos o que desejamos, basta uma atitude passiva, mas é preciso procurá-lo sempre com ardor e perseverança, sem desanimar ante os obstáculos, que muito amiúde são simples meios de que se utiliza a Providência para nos experimentar a constância, a paciência e a firmeza. (LE – 707)
Algumas vezes, os obstáculos à realização dos nossos projetos são, com efeito, decorrentes da ação dos Espíritos; muito mais vezes, porém, nós é que andamos errados na elaboração e na execução dos nossos projetos. Muito influem nesses casos a posição e o caráter do indivíduo. Se nos obstinamos em ir por um caminho que não devemos seguir, os Espíritos nenhuma culpa têm dos nossos insucessos. Nós mesmos nos constituímos em nossos maus gênios. (LE – 534)
Se é certo que a Civilização multiplica as necessidades, também o é que multiplica as fontes de trabalho e os meios de viver. Forçoso, porém, é convir em que, a tal respeito, muito ainda lhe resta fazer. quando ela houver concluído a sua obra, ninguém deverá haver que possa queixar-se de lhe faltar o necessário, a não ser por própria culpa. A desgraça, para muitos, provém de inveredarem por uma senda diversa da que a Natureza lhes traça. É então que lhes falece a inteligência para o bom êxito. Para todos há lugar ao Sol, mas com a condição de que cada um ocupe o seu e não o dos outros. A Natureza não pode ser responsável pelos defeitos da organização social, nem pelas conseqüências da ambição e do amor-próprio.
Fora preciso, entretanto, ser-se cego, para se não reconhecer o progresso que, por esse lado, têm feito os povos mais adiantados. Graças aos louváveis esforços que, juntas, a Filantropia e a Ciência não cessam de despender para melhorar a condição material dos homens e mau grado ao crescimento incessante das populações, a insuficiência da produção se acha atenuada, pelo menos em grande parte, e os anos mais calamitosos do presente não se podem de modo algum comparar aos de outrora. A higiene pública, elemento tão essencial da força e da saúde, a higiene pública, que nossos pais não conheceram, é objeto de esclarecida solicitude. O infortúnio e o sofrimento encontram onde se refugiem. Por toda parte a Ciência contribui para acrescer o bem-estar. Poder-se-á dizer que já se haja chegado à perfeição? Oh! Não, certamente; mas, o que já se fez deixa prever o que, com perseverança, se logrará conseguir, se o homem se mostrar bastante avisado para procurar a sua felicidade nas coisas positivas e sérias e não em utopias que o levam a recuar em vez de fazê-lo avançar. (Nota LE - 707, 534)
Guerras
O que impele o homem à guerra é a predominância da natureza animal sobre a natureza espiritual e transbordamento das paixões. No estado de barbaria, os povos um só direito conhecem - o do mais forte. Por isso é que, para tais povos, o de guerra é um estado normal. À medida que o homem progride, menos freqüente se torna a guerra, porque ele lhe evita as causas, fazendo-a com humanidade, quando a sente necessária. (LE – 742)
A guerra desaparecerá da face da Terra, quando os homens compreenderem a justiça e praticarem a lei de Deus. Nessa época, todos os povos serão irmãos. (LE – 743)
O que objetivou a Providência, tornando necessária a guerra é a conquista da liberdade e o progresso.
A guerra freqüentemente tem por objetivo e resultado a escravização, contudo escravização temporária, para esmagar os povos, a fim de fazê-los progredir mais depressa. (LE – 744)
Aquele que suscita a guerra para proveito seu é grande culpado e esse muitas existências lhe serão necessárias para expiar todos os assassínios de que haja sido causa, porquanto responderá por todos os homens cuja morte tenha causado para satisfazer à sua ambição. (LE – 745)
Assassínio
É um grande crime aos olhos de Deus o assassínio, pois que aquele que tira a vida ao seu semelhante corta o fio de uma existência de expiação ou de missão. Aí é que está o mal. (LE – 746)
Quanto ao grau de culpabilidade em todos os casos de assassínio, Deus é justo, julga mais pela intenção do que pelo fato. (LE – 747)
Em caso de legítima defesa, só a necessidade o pode escusar. Mas, desde que o agredido possa preservar sua vida, sem atentar contra a de seu agressor, deve fazê-lo. (LE – 748)
O homem não tem culpa dos assassínios que pratica durante a guerra, pois é constrangido pela força, mas é culpado das crueldades que cometa, sendo-lhe também levado em conta o sentimento de humanidade com que proceda. (LE – 749)
Tanto o parricídio como o infanticídio são ambos igualmente condenável aos olhos de Deus porque é crime, ou seja, uma violação culpável da lei Divina. (LE – 750)
A explicação que entre alguns povos, já adiantados sob o ponto de vista intelectual, o infanticídio seja um costume e esteja consagrado pela legislação, e que o desenvolvimento intelectual não implica a necessidade do bem. Um Espírito, superior em inteligência, pode ser mau. Isso se dá com aquele que muito tem vivido sem se melhorar: apenas sabe. (LE – 751)
Crueldade
O sentimento de crueldade é o que tem de pior no instinto de destruição, porquanto, se, algumas vezes, a destruição constitui uma necessidade, com a crueldade jamais se dá o mesmo. Ela resulta sempre de uma natureza má. (LE – 752)
A crueldade forma o caráter predominante em alguns povos primitivos, porque a matéria prepondera sobre o Espírito. Eles se entregam aos instintos do bruto e, como não experimentam outras necessidades além das da vida do corpo, só da conservação pessoal cogitam e é o que os torna, em geral, cruéis. Demais, os povos de imperfeito desenvolvimento se conservam sob o império de Espíritos também imperfeitos, que lhes são simpáticos, até que povos mais adiantados venham destruir ou enfraquecer essa influência. (LE – 753)
A crueldade deriva da falta de desenvolvimento do senso moral; não da carência, porquanto o senso moral existe, como princípio, em todos os homens. É esse senso moral que dos seres cruéis fará mais tarde seres bons e humanos. Ele, pois, existe no selvagem, mas como o princípio do perfume no gérmen da flor que ainda não desabrochou. (LE – 754)
Em estado rudimentar ou latente, todas as faculdades existem no homem. Desenvolvem-se, conforme lhes sejam mais ou menos favoráveis as circunstâncias. O desenvolvimento excessivo de uma detém ou neutraliza o das outras. A sobreexcitação dos instintos materiais abafa, por assim dizer, o senso moral, como o desenvolvimento do senso moral enfraquece pouco a pouco as faculdades puramente animais. (Nota LE - 752 à 754)
Pode dar-se que, no seio da mais adiantada civilização, se encontrem seres às vezes cruéis quanto os selvagens, do mesmo modo que numa árvore carregada de bons frutos se encontram verdadeiros abortos. São, selvagens que da civilização só têm o exterior, lobos extraviados em meio de cordeiros. Espíritos de ordem inferior e muito atrasados podem encarnar entre homens adiantados, na esperança de também se adiantarem, Mas, desde que a prova é por demais pesada, predomina a natureza primitiva. (LE – 755)
A sociedade dos homens de bem um dia se verá expurgada dos seres malfazejos. A Humanidade progride. Esses homens, em quem o instinto do mal domina e que se acham deslocados entre pessoas de bem, desaparecerão gradualmente, como o mau grão se separa do bom, quando este é joeirado. Mas, desaparecerão para renascer sob outros invólucros. Como então terão mais experiência, compreenderão melhor o bem e o mal. Temos disso um exemplo nas plantas e nos animais que o homem há conseguido aperfeiçoar, desenvolvendo neles qualidades novas. Só ao cabo de muitas gerações o desenvolvimento se torna completo. É a imagem das diversas existências do homem. (LE – 756)
Duelo
Não se pode considerar o duelo como um caso de legítima defesa, pois é um assassínio e um costume absurdo, digno dos bárbaros. Com uma civilização mais adiantada e mais moral, o homem compreenderá que o duelo é tão ridículo quanto os combates que outrora se consideravam como o juízo de Deus. (LE – 757)
Poder-se-á considerar o duelo como um suicídio por parte daquele que, conhecendo a sua própria fraqueza, tem a quase certeza de que sucumbirá. E quando as probabilidades são as mesmas para ambos os duelistas, haverá assassínio ou suicídio, ou seja, um e outro. (LE – 758)
Em todos os casos, mesmo quando as probabilidades são idênticas para ambos os combatentes, o duelista incorre em culpa, primeiro, porque atenta friamente e de propósito deliberado contra a vida de seu semelhante; depois, porque expõe inutilmente a sua própria vida, sem proveito para ninguém. (Nota LE - 757/758)
O que chamam de ponto de honra, em matéria de duelo, na verdade é orgulho e vaidade, dupla chaga da Humanidade. Há casos em que a honra se acha verdadeiramente empenhada e em que uma recusa fora covardia, isso depende dos usos e costumes. Cada país e cada século têm a esse respeito um modo de ver diferente. Quando os homens forem melhores e estiverem mais adiantados em moral, compreenderão que o verdadeiro ponto de honra está acima das paixões terrenas e que não é matando, nem se deixando matar, que repararão agravos. (LE – 759)
Há mais grandeza e verdadeira honra em confessar-se culpado o homem, se cometeu falta, ou em perdoar, se de seu lado esteja a razão, e, qualquer que seja o caso, em desprezar os insultos, que o não podem atingir. (Nota LE - 759)
Pena de morte
Incontestavelmente desaparecerá algum dia, da legislação humana, a pena de morte e a sua supressão assinalará um progresso da Humanidade. Quando os homens estiverem mais esclarecidos, a pena de morte será completamente abolida na Terra. Não mais precisarão os homens de serem julgados pelos homens. Pode ser que esta época ainda esteja muito distante de nós, mas ela virá a ser realidade. (LE – 760)
Sem dúvida, o progresso social ainda muito deixa a desejar. Mas, seria injusto para com a sociedade moderna quem não visse um progresso nas restrições postas à pena de morte, no seio dos povos mais adiantados, e à natureza dos crimes a que a sua aplicação se acha limitada. Se compararmos as garantias de que, entre esses mesmos povos, a justiça procura cercar o acusado, a humanidade de que usa para com ele, mesmo quando o reconhece culpado, com o que se praticava em tempos que ainda não vão muito longe, não poderemos negar o avanço do gênero humano na senda do progresso. (Nota LE - 760)
A lei de conservação dá ao homem o direito de preservar sua vida. Mas não poderá usar ele desse direito na tentativa de eliminar da sociedade um membro perigoso, pois há outros meios de ele se preservar do perigo, que não matando. Demais, é preciso abrir e não fechar ao criminoso a porta do arrependimento. (LE – 761)
A pena de morte, que pode vir a ser banida das sociedades civilizadas, pode ter sido de necessidade em épocas menos adiantadas, aliás necessidade não é o termo. O homem julga necessária uma coisa, sempre que não descobre outra melhor. À proporção que se instrui, vai compreendendo melhormente o que é justo e o que é injusto e passará a repudiar os excessos que cometeu nos tempos de ignorância em nome da justiça. (LE – 762)
Será um indício de progresso da civilização a restrição dos casos em que se aplica a pena de morte, não se pode duvidar disso. Pois podemos observar como nos revoltamos quando lemos alguma narrativa das carnificinas humanas que outrora se faziam em nome da justiça e, não raro, em honra da Divindade; das torturas que se infligiam ao condenado e até ao simples acusado, para lhe arrancar, pela agudeza do sofrimento, a confissão de um crime que muitas vezes não cometera. Mas se houvéssemos vivido nessas épocas, teríamos achado tudo isso natural e talvez mesmo, se fôramos sido juiz, fizéssemos outro tanto. Assim é que o que pareceu justo, numa época, nos parece bárbaro em outra. Só as leis divinas são eternas; as humanas mudam com o progresso e continuarão a mudar, até que tenham sido postas de acordo com aquelas. (LE – 763)
Muito temos nos enganados a respeito destas palavras de Jesus: “Quem matou com a espada, pela espada perecerá” como acerca de outras. A pena de talião é a justiça de Deus. É Deus quem a aplica. Todos nós sofremos essa pena a cada instante, pois que somos punidos naquilo em que havemos pecado, nesta existência ou em outra. Aquele que foi causa do sofrimento para seus semelhantes virá a achar-se numa condição em que sofrerá o que tenha feito sofrer. Este o sentido das palavras de Jesus. Aliás ele disse também: “Perdoai aos vossos inimigos”, assim como nos ensinou a pedir a Deus que nos perdoe as ofensas como houvermos perdoado, isto é, na mesma proporção em que houvermos perdoado. (LE – 764)
A pena de morte imposta em nome de Deus é tomar o homem o lugar de Deus na distribuição da justiça. Os que assim procedem mostram quão longe estão de compreender Deus e que muito ainda têm que expiar. A pena de morte é um crime, quando aplicada em nome de Deus, e os que a impõem se sobrecarregam de outros tantos assassínios. (LE – 765)
Bibliografia:
O Livro dos Espíritos, obra codificada por Allan Kardec.
É lei da Natureza a destruição, pois é preciso que tudo se destrua para renascer e se regenerar. Porque, o que chamamos destruição não passa de uma transformação, que tem por fim a renovação e melhoria dos seres vivos. As criaturas são instrumentos de que Deus se serve para chegar aos fins que objetiva. Para se alimentarem, os seres vivos reciprocamente se destroem, destruição esta que obedece a um duplo fim: manutenção do equilíbrio na reprodução, que poderia tornar-se excessiva, e utilização dos despojos do invólucro exterior que sofre a destruição. Esse invólucro é simples acessório e não a parte essencial do ser pensante. A parte essencial é o princípio inteligente, que não se pode destruir e se elabora nas metamorfoses diversas por que passa. (LE – 728).
A Natureza tem os meios de preservação e conservação a fim de que a destruição não se dê antes de tempo. Toda destruição antecipada é contrária ao desenvolvimento do princípio inteligente. Por isso foi que Deus fez que cada ser experimentasse a necessidade de viver e de se reproduzir. (LE – 729)
O homem deve procurar prolongar a vida, para cumprir a sua tarefa. Tal o motivo por que Deus lhe deu o instinto de conservação, instinto que o sustenta nas provas. A não ser assim, ele muito freqüentemente se entregaria ao desânimo. A voz íntima, que o induz a repelir a morte, lhe diz que ainda pode realizar alguma coisa pelo seu progresso. A ameaça de um perigo constitui aviso, para que se aproveite da dilação que Deus lhe concede. Mas, ingrato, o homem rende graças mais vezes à sua estrela do que ao seu Criador. (LE – 730)
Ao lado dos meios de conservação, a Natureza colocou os agentes de destruição para manter o equilíbrio e servir de contrapeso. (LE – 731)
A necessidade de destruição guarda proporções com o estado mais ou menos material dos mundos. Cessa, quando o físico e o moral se acham mais depurados. São muito diversas as condições de existência nos mundos mais adiantados do que o nosso. (LE – 732)
A necessidade da destruição se enfraquece no homem, à medida que o Espírito sobrepuja a matéria. Assim é que, como podemos observar, o horror à destruição cresce com o desenvolvimento intelectual e moral. (LE – 733)
O direito de destruição que o homem tem sobre os animais se acha regulado pela necessidade, que ele tem, de prover ao seu sustento e à sua segurança. O abuso jamais constitui direito. (LE – 734)
A destruição, quando ultrapassa os limites que as necessidades e a segurança, da caça, por exemplo, quando não objetiva senão o prazer de destruir sem utilidade, significa predominância da bestialidade sobre a natureza espiritual. Toda destruição que excede os limites da necessidade é uma violação da lei de Deus. Os animais só destroem para satisfação de suas necessidades; enquanto que o homem, dotado de livre-arbítrio, destrói sem necessidade. Terá que prestar contas do abuso da liberdade que lhe foi concedida, pois isso significa que cede aos maus instintos. (LE – 735)
O excesso de escrúpulo, quanto à destruição dos animais que muitos povos tem, no tocante a um sentimento louvável em si mesmo, se torna abusivo e o seu merecimento fica neutralizado por abusos de muitas outras espécies. Pois, entre tais povos, há mais temor supersticioso do que verdadeira bondade. (LE – 736)
Flagelos destruidores
Deus fere a Humanidade por meio de flagelos destruidores com a finalidade de fazê-la progredir mais depressa, pois a destruição é uma necessidade para a regeneração moral dos Espíritos, que, em cada nova existência, sobem um degrau na escala do aperfeiçoamento. Preciso é que se veja o objetivo, para que os resultados possam ser apreciados. Não podemos apreciar a destruição do nosso ponto de vista pessoal porque os qualificamos de flagelos, por efeito do prejuízo que nos causam. Essas subversões, porém, são freqüentemente necessárias para que mais pronto se dê o advento de uma melhor ordem de coisas e para que se realize em alguns anos o que teria exigido muitos séculos. (LE – 737 ver também 744)
Deus, também emprega todos os dias outros meios que não os flagelos destruidores para que a Humanidade consiga sua melhora, pois que deu a cada um os meios de progredir pelo conhecimento do bem e do mal. O homem, porém, não se aproveita desses meios. Necessário, portanto, se torna que seja castigado no seu orgulho e que se lhe faça sentir a sua fraqueza. Se nesses flagelos, tanto sucumbe o homem de bem como o perverso, nisto também esta a justiça de Deus. Durante a vida, o homem tudo refere ao seu corpo; entretanto, depois da morte pensará de maneira diversa. A vida do corpo bem pouca coisa é. Um século no nosso mundo não passa de um relâmpago na eternidade. Logo, nada são os sofrimentos de alguns dias ou de alguns meses, de que tanto nos queixamos. Representam um ensino que se nos dá e que nos servirá no futuro. Os Espíritos, que preexistem e sobrevivem a tudo, formam o mundo real. O mundo espírita, preexiste e sobrevive a tudo. Esses os filhos de Deus e o objeto de toda a Sua solicitude. Os corpos são meras vestes com que eles aparecem no mundo. Por ocasião das grandes calamidades que dizimam os homens, o espetáculo é semelhante ao de um exército cujos soldados, durante a guerra, ficassem com seus uniformes estragados, rotos, ou perdidos. O general se preocupa mais com seus soldados do que com os uniformes deles. Não podemos considerar a vida, simplesmente qual ela é, mas conforme representa seu verdadeiro objetivo em relação ao infinito. Em outra vida, as vítimas desses flagelos acharão ampla compensação aos seus sofrimentos, se souberem suportá-los sem murmurar. (LE – 738 e 85)
Venha por um flagelo a morte, ou por uma causa comum, ninguém deixa por isso de morrer, desde que haja soado a hora da partida. A única diferença, em caso de flagelo, é que maior número parte ao mesmo tempo.
Se, pelo pensamento, pudéssemos elevar-nos de maneira a dominar a Humanidade e abrangê-la em seu conjunto, esses tão terríveis flagelos não nos pareceriam mais do que passageiras tempestades no destino do mundo. (Nota LE - 737/738)
Os flagelos destruidores, também tem utilidade do ponto de vista físico, não obstante os males que ocasionam. Muitas vezes mudam as condições de uma região. Mas, o bem que deles resulta só as gerações vindouras o experimentam. (LE – 739)
Os flagelos são provas que dão ao homem ocasião de exercitar a sua inteligência, de demonstrar sua paciência e resignação ante a vontade de Deus e que lhe oferecem ensejo de manifestar seus sentimentos de abnegação, de desinteresse e de amor ao próximo, se o não domina o egoísmo. (LE – 740)
Em parte, é dado ao homem intentar contra os flagelos que o afligem, porém, não, como geralmente o entende. Muitos flagelos resultam da imprevidência do homem. À medida que adquire conhecimentos e experiência, ele os vai podendo afastar nauralmente, isto é, prevenir, se lhes sabe pesquisar as causas. Contudo, entre os males que afligem a Humanidade, alguns há de caráter geral, que estão nos decretos da Providência e dos quais cada indivíduo recebe, mais ou menos, o contragolpe. A esses nada pode o homem opor, a não ser sua submissão à vontade de Deus. Esses mesmos males, entretanto, ele muitas vezes os agrava pela sua negligência. (LE – 741)
Na primeira linha dos flagelos destruidores, naturais e independentes do homem, devem ser colocados a peste, a fome, as inundações, as intempéries fatais às produções da terra. Não tem, porém, o homem encontrado na Ciência, nas obras de arte, no aperfeiçoamento da agricultura, nos afolhamentos e nas irrigações, no estudo das condições higiênicas, meios de impedir, ou, quando menos, de atenuar muitos desastres? Certas regiões, outrora assoladas por terríveis flagelos, não estão hoje preservadas deles? Que não fará, portanto, o homem pelo seu bem-estar material, quando souber aproveitar-se de todos os recursos da sua inteligência e quando aos cuidados da sua conservação pessoal, souber aliar o sentimento de verdadeira caridade para com os seus semelhantes? (Nota LE - 739 à 741)
É freqüente a certos indivíduos faltarem formas de subsistência, mesmo em meio à abastança. É pelo nosso egoísmo, que nem sempre fazemos o que nos cumpre. E no mais das vezes, devemo-lo a nós mesmos. "Buscai e achareis"; estas palavras não querem dizer que, para acharmos o que desejamos, basta uma atitude passiva, mas é preciso procurá-lo sempre com ardor e perseverança, sem desanimar ante os obstáculos, que muito amiúde são simples meios de que se utiliza a Providência para nos experimentar a constância, a paciência e a firmeza. (LE – 707)
Algumas vezes, os obstáculos à realização dos nossos projetos são, com efeito, decorrentes da ação dos Espíritos; muito mais vezes, porém, nós é que andamos errados na elaboração e na execução dos nossos projetos. Muito influem nesses casos a posição e o caráter do indivíduo. Se nos obstinamos em ir por um caminho que não devemos seguir, os Espíritos nenhuma culpa têm dos nossos insucessos. Nós mesmos nos constituímos em nossos maus gênios. (LE – 534)
Se é certo que a Civilização multiplica as necessidades, também o é que multiplica as fontes de trabalho e os meios de viver. Forçoso, porém, é convir em que, a tal respeito, muito ainda lhe resta fazer. quando ela houver concluído a sua obra, ninguém deverá haver que possa queixar-se de lhe faltar o necessário, a não ser por própria culpa. A desgraça, para muitos, provém de inveredarem por uma senda diversa da que a Natureza lhes traça. É então que lhes falece a inteligência para o bom êxito. Para todos há lugar ao Sol, mas com a condição de que cada um ocupe o seu e não o dos outros. A Natureza não pode ser responsável pelos defeitos da organização social, nem pelas conseqüências da ambição e do amor-próprio.
Fora preciso, entretanto, ser-se cego, para se não reconhecer o progresso que, por esse lado, têm feito os povos mais adiantados. Graças aos louváveis esforços que, juntas, a Filantropia e a Ciência não cessam de despender para melhorar a condição material dos homens e mau grado ao crescimento incessante das populações, a insuficiência da produção se acha atenuada, pelo menos em grande parte, e os anos mais calamitosos do presente não se podem de modo algum comparar aos de outrora. A higiene pública, elemento tão essencial da força e da saúde, a higiene pública, que nossos pais não conheceram, é objeto de esclarecida solicitude. O infortúnio e o sofrimento encontram onde se refugiem. Por toda parte a Ciência contribui para acrescer o bem-estar. Poder-se-á dizer que já se haja chegado à perfeição? Oh! Não, certamente; mas, o que já se fez deixa prever o que, com perseverança, se logrará conseguir, se o homem se mostrar bastante avisado para procurar a sua felicidade nas coisas positivas e sérias e não em utopias que o levam a recuar em vez de fazê-lo avançar. (Nota LE - 707, 534)
Guerras
O que impele o homem à guerra é a predominância da natureza animal sobre a natureza espiritual e transbordamento das paixões. No estado de barbaria, os povos um só direito conhecem - o do mais forte. Por isso é que, para tais povos, o de guerra é um estado normal. À medida que o homem progride, menos freqüente se torna a guerra, porque ele lhe evita as causas, fazendo-a com humanidade, quando a sente necessária. (LE – 742)
A guerra desaparecerá da face da Terra, quando os homens compreenderem a justiça e praticarem a lei de Deus. Nessa época, todos os povos serão irmãos. (LE – 743)
O que objetivou a Providência, tornando necessária a guerra é a conquista da liberdade e o progresso.
A guerra freqüentemente tem por objetivo e resultado a escravização, contudo escravização temporária, para esmagar os povos, a fim de fazê-los progredir mais depressa. (LE – 744)
Aquele que suscita a guerra para proveito seu é grande culpado e esse muitas existências lhe serão necessárias para expiar todos os assassínios de que haja sido causa, porquanto responderá por todos os homens cuja morte tenha causado para satisfazer à sua ambição. (LE – 745)
Assassínio
É um grande crime aos olhos de Deus o assassínio, pois que aquele que tira a vida ao seu semelhante corta o fio de uma existência de expiação ou de missão. Aí é que está o mal. (LE – 746)
Quanto ao grau de culpabilidade em todos os casos de assassínio, Deus é justo, julga mais pela intenção do que pelo fato. (LE – 747)
Em caso de legítima defesa, só a necessidade o pode escusar. Mas, desde que o agredido possa preservar sua vida, sem atentar contra a de seu agressor, deve fazê-lo. (LE – 748)
O homem não tem culpa dos assassínios que pratica durante a guerra, pois é constrangido pela força, mas é culpado das crueldades que cometa, sendo-lhe também levado em conta o sentimento de humanidade com que proceda. (LE – 749)
Tanto o parricídio como o infanticídio são ambos igualmente condenável aos olhos de Deus porque é crime, ou seja, uma violação culpável da lei Divina. (LE – 750)
A explicação que entre alguns povos, já adiantados sob o ponto de vista intelectual, o infanticídio seja um costume e esteja consagrado pela legislação, e que o desenvolvimento intelectual não implica a necessidade do bem. Um Espírito, superior em inteligência, pode ser mau. Isso se dá com aquele que muito tem vivido sem se melhorar: apenas sabe. (LE – 751)
Crueldade
O sentimento de crueldade é o que tem de pior no instinto de destruição, porquanto, se, algumas vezes, a destruição constitui uma necessidade, com a crueldade jamais se dá o mesmo. Ela resulta sempre de uma natureza má. (LE – 752)
A crueldade forma o caráter predominante em alguns povos primitivos, porque a matéria prepondera sobre o Espírito. Eles se entregam aos instintos do bruto e, como não experimentam outras necessidades além das da vida do corpo, só da conservação pessoal cogitam e é o que os torna, em geral, cruéis. Demais, os povos de imperfeito desenvolvimento se conservam sob o império de Espíritos também imperfeitos, que lhes são simpáticos, até que povos mais adiantados venham destruir ou enfraquecer essa influência. (LE – 753)
A crueldade deriva da falta de desenvolvimento do senso moral; não da carência, porquanto o senso moral existe, como princípio, em todos os homens. É esse senso moral que dos seres cruéis fará mais tarde seres bons e humanos. Ele, pois, existe no selvagem, mas como o princípio do perfume no gérmen da flor que ainda não desabrochou. (LE – 754)
Em estado rudimentar ou latente, todas as faculdades existem no homem. Desenvolvem-se, conforme lhes sejam mais ou menos favoráveis as circunstâncias. O desenvolvimento excessivo de uma detém ou neutraliza o das outras. A sobreexcitação dos instintos materiais abafa, por assim dizer, o senso moral, como o desenvolvimento do senso moral enfraquece pouco a pouco as faculdades puramente animais. (Nota LE - 752 à 754)
Pode dar-se que, no seio da mais adiantada civilização, se encontrem seres às vezes cruéis quanto os selvagens, do mesmo modo que numa árvore carregada de bons frutos se encontram verdadeiros abortos. São, selvagens que da civilização só têm o exterior, lobos extraviados em meio de cordeiros. Espíritos de ordem inferior e muito atrasados podem encarnar entre homens adiantados, na esperança de também se adiantarem, Mas, desde que a prova é por demais pesada, predomina a natureza primitiva. (LE – 755)
A sociedade dos homens de bem um dia se verá expurgada dos seres malfazejos. A Humanidade progride. Esses homens, em quem o instinto do mal domina e que se acham deslocados entre pessoas de bem, desaparecerão gradualmente, como o mau grão se separa do bom, quando este é joeirado. Mas, desaparecerão para renascer sob outros invólucros. Como então terão mais experiência, compreenderão melhor o bem e o mal. Temos disso um exemplo nas plantas e nos animais que o homem há conseguido aperfeiçoar, desenvolvendo neles qualidades novas. Só ao cabo de muitas gerações o desenvolvimento se torna completo. É a imagem das diversas existências do homem. (LE – 756)
Duelo
Não se pode considerar o duelo como um caso de legítima defesa, pois é um assassínio e um costume absurdo, digno dos bárbaros. Com uma civilização mais adiantada e mais moral, o homem compreenderá que o duelo é tão ridículo quanto os combates que outrora se consideravam como o juízo de Deus. (LE – 757)
Poder-se-á considerar o duelo como um suicídio por parte daquele que, conhecendo a sua própria fraqueza, tem a quase certeza de que sucumbirá. E quando as probabilidades são as mesmas para ambos os duelistas, haverá assassínio ou suicídio, ou seja, um e outro. (LE – 758)
Em todos os casos, mesmo quando as probabilidades são idênticas para ambos os combatentes, o duelista incorre em culpa, primeiro, porque atenta friamente e de propósito deliberado contra a vida de seu semelhante; depois, porque expõe inutilmente a sua própria vida, sem proveito para ninguém. (Nota LE - 757/758)
O que chamam de ponto de honra, em matéria de duelo, na verdade é orgulho e vaidade, dupla chaga da Humanidade. Há casos em que a honra se acha verdadeiramente empenhada e em que uma recusa fora covardia, isso depende dos usos e costumes. Cada país e cada século têm a esse respeito um modo de ver diferente. Quando os homens forem melhores e estiverem mais adiantados em moral, compreenderão que o verdadeiro ponto de honra está acima das paixões terrenas e que não é matando, nem se deixando matar, que repararão agravos. (LE – 759)
Há mais grandeza e verdadeira honra em confessar-se culpado o homem, se cometeu falta, ou em perdoar, se de seu lado esteja a razão, e, qualquer que seja o caso, em desprezar os insultos, que o não podem atingir. (Nota LE - 759)
Pena de morte
Incontestavelmente desaparecerá algum dia, da legislação humana, a pena de morte e a sua supressão assinalará um progresso da Humanidade. Quando os homens estiverem mais esclarecidos, a pena de morte será completamente abolida na Terra. Não mais precisarão os homens de serem julgados pelos homens. Pode ser que esta época ainda esteja muito distante de nós, mas ela virá a ser realidade. (LE – 760)
Sem dúvida, o progresso social ainda muito deixa a desejar. Mas, seria injusto para com a sociedade moderna quem não visse um progresso nas restrições postas à pena de morte, no seio dos povos mais adiantados, e à natureza dos crimes a que a sua aplicação se acha limitada. Se compararmos as garantias de que, entre esses mesmos povos, a justiça procura cercar o acusado, a humanidade de que usa para com ele, mesmo quando o reconhece culpado, com o que se praticava em tempos que ainda não vão muito longe, não poderemos negar o avanço do gênero humano na senda do progresso. (Nota LE - 760)
A lei de conservação dá ao homem o direito de preservar sua vida. Mas não poderá usar ele desse direito na tentativa de eliminar da sociedade um membro perigoso, pois há outros meios de ele se preservar do perigo, que não matando. Demais, é preciso abrir e não fechar ao criminoso a porta do arrependimento. (LE – 761)
A pena de morte, que pode vir a ser banida das sociedades civilizadas, pode ter sido de necessidade em épocas menos adiantadas, aliás necessidade não é o termo. O homem julga necessária uma coisa, sempre que não descobre outra melhor. À proporção que se instrui, vai compreendendo melhormente o que é justo e o que é injusto e passará a repudiar os excessos que cometeu nos tempos de ignorância em nome da justiça. (LE – 762)
Será um indício de progresso da civilização a restrição dos casos em que se aplica a pena de morte, não se pode duvidar disso. Pois podemos observar como nos revoltamos quando lemos alguma narrativa das carnificinas humanas que outrora se faziam em nome da justiça e, não raro, em honra da Divindade; das torturas que se infligiam ao condenado e até ao simples acusado, para lhe arrancar, pela agudeza do sofrimento, a confissão de um crime que muitas vezes não cometera. Mas se houvéssemos vivido nessas épocas, teríamos achado tudo isso natural e talvez mesmo, se fôramos sido juiz, fizéssemos outro tanto. Assim é que o que pareceu justo, numa época, nos parece bárbaro em outra. Só as leis divinas são eternas; as humanas mudam com o progresso e continuarão a mudar, até que tenham sido postas de acordo com aquelas. (LE – 763)
Muito temos nos enganados a respeito destas palavras de Jesus: “Quem matou com a espada, pela espada perecerá” como acerca de outras. A pena de talião é a justiça de Deus. É Deus quem a aplica. Todos nós sofremos essa pena a cada instante, pois que somos punidos naquilo em que havemos pecado, nesta existência ou em outra. Aquele que foi causa do sofrimento para seus semelhantes virá a achar-se numa condição em que sofrerá o que tenha feito sofrer. Este o sentido das palavras de Jesus. Aliás ele disse também: “Perdoai aos vossos inimigos”, assim como nos ensinou a pedir a Deus que nos perdoe as ofensas como houvermos perdoado, isto é, na mesma proporção em que houvermos perdoado. (LE – 764)
A pena de morte imposta em nome de Deus é tomar o homem o lugar de Deus na distribuição da justiça. Os que assim procedem mostram quão longe estão de compreender Deus e que muito ainda têm que expiar. A pena de morte é um crime, quando aplicada em nome de Deus, e os que a impõem se sobrecarregam de outros tantos assassínios. (LE – 765)
Bibliografia:
O Livro dos Espíritos, obra codificada por Allan Kardec.
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