Estudando o Espiritismo

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sábado, 4 de janeiro de 2025

As 20 encarnações de Chico Xavier

 Fonte:

https://divulgandoadoutrinaespirita.wordpress.com/2021/05/09/as-encarnacoes-de-chico-xavier/#:~:text=A%20quinta%20encarna%C3%A7%C3%A3o%20de%20Chico,%E2%80%9CDeus%20%C3%A9%20meu%20juiz%E2%80%9D.

por José Márcio de Almeida

A primeira encarnação de Chico que se tem notícia foi como o patriarca Isaac (Canaã, 1896 – 1716 a.C.). Isaac foi o único filho de Abraão com sua esposa Sara e foi o pai de Esaú e Jacó. Isaac foi um dos três patriarcas israelitas. Segundo o Livro de Gênesis, Abraão tinha 100 anos quando Isaac nasceu e Sara já havia cessado o período fértil. Isaac morreu quando tinha 180 anos, tornando-se o patriarca de vida mais longeva.

A segunda encarnação foi como Hatshepsut (Antigo Egito, Tebas, 1542 – 1458 a.C.). Hatshepsut foi uma grande rainha-faraó do Antigo Egito. Viveu no começo do século XV a.C., pertencendo à XVIII Dinastia do Reino Novo. O seu reinado, de cerca de vinte e dois anos, corresponde a uma era de prosperidade econômica e um período de grande paz.

A terceira foi como Chams (Antigo Egito, Tânis, por volta de 800 a.C.). Chams era irmã de Ramis e Saiad, e Ramis, o mais velho, tornou-se faraó com a morte do pai. Saiad foi preso pelo seu irmão Ramis e, após uma insurreição, o faraó Ramis foi morto pelo irmão Saiad, mas este ficou ferido e dias depois acabou morrendo. A princesa Chams herdou o título de rainha do Egito e começou para o Egito uma era de paz.

A quarta foi como uma sacerdotisa em Delphos (Grécia, por volta de 600 a.C.). Não se tem registros de qual o nome Chico Xavier recebeu nesta encarnação. Ela se tornou sacerdotisa por causa do tio (Emmanuel reencarnado), que a encaminhou para a sacerdotisação.

A quinta encarnação de Chico foi como o profeta Daniel (Jerusalém, 622 – 550 a.C.). Daniel é um dos vários profetas do Antigo Testamento. A sua vida e profecias estão incluídas na Bíblia no Livro de Daniel. O significado do nome é “Aquele que é julgado por Deus” ou “Deus assim julgou”, ou ainda, “Deus é meu juiz”.

A sexta foi como o filósofo Platão (Atenas, Grécia, 428 – 348 a.C.). A imensa sabedoria de Chico vem de outras vidas. Neste caso, o médium já teria vivido na pele de um dos maiores filósofos da Grécia Antiga: Platão. E faz muito sentido, pois já naquela época Platão tinha ideias muito próximas às do universo espiritualista, como a reencarnação, o mundo das ideias e o mundo das coisas e o rio do esquecimento pelo qual os espíritos passavam antes de nascer novamente.

A sétima encarnação de Chico foi como Allan Kardec, sacerdote druida (Bretanha, por volta de 58 a.C.). Os druidas eram sacerdotes celtas, de uma espiritualidade invejável e inacreditável para a época. O termo druida quer dizer consciência do carvalho, a árvore sagrada dos celtas. Os futuros sacerdotes, escolhidos na classe aristocrática, submetiam-se, desde crianças, a intenso aprendizado junto aos druidas mais velhos. Os druidas não limitavam sua ação à religião, acumulando a função de juízes, professores, médicos, conselheiros militares e guardiões da cultura céltica. Foi baseado na revelação de que ele mesmo, Hippolyte Léon Denizard Rivail, havia sido em uma vida passada esse sacerdote druida, que o codificador do espiritismo escolheu a alcunha de Allan Kardec.

A oitava encarnação foi como João Evangelista (Galileia, ? – 103 d.C.). De volta aos tempos bíblicos, Chico Xavier encarna na Galileia como João Evangelista, um dos doze apóstolos de Jesus e além do Evangelho segundo João, também escreveu as três epístolas de João (1, 2, e 3) e o livro do Apocalipse.

A nona foi como Santo Antão (Alto Egito, 251 – 356 d.C.). Santo Antão do Deserto, também conhecido como Santo Antão do Egito, Santo Antão, o Grande, Santo Antão, o Eremita ou ainda O Pai de Todos os Monges, foi um santo cristão do nascido no Egito, no ano de 251. Antão, conforme revela sua hagiografia, travou uma batalha direta com o demônio durante toda sua vida até o dia de sua morte, quando já estava com 105 anos. Talvez ele seja o santo que mais foi tentado pelo diabo, uma espécie de escolhido das trevas.

A décima foi como São Gastão (França, por volta de 540 d.C.). Gastão, ou Vedastus, como se diz em latim, pertencia a uma família de nobres e era nascido em Limoges, na antiga Gália, atual França. Segundo consta dos registros antigos, ele preferia viver solitário na região de Lorena, onde se dedicava a penitência, oração e a contemplação, até que seu amigo e diretor espiritual o bispo Remígio, de Toul, o ordenou sacerdote e o colocou no trabalho de catequização na diocese local. Gastão, mais tarde, foi sagrado bispo de Arras, ficando encarregado da instrução dos fiéis e da assistência aos pobres, quando então se tornou muito popular. Diz a tradição que tinha não só o dom da palavra, para evangelizar e catequizar, mas também o dom da cura, que teriam sido presenciadas pelos fiéis e peregrinos, e do conselho, que empregava aos que o procuravam desorientados.

A décima primeira encarnação de Chico foi na Família Brissac (França, por volta do século XI d.C.). A família Cossé-Brissac pertenceu à alta-nobreza do final do antigo regime francês, sendo berço de quatro marechais da França, generais, seis cavaleiros do Espírito-Santo, dois governadores de Paris e três bispos. Não é certa a identidade de Chico nesta época, e sabemos pouco sobre essa encarnação, apenas conhecendo o nome da família a qual ele pertenceu.

A décima segunda foi como São Francisco de Assis (Itália, 1182 – 1226 d.C.). Mais uma vez, santo. E este um dos mais conhecidos e queridos da tradição católica, por seus feitos magnânimos com os pobres e com os animais, características que Chico Xavier manteve até sua última encarnação conhecida.

A décima terceira foi como Santa Brígida (Suécia, 1303 – 1373 d.C.). Mais uma vez Chico Xavier teve uma encarnação tão espiritualizada que foi santificado. Desta vez na pele de Santa Brígida, uma religiosa sueca, escritora, teóloga, fundadora de ordem religiosa, padroeira da Suécia e da Europa. Em 23 de julho de 1373, Santa Brígida faleceu aos setenta e um anos e foi canonizada em 7 de outubro de 1391 por Bonifácio IX.

A décima quarta foi como João Huss (República Checa, 1375 a 1415 d.C.). João Huss foi um pensador religioso. Ele iniciou um movimento religioso baseado nas ideias de John Wycliffe, e seus seguidores ficaram conhecidos como os Hussitas. Ele foi executado em 1415 – queimado vivo – e morreu cantando o cântico “Jesus filho de Davi tem misericórdia de mim”. Sua extensa obra escrita concedeu-lhe um importante papel na história literária checa.

A décima quinta encarnação foi como Francisco de Paula (Itália, 1416 – 1507 d.C.). Francisco de Paula foi um eremita, fundador da Ordem dos Mínimos e santo da Igreja Católica. Era também conhecido como “O Eremita da Caridade”, por sua opção de desprezo absoluto pelos valores transitórios da vida e dedicação integral ao socorro do próximo. Consta que num só dia ele atendeu em seu mosteiro mais de trezentas pessoas, necessitadas do espírito e do corpo, e realizou curas inacreditáveis. Era venerado pelos pobres, mas também pelos reis e nobres de seu tempo. Francisco de Paula era um grande exemplo numa época em que prosperavam os abusos eclesiásticos e onde se cultivavam os prazeres materiais da vida. Por isso, era comparado a Francisco de Assis, que havia vivido dois séculos antes.

A décima sexta foi como Padre Manuel de Paiva (Portugal, 1508 – 1584 d.C.). Outra vez envolvido com a igreja, Chico nesta encarnação viveu em Portugal, na cidade de Coimbra, como um padre que da Companhia de Jesus, que começa a ligar Chico ao Brasil. Paiva foi responsável pela primeira missa na cidade de São Paulo, pela fundação de Guarulhos e pela catequese em Vitória.

A décima sétima foi como René Descartes (França, 1596 – 1650 d.C.). Novamente envolvido com o mais refinado pensamento humano, Chico encarnou como Descartes, um dos maiores filósofos da história. Descartes se destacou sobretudo por seu trabalho revolucionário na filosofia e na ciência, mas também devido ao seu notável conhecimento matemático e por sugerir a fusão da álgebra com a geometria, o que gerou a geometria analítica e o sistema de coordenadas que conhecemos hoje por plano cartesiano.

A décima oitava foi como Consuelo Dolores (Barcelona, por volta do século XVIII).Consuelo Dolores tem uma história de vida triste, pois é uma mãe que ficou sem seu filho, raptado ainda na infância. Essa história é incrível: Consuelo quer dizer consolo e Dolores, dor. Mais incrível ainda é que esse menino raptado era encarnação de Waldo Vieira, parceiro de Chico no início de sua vida como médium. Chico revela que foram essa encarnação em especial que lhe permitiu criar empatia pelas mães e pais que o procuravam em desespero, em busca de consolo, após perderem seus filhos. É também uma preparação para a próxima (e mais polêmica) encarnação de Chico Xavier: Allan Kardec. Não por coincidência, Allan Kardec e Amelie, sua esposa, também perderam sua filha Louise.

A décima nona encarnação de Chico Xavier foi como Hippolyte Léon Denizard Rivail (Allan Kardec) (França, 1804 – 1869 d.C.).Kardec também dispensa apresentações. Hippolyte Léon Denizard Rivail foi um influente educador, autor e tradutor francês, cético, mas que se sensibilizou pelos fenômenos das mesas girantes e da comunicação com os espíritos. Decidiu, então, investigar esse fenômeno usando à ótica da ciência e o resultado foi a codificação da doutrina espírita, um grande marco na espiritualidade humana ocidental.

A vigésima encarnação de Chico foi como Maria Efigênia (Pedro Leopoldo, 1908 d.C.).Chico Xavier encarnou na sua última família dois anos antes de voltar como Chico, no corpo de uma menina chamada Maria Efigênia, filha de sua mãe Maria João de Deus e João Cândido Xavier. Ela viveu apenas 6 meses e faleceu. Esta foi a última encarnação de Chico. Chico Xavier encarnou na sua última família dois anos antes de voltar como Chico, no corpo de uma menina chamada Maria Efigênia, filha de sua mãe Maria João de Deus e João Cândido Xavier. Ela viveu apenas 6 meses e faleceu.

A vigésima primeira encarnação foi como Francisco Cândido Xavier, Chico Xavier (Pedro Leopoldo, 1910 – Uberaba, 2002).

sexta-feira, 22 de novembro de 2024

Chico Xaveir - Por Elzio Ferreira

 

Um verdadeiro sábio, por Élzio Ferreira de Souza

Quando conheci o Chico, o que mais me impressionou foi a sua sabedoria. A mediunidade estuante parecia a medida certa para abalar incréus. O lápis adquiria asas em suas mãos. Havia, entretanto, algo mais essencial que o fenômeno: era a vida. Em diversos momentos, fiquei a refletir: “onde começava o Emmanuel, onde parava o Chico?” A alegria que lhe escorria dos olhos e dos lábios, o jeito mineiro de falar, a simplicidade de cada gesto, acompanhando as palavras, não conseguiam ocultar a sabedoria com que se expressava. Ninguém lutou tanto para seguir à risca as palavras do Batista: “é preciso que ele cresça e que eu diminua”, pois à medida que se encolhia, tornava-se maior. Queria ser apenas um cisco para apagar-se mais, esquecendo-se de que assim conseguia penetrar mais facilmente as janelas fechadas de nossas almas. Costumava “calar-se” para que Emmanuel pudesse expor o pensamento sem sua interferência. Permito-me seguir o seu exemplo, reproduzindo as palavras de um amigo espiritual para sintetizar a sua permanência entre nós: “Sua vida é um cartão-postal do Infinito”.

https://www.folhaespirita.com.br/jornal/2022/06/03/ha-20-anos-ele-partiu-sereno-como-viveu/

quarta-feira, 13 de novembro de 2024

O Protesto Social dos Walkers

 There´s no more Corn On the Brasos

A MÚSICA FALA SOBRE TRABALHADORES NEGROS E PRESIDIÁRIOS QUE TRABALHAVAM ACORRENTADOS NOS CANAVIAIS ÀS MARGENS DO RIO BRASOS, ENTRE 1905 E 1910.

O RIO BRASOS É UM DOS MAIS LONGOS DOS ESTADOS UNIDOS COM MAIS DE 2000 KM QUE DESÁGUA NO GOLFO DO MÉXICO.

A CANÇÃO AINDA FAZ REFERÊNCIAS DE ESPANCAMENTOS DE PRESOS ATÉ A MORTE, E AO ESTUPRO DE MULHERES ÀS MARGENS DO RIO, PARECENDO UM FILME DE TERROR.

“THERE'S NO MORE CORN ON THE BRASOS” SE TORNOU O MAIOR ÊXITO DO THE WALKERS, E NÃO PODEMOS NEGAR QUE ESSA MELODIA NOS ENCANTA.

https://www.am570.com.br/post.php?id=2574 

 

A história de uma música que fala sobre os presidiários que trabalhavam nos canaviais as margens do Rio Brazos, chamado também Rio de los Brazos de Dios pelos antigos exploradores espanhóis, é o 11º rio mais longo dos Estados Unidos da América com 2060 km entre a nascente Blackwater Draw, Condado de Curri, Novo México até desaguar no Golfo do México.´

 

The Walkers alcançou os topos das paradas radiofônicas com "There's no more corn on the Brazos" (Não há mais milho no Brazos) em 1971, sendo que Brazos é nome de um famoso rio do Texas, EUA, ao redor do qual existem algumas prisões que se tornaram notórias por acolher presos negros.

Ali, eles eram colocados para trabalhar praticamente em .escravo, em extensas plantações de cana, para produzir melaço que era vendido para grandes empresas de produtos alimentícios, repetindo episódios de opressão social típicos ainda da época da escravatura (estamos falando do período compreendido entre as décadas de 1910-1920 nos EUA).

A letra da música, cita, por exemplo, diversos corpos de presidiários encontrados nas estradas próximas do Rio Brazos, bem como o caso de um preso mais resistente que foi vilmente espancado até ficar cego (no trecho: "Captain don't you do me like you've done for Shine... Well you´ve driven that bully till he went stone-blind" - Capitão, não faça comigo o que você fez com o Shine... Bem, você judiou daquele encrenqueiro até ele ficar totalmente cego). 

Ainda faz referências ao estupro de mulheres negras às margens do rio, e à desmedida exploração dos recursos naturais, até seu completo esgotamento: o título diz que "não há mais milho no Brazos", pois os homens "moeram tudo em melaço".

A música, seguindo uma linha de melodias de protesto (música folk), muito popular nos anos 60 e 70, era na verdade derivada de uma canção norte-americana tradicional chamada "Ain't no more cane on the Brazos", que continha praticamente os mesmos versos, mas se referia a cana (cane) na letra original, ao invés de milho (corn).

Não se sabe bem porque, mas os Walkers resolveram trocar "cana" por "milho". De qualquer forma, com seu canto lamurioso, introduzido por flautas melancólicas e um ritmo ponteado pelos ruídos de correntes sendo arrastadas, "No more corn..." se tornou o maior (e único) êxito dessa banda esquecida. 

https://leandroleandro2018.blogspot.com/2017/07/a-triste-historia-por-tras-de-um-velho_13.html

 

There's No More Corn On The Brasos

There's No More Corn On The Brasos

Não há mais milho no Brazos, oh

There's no more corn on the Brazos, oh

 

Eles moeram tudo em melaço, oh

They grinded it all up in molasses, oh

 

Capitão, não me faça como você fez com Shine

Captain, don't you do me like you've done for shine, oh

 

Bem, você agrediu aquele valentão até ele ficar cego, oh

You've driven that bully till he went stone blind, oh

 

 

Você veio ao rio em 1904, oh

You're come on the river in 1904, oh

 

Você poderia encontrar muitos homens mortos em cada curva da estrada, oh

You could find many dead men on every turn of the road, oh

 

Não há mais milho no Brazos, oh

There's no more corn on the Brazos, oh

 

Eles moeram tudo em melaço, oh

They grinded it all up in molasses, oh

 

 

Você esteve no rio em 1910, oh

You've been on the river 1910, oh

 

Bem, eles estão dirigindo as mulheres como dirigiam os homens

Well, they're drivin' the women like they drive the men, oh

 

Levantem-se todos os homens mortos, ajudem-me a levar minha carga, o oho oho

Rise up all dead men, help me drive my load, oh

 

Levantem-se todos os homens mortos, ajudem-me a levar minha carga, o oho oho

Oh, rise up all dead men, help me drive my load, oh

 

 

Não há mais milho no Brazos

There's no more corn on the Brazos, oh

 

Eles moeram tudo em melaço, oh

They grinded it all up in molasses, oh

 

https://www.letras.mus.br/the-walkers/213931/traducao.html

 

Ouça a música aqui:

 



segunda-feira, 24 de outubro de 2022

O espírito irmão Estrela

http://www.oconsolador.com.br/ano5/233/entrevista.html 

Como surgiu o Espiritismo no Sertão da Bahia? 


No início do século XX nasceu na fazenda Retiro, que é um pequeno povoado do município de Biritinga, Bahia, um jovem de nome Lourival da Silva Lima, que aos dezessete anos começou seu desenvolvimento mediúnico na área da vidência, da clarividência e da clariaudiência, quando passou a receber a assistência de um Espírito superior denominado Irmão Estrela. Este o convocou para a instauração do Evangelho do nosso senhor Jesus Cristo no Sertão da Bahia. Na sequência, o Espírito Irmão Estrela, por intermédio da psicofonia de Lourival, convidou um grupo a se reunir na cidade de Serrinha-BA para estudar o Pentateuco Kardequiano. Dentre os que compunham esse grupo destacamos: Aristóteles Damasceno Peixinho, Tenente Melo, Sr. Profeta, Sr. Limeirinha, Sr. Felipe Mira, os quais fundaram na data de 3 de outubro de 1946 o Centro Espírita Deus, Cristo e Caridade. 


http://memoriaespiritual.blogspot.com/2012/08/aristoteles-damasceno-peixinho.html

domingo, 23 de outubro de 2022

Conto: A lenda do quarto rei mago

 Conto: A lenda do quarto rei mago

Dizem que houve um quarto rei mago que também viu a estrela brilhar e decidiu segui-la. Como presente, pensou em oferecer ao menino um baú cheio de pérolas preciosas.

No entanto, em seu caminho, ele encontrou várias pessoas que estavam pedindo sua ajuda.

O rei mago os auxiliou com alegria e diligência e doou uma pérola a cada uma dessas pessoas. Ele encontrou muitos pobres, doentes, aprisionados e miseráveis e não podia deixá-los sem ajuda. Ficou o tempo necessário para aliviar a dor de todos eles, depois partiu. Mas novamente encontrava outro desamparado pelo caminho. O rei tinha um coração nobre e bom e, mesmo ficando atrasado para chegar até o menininho, parava sua viagem e socorria todos os que dele necessitavam.  Ao partir entregava sempre uma de suas pérolas preciosas…

A estrela guia brilhava luminosa no alto céu noturno e o rei pôde segui-la com confiança.

Aconteceu que, quando finalmente chegou a Belém, os outros reis magos já não estavam mais lá. José, Maria e o menino Jesus também não estavam na casa indicada pela estrela-guia que agora brilhava cada vez mais suave até desaparecer no céu infinito. Os pais do menininho haviam recebido a visita dos anjos celestes a anunciar: “José, Maria, peguem o menino divino e fujam para as distantes terras do Egito. Herodes, o rei caído nas sombras, quer matar o menininho”. Eles imediatamente haviam se colocado a caminho.

O quarto rei mago decidiu, mesmo sem ter a estrela guia no céu, continuar sua busca até encontrar a criança divina. Ele sentia que a estrela brilhava também em seu coração e de lá ela o conduziria.

Ele procurou e procurou e procurou… e dizem que ele passou mais de trinta anos viajando pela terra, procurando a criança e ajudando os necessitados. Até que um dia chegou a Jerusalém justamente no momento em que o Cristo era crucificado. Conseguiu perceber, ao redor dele, o mesmo brilho da estrela que o guiara primeiro do céu e depois de dentro de seu coração. Eis a criança que ele havia procurado por tanto tempo.

A tristeza encheu seu coração, já velho e cansado pelo tempo. Embora ainda guardasse uma pérola na bolsa, era tarde demais para oferecê-la à criança que, agora, transformada em homem, pendia de uma cruz. Ele havia falhado em sua missão. E sem ter mais para onde ir, ficou em Jerusalém para esperar a morte chegar.

Apenas três dias se passaram quando uma luz, ainda mais brilhante do que mil estrelas, encheu seu quarto. O Ressuscitado veio ao seu encontro! O rei mago, caindo de joelhos diante dele, pegou a pérola que restava e estendeu-a a Jesus Cristo que a segurou e carinhosamente disse: “Você não falhou em sua missão. Pelo contrário, você me encontrou por toda a sua vida. Eu estava nu e você me vestiu. Eu estava com fome e você me deu comida. Eu estava com sede e você me deu de beber. Eu fui preso e você me visitou. Eu estava em todas as pessoas pobres que você ajudou no seu caminho. Muito obrigado por tantos presentes de amor! Agora você estará comigo para sempre, porque o céu é a sua recompensa”.


Autor /a desconhecido/a

Ampliada por Viviane Trunkle

sábado, 16 de abril de 2022

A velha ilusão das aparências[1]

Ermance Dufaux


Não basta que dos lábios manem leite e mel. Se o coração de modo algum lhes está associado, só há hipocrisia.

Aquele cuja afabilidade e doçura não são fingidas nunca se desmente; é o mesmo, tanto em sociedade, como na intimidade.

Esse, ao demais, sabe que se, pelas aparências, se consegue enganar os homens, a Deus ninguém engana.


Lázaro (Paris, 1861)


O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO – Cap. 9, Item 6



Os adeptos sinceros do Espiritismo mais que nunca carecem de abordar com franqueza o velho problema da hipocrisia humana. Nesse particular, seria muito proveitoso que as agremiações doutrinárias promovessem debates grupais acerca dos caminhos e desafios que enfrentamos todos nós, os que decidimos por uma melhoria moral no reino do coração.

O chamado “vício de santificação” continua escravizando o mundo psicológico do homem a noções primitivas e inconsistentes sobre como desenvolver o sagrado patrimônio das virtudes, que ele encontra adormecido de vida superconsciente do ser.

Hipocrisia é o hábito humano adquirido de aparentar o que não somos, em razão da necessidade de aprovação do grupo social em que convivemos. Intencional ou não, é um fenômeno profundo nas suas raízes emocionais e psíquicas, que envolve particularidades específicas e cada criatura, mas que podemos conceituar como a atitude de simular, antes de tudo para nós mesmos, uma “imagem ideal” daquilo que gostaríamos de ser. Difícil definir os limites entre o desejo sincero de aperfeiçoar-se em direção a esse “eu ideal”, e o comportamento artificial que nos leva a acreditar no fato de estarmos nos transformando, considerando a esteira de reflexos que criamos nas fileiras da mentira.

Aliás, para muitos corações sinceros que efetivamente anelam por aprimoramento e mudança, detectar uma atitude falsa e uma ação que corresponda aos novos ideais costuma desenvolver um estado psicológico de insatisfação consigo mesmo, que pode ativar a culpa e a cobrança impiedosa. Instala-se assim um cruel sistema mental de inaceitação de si mesmo, que ruma para a mais habitual das camuflagens da hipocrisia: a negação, a fuga.

Não podemos asseverar que todo processo de defesa psíquica que vise negar a autêntica realidade humana seja algo patológico e nocivo. Muitas almas não teriam a mínima saúde mental não fossem semelhantes recursos que, em muitas ocasiões, funcionam como um “escudo protetor” que vai levando a criatura, pouco a pouco, ao conhecimento doloroso da verdadeira intimidade, até ter melhores e mais seguros recursos de libertação e equilíbrio. No entanto, quando nesse processo existe a participação intencional de ações que visem impressionar os outros com qualidades ainda não conquistadas, principalmente para auferir vantagens pessoais, então se estabelece a hipocrisia, uma ação deliberada de demonstrar atitudes que não correspondem à natureza dos sentimentos que constituem a rotina de sua vida afetiva.

As vivências sociais humanas com suas exigências materialistas conduziram o homem à aprendizagem da hipocrisia. A substituição de sentimentos foi um fenômeno adquirido. O hábito de camuflar o que se sente tornou-se uma necessidade perante os grupos, e certas concepções foram desenvolvidas nesse contexto que estimulam a falsidade. Convencionou-se por exemplo que homens não devem chorar, criando a imagem da insensibilidade masculina, em torno da qual bilhões de almas trafegam em papéis hipócritas e doentios. Certas profissões como a de educador, durante séculos aprisionadas nas sombras do mito, levaram à criação de um abismo entre educador e educando, que eram ambos obrigados a disfarçar emoções para respeitarem seus limites, impostos pela perversa institucionalização dos “super-heróis da cultura”. Naturalmente todos esses convencionalismos vêm sofrendo drásticas reformulações para um progresso das comunidades em direção a um dia mais feliz e pleno de autenticidade nas atividades humanas.

Acompanhando essas renovações de mentalidade na cultura, é imperioso que os líderes e condutores espíritas tenham a coragem de sair de seus papéis, perante a coletividade doutrinária, e erguerem a bandeira do diálogo franco e construtivo acerca das reais necessidades que todos carregamos, rompendo com um ciclo de “faz de conta”. Ciclo esse que somos infelizmente obrigados a afirmar, tem feito parte da vida de muitos adeptos espíritas e até mesmo de grupos inteiros. Sem qualquer reprimenda, vejamos esse quadro como sendo inevitável em se tratando de almas como nós, mal saídas do primarismo evolutivo. Nada mais fizemos que caminhar para a nossa hominização, ou seja, largar a selvageria instintiva e galgar os degraus da humanização – o núcleo central do aprendizado na fase hominal, a qual estamos apenas penetrando.

Adquirir essa consciência de que a evolução não se faz aos saltos, e sim etapa a etapa, é um valoroso passo na libertação desse “vício de santificação”, essa necessidade neurótica que incutimos ao longo de eras sem fim, especialmente nas letras religiosas, com o qual queremos passar por aquilo que ainda não somos. Disso resulta o conflito, a dor, a cobrança, o perfeccionismo e todo um complexo de atitude de autodesamor.

Sejamos nós mesmos e não nos sintamos menores por isso. Aparentar santificação para o mundo não nos exonera da equânime realidade dos princípios universais. Ninguém escapa das leis criadas pelo Criador. A elas todos estamos submetidos. Que nos adiantará demonstrar santificação para os outros, se a vida dos espíritos é um espelho da Verdade que mostrará, a cada um de nós, particularmente, como somos?

Se acreditamos, portanto, na imortalidade e sabemos da existência dessas “leis espelho”, deveríamos então concluir que o quanto antes, para aqueles que se encontram na carne, tratamos nossa realidade sem medos e culpas, maior será o bem que fazemos a nós mesmos.

Recordemos, nesse ínterim, que a caridade para com o outro, conquanto seja extenso tributo de ajuste aos Estatutos Divinos, não é “passaporte de garantia” par a movimentação nas experiências de autoridade e de equilíbrio nos planos imortais. Aprendamos o quanto antes a cultivar essa “sensação de salvação”, experimentada nos serviços de doação, também em nossos momentos de autoencontro. Essa conquista realmente nos pertence e ninguém nos pode tirar em tempo algum.

Viver distante da hipocrisia necessariamente não significa expor a vida íntima e as lutas que carregamos a qualquer pessoa, mas expô-las antes de tudo, a nós mesmos, assumindo o que sentimos, os desejos que nutrimos, os sonhos que ainda trazemos, os sentimentos que nos incendeiam de paixões, os pensamentos que nos consomem as horas, esforçando-se por analisar nossas más condutas. Por outro ângulo, esse mesmo processo de “detecção consciente” precisa ser realizado com nossos valores, as decisões infelizes que deixamos de tomar, o sacrifício de construir uma atividade espiritual, os novos costumes que estamos talhando na personalidade, os sentimentos sublimes que começam a ensaiar projetos de luz na nossa mente, as escolhas que temos feito no bem comum.

Reforma íntima, como a própria expressão comunica, quer dizer a mudança que fazemos por dentro. E jamais, em caso algum, ela se dará repentinamente, num salto. A santificação é um processo lento e gradativo. Cuidemos com atenção das velhas ilusões que nos fazem acreditar na “angelitude por osmose”, ou seja, de que a simples presença ou participação nos ofícios doutrinários é garantia de aperfeiçoamento.

Temos recebido na vida espiritual inúmeros companheiros de ideal, cuja revolta consigo próprios leva-os a tormentos patológicos de graves proporções, quando percebem o equívoco em acreditar que tão somente suas adesões às atividades de amor lhes renderam o “reino dos céus”. A ilusão é tão intensa que requer tratamentos especializados e longos em nosso plano. E vejam, os meus amigos na carne, o que a mente é capaz, pois muitos desses corações poderiam intensamente se beneficiar das realizações a que se entregaram, podendo mesmo alguns obter um trespasse tranquilo, todavia, sem exceção, estão esperando mais do que merecem, é quando surge a inconformação diante das expectativas de honrarias e glórias injustificáveis na espiritualidade. Então esbravejam ao perceberem que são tratados com muito carinho e amor, a fim de assumirem sua verdade realidade de doentes com baixo aproveitamento na reencarnação, colhendo espinhoso resultado de seu autoengano.

Espíritas amigos e irmãos, lembrai-vos de que todos estamos na Terra, planeta de testes infindáveis ao nosso aperfeiçoamento. Mesmo os que nos encontramos fora do corpo ajustamo-nos a essa conotação evolutiva. E nessa conjuntura o caminho da santificação se amoita à realidade do homem que nela habita. Se, por agora, estivermos pelo menos nos esforçando para sair do mal que fazemos a nós e ao próximo, dirigimo-nos para essa proposta sagrada. Todavia, se ansiamos por concretizar em mais larga escala as luzes de nossa santificação, lancemo-nos com louvor a outra etapa do processo e aprendamos como criar todo o bem que pudermos em torno de nossos passos, soltando-nos definitivamente de todos os grilhões do terrível sentimento do fingimento, o qual ainda nos faz sentir que somos aquilo que supomos ser.




[1] Reforma Íntima sem Martírio – Wanderley S. de Oliveira