Estudando o Espiritismo

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quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Qual a maior virtude?

 Qual a maior virtude?


Itair Rodrigues Ferreira



Muitos de nós, imbuídos dos propósitos edificantes tão enfatizados pelo espiritismo, gostaríamos de ajudar as pessoas, atendendo suas necessidades básicas, e, de vez por todas, colocá-las no patamar superior, onde não teriam mais as dificuldades que nos cortam à alma ao vê-las sofrer.


No entanto, sabemos também, estudando essa doutrina iluminada, que todos nós, sem exceção, somos amparados pela Misericórdia Divina. Nem mesmo aqueles que se comprometeram seriamente com a Justiça Divina ficam esquecidos. No mundo espiritual há seres bondosos cuja missão é socorrer as almas infelizes, amparando-as e encaminhando-as à Verdade. “Nem nos cárceres, nem nos hospitais, nem nos lugares de devassidão, nem na solidão, estais separados desses amigos que não podeis ver, mas cujo brando influxo vossa alma sente, ao mesmo tempo que lhe ouve os ponderados conselhos”. (1)


É necessário desenvolvermos a generosidade em nossas atitudes combatendo o egocentrismo, a fim de nos tornarmos altruístas começando nas pequenas coisas que podemos fazer pelo próximo, sem pensamento oculto, sem interesse em levarmos vantagens, isento da ideia de colhermos qualquer benefício.


O homem do século XXI, o século da grande transição da humanidade, que evolui de mundo de expiação e provas para mundo de regeneração, precisa controlar seus desejos e necessidades. Moderar seu interesse nos bens materiais, enaltecendo os valores sutis da alma a fim de se tornar melhor, mais feliz e constituir-se, dessa forma, o modelo das próximas gerações.


Para essa realização, basta querer e traçar um roteiro. Com o forte desejo de servir a humanidade, entraremos em conexão com os altos valores espirituais participando da transformação da Terra.


Jesus enalteceu o óbolo da viúva pobre, que fez o donativo, depositando no gazofilácio, duas pequenas moedas da antiga Grécia, que representavam, cada uma, dez centavos da nossa moeda. O valor era ínfimo, mas era tudo o que ela possuía.


E Jesus disse: “Verdadeiramente vos digo que esta viúva pobre deu mais do que todos. Porque todos estes deram como oferta daquilo que lhes sobrava; esta, porém, da sua pobreza deu tudo o que possuía, todo o seu sustento”. (2)


“O mérito do bem está na dificuldade em praticá-lo. Nenhum merecimento há em fazê-lo sem esforço e quando nada custe. Em melhor conta tem Deus o pobre que divide com outro o seu único pedaço de pão, do que o rico que apenas dá do que lhe sobra, disse-o Jesus, a propósito do óbolo da viúva”. (3)


Além da caridade de ordem material, necessária, mas nem sempre a mais importante, existe a caridade moral, que independe do dinheiro: entretanto, é a mais difícil de ser praticada.


Quantos seres transitam em nosso caminho, necessitados de um ouvido que os ouça com paciência e humildade, na solidão do mundo repleto de pessoas indiferentes às suas dores. Como podemos ajudá-los!


Seremos verdadeiramente caridosos ao conseguirmos domar nossas más inclinações, renunciando aos nossos defeitos , freando nossa língua, não passando notícias, mesmo que verdadeiras, mas que podem conspurcar a honra do nosso próximo, seja ele quem seja.


Seremos verdadeiramente caridosos quando tivermos atitude em defesa do fraco, contra a prepotência do forte, mesmo sabendo, de antemão, que essa postura nos prejudicará o interesse pessoal.


Muitos não se interessam pelo próximo. Olham e não os enxergam. Esbarram-se e não se sentem próximos. São indiferentes a tudo o que lhes acontece.


Devemos fazer o bem pelo bem, desinteressadamente. Olhar para as pessoas com os olhos cheios de amor, a fim de que o bem cresça em nós. Auscultar a dor do próximo; entender a sua necessidade para ajudá-lo, evitando o seu constrangimento em nos pedir, porque muitos sofrem de inibição, introspecção, ou mesmo, do orgulho, o pai de todos os vícios.


As Entidades Sublimadas responderam ao Codificador que “não há quem não possa fazer o bem. Somente o egoísta nunca encontra oportunidade de o praticar” (4) e, “que não bastará que o homem não pratique o mal. Cumpre-lhe fazer o bem no limite de suas forças, porquanto responderá por todo o mal que haja resultado de não haver praticado o bem”. (5)


Mas, vale a retidão da nossa intenção, como afirmaram os Espíritos Superiores, em diversas respostas que deram a Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos. (6)


A maior de todas as virtudes, “a sublimidade da virtude, porém, está no sacrifício do interesse pessoal, pelo bem do próximo, sem pensamento oculto. A mais meritória é a que assenta na mais desinteressada caridade”. (7)


Muita paz!


 


Notas bibliográficas:


1 – O Livro dos Espíritos – Q. 495.


2 – A Bíblia Sagrada – João Ferreira de Almeida – Lucas, 21, 3 e 4.


3 – O Livro dos Espíritos – Q. 646.


4 – Idem – Q. 643.


5 – Idem – Q. 642.


6 – Idem – Questões: 655, 658, 872, 954... etc.


7 – Idem – Questão 893.

Virtude


Jarbas Lima Lemes

A palavra virtude (do latim virtus) designa excelência ou qualidade. O significado é genérico quando aplicado a tudo o que é considerado correto e desejável em relação à moral, à ética, à vida em sociedade, às práticas educacionais, científicas e tecnológicas, assim como à eficácia na execução de uma atividade. Em sentido específico o conceito se restringe a duas capacidades humanas: conduta moral no bem e habilidade para fazer algo corretamente. Em relação a este assunto, elucidam os orientadores da Codificação Espírita:


“Toda virtude tem seu mérito próprio, porque todas indicam progresso na senda do bem. Há virtude sempre que há resistência voluntária ao arrastamento dos maus pendores. A sublimidade da virtude, porém, está no sacrifício do interesse pessoal, pelo bem do próximo, sem pensamento oculto. A mais meritória é a que assenta na mais desinteressada caridade.”


O filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.) classificou as virtudes em dois grupos, quanto à natureza, ambos aceitos nos dias atuais: virtudes éticas ou do caráter – indicam todas as qualidades ético-morais, inclusive o dever, as quais nem sempre são submetidas à razão; virtudes dianoéticas ou do pensamento – abrangem as competências intelectuais (inteligência, discernimento, conhecimento científico, aptidões técnicas), controladas pela razão.


As primeiras são desenvolvidas pela educação e pela prática que conduz ao hábito. Filósofos, do passado e do presente, defendem a idéia de que as virtudes ético-morais são dons inatos, desenvolvidos por seres humanos especiais. Diferentes interpretações religiosas pregam que essas virtudes somente ocorrem por graça ou concessão divinas. As segundas, as virtudes dianoéticas ou do pensamento, podem ser ensinadas por meio da instrução, daí serem muito valorizadas pelas ciências humanas, sobretudo as educacionais.


O Espiritismo considera que as virtudes são aquisições do Espírito imortal, adquiridas e desenvolvidas por meio de trabalho incessante no bem.


Para Sócrates, a virtude se identifica com o bem (aspecto moral) e representa o fim da atividade humana (aspecto funcional ou operacional). Pelo aspecto moral sabe o homem virtuoso distinguir o bem e o mal. Pelo sentido funcional, ou fim da atividade humana, a virtude é capacidade ou habilidade de realizar corretamente uma tarefa. Contudo, tanto Sócrates como Platão entendiam que as virtudes eram dons inatos, ainda que esses filósofos possuíssem conhecimentos sobre a vida no além-túmulo e sobre as reencarnações sucessivas.


O seguinte texto, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, na Introdução IV, item XVII, ilustra o assunto:


• Palavras de Sócrates, registradas por Platão: “A virtude não pode ser ensinada; vem por dom de Deus aos que a possuem”.


• Interpretação espírita, fornecida por Allan Kardec: “É quase a doutrina cristã sobre a graça; mas, se a virtude é um dom de Deus, é um favor e, então, pode perguntar-se por que não é concedida a todos. Por outro lado, se é um dom, carece de mérito para aquele que a possui. O Espiritismo é mais explícito, dizendo que aquele que possui a virtude a adquiriu por seus esforços, em existências sucessivas, despojando-se pouco a pouco de suas imperfeições. A graça é a força que Deus faculta ao homem de boa vontade para se expungir do mal e praticar o bem.”


Com o Espiritismo entendemos que somos seres perfectíveis, construtores do próprio destino. A aquisição e desenvolvimento de virtudes são entendidos como necessidade evolutiva do Espírito, um meio para regular os atos humanos, ordenar as paixões e guiar a conduta humana, segundo os preceitos da razão, da moral e da fé.


As pessoas virtuosas destacam-se das demais, não porque são especialmente marcadas por Deus, mas porque souberam aproveitar as lições da vida e investiram no aprendizado, moral e intelectual, ao longo das reencarnações e das experiências vividas no plano espiritual, após a morte do corpo físico. Encontram-se muito distantes da santidade, entretanto, revelam-se como Espíritos que “lutaram outrora e triunfaram. Por isso é que os bons sentimentos nenhum esforço lhes custam e suas ações lhes parecem simplíssimas. O bem se lhes tornou um hábito”, como disse Kardec na questão 894 de O Livro dos Espíritos. Por Marta Antunes Moura, em Reformador Nº. 2158.

A virtude - Links

https://www.febnet.org.br/wp-content/uploads/2013/01/Mod-3-Rot-6-Virtudes-conceito-e-classificacao.pdf 

https://www.febnet.org.br/wp-content/uploads/2013/01/Mod-3-Rot-8-As-virtudes-segundo-o-Espiritismo.pdf

https://cebatuira.org.br/estudos_detalhes.asp?estudoid=1043

http://bibliadocaminho.com/ocaminho/Tematica/EE/Estudos/EadeP1T3.3.6.htm

https://www.ceismael.com.br/filosofia/virtude-e-as-virtudes.htm


segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Direitos e deveres - Momento Espírita


 Muito se ouve falar a respeito dos direitos do cidadão. Nunca os direitos foram tão exaltados como nos últimos tempos.


Criam-se códigos e códigos, estabelecendo os mais variados direitos das criaturas. Tanto o consumidor quanto a criança e o adolescente têm seus direitos assegurados por lei.


A imprensa nunca teve tanta liberdade de expressão como na atualidade.


Isso demonstra um grande progresso, não há dúvida.


Todavia, não podemos esquecer que, ao lado de qualquer direito, há também um dever. Ambos devem andar sempre juntos para serem legítimos.


Mas o que, infelizmente, vem ocorrendo, é que cada um só reclama seus direitos, relegando os deveres ao esquecimento.


O fornecedor que é também, sem dúvida, consumidor, será que pensa como tal nos direitos dos outros quando elabora seus produtos?


Ou será que só se lembra dos direitos do consumidor na hora de reclamar os seus direitos?


A criança e o adolescente, será que são alertados de que também têm deveres para com a sociedade em que vivem?


Há cidadãos que gritam alto pelos direitos de protestar, de fazer greve. Alegam que a greve é um instrumento legítimo para quem quer ver seus direitos respeitados.


Todavia, o que não levam em conta tais cidadãos, é o direito das outras pessoas.


A greve será um instrumento legítimo sempre que, com esse ato, não se esteja desrespeitando o direito dos outros.


Se desrespeitar, por mais justa que seja a discussão, a greve já não será legítima.


Poderá até ser legal, mas não será honesta. Não podemos desejar, como pessoas lúcidas que pretendemos ser, que o nosso direito afronte o direito do nosso semelhante.


Quando estamos discutindo com o patrão por causa do salário, por exemplo, é um direito que temos, e é um dever do patrão pagar-nos o que nos seja devido, mas a comunidade à qual servimos não tem que pagar o preço da nossa contenda.


Se o médico deixa de atender aos doentes, não é o patrão que ele está afrontando. Passa a dever à comunidade, porque fez juramento de salvar vidas, e não de salvar vidas quando ganhasse bem.


Se o professor deixa centenas de crianças analfabetas, está faltando com o sentimento de fraternidade e com o dever assumido perante a própria consciência.


O chofer ou o cobrador não devem, em nome do seu direito, deixar toda uma comunidade sem condução, quando sabem que os trabalhadores que dela dependem terão descontados os dias faltados, porque, em tese, o patrão não vai querer saber se há greve ou não.


As pessoas comuns precisam poder ir e vir, já que os mais abastados não viajam nos coletivos.


Assim, se estamos nos sentindo acossados pelos baixos salários, violentados pelos maus tratos profissionais, ou se temos qualquer outra dificuldade a acertar em termos funcionais, a nossa pendência será com o patrão, seja ele o Governo, seja o empresário da iniciativa privada. Jamais o povo, já demasiadamente desrespeitado, humilhado, desconsiderado.


*   *   *


O dever principia sempre, para cada um de nós, do ponto em que ameaçamos a felicidade ou a tranquilidade do nosso próximo e acaba no limite que não desejamos que ninguém transponha com relação a nós.


O homem que cumpre o seu dever ama a Deus mais do que as criaturas e ama as criaturas mais do que a si mesmo.


 


Redação do Momento Espírita com base na pergunta 111 do livro

Ante o vigor do espiritismo, por Espíritos diversos, psicografia de Raul

Teixeira, ed. Fráter, e no item 7 do  cap. XVII do livro O Evangelho segundo

o espiritismo, de Allan Kardec, ed. Feb.

Em 28.11.2011.

O Dever

 O Dever

Em o Evangelho Segundo o Espiritismo, temos no capítulo 17, item 7, as instruções do Espírito Lázaro sobre “o Dever”. Vejamos:


“Na prática, o dever reflete todas as virtudes morais; é uma fortaleza da alma que enfrenta as angústias da luta diária. O dever é severo e dócil. Está sempre pronto a se submeter às mais diversas situações, mas permanece sempre firme perante as tentações. Aquele que cumpre seu dever, ama mais a Deus do que aos homens, e aos homens mais do que a si mesmo. É, ao mesmo tempo, juiz e escravo em causa própria.” (1)


Talvez o leitor lembre-se do caso exposto pela mídia sobre a promotora que recebeu denúncias de estudantes que gazeavam aula para tomar bebida alcoólica e ao chegar ao local encontrou dentre os jovens seu próprio filho. Após escutá-los, liberou todos com termos de responsabilidades aos pais, exceto seu filho. Mesmo com a argumentação do delegado de que não havia cela especial para menores, ela respondeu: “Não tinha, delegado, agora tem, escreve cela especial e pregue na porta e bote ele lá dentro pra ele aprender que ser filho de promotor não dá a ele nenhuma prerrogativa, pra ele aprender que ele é igual a todos os outros, aliás, pior, ele é filho de alguém que tem que fiscalizar o cumprimento da lei.” (2)


A atitude digna dessa promotora e mãe é um exemplo de que o “dever é severo e dócil”; ela foi severa, porém dócil se compararmos com o modo bem mais duro como a vida o teria ensinado. Não deve ter sido nada fácil para ela prender o próprio filho, mas ela cumpriu o seu dever de mãe e de profissional da justiça, logo ela amou mais a Deus e ao seu filho que a si mesma. Ela entendeu a responsabilidade de uma autoridade e de um ser humano que precisa passar valores aos mais jovens.


No mesmo item 7 acima citado do Evangelho, temos o seguinte ensinamento: “O dever íntimo do homem é governado pelo seu livre-arbítrio; a consciência está sempre o advertindo contra as condutas erradas. Ainda assim, ele, muitas vezes, se deixa levar pelos enganos da paixão. O homem se eleva quando observa, fielmente, os deveres do coração, que nada mais são que os seus valores interiores. Mas como esses deveres podem ser determinados? Onde começam? Onde terminam? Os deveres começam, precisamente, no ponto onde se ameaça a felicidade ou a tranquilidade do próximo e terminam no limite em que não se desejaria ver a própria felicidade ou tranquilidade ameaçadas.” (3)


Vemos então que não seremos bons conosco mesmos quando nos impusermos deveres que ameaçam a nossa própria felicidade ou até saúde. Temos assistido nos noticiários da mídia inúmeros casos de mulheres que são covardemente agredidas por seus esposos. Elas estão impossibilitadas de cumprirem o dever de manterem-se no casamento, que é uma instituição sagrada, sob pena de perder a própria vida e dignidade. Nesse caso, a mulher que ama a si mesma haverá de separar-se do homem que não cumpriu com o seu dever de amá-la e protegê-la.


Nesta epidemia do COVID-19 pela qual todos nós passamos, somos convidados ao exercício do dever de escutar as recomendações das autoridades de saúde, tomando as devidas precauções para que o vírus não se alastre. Quando um dever tão importante quanto esse é violado, torna-se uma irresponsabilidade de efeitos muito nocivos ao praticante e aos outros.


Léon Denis nos fala sobre o dever em sua obra Depois da Morte, vejamos este trecho:


“Todos os Espíritos superiores têm profundamente enraizado em si o sentimento do dever; é sem esforço que seguem a própria rota. É por uma tendência natural, resultante dos progressos adquiridos, que se afastam das coisas vis e orientam os impulsos do ser para o bem. O dever torna-se, então, uma obrigação de todos os momentos, a condição imprescindível da existência, um poder ao qual nos sentimos indissoluvelmente ligados para a vida e para a morte.” (4)


Ou seja, quanto mais elevado for o espírito, mais internalizado estará o seu senso de dever, pois está fundido ao amor ao próximo, tudo num pacote só.


No momento em que nós, espíritas, tornamo-nos cientes das Leis Morais estabelecidas por Deus em O Livro dos Espíritos, bem como de todos os ensinamentos de Jesus em Seu Evangelho, sabemos de nossos deveres, então resta-nos pô-los em prática. Já compreendemos que é nosso sagrado dever, por mais difícil que nos pareça. O bom é que temos tempo, que um lindo futuro nos aguarda.


Maria Lúcia Garbini Gonçalves


Referências Bibliográficas:

(1) KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Por Claudio Damasceno Ferreira Junior. Porto Alegre: Besouro Box, 7 ed. 2015, p. 208;

(2) Blog do Cleuber Carlos – link encurtado <https://tinyurl.com/y5xhwnet>;

(3) KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Por Claudio Damasceno Ferreira Junior. Porto Alegre: Besouro Box, 7 ed. 2015, p. 207;

(4) DENIS, Léon. Depois da Morte. Brasília: FEB, 28 ed. 2016, p. 243.

DEVER – COMPILAÇÃO

http://www.acasadoespiritismo.com.br/temas/TEMA%20DEVER.htm 


DEVER – COMPILAÇÃO


6- DEPOIS DA MORTE - LÉON DENIS, PÁG. 254 - CAP. XXLII


O DEVER é o conjunto das prescrições da Lei Moral, a regra pela qual o homem deve conduzir-se nas relações com seus semelhantes e com o Universo inteiro. Figura nobre e santa, o dever paira acima da Humanidade, inspira os grandes sacrifícios, os puros devotamentos, os grandes entusiasmos. Risonho para uns, temível para outros, inflexível sempre, ergue-se perante nós, apontando a escadaria do progresso, cujos degraus se perdem em alturas incomensuráveis.


O DEVER não é idêntico para todos; varia segundo nossa condição e saber. Quanto mais nos elevamos tanto mais a nossos olhos ele adquire grandeza, majestade, extensão. Seu culto é sempre agradável ao virtuoso, e a submissão às suas leis é fértil em alegrias íntimas, inigualáveis. Por mais obscuras que seja a condição do homem, por mais humilde que pareça a sua sorte, o dever domina-lhe e enobrece a vida, esclarece a razão, fortifica a alma.


Ele nos traz essa calma interior, essa serenidade de espírito, mais preciosa que todos os bens da Terra e que podemos experimentar no próprio seio das provações e dos reveses. Não depende de nós desviar os acontecimentos, porque o nosso destino deve seguir os seus trâmites rigorosos; mas sempre podemos, mesmo através de tempestades, firmar essa paz de consciência, esse contentamento íntimo que o cumprimento do dever acarreta.


Todos os Espíritos superiores têm profundamente enraizado em si o sentimento do dever; é sem esforços que seguem a própria rota. É por uma tendência natural, resultante dos progressos adquiridos, que se afastam das coisas vis e orientam os impulsos do ser para o bem. O dever torna-se, então, uma obrigação da existência, um poder ao qual nos sentimos indissoluvelmente ligados para a vida e para a morte. O dever oferece múltiplas formas: há o dever para conosco, que consiste em nos respeitarmos, em nos governarmos com sabedoria, em não querermos, em não realizarmos senão o que for útil, digno e belo; há o dever profissional, que exige o cumprimento consciencioso das obrigações de nossos encargos; há o dever social, que nos convida a amar os homens, a trabalhar por eles, a servir fielmente ao nossos pais e à Humanidade; há o dever para com Deus...


O dever não tem limites. Sempre podemos melhorar. É, aliás, na imolação de si própria que a criatura encontra o mais seguro meio de se engrandecer e de se depurar. A honestidade é a essência do homem moral; é desgraçado aquele que daí se afastar. O homem honesto faz o bem pelo bem, sem procurar aprovação nem recompensa. Desconhecendo o ódio, a vingança, esquece as ofensas e perdoa aos seus inimigos. É benévolo para com todos, protetor para com os humildes.


É benévolo para com todos, protetor para com os humildes. Em cada ser humano vê um irmão, seja qual for seus pais, seja qual for sua fé. Tolerante, ele sabe respeitar as crenças sinceras, desculpa as faltas dos outros, sabe realçar-lhes as qualidades; jamais é maladicente. Usa com moderação dos bens que a vida lhe concede, consagra-os ao melhoramento social e, quando na pobreza, de ninguém tem inveja ou ciúme. A honestidade perante o mundo nem sempre é honestidade de acordo com as leis divinas. A opinião pública, é certo, tem seu valor; torna mais suave a prática do bem, mas não devemos considerá-la infalível.


Sem dúvida que o sábio não a desdenha; mas, quando é injusta ou insuficiente, ele também sabe caminhar avante e calcula o seu dever por uma medida mais exata. O mérito e a virtude são algumas vezes desconhecidos na Terra; as apreciações da sociedade quase sempre são influenciadas por paixões e interesses materiais. Antes de tudo, o homem honesto busca o julgamento e o aplauso da sua própria consciência. Aquele que soube compreender todo o alcance moral do ensino dos Espíritos tem do dever uma concepção ainda mais elevada. Está ciente de que a responsabilidade é correlativa ao saber, que a posse dos segredos de além-túmulo impõe-lhe a obrigação de trabalhar com energia para o seu próprio melhoramento e para o de seus irmãos.


As vozes dos Espíritos têm feito vibrar ecos em si, têm despertado forças que jazem entorpecidas na maior parte dos homens e que o impelem poderosamente na sua marcha ascensional. Torna-se o ludíbrio dos maus, porque um nobre ideal o anima e atormenta ao mesmo tempo; mas, ainda assim, ele não o trocaria por todos os tesouros de um império. A prática da caridade então lhe é fácil; ensina-o a desenvolver sua sensibilidade e suas qualidades afetivas.


Compassivo e bom, ele sente todos os males da Humanidade, quer derramar por seus companheiros de infortúnio as esperanças que o sustêm, desejaria enxugar todas as lágrimas, curar todas as feridas, extinguir todas as dores. A prática constante do dever leva-nos ao aperfeiçoamento. Para apressá-lo, convém que estudemos primeiramente a nós mesmos, com atenção, e submetamos os nossos atos a um exame escrupuloso, porque ninguém pode remediar o mal sem antes o conhecer.


Podemos estudar-nos em outros homens. Se algum vício, algum defeito terrível em outrem nos impressiona, procuraremos ver com cuidado se existe em nós germe idêntico; e, se o descobrirmos, empenhemo-nos pelo arrancar. Consideremos nossa alma pela sua realidade, isto é, como obra admirável, porém imperfeita e que, por isso mesmo, temos o dever de embelezar e ornar incessantemente esse sentimento da nossa imperfeição tornar-nos-á mais modestos, afastará de nós a presunção, a tola vaidade.


Submetamo-nos a uma disciplina rigorosa. Assim como ao arbusto se dá a forma e a direção convenientes, assim também devemos regular as tendências do nosso ser moral. O hábito do bem facilita a sua prática. Só os primeiros esforços são penosos; por isso, e antes de tudo, aprendamos a dominar-nos. As primeiras impressões são fugitivas e volúveis; a vontade é o fundo sólido da alma. Saibamos governar a nossa vontade, assenhorear-nos dessas impressões, e jamais nos deixemos dominar por elas.


O homem não deve isolar-se de seus semelhantes. Convém, entretanto, escolher suas relações, seus amigos, empenhar-se por viver num meio honesto e puro, onde só reinem boas influências. Evitemos as conversas frívolas, os assuntos ociosos, que conduzem à maledicência. Digamos sempre a verdade, quaisquer possam ser os resultados. Retemperemo-nos frequentemente no estudo e no recolhimento, porque assim a alma encontra novas forças e novas luzes. Possamos dizer, ao fim de cada dia: Fiz hoje obra útil, alcancei alguma vantagem sobre mim mesmo, assisti, consolei desgraçados, esclareci meus irmãos, trabalhei por torná-los melhores; tenho cumprido o meu dever!


08 - ESTUDE E VIVA - EMMANUEL E ANDRÉ LUIZ - PÁG. 144


É muito difícil desinteressar-nos dos aspectos menos agradáveis do serviço necessário à preservação da verdade e do bem. Isso acontece, principalmente, quando as consequências não nos digam respeito. Se não temos a obrigação de inspecionar as deficiências da estrada, muito de raro em raro nos incomodamos com a brecha deixada pelo aguaceiro na base de um viaduto. Não sucede, porém, o mesmo com os responsáveis, que dobrarão esforços para remover o perigo. Assim também no cotidiano.


Queremos tranquilidades; no entanto, surgem riscos à frente. Somos pais.. e acordamos junto de filhos carentes de amparo em forma de advertência; orientamos empresas... e verificamos omissões, ante as quais o silêncio seria apoio ao desastre; exercemos funções educativas... e somos defrontados por ocorrências que comprometem a segurança da escola; administramos instituições de interesse geral... e encontramos falhas que não será lícito desdenhar com displicência, sob pena de aprovarmos a influência das trevas...


São esses os momentos mais dolorosos para os que receberam o encargo de velar por alguém ou por alguma comunidade. Nesses trechos periclitantes do trabalho a fazer, somos frequentemente impelidos à deserção; entretanto, comandante algum é trazido a conduzir um navio a fim de abandoná-lo ao sabor das ondas, em momentos difíceis. Que fazer, todavia, nas crises inevitáveis, quando é preciso apontar e retificar, esclarecer e definir? Nesses duros problemas, uma solução aparece, luminosa e reconfortante: nós podemos orar.


Quando te encontres em obstáculos desse matiz, não censures os companheiros que passam despreocupados, ante as lutas com que arrostas e nem te acomodes com o mal, sob pretexto de lealdade à harmonia. Ora, sempre, fiel ao bem da verdade e à verdade do bem ainda mesmo que todas as circunstâncias te contrariem. Através da prece, dar-te-á o Senhor a força justa com a medida adequada e a palavra precisa no rumo certo. Assim será sempre, porque, se a criatura dirige, Deus guia. Manejamos a vida, mas a vida é de Deus.


SENTENÇAS DA VIDA:


1 - Cumpra os deveres desagradáveis. Buscar apenas o nosso deleite é comodismo crônico.


2 - Vitalize os negócios com a fraternidade pura. O comércio não foge à ação da Providência Divina.


3 - Coloque o bem de todos acima do interesse partidário. A senda cristã nas atividades da vida será sempre "caridade".


4 - Esqueça as narrativas que exaltem indiretamente o erro. A moral da história mal contada é sempre a invigilância.


5 - Liberte-se das frases de efeito. A palavra postiça sufoca o pensamento.


6 - Evite o divertimento nocivo ou claramente desnecessário. Os pés incautos encontram a queda imprevista.


7 - Resista à desonestidade. O critério do amor não se modifica.


8 - Valorize os empréstimos de Deus. Dar não significa abandonar.


9 - Prestigie a sabedoria da Lei, obedecendo-lhe. O auxílio espiritual não surge sem preço.


11 - FONTE VIVA - EMMANUEL - PÁG. 229 - AUSENTES


"Ora, Tomé, um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio" - (João, 20:24).


Tomé, descontente, reclamando provas, por não haver testemunhado a primeira visita de Jesus, depois da morte, criou um símbolo para todos os aprendizes despreocupados das suas obrigações. Ocorreu ao discípulo ausente o que acontece a qualquer trabalhador distante do DEVER que lhe cabe.


A edificação espiritual, com as suas bênçãos de luz, é igualmente um curso educativo. O aluno matriculado na escola, sem assiduidade às lições, apenas abusa do estabelecimento de ensino que o acolheu, porquanto a simples ficha de entrada não soluciona o problema do aproveitamento.


Se o domínio do alfabeto, não alcançará a silabação. Sem a posse das palavras, jamais chegará à ciência da frase. Prevalece idêntico processo no aprimoramento do espírito. Longe dos pequeninos deveres para com os irmãos mais próximos como habilitar-se o homem para a recepção da graça divina? Se evita o contato com as obrigações humildes de cada dia, como dilatar os sentimentos para ajustar -se às glórias eternas?


Tomé não estava com os amigos quando o Mestre veio. Em seguida, formulou reclamações, criando o tipo do aprendiz suspeitoso e exigente. Nos trabalhos espirituais de aperfeiçoamento, a questão é análoga.


Matricula-se o companheiro, na escola da vida superior, entretanto, ao invés de consagrar-se ao serviço das lições de cada dia, revela-se apenas mero candidato a vantagens imediatas. Em geral, nunca se encontra ao lado dos demais servidores, quando Jesus vem; logo após, reclama e desespera.


A lógica, no entanto, jamais abandona o caminho reto. Quem desejar a bênção divina, trabalhe pela merecer. O aprendiz ausente da aula não pode reclamar benefícios decorrentes da lição.


12 - JESUS NO LAR - NÉIO LÚCIO - PÁG. 155 - CAP. 36 O PROBLEMA DIFÍCIL


Entre os comentários da noite, um dos companheiros mostrou-se interessado em conhecer a questão mais difícil de resolver, nos serviços referentes à procura da Luz Divina. Em que setor da luta espiritual se colocaria o mais complicado problema? Depois de assinalar variadas considerações, ao redor do assunto, o Mestre fixou no semblante uma atitude profundamente compreensiva e contou:


- Um grande sábio possuía três filhos jovens inteligente e consagrados à sabedoria. Em certa manhã, eles altercavam a propósito do obstáculo mais difícil de vencer no grande caminho da vida. No auge da discussão, prevendo talvez consequências desagradáveis, o genitor benevolente chamou-os a si e confiou-lhes curiosa tarefa.


Iriam os três ao palácio do príncipe governante, conduzindo algumas dádivas que muito lhes honraria o espírito de cordialidade e gentileza. O primeiro seria o portador de rico vaso de argila preciosa. O segundo levaria uma corça rara. O terceiro transportaria um bolo primoroso da família.


O trio fraterno recebeu a missão com entusiástica promessa de serviço para a pequena viagem de três milhas; no entanto, a meio do caminho, principiaram a discutir. O depositário do vaso não concordou com a maneira pela qual o irmão puxava a corça delicada, e o responsável pelo animal dava instruções ao carregador do bolo, a fim de que não tropeçasse, perdendo o manjar; este último aconselhava o portador do vaso valioso, para que não caísse.


O pequeno séquito seguia, estrada afora, dificilmente, porquanto cada viajor permanecia atento a obrigações que diziam respeito aos outros, através de observações acaloradas e incessantes. Em dado momento, o irmão que conduzia o animalzinho olvida a própria tarefa, a fim de consertar a posição da peça de argila nos braços do companheiro, e o vaso, premido pelas inquietações de ambos, escorrega, de súbito, para espatifar-se no cascalho poeirento.


Com o choque, o distraído orientador da corça perde o governo do animal, que foge espantado, abrigando-se em floresta próxima. O carregador do bolo avança para sustar-lhe a fuga, internando-se pelo mato a dentro, e o conteúdo de prateada bandeja se perde totalmente no chão.


Desapontados e irritadiços, os três rapazes tornam à presença paterna, apresentando cada qual a sua queixa e a sua derrota. O sábio porém, sorriu e explicou-lhes:


-Aproveitem o ensinamento da estrada. Se cada um de vocês estivesse vigilante na própria tarefa, não colheriam as sombras do fracasso. O mais intrincado problema do mundo, meus filhos, é o de cada homem cuidar dos próprios negócios, sem intrometer-se nas atividades alheias. Enquanto cogitamos da responsabilidade que competem aos outros, as nossas viverão esquecidas.


Jesus calou-se, pensativo, e uma prece de amor e reconhecimento completou a lição.


13 - LAMPADÁRIO ESPÍRITA - JOANNA DE ÂNGELIS - PAG. 165 ANTE O DEVER


Não te suponhas inútil na lavoura do bem porque escasseiam em tuas mãos os recursos da Terra. Nem sempre a moeda, aparentemente valiosa, consegue articular a serenidade do coração. Considera que os valores insignificantes, segundo a experiência de muitos, realizam obras reais na construção da vida.


O edifício suntuoso não dispensa a contribuição da pá de cal. O adubo considerado sem valia é a causa da vitalidade do solo. A pedra grosseira, a golpes de buril, transforma-se em estátua valiosa. Assim, podes contribuir com os recursos modestos de que dispões para materializar a obra do Senhor entre as criaturas da jornada humana.


Aprende a discernir e estuda para compreender, a fim de libertar-te da dificuldade no rumo da verdadeira luz. Porque te faltem os atraentes dons da inteligência não te entregues ao desânimo, e porque as tuas mãos não possam realizar imediatamente não descoroçoes no entusiasmo.


Nem sempre a boca falante expressa o "de que está cheio o coração". Recorda que a sinfonia vibrante equilibra-se nas sete notas musicais que lhe servem de base, tanto quanto o discurso brilhante é filho do alfabeto humilde... Ergue-te em busca do Senhor e avança, renovado, pela trilha do bem. Planta a tua árvore; renova o jardim da tua casa; varre o solo que espera limpeza; faze algo. Pensar no trabalho é trabalho em começo.


Movimentar pequenas tarefas é articular tarefas nobres. Não adies os teus DEVERES a pretexto de carência de recursos. Se não podes fazer quanto gostarias de fazer, faze alguma coisa. E, se realmente desejas respeitar o dever de produzir, recorda-te de mil trabalhos esquecidos, essas tarefas que somente poucos gostam de realizar.


Une-te, desse modo, à caravana dos que se batem na terra sáfara do coração e começa desde agora o abençoado labor da tua transformação operosa. Jesus Cristo, necessitando legar-nos o tesouro da sua mensagem de luz, considerou modesto "grão de mostarda", humilde "dracma perdida", toscos ramos de figueira, desvalioso "feixe de varas", como a ensinar-nos que o Reino dos Céus, que deve ser "tomado de assalto", só paulatinamente, após nosso aprimoramento, nos permite ingresso na legião dos selecionados para as glórias da Imortalidade.


19 - OFERENDA - JOANNA DE ÂNGELIS - PÁG. 109


AUTORIDADE E DEVER


"E Jesus repreendeu, dizendo: Cala-te, e sai dele. E o demônio, lançando-o por terra no meio do povo, saiu dele sem lhe fazer mal." Lucas: 4-35


A indiscutível autoridade de Jesus! Todos os problemas solucionavam-se em face da sua interferência. Identificado pelos Espíritos imundos e perturbadores, como sendo o Messias, admoesta-os e os expulsa com bondade e energia, destrinçando as complexas amarras da obsessão. Ao Seu toque, os tecidos enfermos em putrefação renovam-se, atividados pela energia dinâmica que d'Ele se irradia.


Conhecendo a problemática espiritual e cármica de cada um dos que O buscam, sem defraudar a Lei, nem cometer arbitrariedades, apressa o saldamento da dívida, facultando ao liberado completar o pagamento através do amor. Homens, mulheres e crianças sentem-Lhe o poder. Os Espíritos respeitam-nO.


Hidropista, lepra, hemorragia, febres, paralisia, catalepsia, cegueira, surdez, obsessão e subjugação recebem imediata recomposição, e a saúde substitui a doença, inclusive nos mutilados. Todavia, não apenas nos domínios das aflições físicas Seu poder e autoridade se manifestam.


Luxúria, adultério, sensualidade, egoísmo, ódio, revolta, disputas familiares, ciúme, soberba modificam-se nos seus portadores, ante a Sua presença. Junto a Ele dealbam claridades novas, e os que dormem nas paixões despertam para o sacrifício, mediante o qual se redimem. Não deblatera, nem se irrita. Pulcro, contagia de paz e limpa as mazelas dos que O buscam.


Não O percas de vista. Nem te atribuas valores que não possuis, como não te permitas temores que não procedem. A Seu serviço, ativa as possibilidades e multiplica as forças através do bom combate, na iluminação interior e na assistência fraternal aos sofredores. Nota que Ele jamais se recusava.


Abria as mentes à verdade, mas lenia, também as exulcerações do corpo. Incitava à glória divina, todavia, amenizava as provações terrenas. Conduzia ao Reino dos Céus, sem embargo auxiliava na elucidação das dificuldades humanas. Apontava o amor a Deus como a expressão mais alta da existência, e concitava o amor ao próximo como experiência autolibertadora.


Com a severidade que reprochava a hipocrisia dos fariseus, utilizava da meiguice e piedade para auxiliar os que sofriam. Mácula nenhuma em Sua vida, deslize algum na Sua conduta. Toma-O por guia e segue-O sem recalcitrar. O que não conseguires agora, realizarás depois.


O que ora te falta, amanhã será abundância nas tuas mãos, a serviço do bem. Não aguardes triunfos imerecidos, nem te fixes às idéias de que lograrás resultados vantajosos nos teus empreendimento com Ele. À semelhança d'Ele, provarás o ácido da malquerença e o vinagre da ingratidão, o torpor da indiferença e a pedrada do despeito. Sempre defrontarás acusadores e censores severos. Não te perturbes ante a crueldade deles. Prossegue, apesar de tudo.


Quando a tua alma estiver atônita no torvelinho das lutas, quando provares a soledade e a amargura, quando os teus melhores esforços parecerem inúteis e as tuas boas palavras forem confundidas, voltadas contra ti, conhecerás a perfeita independência, voando na direção d'Ele, com as asas da desencarnação, após o dever cumprido, com a autoridade n'Ele adquirida, de que fizeste o máximo ao teu alcance, portanto, tudo que pudeste fazer.


23 - JÓIA - EMMANUEL - PÁG. 57


DEVER E LIBERDADE: A disciplina é alicerce da vida. A ordem é fundamental da Lei. Quanto maior o primitivismo dos seres enfaixados no berço da evolução, com mais força registramos semelhante princípio. O minério, da gleba a que se acolhe, é transportado sem qualquer resistência para atender às lides do progresso.


O verme arrasta-se no solo, cadaverizando-se nele de modo a fecundá-lo para que a semente germine. A árvore sofre o insulto da tempestade, produzindo sem exigência, em favor dos outros, os frutos que não consome. A ovelha cede a lã que lhe é própria ao reconforto alheio, tremendo ante o assalto do frio.


Os elementos mais simples obedecem e auxiliam sem reclamar e todos eles, colados ainda à Terra, para ela se voltam, humildes e submissos, representando crisálidas de consciência em sua expressão fetal, no colo da natureza. Todavia, o dever é diferente no homem, cuja cabeça se ergue dominadora na direção do Infinito.


De braços livres, não obstante chumbado à senda que perlustra, pode sentir e raciocinar, mentalizar e escolher, calcular e decidir. E porque o Supremo Senhor não gerou os filhos de Sua Sabedoria e de Seu Amor para escravos de Sua Casa, concede-lhes a razão, com que se lhes agiganta o livre-arbítrio na formação do próprio merecimento.


É por isso que, quanto mais elevado o degrau da criatura, mais ampla se lhe torna a responsabilidade na plantação e na defesa do Bem. Estejamos alertas no mundo de nós mesmos, procurando aprender e servir, nas bases do amor puro e da humanidade, de vez que todos nós, à luz do discernimento, dispomos de liberdade para cumprir as obrigações que nos cabem perante a Lei, plasmando o direito ao Céu, a começar de nós, ou para cultivar a rebeldia sistemática, pela qual arrasamos os talentos divinos, gerando em nossas almas os agentes do desequilíbrio que equivale na vida ao martírio infernal.


24 - MÃOS UNIDAS - EMMANUEL - PÁG. 107


DEVER E COMPROMISSO: Cedeste ao equilíbrio do lar as melhores forças da vida e tudo indica que os teus deveres surgem plenamente cumpridos, diante da própria casa. Todavia, enquanto a consciência te dói ao pensar em te desfazeres dos laços domésticos, isso significa que as tuas dívidas para com a equipe familiar ainda não atingiram resgate justo.


Suportaste os piores agravos da parte de determinada pessoa e tudo indica que os teus compromissos para com ela se mostram perfeitamente sanados. Mas enquanto a consciência te dói ao pensar em te afastares dos aborrecimentos que essa criatura te impõe, isso significa que ainda lhe deves excepcional consideração e mais amplo carinho.


Toleraste humilhações e insultos, dificuldades e empeços, na sustentação do cargo que exerces, da profissão que abraças, da obra a que te afeiçoas ou do empreendimento que realizas, e tudo indica que as tuas obrigações para com eles se acham claramente executadas. Contudo, enquanto a consciência te dói ao pensar no desligamento das contrariedades e problemas em que te envolvem, isso significa que as tuas vinculações com semelhantes tarefas não alcançaram o fim.


A lei de causa e efeito funciona notadamente dentro de nós. Em qualquer dúvida, acerca de teu comportamento no bem perante o mal, ouve a mensagem da própria consciência.


Possivelmente, para muitos daqueles que te rodeiam, a tua humildade e abnegação, paciência e amor na desincumbência das responsabilidades que assumiste já te haverão outorgado passaporte na direção de empresas outras de liberdade e renovação, mas enquanto te dói a consciência ao pensar no afastamento de teus sacrifícios pessoais, nos setores de trabalho em que te encontras, isso significa que teu débito para com eles ainda não terminou.


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DEVER é a série de lições a que fomos chamados pela Eterna Sabedoria no livro da vida, de cujo aprendizado dependerá sempre o nosso avanço para a infinita luz.

Superficialmente, é sempre uma coleção de serviços desagradáveis e constringentes, induzindo-nos, muita vez, ao sofrimento e ao cansaço, contudo, esses serviços são vínculos espirituais que nos imantam à Paternidade de Deus que, através da Lei que nos rege, no-los traça como obrigações beneméritas e providenciais ao nosso próprio aperfeiçoamento.

Repara, medita e aceita-os com amor para que não te deplores mais tarde...



Aqui, é o lar convertido em ninho de aflição e desespero...

Ali, é a casa de trabalho, onde escuras imposições nos aguardam cada dia...

Além, é o esposo intratável, à maneira do diamante no cascalho agressivo, confiado pelo Céu à nossa abnegação...

Acolá, é a companheira rude e incompreensível, qual fonte poluída de trevas e ilusões, que a Bondade do Senhor nos concede para a tarefa difícil da purificação...


Mais além, é o filho que nos trai as melhores esperanças...

Mais adiante, é o amigo que nos prejudica o trabalho, valendo por dolorosa negação de nossos sonhos e ideais...

Hoje, é a humilhação que nos compete suportar com denodo e paciência, amanhã é o fel da incompreensão alheia que nos cabe sofrer...

E, com Jesus, o dever de ajudar e perdoar, de servir e aprender é sempre nosso...

O cristão é uma consciência na luminosa cruz dos deveres de cada dia, entretanto, é por esse madeiro disciplinar que desferirá o vôo de sublimação para a glória imperecível.


Amemos, assim, as obrigações santificantes que o mundo nos designa, por mais inquietantes e contundentes, porque, por trás delas, vive a mão amorosa do Senhor a guiar-nos das sombras do mundo para os deslumbramentos da Vida Celestial.

EMMANUEL


DEVERES ESPÍRITAS

O GRANDE MANDAMENTO


DEVERES ESPÍRITAS, 0 GRANDE MANDAMENTO


"Chegou um dos escribas, e tendo ouvido a discussão e vendo que Jesus lhes havia respondido bem, fez-lhe esta pergunta: Qual é o primeiro de todos os mandamentos? Respondeu Jesus: O primeiro é: Ouve, ó Israel: O Senhor é nosso Deus, o Senhor é um só; e amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força. O segundo é: amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior que estes. Disse-lhe o escriba: Na verdade, Mestre, disseste bem que Ele é um; e não há outro senão Ele; e que o amá-lo de todo o coração, de todo entendimento e de toda a força, e amar ao próximo como a si mesmo, excede a todos os holocaustos e sacrifícios. Vendo Jesus que ele havia falado sabiamente, disse-lhe: Não estás longe do Reino de Deus. "E ninguém mais ousava interrogá-lo." (Marcos, XII, 28-34.)


Três são os deveres indispensáveis à criatura humana:


1º para com Deus;


2º para consigo mesmo;


3º para com seu próximo.


Nisto resumiu Jesus a lei e os profetas.


Sendo Deus o autor de nossa existência, o nosso verdadeiro Pai, devemos dedicar, primeiramente a Deus, todos os nossos haveres, a nossa própria vida.


Os deveres do homem estão em relação com o seu grau de adiantamento, com as suas aptidões físicas, intelectuais e psíquicas.


Ninguém pode dar senão o que tem, mas é fora de dúvida que devemos dar a Deus tudo o que temos. E como os haveres que dedicamos a Deus são retribuídos com centuplicados juros, cumpre-nos aproveitar todas essas dádivas para proveito próprio e em proveito do próximo.


É do cumprimento desses deveres que começa a felicidade.


Satisfeitos os deveres que temos para com Deus, ocorre-nos tratar daqueles que se relacionam com a nossa própria individualidade. É claro que essas obrigações são de natureza material, intelectual e espiritual.


O homem veio à Terra para progredir e esse progresso depende do bom emprego que faça do tempo para zelar do seu corpo, proporcionando-lhe a natural manutenção, e cultivar o Espírito, oferecendo-lhe luzes; luzes de vida eterna; luzes de sabedoria verdadeira; luzes de moral perfeita.


O corpo é um intermediário para as recepções e manifestações exteriores; é preciso que o tratemos e nos utilizemos dele como quem trata e se utiliza de uma máquina para executar o trabalho de que está encarregado.


O Espiritismo abrange a parte material e a parte psíquica do indivíduo; exige tratamento do corpo e cultivo do Espírito, sem detrimento um do outro.


Pela mesma maneira nos cumpre fazer para com o nosso próximo.


Próximo é aquele que se aproxima de nós, seja em corpo, seja em Espírito:


Há próximos que estão longe de nós e próximos que estão perto.


Na esfera do Espírito prevalece a lei de similaridade. No terreno da matéria, a lei da atração.


Os principais próximos são os que nos estão ligados pela lei da afinidade psíquica.


Os próximos secundários são os que se valem de nós para suprir a sua necessidade; necessidade de ordem material ou de ordem espiritual, porque os nossos deveres para com o próximo, para conosco e para com Deus são de ordem material e espiritual.


O homem que cumpre o seu dever, a nada mais fica obrigado. Quando o homem faz o que pode, Deus faz por ele o que ele por si mesmo não pode fazer.


Feliz daquele que faz tudo o que pode e deve fazer, pois esse é o bom emprego do talento para a aquisição de outros lantos talentos.


Três são os deveres indispensáveis do homem: para com Deus, para consigo mesmo, para com o seu próximo.


O preceito é este: ama a Deus; ama a ti mesmo; ama ao teu próximo; instrui-te e procura instruir o teu próximo. Faze tudo isso de todo o teu entendimento, de todo o teu coração, de toda a tua alma, com todas as tuas forças.


Não há outro mandamento.


CAIRBAR SCHUTEL


LEMBRETE:


1° - O dever cumprido é uma porta que atravessamos no Infinito, rumo ao continente sagrado da união com o Senhor. É natural, portanto, que o homem esquivo á obrigação justa, tenha essa bênção indefinidamente adiada. André Luiz


2° - A noção do dever bem cumprido, ainda que todos os homens permaneçam contra nós, é uma luz firme para o dia e abençoado travesseiro para a noite. Emmanuel


3° - Cumpra o seu dever cada dia, por mais desagradável ou constrangedor lhe pareça, reconhecendo que a educação não surge sem disciplina. André Luiz


4° - É inútil transmitir a outrem o dever que nos compete, porque o tempo inflexível nos aguarda, exigindo-nos o tributo da experiência, sem o qual não nos será possível avançar no progresso justo. Batuíra


5° - A profissão, honestamente exercida, embora em regime de retribuição, inclina os semelhantes para o culto ao dever.


Edivaldo

O dever

 


LEDA MARIA FLABOREA

ledaflaborea@uol.com.br

São Paulo, SP (Brasil)


 

O dever



Buscamos a paz. Falamos nela, dela e, decididamente, não a encontramos seja dentro ou fora de nós, porque ainda não conseguimos perceber que a busca deve ser feita de dentro de nós para o mundo que nos cerca.


Será que isso acontece porque vivemos a falsa ilusão de que conhecemos o que nos dá paz? É bem provável que sim. Essa questão nos remete a uma passagem do Evangelho de Lucas, capítulo 19, versículo 42, quando Jesus, junto a Jerusalém, fala a essa cidade – na verdade, falava para todos os homens – o seguinte: “Ah, se tu conheceras por ti mesmo, ainda hoje, o que é devido à paz! Mas isto está agora oculto aos teus olhos”.


As palavras do Mestre nos convidam a pensar no que seria do mundo se cada um de nós conhecesse o que, realmente, necessitamos para ter paz interior. E, na procura desses bens encontramos, para começar, as infinitas oportunidades de serviço de que dispomos no presente. Oportunidades que são nossas por benesse divina. Depois, podemos também perceber que possuímos a possibilidade de refletir sobre o que poderíamos ter feito no passado e não fizemos.


Tendo somente esses dois bens, já podemos observar que os convites de trabalho aí estão para quem deseja realizar algo. Todavia, antes de nos atirarmos, inadvertidamente, aos trabalhos só porque nos sentimos culpados, é aconselhável que cada um de nós procure compreender, com dignidade, seus próprios deveres, isto é, os compromissos morais a que estamos sujeitos com todos aqueles que nos cercam – encarnados e desencarnados –, sobretudo com nosso grupo familiar. Essa compreensão é importante porque, às vezes, deixamos de atender pequeninas exigências que são, na verdade, mais benéficas a nós do que aos outros.


Todos nós temos consciência de que nossa conta corrente com as leis divinas está em saldo devedor. Por essa razão, se cada um de nós cuidasse de cumprir suas obrigações para saldar esse débito, grande parte dos problemas sociais do mundo se resolveria naturalmente, e todos os fantasmas da inquietude que rondam nossa existência seriam afastados.


Mas, por que é tão difícil o cumprimento desses compromissos morais? Por duas razões: a primeira delas é que, na ordem dos sentimentos, o dever se encontra em posição antagônica com as seduções do interesse e do coração; e em segundo lugar, porque ele está entregue ao livre-arbítrio, ao direito que temos de escolher entre o certo e o errado, entre o fazer e não fazer. O interessante nesse processo é que a consciência nos adverte quando nos enganamos, nos estimulando e sustentando para que decidamos sempre pelo certo, pelo bem. Entretanto, o não interessante é que quase sempre sucumbimos.


Agora, já que estamos buscando conhecer o que temos para conquistar a paz, é bom procurarmos saber, também, onde o dever moral começa e onde termina – vale lembrar que não estamos tratando aqui do dever profissional.


Em O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo 17, o item 7 lembra que ele tem início quando ameaçamos a felicidade ou a tranquilidade do próximo (por exemplo, o desrespeito às normas estabelecidas na convenção de Condomínios, a fim de que todos possam viver em harmonia), e termina no limite em que interferimos na livre escolha do outro (por exemplo, excessos de cuidados ou superproteção que impedem o crescimento ou as livres escolhas do outro).


Outro ponto importante do qual não podemos nos esquecer é o da confusão que ainda fazemos entre obrigação social e dever moral, tomando-se o significado do primeiro pelo segundo. Um exemplo bem simples que pode nos esclarecer é o seguinte: quando visitamos nossos pais ou avós, caso não moremos com eles, ou doentes, sejam familiares ou não, é imaginarmos que estamos cumprindo um dever moral (fraternidade) quando, na verdade, desejaríamos adiar essa visita indefinidamente.


Nesse momento, é bom prestarmos atenção às nossas atitudes. Se não existe alegria ou amor no gesto, melhor será fazer mudanças, entendendo que é preciso amar o dever e não apenas executar as obrigações que a sociedade nos impõe (o que o outro vai dizer se eu não for). André Luiz diz na lição 17, do livro Sinal Verde, psicografado por Francisco Cândido Xavier, que “quando o trabalhador converte o trabalho em alegria, o trabalho se transforma na alegria do trabalhador”.


A diferença então se estabelece quando percebemos que o dever é sempre estimulado pela consciência e não pelas regras sociais. Por tudo isso, podemos concluir que o convite ao bem, à prática do dever moral, sempre nos acompanhou, apesar de dificilmente o percebermos. Isso aconteceu através dos nossos pais, das leituras que fizemos e que ainda fazemos, do sentimento religioso que nos consola e nos impulsiona ao exercício do amor ao próximo, dos amigos encarnados e desencarnados que nos auxiliam. E se já possuímos algum conhecimento dos ensinamentos de Jesus e já temos alguma consciência de que somente através do dever cumprido encontraremos a paz que tanto buscamos, por que ainda esperamos para fazer o que deve ser feito?


O trabalho de transformação de nossas disposições íntimas necessita ser iniciado hoje, continuado amanhã, a cada minuto da nossa vida, até encontrarmos a divindade que existe em nós.


Afirma Cairbar Schutel, no livro Parábolas e Ensinos de Jesus – “Deveres Espíritas”: “O homem que cumpre seu dever, a nada fica obrigado. Quando o homem faz o que pode, Deus faz por ele o que ele por si não pode fazer”.


          


Bibliografia:


XAVIER, F. C. - Fonte Viva – ditado pelo Espírito Emmanuel – 31ª ed., FEB, Rio de Janeiro/RJ – lição 100.


_____________ Caminho, Verdade e Vida - ditado pelo Espírito Emmanuel – 17ª ed., FEB – Rio de Janeiro/RJ – lição 138.


_____________ O Consolador – ditado pelo Espírito Emmanuel – 17ª ed., FEB – Rio de Janeiro/RJ – Parte II – “Dever”.


DENIS, Léon – Depois da Morte – 19ª ed., FEB – Rio de Janeiro/DF - Parte Quinta – O Caminho Reto, XLIII – “O Dever”.

Qual o dever moral dos espíritas?

 Qual o dever moral dos espíritas? – Evangelho Segundo o Espiritismo


dever moral - Todo nós, cidadãos, possuímos direitos e deveres perante a sociedade. Ou seja, independente de nossa religião, de nossa crença, temos o dever de zelar tanto pelo funcionamento das coisas como pelo bem coletivo.


O que a doutrina espírita tem a nos ensinar sobre o Dever?


Allan Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo 7 – Sedes Perfeitos, nos apresenta a seguinte passagem do Espírito Lázaro:


“O dever é a obrigação moral, primeiro para consigo mesmo, e depois para com os outros. O dever é a lei da vida: encontramo-lo nos mínimos detalhes, como nos atos mais elevados”. (Lázaro – Paris 1863)


O que é o dever moral?

O dever moral diz respeito às relações humanas, ou seja, em evitar o mal, fazer o bem, não prejudicar ninguém, etc. Ainda em o Evangelho Segundo o Espiritismo, Lázaro, nos lembra que Deus nos criou iguais.


Deus criou todos os homens iguais para a dor; pequenos ou grandes, ignorantes ou instruídos, sofrem todos pelos mesmos motivos, a fim de que cada um pese judiciosamente o mal que pode fazer. Não existe o mesmo critério para o bem, que é infinitamente mais variado nas suas expressões. A igualdade em relação à dor é uma sublime previsão de Deus, que quer que os seus filhos, instruídos pela experiência comum, não cometam o mal desculpando-se com a ignorância dos seus efeitos.


Ou seja, a partir do momento em que o dever moral passa a imperar, as dores tanto da evolução como as educativas irão desaparecer.


Espíritos Imperfeitos

Entretanto, somos espíritos imperfeitos, vivemos em um mundo de provas e expiações. Com isso, ainda existe o orgulho, o egoísmo, a vaidade, etc. E por conta desses sentimentos, nós possuímos uma certa dificuldade em cumprir nossos deveres.


“Na ordem dos sentimentos, o dever é muito difícil de cumprir-se, por se achar em antagonismo com as atrações do interesse e do coração. Não têm testemunhas as suas vitórias e não estão sujeitas à repressão suas derrotas. O dever íntimo do homem fica entregue ao seu livre-arbítrio. O aguilhão da consciência, guardião da probidade interior, o adverte e sustenta; mas, muitas vezes, mostra-se impotente diante dos sofismas da paixão”. (O Evangelho Segundo o Espiritismo)


Entretanto, é através dessas batalhas que os Espíritos vão exercendo a sua transformação. Os resultados podem demorar a aparecer. Porém, por mais que sofra influências externas, terrenas e espirituais, nós (espíritos encarnados), devemos manter a luta que ocorre entre o dever moral e as tentações que existem dentro de si. Por isso, é preciso conhecermos a nós mesmo, para que assim, cumpramos todos os nossos deveres.


Para finalizar, onde começa e termina o nosso dever?

“O dever começa precisamente no ponto em que ameaçais a felicidade ou a tranquilidade do vosso próximo, e termina no limite que não desejaríeis ver transposto em relação a vós mesmos” (Espírito Lázaro, Evangelho Segundo o Espiritismo)


“O dever é o resumo prático de todas as especulações morais. É uma intrepidez da alma, que enfrenta as angústias da luta. É austero e dócil, pronto a dobrar-se às mais diversas complicações, mas permanecendo inflexível diante de suas tentações. O homem que cumpre o seu dever ama a Deus mais que as criaturas, e as criaturas mais que a si mesmo; é a um só tempo, juiz e escravo na sua própria causa.”


Fonte: Centro Espírita Batuíra

O Dever

 O Dever


No processo evolutivo do Espírito, quando este toma consciência da sua imortalidade,

das suas potencialidades e possibilidades, sente em si a vontade de modificar-se,

de transformar-se.


Encarnado na Terra, encontra as melhores oportunidades de trabalhar para realizar-se

nesse ideal.


O dever (o substantivo, não o verbo) constitui-se então, um aliado importantíssimo.


Segundo o dicionário, dever é “o conjunto das obrigações de alguém em absoluto

ou em determinada situação. Dever de: obrigação ou preceito de . Deveres para com

alguém: os serviços ou as provas de respeito e afeição que há obrigação de lhe prestar

ou dar.”


Na vida moderna, esta palavra, parece-nos pouco usada, talvez por significar

obrigação de ou para com, que fere nosso orgulho, nossa vaidade, nossa ânsia de

liberdade Todavia, em todo lugar onde haja pessoas relacionando-se, partilhando

de algo em comum ou, simplesmente próximas, existem deveres de uns para com os outros.


É a conscientização desse dever de e para com que consideramos fundamental para

quem está iniciando – e a maioria de nós está – sua transformação íntima.


Enquanto não conquistarmos o ideal de amar ao próximo como a nós mesmos, o que

nos levará a querer e fazer a ele tudo e somente o que queremos para nós, o cumprimento

dos deveres é um importante passo para nosso crescimento espiritual.


Na atualidade, em conseqüência do reconhecimento e aceitação da lei divina de

que somos todos iguais nos direitos e que ninguém pode dominar ou subjugar o outro

(homem, grupo ou nação), talvez seja necessário dar ênfase mais acentuada aos direitos

de cada um. Devemos sim, insistir no trabalho de respeito a eles em qualquer lugar,

em qualquer situação, seja esse um quem for.


Todavia, parece-nos que, em virtude da dificuldade e da má vontade dos homens

na vivência desse respeito e, consequentemente, da necessidade da defesa desses

direitos, talvez estejamos nos esquecendo que os direitos estão relacionados com

os deveres. E muitas vezes, os que mais gritam pelos seus direitos, não cumprem

seus deveres ou se esquecem de que estes também existem.


A nosso ver, o dever de e o dever para com são também conquistas do homem civilizado.

É o reconhecimento de que somos todos iguais perante a lei, assim como o somos perante

Deus. Estamos todos envolvidos em um mesmo processo de evolução individual e coletiva.


Há várias formas de dever, tão bem descritos por Léon Denis no livro “Depois

da Morte”: o dever para com Deus, na busca do conhecimento de suas leis e no esforço

de sua prática; dever para consigo mesmo, que consiste no respeito a si próprio

em governar-se com sabedoria e em querer sempre o que for útil, bom e belo; o dever

profissional, que exige o cumprimento consciencioso das obrigações, das funções

exercidas; os deveres familiares, que quanto melhor compreendidos e cumpridos, concorrem

para que a família seja de fato, um núcleo facilitador do desenvolvimento do amor

entre seus membros, irradiando-se para a comunidade.


Há tantos deveres… Nem sempre percebidos, analisados, compreendidos e cumpridos.

Porém, quanto mais evolui o homem em inteligência e moralidade, mais vai valorizando

os deveres e mais ele os realiza com prazer e desprendimento.


Enquanto existir em nós orgulho e egoísmo que nos impedem de amar verdadeiramente,

os deveres aceitos e cumpridos auxiliam-nos ( e quanto!) no desenvolvimento do amor

em nós.


Não me recordo se foi Emmanuel ou André Luís que escreveu em uma de suas mensagens,

que o dever nos faz parecer melhores do que somos.


Cumprindo nossos deveres, mesmo os que consideramos menos agradáveis ou mais

difíceis, aproximamo-nos mais das pessoas, o que nos leva a conhecê-las melhor e,

conhecendo-as com suas qualidades e defeitos, percebemo-las iguais a nós, almejando

também paz e felicidade.


Quantas vezes questionamo-nos através de ações positivas ou negativas de outras

pessoas, constatando em nós defeitos ou qualidades até então não percebidas! E nesse

exercício, vamos nos conhecendo melhor e com mais facilidade desenvolvendo as qualificações

intelectuais e morais que nos tornarão um dia, Espíritos sábios e bons.


No esforço do cumprimento dos deveres diversos, vamos desenvolvendo a disciplina,

sem a qual nenhuma conquista se faz, visto que ela se relaciona, intimamente, com

a vontade. Ter disciplina, ser disciplinado implica no uso da vontade de querer

conseguir algo.


Esforcemo-nos pois, em cumprir bem todos os nossos deveres, com discernimento

e disciplina afim de que, num dado momento, nos percebamos realizando-os com alegria

e prazer. Mais tarde – a auto-educação é lenta -, em novo estágio, eles deixarão

de ser deveres para serem ações espontâneas do amor em nós.


Parodiando André Luís em Sinal Verde, terminamos estas considerações: Quando

o homem cumpre seus deveres com alegria, eles se transformam na alegria do homem.


(Jornal Verdade e Luz Nº 189 de Outubro de 2001)

O Dever - Links

http://www.redeluzespirita.com.br/evangelho.asp?acao=1&registro=57 

https://kardecpedia.com/roteiro-de-estudos/887/o-evangelho-segundooespiritismo/2514/capitulo-xvii-sede-perfeitos/instrucoes-dos-espiritos/o-dever

https://cebatuira.org.br/estudos_detalhes.asp?estudoid=1040

https://www.eusemfronteiras.com.br/vida-e-dever/