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Estudando o Espiritismo
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sexta-feira, 1 de janeiro de 2016
O MOMENTO DA MORTE
Como o ser humano atravessa essa passagem difícil, de um para o outro mundo? Como se processa o fenômeno da desencarnação? Como atuam os Espíritos para livrar o Espírito desencarnante dos laços do corpo físico, e como este se comporta, de modo geral, nesse episódio decisivo?
Vamos, pois, com a ajuda do que os Espíritos já nos revelaram, estudar o ato da desencarnação, esse momento tão temido e incompreendido da morte do corpo físico.
O Espírito de Frederico Fígner, que se identificou sob o pseudônimo de Irmão Jacob em seu livro Voltei, psicografado por Francisco Cândido Xavier, 6 edição FEB, nos deixou um extraordinário relato de sua passagem para o mundo espiritual, enfrentando a contingência da morte, e é dessa obra monumental que vamos retirar os maiores subsídios para a informação de nossos queridos leitores. Conta ele:
“Todos nós, que estudamos o Espiritismo, consagrando-lhe as forças do coração, somos comumente assediados pela idéia da morte.
“ Como se opera a desencarnação? Que forças atuam no grande momento? De vez em quando, abordamos a experiência de pessoas respeitáveis e concluímos pela expectativa indagadora.
“Por minha vez, lera descrições e teses preciosas, relativamente ao assunto, inclusive Bozzano e André Luiz. Desse último, recolhera informações que me sensibilizaram profundamente. Pouco antes de abrigar-me no leito de morte, meditara-lhe as narrativas acerca da desencarnação de alguns companheiros (Obreiros da Vida Eterna) e, perante os sintomas que me assaltavam, não tive qualquer dúvida. Aproximava-se o fim do corpo.”
“Entrara nas vésperas da total exoneração, quanto aos deveres terrestres. Via-me prestes a deixar o ninho planetário que me abrigara por dilatados anos...
“A que porto demandaria?
“Recordando as experiências do investigador De Rochas, identificava-me em singulares processos de desdobramento.
“Recluso, na impossibilidade de receber os amigos para conversações e entendimentos mais demorados, em várias ocasiões me vi fora do corpo exausto, buscando aproximar-me deles.
“Nas últimas trinta horas, reconheci-me em posição mais estranha. Tive a idéia de que dois corações me batiam no peito. Um deles, o de carne, em ritmo descompassado, quase a parar, como relógio sob indefinível perturbação, e o outro pulsava, mais equilibrado, mais profundo...
“A visão comum alterava-se. Em determinados instantes, a luz invadia-me em clarões subtâneos, mas, por minutos de prolongada duração, cercava-me densa neblina.
“O conforto da câmara de oxigênio não me subtraía as sensações de estranheza.
“Observei que frio intenso veio ferir-me as extremidades. Não seria a integral extinção da vida corpórea?
“Procurei acalmar-me, orar intimamente e esperar. Após sincera rogativa a Jesus para que me não desamparasse, comecei a divisar à esquerda a formação de um depósito de substância prateada, semelhante a gaze tenuíssima...
“Não poderia dizer se era dia ou se era noite em torno de mim, tal o nevoeiro em que me sentia mergulhado, quando notei que duas mãos caridosas me submetiam a passes de grande corrente. À medida que se desdobravam, de alto a baixo, detendo-se com particularidade no tórax, diminuíam-se-me as impressões de angústia. Lembrei, com força, o Irmão Andrade, atribuindo-lhe o benefício, e implorei-lhe mentalmente se fizesse ouvir, ajudando-me.
“Qual se estivesse sofrendo melindrosa intervenção cirúrgica, sob máscara pesada, ouvi alguém a confortar-me: “Não se mexa! Silêncio! Silêncio!...”
“Concluí que o término da resistência orgânica era questão de minutos.
“Não se estendeu o alívio, por muito tempo.
“Passei a registrar sensações de esmagamento no peito.
“As mãos do passista espiritual concentravam-se-me agora no cérebro. Demoraram-se, quase duas horas, sobre os contornos da cabeça. Suave sensação de bem-estar voltou a dominar-me, quando experimentei abalo indescritível na parte posterior do crânio. Não era uma pancada. Semelhava-se a um choque elétrico, de vastas proporções, no íntimo da substância cerebral. Aquelas mãos amorosas, por certo, haviam desfeito algum laço forte que me retinha ao corpo de carne...
“Senti-me, no mesmo instante, subjugado por energias devastadoras.
“A que comparar o fenômeno?
“A imagem mais aproximada é a de uma represa, cujas comportas fossem arrancadas repentinamente.
“Vi-me diante de tudo o que eu havia sonhado, arquitetado e realizado na vida. Insignificantes idéias que emitira, tanto quanto meus atos mínimos, desfilavam, absolutamente precisos, ante meus olhos aflitos, como se me fossem revelados de roldão, por estranho poder, numa câmara ultra-rápida instalada dentro de mim. Transformara-se-me o pensamento num filme cinematográfico misteriosa e inopinadamente desenrolado, a desdobrar-se, com espantosa elasticidade, para seu criador assombrado, que era eu mesmo.
“No trabalho comparativo a que era constrangido pelas circunstâncias, tive a idéia de que, até aquele momento, havia sido o construtor de um lago cujas águas crescentes se constituíam de meus pensamentos, palavras e atos e a cuja tona minha alma conduzia a seu talante o barco do desejo; agora, que as águas se transportavam comigo de uma região para outra, via-me no fundo, cercado de minhas próprias criações.
“Não tenho, por enquanto, outro recurso verbal para definir a situação. Recordei o livro de Bozzano (A Crise da Morte), em que ele analisa o comportamento dos moribundos; entretanto, sou forçado a asseverar que todas as narrações que possuímos, nesse sentido, comentam palidamente a realidade.
“Observando-me relegado às próprias obras, senti-me sozinho e amedrontado. Esforcei-me por gritar, implorando socorro, porém os músculos não mais me obedeceram.
“Busquei abrigar-me na prece, mas o poder de coordenação escapava-me.
“Não conseguiria precisar se eu era um homem a morrer ou um náufrago a debater-se em substância desconhecida sob extenso nevoeiro.
“Naquele intraduzível conflito, lembrei mais insistentemente o dever de orar nas circunstâncias mais duras... Rememorei a passagem evangélica em que Jesus acalma a tempestade, perante os companheiros espavoridos, rogando ao Céu salvação e piedade...
“Forças de auxílio dos nossos protetores espirituais, irmanados à minha confiança, sustaram as perturbações. Braços vigorosos, não obstante invisíveis para mim, como que me reajustavam no leito. Aflição asfixiante, contudo, oprimia-me o íntimo. Ansiava por libertar-me. Chorava conturbado, jungido ao corpo desfalecente, quando tênue luz se fez perceptível ao meu olhar. Em meio do suor copioso lobriguei minha filha amada a estender-me os braços. Estava linda como nunca. Intensa alegria transbordava-lhe do semblante calmo. Avançou, carinhosa, enlaçou-me o busto e falou-me, terna, aos ouvidos:
“– “Agora, paizinho, é necessário descansar.”
“Tentei movimentar os braços de modo a retribuir-lhe o gesto de amor, mas não pude erguê-los. Pareciam guardados sob uma tonelada de chumbo.
“O pranto de júbilo e reconhecimento, porém, correu-me abundante dos olhos. Quem era Marta, naquela hora, para mim? Minha filha ou minha mãe? Difícil responder. Sabia apenas que a presença dela representava o mundo diferente, em nova revelação. E entreguei-me, confiado, aos seus carinhos, experimentando felicidade impossível de descrever.”
“Amparado à Marta, intentei proclamar o júbilo que me dominava, fazendo-me ouvido em alta voz. Todavia, os membros jaziam inteiriçados e os órgãos da fala em descontrole.
“Não tinha perfeito conhecimento da posição em que os familiares se moviam. Meus olhos demoravam-se perturbados. Sensação de esmagamento percorria-me todo; no entanto, que pedir além daquela infinita ventura que o devotamento filial me proporcionava?
“Tentei alinhar idéias a fim de agradecer a intervenção da filha querida; contudo, não consegui.
“Percebendo-me as dificuldades, Marta afagou-me a fronte e falou, meiga:
“– “Os nossos benfeitores desatam os últimos elos. Enquanto isto façamos nossa oração.”
“Não me seria possível, naqueles minutos, enfileirar pensamentos e muito menos enunciar qualquer frase. Tinha a respiração apressa, como nos derradeiros dias de luta no corpo físico. Com alegria, no entanto, via a filha elevar-se ao alto, repetindo em voz pausada e comovedora as expressões do salmo 23, ampliando-lhes o sentido:
“(....) À medida que sua voz pronunciava o texto antigo multiplicando-me as lágrimas abundante e espontâneas, dores cruéis me assaltavam a região toráxica.
“Vim saber, mais tarde, que aqueles sofrimentos provinham da extração de resíduos fluídicos que ainda me enlaçavam à zona do coração.
Perdoe-nos o amigo leitor cortar o fluxo de tão importante depoimento, mas é preciso destacar essa circunstância da ocorrência de dor no processo de desencarnação, ou melhor, no desligamento do Espírito, pois nos parece ser crença geral de que o processo é indolor, já que o corpo físico, estando em completo aniquilamento, não tem mais condições de levar sensações ao cérebro onde realmente a dor se reflete.
Seria o caso de que a dor mencionada pelo autor era sentida no corpo espiritual? Pensamos ser o mais provável, pois sendo o perispírito um organismo de igual estrutura do corpo físico deve padecer dessas sensações doloridas.
Mas prossigamos no conhecimento dessa experiência fantástica do autor espiritual que veio, assim, nos dar subsídios valiosíssimos para o nosso entendimento acerca do fenômeno da morte.
“Finda a prece, que ouvi sob indizível angústia, percebendo a manifesta intenção da filha que assim procedia buscando isolar-me o pensamento da intervenção a que me achava submetido, notei que as dores se faziam menos rudes. Ela permaneceu amorosamente inclinada para mim, por mais de uma hora, em silêncio.
“Temia falar, provocando fenômenos desagradáveis, e, ao que me pareceu, Marta me partilhava os receios.
“Um momento chegou, entretanto, no qual a respiração se fez equilibrada e verifiquei que o coração me batia, uniforme e regular, no peito.
“ Através do olhar, supliquei à filha, sem palavras, reforças-se o socorro que minha situação estava exigindo.
"Vi-a movimentar cuidadosamente o braço direito e, em seguida, passar a destra repetidamente sobre minha cabeça exausta. Reparei que me aplicava forças espirituais que eu ainda não podia compreender.
“Mais alguns minutos decorridos e percebi que o poder de orar me felicitava de novo. Encadeava os pensamentos sem maiores dificuldades e, na convicção de que poderia tentar a prece com êxito, improvisei sincera súplica.
“O trabalho foi bem sucedido. A harmonia geral começou a refazer-me, embora a fraqueza extrema que me possuía.
“Notei que, de Marta para mim, vinham fagulhas minúsculas de luz, em porção imensa, a envolverem-me todo, ao passo que me vi agora cercado de atmosfera francamente iluminada em tom de laranja.
“A respiração processava-se normalmente. A carência de ar desaparecera.
eus pulmões revelavam-se robustecidos, como por encanto, e tanto bem me faziam as inalações prolongadas de oxigênio que tive a impressão de haurir alimento invisível, do ar leve e puro.
“Restabelecendo-se-me a força orgânica, fortificava-se a potência visual.
“A claridade alaranjada que me revestia casava-se à luz comum.
"A melhora experimentada, porém, não ia ao ponto de restaurar-me a disposição de falar. O abatimento era ainda insuperável.
“Assombrado, vi-me em duplicata.
“Eu, que tantas vezes exortara os desencarnados a contemplarem os despojos de que já se haviam desvencilhado, fixei meu corpo a enrijecer-se, num misto de espanto e de amargura.
Vamos abrir mais um parêntese para anotarmos o modo espontâneo que o corpo espiritual do morto desligou-se do corpo físico, e a rapidez desse desligamento, que, em certos casos, como o que vamos relatar adiante, exigem um processo muito diferente.
“Fitei minha filha, com suplicante humildade, imitando o gesto da criança medrosa. Encontrava-me prostrado, vencido. Não me assistia qualquer razão de revolta; contudo, se possível, desejaria afastar-me. A contemplação do corpo imóvel, não obstante aguçar-me o propósito de observar e aprender, era-me aflitiva. O cadáver perturbava-me com as sugestões da morte, impunha reflexões desagradáveis e amargas. A distância dele, provavelmente a idéia de vida e eternidade prevaleceria dentro de mim.
“Marta entendeu o que eu não podia dizer. Fez-se mais terna e explicou-me:
"– Tenha calma, papai. Os laços não se desfizeram totalmente. Precisamos paciência por mais algumas horas.”
“Alongando o raio de meu olhar, verifiquei a existência de prateado fio, ligando-me o novo organismo à cabeça imobilizada.
“Torturante emoção apossou-se de mim.
“Eu seria o cadáver ou o cadáver seria eu? Por intermédio de que boca pretendia falar? da que se fechara no corpo ou da que me serviria agora? Através de que ouvidos assinalava as palavras de Marta?
“Intentando ver pelos olhos mortos, senti-me atirado novamente a espesso nevoeiro.
“Assustado, soergui-me mentalmente.
“Aquele grilhão tênue a unir-me com os despojos era bem um fio de forças vivas, jungindo-me à matéria densa, semelhando-se ao cordão umbilical que liga o nascituro ao seio feminino. Fitando, então, o corpo repousado e inerte, simbolizando o templo materno ao meu ser que ressurgia na espiritualidade, recordei, certamente inspirado pelos amigos que ali me socorriam, a enormidade de meus débitos para com a carcaça que me retivera no Planeta por extensos e abençoados anos. Devia-lhe à cooperação precioso amontoado de conhecimentos, cujo valor inestimável naquela hora reconhecia. Cabia-me vencer o mal-estar e a repugnância.
“Tranquilizei-me. Comecei a considerar o corpo, mirrado e frio, como valioso companheiro do qual me afastaria em definitivo. Enquanto perdurou a nossa entrosagem, beneficiara-me ao contato da luta humana. Junto dele, recolhera benções inextinguíveis. Sem ele, por que processo continuaria o aprendizado? Fixei-o, enternecido, mas, aumentando o meu interesse pela organização de carne, imóvel, incapaz de separar emoções e selecioná-Ias, afundei-me nas impressões de angústia. Minhas energias pareciam retransferir-se, aceleradamente, ao envoltório abandonado. Insuportável constrangimento martirizava-me. Percebi os conflitos da carne desgovernada. A diferença apresentada pelos órgãos impunha-me terrível desagrado.
“Registrando-me as dificuldades, Marta informou bondosamente:
“– “Lembre-se, paizinho, da necessidade de concentração na prece. Não divague. Esqueça a experiência que terminou, sustentando a mente em oração.”
“A custo, retornei a mim mesmo e me mantive no recolhimento necessário.
“Meu objetivo, agora, era não pensar.
“Se avançava no futuro, estranhas vertigens me assediavam; se me demorava analisando o veículo físico, vigoroso e inesperado impulso me reconduzia para ele.
“Que fazer de mim, reduzido a minúsculo ponto sensível entre duas esferas?
“Aquietei-me e orei.
“Rogando a Jesus me auxiliasse a encontrar o melhor caminho, observei que minha capacidade visual se dilatava. Curiosos fenômenos de óptica afetavam-me a retina hesitante. Alterara-se-me a noção de perspectiva. A imagem do ambiente parecia penetrar-me. Objetos e luzes permaneciam dentro de mim ou jaziam em derredor? Dentro de semelhante indecisão, divisei duas figuras ladeando a filha dedicada.
“Centralizei quanto possível o propósito de ver, mais exatamente, e tive o esforço compensado.
“Ambos os presentes se destacaram nítidos. “Que alegria me banhou o ser!
“Num deles, identifiquei, sem obstáculos, o venerável Bezerra de Menezes e, no outro, adivinhei o benemérito Irmão Andrade. Pelo sorriso de compreensão que me endereçaram, reconheci que os dois me haviam notado a surpresa indescritível. “Todavia, meu júbilo do primeiro instante foi substituído pela timidez. Enquanto nos debatemos na lida material, quase nunca nos recordamos de que somos seguidos pelo testemunho do plano espiritual, nos mínimos atos da existência. Falamos, com referência aos Espíritos, com a desenvoltura das crianças que se reportam aos pais a propósito de insignificantes brinquedos. Senti-me repentinamente envergonhado.
“Quantos sacrifícios exigira daqueles abnegados amigos?
“Apesar do natural acanhamento que a presença deles me infligia, tudo fiz por levantar-me, de modo a recebê-los com a veneração que mereciam. Tentei, porém, debalde erguer-me.
“Percebendo-me a intenção, abeiraram-se de mim.
“Cumprimentaram-me com palavras confortadoras de boas-vindas.
“Com gentileza, explicou-me Bezerra que o processo liberatório corria normal, que me não preocupasse com as delongas, porque a existência que eu desfrutara fora dilatada e ativa. Não era possível - disse, bondoso - efetuar a separação do organismo espiritual com maior rapidez. Esclareceu também que o ambiente estava impregnado de certa substância que classificou por “fluidos gravitantes”, desfavorecendo-me a libertação.
“Mais tarde, vim a perceber que os objetos de nosso uso pessoal emitem radiações que se casam às nossas ondas magnéticas, criando elementos de ligação entre eles e nós, reclamando-se muito desapego de nossa parte, a fim de que não nos prendam ou perturbem.
“ Após instruir-me, benévolo, recomendou-me Bezerra esquecesse o retraimento em que me refugiara, confiando-me a pensamentos mais elevados, de maneira a colaborar com ele para que me subtraísse ao decúbito dorsal.
“Pus-me a refletir na infinita bondade de Jesus, enquanto o dedicado amigo me aplicava passes, projetando sobre mim, com as mãos dadivosas, abundantes jatos de luz.
“Ao término da operação, acentuara-se-me a resistência.
“A rigor, não pude levantar-me, nem falar. Ambos os benfeitores, porém, seguidos de Marta, que nos observava com visíveis mostras de contentamento, retiraram-me do leito, determinando que me amparasse a eles para uma jornada de repouso.
“– “É necessário sair de algum modo - acentuou Bezerra, em tom grave -, conduzi-lo-emos à praia. As vibrações marítimas serão portadoras de grande bem ao reajustamento geral.”
“Abracei-me aos devotados obreiros da caridade, com esforço e, não obstante verificar que o derradeiro laço ainda me atava às vísceras em descontrole, afastei-me da zona doméstica, reparando que eu era por eles rapidamente conduzido à beira-mar.
“A excursão, embora de alguns passos somente, apesar de realizada com o auxílio de energias alheias, agravou-me o abatimento. Contudo, não perdera o gosto de observar, tamanhas as surpresas que se sucediam.
Recordando a ansiedade com que sempre aguardara na Terra as descrições do momento da morte, por parte de companheiros que me haviam antecedido, buscava fixar todas as particularidades da situação, na esperança de transmitir notícias aos irmãos da retaguarda.
“Aquele contacto inesperado com a Natureza impunha-me, porém, singular renovação. Os remanescentes das dores físicas desapareceram. A ausência de certas impressões desagradáveis ampliava-me a apatia. Achava-me intensamente aliviado, conquanto mais fraco.
“Irresistível desejo de dormir assaltou-me.
“Bezerra, Andrade e Marta eram benfeitores e expressavam a vida diversa em que eu penetraria doravante. Com certeza, guardariam mil informações preciosas que eu esperava, curioso e feliz, mas, como vencer o sono a pesar-me no cérebro?
Extenuado, vacilante, notei que não envergava as mesmas peças que usava habitualmente no leito. Envolvia-me vasto roupão claro, de convalescente.
“Tentei indagar; entretanto, a fraqueza dos órgãos vocais prosseguia sem variações. Era preciso aceitar os recursos quais se me ofereciam. Não adiantava qualquer interrogação. Indispensáveis a serenidade e a paciência.
“Perante o mar, diferençava-se-me a posição orgânica. Aquelas bafagens de ar fresco, que eu recebia encantado, regeneravam-me as forças. Pareciam portadoras de alimento invisível. Inalando-as, permanecia singularmente sustentado, como se houvera sorvido caldo substanciosa.
“Marta, agora sentada, oferecera-me o regaço acolhedor, acariciando-me a fronte.
“Notei que o irmão Andrade comentava as virtudes do mar no reerguimento das energias do perispírito. Referia-se a casos repetidos de socorro a irmãos recém-desencarnados, conduzidos com êxito à frente das águas.
“Desenvolvia o máximo esforço para registrar-lhe as impressões, quando o benemérito amigo me dirigiu a palavra, cuidadoso, aconselhando-me o sono pacifico e restaurador.
“Não deveria reagir contra o repouso – disse-me fraternal –, e acrescentou que não convinha sacrificar necessidades da alma à curiosidade, embora nobre. Teria tempo para observar e aprender muito e, pelo menos durante algumas horas, não poderia furtar-me ao descanso imprescindível.
“Compreendi o alcance do conselho e obedeci. Entreguei-me sem resistência e perdi a noção de espaço e tempo no sono abençoado e reparador.
“Despertando, dia alto, não podia precisar o tempo curto em que repousara.
Continuava a filha ao meu lado, mas de ambos os benfeitores não havia sinal. Notificou-me Marta que se haviam ausentado, porém não tardariam. Confiaram-me a ela, enquanto me aquietara; contudo estariam junto de mim, em breves minutos.
“Sentia-me outro homem. Movimentei os braços e ergui-me sem dificuldade. Tentei falar, e que alegria experimentei! Entendi-me com a filha querida, à vontade. Explicou-me que eu não havia repousado quanto seria de desejar e que voltaria ao descanso na primeira oportunidade. Indagou, em seguida, se me achava amedrontado, e, como lhe demonstrasse a firmeza de ânimo que me possuía, cientificou-me de que Bezerra, em breves minutos, cortaria os derradeiros laços que me retinham ainda, de certa forma, aos envoltórios carnais, consultando-me, ao mesmo tempo, se me não inspiraria temor assistir, de algum modo, ao enterramento dos meus despojos.
“Respondi-lhe com o meu interesse. Tudo o que eu pudesse aprender de novo representaria enriquecimento de observação.
“Em verdade, animavam-me outras disposições. Guardava a idéia de haver rejuvenescido. Toquei meu veículo novo. Eu era o mesmo, dos pés à cabeça. Coração e pulmões funcionavam regulares. Fascinava-me, porém, acima de tudo, o novo aspecto da paisagem. Casas, vegetação e o próprio oceano pareciam coroados de substância colorida. Que sugestões surpreendentes em torno! A claridade solar, em derredor, revelava maravilhosos cambiantes.
“Informou-me Marta de que enquanto a nossa mente funciona, sob determinadas condições, vemos somente alguns aspectos do mundo; e porque eu interrogasse se todos os desencarnados se surpreendiam com as visões que me encantavam os olhos, respondeu negativamente. Muitos libertos da disciplina física – esclareceu – conservam tão fortes ligações com os interesses humanos que a visão não se lhes modifica, de pronto, e prosseguem vendo a Terra, nas mesmas expressões em que a deixaram.
“Era prodigioso o quadro!
“Senti forte impulso de prosternar-me, em sinal de reconhecimento à Majestade Divina.
“Tão grande leveza caracterizava agora o meu organismo que, contemplando, enlevado, as águas próximas, nelas adivinhei pesadíssimo elemento. Pensei concomitantemente que, se eu tentasse, talvez conseguisse caminhar sobre as ondas líquidas, aureoladas, ao meu olhar, de sublime coloração.
“Registrando-me o ânimo, a querida filha mostrou-se satisfeita. Desde o primeiro momento de nosso reencontro, Marta revelava ansiedade de ver-me tranquilo e contente.
“Dispúnhamo-nos a deixar o abrigo a que nos refugiáramos, quando percebi que me encontrava em trajes impróprios. Arraigado à idéia de que seria visto por amigos encarnados, não ocultei um gesto de aborrecimento.
“À distância do leito, aquele roupão alvo não deixava de ser escandaloso.
“Marta que me seguia as reflexões, sorridente, vestia-se com apurado gosto.
“Ia expor-lhe os receios que me assaltavam, quando se adiantou, asseverando que as preocupações do momento me atestavam as melhoras.
“– Um homem desalentado não pensa em roupa – disse-me alegremente.
“Acrescentou que Bezerra e o Irmão Andrade não se demorariam e que a solução do problema fora prevista na véspera.
“De fato, transcorridos alguns minutos, chegaram, atenciosos. A possibilidade de endereçar-lhes a palavra encheu-me de imenso júbilo. Abracei-os reconhecidamente.
“Trouxeram-me um costume cinza, muito semelhante aos que eu aí preferia no verão.
“O Irmão Andrade ajudou-me a vesti-lo.
“Mais alguns instantes e, entre os dois benfeitores que me amparavam lado a lado, oferecendo-me os braços, afastamo-nos da praia.
“Enorme o movimento nas vias públicas. A mesma diferença que assinalara no mar, nas plantas e no casario, notava nas pessoas. Cada qual se revestia de halo diferente. Não me sentia, contudo, disposto a formular indagações. Assombrava-me com a locomoção própria e esse problema naturalmente solucionado bastava, por enquanto, à minha capacidade de analisar. Andava, sem grande desenvoltura; todavia, a lentidão de meus passos obedecia à inexperiência e não a qualquer impedimento por parte do corpo, que reconhecia leve e ágil.
“Aproveitaria o momento para acentuar observações nesse sentido, quando apressada senhora, sobraçando embrulho de vastas proporções, investiu indiferentemente contra nós.
“Grande foi o abalo para mim. Recuei, num movimento instintivo, temendo o atrito, mas não houve tempo. A dama atravessou-nos o grupo, sem dar conta de nossa presença.
“Assustado, procurei o olhar dos companheiros. Todos me fitavam sorridentes.
“– Este, meu caro Jacob – falou Bezerra, bem-humorado –, é o novo plano de matéria, que vibra em graduação diferente.
“– Passou por nós, sem perturbar-nos – exclamei.
“– Por nossa vez, não a perturbamos também – acentuou o irmão Andrade, satisfeito.
“O incidente chocara-me. Via-me perfeitamente integrado no antigo patrimônio orgânico.
“– Não estaremos num corpo de ilusão? – ousei interrogar. Bezerra esclareceu, delicado:
“– O poder da vida, na ilimitada Criação de Deus, é infinito, e a mulher que passou despercebidamente por nós, cujo veículo de carne caminha para a morte, poderia fazer a mesma pergunta.
“A pequena ocorrência dava-me bastante material à reflexão. Gostaria de trocar comentários e propor questões diversas; todavia, o meu abatimento ainda era grande.
“Deixei-me, pois, conduzir sem relutância, de imprevisto a imprevisto.”
“(....) Em muitas ocasiões colaborei nos serviços de socorro aos recém-desencarnados, mormente nas preces memorativas, mas estava longe de calcular as lutas de um “morto”.
“Amargurado e aflito, qual me achava, ponderei os sofrimentos dos que abandonaram a experiência física sem qualquer preparação. Se eu, que consagrara longos anos aos estudos espiritualistas, encontrava óbices tão grandes, que não ocorreria aos homens comuns, que não cogitam dos problemas relativos à alma? Ali, à frente de meus próprios amigos, sentia-me num torvelinho de contraditórias sensações. Para quem apelar?
“Marta afagou-me a cabeça exausta e pediu-me calma. Esclareceu que as dificuldades eram justas. Muita gente se despede do mundo carnal sem obstáculos e sem desagradáveis incidentes. Inúmeras almas dormem longuíssimos sonos, outras nada percebem, na inconsciência infantil em que vazam as impressões. Comigo, porém, a situação se modificava. Adestrara a mente para enfrentar a grande transição, no campo de serviço ativo a que me dedicara. Convivera com os problemas do espírito, durante muito tempo, em esforço diário. Fizera relações extensas entre encarnados e desencarnados. E não poderia evitar que perante o corpo inerte se concentrassem manifestações mentais heterogêneas. Nem todos os pensamentos ali congregados traduziam amor e auxílio fraternais. As opiniões a meu respeito divergiam entre si, formando correntes de força menos simpáticas. Alguns conhecidos me atiravam flores que eu não merecia, ao passo que outros me crivavam de espinhos dilacerantes. Situava-me, pois, num quadro de impressões complexas.
“As informações procediam da filha querida, em suaves esclarecimentos.
“Acrescentou que não devia preocupar-me em excesso. A perturbação era passageira. Quando se dispersassem as atenções centralizadas no funeral, respiraria contente.
“Contrafeito, registrei as explicações, meditando no ensinamento que recebia.
“A vida real para mim, agora, era a do espírito, a que recomeçava com a extinção da carcaça física.
“Que desejo experimentei de materializar-me diante de todos, rogando a esmola da oração sincera! Como suspirei pela concessão de uma oportunidade de solicitar desculpas pelas minhas fraquezas! Se os amigos presentes me esquecessem os erros humanos e me auxiliassem com a prece, naturalmente o equilíbrio me beneficiaria imediatamente. Vigorosos recursos me sustentariam o coração. Mas, era tarde para ensinar atitudes íntimas, de caridade e perdão.
“Pensei nos que haviam partido, antes de mim, experimentando as aflições que me assaltavam, e consolei-me. E não me esqueci de que os encarnados a ajuizarem com tanta facilidade, relativamente à minha situação, também seriam chamados, depois, à verdade espiritual, tanto quanto ocorria a mim mesmo.
“Não me cabia reagir inutilmente por intermédio da angústia. O tempo é o nosso abençoado renovador.
“Mais alguns instantes escoaram difíceis, quando inopinado abalo me revolveu o ser. Supus haver sido projetado a enorme distância. O Irmão Andrade e Marta, naturalmente prevenidos, ampararam-me com mais força.
“Confesso que o choque me assaltou com tão grande violência que julguei chegado o momento de “outra morte”.
“Dentro em pouco, no entanto, o coração se refez, equilibrou-se a respiração e Bezerra surgiu, sorridente, a indagar se o desligamento ocorrera normal.
“Abraçaram-me os três, satisfeitos.
“Explicou-me o respeitável benfeitor que, até ali, meu corpo espiritual fora como que um “balão cativo”, mas doravante disporia de real liberdade interior. Pensaria com clareza, movimentar-me-ia sem obstáculos e deteria faculdades mais precisas.
“Com efeito, não obstante sentir-me enfraquecido e sonolento, guardava mais segurança. Meus olhos e ouvidos, principalmente, registravam imagens e sons, com relativa exatidão. As perturbações da hora não me afetavam com a intensidade de minutos antes.
“Esclareceu Bezerra que, na maioria dos casos, não seria possível libertar os desencarnados tão apressadamente, que a rápida solução do problema liberatório dependia, em grande parte, da vida mental e dos ideais a que se liga o homem na experiência terrestre. Recomendou-me observar por mim mesmo as transformações de que era objeto.
“Examinei-me, com atenção, e reparei efetivamente que, no íntimo, me achava fortalecido e remoçado, sem a carga de mazelas fisiológicas.
“Conseguia locomover-me sem auxílio, embora imperfeitamente. Inalava o ar com alegria e Marta notou que meu júbilo seria maior e minha sensação de leveza mais fascinante, quando eu pudesse respirar o oxigênio de cima, qual nadador que bebe a água cristalina da corrente purificada, distante do tisnado líquido das margens.
“Francamente, a morte do corpo fora milagroso banho de rejuvenescimento. Sentia-me alegre, robusto e feliz.
“Readquirindo minhas possibilidades de analisar com exatidão, passei a refletir nos problemas de ordem material.
“Como se fixaria o futuro doméstico? Que providências mobilizar a benefício de todos? Tais indagações como que me requisitavam a mente a plano diverso.
“Faleciam-me as forças de novo.
“Bezerra percebeu o que se passava, bateu-me nos ombros amigavelmente, e aconselhou:
“– Você conhece agora, mais que nunca, o poder do pensamento. Procure o Alto.
“Compreendi a referência e modifiquei-me interiormente.”
Como se vê, é um extraordinário relato de todo o processo de desencarnação, de onde excluímos a fase do velório e do enterramento, para nos fixar tão-somente no fato da desencarnação em si.
Naturalmente, esse processo pelo qual passou o autor não se constitui em padrão, em modelo comum de desencarnação, Sabemos que não há uma igual a outra, variando de acordo com a elevação do Espírito e as circunstâncias da morte.
Vamos a seguir transcrever um outro fato que está descrito no livro Obreiros da Vida Eterna, psicografada por Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito André Luiz, 18 edição FEB, e que mostra características bem diversas:
“– Não convém que Dimas fale, agora, aos parentes. Formularia, talvez, solicitações descabidas.
“Indicou o desencarnante e comentou, sorrindo;
“– Noutro tempo, André, os antigos acreditavam que entidades mitológicas cortavam os fios da vida humana. Nós somos Parcas autênticas, efetuando semelhante operação...
“E porque eu indagasse, tímido, por onde iríamos começar, explicou-me o orientador:
"– Segundo você sabe, há três regiões orgânicas fundamentais que demandam extremo cuidado nos serviços de liberação da alma: o centro vegetativo, ligado ao ventre, como sede das manifestações fisiológicas; o centro emocional, zona dos sentimentos e desejos, sediado no tórax, e o centro mental, mais importante por excelência, situado no cérebro.
“Minha curiosidade intelectual era enorme. Entendendo, porém, que a hora não comportava longos esclarecimentos, abstive-me de indagações.
“Jerônimo, todavia, gentil como sempre, percebeu-me o propósito de pesquisa e acrescentou:
“– Noutro ensejo, André, você estudará o problema transcendente das várias zonas vitais da individualidade.
“Aconselhando-me cautela na ministração de energias magnéticas à mente do moribundo, começou a operar sobre o plexo solar, desatando laços que localizavam forças físicas. Com espanto, notei que certa porção de substância leitosa extravasava do umbigo, pairando em torno. Esticaram-se os membros inferiores, com sintomas de esfriamento.
“Dimas gemeu, em voz alta, semi-inconsciente.
“Acorreram amigos, assustados. Sacos de água quente foram-lhe apostas nos pés. Mas, antes que os familiares entrassem em cena, Jerônimo, com passes concentrados sobre o tórax, relaxou os elos que mantinham a coesão celular no centro emotivo, operando sobre determinado ponto do coração, que passou a funcionar como bomba mecânica, desreguladamente. Nova cota de substância desprendia-se do corpo, do epigastro à garganta, mas reparei que todos os músculos trabalhavam fortemente contra a partida da alma, opondo-se à libertação das forças motrizes, em esforço desesperado, ocasionando angustiosa aflição ao paciente. O campo físico oferecia-nos resistência, insistindo pela retenção do senhor espiritual.
“Com a fuga do pulso, foram chamados os parentes e o médico, que ocorreram, pressurosos. No regaço maternal, todavia, e sob nossa influenciação direta, Dimas não conseguiu articular palavras ou concatenar raciocínios.
“Alcançáramos o coma, em boas condições.
“O Assistente estabeleceu reduzido tempo de descanso, mas volveu a intervir no cérebro. Era a última etapa. Concentrando todo o seu potencial de energia na fossa romboidal, Jerônimo quebrou alguma coisa que não pude perceber com minúcias, e brilhante chama violeta-dourada desligou-se da região craniana, absorvendo, instantaneamente, a vasta porção de substância leitosa já exteriorizada. Quis fitar a brilhante luz, mas confesso que era difícil fixá-la, com rigor. Em breves instantes, porém, notei que as forças em exame eram dotadas de movimento plasticizante. A chama mencionada transformou-se em maravilhosa cabeça, em tudo idêntica à do nosso amigo em desencarnação, constituindo-se, após ela, todo o corpo perispiritual de Dimas, membro a membro, traço a traço. E, à medida que o novo organismo ressurgia ao nosso olhar, a luz violeta-dourada, fulgurante no cérebro, empalidecia gradualmente, até desaparecer, de todo, como se representasse o conjunto dos princípios superiores da personalidade, momentaneamente recolhidos a um único ponto, espraiando-se, em seguida, através de todos os escaninhos do organismo perispirítico, assegurando, desse modo, a coesão dos diferentes átomos, das novas dimensões vibratórias.
“Dimas - desencarnado elevou-se alguns palmos acima de Dimas - cadáver, apenas ligado ao corpo através de leve cordão prateado, semelhante a sutil elástico, entre o cérebro de matéria densa, abandonado, e o cérebro de matéria rarefeita do organismo liberto.
“A genitora abandonou o corpo grosseiro, rapidamente, e recolheu a nova forma, envolvendo-a em túnica de tecido muito branco, que trazia consigo.
“(....) – Minha irmã pode conservar o filho à vontade até amanhã, quando cortaremos o fio derradeiro que o liga aos despojos, antes de conduzi-la a abrigo conveniente. Por enquanto, repousará ele na contemplação do passado, que se lhe descortina em visão panorâmica no campo interior. Além disso, acusa debilidade extrema após o laborioso esforço do momento. Por essa razão, somente poderá partir, em nossa companhia, findo o enterramento dos envoltórios pesados, aos quais se une ainda pelos últimos resíduos.”
(...) “Duas horas antes de organizar-se o cortejo fúnebre, estávamos a postos.
“A residência de Dimas enchia-se de pessoas gradas, além de apreciável assembléia de entidades espirituais.
“Jerônimo, resoluto, penetrou a casa, seguido de nós outros. Encaminhou-se para o recanto onde o recém-desencarnado permanecia abatido e sonolento, sob a carícia materna. Reparei que o médium liberto tinha agora o corpo perispiritual mais aperfeiçoado, mais concreto. Tive a nítida impressão de que através do cordão fluídico, de cérebro morto a cérebro vivo, o desencarnado absorvia os princípios vitais restantes do campo fisiológico. Nosso dirigente contemplou-o, enternecido, e pediu informes à genitora, que os forneceu, satisfeita:
“– Graças a Jesus, melhorou sensivelmente. É visível o resultado de nossa influência restauradora e creio que bastará o desligamento do último laço para que retome a consciência de si mesmo.
“Jerônimo examinou-o e auscultou-o, como clínico experimentado. Em seguida, cortou o liame final, verificando-se que Dimas, desencarnado, fazia agora o esforço do convalescente ao despertar, estremunhado, findo longo sono.
“Somente então notei que, se o organismo perispirítico recebia as últimas forças do corpo inanimado, este, por sua vez, absorvia também algo de energia do outro, que o mantinha sem notáveis alterações. O apêndice prateado era verdadeira artéria fluídica, sustentando o fluxo e o refluxo dos princípios vitais em readaptação. Retirada a derradeira via de intercâmbio, o cadáver mostrou sinais, quase de imediato, de avançada decomposição.
“A análise do cadáver de Dimas causava tristeza.
“Inúmeros germens microscópicos entravam, como exércitos vorazes, em combate aberto, libertando gases ocultos que revelavam o apodrecimento dos tecidos e líquidos em geral. Os traços fisionômicos de defunto achavam-se alterados, degenerando-se também a estrutura dos membros. Os órgãos autônomos, por seu turno, perdiam a feição característica, já tumefactos e imóveis.
“Em compensação, Dimas - livre, Dimas - espírito, despertava. Amparado pela genitora, abriu os olhos, fixou-os em derredor, num impulso de criança alarmada e chamou a esposa, aflitivamente. Dormira em excesso, mas alcançara sensível melhora. Sentia a casa cheia de gente e desejava saber alguma coisa a respeito. A mãezinha, porém, afagando-o brandamente, acalmou-o, esclarecendo:
“– Ouça, Dimas: A porta pela qual vocês se comunicava com o plano carnal, somático, cerrou-se com seus olhos físicos. Tenha serenidade, confiança, porque a existência, no corpo físico, terminou.
“O desencarnado não dissimulou a penosa impressão de angústia e fitou-a com amargurado espanto, identificando-a pela voz, um tanto vagamente.
“– Não me reconhece, filho?
“Bastou a pergunta carinhosa, pronunciada com especial inflexão de meiguice, para que o desencarnado se abraçasse à velhinha, gritando, num misto de júbilo e sofrimento:
“– Mãe! minha mãe!... será possível?”
Este processo liberatório tem a novidade da reestruturação do corpo espiritual a partir do material orgânico do perispírito trabalhado pelo Espírito, resumido na luz liberada pelo cérebro no momento da ruptura do último laço.
No caso anterior, o do Irmão Jacob, o corpo espiritual não necessitou desse recurso e, como vimos, de repente, ele se sentiu em duplicata.
Não podemos, ainda aqui, perder de vista que o desencarnante era médium espírita com larga faixa de serviços prestados aos semelhantes e, não obstante, não conseguiu, por si mesmo, mentalizar o corpo espiritual antes da ruptura dos últimos elos que o prendiam ao corpo, como no caso anterior, sendo necessário que os mecanismos automáticos da Natureza procedessem à sua reestruturação, como está acima descrita.
De um modo geral, pois, a desencarnação do Espírito encarnado está sujeita a muitos fatores que lhe condicionam o processo, com predominância da elevação espiritual e das circunstâncias da morte.
Os dois livros de que nos servimos para estas considerações contêm valiosos subsídios para o entendimento do fenômeno da morte física e consequente desencarnação do Espírito e, assim, devem ser leitura obrigatória para todos nós que, embora sem data marcada, pelo menos de nosso conhecimento, estamos irremediavelmente condenados à morte.
Matéria extraída da Revista Espírita ano II fevereiro e março de 1996 n 2 e 3, escrita por Salvador Gentile, IDE.
Link da Página: http://www.editoraideal.com.br/ler_materia.php?id=101
(Publicado em 26/04/2010)
Desmistificando o fenômeno da morte
Segundo Kardec, na partilha da felicidade, a que todos aspiram, não podem estar confundidos os bons e os maus
A inevitabilidade do fenômeno da morte é um assunto que incomoda e assusta boa parte da população do planeta. Até mesmo entre nós espíritas o tema causa – para usar um eufemismo – certo desconforto em muitos. O senso comum sugere que a esmagadora maioria das pessoas – isto é, Espíritos encarnados - não se prepara devidamente para enfrentar esse momento.
Não há como deter indefinidamente esse processo, não obstante os cada vez mais expressivos avanços da ciência, medicina e estética que têm ajudado na prolongação da existência humana com efeitos benéficos na qualidade de vida em geral. Nesse sentido, cabe ressaltar o significativo aumento na expectativa de vida dos brasileiros, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Relatórios dessa instituição revelam, aliás, que, em 1940, se vivia em média apenas 45 anos no país. Já para o corrente ano a previsão saltou para 73,7 anos e, para o fim do século, estima-se que viveremos em torno de 84,3 anos 2.
Em resumo, todos temos um tempo pré-determinado para cumprir a nossa missão aqui na Terra, embora não saibamos de quanto é. No entanto, como bem pondera o Espírito Irmão José:
“A essência sobrevive. Morre a semente e nasce a flor, perece a flor e vem o fruto, que encerra, em si, a própria imortalidade”.3
O Mestre apareceu aos seus discípulos amados
em várias ocasiões
Ademais, assevera também o mentor que “Nada desaparece na economia do Universo”. 4 Portanto, o fundamental é sabermos que viveremos, enfim, para sempre. A nossa individualidade prevalecerá mesmo que em contextos ou dimensões diferentes. Aos que ainda acalentam dúvidas – apesar das inúmeras evidências científicas - vale recordar, por exemplo, a gloriosa visão do Tabor – testemunhada, aliás, pelos apóstolos Pedro, Tiago e João - relatada no Evangelho:
“E transfigurou-se diante deles; e o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes se tornaram brancas como a luz. E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele” (Mateus, 17: 2-3).
É importante salientar que naquele episódio descrito pelo apóstolo, Jesus dialogou com duas personagens que há muito haviam deixado o “mundo dos vivos”. Explicando melhor, Moisés vivera entre 1592-1474 a.C. e Elias entre 874-852 a.C. Portanto, o recado da imortalidade do Espírito foi absolutamente claro. O episódio foi tão marcante – constituindo, sem dúvida alguma, uma das maiores manifestações mediúnicas de que se tem notícia - que Pedro, embevecido, “... tomando a palavra, disse a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, façamos aqui três tabernáculos, um para ti, um para Moisés, e um para Elias. E, estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu. E da nuvem saiu uma voz que dizia: Este é o meu amado Filho, em quem me comprazo; escutai-o” (Mateus, 17:4-5).
Além disso, o capítulo 20 do Evangelho de João é todo dedicado à ressurreição do Mestre. No versículo 17, por exemplo, lemos um diálogo singular entre Jesus e Maria Madalena. Coube a ela, aliás, provavelmente como um prêmio ao seu esforço ingente de autoiluminação, a honra de ser a primeira pessoa a ver Jesus após a sua morte, ou seja: “Disse-lhe Jesus: Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos, e diga-lhes que eu subo para meu Pai e teu Pai, meu Deus e teu Deus”.
O Mestre apareceu posteriormente aos seus discípulos amados em várias ocasiões. Chegou até mesmo a convidar Tomé, em uma delas, a tocar-lhe as mãos já que este era dado ao ceticismo. Talvez na mais marcante de todas as suas aparições pós-morte, ele surgiu aos chamados 500 da Galileia, conforme descreveu o Espírito Humberto de Campos na tocante obra Boa Nova.
A noção de purgatório não faz parte das
concepções islâmicas
O Espírito Joanna de Ângelis, por sua vez, esclarece que o receio da morte decorre “... da ignorância a respeito da vida”. E acrescenta ainda que: “O medo da morte, de alguma forma, é atávico, procedente da caverna, quando o fenômeno biológico sucedia e o homem primitivo não o entendia, desconhecendo a razão da sua ocorrência”. 5
Por outro lado, as âncoras religiosas lançaram mais escuridão do que luz sobre o tema. Sem ter a pretensão de fazer um estudo comparativo sobre as várias correntes e, desde já reconhecendo o valor de cada uma, podemos recordar alguns aspectos centrais de algumas delas no tocante ao assunto sob apreço. Desse modo, as religiões cristãs – vale frisar - não aceitam a possibilidade de uma segunda chance ou reencarnação. Para elas, aliás, o inferno é para sempre e, depois do Juízo Final, as almas do céu e do purgatório irão ressuscitar.
De maneira similar, o Islamismo também aceita que a morte leva à eternidade. Ou seja, a alma fica igualmente à espera do dia do Juízo Final em que será julgada pelo Criador. Em seguida poderá ir para o céu ou o inferno, dependendo do comportamento em vida. A noção de purgatório não faz parte das concepções islâmicas. No Judaísmo, os mortos são conduzidos para o Sheol, uma espécie de limbo, para aguardar o Juízo Final (como vemos, tal noção está presente em várias religiões populares). Para os judeus ortodoxos, no entanto, a esperada volta do Messias vai ressuscitar a todos.
As religiões espiritualistas, por sua vez, proporcionam um nível de esclarecimento muito parcial sobre o tópico. Com efeito, no Hinduísmo acredita-se que a reencarnação ocorre imediatamente após a morte, o que não é correto. No Budismo, a seu turno, o ser desencarnado pode atingir a chamada Terra Pura – espaço de sabedoria iluminada. O tipo de reencarnação que se sucederá no futuro dependerá de cada um. Na visão budista, o indivíduo pode voltar em reinos celestiais, humanos ou animais. A ideia de um ser humano reencarnar no corpo de um cachorro (metempsicose), por exemplo, seria condenar alguém que já atingiu o reino hominal a um injustificável e incabível retrocesso, isto é, algo totalmente incompatível com as leis de evolução. No Espiritismo, por fim, a alma retorna ao mundo espiritual6 onde, conforme asseverou Jesus, “Na casa do meu Pai existem muitas moradas...” (João, 14: 2).
A realidade da vida futura é fruto de nossos
atos na vida presente
Aliás, o Espírito André Luiz descobriu em suas investigações no plano espiritual que poucos encarnados conseguem cumprir exatamente o tempo previsto. De fato, ao longo da encarnação vamos geralmente fazendo muitas coisas inadequadas, bem como seguindo um estilo de vida que acaba “abreviando o nosso tempo”. Em casos mais extremos, cometemos o autocídio. Assim sendo, todos nós vamos desencarnar seja por motivo de doenças incuráveis, morte violenta, deficiência incorrigível de algum órgão, acidente inesperado (coletivo ou individual), negligência com a nossa própria saúde (toxicômanos e alcoólatras estão neste grupo), por desgaste absoluto da máquina orgânica ou suicídio.
Desse modo, não devemos temer a morte propriamente dita, já que ela é inevitável, mas o que virá depois. Ou seja, sob quais condições retornaremos à pátria espiritual? Se pelas razões expostas não podemos interromper a morte, devemos nos preparar para a etapa seguinte. Muito apropriadamente, a questão nº 961 de O Livro dos Espíritos aborda essa problemática – ou seja: “Qual o sentimento que domina a maioria dos homens no momento da morte: a dúvida, o temor, ou a esperança? A dúvida, nos cépticos empedernidos; o temor, nos culpados; a esperança, nos homens de bem”.
Na questão nº 962, Allan Kardec foi ainda mais incisivo, senão vejamos:
“Como pode haver cépticos, uma vez que a alma traz ao homem o sentimento das coisas espirituais? Eles são em número muito menor do que se julga. Muitos se fazem de espíritos fortes, durante a vida, somente por orgulho. No momento da morte, porém, deixam de ser tão fanfarrões”. 7
Kardec concluiu que a realidade da vida futura é decorrente dos nossos atos na vida presente. Ele também argumentou com lucidez: “Dizem-nos a razão e a justiça que, na partilha da felicidade a que todos aspiram, não podem estar confundidos os bons e os maus. Não é possível que Deus queira que uns gozem, sem trabalho, de bens que outros só alcançam com esforço e perseverança”. 8
Ninguém conseguirá driblar a morte,
por mais que o intente
Portanto, nada mais sintonizado com a noção de realidade espiritual do que o pensamento de Paulo, segundo o qual Deus nos recompensará de acordo com as nossas obras. Nesse sentido, Jesus Cristo nos orientou de forma muito clara a não ajuntarmos “... tesouros na Terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam” (Mateus 6:19). Mas para ajuntarmos “... tesouros no Céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam” (Mateus 6:20). Portanto, temos que nos preocupar, fundamentalmente, com o que estamos construindo do lado de lá.A rigor, devem temer a vida futura os orgulhosos e autoritários já que “A soberba precede à ruína, e a altivez do espírito precede à queda” (Provérbios 16:18). Devem se preocupar com a realidade espiritual os mesquinhos e avarentos, os libidinosos e devassos, os perpetradores de excessos de toda ordem, os transgressores das leis e os malvados, os agentes da destruição e da vilania, os hipócritas e maledicentes, os inconsequentes, irresponsáveis e suicidas. Assim sendo, cabe recordarmos a triste condição que o Espírito André Luiz - a quem tanto devemos acerca dos altamente esclarecedores relatos da vida no além-túmulo – retornou à pátria espiritual. André, a propósito, padeceu oito anos no Umbral. Quando pôde ser atendido por um médico do além, o diagnóstico foi irrefutável, dado que o aparelho gástrico do infeliz companheiro havia sido destruído por causa de excessos na alimentação e na ingestão de bebidas alcoólicas, aparentemente sem importância. A sífilis lhe havia consumido energias vitais. Lamentavelmente, a condição de André era a de um suicida inconsciente. 9
Por fim, nos esclarece Joanna de Ângelis que “Ninguém conseguirá driblar a morte, por mais que o intente”. 10 Mas podemos e devemos nos esforçar para voltarmos ao mundo maior em melhores condições.
Notas bibliográficas:
1. SALVADOR, A. O Brasil esotérico. Veja, n. 2182, 15 set. 2010, p. 144.
2. IBGE. Projeção da População do Brasil por sexo e idade 1980-2050 revisão 2008. Disponível em:
http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/projecao_da_populacao
/2008/projecao.pdf > Acessado em 18/05/2010.
3. BACCELLI, C.A. (Pelo Espírito Irmão José). Dias melhores. Uberaba: MG, Liv. Espírita Edições “Pedro e Paulo”, 2004, p. 183.
4. Idem, ibidem, p. 184.
5. FRANCO, D.P. (Pelo Espírito Joanna de Ângelis). Entrega-te a Deus. Catanduva: SP, Intervidas, 2010, p. 89.
6. CARELLI, G. Os vivos e as outras vidas. Veja, n. 1904, 11 mai. 2005, p. 116-117; MENDONÇA, M. O novo Espiritismo, Época, n. 424, 3 jul. 2006, p. 68-69.
7. KARDEC, A. O livro dos Espíritos. (Tradução de Guillon Ribeiro). Versão digital. FEB, 2007, p. 307.
8. Idem, ibidem.
9. XAVIER, F.C. (Pelo Espírito André Luiz). Nosso lar. 9ª edição. Rio de Janeiro: RJ, p. 27-28, 1965.
10. FRANCO, D.P. Op. cit, p. 90.
A inevitabilidade do fenômeno da morte é um assunto que incomoda e assusta boa parte da população do planeta. Até mesmo entre nós espíritas o tema causa – para usar um eufemismo – certo desconforto em muitos. O senso comum sugere que a esmagadora maioria das pessoas – isto é, Espíritos encarnados - não se prepara devidamente para enfrentar esse momento.
Não há como deter indefinidamente esse processo, não obstante os cada vez mais expressivos avanços da ciência, medicina e estética que têm ajudado na prolongação da existência humana com efeitos benéficos na qualidade de vida em geral. Nesse sentido, cabe ressaltar o significativo aumento na expectativa de vida dos brasileiros, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Relatórios dessa instituição revelam, aliás, que, em 1940, se vivia em média apenas 45 anos no país. Já para o corrente ano a previsão saltou para 73,7 anos e, para o fim do século, estima-se que viveremos em torno de 84,3 anos 2.
Em resumo, todos temos um tempo pré-determinado para cumprir a nossa missão aqui na Terra, embora não saibamos de quanto é. No entanto, como bem pondera o Espírito Irmão José:
“A essência sobrevive. Morre a semente e nasce a flor, perece a flor e vem o fruto, que encerra, em si, a própria imortalidade”.3
O Mestre apareceu aos seus discípulos amados
em várias ocasiões
Ademais, assevera também o mentor que “Nada desaparece na economia do Universo”. 4 Portanto, o fundamental é sabermos que viveremos, enfim, para sempre. A nossa individualidade prevalecerá mesmo que em contextos ou dimensões diferentes. Aos que ainda acalentam dúvidas – apesar das inúmeras evidências científicas - vale recordar, por exemplo, a gloriosa visão do Tabor – testemunhada, aliás, pelos apóstolos Pedro, Tiago e João - relatada no Evangelho:
“E transfigurou-se diante deles; e o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes se tornaram brancas como a luz. E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele” (Mateus, 17: 2-3).
É importante salientar que naquele episódio descrito pelo apóstolo, Jesus dialogou com duas personagens que há muito haviam deixado o “mundo dos vivos”. Explicando melhor, Moisés vivera entre 1592-1474 a.C. e Elias entre 874-852 a.C. Portanto, o recado da imortalidade do Espírito foi absolutamente claro. O episódio foi tão marcante – constituindo, sem dúvida alguma, uma das maiores manifestações mediúnicas de que se tem notícia - que Pedro, embevecido, “... tomando a palavra, disse a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, façamos aqui três tabernáculos, um para ti, um para Moisés, e um para Elias. E, estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu. E da nuvem saiu uma voz que dizia: Este é o meu amado Filho, em quem me comprazo; escutai-o” (Mateus, 17:4-5).
Além disso, o capítulo 20 do Evangelho de João é todo dedicado à ressurreição do Mestre. No versículo 17, por exemplo, lemos um diálogo singular entre Jesus e Maria Madalena. Coube a ela, aliás, provavelmente como um prêmio ao seu esforço ingente de autoiluminação, a honra de ser a primeira pessoa a ver Jesus após a sua morte, ou seja: “Disse-lhe Jesus: Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos, e diga-lhes que eu subo para meu Pai e teu Pai, meu Deus e teu Deus”.
O Mestre apareceu posteriormente aos seus discípulos amados em várias ocasiões. Chegou até mesmo a convidar Tomé, em uma delas, a tocar-lhe as mãos já que este era dado ao ceticismo. Talvez na mais marcante de todas as suas aparições pós-morte, ele surgiu aos chamados 500 da Galileia, conforme descreveu o Espírito Humberto de Campos na tocante obra Boa Nova.
A noção de purgatório não faz parte das
concepções islâmicas
O Espírito Joanna de Ângelis, por sua vez, esclarece que o receio da morte decorre “... da ignorância a respeito da vida”. E acrescenta ainda que: “O medo da morte, de alguma forma, é atávico, procedente da caverna, quando o fenômeno biológico sucedia e o homem primitivo não o entendia, desconhecendo a razão da sua ocorrência”. 5
Por outro lado, as âncoras religiosas lançaram mais escuridão do que luz sobre o tema. Sem ter a pretensão de fazer um estudo comparativo sobre as várias correntes e, desde já reconhecendo o valor de cada uma, podemos recordar alguns aspectos centrais de algumas delas no tocante ao assunto sob apreço. Desse modo, as religiões cristãs – vale frisar - não aceitam a possibilidade de uma segunda chance ou reencarnação. Para elas, aliás, o inferno é para sempre e, depois do Juízo Final, as almas do céu e do purgatório irão ressuscitar.
De maneira similar, o Islamismo também aceita que a morte leva à eternidade. Ou seja, a alma fica igualmente à espera do dia do Juízo Final em que será julgada pelo Criador. Em seguida poderá ir para o céu ou o inferno, dependendo do comportamento em vida. A noção de purgatório não faz parte das concepções islâmicas. No Judaísmo, os mortos são conduzidos para o Sheol, uma espécie de limbo, para aguardar o Juízo Final (como vemos, tal noção está presente em várias religiões populares). Para os judeus ortodoxos, no entanto, a esperada volta do Messias vai ressuscitar a todos.
As religiões espiritualistas, por sua vez, proporcionam um nível de esclarecimento muito parcial sobre o tópico. Com efeito, no Hinduísmo acredita-se que a reencarnação ocorre imediatamente após a morte, o que não é correto. No Budismo, a seu turno, o ser desencarnado pode atingir a chamada Terra Pura – espaço de sabedoria iluminada. O tipo de reencarnação que se sucederá no futuro dependerá de cada um. Na visão budista, o indivíduo pode voltar em reinos celestiais, humanos ou animais. A ideia de um ser humano reencarnar no corpo de um cachorro (metempsicose), por exemplo, seria condenar alguém que já atingiu o reino hominal a um injustificável e incabível retrocesso, isto é, algo totalmente incompatível com as leis de evolução. No Espiritismo, por fim, a alma retorna ao mundo espiritual6 onde, conforme asseverou Jesus, “Na casa do meu Pai existem muitas moradas...” (João, 14: 2).
A realidade da vida futura é fruto de nossos
atos na vida presente
Aliás, o Espírito André Luiz descobriu em suas investigações no plano espiritual que poucos encarnados conseguem cumprir exatamente o tempo previsto. De fato, ao longo da encarnação vamos geralmente fazendo muitas coisas inadequadas, bem como seguindo um estilo de vida que acaba “abreviando o nosso tempo”. Em casos mais extremos, cometemos o autocídio. Assim sendo, todos nós vamos desencarnar seja por motivo de doenças incuráveis, morte violenta, deficiência incorrigível de algum órgão, acidente inesperado (coletivo ou individual), negligência com a nossa própria saúde (toxicômanos e alcoólatras estão neste grupo), por desgaste absoluto da máquina orgânica ou suicídio.
Desse modo, não devemos temer a morte propriamente dita, já que ela é inevitável, mas o que virá depois. Ou seja, sob quais condições retornaremos à pátria espiritual? Se pelas razões expostas não podemos interromper a morte, devemos nos preparar para a etapa seguinte. Muito apropriadamente, a questão nº 961 de O Livro dos Espíritos aborda essa problemática – ou seja: “Qual o sentimento que domina a maioria dos homens no momento da morte: a dúvida, o temor, ou a esperança? A dúvida, nos cépticos empedernidos; o temor, nos culpados; a esperança, nos homens de bem”.
Na questão nº 962, Allan Kardec foi ainda mais incisivo, senão vejamos:
“Como pode haver cépticos, uma vez que a alma traz ao homem o sentimento das coisas espirituais? Eles são em número muito menor do que se julga. Muitos se fazem de espíritos fortes, durante a vida, somente por orgulho. No momento da morte, porém, deixam de ser tão fanfarrões”. 7
Kardec concluiu que a realidade da vida futura é decorrente dos nossos atos na vida presente. Ele também argumentou com lucidez: “Dizem-nos a razão e a justiça que, na partilha da felicidade a que todos aspiram, não podem estar confundidos os bons e os maus. Não é possível que Deus queira que uns gozem, sem trabalho, de bens que outros só alcançam com esforço e perseverança”. 8
Ninguém conseguirá driblar a morte,
por mais que o intente
Portanto, nada mais sintonizado com a noção de realidade espiritual do que o pensamento de Paulo, segundo o qual Deus nos recompensará de acordo com as nossas obras. Nesse sentido, Jesus Cristo nos orientou de forma muito clara a não ajuntarmos “... tesouros na Terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam” (Mateus 6:19). Mas para ajuntarmos “... tesouros no Céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam” (Mateus 6:20). Portanto, temos que nos preocupar, fundamentalmente, com o que estamos construindo do lado de lá.A rigor, devem temer a vida futura os orgulhosos e autoritários já que “A soberba precede à ruína, e a altivez do espírito precede à queda” (Provérbios 16:18). Devem se preocupar com a realidade espiritual os mesquinhos e avarentos, os libidinosos e devassos, os perpetradores de excessos de toda ordem, os transgressores das leis e os malvados, os agentes da destruição e da vilania, os hipócritas e maledicentes, os inconsequentes, irresponsáveis e suicidas. Assim sendo, cabe recordarmos a triste condição que o Espírito André Luiz - a quem tanto devemos acerca dos altamente esclarecedores relatos da vida no além-túmulo – retornou à pátria espiritual. André, a propósito, padeceu oito anos no Umbral. Quando pôde ser atendido por um médico do além, o diagnóstico foi irrefutável, dado que o aparelho gástrico do infeliz companheiro havia sido destruído por causa de excessos na alimentação e na ingestão de bebidas alcoólicas, aparentemente sem importância. A sífilis lhe havia consumido energias vitais. Lamentavelmente, a condição de André era a de um suicida inconsciente. 9
Por fim, nos esclarece Joanna de Ângelis que “Ninguém conseguirá driblar a morte, por mais que o intente”. 10 Mas podemos e devemos nos esforçar para voltarmos ao mundo maior em melhores condições.
Notas bibliográficas:
1. SALVADOR, A. O Brasil esotérico. Veja, n. 2182, 15 set. 2010, p. 144.
2. IBGE. Projeção da População do Brasil por sexo e idade 1980-2050 revisão 2008. Disponível em:
http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/projecao_da_populacao
/2008/projecao.pdf > Acessado em 18/05/2010.
3. BACCELLI, C.A. (Pelo Espírito Irmão José). Dias melhores. Uberaba: MG, Liv. Espírita Edições “Pedro e Paulo”, 2004, p. 183.
4. Idem, ibidem, p. 184.
5. FRANCO, D.P. (Pelo Espírito Joanna de Ângelis). Entrega-te a Deus. Catanduva: SP, Intervidas, 2010, p. 89.
6. CARELLI, G. Os vivos e as outras vidas. Veja, n. 1904, 11 mai. 2005, p. 116-117; MENDONÇA, M. O novo Espiritismo, Época, n. 424, 3 jul. 2006, p. 68-69.
7. KARDEC, A. O livro dos Espíritos. (Tradução de Guillon Ribeiro). Versão digital. FEB, 2007, p. 307.
8. Idem, ibidem.
9. XAVIER, F.C. (Pelo Espírito André Luiz). Nosso lar. 9ª edição. Rio de Janeiro: RJ, p. 27-28, 1965.
10. FRANCO, D.P. Op. cit, p. 90.
O Momento da Morte e o Desencarne
O Momento da Morte e o Desencarne
desencarne, morte, desencarnar, morrer, momento, passagem
Muito comum, mesmo entre os espíritas, que se faça confusão entre os termos morte e desencarne, porém os termos possuem sentidos diferentes e a compreensão deles nos ajudará a esclarecer um assunto muito importante: o que acontece com o Espírito no momento da morte do corpo? Ela é dolorosa? É igual para todos? É a todas essas perguntas que tentaremos esclarecer neste artigo.
Para ajudar a esclarecer esse assunto tão fascinante é preciso, antes de tudo, conhecermos o significado dos termos morte e desencarne para o Espiritismo.
A morte é o fim da vida do corpo físico, ocorre quando o corpo, natural ou forçadamente, não tem mais condições de se manter vivo.
O desencarne é o processo de desligamento do Espírito, e seu corpo espiritual ou perispírito, do corpo físico.
Ao reencarnar o Espírito se une ao corpo físico através de seu perispírito molécula a molécula, no desencarne esse processo é invertido e o Espírito se desligará do corpo também molécula a molécula. A esse respeito Kardec escreveu que “o fluido perispiritual só pouco a pouco se desprende de todos os órgãos, de sorte que a separação só é completa e absoluta quando não mais reste um átomo do perispírito ligado a uma molécula do corpo”1. É importante ressaltar o fato de que morte e desencarne acontecem, normalmente, em momentos distintos e é isso que veremos agora com mais detalhes.
Kardec generaliza os diferentes “tipos” de desencarne quanto ao momento em que se dão e conseqüentemente quanto à facilidade ou dificuldade do processo. Os exemplos devem ser entendidos como casos extremos e, portanto, existem muitas variações entre um tipo e outro. Essa generalização foi feita em quatro grandes grupos que são:
“Se no momento em que se extingue a vida orgânica o desprendimento do perispírito fosse completo, a alma nada sentiria absolutamente.
Se nesse momento a coesão dos dois elementos (os dois corpos espiritual e carnal) estiver no auge de sua força, produz-se uma espécie de ruptura que reage dolorosamente sobre a alma.
Se a coesão for fraca, a separação torna-se fácil e opera-se sem abalo.
Se após a cessação completa da vida orgânica existirem ainda numerosos pontos de contacto entre o corpo e o perispírito, a alma poderá ressentir-se dos efeitos da decomposição do corpo, até que o laço inteiramente se desfaça”2.
Após esses oportunos esclarecimentos sobre os diferentes processos de desencarne, Kardec finaliza dizendo que “daí resulta que o sofrimento, que acompanha a morte, está subordinado à força adesiva que une o corpo ao perispírito; que tudo o que puder atenuar essa força, e acelerar a rapidez do desprendimento, torna a passagem menos penosa; e, finalmente, que, se o desprendimento se operar sem dificuldade, a alma deixará de experimentar qualquer sentimento desagradável”3.
Mas então o que gera essa força “adesiva” que torna o corpo espiritual mais ligado ao corpo carnal e, por conseqüência, mais difícil e penoso o seu desligamento para o Espírito? Kardec mais uma vez vem nos esclarecer quando responde que “o estado moral da alma é a causa principal que influi sobre a maior ou menor facilidade do desligamento. A afinidade entre o corpo e o perispírito está em razão do apego do Espírito à matéria; está em seu máximo no homem cujas preocupações todas se concentram na vida e nos gozos materiais; ela é quase nula naquele cuja alma depurada está identificada por antecipação com a vida espiritual. Uma vez que a lentidão e a dificuldade da separação estão em razão do grau de depuração e de desmaterialização da alma, depende de cada um tornar essa passagem mais ou menos fácil ou penosa, agradável ou dolorosa”4.
Fica agora fácil entender que os fenômenos da morte e do desligamento do Espírito em relação ao corpo (desencarne) ocorrem, de modo geral, em momentos distintos podendo ser essa diferença de tempo em horas, dias, meses e mesmo anos. O que também nos chama a atenção é o fato de depender de cada um tornar esse momento mais fácil e agradável ou mais penoso e doloroso. A vida plenamente material onde se busca tudo que a matéria oferece como gozos e posses é aquela que dará mais dificuldade ao Espírito na hora do desencarne. Aquele que vive conforme a moral do Evangelho, dando importância relativa às coisas materiais, reconhecendo seu valor, mas não vivendo em função disso e principalmente reconhecendo e aceitando os Desígnios Divinos acima de qualquer revolta, esse sim terá uma passagem tranqüila e fácil quando chegar sua hora.
Existe um outro fenômeno que possui relação direta com a moral do indivíduo e que começa a acontecer imediatamente após a morte do corpo, é o fenômeno da perturbação espiritual. Como nos esclarece Kardec a esse respeito “[...] nesse momento a alma sente um entorpecimento que paralisa, momentaneamente, as suas faculdades e neutraliza, pelo menos em parte, as sensações; está, por assim dizer, cataleptizada, de sorte que quase nunca testemunha consciente o último suspiro. [...] A perturbação pode, pois, ser considerada como estado normal no instante da morte; a sua duração é indeterminada; varia de algumas horas a alguns anos. À medida que ela se dissipa, a alma está na situação do homem que sai de um sono profundo; as idéias estão confusas, vagas e incertas; vê-se como através de um nevoeiro; pouco a pouco a visão se ilumina, a memória retorna e ela se reconhece. Mas esse despertar é bem diferente, segundo os indivíduos; nuns é calmo e proporciona uma sensação deliciosa; noutros, é cheio de terror e ansiedade, e produz o efeito de um horrível pesadelo ”5.
Assim fica mais uma vez clara a importância de uma vida reta, onde impere a moral do Evangelho de Jesus e onde cada um se esforce para ser cada dia melhor que no dia anterior. Para fechar a questão trago mais uma citação de Kardec onde ele fecha o assunto com muita clareza e objetividade:
“O último alento quase nunca é doloroso, uma vez que ordinariamente ocorre em momento de inconsciência, mas a alma sofre antes dele a desagregação da matéria, nos estertores da agonia, e, depois, as angústias da perturbação. Demo-nos pressa em afirmar que esse estado não é geral, porquanto a intensidade e duração do sofrimento estão na razão direta da afinidade existente entre corpo e perispírito. Assim, quanto maior for essa afinidade, tanto mais penosos e prolongados serão os esforços da alma para desprender-se. Há pessoas nas quais a coesão é tão fraca que o desprendimento se opera por si mesmo, como que naturalmente; é como se um fruto maduro se desprendesse do seu caule, e é o caso das mortes calmas, de pacífico despertar”6.
Referências:
1. Kardec, Allan. O céu e o inferno. 2ª parte, cap. 1, item 4.
2. Idem. Ibidem, item 5.
3. Idem. Ibidem.
4. Idem. Ibidem, item 8.
5. Idem. Ibidem, item 6.
6. Idem. Ibidem, item 7.
desencarne, morte, desencarnar, morrer, momento, passagem
Muito comum, mesmo entre os espíritas, que se faça confusão entre os termos morte e desencarne, porém os termos possuem sentidos diferentes e a compreensão deles nos ajudará a esclarecer um assunto muito importante: o que acontece com o Espírito no momento da morte do corpo? Ela é dolorosa? É igual para todos? É a todas essas perguntas que tentaremos esclarecer neste artigo.
Para ajudar a esclarecer esse assunto tão fascinante é preciso, antes de tudo, conhecermos o significado dos termos morte e desencarne para o Espiritismo.
A morte é o fim da vida do corpo físico, ocorre quando o corpo, natural ou forçadamente, não tem mais condições de se manter vivo.
O desencarne é o processo de desligamento do Espírito, e seu corpo espiritual ou perispírito, do corpo físico.
Ao reencarnar o Espírito se une ao corpo físico através de seu perispírito molécula a molécula, no desencarne esse processo é invertido e o Espírito se desligará do corpo também molécula a molécula. A esse respeito Kardec escreveu que “o fluido perispiritual só pouco a pouco se desprende de todos os órgãos, de sorte que a separação só é completa e absoluta quando não mais reste um átomo do perispírito ligado a uma molécula do corpo”1. É importante ressaltar o fato de que morte e desencarne acontecem, normalmente, em momentos distintos e é isso que veremos agora com mais detalhes.
Kardec generaliza os diferentes “tipos” de desencarne quanto ao momento em que se dão e conseqüentemente quanto à facilidade ou dificuldade do processo. Os exemplos devem ser entendidos como casos extremos e, portanto, existem muitas variações entre um tipo e outro. Essa generalização foi feita em quatro grandes grupos que são:
“Se no momento em que se extingue a vida orgânica o desprendimento do perispírito fosse completo, a alma nada sentiria absolutamente.
Se nesse momento a coesão dos dois elementos (os dois corpos espiritual e carnal) estiver no auge de sua força, produz-se uma espécie de ruptura que reage dolorosamente sobre a alma.
Se a coesão for fraca, a separação torna-se fácil e opera-se sem abalo.
Se após a cessação completa da vida orgânica existirem ainda numerosos pontos de contacto entre o corpo e o perispírito, a alma poderá ressentir-se dos efeitos da decomposição do corpo, até que o laço inteiramente se desfaça”2.
Após esses oportunos esclarecimentos sobre os diferentes processos de desencarne, Kardec finaliza dizendo que “daí resulta que o sofrimento, que acompanha a morte, está subordinado à força adesiva que une o corpo ao perispírito; que tudo o que puder atenuar essa força, e acelerar a rapidez do desprendimento, torna a passagem menos penosa; e, finalmente, que, se o desprendimento se operar sem dificuldade, a alma deixará de experimentar qualquer sentimento desagradável”3.
Mas então o que gera essa força “adesiva” que torna o corpo espiritual mais ligado ao corpo carnal e, por conseqüência, mais difícil e penoso o seu desligamento para o Espírito? Kardec mais uma vez vem nos esclarecer quando responde que “o estado moral da alma é a causa principal que influi sobre a maior ou menor facilidade do desligamento. A afinidade entre o corpo e o perispírito está em razão do apego do Espírito à matéria; está em seu máximo no homem cujas preocupações todas se concentram na vida e nos gozos materiais; ela é quase nula naquele cuja alma depurada está identificada por antecipação com a vida espiritual. Uma vez que a lentidão e a dificuldade da separação estão em razão do grau de depuração e de desmaterialização da alma, depende de cada um tornar essa passagem mais ou menos fácil ou penosa, agradável ou dolorosa”4.
Fica agora fácil entender que os fenômenos da morte e do desligamento do Espírito em relação ao corpo (desencarne) ocorrem, de modo geral, em momentos distintos podendo ser essa diferença de tempo em horas, dias, meses e mesmo anos. O que também nos chama a atenção é o fato de depender de cada um tornar esse momento mais fácil e agradável ou mais penoso e doloroso. A vida plenamente material onde se busca tudo que a matéria oferece como gozos e posses é aquela que dará mais dificuldade ao Espírito na hora do desencarne. Aquele que vive conforme a moral do Evangelho, dando importância relativa às coisas materiais, reconhecendo seu valor, mas não vivendo em função disso e principalmente reconhecendo e aceitando os Desígnios Divinos acima de qualquer revolta, esse sim terá uma passagem tranqüila e fácil quando chegar sua hora.
Existe um outro fenômeno que possui relação direta com a moral do indivíduo e que começa a acontecer imediatamente após a morte do corpo, é o fenômeno da perturbação espiritual. Como nos esclarece Kardec a esse respeito “[...] nesse momento a alma sente um entorpecimento que paralisa, momentaneamente, as suas faculdades e neutraliza, pelo menos em parte, as sensações; está, por assim dizer, cataleptizada, de sorte que quase nunca testemunha consciente o último suspiro. [...] A perturbação pode, pois, ser considerada como estado normal no instante da morte; a sua duração é indeterminada; varia de algumas horas a alguns anos. À medida que ela se dissipa, a alma está na situação do homem que sai de um sono profundo; as idéias estão confusas, vagas e incertas; vê-se como através de um nevoeiro; pouco a pouco a visão se ilumina, a memória retorna e ela se reconhece. Mas esse despertar é bem diferente, segundo os indivíduos; nuns é calmo e proporciona uma sensação deliciosa; noutros, é cheio de terror e ansiedade, e produz o efeito de um horrível pesadelo ”5.
Assim fica mais uma vez clara a importância de uma vida reta, onde impere a moral do Evangelho de Jesus e onde cada um se esforce para ser cada dia melhor que no dia anterior. Para fechar a questão trago mais uma citação de Kardec onde ele fecha o assunto com muita clareza e objetividade:
“O último alento quase nunca é doloroso, uma vez que ordinariamente ocorre em momento de inconsciência, mas a alma sofre antes dele a desagregação da matéria, nos estertores da agonia, e, depois, as angústias da perturbação. Demo-nos pressa em afirmar que esse estado não é geral, porquanto a intensidade e duração do sofrimento estão na razão direta da afinidade existente entre corpo e perispírito. Assim, quanto maior for essa afinidade, tanto mais penosos e prolongados serão os esforços da alma para desprender-se. Há pessoas nas quais a coesão é tão fraca que o desprendimento se opera por si mesmo, como que naturalmente; é como se um fruto maduro se desprendesse do seu caule, e é o caso das mortes calmas, de pacífico despertar”6.
Referências:
1. Kardec, Allan. O céu e o inferno. 2ª parte, cap. 1, item 4.
2. Idem. Ibidem, item 5.
3. Idem. Ibidem.
4. Idem. Ibidem, item 8.
5. Idem. Ibidem, item 6.
6. Idem. Ibidem, item 7.
O FENÔMENO DA MORTE
O FENÔMENO DA MORTE
Postado em Editora Vivência
A morte é a emancipação final que a alma tem com relação ao corpo físico que usou como ferramenta de evolução.
Por Marco Túlio Michalick
A morte é algo que intriga a maioria das pessoas. Muitos não querem pensar nela, mas é interessante imaginar o que nos espera após o fenômeno da morte. Para aonde vamos? Esta é a pergunta mais comum.
Cada religião interpreta de um jeito. Algumas pregam que as pessoas passarão pelo purgatório antes de entrar no céu ou no inferno. Outra hipótese é a de que ficaremos aguardando o dia do juízo final. O espiritismo, assim como outras doutrinas, afirma a realidade da reencarnação e que o fenômeno da morte é apenas uma mudança de plano.
As pessoas que não acreditam na reencarnação normalmente fazem chacotas com os que acreditam, dizendo que "ninguém até hoje voltou para dizer como é do outro lado". Mas, por meio da mediunidade, os espíritos enviam mensagens, escrevem livros e descrevem como é do "outro lado". Além disto, a experiência de quase-morte é uma comprovação de quem esteve do "outro lado". Afinal, a pessoa é considerada clinicamente morta e depois de alguns minutos, retoma ao mundo material, sem que a medicina consiga provar e comprovar como ocorre este fenômeno. Pesquisas nesta área oferecem relatos impressionantes. Um destes é o de um rapaz que, após ser considerado clinicamente morto pelos médicos, deixou seu corpo e passou a caminhar pelos corredores do hospital. Saiu do local e foi passear no parque. Este homem declarou ter visto um conhecido neste parque o que depois foi confirmado pelo outro. Mas do seu relato, o que mais impressionou foi o fato de ter presenciado o atropelamento de um homem na rua. O homem, após desencarnar,
chegou a conversar com este paciente. Depois, uma forte luz levou o atropelado. Logo após, o paciente sentiu-se atraído novamente para o hospital. Quando comentou o que viu em sua EQM (Experiência de Quase Morte) para algumas pessoas, elas checaram junto à polícia as informações sobre o atropelamento, que foi confirmado pelas autoridades.
Os materialistas são os que mais sofrem ao pensar na morte. Geralmente, são criaturas apegadas demais aos bens terrenos e ao pensar na perda dos prazeres triviais, sofrem por antecipação. Esta preocupação poderá acompanhá-las além túmulo. Em Temas da Vida e da Morte, o espírito Manoel Philomeno de Miranda explica que "à medida, porém, que se aclaram os enigmas em torno da realidade post mortem, em que os fatos demonstram o seu prosseguimento, oferecendo uma visão correta sobre a sua continuação, o temor cede lugar à confiança e as dúvidas são substituídas pela certeza da perenidade do ser, que se sente estimulado a preparar, desde então, esse futuro, no qual a felicidade possui uma dinâmica que fomenta o progresso incessante, em decorrência do esforço empreendido por quem deseja alcançá-lo". Assim, o materialista começa a ter uma nova visão e convicção com relação ao fenômeno da morte, mudando sua forma de pensar e agir.
A morte é uma conseqüência da vida, mas a vida é uma conseqüência da Vida Maior. Pensando desta forma, descartamos a palavra morte no seu sentido natural. Em seu lugar, coloquemos vida, ficando "vida após a vida". O que é na realidade o certo, pois deixamos a vida material para vivermos uma outra, a espiritual, alternando entre uma e outra, prosseguindo em nossa evolução espiritual.
Em Apologia de Sócrates, Platão escreve qual era o pensamento de seu mestre sobre a morte: "Quanto a esta, apenas pode ser uma destas duas coisas: ou aquele que morre é reduzido ao nada e não tem mais qualquer consciência, ou então, conforme ao que se diz, a morte é uma mudança, uma transmigração da alma do lugar onde nos encontramos para outro lugar. Se a morte é a extinção de todo sentimento e assemelha-se a um desses sonos nos quais nada se vê, mesmo em sonho, então morrer é um ganho maravilhoso. (...) Por outro lado, se a morte é como uma passagem daqui para outro lugar, e se é verdade, como se diz, que todos os mortos aí se reúnem, pode-se imaginar maior bem?".
A COLHEITA É OBRIGATÓRIA
O que nos espera do "outro lado" pode ser comparado por meio de uma metáfora, a plantação na lavoura. Iremos colher dependendo do que plantamos, ou seja, do esforço aplicado naquele trabalho, das condições de aproveitamento do tempo, da perseverança em vencer os obstáculos, e finalmente, da disposição em dividirmos esta colheita com outras pessoas. Devemos fazer uma análise da nossa "plantação" e nos perguntarmos: Estou plantando o suficiente para ter uma boa colheita? Esta é uma forma sutil de sabermos o que colheremos do "outro lado".
Joanna de Angelis, em Dias Gloriosos, explica que "face à conduta durante a existência física, de certo modo vão sendo delineados os processos para a libertação pelo veículo da morte, cuja ocorrência é muito mais grave do que pode parecer ao observador menos cuidadoso. Morremos ou desencarnamos conforme vivemos. Os pensamentos e atos são implacáveis tecelões que se responsabilizam pelo desenlace final que liberta o espírito do corpo. Desse modo, a ocorrência terminal, encarregada de produzir a desencarnação, é resultado de todo o processo vivido durante o estágio orgânico. Cada qual experimenta o curso libertador de acordo com o procedimento mantido enquanto encarnado, o que se lhe transforma em futuros programas existenciais".
Acho relevante transcrever uma passagem do livro de Suety Caldas Schubert, Mediunidade: Caminho Para Ser Feliz, onde ela escreveu registros feitos pelo escritor Conan Doyle sobre Emmanuel Swendenborg, um grande médium sueco que viveu em Londres, em 1744, considerado um dos precursores do espiritismo e que narrou em seus livros o que viu no plano espiritual. Conan Doyle escreveu: "O médium sueco constatou que o Outro Mundo, para onde vamos após a morte, consiste em várias esferas (ou planos), expressando os graus de luminosidade e felicidade. Cada pessoa irá para aquela que se adapte à sua condição espiritual.
Viu casas onde residem famílias, templos, auditórios, museus, escolas, academias, bibliotecas. Ali são cultivadas a arte, a literatura, a ciência, a música e os esportes.
Havia anjos e demônios, mas não eram diferentes dos seres humanos; eram aqueles que tinham vivido na Terra e que, ou eram almas retardatárias, como os demônios, ou altamente desenvolvidas, como os anjos.
Não existem penas eternas. Os que se achavam nos Infernos (planos inferiores) podiam trabalhar para dali saírem, desde que tivessem vontade. Os que se achavam no Céu (planos superiores) também prosseguiam trabalhando por uma posição cada vez mais elevada. Todas as crianças eram recebidas igualmente, fossem ou não batizadas. Cresciam no Outro Mundo; jovens lhes serviam de mães, até que chegassem as mães verdadeiras".
Deus é perfeito em sua criação. Ele nos dá inúmeras condições de evoluir. Ninguém fica desamparado, seja neste plano ou nos outros. Cabe a nós, e somente a nós, decidirmos em que condições queremos viver, seja qual for o plano. Vamos trabalhar em prol do bem, pois estaremos atraindo bons fluidos e pessoas afins para o nosso desiderato. Obstáculos não vão faltar, mas teremos a mão do companheiro ao lado formando uma corrente positiva, fortalecendo nossas intenções e purificando os pensamentos.
Não devemos temer a morte, e sim, evoluir nesta vida, afinal, uma outra vida nos espera do "outro lado".
(Extraído da Revista Cristã de Espiritismo nº 28, páginas 30-34)
Postado em Editora Vivência
A morte é a emancipação final que a alma tem com relação ao corpo físico que usou como ferramenta de evolução.
Por Marco Túlio Michalick
A morte é algo que intriga a maioria das pessoas. Muitos não querem pensar nela, mas é interessante imaginar o que nos espera após o fenômeno da morte. Para aonde vamos? Esta é a pergunta mais comum.
Cada religião interpreta de um jeito. Algumas pregam que as pessoas passarão pelo purgatório antes de entrar no céu ou no inferno. Outra hipótese é a de que ficaremos aguardando o dia do juízo final. O espiritismo, assim como outras doutrinas, afirma a realidade da reencarnação e que o fenômeno da morte é apenas uma mudança de plano.
As pessoas que não acreditam na reencarnação normalmente fazem chacotas com os que acreditam, dizendo que "ninguém até hoje voltou para dizer como é do outro lado". Mas, por meio da mediunidade, os espíritos enviam mensagens, escrevem livros e descrevem como é do "outro lado". Além disto, a experiência de quase-morte é uma comprovação de quem esteve do "outro lado". Afinal, a pessoa é considerada clinicamente morta e depois de alguns minutos, retoma ao mundo material, sem que a medicina consiga provar e comprovar como ocorre este fenômeno. Pesquisas nesta área oferecem relatos impressionantes. Um destes é o de um rapaz que, após ser considerado clinicamente morto pelos médicos, deixou seu corpo e passou a caminhar pelos corredores do hospital. Saiu do local e foi passear no parque. Este homem declarou ter visto um conhecido neste parque o que depois foi confirmado pelo outro. Mas do seu relato, o que mais impressionou foi o fato de ter presenciado o atropelamento de um homem na rua. O homem, após desencarnar,
chegou a conversar com este paciente. Depois, uma forte luz levou o atropelado. Logo após, o paciente sentiu-se atraído novamente para o hospital. Quando comentou o que viu em sua EQM (Experiência de Quase Morte) para algumas pessoas, elas checaram junto à polícia as informações sobre o atropelamento, que foi confirmado pelas autoridades.
Os materialistas são os que mais sofrem ao pensar na morte. Geralmente, são criaturas apegadas demais aos bens terrenos e ao pensar na perda dos prazeres triviais, sofrem por antecipação. Esta preocupação poderá acompanhá-las além túmulo. Em Temas da Vida e da Morte, o espírito Manoel Philomeno de Miranda explica que "à medida, porém, que se aclaram os enigmas em torno da realidade post mortem, em que os fatos demonstram o seu prosseguimento, oferecendo uma visão correta sobre a sua continuação, o temor cede lugar à confiança e as dúvidas são substituídas pela certeza da perenidade do ser, que se sente estimulado a preparar, desde então, esse futuro, no qual a felicidade possui uma dinâmica que fomenta o progresso incessante, em decorrência do esforço empreendido por quem deseja alcançá-lo". Assim, o materialista começa a ter uma nova visão e convicção com relação ao fenômeno da morte, mudando sua forma de pensar e agir.
A morte é uma conseqüência da vida, mas a vida é uma conseqüência da Vida Maior. Pensando desta forma, descartamos a palavra morte no seu sentido natural. Em seu lugar, coloquemos vida, ficando "vida após a vida". O que é na realidade o certo, pois deixamos a vida material para vivermos uma outra, a espiritual, alternando entre uma e outra, prosseguindo em nossa evolução espiritual.
Em Apologia de Sócrates, Platão escreve qual era o pensamento de seu mestre sobre a morte: "Quanto a esta, apenas pode ser uma destas duas coisas: ou aquele que morre é reduzido ao nada e não tem mais qualquer consciência, ou então, conforme ao que se diz, a morte é uma mudança, uma transmigração da alma do lugar onde nos encontramos para outro lugar. Se a morte é a extinção de todo sentimento e assemelha-se a um desses sonos nos quais nada se vê, mesmo em sonho, então morrer é um ganho maravilhoso. (...) Por outro lado, se a morte é como uma passagem daqui para outro lugar, e se é verdade, como se diz, que todos os mortos aí se reúnem, pode-se imaginar maior bem?".
A COLHEITA É OBRIGATÓRIA
O que nos espera do "outro lado" pode ser comparado por meio de uma metáfora, a plantação na lavoura. Iremos colher dependendo do que plantamos, ou seja, do esforço aplicado naquele trabalho, das condições de aproveitamento do tempo, da perseverança em vencer os obstáculos, e finalmente, da disposição em dividirmos esta colheita com outras pessoas. Devemos fazer uma análise da nossa "plantação" e nos perguntarmos: Estou plantando o suficiente para ter uma boa colheita? Esta é uma forma sutil de sabermos o que colheremos do "outro lado".
Joanna de Angelis, em Dias Gloriosos, explica que "face à conduta durante a existência física, de certo modo vão sendo delineados os processos para a libertação pelo veículo da morte, cuja ocorrência é muito mais grave do que pode parecer ao observador menos cuidadoso. Morremos ou desencarnamos conforme vivemos. Os pensamentos e atos são implacáveis tecelões que se responsabilizam pelo desenlace final que liberta o espírito do corpo. Desse modo, a ocorrência terminal, encarregada de produzir a desencarnação, é resultado de todo o processo vivido durante o estágio orgânico. Cada qual experimenta o curso libertador de acordo com o procedimento mantido enquanto encarnado, o que se lhe transforma em futuros programas existenciais".
Acho relevante transcrever uma passagem do livro de Suety Caldas Schubert, Mediunidade: Caminho Para Ser Feliz, onde ela escreveu registros feitos pelo escritor Conan Doyle sobre Emmanuel Swendenborg, um grande médium sueco que viveu em Londres, em 1744, considerado um dos precursores do espiritismo e que narrou em seus livros o que viu no plano espiritual. Conan Doyle escreveu: "O médium sueco constatou que o Outro Mundo, para onde vamos após a morte, consiste em várias esferas (ou planos), expressando os graus de luminosidade e felicidade. Cada pessoa irá para aquela que se adapte à sua condição espiritual.
Viu casas onde residem famílias, templos, auditórios, museus, escolas, academias, bibliotecas. Ali são cultivadas a arte, a literatura, a ciência, a música e os esportes.
Havia anjos e demônios, mas não eram diferentes dos seres humanos; eram aqueles que tinham vivido na Terra e que, ou eram almas retardatárias, como os demônios, ou altamente desenvolvidas, como os anjos.
Não existem penas eternas. Os que se achavam nos Infernos (planos inferiores) podiam trabalhar para dali saírem, desde que tivessem vontade. Os que se achavam no Céu (planos superiores) também prosseguiam trabalhando por uma posição cada vez mais elevada. Todas as crianças eram recebidas igualmente, fossem ou não batizadas. Cresciam no Outro Mundo; jovens lhes serviam de mães, até que chegassem as mães verdadeiras".
Deus é perfeito em sua criação. Ele nos dá inúmeras condições de evoluir. Ninguém fica desamparado, seja neste plano ou nos outros. Cabe a nós, e somente a nós, decidirmos em que condições queremos viver, seja qual for o plano. Vamos trabalhar em prol do bem, pois estaremos atraindo bons fluidos e pessoas afins para o nosso desiderato. Obstáculos não vão faltar, mas teremos a mão do companheiro ao lado formando uma corrente positiva, fortalecendo nossas intenções e purificando os pensamentos.
Não devemos temer a morte, e sim, evoluir nesta vida, afinal, uma outra vida nos espera do "outro lado".
(Extraído da Revista Cristã de Espiritismo nº 28, páginas 30-34)
A visão espírita da morte
Para entender a atitude dos espíritas diante da perda de entes queridos, é
preciso entender a visão espírita da morte. O que é a morte para o espírita?
Em primeiro lugar, a destruição do corpo físico, que é um fenômeno comum
a todos os seres biológicos. Segundo, a morte é um instante em meio a um
caminho infinito. E em terceiro lugar, a morte é uma transição e não um ponto
final.
Há que se considerar também que o espírito está permanentemente em
processo de crescimento e renovação e a morte é a forma de forçar esta
renovação, mudando am-bientes e projetos de vida.
Esta visão um tanto pragmática e aparentemente fria da morte não exclui a
existência de sentimentos e emoções, porque tanto quanto sentimos mais ou
menos fortemente a separação geográfica entre duas pessoas e ansiamos por
reencontrarmos aqueles que estão longe, assim também ansiamos por ter
novamente conosco os que se foram.
Mesmo na vida física há separações que são traumáticas, longas e, às vezes,
definitivas. Na morte, então, a saudade e a vontade de ter outra vez aquele que
se foi é perfeitamente natural e compreensível, mas a certeza da retomada do
afeto e de projetos comuns no futuro é profundamente consoladora e faz com
que a esperança possa ser tranqüila e confiante.
Por que é tão doloroso ainda para nós o fenômeno da morte física, com
a separação dos entes que amamos?
Mauro Operti – Exatamente porque os amamos, queremos tê-los
continuamente junto a nós. Isto não precisa de explicação, é natural. Vivemos
em função dos outros. Tudo o que fazemos na vida tem como referência o
outro. Se o outro que amamos se vai, como não sentir?
É licito procurarmos o contato com entes que partiram, já que a morte
não é o fim?
Mauro Operti – Perfeitamente, desde que a nossa atitude mental e as nossas
emoções estejam equilibradas. Por outro lado, toda vez que tentamos o contato
com o mundo espiritual, temos que ter certeza de que os meios dos quais
dispomos (ambiente, médiuns etc.) sejam apropriados para a nossa intenção.
De qualquer modo, temos que ser prudentes quando intentamos qualquer
contato com o mundo espiritual. E mesmo que a nossa intenção seja boa ou a
nossa saudade muito grande, as leis da comunicação mediúnica continuam em
vigência. Mas, de qualquer maneira, se a misericórdia divina nos forneceu os
meios de comunicação, é perfeitamente razoável buscarmos o contato com
aqueles que nós amamos. Quem não anseia uma palavra de afeto de quem
está longe? É profundamente consoladora esta certeza.
O que se pode dizer às pessoas que buscam o centro espírita com
profundo desejo de receberem uma mensagem de um ente querido que já
partiu?
Mauro Operti – Em primeiro lugar, estar avisado de que este contato nem
sempre é possível. Às vezes, passam-se meses ou anos antes de
conseguirmos uma palavra ou uma mensagem. Nem os médiuns, nem os
espíritos estão obrigados a nos dar a resposta que queremos. Se a
misericórdia divina permitir, nós a receberemos, como muitos que já
receberam. As evidências para alguns de nós são numerosíssimas, como é o
meu próprio caso. Eu não tenho como negar o fato da sobrevivência pelo muito
que já vivenciei ou já presenciei.
Qual a garantia de estarmos nos comunicando com nossos verdadeiros
entes?
Mauro Operti – As evidências para a comunicação entre mortos e vivos são
de dois tipos: são subjetivas ou objetivas. As evidências objetivas são
confirmações externas, através de fatos objetivos que deixam motivo para
poucas dúvidas (ou nenhuma dúvida). É claro que, como acontece com a
própria pesquisa científica, sempre se pode levantar hipóteses explicativas
para os fenômenos. O que se faz é levar em conta a soma de evidências que
levam, quase sem deixar dúvidas, a se aceitar que o fenômeno foi genuíno.
Mesmo na pesquisa científica, isto também acontece. Na realidade, nada é
definitivamente provado em ciência. Mas, para muitas coisas, o peso das
evidências a favor de uma determinada explicação é tão grande que, do ponto
de vista prático, é como se estivesse provado. É assim também com os fatos
mediúnicos. Mas existem também as evidências subjetivas e essas são
pessoais e intransferíveis. Eu não posso provar a uma outra pessoa que sonhei
com um ente querido e que isto significa que eu realmente estive com ele, mas,
interiormente, eu tenho certeza, pelo realismo das cenas vividas oniricamente e
por detalhes que me trazem uma certeza interior que não pode ser transferida.
E quando isto acontece, não me importa absolutamente o que o outro possa
pensar da minha experiência.
As perdas vivenciadas por qualquer encarnado, quando acompanhados
de sentimento de resignação e capacidade de perdão, podem se tornar
um aprendizado, um treinamento que nos levaria a entender melhor a
perda dos entes queridos?
Mauro Operti – Certamente, porque é o aprendizado da renúncia, a certeza
de que não somos donos de nada, nem de ninguém. Que o que temos num
certo momento nos pode ser tirado no outro e continuamos vivendo,
continuamos lutando sempre com a visão do futuro.
O ente desencarnado assiste ao seu velório? Assim sendo, qual sua
postura diante da demonstração de dor dos entes encarnados?
Mauro Operti – Nem sempre. Vai depender do próprio espírito e da
assistência por parte dos seus amigos espirituais. Às vezes, ele não tem
condições emocionais e está tão desarvorado que deve ser afastado do local.
Outras vezes o seu estado de perturbação é tal que ele não tem consciência do
que está se passando. Mas, muitas vezes, isso é possível.
A vontade de ver o ente que se foi, a saudade, não atrai o espírito do
parente querido desencarnado? Isto pode levar a uma obsessão?
Mauro Operti – Depende do estado mental e emocional que acompanha esta
vontade. Também depende das condições do espírito desencarnado, mas não
há perigo em pensarmos com saudade nos nossos afetos desencarnados. Isto
é uma expressão do carinho e da afeição que une dois seres. Como proibir?
Seria, no meu modo de ver, uma falha das Leis Divinas não deixar que nos
lembremos com carinho daqueles que um dia se foram.
Como proceder para saber se os entes queridos estão bem?
Mauro Operti – Rezar, pedir a Deus que lhe permita sentir o carinho daquele
de quem você gosta. Com o tempo e a prática aprendemos a nos dirigir
mentalmente àqueles de quem gostamos e as evidências subjetivas que
colhemos desses contatos nos dão a certeza de que realmente estivemos com
eles. Mas é preciso aprender a fazer as rogativas mentais com tranqüilidade,
confiança e a certeza da assistência espiritual de nossos guias. Peçamos a
Jesus acima de tudo e esperemos com serenidade.
Que mensagem você daria para as pessoas que perderam seus entes
queridos e acreditam que nunca mais irão encontrá-los?
Mauro Operti – Para estas pessoas eu diria que Deus não cometeria esta
maldade de separar definitivamente dois seres que se amam. A essência da
vida é o outro. Por que Deus juntaria num breve tempo de uma existência duas
criaturas que se sentem felizes de estar juntas e depois as separaria pela
eternidade? A certeza da sobrevivência que a prática espírita garante às
criaturas está acompanhada da certeza da reunião daqueles que se amam
depois da perda do corpo físico. Esta é a maior consolação que poderíamos
desejar, mas não é só uma consolação piedosa, é uma certeza proveniente da
vivência que, aos poucos, vai nos tornando mais seguros e menos propensos
às crises de ansiedade e aflição que são tão comuns às pessoas hoje em dia.
Temos certeza e sabemos, não apenas acreditamos.
Escrito por IRC-Espiritismo
preciso entender a visão espírita da morte. O que é a morte para o espírita?
Em primeiro lugar, a destruição do corpo físico, que é um fenômeno comum
a todos os seres biológicos. Segundo, a morte é um instante em meio a um
caminho infinito. E em terceiro lugar, a morte é uma transição e não um ponto
final.
Há que se considerar também que o espírito está permanentemente em
processo de crescimento e renovação e a morte é a forma de forçar esta
renovação, mudando am-bientes e projetos de vida.
Esta visão um tanto pragmática e aparentemente fria da morte não exclui a
existência de sentimentos e emoções, porque tanto quanto sentimos mais ou
menos fortemente a separação geográfica entre duas pessoas e ansiamos por
reencontrarmos aqueles que estão longe, assim também ansiamos por ter
novamente conosco os que se foram.
Mesmo na vida física há separações que são traumáticas, longas e, às vezes,
definitivas. Na morte, então, a saudade e a vontade de ter outra vez aquele que
se foi é perfeitamente natural e compreensível, mas a certeza da retomada do
afeto e de projetos comuns no futuro é profundamente consoladora e faz com
que a esperança possa ser tranqüila e confiante.
Por que é tão doloroso ainda para nós o fenômeno da morte física, com
a separação dos entes que amamos?
Mauro Operti – Exatamente porque os amamos, queremos tê-los
continuamente junto a nós. Isto não precisa de explicação, é natural. Vivemos
em função dos outros. Tudo o que fazemos na vida tem como referência o
outro. Se o outro que amamos se vai, como não sentir?
É licito procurarmos o contato com entes que partiram, já que a morte
não é o fim?
Mauro Operti – Perfeitamente, desde que a nossa atitude mental e as nossas
emoções estejam equilibradas. Por outro lado, toda vez que tentamos o contato
com o mundo espiritual, temos que ter certeza de que os meios dos quais
dispomos (ambiente, médiuns etc.) sejam apropriados para a nossa intenção.
De qualquer modo, temos que ser prudentes quando intentamos qualquer
contato com o mundo espiritual. E mesmo que a nossa intenção seja boa ou a
nossa saudade muito grande, as leis da comunicação mediúnica continuam em
vigência. Mas, de qualquer maneira, se a misericórdia divina nos forneceu os
meios de comunicação, é perfeitamente razoável buscarmos o contato com
aqueles que nós amamos. Quem não anseia uma palavra de afeto de quem
está longe? É profundamente consoladora esta certeza.
O que se pode dizer às pessoas que buscam o centro espírita com
profundo desejo de receberem uma mensagem de um ente querido que já
partiu?
Mauro Operti – Em primeiro lugar, estar avisado de que este contato nem
sempre é possível. Às vezes, passam-se meses ou anos antes de
conseguirmos uma palavra ou uma mensagem. Nem os médiuns, nem os
espíritos estão obrigados a nos dar a resposta que queremos. Se a
misericórdia divina permitir, nós a receberemos, como muitos que já
receberam. As evidências para alguns de nós são numerosíssimas, como é o
meu próprio caso. Eu não tenho como negar o fato da sobrevivência pelo muito
que já vivenciei ou já presenciei.
Qual a garantia de estarmos nos comunicando com nossos verdadeiros
entes?
Mauro Operti – As evidências para a comunicação entre mortos e vivos são
de dois tipos: são subjetivas ou objetivas. As evidências objetivas são
confirmações externas, através de fatos objetivos que deixam motivo para
poucas dúvidas (ou nenhuma dúvida). É claro que, como acontece com a
própria pesquisa científica, sempre se pode levantar hipóteses explicativas
para os fenômenos. O que se faz é levar em conta a soma de evidências que
levam, quase sem deixar dúvidas, a se aceitar que o fenômeno foi genuíno.
Mesmo na pesquisa científica, isto também acontece. Na realidade, nada é
definitivamente provado em ciência. Mas, para muitas coisas, o peso das
evidências a favor de uma determinada explicação é tão grande que, do ponto
de vista prático, é como se estivesse provado. É assim também com os fatos
mediúnicos. Mas existem também as evidências subjetivas e essas são
pessoais e intransferíveis. Eu não posso provar a uma outra pessoa que sonhei
com um ente querido e que isto significa que eu realmente estive com ele, mas,
interiormente, eu tenho certeza, pelo realismo das cenas vividas oniricamente e
por detalhes que me trazem uma certeza interior que não pode ser transferida.
E quando isto acontece, não me importa absolutamente o que o outro possa
pensar da minha experiência.
As perdas vivenciadas por qualquer encarnado, quando acompanhados
de sentimento de resignação e capacidade de perdão, podem se tornar
um aprendizado, um treinamento que nos levaria a entender melhor a
perda dos entes queridos?
Mauro Operti – Certamente, porque é o aprendizado da renúncia, a certeza
de que não somos donos de nada, nem de ninguém. Que o que temos num
certo momento nos pode ser tirado no outro e continuamos vivendo,
continuamos lutando sempre com a visão do futuro.
O ente desencarnado assiste ao seu velório? Assim sendo, qual sua
postura diante da demonstração de dor dos entes encarnados?
Mauro Operti – Nem sempre. Vai depender do próprio espírito e da
assistência por parte dos seus amigos espirituais. Às vezes, ele não tem
condições emocionais e está tão desarvorado que deve ser afastado do local.
Outras vezes o seu estado de perturbação é tal que ele não tem consciência do
que está se passando. Mas, muitas vezes, isso é possível.
A vontade de ver o ente que se foi, a saudade, não atrai o espírito do
parente querido desencarnado? Isto pode levar a uma obsessão?
Mauro Operti – Depende do estado mental e emocional que acompanha esta
vontade. Também depende das condições do espírito desencarnado, mas não
há perigo em pensarmos com saudade nos nossos afetos desencarnados. Isto
é uma expressão do carinho e da afeição que une dois seres. Como proibir?
Seria, no meu modo de ver, uma falha das Leis Divinas não deixar que nos
lembremos com carinho daqueles que um dia se foram.
Como proceder para saber se os entes queridos estão bem?
Mauro Operti – Rezar, pedir a Deus que lhe permita sentir o carinho daquele
de quem você gosta. Com o tempo e a prática aprendemos a nos dirigir
mentalmente àqueles de quem gostamos e as evidências subjetivas que
colhemos desses contatos nos dão a certeza de que realmente estivemos com
eles. Mas é preciso aprender a fazer as rogativas mentais com tranqüilidade,
confiança e a certeza da assistência espiritual de nossos guias. Peçamos a
Jesus acima de tudo e esperemos com serenidade.
Que mensagem você daria para as pessoas que perderam seus entes
queridos e acreditam que nunca mais irão encontrá-los?
Mauro Operti – Para estas pessoas eu diria que Deus não cometeria esta
maldade de separar definitivamente dois seres que se amam. A essência da
vida é o outro. Por que Deus juntaria num breve tempo de uma existência duas
criaturas que se sentem felizes de estar juntas e depois as separaria pela
eternidade? A certeza da sobrevivência que a prática espírita garante às
criaturas está acompanhada da certeza da reunião daqueles que se amam
depois da perda do corpo físico. Esta é a maior consolação que poderíamos
desejar, mas não é só uma consolação piedosa, é uma certeza proveniente da
vivência que, aos poucos, vai nos tornando mais seguros e menos propensos
às crises de ansiedade e aflição que são tão comuns às pessoas hoje em dia.
Temos certeza e sabemos, não apenas acreditamos.
Escrito por IRC-Espiritismo
Fenômenos que ocorrem depois da morte do corpo físico
Histólise corporal e histogênese espiritual
Logo depois da morte do corpo físico, ocorre um fenômeno ainda desconhecido do homem comum, denominado histólise corporal, que é a putrefação e a decomposição dos restos mortais do desencarnado, assunto que precisa ser estudado com carinho, principalmente por aqueles que sabem que a morte virá de surpresa, numa ação devastadora de transformar os seres, porque esse é o seu papel diante da vida plena e estuante, devolvendo à natureza os recursos físicos que foram apanhados por empréstimo, para formar a nossa massa corporal.
Essa histólise corporal conta com a ajuda de bilhões e bilhões de vermes que se encontram no corpo físico em estado de letargia e que afloram tão logo ocorra o fenômeno morte, extinguindo a energia vital que mantinha o agrupamento celular e as prerrogativas de vida, numa ação fermentada nos músculos e no estômago, e uma ação reduzida no sistema nervo e circulatório.
O estudo sobre a histólise corporal é importante porque existem casos em que desencarnados presenciam a decomposição do próprio corpo físico, padecendo de sofrimentos horríveis em alguns tipos de morte, como por exemplo, os suicidas, criminosos de alta periculosidade, espíritos sensuais e perversos, vivendo momentos dolorosos depois da morte; ao contrário daqueles que pautam suas vidas na transparência e na bondade, ganhando com isso a libertação imediata do corpo somático.
Muitos desencarnados acompanham seus restos mortais até a sepultura, mas estão isentos de presenciar o que ocorre com o corpo físico como uma espécie de prêmio pelo cumprimento dos deveres e pelo relacionamento amistoso junto aos semelhantes. Nenhum espírito, por mais iluminado que seja, desaparece depois da morte como por encanto, mas permanece algum tempo junto aos membros da parentela familiar e amigos, numa espécie de gratidão e respeito pelo tempo em que conviveram juntos, plasmando as excelentes lembranças da vida diária.
O trauma provocado pela morte atinge a todos, mas a assimilação desse impacto dependerá sempre do grau evolutivo de cada um, e os espíritos imperfeitos, comprometidos e desinformados, sofrem mais do que aqueles que, de algum modo, conseguiram valores no campo da intelectualidade e da moralidade.
O segundo fenômeno que ocorre depois da morte é a histogênese espiritual, ou seja, a formação do corpo fluídico que será o novo instrumento de apresentação do espírito imortal, que o apóstolo Paulo tão bem caracterizou como sendo o corpo espiritual, que nada mais é do que perispírito desprendido dos restos mortais e que apresenta a forma humana.
O apóstolo Paulo afirma, em uma de suas cartas aos gentios, o seguinte: “Semeia-se corpo material e colhe-se corpo espiritual”. Mais a frente em seus escritos diz: “O corpo espiritual é o corpo da ressurreição”, deixando claro que toda vez que um corpo material desce à sepultura, surge outro, formado de fótons, mais sutil, mais etéreo, que é o perispírito ostentando a forma humana, com muito mais poder de atuação tanto no mundo espiritual como no mundo físico, desde que possa contar com o concurso de um sensitivo intermediário que chamamos de médium.
A formação do corpo espiritual depois da morte não é uma coisa fácil, e a maioria dos desencarnados ganha esse novo corpo por automatismo e não pela própria vontade mental ou mérito, o que certamente ocasiona dor, sofrimento, tristeza e mal-estar na nova moradia, e faz também com que muitos espíritos depois de mortos permaneçam nas redondezas da Terra, julgando-se vivos, com as mesmas necessidades físicas que tinham antes da morte, e vagam pelas regiões sombrias de locais denominados Umbral, Trevas ou Abismo, por tempo indeterminado até que, movidos pelo remorso e pelo arrependimento, possam ser resgatados por entidades bondosas que os acolhem em instituições de caridade no mundo astral.
No processo da histogênese espiritual, o perispírito se desmaterializa do corpo físico para se materializar logo em seguida no corpo espiritual, dando ao espírito imortal condições de continuar vivendo em novas faixas vibratórias do espaço, sem que ele perca sua individualidade ou o acervo de conhecimentos que adquiriu em sua jornada terrestre.
Quando a histogênese espiritual é realizada com o esforço do próprio espírito, ele fica em condições de se adaptar à vida espiritual com mais facilidade, condicionando-a às energias fluídicas que o envolvem, enchendo seu coração de alegria, paz e felicidade, sentindo-se forte e a par de sua nova situação; ao contrário daqueles que não conseguem, por motivos de comprometimento, falta de religiosidade ou desconhecimento das verdades eternas, passando longos períodos perdidos no espaço e no tempo, sem rumo e sem perspectivas de avanço no caminho da luz.
Do outro lado da vida, a moeda de troca são os nossos créditos juntos ao outros, ou seja, laços fraternos e de amizade que construímos através do relacionamento junto ao próximo e, principalmente, junto à nossa parentela.
Logo depois da morte do corpo físico, ocorre um fenômeno ainda desconhecido do homem comum, denominado histólise corporal, que é a putrefação e a decomposição dos restos mortais do desencarnado, assunto que precisa ser estudado com carinho, principalmente por aqueles que sabem que a morte virá de surpresa, numa ação devastadora de transformar os seres, porque esse é o seu papel diante da vida plena e estuante, devolvendo à natureza os recursos físicos que foram apanhados por empréstimo, para formar a nossa massa corporal.
Essa histólise corporal conta com a ajuda de bilhões e bilhões de vermes que se encontram no corpo físico em estado de letargia e que afloram tão logo ocorra o fenômeno morte, extinguindo a energia vital que mantinha o agrupamento celular e as prerrogativas de vida, numa ação fermentada nos músculos e no estômago, e uma ação reduzida no sistema nervo e circulatório.
O estudo sobre a histólise corporal é importante porque existem casos em que desencarnados presenciam a decomposição do próprio corpo físico, padecendo de sofrimentos horríveis em alguns tipos de morte, como por exemplo, os suicidas, criminosos de alta periculosidade, espíritos sensuais e perversos, vivendo momentos dolorosos depois da morte; ao contrário daqueles que pautam suas vidas na transparência e na bondade, ganhando com isso a libertação imediata do corpo somático.
Muitos desencarnados acompanham seus restos mortais até a sepultura, mas estão isentos de presenciar o que ocorre com o corpo físico como uma espécie de prêmio pelo cumprimento dos deveres e pelo relacionamento amistoso junto aos semelhantes. Nenhum espírito, por mais iluminado que seja, desaparece depois da morte como por encanto, mas permanece algum tempo junto aos membros da parentela familiar e amigos, numa espécie de gratidão e respeito pelo tempo em que conviveram juntos, plasmando as excelentes lembranças da vida diária.
O trauma provocado pela morte atinge a todos, mas a assimilação desse impacto dependerá sempre do grau evolutivo de cada um, e os espíritos imperfeitos, comprometidos e desinformados, sofrem mais do que aqueles que, de algum modo, conseguiram valores no campo da intelectualidade e da moralidade.
O segundo fenômeno que ocorre depois da morte é a histogênese espiritual, ou seja, a formação do corpo fluídico que será o novo instrumento de apresentação do espírito imortal, que o apóstolo Paulo tão bem caracterizou como sendo o corpo espiritual, que nada mais é do que perispírito desprendido dos restos mortais e que apresenta a forma humana.
O apóstolo Paulo afirma, em uma de suas cartas aos gentios, o seguinte: “Semeia-se corpo material e colhe-se corpo espiritual”. Mais a frente em seus escritos diz: “O corpo espiritual é o corpo da ressurreição”, deixando claro que toda vez que um corpo material desce à sepultura, surge outro, formado de fótons, mais sutil, mais etéreo, que é o perispírito ostentando a forma humana, com muito mais poder de atuação tanto no mundo espiritual como no mundo físico, desde que possa contar com o concurso de um sensitivo intermediário que chamamos de médium.
A formação do corpo espiritual depois da morte não é uma coisa fácil, e a maioria dos desencarnados ganha esse novo corpo por automatismo e não pela própria vontade mental ou mérito, o que certamente ocasiona dor, sofrimento, tristeza e mal-estar na nova moradia, e faz também com que muitos espíritos depois de mortos permaneçam nas redondezas da Terra, julgando-se vivos, com as mesmas necessidades físicas que tinham antes da morte, e vagam pelas regiões sombrias de locais denominados Umbral, Trevas ou Abismo, por tempo indeterminado até que, movidos pelo remorso e pelo arrependimento, possam ser resgatados por entidades bondosas que os acolhem em instituições de caridade no mundo astral.
No processo da histogênese espiritual, o perispírito se desmaterializa do corpo físico para se materializar logo em seguida no corpo espiritual, dando ao espírito imortal condições de continuar vivendo em novas faixas vibratórias do espaço, sem que ele perca sua individualidade ou o acervo de conhecimentos que adquiriu em sua jornada terrestre.
Quando a histogênese espiritual é realizada com o esforço do próprio espírito, ele fica em condições de se adaptar à vida espiritual com mais facilidade, condicionando-a às energias fluídicas que o envolvem, enchendo seu coração de alegria, paz e felicidade, sentindo-se forte e a par de sua nova situação; ao contrário daqueles que não conseguem, por motivos de comprometimento, falta de religiosidade ou desconhecimento das verdades eternas, passando longos períodos perdidos no espaço e no tempo, sem rumo e sem perspectivas de avanço no caminho da luz.
Do outro lado da vida, a moeda de troca são os nossos créditos juntos ao outros, ou seja, laços fraternos e de amizade que construímos através do relacionamento junto ao próximo e, principalmente, junto à nossa parentela.
O fenômeno da morte
O fenômeno da morte
Grupo Espírita Bezerra de Menezes
O que acontece com o nosso Espírito quando morremos?
Continuamos com nossa individualidade, isto é, teremos os mesmos conhecimentos, qualidades e defeitos que tivemos em vida. A morte não nos livra das imperfeições. Seguiremos pensando da mesma forma. Nosso Espírito será atraído vibratoriamente para regiões astrais com que se afiniza moralmente. Se formos excessivamente apegados à vida material, ficaremos presos ao mundo terreno, acreditando que ainda estamos fazendo parte dele. Essa situação perdurará por certo tempo, até que ocorra naturalmente um descondicionamento psíquico. A partir desse ponto, o Espírito será conduzido às colônias espirituais, onde receberá instrução para mais tarde retornar à carne.
Todos os Espíritos podem se comunicar logo após sua morte?
Sim, pelo menos teoricamente, todos os Espíritos podem se comunicar após a morte do corpo físico. Porém, a Doutrina Espírita nos ensina que o Espírito sofre uma espécie de perturbação (que nada tem ver com desequilíbrio) que pode demorar de horas até anos, dependendo do tipo de vida que tenha tido na Terra e do gênero de sua morte. Os Espíritos que são desprendidos da matéria desde a vida terrena, tomam consciência de que estão fazendo parte da vida espírita bem cedo, porém aqueles que viveram preocupados apenas com seu lado material permanecem no estado de ignorância por longo tempo. Dado o pouco adiantamento espiritual dos habitantes do planeta, pode-se concluir que as mensagens mediúnicas creditadas a pessoas famosas que desencarnam precocemente, não merecem credibilidade.
O que acontece com os recém-nascidos que logo morrem? E por que isto acontece?
O Espírito de criança morta em tenra idade recomeça outra existência normalmente. O desencarne de recém-nascidos, freqüentemente, trata-se de prova para os pais, pois o Espírito não tem consciência do que ocorre. A maioria dessas mortes, entretanto, é por conta da imperfeição da matéria.
Se uma criança desencarna de acidente na idade de 11 anos, ela é socorrida pelos Espíritos na mesma hora?
Os desencarnes súbitos, de uma forma geral, são muito traumáticos para o Espírito. Allan Kardec diz que no processo de desencarne, todos sofrem uma espécie de "perturbação espiritual", que pode variar de algumas horas a anos, dependendo da evolução de cada um. Nos desencarnes convencionais geralmente os Espíritos permanecem sem consciência do que lhe aconteceu por um certo tempo e, se têm merecimento, são recolhidos às colônias socorristas existentes próximas da crosta terrena. Ali são devidamente atendidos. Nos casos de desencarne de crianças, suspeita-se que sejam atendidas de imediato pela Espiritualidade, em função de estarem num estado psíquico especial, próprio da infância. Não estando de posse de todas as suas faculdades, não seria lógico admitir que ficassem em estado de sofrimento por causa dos atos da vida. Claro, a responsabilidade aumenta na medida em que a maturidade avança, criando condições para o Espírito ficar em estado de sofrimento por um tempo mais longo, se for necessário. Não há uma idade definida, que marque o início da fase adulta, assim como não há um ponto definido que separe o dia da noite. Em determinado período se confundem, mas acabam se definindo a seguir. De uma maneira geral, pode-se concluir que todos os Espíritos que desencarnam em fase infantil são imediatamente atendidos pela Espiritualidade.
Porque pessoas jovens, boas, desencarnam prematuramente, enquanto há pessoas más que vivem por muitos anos?
Se olharmos as coisas dentro da ótica materialista, certamente não encontraremos resposta para esta delicada questão. Se, no entanto, partirmos do princípio que somos seres imortais e que estamos em uma escalada evolutiva em direção à perfeição, compreenderemos com facilidade que a vida terrena é apenas parte desse processo. A verdadeira vida é a espiritual e quando encarnados cumpre-se as etapas necessárias ao aprimoramento do Espírito imortal. As diferenças existentes entre as pessoas são as várias etapas em que o Espírito se encontra em termos de evolução. O viver muitos anos, portanto, é muito relativo. A vida terrena é a escola que a criatura precisa para se aprimorar e o tempo que deve demorar aqui depende de sua necessidade. Os Espíritos bons, geralmente necessitam mesmo de menos tempo.
Uma criança, quando desencarna, seu Espírito terá a mesma idade que ela tinha, quando era encarnada?
Sim, dependendo no entanto de sua maturidade espiritual. O Espírito, quando desencarna, permanece com os mesmos condicionamentos mentais que tinha na Terra, até que se conscientize de sua real situação. Permanecerá em estado de criança ou de adolescente, por um determinado tempo, dependendo de sua evolução, ou seja, de seu grau de entendimento, até que adquira plena consciência de sua condição e de suas necessidades. Isso, geralmente acontece com Espíritos que ainda estão em situação de pouca evolução espiritual. Por isso, nas colônias socorristas próximas à crosta terrestre, encontram-se Espíritos em condição de crianças e adolescentes. Deve-se saber, entretanto, que esta situação perdura apenas por um determinado período.
Quando uma pessoa morre de morte acidental, por exemplo por afogamento, e ainda é muito jovem (18 anos) como fica o seu Espírito?
Todas as pessoas, ao desencarnarem, passam por um período mais ou menos longo de perturbação espiritual, podendo durar de algumas horas a anos, dependendo de seu grau evolutivo. Quando o Espírito é muito jovem, e certamente experimenta uma vida de muita atividade, pode permanecer sem entender sua situação por um tempo, como pode ser logo socorrido pelos Espíritos amigos que trabalham nessa área. Isso vai depender do seu merecimento. Se permanecer revoltado por ter retornado cedo, criará para si um ambiente vibratório ruim, que o levará a experimentar grandes dores morais nas zonas de sofrimento.
Os Espíritos ao desencarnarem conservariam intacta suas auras externas ? Seriam ainda emanações de seu perispírito?
Aura é um termo utilizado no meio espírita, originada do esoterismo, e se refere à atmosfera fluídica criada em torno da pessoa pelas emanações energéticas do seu corpo espiritual. Allan Kardec não deu atenção a isso na Codificação, por se tratar de assunto de pouca importância para a compreensão da ciência dos fluidos. A "aura" nada mais é do que um efeito, causado pela irradiação íntima do Espírito. Não, a "aura" não é uma emanação do perispírito que, por si mesmo, nada é, a não ser uma massa fluídica estruturada pelo Espírito com sua projeção interior, para se manifestar no mundo exterior.
Quando desencarnamos, sendo levados para as colônias socorristas, teria como nossos entes queridos ficarem sabendo em qual delas nos encontramos?
Se forem entes desencarnados, isso dependerá da afinidade espiritual existente entre o nosso Espírito e os deles. Também se deverá levar em conta a condição evolutiva de cada um. Se são pessoas muito diferentes em moralidade, certamente irão para lugares distintos. Os mais atrasados podem desconhecer onde estão os mais adiantados. Os que nos precederam, dependendo de suas condições espirituais, poderão nos amparar no momento do desencarne e, evidentemente, saber para onde vamos.
Se a informação refere-se aos entes que ficaram no mundo material, eles poderão saber as condições do Espírito desencarnado, ou o lugar onde se encontra, evocando-o numa sessão prática de Espiritismo feita por grupos sérios.
O que acontece ao nosso anjo da guarda quando desencarnamos?
O anjo de guarda é um Espírito protetor de uma ordem elevada que Deus, por sua imensa bondade, coloca ao nosso lado, para nos proteger, nos aconselhar e nos sustentar nas lutas da vida. Cumprem uma missão que pode ser prazerosa para uns e penosa para outros, quando seus protegidos não os ouvem seus conselhos.
Quando desencarnamos, ele também nos ampara e freqüentemente o reconhecemos, pois, na verdade, o conhecemos antes de mergulhar na carne. Claro que tudo depende da condição evolutiva da pessoa em questão. O anjo da guarda poderá também nos guiar em outras experiências, por muitos e muitos tempos.
Todos os Espíritos sem exceção, mesmo os sofredores, podem conhecer a intimidade dos nossos pensamentos?
Para os Espíritos nada há que seja escondido. O pensamento é a forma de comunicação no plano invisível. Quando se emite um pensamento, ele impregna o ambiente e logicamente os que estão na dimensão espiritual o captam com facilidade. Quanto a conhecer na intimidade o que vai na alma de cada um, depende do estado mais ou menos lúcido do desencarnado em questão e ainda de suas condições morais. Como regra geral, pode-se afirmar que uma natureza má simpatiza com uma natureza má que lhe conhece a intimidade. Assim também é com os bons Espíritos. Os Espíritos sofredores podem estar passando por um período de perturbação (mais ou menos longo, conforme o caso) e não se encontrarem em condições de sondar a intimidade daqueles com quem tinham relações. Porém, não deixam de sofrer as influências vibratórias das coisas boas ou ruins que forem feitas por essas pessoas.
É possível, mesmo a pessoas menos esclarecidas, a comunicação com entes desencarnados a que foram intimamente ligados na Terra, e dos quais sentem muitas saudades?
Sim é possível, pois o intercâmbio entre os dois mundos é muito fácil e comum. Mas deve-se ter muito cuidado com as comunicações ditas de parentes desencarnados, pois como se sabe, embora a mediunidade seja um fator ligado à potencialidade orgânica, o uso que se faz dela depende da moral do médium. Muitas vezes não há como identificar se aquela comunicação é autêntica, principalmente se é dada por médiuns sem preparo para a tarefa. Freqüentemente ligam-se a esses, Espíritos enganadores que se comprazem em brincar com a dor alheia, ou então que querem estimular o ego do médium, emprestando a este uma importância que não tem.
Grupo Espírita Bezerra de Menezes
O que acontece com o nosso Espírito quando morremos?
Continuamos com nossa individualidade, isto é, teremos os mesmos conhecimentos, qualidades e defeitos que tivemos em vida. A morte não nos livra das imperfeições. Seguiremos pensando da mesma forma. Nosso Espírito será atraído vibratoriamente para regiões astrais com que se afiniza moralmente. Se formos excessivamente apegados à vida material, ficaremos presos ao mundo terreno, acreditando que ainda estamos fazendo parte dele. Essa situação perdurará por certo tempo, até que ocorra naturalmente um descondicionamento psíquico. A partir desse ponto, o Espírito será conduzido às colônias espirituais, onde receberá instrução para mais tarde retornar à carne.
Todos os Espíritos podem se comunicar logo após sua morte?
Sim, pelo menos teoricamente, todos os Espíritos podem se comunicar após a morte do corpo físico. Porém, a Doutrina Espírita nos ensina que o Espírito sofre uma espécie de perturbação (que nada tem ver com desequilíbrio) que pode demorar de horas até anos, dependendo do tipo de vida que tenha tido na Terra e do gênero de sua morte. Os Espíritos que são desprendidos da matéria desde a vida terrena, tomam consciência de que estão fazendo parte da vida espírita bem cedo, porém aqueles que viveram preocupados apenas com seu lado material permanecem no estado de ignorância por longo tempo. Dado o pouco adiantamento espiritual dos habitantes do planeta, pode-se concluir que as mensagens mediúnicas creditadas a pessoas famosas que desencarnam precocemente, não merecem credibilidade.
O que acontece com os recém-nascidos que logo morrem? E por que isto acontece?
O Espírito de criança morta em tenra idade recomeça outra existência normalmente. O desencarne de recém-nascidos, freqüentemente, trata-se de prova para os pais, pois o Espírito não tem consciência do que ocorre. A maioria dessas mortes, entretanto, é por conta da imperfeição da matéria.
Se uma criança desencarna de acidente na idade de 11 anos, ela é socorrida pelos Espíritos na mesma hora?
Os desencarnes súbitos, de uma forma geral, são muito traumáticos para o Espírito. Allan Kardec diz que no processo de desencarne, todos sofrem uma espécie de "perturbação espiritual", que pode variar de algumas horas a anos, dependendo da evolução de cada um. Nos desencarnes convencionais geralmente os Espíritos permanecem sem consciência do que lhe aconteceu por um certo tempo e, se têm merecimento, são recolhidos às colônias socorristas existentes próximas da crosta terrena. Ali são devidamente atendidos. Nos casos de desencarne de crianças, suspeita-se que sejam atendidas de imediato pela Espiritualidade, em função de estarem num estado psíquico especial, próprio da infância. Não estando de posse de todas as suas faculdades, não seria lógico admitir que ficassem em estado de sofrimento por causa dos atos da vida. Claro, a responsabilidade aumenta na medida em que a maturidade avança, criando condições para o Espírito ficar em estado de sofrimento por um tempo mais longo, se for necessário. Não há uma idade definida, que marque o início da fase adulta, assim como não há um ponto definido que separe o dia da noite. Em determinado período se confundem, mas acabam se definindo a seguir. De uma maneira geral, pode-se concluir que todos os Espíritos que desencarnam em fase infantil são imediatamente atendidos pela Espiritualidade.
Porque pessoas jovens, boas, desencarnam prematuramente, enquanto há pessoas más que vivem por muitos anos?
Se olharmos as coisas dentro da ótica materialista, certamente não encontraremos resposta para esta delicada questão. Se, no entanto, partirmos do princípio que somos seres imortais e que estamos em uma escalada evolutiva em direção à perfeição, compreenderemos com facilidade que a vida terrena é apenas parte desse processo. A verdadeira vida é a espiritual e quando encarnados cumpre-se as etapas necessárias ao aprimoramento do Espírito imortal. As diferenças existentes entre as pessoas são as várias etapas em que o Espírito se encontra em termos de evolução. O viver muitos anos, portanto, é muito relativo. A vida terrena é a escola que a criatura precisa para se aprimorar e o tempo que deve demorar aqui depende de sua necessidade. Os Espíritos bons, geralmente necessitam mesmo de menos tempo.
Uma criança, quando desencarna, seu Espírito terá a mesma idade que ela tinha, quando era encarnada?
Sim, dependendo no entanto de sua maturidade espiritual. O Espírito, quando desencarna, permanece com os mesmos condicionamentos mentais que tinha na Terra, até que se conscientize de sua real situação. Permanecerá em estado de criança ou de adolescente, por um determinado tempo, dependendo de sua evolução, ou seja, de seu grau de entendimento, até que adquira plena consciência de sua condição e de suas necessidades. Isso, geralmente acontece com Espíritos que ainda estão em situação de pouca evolução espiritual. Por isso, nas colônias socorristas próximas à crosta terrestre, encontram-se Espíritos em condição de crianças e adolescentes. Deve-se saber, entretanto, que esta situação perdura apenas por um determinado período.
Quando uma pessoa morre de morte acidental, por exemplo por afogamento, e ainda é muito jovem (18 anos) como fica o seu Espírito?
Todas as pessoas, ao desencarnarem, passam por um período mais ou menos longo de perturbação espiritual, podendo durar de algumas horas a anos, dependendo de seu grau evolutivo. Quando o Espírito é muito jovem, e certamente experimenta uma vida de muita atividade, pode permanecer sem entender sua situação por um tempo, como pode ser logo socorrido pelos Espíritos amigos que trabalham nessa área. Isso vai depender do seu merecimento. Se permanecer revoltado por ter retornado cedo, criará para si um ambiente vibratório ruim, que o levará a experimentar grandes dores morais nas zonas de sofrimento.
Os Espíritos ao desencarnarem conservariam intacta suas auras externas ? Seriam ainda emanações de seu perispírito?
Aura é um termo utilizado no meio espírita, originada do esoterismo, e se refere à atmosfera fluídica criada em torno da pessoa pelas emanações energéticas do seu corpo espiritual. Allan Kardec não deu atenção a isso na Codificação, por se tratar de assunto de pouca importância para a compreensão da ciência dos fluidos. A "aura" nada mais é do que um efeito, causado pela irradiação íntima do Espírito. Não, a "aura" não é uma emanação do perispírito que, por si mesmo, nada é, a não ser uma massa fluídica estruturada pelo Espírito com sua projeção interior, para se manifestar no mundo exterior.
Quando desencarnamos, sendo levados para as colônias socorristas, teria como nossos entes queridos ficarem sabendo em qual delas nos encontramos?
Se forem entes desencarnados, isso dependerá da afinidade espiritual existente entre o nosso Espírito e os deles. Também se deverá levar em conta a condição evolutiva de cada um. Se são pessoas muito diferentes em moralidade, certamente irão para lugares distintos. Os mais atrasados podem desconhecer onde estão os mais adiantados. Os que nos precederam, dependendo de suas condições espirituais, poderão nos amparar no momento do desencarne e, evidentemente, saber para onde vamos.
Se a informação refere-se aos entes que ficaram no mundo material, eles poderão saber as condições do Espírito desencarnado, ou o lugar onde se encontra, evocando-o numa sessão prática de Espiritismo feita por grupos sérios.
O que acontece ao nosso anjo da guarda quando desencarnamos?
O anjo de guarda é um Espírito protetor de uma ordem elevada que Deus, por sua imensa bondade, coloca ao nosso lado, para nos proteger, nos aconselhar e nos sustentar nas lutas da vida. Cumprem uma missão que pode ser prazerosa para uns e penosa para outros, quando seus protegidos não os ouvem seus conselhos.
Quando desencarnamos, ele também nos ampara e freqüentemente o reconhecemos, pois, na verdade, o conhecemos antes de mergulhar na carne. Claro que tudo depende da condição evolutiva da pessoa em questão. O anjo da guarda poderá também nos guiar em outras experiências, por muitos e muitos tempos.
Todos os Espíritos sem exceção, mesmo os sofredores, podem conhecer a intimidade dos nossos pensamentos?
Para os Espíritos nada há que seja escondido. O pensamento é a forma de comunicação no plano invisível. Quando se emite um pensamento, ele impregna o ambiente e logicamente os que estão na dimensão espiritual o captam com facilidade. Quanto a conhecer na intimidade o que vai na alma de cada um, depende do estado mais ou menos lúcido do desencarnado em questão e ainda de suas condições morais. Como regra geral, pode-se afirmar que uma natureza má simpatiza com uma natureza má que lhe conhece a intimidade. Assim também é com os bons Espíritos. Os Espíritos sofredores podem estar passando por um período de perturbação (mais ou menos longo, conforme o caso) e não se encontrarem em condições de sondar a intimidade daqueles com quem tinham relações. Porém, não deixam de sofrer as influências vibratórias das coisas boas ou ruins que forem feitas por essas pessoas.
É possível, mesmo a pessoas menos esclarecidas, a comunicação com entes desencarnados a que foram intimamente ligados na Terra, e dos quais sentem muitas saudades?
Sim é possível, pois o intercâmbio entre os dois mundos é muito fácil e comum. Mas deve-se ter muito cuidado com as comunicações ditas de parentes desencarnados, pois como se sabe, embora a mediunidade seja um fator ligado à potencialidade orgânica, o uso que se faz dela depende da moral do médium. Muitas vezes não há como identificar se aquela comunicação é autêntica, principalmente se é dada por médiuns sem preparo para a tarefa. Freqüentemente ligam-se a esses, Espíritos enganadores que se comprazem em brincar com a dor alheia, ou então que querem estimular o ego do médium, emprestando a este uma importância que não tem.
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