Estudando o Espiritismo

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segunda-feira, 16 de julho de 2012

NASCER DE NOVO


O INFINITO E O FINITO
Lições de Espiritismo (Crônicas)
Editora Espírita Correio Fraterno do ABC
José Herculano Pires

NASCER DE NOVO

Os mistérios da natureza vão sendo desvendados pela Ciência. Cada século marca um avanço do conhecimento sobre a ignorância e a superstição. O nosso século tem como missão, segundo dizia Léon Denis, esclarecer o mistério da sobrevivência espiritual. Todas as ciências avançam atualmente nesse sentido. A Física descobre a antimatéria, a Psicologia investiga os fenômenos paranormais ou mediúnicos, a Biologia mergulha nos segredos das estruturas submicroscópicas, a Astronomia reconhece a pluralidade dos mundos habitados, e assim por diante.

O ensino de Jesus a Nicodemos: “É preciso nascer de novo”, que tantas controvérsias tem suscitado no campo religioso, torna-se agora objeto de investigações científicas. Só podem abalançar-se, atualmente, a discutir a reencarnação em termos dogmáticos os que ignoram as pesquisas a respeito ou os que desejam sustentar posições sectárias. As provas da reencarnação se acumulam dia a dia. E a lógica do princípio reencarnacionista já não pode mais ser confundida pelos sofismas. A alma humana é imortal e evolui através das encarnações ou vidas sucessivas, pois a continuidade e a evolução de todas as coisas é lei universal.

Perguntam-nos alguns leitores sobre o caso do menino Terence, renascido na cidade de Búfalo, no Estado de Nova York, segundo reportagens publicadas na imprensa mundial. É o mesmo caso de Shati Devi, na Índia, tão comentado há anos passados. É o mesmo caso de tantas crianças citadas na bibliografia espírita e metapsíquica, no correr de mais de um século. É o mesmo caso das vinte pesquisas publicadas recentemente pelo professor Ian Stevenson (1) nos Estados Unidos. O mesmo dos quinhentos fatos registrados pelo professor Banerjee, na Índia, em seu arquivo da Universidade de Rajastan.

Nascer de novo não é apenas regenerar-se moralmente. A lei evangélica enunciada por Jesus, e que Nicodemos não compreendeu, é uma lei natural. O apóstolo Paulo ensina (I Coríntios) que temos corpos materiais e corpos espirituais e que todos ressuscitaremos. Há duas formas de ressurreição: a do corpo espiritual e a do corpo material. Esta última é a reencarnação, é renascer da água e do espírito, segundo o ensino evangélico.

(1) Existe já a tradução desse livro para o português, pela EDICEL, São Paulo. (Nota da editora.)

Autotransformação na Religião


Adenáuer Novaes


Considero as religiões, em particular o Espiritismo, um conhecimento estruturante para a personalidade autônoma. Seus princípios e suas práticas contribuem sobremaneira para a formação do indivíduo harmonicamente ajustado à sociedade, para a construção de uma personalidade ótima e para a consciência de ser Espírito.

Afora as inserções no Centro Espírita pelas portas da obsessão, o espírita atravessa distintas fases de aprendizado até a consolidação definitiva do saber proposto pelo Espiritismo. Perceber-se Espírito, tendo integrado à personalidade aquilo que é ensinado pelos postulados espíritas, é meta a ser atingida. Até lá, passa-se pelas fases de aproximação, informação, crença e consciência.

Para uma melhor compreensão das fases anteriormente citadas, assinalo abaixo as principais características que observo:

Aproximação. Nessa fase, o espírita, ou candidato a espírita, demonstra uma simpatia e interesse superficial pelas idéias ou pelas práticas espíritas. Sem comprometimento efetivo, alguns princípios são adotados como pano de fundo de idéias e julgamentos, mas sem uma integração completa à personalidade. A afirmação de ser espírita, quando dita, é com reservas e em ambientes receptivos. Poucas leituras são feitas, principalmente de livros muito conhecidos, sem maiores estudos e profundidade reflexiva. Eventualmente assisti a palestras de oradores famosos e de grandes eventos espíritas. Gosta do passe e faz sua caridade redentora de culpas conscientes e inconscientes. Geralmente freqüenta outros cultos.

Informação. Nessa fase ocorre um interesse maior em conhecer argumentos mais consistentes a respeito das teses e fenômenos espíritas. Há um engajamento em práticas tipicamente doutrinárias, com adoção de linguagem espirítica. Há compromissos de renovação interior e interesse em discutir questões espíritas com terceiros. Costuma apresentar-se como espírita, interessando-se pela disseminação do Espiritismo. Lê os clássicos do Espiritismo, comparando seus conceitos com os de outras religiões, declarando abertamente a supremacia das teses espíritas. Geralmente está engajado numa instituição espírita, desenvolvendo alguma atividade semanal, levando a sério a prática da caridade.

Crença. Nesta fase o indivíduo se torna um militante e fiel trabalhador da causa espírita, tendo lido todos os clássicos e boa parte da literatura espírita. Fala sobre Espiritismo em qualquer ambiente, sendo combatente contra as idéias materialistas. É conhecido em seu meio social, principalmente por ser espírita. Está envolvido em mais de uma atividade na instituição espírita, geralmente dirigindo uma delas. Fez e faz sua renovação interior, sendo sinceramente espírita-cristão. Trabalha pela causa espírita, sendo sinceramente convicto do Espiritismo. Participa ativamente do Movimento Espírita, sendo reconhecido pelas obras e atividades filantrópicas que desenvolve.

Consciência. Nesta fase, alcança-se a compreensão da proposta do Espiritismo para si mesmo. O indivíduo mantém a militância espírita, com a compreensão da diversidade de práticas nas distintas Casas Espíritas. Contextualiza os princípios espíritas, filosofando sobre eles, sem dogmatismo ou cerceamento ao livre pensar. Mantém constante contato psíquico com pessoas desencarnadas, sem se alienar da vida comum. Vive uma ética própria, desenvolvida a partir de princípios cristãos, tendo um sistema de valores sem cobranças de perfeição. Descobre no Espiritismo como constituir sua religião pessoal. Integrou os princípios do Espiritismo à sua vida íntima.

Uma mesma pessoa poderá permanecer numa das três primeiras fases toda uma existência, principalmente na terceira, sem alcançar a quarta fase, a consciência de ser Espírito. Isso varia de pessoa a pessoa e de como recebeu orientações a respeito do Espiritismo e de que forma adentrou o chamado Movimento Espírita.

É fundamental abrir-se espaço nas instituições espíritas para facilitar o acesso à quarta fase que deve fazer parte da personalidade de todo espírita, principalmente os militantes. Tal acesso não implica em abolirem-se práticas que são importantes para o acesso às fases iniciais. Para tanto é necessária a implantação, em acréscimo às atividades rotineiras de uma Casa Espírita, de: grupos de estudos avançados de Espiritismo, publicações de protocolos científicos constando resultados de experimento, grupos de crescimento e desenvolvimento pessoal com caráter de terapia de grupo, núcleo de Psicologia do Espírito, núcleo de Educação com implantação de Escola Experimental de educação infantil com base numa pedagogia espírita, núcleo de mídia e comunicação para propaganda institucional e, por fim, núcleo de captação de recursos para sustentação financeira da Casa.

Com isso, o Espiritismo ampliaria suas propostas de transformação do ser humano e de combate ao materialismo em seus principais fundamentos (orgulho e egoísmo), constituindo-se, a partir do Centro Espírita, num campo de transformação para seus adeptos esclarecidos e não apenas para freqüentadores eventuais e curiosos que desejam a salvação mágica.

É compreensível que o Espiritismo se apresente e seja praticado como qualquer religião, pois seu surgimento o caracteriza como tal. Isso, inclusive, proporciona maior aceitação popular, contribuindo para a disseminação e assimilação de seus princípios básicos. É também salutar a discussão de idéias visando alcançarem-se novos entendimentos a respeito de antigas questões e de temas emergentes e contemporâneos.

O desenvolvimento da personalidade ótima dentro do Centro Espírita se faz pela busca constante e a partir de atividades constituídas para essa finalidade. Deixar o trabalhador do centro Espírita à tarefa de sozinho, sem reforço positivo, sua reforma íntima, tem se tornado impraticável.

E-mail: adenauer@larharmonia.org.br

Autotransformação - Adenáuer



“Quem diz o povo ser o Filho do homem?” Mateus, 16:13.

“Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer d e novo, não pode ver o reino de Deus.” João, 3:3.

O nascer de novo refere-se evidentemente a uma nova reencarnação. Nascer num novo corpo é a condição necessária para a evolução do Espírito na Terra. Somos os mesmos, num novo momento, envergando uma nova vestimenta, porém o mesmo Espírito em seu processo ascensional. Reencarnar é educar-se.

“Quem diz o povo ser o Filho do homem?” Perguntou o Cristo a seus apóstolos, provavelmente procurando saber quem pensavam que ele era, a fim de saber qual o sentido que o povo atribuía à sua personalidade. Sua interrogação remete-nos à preocupação com a imagem que passamos e com o sentido apreendido da mensagem que veiculamos.

Saber como é visto não é mera preocupação com a imagem pessoal, mas como sua figura serve de projeção ao outro. O que despertamos no inconsciente e no consciente das pessoas é parte importante da mensagem que queremos passar. Às vezes, o que despertamos no outro depõe contra o que efetivamente desejamos despertar. Cuidar da imagem pessoal, sem excessos que poderiam provocar uma relação artificial com os outros, não deve ser prescindido por quem lide com a veiculação de uma mensagem. Somos também responsáveis pelo que provocamos no outro.

De um ponto de vista psicológico, sem prejuízo da análise reencarnacionista, que é óbvia e coerente, podemos entender ‘o nascer de novo’ como a necessidade da renovação interior. Essa interpretação, já exaustivamente divulgada pelos que negam a reencarnação, deve ser também entendida sob outro aspecto: o renovar-se,  ou renascer a cada dia, como a necessidade de tornar consciente o inconsciente. De se descobrir à medida que evolui.

Tornar consciente o inconsciente é realizar seu mundo interior de forma harmônica e equilibrada. É trazer à tona os conflitos, que se encontram na forma de complexos inconscientes, à consciência, para a devida solução. Esse processo requer disposição e energia voltada para o mundo interior da mesma forma que a utilizamos para o mundo externo. Além dos outros princípios básicos, explicar a reencarnação é uma das atribuições dos divulgadores espíritas, porém resolver seus problemas íntimos, oriundos desta e, principalmente, de outras encarnações, significa crescer espiritualmente, renovar-se, isto é, nascer de novo.

O nascer de novo representa  a disposição constante em confessar-se, em tentar eliminar as culpas inconscientes que trazemos de outras vidas. Elas nos impõem um gasto de energia adicional para viver. Trazem-nos tristeza e desânimo para enfrentar com novo e bom ânimo as provas e expiações a que estamos sujeitos. Confessar é retirar do mundo interior, do inconsciente, o que não segredamos aos outros. É aliviar-se psicologicamente de algo que se agiganta dentro de nós impedindo-nos de sermos verdadeiros. Nascer de novo é, aos poucos, confessar-se a si mesmo e ao próximo, conscientizando-se a cada dia da importância de ser verdadeiro no que pensa e faz. Essa confissão não implica na perda de nossa intimidade, mas significa a ausência de receios quanto a expor-se quando as circunstâncias se  fizerem necessárias. Ter liberdade significa libertar-se também das prisões que erguemos em torno de nosso passado por vergonha em expô-lo, alicerçando uma culpa que se avoluma a cada encarnação. O conselho do Cristo é muito claro: ‘vai, e não peques mais’ 9.

O nascer de novo representa a disposição constante em desligar-se das relações escravizantes que impõem limites na personalidade que deseja crescer. Ligações nas quais prevalecem a baixa qualidade de relacionamento, onde não se cresce nem se permite ao  outro crescer, são sustentadas pela posse do outro. Desligar-se dessas relações possibilita o desabrochar de uma nova e mais verdadeira personalidade, livre das contingências que impedem o aprendizado ao Espírito.

O nascer de novo representa a disposição constante em acreditarmos em nós mesmos. Em reconhecer nossas potencialidades que nos capacitam a uma verdadeira atuação sobre as dificuldades que a Vida coloca à nossa frente, como degraus evolutivos. Viver buscando crescer espiritualmente é um desafio a que todos temos que enfrentar.

Nascer de novo é fazer brotar a vida onde antes ela se encontrava inibida, onde não se tinham mais horizontes renovadores. Nascer de novo é um importante código da Vida que deve sempre ser evocado pelo Espírito em todas as circunstâncias de sua evolução. O Espírito deve sempre se perguntar: Há alguma outra maneira mais saudável e mais harmônica de viver? Certamente que a Vida irá mostrá-lo que há muitas opções, cuja percepção lhe é ampliada à medida que evolui. 9  João, 8:11.

O nascer de novo  também significa eliminar os medos conscientes e inconscientes. É buscar, a cada dia perceber a existência de medos não conscientizados, que, de forma subliminar, interferem em nossa disposição de viver. Medos enraizados durante as vidas sucessivas e medos adquiridos na atual encarnação. Os últimos são mais fáceis de erradicar-se, porém os primeiros exigem tempo e disposição para enfrentá-los e eliminá-los.

As nossas disposições inconscientes, oriundas das experiências alicerçadas nas vidas passadas, são poderosos determinantes comportamentais para a vida presente. Nascer de novo é despertar para necessidade de criar, conscientemente, novas disposições e motivações na vida presente.

O nascer de novo nos convida a eliminar a culpa e o remorso que trazemos inconscientes, cuja origem se perde nas vidas passadas. Quantos conflitos, alguns leves, outros graves, que não resolvemos em nosso passado reencarnatório? Eles hoje se tornam fatores degenerativos à personalidade quando seria de desejar um comportamento coerente com princípios nobres e superiores.

O convite a Nicodemos para o necessário nascer de novo deve ser ampliado também para o comportamento privado. As verdades eternas ou leis gerais da natureza são importantes para o coletivo e devem também ser aplicadas no particular. De um lado temos o dever de ensinar essas leis, quando as entendemos, e de outro, aplicá-las ao mundo interno, o que repercutirá na vida social.

Nossos conflitos não resolvidos, desta e de outras encarnações, se enredam em teias psíquico-emocionais, assumindo a feição de complexos. O nascer de novo representa a dissolução desses complexos alimentados, principalmente, nas vidas pregressas. Reconhecer, enfrentar e dissolver um  complexo, pode ser desafio que leve anos e, às vezes, encarnações.

O nascer da água e do Espírito é o modificar-se externa e internamente. É a transformação que se exterioriza a partir de uma renovação interna. A água é matéria, portanto o que se exterioriza e que serve de representação à essência. É o mundo material com suas relações. O Espírito é a própria essência do ser, que se renova a cada dia, num crescente conhecimento da lei de Deus.

O Espírito, quer encarnado quer desencarnado, utiliza suas energias psíquicas para o mundo externo nas relações com ele e para o mundo interno na suas relações consigo mesmo. Saber usar essas energias equilibradamente, nem tanto para fora nem tanto para dentro, é uma arte. São escolhas progressivas e regressivas que se alternam para a evolução do Espírito. Somos mais progressivos do que regressivos com nossas energias. Vivemos mais o mundo externo que o interno. O convite do Cristo é para não esquecermos de aplicar nossas energias também no mundo interno, o qual nos estrutura para viver o externo. Sem a renovação interior fica um grande vazio na alma. Não é fácil dirigir a energia psíquica para ambas as direções, face às exigências do mundo.

A felicidade para quem busca a renovação interior deixa de ser um desejo futuro para se tornar um meio de se alcançar a harmonia e a paz. A felicidade é um meio, e não um fim, não é um lugar, mas um estado de espírito.

Quando nos dispomos a nascer de novo a cada dia, possibilitamos que a compreensão e o perdão estejam sempre presentes diante dos equívocos do nosso próximo. Só cresce quem sabe perdoar, pois deve considerar que também seria capaz de cometer o mesmo equívoco que percebeu no outro.

O nascer de novo também é um convite a que aprendamos, a cada dia, a nos libertar das identificações excessivas com a  persona, que nada mais é do que um dos muitos papéis sociais de que nos utilizamos para viver em sociedade, sabendo utilizá-la de acordo com necessidades reais e a serviço do Self.

O Cristo nos convida à renovação interior para o alcance do estado de felicidade, passaporte para uma Vida em harmonia com o Universo.

domingo, 15 de julho de 2012

Reforma Íntima

A reforma íntima é um traballho processual. Processual significa aquilo que obedece a uma sequência. Em conceito bem claro, é a habilidade de lidar com as características da personalidade melhorando os traços que compõem suas formas de manifestação. Caráter, temperamento, valores, vícios, hábitos e desejos são alguns desses caracteres que podem ser renovados ou aprimorados. Nessa saga de mutação e crescimento, o maior obstáculo a transpor é o interesse pessoal, o conjunto de viciações do ego repetido durante variadas existências corporais e que cristalizaram a mente nos domínio do personalismo. O hábito de atender incondicionalmente as imposições  dos  desejos e aspirações pessoais levou-nos a cruel escravização, da qual muito será exigido nos esforços reeducativos para nos libertamos do “império do eu”. Negar a si mesmo ou “despersonificar-se”, esvaziar-se de “si”, tirar a máscara é o objetivo maior da renovação espiritual. Esse o grande desafio a seguido por todos os que se comprometeram com seriedade nas nobres finalidades do Espiritismo com Jesus e Kardec. Extenso será esse caminho reeducativo na vitória sobre nossa personalidade manhosa e talhada pelo egoísmo... O meio prático e eficaz de consegui-lo, conforme ensinam os bons Espíritos da Codificação, é o conhecimento de si mesmo. REFORMA ÍNTIMA SEM MARTÍRIO (trecho)

Pensar-se a si mesmo

E aí, Bartolomeu? O fato de sermos observados, ou melhor, de sabermos que somos observados muda alguma coisa em nosso comportamento? A observação é só problema de quem observa? Se julgarmos que essa observação provém inicialmente do Cristo e se efetiva em nossa consciência de seres livres mas conduzidos pela interdependência, o problema muda de figura? E se se processar o contrário, ou seja, se formos nós os observadores, como pensamos que o objeto de nossa observação deva se comportar? Tantas perguntas certamente levarão a muitas respostas e, talvez, a mais indagações ainda. No entanto, consideremos, para nosso melhor entendimento, que Natanael/Bartolomeu só soube que era observado quando o próprio Jesus o informou a esse respeito. Isso quer dizer que um dia teremos a confirmação de que, sim, estamos de fato na mira de um ser mais comprometido que nós mesmos com nosso crescimento espiritual. Afinal, o Cristo não é o pastor deste rebanho do qual nós somos as ovelhas? Perguntas, perguntas, perguntas... E, por falar nisso, será útil para nossas reflexões deste sábado, 14 de abril, meditarmos nas palavras abaixo, excerto da Introdução do livro "Ser e consciência", de Elzio Ferreira de Souza (póstumo) e ditado pelo Espírito Yogashririshnam: "Há uma urgente necessidade de pensar-se a si mesmo, ou seja, tomar-se como objeto de observação. Durante muito tempo privilegiou-se o olhar para fora, a direção do olhar para o mundo exterior no afã de conhecer e dominar o Universo, a Natureza; esqueceu-se o homem de que ele também é parte da Natureza, está nela inserto, e que não pode compreendê-la totalmente se não consegue conhecer a sua natureza, isto é, autoconhecer-se. A pergunta – Quem sou eu? não é extemporânea e nem irrespondível, apenas exige mais atenção, mais trabalho, mais desprendimento do que para conhecer as ciências materiais, pois o auto-observar-se implica um jogo de forças bastante grande, por ser, o sujeito a observar-se, tomado como objeto." Como nos posicionarmos ante tais convites da Vida? Perguntas, perguntas, perguntas... Postado por Chiz às 17:26

A influência dos Chakras

A influência dos Chakras Entenda como funciona o fluxo energético humano através dos chakras, que desempenham a função de captar e irradiar energia Por Dalton Roque Campos O sânscrito é uma língua erudita da antiga Índia criada principalmente para entoar mantras. Termos que hoje são populares e bem conhecidos como karma e chakras vêm do sânscrito.Todo esse conhecimento antigo consta dos Vedas (estima-se de 5 mil anos a.C. ou mais), divididos em quatro livros sagrados, denominados Rig-veda, Sama-veda, Yajur-veda e Atharma-veda, também referidos como Lei do Eterno ou Sanatdharma. O sânscrito, com 50 caracteres (chamados devanagari), consistia no idioma dos iniciados da antiga Índia. Aproveitamos o ensejo para explicar que hinduísta ou hindu é quem segue os vedas e indiano é quem nasce na Índia. Há indianos que não são hinduístas, a exemplo das comunidades muçulmana, budista e católica. Hinduístas e iogues (rishis), há cerca de 5 a 8 mil anos, já estudavam os chakras, rodas, pontos de energia ou centros de força específicos, que fazem parte do corpo bioenergético (também chamado de duplo etérico, holochacra, energossoma ou campo bioelétrico). Sua função principal radica nas trocas de energia (prana) do meio ambiente para o interior do campo energético e físico. Chakra é a denominação sânscrita dada aos centros de força existentes nos corpos espirituais do ser humano, também chamados lótus ou rodas. Quando inativos, assemelham-se a rodas. Quando despertam, tomam a aparência de uma flor (lótus) aberta, irradiante, de cor clara fulgurante, em razão da frequência da energia das pétalas. No ser humano comum, cada chakra principal possui dois ou três centímetros de diâmetro e fraca luminosidade. As formas e as características luminosas vão se ampliando com o aperfeiçoamento extrafísico.Quanto mais evoluído o ser, mais percebe e emprega com inteligência as funções dos chakras. O Mundaka Upanishad define o chakra como o local onde os nádis ou meridianos se encontram, como os raios no meio de uma roda de carruagem. Os centros são formados pelo encontro dessas linhas de força, do mesmo modo que os plexos, no corpo físico, são formados pelo encontro de nervos. Plexos são concetrações ou feixes do sistema nervoso do corpo físico.Grandes plexos do corpo são associados aos chakras (mas, favor não confundir plexos com chakras). O plexo solar, na altura do estômago, por exemplo, é conhecido da medicina terrena. Já o chakra que se associa ao mesmo, não, pois não se encontra no corpo físico e sim no duplo etérico, portanto, longe do alcance dos equipamentos atuais, embora possa ser constatado facilmente pela clarividência. Quanto mais alto o chakra no corpo humano, maior o número de pétalas, mais elevada e mais alta é a sua frequência. Os sete chakras mais importantes (na ordem de cima para baixo): chakra coronário (cocuruto), chacra frontal ( no meio da testa, entre as sobrancelhas), chakra laríngeo (base da garganta), chakra cardíaco ( no meio do peito), chakra umbilical ou gástrico (dois centímetros acima do umbigo), chakra sacro (sexual) e chakra básico (radical ou perineal). O chakra esplênico (baço) é um chakra secundário, pois não está associado a nenhuma glândula. Desbloqueio energético Os chakras podem estar bloqueados ou sadios, lentos ou rápidos. Dependendo da forma que você conduz sua vida, poderá ter uns ou outros chakras mais desenvolvidos. Há um conceito popular que diz que os chakras se desalinham, mas isto não é verdade. Os chakras podem estar obstruídos, mas nunca desalinhados, embora em deformidades físicas possam estar alterados, conforme o caso. Quem costumeiramente ministra passes ou realiza cirurgias têm os chakras das mãos (palmo-chakras) desenvolvidos. Quem pratica caridade de forma desinteresseira, afetuosa e frequente, floresce o chakras cardíaco. Quem estuda com afinco, profundidade e constância, desenvolve o chakra frontal. O mesmo se aplica ao que vive em função do sexo, no tocante ao chakra sexual, ao emotivo, em relação ao chacra umbilical, e ao orador, locutor e docente, que desenvolve o chakra laríngeo. Quem é muito espiritualizado (independente de professar religião ou não) tem o chakra coronário robusto. Como a conduta (interior e exterior) do indivíduo determina quais os seus chakras mais bem desenvolvidos, há pesquisadores de bioenergias que dividem os segmentos da humanidade em grupos homogêneos, unidos e rotulados em face de seus integrantes priorizarem o(s) mesmo(s) chakra(s). Exemplo: "João é muito umbilicochakra." Leia-se: João possui sentimentos e pensamentos muito densos, relativos ao chakra umbilical, como raiva, inveja, e ciúme. Possui, segundo a Conscienciologia, subcérebro abdominal predominante. Outro exemplo: "Maria é muito cardiochakra." Significa dizer que Maria é muito emotiva. Em outras palavras, os sete principais chakras acima aludidos (coronário, frontal, laríngeo, cardíaco, umbilical, sexual e básico) espelham a mentalidade e o modo de vida diário de cada ser. Quando se disser que o chakra coronário é o que prevalece na vida de determinada pessoa, entenda que ela é muito espiritualizada. Porém, se "vive pelo chacra umbilical", trata-se de indivíduo mais animalizado. Por outro lado, se nele predomina o cardíaco, nele prepondera a índole afetuosa. A seguir, trecho retirado do excelente livro Influências Energéticas Humanas, de Francisco de Carvalho, em produção independente: "Para cada palavra falada, o chacra laríngeo emite uma energia própria. E o chacra frontal também emite energia mental, porque a fala é produto do pensamento. Para cada ato sexual, o chacra genésico emite energia sexual. E o chacra frontal também emite energia mental, porque o ato sexual também é produto do pensamento. E o chacra umbilical também emite energia emocional, porque o ato sexual gera emoção. E o chacra cardíaco poderá também emitir energia sentimental, se o ato sexual gerar sentimento. Quando o ser humano está em meditação sublime, aquele estado de pureza d'alma ativará o chakra coronário, que emitirá suas energias próprias, que são as mais elevadas que o ser humano pode gerar. Além disto, também os seus chakras frontal e cardíaco emitirão as mais elevadas energias mentais e sentimentais, respectivamente." Descrição dos sete chakras No corpo humano há sete chakras principais ou centros de energia. Normalmente listados de cima para baixo ou vice-versa. Depende do escritor. Fato é que os sete chakras são alinhados ao longo de um eixo verticalmente corrente pelo corpo, que provê uma geometria natural nos chakras. Seguindo-se este eixo vertical que se encaixa dentro da coluna vertebral humana, em sua extremidade superior temos o chakra coronário e na inferior o chakra básico. Há autores e espiritualistas que consideram o chakra esplênico como um dos sete principais, o que é um grande erro. Ele é um chakra secundário. Destaca Pierre Weil que os chakras não estão isolados uns dos outros; eles mantêm uma influência recíproca. "Os chacras inferiores retêm o homem na vida animal, propiciando-lhe, no entanto, as energias necessárias à sobrevivência, enquanto os superiores buscam acelerar a evolução do indivíduo." No Yoga se afirma que cada chakra é constituído metade dele mesmo e metade dos seis chacras restantes. As características funcionais de um chacra seriam, assim influenciadas pelos outros chacras." (Vide Pierre Weil, op. Cit.). Os chakras não são simples centros energéticos, mas também centros de consciência. A esse respeito, esclarece o Lama Anagarika Govinda: "Enquanto que, de acordo com as concepções ocidentais, o cérebro é a sede exclusiva da consciência, a experiência iogue mostra que nossa consciência cerebral é apenas "uma" entre muitas formas possíveis de consciência, e de acordo com suas funções e natureza, pode ser localizada ou centralizada em vários órgãos do corpo.Estes "órgãos" que coletam, transformam e distribuem as forças que fluem através deles são chamados de chacras ou centros de força. Deles irradiam correntes secundárias de força psíquica, comparáveis aos raios de uma roda, às varetas de um guarda-chuva, ou às pétalas de um lótus. Jung os considera também centros de consciência, ou seja, "uma espécie de graduação de consciência que vai desde a região do períneo até o topo da cabeça" (fundamentos de psicologia Analítica, Vozes, 1972, pg.26). E reafirmou na conversação: "Os chacras são centros de consciência. Os inferiores são centros de animal. Existem outros centros ainda abaixo do Muladhara."(pg.72). Coronário: do sânscrito,Sahashara "o lótus das mil pétalas". Localizado no topo da cabeça, ligado à glândula pinel (epífise). Bijamantra: não tem. O despertamento deste chakra se dá em decorrência do desenvolvimento dos outros chakras, principalmente o frontal. Favorece a expansão da consciência, do nirvana (Budismo), samadhi ou consciência cósmica. Atua na memória, quando de retorno das saídas do corpo (viagens astrais). Possui 972 "pétalas", exatamente, onde 12 são internas e 960 são externas. Estas 12 pétalas internas possuem íntima ligação com o chacra cardíaco, obrigando ao ser humano evoluir pelo amor. Frontal: Ajna "centro de comando". Na testa, ligado à glândula hipófise (pituitária). Bijamantra: OM. Quem sente o frontal vibrar, pulsar ou latejar, é porque já despertou a kundalini, ocorrência comum nos médiuns desenvolvidos. Quando ativado, desperta a clarividência e a intuição e dá as seguintes sensações na testa: pulsações, ardência, rachadura, intumescimento. Possui 96 pétalas. Laríngeo: vishudda, "o purificador". Localizado na garganta, ligado à glândula tireoide (e paratireoides). Bijamantra: ham. Ligado às cordas vocais (comunicação), boca (mastigação e salivação) e traqueia e laringe ( respiração). Quando bem desenvolvido, favorece a comunicação. Médiuns de psicofonia possuem o chakra laríngeo desenvolvido. Possui 16 pétalas. Cardíaco: Anahata, "invicto", "inviolado". No meio do peito, ligado à glândula timo.Bijamantra: yam. Trabalha a área cárdiorrespiratória e os sentimentos. O coração sofre a ação do que a consciência sente em nível afetivo. Possui 12 pétalas. Umbilical: Manipula, "cidade das jóias". Cerca de dois centímetros acima do umbigo (controla toda a região do plexo solar), ligado à glândula pâncreas; Bijamantra: ram (pronuncia-se "ra"m). Também chamado de cérebro abdominal ou coração-moral-das-entranhas. Quando está aberto , funciona como um radar psíquico. Sente sem ver, instinto. Alimentação viscosa bloqueia este chakra, como: nozes, cafeína, castanha de caju, amendoim e chocolate, do qual médiuns e projetores devem evitar próximo ao momento de seus trabalhos espirituais. Este chakra é responsável pelas emoções mais instintivas (média da humanidade): ódio, inveja, ciúme,raiva, orgulho, vaidade, medo, egoísmo e outros sentimentos densos. Possui 10 pétalas. Sexual: Swdhistana, "morada do Prazer". Na região do baixo ventre (pela sua própria localização no corpo, esse chakra seria melhor denominado como "gênito-urinário"), ligado às gônadas (homem: testículos: mulher: ovários); Bijamantra: vam. Possui 6 pétalas. Básico: Muladhara, "base e fundamento", "suporte". Na base da coluna, ligado às glândula suprarrenais. Bijamantra: lam. Sede da kundalini, fogo serpentino ou poder ígneo. Quando bem desenvolvido, propicia autoconfiança, segurança e prazer em viver. Possui 4 pétalas. Quanto aos chakras básicos e sexual: a ligação desses dois chakras é estreita demais. Isso se deve ao fato de que parte da energia kundalini é veiculada do básico para dentro do chakra sacro (sexual). Em função desse fator, alguns tibetanos consideram esses dois chakra um único centro. Há muito mais chakras do que os sete principais. Há chakras secundários nas palmas das mãos (palmochakras), plantas dos pés, pulmões, fígado, estômago, orelhas, mandíbulas, ombros, joelhos, entre as escápulas (omoplatas). Na verdade, os chakras estão espalhados por todo corpo. Para cada poro do corpo, há um pequeno chakra em correlação direta, no campo vibratório correspondente. Os chakras, o Livro dos Espíritos e os Upanishads A referência aos chakras como centros de consciência permite-nos entender melhor uma passagem de O Livro dos Espíritos, que, literalmente entendida, já se mostrava defasada na época de sua recepção. Na questão de n* 146, Allan Kardec registrou o ensinamento dos espíritos sobre a sede da alma: "146- A alma tem sede determinada e circunscrita no corpo? R.- Não, mas ela está particularmente na cabeça dos grades gênios, em todos aqueles que pensam muito, no coração daqueles que sentem muito e cujas ações dizem respeito a toda humanidade. - Que se deve pensar da opinião daqueles que colocam a alma num centro vital? R- Quer dizer que o espírito habita de preferência nessa parte de vosso organismo, pois que ali desembocam todas as sensações. Aqueles que a colocam no que eles consideram como o centro de vitalidade a confundem com o fluido ou o princípio vital. Pode, todavia, dizer-se que a sede da alma está particularmente no órgãos que servem às manifestações intelectuais e morais". Do mesmo modo que os plexos são formados pela concetração da rede nervosa, os chakras ou centros de força o são pela concentração das nadis. A Mundaka Upanishad define o chakra como o local "onde as nadis se encontram como os raios no cubo de uma roda de carruagem". Segundo Michel Coquet, os chakras maiores seriam o resultado da junção de 21 nadis, os menores seriam o resultado da junção de 14 ou de 7 nadis. Tara Michel, todavia, entende que a disposição das nadis está relacionada com o número de pétalas que eles apresentam: o número e a posição das nadis que circundam o chakra seria responsável pelo número delas. Em geral, costuma-se fazer referência a sete chakras. São os chakras maiores, mas não únicos. O destaque dá-se porque eles estão envolvidos com o desenvolvimento epiritual do indivíduo e cada um deles está ligado à determinada glândula do corpo humano. No entanto, existem muitos outros, inclusive abaixo da coluna vertebral, como os situados na planta dos pés (atala), no dorso dos pés (vitala), na articulação superior da perna com o pé (nitala), no joelho (sutala), na parte inferior da coxa (mahatala), parte média da coxa (talatala) e a parte superior da coxa (rasatala). Além desses, é importante destacar o chakra mesentérico (esplênico ou do baço), em geral omitido pela literatura hindu. Esse chakra, apesar de sua importância para a saúde e para o sistema imunológico, não tem especial função no sistema de desenvolvimento espiritual e não está ligado a uma glândula, sendo, por isso, possivelmente omitido naquelas escrituras. Leadbeater refere-se à existência de um segundo chakra secundário à altura do coração, abaixo do cardíaco, mas Aurobindo o nega: "Nunca ouvi falar de dois lótus no centro do coração; mas ele é a sede de dois poderes: na frente, o mais vital, mais alto ou ser emocional, atrás, e escondido, o ser psíquico ou alma".   Trecho de artigo publicado na                                      revista Caminho Espiritual 02, do Dr. Elzio Ferreira de Souza Postado por Casa Espírita Raio de Sol às 17:05 Nenhum comentário:

O DEVER

27/06/2012 O DEVER (por Yogashririshnam*) [...] Para iniciar o verdadeiro caminho espiritual, é necessária a satisfação correta dos chamados deveres terrenos. O cumprimento do dever é norma básica e fundamental. Não basta, porém, executa-lo de qualquer modo, realizar a obrigação com a vontade íntima de abandona-la para consagrar-se a outra tarefa. A tarefa em nossas mãos não deve apenas ser feita, mas realizada com toda a perfeição possível. Se o indivíduo, por exemplo, deseja adquirir uma profissão, deve faze-lo com total correção, adquirir todo conhecimento e prática que lhe sejam necessários a seu exato desempenho. Ele terá de ser o melhor – não melhor que os outros, como em geral se entende, na busca de títulos, posições, riqueza e poder -, mas o mais proficiente e eficiente que possa ser em relação a suas potencialidades. A disputa não é com ou contra os outros, mas consigo mesmo. [...] Todo direito tem uma contrapartida no dever; direito e dever são verso e reverso da mesma moeda.  Impossível é o exercício de qualquer direito sem a satisfação imediata de determinada obrigação. [...] O direito, pois, que mais se deve exercitar é aquele de cumprir o próprio dever [...]. *YOGASHRIRISHNAM. Ser e Existência – Comentários Psicológicos. Psicodigitação e notas de Elzio Ferreira de Souza. 1. ed. Bahia: Circulus, 2011.

sábado, 14 de julho de 2012

As Três Bandeiras do Espiritismo


As Três Bandeiras do Espiritismo

Aprendizes do Espiritismo, recebemos três diretrizes, verdadeiros fundamentos para a nossa vida: “Trabalho, solidariedade e tolerância”; reforma íntima e “fora da caridade não há salvação”.
A visão espírita do trabalho ultrapassa de largo o exercício de uma profissão. O trabalho é uma lei moral, tem a ver com o ensino de Jesus: “Meu Pai trabalha sempre!”. Portanto, trabalhar é uma permanência, uma indispensabilidade, uma decorrência de nossa condição humana. Tudo trabalha em a natureza. Mas o trabalho do homem é mais que automatismo. Semear, cuidar, compartilhar, criar, servir, são alguns verbos associados ao nosso conceito de trabalho. Mesmos idosos ou doentes, podemos trabalhar com a mente, o coração vibrando de amor, ternura e paz.
O ser solidário antepõe-se ao ser solitário. Não se trata de um jogo de palavras. Na verdade nossa humanidade está muito cheia de solitários. Os famintos, os excluídos de toda ordem, que não têm atenção, carinho, respeito, compreensão. Tanto no plano espiritual quanto entre as nações, é ainda muito recente o conceito de apoio mútuo, de interdependência. Tais solidões geram dor, sofrimento, iniqüidades. O mundo está cansado de sofrer. Necessita de nova economia, nova gestão de recursos naturais, renovada preocupação com o meio ambiente e, sobretudo, nova leitura a respeito das relações humanas.
Tolerar é aceitar e conviver com as diferenças. Ainda bem que há diferenças! A riqueza da criação está justamente nas coisas distintas, nas escolhas diversas. Como se fosse um caleidoscópio, ajustadas e aceitas as partes, o todo se renova e provoca novas e desafiadoras surpresas a cada momento. O outro é legítimo, preciso aceitar isso a priori, a fim de que, juntos, possamos construir uma realidade mais bela e melhor. Naturalmente implica em abdicar de posições próprias definitivas e excludentes. Mas esse é o exercício do cidadão espírita universal.
No entanto, como ser solidário, aceitas diferenças e entender o trabalho como um dever moral se mantivermos os mesmos padrões do homem velho, hostil, maledicente, egoísta? É aí que a segunda bandeira, bússola comportamental, a reforma íntima, entra em ação em nós. Renovação! Novos hábitos físicos, mentais, espirituais. Oração, vigilância, disciplina, todo dia, toda hora, pensamento a pensamento, palavra a palavra, atitude a atitude. Desafio em que o velho homem das cavernas continua firme, um pouco escondido pela educação aparente, mas firme e forte, dentro de nós. Qualquer invigilância ele retorna num comentário mais ferino, num deboche azedo, na velha preguiça, na paixão sem controle.
A melhor ferramenta da reforma íntima é a caridade, conforme aprendemos na questão 886 de O Livro dos Espíritos. Há três palavras-chave da caridade: benevolência, indulgência e perdão. Para que haja caridade temos que querer o bem do próximo, adoçarmo-nos internamente e oferecer a ele o melhor de nós mesmos. Estes são os sentidos de bene + forma derivada do verbo latino volo: trata-se de uma força íntima que nos faz querer bem ao outro, independente de quem o outro seja; de indulgência, forma latina para apreço, concordância; e do latim per, que significa complemente + forma do verbo latino dono, que significa dar, dar de presente, perdoar.
A caridade, portanto, é de ordem moral. Trata-se de uma visão salvadora de dentro para fora do ser, ao contrário de outras visões de salvação, de fora para dentro da criatura. A caridade, enquanto não se torna espontânea, natural em nós, exige esforço. Os espíritos superiores vivem em estado de caridade. Nós exercitamos a caridade ainda ocasionalmente. Dia virá, no entanto, que nosso comportamento usual será verdadeiramente caritativo. Aí poderemos dizer, parafraseando Paulo “… já não sou eu quem vive, é Cristo que vive em mim”. (Gálatas 2,20)
Autor (a): Cesar Reis
Revista Cultura Espírita – nº 33 – página: 11 – dezembro / 2011
ICEB (Instituto de Cultura Espírita do Brasil / Rio de Janeiro)

Do site doutrina espírita - luz da razão

Suicídio e depressão


Historicamente, gregos e romanos nos interpretavam o suicídio com ambitendência. Na doutrina Judaica-Cristã, a vida deve ser preservada. Segundo Santo Tomás de Aquino, o suicídio seria uma forma de assassinato. Caberia a Deus o fim da existência. No moderno contexto social, a interpretação do suicídio é complexa. Para Stevenson, vítimas de suicídio sofrem de alguma doença orgânica ou transtornos da personalidade. Quanto mais elevada .a classe social, maior o risco. O desemprego, a queda do status social e a desilusão afetiva, a separação conjugal, dividindo e reprimindo o relacionamento afetivo dos filhos, submetidos a novas personagens da partenidade e da martenidade. Padrastos e madrastas não representam biologicamente a natureza humana.

Estudos contemporâneos revelam transtornos relacionados ao suicídio. Vivências de perda comprometidas com o objeto amado, ruptura da ferida narcísica de âmbito profissional e fortes emoções afetivas. Para Aaron Beck, Professor emérito da Universidade da Pennsylvania, a finitude de todas as esperanças é um dos indicadores do risco de suicídio mais precisos. Com distorções das idéias e dos pensamentos, proporcionando percepção ou cognição negativista e pessimista da vida, do mundo e do futuro, determinando um estado depressivo final. Durante as recessões econômicas, as taxas de suicídio aumentam. Na Grande Depressão da década de 30 nos Estados Unidos, os maiores índices de suicídio ocorreram na Ponte Golden Gate, em São Francisco, segundo Alec Roy professor da Universidade de New Jersey.

Como questão popular leiga, o suicídio seria um ato de loucura, corvadia ou coragem? Culturas místicas relacionam o suicídio com a autopunição ou renascimento. A partida para um mundo melhor. Um sentimento espiritual místico de realização e supostas gratificações. O terrorismo de fanáticos com atentados e auto-destruição (Nova Iorque, "homens Bombas" no Oriente, não conduz ao paraíso, mas para o inferno, com maldição religiosa.)

Kay Taminson, da Universidade de Johns Hopkins, afirma que o governo americano incentiva em saúde publica programas de diagnostico e prevenção do suicídio entre os jovens. Testes psicológicos, questionários, inventários e "life charts" são procedimentos de rotina nas Escolas para detectar jovens potencialmente suicidas.

Os grupos de risco genéticos selecionados são monitorados pelos Departamentos de Psicologia e Psiquiatria das Universidades.

As alterações encontradas são os transtornos bipolares, depressão maior, anorexia grave como transtorno de doença mental, ideias de suicídio. Comprometimento genético (depressão, suicídio, alcoolismo e drogas). Calory Pataki, da Escola de Medicina da Universidade de Los Angeles, consigna como fatores importantes no suicídio de adolescentes: eventos adversos da vida, circunstâncias ambientais familiares desfavoráveis ou impróprias e alterações cognitivas.

Doenças orgânicas graves, câncer, esclerose múltipla, demência, Aids, Alzheimer estão relacionadas. Segundo autores, suicídios apresentam depressão (que se comprova através dos níveis de serotonina) e transtornos mentais. As personalidades compatíveis com o suicídio são: borderline, antissocial, ciclotímica, compulsiva e esquizóide. Simplesmente um ato de loucura? Ou revolta e fuga de um mundo violento, cruel e traiçoeiro, mundo letal.

Josué de Castro
médico, professor e escritor

Do diário do nordeste

Julgamentos


REFLEXÃO DO DIA
"É muito melhor perceber um defeito em si mesmo do que dezenas no outro, pois o seu defeito você pode mudar. Seja a mudança que você quer ver no mundo." - Dalai Lama

Eis uma mania do ser humano: julgar e apontar o dedo para as pessoas que lhe cercam. Às vezes, me parece até que é cultural esse negócio de falar da vida dos outros e dar vereditos sobre suas atitudes e decisões. Tudo dentro do justo e do que se considera correto, mas eu lhe pergunto: e daí, que diferença isso fará na sua vida?
O julgamento é uma atitude injusta pois nunca saberemos a verdade do outro nem seus motivos ou sentimentos e, por mais que saibamos, não temos o direito de julgar porque cada ser humano é único e movido por sua história pessoal.
Ao adotar uma atitude de crítica, você cultiva sentimentos densos que desestabilizam o seu campo energético. Sendo asim, falar dos outros ou julgar faz mal, em primeiro lugar, para nós mesmos. Somos nós quem nos conectamos com emoções inferiores, trazendo-as para o nosso campo aúrico. Não abra essas portas para as energias negativas. Para nos mantermos equilibrados e concetados com o bem, não basta orar e acender incenso. É preciso cultivar atitudes diárias de amor e respeito. 
Se você tem o movimento da mudança dentro de si, use-o para seu proveito. A única pessoa que você pode mudar é a si mesmo. Pare de perder tanta energia com o outro e foque nas suas inferioridades. Essas sim precisam de sua atenção e reflexão. Então, meu amigo, encerre esse ciclo do julgamento e seja responsável, somente, pelas suas mudanças!
Um bom dia para todos nós!
Namastê.

do site Luz da Serra