Estudando o Espiritismo

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segunda-feira, 4 de junho de 2012

ESPÍRITOS FELIZES - "O Céu e o Inferno"



Uma das coisas mais difíceis para nós é entendermos o que significa a palavra felicidade na sua amplitude absoluta. Se observarmos em qualquer livraria ou se colocarmos o título “Felicidade” na rede de busca da internet haveremos de obter mais de 10.0000 de títulos.

O materialismo exacerbado com o qual convivemos diariamente faz com que muitas vezes duvidemos desta felicidade citada em tantos livros.

Mas nós, espíritas, sabemos que nosso planeta Terra é um mundo de provas e expiações em processo de transição para um mundo regenerado.


E quando falamos de mundos, no E.S.E. cap. III encontramos a explicação para a parábola de Jesus “Há muitas moradas na casa de meu pai” que nos esclarece a progressão dos mundos desde os Inferiores até os das esferas Superiores, que seriam os mundos felizes.

E é justamente a população de cada mundo/planeta que o faz mais o menos feliz. Entendemos, portanto para que a Terra melhore os homens, que nela habitam, precisam melhorar também.

O sábio Mahatma Gandhi com sua célebre frase “Que nos tornemos a mudança que buscamos no mundo” nos chama atenção e lança um “balde de água fria” para que acordemos quando nos pegamos reclamando disto ou daquilo sem estarmos fazendo nada para melhorarmos o meio em que vivemos. E quantos são os que vivem a reclamar de sua condição sem olhar o próximo, sem olhar para irmãos em situações menos favorecidas quando poderiam estar dando uma mão, um amparo... quiçá uma palavra de amor!

Mas nós somente olhamos o nosso próprio meio, o nosso próprio nariz... Se estou com problemas não ajudo a ninguém... E quando, neste planeta de provas e expiações, eu estarei isento de uma ou outra dificuldade se são os meus desafios que me fazem crescer como ‘ser’ quando supero de forma saudável e harmônica?

Parafraseando nosso Mestre Jesus “É preciso ter Olhos de ver, Ouvidos de escutar e boca para lançar perfume ao vento...”.

Há quantos séculos Jesus já pregava ser o Amor ao Próximo o grande alvará para mundos melhores e felizes?

“Há muitas moradas na casa de meu pai...”.

Que eu faça de minha atual morada a melhor possível!

Que eu plante flores em meio a espinhos...

Que eu não somente tire de meu caminho todas as pedras que conseguir como também ajude meu irmão em sua jornada...

Que eu pare de lamentar e me coloque a disposição de meu Deus e Criador que deseja que eu seja feliz e me dá inúmeras oportunidades para que eu vença.

Mas aonde eu coloco minha meta de “Ser Feliz”? Será que ainda não estou por demais apegada à matéria, meu egoísmo não me permite estender a mão?

Quando Kardec no cap. XV coloca a Parábola de Jesus “Fora da Caridade não há salvação” ele nos lembra as diversas formas de praticar o amor de Jesus... Palavras, gestos, doçura, afabilidade, coerência, justiça e todas as inúmeras virtudes que sabemos fazer parte de um homem de bem.

Felicidade Espiritual

Muito diferente do que entendemos como ser “Felicidade”, o espírito quando liberto da carne que o revestia quando encarnado experimentará sensações jamais conhecidas entre os homens da Terra.

Enquanto homens buscam na matéria a ilusão da efêmera felicidade amigos espirituais desencarnados nos apontam caminhos certeiros que recalcitramos em buscar.

E qual resultado senão dor e ranger de dentes... Quando o ideal cristão seria seguir os passos de nosso amado Rabi da Galiléia que tanto amou e é amado até nossos dias.

Por inúmeras passagens evangélicas Jesus nos alertaria quando o “Vigiai e orar” porque sabia previamente de nossas fraquezas próprias da carne!

Obtenção de Coisas Materiais

O Espiritismo nos educa no sentido de não estar errado desejarmos melhorar a nossa condição material...

...a cada qual segundo seu esforço e mérito!

Entretanto, no L.E. – Cap. IX Lei de Igualdade Allan Kardec recebe informações de que entre todas as provas que os homens haverão de enfrentar a Prova da Riqueza material é a mais difícil justamente porque os homens da Terra, ainda arraigados em suas funestas vontades, buscam satisfazer, de forma egoísta, todos os seus desejos.

Nós, como já temos um pouco mais de conhecimento, e estamos aqui dispostos a evoluir não podemos deixar os apelos materiais nos afastar das verdades espirituais!

Lembremo-nos, todos os dias, somos espíritos envoltos de uma roupagem densa e rude e somos diariamente submetidos a provas que nós próprios escolhemos passar a fim de evoluirmos como espíritos e quando mais resignados das dificuldades e complacentes formos com os nossos semelhantes mais facilmente conseguiremos atingir as cumeadas da felicidade.

Quando deixarmos estas vestes temporárias, estaremos seguindo para nossa verdadeira morada onde a riqueza material não tem a menor valia.

Os Livros da Codificação

No mês passado foi o mês do aniversário de A.K. o grande codificador desta doutrina e o reverenciamos com os estudos de todos os cinco livros da D.E. entre eles “O Céu e o Inferno”, objeto de nosso estudo.
Enquanto o L.E. nos apresentou a parte Filosófica, O L.M. a parte científica o E.S.E. a parte Moral de Jesus nos remetendo a uma idéia de religiosidade o Livro “O Céu e o Inferno” vem trazer inúmeras impressões de espíritos que desencarnaram e vem relatar a fim de nos educar e explicar o que nos aguarda no outro plano.

É um livro intenso, pois observamos que a Lei da Ação e Reação, que o Espiritismo tanto fala, toma forma evidente no pós morte.

E é justamente neste livro, através de manifestações mediúnicas, que espíritos de diversas classes evolutivas se comunicam nos abrindo a razão para o, até então, desconhecido.

Dentro os depoimentos que haveremos de estudar estaria o de um Médico Russo, o de uma Condessa e o de um espírito samaritano.


O Médico Russo

O senhor P era um médico de Moscou, com qualidades morais evidentes.

Diálogo:

- Estais aqui?

R. sim, no dia da minha morte, vos persegui com a minha presença, mas resististes a todas as minhas tentativas para vos fazer escrever. Ouvira as vossas palavras sobre mim; isso me levou a vos conhecer, e então tive o desejo de conversar convosco, para vos ser útil.

- Porque, vós que éreis tão bom, tanto sofrestes?

R. Foi uma bondade do Senhor que quis, por aí, me fazer sentir duplamente o preço da minha libertação, e fazer-me avançar o mais possível nesse mundo.

- O pensamento da morte vos foi causa de terror?

R. Não, eu tinha muita fé para isso.

- A separação foi dolorosa?

R. Não. O que chamais de último momento nada é; não senti senão um estalido muito curto, e logo depois me achei muito feliz por estar livre de meu corpo.

- O que aconteceu então?

R. Tive a felicidade de ver uma quantidade de amigos virem ao meu encontro e me desejar boas vindas, notadamente aqueles que tive a satisfação de ajudar.

(Lembramos aqui de nosso querido Bezerra de Menezes, que recebeu o título de “Médico dos pobres” que quando desencarnou fora recebido por uma multidão de espíritos que ele havia ajudado quando na Terra)

- Que região habitais? Estais num planeta?

R. Tudo o que não é um planeta, é o que chamais de espaço; é ali que estou. Mas quantos degraus nessa imensidade da qual o homem não se faz uma idéia! Quantos degraus nessa escada de Jacó, que vai da Terra ao céu.

(Quando citamos a parábola “Há muitas moradas na casa de meu pai” também estamos nos referindo as várias escalas evolutivas do “ser” que vai desde espíritos inferiores até os mais altos graus de superioridade... os chamados Espíritos Felizes)

- Em que consiste a vossa felicidade?

R. Isso é mais difícil de vos fazer compreender. A felicidade, da qual gozo, é um contentamento extremo de mim mesmo; (...) mas um contentamento afogado, por assim dizer, no amor de Deus.

(A sensação de plenitude e grandeza e a certeza de que evoluímos infinitamente após os sofrimentos terrenos faz com que o espírito sinta o éter do amor vibrando em seus fluídos)

A Condessa Paula

Jovem, bela, rica, desencarnou aos 36 anos. A sua beneficência era inesgotável, mas não punha à público. Ajudava aos pobres, socorria com a delicadeza que eleva o moral ao invés de abaixá-lo. Sua posição e as altas funções de seu marido a permitiriam abusar, mas , ao contrário, ela economizava cada vintém para ajudar ao próximo menos favorecido, era bondosa e delicada com os empregados e todos a amavam muito.

Um de seus familiares, após 12 anos de seu desencarne, abraçou o espiritismo e recebeu resposta a diversas perguntas que lhe foram dirigidas:

“Tendes razão, meu amigo, em pensar que sou feliz; eu o sou, com efeito, além de tudo o que se possa exprimir e, todavia, estou longe ainda do último grau. Entretanto, estou entre os felizes da Terra, porque não me lembro de ter provado a tristeza real, Juventude, saúde, fortuna, homenagens, eu tinha tudo o que constitui a felicidade entre vós; mas o que é essa felicidade perto daquela que se saboreia aqui? Tal maravilhosos é o mundo onde estou, meu amigo, e onde chegareis infalivelmente seguindo o caminho reto”

(O diálogo se estende bastante mas este trecho já nos ensina que para atingirmos mundos felizes, teremos de agir no bem e no amor... Outro ensinamento desta passagem é que tal Condessa recebeu uma das mais difíceis provas, segundo nos avisa amigos espirituais, pois nos remeteria às vontades funestas e materialistas...

Quando a condessa procurou dar o máximo possível de ajuda aos menos favorecidos... recebendo a recompensa no além túmulo)

Jean Reynaud
(Comunicação espontânea de um bom espírito)

- Quando vivo professavas o Espiritismo?

R. Entre professar e praticar há uma grande diferença, Muitas pessoas professam uma doutrina que não praticam; eu praticava e não professava.

(Vejam que maravilhosa esta declaração! Quantas vezes temos muitas dificuldades em realmente praticar as leis morais de Cristo? E mais ainda quantos são os que batem no peito, dizem-se sabedores das escrituras, mas quando no seu íntimo têm um vazio avassalador?)

Nos livros de André Luiz temos inúmeros ensinamentos quanto a pessoas que vivem uma falsa aparência que é evidenciada logo após o desencarne. Para Deus nada passa e quando retornarmos à Pátria espiritual nosso espírito é o que é...

No livro libertação há uma passagem durante um julgamento nas “Zonas enfermiças” quando o governador das Trevas “Gregório” aponta para uma senhora linda sobre o que fez enquanto esteve na terra... a mulher imediatamente se transforma em loba... Isto através das idéias mentais que nela habitavam...

Lembrando que quando estivermos no plano maior nós próprios, através de nossos bons pensamentos, seremos levados para situações mais harmônicas. Julgamento é individual e da consciência... Não existe um julgamento físico, em lugar circunscrito... Nós é que somos levados a caminhos mais ou menos tortuosos - de acordo com nosso padrão vibratório.

Quem teve oportunidade de ver o filme “Nosso Lar” ou mesmo que leu o livro conseguirá identificar muito bem isto que estamos comentando...

...André tem a permissão de visitar sua esposa, após 10 anos de seu desencarne, e quando chega e a vê com nosso companheiro – por instantes – é tomado por raiva e imediatamente é re-lançado ao umbral... Mas como André Luiz já havia aprendido algumas lições de amor, logo ele consegue inverter seus pensamentos ao bem e retorna para a residência material onde viveu tantos anos e acaba ajudando o marido da esposa a recuperar-se de uma séria doença fluidificando a água – Isto ele aprendeu nas Câmeras de retificação.

No livro “Votei” o espírito Irmão Jaccob relata todas as suas impressões do além túmulo e ainda nos alerta quanto ás nossas ações. Ele fora considerado um grande militante do espiritismo e quando desencarnou tivera dificuldades de encontrar a luz... A Inveja, o ciúmes e a vaidade é bastante evidenciada em todo o livro nos abrindo os olhos a estas mazelas tão comuns e difíceis de nos serem extirpadas.

Ainda falando do Céu e o Inferno ressaltamos que Allan Kardec reafirma o caráter científico do Espiritismo e avalia como ciência de observação, a nova doutrina, enfrentando o problema das penas e recompensas futuras à luz da História.

Outros relatos prosseguem confirmando as respostas obtidas por Allan Kardec nas questões 149 a 165 do Livro dos Espíritos, que em síntese ensinam:

 O retorno ao mundo dos espíritos, pátria de origem ocorre no instante da morte;

 No chamado outro mundo, cada um conserva plenamente sua individualidade;

 Não é dolorosa a separação da alma e do corpo

 O tempo de duração do estado de perturbação, depende da elevação de cada um.

Em suma,

A morte não doe...

O que morre é o corpo

O espírito continua...

Com todas as suas qualidades que adquiriu na experiência terrena...

Será sempre o principal responsável por estar em uma condição melhor ou pior...

PORTANTO

Vamos ouvir com ouvidos de ouvir o que Jesus já nos deixou de legado e Amemos a todos sem distinção, com perdão, com compaixão, com verdade e pureza de coração...

...não deixe para amanhã o que pode começar hoje.

AME



Muito obrigada por sua atenção.

Paz e Luz a todos!

A FELICIDADE



Não está no dinheiro, porquanto, a cada passo, surpreendemos irmãos nossos, investidos na posse do ouro, a se confessarem desorientados e infelizes; importa reconhecer, porém, que o dinheiro criteriosamente administrado, transfigura-se em poderosa alavanca do trabalho e da beneficência, resgatando lares e corações para a Vida Superior.
* * *
Não está na inteligência, visto que vemos, em toda parte, gênios transviados, utilizando fulgurações do pensamento em apoio das trevas; urge anotar, no entanto, que a inteligência aplicada na sustentação do bem de todos será sempre uma fonte de luz.
* * *
Não está na autoridade humana, de vez que habitualmente abraçamos criaturas, altamente revestidas de poder terrestre, carregando o peito esmagado de angústia; é necessário observar, todavia, que a influência pessoal em auxílio à comunidade é base de segurança e fator de harmonia.
* * *
Não está nos títulos acadêmicos, porque, em muitas ocasiões, encontramos numerosos amigos laureados com importantes certificados de competência, portando conflitos íntimos que os situam nos mais escuros distritos do sofrimento e da aflição; não será, contudo, razoável ignorar que um diploma universitário, colocado no amparo ao próximo, é uma lavoura preciosa de alegrias e bênçãos.
* * *
Não está no que possuis e sim no que dás e, ainda assim, não tanto no que dás como no modo como dás.
* * *
Não está no que sonhas e sim no que fazes e, sobretudo, na maneira como fazes.
* * *
Felicidade, na essência, é a nossa integração com Cristo de Deus, quando nos rendemos a Ele para que nos use como somos e no que temos, a benefício dos semelhantes. Isso porque todo bem que venhamos a fazer é investimento em nosso favor, na Contabilidade Divina. Em suma, felicidade colhida nasce e cresce da felicidade que se semeia, ou melhor, à medida que ajudamos aos outros, por intermédio dos outros, o Céu nos ajudará.
Emmanuel

(De “Passos da Vida”, de Francisco Cândido Xavier – Espíritos Diversos)

O VELHO PROBLEMA DA FELICIDADE


O VELHO PROBLEMA DA FELICIDADE

Kardec indaga aos Espíritos se "Pode o homem gozar de completa felicidade na Terra?”[1] Os Benfeitores responderam que “Não, por isso que a vida lhe foi dada como prova ou expiação. Dele, porém, depende a suavização de seus males e o ser tão feliz quanto possível na Terra."[2]

Experimentamos momentos decisivos a cada instante da vida. Não podemos esperar outro clima de luta, nem outro lugar de batalha, senão o que defrontamos, resultado das nossas realizações do presente e do passado. “O problema da felicidade pessoal nunca será resolvido pela fuga ao processo reparador”.[3] As dores deixam marcas , porém lembremos que “o lutador que não traz a cicatriz da batalha, ao receber quaisquer condecorações externas, não é vitorioso!”[4] portanto, sofrer também compõe as linhas do currículo humano. A felicidade é uma resultante da vitória na refrega.

Não podemos esquecer que a Terra e um mundo de expiações e provas, por isso a felicidade total não se encontra aqui no planeta, porém em mundos mais evoluídos. Em nosso Orbe a felicidade é relativa, consoante diz o item 20, capítulo V (Bem-aventurados os aflitos), de O Evangelho Segundo o Espiritismo.[5]
           
       A felicidade, nasce na paz da consciência tranqüila pelo dever cumprido e cresce, no íntimo de cada pessoa, à medida que a pessoa procura fazer a felicidade dos outros, sem pedir felicidade para si própria. Destarte a importância do inesquecível mandamento de Jesus Cristo: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”.[6] Quando este preceito for praticado, certamente usufruiremos a felicidade do Mundo Melhor.
            A felicidade depende exclusivamente de cada criatura. Brota da sua intimidade. Depende de seu interior. Como ensinou o doce Mestre Galileu: “o reino dos céus está dentro de vós.”[7] Portanto, a verdadeira felicidade reside na conquista dos tesouros imperecíveis da alma.
            Estabelecendo, conforme o Eclesiastes, que a verdadeira "felicidade não é deste mundo"[8], Jesus preconizou que o homem deve viver no mundo sem pertencer a ele, facultando-lhe o autodescobrimento para superar o instinto e sublimá-lo com as conquistas da razão, a fim de planar nas asas da angelitude.
            A felicidade é o bem que alguém proporciona ao seu próximo. O eu se anula, então, para que nasça a comunidade equilibrada, harmônica e feliz. “A alegria de fazer feliz é a felicidade em forma de alegria”.[9]
            Na clássica Grécia o filósofo Epicuro procurou demonstrar que a sabedoria é verdadeiramente a chave da felicidade. Antes dele,  Diógenes, cognominado o Cínico, estabelecia que o homem deve desdenhar todas as leis, exceto as da Natureza, vivendo de acordo com a própria consciência e com total desprezo pelas convenções humanas e sociais.  Entre os pensadores gregos Sócrates, considerado o pai da ciência moral, em  sua dialética a expressar-se, não raro de forma irônica, combatia os males que os homens fomentam para gozarem de benefícios imediatos, objetivando com essa atitude de reta conduta o bem geral, a felicidade comunitária.
            Para a filósofa Dulce Critelli, confundir felicidade com desejo é um escorregão herdado do estoicismo e do epicurismo, as primeiras escolas filosóficas a pensar a moral de forma individual. Desde então, muitas pessoas acreditam que a felicidade está na satisfação do prazer. Por isso, a roupa de grife, a cirurgia plástica e o carro do ano são tão valorizados. Antes, admirávamos pessoas honradas e generosas.[10] Não é feliz o homem em possuir ou deixar de possuir, mas pela forma como possui ou como encara a falta de posse.[11]
Segundo Joanna de Ângelis “depois da Segunda Guerra Mundial o existencialismo reconduziu o homem à caverna, fazendo-o mergulhar nos subterrâneos das grandes metrópoles e ali entregando-se à fuga da consciência e da razão pelo prazer, numa atitude de desconsideração pela vida, alucinado pelo gozo imediato”.[12]
“O estágio atual de evolução espiritual média do ser humano não lhe garante ausência total de sentimentos de ódio, inveja, rancor, egoísmo e de atitudes compatíveis com esses sentimentos.”[13]
Em uma sociedade onde o homem fosse consciente da vontade de Deus, isto é, da prática do bem, não haveria violência, drogas, seqüestros, prostituição, poligamia, traição, inveja, racismo, inimizades, tristeza, fome, ganância, guerras. E, mais ainda, não é raro encontrar-se nas ruas pessoas que tiveram algum relevo social, e agora perambulam embriagadas, sujas, cabelos desgrenhados, roupas ensebadas, catando coisas no lixo ou esmolando.
            Sabemos que muitos psiquiatras, psicanalistas, psicólogos, astrólogos, esotéricos e embusteiros de toda sorte, enriquecem a custa do “mal do século”: A Depressão. Existe todo tipo de comprimidos: É pílula para dor de dente, dor cabeça, emagrecimento, sono (benzodiazepínicos), calmante (ansiolíticos), excitante. Faz-se propaganda dos comprimidos como se eles pudessem resolver tudo.  Em verdade, quando não entendemos o verdadeiro amor ficamos procurando, nos labirintos da ilusão, uma fórmula mágica para a felicidade. Para o psiquiatra Roberto Shinyashiki "o mundo exige que as pessoas estejam permanentemente alegres e, por isso, ele se tornou o paraíso das drogas e do Prozac". Para Shinyashiki, o importante é ouvir a própria consciência em vez de buscar os aplausos dos outros.”[14]
            “A depressão é dez vezes mais freqüente hoje do que era em 1960. Ela também ataca cada vez mais cedo. Acredito que o que aconteceu foi um excesso de confiança nos atalhos que prometem a felicidade imediata: drogas, consumismo e sexo casual, entre outros exemplos. Tudo isso é fruto do narcisismo. E o narcisismo pode levar à depressão. Preocupar-se demais consigo próprio só faz intensificar tendências depressivas. Os profissionais da auto-ajuda vivem apregoando que todo mundo deve ‘entrar em contato com seus sentimentos’. Ora, há limite para isso. Talvez fôssemos mais felizes se nos preocupássemos mais com o outro”.[15]
Cremos que  as teorias atuais sobre o bem-estar em Psicologia e Economia não dão conta na descrição dos resultados. Urge uma novas propostas teóricas para interpretar a felicidade em termos de valores mais duradouros. Tais dados comprovarão a assertiva dos espíritos e do Evangelho de que os bens materiais não trazem felicidade.  A felicidade não é resultante de privilégios biogenéticos e de personalidade nem, muito menos, ela pode ser adquirida com a obtenção de um bem de consumo.
Desfrutamos de uma realidade tecnológica que, num passado recente era impossível imaginarmos exceto nos filmes de ficção. Recordo-me do início da década de 70, não havia como pensar em fornos microondas, videocassete; telefone celular; microcomputadores; cartões magnéticos; e, principalmente, a Internet e no entanto, atualmente são recursos comuns.
Os programas de televisão de qualidade dúbia, tornaram-se os preceptores dos nossos filhos. As novelas impõem a moda, invertem os valores éticos da vida real, deturpam consciências, transformam cabeças, e mudam culturas. Folhetins que instigam muita alegria ruidosa, incontáveis expressões festivas, exibição de gozos, mas muito pouca harmonia nos telespectadores.
            Cremos que os pequeninos sacrifícios em família formam a base da felicidade no lar. O Professor da Universidade da Virgínia (EUA), Jonathan Haidt escreveu em seu livro The happiness hypothesis que a família e os amigos são mais relevantes do que o dinheiro e a beleza. "Uma condição que nos torna felizes é a capacidade de nos relacionarmos e estabelecermos laços com os demais."[16]
            Ter um princípio religioso propicia não apenas viver por mais tempo como se sentir mais felizes do que os contumazes agnósticos e ateus. "A religião dá a esperança de que tudo vai melhorar, mesmo que  seja após a morte. Ela conforta"[17], explica o cientista da religião Frank Usarski, da PUC de São Paulo. Autor do best-seller Sucesso é ser feliz.

            O Espiritismo nos dá suporte moral e outras diversas motivações, revelando-nos a imortalidade, a reencarnação e a lei de causa e efeito, explicando-nos que a felicidade é possível e que se constrói no dia-a-dia no esforço continuado para luta contra as nossas tendências inferiores.

            Desenvolvamos, pois, o hábito de colocar espiritualidade em nossa vida. Aprendamos a observar o mundo pela ótica do espírito e sejamos felizes compreendendo a vida como um dom de Deus.


[1] Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed FEB , 2003, pergunta 920

[2] idem

[3] Xavier Francisco Cândido. Fonte Viva,  Ditado pelo Espírito Emmanuel, RJ: Ed. FEB,

[4] Franco, Divaldo Pereira. Compromissos Iluminativos – Ditado pelo Espírito Bezerra de Menezes  Ba: Ed Leal, 2004

[5] Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, RJ: Ed FEB , 2003, item 20, Cap V

[6] (Jo 15, 12).

[7] (Lucas 17:20-21).

[8] (Ec 6:1-5)

[9] Franco, Divaldo Pereira. Estudos Espíritas  – Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis , RJ: ED FEB, 1971

[10] Cf. Istoé on line (13/09/2006) in Segredos da Felicidade

[11] Franco, Divaldo Pereira. Estudos Espíritas  – Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis, RJ: ED FEB, 1971

[12] idem

[13] Fonte: Jornal Mundo Espírita – Jan/1998/artigo de Nilson Ricetti Xavier Nazareno

[14] idem

[15] Martin Seligman, de 61 anos, professor da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos e também ex-presidente da Associação Americana de Psicologia

[16] idem

[17] idem


Artigo gentilmente cedido por Jorge Luiz Hessen
Servidor público Federal, Expositor Espírita na região de Brasília e Goiás,
Articulista das Revistas "Reformador", "O Espírita" e "Brasília Espírita "
E-Mail: jorgehessen@gmail.com
Site: http://meuwebsite.com.br/jorgehessen

Estudos Espíritas – A Felicidade


Estudos Espíritas – A Felicidade


A Felicidade


Felicidade e Jesus - Estabelecendo, conforme o Eclesiastes, que a verdadeira "felicidade não é deste mundo", Jesus preconizou que o homem deve viver no mundo sem pertencer a ele, facultando-lhe o autodescobrimento para superar o instinto e sublimá-lo com as conquistas da razão, a fim de planar nas asas da angelitude. Não é feliz o homem em possuir ou deixar de possuir, mas pela forma como possui ou como encara a falta de posse. O homem é mordomo, usufrutuário dos talentos de que se encontra temporariamente investido na condição de donatário, mas dos quais prestará contas. O ter ou deixar de ter é conseqüência natural de como usou ontem a posse e de como usará hoje os patrimônios da vida, que sempre pertencem à própria vida, representando Nosso Pai Excelso e Criador.

Situando no "amar ao próximo como a si mesmo" a pedra fundamental da felicidade, o Cristo condiciona a existência humana ao supremo esforço do labor do bem em todas as direções e latitudes da vida, dirigido a tudo e todos, e elucida que cada um possui o que doa. A felicidade é o bem que alguém proporciona ao seu próximo. O eu se anula, então, para que nasça a comunidade equilibrada, harmônica e feliz. A alegria de fazer feliz é a felicidade em forma de alegria.

Construída nas bases da renúncia e da abnegação a felicidade não é imediata, fugaz, arrebatadora e transitória. Caracteriza-se pela produtividade através do tempo e é mediata, vazada na elaboração das fontes vitais da paz de todos, a começar de hoje e não terminar nunca. Por isso não é "deste mundo".

Vivendo as dores e necessidades do povo, Jesus padronizou a busca da felicidade no amor por ser a única fonte inexaurível, capaz de sustentar toda aflição e vencê-la, paulatinamente. E amando, imolou-se num ideal de suprema felicidade.

Espiritismo e Felicidade - Concisa e vigorosamente fundamentada no Cristianismo, a Doutrina Espírita apresenta a felicidade e a desgraça como sendo a conseqüência das atitudes que o homem assume na rota evolutiva pelo cadinho das incessantes reencarnações.

O espírito é a soma das suas vidas pregressas.

Quanto haja produzido reaparece-lhe como título de paz ou promissória de resgate, propondo, o homem mesmo, as diretrizes e as aquisições do caminho a palmilhar. Quanto hoje falta, amanhã será completado. O excesso, hoje em desperdício, é ausência na escassez do futuro. Todo o bem que se pode produzir é felicidade que se armazena.

A filosofia da felicidade à luz do Espiritismo se compõe da correta atitude atual do homem em relação à vida, a si mesmo e ao próximo, estatuindo vigorosos lances que ele mesmo percorrerá no futuro. As dores, as ansiedades e as limitações são exercício de morigeração a seu próprio benefício, transferindo ou aproximando o momento da libertação dos males que o afligem.

A consciência da responsabilidade oferece ao homem a filosofia ideal do dever e do amor.

Respeito à vida com perfeita integração no espírito da vida - eis a rota a palmilhar.

Serviço como norma de elevação e renúncia em expressão de paz interior.

Servindo, o homem adquire superioridade, e, doando-se, conquista liberdade e paz.

Nem posse excessiva nem necessidade escravizante.

Nem poder escravocrata nem a indiferença malsinante.

O amor e a caridade como elevadas expressões do sentimento e da inteligência, conduzindo as aspirações do espírito, que tem existência eterna, indestrutível, sobrevivendo à morte e continuando a viver, retornando à carne e prosseguindo em escala ascensional, na busca ininterrupta da integração no concerto sublime do Cosmo, livre de toda dor e toda angústia da sombra e da roda das reencarnações inferiores, feliz, enfim!

Estudo e Meditação:

"Pode o homem gozar de completa felicidade na Terra?

Não, por isso que a vida lhe foi dada como prova ou expiação. Dele, porém, depende a suavização de seus males e o ser tão feliz quanto possível na Terra." (O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, questão 920.)

"Em tese geral pode afirmar-se que a felicidade é uma utopia a cuja conquista as gerações se lançam sucessivamente, sem jamais lograrem alcançá-la. Se o homem ajuizado é uma raridade neste mundo, o homem absolutamente feliz jamais foi encontrado." (O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec, cap. V, item 20.)


Trecho do livro Estudos Espíritas, de Divaldo Pereira Franco pelo espírito de Joanna de Ângelis.

A Felicidade não é Deste Mundo


A Felicidade não é Deste Mundo

Sérgio Biagi Gregório

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. A felicidade no Tempo. 4. Problema da Felicidade: 4.1. Bem Procurado por todos os Viventes; 4.2. Os Caminhos Procurados; 4.3. Paradoxo da Felicidade. 5. Situação do Planeta Terra: 5.1. Mundo de Provas e Expiações; 5.2. O Necessário e o Supérfluo; 5.3. Tanto o Rico quanto o Pobre Sofrem. 6. Despojar-se do Homem Velho: 6.1. Sofreremos Perseguições e Sarcasmos; 6.2. Felicidade e Infelicidade Relativas; 6.3. A Boa Consciência Prepara uma Vida Futura Feliz. 7. Conclusão. 8. Bibliografia Consultada.

1. INTRODUÇÃO

O objetivo deste estudo é verificar por que Allan Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, diz que a felicidade não é deste mundo. O que se entende por felicidade? Se a felicidade não é deste mundo, devemos esperar o desencarne para usufruí-la? Não é possível desfrutá-la já? Como proceder para buscar a paz de espírito? Eis algumas das muitas questões que poderíamos formular sobre o tema.

2. CONCEITO

Felicidade – do latim felicitas que vem de Felix, ditoso, afortunado, feliz. Num sentido amplo é a ausência de todo o mal, e, vivência plena do bem. Em geral, um estado de satisfação devido à própria situação do mundo. Por essa relação com a situação, a noção de felicidade difere da de beatitude a qual é o ideal de uma satisfação independente da relação do homem com o mundo e por isso limitada à esfera contemplativa ou religiosa. O conceito de felicidade é humano e mundano. (Abbagnano, 1970)

Mundo – o Planeta Terra

(...) Cada mundo é um vasto anfiteatro composto de inúmeras arquibancadas, ocupadas por outras tantas séries de seres mais ou menos perfeitos. E, por sua vez, cada mundo não é mais do que uma arquibancada desse anfiteatro imenso, infinito, que se chama Universo. Nesses mundos, nascem, vivem, morrem seres que, pela sua relativa perfeição, correspondem à estância mais ou menos feliz que lhes é destinada. (Equipe da FEB, 1995)

3. A FELICIDADE NO TEMPO

Para Sócrates o "conhece-te a ti mesmo" é a chave para a conquista da felicidade. Para Platão a noção de felicidade é relativa à situação do homem no mundo, e aos deveres que aqui lhe cabem. Para Aristóteles a felicidade é mais acessível ao sábio que mais facilmente basta a si mesmo, mas é aquilo que, na realidade, devem tender todos os homens da cidade.

No âmbito do Velho Testamento, a felicidade centra-se na aquisição dos bens mais elementares como comer, beber e viver em família e no temor a Iahweh, que eqüivale à atitude religiosa do homem. Na dimensão do Novo Testamento, a felicidade está nas bem-aventuranças prometidas por Jesus.

Plotino (204-270) afirma que a felicidade do sábio não pode ser destruída nem pelas circunstâncias adversas nem pelas favoráveis. Santo Agostinho (354-430) entende a felicidade como o fim da sabedoria, a posse do verdadeiro absoluto, isto é, de Deus. Tomás de Aquino (1225-1274), na Suma Teológica, utilizou a palavra "beatitude" como equivalente à "felicidade" e a definiu como "um bem perfeito de natureza intelectual". Kant (1724-1804) julga que a felicidade faz parte do bem supremo o qual é para o homem a síntese de virtude e felicidade. Bentham (1748-1832) e Stuart Mill ( 1773-1836) retomaram como fundamento de moral a fórmula de Beccaria: "A maior felicidade possível, no maior número de pessoas". (Abbagnano, 1970)

Este escorço histórico culmina com a nossa época atual em que os valores legítimos da verdadeira felicidade estão ameaçados pelo consumismo e globalização do mundo econômico. A globalização traz a padronização em termos mundiais, nem sempre factível com os hábitos culturais de determinados países. O consumismo faz com que o homem tenha necessidades imaginárias que mais atrapalham do que o auxiliam a realizar-se plenamente.

4. PROBLEMA DA FELICIDADE

4.1. BEM PROCURADO POR TODOS OS VIVENTES

A ausência de todo o mal e fruição de todo o bem é a aspiração que todo ser humano procura através de seus esforços e trabalhos. Ela é o pólo oculto que magnetiza o dinamismo humano. Toda ação humana, mesmo os gestos mais simples, são atravessados por esse magnetismo. Se este cessasse, o homem perderia o sentido de viver e seria prostrado pelo tédio. Assim, todo o homem tem na vida momentos de felicidade e gostaria que esses momentos nunca mais acabassem.

4.2. OS CAMINHOS PROCURADOS

Todos buscam a felicidade, porém por caminhos diferentes. Uns imaginam encontrá-la na posse das riquezas, porque supõem que com o dinheiro tudo se compra e que a felicidade é uma mercadoria como tantas outras. Outros procuram encontrá-la nos prazeres sexuais, nas diversões, nos passeios. Outros ainda na glutonaria. Há também os que anseiam pelo prestígio, enovelando-se nas lutas pelo poder. Observe que os Estatolatras (comunistas, socialistas, fascistas), colocam a felicidade na classe ou no Estado, ou na prosperidade econômica. Karl Marx, filósofo materialista, afirma que a felicidade do ser humano está presa aos proventos materiais advindos do trabalho. Confunde o termo felicidade com o bem-estar. O bem-estar é a posse de bens materiais, que dão mais conforto; a felicidade é mais ampla, porque envolve a realização do ser espiritual.

4.3. PARADOXO DA FELICIDADE

O fato mais confirmado pela experiência e pela sabedoria humana é este: a felicidade, no seu sentido pleno, é inatingível na Terra. O corriqueiro é que o ser humano, depois de muito lutar para conseguir um bem que almejava, já não está tão vigoroso para desfrutá-lo. Além disso, há que se considerar a decorrência do tempo na modificação de nossos ideais. Aí está o paradoxo: ela é sempre desejada e nunca realizável. No âmago deste paradoxo há algo positivo, ou seja, o começo de uma reflexão sobre o destino transcendental , meta-histórico do homem. É a partir daí que o homem começa a pensar numa vida futura, num mundo cheio de bem-aventuranças, de beatitudes. (Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo)

5. SITUAÇÃO DO PLANETA TERRA

5.1. MUNDO DE PROVAS E EXPIAÇÕES

Os amigos espirituais informam-nos de que o nosso planeta não é um dos orbes mais evoluídos do Universo. Ele já esteve mais atrasado, pois já ultrapassou o estado primitivo. Na atualidade, estamos vivendo num mundo de provas e expiações em que o mal ainda predomina sobre o bem. Nesse sentido, por mais que busquemos a felicidade, nunca a encontraremos, pois ela não é deste mundo. Ela pertence a um mundo mais evoluído em que as ações voltadas para a fraternidade universal são a regra. De qualquer forma, devemos fazer esforços para evoluir, a fim de atingir a condição de habitar mundos melhores. Por enquanto, somos obrigados a conviver com toda a sorte de dificuldades.

5.2. O NECESSÁRIO E O SUPÉRFLUO

Como distinguir entre o necessário e o supérfluo? Não é tarefa fácil. Imagine alguém que tenha vivido, por longos anos, com uma renda monetária alta. Nessa condição, ele aprendeu a conviver com uma série de hábitos de consumo, que para ele se tornou imprescindível. Suponhamos agora que, por obra do destino, os ganhos desse indivíduo tenham diminuído drasticamente: ele se sentirá o mais desgraçado dos mortais, embora tenha o necessário para viver. Quer dizer, acabamos confundindo o necessário, aquilo que dá sustentação à nossa vida, com os aspectos psicológicos de nossa existência. Nesse mister, os grandes mestres da humanidade ensinam-nos que o homem cósmico terá sempre o que necessita, mas nem sempre o que deseja. Faltando-nos o supérfluo, lembremo-nos da frase consoladora do evangelho: "Tendo sustento e com o que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes".

5.3. TANTO O RICO QUANTO O POBRE SOFREM

Como vimos anteriormente, o nosso planeta identifica-se com a categoria de mundo de provas e expiações. Assim, não há criatura na Terra que não tenha o seu quinhão de sofrimento. Deduz-se daí que tanto o rico como os pobres sofrem. Mas, o Espiritismo, doutrina que esclarece sobre a reencarnação e a pluralidade das existências, pode oferecer-nos valiosos subsídios para a compreensão da vida e dos seus diversos relacionamentos. Por que o pobre inveja o rico? Sabe ele que a prova da riqueza é mais difícil, para o Espírito, do que prova da pobreza? Se tivesse consciência dessa verdade, com certeza seria mais resignado.

6. DESPOJAR-SE DO HOMEM VELHO

6.1. SOFREREMOS PERSEGUIÇÕES E SARCASMOS

Quando o aprendiz do evangelho realmente persevera na sua trajetória rumo à verticalidade superior, começa a observar uma série de problemas que antes não vislumbrava: a solidão dentro e fora de si, o desprezo dos entes queridos e a incompreensão alheia. Para abrandar este estado de espírito, convém nos lembrarmos dos sofrimentos de Paulo, principalmente depois de ter aderido, no caminho de Damasco, ao chamamento de Cristo. De perseguidor passa a ser perseguido. Os seus familiares e amigos voltam-lhe as costas dizendo que ficara louco. É obrigado a se ausentar, recolhendo-se ao tear por 3 anos. Posteriormente, para tornar público o ensinamento do Evangelho, viu-se cercado por uma série de contratempos, que não havia previsto. Mesmo assim continuou na sua tarefa redentora. Baseado nesse exemplo, devemos ter coragem de expressar nossa fé, porque retroceder no meio do caminho é perder todas as vantagens já conquistadas. Jesus disse: "Todo aquele que me confessar e me reconhecer diante dos homens, eu o reconhecerei e confessarei também, eu mesmo, diante de meu Pai que está nos céus; e todo aquele que me renegar diante dos homens, eu o renegarei também, eu mesmo, diante do meu Pai que está nos céus". (Mateus, X, 32 e 33). Quer dizer, há sempre fraqueza em recuar diante das conseqüências da opinião e em renegá-la, mas há casos de uma covardia tão grande quanto a de fugir no momento do combate.

6.2. FELICIDADE E INFELICIDADE RELATIVAS

Na condição de Espírito encarnado, deveríamos nos considerar como um usufrutuário de todos os bens dispostos por Deus, inclusive o nosso próprio corpo, pois, embora seja fruto da união do nosso pai e da nossa mãe terrestre, a essência que nele habita pertence ao Criador do Universo. Raciocinando dessa forma, o egoísmo deveria ser banido do nosso planeta, a fim de ceder o seu espaço à fraternidade.

Pergunta-se: será que podemos ser felizes ao lado de irmãos que não têm o necessário para o sustento físico? E por que esses são a maioria? É justamente devido à condição de nosso Planeta. Nesse sentido, nunca poderemos ter uma felicidade plena, a menos que não importemos com o nosso irmão menos aquinhoado. Quem pensa no irmão em dificuldade, dificilmente sentir-se-á feliz. É por isso que o justo é infeliz, pois lutando por uma distribuição mais justa tanto das riquezas materiais como espirituais, será sempre mal compreendido, além de ser desprezado, como o próprio Jesus e outros tantos missionários o foram.

Quais seriam, entretanto, as fontes de infelicidade? Perda de entes queridos, mortes prematuras, antipatias, ingratidão e doenças várias. Dentre elas, a ingratidão assume papel significante. Como, porém, enfrentar essa situação? Lembrando-nos de que a ingratidão é filha do egoísmo e o egoísta encontrará mais tarde corações insensíveis como ele próprio o foi. Além do mais, a ingratidão é uma prova para persistência na prática do bem. Convém ter para com eles muita tolerância e paciência, assim como o Pai Celestial teve e está tendo para conosco.

6.3. A BOA CONSCIÊNCIA PREPARA UMA VIDA FUTURA FELIZ

"O que dá mais valor ao homem é um juízo sereno e uma firme capacidade de trabalho". Juízo sereno é sinônimo de pureza de consciência. Tendo esta em plenitude, não importa onde estivermos, estaremos sempre usufruindo a felicidade relativa de que somos merecedores. Os amigos espirituais não nos cansam de ensinar que a nossa felicidade será do tamanho da felicidade que proporcionarmos ao nosso próximo. Esforcemo-nos, então, para distribuir bom ânimo aos nossos companheiros de jornada. Esta é uma boa fórmula para prepararmos um desencarne tranqüilo e, conseqüentemente, uma vida futura feliz.

7. CONCLUSÃO

A máxima do Eclesiastes, "A felicidade não é deste mundo", pode ser entendida de duas maneiras: 1) que há outros mundos mais evoluídos do que o Planeta Terra, onde a felicidade é mais plena; 2) que a felicidade não estando no mundo material, pode ser encontrada no mundo interior, como conseqüência do dever retamente cumprido.

8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

ABBAGNANO, N. Dicionário de Filosofia. São Paulo, Mestre Jou, 1970.
ÁVILA, F. B. de S.J. Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo. Rio de Janeiro: M.E.C., 1967.
IDÍGORAS, J. L., Padre, S. j. Vocabulário Teológico para a América Latina. São Paulo, Edições Paulinas, 1983.
KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed. São Paulo: IDE, 1984.
KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed. São Paulo: Feesp, 1995.

São Paulo, outubro de 1996.

Em Torno da Felicidade


Em matéria de felicidade convém não esquecer que nos transformamos sempre naquilo que amamos.

Quem se aceita como é, doando de si à vida o melhor que tem, caminha mais facilmente para ser feliz como espera ser.

A nossa felicidade será naturalmente proporcional em relação à felicidade que fizermos para os outros.

A alegria do próximo começa muitas vezes no sorriso que você lhe queira dar.
A felicidade pode exibir-se, passear, falar e comunicar-se na vida externa, mas reside com endereço exato na consciência tranqüila.

Se você aspira a ser feliz e traz ainda consigo determinados complexos de culpa, comece a desejar a própria libertação, abraçando no trabalho em favor dos semelhantes o processo de reparação desse ou daquele dano que você haja causado em prejuízo de alguém.

Estude a si mesmo, observando que o auto-conhecimento traz humildade e sem humildade é impossível ser feliz.

Amor é a força da vida e trabalho vinculado ao amor é a usina geradora da felicidade.

Se você parar de se lamentar, notará que a felicidade está chamando o seu coração para vida nova.

Quando o céu estiver em cinza, a derramar-se em chuva, medite na colheita farta que chegará do campo e na beleza das flores que surgirão no jardim


Autor: André Luiz
Psicografia de Chico Xavier

Felicidade Possível


Acreditavas que a felicidade seria semelhante a uma ilha fantástica de prazer constante e paz permanente. Um lugar onde não houvesse preocupação, nem se apresentasse a dor; no qual os sorrisos brilhassem nos lábios, e a beleza engrinaldasse de festa as criaturas.

Uma felicidade feita de fantasias parecia ser a tua busca.
Planejastes a vida, objetivando encontrar esse reino encantado, onde, por fim, descansasses da fadiga, da aflição e fruísses a harmonia.

Passam-se anos, e somas frustações, anotando desencantos e amarguras, sem anelada conquista.

Lentamente, entregas-te ao desânimo, e sentes que estás discriminado no mundo, quando vês as propagandas apresentadas pela mídia, nas quais desfilam os jovens, belos e jubilosos, desperdiçando saúde, robustez, corpos venusinos e apolíneos, usando cigarros e bebidas famosas, brincando em iates de luxo, ou exibindo-se em desportos da moda, invejáveis, triunfantes...

Crês que eles são felizes...

Não sabes quanto custa, em sacrifício e dor, alcançar o topo da fama e permanecer lá.

Sob quase todos aqueles sorrisos, que são estudados, estão a face da amargura e as marcas do ressaibo, do arrependimento.

Alguns envenenaram a alma dos charcos por onde andaram, antes de serem conhecidos e disputados.

Muitos se entregaram a drogas pertubadoras, que lhes consomem a juventude, qual ocorreu com as multidões de outros, que os anteciparam e desapareceram.

Esquecidos e enfermos, aqueles que foram pessoas-objeto, amargam hoje a miséria a que se acolheram ou foram atirados.

Felicidade, porém, é conquista íntima.

Todos os que se encontram na Terra, nascidos em berços de ouro ou de palha, homenageados ou desprezados, belos ou feios, são feitos do mesmo barro frágil de carne, e experimentam, de uma ou de outra forma, vicissitudes, decepções, doenças e desconforto.

Ninguém, no mundo terreno, vive em regime especial. O que parece, não excede a imagem, a ilusão.

Se desejas ser feliz, vive, cada momento, de forma integral, reunindo as cotas de alegria, de esperança, de sonho, de bênção, num painel plenificador.

As ocorrências de dor são experiências para as de saúde e de paz.

A felicidade não são coisas: é um estado interno, uma emoção.

Abençoa os acidentes de percurso, que denominas como desdita, segue na direção das metas, e verás quantas concessões de felicidade pela frente, aguardando por ti.

Quem avança monte acima, pisa pedregulhos que ferem os pés, mas também flores miúdas e verdejante relva, que teimam em nascer ali colocando beleza no chão.

Reúne essas florezinhas em um ramalhete, toma das pedras pequeninas fazendo colares, e descobrirás que, para a criatura ser feliz, basta amar e saber discernir, nas coisas e nos sucessos da marcha, a vontade de Deus e as necessidades para a evolução.


Autor: Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Franco

Felicidade



Sérgio Machado

Introdução

Começamos com a seguinte pergunta : Existe a felicidade? E quando pensamos se ela existe, normalmente trazemos uma outra: Eu sou feliz? Para a primeira podemos usar da teoria reversa com uma outra pergunta: Se a felicidade não existe, por que a procuramos incessantemente? Ora, se procuramos por algo, este algo deve existir... Para a segunda pergunta podemos usar uma variação, pequena, para começarmos de uma forma mais amena: Eu estou feliz? Podemos notar que estar traduz algo temporário e ser algo permanente. Temos que nós estamos num mundo (planeta) que não nos oferece a felicidade plena, portanto costumamos ter momentos de felicidade...
"A felicidade está onde nós a pomos; e nunca a pomos onde nós estamos" Procuramos a felicidade, normalmente, nas coisas exteriores, fora de nós mesmos, enquanto podemos encontrá-la, e até mesmo devemos, no nosso foro íntimo. A felicidade reside em nós mesmos e costumamos procurá-la fora... Seria esta uma inverdade?! Ou será que podemos admitir isto como um fato?!...

Desenrolar

Felicidade e imortalidade - Corpo e espírito

Léon Denis em "Cristianismo e Espiritismo", na página 249 (ou próximo) cita-nos:

"A existência terrestre não é mais que uma página do grande livro da vida, uma breve passagem que liga duas imensidades - a do passado e a do futuro... ...Confiai-vos à Suprema sabedoria; desempenhai a tarefa que ela vos distribui e que, livremente, antes de nascerdes, haveis aceitado... A única felicidade, a única harmonia possível neste mundo não é realizável senão pela união com os nossos semelhantes, união pelo pensamento e pelo coração, enquanto da divisão procedem todos os males: a desordem, a confusão, a perda de tudo o que constitui a força e a grandeza das sociedade."

O espírita normalmente sabe, pelos estudos, que aquilo que passamos aqui, hoje, muitas das vezes são coisas que escolhemos pelas quais passar para evoluirmos, coisas estas que tiveram sua teoria discutida anteriormente à reencarnação. Ora, pois se sabemos disto, por que razão reclamar, se fomos nós mesmos que escolhemos por tais dificuldades ou pelas chamadas provas?...
Mas é necessário ser espírita e crer neste fato que é a reencarnação?
Bem, em geral, as pessoas, espíritas ou não, costumam dizer: "estou passando por isto pois devo ter feito algo de muito errado na vida passada; se eu não tivesse feito..."
Léon Denis cita o passado e o futuro, mas deixa bem claro que estamos no meio destes dois tempos, ou seja, no agora; deixemos portanto as lamúrias e o desejo de procurar explicação para o que passamos agora no passado e façamos o futuro com o presente, um presente que, se for construído de uma forma boa gerará um futuro ótimo.
A proposta é: trabalhemos hoje e o futuro será uma mera conseqüência, mas trabalhemos também com um sorriso estampado na face, pois torna o momento, o hoje, mais fácil.

Entender a felicidade através da dor.

Eis uma coisinha bem difícil... principalmente quando quem está sentindo a dor é a própria pessoa que deve entender.
Em "O Céu e O Inferno ou a Justiça Divina Segundo o Espiritismo (Allan Kardec - página 177)" temos uma passagem muito interessante (dentre tantas...) :

6. - Que efeito vos causa o vosso corpo aqui ao lado?
- R. Meu corpo! Pobre, mísero despojo... volve ao pó, enquanto eu guardo a lembrança de todos que me estimaram. Vejo essa pobre carne decomposta, morada que foi do meu espírito, provação de tantos anos! Obrigado, mísero corpo, pois que purificaste o meu espírito! O meu sofrimento, dez vezes bendito, deu-me um lugar bem compensador, por isso que tão depressa posso comunicar-me convosco...
8. - Tivestes consciência do momento em que o corpo exalou o derradeiro suspiro? Que se passou convosco nesse momento? Que sensação experimentastes?
- R. Parte-se a vida e a vista, ou antes, a vista do espírito se extingue; encontra-se o vácuo, o ignoto, e arrastada por não sei que poder, encontra-se a gente num mundo de alegria e grandeza! Eu não sentia, nada compreendia e, no entanto, uma felicidade inefável me extasiava de gozo, livre do peso das dores.

Durante a cerimônia do cemitério, ele ditou as palavras seguintes:
"Não vos atemorize a morte, meus amigos: ela é um estágio da vida, se bem souberdes viver; é uma felicidade, se bem a merecerdes e melhor cumprirdes as vossas provações. Repito: coragem e boa vontade! Não deis mais que medíocre valor aos bens terrenos e sereis recompensados. Não se pode muito gozar, sem tirar de outrem o bem-estar e sem fazer moralmente um grande, um imenso mal. A terra me seja leve."

Meus amigos, a felicidade não é deste mundo, porém é neste mundo que a cultivamos. Sinto um certo receio quando uma pessoa lê esta parte do livro acima citado, por que ela pode não ler outra parte deste mesmo. Esta parte do livro que acabei de citar é a que se refere aos espíritos felizes, ou seja, aqueles que trabalharam para alcançar a felicidade aqui no nosso mundinho. Mas neste mesmo livro temos exemplos de espíritos que não são tão felizes assim.

Surge uma pergunta: se depois de desencarnar eu estou livre do martírio que tenho aqui enquanto encarnado, por que vou ficar esperando a hora certa?
Meus amigos e irmãos, só Deus define o tempo certo, alguns relatos nos trazem as pessoas que anteciparam a hora do desenlace com o corpo e que sofrem muito com isto no mundo espiritual; deixamos de aproveitar uma oportunidade, dentre tantas, que Deus nos dá para evoluirmos no convívio com aqueles que nos rodeiam, mesmo com as dificuldades que nos circulam. A dificuldade é a experiência de amanhã, portanto aproveitemos a dificuldade sorrindo, pois ela é, em verdade, mais uma oportunidade de depurarmos o espírito, como na passagem de "O Céu e O Inferno ou a Justiça Divina Segundo o Espiritismo" citada acima.
Sabemos que falar de dificuldade é muito delicado, pois ela (ou a dor) somente é entendida por aquele que passa em meio (ou que a sente), mas se em momentos de dificuldade conseguirmos "olhar" para Deus e se, mais ainda, ao invés de reclamarmos, conseguirmos agradecê-Lo... ah, então conseguiremos dar uma passo enorme à felicidade.

Na Revista Espírita - 1860 - página 22  - final da quarta sessão temos:
...lembrai-vos, meus amigos, todos os filhos de Deus foram criados para a perfeição. Felizes aqueles que não perdem seu tempo no caminho: A eternidade se compõe de dois períodos: o da prova, que se poderia chamar a incubação, e o da eclosão ou entrada na vida verdadeira, que chamais a felicidade dos eleitos.

Notem que a citação acima não nos deixa muitos comentários a serem acrescentados, somente enfatizando, notem que no final temos "que chamais a felicidade dos eleitos", não que a felicidade seja de alguns eleitos, e sim que assim foi conceituado, pois Deus, em sua infinita bondade e justiça, não faria distinção entre seus filhos, portanto os eleitos somos todos nós que trabalhamos em busca da felicidade, cultivando, como acima já mencionei, no dia a dia, em cada momento de nossa vida.

Conclusão

A felicidade pode ser encontrada em qualquer lugar, principalmente dentro de nós e até mesmo nas maiores dificuldades que podemos estar passando. O "como" encarar uma dificuldade faz muita diferença no nosso dia a dia, trazendo como resultado esta palavrinha que todos almejamos: felicidade.
Gostaria, como o fiz durante esta palestra na casa espírita "Amor e Caridade Jacob", de desejar que todos que possam estar lendo consigam enxergar a felicidade mesmo no nosso mudinho, sempre com a certeza de que Deus está presente e que nos quer muito bem.

Informações para o visitante

Este site foi criado para divulgar, primeiramente, a doutrina espírita na forma de palestras, mas com o intuito de ter a colaboração daqueles que o visitam no que diz respeito ao seu modo de pensar, seja este espírita ou não, portanto, se você se sentir a vontade para discorrer sobre o tema proposto, por favor, participe através do programa de correio que você utiliza.
No relacionamento entre as pessoas, mais precisamente no casamento, instituição tão comentada na sociedade, a felicidade é encarada como algo muito difícil.
Já há algum tempo ouvia eu a seguinte pergunta:
"Quando a pessoa se casa, ela está querendo ser feliz ou fazer a pessoa com quem casou feliz?..."

Felicidade interior - Adenáuer




“...O meu reino não é deste mundo. Se o meu
reino fosse deste mundo, os meus ministros se
empenhariam por mim, para que não fosse eu
ent r egue  aos   judeus; mas agora o meu reino
não é daqui.” João, 18:36.
Disse o Cristo: “...mas agora o meu reino não é
daqui.” A inclusão da palavra  agora pressupõe a colocação
de uma certa temporalidade na afirmação, isto é, como se
ele quisesse dizer que o reino dele será aqui, mas não
naquele momento, naquela época. O que equivale a dizer
que na Terra ainda se instalará o reino que ele pretendeu, e
ainda pretende, que aqui funcione.
Ao lado de ser uma forma de governo, o reino é o
lugar mais importante de uma região, é seu ponto principal,
onde se localiza a administração central. Do ponto de vista
psicológico podemos pensar que o reino é o foco onde
fixamos nossa atenção. É o foco no qual concentramos
nossas energias psíquicas. Pode-se dizer que o reino é o
centro das atenções da vida. O nosso reino interior é o lugar
mais precioso do mundo íntimo, onde, em nossa
singularidade, encontramos paz e harmonia.
Na consciência, ele representa um certo grau de
satisfação em viver, uma felicidade pessoal em existir. No
inconsciente, ele estará representado através de
exteriorizações que provocarão as manifestações
conscientes já ditas, bem como, simultaneamente, respostasoportunas da Vida. Isto quer dizer que, quando o reino
interno estiver bem consolidado, a vida do indivíduo será
menos árdua e mais feliz. Seu jugo será suave e seu fardo
será leve.
Todos temos uma certa parcela do reino, mesmo que
embrionária, no inconsciente. Temos que desenvolvê-la o
suficiente para que ela possa se expressar de forma a
proporcionar o bem pessoal e coletivo. Fomos criados para
a felicidade e para a eternidade. Aquilo que pensamos ser
sofrimento é apenas uma forma de enxergar a vida. Quando
nos conscientizarmos que o interior determina o exterior,
modificaremos nosso modo de sentir e perceber o mundo,
cujo sentido será o mesmo que atribuirmos à nossa
individualidade.
O ser humano ainda vive mais a vida consciente,
despreocupando-se da vida inconsciente. Vive mais a vida
material, social, que a vida espiritual. Vive mais o mundo
externo que o interno. O seu reino ainda é o externo, o
material, o consciente. Seu foco ainda não é seu mundo
interno, sua essência espiritual, onde estão inscritas as leis
de Deus. Nesse sentido há quem pense que conhecer as
coisas é o mesmo que saber sobre elas. O saber implica no
vivenciar e internalizar o que aprendeu. O desenvolvimento
espiritual passa, necessariamente, pelo domínio vivencial
das emoções e sentimentos.
Vivemos desejando, na maioria das vezes, a
construção de um reino pessoal em detrimento do reino
coletivo, quando deveríamos buscar ambos. Mais do que
isso, vivemos construindo um reino externo, esquecidos do
reino interno. Se conseguíssemos construir nosso reino
pessoal interno com a ética superior do Evangelho,
simultaneamente iniciaríamos a construção de um reino
coletivo. A reforma íntima tão pregada entre nós espíritas é
muito mais profunda que imaginávamos.Nosso processo de crescimento ainda se situa no  ego,
isto é, na parte da personalidade que vive a vida externa.
Ainda nos preocupamos em ampliar o conhecimento sobre a
vida consciente, em detrimento de descobrir a nossa
essência espiritual. Nesse sentido, nos enchemos de
informações, de poder, a fim de não perdermos o domínio
sobre o mundo externo, já que não o temos sobre o interno.
Com isso ampliamos nossa vaidade, nosso orgulho, nosso
egoísmo, enfim, tudo aquilo que contribui para o
atendimento às necessidades artificiais.
Por ainda não estar suficientemente seguro da vida
espiritual, que no momento lhe é inconsciente, o ser
humano se centra na vida presente e, particularmente, nas
preocupações materiais conscientes. Porém, é na vida
inconsciente que se situam as experiências reencarnatórias e
tudo aquilo que representa o nível de evolução espiritual do
ser humano. É mais fácil, por enquanto, para ele, ater-se à
vida presente do que atender aos reclames da vida
inconsciente, onde, dentre outros conteúdos, localizam-se os
conflitos das vidas passadas, exigindo solução.
Podemos entender também que a palavra mundo
poderia significar:
– a forma como o ser humano entende a vida, no que
diz respeito à sociedade e seu futuro;
– seu mundo interno, ou seja, como ele próprio se
explica, sob que crenças e valores vive.
No primeiro caso, trata-se do significado e sentido
que damos à nossa vida, como objetivamos o viver, quais
nossas aspirações. A depender desse sentido poderemos ser
éticos ou não, otimistas ou pessimistas, crentes ou
descrentes de um futuro melhor, confiantes ou tementes,
ativos ou passivos em relação à vida, progressivos ou
regressivos, determinados ou retraídos, etc.O segundo caso diz respeito à parte emocional e
psicológica do ser humano, isto é, se ele se ocupa de
perceber-se mais que ao mundo, isto é, se ele se ocupa mais
do que percebe internamente ou externamente a si mesmo.
Há, nesse caso,  um investimento em sua vida subjetiva, em
sua vida emocional e afetiva, em lugar de atuar
externamente.
Nesses dois sentidos, a sociedade em que o Cristo se
inseriu, como também, em menor intensidade a que
vivemos hoje, carece de uma melhor visão de mundo.
Talvez, nesse aspecto, o Cristo, se voltasse a ter conosco,
continuaria dizendo que seu reino ainda não seria deste
mundo, isto é, os seres humanos ainda não estão
psiquicamente maduros para a instalação de seu reino.
O reino do Cristo ainda não era daquele mundo,
daquela visão ainda incipiente do próprio mundo interno e
externo. A sociedade, mesmo sendo aquela que ele escolheu
para dar o exemplo de sua mensagem renovadora, não tinha
suficiente maturidade para investir mais no subjetivo do que
no objetivo. A vida material era mais importante do que os
convites que o Cristo fazia para que cada um tomasse sua
cruz e o seguisse.
Sua afirmação quanto ao reino pode ser entendida
como um apelo para melhorarmos nosso mundo interior, a
fim de merecermos viver de acordo com seus princípios.
Para tanto, nossa visão de mundo necessita transformar-se, a
partir da focalização do mundo interno na mesma
intensidade com que o fazemos em relação ao mundo
externo. Não se deve pensar que basta voltar-se
exclusivamente para o  mundo interno, esquecendo-se do
externo. É preciso dar atenção a ambos, buscando viver
externamente o que vive internamente.
Dar um sentido para a Vida, ou ter uma visão de
mundo adequada à instalação do reino do Cristo na Terra, é fazer uma nova leitura da Vida como um bem preciosíssimo
pelo qual nos cabe zelar. É, também, confiar em Deus, ter
consciência de sua própria imortalidade e de seu retorno
reencarnatório para aprender a vivenciar o que ignorava
como fazer. É ter consciência de que sua vida na Terra tem
um propósito mais amplo do que imagina. É saber que Deus
nos deu o livre-arbítrio como forma de estabelecermos
escolhas. É nos libertarmos das culpas e medos a fim de
prosseguirmos seguros e firmes na busca da evolução
espiritual.
A afirmação do Cristo coloca o ser humano na
responsabilidade de tornar sua vida presente digna do reino
que ele pregou. Dizer-se cristão e espírita, é preparar-se
interiormente para construir esse reino externo a partir do
interno.
Passa a ser meta do candidato a seguidor do Cristo,
transformar sua vida interior e exterior, adequando-as ao
reino dele. Seus seguidores, aqueles que pregam sua
mensagem, bem como todos os simpatizantes, não se
podem descurar desse objetivo.
Os que divulgam, sob as mais variadas formas,
necessitam, com maior obrigação, instalar o reino interno,
ao mesmo tempo que devem procurar realizar o externo.
A afirmação do Cristo nos dá segurança quanto à vida
futura. Ao dizer que seu reino ainda não era daquele mundo,
deixa-nos confiantes em relação à existência de um futuro.
Essa tranqüilidade atua psicologicamente, fomentando o
bem estar e o equilíbrio entre a psiquê e o corpo.
Inconscientemente ou conscientemente, sua mensagem
calça nossa mente harmonizando-a, com a certeza de que há
algo ditoso à frente, o qual alcançaremos.
Nesse sentido, podemos também entender que o reino
é uma espécie de voz interior, que sinaliza a cada momento
a necessidade de considerarmos nossa singularidade eelaborarmos um modo de conciliar a dualidade
característica de nossa existência. Viver seria o desafio
entre ter que movimentar-se entre dois reinos: o externo e o
interno, o físico e o espiritual, o concreto e o subjetivo.
Viver no mundo sem ser do mundo. Desenvolver-se
espiritualmente, aprender a ‘ouvir’ o inconsciente e manterse adaptado e atuante nos aspectos objetivos da Vida.
Ao assegurar um reino futuro, o Cristo fortaleceu no
ser humano a certeza inconsciente da imortalidade da alma.
Ao garantir sua existência, ele deixava nas entrelinhas uma
vida futura melhor do que aquela que o ser humano
enfrentava.

domingo, 3 de junho de 2012

20 EXERCÍCIOS PAA REFORMA ÍNTIMA



1. Executar alegremente as próprias obrigações.
2. Silenciar diante da ofensa.
3. Esquecer o favor prestado.
4. Exonerar os amigos de qualquer gentileza para conosco.
5. Emudecer a nossa agressividade.
6. Não condenar as opiniões que divergem da nossa.
7. Abolir qualquer pergunta malicisa ou desnecessária.
8. Repetir informações e ensinamentos sem qualquer azedume.
9. Treinar a paciência constante.
10. Ouvir fraternalmente as mágoas dos companheiros sem biografar nossas dores.
11. Buscar sem afetação o meio de ser mais útil.
12. Desculpar sem desculpar-se.
13. Não dizer mal de ninguém.
14. Buscar a melhor parte das pessoas que nos comungam a experiência.
15. Alegrar-se com a alegria dos outros.
16. Não aborrecer quem trabalha.
17. Ajudar espontaneamente.
18. Respeitar o serviço alheio.
19. Reduzir os problemas particulares.
20. Servir de boa mente quando a enfermidade nos fira.

O aprendiz da experiência terrena que quiser e puder aplicar-se, pelo menos, a alguns dos vinte exercícios aqui propostos, certamente receberá do Divino Mestre, em plena escola da vida, as mais distintas notas no curso da Caridade.
pelo Espírito Scheilla - Do livro: Ideal Espírita, Médium: Francisco Cândido Xavier - Espíritos Diversos.