Estudando o Espiritismo

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sexta-feira, 17 de junho de 2016

PORQUE "RECONCILIAR-SE COM OS ADVERSÁRIOS"

PORQUE "RECONCILIAR-SE COM OS ADVERSÁRIOS"

                “Se estás, portanto, para fazer tua oferta diante do altar e te lembrares que teu irmão tem algo contra ti, deixa ali tua oferta e vai reconciliar-te primeiro com ele; só então vem fazer tua oferta.
                Entra em acordo sem demora com teu adversário, enquanto estás posto a caminho com ele, para que não suceda que te entregue ao juiz, e o juiz não te entregue ao ministro e sejas mandado para a prisão. Em verdade te digo que não sairás de lá antes de teres pago o ultimo centavo.” Jesus (Mt 5, 23-26)

    Se passamos por situações de dor que foram geradas por nós mesmos, porque revoltar-nos com aqueles que servem de instrumento para nossa regeneração?
             
                                                                         -- * --  

     A compreensão e a assimilação deste ensinamento, que o nosso Governador Espiritual nos passou, é de fundamental importância para nossos relacionamentos, nosso padrão de vida, nossa paz interior, nossa evolução. Porque, se "amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo" reúne "toda Lei e os ensinamentos dos profetas", concluímos que, enquanto odiarmos e retardarmos o auto-descobrimento do amor incondicional, não teremos condições de entrar no "reino dos céus" interior, isto é, a maioridade espiritual que buscamos para nos afastarmos do sofrimento e alcançarmos estados d'alma de  paz e júbilo ainda para nós desconhecidos.

     Vivemos em um planeta de provas e expiações, na infância espiritual em que nos encontramos. Como o aprendizado se dá pelas tentativas de acerto e erro, o erro faz parte da caminhada evolutiva a qual devemos percorrer para que, por mérito próprio, conquistemos pelo nosso esforço todas as qualidades morais e a sabedoria. E a reparação do erro, naturalmente, faz parte do aprendizado.
     EVOLUÇÃO > TENTATIVAS DE ACERTO E ERRO > O ERRO
     Erramos sempre que tomamos atitudes que firam a nós mesmos, a outrem e ao meio onde vivemos. Perturbamos a harmonia universal com nossas atitudes egoístas e perversas, e a Lei de Justiça, Amor e Caridade nos convida a repará-la, para nossa rearmozização com o universo.
     O artigo postado no blog Espiritismo: Ciência, Filosofia e religião, intitulado "Breve Ensaio Sobre o Mal", versa sobre o mecanismo que faz com que freqüentemente transferirmos a responsabilidade dos nossos erros a pessoas ou situações que "nos obrigaram" a agir de determinada forma (que, na verdade, livremente escolhemos). Imaturos espiritualmente, portadores de vícios morais tais como o orgulho e o egoísmo - desencadeantes de todos os outros - vamos nos distanciando de nós mesmos, culpando o mundo, caindo na inércia evolutiva da revolta e da vingança.
     Porém, o entendimento da Lei de Causa e Efeito (carma) desestimula a manutenção de qualquer animosidade. Explica que o mal sofrido sem provocação é resultado de uma ação  praticada no passado e que hoje, com condições de aprender, passamos pela mesma situação imputada a outrem, como medida reeducativa e regenerativa para nossa alma, nos des-culpando e devolvendo a paz desperdiçada.

    OS INSTRUMENTOS CÁRMICOS DE REGENERAÇÃO
    Pergunta: se passamos por situações de dor que foram geradas por nós mesmos, porque revoltar-nos com aqueles que servem de instrumento para nossa regeneração?

    Se nascemos com uma perna torta, vamos socá-la até que caia? Se o carro que andamos perdeu uma roda e nos acidentamos, vamos odiá-lo para o resto da vida pela cadeira de rodas que ficamos? Se a tempestade que levou nossa casa água abaixo, junto até com familiares, vamos planejar explodir as nuvens como vingança? Não, lógico, a não ser se formos portadores de transtorno mental.

   Se nossa perna ficou torta através do revólver do ladrão, ao invés de fatores hereditários, podemos desejar que este morra na prisão, de preferência com muito sofrimento. Se ficamos paralíticos devido ao atropelamento, podemos odiar mortalmente o motorista embriagado. Se o sócio roubou tudo o que tínhamos e fugiu com nossa esposa, podemos planejar uma sórdida vingança, talvez até com a morte de ambos. Mas - espere aí - os acontecimentos deste parágrafo não tem consequências similares ao parágrafo anterior? Sim, o que muda é o meio como a vida nos colocou na situação que necessitávamos para expurgar do nosso perispírito a densa energia gerada pelos nossos atos pretéritos. Só que, com as pessoas,  sentimos na carne o dolo, a premeditação, a violência, o descaso, o desprezo presente naqueles que, por sua pré-disposição íntima ao mal e vontade de fazê-lo, Deus permitiu que fossem instrumentos cármicos a nosso favor. E isso dói, revolta. Ainda mais quando os instrumentos cármicos são pessoas próximas. Se entendermos que são instrumentos da Lei Divina, fica mais fácil aceitar, perdoar...  Fácil de entender, difícil, dificílimo de sentir...


    Deste modo, conclui-se que, se temos que odiar alguém sobre o mal que sofremos, precisamos nos postar na frente do espelho... pois fomos nós, e mais ninguém, os próprios causadores dos nossos males e sofrimentos. E adiantaria de algo odiarmos a nós mesmos??



    "O mal que me fazem, muitas vezes é um bem que me fazem.O mal que provoco, é sempre um mal que me faço." (Não lembro onde li ou ouvi esta grande verdade). Quem tiver dúvidas sobre esta afirmação, leia no Evangelho Segundo o Espiritismo "A desgraça real" (cap V, ítem 23).
   Duas observações pertinentes:

    > O ódio estreita laços entre dois espíritos, literalmente, pois fios fluídicos tenuíssimos unem os perispíritos dos que se odeiam, da mesma forma que estes mesmos fios, porém luminosos, unem os que se amam. Se queremos que alguém suma do nosso coração, é necessário que cesse todo rancor e mágoa para que se dissolva essa união cármica, e o meio que dispomos para que isso aconteça chama-se PERDÃO. Os benefícios do perdão sobre a alma de quem perdoa são imensos... felizes aqueles de nós que já conseguem cultivar esta virtude das mais nobres...

     > Manutenção de animosidades = exteriorização de sentimentos inferiores = sintonia com mentes em igual distúrbio = obsessão por afinidade. Ninguém quer isso.


     INIMIZADES E ÓDIOS GERADOS NO PRESENTE:

     Nem Jesus, que é todo amor e bondade, foi unanimidade nas relações. Pelo contrário. Aqueles que com ele não se afinizavam, pelas práticas prejudiciais que não tinham a mínima vontade de erradicar, voltaram-se contra Ele. A contrariedade de seus sublimes ensinamentos com interesses políticos (romanos) e religiosos (fariseus), e a inveja destes últimos (assevera Amélia Rodrigues, através de Divaldo franco, que a gota d'água para os fariseus foi a ressurreição de Lázaro, prodígio nunca antes realizado nem pelos profetas) levaram-no à crucificação, prática comum adotada naquela época. Enfim, por vários motivos, O odiaram. Conta-nos o próprio Emmanuel, em "Há 2000 anos", que quando na carne do senador romano Púbio Lentulus odiou Jesus pelas verdades que escutou quando foi ao seu encontro, mesmo tendo a filha curada. Deste modo, pergunto: o que sobra para nós, seres cheios de defeitos?

    Os choques são inevitáveis, pois coexistimos com a mais variada gama de seres. Mesmo estando inertes, os conflitos vêm ao nosso encontro. Porém, temos a opção de: entrar em conflito ou evitar o conflito; evitar que o conflito aumente ou aumentar o conflito; transformar o conflito em ódio ou tratá-lo como mais uma oportunidade de desenvolver a virtude do perdão, da compreensão e do amor incondicional, eliminando o litígio de nossa parte (que é apenas o que nos compete, não mandamos no outro).



    "A verdade vos libertará", disse o Mestre. Estas verdades, compreendidas, sentidas e postas em prática nos libertam dos laços de ódio, de quaisquer inimigos e impedem que novos surjam. Deste modo, poderemos "entregar nossa oferta ao altar", ou seja, ter a consciência tranquila para comungar com o alto e poder sentir o "reino dos céus" interior. Ao mesmo tempo, evitamos "sermos entregues ao juiz, e este nos leve ao ministro, que nos enviará à prisão", naquele local já tão conhecido e peregrinado por nós em nosso passado espiritual, o umbral, que a morada na casa do Pai onde encontran-se os que se odeiam e guardam ódio em si.
    Se conseguirmos ir desenvolvendo algumas das virtudes abaixo:

 Paciência
 Compreensão
  Tolerância
  Indulgência
  Perdão
  Auto-amor
 GRATIDÃO

    Evitaremos novas animosidades e criaremos condições de dissolver as anteriores.


    Que Deus nos ajude a todos na manutenção da vontade em nos melhorarmos!