Estudando o Espiritismo

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terça-feira, 14 de junho de 2016

A chave

JOSÉ ARGEMIRO DA SILVEIRA
joseargemirosilveira@gmail.com
Ribeirão Preto, São Paulo (Brasil)


A chave

“Jesus nada disse de absurdo para todo aquele que apreende o sentido alegórico
e profundo de suas palavras; mas muitas coisas não podem ser
compreendidas sem a chave que delas nos dá o Espiritismo.”
(O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. 8, item 17.)


Em O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. 8, item 11, Allan Kardec transcreve a passagem em que Jesus fala sobre o escândalo (S. Mateus, cap. XVIII, v. de 6 a 11): “Ai do mundo por causa dos escândalos; porque é necessário que venham escândalos; mas ai do homem por quem o escândalo venha”. Parece uma contradição: “... é necessário que venham escândalos, mas ai do homem por quem o escândalo venha”.

Inicialmente a explicação sobre o que é considerado escândalo: “Diz-se de toda ação que choca com a moral ou a decência de um modo ostensivo. No sentido evangélico, a acepção da palavra escândalo, tão frequentemente empregada, é sempre mais geral e, por isso, não se lhe compreende a acepção em certos casos. Não é mais somente o que ofende a consciência de outrem, é tudo o que resulta dos vícios e das imperfeições dos homens, toda reação má de indivíduo para indivíduo, com ou sem repercussão”.

É necessário que venham escândalos porque os seres humanos são pouco evoluídos. Sabem, ainda, pouco sobre as leis divinas, e praticam menos do que sabem. Consequentemente fazem muitas coisas em desacordo com as referidas leis. É preciso entender por estas palavras que o mal é uma consequência da imperfeição dos homens, e não que haja para eles obrigação de praticá-lo. Com outras palavras, o agir em desacordo com as leis divinas é uma consequência natural da imperfeição humana, no atual estágio evolutivo. Mas se ele não tentar, não experimentar, não exercitar o seu livre-arbítrio, não se desenvolve, não evolui. Escolhendo mal, sofre as consequências do mal praticado e aprende.  Escolhendo bem, agindo corretamente, evolui mais depressa. Mas sempre evolui. Sem liberdade para fazer escolhas não há crescimento, não há responsabilidade. Se agir mal, pune a si mesmo pelo contato com seus vícios, dos quais é a primeira vítima, acabando por compreender seus inconvenientes. Quando estiver cansado de sofrer no mal, procurará o remédio no bem -  esclarece o codificador.

Mas ai daquele por quem o escândalo venha, porque aquele que mesmo inconscientemente serviu de instrumento para a justiça divina, cujos maus instintos foram utilizados, não deixou de fazer o mal e deverá sofrer-lhe as consequências. Esta e várias outras passagens dos ensinos de Jesus só podem ser bem compreendidas à luz da Doutrina Espírita. Conforme bem disse Allan Kardec, “muitas coisas não podem ser compreendidas sem a chave que delas nos dá o Espiritismo. Qual é essa chave? – A reencarnação (pré e pós-existência do Espírito), o livre-arbítrio, a lei do progresso, a lei de causa e efeito. Com esses ensinamentos, entendemos que o ser humano é, ainda, pouco evoluído e que, mesmo inconscientemente, age em desacordo com as leis divinas, porque não é um ser pronto, acabado. É um ser em evolução, à medida que for desenvolvendo as qualidades que foram colocadas por Deus, desde o início, vai compreendendo as leis divinas, e harmonizando seu proceder com essas leis, vai deixando de errar, e, consequentemente, deixa de sofrer as consequências dos erros.