Estudando o Espiritismo

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domingo, 6 de março de 2016

Reencarnações de personagens históricas

http://www.acasadoespiritismo.com.br/reflexoes/existencias%2006%20personagens%20historicos.htm

06 - Personagens Históricos

1 - Reencarnação de D. Pedro II

Longinus reencarna como D. Pedro II

Cassius Longinus, centurião romano, foi incumbido de verificar se o crucificado Jesus de Nazaré estava morto. Com a lança, atingiu o coração do Messias. A lei proibia que os crucificados ficassem moribundos após a hora nona. João, o Evangelista, afirma que "um dos soldados lhe abriu o lado com uma lança e logo saiu sangue e água" (19:34).

A história também anota a existência de Caius Cassius Longinus, filósofo grego nascido na cidade de Palmira em 213 e desencarnado em 273, na mesma cidade. Aluno do neoplatoniano Amônio Sacas, Longinus foi ministro de Zenóbia, rainha de Palmirânia, Síria, primitivamente denominada Tadmor, um oásis entre a Síria e a Mesopotâmia. Quando se desligou dos vários domínios de Roma, celebrizou-se sob o governo de Zenóbia. Em 634, os árabes a destruíram.

Humberto de Campos nos transmite anotações sobre Longinus em Brasil Coração do Mundo, Pátria do Evangelho:-"No Rio de Janeiro, transbordavam esperanças em todos os corações; mas os estadistas topavam com dificuldades para a organização estatal da terra do Cruzeiro. A Constituição, depois de calorosos debates e dos famosos incidentes dos Andradas, incidentes que haviam terminado com a dissolução da Assembléia Constituinte e com o exílio desses notáveis brasileiros, só fora aclamada e jurada, justamente naquela época, a 25 de março de 1824.

Nesse dia, findava a mais difícil de todas as etapas da independência e o coração inquieto do primeiro imperador podia gabar-se de haver refletido, muitas vezes, naqueles dias turbulentos, os ditames dos emissários invisíveis, que revestiram as suas energias de novas claridades, para o formal desempenho de sua tarefa nos primeiros anos de liberdade da pátria. "Recebendo as confidências de Ismael, que apelava para a sua misericórdia infinita, considerou o Senhor a necessidade de polarizar as atividades do Brasil num centro de exemplos e de virtudes, para modelo geral de todos. Chamando Longinus à sua presença, falou com bondade:

- "Longinus, entre as nações do orbe terrestre, organizei o Brasil como o coração do mundo. Minha assistência misericordiosa tem velado constantemente pelos seus destinos, e inspirando a Ismael e seus companheiros do Infinito, consegui evitar que a pilhagem das nações ricas e poderosas fragmentasse o seu vasto território, cuja configuração geográfica representa o órgão do sentimento no planeta, como um coração que deverá pulsar pela paz indestrutível e pela solidariedade coletiva, e cuja evolução terá de dispensar, logicamente, a presença contínua dos meus emissários para a solução dos seus problemas de ordem geral.

Bem sabes que os povos têm a sua maioridade, como os indivíduos, e se bem não os percam de vista os anjos tutelares do mundo espiritual, faz-se mister se lhes outorgue toda a liberdade de ação, a fim de aferirmos o aproveitamento das lições que lhes foram prodigalizadas. Sente-se o teu coração com a necessária fortaleza para cumprir uma grande missão na Pátria do Evangelho? - "Senhor - respondeu Longinus, num misto de expectativa angustiosa e de refletida esperança — bem conheceis o meu elevado propósito de aprender as vossas lições divinas e de servir à causa das vossas verdades sublimes, na face triste da Terra.

Muitas existências de dor tenho voluntariamente experimentado, para gravar no íntimo do meu espírito a compreensão do vosso amor infinito, que não pude entender ao pé da cruz dos vossos martírios no Calvário, em razão dos espinhos da vaidade e da impenitência que sufocavam naquele tempo a minha alma. Assim, é com indizível alegria, Senhor, que receberei vossa incumbência para trabalhar na terra generosa, onde se encontra a árvore magnânima da vossa inesgotável misericórdia. Seja qual for o gênero de serviços que me forem confiados, acolherei as vossas determinações como um sagrado ministério.

- "Pois bem - redarguiu Jesus com grande piedade -, essa missão, se for bem cumprida por ti, constituirá a tua última romagem pelo planeta escuro da dor e do esquecimento. A tua tarefa será daquelas que requerem o máximo de renúncias e devotamentos. Serás imperador do Brasil, até que ele atinja sua perfeita maioridade, como nação. Concentrarás o poder e a autoridade para beneficiar a todos os seus filhos.

Não é preciso encarecer aos teus olhos a delicadeza e sublimidade desse mandato, porque os reis terrestres, quando bem compenetrados das suas elevadas obrigações diante das leis divinas, sentem nas suas coroas efêmeras um peso maior que o das algemas dos forçados. Dos teus esforços se exigirá mais de meio século de lutas e dedicações permanentes. Ampara os fracos e os desvalidos, corrige as leis despóticas e inaugura um novo período de progresso moral para o povo das terras do Cruzeiro. Procura aliviar os padecimentos daqueles que sofrem nos martírios do cativeiro, cuja abolição se verificará nos últimos tempos do teu reinado.

Tuas lides terminarão no fim deste século, e não deves esperar a gratidão dos teus contemporâneos; ao fim delas, serás alijado da tua posição por aqueles mesmos a quem proporcionares os elementos de cultura e liberdade. Contudo, amparar-te-ei o coração nos angustiosos transes do teu último resgate, no planeta das sombras. Nos dias da amargura final, minha luz descerá sobre os teus cabelos brancos, santificando a tua morte.

"Foi assim que Longinus preparou a sua volta à Terra, depois de outras existências tecidas de abnegações edificantes em favor da humanidade, e, no dia 2 de dezembro de 1825, no Rio de Janeiro, nascia de D. Leopoldina, a virtuosa esposa de D. Pedro, aquele que seria no Brasil o grande imperador e que, na expressão dos seus próprios adversários, seria o maior de todos os republicanos de sua pátria."
(Livro Brasil Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, de Humberto de Campos, psicografado por Francisco Cândido Xavier)

2 - Fausta, Brunilda e Maria Antonieta

A - Rainha Fausta de Constantinopla

A Rainha Fausta foi a segunda esposa do primeiro monarca cristão, Constantino I (307 - 337). Fausta tinha um filho que poderia herdar o trono de Constantino se este não tivesse herdeiros diretos. Mas, infelizmente para ela, Constantino tinha um filho legítimo, Crispus César, indicado por lei para ser o herdeiro da coroa. Como a ambição de Fausta era desmedida, ela resolveu eliminar o concorrente, acusando-o falsamente de ter tentado estuprá-la. Surtiu o efeito desejado e, apesar dos protestos de Crispus César, Constantino condenou o próprio filho à morte.

Mas o crime de Fausta não ficou impune. Helena, mãe de Constantino (a quem se atribuiu a descoberta do túmulo de Jesus, venerada pelos católicos como Santa Helena), conhecedora dos planos da nora, desmascarou-a. Fausta foi condenada à morte; encarcerada num pequeno cômodo, morreu cozida mais tarde por vapores de água fervendo. Nessa execução, ainda que indiretamente, seu filho participou. Vejamos agora a consequência destes fatos: Fausta reencarna mais tarde como a Rainha Brunilda e seu filho como Thierry, filho de um filho de Brunilda, ou seja, seu neto.

No reino de Maria Antonieta, este neto reencarnará como o Delfim da França. Em seguida, Burnier expõe outros detalhes sobre a reencarnação de Fausta como Rainha Brunilda (século VI).

B - Rainha Brunilda da Austrásia

Filha do rei dos visigodos, Atanagildo (534 - 613), Brunilda casou-se com um homem de caráter fraco, Sigeberto, rei da Austrásia, reino que compreendia a Champagne, os vales do Mosa, do Mosela e do Reno, e também as regiões dominadas pelos francos, a leste do Reno. Brunilda, apesar de venerada por alguns, era desprezada e até odiada por outros, que a consideravam uma verdadeira tirana de seu povo.

Depois de muitas guerras e assassinatos em que esteve envolvida, Brunilda ficou viúva e foi morar com seu neto Tierry, a quem, segundo alguns historiadores, ela encheu de vícios sexuais de toda a ordem. Por este motivo foi perseguida por um prelado chamado Didier, que tentou impedi-la de continuar viciando o jovem. Este prelado foi assassinado a mando de Brunilda.

Mais tarde, Brunilda é perseguida por outro inimigo, o rei Clotário II, que a prende e a tortura, expondo seu corpo nu sobre um camelo.
Brunilda reencarna como Maria Antonieta, Rainha da França Brunilda, na pessoa de Maria Antonieta, tem diversos e curiosos paralelos. Durante a Revolução Francesa, Maria Antonieta foi publicamente acusada por Jacques Hébert (que é a reencarnação de Clotário II) de ter cometido incesto com seu filho de 9 anos, o Delfim de França (que é a reencarnação de Thierry).

O prelado Didier, que tentou impedir Brunilda de continuar viciando o neto dela - Thierry -, reencarnou como outro implacável inimigo: o cardeal Rohan. Quanto ao fiel amigo, o duque de Gondvald, reencarna como seu amigo e admirador - o conde Alex de Fersen. Brunilda teve seu corpo nu exposto ao povo. Maria Antonieta foi obrigada a tirar sua camisa, respingada de sangue, e ficou nua ante um soldado.

Maria Antonieta pediu que lhe dessem de beber da mesma fonte que serviu Brunilda. Entre Brunilda e Maria Antonieta outras reencarnações ocorreram, mostrando diversas características semelhantes, mas, como seria de se esperar, mostrando também mudanças graduais de caráter, pois esta é a lei de Deus.

C - Fredegonda reencarna como a Princesa de Lomballe

A Princesa de Lomballe é reencarnação de Fredegonda, contemporânea e inimiga de Brunilda, uma debochada doméstica por quem Chilperic se apaixonou, e que usou sua influência para encarcerar a primeira esposa de Chilperic, mais tarde assassinada a seu mando à porta de um convento. A perversidade de Fredegonda era tão acentuada, que ela fazia gracinhas com os órgãos sexuais de seus ex-amantes, que mandava extirpar quando se cansava deles.

Dois fatos marcantes ocorreram com a princesa de Lomballe. Ela foi presa e assassinada à porta de um convento e teve seus órgãos sexuais extirpados por um animal, que os colocou sobre seus beiços.

D - Absalão é César Bórgia, Danton e Garibaldi

O papa Alexandre VI teve um filho e uma filha com sua amante Vanozza Dei Catani; o filho chamava-se César Bórgia (reencarnação de Absalão), a filha chamava-se Lucrécia Bórgia (reencarnação de Tamar). Absalão matou seu irmão Amnon, movido por ciúme de sua irmã Tamar. César Bórgia matou seu irmão, o Duque Cândia, por ciúme de sua irmã Lucrécia. César Bórgia reencarnou na pessoa de George Jacques Danton; depois reencarnou como Giuseppe Garibaldi.

César Bórgia era um homem de nobre ideal, procurando unificar a Itália ou, ao menos, a Itália Central. Foi frustrado por uma infelicidade. Em Danton, vemos um homem de caráter complexo, egocêntrico, mas flexível, venal, violento, sem disciplina moral ou intelectual, mas, por vezes generoso e compassivo. Tentou unificar a França, mas a política de moderação que esposava só serviu para enfraquecer a mobilização geral, e sua oposição à Comissão de Segurança Pública precipitou a crise que o destruiu e abriu o caminho para a queda da Bastilha e a Revolução Francesa. Sente-se em Danton a regeneração dos diversos tipos anteriores, causada pela vivência, os sofrimentos e a experiência.

Após a morte, em 1794, ele foi preparado para reencarnar, o que ocorreu em 1807, na pessoa de Giuseppe Garibaldi. Havia necessidade que Danton renascesse como Garibaldi; que Catarina Sforza reencarnasse corno Anita Garibaldi; que Macchiavelli ressurgisse como o Conde Renzo Cavour; que Soderine aparecesse nos martírios de Mazzini; que Pepino, o Breve, revestisse o físico do rei Vitorio Emanuele, retomando de Pio XI o legado que fora dado à Igreja, na época dos Merovíngios - o poder temporal. Eram todos pessoas envolvidas na História, com conhecimentos que os ajudavam a manipular a política, e assim conseguirem benefícios para a humanidade.

Como alguns destes importantes personagens renasceram no Brasil, é curioso ver Anita - que mais tarde casou com Giuseppe Garibaldi —, filha de Bento Ribeiro da Silva e Maria Antônia de Jesus. Como reencarnação de Catarina Sforza (1500) — uma mulher guerreira-, ela possuía amplos conhecimentos para servir como companheira de luta de Garibaldi, e na sua vida novamente vemos a história se repetir. Depois que Anita e Garibaldi deixaram o Brasil a caminho da Itália - onde Garibaldi novamente lutaria pela sua unificação—Anita sofre uma série de acidentes em que é torturada pela fome e pela sede, no mesmo lugar onde, como Catarina Sforza, levara outros a morrerem de fome e sede.

O almirante francês Coligny, o reformista que defendeu a liberdade religiosa perante a Assembléia dos Notáveis, reencarnou no Brasil em Taquari, em 1796, como Davi Canabarro. Foi personagem de grande importância na Guerra dos Farrapos e fundador da República Catarinense. Comprovamos que no caminho evolutivo, todas as experiências são válidas. Constatamos que os homens que se puseram à frente das migrações, guerras e revoluções, conseguiram uma experiência notável para a reivindicação da liberdade do homem em todo o mundo.

Pelas suas experiências próprias e em conjunto, foram lentamente preparados para o futuro, auxiliando onde foi necessário. A reencarnação cuidara disso. Fontes: Revista. Planeta Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicobiofísicas (IBPP)

E - Rei David reencarna como Rodrigo Bórgia

Alguns hábitos e particularidades são tão estranhos em relação a esses dois personagens, que merecem menção. Por exemplo: David dançou diante da Arca Sagrada, o que lhe valeu a reprovação de Micol (II Samuel 6:20). Rodrigo Bórgia dançou nu a noite inteira com mulheres de família de Siena, o que lhe valeu a reprovação do Papa Pio II (carta de 11-06-1460). Quando o Rei David envelheceu, seu corpo era aquecido, nas noites frias de Jerusalém, com o corpo quente e jovem de Abisaque.

O mesmo foi feito na velhice de Rodrigo Bórgia: seu corpo era aquecido com o de Giulia Farnece, irmã do Cardeal Farnece. Giulia Farnece era a reencarnação de Abisaque. Fonte: Revista Planeta — Informação cedida pelo Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicobiofísicas (IBPP).

3 - Alexandre, César e Napoleão foram o mesmo espírito

Observai que fisicamente esses três homens se pareceram: estatura média, temperamento nervoso, exagerado, paixões veementes, vivacidade, sabedoria, talento geral, cabelos macios e negros, mãos finas, expressão fácil sem verbosidade, eloquência claríssima, resolução firme. Todas essas condições lhes foram comuns: a obra de guerreiros e conquistadores, idêntica; a ambição única e igualmente arrebatada: a dominação do mundo! Sabeis, pois, que essa trindade teve uma só alma: foi Alexandre, foi César e foi Napoleão.

Vejamos um pouco de suas existências:

A - Alexandre, o Grande

Conquistador macedônio (356 - 323 a. C.), filho do rei Felipe II e de Olímpia, filha de Neoptolêmio, rei de Epiro. Era dotado de força incomum (que lhe permitiu domar Bucéfalo, um cavalo considerado indomável) e brilhante inteligência, que seu preceptor Aristóteles buscou inutilmente atrair para suas próprias concepções filosóficas e políticas.

Jovem de ambição desmedida, encontrou na leitura de A Ilíada um modelo que sonhou imitar: Aquiles. Tornou-se rei aos vinte anos, após o assassínio de seu pai (336 a.C.). Primeiramente teve de consolidar sua autoridade na Grécia e fazer-se nomear estratego da Hélade, no Congresso de Corinto, de 335 a. C.

Tebas e Atenas rebelaram-se contra ele, quando lutava no norte da Macedônia. Em poucos dias estava de retorno à Grécia: arrasou Tebas, o que acarretou a submissão do resto da Grécia, mas poupou Atenas, cuja civilização admirava. Alexandre retomou os projetos de seu pai, preparando uma expedição contra o Império Persa. Só levou tropas de elite, num total de 35.000 macedônios e gregos. Na primavera de 334 a. C., passou à Ásia e, emTróia, ofereceu um sacrifício em honra a Aquiles.

Numa carga impetuosa às margens do rio Granico, desfez o primeiro exército persa, numa vitória que o tornou senhor de todo o oeste da Ásia Menor. Penetrou a seguir na Frigia, coração da Ásia Menor, onde, com um golpe de espada, cortou o nó górdio: um oráculo prometia o domínio da Ásia a quem o desatasse. Em 333 a. C., entrou na Síria, onde, na cidade de Issos, derrotou o exército comandado por Dario III Codoman, o qual fugiu abandonando sua família e imensos despojos nas mãos de Alexandre.

Após o cerco de Tiro, que durou sete meses, Alexandre entrou no Egito, onde recebeu o título de "Filho de Amon", que fazia dele o novo faraó, e fundou a cidade de Alexandria. Depois, embrenhando-se no Império Persa, alcançou uma vitória decisiva na planície de Gaugamelas, perto de Arbelas (331 a. C.), e ocupou todas as capitais do "Rei dos Reis": Ecbátana, Babilônia, Susa e Persépolis. Dario ainda conseguiu fugir, mas foi assassinado por Bessos, sátrapa da Bactriana, que dois anos mais tarde seria executado por ordem do novo faraó.

Alexandre empreendeu então a conquista das províncias orientais e, em 327 a. C., da índia ocidental, onde derrotou o rei Poros. Mas suas tropas, cansadas de combater tão longe da pátria, recusaram-se a penetrar ainda mais na índia, e Alexandre deu a ordem de retirada, que se fez pelo sul do planalto do Irã, ao longo do oceano Índico, através de uma região desértica e muito exaustiva para os homens. Nesse ínterim, uma frota sob o comando de Nearco costeou a região até o golfo Pérsico. Alexandre chegou a Susa em fevereiro de 324, ao cabo da mais extraordinária expedição militar de todos os tempos.

Alexandre, o Grande, não foi apenas um conquistador, foi também um administrador que alimentou a idéia da fusão dos povos do seu império. Antes de estender sua hegemonia ao mundo inteiro, quis ser o soberano de um vasto conjunto em que vencedores e vencidos se unissem num único povo. Respeitou as tradições e a religião de cada uma das nações subjugadas, seguindo nisso o exemplo dos reis aquemênidas; nomeou sátrapas tanto macedônios quanto orientais, e incorporou asiáticos ao seu exército, chegando a formar um corpo de jovens nobres iranianos - os Egígonos -, equipados à maneira macedônia.

Encorajando seus homens a desposarem mulheres persas, deu o exemplo celebrando em Susa suas núpcias com Estatira, filha de Dario. Mas quando aceitou o cerimonial da corte persa, e concordou em prosternar-se diante de Dario, o descontentamento de seus companheiros macedônios foi manifesto. Então, com impiedosa fúria, Alexandre mandou assassinar Parmênio, o mais intrépido general de seu pai, matando ele próprio Clito, o Negro, seu amigo de infância, que, segundo Plutarco, lhe teria dito: "Felizes os que morreram antes de ver os macedônios sendo maltratados pelos medas e pedindo aos persas permissão para verem o rei."

Depois das núpcias em Susa, Alexandre instalou sua capital na Babilônia; pensava em conquistar a Arábia e com certeza o Mediterrâneo, quando uma febre o derrubou: morreu com trinta e três anos, em 13 de junho. Alexandre iria servir de modelo a César, tanto na ambição de um vasto império, quanto na política da fusão de povos. Mas, através das lendas que o cercam, encontraram-se realidades que influíram numa profunda transformação do mundo antigo: a criação de mais de vinte cidades em pontos estratégicos e a implantação de uma moeda única iriam possibilitar o desenvolvimento das relações comerciais, apesar da divisão do Império com a sua morte. Porém, o mais importante foi a interpenetração de civilizações: a helenização do Oriente e, sobretudo, a orientalização do mundo grego.

B - Caio Júlio César

Caius Julios Caesar (102 ? —44 a.C.). Grande soldado, estadista e escritor romano que, depois de eliminar seu rival Pompeu da cena política de Roma, fez-se ditador, a princípio por um ano, depois por dez, afinal por toda a vida, e, acrescentando aos poderes do cargo outros privilégios (a tribunicia potestas, principalmente), tornou-se senhor absoluto do Império, fundando o regime político que se denominou "cesarismo".

Como escritor e orador, não há divergências nas opiniões sobre César, que o colocam entre os maiores de sua época. Seus Comentários sobre a Guerra da Gália demonstraram um admirável estilo de prosador e revelam o caráter do autor na simplicidade da narração, resultante de sua clara inteligência e forte compreensão de dignidade pessoal. O julgamento dos historiadores sobre sua vida pública, no entanto, tem sido influenciado através dos tempos por simpatias políticas. Todos reconhecem seu gênio e poucos deixaram de louvar sua generosidade e encanto pessoal, mas não se pode chegar a acordo entre os que consideram o cesarismo uma grande criação política e os que sustentam que César, destruindo a liberdade em sua pátria, perdeu uma histórica oportunidade de grandeza e esmagou o sentimento de dignidade no homem romano.

Esse último ponto de vista é corroborado pelo pouco respeito que demonstrou pelas antigas instituições de Roma que, com suas tradições, poderiam então continuar a ser os instrumentos da verdadeira vida política. César aumentou, por exemplo, para 900 o número dos senadores, introduzindo no Senado elementos das províncias. Mas, em vez de fazer da Assembléia o grande Conselho do Império, representativa de suas diversas raças e nacionalidades, tratou-a com permanente desprezo. O mesmo ocorreu com as velhas magistraturas da República e esse desprezo iniciou o processo pelo qual os imperadores minaram o respeito próprio de seus súditos, acabando por reinar sobre uma nação de verdadeiros escravos.

César descendia de família patrícia, cuja linhagem vai até Júlio, lendário fundador de Alba Longa, filho de Enéias e neto de Vénus. Sobre sua educação, pouco sabemos. Aos 16 anos adquiriu a maioridade e, pouco depois, com a subida ao poder do partido popular liderado por Cina e seu tio Mário, foi feito sacerdote de Júpiter, dignidade que perdeu um ano mais tarde, quando o partido senatorial retornou ao governo, através de Sila. César seguiu então para a Ásia, onde serviu sob Minúcio Termo contra alguns focos de resistência ao domínio romano.

Em 78, retornou a Roma tendo alguma atividade forense, seguindo, dois anos depois, para Rodes, onde estudou retórica com Molon. Na viagem, foi aprisionado por piratas, a quem tratou com imperturbável sobranceria enquanto esperava seu resgate, sempre prometendo crucificá-los assim que libertado- promessa que realmente cumpriu. Seguiu-se um intervalo de dez anos, durante os quais César participou de uma série de intrigas políticas e tornou-se famoso por suas dívidas e vida dissoluta.

Em seus atos públicos não perdia oportunidade para demonstrar apreço pelas antigas tradições democráticas e para promover divertimentos públicos. Angariou popularidade, sendo eleito "pontifex maximus" em 63, ano da conspiração de Catilina, na qual esteve possivelmente envolvido. No ano seguinte (62 a. C.), como pretor, César apoiou Pompeu contra o Senado e, quando este retornou do Oriente, reaproximou-o de Crasso. Em 60, os três políticos formaram uma coligação, o Primeiro Triunvirato, e aboliram virtualmente o governo constitucional.

Assegurada a aprovação do programa legislativo do Triunvirato, César obteve do Senado, por cinco anos, o governo das Gálias, onde diversas tribos germânicas ameaçavam varrer a influência romana para o outro lado dos Alpes. Durante oito anos (seu governo foi prorrogado em 56, na conferência de Luca), César, através de uma série de brilhantes campanhas, consolidou o poder de Roma nas Gálias, conquistou a Inglaterra, venceu diversas confederações de tribos, aprisionou o chefe gaulês Vercingétorix e organizou administrativamente a província conquistada, fixando o montante do tributo anual e demonstrando liberalidade para com as tribos vencidas, cujos cantões manteve.

Enquanto isso, sua posição em Roma tornava-se crítica. Crasso morrera e Pompeu passara para o partido do Senado, fazendo aprovar uma lei sobre as magistraturas contrária ao assentado em Luca, o que possibilitaria a substituição de César no comando da Gália e permitiria que, cidadão privado, fosse processado por seus atos inconstitucionais. Falhando as negociações entre os dois adversários, César, à frente de uma legião, atravessou o Rubicão, rio da fronteira italiana, exclamando: Ale a jacta, est ("A sorte está lançada"). Pompeu embarcou em Brundísio as poucas tropas que levantaria na Itália e rumou para o Oriente, onde maior era seu prestígio.

A Espanha ficara em mãos de seus lugar-tenentes e para lá partiu César, dizendo que ali combateria um exército sem general para, no Este, combater mais tarde um general sem exército. Ambas as campanhas saíram-lhe vitoriosas, sendo que a Pompeu derrotou na Batalha de Farsália, na Grécia, no ano de 49 a. C. Após passar nove meses no Egito, conta a tradição que, fascinado pela Rainha Cleópatra, César seguiu para a Ásia Menor, onde "chegou, viu e venceu" aFarnaces, filho de Matrídates, o Grande, indo em seguida para a Itália, apaziguar uma rebelião das legiões.

Novamente cruzando o Mediterrâneo, derrotou em Tapsos um exército republicano, cujos chefes morreram quase todos (6 de abril de 46 a. C.). Entre 26 e 29 de julho, César celebrou em Roma um triunfo quádruplo e recebeu a ditadura por dez anos. Em novembro, foi à Espanha, onde derrotou os filhos de Pompeu em Munda. Voltando a Roma em setembro, seis meses mais tarde foi assassinado no Senado, aos pés da estátua de Pompeu. Na administração do Império, César foi o primeiro a executar em larga escala planos de colonização ultramarina, a unificar o sistema de governo local na Itália e a decidir que o Império deveria ser governado e não meramente explorado pêlos detentores do poder, exercendo, para isto, severa vigilância sobre os legados, responsáveis diretos pela administração das províncias.

C - Napoleão I

(1769-1821). Filho de Carlos Bonaparte e de Laetitia Remolino, nasceu em Ajaccio, Córsega. Estudou na França, no Colégio de Brienne, e entrou aos 15 anos para a Escola Militar de Paris, de onde saiu, no ano seguinte, oficial de artilharia (1785). Como capitão, distinguiu-se na retomada de Toulon aos ingleses (1793). O irmão de Robespierre notou seu valor e entusiasmo republicano, confiando-lhe o comando da artilharia no Exército da Itália (1794).

Preso após o 9 Termidor e logo libertado, ajudou Barras a triunfar na insurreição realista do 13 Vendemiário (outubro de 1795), o que lhe valeu comandar o exército da Itália em 1796. Em rápida e brilhante campanha, assinalada pelas vitórias de Montenotte, Millesimo Mondovi, Castiglione, Lodi, Árcole, Rivoli, derrotou sucessivamente os exércitos piemonteses e austríacos e obteve, para a França, a vantajosa paz de Campo Formio (1797). Antes de partir casara-se com Josefina Tasher de La Pagerie, viúva do General Beauharnais, guilhotinado em 1794.

Revelara-se, na campanha da Itália, o gênio militar de Bonaparte. Regressando vitorioso a Paris, é ali delirantemente aclamado. Ocultando seus ambiciosos desígnios, procura afastar-se da França, como declara em suas Memórias, a fim de mais tarde se aproveitar dos erros que, em sua ausência, cometesse o Diretório. Apoiado por Talleyrand, obtém o comando de uma expedição ao Egito, com vistas à ruína do poderio inglês na índia (1798 - 99). Parte de Toulon em março (1798), com um exército de 38.000 homens, conduzidos por uma esquadra de 48 navios de guerra e 280 de transporte. Também levava uma expedição científica em que se destacam o astrônomo Laplace, o químico Bertholet, o físico Monge e o arqueólogo Denon. Seria, então, descoberta a Pedra de Roseta, que permitiria a Champollion, em 1822, decifrar os hieróglifos egípcios.

A 2 de julho desembarcou Bonaparte em Alexandria e venceu os mamelucos na Batalha das Pirâmides. Após a batalha às portas do Cairo, ouviram seus soldados a célebre exortação: "Do alto destas pirâmides quarenta séculos vos contemplam". Entra na cidade. Entrementes, o almirante inglês Nelson destruía a esquadra francesa em Abukir. Preso em sua própria conquista, tentou, sem êxito, tomar a Síria. Sabedor de que na Europa nova coligação se formara contra a França, por culpa do Diretório, passa Bonaparte o comando ao General Kleber, deixa em segredo o Egito, escapa milagrosamente à vigilância inglesa, desembarca em Fréjus e chega a Paris, sob aclamações, a 14 de outubro de 1799.

Menos de um mês mais tarde, pelo golpe de Estado do 18-19 Brumário (9-10 de novembro), dissolve o Diretório e, com apoio dos moderados, assume o governo. Contava então 30 anos. A nova Constituição instituía o Consulado e o título de Primeiro Cônsul, que proporcionava a Bonaparte todos os poderes, executivos e legislativos, tendo os outros, Combacéres e Lebrun, apenas voto consultivo.

Dotado de excepcional inteligência e rapidez de decisão, de ilimitada capacidade de trabalho e ambição nunca satisfeita, revelou-se o Primeiro Cônsul notável político e administrador. Anulou a oposição de alguns partidos políticos, apoiando-se na massa popular: o plebiscito de dezembro de 1799 sancionou por mais de 3.000.000 votos, contra 1.600, o novo regime e a Constituição. Organizou o governo, a administração, a polícia, a magistratura, as finanças. A par de medidas despóticas e antiliberais, como o restabelecimento da escravidão nas colônias, tomou outras, de grande alcance, como a criação do Banco de França, em 1800. Para atrair os católicos e colocar o clero na dependência do governo, concluiu com o Papa Pio VII a Concordata de 1801, que punha termo à separação entre a Igreja e o Estado: caberia ao governo escolher os bispos e os curas remunerados pelo Estado, devendo estes prestar juramento de fidelidade ao governo.

A grande obra do Consulado foi, entretanto, o Código Civil ou Código Napoleônico, velha aspiração dos franceses, que consubstanciava os princípios defendidos pela Revolução e iria servir de modelo aos de outros países. O restabelecimento da ordem e da paz, bem como atentados frustrados de realistas, fizeram crescer a popularidade do Primeiro Cônsul, que habilmente os utilizou para se fazer proclamar Cônsul vitalício por um plebiscito em que obteve 3.600.000 votos, contra 8.400 (1802). A 18 de maio de 1804, um senado consultas proclamava-o Imperador dos Franceses, com o nome de Napoleão I. Um plebiscito ratificou a decisão. O Papa Pio VII presidiu pessoalmente à sagração do novo soberano, que se coroou a si próprio, como a anunciar que somente a si mesmo era devedor.

Daí em diante, o despotismo e a ambição de Napoleão não mais conheceram limites. Com a ampliação de seus já imensos poderes, tornou-se soberano absoluto. Em 1810, Napoleão, no auge do poder, divorcia-se de Josefina e desposa Maria Luísa, filha do Imperador da Áustria. Em meados de 1812, declara guerra à Rússia, onde o czar Alexandre I não observava o bloqueio continental. A Napoleão se haviam aliado o Imperador da Áustria e o Rei da Prússia. Estavam com a Rússia a Inglaterra e a Suécia. Vitorioso nas batalhas de Smolensk e Moscou, entra Napoleão na cidade, que encontra destruída pelo fogo.

Vendo que, com a aproximação do inverno, não lograria atingir São Petersburgo, ordena a retirada, em que os soldados franceses são presas dos mais terríveis sofrimentos, perecendo aos milhares. Forma-se, então, a Sexta Coligação contra a França, em que esta, vitoriosa em Lutzen e Bautzen, é derrotada em Leipzig (1813). Napoleão perdera a Alemanha, e seus generais à Espanha, onde, aproveitando-se das desavenças existentes na família real, dera o Imperador a coroa a seu irmão José, que se transferira do trono de Nápoles, então atribuído a Murat, cunhado de Napoleão. Pouco depois, ocorria a invasão da França em vários pontos, tendo o Imperador feito ingentes esforços para se opor aos inimigos.

Mas, a 30 de março, entram em Paris o czar da Rússia e o rei da Prússia. Napoleão é forçado a abdicar em Fontainebleau, na pessoa de seu filho único, o Rei de Roma. Ocorre em França a restauração dos Bourbons, ascendendo ao trono Luís XVIII, irmão de Luís XVI. A 30 de maio de 1814, pelo Tratado de Paris, volta a França a suas fronteiras de 1792. Napoleão parte, então, para o exílio, na Ilha de Elba.

Em março de 1815, sabendo da impopularidade em que caíra o novo rei, evade-se da Ilha de Elba e, em marcha triunfal, conhecida como o Voo da Águia, entra Napoleão vitorioso em Paris. Durante cem dias ocupa novamente o trono, mas em junho de 1815 é definitivamente derrotado em Waterloo. Abdica e é levado para a Ilha de Santa Helena, onde morre.

3 -JUDAS ISCARIOTES REENCARNA COMO JOANA D'ARC

Um dos doze discípulos de Jesus. Em todas as listas dos doze é acrescentada ao seu nome a observação de que ele foi o traidor de Jesus; João acrescenta que ele era um diabolos — talvez aqui no sentido de "adversário" ou "informador". Os Evangelhos sinóticos registram a visita de Judas ao sumo sacerdote, e o acordo sobre a traição e o preço a ser pago. Entretanto, a soma de trinta moedas de prata só é mencionada por Mateus derivando provavelmente de Zacaria. A necessidade da traição decorria do fato de que a popularidade de Jesus não teria permitido a sua prisão em público; parece também que os chefes judeus não sabiam onde Jesus passava a noite.

Os sinóticos também registram o episódio da ceia: Jesus alude ao traidor sem dizer seu nome, falando apenas que era alguém que comia com ele, isto é, que compartilhava do mais íntimo sinal de amizade. Em João, o significado dessa frase é diferente: aqui, a frase torna-se um sinal apenas para o discípulo que fez a pergunta, enquanto Judas umedecia o pão junto com Jesus. No relato da traição no Getsêmani, Marcos dá a entender que Jesus identificou o traidor no escuro. Lucas apresenta o detalhe do beijo, mas não indica o seu objetivo. Também nesse ponto João modifica a história, a ponto de a traição de Judas tornar-se supérflua, já que Jesus identifïca-se sozinho.

Dos Evangelhos, somente Mateus informa que Judas jogou as moedas fora e se suicidou. O suicídio constitui provavelmente um eco da morte de Aquitofel. A aquisição do campo — que em Mateus é comprado pelo sacerdote - é atribuída nos Atos aos Apóstolos ao próprio Judas e sua morte é considerada como resultado de uma queda, sem alusão a suicídio. Esta passagem provavelmente é um eco à sorte do injusto.

A - Reencarnação

Judas reencarna como Joana D'Arc em 1412, e a França já não conhecia a paz fazia mais de cinquenta anos. Desde 1337, a monarquia inglesa lançara seus olhos sobre ela e, ávida de reunir sob um único cetro os dois países, vivia semeando a discórdia entre feudatários franceses, sempre em rebuliço e desejosos de sobrepujar, em poder, seu próprio soberano.

Em 1420, após vinte anos de vicissitudes intrincadas e cruentas, um rei inglês conseguiu fazer-se reconhecer pelo partido borgonhês como rei do Reino Unido de França e Inglaterra.

Joana D'Arc foi o chefe que o povo esperava para iniciar, dos bastiões da sitiada Orleãs, sua desforra. Foi o fiel vassalo que ajudou o rei a cingir, na catedral de Reims, a coroa que pertencera aos seus avós: foi a centelha que fez deflagrar o incêndio, o lábaro sagrado, em cuja sombra nasceram os heróis. Forte e escudada em sua fé, em Deus e no rei, plena de mocidade e entusiasmo, tornou-se intérprete dos sentimentos de todo um povo, enfrentou os feudatários franceses, demasiado temerosos, e os invasores, demasiado agressivos; enfim, tornou-se a alma máter de um dos mais nobres movimentos que a história registra.

Fonte: Trópico Enciclopédia Ilustrada Obra em 9 volumes.

Valdemiro Vieira