Estudando o Espiritismo

Observe os links ao lado. Eles podem ter artigos com o mesmo tema que você está pesquisando.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

PARÁBOLA DA ROSA



Um certo homem plantou uma rosa e passou e
regá-la constantemente e antes que ela desabrochasse, ele a examinou.
Ele viu o botão que em breve desabrocharia, mas
notou espinhos sobre o talo e pensou: "Como pode
uma bela flor vir de uma planta rodeada de
espinhos tão afiados?". Entristecido por esse
pensamento, ele se recusou a regar a rosa e, antes
que estivesse pronta para desabrochar, ela morreu.
É assim com muitas pessoas. Dentro de cada alma
há uma rosa: as qualidades dadas por Deus e
plantadas em nós crescendo em meio aos espinhos
de nossas faltas.
Muitos de nós olhamos para nós mesmos e vemos
apenas os espinhos, os defeitos. Desesperamo-nos,
achando que nada de bom pode vir de nós, e,
consequentemente, isso morre. Nós nunca percebemos nosso potencial.
Algumas pessoas não veem a rosa dentro delas
mesmas; alguém mais deve mostrá-la a elas. Um
dos maiores dons que uma pessoa pode possuir ou
compartilhar é ser capaz de passar pelos espinhos e
encontrar a rosa dentro de outras pessoas.
Esta é a característica do amor: olhar uma pessoa e
conhecer suas verdadeiras faltas. Aceitar aquela
pessoa em sua vida, enquanto reconhece a beleza
em sua alma e ajudá-la a perceber que ela pode
superar suas aparentes imperfeições.
Se nós mostramos a essas pessoas a rosa, elas
superarão seus espinhos. Só assim elas poderão
desabrochar muitas e muitas vezes.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Mediunidade com Jesus - ESDE Antigo


Idéias Principais:
Restituí a saúde aos doentes, ressuscitai os mortos, curai os leprosos, expulsai os demônios.  Daí gratuitamente o que gratuitamente haveis recebido.
O dom da mediunidade é tão antigo quanto o mundo.  Os profetas eram médiuns.  Sócrates era dirigido por um Espírito que lhe inspirava os admiráveis princípios de sua filosofia; ele lhe ouvia a voz.  Todos os povos tiveram seus médiuns e as inspirações de Joana D’Arc não eram mais do que vozes de Espíritos benfazejos que a dirigiam.
Deus quer que os Espíritos sejam reconduzidos aos interesses da alma.  Quer que o aperfeiçoamento do homem moral se torne o que deve ser, isto é, o fim e o objetivo da vida.
Todo progresso vem na sua hora: a da elevação moral soou para a Humanidade.  Neste sentido, a prática da mediunidade com Jesus é o grande instrumento de renovação social.

SÍNTESE DO ASSUNTO:
“Restituí a saúde aos doentes, ressuscitai os mortos, curai os leprosos, expulsai os demônios. Dai gratuitamente o que gratuitamente haveis recebido”.  Foi esta a recomendação de Jesus a seus discípulos e com isto querendo dizer “que ninguém se faça pagar daquilo que nada pagou”.  Ora, o que eles haviam recebido gratuitamente era a faculdade de curar doentes e de expulsar os demônios, isto é, os maus Espíritos.  Esse dom de Deus lhe fora dado gratuitamente para alívio dos que sofrem e como meio de propagação da fé; Jesus, pois, recomendava-lhes que não fizessem dele objeto de comércio, nem de especulação, nem meio de vida.
Esta orientação dada por Jesus continua mais atual do que nunca, porque a mediunidade evangelizada jamais poderá ser transformada em profissão ou fonte de rendas.  Sendo luz que brilha na carne, a mediunidade é atributo do Espírito, patrimônio da alma imortal, elemento renovador da posição moral da criatura terrena, enriquecendo todos os seus valores no capítulo da virtude e da inteligência, sempre que se encontre ligada aos princípios evangélicos na sua trajetória pela face do mundo.
Deve-se compreender que a mediunidade só existe pelo concurso dos Espíritos.  “Os atributos medianímicos são os talentos do Evangelho”.  Se o patrimônio divino é desviado de seus fins, o mau servo torna-se indigno da confiança do Senhor da seara da verdade e do amor.  Multiplicados no bem, os talentos mediúnicos crescerão para Jesus, sob as bênçãos divinas; todavia, se sofrem os insultos do egoísmo, do orgulho, da vaidade ou da exploração inferior, podem deixar o intermediário do invisível entre as sombras pesadas do estacionamento, nas mais dolorosas perspectivas de expiação, em vista do acréscimo de seus débitos irrefletidos.
Mediunidade não basta por si só.
É imprescindível saber que tipo de onda mental assimilamos para conhecer da qualidade de nosso trabalho e ajuizar de nossa direção.
O médium moralizado, que encontra na vivência evangélica a conduta de vida, é uma pessoa de bem, que procura ser humilde, sincero, paciente, perseverante, bondoso, estudioso e trabalhador.  Cumpre o mandato mediúnico com amor.
Ao exercício da mediunidade com Jesus, isto é, na perfeita aplicação dos seus valores a benefício da criatura, em nome da caridade, é que o ser atinge a plenitude das suas funções e faculdades, convertendo-se em celeiro de bênçãos, semeador da saúde espiritual e da paz nos diversos terrenos da vida humana, na Terra.
Aí está, como a prática mediúnica exerce um papel de renovação social.  O espírito humano segue em marcha necessária, imagem da graduação que experimenta tudo o que povoa o universo visível e invisível.  Todo progresso vem na sua hora; a da elevação moral soou para a Humanidade.  E o médium evangelizado, exercendo o mandato com amor e espírito de serviço em benefício do próximo, contribui em grande escala para o progresso moral.
Estudo Sistematizado – Apostila da FEB.

Allan Kardec – O Livro dos Médiuns (Cap. XXXI – item 11)
O dom da mediunidade é tão antigo quanto o mundo.  Os profetas eram médiuns.  Os mistérios de Elêusis se fundavam na mediunidade.  Os Caldeus, os Assírios, tinham médiuns.  Sócrates era dirigido por um Espírito que lhe inspirava os admiráveis princípios da sua filosofia; ele lhe ouvia a voz.  Todos os povos tiveram seus médiuns e as inspirações de Joana D’Arc não eram mais que vozes de Espíritos benfazejos que a dirigiam.
Esse dom, que agora se espalha, raro se tornara nos séculos medievos; porém, nunca desapareceu.  Swedenborg e seus adeptos constituíram numerosa escola.  A França dos últimos séculos, zombeteira e preocupada com uma filosofia que, pretendendo extinguir os abusos da intolerância religiosa, abafava sob o ridículo tudo o que era ideal, tinha que afastar o Espiritismo, que progredia sem cessar ao norte.
Permitira Deus essa luta de idéias positivas contra as idéias espiritualistas, porque o fanatismo se constituíra a arma destas últimas.  Agora, que os progressos da indústria e da ciência desenvolveram a arte de bem viver, a tal ponto que as tendências materiais se tornaram dominantes, quer Deus que os Espíritos sejam reconduzidos aos interesses da alma.  Quer que o aperfeiçoamento do homem moral se torne o que deve ser, isto é, o fim e o objetivo da vida.
O Espírito humano segue em marcha necessária, imagem da graduação que experimenta tudo o que povoa o universo visível e invisível.  Todo progresso vem na sua hora; a da elevação moral soou para a Humanidade.  Ela não se operará ainda nos vossos dias; mas, agradecei ao Senhor o haver permitido assistais à aurora bendita.

Mediunidade com Jesus - Peralva

Em quaisquer setores de atividade humana, é natural cultivemos, nas reentrâncias do coração, o anseio de melhoria e aperfeiçoamento.
O engenheiro que, após intenso labor, obtém o seu diploma, aprimorar-se-á, no estudo e no trabalho, a fim de dignificar a profissão escolhida, convertendo-se em construtor do progresso e do bem-estar geral.

O médico, no contacto com o sofrimento e a enfermidade, na cirurgia ou na clínica, ampliará sempre os seus conhecimentos, com vistas à experiência no tempo. E, se honesto e bom, conquistará o respeito do meio onde vive.

O artífice, seja ele mecânico ou carpinteiro, sapateiro ou alfaiate, no humilde labor diuturno, estudando e aprendendo, adquirirá os recursos da técnica especializada, que o tornarão elemento valioso e indispensável no ambiente onde a Divina Bondade o situou.

O advogado, no trato incessante com as leis, identificando-se com a hermenêutica do Direito, compulsando clássicos e modernos, abrirá ao próprio Espírito perspectivas sublimes "para o ingresso à Magistratura respeitável, em cujo Templo, pela aplicação dos corretivos legais, cooperará, eficientemente, com o Senhor da Vida na implantação da Justiça e na sustentação da ordem jurídica.

Se esta ânsia evolutiva se compreende nos labores da vida contingente, cujas necessidades, em sua maioria, virtualmente desaparecem com a cessação da vida orgânica, que dizermos das realizações do Espírito Eterno, das lutas e experiências que continuarão além da Morte, para decidirem, afinal, no mundo espiritual, da felicidade ou da desventura do ser humano?

O quadro evolutivo contemporâneo assemelha-se a um cortejo que se dirige, simultaneamente, a uma necrópole e a um berçário.

Vamos sepultar uma civilização poluida e assistir, jubilosos, à alvorada de luz de um novo Dia.

A Humanidade, procurando destruir os grilhões que ainda a vinculam à Era da Matéria, na qual predominam os sentimentos inferiorizados, apresenta dolorosos sintomas de decomposição, à maneira de um corpo que se esvai, lentamente, a fim de, pelo mistério do renascimento, dar vida a outro ser mais perfeito e formoso.

O médium, como criatura que realiza, também, de modo penoso, a sua marcha redentora, aspirando a melhorar-se e atingir a vanguarda ascensional, ressente-Se, naturalmente, no exercício de sua faculdade, seja ela qual for, deste estado de coisas, revelador da ausência do Evangelho no coração humano.

Os problemas materiais, os instintos ainda falando, bem alto, na intimidade do próprio coração, a inclinação ao personalismo e à vaidade, à prepotência e ao amor próprio, enfim, a condição ainda deficitária de sua individualidade espiritual, concorrem para que o Mais Alto encontre, nesta altura dos tempos, forte obstáculo à livre, plena e espontânea manifestação.

Justo e mesmo necessário será, portanto, que o médium guarde, igualmente, no coração, o desejo de, pelo estudo e pelo trabalho, pelo amor e pela meditação, sobrepor-se ao meio ambiente e escalar, com firmeza e decisão, os degraus da evolução consciente e definitiva, convertendo-se, assim, com redução do tempo, em espiritualizado instrumento das vozes do Senhor.

Esclarecem os instrutores espirituais que é "a mente a base de todos os fenômenos mediúnicos".

Assimilando, a natureza dos nossos pensamentos, o tipo das nossas aspirações e o nosso sistema de vida, a se expressarem através de atos e palavras, pensamentos e atitudes, determinarão, sem dúvida, a qualidade dos Espíritos que, pela lei das afinidades, serão compelidos a sintonizarem conosco nas tarefas cotidianas e, especialmente, nas práticas mediúnicas.

Não podemos por enquanto, é verdade, desejar uma comunidade realmente cristã, onde todos se entendam, pensem no bem, pelo bem vivam e pelo bem realizem.

Seria, extemporaneamente, a Era do Espírito, realização que pertencerá aos milênios futuros, quando tivermos a presença do Cristo de Deus no próprio coração, convertido em Templo Divino, em condições, por conseguinte, de repetirmos, leal e sinceramente, com o grande bandeirante do Evangelho: "Já não sou eu quem vive, mas Cristo que vive em mim." -

Todavia, se é impossível, por agora, a cristianização coletiva da Humanidade do nosso pequenino orbe, Jesus continua falando ao nosso coração, em silêncio, desde o suave episódio da Manjedoura, quando acendeu, nas palhas do estábulo de Belém, a luz da humana redenção.

Cada um de nós terá de construir a própria edificação.

Esta transição inevitável, da Era da Matéria para a Era do Espírito, pode começar a ser efetivada, humildemente, silenciosamente, perseverantemente, no mundo interior de cada criatura.

Comecemos, desde já, o processo de auto-transformação.

Este processo renovativo se verificará, indubitávelmente, na base da troca ou substituição de sentimentos.

Modifiquemos os hábitos, aprimoremos os sentimentos, melhoremos o vocabulário, purifiquemos os olhos, exerçamos a fraternidade, amemos e sirvamos, estudemos e aprendamos incessantemente.

Temos que deixar os milenários hábitos que nos cristalizaram os corações, como abandonamos a roupa velha ou o calçado imprestável, que não mais satisfazem os imperativos da decência e da higiene.

A fim de melhor entendermos a base de tais substituições, exemplifiquemos:

ERA DA MATÉRIA = {Ignorância = {questões materiais, questões espirituais. {Opressão = {espiritual, material. {Instintos = {animalidade, ambição.

ERA DO ESPÍRITO = {Conhecimento = {sabedoria humana, sabedoria espiritual. {Fraternidade = {material, espiritual. Renovação = {moralidade, altruísmo.

Vamos sair de uma para outra fase da evolução planetária, impondo-se, portanto, a renovação dos sentimentos. Numa figura mais simples: a substituição do que é ruim, pelo que é bom, do que é negativo, pelo que é positivo, do que degrada, pelo que diviniza.

Antigamente, em época mais recuada, homens e grupos se caracterizavam, total e expressamente, pela ignorância de assuntos espirituais e materiais, pela opressão — material e espiritual — uns sobre os outros, o mais forte sobre o mais fraco e, finalmente, pela absoluta predominância dos instintos.

Oprimia-se moral, econômica e espiritualmente. Sacrificava-se, inclusive, o irmão, em nome do Divino Poder.

O primado da Matéria abrangia todas as formas de vida.

Na fase de transição em que vivemos, tendemos, sem dúvida, para a espiritualização.

Substituiremos as velhas fórmulas da ignorância, da opressão política ou religiosa, moral ou econômica, pelas elevadas noções de fraternidade do Cristianismo.

Os instintos inferiorizados cederão lugar, vencidos e humilhados, aos eternos valores do Espírito Imortal!

Como decorrência natural de tais substituições, a mediunidade, igualmente, sublimar-se-à.

Elevar-se-ão as práticas mediúnicas, porque Espíritos Sublimados sintonizarão com os medianeiros, em definitivo e maravilhoso Pentecostes de Amor e Sabedoria, exaltando a Paz e a Luz.

Quando o conhecimento dos problemas humanos, em seu duplo aspecto — material e espiritual, tornar-se uma realidade em nosso coração, a fenomenologia mediúnica se enriquecerá de novas e incomparáveis expressões de nobreza.

Quando a Fraternidade que ajuda e socorre, que perdoa e consola, substituir a Opressão, que sufoca e constrange, os médiuns serão, na paisagem terrestre, legítimos transformadores de luz espiritual.

O homem será irmão de seu irmão, sua vida será sublime apostolado de ternura e cooperação e o seu verbo a mais encantadora e harmoniosa sinfonia.

Quando nos moralizarmos e nos tornarmos realmente altruístas, superando a animalidade primitivista e a ambição desmedida, nos converteremos em pontes luminosas, através das quais o Céu se ligará à Terra.

Se desejamos sublimar as nossas faculdades mediúnicas, temos que nos educar, transformando o coração em Altar de Fraternidade, onde se abriguem todos os necessitados do caminho.

A Era da Matéria exige-nos conquistas exteriores, ganhos fáceis, prazeres e futilidades, considerações e honrarias. É o imediatismo, convocando-nos à preguiça e à estagnação, ao abismo e ao sofrimento.

A Era do Espírito pede-nos a conquista de nós mesmos, luta incessante, trabalho e responsabilidades. É o futuro, acenando-nos com as suas mãos de luz para a realização de nossos alevantados destinos.

O médium que, intrinsecamente, vive os fatores negativos da Era da Matéria, é operário negligente, cuja ferramenta se enferrujará, será destruída pelas traças ou roubada pelos ladrões, consoante a advertência do Evangelho.

Será, apenas, simples produtor de fenômeno.

O médium, entretanto, que vigia a própria vida, disciplina as emoções, cultiva as virtudes cristãs e oferece ao Senhor, multiplicados, os talentos que por empréstimo lhe foram confiados, estará, no silêncio de suas dores e de seus sacrifícios, preparando o seu caminho de elevação para o Céu.

Estará, sem dúvida, exercendo a "mediunidade com Jesus"...




Estudando a Mediunidade
Martins Peralva 

Mediunidade com Jesus





Mediunidade com Jesus é serviço aos semelhantes. Desenvolver esse recurso é, sobretudo, aprender a servir.
Aqui, alguém fala em nome dos espíritos desencarnados;
ali, um companheiro aplica energias curativas;
além, um cooperador ensina ao roteiro da verdade;
acolá, outrem enxuga as lágrimas do próximo, semeando consolações.
Entretanto, é o mesmo poder que opera em todos. E a divina inspiraçao do Cristo, dinamizada através de mil modos para reerguer-nos da condição de inferioridade ou para sanar-nos o sofrimento.
E nessa movimentação bendita de socorro e esclarecimento, não se reclama os títulos convencionais do mundo, quaisquer que sejam, porque a mediunidade cristã, em si, não colide com nenhuma posição social, constituindo fonte do Céu a derramar beneficíos na Terra, por intermédio dos corações de boa vontade.
Em razão disso, antes de qualquer sondagem das forças psíquicas, no sentido de se lhes apreciar o desdobramento, vale mais a consagração do trabalhador à caridade legítima, em cujo exercício todas as realizações nobres da alma podem ser encontradas.
Quem desejar a verdadeira felicidade, há de improvisar a felicidade dos outros;
quem procure a consolação, para encontrá-la, deverá reconfortar os mais desditosos da humana experiência.
Dar para receber. Auxiliar para ser amparado.
Esclarecer para conquistar a sabedoria e devotar-se ao bem do próximo para alcançar a bênção do amor.
Eis a lei, que impera igualmente no campo mediúnico, sem cuja observação, o colaborador da Nova Revelação não atravessa os pórticos das rudimentares noções de vida imperecível.
Espírito algum construirá a escada de ascensão sem atender às determinações do auxílio mútuo.
Nesse terreno há muito que fazer os círculos da Doutrina Cristã rediviva, porque não basta ser médium para honrar-se alguém com as vantagens da luz, tanto quanto não vale possuir uma charrua perfeita, sem a aplicação respectiva no esforço da sementeira.
A tarefa pede fortaleza no serviço com raciocínio no sentimento.
Sem maturidade para superar a desaprovação provisória da ignorância e da incompreensão e sem as fibras harmoniosas do carinho fraterno para socorrê-las, com espírito de solidariedade real, é quase impraticável a jornada para a frente.
Os golpes da sombra martelam o trabalho iluminativo da mente por todos os flancos e preciso se torna ao instrumento humano da verdade, armar-se convenientemente na fé viva e na boa vontade incessante, a fim de satisfazer aos imperativos do ministério a que foi convocado.
Age, assim, com isenção de desânimo, sem desalento e sem inquietação, em teu apostolado de esclarecer e de auxiliar.
Estende as tuas mãos sobre os doentes que te busquem o concurso de irmão dos infortunados, na certeza de que o Senhor é o Manancial de todas as Bênçãos.
O lavrador semeia, no entanto, é a Bondade Divina que faz desabrochar a flor e preparar-se o fruto.
Indispensável marchar de alma erguida para o Alto, vigiando, embora as serpes e espinhos que povoam o chão.
Diversos amigos se revelam interessados em tua tarefa de fraternidade e luz e não seria justo que a hesitação te paralizasse os impulsos mais lies, tão-somente porque a opínião do mundo te não entende os propósitos, nem os objetivos da esfera espiritual, de maneira imediata.
Não importa que o tempo seja humilde e que os mensageiros compareçam na túnica de extrema simplicidade.
O Mestre Divino ensinava a verdade à frente de um lago e costumava administrar os dons celestes sob um teto emprestado; além disso, encontrou os companheiros mais abnegados e fiéis entre pescadores anônimos, integrados na vida singela da natureza.
Não te apoquentes e segue com serenidade.
Claro está que ainda não temos seguidores leais do Senhor sem a cruz do sacrifício.
A mediunidade é um madeiro de espinhos dilacerantes, mas com o avanço da subida, calvárío acima, os acúleos se transformam em flores e os braços da cruz se transformam em asas de luz para a alma livre na imortalidade.
Não desprezes a oportunidade de servir e prossegue de esperança robusta.
A estância física é uma estrada breve.
Aproveitamo-la sempre que possível na sementeira do Bem.
Em suma, ser médium no roteiro cristão, é doar de si mesmo em nome do Mestre.
E foi Ele que nos descerrou a realidade de que somente alcançam a vida verdadeira aqueles que sabem perder a existência em favor de todos os que se constituem seus tutelados e filhos de Deus na Terra.
Segue para diante, amando e servindo.
Não nos deve preocupar a ausência de alheia compreensão.
Antes de cogitarmos do problema de sermos amados, busquemos amar, conforme a Inesquecível Orientador que nos observou: "Amai-vos uns aos outros, tal qual eu vos amei".

BEZERRA DE MENEZES
[92 - página 57]

MEDIUNIDADE E JESUS
Cap. VI — ltem 7

Quem hoje ironiza a mediunidade, em nome do Cristo, esquece-se, naturalmente, de que Jesus foi quem mais a honrou neste mundo, erguendo-a ao mais alto nível de aprimoramento e revelação, para alicerçar a sua eterna doutrina entre os homens.
É assim que começa o apostolado divino, santificando-lhe os valores na clariaudiência e na clarividência entre Maria e Isabel, José e Zacarias, Ana e Simeão, no estabelecimento da Boa Nova.
E segue adiante, ...
enaltecendo-a na inspiração junto aos doutores do Templo;
exaltando-a nos fenômenos de efeitos físicos, ao transformar a água em vinho, nas bodas de Caná;
honorificando-a, nas atividades da cura, em transmitindo passes de socorro aos cegos e paralíticos, desalentados e aflitos, reconstituindo-lhes a saúde;
ilustrando-a na levitação, quando caminha sobre as águas;
dignificando-a nas tarefas de desobsessão, ao instruir e consolar os desencarnados sofredores por intermédio dos alienados mentais que lhe surgem à frente;
glorificando-a na materialização, em se transfigurando ao lado de Espíritos radiantes, no cimo do Tabor, e
elevando-a sempre, no magnetismo sublimado, seja aliviando os enfermos com a simples presença, revitalizando corpos cadaverizados, multiplicando pães e peixes para a turba faminta ou apaziguando as forças da natureza.
E, confirmando o intercâmbio entre os vivos da Terra e os vivos da Eternidade, reaparece, Ele mesmo, ante os discípulos espantados, traçando planos de redenção que culminam no dia de Pentecostes — o momento inesquecível do Evangelho —, quando os seus mensageiros convertem os Apóstolos em médiuns falantes, na praça pública, para esclarecimento do povo necessitado de luz.
Como é fácil de observar, a mediunidade, como recurso espiritual de sintonia, não se confunde com a Doutrina Espírita que expressa atualmente o Cristianismo Redivivo, mas, sempre que eliecida pela honestidade e pela fé, pela educação e pela virtude, é o veículo respeitável da convicção na sobrevivência.
Assim, pois, não nos agastemos contra aqueles que a perseguem, através do achincalhe — tristes negadores da realidade cristã, ainda mesmo quando se escondam sob os veneráveis distintivos da autoridade humana —, porquanto os talentos medianímicos estiveram, incessantemente, nas mãos de Jesus, o nosso Divino Mestre, que deve ser considerado, por todos nós, como sendo o Excelso Médium de Deus.

EURÍPEDES BARSANULFO
[89 - página 157]
JESUS E MEDIUNISMO
Felicitados pelas bênçãos com que o Espiritismo nos distende o socorro do Céu, busquemos no Evangelho o roteiro da Humanidade sublimada.
Intérprete fiel do Pai Celestial, foi Jesus o Excelente Médium da vida abundante.
Em todo o seu ministério, esteve em freqüente comunhão com os desencarnados, sendo, por isso mesmo, denominado “Senhor dos Espíritos”.
Obsidiados e loucos, fascinados e dementes, paralíticos e mudos, surdos e cegos receberam das suas mãos o auxílio vigoroso que os libertou dos desencarnados de mente atormentada, que os detinham sob o fardo de aflições indescritíveis.
Maria a famosa cortesã de Magdala, dominada por pertinaz fascinação obsessiva, recebeu dEle o convite libertador, renovando-se para a vida nobilitante.
Em Cafarnaum, “cheqada a tarde, trouxeram-lhe muitos endemoninhados, e ele com a sua palavra expulsou deles os Espíritos” atormentadores que se compraziarn em obsidiar coletivamente(1)
Descendo do Tabor, um pai aflito, de joelhos, diz-lhe: — “Senhor, tem misericórdia de meu filho, que é lunático e sofre muito”, apresentando, na mediunidade torturada, os estigmas de obsessão profunda.(2)
O paralítico de Cafarnaum, que lhe foi apresentado “pelo telhado”, portava consigo a mediunidade ultrajada por Espíritos possessivos que lhe dominavam os movimentos.
O endemoninhado gadareno, médium obsidiado por “Legião”, defrontado com o seu magnetismo curador, estertorava, “porque lhe dizia: Sai deste homem. Espírito imundo.”(3)
Nos termos de Tiro e Sidon, “uma mullher cuja filha tinha um espírito imundo” e vivia vampirizada pela força maléfica, encontrou alívio para o desequilíbrio psíquico que a infelicitava.(4)
Judas, perturbado por obsessão indireta, serviu de fácil presa dos Espíritos levianos, “tendo-lhe o demônio posto no coração” a dúvida a respeito do apostolado.(5)
E, em todo o Novo Testamento, repontarn as afirmações sobre a Mediunidade em volta do Mestre Divino.
Em Caná, o Senhor honrou a mediunidade de efeitos físicos.
No Tabor, o Cristo elieceu a faculdade da transfiguração.
Sobre as águas do Genesaré, o Enviado Celeste prestigiou os recursos psíquicos da levitação.
Na Montanha, atendendo à multidão esfaimada, Jesus movimentou o mecanismo da materialização abundante.
O cego de Jericó foi por Ele felicitado no exercício da mediunidade curadora.
Em Nazaré, ante a turba enfurecida, utilizou a faculdade da desmateriaIização.
No dia do Pentecostes, favoreceu os companheiros da retaguarda com a psicofonia, desenvolvendo neles a mediunidade poliglota.
E no dia da ascensão triunfal, junto ao lago, na Galiléia, depois de investir os discípulos no sacerdócio da Mediunidade nos seus múltiplos aspectos, alçou-se ao Reino, nimbado de radiosa materialização luminosa.
Iniciou o ministério entre os homens, nas humildes palhas de modesta estrebaria, com o lar assinalado pelas forças espirituais condensadas numa estrela fascinante, e despediu-se dos companheiros, fulgurante como um sol de eterna luz...
Mediunidade, hoje, é recapitulação da Boa Nova sob a Presidência do Sábio Condutor.
Procuremos, assim, sintonizar com a Esfera Superior, no exercício da faculdade com que a vida nos honra, e sirvamos sem desfalecimento.
Toda mediunidade é nobre quando a libertamos da sombra que nasce conosco, como remanescente do passado.
Fascinação,
obsessão,
possessão,
vampirismo,
desequilíbrios e enfermidades são acidentes do caminho mediúnico.
Somos destinados á luz.
Temos a fatalidade do bem.
Libertemos a gema que se demora entre os cascalhos das imperfeições pessoais e, lapidando zelosamente as arestas que obstaculizam a projetação da luz, desenvolvamos os preciosos recursos que jazem latentes em nós.
Honremos a faculdade que nos felicita os dias, mediante a execução de um plano socorrista em favor dos sofredores, a fim de nos libertarmos do currículo das manifestações inferiores.
Cada médium segue o roteiro que se desdobra como senda de purificação.
Uns curam, outros materializam;
uns doutrinam, outros enxergam;
uns falam, outros escrevem;
uns ensinam, outros ouvem;
uns libertam, outros servem na incorporação psicofônica, ajudando os atormentados do Além-Túrnulo com as preciosas luzes do Evangelho.
Não pretendamos atender a todos os “dons espirituais” conforme a linguagem do Vidente de Damasco, que nos apresentou a diversidade deles em sua memorável carta aos Coríntios, 1-12:4-11.
Utilizemos a força mediúnica em todo tempo e lugar, consoante as necessidades, examinando se “os Espíritos vêm de Deus” e ensinando que todo o bem procede sempre do Pai que nos rege a vida.
E, calcando sob os pés dificuldades e óbices, vencendo as imperfeições milenárias, restauremos a Era do Espírito nestes dias que precedem ao Primado da Verdade, mesmo que mantenhamos no coração um espinho, na posição de seta direcional apontando o rumo dos Altos Cimos.

(1) Mat. 8.16; (2) Mat. 17-14; (3) Mar. 5-8; (4) Mar. 7-25; (5) Jo. 13-2, (Notas do autor espiritual)


Do livro À LUZ DO ESPIRITISMO
Ditado pelo Espírito Vianna de Carvalho, psicografado por Divaldo P. Franco
Prezados irmãos!
Mediunidade com Jesus é o pensamento agindo com amor.
Amor no mundo físico e no mundo espiritual.
Afasta-te de ti, medianeiro, o fantasma da dúvida e deixa fluir em ti a dor dos que perambulam pelas vias do sofrimento.
O trabalho incansável é o maior escudo contra as pedradas da incompreensão alheia.
Toma a tua cruz com o Senhor e seca as lágrimas dos que sofrem. Sê o médium do amor. “Fé que não afronta o ridículo dos homens” é fé superficial.
Com Jesus hoje e sempre seca as lágrimas dos que partiram e dos que ainda estagiam no Plano Físico.
Muita paz!

Cláudio Rossini
Mensagem psicografada por J. G. Argel em 28 de abril de 2007 em “Casa de Eurípedes”, Taubaté, SP.
http://www.palavraespirita.com.br/pe_conteudo.php?id_edicao=115&texto=5&detalhe=1

FONTE : http://www.guia.heu.nom.br/mediunidade_com_jesus.htm
JESUS e Mediunidade

.:: JESUS e Mediunidade ::.
IN : Revista "Reformador" Março 2003 - nº.2088 - Ed.FEB (págs.13 a 15)
DIVINA MEDIUNIDADE
Em nos reportando a qualquer estudo da mediunidade, não podemos olvidar que, em JESUS, ela assume todas as características de exaltação divina (19) .
Desde a chegada do Excelso Benfeitor ao Planeta, observa-se-Lhe o pensamento sublime penetrando o pensamento da Humanidade.
Dir-se-ía que no estábulo se reúnem pedras e arbustos, animais e criaturas humanas, representando os diversos reinos da evolução terrestre, para receber-Lhe o primeiro toque mental de aprimoramento e beleza.
Casam-se os hinos singelos dos pastores aos cânticos de amor nas vozes dos mensageiros espirituais, saudando Aquele que vinha libertar as nações, não na forma social que sempre lhes será vestimenta às necessidades de ordem colectiva, mas no ádito das almas, em função da vida eterna.
Antes Dele, grandes comandantes da idéia haviam pisado o chão do mundo, influenciando multidões.
Guerreiros e políticos, filósofos e profetas alinhavam-se na memória popular, recordados como disciplinadores e heróis, mas todos desfilaram com exércitos e fórmulas, enunciados e avisos, em que se misturam rectidão e parcialidade, sombra e luz.
Ele chega sem qualquer prestígio de autoridade humana, mas, com a Sua magnitude moral, imprime novos rumos à vida, por dirigir-se, acima de tudo, ao espírito, em todos os climas da Terra.
Transmitindo as ondas mentais das Esferas Superiores de que procede, transita entre as criaturas, despertando-lhes as energias para a Vida Maior, como que a tanger-lhes as fibras recônditas, de maneira a harmonizá-las com a sinfonia universal do Bem Eterno.
MÉDIUNS PREPARADORES
Para recepcionar o influxo mental de JESUS, o Evangelho nos dá notícias de uma pequena congregação de médiuns, à feição de transformadores eléctricos conjugados, para acolher-lhe a força e armazená-la, de princípio, antes que se lhe pudessem canalizar os recursos.
E longe de anotarmos aí a presença de qualquer instrumento psíquico menos seguro do ponto de vista moral encontramos importante núcleo de medianeiros, desassombrados na confiança e correctos da directriz.
Informamo-nos, assim, nos apontamentos da Boa Nova, de que Zacarias e Isabel, os pais de João Baptista, pecursor do Médium Divino, "eram ambos justos perante Deus, andando sem repreensão, em todos os mandamentos e preceitos do Senhor" (20) , que Maria, a jovem simples de Nazaré, que acolheria o Embaixador Celeste nos braços maternais, se achava "em posição de louvor diante do Eterno Pai" (21) , que José da Galiléia, o varão que O tomaria sob paternal tutela, "era justo" (22) , que Simeão, o amigo abnegado que o aguardou em prece, durante longo tempo, "era justo e obediente a Deus" (23) , e que Ana, a viúva que o esperou em oração, no Templo de Jerusalém, por vários lustros, vivia "servindo a Deus" (24) .
Nesse grupo de médiuns admiráveis, não apenas pelas percepções avançadas que os situavam em contacto com os Emissários Celestes, mas também pela conduta irrepreensível de que forneciam testemunho, surpreendemos o circuito de forças a que se ajustou a onda mental do Cristo, para daí expandir-se na renovação do mundo.
EFEITOS FÍSICOS
Cedo começa para o Mestre Divino, erguido à posição de Médium de Deus, o apostolado excelso em que lhe caberia carrear as noções da vida imperecível para a existência na Terra.
Aos doze anos, assenta-se entre os doutoures de Israel, "ouvindo-os e interrogando-os" (25) , a provocar admiração pelos conceitos que expendia e a entremostrar a sua condição de intermediário entre culturas diferentes.
Iniciando a tarefa pública, na exteriorização de energias sublimes encontramo-Lo em Caná da Galileia oferecendo notável demonstração de efeitos físicos, com acção a distância sobre a matéria, em "transformando a água em vinho" (26) . Mas, o acontecimento não permanece circunscrito ao âmbito doméstico, porquanto evidenciando a extensão dos seus poderes, associados ao concurso dos mensageiros espírituais que , de ordinário, lhe obedeciam às ordens e sugestões, nós o encontramos, de outra feita, a multiplicar pães e peixes (27) , no topo do monte, para saciar a fome da turba inquieta que Lhe ouvia os ensinamentos, e a tranquilizar a Natureza em desvario (28), quando os discípulos assustados lhe pedem socorro, diante da tormenta.
Ainda no campo da fenomenologia física ou metapsíquica objectiva, identificamo-lo em plena levitação, "caminhando sobre as águas" (29) , e em prodigiosa ocorrência de materialização ou ectoplasmia, quando se põe a conversar, diante dos aprendizes, com dois varões desencarnados que, positivamente, apareceram glorificados, a falarem-Lhe de acontecimentos próximos (30) .
Em Jerusalém, no templo, desaparece de chofre, desmaterializando-se, ante a expectação geral (31) e na mesma cidade, perante a multidão, produz-se a voz directa, em que bençãos divinas Lhe assinalam a rota (32).
Em cada acontecimento, sentimo-lo a governar a matéria, dissociando-lhe os agentes e reintegrando-os à vontade, com a colaboração dos servidores espirituais que lhe assessoram o ministério de luz.
EFEITOS INTELECTUAIS
No capítulo dos efeitos intelectuais ou, se quisermos, nas provas da metapsiquica subjectiva, que reconhece a inteligência humana como possuidora de outras vias de conhecimento, além daquelas que se constituem dos sentidos normais, reconhecendo Jesus no mais altos testemunhos.
A distância da sociedade hierosolimita, vaticina os sucessos amargos que culminariam com a Sua morte na cruz (33). Utilizando a clarividência que Lhe era peculiar, antevê Simão Pedro cercado de personalidades inferiores da esfera extra-física, e avisa-o quanto ao perigo que isso representa para a fraqueza do apóstolo (34). Nas últimas instruções, ao pé dos amigos, confirmando a profunda lucidez que lhe caracterizava as apreciações percucientes, demonstra conhecer a perturbação consciencial de Judas (35), a despeito das dúvidas que a ponderação suscita entre os ouvintes. Nas preces de Getsêmani, aliando clarividência e clariaudiência, conversa com um mensageiro espiritual que o reconforta (36).
MEDIUNIDADE CURATIVA
No que se refere aos poderes curativos, temo-los em Jesus nas mais altas afirmações de grandeza.
Cercam-no doentes de variada expressão. Paralíticos estendem-Lhe membros mirrados, obtendo socorro. Cegos recuperam a visão. Ulcerados mostram-se limpos. Alienados mentais, notadamente obsidiados diversos, recobram equilíbrio.
É importante considerar, porém que o Grande Benfeitor a todos convida para a valorização das próprias energias.
Reajustando as células enfermas da mulher hemorroíssa, diz-lhe, convincente: - "Filha, tem bom ânimo! A tua fé te curou". (37) Logo após, tocando os olhos de dois cegos que lhe recorrem à caridade, exclama: - "Seja feito, segundo a vossa fé." (38)
Não salienta a confiança por simples ingrediente de natureza mística, mas sim por recurso de ajustamento dos princípios mentais na direcção da cura.
E encarecendo o imperativo do pensamento recto para a harmonia do binómio mente-corpo, por várias vezes o vemos impelir os sofredores aliviados à vida nobre, como no caso do paralítico de Bestesda, que, devidamente refeito, ao reencontrá-lo no templo, dele ouviu a advertência inesquecível: - "Eis que já estás são. Não peques mais, para que te não suceda coisa pior." (39)
EVANGELHO e MEDIUNIDADE
A prática da mediunidade não está somente na passagem do Mestre entre os homens, junto dos quais, a cada hora, revela o seu intercâmbio constante com o Plano Superior, seja em colóquios com os emissários de alta estirpe, seja em se dirigindo aos aflitos desencarnados, no socorro aos obsessos do caminho, mas também na equipe dos companheiros, aos quais se apresenta em pessoa, depois da morte, ministrando intruções para o edifício do Evangelho nascente.
No dia de Pentecostes, vários fenómenos mediúnicos marcam a tarefa dos apóstolos, mesclando-se efeitos físicos e intelectuais na praça pública, a constituir-se a mediunidade, desde então, em viga mestra de todas as construções do Cristianismo, nos séculos subsequentes.
Em Jesus e em seus primitivos continuadores, porém, encontramo-la pura e espontânea, como deve ser, distante de particularismos inferiores, tanto quanto isenta de simonismo. Neles, mostram-se os valores mediúnicos a serviço da Religião Cósmica do Amor e da Sabedoria, na qual os regulamentos divinos, em todos os mundos, instituem a responsabilidade moral segundo o grau de conhecimento, situando-se, desse modo, a Justiça Perfeita, no íntimo de cada um, para que se outorgue isso ou aquilo, a cada Espírito, de conformidade com as próprias obras.
O Evangelho, assim, não é o livro de um povo apenas, mas o Código de Princípios Morais do Universo, adaptável a todas as pátrias, a todas as comunidades, a todas as raças e a todas as criaturas, porque representa, acima de tudo, a carta de conduta para a ascensão da consciência à imortalidade, na revelação da qual Nosso Senhor Jesus-Cristo enpregou a mediunidade sublime como agente de luz eterna, exaltando a vida e aniquilando a morte, abolindo o mal e glorificando o bem, a fim de que as leis humanas se purifiquem e se engrandeçam, se santifiquem e se elevem para a integração com as Leis de Deus.
André Luiz
FONTE: Livro “Mecanismos da Mediunida”
Espírito: André Luiz
Médium: Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira
Editora: FEB - 21 ed. 2002, Rio de Janeiro, p.181-188
________________________________________
19 -
Em A Génese (p.293 e 294, FEB, 12. ed.), anota Allan Kardec, com referência aos fenómenos da mediunidade em Jesus:
"Agiria como médium nas curas que operava? Poder-se-á considerá-Lo poderoso médium curador? Não, porquanto o médium é um intermediário, um instrumento, de que se servem os Espíritos desencarnados e o Cristo não precisava de assistência, pois que era Ele quem assistia os outros. Agia por si mesmo, em virtude do seu poder pessoal, como o podem fazer, em certos casos, os encarnados, na medida de suas forças. Que Espírito, ao demais, ousaria insuflar-lhe seus próprios pensamentos e encarregá-lo de os transmitir? Se algum ingfluxo estranho recebia, esse só de Deus lhe poderia vir. Segundo definição dada por um Espírito, Ele era Médium de Deus." - (Nota indicada pelo autor espiritual.)

.:: JESUS e Mediunidade ::.
IN : Revista "Reformador" Março 2003 - nº.2088 - Ed.FEB (págs.13 a 15)
Poderá também gostar de:

MEDIUNIDADE COM JESUS


24ªMEDIUNIDADE COM JESUS
1 - Parte A - MEDIUNIDADE COM JESUS
Em diversas profissões, cultiva-se o anseio de melhoria, de aperfeiçoamento. O advogado, o médico, o engenheiro, o artífice etc., exercendo tecnicamente suas funções, cooperam, eficientemente, com o Senhor da Vida. A mediunidade, seja ela qual for, quando praticada corretamente, possibilita ao homem sua marcha redentora até atingir os cimos da espiritualidade.
Em função do estágio evolutivo em que se encontra a Terra, os problemas materiais ainda falam mais alto aos interesses humanos: ao personalismo, à vaidade, à prepotência e ao amor-próprio. A condição, ainda inferior da individualidade espiritual do homem, concorre para que o Mais Alto encontre no homem forte obstáculo à livre, plena e espontânea manifestação.
Esclarecem os Instrutores Espirituais que a mente é a base de todos os fenômenos mediúnicos. Assim sendo, a natureza dos pensamentos, o tipo das aspirações e o sistema de vida, a se expressarem através de atos e palavras, pensamentos e atitudes, determinarão, sem dúvida, as qualidades dos Espíritos que, pela Lei da Afinidade, se sintonizarão com os homens em suas tarefas cotidianas e, especificamente, com os médiuns, nas práticas mediúnicas.
Cada médium, cada homem terá de reconstruir a própria edificação interior. Este processo renovatório se verificará, indubitavelmente, seguindo o ensinamento espírita-cristão, com a modificação dos hábitos, aprimoramento dos sentimentos, melhoria do vocabulário, exercício da fraternidade, amando e servindo, estudando e aprendendo, incessantemente.
No serviço da mediunidade, como traço de união entre o Céu e a Terra, o homem, sob a inspiração de Jesus, poderá apresentar as mais sublimes expressões de fraternidade, na prática de amar ao próximo como a si mesmo. Em síntese, diz Martins Peralva, em "Estudando a Mediunidade" , cap. XXIX, que os principais objetivos do exercício mediúnico com Jesus são:
"a) Para os encarnados:
1. Cooperação com encarnados e desencarnados no serviço de reconforto e esclarecimento;
2. Auto-educação, pela renovação dos sentimentos, com aproveitamento das mensagens de elevado teor;
3. Construção de afeições preciosas no Plano Espiritual, consolidando, assim, as bases da cooperação e da amizade superior.
b) Para os desencarnados:
1. Preparação de facilidades para os que tiverem de reiniciar o aprendizado, pela reencarnação, mediante o auxílio aos atuais desencarnados;
2. Auxílio aos reencarnados e desencarnados no esforço de libertação das teias da ignorância e do sofrimento;
3. Transmissão, aos reencarnados, dos esclarecimentos edificantes dos grandes Instrutores que operam com Jesus na redenção da Humanidade".
Estes objetivos sedimentarão, desta forma, a base para a multiplicação dos talentos recebidos e conquistados ao longo de multimilenar experiência.
Não se pode esquecer, ainda, em termos de mediunidade que ela assume todas as características de exaltação divina, em Jesus. O Cristo cedo começou seu apostolado excelso, porquanto já aos doze anos estava entre os doutores da lei, esclarecendo aos homens os valores da vida espiritual. Ao final da vida terrena deixou na Boa Nova a lição imortal do amor divino; entretanto, até hoje, os homens, em sua maioria, apenas se preocupam com os fenômenos e somente falam de seus "milagres", sem se preocuparem em seguir os ensinamentos que Jesus deixou.
Quando seus apóstolos não conseguiam realizar os "milagres", socorriam-se dele, e ele os incentivava a terem mais confiança em Deus, mais fé. Assim foi no fenômeno da tempestade acalmada (Mt 8:26), quando disse: "Por que estais com medo, homens de pouca fé?" Também na cura de um lunático (Mt 17 :14 a 20) ensina aos discípulos, que não realizaram a cura "por causa da vossa pouca fé", complementando que "se tivessem fé do tamanho de um grão de mostarda, a eles nada seria impossível".
No dia de Pentecostes, vários fenômenos mediúnicos marcam a tarefa dos apóstolos, mesclando efeitos físicos e intelectuais na praça pública, e constituindo a mediunidade, desde então, como viga mestra de todas as construções do Cristianismo, nos séculos subseqüentes.
Assim, amparados por Jesus, em seus continuadores encontra-se a mediunidade pura e espontânea, como deve ser, distante de particularismos inferiores. Neles, estão os valores mediúnicos a serviço do Amor e da Sabedoria, exercidos com a mais elevada responsabilidade moral, segundo as propostas do Divino Mestre.
O Evangelho não é o livro de um povo, mas um CÓDIGO DE PRINCÍPIOS MORAIS, adaptável a todas as pátrias, a todas as raças e a todas as criaturas, e representa a carta de conduta para a ascensão da consciência à imortalidade. Jesus empregou a mediunidade sublime como agente de luz eterna, exaltando a vida e aniquilando a morte, abolindo o mal e glorificando o bem, a fim de que as leis humanas se purificassem, se engrandecessem, se santificassem e se elevassem para a integração com as Leis de Deus.
Bibliografia:
MECANlSMOS DA MEDIUNlDADE, cap. XXVI - André Luiz.
ESTUDANDO A MEDIUNIDADE , cap. XXIX- Martins Peralva.
SEARA DOS MÉDIUNS, lição 62 - Emmanuel
2 - Parte B - A REALEZA DE JESUS
"O título de rei nem sempre exige o exercício do poder temporal. Ele é dado, por consenso unânime, aos que por seu gênio se colocam em primeiro lugar em alguma atividade, dominando o seu século e influindo sobre o progresso da Humanidade. É nesse sentido que se diz: o rei ou o príncipe dos filósofos, dos artistas, dos poetas, dos escritores etc. Essa realeza, que nasce do mérito pessoal, consagrada pela posteridade, não tem muitas vezes maior preponderância que a dos reis coroados?" (ESE, cap. ll, item 4).
Complementa Kardec, no mesmo item, que "a realeza terrena acaba com a vida, mas a realeza moral continua a imperar, sobretudo, depois da morte. Sob esse aspecto, Jesus não é um rei mais poderoso que muitos potentados? Foi com razão, portanto, que Ele disse a Pilatos: Eu sou rei, mas o meu reino não é deste mundo".
Foi o rei dos trabalhadores, pois abraçou o serviço espontâneo, a favor da Humanidade, como sendo a tradução da própria fé.
Foi o rei dos servidores, pois se transfigurou em servidor da comunidade, estendendo mais imediata assistência aos que se colocavam no último plano da escala social.
Foi o rei da justiça, pois envergou a toga de juiz e patrocinou a causa dos deserdados.
Foi o rei dos políticos, pois ensinou o acatamento maior às autoridades constituídas.
Foi o rei dos médicos, pois, sem nenhum juramento que o obrigasse a tratar os enfermos, amparou os doentes com extremada solicitude.
Foi o rei da humildade, pois, podendo nascer em "berço de ouro", optou pela manjedoura, socorrendo-se da hospitalidade dos animais.
Foi o rei da liberdade, pois transmitiu a sua mensagem libertadora, aconselhando aos homens libertar-se dos erros, porquanto todo aquele que comete o pecado é escravo do pecado, acrescentando que se permanecessem os homens em sua Doutrina, seriam, verdadeiramente, seus discípulos reconheceriam a verdade, que os libertaria.
Foi o rei da tolerância, quando aferroado pelos soldados e vilipendiado pelo próprio povo que ajudara, disse: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem" (Lc, 23:34).
Foi o rei do amor, quando deu o novo mandamento, dizendo: "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei" (Jo 13:34).
Foi, em síntese, o rei dos homens, pois passou no mundo abençoando e consolando, esclarecendo e servindo, mas preferiu morrer a tisnar o mandato de amor e verdade que o jungia aos desígnios do Pai Eterno.
O Espírita, no exercício de sua mediunidade e na vivência de todos os seus passos com Jesus, deve viver como todos os homens, mas sempre lembrando em todas as manifestações de sua existência que é chamado a servir aos outros, como o fizera o Mestre. Deve ter sempre o ensinamento de Kardec na lembrança: "Reconhece-se o verdadeiro Espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que faz para dominar suas más inclinações" (ESE, cap. XVII, item 4).
Além da lição de Jesus, das recomendações de Kardec e dos Espíritos na Codificação, deve o médium lembrar-se das palavras de André Luiz (Opinião Espírita, lição 15), quando ensina: "Compenetra-te dos teus deveres sagrados, sabendo que o medianeiro honesto para consigo mesmo, chega à desencarnação com a mediunidade gloriosa, enquanto o medianeiro negligente atinge o rio da morte com a tortura de quem desertou da própria responsabilidade. A mediunidade não se afasta de ninguém; é a criatura que se distancia do mandato mediúnico que o Plano Superior lhe confere".
Bibliografia:
ESE, caps. II e XVII, item 4.
OPINIÃO ESPÍRITA, lições 15,16 e 58 - André Luiz.
QUESTIONÁRIO
A) MEDIUNIDADE COM JESUS
1- Como a mediunidade praticada corretamente ajuda o médium? Comentar sucintamente.
2 - "Por que cada homem e cada médium terão de reconstruir a própria edificação interior?
3 - Quais são os principais objetivos do exercício mediúnico com Jesus, para os encarnados?
4 - Quais são os principais objetivos do exercício mediúnico com Jesus, para os desencarnados?
5 - Como é o exercício da mediunidade pelos continuadores de Jesus, amparados por ele?
B) A REALEZA DE JESUS
1- O que significa realeza moral?
2 - Por que se diz que Jesus foi o rei da humildade?
3 - Por que se diz que Jesus foi o rei da liberdade?
4 - Por que se diz que Jesus foi o rei da tolerância?
5 - Como se reconhece o verdadeiro Espírita?
3 - Parte C - D.P.M. - DESENVOLVIMENTO PRÁTICO MEDIÚNICO
TREINO INTENSIVO
Tal como nos duas aulas anteriores.
Observação: Ao final do Curso de Educação Mediúnica, até a penúltima aula, os monitores da prática mediúnica classificarão os alunos segundo as mediunidades apuradas no decorrer do curso. Esta classificação constará do prontuário do aluno na Secretaria de Ensino e no verso da carteira de conclusão do curso, que serve como identificação para ingressar em qualquer trabalho da Casa.
Para os alunos que necessitarem, a FEESP mantém um Curso de Aperfeiçoamento mediúnico para colaboradores.

JESUS E MEDIUNIDADE


XXVI - JESUS E MEDIUNIDADE

A - Divina mediunidade
- Em nos reportando a qualquer estudo da mediunidade, não podemos olvidar que, em Jesus, ela assume todas as características de exaltação divina. ("Em A Gênese (págs. 293 e 294, FEB, 12ª edicão), anota Allan Kardec, com referência aos fenômenos da mediunidade em Jesus:"Agiria como médium nas curas que operava? Poder-se-á considerá-lo poderoso médium curador' Não, porquanto o médium é um intermediario, um instrumento de que se servem os Espíritos desencarnados e o Cristo não precisava de assistência, pois que era ele quem assistia os outros. Agia por si mesmo, em virtude do seu poder pessoal, como o podem fazer, em certos casos, os encarnados, na medida de suas forças. Que Espírito, ao demais, ousaria insuflar-lhe seus próprios pensamentos e encarregá-lo de os transmitir? Se algum influxo estranho recebia, esse só de Deus lhe poderia vir. Segundo definição dada por um Espírito, ele era médium de Deus." (Nota indicado pelo Autor espiritual))
Desde a chegada do Excelso Benfeitor ao Planeta, observa-se-lhe o pensamento sublime penetrando o pensamento da Humanidade.
Dir-se-ia que no estábulo se reúnem pedras e arbustos, animais e criaturas humanas, representando os diversos reinos da evolução terrestre, para receber-lhe o primeiro toque mental de aprimoramento e beleza.
Casam-se os hinos singelos dos pastores aos cânticos de amor nas vozes dos mensageiros espirituais, saudando Aquele que vinha libertar as nações, não na forma social que sempre lhes será vestimenta ás necessidades de ordem coletiva, mas no ádito das almas, em função da vida eterna.
Antes dele, grandes comandantes da idéia haviam pisado o chão do mundo, influenciando multidões.
Guerreiros e políticos, filósofos e profetas alinhavam-se na memória popular, recordados como disciplinadores e heróis, mas todos desfilaram com exércitos e fórmulas, enunciados e avisos, em que se misturam retidão e parcialidade, sombra e luz.
Ele chega sem qualquer prestígio de autoridade humana, mas, com a sua magnitude moral, imprime novos rumos á vida, por dirigir-se, acima de tudo, ao espírito, em todos os climas da Terra.
Transmitindo as ondas mentais das Esferas Superiores de que procede, transita entre as criaturas, despertando-lhes as energias para a Vida Maior, como que a tanger-lhes as fibras recônditas, de maneira a harmonizá-las com a sinfonia universal do Bem Eterno.
B - Médiuns preparadores
- Para recepcionar o influxo mental de Jesus, o Evangelho nos dá notícias de uma pequena congregação de médiuns, à feição de transformadores elétricos conjugados, para acolher-lhe a força e armazená-la, de princípio, antes que se lhe pudessem canalizar os recursos.
E longe de anotarmos aí a presença de qualquer instrumento psíquico menos seguro do ponto de vista moral, encontramos importante núcleo de medianeiros, desassombrados na confiança e corretos na diretriz.
Informamo-nos, assim, nos apontamentos da Boa-Nova, de que Zacarias e Isabel, os pais de João Batista, precursor do Médium Divino, "eram ambos justos perante Deus, andando sem repreensão, em todos os mandamentos e preceitos do Senhor, (Lucas, 1:5) que Maria. a jovem simples de Nazaré, que acolheria o Embaixador Celeste nos braços maternais, se achava "em posição de louvor diante do Eterno Pai"(Lucas, 1:30), que José da Galiléia, o varão que o tomaria sob paternal tutela, "era justo, (Lucas Mateus, 1:19)) que Simeão, o amigo abnegado que o aguardou em prece, durante longo tempo. "era justo e obediente a Deus, (Lucas, 2:25) e que Ana, a viúva que o esperou em oração, no templo de Jerusalém, por vários lustros, vivia "servindo a Deus". (Lucas, 2:37)
Nesse grupo de médiuns admiráveis, não apenas pelas percepções avançadas que os situavam em contacto com os Emissários Celestes, mas também pela conduta irrepreensível de que forneciam testemunho, surpreendemos o circuito de forças a que se ajustou a onda mental do Cristo, para daí expandir-se na renovação do mundo.
C - Efeitos físicos
- Cedo começa para o Mestre Divino, erguido à posição de Médium de Deus, o apostolado excelso em que lhe caberia carrear as noções da vida imperecível para a existência na Terra.
Aos doze anos, assenta-se entre os doutores de Israel "ouvindo-os e interrogando-os" (Lucas, 2:40), a provocar admiração pelos conceitos que expendia e a entremostrar a sua condição de intermediário entre culturas diferentes.
Iniciando a tarefa pública, na exteriorização de energias sublimes, encontramo-lo em Caná da Galiléia, oferecendo notável demonstração de efeitos físicos, com ação a distância sobre a matéria, em transformando a água em vinho (João, 2:1-12). Mas, o acontecimento não permanece circunscrito ao âmbito doméstico, porquanto, evidenciando a extensão dos seus poderes, associados ao concurso dos mensageiros espirituais que, de ordinário, lhe obedeciam às ordens e sugestões, nós o encontramos, de outra feita, a multiplicar pães e peixes (João, 6:1-15), no tope do monte, para saciar a fome da turba inquieta que lhe ouvia os ensinamentos, e a tranqüilizar a Natureza em desvario (Marcos, 4:35-41), quando os discípulos assustados lhe pedem socorro, diante da tormenta.
Ainda no campo da fenomenologia física ou metapsíquica objetiva, identificamo-Io em plena levitação, caminhando sobre as águas (Marcos, 6:49-50) e em prodigiosa ocorrência de materialização ou ectoplasmia, quando se põe a conversar, diante dos aprendizes, com dois varões desencarnados que, positivamente, apareceram glorificados, a lhe falarem de acontecimentos próxímos. (Lucas, 9:28-32)
Em Jerusalém, no templo, desaparece de chofre, desmaterializando-se, ante a espectação geral (João, 7:30), e, na mesma cidade, perante a multidão, produz-se a voz direta, em que bênçãos divinas lhe assinalam a rota. (João, 28-30)
Em cada acontecimento, sentimo-lo a governar a matéria, dissociando-lhe os agentes e reíntegrando-os à vontade, com a colaboração dos servidores espirituais que lhe assessoram o ministério de luz.
D - Efeitos intelectuais
- No capítulo dos efeitos intelectuais ou, se quisermos, nas provas da metapsíquica subjetiva, que reconhece a inteligência humana como possuidora de outras vias de conhecimento, além daquelas que se constituem dos sentidos normais, reconhecemos Jesus nos mais altos testemunhos.
A distância da sociedade hierosolimita, vaticina os sucessos amargos que culminariam com a sua morte na cruz (Lucas, 18:31-34). Utilizando a clarividência que lhe era peculiar, antevê Simão Pedro cercado de personalidades inferiores da esfera extrafísica, e avisa-o quanto ao perigo que isso representa para a fraqueza do apóstolo (Lucas, 22:31-34). Nas últimas instruções, ao pé dos amigos, confirmando a profunda lucidez que lhe caracterizava as apreciações percucientes, demonstra conhecer a perturbação consciencial de Judas (João, 13:21-22), a despeito das dúvidas que a ponderação suscita entre os ouvintes. Nas preces de Getsêmani, aliando clarividência e clariaudiência, conversa com um mensageiro espiritual que o reconforta. (Lucas, 22:43)
E - Mediunidade curativa
- No que se refere aos poderes curativos, temo-los em Jesus nas mais altas afirmações de grandeza. Cercam-no doentes de variada expressão. Paralíticos estendem-lhe membros mirrados, obtendo socorro. Cegos recuperam a visão. Ulcerados mostram-se limpos. Alienados mentais, notadamente obsidiados diversos, recobram equilíbrio.
É importante considerar, porém, que o Grande Benfeitor a todos convida para a valorização das próprias energias.
Reajustando as células enfermas da mulher hemorroissa, diz-lhe, convincente: - "Filha, tem bom ânimo! A tua fé te curou ... " (Mateus, 9:22) Logo após, tocando os olhos de dois cegos que lhe recorrem à caridade, exclama: - "Seja feito, segundo a vossa fé." (Mateus, 9:29)
Não salienta a confiança por simples ingrediente de natureza mística, mas sim por recurso de ajustamento dos princípios mentais, na direção da cura.
E encarecendo o imperativo do pensamento reto para a harmonia do binome mente-corpo, por várias vezes o vemos impelir os sofredores aliviados à vida nobre, como no caso do paralítico de Betesda, que, devidamente refeito, ao reencontrá-lo no templo, dele ouviu a advertência inesquecível: - "Eis que já estás são. Não peques mais, para que te não suceda coisa pior. " (João, 5:14)
F - Evangelho e mediunidade
- A prática da mediunidade não está somente na passagem do Mestre entre os homens, junto dos quais, a cada hora, revela o seu intercâmbio constante com o Plano Superior, seja em colóquios com os emissários de alta estirpe, seja em se dirigindo aos aflitos desencarnados, no socorro aos obsessos do caminho, mas também na equipe dos companheiros, aos quais se apresenta em pessoa, depois da morte, ministrando instruções para o edifício do Evangelho nascente.
No día de Pentecostes, vários fenômenos mediúnicos marcam a tarefa dos apóstolos, mesclando-se efeitos físicos e intelectuais na praça pública, a constituir-se a mediunidade, desde então, em viga mestra de todas as construções do Cristianismo, nos séculos subseqüentes.
Em Jesus e em seus primitivos continuadores, porém, encontramo-la pura e espontânea, como deve ser, distante de particularismos inferiores, tanto quanto isenta de simonismo. Neles, mostram-Se os valores mediúnicos a serviço da Religião Cósmica do Amor e da Sabedoria, na qual os regulamentos divinos, em todos os mundos, instituem a responsabilidade moral segundo o grau de conhecimento, situando-se, desse modo, a Justiça Perfeita, no intimo de cada um, para que se outorgue isso ou aquilo, a cada Espirito, de conformidade com as próprias obras.
O Evangelho, assim, não é o livro de um povo apenas, mas o Código de Princípios Morais do Universo, adaptável a todas as pátrias, a todas as comunidades, a todas as raças e a todas as criaturas, porque representa, acima de tudo, a carta de conduta para a ascensão da consciência à imortalidade, na revelação da qual Nosso Senhor Jesus-Cristo empregou a mediunidade sublime como agente de luz eterna, exaltando a vida e aniquilando a morte, abolindo o mal e glorificando o bem, a fim de que as leis humanas se purifiquem e se engrandeçam, se santifiquem e se elevem para a integração com as Leis de Deus.
André Luiz