Estudando o Espiritismo

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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Fé que transporta montanhas


Fé que transporta montanhas

Grupo Espírita Apóstolo Paulo





Fé que transporta montanhas
Porque na verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele há de passar, e nada vos será impossível. (Mateus, XVII: 14-19)
Fé humana e fé divina- A fé é humana ou divina, segundo a aplicação que o homem der às suas faculdades, em relação às necessidades terrenas ou às suas aspirações celestes e futuras. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, XIX, 12)
Fé cega e fé racional- A fé necessita de uma base, e essa base é a perfeita compreensão daquilo em que se deve crer. Para crer, não basta ver, é necessário sobretudo compreender. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, XIX, 6)
Fé ativa e fé passivaMeus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo? Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma. (Tiago 2, 14 e 17)
Acima, colocamos um exemplo de como a palestra pode ser apresentada em uma lousa. A seguir, os comentários que podem ser feitos a cada item em destaque.

Fé que transporta montanhas

Este tema visa esclarecer ao público qual o verdadeiro sentido da fé e o que ela significa para as nossas vidas. Como a Doutrina Espírita compreende este sentimento e de que forma colocá-lo em prática frente às dificuldades da existência.
Porque na verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele há de passar, e nada vos será impossível. (Mateus, XVII: 14-19)
Explique esta passagem, onde Jesus diz que quem tiver fé do tamanho de um grão de mostarda, ou seja, muito pequeno, terá capacidade para remover montanhas. Com isso, o Mestre nos faz refletir sobre quanto somos descrentes nos momentos difíceis. Que temos muita teoria, mas na hora da prova, fraquejamos. E que uma pequena dose de fé já nos faria maravilhas.
É necessário deixar claro que as montanhas que serão transportadas são um simbolismo dos nossos problemas, dificuldades. São também as nossas limitações, os nossos defeitos e imperfeições.
Jesus nos deixa claro o poder deste sentimento tão falado e tão pouco compreendido e praticado, pois ele esclarece que nada nos será impossível se soubermos usar esta poderosa força espiritual.

Fé humana e fé divina- A fé é humana ou divina, segundo a aplicação que o homem der às suas faculdades, em relação às necessidades terrenas ou às suas aspirações celestes e futuras. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, XIX, 12)
No Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo 19, item 12, Kardec define a fé como sendo uma força de vontade direcionada para um certo objetivo, ou seja, a vontade de querer. E esta força pode ser aplicada em dois campos distintos: o material e o espiritual, conforme o objetivo proposto.
No campo material, Kardec define a fé como humana, quando ela é usada para conseguir objetivos materiais e intelectuais, como por exemplo: a construção de uma empresa, a melhoria profissional buscando novos horizontes de atuação. Todos nós temos que ter esta fé, que é a crença em nossa própria capacidade de realizar uma tarefa material. Mas ela deve ser aliada à humildade e à racionalidade, para não se transformar em orgulho, sentimento este que nos traz ilusões sobre a nossa personalidade.
Cite ao público vários exemplos de homens que realizaram grandes tarefas para o bem da sociedade, acreditando no seu próprio potencial, em vários campos de atuação, como por exemplo: a política, as ciências, os descobrimentos e também o campo empresarial.
No campo espiritual, Kardec define a fé como divina, pois ela orienta o homem na crença em uma força superior a ele e a tudo, que direciona a sua capacidade na busca de algo além do material, na descoberta do seu lado imortal. É a religiosidade, agregando a caridade, a fraternidade e a melhoria interior.
Esta fé, aliada à fé humana, espiritualiza os objetivos desta última e direciona esta força material para a satisfação da coletividade e não mais só da individualidade.

Fé cega e fé racional- A fé necessita de uma base, e essa base é a perfeita compreensão daquilo em que se deve crer. Para crer, não basta ver, é necessário sobretudo compreender. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, XIX, 6)
Aqui vamos definir a fé que a nossa Doutrina veio propagar, que é a Fé Racional. Aquela que conforme este trecho do Evangelho Segundo o Espiritismo, veio aliar a este sentimento de crença e vontade de querer, uma qualidade própria do nosso tempo, que é a razão. É ela quem dá uma base sólida a nossa crença, podendo encarar a ciência e o progresso a qualquer tempo. E que também nos ensina que não basta só crer ou ver, é também necessário compreender. Isto se aplica principalmente ao Espiritismo, onde o estudo e a prática da caridade são fundamentais para um bom desenvolvimento do trabalhador espírita. Não basta também sentir, ver, ouvir, incorporar ou falar com os espíritos, é importante compreender sua natureza, o seu ambiente, a sua ação no mundo material e no espiritual. Reafirme o que diz o E.S.E., que é necessários compreender antes de ver.
Deixe claro o perigo da fé cega, aquela que acredita sem compreender, sem questionar, pois ela é a gênese do fanatismo religioso que causou tanto mal para a humanidade, e que deve ser combatida com serenidade e racionalidade

Fé ativa e fé passivaMeus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo? Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma. (Tiago 2, 14 e 17)
Encerrando a palestra, saliente que a Fé sem obra não vale nada, mesmo a Fé Racional, pois só o conhecimento não salva ninguém. É vital aplicarmos o que estamos aprendendo e o que já sabemos, mudando o mundo em nossa volta, primeiramente o nosso interior e depois a parte externa.
Não adianta nada lermos toda a Bíblia, todas as obras da codificação, todas as obras complementares, se todo este cabedal de ensinamentos não mudar o nosso espírito para melhor, transformando em obras materiais e espirituais o que aprendermos. É o benefício que podemos fazer ao próximo, e que, com certeza, será também revertido para nós mesmos.


Copyright by Grupo Espírita Apóstolo Paulo

O Ano Aceitável do Senhor - Richard Simonetti






Texto retirado do site do autor 








Lucas, 4:16-30

O termo sinagoga significa literalmente reunião.
Era o local onde se congregavam os judeus para orar e estudar os textos sagrados – o Torá, conhecido também como a Lei, atribuído a Moisés, composto pelos cinco primeiros livros do Velho Testamento (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio) e os Profetas.
Situavam-se, essencialmente, como centros da vida social e cultural.
Funcionavam como biblioteca, escola, tribunal…
O edifício tinha forma retangular. À entrada, uma grande porta central, ladeada de duas menores. A assembléia ficava voltada para a arca sagrada que guardava os rolos do Torá e dos Profetas.

***

No salão havia, geralmente, três fileiras de bancos.
Os homens ocupavam a parte do meio.
As mulheres ficavam nas laterais, separadas, sem direito a participação. Acontecia em todos os setores da vida judaica. A mulher não passava de obscura serva.
Essa tendência caracterizou também o Cristianismo.
O próprio apóstolo Paulo, não obstante seu espírito indômito, renovador, não se furtou a esse comportamento preconceituoso, tanto que na Primeira Epístola aos Coríntios (14:34-35) proclama:

– Conservem-se as mulheres caladas na igreja, porque não lhes é permitido falar; mas estejam submissas como também a lei o determina. Se, porém, querem aprender alguma coisa, interroguem a seus maridos, porque para a mulher é vergonhoso falar na igreja.

Um amigo gracejava dizendo que foi puro sadismo de Paulo impedir que as nobres representantes do sexo feminino exercitassem sua maior vocação.
Perguntava:
– Haverá tortura maior para uma mulher do que proibi-la de falar?
Talvez o apóstolo apenas quisesse evitar que o tititi das laterais perturbasse a reunião…


***

No fundo, sobre a plataforma, ficava a arca onde se guardavam as escrituras sagradas.
À frente o púlpito. Nele os textos escolhidos para a leitura do dia. Utilizavam-se pergaminhos feitos com pele de ovelha, cabra ou outro animal puro, não carnívoro.
Cada livro do Torá ou dos Profetas tinha seu próprio pergaminho.
Entre o armário santo e o púlpito ficavam as cadeiras de honra, voltadas para os fiéis, onde se sentavam os membros mais importantes da comunidade.
Eram os disputados primeiros lugares. Seriam motivo dos comentários de Jesus, referindo-se à preocupação de destaque que caracterizava muita gente.
O chefe da sinagoga, chamado presidente ou príncipe, dirigia as reuniões. O culto era celebrado pela manhã, geralmente no dia consagrado ao Senhor, o sábado.
Um dos presentes fazia a leitura. Seguiam-se explicações e sermões do presidente ou pessoa designada. Havia também troca de idéias em torno do tema abordado.
Era um sistema democrático. Visitantes podiam fazer uso da palavra.

***

Jesus esteve várias vezes nas sinagogas, dialogando com os dirigentes e a assembléia. Nelas operou prodígios e curas.
Regressando da Samaria, foi à sinagoga em Nazaré, cidade onde residira até o início de seu apostolado.
Convidado a fazer a leitura, apresentaram-lhe o livro de Isaías, um dos grandes profetas judeus, que oito séculos antes previra a vinda do Messias.
Jesus levantou-se, desenrolou o pergaminho, e leu (Isaías 61:1-2):

– O Espírito do Senhor está sobre mim. Ungiu-me para anunciar boas novas aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação dos cativos, restauração da vista aos cegos e para por em liberdade os oprimidos e proclamar o ano aceitável do Senhor.

Foi um dos momentos mais marcantes da história cristã.
Dera-se, finalmente, o encontro da anunciação com o anunciado.
O mensageiro revelava-se.
A profecia sobre o Messias era lida pelo próprio Messias.


***

Se ficarmos na apreciação literal, as predições de Isaías não fazem sentido.
Jesus não libertou nenhum preso…
Não se limitou a curar cegos…
Não livrou o povo judeu do jugo romano…
Para entender o profeta é preciso atentar ao sentido simbólico de sua proclamação.

A pior prisão não tem grades.
Está em nosso íntimo, quando perdemos o rumo da existência, sob a tutela de carcereiros terríveis:

• a depressão, que inibe a vontade de viver…
• o ódio, que aniquila a paz…
• a dúvida, que destrói a crença…
• a revolta que mata a esperança…

Jesus nos ajuda a arrombar suas portas com a dinâmica do Evangelho, anulando:

• a depressão, com o esforço do bem…
• o ódio, com a força do perdão…
• a dúvida, com os valores da fé…
• a revolta, com a bênção da aceitação…

A pior cegueira é da alma.
Não vemos por onde andamos e entramos por desvios perigosos de ilusão, perseguindo realizações efêmeras do homem perecível, sem considerar as necessidades do Espírito eterno.
Jesus abre nossos olhos.
Com ele aprendemos que a existência humana é uma jornada para Deus.
Para seguirmos com segurança faz-se indispensável iluminar os caminhos com os valores do Bem e da Verdade, admiravelmente sintetizados nas lições evangélicas.

A pior tirania é a compulsão.
Algo que nos domina, que nos oprime…
Todo viciado tende a ser um compulsivo, envolvendo-se num comportamento comprometedor. Não vacila em burlar os regulamentos. Coloca em risco a saúde e a segurança de outras pessoas para satisfazer-se.
Impedidos de acender seus cigarros nas viagens aéreas, fumistas procuram os sanitários, onde também é proibido. Não raro danificam os censores de fumaça para não serem descobertos. Um incêndio somente será detectado quando se alastrar irremediavelmente.
Algo pior ocorre com drogas como e heroína e a cocaína. Assaltantes que chocam a opinião pública pelos requintes de crueldade, não vacilam em matar para conseguir o dinheiro necessário à sustentação do vício.
E há os chamados vícios morais, como a maledicência, a mentira, o palavrão, a luxuria, a pornografia, compulsões que produzem estragos no psiquismo humano.
Esses desvios não serão vencidos enquanto não nos dispusermos a aplicar o Evangelho, nossa carta de alforria espiritual, cultivando a palavra justa, o pensamento puro, a ação disciplinada.

***

Após a leitura, Jesus anunciou:

– Cumpriram-se hoje as afirmativas destas escrituras.

A reação da assembléia foi de espanto. E diziam, entre si.

– Mas não é esse o filho de José… – como se fosse impossível o filho de um carpinteiro fazer aquela proclamação.
Jesus lhes respondeu:

– Sem dúvida, me recordareis este provérbio: “Médico, cura-te a ti mesmo. Faze na tua terra as grandes obras que, segundo ouvimos falar, fizeste em outros lugares”. Mas, em verdade, vos afirmo que nenhum profeta é aceito na sua Terra. Em verdade vos digo que muitas viúvas havia em Israel, ao tempo de Elias, quando o Céu se fechou durante três anos e seis meses e grande fome assolou toda a Terra; entretanto, Elias não foi enviado a nenhuma delas, mas a uma que era viúva em Sarepta de Sídon. Havia, também, muitos leprosos em Israel, ao tempo do profeta Eliseu, e, no entanto, nenhum ficou limpo senão Naamã, que era da Síria.

A estranheza dos habitantes de Nazaré foi bem humana.
Difícil aceitar uma posição de destaque para alguém com quem convivemos, que conhecemos desde as limitações da infância, cujas virtudes ignorávamos.
Pode ferir o nosso ego.

A inveja sempre se aborrece com o sucesso dos que lhe são próximos.

Por isso Jesus proclamou que nenhum profeta opera prodígios em sua terra. E citou dois exemplos, contidos nas escrituras, em que uma viúva e um leproso, que não eram judeus, foram beneficiados por Elias e Eliseu.
A viúva era de Sarepta, uma pequena cidade nas proximidades de Sídon (hoje no Líbano). Segundo o relato no livro Reis (17:8-24), a região passava por grande seca. Elias foi inspirado por Jeová a procurá-la. Não era judia. No entanto foi beneficiada com dois prodígios. Primeiro uma panela mágica onde nunca faltava alimento; depois a cura de seu filho, dado como morto.
O leproso era Naamã, chefe do exército da Síria, como está em 2 Reis (5:1-14). Eliseu lhe recomendou que mergulhasse sete vezes nas águas do Jordão. Naamã cumpriu a orientação e curou-se. Cheio de júbilo quis recompensar seu benfeitor, que se recusou terminantemente a receber qualquer presente.
Eliseu era a figura típica do profeta de sua época, austero, inflexível, mas temperamental, capaz de inacreditáveis sanções como a que imporia a Geazi, seu discípulo.
Geazi acompanhou Naamã.
Bem à moda do falso religioso, inventou uma história de suposto benefício a filhos da região e recebeu talentos de prata, que guardou para si.
Ao ter conhecimento do que acontecera Eliseu amaldiçoou Geazi, dizendo-lhe que a lepra de Naamã o atingiria, bem como à sua descendência, para sempre.
O episódio termina com Geazi retirando-se, já leproso.
Faltava compreensão aos profetas de Israel, sempre dispostos a evocar a ira divina sobre aqueles que não observavam sua orientação.
Jesus ensinava diferente. Revelava um deus compassivo, um pai generoso, não um intransigente vingador.
Importante ressaltar que ao citar Isaias, na leitura da sinagoga, Jesus leu apenas parte do versículo dois:

…a apregoar o ano aceitável do Senhor…

Omitiu a seqüência:

… e o dia da vingança de nosso Deus…

Não obstante seus elevados dotes espirituais Isaias também não conseguiu superar as limitações de seu tempo e as tendências belicosas do povo judeu.
A vingança é sempre um ato de insanidade, não raro estúpido, absurdo, como fez Eliseu com seu discípulo.


***

A franqueza de Jesus chocou seus conterrâneos que, segundo a narrativa do evangelista Lucas, o expulsaram da cidade. Cogitaram até de atirá-lo num abismo.
Mas não era chegado o tempo de sacrifício.
A mensagem do Reino ainda não fora anunciada.
Por isso, nada puderam fazer contra ele.
Jesus continuou a anunciar o ano aceitável do Senhor, o tempo abençoado em que se iniciava a pregação do Reino.
Individualmente, todos haveremos de ter um ano sagrado.

O grande ano, o ano aceitável de nossa existência como Espíritos imortais, será aquele em que aderirmos às diretrizes de Jesus, dispondo-nos à vivência plena do Evangelho!

Livro "Levanta-te!"
Editora CEAC - Bauru
Dados biográficos
Richard Simonetti é de Bauru, Estado de São Paulo. Nasceu em 10 de outubro de 1935.
Filho de Francisco Simonetti e Adélia M. Simonetti. Casado com Tânia Regina M. S. Simonetti.
Tem quatro filhos: Graziela, Alexandre, Carolina e Giovana.
Participa do movimento espírita desde 1957, quando integrou-se no Centro Espírita "Amor e Caridade", que desenvolve largo trabalho no campo doutrinário de assistência e promoção social.
Articulou o movimento inicial de instalação dos Clubes do Livro Espírita, que prestam relevantes serviços de divulgação em dezenas de cidades.
É colaborador assíduo de jornais e revistas espíritas, notadamente "O Reformador", "O Clarim" e "Folha Espírita".
Funcionário aposentado do Banco do Brasil, vem percorrendo todos os Estados brasileiros e alguns países em palestras de divulgação da Doutrina Espírita.
Outras inforções: www.richardsimonetti.com.br

VALORES IMPERECÍVEIS




VALORES IMPERECÍVEIS

"E A NENHUMA DELAS FOI ENVIADO ELIAS, SENÃO A SAREPTA DE SÍDON, A UMA MULHER VIÚVA". (LUCAS, 4:26)
Os Evangelhos de Jesus Cristo são altamente consoladores. Em cada página perlustrada deparamos com novos preceitos vivificantes, preceitos esses com destinação certa e com elevado potencial para equação dos múltiplos problemas que assolam a Humanidade, ainda que eles sejam dos mais angustiantes.

Muitos homens, ao serem submetidos a penosos processos expiatórios, tão peculiares à vida terrena, blasfemam e atribuem seus males a desvios da justiça divina. Analisando tudo por um prisma bitolado, julgam que Deus agiu com inconcebível falta de equidade: enquanto cumulou a uns com riquezas, saúde e felicidade, submeteu outros a toda sorte de penúrias e dores, fazendo com que a prosperidade material seja propícia a muita gente de má índole, enquanto criaturas boas e altamente virtuosas passam por negras tribulações, encontrando a adversidade a cada passo.

A lei da Reencamação tem a solução para todas essas anomalias, e o Cristo nos dá a resposta nos versículos 25 a 27, do capítulo 4, do Evangelho de Lucas:— Existiam muitas viúvas na Terra, no tempo do profeta Elias, quando houve grande crise e fome, mas Deus enviou o seu emissário apenas a uma pobre viúva residente na cidade de Sarepta de Sidon, curando-lhe o filho e provendo-Ihe meios de subsistência (I Reis, 17:8-24).


— Havia muitos leprosos em Israel, no tempo de Eliseu, no entanto, o profeta foi enviado para curar apenas a um estrangeiro, procedente da Síria, cujo nome era Naaman, livrando-o da temível enfermidade (II Reis, 5:1-19). — Muitas mulheres pecadoras habitavam Israel, quando do advento de Jesus, no entanto, ele apenas foi ao encontro de Maria Madalena e Maria de Betânia.

— Vários publicamos residiam na Judéia no tempo de Jesus Cristo, entretanto, o Mestre apenas procurou Mateus e Zaqueu, a fim de encaminhá-los na senda do bem, ensinando-os a viverem realmente os preceitos evangélicos.

Obviamente não ocorreu qualquer sorte de favoritismo por parte desses emissários do Alto, mas, tão-somente o atendimento de pessoas qualificadas, as quais, após longos aprendizados em vidas anteriores, faziam jus a essas dádivas, uma vez que eram Espíritos predispostos à reforma interior.

O Espiritismo nos ensina que ninguém sofre sem que exista uma causa anterior, ou melhor, que não existe efeito sem causa. Pessoas que acumularam tesouros no Céu, onde os ladrões não roubam nem as traças corroem, poderão desfrutar dos benefícios desses tesouros sempre que deles necessitarem. Isso levou Jesus Cristo a sentenciar, de forma bastante judiciosa:

— Quem muito amou, muito será amado;
— Àquele que muito tem, muito mais lhe será acrescentado;
— Muito será perdoado a quem muito amou;
— A quem buscar o Reino de Deus, tudo lhe será (concedido;
— Onde existir a boa obra, ali haverá a recompensa.

A viúva de Sarepta de Sidon, e o leproso Naaman, obviamente possuíam esse tesouro nos Céus, conquistado em existências pretéritas, por isso o socorro do Alto veio sob a forma de sustentação e de cura para duas pessoas que eram merecedoras desses benefícios. O mesmo não sucedeu com outras milhares de viúvas e leprosos que viviam na mesma época.

Muitos enfermos existiam em Israel na época de Jesus, entretanto, pode-se contar as poucas curas materiais operadas por seu intermédio, narradas nas páginas dos Evangelhos. De uma feita o Mestre, cercado por uma verdadeira multidão de sofredores de todos os matizes, curou apenas uma pobre mulher que há doze anos sofria penosa hemorragia (Lucas, 8:43-47).

Essas curas e socorros do Alto, praticados assim como autênticos atos de favoritismo, seriam realmente injustos se examinados à luz da aberrante teoria da unicidade das vidas físicas. Tornam-se, porém, lógicos e equitativos quando analisados pelo prisma da lei da Reencarnação.

Através das vidas sucessivas, os Espíritos que palmilham o terreno da evolução poderão acumular bens espirituais que se tornarão autênticos socorros no desenrolar de qualquer existência, nos momentos mais agudos, quando eles realmente se tornam mais necessários.
Paulo A. Godoy

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

ANGÚSTIA DA MELHORA




ANGÚSTIA DA MELHORA

"O DEVER É O RESUMO PRÁTICO DE TODAS AS ESPECULAÇÕES MORAIS;
É UMA BRAVURA DA ALMA QUE ENFRENTA AS ANGÚSTIAS DA LUTA."
E.S.E. CAPÍTULO 18, ÍTEM 7
Angústia é o sofrimento emocional originado por alguma indefinição interna que leva ao conflito, causando intensa aflição. Seus reflexos podem alcançar o corpo físico com dores no peito e alteração respiratória. A intensidade da reação emocional que a criatura terá, diante desse seu conflito, vai determinar a existência ou não de algum prejuízo para o equilíbrio psíquico e mental. Isso ainda dependerá do maior ou menor comprometimento da individualidade perante o tribunal da consciência, no qual está arquivado o montante de desvarios e conquistas de suas múltiplas vivências reencarnatórias.
Seguindo quase sempre uma linha predefinida, os conflitos nascem do desajuste entre aquilo que a criatura quer, aquilo que ela deve e aquilo que ela é capaz. Um descompasso entre desejo, sentimento e escolha.
O conhecimento espírita pode levar à angústia existencial face aos novos alvitres comportamentais de suas lúcidas propostas. Muitos corações convidados pelas suas atrativas idéias poderão experimentar, em graus diversos, a angústia da melhora - o sofrimento que reflete a luta entre um "eu real" e o "eu ideal".
Terminantemente, quantos se entregam ao serviço de auto-burilamento penetrarão as faixas do conflito. O efeito mais perceptível dessa batalha interior é o sentimento de indignidade. Porque ainda não logramos a habilidade do auto-amor, costumamos ser muito exigentes com nossas propostas de progresso moral, cultivando uma baixa tolerância com as imperfeições e os fracassos. Uma postura de inaceitação e cobranças intermináveis alimenta essa indignidade em direção ao perfeccionismo.
O resultado eminente desse quadro mental é o cansaço consigo, a desmotivação com suas atividades espiritualizantes induzindo o desejo de abandonar tudo, uma postura psicológica de impotência levando a criatura às famosas senhas de derrotismo: "não vou dar conta!" ou "não tem valido a pena esforçar!", "estou cansado de viver!". Todo esse quadro de desastrosa penúria cria a condição mental do desânimo - o mais cruel e sagaz dos adversários de nosso crescimento espiritual.
Querer ser melhor e não conseguir tanto quanto gostaríamos! Eis a mais comum das angústias ao longo do trajeto de aperfeiçoamento na vida.
O desânimo é o desejo de parar, contudo nosso sentimento é de querer ser alguém melhor e, para agravar, nossas atitudes, em contraste com o desejo e o sentimento, são de fuga. Desejo, sentimento e atitude em desconexão gerando um estado de pane. Os conflitos criam as tensões no mundo íntimo em razão da contraposição entre esses três fatores: o que a criatura gostaria, o que ela deve e aquilo que ela consegue.
Nesse torvelinho da vida mental, um fenômeno é responsável por intensificar a dor emocional dos candidatos ao auto-aperfeiçoamento, ou seja, a ilusão. Em muitos casos, sofremos os impactos emocionais do erro ou do desconforto com nossas imperfeições porque acreditamo-nos grandiosos demais, portadores de virtudes que ainda não alcançamos, confundindo o conhecimento espírita e a participação nas tarefas como se fossem incomparáveis saltos evolutivos. A ilusão, ou desconexão com sua realidade pessoal, agrava a tormenta da angústia de melhoramento.
Decerto não deveríamos agir como agimos em muitas ocasiões, considerando o volumoso caudal de conhecimentos e vivências espirituais que enobrecem nossos passos, contudo, quase sempre, sofremos culpa e desânimo perante nossas falhas porque imaginamo-nos valorosos em demasia para, ainda, permitir que certas condutas enodoem os novos caminhos que escolhemos.
Muito justo que nos exortemos a melhores comportamentos face ao aprendizado espiritual que bem recentemente começamos a angariar, todavia, muita exigência tem sido formulada aos adeptos do Espiritismo, sem quaisquer identidades com as necessidades individuais de sua singularidade. Mormente nascem de padrões construídos por estereótipos de conduta. Semelhante quadro pode gerar tormenta e obsessão para quem não sabe adequar sua realidade àquilo que aprende, sendo outra fonte costumeira de episódios angustiantes para a alma.
Ninguém sintetizou tão bem essa caminhada da vida interior quanto Paulo, o apóstolo dos gentios, ao mencionar: "Porquê não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço" (Romanos, 7:19). A grande batalha humana pela instauração do bem em si mesmo pode ser sintetizada nessa frase.
A saga da perfeição inclui a dolorosa luta entre aspirações e hábitos, conduzindo-nos a atitudes desconectadas dos ideais que cultivamos no campo das intenções. É o quadro psicológico que nomeamos como sendo angústia da melhora.. Todo aquele que assume a lenta e desafiante tarefa da reforma íntima, inevitavelmente, será lançado a essa vivência da alma em variados lances de intensidade. Somente acendendo a luz do autoperdão, recomeçando quantas vezes forem necessárias, na aceitação das atitudes enfermiças e impulsos infelizes é que edificaremos estimulante campanha de promoção pessoal, no aprimoramento rumo à perfeição.
Reforma também exige tempo e meditação. Por isso não devemos recear a postura de enfrentamento do mundo íntimo. Um acordo de pacificação interior deve existir entre nós e nossa velha personalidade. Ao invés de cobrança e tristeza, seria mais sensato um auto-exame para verificar o que poderíamos ter feito de melhor nas ocasiões de erro, no intuito de condicionar na mente algumas diretrizes para outras oportunidades, nas quais novamente seremos testados naquelas mesmas deficiências que não conseguimos desvencilhar. Procedamos a uma corajosa "reconstituição do mau ato" e analisa o que poderia ter feito ou deixado de fazer para não chegar aos resultados que te infelicitam. Da mesma forma, instrui-te sempre sobre a natureza de suas mazelas, a fim de melhor ajuizares sobre seu modus operandi. Se em nada te valer semelhantes apontamentos, então reflete que pior ainda será se parares e decidires por interromper o doloroso trabalho de melhoria.
Lázaro adverte-nos de forma oportuníssima sobre o dever, definindo-o como " ... uma bravura da alma que enfrenta as angústias da luta". Conquanto o valor do autoconhecimento, jamais poderemos descuidar do dever que nos chama, porque somente através de seu rigoroso cumprimento encontraremos as condições essenciais para consolidar os reflexos novos. Somente com novos hábitos, que serão dinamizadores de novos raciocínios e sentimentos, romperemos a pesada carapaça das enfermidades morais, acolhendo no coração um estado de plenitude que ensejará a superação da angústia e da depressão, do desânimo e do desamor a si.
Face a isso, somente uma recomendação não deve sair do foco de nossas atenções: trabalhar, trabalhar e trabalhar, sem condições e exigências - eis o buril do dever.
Na medida em que progredimos pelas trilhas do dever e do autoconhecimento adquirimos paz íntima e domínio mental, antídotos eficazes contra quaisquer adoecimentos da vida psíquica.
Enquanto se processam semelhantes ações de fortalecimento, podemos ainda contar com duas medidas profiláticas de dilatado poder em favor de nossa paz: a vigilância e a oração.
Verifiquemos que a função do vigilante é preventiva, é comunicar à sua volta que algo está sob cuidado e não à mercê das ocorrências. A função do vigilante não é atacar. Quem vigia, o faz para que algo não o surpreenda ou agrida. Vigilância no terreno da reforma íntima significa estar atento ao inimigo, aquele que pode nos causar prejuízos, nosso homem velho.
Vigiar o inimigo, no entanto, é diferente de abater o inimigo. A maneira mais pacífica de vigiar é conquistando-o, e só o conquistamos demonstrando a inviabilidade da guerra, fazendo fortes o suficiente os nossos valores para que ele se sinta impotente, incapaz de ser mais forte.
Vigilância é atenção para com as movimentações inferiores da personalidade, é o estudo sereno das estratégias do homem velho, requer muita disciplina.
Por sua vez, a oração é o movimento sagrado da mente no despertamento de forças superiores. É a busca da alma que se abre para o bem e se fortalece.
Dever, vigilância e oração - balizas seguras que nos permitem talhar o homem novo, mesmo sob a escaldar a temperatura das velhas angústias que nos acompanham há milênios.
Espírito Ermance Dufaux

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Suicídio


Suicídio - É possível amenizar os sofrimentos de suas vítimas?“A bênção de um corpo, ainda que mutilado ou disforme, na Terra, é como preciosa oportunidade de aperfeiçoamento espiritual, o maior de todos os dons do nosso Planeta”.
“Qual o primeiro de todos os direitos naturais do homem”? O de viver
“Por isso é que ninguém tem o de atentar contra a vida de seu semelhante, nem de fazer o que quer que possa comprometer-lhe a existência corporal.” Se o homem não tem o direito de tirar a vida do próximo, e sim dever de amá-lo "como a si mesmo", muito menos tem o de eliminar a própria vida. Sobretudo para respeitar o quinto mandamento, que preceitua: "não matarás"!
No momento de desespero, os suicidas não entendem que não há mal que o tempo não cure. E acolhem obsessores cruéis, implacáveis, que os conduzem à queda e, aos poucos, os submetem à sua vontade doentia, rancorosa. Não refletem sobre a dor que seu gesto extremo causará naqueles que os amam, não levam em conta seus desdobramentos sobre os que ficam e que são outras tantas vítimas de seu ato impensado: familiares e amigos, dos dois planos da Vida. Só tardiamente lamentam esse esquecimento. No entanto imaginamos quão pungentes dores advêm a essas almas, quando sensíveis e amorosas: para os corações das mães, dos pais, esposos, filhos, irmãs, irmãos, ou dos diletos amigos! É dor amarga, atroz, de todos os momentos, que só o tempo, a prece, a prática do bem e a ação de Espíritos nobres conseguem suavizar. A Doutrina Espírita é, também para eles, farta em consolações, indicando meios que aliviam sofrimentos, abreviam provas, serenam as almas dos que foram e dos que ficaram. Todos eles podem, "aviando as receitas" que o espiritismo prega ajudarem-se, eliminando do coração, da mente, a angústia; e amparar os que partiram. Abre ela os caminhos à fé e à misericórdia infinita de Deus, pela oração sincera e a prática do bem incessante - enfim, da Caridade, melhor prece que se eleva da Terra aos Céus!
É-nos informado por um mentor espiritual (Espírito Camilo Cândido Botelho, pela médium Yvonne A. Pereira, no livro "Memórias de um Suicida") “Consola saber que a doce mãe de Jesus é o Espírito sublime que se compadece dos suicidas e lhes estende as mãos; que a "Legião dos Servos de Maria" socorre os Espíritos enfermos que partiram voluntariamente da Terra, conduzindo-os ao "Hospital Maria de Nazaré", onde são medicados, reeducados e preparados para reencarnações reparadoras! A agressão ao corpo físico lesa também o corpo espiritual, denominado pelo Apóstolo Paulo de "corpo celestial" que Allan Kardec chamou de perispírito. É ele a matriz que vai registrar, nos corpos das encarnações subseqüentes, o resultado dessas lesões, na forma de enfermidades dificilmente curáveis. É preço a pagar pela rebeldia aos desígnios celestes, pelo mau uso do livre-arbítrio.
No livro "Religião dos Espíritos", Emmanuel, comentando no capítulo Suicídio a questão 957 de "O Livro dos Espíritos", assinala que "os resultados dos suicídios não se circunscrevem aos fenômenos de sofrimento íntimo, porque surgem os desequilíbrios com impositivos de reajuste em existências próximas." E relaciona enfermidades que, como conseqüência do suicídio, a Lei impõe aos rebeldes. Como se segue na continuidade. Quem lê os livros assinalados ou a obra &quo";O Céu e o Inferno" (no Capitulo V da 2ª Parte há depoimentos de Espíritos suicidas, comentados por Kardec), ou, ainda, "O Livro dos Espíritos", sobretudo as questões de números 943 a 957, jamais pensará em atentar contra a própria vida. Ao contrário, passará a oferecer preces e a praticar o bem, em favor daqueles que caíram nesse erro lastimável.
Se a muitos assusta a revelação dos sofrimentos atrozes porque passam os suicidas, não apenas no plano espiritual, mas nas reencarnações reparadoras - especialmente àqueles que, ingenuamente, alimentam a ilusão de que o perdão de Deus tudo suprime de forma mágica, instantânea -, também nos conscientiza, a todos, do dever que nos cabe de valorizar o corpo de carne, de evitar o suicídio, divulgando a Verdade, consolando e encorajando os aflitos, salientando o valor da prece como sustentáculo nas provas ou como recurso e lenitivo intercessores, em favor dos que caíram, consumando o ato trágico, doloroso. Os Espíritos nos advertem das provações a que são conduzidos os que, frágeis, tentam fugir da vida. Mas Deus sempre nos dá os meios de superar dificuldades, por maiores sejam elas. Se, extraordinários esses sofrimentos, maior ainda é o amor de Deus, que renova a todos oportunidades de reconstrução do equilíbrio.
Um espírito consolando um suicida, afirma-lhe:
“Nos maiores abismos, há sempre lugar para a esperança”. Não se deixe dominar pela idéia da impossibilidade. Pense na renovação de sua oportunidade, medite na grandeza de Deus. Transforme o remorso em propósito de regeneração.
“Os trabalhos de auxílio fraterno geralmente são iniciados através de orações de parentes desolados.”
Vamos ter animo. Se essas idéias nos vierem à mente; ou se familiar ou amigo partiu da Terra por esse meio, que não elimina a vida, mas acarreta dores atrozes e o remete a provas superiores àquelas de que tenta fugir, recorramos à oração sincera e à prática do bem. Resignemos e aprendamos a confiar-agindo-orando-amando-renunciando-abatendo o orgulho e aceitando a pobreza, se perdermos a fortuna, ou a pessoa amada, por morte, abandono, ou outro motivo; submetendo-nos às provações, que breve passam. Todas as circunstâncias se modificam. No próximo minuto ou no amanhã, surgem oportunidades para superar obstáculos aparentemente intransponíveis e as rudes provas. Confiar, fazendo o melhor de nós.
Oremos pelos suicidas, e por outros sofredores, compadecendo-nos de suas dores, sem condená-los. É o que nos diz o amoroso mentor Emmanuel, na obra "Escrínio de Luz”, estimulando-nos, encorajando-nos a superar provas, que são "material educativo do templo em que nos asilamos”.
Esclarecimentos
"Todos os suicidas, sem exceção, lamentam o erro praticado e são acordes na informação de que só a prece alivia os sofrimentos em que se encontram e que lhes pareciam eternos." A prece é instrumento que atrai alívios celestes, que descem dos Céus à Terra, aliviando,banindo dores! A prece e a fé são alavancas que alevantam os caídos nos caminhos da evolução. Recorram, pois, aqueles que sofrem esse drama, à prece e, sobretudo, à amorosa intercessão da Mãe Celestial!
Santo Agostinho
"Se soubésseis quão grande bem faz a fé ao coração e como induz a alma ao"arrependimento e à prece! A prece! Ah! Como são tocantes as palavras que saem da boca daquele que ora! A prece é o orvalho divino que aplaca o calor excessivo das paixões. Filha primogênita da fé, ela nos encaminha para a senda que conduz a Deus”.
Há seguimentos religiosos, que se apõem a posição de que tudo aquilo que nos recomenda a Doutrina de Jesus, que negam a prece aos "mortos" - conforme ensina lacrada está para sempre a sua sorte: esquecidas de que a misericórdia do Pai estimula a fraternidade e se compadece dos caídos e os busca, para os erguer; outras se recusam a orar pelos suicidas - sofredores dos mais necessitados e aos quais a prece alivia - ou, mesmo, a sepultá-los no "campo santo", como se houvesse no Universo região que não seja obra do Pai de Amor e, portanto, sagrada -; ou que as sábias Leis Divinas se submetessem à ignorância, ao arbítrio dos homens. "Deus é Amor" e esse Amor é expresso em tudo. A Doutrina Espírita esclarece as mentes e evita o suicídio, além de contribuir para a recuperação do equilíbrio tanto daqueles que está com a idéia de tentar fugir à vida, quanto daqueles que realizaram esse ato dramático, além de consolar as 'vítimas' que ficaram: Conhecer, estudar, divulgar seus ensinamentos, é a melhor forma de se evitar suicídios; de orientar e consolar familiares e amigos; pois fala aos corações com o depoimento vivo dos que tentaram fugir de problemas, mergulhando em dores inimagináveis; assim como daquilo que os alivia e favorece: a oração. Em nenhuma hipótese se justifica o gesto impensado de atentar contra a própria vida. Só a ignorância, a falta de fé em Deus, na Sua bondade, pode levar a criatura a se rebelar contra seus desígnios.
Mentores da Espiritualidade afirmam que suicidas continuam experimentando os padecimentos físicos da última hora terrestre , em seu corpo somático, indefinidamente. Anos a fio , sentem as impressões terríveis do tóxico que lhes aniquilou as energias , a perfuração do cérebro pelo corpo estranho partido da arma usada no gesto supremo, o peso das rodas pesadas sob as quais se atiraram na ânsia de desertar da vida, a passagem pelas águas silenciosas e tristes sobre os seus despojos, onde procuraram o olvido criminoso de suas tarefas no mundo e , comumente, a pior emoção do suicida é a de acompanhar , minuto a minuto , o processo da decomposição do corpo abandonado no seio da terra , verminado e apodrecido.
De todos os desvios da vida humana o suicídio é, talvez, o maior deles pela sua característica de falso heroísmo, de negação absoluta da lei do amor e de suprema rebeldia à vontade de Deus, cuja justiça nunca se fez sentir, junto aos homens, sem a luz da misericórdia.
Biba - sábado, 8 de abril de 2006 - 4:28:59

ISTO É SER ESPÍRITA



Ser espírita não é ser nenhum religioso; é ser cristão. 
Não é ostentar uma crença; é vivenciar a fé sincera. 

Não é ter uma religião especial; é deter uma grave responsabilidade. 

Não é superar o próximo; é superar a si mesmo. 

Não é construir templos de pedra; é transformar o coração em templo eterno.


Ser espírita não é apenas aceitar a reencarnação; é compreendê-la como manifestação da Justiça Divina e caminho natural para a perfeição.
Não é só comunicar-se com os Espíritos, porque todos indistintamente se comunicam, mesmo sem o saber; é comunicar-se com os bons Espíritos para melhorar e ajudar os outros a melhorarem também.


Ser espírita não é apenas consumir as obras espíritas para obter conhecimento e cultura; é transformar os livros, suas mensagens, em lições vivas para a própria mudança.
Ser sem vivenciar é o mesmo que dizer sem fazer.


Ser espírita não é internar-se no Centro Espírita, fugindo do mundo para não ser tentado; é conviver com todas as situações lá fora, sem se alterar como espírita, como cristão.

O espírita consciente é espírita no templo, em casa, na rua, no trânsito, na fila, ao telefone, sozinho ou no meio da multidão, na alegria e na dor, na saúde e na doença.


Ser espírita não é ser diferente; é ser exactamente igual a todos, porque todos são iguais perante Deus.

Não é mostrar que é bom; é provar a si próprio que se esforça para ser bom, porque ser bom deve ser um estado normal do homem consciente.

Anormal é não ser bom.


Ser espírita não é curar ninguém; é contribuir para que alguém trabalhe a sua própria cura.

Não é tornar o doente um dependente dos supostos poderes dos outros; é ensinar-lhe a confiar nos poderes de Deus e nos seus próprios poderes que estão na sua vontade sincera e perseverante.


Ser espírita não é consolar-se em receber; é confortar-se em dar, porque pelas leis naturais da vida, “é mais bem-aventurado dar do que receber”.

Não é esperar que Deus desça até onde nós estamos; é subir ao encontro de Deus, elevando-se moralmente e esforçando-se para melhorar sempre.


ISTO É SER ESPÍRITA.

(Wanderley Pereira) 

FÉ NAS VITÓRIAS




FÉ NAS VITÓRIAS

"POIS EM VERDADE VOS DIGO, SE TIVÉSSEIS A FÉ DO
TAMANHO DE UM GRÃO DE MOSTARDA, DIRÍEIS A
ESTA MONTANHA: TRANSPORTA-TE DAÍ PARA ALI E
ELA SE TRANSPORTARIA, E NADA VOS SERIA IMPOS-
SÍVEL." E.S.E. CAPÍTULO 19, ÍTEM 1
A pensadora californiana Louise L. Hay define que as crenças são idéias, pensamentos e experiências que se tornam verdade para nós. (Você pode curar sua vida).
As crenças que cultivamos são muito importantes no processo do crescimento espiritual.
Ter a certeza de que vamos alcançar nossas metas Íntimas é tão importante quanto alcançá-las
A Reforma Íntima, assim como qualquer projeto na vida, exige otimismo e fé para alcançar seus objetivos. Só será concretizada através de uma relação de confiança conosco mesmo. É a crença de que somos capazes de livrarmos dos males que nos acompanham nas milenares experiências.
Muitos idealistas orientados pelos roteiros de melhoria espiritual, mas tomados de escassa auto-estima, sucumbem sob o peso dos "monstros da culpa e da vergonha", estabelecendo idéias de inutilidade e desistência através da ampliação dos "montes" dos obstáculos interiores. Supervalorizam suas imperfeições através de excessivo rigor consigo mesmo, instalando um "circuito mental" de inaceitação e desgosto, a um passo do desespero e do desânimo com os nobres ideais de transformação e melhoramento, gerando um clima de derrotismo e menos valia de si mesmo.
De fato, a sensação de frustração acompanhará, por muito tempo, nossos esforços de progresso em razão das opções que fizemos nos sombrios vales da ilusão e da queda. Fortes condicionamentos exprimem-se como traços marcantes da personalidade que contrariam as mais sinceras intenções de aperfeiçoamento. Isso, porém, é o preço justo que temos que pagar perante a vida pelo plantio do bem em nós mesmos.
Valorizemos aquilo que gostaríamos de ser, contudo, valorizemos também o que já conseguimos deixar de ser; aquilo que não nos convinha. Valorizemos a luz que há em nós; é com ela que resgataremos a condição de criaturas em comunhão com as Sábias Leis do Pai.
Costuma-se observar na atualidade uma "neurotização" da proposta de renovação interior. Muita impaciência e severidade têm acompanhado esse desafio, levando ao perfeccionismo por falta de entendimento do que seja realmente a reforma íntima. Quando digo a mim mesmo: "não posso mais falhar" será mais difícil o domínio interior. Precisamos aprender a ser "gente", a ser humano, a exercer o autoperdão, a admitir falhas, ciente de que podemos recomeçar sempre e sempre, quantas vezes forem necessárias, sem que isso signifique, necessariamente, hipocrisia, fraqueza ou conivência com o mal. A proposta espírita é de aperfeiçoamento e não de perfeição imediata ... O objetivo é sermos melhor e não "os melhores" ...
Essa "neurotização da virtude" gera um sistema de vida cheio de hábitos e condutas radicais e superficiais que são fronteiriços com o fanatismo; isso nos desaproxima ainda mais da autêntica mudança e nos faz preocupar mais com o que não devemos fazer, esquecendo de investir esforços e descobrir os caminhos para aquilo que devíamos estar fazendo, aquilo que queremos alcançar e ser.
Por isso a memorização e valorização das pequenas vitórias de cada dia haverão de nos trazer incentivo e discernimento na dilatação da crença da perfeição, a qual todos nos destinamos. Semelhante tarefa exigirá que utilizemos, ilimitadamente, o autoperdão na construção mental da auto-aprovação, porque, se não nos aprovamos nas faltas cometidas, caminhamos para o desamor a nós próprios atraindo o fracasso.
Não devemos fazer de nossos erros a nossa queda.
Recomeço sempre.
"Quando realmente amamos, aceitamos e aprovamos a nós mesmos exatamente como somos, tudo na vida funciona" assevera Louise L. Hay.
Fé pequenina, asseverou o Sábio Nazareno, do tamanho de um grãozinho de mostarda; isso bastará para solidificar nossa confiança no projeto de transformação que, inexoravelmente, vamos conquistar sob a égide dos pequenos êxitos de cada etapa.
Em uma guerra perde-se muitas batalhas, como é natural ocorrer. O que não se pode é desistir de vencê-la; esquivemos, portanto, da vaidade de querer vencer todas as batalhas e assumamos a posição íntima do bom combatente, aquele que sabe respeitar seus limites e jamais desistir de lutar.
Vitória sobre si, esse é o nosso bom combate, conforme destaca o inolvidável Apóstolo de Tarso. (Timóteo, 4:7)
Nunca esqueça que mais importante que a severidade da disciplina com nossas imperfeições é a alegria que devemos cultivar com nossos pequenos triunfos e nossas tenras qualidades. Alegria é fonte de motivação e bem-estar para todos os dias.
Nos momentos de decepção contigo busque o trabalho, a oração e prossiga confiante na tua luta pessoal, acreditando nas tuas pequenas vitórias. Logo mais perceberás, espontaneamente, o valor que elas possuem para tua felicidade e o quanto significam para os que te rodeiam.
Espírito Ermance Dufaux

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

"TRANSTORNO AFETIVO BIPOLAR – Aspectos orgânicos e espirituais”


Iso Jorge Teixeira
isojorge@globo.com

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No dia 04 de junho/2005, proferimos uma palestra na internet, Sala Filosofia Espírita, do Paltalk, a convite e sob a coordenação do confrade RAYMUNDO MOURA, com o tema “TRANSTORNO AFETIVO BIPOLAR – Aspectos orgânicos e espirituais” ... Naquela oportunidade recebemos inúmeras perguntas, e tentaremos reproduzi-las aqui com as nossas respostas. Antes porém, vamos à nossa palestra um pouco modificada, pois não a gravamos...

Vamos tentar expor aqui numa linguagem acessível também aos não-médicos, espíritas, um tema sobre o qual tem havido muita distorção, tanto no meio espírita quanto fora dele – o TRANSTORNO AFETIVO BIPOLAR (TAB)...

VISÃO RÁPIDA DA EVOLUÇÃO DO CONCEITO DE TAB


No século 4 a.C., HIPÓCRATES, o pai da Medicina, descreveu a MELANCOLIA e a MANIA, separadamente... A Melancolia seria, segundo ele, decorrente do excesso de humor negro, de “bílis negra”, distribuída no organismo, daí o estado de espírito pessimista, o humor triste e a lentidão psíquica e motora. E a MANIA em sua acepção literal seria IMPULSO, para ele, uma “loucura alegre, agitada e pitoresca” .
Por volta do final do século 19, o psiquiatra EMIL KRAEPELIN juntou a Melancolia e a Mania num único quadro nosológico, chamado loucura maníaco-depressiva ou PSICOSE MANÍACO-DEPRESSIVA (PMD). Para KRAEPELIN, a PMD seria um quadro cuja evolução caracterizar-se-ia por FASES – ora a fase de exaltação do humor (maníaca), ora a fase de depressão do humor (depressiva) – e entre cada fase haveria o chamado “intervalo lúcido”, isto é, o paciente voltaria à normalidade após cada fase. A duração de cada fase é variável, em média de 4(quatro) meses...
Em meados do século 20, com a descoberta de substâncias antidepressivas e antimaníacas, modificou-se um pouco a terminologia, embora pouco ou quase nada se acrescentou ao conceito.  Não obstante, o conceito de DEPRESSÃO ampliou-se muito, a nosso ver, propiciado pela venda cada vez maior de medicamentos. Optou-se, assim, pelo conceito de “transtorno”, muito mais vago e amplo do que “PSICOSE”, assim o conceito de PMD foi substituído pelo conceito de Transtorno Afetivo Bipolar (TAB), mantendo-se praticamente a mesma descrição clínica, embora outras entidades foram catalogadas como transtornos: a CICLOTIMIA e a DISTIMIA, sobre as quais não entraremos em detalhe pois escapam ao objetivo PRÁTICO desta nossa palestra, especialmente para  espíritas...

CAUSAS DO TAB


            O Transtorno Afetivo Bipolar (TAB) é explicado como tendo causas CONSTITUCIONAIS, GENÉTICAS, BIOQUÍMICAS e PSICOLÓGICAS. Assim, o TAB é mais freqüente no sexo feminino, no biótipo pícnico (pessoas com face arredondada ou em forma de escudo pentagonal, com importante desenvolvimento do tecido adiposo, gorduroso, enfim, pessoas com a conformação corporal “atarracada”). Haveria uma alteração funcional dos níveis de SEROTONINA na terminação nervosa, isto é, na sinapse neuronal haveria pouca serotonina fisiologicamente ativa e isto é confirmado pela ação dos antidepressivos que agem fundamentalmente nos níveis das aminas cerebrais... Do ponto de vista psicológico, FREUD fez um trabalho importante ao distinguir a “Melancolia” do “Luto”, em 1913, isto é, demonstrou que na Depressão há perda importante da auto-estima, levando freqüentemente aos suicídios tentados ou consumados, o que não ocorreria no Luto, isto é, na Tristeza normal.
Já a psicanalista MELANIE KLEIN extrapolou ao conceber que haveria, no bebê, uma posição depressiva, em que o bebê não se distinguiria do seio materno, projetando “fantasias inconscientes” para o seio: ora seio bom, ora seio mau e assim, mercê dessas fantasias paranóides, o Ego do bebê sairia da POSIÇÃO ESQUIZOPARANÓIDE, esvaziando-se, para a POSIÇÃO DEPRESSIVA. Na vida adulta, o individuo “regrediria” a esta fase do desenvolvimento da libido. Já a MANIA seria explicada por M. KLEIN como uma “defesa do Ego contra a depressão”, o que seria verdadeiro na mania REATIVA e não na MANIA do TAB.
            A nosso ver, a interpretação psicanalítica kleiniana tanto da Depressão quanto da Mania seriam artificiosas, pois se já é difícil conceber-se o INCONSCIENTE infantil, como uma dimensão ôntica de um bebê, imagine-se uma “fantasia inconsciente”! Além disso, na Mania não há um “sorrir pra não chorar” – a euforia do maníaco não denota ao observador um disfarce, uma defesa contra a depressão, especialmente, nos casos de evolução sempre com fases maníacas...

TAB e OBSESSÃO

            O Transtorno Afetivo Bipolar (TAB), do ponto de vista espírita, seria um COMPROMISSO REENCARNATÓRIO de reajuste e evolução do Espírito, a nosso ver. Não concordamos com a tese de alguns confrades que dizem ser a Depressão uma OBSESSÃO. A maioria que assim afirma, desconhece o que seja verdadeiramente a DEPRESSÃO, assim o Dr. IZAIAS CLARO, que não é médico, escreveu um livro sobre o assunto ("Depressão – Causas, conseqüências e tratamento", Casa Edit. O Clarim, 6 ed., Matão – SP, Nov. / 99) e disse, dentre outras, a seguinte tolice: “O ressentimento é uma das causas mais freqüentes de depressão” (op. cit. p. 78), ou seja, ele demonstra desconhecer o que seja “ressentimento” e, muito menos, o que seja “depressão” e, menos ainda, o que seja “causa” de Transtorno mental!... Aí está o grande problema dos que não são médicos escreverem sobre assunto médico...

TAB – OS LEITORES E OS INTERNAUTAS PERGUNTAM
E NÓS RESPONDEMOS
           
Vamos , então, aproveitar trechos de um artigo que escrevemos no JORNAL ESPÍRITA, órgão da FEESP, em setembro/2000, Coluna SAÚDE MENTAL, p. 7, respondendo a uma leitora, Sra. ROSE RIBAS que, aliás, estava presente em nossa palestra na Sala FILOSOFIA ESPÍRITA, em 04 de junho/2005 e, a seguir, resumir as principais perguntas dos internautas e as nossas respostas. Aliás, estiveram presentes, em média 25 participantes “on line”...

Assim, recebemos mail , datado  de 22/02/00, que dizia:
          "Dr. Iso, li seu artigo no Jornal Espírita (fev. 00), o qual achei muito instrutivo. Vemos atualmente um número enorme de pessoas com depressão e na casa espírita em que trabalhamos, inúmeros são os pedidos para indicação de leituras e informações sobre depressão. Solicito ao Sr. a indicação de obras referentes ao assunto e de preferência que tratem do problema também pelo lado espiritual. Antecipadamente peço desculpas pela ousadia de importuná-lo. Mas agradeço sua colaboração. Parabéns pelos artigos, necessitamos estudar mais e mais a alma humana para enfrentarmos os problemas do dia a dia, e quiçá auxiliar aqueles que nos procuram, e é com essa qualidade de informações / estudo de seus artigos que nos habilitaremos a viver melhor. Só temos que agradecer e estimular aqueles que o fazem com tanta dedicação. Deus nos ampare sempre. Obrigada. Rose."

Após  resposta preliminar na qual alegávamos que o tema “Depressão” era muito amplo e que não concordávamos com muita coisa escrita sobre o assunto, exemplificamos com o livro "Depressão – Causas, conseqüências e tratamento", de IZAIAS CLARO (op. cit.), escrito de forma inteligente por um advogado do Ministério Público, espírita, mas com equívocos conceituais, a nosso ver; e exemplificamos com uma obra correlata da médium IVONNE AMARAL PEREIRA, intitulada "Memórias de um suicida", FEB, que a rigor não se trata de uma obra sobre depressão.... Pedimos, então, que a leitora complementasse a sua pergunta e que fosse mais específica e fornecesse seus dados pessoais completos para que pudéssemos responder à(s) sua(s) pergunta(s)...  No dia 09/03/00 ela me respondeu:
                 "Sr. Iso, quero desculpar-me de não ter enviado meu nome completo e a cidade de origem.
                 Rose Mari Ribas — Ponta Porã - MS  
                 Moro no MS e trabalho na Sociedade Espírita Nosso Lar, mas freqüentemente tenho ficado 15 dias por mês em São Paulo, onde sou freqüentadora da Federação. O livro da Ivone A . Pereira eu já li e reli, é uma obra para estudo muito importante. Mas concordo plenamente que não é específica sobre depressão. Creio que a informação deva ser simples como: [a seguir a leitora enumera suas perguntas].
                 "Entre tantas perguntas que nos são feitas, (talvez no momento não recorde todas) são essas que costumamos receber no centro espírita, e creio seja de muita importância artigos no jornal que possam instruir a nós espíritas e os que nos procuram. São questionamentos simples para esse mal que tanto tem entristecido os lares.
                 Sr. Iso, agradeço sua atenção pela resposta. Certamente minha ignorância irá lhe incomodar com outros temas sobre a alma humana; mas busco orientação além das obras de Allan Kardec e Chico Xavier, de pessoas como o Sr. que podem através da imprensa levar aos leitores ensinamentos médico / espíritas. Dispenso o Sra., fique à vontade. 
                 Que Deus o ilumine sempre.
                 Rose." 
                 Inicialmente, gostaria de ressaltar que as perguntas dos leitores não constituem "incômodo" algum, esta Coluna se propôs à interatividade com o leitor... Agradecemos as referências elogiosas à Coluna SAÚDE MENTAL, do Jornal Espírita.
                 Prezada Rose, as suas perguntas são atualíssimas, embora a depressão seja uma doença que vem afetando as pessoas milenariamente, basta que se tenha em conta que HIPÓCRATES, o pai da Medicina, descreveu a melancolia, no século IV a .C.. Hoje, com o inegável avanço da Psicofarmacologia, o termo depressão vem sendo utilizado de maneira abusiva e a nomenclatura, atual, muitas vezes, mistura quadros neuróticos, psicóticos, transtornos de personalidade, sob a rubrica única de depressão. Chegou-se, hoje, a tal ponto a banalização do termo, que se diz, popularmente: — Estou na fossa! Ou, mais recentemente: — Ah! Eu estou deprê ! E você também está deprê? (cf. IZAIAS CLARO – op. cit.., p.26)...
Mas, passemos às perguntas da leitora e às respostas:

1-  "Que é depressão?" Resposta: A depressão é uma síndrome (isto é, um conjunto de sintomas e/ou sinais que correm juntos, podendo  ser provocada por várias doenças) que se caracteriza fundamentalmente por três sintomas: tristeza, inibição psicomotora e inibição do fluxo do pensamento.
Em função desses três sintomas, o paciente pode apresentar e, freqüentemente, apresenta idéias de suicídio. Muitas vezes o paciente deprimido não tenta o suicídio, porque sua inibição psicomotora é de tal ordem que não tem nem iniciativa motora para consumar o ato.
O paciente deprimido pode chegar, em função daquela tríade de sintomas, a idéias niilistas (o paciente acredita que nada existe, inclusive que não possui corpo) e ao delírio de eternidade, isto é, que nada existe e aquela situação duraria eternamente; o paciente permanece em extrema ansiedade. Certa vez, examinamos uma paciente, muito inquieta e ansiosa, que dizia apalpando o próprio corpo:  ¾  Dr., eu sou um fantasma? !
Ela apresentava os sintomas que acabamos de descrever, tratava-se da síndrome de COTARD, talvez o quadro mais grave de depressão.
Além disso, o paciente pode desenvolver idéias deliróides de ruína; por exemplo, uma pessoa rica que se sente arruinada financeiramente, sem apoio na realidade; pode desenvolver idéias deliróides de culpa, a pessoa pode se sentir culpada por fatos em que não contribuiu com a mínima parcela; pode desenvolver idéias deliróides hipocondríacas, em que acredita que seu corpo está em putrefação, chegando a dizer que os urubus estão em volta da casa para rapinarem seu corpo.
É preciso salientar que a tristeza do deprimido é diferente da tristeza normal. Quando estamos tristes, o nosso pensamento fica mais lento e a nossa psicomotricidade também. Contudo, não chegamos a perder a nossa auto-estima a ponto de pensarmos em suicídio e executá-lo se não formos impedidos... Em essência, a qualidade da tristeza do deprimido é totalmente diferente da tristeza normal...
2- "Quais os tipos de depressão?" Resposta: Podemos , resumidamente, classificar os tipos de depressão em:
          a)- Depressão no Transtorno afetivo bipolar (antiga psicose maníaco-depressiva), também chamada depressão maior;  b)- Episódio depressivo (único); c)- Transtorno depressivo recorrente- com intervalos de normalidade  entre as fases depressivas; d- Depressão secundária a transtorno orgânico (secundária a sífilis, arteriosclerose cerebral, tumor cerebral, etc.; 5)- Transtornos persistentes do humor: ciclotimia e distimia.
A ciclotimia, a nosso ver, implicaria em uma alteração da personalidade, com depressão leve e crônica. E as distimias  corresponderiam a um transtorno neurótico da personalidade, também depressão leve e crônica.
           Embora a Classificação Internacional das Doenças da Organização Mundial de Saúde (OMS) tenda a abandonar a palavra neurose, creio que ela é útil em termos classificatórios e terapêuticos, como afirmava o nosso mestre da Psiquiatria brasileira NOBRE DE MELO: "é essencial a possibilidade de identificar, tão precocemente quanto possível, o estado depressivo, sua natureza etiopatogênica  e  as  peculiaridades pessoais — orgânicas, socioculturais, ambientais, etc ... — que são de valência variável de um para outro caso." (A . L. NOBRE DE MELO. Análise e tratamento das depressões .In Revista PSIQUIATRIA ATUAL, set./72., p. 52 – 56).

 Quando identificamos que uma pessoa está com depressão?" Resposta: A depressão é, a nosso ver, sempre patológica; por isso, a identificação deve ser feita por um médico psiquiatra. Se surgir uma pessoa na Sociedade Espírita Nosso Lar, suspeita de depressão, caríssima Rose Mari, encaminhe-a para um médico, de preferência um psiquiatra - espírita, pois este deverá ter uma visão mais abrangente da doença.

          A suspeita de depressão deve obedecer àquela tríade de sintomas relatados acima, ao lado de pessimismo intenso, insônia ou hiperssonia, desalento, anedonia (falta de prazer para quase tudo), etc.

Mesmo nas depressões leves é importante estabelecer-se o diagnóstico diferencial...
                
4-  "Quando devemos  buscar ajuda médica para essa pessoa?" Resposta: Sempre deve ser buscada a ajuda médica nos casos suspeitos de depressão. Afinal, além de a depressão ser patológica, há vários casos de depressão que tem de ser diferenciadas, como alertava o prof. NOBRE DE MELO (op. cit.),  e o diagnóstico diferencial é uma atribuição médica.
A leitora poderia contra-argumentar: e se a "depressão" for conseqüente à ação de um obsessor (como é freqüente a idéia no movimento espírita) ? 
Não há dúvida da eventualidade de um obsessor atuar sobre um Espírito e levá-lo a ter idéias pessimistas diante da vida. Entretanto, repetimos, não devemos confundir tristeza com depressão.
Toda depressão inclui tristeza, mas a recíproca não é verdadeira.

  

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5- "E quando o doente diz que não está com depressão?" Resposta: O paciente verdadeiramente deprimido não precisa dizer que assim esteja, pois a sua fisionomia é típica, assim como a sua psicomotricidade lenta e pensamento lentificado. As rugas do paciente se pronunciam e há uma prega sobre os olhos do paciente chamada prega de Veraguth, formando o chamado ômega melancólico.
          Muitos pacientes com a chamada psicose maníaco – depressiva (atual transtorno afetivo bipolar) não possuem perfeita noção do seu estado mórbido e nem buscam tratamento, embora a depressão possa apresentar feitio neurótico; neste caso, o fundamental não é a depressão e sim o conflito neurótico.
          Pacientes esquizofrênicos não se julgam doentes e muitas vezes são confundidos com deprimidos...

          6- "Criança tem depressão?" Resposta: Sua pergunta, caríssima leitora, é bem oportuna. Muitos psiquiatras da infância e adolescência, admitem a depressão infantil e infanto-juvenil. Como disse, inicialmente, há uma banalização do termo depressão. Se a criança fica revoltada ou chateada, diz-se que ela está "deprimida"; se a criança é chorona, diz-se que ela está "deprimida"; se a criança tenta o suicídio, diz-se que está "deprimida"... Há uma infinidade de fatores que levam a criança a ficar revoltada, chateada, chorona e que a levam a tentar o suicídio, assim como o adulto (aliás na 2 ª. parte do livro "O Céu e o Inferno – A Justiça Divina segundo espiritismo", de ALLAN KARDEC são citadas inúmeras causas de suicídios consumados, que não têm nenhuma correlação com a depressão) .
Acreditamos em que a depressão implica em uma alteração fundamental do ser – no – mundo, numa alteração da temporalidade: o deprimido não se projeta no futuro e retroage a sua temporalidade, ficando a ruminar o passado. Ora, uma criança não possui diferenciabilidade psíquica para ter uma postura filosófica, ôntica, diante do mundo, existencialmente falando... Por isso, discordo dos colegas que fazem diagnóstico de depressão na infância.

7- "Como devem os familiares tratar dessa pessoa?" Resposta: A participação dos familiares é importantíssima no entendimento do deprimido. Muitas vezes, os familiares julgam o paciente como uma pessoa preguiçosa, que só gosta de ficar na cama, que não gosta de trabalhar... Ora, durante o período de depressão o paciente está incapacitado para o trabalho, para os estudos, para quase tudo...
Há familiares que afirmam faltar “força de vontade” ao paciente, como se a depressão fosse um vício. Não, a diminuição ou anulação da vontade é uma conseqüência e não causa  da depressão.
O papel dos familiares, fundamental, é de compreensão para uma pessoa que está doente e, como tal, deve ser tratada.
Não há dúvida de que em determinadas depressões neuróticas ou por transtornos da personalidade há um benefício secundário na doença, entretanto, ainda aqui devemos reforçar o ego do paciente, não há fraude nos sintomas, há um ego fragilizado que precisa de reforço.

8- "Quando as crises depressivas acontecem com certa freqüência, mesmo tomando medicamentos, o que está errado?" Resposta: Sem dúvida, há fases depressivas refratárias a determinados medicamentos. No entanto, a maioria das depressões resolvem com o uso de antidepressivos e psicoterapia.
As depressões neuróticas, embora menos graves, são mais difíceis de tratar-se devido a alterações da personalidade e exigem uma psicoterapia mais prolongada.
A leitora pergunta o que estaria errado... Muitas vezes o diagnóstico está mal formulado (por exemplo, confunde-se, às vezes, rigidez afetiva esquizofrênica com tristeza da depressão).
Outra eventualidade a se considerar é a de que a prevenção do transtorno afetivo bipolar (antiga psicose maníaco – depressiva) pode ser feita com medicamentos e nem todos os casos respondem bem e em alguns pacientes pode haver intolerância medicamentosa, com graves efeitos colaterais...
O transtorno afetivo bipolar, por exemplo, tem uma característica evolutiva: as fases são recorrentes, com "intervalos lúcidos"; neste caso, nada está errado, trata-se de que o conhecimento da doença ainda não é completo, no estado atual de nossos conhecimentos. É preciso não sofismar diante desta lacuna no conhecimento da doença, como bem lembrava KARDEC: "Não há revelação que se possa sobrepor à autoridade dos fatos." ( A Gênese- Os milagres e as predições segundo o espiritismo. Cap. IV. Item 8).

9- "Quais os hábitos que devem ser mudados para auxiliar o tratamento" Resposta: O psiquiatra suíço ROLAND KUHN propôs, certa vez, a utilização subsidiária de psicodança para o tratamento da depressão. Mas, como fazer dançar uma pessoa com tristeza profunda, lenta na sua psicomotricidade?!...
Do ponto de vista espiritual podemos utilizar a prece e os passes e fortificar o ego dessas pessoas, mostrando a importância da vida atual e futura e a busca de um sentido para a vida, do ponto de vista analítico-existencial, preconizada por VICTOR E. FRANKL, LUDWIG BINSWANGER e outros.
Obviamente, não é útil para uma pessoa deprimida permanecer deitada a maior parte do dia e toda a noite, no entanto, não podemos forçar o doente a fazer aquilo que ele não tem ânimo para fazer...
      
10- "O tratamento médico e espiritual é demorado?" Resposta: Em alguns casos, em média em 2(dois) meses, conseguimos debelar uma fase depressiva com medicamentos e psicoterapia. No entanto, quando há um transtorno da personalidade depressiva, o que hoje se chama distimia, o tratamento é demorado e pode durar anos, exatamente pelo transtorno da personalidade; assim como nas depressões neuróticas.
Do ponto de vista espiritual devemos abrir perspectivas futuras para o deprimido e, do ponto de vista espírita estrito, repetimos, os passes e as preces são extremamente úteis. É importante ressaltar-se que os pacientes em depressão, são uma prova muitas vezes dolorosa para toda a  família, que tem de ser ultrapassada com resignação.
O tratamento espiritual pode ser demorado, dependendo das condições evolutivas do Espírito do paciente e do resgate que tenha de saldar nessa existência; isto é, do tempo necessário ao seu melhoramento. Enfim, cada caso é individualíssimo...
Vale aqui, também, a lição extraída por FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER / EMMANUEL em torno da substância religiosa de O Céu e o Inferno – A Justiça divina segundo o Espiritismo: "Trazes hoje o cérebro hebetado, dificultando-te as expressões. Mas isso acontece porque, ontem, mergulhavas a própria cabeça em clima de trevas." (op. cit., p. 63. Na Luz da Reencarnação. Reunião pública de 21/04/61 - 1 ª. Parte, Cap. VII, item 17. In Justiça Divina. FEB, 6 ed., 1987).

11- "Na crise depressiva nos parece que o egoísmo é latente, certo ou errado?" Resposta: Caríssima Rose Mari, no caso da distimia ou da neurose, parece-me que a Srta. está certa. Quanto aos casos mais graves de depressão, o egoísmo pode ser de existência pregressa e talvez, por isso, a confreira entreveja um “egoísmo latente”. Certamente, uma pessoa que muitas vezes é levada ao suicídio não é uma pessoa altruísta, embora a doença comprometa o seu livre – arbítrio. Se o Espírito do deprimido resistisse às suas más - inclinações, se fosse resignado, se fosse altruísta, não cometeria o suicídio.

12- "Por que algumas pessoas ficam até sem força física, até para fazer as coisas essenciais, como tomar banho?" Resposta: Bem, até hoje temos muitos conhecimentos adquiridos sobre os determinantes da depressão, no entanto, não sabemos a(s) verdadeira(s) causa(s); se soubéssemos, a pessoa ficaria curada definitivamente... O problema fundamental é exatamente este: uma diminuição do tônus vital. Um autor espanhol, chamado J.J. LÓPEZ - IBOR, até denominava a depressão como "enfermidade do ânimo".
Por que ocorreria essa falta de força física? Segundo alguns autores haveria uma diminuição funcional das monoaminas cerebrais, principalmente a serotonina. Os sentimentos vitais, no sentido emprestado pelo filósofo MAX SCHELER, estariam diminuídos, alterados corporalmente. Por que isso acontece, ainda é uma incógnita...
É exatamente esse tônus vital diminuído o que caracteriza a depressão e a diferencia clinicamente da tristeza normal.
A propósito, disse KARDEC: "as descobertas da Ciência, longe de rebaixarem, glorificam a Deus. Elas somente destroem o que os homens construíram sobre as idéias falsas que hão feito de Deus." (cf. p. 44. ALLAN KARDEC.  A Gênese- os milagres e as predições segundo o espiritismo, Item 55. FEB, 25 ed., 1982).
Atualmente, esses são alguns conhecimentos de que dispomos sobre a depressão, mas, como disse inicialmente, o assunto é bem amplo, estou aberto para novas perguntas... Gostaríamos de finalizar com as seguintes palavras de FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER / EMMANUEL: "O mundo não é apenas a escola, mas também o hospital em que saneamos desequilíbrios recidivantes, nas reencarnações regenerativas, através do sofrimento e do suor, a funcionarem por medicação compulsória." (p. 114. Doenças da alma. Reunião pública de 07/08/61, 1 ª. Parte, Cap. VII, item 7, in JUSTIÇA  DIVINA, op. cit.).
Que a Misericórdia Divina possa amparar essas pessoas para o resgate completo dos seus débitos para retomada de sua escalada evolutiva!...”

Pois bem , nas perguntas do dia 04 de junho/2005, muitas delas estão respondidas, acima, e não as repetiremos, até porque muitos dos confrades que fizeram suas perguntas não as enviaram para mim, como solicitamos, inclusive os nomes deles não estão completos. Vamos, então, responder algumas das referidas perguntas feitas na Sala FILOSOFIA ESPÍRITA...

1- “Segue a questão enviada durante a palestra (Paltalk) - Sala Filosofia Espírita na data de 04/06/05: observada a lei de causa e efeito (a cada um segundo suas obras), tais transtornos podem ter causas em encarnações anteriores?”
ALEXANDRE LUDOVICO.

            Acreditamos que sim, confrade ALEXANDRE, a maioria das doenças são COMPROMISSOS REENCARNATÓRIOS, como dissemos; não obstante, há doenças causadas por nossa incúria, ainda nesta encarnação... Por exemplo, sou tabagista inveterado. É óbvio que terei, como conseqüências, alterações pulmonares e cardiovasculares. Mas, não aceitamos a tese de que levarei meu perispírito danificado para a erraticidade por isto. Não há imoralidade nenhuma no vício, embora este implique em uma vontade impotente, que será “punida”... “Pagarei” sim, aqui na Terra, DEUS é Misericordioso não “pune” duas vezes a mesma falta...

2– “Dr. Iso, muito legal os esclarecimentos. Gostaria de ver em seus artigos, explicações sobre a visão espírita das doenças psiquiátricas. Parkinson, esquizofrenias, síndrome do pânico, e outras. Qualquer destas mais comuns que aparecem no Atendimento Fraterno, e não sabemos diferenciar. Normalmente pouco tem a haver com a obsessão. Em geral temos que indicar o tratamento médico necessário. Que dicas o Sr. teria para os atendentes fraternos fazer nestes casos estranhos para não confundir com obsessão ? Seriam pelas reincidências ? tempo, duração e características específicas das doenças.
Somos leigos, então precisamos de esclarecimentos gerais apenas. Grato,
Abraços
3- “Dr. Iso, porque a dor crônica, gera a depressão ? O problema é químico ?
SÉRGIO TOLOMEI
           
            Oportunamente tentaremos atender seus anseios em relação a artigos sobre outras doenças, confrade TOLOMEI...
Para que o atendente fraterno de um Centro Espírita não confunda com obsessão um TAB, deve fazer um pequeno HISTÓRICO do caso (ANAMNESE) com a família ou o próprio paciente e observar a pessoa - se o humor dela está triste e se a motórica e o pensamento não estão lentificados e o tempo em que a pessoa está apresentando tais sintomas. Em caso de dúvida, encaminhe o paciente para atendimento médico-psiquiuátrico e aplique passes e realize preces, sinceras obviamente...
            Não é a dor que gera depressão, é o contrário. Aliás, recentemente, está sendo diagnosticada uma dor crônica, chamada FIBROMIALGIA, de origem desconhecida, mas freqüentemente associada à Depressão. Possivelmente, esta dor seja decorrente de um problema químico, pela sua persistência e intensidade, certamente não é psicológica, mas até hoje não se conhece a etiopatogenia da FIBROMIALGIA...

4- Gostaria de fazer uma pergunta: os medicamentos psicotrópicos podem  interferir na terapia espiritual?
BAIXINHO

Não há nenhuma relação entre a atuação de um medicamento e a sua INTERFERÊNCIA na  “terapia” espiritual, nem mesmo através de medicamentos HOMEOPÁTICOS. A propósito, disse KARDEC: “(...) Não se pode agir sobre o ser espiritual senão por meios espirituais; a utilidade dos meios materiais, se fosse constatado o efeito acima, talvez fosse de dominar mais facilmente o espírito, de o tornar mais flexível, mais dócil e mais acessível às influências morais; (...)” [“A Homeopatia nas moléstias morais” - REVISTA ESPÍRITA – Jornal de estudos psicológicos, 1867, trad. JÚLIO ABREU FILHO, EDICEL, p. 71].
Vários confrades, sem nenhuma base científica, dizem que determinados psicotrópicos atuariam no perispírito, criando uma barreira para o obsessor... Esta tolice pode ser facilmente contraditada pela frase, acima, de KARDEC. No entanto, a recíproca não é verdadeira, isto é, podemos atuar, sim, através de meios espirituais sobre doenças físicas e a prática demonstra inúmeros casos neste sentido...


5- “Nas minhas várias conferências pela Europa e contactando os naturais, bem como 2 visitas ao Brasil, verifico que a maior parte dos espíritas, são "doentes".O que o dr. Iso pensa dessa minha opinião que é compartilhado tb por médicos.
6- O que o Dr. Iso pensa dos psicólogos? Será que a psicologia é uma ciência? Ou não passam de "contadores de historias" como faziam os padres no tempo de meus pais e meus avós?
7- Saindo um pouco do tema gostaria de saber o que o Dr. Iso pensa acerca da tão falada "Glândula Pineal" colocada por Descartes e que colegas seus, nomeadamente de S. Paulo, se agarram como se fosse algo de extraordinário assim?”
LUÍS DE ALMEIDA – Porto – Portugal

Em primeiro lugar gostaríamos de agradecer ao Dr. LUÍS DE ALMEIDA, eminente Dr. em Astrofísica, pela presença, é uma honra tê-lo aqui. Bem, caríssimo amigo, não compartilho essa opinião, os espíritas não adoecem mais do que quaisquer outras pessoas. Muitas vezes aparecem no conteúdo do pensamento de alguns doentes psiquiátricos a sua crença, nada mais do que isso. Assim, cada um adoece com o que tem. Um delirante, por exemplo, terá o conteúdo do seu delírio alimentado por suas crenças...
A propósito, KARDEC respondeu a esta idéia quando acusaram o Espiritismo de enlouquecer as pessoas, no artigo intitulado ESTATÍSTICA DO ESPIRITISMO (REVISTA ESPÍRITA – Jornal de estudos psicológicos, fevereiro/1869)...

Acredito, sim, que a Psicologia é científica... Quanto aos psicólogos, poderíamos dizer que a maioria deles está contaminada pela Psicanálise e, aí sim, são contadores ou contadoras de estórias. Aliás, a muitas psicólogas deste tipo costumo chamar chistosamente de “pepsicólogas”... O grande problema entre muitos psicólogos é que eles desejam fazer “terapia” e para fazer-se terapia seria  necessário exigir-se conhecimento médico, mas tal não ocorre no Brasil, por exemplo... Há um campo muito vasto de atuação dos psicólogos, mas que a maioria não entra, justamente, pela formação psicanalítica que é dada na maioria das Faculdades brasileiras.
Bem, a “glândula pineal” é um órgão em involução. A nosso ver, não tem nenhuma correlação entre ela e a alma e, muito menos, em relação à mediunidade. A esse respeito já escrevemos dois artigos (na revista UNIVERSO ESPÍRITA e em vários sites da Internet). Agora mesmo, estou concluindo um terceiro artigo que fala nela, que deverá ser (que foi) publicado no Portal PANORAMA ESPÍRITA (cf. nosso artigo publicado recentemente: “Glândula Pineal e “cientificismo” esotérico – espiritual - Curas Espirituais, Indeterminação Quântica e Determinismo científico”).

8- “A depressão vem sempre acompanhada por uma anomalia Bioquímica , ou pode ser só de ordem psicológica ? Ou seja , se for diagnosticada uma depressão o paciente obrigatoriamente terá que tomar medicamento ? Existem outros tratamentos mais leves ?”
QUÂNTICO
            A depressão pode ter causas meramente psicológicas, como já o dissemos, por exemplo, na Depressão Reativa, mas esta não tem nenhuma relação com a Depressão do TAB. Mas, mesmo nesta os medicamentos antidepressivos são úteis, como complemento do tratamento. O tratamento antidepressivo não é “pesado”, obviamente, existem efeitos colaterais das drogas antidepressivas, mas são facilmente manejáveis.

9- Como se encontra o Espírito, onde vai, durante uma anestesia geral?
NINA HERZ.

Bem, a pergunta afasta-se um pouco do nosso tema, mas diremos resumidamente, que na ANESTESIA GERAL, como em todas as condições em que há um rebaixamento do ESTADO-DE-CONSCIÊNCIA, o Espírito se liberta parcialmente da “prisão da carne” e isto fica mais nítido no ÊXTASE – o maior grau de liberdade do Espírito - que aliás foi tema de artigo nosso no jornal O SEMEADOR (órgão da FEESP) e em sites da Internet - , assim como nos casos de sono e sonhos, sonambulismo artificial (hipnose), sonambulismo natural, catalepsia, etc...Enfim, em todos os casos em que há uma alteração do estado-de-consciência o Espírito EMANCIPA-SE; obviamente, essa emancipação não é total, pois esta só ocorre quando desencarnamos.
A propósito, ADOLFO BEZERRA DE MENEZES, encarnado,  em seu excelente livro “A LOUCURA SOB NOVO PRISMA - Estudo Psíquico-fisiológico” cita inúmeros exemplos sobre o assunto, por exemplo, diz ele no item DEMONSTRAÇÃO EXPERIMENTAL DA EXISTÊNCIA DA ALMA:
“As provas diretas da existência, no homem, de um princípio distinto do corpo, podem ser divididas em duas ordens: a das que resultam da dedução, e as que afetam os sentidos.
As primeiras são um meio termo entre as racionais e as verdadeiramente experimentais, e consistem nas manifestações anímicas, por ANESTESIA e por sono magnético.
ANESTESIA e sonambulismo, pois que PRODUZEM IDÊNTICOS EFEITOS, DEVEM OPERAR DO MESMO MODO sobre o organismo; E ASSIM É. (...)” - grifos nossos – (op. cit., FEB, Rio de Janeiro, 2 ed., p. 35).
Portanto, caríssima Sra. NINA, é o corpo o anestesiado e não o espírito. Este vai procurar seus afins quando o corpo está anestesiado...

10- Em 09 de junho/2005 o nosso querido confrade, Webmaster do Portal TERRA ESPIRITUAL, que não pode comparecer à nossa palestra, estimulado por nós, perguntou: “Ontem tive oportunidade de conversar com uma pessoa cuja família possui 2 casos de transtorno bipolar e ela comentava que a psiquiatria não tinha solução para o problema, apenas paliativos, então minha pergunta é: Qual é efetivamente a possibilidade da medicina propiciar a cura para esta problemática e como a Doutrina Espírita pode contribuir para a cura do paciente.Um grande abraço “–  EDILSON BOTTO.
            Bem, caríssimo BOTTO, o TAB pode ser controlado através de antidepressivos e existem medicamentos preventivos das crises, das fases, como é o caso do Carbonato de LÍTIO, por exemplo. Entretanto, o problema do TAB é a RECIDIVA das crises e os medicamentos preventivos não atuam em 100% dos casos, obviamente. A atuação do LÍTIO na prevenção do TAB é muito boa e, a propósito, uma Sra. portuguesa escreveu um acróstico muito interessante sobre o Lítio:
Lítio

Bem e Mal,
Inconstância do meu ser !
Porque não me consigo controlar ?
Onde paira esse saber ?
Lítio, vem me controlar
A ânsia de viver e o desejo de morrer,
Rir e chorar sem motivos pró fazer !

(Poema de Andreia Casimiro - Portugal). Fonte: http://agorafobiadepressao.planetaclix.pt/

            Do ponto de vista espiritual, já o dissemos: PASSES e PRECE...

EPÍLOGO
Queremos agradecer a presença de todos em nossa palestra na Sala Filosofia Espírita, ao confrade RAYMUNDO pelo convite e lamentar os conflitos ocorridos há tempos atrás, que me impediu, ao prof. IMBASSAHY e sua esposa, Dna. CARMEM, de darmos prosseguimento ao estudo que vínhamos fazendo sobre o livro O CÉU E O INFERNO, estudo este muito interessante e original, mas os inimigos do Espiritismo, encarnados e desencarnados, atuam sempre para destruir, especialmente por inveja; e, parece-me, foi o que aconteceu, no PALTALK, na Sala Filosofia Espírita... Mas, deixemos isso para trás, agradeçamos a tranqüilidade com que este estudo se desenrolou.
Queremos agradecer as perguntas que nos foram formuladas, a todos respondidas, assim citaremos os seguintes confrades e confreiras que não me enviaram os seus nomes verdadeiros, mas cuja participação foi importante, cremos nisso: olinc; Vera Cohim; 35cristal; HHARTMAN; ppucci; Jade-ES2; Anuvem; além dos já citados, acima.