Estudando o Espiritismo

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quarta-feira, 17 de abril de 2013

FLOR DE LÓTUS



Planta que floresce sobre a água, a flor de lótus, nativa da Ásia, é considerada sagrada em algumas culturas orientais.
Suas raízes nascem no lodo e seu caule vai se desenvolvendo na lama até alcançar seu tamanho total, quando o botão emerge na superfície da água para desabrochar ao sol.
À noite, as pétalas da flor se fecham e ela mergulha debaixo d’água. Antes de amanhecer, ela volta à superfície, onde se abre novamente.
Suas luminosas pétalas têm a propriedade de autolimpar-se, ou seja, conseguem repelir microorganismos e lodo, não deixando que a água a contamine e, por isso, é capaz de florescer em meio ao pântano.
Em um simbolismo utilizadono Oriente, a água lodosa que acolhe a planta é associada ao apego e aos desejos materiais e a flor que desabrocha sobre a água, em busca de luz, indica promessa de elevação espiritual.
Ela representa a superação da dor e do sofrimento no mundo físico em busca do crescimento espiritual e é considerada símbolo de pureza da alma.
*  *  *
Podemos fazer uma analogia do desabrochar dessa flor com a forma com que nos envolvemos com as questões do mundo que nos cerca.
O objetivo principal da vida terrena é o aperfeiçoamento moral do Espírito. Aqueles que têm essa compreensão buscarão elevar-se sempre, independente das adversidades.
Quando as circunstâncias não nos forem favoráveis, quando as tentações nos cercarem, quando formos frequentemente chamados a testar nosso caráter, busquemos retirar o bom proveito da situação e lembremo-nos de Jesus.
Cristo propôs que vivêssemos no mundo sem ser do mundo.
Foi o exemplo vivo de que podemos passar por situações que nos atormentam os sentimentos e, mesmo assim, não nos deixarmos abater e seguirmos confiantes em nossos propósitos.
Mostrou-nos também que é possível usufruir das coisas do mundo e não nos deixarmos possuir por elas.
A vida social e em família faz parte do processo de evolução. Ninguém consegue a realização espiritual seguindo a sós.
É através dos relacionamentos que trocamos experiências e vamos trabalhando os sentimentos e nos conhecendo melhor a cada dia.
Por vezes, passamos por dificuldades de ordens diversas, mas devemos reconhecer que sem a presença desses testes, perderíamos as motivações que nos impulsionam ao crescimento e à melhora íntima.
*   *   *
A flor de lótus é exemplo de determinação, perseverança e superação, pois surge em meio ao lodo em que vive.
É prova de que nós também podemos buscar o crescimento espiritual e o aprimoramento moral em um meio que não nos seja favorável.
Ela leciona confiança em nós mesmos e crença em nossa própria beleza. Floresce diariamente em busca da luz, mostrando-nos que não importam os obstáculos e nem o quanto as circunstâncias possam parecer contrárias.
Não há nada que a impeça de florescer bela e formidável.
Pensemos nisso!
Redação do Momento Espírita.

Evolução do Princípio Espiritual – Parte II


Evolução do Princípio Espiritual – Parte II (veja antes a parte 1)
Por Breno Costa

Evolução do Princípio Espiritual

Parte II

I – Revisão

Estudamos que o princípio espiritual, ao longo de milhares de milhares de milênios passa pelo reino mineral (onde aprende a agrupar moléculas e átomos), pelo reino vegetal (quando aprende a metabolizar e produzir energia), pelo reino animal, quando anima corpos de animais menos complexos, depois de animais mais complexos, até se tornar um Espírito Humano.

Assim, o princípio espiritual (crisálida de consciência, espírito humano em potencial) que anima hoje um cachorro, já animou anteriormente seres mais inferiores na criação e, com o passar de milênios, animará seres mais complexos e desenvolvidos, até que chegar no estágio de poder tornar-se humano.

Este caminho perdura por milhões e milhões de anos, tanto que, como visto, no Livro dos Espíritos, há afirmação de que a distância entre a alma dos animais e a dos humanos é tão grande quanto dos humanos e de Deus.

Por fim, analisamos que ao longo deste enorme caminho, o princípio espiritual, ainda apenas uma crisálida de consciência, por meio da repetição, desenvolve os reflexos, para depois desenvolver os instintos, para, finalmente, desenvolver os sentimentos e a racionalidade.

 II – Evolução do Princípio Espiritual – Parte II

É necessário estudarmos agora a evolução do Espírito já como ser humano, entendendo algumas características próprias de nosso estágio atual.

Vamos iniciar analisando esta passagem do livro “Evolução em Dois Mundos”, p. 45/46:

“Atividades reflexas do Inconsciente – Sabemos que, propondo-nos aprender a ler e escrever, antes de tudo nos consagramos à empresa difícil de assimilação do alfabeto e da escrita, consumindo energia cerebral e coordenando o movimento dos olhos, dos lábios e das mãos, em múltiplas fases de atenção e trabalho, de maneira a superar nossas próprias inibições, para, depois, conseguirmos ler e escrever, mecanicamente, sem qualquer esforço, a não ser aquele que se refere à absorção, comunicação ou materialização do pensamento lido ou escrito, porquanto a leitura e a grafia ter-se-ão tornado automáticas na esfera de nossa atividade mental.

Nessa base de incessante repetição dos atos indispensáveis ao seu próprio desenvolvimento, vestindo-se da matéria densa no plano físico e desnudando-se dela no fenômeno da morte, para revestir-se de matéria sutil no plano extrafísico e renascer de novo na crosta da Terra em inumeráveis estações de aprendizado, é que o princípio espiritual incorporou todos os cabedais da inteligência que lhe brilhariam no cérebro do futuro, pelas chamadas atividades reflexas do inconsciente.”

Ou seja, através de milhões de reencarnações, o princípio espiritual aprendeu diversas faculdades a serem exercidas mecanicamente, por automatismo, como respirar, por exemplo.

E ressalta (fl. 49):

“O veículo do espírito, além do sepulcro, no plano extrafísico ou quando reconstituído no berço, é a soma de experiências infinitamente repetidas, avançando vagarosamente da obscuridade para a luz.

(…)

Todos os órgãos do corpo espiritual e, consequentemente, do corpo físico foram, portanto, construídos com lentidão, atendendo-se à necessidade do campo mental em seu condicionamento e exteriorização no meio terrestre.”

Assim, ao longo dos milênios, a mente se desenvolve, e com isso, também o campo mental e este vai estruturando o corpo espiritual/físico, incluindo o desenvolvimento dos órgãos.

E, após toda essa lenta caminhada de formação do corpo espiritual humano, quando o princípio espiritual deixa de ser uma crisálida de consciência e torna-se um Espírito Humano, inicia-se uma nova fase, com lenta progressão do Espírito para o total despertar da consciência, incluindo o aprendizado da linguagem (p. 93):

“É assim que, atingindo os alicerces da Humanidade, o corpo espiritual do homem infraprimitivo demora-se longo tempo em regiões espaciais próprias, sob a assistência dos instrutores do Espírito, recebendo intervenções sutis nos petrechos da fonação para que a palavra articulada pudesse assinalar novo ciclo de progresso”.

Vemos então que o espírito, ainda antes do chamado Homem Primitivo, necessita estagiar por longo tempo em dimensões vibratórias próprias desenvolvendo aspectos do corpo espiritual para finalmente tornar-se uma Alma realmente Humana, ainda que primitiva (no primeiro degrau da Humanidade).

Aqui está a explicação do chamado Elo Perdido entre o desenvolvimento dos animais complexos e o surgimento da raça humana. Esta fase final de transição não é realizada nesta dimensão vibratória e sim na faixa vibratória que denominamos “Mundo Espiritual”.

E, com a fala, o Espírito Humano desenvolve o principal atributo que o diferencia dos animais: “fluxo contínuo de pensamento”.

Vejamos a explicação (p. 95/96):

“Pela compreensão progressiva entre as criaturas, por intermédio da palavra que assegura o pronto intercâmbio, fundamenta-se no cérebro o pensamento contínuo e, por semelhante maravilha da alma, as ‘ideias-relâmpagos’ ou as ‘ideias-fragmentos’ da crisálida de consciência, no reino animal, se transformam em conceitos e inquirições, traduzindo desejos e ideias de alentada substância íntima.

(…)

O continuísmo da ideia consciente acende a luz da memória sobre o pedestal do automatismo”.

Com o pensamento contínuo nasce a responsabilidade de cada ser pelo desenvolvimento de sua mente, evoluindo moral e intelectualmente.

Apesar de normalmente apenas citar trechos dos livros de André Luiz, neste caso, para não perdemos a essência da mensagem, que explica a evolução do Espírito Humano nos primeiros degraus do desenvolvimento, com o despertar da consciência, vamos à explicação completa (p. 96/98, Evolução em Dois Mundos):

 “O homem que lascava a pedra e que se escondia na furna, escravizando os elementos com a violência da fera e matando indiscriminadamente para viver, instado pelos instrutores amigos que lhe amparam a senda, passou a indagar sobre a causa das coisas…

Constrangido a aceitar os princípios de renovação e progresso, refugia-se no amor-egoísmo, na intimidade da prole, que lhe entretém o campo íntimo, ajudando-o a pensar.

Observa-se tocado por estranha metamorfose.

Vê, instintivamente, que não mais se poderia guiar pela excitabilidade dos seus tecidos orgânicos ou pelos apetites furiosos herdados dos animais.

Desligado lentamente dos laços mais fortes que o prendiam às inteligências divinas, a lhe tutelarem o desenvolvimento para que se lhe afirmem as diretrizes próprias, sente-se sozinho, esmagado pela grandeza do Universo.

A ideia moral da vida começa a ocupar-lhe o crânio.

O Sol propicia-lhe a concepção de um Criador, oculto no seio invisível na Natureza, e a noite povoa-lhe a alma de visões nebulosas e pesadelos imaginários, dando-lhe a ideia de combate incessante em que a treva e a luz se digladiam.

Abraça os filhinhos com enternecimento feroz, buscando a solidariedade possível dos semelhantes na selva que o desafia.

Mentaliza a constituição da família e padece na defesa do lar.

Os “porquês” a lhe nascerem fragmentários, no íntimo, insuflam-lhe aflição e temor.

Percebe que não mais pode obedecer cegamente aos impulsos da Natureza, ao modo dos animais que lhe comungam a paisagem, mas sim que lhe cabe agora o dever de superar-lhes os mecanismos, como quem vê no mundo em que vive a própria moradia, cuja ordem lhe requisita apoio e cooperação.

A ideia de Deus iniciando a Religião, a indagação prenunciando a Filosofia, a experimentação anunciando a Ciência, o instinto de solidariedade prefigurando o amor puro, e a sede de conforto e beleza inspirando o nascimento das indústrias e das artes eram pensamentos nebulosos torturando-lhe a cabeça e inflamando-lhe o sentimento.

Nesse concerto de forças, a morte passou a impor-lhe angustiosas perquirições e, enterrando seus entes amados em sepulcro de pedras, o homem rude, a iniciar-se na evolução da natureza moral, perdido na desértica vastidão do paleolítico, aprendeu a chorar, amando e perguntando para ajustar-se às Leis Divinas a se lhe esculpirem na face imortal e invisível da própria consciência.

Foi, então, que, reconhecendo-se ínfimo e frágil diante da vida, compreendeu que, perante Deus, seu Criador e seu Pai, estava entregue a si mesmo.

O princípio da responsabilidade havia nascido”.

A responsabilidade é fruto do raciocínio livre, ou seja, do livre arbítrio segundo o qual cada homem possui em suas mãos o seu próprio destino.

Analisando todo este caminho explicado por André Luiz para o desenvolvimento da consciência e o despertar da responsabilidade de cada um, o que podemos concluir também pelo livre arbítrio, podemos aferir o nosso estágio atual.

Como visto semana passada, a ciência, estudando nossa mente, verifica como ainda somos parcialmente automatizados, escravos de nossos hábitos desta vidas e de vidas passadas.

Sem vigília da mente, vivemos seguindo a programação de nosso inconsciente/subconsciente, apenas interpretando o que ele decide e em razão de uma programação advindas de hábitos adotados ao longo de vidas anteriores e mesmo da atual.

André Luiz, no livro “No Mundo Maior” estuda o funcionamento do cérebro e verifica que ele é dividido em três partes, tanto no corpo físico, quanto espiritual (fl. 44, 20ª edição):

“(…) Descobri, surpreso, que toda a província cerebral, pelos sinais luminosos, se dividia em três regiões distintas. Nos lobos frontais, as zonas de associação eram quase brilhantes. Do córtex motor, até a extremidade da medula espinhal, a claridade diminuía, para tornar-se ainda mais fraca nos gânglios basais”.

E recebeu explicações sobre o funcionamento do cérebro (p. 47):

“Não podemos dizer que possuímos três cérebros simultaneamente. Temos apenas um que, porém, se divide em três regiões distintas. Tomemo-lo como se fora um castelo de três andares: no primeiro situamos a ‘residência de nossos impulsos automáticos’, simbolizando o sumário vivo dos serviços realizados; no segundo localizamos o ‘domicílio das conquistas atuais’, onde se erguem e se consolidam as qualidades nobres que estamos edificando; no terceiro, temos a ‘casa das noções superiores’, indicando as eminências que nos cumpre atingir. Num deles moram o hábito e o automatismo; no outro residem o esforço e a vontade; e no último demoram o ideal e a meta superior a ser alcançada. Distribuímos, deste modo, nos três andares, o subconsciente, o consciente e o superconsciente. Como vemos, possuímos, em nós mesmos, o passado, o presente e o futuro”.

E esta explicação casa perfeitamente com a descoberta científica de que o subconsciente decide antes do consciente em razão da autoprogramação das experiências vividas e genética.

Mas, traz a informação de que no lobo frontal, reside a meta que buscamos, cabendo a cada um de nós utilizarmos o consciente (esforço e vontade) para atingirmos a meta e não para aceitar as imposições dos hábitos inferiores e o automatismo do passado.

Estamos, assim, realmente despertando nossa consciência nessa fase da humanidade. Ou seja, na atual fase, estamos aprendendo a deixar os hábitos moldados pelos instintos inferiores e pelo automatismo ainda da fase animal e muitos da primeiras encarnações da fase hominal.

Ora, se verificarmos a história de nossa Humanidade, lembrando que são necessários milhões de milênios para o desenvolvimento do Espírito Humano, constataremos:

- Império romano: 2 mil anos.

- Brasil: 500 anos.

- Fim da escravidão: menos de 200 anos.

- Espiritismo: menos de 200 anos.

Percebamos como a Humanidade ainda é nova, como ainda estamos no “despertar da consciência”.

O estudo sério sobre a existência de outras dimensões surgiu apenas em 1850 com Allan Kardec e ainda assim a grande maioria da humanidade não o conhece ou não acredita e apenas 2% dos brasileiros são espíritas.

A ciência convencional ainda não comprovou questões simples, como emissão de vibrações pela mente, existência de algo além do corpo físico desta dimensão, como desconhece como os corpos orgânicos absorvem vitalidade e passam a ter vida…

Depois de milhões e milhões de milênios, passando pelas fases de desenvolvimento do princípio espiritual, condicionando reflexos e instintos, estamos a há pouco tempo na fase da consciência, sendo natural o predomínio dos instintos e a persistência ainda de alguns hábitos automatizados.

A consciência e a responsabilidade estão despertando nesta fase em que nós nos encontramos.

É necessário entender que 200 anos ou 500 anos é muito pouco tempo, não é mais do que um segundo na eternidade.

Ao projetarmos nossa mente para ideias de futuro eterno, daqui a 100 mil anos, quando estudarem a história da humanidade o nosso estágio atual será próximo, senão considerado em conjunto, com o estágio da idade média, escravidão, descobrimento do Brasil.

Isso não é para desanimar, mas sim para entender como ainda precisamos nos esforçar para desenvolver nossa consciência, alcançando uma real libertação dos instintos animais que foram condicionados ao longo de milhões de anos.

Lembremos o que foi dito por André Luiz no final do livro “Agenda Cristã”:

“Que a felicidade eterna é realização superior, fora dos quadros transitórios da carne, é incontestável; contudo, se você deseja perseverar no campo dos prazeres fáceis e inferiores das esferas mais baixas, dentro delas perambulará, indefinidamente.”

Atualmente, com o livre arbítrio e o pensamento contínuo já possuímos as ferramentas necessárias para desenvolver nossa consciência e eliminar os instintos inferiores, animalizados. Basta vontade e perseverança para mudarmos hábitos, reprogramando nossa mente.

III – Exercícios Mentais e Práticas Edificantes

Estes exercícios mentais e práticas edificantes visam despertar nossa atenção para a necessidade de alterar nossos hábitos, ajudando em uma efetiva reforma íntima.

Até agora, os exercícios mentais e as práticas edificantes que sugerimos para todos fazermos durante a semana são:

1 – Afastar todo e qualquer pensamento não edificante durante o dia a dia;

1.1           – Evitar “perder a razão” (estado de cólera, raiva);

1.2           – Indignar-se com serenidade e razoabilidade.

1.3           – Exercitar a indulgência (capacidade de compreender e não divulgar defeitos alheios).

1.4           – Não se queixar da vida, evitar reclamações diárias e negativismos/evitar pessimismo.

1.5           – Não criticar o próximo, não julgar.

1.6           – Não se ofender (compreender o outrem).

2        – Sempre que passar por alguém emitir bons pensamentos (principalmente para pessoas claramente necessitadas);

2.1           – Fazer pequenas gentilezas a quem está próximo.

2.2           – Participar de algum programa de caridade.

2.3           – Cultivar o otimismo sempre.

2.4           – Cultivar a tolerância com as diferenças e erros alheios.

3        – meditar cinco minutos por dia, ao menos três vezes na semana, preferencialmente antes de orar e preferencialmente antes de dormir.

4        – Leitura diária de mensagens curtas e edificantes, de preferência quando acordar e antes de dormir, de preferência antes de meditar/orar.

5        – Fazer Evangelho no Lar uma vez na semana.

6        – Perseverar.

7        – Estabelecer um hábito angular (hábito novo em sua vida, como deixar de ingerir alcoólicos, iniciar prática de exercícios, largar o cigarro, etc) e exercitar ao máximo o autocontrole dos atos cotidianos.

8        – Ser discreto (adotar a discrição sobre nossas vidas particulares).

9        – analisar criticamente os estímulos recebidos, seja de nosso inconsciente, seja de espíritos.

Vamos reforçar nosso compromisso de reforma íntima, observando as advertências desta maravilhosa mensagem de André Luiz, livro “Agenda Cristã”:

É Razoável Pensar Nisto

A paciência não é um vitral gracioso para as suas horas de lazer. É amparo destinado aos obstáculos.

*

A serenidade não é jardim para os seus dias dourados. É suprimento de paz para as decepções de seu caminho.

*

A calma não é harmonioso violino para as suas conversações agradáveis. É valor substancial para os seus entendimentos difíceis.

*

A tolerância não é saboroso vinho para os seus minutos de  camaradagem. É porta valiosa para que você demonstre boa vontade, ante os companheiros menos evolvidos.

*

A boa cooperação não é processo fácil de receber concurso alheio. É o meio de você ajudar ao companheiro que necessita.

*

A confiança não é um néctar para as suas noites de prata. É refúgio certo para as ocasiões de tormenta.

*

O otimismo não constitui poltrona preguiçosa para os seus crepúsculos de anil. É manancial de forças para os seus dias de luta.

*

A resistência não é adorno verbalista. É sustento de sua fé.

*

A esperança não é genuflexório de simples contemplação. É energia para as realizações elevadas que competem ao seu espírito.

*

Virtude não é flor ornamental. É fruto abençoado do esforço próprio que você deve usar e engrandecer no momento oportuno.

Fonte:

http://avidanomundoespiritual.com.br/evolucao-do-principio-espiritual-parte-ii/

Evolução do Princípio Espiritual – Dificuldades da Reforma Íntima - Parte 1


Evolução do Princípio Espiritual – Dificuldades da Reforma Íntima
Por Breno Costa

Evolução do Princípio Espiritual

Dificuldades da Reforma Íntima

I – Revisão

Estudamos que a trindade universal é composta por Deus, Espírito e Matéria.



Vimos que somos Espíritos, seres criados por Deus, simples e ignorantes, vale dizer: sem nenhuma ciência nem do bem nem do mal.



Analisamos que o Espírito em si, não possui forma, utilizando-se da matéria para desenvolver o corpo por meio do qual se manifesta (corpo mental, corpo espiritual e corpo físico).



II – Evolução do Princípio Espiritual

Conforme ensinam os Espíritos no Livro dos Espíritos, fomos criados simples e ignorantes, não existindo nem mesmo classes diferentes criadas para fins específicos (por exemplo, anjos já nascidos assim, demônios criados apenas para atormentar os humanos, etc).



Mas, o espírito, quando criado, já é o homem? E os animais? Eles possuem espírito? O cachorro será sempre cachorro? Ou o cachorro experimentará evolução e será um dia um homem?



Trata-se de tema que costuma gerar algumas controvérsias no movimento espírita. Porém, esta controvérsia, normalmente, surge em razão de falta de estudo sobre o tema.



Isso porque a questão é clara na Doutrina, não havendo margens para dúvidas e sim explicações de como ocorre a evolução do princípio espiritual.



Para iniciarmos os estudos, vejamos algumas questões do Livro dos Espíritos.



597 – Visto que os animais têm uma inteligência que lhes dá uma certa liberdade de ação, há neles um princípio independente da matéria?

Sim, e que sobrevive ao corpo.



Esse princípio é uma alma semelhante à do homem?

É também uma alma, se quiserdes; isso depende do sentido que se dá a essa palavra; ela, porém, é inferior à do homem. Há entre a alma dos animais e a do homem tanta distância quanto entre a alma do homem e Deus.



607 – Foi dito que a alma do homem, em sua origem, está no estado da infância na vida corporal, que sua inteligência apenas desabrocha e ensaia para a vida (questão 190); onde o Espírito cumpre essa primeira fase?

Numa série de existências que precedem o período a que chamais humanidade.



Pergunta: A Alma pareceria, assim, ter sido o princípio inteligente dos seres inferiores da criação?

“Não dissemos que tudo se encadeia na Natureza e tende à unidade? É nesses seres, que estais longe de conhecer totalmente, que o princípio inteligente se elabora, se individualiza pouco a pouco e ensaia para a vida, como dissemos.

É, de alguma sorte, um trabalho preparatório, como o da germinação, em seguida ao qual o princípio inteligente sofre uma transformação e se torna Espírito.

É, então, que começa para ele o período da humanidade, e, com este, a consciência de seu futuro, a distinção do bem e do mal e a responsabilidade dos seus atos; como depois do período da infância vem o da adolescência, depois o da juventude e, enfim, a idade madura.

Não há, de resto, nessa origem, nada que deva humilhar o homem. (…)

Crer que Deus teria podido fazer alguma coisa sem objetivo e criado seres inteligentes sem futuro, seria blasfemar contra a sua bondade, que se estende sobre todas as suas criaturas.”



Das respostas dadas pelos Espíritos podemos ver claramente que existe um período que antecede ao de humanidade, onde o princípio espiritual se desenvolve e individualiza, até que esteja apto a torna-se da espécie humana.



Daí, temos que o princípio espiritual (crisálida de consciência, espírito em potencial) que anima hoje um cachorro, já animou anteriormente seres mais inferiores na criação e, com o passar de milênios, animará seres mais complexos e desenvolvidos, até que chegar no estágio de poder tornar-se humano.



Importante explicar que a espécie cachorro será sempre a de cachorro; o que evolui é o princípio espiritual que anima a espécie. Porém, o corpo físico do cão daqui mil anos ainda terá a mesma conformação atual do cachorro. Ao passo que o ser humano, em razão da aptidão de possuir pensamento continuado, terá evoluído, ou seja, na humanidade evolui o espírito que anima os corpos e a própria espécie, que se aprimora com a projeção da mente que o governa.

Vejamos alguns ensinamentos de André Luiz sobre o tema (Evolução em Dois Mundos, p. 47/48, 25ª Edição):



“Se, no círculo humano, a inteligência é seguida pela razão e a razão pela responsabilidade, nas linhas da civilização, sob os signos da cultura, observamos que, na retaguarda do transformismo, o reflexo precede o instinto, tanto quanto o instinto precede a atividade refletida, que é a base da inteligência nos depósitos do conhecimento adquirido por recapitulação e transmissão incessante, nos milhares de milênios em que o princípio espiritual atravessa lentamente os círculos elementares da Natureza, qual vaso vivo, de forma em forma, até configurar-se no indivíduo humano, em trânsito para a maturação sublimada no campo angélico.

Desse modo, em qualquer estudo acerca do corpo espiritual, não podemos esquecer a função preponderante do automatismo e da herança na formação da individualidade responsável, para compreendermos a inexequibilidade de qualquer separação entre a Fisiologia e a Psicologia, porquanto ao longo da atração no mineral, da sensação no vegetal e do instinto no animal, vemos a crisálida de consciência construindo as suas faculdades de organização, sensibilidade e inteligência, transformando, gradativamente, toda a atividade nervosa em vida psíquica”.



É assim que compreendemos que o princípio espiritual inicia sua milenar jornada para chegar à condição de humano.



Inicialmente, na fase mineral, aprende a agrupar moléculas e átomos.



Após milênios, iniciando-se na fase vegetal, “repete as operações da fotossíntese ou assimilação clorofiliana no império verde, pelo qual consome energia luminosa e elabora matérias orgânicas” (p. 75, Evolução em Dois Mundos, edição 25ª).



“Em semelhantes atividades, infinitamente repetidas, habilita-se ao ingresso no reino animal, onde, em estágios evolutivos mais nobres, se matriculará na técnica da elaboração automática dos catalisadores químicos, com a faculdade de transubstanciar matérias orgânicas complexas em recursos assimiláveis”.

“Milênios transcorrem para que então consiga adestrar-se nas diástases diversas (enzima encontrada em sementes em germinação e em certas secreções e tecidos animais; essa enzima atua principalmente sobre os carboidratos), como sejam as proteases e as zimases (conjunto de enzimas que catalizam a transformação da glicose e da frutose em álcool (fermentação)), entre os fermentos hidrolisantes (Hidrolisante é uma reação química de quebra de uma molécula grande (por ex: os lipídios, que são moléculas grandes) por água )e decomponentes”.

“A crisálida da consciência inicia-se, dessa forma, na fabricação de prótides, glúcides, lípides e outros meios de nutrição, aprendendo igualmente a emitir hormônios de crescimento e vitaminas diversas no ciclo das plantas” (p. 76, Evolução em Dois Mundos, edição 25ª).



“No corpo dos animais superiores, obra prima de supervisão e construção dos arquitetos do Espírito no transcurso dos séculos, a consciência fragmentária acrisola (depura), então, os sentidos”. (p. 87, Evolução em Dois Mundos, edição 25ª)



Vemos, portanto, que o princípio espiritual estagia nos três reinos até, após milhares de milênios, chegar à Humanidade. Ao longo destes milênios o princípio espiritual se individualiza e a consciência que vai surgindo aprende diversos reflexos que dão origens aos instintos animais, que, na Humanidade, será secundado pela racionalidade até atingir a perfeição relativa.



Semana que vem terminaremos de estudar esta evolução, incluindo a evolução na Humanidade.



III – Exercícios Mentais e Práticas Edificantes

Estes exercícios mentais e práticas edificantes visam despertar nossa atenção para a necessidade de alterar nossos hábitos, ajudando em uma efetiva reforma íntima.



Até agora, os exercícios mentais e as práticas edificantes que sugerimos para todos fazermos durante a semana são:



1 – Afastar todo e qualquer pensamento não edificante durante o dia a dia;

1.1           – Evitar “perder a razão” (estado de cólera, raiva);

1.2           – Indignar-se com serenidade e razoabilidade.

1.3           – Exercitar a indulgência (capacidade de compreender e não divulgar defeitos alheios).

1.4           – Não se queixar da vida, evitar reclamações diárias e negativismos/evitar pessimismo.

1.5           – Não criticar o próximo, não julgar.

1.6           – Não se ofender (compreender o outrem).



2        – Sempre que passar por alguém emitir bons pensamentos (principalmente para pessoas claramente necessitadas);

2.1           – Fazer pequenas gentilezas a quem está próximo.

2.2           – Participar de algum programa de caridade.

2.3           – Cultivar o otimismo sempre.

2.4           – Cultivar a tolerância com as diferenças e erros alheios.



3        – meditar cinco minutos por dia, ao menos três vezes na semana, preferencialmente antes de orar e preferencialmente antes de dormir.



4        – Leitura diária de mensagens curtas e edificantes, de preferência quando acordar e antes de dormir, de preferência antes de meditar/orar.



5        – Fazer Evangelho no Lar uma vez na semana.



6        – Perseverar.



7        – Estabelecer um hábito angular (hábito novo em sua vida, como deixar de ingerir alcoólicos, iniciar prática de exercícios, largar o cigarro, etc) e exercitar ao máximo o autocontrole dos atos cotidianos.



8        – Ser discreto (adotar a discrição sobre nossas vidas particulares).



Reprogramação de nosso inconsciente – Análise crítica dos estímulos recebidos



A revista “Galileu” deste mês trouxe significativa pesquisa sobre nossa mente. Ela ajuda compreender a dificuldade que possuímos para fazer a reforma íntima.



A capa da revista é “Você não decide; cientistas dizem que livre-arbítrio não existe, uma parte do cérebro fora do seu controle é quem escolhe por você”.



Trata-se de um estudo científico sobre o funcionamento de nosso cérebro.



O mapeamento do cérebro demonstrou que as decisões são tomadas inicialmente pelo inconsciente para depois vir para o consciente. Este intervalo pode durar até 7 (sete) segundos.



Com isso, a decisão é tomada de forma automática pelo seu inconsciente e você passa a interpretar esta decisão, justificando-a como algo que tem que fazer.



Veja, você não escolhe conscientemente, você interpreta o que já foi decidido pelo seu inconsciente.



E o que alimenta este inconsciente?



Os cientistas que fizeram esta pesquisa explicaram que o “cérebro possui uma programação que mistura herança genética e experiências vividas”.



“Quando você nasce, seu cérebro (como um hardware) vem com uma programação genética que foi assimilada por gerações anteriores. Instintos e reações, como sobrevivência ou medo, estão instalados ali, de fábrica. Conforme você se desenvolve, aprende a copiar o comportamento de pessoas próximas, como seus pais, ou passa a assimilar as melhores formas de fazer as coisas na base da tentativa e erro”.



Ora, vamos trazer estas informações para nossos estudos, para o Espiritismo.



O que acabamos de estudar sobre desenvolvimento do princípio espiritual? O princípio espiritual passa por milhares de milênios aprendendo por meio da repetição, automatismo, reflexos, dando origem ao instinto.

Depois, milhares de milênios são necessários para que o princípio espiritual adquira pensamento continuado, torna-se Humano e, aos poucos, deixe os instintos para utilizar a racionalidade.



Como sabemos, a nossa luta é para fazer a reforma íntima, largando a animalidade inferior, ou seja, os instintos, fazendo com que a consciência/razão se desenvolva.



Assim, no nosso atual estágio, é natural recebermos o comando do inconsciente relacionado aos nossos hábitos condicionados ao longo das reencarnações passadas.



Lembremos que ao estudar a reencarnação, vimos que o espírito, por meio do seu campo mental, seleciona os cromossomos dos pais para dar formação ao corpo físico, incluindo os genes responsáveis pela memória e características próprias.



Nesse sentido, o cérebro é criado e desenvolvido com os vícios e virtudes de existências passadas.



Essas nossas experiências (grau de evolução) são que alimentam diariamente nosso inconsciente, que, conforme descoberto pelos cientistas, decide o que vamos fazer automaticamente (automatismo, citado por André Luiz no livro “Evolução em Dois Mundos”).



Quer dizer que devemos parar de pensar? “Afinal, tenho a ilusão de estar decidindo, quando já foi decidido pelo inconsciente… estando fora do meu controle”?



Não, justamente o contrário!



Apenas explica a dificuldade da reforma íntima e, sabendo disso, fortalece nosso esforço para vigiar nossa mente.



Como sabemos, junto com tudo isso, temos ainda a influência dos espíritos. Ou seja, seu inconsciente, influenciado pelos espíritos, determina um ato que o consciente vai interpretar e tentar justificar para praticar!



O conhecimento deste fato é importante para:



1º – Manter o padrão vibratório alto para evitar receber influência de espíritos inferiores.



2º – Lembrar do que nós decidimos fazer no dia a dia, como pessoas (por exemplo, largar um vício), ao analisar as sugestões vindas do seu cérebro/inconsciente e não justificá-las simplesmente, praticando o ato sugerido.



Para facilitar a compreensão: imaginemos uma pessoa em regime. Ela decidiu que a partir de tal dia não come mais doce. Porém, ela possui o hábito de comer doces. Assim, seu inconsciente vai determinar o consumo antes mesmo que ela perceba e o que ocorre normalmente é ela justificar esta decisão do seu inconsciente. Quando, na verdade, deveria receber o estímulo, pensar a respeito e resistir.



E isso ocorre com todos os vícios. Alguém resolver parar de beber cerveja. Em razão de seus hábitos e influência de espíritos inferiores, seu inconsciente requererá que consuma. Veja, seu hábito vai decidir por beber (leia-se o inconsciente). Deve-se não justificar a sugestão e sim ir contra, porque, na realidade não é o que você quer, trata-se de um estímulo em razão do hábito que programou seu inconsciente.



Essa programação pode se referir a vidas, séculos, milênios, por isso é tão difícil.



Aqui, entra o que estudamos sobre o hábito angular outros dias.



Como visto, em outro estudo científico, foi descoberto que as pessoas que conseguiram realizar grandes mudanças em suas vidas, iniciaram com a mudança de um hábito que alavancou os demais, denominando este hábito de angular.



Para este outro estudo, a partir do momento em que a pessoa decidia adotar determinada conduta diferente em sua vida, acionava a mente para que estivesse alerta, o que facilitava outras mudanças, evitando o efeito “automático”, ou seja, agir sem realmente pensar a respeito, apenas aceitando o estímulo.



Estes dois estudos ajudam no entendimento da complexidade da reforma íntima. Explica porque é tão difícil alterar nossos hábitos, tornando-nos pessoas melhores.



Vamos juntar os dois estudos?



Primeiro estudo (Hábito Angular): afirma que 50% de nossas decisões diárias não são pensadas, são realizadas automaticamente.



Segundo estudo (Inconsciente decidindo antes do consciente): as outras 50% de nossas decisões são na verdade o consciente aceitando uma decisão já tomada pelo inconsciente, apenas interpretando e procurando justificar esta decisão.



Junto com tudo isso: a influência dos Espíritos…



De nada adianta ir ao centro espírita, assistir uma palestra sobre reforma íntima, mas não entender como ela funciona dentro de nossa mente e qual é o caminho para tentar melhorar.



Agora sabemos que o hábito determina uma programação em nossa mente e que nosso inconsciente, respeitando esta programação, decide antes do consciente, sendo que este (o consciente), na maioria das vezes, tenta apenas justificar a decisão já tomada.



Por isso é importante analisar cada sugestão que nossa mente consciente recebe.



Lembremos a questão 459 do Livro do Espíritos:



Pergunta: Os Espíritos influem sobre os nossos pensamentos e sobre as nossas ações?

A esse respeito sua influência é maior do que credes porque, muito frequentemente, são eles que vos dirigem.



E Allan Kardec pergunta como distinguir os pensamentos.

Questão 461 – Como distinguir os pensamentos que nos são próprios daqueles que nos são sugeridos?

Quando um pensamento é sugerido, é como uma voz que vos fala. Os pensamentos próprios são, em geral, aqueles do primeiro momento. De resto, não há um grande interesse para vós nessa distinção, e é frequentemente útil não o saberdes. O homem age mais livremente, e se ele se decide pelo bem, o faz mais voluntariamente; se toma o mau caminho, não tem nisso senão mais responsabilidades.



Vejamos, pela resposta, que não há importância em saber se o estímulo vem de nosso inconsciente ou de algum espírito, o importante é realmente analisar o estímulo para verificar se ele é correto, qual é a decisão que irá nos manter nas trilhas do bem, realizando a reforma íntima, corrigindo nossos defeitos.



Assim, precisamos compreender a dificuldade que envolve a reforma íntima.



Como visto, esta dificuldade é grande e envolve uma efetiva vigília do que nós estamos pensando e, principalmente, dos atos a serem praticados.



Muitas vezes, nossos pensamentos serão criados de forma automática, pelo nosso inconsciente; não devemos apenas justificá-lo e praticar o ato, devemos lembrar daquilo que nós nos propomos a mudar e aí agir somente conforme deve ser correto.



Claro que não se trata de tarefa fácil, exige perseverança, lembrando que, da mesma forma que programamos nosso inconsciente/mente para vícios e hábitos ruins, podemos programá-lo para o Bem.



Assim como, mantendo bons pensamentos, receberemos orientações dos amigos espirituais, aqui incluído nosso mentor espiritual (anjo da guarda).



É para isso que servem os exercícios mentais e práticas edificantes. Trata-se de uma reprogramação da mente; com isso, aos poucos, além de alterarmos a vibração mental de nossa mente (o que possui importância na visão espiritual), modificamos a programação de nosso inconsciente que passa a decidir antes do consciente para o lado do Bem.



Assim, entendendo o funcionamento de nossa mente, vemos a importância de reprogramar nosso inconsciente, sempre analisando criticamente os estímulos recebidos.

Fonte:

http://avidanomundoespiritual.com.br/evolucao-do-principio-espiritual-dificuldades-da-reforma-intima/

Tempestades no Umbral – Aspectos da Reforma Íntima


Palestra – Tempestades no Umbral – Aspectos da Reforma Íntima
Por Breno Costa

I – Revisão



Estudamos que não existe uma classe diferente de espíritos, sendo todos criados iguais, simples e ignorantes.



Analisamos que é a afinidade vibracional que mantém a pessoa em sofrimento nas faixas vibratórias densas do chamado Mundo Espiritual. Somente com a mudança de vibração mental é que a pessoa consegue a real liberdade.



Vimos que aqueles que pedem socorro serão socorridos, mas, que, às vezes, este socorro não é imediato em razão de as forças inferiores também serem organizadas e possuírem defesas e severos cativeiros, aos quais as mentes desajustadas se ajustam.



II – Fogo Purificador

Da mesma forma que ocorre aqui, em nossa dimensão, no plano de existência conhecido como mundo espiritual, existem tempestades magnéticas.



Em especial, nas regiões densas do umbral, as tempestades magnéticas são necessárias para desintegrar a matéria mental densa criada pelos habitantes dessas faixas vibratórias.



Ocorre que estas tempestades não são apenas magnéticas, elas são formadas por fogo, que tem a finalidade de queimar e desintegrar a matéria mental densa.



Como vimos nos estudos anteriores, o grupo de André Luiz não conseguiu prestar socorro para alguns espíritos que estavam em severo cativeiro das forças inferiores.



Porém, com a chegada da tempestade, todos os espíritos infelizes que ali estagiavam, incluindo os trevosos, procuraram a casa de repouso para fugir dos efeitos devastadores dos trovões, dos raios e do fogo.



Foi neste momento em que os espíritos que conseguiram alterar sua faixa vibratória mental receberam o socorro. Porém, aqueles que apenas estão com medo da tempestade, mas que os continuavam nas trilhas do mal, não puderam adentrar na casa de repouso.



O campo mental dos espíritos que chegam na casa de repouso é analisado porque ele revela a natureza íntima da pessoa.



Vejamos estas passagens do livro “Obreiros da Vida Eterna” (fls. 160 e seguintes):

“Velaríamos pelo funcionamento regular de certos aparelhos geradores de energia eletromagnética, destinados à emissão constante de forças defensivas e vigiaríamos o setor que nos fora confiado, de modo a sanar qualquer anormalidade.

(…).

Mentor: Temos determinação para receber todos os sofredores que se apresentarem renovados, facultando-lhes ingresso ao pátio interno.”



(…)



Com efeito, justificavam-se as medidas, porque ouvíamos agora ensurdecedora algazarra de multidões que se aproximavam.

Sucederam-se outros ribombos ameaçadores, despejando fogo na superfície e energia revolvente no interior do solo que pisávamos.

Ondas maciças de sofredores aterrados começaram a alcançar as defesas. Era dolorosa a contemplação da turba amedontrada e expectante.



(…)



Quase quatro horas difíceis se escoaram, exigindo-nos delicada atenção na tarefa. E, agora, a paisagem era mais sufocante, mais terrível… Serpentes de fogo desenovelavam-se dos céus e penetravam o solo, que começou a tremer sob os nossos pés.”



A tarefa descrita por André Luiz era justamente a de vigília da segurança da casa de repouso, permitindo apenas espíritos que estavam em condições íntimas de se ajustarem ao novo ambiente; caso contrário, mentes enfermiças e revoltadas poderiam, após passado o susto, causar muitos danos à missão socorrista.



III – A Importância da Reforma Íntima

A necessidade de reforma íntima é, junto com a caridade fraterna, um dos pilares da doutrina espírita.



Mas, por que ela é realmente tão importante?



Além da evidente questão moral, com a depuração de nossa mente e evolução do espírito, ascendendo para níveis mais sutis de vibração, há ainda, questões paralelas que é interessante observar.



Mantendo-se em pensamentos grosseiros, alimentando más paixões e práticas não edificantes, a pessoa põe sua mente em vibrações densas durante sua vida terrena, de maneira que, ao desencarnar e adentrar na dimensão vibratória conhecida como mundo espiritual, não conseguirá elevar seu grau de consciência suficientemente para entender que houve uma mudança de realidade, com a alteração de planos de existência.



Em regra, poderá passar toda a erraticidade presa às regiões densas do umbral ou das trevas (abismos) e voltará a reencarnar devido à intercessão de um ente querido ou à intervenção dos espíritos superiores que resgatam as almas transviadas (como visto nos estudos sobre reencarnação).



Assim, temos que a pessoa que passa a vida terrena sem elevar seu grau de consciência, quando desencarna, voltando para a dimensão vibratória mais sutil, mantém-se em regra inconsciente e vai reencarnar novamente somente com ajuda alheia, para, quem sabe, finalmente despertar sua consciência.



Aqui reside uma das principais finalidades da moral espírita, na medida em que poderia ser possível deixar para a ciência a descoberta e comprovação da existência de vida após a morte e demais fatos que envolvem a relação entre dimensões.



Porém, a filosofia espírita possui como objetivo consolar e elucidar. Vale dizer, ao mesmo tempo em que traz conforto para o coração daqueles que perdem entes queridos (explicando que houve apenas uma separação passageira e que todos se mantêm vivos), ilumina, também, a consciência das pessoas, viabilizando a libertação das regiões que se expressam em faixas vibratórias densas dominadas por entidades inferiores.



Como visto, aqueles que se mantém em vibrações grosseiras poderão ser vítimas de entidades inferiores, incluído aqui até mesmo severo e às vezes prolongado cativeiro (sempre por aquiescência própria, motivada pela sintonia vibratória).



Vejamos, portanto, que a reforma íntima, além da questão moral propriamente dita, envolve a elevação do grau de consciência da pessoa como ser eterno do Universo.



Assim, seguindo o Evangelho de Jesus Cristo (em essência e independentemente de rótulos = não basta bater no peito e gritar “Senhor, Senhor”, é preciso viver – seja qual for a religião adotada e mesmo entre os que nenhuma escolhem – essencialmente o lema “fora da caridade não há salvação”) e efetivamente buscando a reforma íntima, a pessoa eleva sua consciência e altera sua vibração mental, alcançado uma verdadeira libertação.



Com isso, ao falecer seu corpo físico e voltar seu espírito imortal para a dimensão vibratória denominada de Mundo Espiritual, a pessoa estará apta a facilmente compreender a mudança de realidade, adaptando-se mais rapidamente à nova espécie de plano de existência.



O bom resultado será que, elevada sua consciência, liberta da ignorância, a pessoa ascenderá facilmente para as colônias espirituais, podendo programar sua volta à matéria densa de forma a melhor aproveitar as oportunidades de elevação.



Além, é claro, de estar livre do ataque das forças do mal que ainda existem em nosso planeta e que habitam as faixas vibratórias densas do Umbral e dos abismos.



Vejamos a mensagem final de André Luiz no livro Agenda Cristã, denominada “Conclusão”:



“Que a vida física é uma escola abençoada, é insofismável; mas, se você não se aproveitar dela a fim de aprender suficientemente as lições que se destinam ao seu engrandecimento espiritual, em nada lhe valerá o ingresso no aprendizado humano.



Que o caminho do bem é laborioso e difícil, não padece dúvida; no entanto, se você não se dispuser a segui-lo, ninguém o livrará da perigosa influência do mal.



Que a felicidade eterna é realização superior, fora dos quadros transitórios da carne, é incontestável; contudo, se você deseja perseverar no campo dos prazeres fáceis e inferiores das esferas mais baixas, dentro delas perambulará, indefinidamente.

Que Deus está conosco, em todas as circunstâncias, é verdade indiscutível; todavia, se você não estiver com Deus, ninguém pode prever até onde descerá seu espírito, nos domínios da intranquilidade e da sombra”.


IV – Exercícios Mentais e Práticas Edificantes

Estes exercícios mentais e práticas edificantes visam despertar nossa atenção para a necessidade de alterar nossos hábitos, ajudando em uma efetiva reforma íntima.



Até agora, os exercícios mentais e as práticas edificantes que sugerimos para todos fazermos durante a semana são:



1 – Afastar todo e qualquer pensamento não edificante durante o dia a dia;

1.1          – Evitar “perder a razão” (estado de cólera, raiva);

1.2          – Indignar-se com serenidade e razoabilidade.

1.3          – Exercitar a indulgência (capacidade de compreender e não divulgar defeitos alheios).

1.4          – Não se queixar da vida, evitar reclamações diárias e negativismos/evitar pessimismo.

1.5          Não criticar o próximo, não julgar.



2       – Sempre que passar por alguém emitir bons pensamentos (principalmente para pessoas claramente necessitadas);

2.1          – Fazer pequenas gentilezas a quem está próximo.

2.2          – Participar de algum programa de caridade.

2.3          – Cultivar o otimismo sempre.

2.4          – Cultivar a tolerância com as diferenças e erros alheios.



3       – meditar cinco minutos por dia, ao menos três vezes na semana, preferencialmente antes de orar e preferencialmente antes de dormir.



4       – Leitura diária de mensagens curtas e edificantes, de preferência quando acordar e antes de dormir, de preferência antes de meditar/orar.



5       – Fazer Evangelho no Lar uma vez na semana.



6       – Perseverar.



7       – Estabelecer um hábito angular (hábito novo em sua vida, como deixar de ingerir alcoólicos, iniciar prática de exercícios, largar o cigarro, etc) e exercitar ao máximo o autocontrole dos atos cotidianos.



8       – Ser discreto (adotar a discrição sobre nossas vidas particulares).



O exercício proposto de hoje é: Não se ofender.



Como dito por alguns, o verdadeiro cristão não é aquele que perdoa e sim aquele que não se ofende.



Isso porque consegue compreender.



A compreensão está acima do perdão.



Quem compreende, não se ofende, mas sim, possui paciência, tolerância e compaixão.



Vejamos esta mensagem de André Luiz (Livro Agenda Cristã, “Em seu benefício”):



“Não se agaste com o ignorante; certamente, não dispõe ele das oportunidades que iluminaram seu caminho.



Evite aborrecimentos com as pessoas fanatizadas; permanecem no cárcere do exclusivismo e merecem compaixão como qualquer prisioneiro.



(…)



Ampare o companheiro inseguro; talvez não possua o necessário, quando você detém excessos.



Não se zangue com o ingrato; provavelmente, é desorientado ou inexperiente.



Ajude ao que erra; seus pés pisam o mesmo chão e, se você

tem possibilidades de corrigir, não tem o direito de censurar.



Desculpe o desertor; ele é fraco e mais tarde voltará à lição.



Esqueça o acusador; ele não conhece o seu caso desde o princípio.”



Percebamos as noções de equilíbrio e harmonia. Afinal, porque se desgastar por aquele que erra?



Personalidade forte não é quem maltratada as pessoas, mas sim quem tem a tranquilidade de se conhecer e nada precisa provar para ninguém.



Muitas vezes nossas reações quanto a uma suposta ofensa, nada mais é do que vaidade e orgulho. Trata-se de novo ataque para demonstrar que você não é “aquilo que pensam”. Porque nossa vaidade foi ferida e nosso orgulho não aceita isso.



Assim, não se ofender, além de demonstrar personalidade efetivamente forte e manter a harmonia mental, exercita nosso espírito para se livrar da vaidade e do orgulho, estimulando a humildade e a tolerância.



Vejamos este interessante texto do colunista “Arnaldo Jabor”:



A Lei do Caminhão de Lixo

por Arnaldo Jabor

Um dia peguei um táxi para o aeroporto. Estávamos rodando na faixa certa quando um carro preto saiu de repente do estacionamento, direto na nossa frente.

O taxista pisou no freio bruscamente, deslizou e escapou de bater em outro carro… foi mesmo por um triz!
O motorista desse outro carro sacudiu a cabeça e começou a gritar para nós nervosamente, mas o taxista apenas sorriu e acenou para o cara, fazendo um sinal de positivo. E ele o fez de maneira bastante amigável.
Indignado lhe perguntei: ‘Porque você fez isto? Este cara quase arruína o seu carro, a nós e quase nos manda para o hospital?!?!’
Foi quando o motorista do taxi me ensinou o que eu agora chamo de “A Lei do Caminhão de Lixo.”

Ele me explicou que muitas pessoas são como caminhões de lixo.
Andam por aí carregadas de lixo, cheias de frustrações, de raiva, traumas e desapontamento.
À medida que suas pilhas de lixo crescem, elas precisam de um lugar para descarregar e às vezes descarregam sobre a gente.

Nunca tome isso como pessoal.

Isto não é problema seu! É dele !!!

Apenas sorria, acene, deseje-lhes sempre o bem, e vá em frente.

Não pegue o lixo de tais pessoas e nem o espalhe sobre outras pessoas no trabalho, em casa, ou nas ruas.

Fique tranquilo… respire E DEIXE O LIXEIRO PASSAR.

O princípio disso é que pessoas felizes não deixam os caminhões de lixo estragar o seu dia.

A vida é muito curta, não leve lixo com você !
Limpe-se dos sentimentos ruins, aborrecimentos do trabalho, picuinhas pessoais, ódio e frustrações.

Ame as pessoas que te tratam bem. E trate bem as que não o fazem.

A vida é dez por cento do que você faz dela e noventa por cento da maneira como você a recebe !!!

FIM”



Interpretando esta coluna com nossos estudos, fica fácil compreendê-la em sua real essência. Lembremos que todo pensamento emite vibrações e mantendo-se em vibrações positivas não atraíamos os fluídos negativos. O lixo que transborda, citado na coluna, nada mais é do que as vibrações negativas emitidas por aqueles que se encontram em desequilíbrio.



O que devemos fazer? Ter tolerância, compaixão, paciência, não ficar ofendido, exercitando a humildade e abafando o orgulho e sua filha, a vaidade.

Fonte:

http://avidanomundoespiritual.com.br/palestra-tempestades-no-umbral-aspectos-da-reforma-intima/

segunda-feira, 15 de abril de 2013

ABANDONAR PAI, MÃE E FILHOS


Uma grande multidão caminhava com Jesus. Ele se volta para eles e lhes diz: “Se alguém vem a mim e não aborrece (odeia) a seu pai, a sua mãe e mulher e filhos e irmão e irmã e, ainda sua vida, não pode ser meu discípulo”. (Lucas, 14: 25 e 26)
Nesta passagem evangélica temos uma variação na colocação das palavras “aborrecer” e “odiar” - no rodapé do cap. XXIII – 8ª. edição FEESP do Evangelho Segundo o Espiritismo, temos esta explicação: “A palavra “odiar” na época em que foi escrita queria dizer “amar menos” .

Como os Evangelhos foram escritos por cabeças e mãos humanas, e muito tempo depois da passagem de Jesus pela Terra, não vamos nos prender à letra, mas sim ao sentido lógico das frases e palavras, que também sofreram influências e adaptações, conforme interesses e entendimentos dos tradutores.

Jesus prega plenamente o amor, até entre os inimigos. Seria um contra senso acreditar que ele falasse em odiar e, mesmo, aborrecer, no sentido comum que ora conhecemos.

Esta passagem chama atenção por dois detalhes, comuns, mas importantes. O que Jesus quis dizer é que as famílias tinham suas crenças por tradições muito rigorosas naquilo que adotavam. Para as famílias e seus membros, desviarem-se das tradições era considerado escândalo, por isso era motivo de humilhação, portanto, de aborrecimento.

Então, aquele que não se sujeitasse a abandonar as tradições de família, assim como suas próprias convicções, não poderia aceitar e seguir Jesus. Jesus pregava uma renovação, considerada pelos tradicionais como revolucionária. Até hoje encontramos pessoas que afirmam que Jesus foi um revolucionário.

Para que uma pessoa seguisse e se adaptasse àquela renovação era necessário que primeiramente ela renunciasse às próprias convicções, contrariando, assim, suas famílias. Jesus pedia para que não ficassem presos a erros e preconceitos, apenas para se conservar na crença dos pais, ou dos filhos e dos outros. Além disso, Ele colocava em evidência a necessidade da liberdade de pensar e agir dentro das opções de cada um. Para seguir Jesus era preciso quebrar as tradições.

Nós sabemos que o que Jesus dizia não era para criar rivalidades ou abandonar as obrigações com a família. Isto seria uma insensatez e falta de responsabilidade. Jesus convidava a partirem para uma doutrina renovadora , mesmo contrariando as opiniões da família. Ainda hoje é comum algumas pessoas, que se consideram espíritas, mas a família não pode saber, porque não aceitam o Espiritismo.

Também é comum as pessoas dizerem: “Eu nasci nesta religião, é a religião dos meus pais e não sou eu que vou mudar!” Puro comodismo!...

É fácil manter o rótulo de religiosos sentindo-se desobrigados de qualquer compromisso com a religião, desobrigados inclusive do temido compromisso de trabalhar pela própria reforma interior. O mesmo acontecia naquela época.

O outro detalhe é sobre aqueles que usavam, e ainda usam, a família como obstáculo para se dedicarem a uma religião que exige trabalho e dedicação.
“Não posso, no momento, abandonar a família” e, com isso, deixa sempre para depois os compromissos com a vida espiritual.

Jesus não exigia que o seguissem fisicamente e nem exige hoje, que abandonemos a família para seguir o cristianismo, mas sugere que estudemos os seus ensinamentos, para que, mais esclarecidos e colocando-os em prática possamos, viver e conviver melhor com os familiares e com o mundo.

Com a mente desperta e livre podemos nos respeitar e valorizar o amor fraternal.


Dora Contri - FEESP
Comunidade Espirita

ODIAR PAI E MÃE


O TEXTO EVANGÉLICO

“Se alguém vem a mim, e não odeia seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs, e mesmo sua própria vida, não pode ser meu discípulo. E todo aquele que não carrega sua cruz e não me segue, não pode ser meu discípulo. Assim, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo”. (Lucas, 14, 25 a 27 e 33)

“Aquele que ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim; aquele que ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim”. (Mateus, 10, 37)

4.2. O SIGNIFICADO DA PALAVRA ODIAR

Non odit em latim, kai ou misei em grego, não quer dizer odiar mas amar menos. O que exprime o verbo grego misein, o verbo hebreu, do qual deve ter se servido Jesus, o diz ainda melhor; não significa somente odiar, mas amar menos, não amar tanto quanto, igual a um outro. No dialeto siríaco, do qual se diz que Jesus usava mais freqüentemente, essa significação é ainda mais acentuada. A palavra odiar se refere, portanto, ao sentido de ódio como o entendemos na atualidade. E mesmo que quiséssemos traduzir por odiar, iríamos de encontro ao caráter e a personalidade de Jesus. De duas uma: ou a palavra foi escrita de forma indevida, ou a tradução não pode captar o seu verdadeiro significado. De qualquer forma, tomá-la como amar menos faz mais sentido e dá uma conotação mais racional ao nosso modo de pensar.

4.3. DEIXAR PAI E MÃE

Quando Jesus nos chama para o seu apostolado e pede-nos para deixarmos pai e mãe, isso não significa que devemos abandoná-los ao sabor da sorte, o que implicaria em falta de caridade, virtude constantemente pregada por Ele mesmo. O que se depreende daí é que devemos nos preocupar com a vida futura, a vida religiosa. Esta tem para nós mais importância do que os nossos parentes e amigos. Quantas não são as pessoas que não podem freqüentar uma religião porque um dos seus familiares não o permite? Quantas pessoas não vão às escondidas ao um Centro Espírita? E por que não proclamam abertamente a sua religião? Simplesmente para não perturbar o ambiente doméstico.

O Espírito Emmanuel nos alerta: “renunciar por amor ao Cristo é perder as esperanças da Terra, conquistando as do Céu”. Ele nos diz: “Se os pais são incompreensíveis, se a companheira é ingrata, se os irmãos parecem cruéis, é preciso renunciar à alegria de tê-los melhores ou perfeitos, a fim de trabalhar no aperfeiçoamento com Jesus. Acaso, não encontras compreensão no lar? Os amigos e irmão são indiferentes e rudes? Permanece ao lado deles, mesmo assim, esperando para mais tarde o júbilo de encontrar os que se afinam perfeitamente contigo”. (Xavier, 1973, cap. 154

Aborrecer pais e filhos no limiar da nova era


“Certas palavras, aliás muito raras, atribuídas ao Cristo, fazem tão singular contraste com o seu modo habitual de falar que, instintivamente, se lhes repele o sentido literal (…)” (ESE, cap. 13, item 3)
Com efeito, frases como “se alguém vier a mim, e não aborrecer, pai e mãe, a mulher e filhos, a irmãos e irmãs, e ainda também à própria vida, não pode ser meu discípulo” (Lucas, 14,26) só seriam mais bem compreendidas após a exemplificação dos seus apóstolos, especialmente de Paulo. Após seu encontro inesquecível com o Mestre, a caminho de Damasco, já haviam se passado mais de três anos, quando o ex-fariseu batia à porta de seu velho pai. Rejeitado em Jerusalém, doente e necessitado de tudo, alimentava a esperança de ser acolhido na casa paterna para nela encontrar paz. Mas, suas esperanças se evaporaram ao toque do ombro de rocha de Isaac: “Saulo, é cristão?”
Não poderia mais voltar, negando fidelidade ao Messias esperado… “Sou, meu pai, pela graça do senhor Jesus” – respondeu resignadamente o tarsense.
Aquele testemunho foi a condição para mais uma vez ser expulso, mas agora era da casa de sua infância, e pela boca áspera de seu genitor. Dirigindo-se cambaleante às montanhas do Tauro, em uma fenda escondida, recebe, ao final da tarde, um impulso de compaixão divina, que sua gratidão iria registrar na carta II Coríntios: eram Abigail e Estêvão insuflando as palavras divinas: “Saulo, ame, trabalhe, espere e perdoe.” E deste conselho foram outros três anos de trabalho na tecelagem, aguardando o chamado do Mestre.
Os mais de seis anos de espera e meditação foram o cadinho onde a força de Saulo, mais tarde Paulo, foi forjada para difusão do Evangelho de Jesus: do Oriente até a capital Imperial, em uma área de 3 milhões de quilômetros quadrados e durante mais de duas décadas. Durante todo este período o apóstolo de Cristo foi preso, chicoteado, apedrejado, humilhado, sofreu naufrágio, quase morto por uma serpente, expulso das cidades, perseguido, e abandonado sempre. Mas, em todas estas situações, amou, trabalhou, esperou e perdoou – tudo para se tornar digno de Cristo.
Estudando sua vida, podemos afirmar: Paulo de Tarso aborreceu seus pais, sua mulher, seus filhos, seus irmãos e, inclusive, a si próprio para se tornar digno de Jesus.
E a pergunta que naturalmente decorre: Ora, como fez isso, se não teve esposa nem descendência, e era filho único?
Conforme a recomendação ponderada acima do Codificador, certas palavras de Jesus Cristo merecem maiores reflexões, sobretudo se lhes emprestamos significados atuais.
Aborrecer pais e filhos, irmãos e amigos, portanto, não poderia significar desprezar-lhes os corações e os justos sentimentos, provocando aflições, descontentamento e vergonha, porque este entendimento estaria em contradição com a essência do Evangelho, no qual extraímos os ensinos honrar pai e mãe, perdoar sempre, ser pacífico e brando, humilde e simples…
Como também não poderia ser um incentivo ao recolhimento solitário e egoístico em mosteiros, conventos e comunidades isoladas a fim da oração improdutiva e da contemplação ociosa, na tentativa ilusória de se afastar da impureza temporal – proposta absurda da própria Igreja. Tampouco um convite ao abandono dos deveres sagrados de família e das obrigações da sociedade. Afinal ambos seriam uma contradição ao ensino de Jesus que conclamava seus seguidores serem o sal da terra, o fermento que leveda, a luz para todos, que deveriam exemplificar as lições morais e dar a César o que é de César.
Diante destas observações, que é então aborrecer pais e filhos? E por que Paulo o fez, a despeito das constatações acima?
Aborrecer pais e filhos é, pois, aborrecer as crenças ancestrais, as tradições antigas, e os modelos sociais impostos a favor de um propósito – o trabalho com Jesus!
Paulo, ante a grandeza de Cristo, não teve dúvidas: soube reconhecê-lo como o Messias, aquele que vinha libertar a humanidade da estreiteza material e nos apresentar a vida eterna através da vitória na cruz.
Assim, quando seus pares e, também, quando Isaac naquele encontro doloroso, lhe disseram: “O Messias será um senhor de exército que liderará Israel na vitória contra Roma” – Saulo, afirmou, não! O Messias veio nos mostrar que a verdadeira vitória é a conquista da vida eterna, vencendo nossas imperfeições, e a libertação real é aquela que vem através do amor aos inimigos e o perdão das ofensas.
“Israel é o povo da Promessa e deverá reinar sobre todos os outros. Somente o judeu é o modelo escolhido por Deus, pois tem a marca da circuncisão, não come carnes proibidas, não se dá com pagãos…”– E Saulo, com coragem, bradava mais uma vez, não! Jesus quer vida para todas as nações e nenhuma de suas ovelhas se perderá. A verdadeira pureza é aquela do coração, independente de rituais e marcas físicas, e o sacrifício mais agradável a Deus é aquele que se faz ao amor próprio. Deus é um sol que ilumina a todos, judeus e não judeus…
Com estas palavras, especialmente as últimas, conquistou animosidades dos de sua raça. Aborrecendo-os, divulgou o Evangelho e hoje somos herdeiros dele.
Se Saulo aborreceu seus pais na divulgação da segunda revelação, o nobre Prof. Rivail também aborreceu aos seus na Codificação da Doutrina Espírita – o Consolador Prometido por Jesus.
Em abril de 1857, o Prof. Rivail revelando extrema coragem publicou na sociedade parisiense o Livro dos Espíritos, inaugurando os pilares na Nova Revelação. Enfrentou repúdio e perseguição, pois idéias engessadas da ciência e religião foram comprometidas. Mas do brilhantismo e persistência do seu trabalho, foram publicados outros quatro livros, e a Revista Espírita durante doze anos.
Hoje, no limiar da nova era, os espíritas somos convocados a prestar o testemunho, dando continuidade à obra inacabada, conforme sintetizado nas palavras do Espírito de Verdade: “Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo.” (ESE, cap. 06, item 05) Amor e instrução – o roteiro sagrado para o Planeta de Regeneração que, tanto quanto com Paulo, reclama o questionamento dos valores materialistas estabelecidos e das tradições religiosas alicerçadas nos dogmas, tudo a favor de um novo objetivo: o Evangelho de Jesus vitalizado pelas luzes do Consolador!
Assim, para a conquista deste objetivo, será necessário antepor resistências…
Ouviremos dos sábios das Ciências: “não é o homem senão o corpo físico; e a alma é uma ilusão” – mas, diremos não! A verdadeira vida é a espiritual; somos espíritos eternos no caminho do progresso, através da experiência material.
E outros dirão: “Fora da Igreja não há salvação, a qual se obtém pelo batismo nas águas, pela confissão de Jesus Salvador, o Deus Encarnado, e pelos rituais prescritos.” – e, ainda assim, diremos não, porque a salvação é a consciência em paz perante Deus e sua Criação, obtida não pela fé contemplativa, mas pela vida fraterna, amando e perdoando sempre nosso próximo, conforme exemplificado por Jesus Cristo – o Governador Espiritual do Nosso Planeta.
E finalmente: “Há somente uma única vida, na qual é proibido o contato com os mortos. E quem incorre em semelhante pecado, sofrerá com as penas eternas, aonde Satanás é seu promotor.” – e negaremos tal afirmação, porquanto a mediunidade é hálito de Deus, alimentando de esperanças suas criaturas, fazendo-nos lembrar que somos imortais e a reencarnação é a ferramenta abençoada com a qual nenhuma das ovelhas do Senhor se perderá nas diversas moradas do Pai; e mesmo que Satanás existisse, é ele também criatura divina, herdeira da felicidade, tanto quanto todos nós!
Espíritas, sejamos todos nós, por palavras e na vivência, herdeiros da Codificação e de todos os seus heróis, aborrecendo a ilusão materialista e a presunção dogmática, porque é chegado o grande momento, e assim nos tornarmos dignos de Jesus, Nosso Senhor!
REFERÊNCIAS
KREMER, Ruy. Paulo, um homem em Cristo. 1ª edição. Rio de Janeiro: FEB, 2011, cap. 07 pg 68
XAVIER, F. C. Paulo e Estêvão: episódios históricos do Cristianismo Primitivo / ditado  pelo espírito Emmanuel. 43ª edição. Rio de Janeiro: FEB, 2006, cap. 03 2ª parte, pg 365 e 385
ESE: Evangelho Segundo o Espiritismo
Enviado por nosso amigo, leitor e colaborador Manuel Ferreira Barbosa Neto
Palestrante Espírita – Goiânia – GO

Aborrecer Pai e Mãe - ESE



            1 – E muita gente ia com ele; e voltando Jesus para todos, lhes disse: Se alguém vem a mim, e não aborrece a seu pai e sua mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e ainda a sua mesma vida, não pode ser meu discípulo. E o que não leva a sua cruz, e vem em meu seguimento, não pode ser meu discípulo. – Assim, pois, qualquer de vós que não dá de mão a tudo o que possui, não pode ser meu discípulo. (Lucas, XIV: 25-27, 33).

            2 – O que ama o pai ou a mãe, mais do que a mim, não é digno de mim; e o que ama o filho ou a filha, mais do que a mim, não é digno de mim. (Mateus, X: 37).

            3 – Certas palavras, aliás muito raras, contrastam de maneira tão estranha com a linguagem do Cristo, que instintivamente repelimos o seu sentido literal, e a sublimidade da sua doutrina nada sofre com isso. Escritas depois da sua morte, desde que nenhum evangelho foi escrito durante a sua vida, podemos supor que, nesses casos, o fundo do seu pensamento não foi bem traduzido, ou ainda, o que não é menos provável, que o sentido primitivo tenha sofrido alguma alteração, ao passar de uma língua para outra. Basta que um erro tenha sido cometido uma vez, para que os copistas o reproduzissem, como se vê com freqüência nos fatos históricos.

            A palavra odiar, nesta frase de Lucas: “Se alguém vem a mim, e não odeia a seu pai e sua mãe”, está nesse caso. Ninguém teria a idéia de atribuí-la a Jesus. Seria, pois, inútil discuti-la ou tentar justificá-la. Primeiro, seria necessário saber se ele a pronunciou, e, em caso afirmativo, se na língua em que ele se exprimia essa palavra tinha o mesmo sentido que na nossa. Nesta passagem de João: “Aquele que odeia a sua vida neste mundo a conserva para a vida eterna”, é evidente que ela não exprime a idéia que lhe atribuímos.(1) .

                        A língua hebraica não era rica, e muitas das suas palavras tinham diversos significados. É o que acontece, por exemplo, com aquela que, no Gênese, designa as frases da criação e servia ao mesmo tempo para exprimir um período de tempo qualquer e o período diurno. Disso resultou, mais tarde, a sua tradução pela palavra dia, e a crença de que o mundo fora feito em seis dias. O mesmo acontece com a palavra que designa um camelo e um cabo, porque os cabos eram feitos de pelos de camelo, e que foi traduzida por camelo, na alegoria da agulha. (Ver cap. XVI, nº 2)(2)



É necessário ainda considerar os costumes e as características dos povos que influem na natureza particular das línguas. Sem esse conhecimento, o sentido verdadeiro de certas palavras nos escapa. De uma língua para outra, a mesma palavra tem um sentido mais enérgico ou menos enérgico. Pode ser, numa língua, uma injúria ou uma blasfêmia, e nada significar, nesse sentido, em outra, conforme a idéia que exprima. Numa mesma língua as palavras mudam de significação com o passar dos séculos. É por isso que uma tradução rigorosamente literal nem sempre exprime perfeitamente o pensamento, e, para ser exata, faz-se por vezes necessário empregar, não os termos correspondentes, mas outras equivalentes ou circunlóquios explicativos.

            Estas observações aplicam-se especialmente à interpretação das santas Escrituras, e em particular aos Evangelhos. Se não levarmos em conta o meio em que Jesus vivia, ficamos sujeitos a enganos sobre o sentido de certas expressões e de certos fatos, em virtude do hábito de interpretarmos os outros de acordo com as nossas próprias condições. Assim, pois, é necessário não dar à palavra odiar (ou aborrecer) a acepção moderna, que é contrária ao espírito do ensinamento de Jesus. (Ver também o cap. XVI, nº 5 e segs.).



(1) No original francês, o verbo empregado é odiar, motivo porque o mantivemos no teto de Kardec. O texto evangélico acima reproduzido não é tradução do francês, mas da nossa tradução clássica da Bíblia, de Figueiredo, que emprega o verbo aborrecer. (Nota do Tradutor).

(2) Non odit, em latim; Kai ou misei, em grego, não quer dizer odiar, mas amar menos. O que o verbo grego misein exprime, o verbo hebreu, que Jesus deve ter empregado, o exprime ainda melhor, pois não significa apenas odiar, mas também amar menos, não amar igual a outro. No dialeto siríaco, que dizem ter sido o mais usado por Jesus, essa significação é ainda mais acentuada. É nesse sentido que ele é empregado no Gênese (XXIX: 30-31). “E Jacó amou também a Raquel, mais que a Lia, e Jeová, vendo que Lia era odiada…” É evidente que o verdadeiro sentido neste passo é: menos amada, e é assim que se deve traduzir. Em muitas outras passagens hebraicas, e sobretudo siríacas, o mesmo Raquel, mais que a Lia, e Jeová, vendo que Lia era odiada…” É evidente que o verdadeiro sentido neste passo é: menos amada, e é assim que se deve traduzir. Em muitas outras passagens hebraicas, e sobretudo siríacas, o mesmo verbo é empregado no sentido de : não amar tanto quanto a outro, e seria um contra-senso traduzi-lo por odiar,que tem outra acepção bem determinada. O texto de São Mateus resolve, aliás, toda a dificuldade. ( Nota de M. Pezzani).

domingo, 14 de abril de 2013

O PODER DE SER CONHECIDO PESSOALMENTE


"Eu vos conheço."  João 5:42 

Olívia veio fazer terapia para trabalhar a auto-estima. Ela queria ter mais confiança em si mesma e vencer a timidez. Lera alguns livros sobre auto-estima e tentara praticar as sugestões incluídas neles, mas sua maneira de pensar e de sentir não mudara muito. 

No final da nossa primeira sessão, Olívia pediu-me que lhe passasse uma tarefa para fazer em casa. 

—Gostaria de trabalhar um pouco a minha auto-estima todos os dias — disse ela. — Qualquer coisa que você me der para fazer vai me ajudar a lidar mais rápido com esse problema. 
—Acho que você já leu muito coisa sobre auto-estima - retruquei. 
— Talvez o que você precise aprender mais neste momento seja conhecer a si mesma, e acho que nós dois precisamos estar juntos para fazer isso acontecer. 

Pude perceber que o processo que levaria Olívia a compreender mais profundamente a si mesma se daria à medida que ela se sentisse conhecida. No decorrer dos meses seguintes foi exatamente isso o que aconteceu. 

Na terapia, descobri que Olívia sentia-se mal a respeito de quem era. Por isso, raramente se abria com as pessoas e mantinha em segredo os sentimentos negativos, com medo de que os outros pudessem sentir o mesmo por ela. Infelizmente, os segredos ocultos raramente se modificam com leituras ou conselhos. Ela precisava expor seus segredos para outra pessoa para poder sentir-se pessoalmente conhecida e acolhida. Este era o ponto de partida para a transformação da sua auto-estima. O fato de ela fingir ser uma pessoa diferente do que era não contribuía em nada para sua auto imagem. Ela precisava se sentir aceitável tal como era e a partir daí crescer e se aprimorar. 

A terapia de Olívia a tem ajudado muito. Em vez de querer que eu lhe forneça informações, ela passou a desejar ser conhecida por mim. Eu não a vejo mais como uma moça tímida, e outras pessoas também estão notando uma diferença. Acredito que Olívia esteja se tornando pessoalmente mais poderosa porque descobriu que é conhecida e compreendida, e isso não faz com que ela se sinta tão mal. Com efeito, perder o medo da verdade fez Olívia sentir-se muito melhor. 

Os seres humanos não podem viver isolados, e por isso procuramos nos relacionar com os outros. A experiência de sermos conhecidos e entendidos nos confere a sensação psicológica de que tudo está bem. Temos que perceber que somos conhecidos pelos outros, tal como somos - e não apenas pelo que fazemos - para nos sentirmos psicologicamente completos. Esse tipo de conhecimento é compartilhado entre as pessoas, pois são necessárias duas pessoas para criar o conhecimento pessoal. Quando ele se fundamenta na verdade, ambas as pessoas são transformadas e crescem. 

Jesus acreditava que fomos criados com o propósito de conhecer Deus e sermos conhecidos por ele. Um ponto central do seu ensinamento era comunicar o poder transformador de conhecer Deus, que não é um conhecimento intelectual e isolado, mas uma experiência que só se dá no relacionamento. 

PRINCÍPIO ESPIRITUAL: 

O conhecimento pessoal é criado entre as pessoas e não dentro delas. 

Do livro Jesus o maior psicólogo do mundo

http://bvespirita.com/Jesus,%20O%20Maior%20Psic%C3%B3logo%20Que%20J%C3%A1%20Existiu%20(Mark%20W.%20Baker).pdf

Afirmação Esclarecedora


"E não quereis vir a mim para terdes vida." - Jesus. (João, 5:40).

Quantos procuram a sublimação da individualidade precisam entender o valor supremo da vontade no aprimoramento próprio.

Os templos e as escolas do Cristianismo permanecem repletos de aprendizes que vislumbram os poderes divinos de Jesus e lhe reconhecem a magnanimidade, caminhando, porém, ao sabor de vacilações cruéis.

Crêem e descrêem, ajudam e desajudam, organizam e perturbam, iluminam-se na fé e ensombram-se na desconfiança...

É que esperam a proteção do Senhor para desfrutarem o contentamento imediato no corpo, mas não querem ir até ele para se apossarem da vida eterna.

Pedem o milagre das mãos do Cristo, mas não lhe aceitam as diretrizes. Solicitam-lhe a presença consoladora, entretanto, não lhe acompanham os passos. Pretendem ouvi-lo, à beira do lago sereno, em preleções de esperança e conforto, todavia, negam-se a partilhar com ele o serviço da estrada, através do sacrifício pela vitória do bem. Cortejam-no em Jerusalém, adornada de flores, mas fogem aos testemunhos de entendimento e bondade, à frente da multidão desvairada e enferma. Suplicam-lhe as bênçãos da ressurreição, no entanto, odeiam a cruz de espinhos que regenera e santifica.

Podem ir na vanguarda edificante, mas não querem.

Clamam por luz divina, entretanto, receiam abandonar as sombras.

Suspiram pela melhoria das condições em que se agitam, todavia, detestam a própria renovação.

Vemos, pois, que é fácil comer o pão multiplicado pelo infinito amor do Mestre Divino ou; regozijar-se alguém com a sua influência curativa, mas, para alcançar a Vida Abundante de que ele se fez o embaixador sublime, não basta a faculdade de poder e o ato de crer, mas também a vontade perseverante de quem aprendeu a trabalhar e servir, aperfeiçoar e querer.

Emmanuel
psicografia de Chico Xavier
Livro Fonte viva lição 36