Estudando o Espiritismo

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sábado, 7 de julho de 2012

O espiritismo e a reforma íntima


Do site Espírito Imortal


O espiritismo e a reforma íntima
Você pratica a reforma íntima? Você se esforça para progredir espiritualmente? Oespiritismo fala tanto em reforma íntima que não há como fugir a essa pergunta. Você éespírito imortal, e tudo o que você planta, colhe. A colheita pode ser rápida, quase imediata, mas também pode se estender por várias reencarnações… Você tem a eternidade à sua frente. Só que a eternidade não vai começar quando você desencarnar. A eternidade já está acontecendo, ela é o agora, a eternidade é o tempo todo.
Se você fosse comodista (você não é, né?) poderia pensar que não tem pressa em se melhorar, em promover a reforma íntima, já que tem todo o tempo do mundo pela frente… Mas como você é dinâmico e prático, sabe que quanto antes você superar suas imperfeições aparentes, mais cedo você experimentará uma paz mais elevada, um amor mais puro, uma felicidade mais constante.
Um dos pontos mais importantes da reforma íntima é fazer o bem sem ostentação. É a prática do ensinamento do Mestre que diz que quando você der esmola, não saiba a sua mão esquerda o que faz a sua mão direita, para que a esmola fique em segredo, e o Pai, que vê o que se passa em segredo, lhe recompensará.
Todos nós gostamos de ser reconhecidos pelas coisas boas que fazemos. Gostamos de ver nossos esforços valorizados, gostamos de perceber no outro a confirmação de nossa satisfação íntima. Sim, pois nem sempre é por ostentação que queremos ser reconhecidos. Nem sempre é pra aparecer, pra se mostrar, pra se fazer de bonzinho. Muitas vezes fazemos o bem pelo bem. Nosso primeiro impulso é fazer o que deve ser feito, sem cálculo, sem esperar recompensa.
Mas nosso primarismo não resiste. Ficamos tão satisfeitos com nossos atos meritórios, que gostamos de ver nossa satisfação espelhada naqueles que nos rodeiam. Isso é grave? Depende do ponto de vista. É indiscutivelmente melhor fazer o bem e querer ser reconhecido do que não fazer o bem. Estou errado? Se você acha que estou errado, por favor, me corrija. O espaço para comentários é logo ali embaixo, e ele é todo seu. Mas acho que não estou errado, não.
Mesmo que você espere reconhecimento e gratidão pelo bem que você faz, isso já é um grande começo, um passo importantíssimo. Mas não podemos nos acomodar nessa situação. Temos que aprender a não esperar nada em troca. Nem gratidão, nem reconhecimento, nem elogio, nem nada.
Recentemente me deparei com uma situação que ilustra bem o assunto. Uma pessoa solícita, prestativa, de boa vontade, com tanta disposição em auxiliar a quem precise, que muitas vezes me cobrei por não fazer o mesmo. Mas, num momento de crise, usou como argumento o fato de “ajudar todo mundo”.
É digna de todos os méritos a atitude de boa vontade, a atitude de iniciativa em auxiliar a quem precisa ou aparenta precisar de ajuda. Mas a recompensa tem que ser natural, interna. Lembra do ensinamento do Mestre que mencionei há pouco? No finalzinho diz que “…o Pai, que vê o que se passa em segredo, lhe recompensará.” Quem é o Pai que vê o que se passa em segredo? Deus? Sim, mas não Deus como algo exterior a nós, como se costuma imaginar. Deus que vê o que se passa em segredo é o nosso olho interno, é a nossa consciência, é a partícula divina que somos nós, cada um de nós.
Deus nos fez à sua imagem e semelhança. Somos dotados de qualidades divinas. Nossa consciência é a parte de Deus que nos cabe, é Deus em nós, é a manifestação de Deus em cada criatura. Então a recompensa que o Pai dá é a satisfação íntima, a inigualável sensação do dever cumprido, e isso é parte importante da reforma íntima.
Isso tudo deve ser um exercício diário, sem tréguas e sem desânimo. Não se iluda, você não vai reformar-se da noite para o dia. É necessário persistir, tentar sempre mais. Sem tentativa, nada acontece.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Evangelho e Doutrina Espírita


Evangelho e Doutrina Espírita

Constâncio Alves
No décimo quinto ano do império de Tibério César, sendo Pôncio Pilatos governador da Judéia, veio João Batista, filho de Zacarias, pregando pelo deserto. Interpelado pelos sacerdotes e levitas, respondeu-lhes que ele não era o Cristo, não era Elias e nem profeta; que batizava com água, até que eles conhecessem aquele que lhe foi preferido, aquele de cujas sandálias, ele, João, não era digno sequer de desatar as correias, aquele que batizava com o Espírito-Santo. E, então, lhes repetiu o que pregava às multidões: — “Convertei-vos, pois que o reino dos céus está próximo”, porquanto a ele se refere o profeta Isaías, dizendo: — Voz que clama no deserto: preparai o caminho do Senhor; aplainai as suas veredas; todo vale será aterrado, abater-se-ão todos os montes e colinas; tornar-se-ão retos os caminhos tortuosos; planos, os acidentados; e todo homem verá a salvação de Deus.”
João trazia uma veste de pêlos de camelo e um cinto de couro em volta da cintura; alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. Os habitantes de Jerusalém, de toda a Judéia e de toda a região circunvizinha do Jordão vinham ter com ele; e, confessando os seus pecados, eram por ele batizados no Jordão.
Vendo muitos fariseus e saduceus que vinham para o batismo, disse-lhes João: — Raça de víboras, quem vos preveniu que fugísseis da cólera vindoura? — Tratai de produzir frutos de sincero arrependimento, e não procureis dizer intimamente: “Te­mos Abraão por pai”; porque eu vos declaro que destas pedras pode Deus fazer que nasçam filhos a Abraão. O machado está posto à raiz das árvores: toda árvore, pois, que não dá bom fruto é cortada e lançada ao fogo. Eu, na verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que há-de vir, depois de mim, é mais poderoso do que eu, e não sou digno de levar-lhe as sandálias; ele vos batizará com o Espírito e com fogo. Traz na mão a pá e limpará completamente a sua eira; recolherá o seu trigo no celeiro e queimará a palha em fogo inextinguível” (Lucas, III:1-17.)
O Evangelho reporta-se a três categorias de batismo: o da água, o do fogo e o do Espírito-Santo, O primeiro, isto é, o da água foi aplicado por João Batista; os dois últimos, segundo o testemunho do mesmo Profeta, são de Jesus.
João Batista fora, consoante a inconteste e positiva afirmativa de Jesus, Elias reencarnado, embora ele, tal como comumente acontece a todos nós, que não temos recordação de nossas existências anteriores, ignorasse, necessariamente, aquela sua encarnação pretérita.
O papel de João Batista, como ele próprio afirmara, consistia em preparar a ambiência para receber Jesus.
O ponto principal das suas dissertações era o de aconselhar a confissão íntima da culpa, seguindo-se-lhe o arrependimento e a regeneração a fim de receberem o Enviado Celeste. Nesse propósito, João ia batizando, no rio Jordão, aqueles que lhe acudiam ao apelo, os quais, através daquele símbolo, assumiam publicamente o compromisso de mudar de vida, de se transformarem, deixando hábitos pecaminosos e costumes corrompidos. Como tal, e Batista só aplicava o seu batismo em adultos. Notemos bem esta particularidade: em pessoas no uso completo da razão, que podiam prometer, por isso que sabiam perfeitamente do que se tratava e da responsabilidade que contraíam. E’ claro que ele fez sentir aos fariseus que o batismo da água não isentava ninguém das culpas cometidas, nem constituía, por si só, elemento de redenção; mas, apenas, importava na promessa solene, feita em público, de corrigir-se, dando novo rumo e nova orientação ao modus vivendi até ali adotado.
Os símbolos — estes ou aqueles — nada podem e nada valem por si próprios, isto é, em sua forma ou apresentação material. O seu valor está na idéia que encerram e no sentimento que despertam. Por isso mesmo, é necessário, antes de tudo, saber interpretar o símbolo, o que equivale a dizer, conhecer a idéia que ele encobre. As letras do alfabeto são símbolos, os quais têm grande significação e importância para os que sabem ler; para o analfabeto, porém, nada representam, nenhuma importância podem ter. O mesmo se dá, evidentemente, com o simbolismo em geral, sob todos os aspectos. Esta circunstância é que o Batista fez sentir aos fariseus, homens hipócritas e desleais que procuravam batizar-se formalisticamente, apenas para aparentar bons propósitos.
Como vãs serão as diligências e inúteis os ensaios procurando solucionar os graves problemas da vida, através de sofisticarias, ritualismos, artimanhas e sortilégios!
Em tal importam, em espírito e verdade, as advertências do Batista, dirigidas aos homens desleais e dolosos de todos os tempos, representados, naquela época, pelos fariseus e saduceus.
Ocupemo-nos, agora, das duas modalidades de batismo: a do fogo e a do Espírito-Santo. Vejamos em que consistem.
O que é da Terra é da Terra; tem o seu cunho próprio e inconfundível. Por sua vez, o que é do Céu é do Céu; traz o característico, a identidade que o torna distinto, inimitável.
O batismo da água é da Terra. João empregou-o alegoricamente, com o fim que já expusemos. Como criação humana, pode ser mistificado, adulterado em sua finalidade, pois tudo que é do homem está sujeito a essa contingência. Mas o que vem de Deus escapa às influências mundanas, impõe-se por si mesmo, é inalterável; não se confunde nem se expõe ao perigo dos desvirtuamentos e das deturpações.
Com as outras duas espécies de batismo — o do fogo e o do Espírito-Santo, tal coisa não se verifica, justamente porque são de origem divina. Aquele, o da Terra, pode ser manobrado pelos homens, a seu talante. O seu emprego pode ser usado e abusivo, por isso que é da Terra. Outro tanto, porém, não sucede com o batismo do fogo e do Espírito. Na sua aplicação, os homens não podem intervir. Trata-se de fenômenos regulados pelas leis divinas, leis naturais que tudo regem no Universo. Nesse setor, é defeso ao homem penetrar e intervir. Nem mesmo como intermediário lhe é permitido funcionar na aplicação daqueles batismos, cuja ação e cujo poder realmente purificam e redimem as criaturas.
Entremos, agora, na apreciação do batismo do fogo.
Chama-se de fogo ao batismo decorrente de uma situação séria e decisiva de que participemos, pela primeira vez, na vida prática. Dir-se-ia uma prova eliminatória em que tivéssemos de fazer valer toda a. nossa capacidade, todo o nosso valor, todos os nossos recursos de habilitação. O soldado, por exemplo, que estrela na. peleja, combatendo e sendo combatido, recebe o batismo de fogo. Assim, pois, este se configura nas lutas incruentas, nas provas e nas expiações que resultam da encarnação. A alma. que enverga a libré da carne é lançada na liça. Ela tem que porfiar para se afazer ao meio; tem que prever todas as necessidades reclamadas pela matéria e a elas prover; tem que suportar a bagagem que traz do passado, a qual forma o seu ambiente interior; tem que se pôr em choque com as suas companheiras de exílio cujas imperfeições e defeitos entram em conflito com as suas próprias imperfeições e defeitos tem que arcar com as contingências e vicissitudes próprias deste mundo, tais como a ilusão dos sentidos, a enfermidade, as ingratidões, a injustiça, a inveja, o ciúme, as perseguições, as rivalidades, os padecimentos físicos e morais, a separação dos entes queridos; e, finalmente, tem que enfrentar a própria morte.
A Sra. Anne Dooley também adianta que 90% dos pacientes tratados no Hospital de Porto Alegre são católicos romanos.
Explica, em linhas gerais, como funciona o hospital e, em seguida, sai com esta: “Ferrari faz a surpreendente (“astoníshing») declaração de que, em muitos casos, essas entidades (obsessoras) se revelam “inimigos em vidas anteriores que se vingam dos adversários que os prejudicaram em passadas existências”.
Cautelosamente, a articulista passa rapidamente sobre o assunto, dizendo que “Tenha ou não substância a sua teoria (a de Ferrari), sem dúvida que muito trabalho de alta categoria está sendo realizado no Brasil”. Acha que deveria ser designado um comitê de alto gabarito para estudar o assunto aqui, em nosso país. Termina o seu artigo de maneira muito curiosa, dizendo que o Dr. Wickland abriu a picada, na primeira metade deste século. “Quem, na segunda metade do chamado século científico, dará provas de igual coragem e lucidez?
Podemos responder com outra pergunta: Onde estão os que não acham surpreendente a afirmativa de Conrado Ferrari? Esses, dizemos nós, estão perfeitamente em condições de demonstrar coragem e lucidez. Há outra pergunta complementar a fazer: Como é que poderemos começar a entender o mecanismo do Espírito e da lei cármica sem a ajuda racional, evidente, lógica, da reencarnação?
Nem que fosse a propósito, para dar continuidade à questão palingenésica, aqui está neste mesmo número de “Two Worlds” a primeira parte (de duas) de um artigo de Alan Howgrave-Graham. Chama-se “Reencarnation: a rational view” (Reencarnação - uma opinião racional). O autor costuma colaborar com certa regularidade nessa revista. Tem 88 anos de idade. A redação já procura cercar o trabalho de certas cautelas, classificando a reencarnação de “vexed questíon”, a “vexatória questão”, ou ainda: “the highly controversial problem”, isto é, “problema altamente controvertido”.
Embora o trabalho conste de duas partes, a primeira dá para a gente ajuizar das idéias do Sr. Howgrave-Graham. Por exemplo: está convencido de que a reencarnação ocorre mesmo e que aconteceu pelo menos no seu caso particular. Adiante informa que, “apesar de numericamente bem frequente, é provavelmente, em base percentual, não a regra, mas, antes, a exceção” (!)
Acha-a uma “idéia interessante” e pouco mais que isso. Os que morrem quando ainda crianças só necessitavam daquele curto lapso de tempo “para algumas lições ou experiências suplementares”. E’ a sua opinião.
Menciona um caso - que apenas informa não ser o de Bridey Murphy - em que se verificou “uma aparente ressuscitação de memórias de uma vida anterior pela hipnose”. Num ponto podemos concordar plenamente com o autor, quando ele diz que os que rejeitam a idéia da reencarnação o fazem porque têm dela uma concepção deformada. Acham estes, por exemplo, que a cada vida assumem uma personalidade inteiramente distinta, além das “mudanças de parentes, ambiente, criação, ocupação e até de língua e talvez de pais, e que cada vez é uma entidade inteiramente nova como se acabada de nascer pela primeira vez. (Os grifos são metia.) Que o “eu” de hoje, 1963, pode desaparecer completamente como os anteriores e poderá ser seguido por outro inteiramente diferente, daqui a cem anos. Qual seria, então, o “eu real”? - perguntaria o anti-reencarnacionista. O de 1963? Porquê? E porque não o de 1760? Poderia, então, ser um arcebispo e agora um empregado de banco...”
O autor recusa todas essas noções (e corretamente, a nosso ver), esclarecendo que o ser é uno: “sou o que sou e nada mais. Meu corpo é meu, minha mente é minha, minha alma é minha.”
Em seguida passa a analisar um poema de Wordsworth, intitulado “Intimations of Immortality”, e que representa, em linhas gerais, suas próprias idéias. “Our birth - diz o poeta - is but a sleep and a forgething ...” “Nosso nascimento não é senão um sono e um esquecimento...; a alma que se levanta conosco, estrela da nossa vida, já teve seu pouso alhures e veio da distância infinda; não em total esquecimento, nem em sua nudez total; trilhando nuvens de glória, viemos de Deus, que é nosso lar!”
Sublime intuição dos poetas, leitor. Na paz dos seus gabinetes de trabalho, mensageiros do Senhor lhes sopram versos como estes.
Aguardamos a segunda parte do artigo do Sr. Howgrave-Graham, a fim de podermos discutir-lhe melhor as idéias.
W. M. Blewett, um leitor que se revela multo erudito, contesta uma parte do trabalho da Sra. Emma H. Britten, que “Two Worlds” vem publicando regularmente. O leitor deve lembrar-se de que não me sinto atraído pelos escritos da Sra. Britten, mas, na minha ignorância, não sei julgá-la e atribuo o defeito de apreciação a mim e não a ela. Já este não, que conhece o assunto e diz que o trecho publicado em Setembro “contém muitas estranhas afirmações”. Mesmo o principiante no estudo de religiões comparadas, diz o missivista, sabe que o Budismo emergiu do Hinduísmo, muito mais antigo, ao passo que a Sra. Britten declara que o “Budismo é a mais antiga mitologia das nações no dizer de São Paulo, é o derradeiro inimigo a vencer. A dor, portanto, sob suas múltiplas modalidades, constitui o batismo de fogo, de cuja ação ninguém escapa e cuja aplicação independe do concurso humano.
Importa dizer que ele vem de cima, atua como lei ou, de má vontade, com submissão cai revolta. Do da água, que é terreno, podemos fugir, mas, do de fogo, que é divino, não nos é dado fugir ou recalcitrar.
Isto corresponde exatamente ao aforismo jurídico que diz: Dura Lex sed Lex. A Lei é dura, mas é Lei, e a ela temos que nos submeter.
A influência do batismo da água é precária duvidosa; pode ser ou não ser eficiente, dependendo da sinceridade, do estado moral de quem o recebe. O poder do batismo de fogo é positivo; mais dia menos dia, nesta ou em subseqüentes reencarnações, a alma acaba sendo lapidada pela dor. A sua eficiência é infalível. Não há mal que não vença, não há vício que não debele, não há paixão que não dome, por mais furiosa que seja, por mais inveterada e radicada que se encontre. A dor vence e triunfa sempre, conseguindo o seu objetivo — que é o aperfeiçoamento e a espiritualização do Homem. Seu poder de transformação é incalculável. Sua força regeneradora é irresistível. A água lava, do fogo purifica. E purificar é mais do que lavar; evidentemente. Há sujidades e nódoas que a água é impotente para tirar. Ao poder do fogo, porém, não há imundície que resista. As escórias integradas no ouro puro da alma humana durante séculos e milênios, escórias que pareciam irredutíveis, por isso que inseparáveis da divina gema, acabam derretendo-se, revelando sua inferioridade e separando-se da centelha celeste, cuja natureza, então, se ostenta em todo o seu esplendor.
Eis ai, portanto, como se explicam as palavras de Jesus: “Eu vim a este mundo para atear fogo; e o que mais quero se esse fogo já está aceso.”
Dor, fogo bendito! batismo do Céu, potência purificadora das almas em expiação — bendita e bem-vinda sejas entre os homens!
Fogo original trouxe Jesus à Terra! Sim, fogo que se não apaga mais, uma vez aceso; fogo que abrasa os corações transformados em cadinhos ondeo egoísmo se transmuda em altruísmo, as rivalidades em cooperação, o ódio em amor; onde, um dia, se fundirão as raças e os credos, as escolas e os partidos, os pavilhões e os idiomas, formando uma só pátria uma só família: a Humanidade. Eis o milagre que o batismo de fogo produz!
Quem ousará negar semelhante prodígio, diante dos fatos consumados em todas as épocas da História, nos casos pessoais de conversão e santificação de pecadores?
Meditando acerca das considerações tecidas em torno do batismo de fogo, ficamos como que entre confusos e perplexos, quando ponderamos o fato de o Batista haver dito ser esse o batismo trazido por Jesus e levamos em conta que a dor sempre foi patrimônio da Humanidade em todos os tempos.
Tentaremos esclarecer esse ponto, procurando desvencilhar-nos desse cipoal dm que muitas vezes nos deixamos embaraçar devido à nossa teimosia em olhar para baixo, e não para Cima, isto é, para a Luz da Verdade. Apegamo-nos quase sempre à dureza das palavras, sem nelas procurarmos o espírito que as vivifica.
O sofrimento e o Homem são da mesma idade. Este jamais existiu sem aquele. Este mundo é a grande escola, onde as almas obstinadas aprendem e se educam através da dor. Jesus, notemos bem, é o Guia, é o Redentor, é o Mestre, é o Cristo escolhido e ungido por Deus para dirigir, ensinar e conduzir o Homem na conquista da, imortalidade, emancipando-se das encarnações e reencarnações. Por isso ele afirma com a autoridade que lhe é própria: Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Demais, resta ainda considerar que Jesus veio dar à dor o seu devido sentido, mostrando-a como elemento de redenção. Emmanuel, em certo trecho do seu romance “Renúncia”, diz mesmo que a dor é o preço sagrado de nossa redenção. Sabemos muito bem que o amor equilibra, a dor restaura. E’ por isso que, seguidamente, ouvimos frases como esta: nunca teria acreditado em Deus, nem mudado de vida, se não houvesse ,sofrido”.
Por aí vemos de quanta valia é a dor no processo de nossa Evolução Espiritual.
No Sermão do Monte, o Mestre a incluiu entre as beatitudes, apresentando-a, portanto, como expressão da misericórdia divina e não como castigo. Bom é que esclareçamos o seguinte: — Deus não salva ninguém, como não condena a quem quer que seja, por preferências ou exclusões; antes, ensina a todos o caminho da salvação, e deixa a cada um a liberdade de segui-Lo ou não. A redenção não foi, em última análise, senão a transmissão da mais intensa luz, que torna bem visível aquele caminho.
O batismo é como o sinal de que nos foi mostrada a estrela que nos guiou os magos. E’ o mesmo que a circuncisão; o sinal de que nascemos no meio salvador, mas não de que nos venham dele forças ou virtudes que nos salvem, quer usamos bem, quer usemos mal do livre arbítrio que nos foi dado para aproveitarmos ou não aquele meio.
Jesus, pois, é verdadeiro Redentor, porque remiu o Homem da ignorância das verdades divinas, que são a condição essencial da salvação. Ele abriu as portas do Céu à Humanidade, e isto porque lhe ensinou o caminho seguro de subir ao Pai; não acabou com a culpa, seu papel foi o de ensinar, pelo exemplo, a amar a Deus e ao próximo, e a morrer pelo Bem, para ressuscitar na Felicidade. Assim, o batismo, repetimos, é um sinal de que o Espírito recebeu a Luz, por Ele trazida à Terra.
Reformador – Fevereiro de 1965

O Evangelho na Doutrina Espírita


O Evangelho na Doutrina Espírita

Marcus Alberto de Mario
do Rio de Janeiro, RJ
Alguns segmentos religiosos mantém em seu discurso uma acusação grave contra a Doutrina Espírita, a de que nossa doutrina não é baseada nos ensinos de Jesus. É comum ouvirmos padres e pastores afirmarem que o Espiritismo é doutrina do demônio, e que os espíritas desconhecem o Evangelho.
Primeiro, há necessidade de se esclarecer o entendimento sobre o demônio, palavra de origem grega, daimon, que significa gênio ou protetor familiar. Sócrates, famoso filósofo grego, dizia conversar constantemente com seu daimon, de quem recebia orientações de ordem moral. Portanto, a palavra demônio só muito mais tarde veio receber a acepção de um ser criado para fazer o mal, concepção essa contrária ao bom senso e à lógica, pois se Deus, o Criador, é todo bondade, amor e justiça, não pode criar um ser destinado, por toda a eternidade, a fazer o mal, sem condição alguma de progresso. O reconhecimento da existência do daimon sanciona a crença na imortalidade da alma, na continuidade da vida após a morte e na comunicabilidade dos espíritos com os homens, e nada tem a ver com a maldade absoluta, pois a crença espírita é a da existência de espíritos imperfeitos, ainda se comprazendo no mal, mas que, pela lei do progresso, irão caminhar paulatinamente para o bem.
Quanto à argumentação de que o Evangelho não faz parte do Espiritismo, façamos um pequeno estudo de "O Livro dos Espíritos", a obra básica da doutrina. Logo no frontispício, a página de abertura da obra, lemos: "O Livro dos Espíritos, contendo os princípios da Doutrina Espírita sobre (...) as leis morais (...) segundo o ensinamento dos Espíritos Superiores (...)". Perguntamos: que leis morais? São aquelas inscritas nos Dez Mandamentos e que servem de fundamento aos ensinos e exemplos de Jesus.
No item seis da Introdução, quando resume os pontos principais da Doutrina, baseado nos ensinos do Espíritos, Allan Kardec expressa a crença em Deus como condição básica da fé espírita. Depois informa: "A moral dos Espíritos Superiores se resume, como a do Cristo, nesta máxima evangélica: "fazer aos outros o que desejamos que os outros nos façam", ou seja, fazer o bem e não o mal. O homem encontra nesse princípio a regra universal de conduta, mesmo para as menores ações." Como podemos perceber, é um ensino de Jesus recomendado como princípio universal de conduta para o homem.
Na mensagem dos Espíritos Superiores que antecede os estudos na forma de perguntas e respostas, lemos: "A vaidade de certos homens, que crêem saber tudo e tudo querem explicar à sua maneira, dará origem a opiniões dissidentes; mas todos os que tiverem em vista o grande princípio de Jesus (acima referido) se confundirão no mesmo sentimento de amor ao bem e se unirão por um laço fraterno que envolverá o mundo inteiro; deixarão do lado as mesquinhas disputas de palavras para somente se ocuparem das coisas essenciais." Novamente a alusão a Jesus e seus ensinos, desta vez como roteiro para união das doutrinas religiosas.
A primeira parte de "O Livro dos Espíritos", tratando das Causas Primárias, faz um amplo estudo sobre Deus e a criação divina, e se o Espiritismo nenhuma relação tivesse com o Evangelho, não poderia construir seu edifício doutrinário na crença em Deus, pois toda a cristandade, seja ela católica ou protestante, baseia-se na crença divina.
Na segunda parte, estudando o Mundo Espírita ou dos Espíritos, compreendemos que os Espíritos são os próprios homens desencarnados, e que tudo no universo é regido pela lei de Deus, e que temos o progresso intelectual e também o progresso moral, e que é este último o que distingue as diferentes ordens de Espíritos. Mais uma vez a questão moral como base do pensamento espírita.
Quando Allan Kardec chega à terceira parte, As Leis Morais, nenhuma dúvida temos quanto a estar o Espiritismo intimamente ligado ao Evangelho. Basta lermos a questão 625: Pergunta: "Qual o tipo mais perfeito que Deus ofereceu ao homem, para lhe servir de guia e modelo?" Resposta: "Vede Jesus." A seguir o Codificador faz este comentário: "Jesus é para o homem o tipo de perfeição moral a que pode aspirar a Humanidade na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ele ensinou é a mais pura expressão de sua lei, porque ele estava animado do espírito divino e foi o ser mais puro que já apareceu na Terra."
Jesus como guia e modelo da Humanidade e mais, a sua doutrina, ou seja, os seus ensinos, como expressão perfeita da lei divina fazem parte dos princípios básicos do Espiritismo, não havendo possibilidade, portanto, do espírita estar desligado do Evangelho ou não poder ser considerado cristão.
O que acontece é que o Espiritismo não considera o Evangelho ao pé da letra. Temos que o Evangelho é o conjunto de escritos dos discípulos e apóstolos sobre Jesus, recorrendo os mesmos para essa tarefa, da sua memória e de anotações diversas. Não transcreveram fielmente a vida e obra de Jesus, e cada um escreveu de acordo com seu ponto de vista, sofrendo maior ou menor influência da cultura judaica. Também o Evangelho sofreu mudanças nas traduções para outras línguas e recebeu acréscimos e decréscimos por parte da Igreja Católica, o que é fato histórico. Assim, o Espiritismo considera unicamente os ensinos morais de Jesus, tomando todo o resto da obra como subsídio histórico, o mesmo acontecendo com os escritos que compõem o Velho Testamento, ou Bíblia.
O espírita não se preocupa em decorar capítulos e versículos para recitá-los mecanicamente, pois sua meta é a vivência dos ensinos morais do Mestre Jesus, e essa vivência deve ser exercida através do amor ao próximo.
Evangelho e Espiritismo são indissociáveis, e quem afirma o contrário o faz por desconhecimento ou má fé. Não encontrando na prática espírita os fundamentos das cerimônias e dos rituais litúrgicos e nem das recitativas evangélicas de missas e sermões, condenam o Espiritismo julgando-o pela superfície, quando, se o estudassem, encontrariam a caridade recomendada por Jesus em ação, no silêncio de quem dá com a mão direita sem estender a mão esquerda para receber, como recomendou o guia e modelo da Humanidade.
(Jornal Verdade e Luz Nº 182 de Março de 2001)

Evangelho: Teoria e Prática


Evangelho: Teoria e Prática

Rogério Coelho
"Embora o coração humano seja um abismo de corrupção, sempre há, nalgumas de suas dobras mais ocultas, o gérmen de bons sentimentos, centelha vivaz da essência espiritual" Dufêtre (1)
Classificando os Espíritas que se convenceram por um estudo direto da Codificação, Allan Kardec chamou de Espíritas imperfeitos aqueles que apenas admiram a moral do Espiritismo mas não a praticam. Em nada alteram os seus hábitos e não se privam de um gozo que fosse. (2)
Existe uma grande defasagem entre a teoria do Evangelho e a sua prática pela Humanidade.
Narra-nos Neio Lúcio (3) que Tadeu e André, certa noite, em casa de Simão, ao ouvirem Jesus falar da glória reservada aos bons, cientes das grandes limitações morais que ainda detinham, amarguraram-se enormemente deixando transparecer isso através de pranto discreto. Não podendo conter-se, Tadeu exclamou aflito:
- Senhor, aspiro sinceramente a servir à Boa-Nova; contudo, sou portador de um coração indisciplinado e ingrato. Ouço, contrito, as explanações do Evangelho; lá fora, porém, no trato com o mundo, não passo de um Espírito renitente no mal. Lamento... Lamento... mas como trabalhar em favor da Humanidade nestas condições?
Com a vos embargada, adiantou-se André, alegando, choroso:
- Mestre, que será de mim? Ao seu lado, sou a ovelha obediente; entretanto, ao distanciar-me... basta uma palavra insignificante de incompreensão para desarmar-me.
Reconheço-me incapaz de tolerar o insulto ou a pedrada. Será justo prosseguir, ensinando aos outros a prática do bem, imperfeito e mau qual me vejo?!...
Calando-se André, interferiu Pedro, considerando:
- Por minha vez, observo que não passo de mísero endividado e inferior.
Sou o pior de todos. Cada noite, ao me retirar para as orações habituais, espanto-me diante da coragem louca dentro da qual venho abraçando os atuais compromissos. Minha fragilidade é grande, meus débitos são enormes. Como servir aos princípios sublimes do Novo Reino, se me encontro assim insuficiente e incompleto?
- À palavra de Pedro, juntou-se a de Tiago, filho de Alfeu, que asseverou, abatido:
- Na intimidade de minha própria consciência, reparo quão longe me encontro da Boa-Nova, verdadeiramente aplicada. Muita vez, depois de reconfortar-me ante as dissertações do Mestre, recolho-me ao quarto solitário, para sondar o abismo de minhas faltas. Há momentos em que pavorosas desilusões me tomam de improviso. Serei na realidade um discípulo sincero? Não estarei enganando ao próximo?
Outras vozes se fizeram ouvir no cenáculo, desalentadas e cheias de amargura.
Jesus, porém, após assinalar as opiniões ali enunciadas, entre o desânimo e o desapontamento, sorriu, tocado de bom humor, e esclareceu:
- "Em verdade, o paraíso que sonhamos ainda vem muito longe e não vejo aqui nenhum companheiro alado. A meu parecer, na indumentária celeste, ainda não encontram domicílio no chão áspero e escuro em que pisamos. Somos aprendizes do bem, a caminho do Pai, e não devemos menoscabar a bendita oportunidade de crescer para Ele, no mesmo impulso da videira que se eleva para o céu, depois de nascer no obscuro seio da terra, alastrando-se compassiva, para transformar-se em vinho reconfortante, destinado à alegria de todos. Mas, se vocês se declaram fracos, devedores, endurecidos e maus e não são os primeiros a trabalhar para se fazerem fortes, redimidos, dedicados e bons em favor da obra geral de salvação, não me parece que os anjos devam descer da glória dos Cimos para substituir-nos no campo das lições da Terra. O remédio, antes de tudo, se dirige ao doente, o ensino ao ignorante... De outro modo, penso, a Boa-Nova de salvação se perderia por inadequada e inútil..."
Difícil é o rompimento das peias do "homem-velho" com seus atavismos, mas não é impossível!...
O Espírita verdadeiro, isto é, o Espírita-Cristão, não se limita apenas a admirar a moral cristã mas, esforça-se por praticá-la em espírito e verdade.
Afirma Allan Kardec que (4)
"(...) reconhece-se o verdadeiro Espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más".
Jesus foi muito claro e enfático quando afirmou que "de médicos não precisam os sãos, mas sim, os doentes", que somos todos nós, que ainda reencarnamos em Orbes de Provas e Expiações.
(1) Kardec, A in "O Evangelho Segundo o Espiritismo" - Capítulo X, item 18
(2) "O Livro dos Médiuns" - 1ª parte, Capítulo III, item 28/2
(3) Neio Lúcio/Xavier, F.C. in "Jesus no Lar" - cap. 38
(4) Kardec, A in "O Evangelho Segundo o Espiritismo" - cap. XVII/4
(Jornal Mundo Espírita de Junho de 1997)

Palestra Evangelho e Espiritismo - Haroldo

http://www.youtube.com/watch?v=GPEVzvtfYqM

Evangelho e Espiritismo


Evangelho e Espiritismo

Sérgio Biagi Gregório
SUMÁRIO:1-Introdução. 2-Conceito. 3-Conotações do Termo Evangelho. 4- Contexto Histórico do Evangelho: 4.1-Ambiente Político-Religioso; 4.2-O Judaísmo Palestinense no Tempo de Cristo; 4.3-De Cristo a Kardec. 5- Kardec e o Evangelho Segundo o Espiritismo. 6-Evangelho e Educação. 7-Conclusão. 8-Bibliografia Consultada. 

1. INTRODUÇÃO

O objetivo central deste estudo é enaltecer os esforços constantes de evangelização das criaturas. Para que possamos atingir tal desideratum, preparamos o seguinte roteiro: conceito, conotações do termo "Evangelho", Evangelho no contexto histórico, o Evangelho Segundo o Espiritismo e Evangelho e Educação.

2. CONCEITO

O uso freqüente de uma palavra pode provocar, com o tempo, a perda do seu significado original. Isto aconteceu com muitos de nós que dizemos e ouvimos pronunciar tantas vezes o termo "Evangelho".

De acordo com Battaglia em Introdução aos Evangelhos, o primeiro significado lembrado pelo som desta palavra é o de um livro, um dos quatro que foram legados pela era apostólica e que contém a vida e a doutrina de Jesus. A palavra "Evangelho" suscita em muitos cristãos uma vaga idéia de respeito e solenidade ligada à liturgia da Missa dominical, quando o som deste termo faz-nos ficar todos de pé para ouvi-lo devota e respeitosamente. Mas normalmente, tudo pára aí.

Evangelho é a tradução portuguesa da palavra grega Euangelion que foi notavelmente enriquecida de significados. Para os gregos mais antigos ela indicava a "gorjeta" que era dada a quem trazia uma boa notícia. Mais tarde passou a significar uma "boa-nova", segundo a exata etimologia do termo.

Falava-se de "evangelho", nas cidades gregas, quando ecoava a notícia de uma vitória militar, quando os arautos noticiavam o nascimento de um rei ou de um imperador. Ao termo estava unida a idéia de festa com cânticos, luzes e cerimônias festivas. Era, em suma, o anúncio da alegria, porque continha uma certeza de bem-estar, de paz e salvação. (1984, p. 19 e 20)

3. CONOTAÇÕES DO TERMO "EVANGELHO"

O Evangelho de Jesus - Deus, no Velho Testamento, havia comunicado os seus anúncios de alegria aos patriarcas, a Moisés e aos profetas do seu povo; no Novo Testamento, dá o maior dos "anúncios", o anúncio de Jesus. Jesus não é só conteúdo do anúncio, mas é também o primeiro portador e arauto. Ele apresenta a si mesmo e a sua obra como o "Evangelho de Deus", isto é, a "boa-nova" que Deus envia ao mundo que espera. (Battaglia, 1984, p. 21 e 22)

O Evangelho dos Apóstolos - Desde o momento da ascensão de Jesus, a palavra "Evangelho" designou a pregação oral dos apóstolos, pregação que tinha como argumento a pessoa e atividade de seu Mestre divino. (Battaglia, 1984, p. 23)

Os Quatro Evangelhos - Desde os primeiros anos do cristianismo preferiu-se falar de "Evangelho", no singular, também quando se referia aos livros. isto porque os escritos dos apóstolos traziam todos o mesmo e idêntico "alegre anúncio" proclamado por Jesus e difundido oralmente. Quando se desejou, porém, indicar de maneira específica cada um dos quatro livros, encontrou-se uma fórmula particularmente eficaz e significativa: "Evangelho Segundo Lucas", "Evangelho Segundo Mateus", "Evangelho Segundo Marcos" e "Evangelho Segundo João". Desse momento em diante, o singular e o plural se alternam para indicar, um a identidade do anúncio, o outro a diversidade de forma e redação. Ficará, porém, sempre viva a convicção de que o Evangelho é um só: o alegre anúncio de Jesus. (Battaglia, 1984, p. 25 e 26)

O Quinto Evangelho - Os Atos dos Apóstolos e as Cartas Apostólicas dispostos cronologicamente formariam um quinto evangelho. O Nascimento de Jesus, por exemplo, poderia ser encontrado em Gl 4,4; Rm 1,4; At 3, 18-24; At 1,14. Sua atividade missionária em At 10,36; At 2,22; At 1,13; At 1, 21-22; 2 Pd 1, 16-18; 1 Jo 1, 1-3. Este mesmo exercício poderia ser feito com relação às condições de sua vida, o início da vida pública, a última ceia, a traição de Judas etc. (Battaglia, 1984, p. 32 a 36)

Evangelhos Apócrifos - Muitas informações acerca de Jesus estão arroladas nos evangelhos apócrifos (escondidos) e nas ágrafas (ensino oral).

4. CONTEXTO HISTÓRICO DO EVANGELHO

4.1. AMBIENTE POLÍTICO-RELIGIOSO

O povo judeu, ao qual Jesus e os apóstolos pertenciam Império fazia parte do grande império romano que estendia as asas das suas águias do Atlântico ao Índico. O jugo romano, porém, pesava de modo especial sobre a Palestina ao contrário dos outros povos. O poder político-religioso na Palestina, naquela época, era exercido pelo procurador romano, pelo sumo sacerdote e pelo senado judeu.

O procurador romano era sobretudo um chefe militar, encarregado de vigiar, com 3.000 homens à sua disposição. Competia-lhe cobrar os tributos a serem enviados ao erário imperial. Administrava a justiça só nos casos em que era prevista a pena de morte, pena que o tribunal ordinário do sinédrio, ou os tribunais locais das várias regiões e cidades não podiam executar. Por esse motivo Jesus, embora tivesse sido condenado à morte pelo sinédrio, teve de comparecer diante de Pilatos para responder por delito capital.

O sumo sacerdote era assistido, no governo político e religioso da nação, por uma espécie de senado judeu, o sinédrio.

Pertenciam ao sinédrio três categorias de pessoas:
- "príncipes dos sacerdotes" (chefes das famílias e das classes sacerdotais e os sumos sacerdotes depostos do cargo)
- "anciãos" (membros das famílias nobres e ricas de Jerusalém).
- "escribas" ou "doutores da lei" (mestres judeus peritos na Lei e na tradição). Todos esses membros pertenciam às duas seitas principais do judaísmo: a dos saduceus e a dos fariseus. (Battaglia, 1984, p. 105 a 107)

4.2. O JUDAÍSMO PALESTINENSE NO TEMPO DE CRISTO

O ambiente histórico-religioso em que o Evangelho nasceu é o do judaísmo formado e alimentado pelos livros sacros do Antigo Testamento, condicionado pelos acontecimentos históricos, pelas instituições nas quais se encontrou inserido e pelas correntes religiosas que o especificaram.

Embora o cristianismo seja uma religião revelada, diferente da judaica, apareceu historicamente como continuação e aperfeiçoamento da revelação dada por Deus ao povo de Israel. Jesus era um judeu, que nasceu e viveu na Palestina. Os apóstolos eram todos da sua gente e da sua religião.

Por isso, nos Evangelhos encontramos descrições, alusões e referências a pessoas, instituições, idéias e práticas religiosas do ambiente judaico, frente às quais Jesus e os apóstolos tomaram posição, aceitando-as ou rejeitando-as. (Battaglia, 1984, p. 118)

4.3. DE CRISTO A KARDEC 

A divulgação do Evangelho, desde as suas primeiras manifestações, não foi tarefa fácil. A começar pela construção desses conhecimentos - realizada sob um clima de opressão -, pois o jugo romano, como vimos anteriormente, pesava de maneira especial sobre a Palestina. As mortes dos primeiros cristãos, nos circos romanos, ainda ecoa de maneira indelével em nossos ouvidos. Além disso, tivemos que assistir à ingerência política em muitas questões de conteúdo estritamente religioso. Fomos desfigurando o Cristianismo do Cristo para aceitarmos o Cristianismo dos vigários, como disse o Padre Alta. A fé, o principal alimento da alma, torna-se dogmática nas mãos de políticos e religiosos inescrupulosos. Para ganhar os céus, tínhamos que confessar as nossas culpas, pagar as indulgências e obedecermos aos inúmeros dogmas criados pela Igreja. É dentro desse quadro de fé dogmática que surge o Espiritismo, dando à fé uma direção racional, no sentido de iluminar a vida espiritual de toda a humanidade.

5. KARDEC E O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

O Evangelho Segundo o Espiritismo é o 3.º Livro da Codificação. O Livro dos Espíritos surgiu em 18/04/1857, seguido pelo O Livro dos Médiuns, em 1861. Somente em 1864 Kardec publicou O Evangelho Segundo o Espiritismo. Isso para não chocar a crença católica da penas eternas.

Allan Kardec na Introdução de O Evangelho Segundo o Espiritismo diz que as matérias contidas nos Evangelhos podem ser divididas em cinco partes: os atos comuns da vida de Cristo, os milagres, as profecias, as palavras que serviram para o estabelecimento dos dogmas da Igreja e o ensinamento moral. Se as quatro primeiras partes foram objeto de controvérsia, a última manteve-se inatacável. Este é o terreno onde todas as crenças podem se reencontrar, porque não é motivo de disputas, mas sim regras de conduta abrangendo todas as circunstâncias da vida, pública e privada.

Kardec, para evitar os inconvenientes da interpretação, reuniu nesta obra os artigos que podem constituir, propriamente falando, um código de moral universal, sem distinção de culto. Nas citações conservou tudo o que era útil ao desenvolvimento do pensamento, não eliminando senão as coisas estranhas ao assunto. Como complemento de cada preceito, ajuntou algumas instruções escolhidas entre as que foram ditadas pelos Espíritos em diversos países, e por intermédio de diferentes médiuns.

Cabe lembrar que o Espiritismo não tem nacionalidade, está fora de todos os cultos particulares e não foi imposto por nenhuma classe social, uma vez que cada um pode receber instruções de seus parentes e de seus amigos de além-túmulo. Ele veio dar uma nova luz à moral do Cristo. (1984, p. 8 a 12)

6. EVANGELHO E EDUCAÇÃO

No âmbito do Espiritismo, o Evangelho deixou de ser apenas a fonte de meditação e oração para a ligação do homem com um Deus antropomórfico, no insulamento, para transformar-se num instrumento de aperfeiçoamento do indivíduo, de renovação íntima constante e continuada; de adequação, adaptação à vida, no torvelinho de suas modalidades, na incessante variação de suas manifestações. Em síntese, o objetivo do Espiritismo é transformar o Evangelho de crença em conhecimento - conhecimento das leis que governam o Espírito.

Com o Evangelho, a idéia de Educação se transforma. Ela continua sendo a transmissão de cultura de uma geração a outra, mas com a finalidade de estimular a criatividade, de adaptar o indivíduo à vida, de conduzi-lo à integração na sociedade, através do trabalho produtivo, das realizações conjuntas, de forma ordenada e pacífica. (Curti, 1983, p. 85 a 87)
A vinda do Mestre modificou o cenário do mundo. Emmanuel em Roteiro diz-nos que antes de Cristo, a educação demorava-se em lamentável pobreza, o cativeiro era consagrado por lei, a mulher aviltada qual alimária, os pais podiam vender os filhos etc. Com Jesus, entretanto, começa uma era nova para o sentimento. Iluminados pela Divina influência, os discípulos do Mestre consagram-se ao serviço dos semelhantes; Simão Pedro e os companheiros dedicam-se aos doentes e infortunados; instituem-se casas de socorro para os necessitados e escolas de evangelização para o espírito popular etc. (Xavier, 1980, cap. 21)

Emmanuel diz ainda em Emmanuel que "O Evangelho do Divino Mestre ainda encontrará, por algum tempo, a resistência das trevas. A má-fé, a ignorância, a simonia, o império da força conspirarão contra ele, mas tempo virá em que a sua ascendência será reconhecida. Nos dias de flagelo e de provações coletivas, é para a sua luz eterna que a Humanidade se voltará, tomada de esperança". (Xavier, 1981, p. 28)

7. CONCLUSÃO

O Evangelho (segundo o Espiritismo) deixa de ser fonte de meditação e oração e passa a ser um instrumento de aperfeiçoamento do indivíduo. É um guia insubstituível para a adaptação do homem às crescentes formas de vida. Refletindo sobre os seus conteúdos morais, o homem começa a evangelizar-se, ou seja, começa a criar novos hábitos e atitudes, a tornar operante a sua fé, a exercitar mais e mais vezes a paciência.
Adquire, assim, uma nova postura com relação à vida e ao seu próximo, porque aprendeu que o único evangelho vivo é aquele em que os outros o observam.

8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

BATTAGLIA, 0. Introdução aos Evangelhos - Um Estudo Histórico-crítico. Rio de Janeiro, Vozes, 1984.
CURTI, R. Espiritismo e Questão Social (Problemas da Atualidade I). São Paulo, FEESP, 1983.
KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed., São Paulo, IDE, 1984.
XAVIER, F. C. Emmanuel (Dissertações Mediúnicas), pelo Espírito Emmanuel. 9 ed., Rio de Janeiro, FEB, 1981.
XAVIER, F. C. Roteiro, pelo Espírito Emmanuel. 5. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1980.
São Paulo, 11/06/1995

UNIVERSIDADE E SUICÍDIO - Discutindo Arquitetura e Prevenção


Luiz Carlos Formiga


Com o titulo “Arquitetura segura – uma reflexão para o futuro”, no dia 12 de agosto, aconteceu um simpósio na nossa Universidade do Estado, coordenado pela Vice-Reitoria.

A UERJ é Pela VIDA, constatamos no hall dos elevadores:
“Torre Eiffel. 370 pessoas se suicidaram de 1898 até 1971. Foram colocadas grades protetoras.”

O suicídio nos chamou a atenção por causa de nossa linha de pesquisa. No segundo quartel da década de 1960 começamos a trabalhar com um agente etiológico de uma doença infecciosa respiratória letal para crianças não vacinadas. A morte de uma criança pela paralisia do diafragma e miocardite deixa qualquer um perplexo. Foi assim que fiquei posteriormente ao ler “Aspectos médico-sociais das tentativas de suicídio de crianças por ingestão de produtos químicos, J. Ped., 43: 152-156, 1977.” O alcoolismo estava presente na vida dos pais.

A última atividade do simpósio foi sobre “plantas tóxicas”. Embora, perfumadas e belas são perigosas como as mentes que não possuem sensibilidade.


Comentando suicídio, arquitetura e comportamento, o professor Marcelo Tavares, UNB, chamou a atenção de que ‘Notre Dame é uma gaiola. Você não percebe porque a beleza permaneceu, mesmo depois de executada medida preventiva."
http://www.notredamedeparis.fr/spip.php?rubrique2
"Empire States (Nova Iorque). De 1931 a 1947 ocorreram diversos suicídios até a colocação de cerca ao redor do observatório."
Por que as crianças se suicidam? Até entendia as razões do adulto, mas compreender tentativas de suicídio de crianças por ingestão de produtos químicos era “over-dose”. Fui à luta e escrevi sobre isso, em dezembro de 1981, no Reformador, 99(1833): 387-392 e estou nela até hoje.
http://www.espirito.org.br/portal/artigos/neurj/por-que-criancas-se-suicidam.html
Existem homens capazes de resistir a desgraças horríveis enquanto outros se suicidam depois de aborrecimentos ligeiros. Seria importante investigar a causa desta fragilidade/resistência e o que contribui para essa estrutura maior ou menor, em termos de inteligência emocional e espiritual. Interessante anotar que é nas épocas em que a vida é menos dura que as pessoas a abandonam com mais facilidade, o que fez o psiquiatra Miguel Chalub (O Globo, 12-5-1979), lembrar que em situações altamente dramáticas, como nos campos de concentração, o número de suicídios é bem pequeno.

O professor Tavares da UNB comentou que para ganhar a liberdade o indivíduo atravessa a barreira de arame farpado, mas, para morrer, ele exige alguma gratificação, não quer sentir dor.
Reichstag (Berlim). Novas barreiras de segurança e aumento do efetivo policial para evitar os freqüentes suicídios que ocorrem da sua cúpula.
http://www.berlinistin.com/2010/04/suicidio-no-reichstag.html

Na UERJ, Neury José Botega, professor da faculdade de medicina na UNICAMP lecionou Epidemiologia e Prevenção e nos fez pensar com números. Disse que “pela primeira vez no Brasil se discute 'Arquitetura Segura'”. Dizendo ainda que houve aumento de suicídios (17%) no Brasil, nos últimos 10 anos, informou que registramos 25 suicídios por dia, mas esse número deve ser 20% maior. Num acidente que ocorre com ônibus a morte de 25 passageiros sairia na primeira página de jornal, mas 25 suicídios não são noticiados. Indicou o Mapa da Violência 2011 e nos pediu para não deixar de pensar no suicídio da população indígena, que está ligado ao alcoolismo.
http://blog.planalto.gov.br/mapa-da-violencia-2011-aponta-causas-de-homicidios-entre-jovens-no-brasil/

Botega ensinou como se faz prevenção universal (população geral); seletiva (de risco mais elevado) e indicada (alto risco). Na população geral a conscientização e a redução de acesso aos meios letais são importantes. Há risco mais elevado na presença de doenças mentais (alcoolismo, transtorno bipolar) que devem ser tratadas. Não esquecer adolescentes grávidas e epilepsia. Uma tentativa é o principal fator de risco. Há alto risco e devemos seguir os que já tentaram, incentivando a continuar o tratamento. O telefonema ajuda muito.


Alguns manuais são fundamentais.

Discutir o suicídio e oferecer informações adequadas são procedimentos importantes para a prevenção.

A OMS deve ser visitada. Vejam, entre outros, o manual em português para professores e educadores.
http://www.who.int/mental_health/prevention/suicide/en/suicideprev_educ_port.pdf
www.who.int./mental_health/resources/suicide/en/index.html

Como oferecer orientações sobre como abordar o suicídio na imprensa, preservando o direito à informação e colaborando para a prevenção? A resposta existe e merece ser examinada, portanto vamos nos utilizar da ABP Editora, que fez um manual dirigido ao profissional de imprensa.
http://www.abp.org.br/sala_imprensa/manual/img/CartilhaSuicidio_2009_light.pdf

Veja um manual para profissionais de Saúde em ATENÇÃO PRIMÁRIA para prevenção do suicídio.
http://lproweb.procempa.com.br/pmpa/prefpoa/sms/usu_doc/prevencao_do_suicidio.pdf
http://www.cvvnovohamburgo.org.br/apoio-emocional.html?gclid=CL7KrdKj0qoCFUh_5godbxJ5MA

Divida com a gente. Então, se você tem sentido vontade de conversar com alguém, ligue para o CVV. Nós temos todo o tempo do mundo para saber como vai você.

O CVV é um serviço de apoio emocional gratuito e sigiloso, disponível 24h por dia, 365 dias por ano, a todas as pessoas que estejam querendo conversar.
http://www.cvv.org.br/
Lista de contatos e endereços dos Postos CVV em todo o Brasil.
http://www.cvv.org.br/site/images/stories/o_cvv/postos_cvv.pdf

Em outubro de 2011, pretendemos estar no III Seminário de Prevenção do Suicídio da UERJ. Estudaremos os “Aspectos sociais e culturais na compreensão e prevenção do suicídio".
Nestes dias teremos peça teatral como atividade complementar:
“A história do homem que ouve Mozart e da moça do lado que escuta o homem.”

Na UERJ funciona um Núcleo Espírita Universitário (NEU)
http://neu-uerj.zip.net/ norteado pelas pesquisas e obras de Allan Kardec
http://www.espirito.org.br/portal/artigos/neurj/allan-kardec-e-sua-missao.html

Com metodologia científica o pesquisador francês conseguiu demonstrar que a morte do corpo não mata a vida, fazendo do suicídio um ato estúpido
http://www.espirito.org.br/portal/artigos/neurj/metodologia-cientifica.html

Em Uberaba, impressionou-me o sofrimento e a expectativa daquelas mães esperando a comunicação, como Nair Belo. Chico Xavier tinha um limite e psicografava “poucos”, durante cada reunião.

Qual o critério utilizado pela espiritualidade para a escolha das mães privilegiadas?

Um amigo disse-me já ter feito a pergunta. Fora informado de que o critério era a profundidade da dor na alma, aquela que poderia levar ao suicídio.
http://naocometasuicidio.blogspot.com/2011/03/aborto-e-suicidio-luiz-carlos-formiga.html
Com Chico Xavier aquelas mães acabavam concordando que a morte é apenas uma mudança de estilo de vida.
http://www.jornaldosespiritos.com/2007.3/col49.10.htm

Investigações sistemáticas passaram a demonstrar que pessoas religiosas não eram sempre neuróticas ou instáveis e que indivíduos com fé religiosa profunda, na realidade pareciam lidar melhor com estresses da vida, recuperar-se mais rapidamente de depressão e apresentar menos ansiedade e outras emoções negativas que as pessoas menos religiosas
http://www.espiritualidades.com.br/Artigos/F_autores/FORMIGA_Luiz_tit_Drogas_e_Espiritualidades.htm
O suicídio, ato isolado, não pode ser politicamente blindado e de algum modo repercute no trabalhador. Uma funcionária que escutou o barulho, ao olhar pela janela foi parar no hospital com crise hipertensiva, nos informou o médico João Luiz Clara André do DESSAUDE, que tem, como vocação, a prevenção/promoção da saúde dos trabalhadores da UERJ.

O professor Marcelo Tavares comentou que nossa cultura não foi preparada para lidar com o sofrimento psíquico grave e "relatou o caso específico de um grande shopping de uma capital, onde o suicídio era freqüente. Descreveu o problema, a intervenção arquitetônica realizada e seus efeitos."

O NEU tem procurado, mesmo que de forma imperfeita, colaborar nessa discussão.
http://naocometasuicidio.blogspot.com/2011/02/suicidio-e-loucura-dr-luiz-carlos.html

"UERJ (Rio de Janeiro). De 1989 até 2011 (agosto) foram 11 suicídios. Estamos trabalhando para mudar esse quadro."

(*) Texto enviado, como retroalimentação, à Vice Reitoria da UERJ, pelo Prof. Dr. Luiz Carlos D. Formiga, Aposentado, Faculdade de Ciências Médicas, participante.


domingo, 1 de julho de 2012

IGREJA CATÓLICA JÁ RECONHECE COMUNICAÇÃO COM OS ESPÍRITOS


IGREJA CATÓLICA JÁ RECONHECE COMUNICAÇÃO COM OS ESPÍRITOS

Recentemente foi lançado no mercado cultural um livro mediúnico trazendo as reflexões de um padre depois da morte, atribuído, justamente, ao Espírito Dom Helder Câmara, bispo católico, arcebispo emérito de Olinda e Recife, desencarnado no dia 28 de agosto de 1999, em Recife (PE).
O livro psicografado pelo médium Carlos Pereira, da Sociedade Espírita Ermance Dufaux, de Belo Horizonte, causou muita surpresa no meio espírita e grande polêmica entre os católicos. O que causou mais espanto entre todos foi a participação de Marcelo Barros, monge beneditino e teólogo, que durante nove anos foi secretário de Dom Helder Câmara, para a relação ecumênica com as igrejas cristãs e as outras religiões.

Marcelo Barros secretariou Dom Helder Câmara no período de 1966 a 1975 e tem 30 livros publicados. Ao prefaciar o livro Novas Utopias, do espírito Dom Helder, reconhecendo a autenticidade do comunicante, pela originalidade de suas idéias e, também, pela linguagem, é como se a Igreja Católica viesse a público reconhecer o erro no qual incorreu muitas vezes, ao negar a veracidade do fenômeno da comunicação entre vivos e mortos, e desse ao livro de Carlos Pereira, toda a fé necessária como o Imprimátur do Vaticano. É importante destacar, ainda, que os direitos autorais do livro foram divididos em partes iguais, na doação feita pelo médium, à Sociedade Espírita Ermance Dufaux e ao Instituto Dom Helder Câmara, de Recife, o que, aliás, foi aceito pela instituição católica, sem qualquer constrangimento.

No prefácio do livro aparece também o aval do filósofo e teólogo Inácio Strieder e a opinião favorável da historiadora e pesquisadora Jordana Gonçalves Leão, ambos ligados à Igreja Católica. Conforme eles mesmos disseram, essa obra talvez não seja uma produção direcionada aos espíritas, que já convivem com o fenômeno da comunicação, desde a codificação do Espiritismo; mas, para uma grandiosa parcela da população dentro da militância católica, que é chamada a conhecer a verdade espiritual, porque "os tempos são chegados", estes ensinamentos pertencem à natureza e, conseqüentemente, a todos os filhos de Deus.

A verdade espiritual não é propriedade dos espíritas ou de outros que professam estes ensinamentos e, talvez, porque, tenha chegado o momento da Igreja Católica admitir, publicamente, a existência espiritual, a vida depois da morte e a comunicação entre os dois mundos.

Na entrevista com Dom Helder Câmara, realizada pelos editores, o Espírito comunicante respondeu as seguintes perguntas sobre a vida espiritual:

Dom Helder, mesmo na vida espiritual, o senhor se sente um padre?

Não poderia deixar de me sentir padre, porque minha alma, mesmo antes de voltar, já se sentia padre. Ao deixar a existência no corpo físico, continuo como padre porque penso e ajo como padre. Minha convicção à Igreja Católica permanece a mesma, ampliada, é claro, com os ensinamentos que aqui recebo, mas continuo firme junto aos meus irmãos de Clero a contribuir, naquilo que me seja possível, para o bem da humanidade.

Do outro lado da vida o senhor tem alguma facilidade a mais para realizar seu trabalho e exprimir seu pensamento, ou ainda encontra muitas barreiras com o preconceito religioso?

Encontramos muitas barreiras. As pessoas que estão do lado de cá reproduzem o que existe na Terra. Os mesmos agrupamentos que se formam aqui se reproduzem na Terra. Nós temos as mesmas dificuldades de relacionamento, porque os pensamentos continuam firmados, cristalizados em crenças em determinados pontos que não levam a nada. Resistem à idéia de evolução dos conceitos. Mas, a grande diferença é que por estarmos com a vestimenta do espírito, tendo uma consciência mais ampliada das coisas podemos dirigir os nossos pensamentos de outra maneira e assim influenciar aqueles que estão na Terra e que vibram na mesma sintonia.

Como o senhor está auxiliando nossa sociedade na condição de desencarnado?
Do mesmo jeito. Nós temos as mesmas preocupações com aqueles que passam fome, que estão nos hospitais, que são injustiçados pelo sistema que subtrai liberdades, enriquece a poucos e colocam na pobreza e na miséria muitos; todos aqueles desvalidos pela sorte. Nós juntamos a todos que pensam semelhantemente a nós, em tarefas enobrecedoras, tentando colaborar para o melhoramento da humanidade.

Como é sua rotina de trabalho?

A minha rotina de trabalho é, mais ou menos, a mesma... Levanto-me, porque aqui também se descansa um pouco, e vamos desenvolver atividades para as quais nos colocamos à disposição. Há grupos que trabalham e que são organizados para o meio católico, para aqueles que precisam de alguma colaboração. Dividimo-nos em grupos e me enquadro em algumas atividades que faço com muito prazer.

Qual foi a sua maior tristeza depois de desencarnado? E qual foi a sua maior alegria?
Eu já tinha a convicção de que estaria no seio do Senhor e que não deixaria de existir.
Poder reencontrar os amigos, os parentes, aqueles aos quais devotamos o máximo de nosso apreço e consideração e continuar a trabalhar, é uma grande alegria. A alegria do trabalho para o Nosso Senhor Jesus Cristo.

O senhor, depois de desencarnado, tem estado com freqüência nos Centros Espíritas?
Não. Os lugares mais comuns que visito no plano físico são os hospitais; as casas de saúde; são lugares onde o sofrimento humano se faz presente. Naturalmente vou à igreja, a conventos, a seminários, reencontro com amigos, principalmente em sonhos, mas minha permanência mais freqüente não é na casa espírita.

O senhor já era reencarnacionista antes de morrer?
Nunca fui reencarnacionista, diga-se de passagem. Não tenho sobre este ponto um trabalho mais desenvolvido porque esse é um assunto delicado, tanto é que o pontuei bem pouco no livro. O que posso dizer é que Deus age conforme a sua sabedoria sobre as nossas vidas e que o nosso grande objetivo é buscarmos a felicidade mediante a prática do amor. Se for preciso voltar a ter novas experiências, isso será um processo natural.

Qual é o seu objetivo em escrever mediunicamente?
Mudar, ou pelo menos contribuir para mudar, a visão que as pessoas têm da vida, para que elas percebam que continuamos a existir e que essa nova visão possa mudar profundamente a nossa maneira de viver.
Minha tentativa de adaptação a essa nova forma de escrever foi muito interessante, porque, de início, não sabia exatamente como me adaptar ao médium para poder escrever. É necessário que haja uma aproximação muito grande entre o pensamento que nós temos com o pensamento do médium. É esse o grande de todos nós porque o médium precisa expressar aquilo que estamos intuindo a ele. No início foi difícil, mas aos poucos começamos a criar uma mesma forma de expressão e de pensamento, aí as coisas melhoraram. Outros (médiuns) pelos quais tento me comunicar enfrentam problemas semelhantes.

Foi uma surpresa saber que poderia se comunicar pela escrita mediúnica?
Não. Porque eu já sabia que muitas pessoas portadoras da mediunidade faziam isso. Eu apenas não me especializei, não procurei mais detalhes, deixei isso para depois, quando houvesse tempo e oportunidade. Imaginamos que haja outros padres que também queiram escrever mediunicamente, relatarem suas impressões da vida espiritual.

Por que Dom Helder é quem está escrevendo?
Porque eu pedi. Via-me com a necessidade de expressar aos meus irmãos da Terra que a vida continua e que não paramos simplesmente quando nos colocam dentro de um caixão e nos dizem "acabou-se". Eu já pensava que continuaria a existir, sabia que IGREJA CATÓLICA JÁ RECONHECE COMUNICAÇÃO COM OS ESPÍRITOS haveria algo depois da vida física. Falei isso muitas vezes. Então, senti a necessidade de me expressar por um médium quando estivesse em condições e me fossem dadas as possibilidades. É isto que eu estou fazendo.

Outros padres, então, querem escrever mediunicamente em nosso País?
Sim. E não poucos. São muitos aqueles que querem usar a pena mediúnica para poder expressar a sobrevivência após a vida física. Não o fazem por puro preconceito de serem ridicularizados, de não serem aceitos, e resguardam as suas sensibilidades espirituais para não serem colocados numa situação de desconforto. Muitos padres, cardeais até, sentem a proteção espiritual nas suas reflexões, nas suas prédicas, que acreditam ser o Espírito Santo, que na verdade são os irmãos que têm com eles algum tipo de apreço e colaboram nas suas atividades.

Como o senhor se sentiu em interação com o médium Carlos Pereira?
Muito à vontade, pois havia afinidade, e porque ele se colocou à disposição para o trabalho. No princípio foi difícil juntar-me a ele por conta de seus interesses e de seu trabalho. Quando acertamos a forma de atuar, foi muito fácil, até porque, num outro momento, ele começou a pesquisar sobre a minha última vida física. Então ficou mais fácil transmitir-lhe as informações que fizeram o livro.

O senhor acredita que a Igreja Católica irá aceitar suas palavras pela mediunidade?
Não tenho esta pretensão. Sabemos que tudo vai evoluir e que um dia, inevitavelmente, todos aceitarão a imortalidade com naturalidade, mas é demais imaginar que um livro possa revolucionar o pensamento da nossa Igreja. Acho que teremos críticas, veementes até, mas outros mais sensíveis admitirão as comunicações. Este é o nosso propósito.

É verdade que o senhor já tinha alguns pensamentos espíritas quando na vida física?
Eu não diria espírita; diria espiritualista, pois a nossa Igreja, por si só, já prega a sobrevivência após a morte. Logo, fazermos contato com o plano físico depois da morte seria uma conseqüência natural. Pensamentos espíritas não eram, porque não sou espírita. Sem nenhum tipo de constrangimento em ter negado alguns pensamentos espíritas, digo que cheguei a ter, de vez em quando, experiências íntimas espirituais.

Igreja - Há as mesmas hierarquias no mundo espiritual?
Não exatamente, mas nós reconhecemos os nossos irmãos que tiveram responsabilidades maiores e que notoriamente tem um grau evolutivo moral muito grande. Seres do lado de cá se reconhecem rapidamente pela sua hombridade, pela sua lucidez, pela sua moralidade. Não quero dizer que na Terra isto não ocorra, mas do lado de cá da vida isto é tudo mais transparente; nós captamos a realidade com mais intensidade. Autoridade aqui não se faz somente com um cargo transitório que se teve na vida terrena, mas, sobretudo, pelo avanço moral.

Qual seu pensamento sobre o papado na atualidade?
Muito controverso esse assunto. Estar na cadeira de Pedro, representando o pensamento maior de Nosso Senhor Jesus Cristo, é uma responsabilidade enorme para qualquer ser humano. Então fica muito fácil, para nós que estamos de fora, atribuirmos para quem está ali sentado, algum tipo de consideração. Não é fácil. Quem está ali tem inúmeras responsabilidades, não apenas materiais, mas descobri que as espirituais ainda em maior grau. Eu posso ter uma visão ideológica de como poderia ser a organização da Igreja; defendi isso durante minha vida. Mas tenho que admitir, embora acredite nesta visão ideal da Santa Igreja, que as transformações pelas quais devemos passar merecem cuidado, porque não podemos dar sobressaltos na evolução. Queira Deus que o atual Papa Ratzinger (Bento XVI) possa ter a lucidez necessária para poder conduzir a Igreja ao destino que ela merece.

O senhor teria alguma sugestão a fazer para que a Igreja cumpra seu papel?
Não preciso dizer mais nada. O que disse em vida física, reforço. Quero apenas dizer que quando estamos do lado de cá da vida, possuímos uma visão mais ampliada das coisas. Determinados posicionamentos que tomamos, podem não estar em seu melhor momento de implantação, principalmente por uma conjuntura de fatores que daqui percebemos. Isto não quer dizer que não devamos ter como referência os nossos principais ideais e, sempre que possível, colocá-los em prática.

Espíritas no futuro?
Não tenho a menor dúvida. Não pertencem estes ensinamentos a nossa Igreja, ou de outros que professam estes ensinamentos espirituais. Portanto, mais cedo ou mais tarde, a nossa Igreja terá que admitir a existência espiritual, a vida depois da morte, a comunicação entre os dois mundos e todos os outros princípios que naturalmente decorrem da vida espiritual.
IGREJA CATÓLICA JÁ RECONHECE COMUNICAÇÃO COM OS ESPÍRITOS

Quais são os nomes mais conhecidos da Igreja que estão cooperando com o  progresso do Brasil no mundo espiritual?
Enumerá-los seria uma injustiça, pois há base em todas as localidades. Então, dizer um nome ou outro seria uma referência pontual porque hámuitos, que são poucos conhecidos, mas que desenvolvem do lado de cá da vida um trabalho fenomenal e nós nos engajamos nestas iniciativas de amor ao próximo.

Amor - Que mensagem o senhor daria especificamente aos católicos agora, depois da morte?
Que amem, amem muito, porque somente através do amor vai ser possível trazer um pouco mais de tranqüilidade à alma. Se nós não tentarmos amar do fundo dos nossos corações, tudo se transformará numa angústia profunda. O amor, conforme nos ensinou o Nosso Senhor Jesus Cristo, é a grande mola salvadora da humanidade.

Que mensagem o senhor deixaria para nós, espíritas?
Que amem também, porque não há divisão entre espíritas e católicos ou qualquer outra crença no seio do Senhor. Não há. Essa divisão é feita por nós, não pelo Criador. São aceitáveis porque demonstram diferenças de pontos de vista, no entanto, a convergência é única, aqui simbolizada pela prática do amor, pois devemos unir os nossos esforços.

Que mensagem o senhor deixaria para os religiosos de uma maneira geral?
Que amem. Não há outra mensagem senão a mensagem do amor. Ela é a única e principal mensagem que se pode deixar.

Autor: Dom Helder Câmara (espírito)
Médium: Carlos Pereira
Editora: Dufaux
Site: 
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