Estudando o Espiritismo

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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

VIVER OU JUNTAR DINHEIRO?


(MAX GEHRINGER) 

Viver ou Juntar dinheiro? 

Há determinadas mensagens que, de tão interessante, não precisam nem sequer de comentários. 

Como esta que recebi recentemente.

Li em uma revista um artigo no qual jovens executivos davam receitas simples e práticas para qualquer um ficar rico. 


Aprendi, por exemplo, que se tivesse simplesmente deixado de tomar um cafezinho por dia, nos últimos quarenta anos, teria economizado 30mil reais. Se tivesse deixado de comer uma pizza por mês, 12 mil reais.
E assim por diante.

Impressionado, peguei um papel e comecei a fazer contas. 


Para minha surpresa, descobri que hoje poderia estar milionário. 

Bastaria não ter tomado as caipirinhas que tomei, não ter feito muitas viagens que fiz, não ter comprado 
algumas das roupas caras que comprei.
Principalmente, não ter desperdiçado meu dinheiro em itens supérfluos e descartáveis.
Ao concluir os cálculos, percebi que hoje poderia ter quase 500 mil reais na minha conta bancária. 

É claro que não tenho este dinheiro.
Mas, se tivesse, sabe o que este dinheiro me permitiria fazer?
Viajar, comprar roupas caras, me esbaldar em itens supérfluos e descartáveis, 
comer todas as pizzas que quisesse e tomar cafezinhos à vontade. 

Por isso, me sinto muito feliz em ser pobre. 

Gastei meu dinheiro por prazer e com prazer. 

E recomendo aos jovens e brilhantes executivos que façam a mesma coisa que fiz. 

Caso contrário, chegarão aos 61 anos com uma montanha de dinheiro, mas sem ter vivido a vida.

"Não eduque seu filho para ser rico, eduque-o para ser feliz. Assim ele saberá o VALOR das coisas e não o seu PREÇO"


Que tal um cafezinho?

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

UM LINDO CASO DO BENFEITOR ESPIRITUAL BEZERRA DE MENEZES


"Estávamos na década de 80. A filhinha de uma das colaboradoras da
Comunhão Espírita Cristã, de Rio Tinto (Portugal), estava em
tratamento ambulatório do Hospital de São João, do Porto, devido a
grave moléstia num dos pulmões, com algumas "cavernas". Ainda na
semana anterior, ao examiná-la, a médica não encontrara melhoras.



Era inverno, bem frio no norte de Portugal, mas de manhãzinha a
criança levantou-se e, descalça, foi ter com a mãe, à sua cama.
Repreendendo-a pela falta de sapatos, lembrando-lhe o "dóidoi" que
piorava, ouviu da criança a resposta surpreendente:



- Eu já não estou doente, mãe! Esta noite, quando tu dormias, veio o
velhinho das barbas brancas que me disse que me ia curar e, depois, eu
já estava boa! Aquele ali, mãe!



E feliz, por poder identificar o "velhinho de barbas branca" aponto
uma foto de Bezerra de Menezes que existia em cima de um móvel, no
quarto.



Surpreendida, a mãe fê-la repetir tudo outra vez e outra ainda, e mais
outra... e quando se convenceu que a filhinha lhe dizia a verdade,
porque não havia variações na história, e a criança não tinha nenhum
dos ataques de tosse matinais, arranjou-se, vestiu a pequena e foi
para o Porto, para a consulta do Hospital. A médica da menina, ao
vê-la, inquietou-se:



- Que se passa? Não tem consulta hoje. Ela está pior?

Eu só quero que a examine, doutora! Por favor! Depois, depois eu conto...



E assim aconteceu: primeiro, esperando encontrar a respiração de
costume; depois, mais insistente, procurando o que não achava; levando
a criança a um colega, examinando-a ao raio-X.



- Que aconteceu? Ela não tem nada! Se não fosse eu a sua médica, diria
que nunca teve nada! Que aconteceu?



Então, a mãe contou-lhe que era espírita, trabalhadora de um Centro...
descreveu a narrativa da filhinha. Mais tarde, ainda na mesma semana,
a médica apareceu no Centro, comprou livros de Allan Kardec,
aprendendo o que era o Espiritismo."

                                    Manuela Vasconcelo

Gregório IX

Achei na rede
Bastante elucidativo o ensaio que se segue porque mostra em detalhes alguns aspectos da temível Santa inquisição instituída pela Igreja Católica Apostólica Romana na Idade Média que, com a desculpa de combater várias heresias que punham em causa a legitimidade tanto do poder eclesiástico como do poder civil, cometeu toda espécie de crime hediondo que se possa imaginar em toda sua história em nome da fé.
antromsil
O início da Santa inquisição
clip_image001Em uma época em que o poder religioso confundia-se com o poder real, o Papa Gregório IX*, em 20 de abril de 1233 editou duas bulas que marcam o início da Inquisição, instituição da Igreja Católica Romana que perseguiu, torturou e matou vários de seus inimigos, ou quem ela entendesse como inimigo, acusando-os de hereges, por vários séculos. A bula "Licet ad capiendos", a qual verdadeiramente marca o início da Inquisição, era dirigida aos dominicanos, inquisidores,  e era do seguinte teor: "Onde quer que os ocorra pregar estais facultados, se os pecadores persistem em defender a heresia apesar das advertências, a privar-los para sempre de seus benefícios espirituais e proceder contra eles e todos os outros, sem apelação, solicitando em caso necessário a ajuda das autoridades seculares e vencendo sua oposição, se isto for necessário, por meio de censuras eclesiásticas inapeláveis"
No mesmo ano, foi nomeado inquisidor da região de "Loira",  Roberto el Bougre, que com saques e execuções em massa, logo após dois anos foi promovido a responsável pela inquisição em toda a França. Em 1252, o Papa Inocêncio IV editou a bula "Ad extirpanda", a qual institucionalizou o Tribunal da Inquisição e autorizava o uso da tortura. O poder secular era obrigado a contribuir com a atividade do tribunal da igreja.
Tribunal da Inquisição, Goya
Nos processos da inquisição a denúncia era prova de culpabilidade, cabendo ao acusado a prova de sua inocência. O acusado era mantido incomunicável; ninguém, a não ser os agentes da Inquisição, tinha permissão de falar com ele; nenhum parente podia visitá-lo. Geralmente ficava acorrentado. O acusado era o responsável pelo custeio de sua prisão.
O julgamento era secreto e particular, e o acusado tinha de jurar nunca revelar qualquer fato a respeito dele no caso de ser solto. Nenhuma testemunha era apresentada contra ele, nenhuma lhe era nomeada; os inquisidores afirmavam que tal procedimento era necessário para proteger seus informantes.
A tortura só era aplicada depois que uma maioria do tribunal a votava sob pretexto de que o crime tornara-se provável, embora não certo, pelas provas. Muitas vezes a tortura era decretada e adiada na esperança de que o medo levasse à confissão.
A confissão podia dar direito a uma penalidade mais leve e se fosse condenado à morte apesar de confesso, o sentenciado podia "beneficiar-se" com a absolvição de um padre para salvá-lo do inferno.
A tortura também podia ser aplicada para que o acusado indicasse nomes de companheiros de heresia. As testemunhas que se contradiziam podiam ser torturadas para descobrir qual delas estava dizendo a verdade.  
Não havia limites de idade para a tortura, meninas de 13 anos e mulheres de 80 anos eram sujeitas à tortura. As penas impostas pela inquisição iam desde simples censuras (leves ou humilhantes), passando pela reclusão carcerária (temporária ou perpétua) e trabalhos forçados nas galeras, até a excomunhão do preso para que fosse entregue às autoridades seculares e levado à fogueira.
Castigos esses normalmente acompanhados de flagelação do condenado e confiscação de seus bens em favor da igreja (é claro! – observação minha). Podia haver privação de herança até da terceira geração de descendentes do condenado.
Obrigação de participar de cruzadas também foi pena durante o século XIII. Na prisão perpétua, considerada um gesto de misericórdia, o condenado sobrevivia a pão e água e ficava incomunicável. Nem o processo nem a pena suspendiam-se com a morte, pois a inquisição mandava "queimar os restos mortais do herege e levar as cinzas ao vento", confiscando as propriedades dos herdeiros. Havia também, muito comum na inquisição portuguesa e na espanhola, a execução em efígie, onde era queimada a imagem do condenado, quando este fugia e não era encontrado. Livros também eram levados à fogueira.
O inquisidor Nicolau Eymerich, em 1376, escreveu o "Directorium Inquisitorum" (Manaul dos Inquisidores), onde encontramos conceitos, normas processuais a serem seguidas, termos e modelos de sentenças a serem utilizadas pelos inquisidores:
Fontes: - Historia de la Inquisicion, I.Grigulevich, Ed.Progresso, 1976
- A História da Civilização, Will Durant, vol. VI, Ed. Record, 2ªed., 1957
- Mirador Intarnacional, Ed. Milano, 1970
O Papa Gregório IX, nascido Ugolino di Anagni (Anagni, c. 1160 — Roma, 22 de Agosto de 1241) foi Papa de 1227 a 1241.
Filho do conde de Segni e parente do Papa Inocêncio III, estudou direito em Paris e Bolonha. Feito cardeal em 1198, tornou-se cardeal-bispo de Óstia em 1206. Foi um importante incentivador dos dominicanos e dos franciscanos, tendo sido amigo pessoal do próprio São Francisco.
Organizou a Inquisição Pontifícia com o objetivo de reprimir as heresias, com a promulgação da bula "Licet ad capiendos" em 20 de abril de 1233. Canonizou são Francisco de Assis, são Domingos de Gusmão e santo António de Lisboa. Fundou a Santa Inquisição. Está sepultado na Basílica de São Pedro, na Cidade do Vaticano”.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Ouça Palestra de Wanderley sobre Reforma Íntima

http://www.radioriodejaneiro.am.br/RRJsiteCMS/?p=23549

Depois é só colocar próxima para ver a segunda parte.

Fábio.

Pensamentos na Oração centrante de Thomaz Keating

http://dotsub.com/view/09114b11-c889-4c5f-8baa-05c1c102b111

Oração centrante de Thomaz Keating

http://dotsub.com/view/35bb4e9a-d899-453e-90d4-329a777e2efb

A melhor RELIGIÃO

A melhor RELIGIÃO
"A que mais te aproxima de Deus"


No intervalo de uma mesa-redonda sobre religião e paz entre os povos, na qual ambos participávamos (Leonardo Boff e Dalai Lama), eu, maliciosamente, mas também com interesse teológico, lhe perguntei em meu inglês "capenga":

- Santidade, qual é a melhor religião?

Esperava que ele dissesse:
É o budismo tibetano ou são as religiões orientais, muito mais antigas do que o cristianismo.

O Dalai Lama fez uma pequena pausa, deu um sorriso, me olhou bem nos olhos - o que me desconcertou um pouco,  por que eu sabia da malícia contida na pergunta - e afirmou:

"A melhor religião é a que mais te aproxima de Deus. É aquela que te faz melhor."

Para sair da perplexidade diante de tão sábia resposta, voltei a perguntar:
- O que me faz melhor?

Respondeu ele:
"Aquilo que te faz mais compassivo (e aí senti a ressonância tibetana, budista, taoísta de sua resposta), aquilo que te faz mais sensível, mais desapegado, mais amoroso, mais humanitário, mais responsável...
A religião que conseguir fazer isso de ti é a melhor religião..."

Calei, maravilhado, e até os dias de hoje estou ruminando sua resposta sábia e irrefutável. (LEONARDO BOFF)

Ir para página principal...

LEONARDO BOFF - Doutorou-se em Teologia e Filosofia na Universidade de Munique-Alemanha, em 1970. É doutor honoris causa em Política pela universidade de Turim (Itália) e em Teologia pela universidade de Lund (Suécia), é autor de livros nas áreas de Teologia, Ecologia, Espiritualidade, Filosofia, Antropologia e Mística.

Jornal dos Espíritos - o seu jornal espírita na internet

sábado, 1 de janeiro de 2011

A CAUSA FINAL



O Livro dos Espíritos inicia-se com uma definição de Deus, considerando-O como causa primária de todas as coisas. Naturalmente, não temos aí uma verdadeira definição, porque esta implica numa descrição, ainda que sumária, do objeto definido, e não se pode definir Deus. Deus é indefinível. É, portanto, uma noção que se oferece, para que se possa ter, na Divindade, o ponto inicial de toda a estrutura do Espiritismo. A Doutrina não procurou descrever a Deus, salvo através de atributos gerais que pudessem orientar sobre tudo aquilo que Deus não poderia deixar de ser, sem deixar de ser Deus, como assinalou Kardec.

A admissão dessa noção primeira norteia todo o desenvolvimento da Doutrina, e o fato de não poder dar uma definição completa em nada depõe contra ela, pois também numa ciência positiva como a matemática é preciso partir de um ponto, considerado sem dimensão, para que se possa erguer o edifício da geometria, ou de pressupostos contraditórios - duas paralelas se encontram no infinito; por um ponto tomado fora de uma reta não se pode fazer passar nenhuma paralela a esta; pode fazer passar-se uma infinidade de paralelas a esta. O próprio raciocínio utilizado de que não há efeito sem causa, que nos leva a reconhecer a necessidade de uma causa inteligente para justificar os efeitos, ou seja, a natureza e o homem, apesar da crítica de Kant, não pode ser colocado de lado como um instrumento de trabalho da filosofia, mesmo porque o que caracteriza esta é exatamente a natureza da busca permanente das causas primárias e últimas, a curiosidade no desvendar os mistérios do Universo e do Homem, e assim a transposição do conceito de causa do conhecido para o desconhecido segue o ritmo do que se vê na própria ciência física e na astronomia, quando se procura explicar certas perturbações no microcosmo e no macrocosmo pela presença de astros ainda desconhecidos. É um raciocínio que se faz por inferência, pois.

Se é certo que não podemos apresentar uma prova insofismável da existência de Deus, porque Ele não se encontra dentro da categoria dos objetos demonstráveis, é, todavia, certo que o sentimento de sua existência é inato ao homem e perde-se na noite dos tempos. Como poderia ter este surgido na alma humana? Teria bastado o abismo do desconhecido, a expectação ante os fenômenos naturais, o medo? Pode o homem especular quanto deseje, mas não poderá negar que, enraizado na sua própria natureza, se encontra mais que medo, temor, admiração ante a grandiosidade da Natureza: existe um sentimento que denuncia a presença de Deus em cada criatura, justificando o sentimento inato de sua existência, ligação e orientação final no percurso de retomo, atraído que se encontra todo o Universo pelo centro que é Deus.

também não se pode desconsiderar que os cientistas até o presente não conseguiram despistar a ciência cosmológica do reconhecimento de um ato inicial de criação, porque se houve um momento inicial a que, ironicamente, denominou-se de big-bang”, tem-se de admitir que, nada, ao menos do que se conhece, existia, e este antes não só foge à compreensão humana, mas induz a considerar a existência de um momento criador, quando tudo começou para que um dia o homem pudesse existir. Nem a teoria de um universo estacionário que, aparentemente, procura fugir ao ato criador consegue explicar a existência do universo, no máximo traduzindo-se no apaziguamento da consciência, se não na transformação do universo em um novo deus”.

consideremos um outro lado: O Livro dos Espíritos não conceitua Deus como sendo a causa final de todas as coisas, mas é, evidentemente, o que decorre de toda a Doutrina”. A razão, o objetivo final de tudo o que ocorre, é sempre determinado pelo alcance de um alvo único - Deus, que assim não foi só o impulsionador primeiro, mas é o ponto de atração de todo o universo: todas as coisas, todos os seres estão Nele centrados e dirigidos por Ele. O Evangelho revela, de modo simples, este unidirecionamento do universo quando recolhe as palavras de Jesus de que nenhum cabelo cairia sem a vontade do Pai. Não está aí a revelação deste sentido do universo, não é o reconhecimento de um comando, de uma direção? E noa podia deixar de ser assim num universo evolucionário, pois a evolução se dá sempre numa determinada direção para atingir um determinado alvo. Portanto, não podemos esquecer que temos em Deus não somente o princípio inteligente a impulsionar a marcha evolutiva, mas que temos nele, igualmente, a causa de atração de todo o universo que se apresente unidirigido.

A que vem isto? Por que tais considerações que poderiam parecer dispensáveis? São perguntas que naturalmente podem ser colocadas pelos que as lerem. À primeira vista, inexistiriam razões para fazê-las, porém, a partir delas, gostaria de chamar a atenção de que o fato de nos voltarmos, de modo peremptório, para o ato criador, até deslumbrados com as conquistas que vai fazendo a ciência no desvendamento dos mistérios cosmogônicos, tem desviado a atenção dos indivíduos de observar a direção da própria vida, a condução dos próprios passos. O que quero dizer é que, geralmente, o homem se volta para um Deus criador, colocando-O a uma distância infinita, e, por isso mesmo, desconhece sua presença, sua direção, relutando contra sua atração. Não parece certo reconhecer que, se tivéssemos uma visão mais correta da presença de Deus como o supremo objetivo da vida, outra seria a nossa conduta, outro o nosso comportamento? Não sei se, pelo fato da civilização cristã ter sido influenciada durante muito tempo por Aristóteles, diretamente ou via São Tomás de Aquino, a sobrevivência de certos conceitos perdura no mundo ocidental, embora não possamos culpar o doutor da Igreja. Agimos ou não, em nossas vidas, como o filósofo estagirita, ou seja, admitimos um Deus como primum mobile, mas, do mesmo modo que ele o afastou de qualquer influência no universo existente, nós também costumamos afastá-Lo de nossas vidas? É claro que não falo de um afastamento formal. De modo algum; ainda vemos pessoas persignarem-se diante dos santos e das igrejas, ajoelharem-se na via pública a reverenciar Alá voltadas para Meca, celebrarem o Shabat com todo o ritual e participarem de reuniões e reuniões mediúnicas, e doutrinárias, num esforço, talvez, de inscrever-se em algum Guiness Book - o livro dos recordes. Refiro-me à questão essencial da aceitação de Deus na própria vida, em seu direcionamento, em conformidade com as leis divinas. Mesmo no campo espírita, infelizmente, não podemos dizer que temos feito muita coisa melhor que os outros. É preciso não confundir o conhecimento revelado pelos Espíritos, o conhecimento doutrinário, as perspectivas que estes conhecimentos abrem para o ser humano, com a atitude do espírita individualmente, nem com o movimento espírita como conjunto.

Chega-se à Doutrina, toma-se conhecimento de uns tantos princípios, inscreve-se o indivíduo como sócio contribuinte de uma ou mais sociedades, com o pagamento de uma pequena mensalidade de praxe, às vezes se dispõe à participação em algum movimento social patrocinado pela Doutrina, mas... Este mas ou porém diz sempre respeito a uma série de coisas que o indivíduo resolve não abrir mão. Realmente a sua natureza não mudou, ou modificou-se, em fatores que eram essenciais. Assim, admita-se ou não, Deus está colocado à parte da vida, pois apesar de ter gerado o universo, nós teimamos em impedir que Ele recrie a nossa natureza, ou seja, utilizamos mal o nosso livre-arbítrio, desconhecendo que os piores inimigos não são os outros, não são os obsessores, mas nós próprios, que abrimos canais extensos à ação do mal.

Que aconteceria se atentássemos para o fato de que Deus é realmente o objetivo da vida humana e que a marcha evolutiva nele se consuma?” Que aconteceria se o homem passasse a agir consoante este entendimento? Os nossos males não são derivados da disparidade entre o nosso discurso e os nossos atos? Consideremos o fato de que temos, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, um roteiro de conduta cristã dirigido para homens comuns, e não para santos. Ali está o básico, e eu gostaria de dizer, o indispensável, para que se possa ser reconhecido como um verdadeiro espírita, verdadeiro cristão, que, como disseram os Espíritos, é a mesma coisa. Temos, portanto, um manual prático de como dirigir a vida consoante as leis divinas. Toda vez que alguém se inicia no Espiritismo com a recomendação de praticá-lo, se desejasse ser espírita. Não seria demais, devemos enfatizar a questão. A única dificuldade que vejo não está no preço do livro, nos custos que isto poderia acarretar, mesmo porque o grande esforço de divulgação das editoras tem sempre deixado o Evangelho ao alcance das bolsas; a única dificuldade, repito, seria saber quem teria autoridade suficiente para a entrega e a recomendação.

Tal observação pode fazer sorrir ou chorar. Mas o que importa realmente é aprendermos a trazer Deus por dentro de nossas vidas, pois este é o único modo de resolvermos os problemas do mundo.


Espírito Deolindo Amorim
Médium Elzio Ferreira de Souza

Sobre artigo Boletim 367 de Ademir Xavier, Elzio Ferreira de Souza, Brasil

Élzio comenta o artigo anterior


Caro Iglesias
Recebi e agradeço a remessa do boletim 369.
Estive lendo o Boletim do aniversário do GEAE e achei o trabalho do Aldenir bem feito, apesar do toque acadêmico da sigla. Há muitos anos escrevi no Mundo Espírita sobre o assunto, e estive retomando agora ao mesmo, mas acabei nao mandando para publicação na F.E. por causa da extensão. Tenho que avaliá-la primeiro.Anoto o seguinte:
1a - A primeira coisa que notamos é que o CCU foi uma descoberta inteligente de Kardec diante do dificílimo problema da autenticidade das mensagens dos Espíritos. Assim sendo, ele não é resultado do ensino dos Espíritos e, portanto, não pode ser tomado como um princípio da doutrina.
Seria interessante questionar a frase final - A Doutrina só aceita princípios quando revelados pelos Espíritos? Sigamos Kardec, para nao fugir do terreno em que ele tão bem colocou o assunto. Em A Gênese, ele destacou as duas características da revelação - divina e humana. Se os dois trabalhos foram colocados lado a lado, é de esperar-se que os princípios sejam sacados dos ensinos dos Espíritos e da observação dos homens. Os princípios básicos que ele enumerou foram fixados a partir dos ensinos dos Espíritos, mas porque se submeteram ao CCU forte, para utilizar a terminologia adotada. Isto significa que um princípio não é adotado só por ser revelação, mas porque o CCU o fixa. Se utilizarmos o termo princípio em sentido mais amplo, como se faz de um modo geral, para significar o que foi bem estabelecido pela investigação, a conclusão será de que CCU é também um princípio metodológico, que, apesar de algumas idéias desavisadas, ainda é o método mais seguro de depuração ao lado do controle racional, necessário para contrabalançar (Vide o caso dos Messias do Espiritismo na Revista Espírita, idéia que foi espalhada em vários núcleos de modo independente).
Agora bem, uma questão pode ser colocada em face do pensamento de Emmanuel que transcrevo - "Cada individualidade deve alargar o círculo das suas capacidades espirituais, porquanto, poderá, como recompensa à sua perseverança e esforço, certificar-se das sublimes verdades do mundo invisível, sem o concurso de quaisquer intermediários. (destaque nosso - Emmanuel: dissertações mediúnicas, p. 49). Ele deveria estar voltado para as percepções dos rishis (videntes) indianos e de um Chico Xavier, para citar um só exemplo entre nós). Em outras palavras, a revelação não teria uma origem exclusivamente nos Espíritos.
2. A questão dos princípios é interessante. Em Pérolas no Fio, eu anotei 10 (dez) e chamei a atenção de que eram princípios que podem encontrar-se no Hinduísmo. De propósito, a fim de que os confrades pudessem exercer o direito de pensar, não coloquei em que se podia diferenciar as duas doutrinas.
3. Ainda em relação aos princípios, devemos considerar que existem Espíritos que nao admitem o evolucionismo. No tempo de Kardec. E há mais de 60 anos (1937), quando Emmanuel ditou o livro que leva o seu nome, destacou o fato sobre a defesa do fixismo feita por Espíritos estudiosos:
"Se bem haja no próprio círculo dos estudiosos dos espaços o grupo dos opositores das grandes idéias sobre o evolucionismo do princípio espiritual, através das espécies, sou dos que o estudam, atenta e carinhosamente" (p.93)
Isto é interessante porque na quase totalidade dos núcleos se aparecesse um Espírito com tais idéias, será tido imediatamente como um pseudo-sábio. Aliás, podemos dizer que Kardec agiu nesta parte com muito tato, e, embora fosse pessoalmente um evolucionista, até o fim, manteve-se em cautela no enunciar a idéia, pelo menos em relação à evolução espiritual, que ele apresenta como posição defendida pelo filósofos espiritualistas. Este princípio alcançou assim o estado de cidade com os trabalhos de Léon Denis.
4. Escreve Aldenir - "Vejamos um exemplo concreto que nos auxilie nesse ponto. Suponhamos que um certo Espírito proponha uma modificação na lei III de evolução afirmando que a marcha de desenvolvimento do Espírito não é incessante mas que, em determinado ponto de sua vida maior, seja permitido por lei ao Espírito estacionar. Não é difícil ver que semelhante idéia depõe contra vários outros princípios e leva imediatamente a uma contradição com a noção de livre-arbítrio pois, se ao Espírito é possível estacionar, ele não tem, por lei, nenhuma responsabilidade sobre seus atos durante o período de falta de progresso. Essa idéia deve ser rejeitada por estar em contradição com uma série de noções que protegem os fundamentos da doutrina."
Ainda que ele tenha razão em relação à contradição, não me parece seguro que uma tal teoria iria de encontro à noção de livre-arbítrio e de responsabilidade individual durante o período de falta de progresso, porque a) seria exatamente o reconhecimento do seu livre-arbítrio que o permitiria estacionar; b) porque uma decisão livre sendo imputável, a sua responsabilidade pela opção é evidente, se isto causasse algum prejuízo ao sistema estabelecido. Bem, o Aldenir deveria estar pensando, no exemplo, com uma opção que fosse definitiva e irrevogável, pois, no entendimento que temos atualmente, um Espírito pode resolver estacionar e o faz, até que mude de opinião livremente ou que um acréscimo de dor, resultante da violação da lei, leve-o a abandonar a posição conflituosa com a lei.
Bem, meu caro Iglesias, estas são umas pequenas anotações ao trabalho do Aldenir que está muito bem lançado e que faço, no silêncio da madrugada, para manter uma simples conversa.
Com o abraço do
Elzio Ferreira de Souza