Estudando o Espiritismo

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sábado, 2 de janeiro de 2016

A MORTE E A VOLTA AO PLANO ESPIRITUAL

 RESUMO 08

A MORTE E A VOLTA AO PLANO ESPIRITUAL


1 - Temor da Morte:

O temor da morte resulta de vários fatores, que são próprios da natureza humana e da existência corporal: o instinto de conservação da vida, que constitui uma força preventiva contra tudo aquilo que possa ameaçá-la; o predomínio da natureza material, que nos Espíritos inferiores comanda as suas inspirações. Esse predomínio da natureza material desenvolve o egoísmo e agravam, tornando mais intensas, as paixões, acentuando a sensualidade, os vícios e o apego às coisas materiais; o conteúdo religioso de algumas doutrinas que oferecem uma visão distorcida do que sucede á alma após a ruptura dos laços materiais; o receio do término total da vida, por falta de conhecimento, de informações corretas a respeito do futuro da alma e daquilo que lhe está destinado.

2 – Definição de Morte na Doutrina Espírita:

Segundo Divaldo Pereira Franco, a morte, para o espiritismo é assim definida: "...para nós, sob o aspecto filosófico do Espiritismo, a morte não significa a interrupção da vida. A morte é a interrupção do fenômeno biológico, já que a vida é uma jornada incessante, ininterrupta, seja no corpo físico, como fora dele. A morte, portanto, no seu caráter tradicional, é a perda do corpo com o prosseguimento da vida, além do túmulo...".

2.1 -  A Morte Do Corpo Físico:

A morte ocorre pela cessação de atividade ou esgotamento da capacidade dos órgãos do ser orgânico; com a morte do corpo orgânico, o princípio vital volta a massa de onde saiu, de onde será reaproveitado; os elementos que compõem o corpo orgânico irão decompor-se, sofrer transformações e irão fazer parte de novos seres da criação, reciclando-se; com a liberação da energia vital, com o cessar de atividades dos órgãos, o perispírito vai se “desgrudando” das células do corpo físico, liberando então o espírito para interagir no plano espiritual.


3 -  A Morte e o Estado da Alma no Pós-Morte:

Com a morte do corpo físico, fica então o espírito livre no plano espiritual; O espírito conserva sua individualidade mesmo após a morte do corpo físico, pois esta é um atributo do espírito, exercitado através do perispírito; as inúmeras comunicações de pessoas desencarnadas, que fornecem detalhes de sua(s) vida(s) anterior(es), comprovado cientificamente, de forma inequívoca, demonstram a sobrevivência da individualidade após a morte do corpo físico; assim sendo, conserva o espírito seu patrimônio de evolução, de conhecimento, de personalidade e de sentimentos, mesmo após o desencarne;



Reproduzimos, a esse respeito, perguntas e respostas do Livro dos Espíritos, na Parte Segunda – Do Mundo Espírita ou Mundo dos Espíritos, Capítulo III – Da volta do Espírito, extinta a Vida Corpórea, à Vida Espiritual.

149. Que sucede à alma no instante da morte?
"Volta a ser Espírito, isto é, volve ao mundo dos Espíritos, donde se apartara momentaneamente."

150. A alma, após a morte, conserva a sua individualidade?
"Sim; jamais a perde. Que seria ela, se não a conservasse?"

a) - Como comprova a alma a sua individualidade, uma vez que não tem mais corpo material?
"Continua a ter um fluido que lhe é próprio, haurido na atmosfera do seu planeta, e que guarda a aparência de sua última encarnação: seu perispírito."

b) - A alma nada leva consigo deste mundo?
"Nada, a não ser a lembrança e o desejo de ir para um mundo melhor, lembrança cheia de doçura ou de amargor, conforme o uso que ela fez da vida. Quanto mais pura for, melhor compreenderá a futilidade do que deixa na Terra."

151. Que pensar da opinião dos que dizem que após a morte a alma retorna ao todo universal?
"O conjunto dos Espíritos não forma um todo? Não constitui um mundo completo? Quando estás numa assembléia, és parte integrante dela; mas, não obstante, conservas sempre a tua individualidade."

152. Que prova podemos ter da individualidade da alma depois da morte?
"Não tendes essa prova nas comunicações que recebeis? Se não fôsseis cegos, veríeis; se não fôsseis surdos, ouviríeis; pois que muito amiúde uma voz vos fala, reveladora da existência de um ser que está fora de vós."

154. É dolorosa a separação da alma e do corpo?
"Não; o corpo quase sempre sofre mais durante a vida do que no momento da morte; a alma nenhuma parte toma nisso. Os sofrimentos que algumas vezes se experimentam no instante da morte são um gozo para o Espírito, que vê chegar o termo do seu exílio."
Observação de Kardec: Na morte natural, a que sobrevem pelo esgotamento dos órgãos, em conseqüência da idade, o homem deixa a vida sem o perceber: É uma lâmpada que se apaga por falta de óleo.

155. Como se opera a separação da alma e do corpo?
"Rotos os laços que a retinham, ela se desprende."

a) - A separação se dá instantaneamente por brusca transição? Haverá alguma linha de demarcação nitidamente traçada entre a vida e a morte?
"Não; a alma se desprende gradualmente, não se escapa como um pássaro cativo a que se restitua subitamente a liberdade. Aqueles dois estados se tocam e confundem, de sorte que o Espírito se solta pouco a pouco dos laços que o prendiam. Estes laços se desatam, não se quebram." Cumpre observar-se que no entanto, a desencarnação não é igual para todos, há uma variação muito grande, tão grande quanto as diferentes formas de viver adotadas pêlos encarnados.

156. A separação definitiva da alma e do corpo pode ocorrer antes da cessação completa da vida orgânica?
"Na agonia, a alma, algumas vezes, já tem deixado o corpo; nada mais há que a vida orgânica. O homem já não tem consciência de si mesmo; entretanto, ainda lhe resta um sopro de vida orgânica. O corpo é a máquina que o coração põe em movimento. Existe, enquanto o coração faz circular nas veias o sangue, para o que não necessita da alma."

163. A alma tem consciência de si mesma imediatamente depois de deixar o corpo?
"Imediatamente não é bem o termo. A alma passa algum tempo em estado de perturbação."
Por ocasião da morte, tudo, a princípio, é confuso. De algum tempo precisa a alma para entrar no conhecimento de si mesma. Ela se acha como que aturdida, no estado de uma pessoa que despertou de profundo sono e procura orientar-se sobre a sua situação. A lucidez das idéias e a memória do passado lhe voltam, à medida que se apaga a influência da matéria que ela acaba de abandonar, e à medida que se dissipa a espécie de névoa que lhe obscurece os pensamentos.

164. A perturbação que se segue à separação da alma e do corpo é do mesmo grau e da mesma duração para todos os Espíritos?
"Não; depende da elevação de cada um. Aquele que já está purificado, se reconhece quase imediatamente, pois que se libertou da matéria antes que cessasse a vida do corpo, enquanto que o homem carnal, aquele cuja consciência ainda não está pura, guarda por muito mais tempo a impressão da matéria."
Muito variável é o tempo que dura a perturbação que se segue à morte. Pode ser de algumas horas, como também de muitos meses e até de muitos anos. Aqueles que, desde quando ainda viviam na Terra, se identificaram com o estado futuro que os aguardava, são os em quem menos longa ela é, porque esses compreendem imediatamente a posição em que se encontram. No Livro "O Céu e o Inferno", encontra-se: "A perturbação espiritual ocorre, portanto, na transição da vida corporal para a espiritual ... Nesse instante a alma experimenta um torpor que paralisa momentaneamente as suas faculdades, neutralizando, ao menos em parte, as sensações...”  A perturbação pode, pois, ser considerada o estado normal no instante da morte, e perdurar por tempo indeterminado, variando de algumas horas a alguns anos.


165. O conhecimento do Espiritismo exerce alguma influência sobre a duração, mais ou menos longa, da perturbação?
"Influência muito grande, por isso que o Espírito já antecipadamente compreendia a sua situação. Mas, a prática do bem e a consciência pura são o que maior influência exercem."
Encontra-se no livro "O Céu e o Inferno": "...O estado do Espírito por ocasião da morte pode ser assim resumido: tanto maior é o sofrimento, quanto mais lento for o desprendimento do perispírito, a presteza deste desprendimento está na razão direta do adiantamento moral do Espírito; para o Espírito desmaterializado, de consciência pura, a morte é qual um sono breve, isento de agonia, e cujo despertar é suavíssimo... “.


4 – Morte Natural e Morte Violenta:

4.1 - Morte Natural por Velhice ou Doença

O desprendimento opera-se gradualmente para o homem cuja alma se desmaterializou e cujos pensamentos se destacam das coisas terrenas, o desprendimento quase se completa antes da morte real, isto é, ao passo que o corpo ainda tem vida orgânica, já o Espírito penetra a vida espiritual, apenas ligado por elo tão frágil que se rompe com a última pancada do coração.
No homem materializado e sensual, que mais viveu do corpo do que do Espírito, e para o qual a vida espiritual nada significa, nem sequer lhe toca o pensamento, tudo contribui para estreitar os laços materiais, e, quando a morte se aproxima, o desprendimento, conquanto se opere gradualmente também, demanda contínuos esforços. As convulsões de agonia são indícios da luta do Espírito, que ás vezes procura romper os elos resistentes, e outras se agarra ao corpo do qual uma força irresistível o arrebata com violência, molécula por molécula.
O desconhecimento da vida espiritual faz com que o Espírito se apegue à vida material, estreitando os seus horizontes e resistindo com todas as forças, conseguindo prolongar a vida, e consequentemente, sua agonia, por dias, semanas, meses. Nestes casos, a morte não é o fim da agonia, pois a perturbação continua e ele, sentindo que vive, sem saber definir o seu estado, sente e se ressente da doença que pôs fim aos seus dias, permanecendo com essa impressão indefinidamente, pois está ainda ligado à matéria através de pontos de contato do perispírito com o corpo.
O contrário ocorre com o homem que se espiritualizou durante a vida. Após a morte nem uma só reação o afeta. O despertar na vida espiritual é como quem desperta de um sono tranqüilo, para iniciar uma nova fase de sua vida.

4.2 -  Mortes violentas

Nas mortes violentas, como nos acidentes, nenhuma desagregação há iniciado previamente à separação do perispírito. Neste caso, o desprendimento só começa depois da morte e seu término, não ocorre rapidamente. O Espírito fica aturdido, não compreendendo o seu estado, permanecendo na ilusão de que vive materialmente por um período mais ou menos longo, conforme o seu nível de espiritualização.

4.3 - Mortes por suicídio

Nestes casos, a separação da alma é extremamente dolorosa. Sendo o suicídio um atentado contra a vida, o sofrimento quase sempre permanece por período igual ao tempo em que o Espírito ainda deveria estar encarnado.
As dores da lesão física provocada repercutem no Espírito. A decomposição do corpo, sua destruição pêlos vermes, em alguns casos, podem ser sentidas em detalhes, pelo Espírito. Além disso, há o remorso, gerando sofrimento moral para aquele que pensou deserdar da vida.


5 - Bibliografia Indicada:

O Livro dos Espíritos – Parte Segunda, Capítulo III

O Céu e o Inferno - Parte Segunda

No Limiar do Infinito – Joanna de Angelis, psicografado por Divaldo Pereira Franco

Temas da Vida e da Morte, - Manoel P. de Miranda, psicografado por Divaldo Pereira Franco.

Apostila da Unidade 14 – Retorno a Vida Espiritual – www.sef.hpg.ig.com.br

Palestra Vida e Morte – www.carlosparchen.net