Elizabeth (A esposa de Zacarias)
Matéria publicada no Jornal Mundo Espírita - fevereiro/2005
Segundo a Vulgata, seu nome seria Elisabeth, do hebraico "Eliseba", significando Deus é plenitude. Dos Evangelistas, somente Lucas a ela se refere, assinalando ser descendente de Arão. Esposa do sacerdote Zacarias, com ele vivia, provavelmente, na aldeia serrana conhecida nos dias recentes como São João da Montanha, situada em Ain-Karim, cerca de 7 km. a oeste de Jerusalém.
Como toda mulher, em Israel, deve se ter casado entre os 12 e 12 anos e meio. Embora não fosse aconselhado que à menina fosse ensinada a Lei e as tradições, no relato de Lucas se reconhece que Isabel conhecia os textos sagrados.(Lucas, 1: 43)
Ainda que, em Israel, a mulher ocupasse lugar de subalternidade - pois os textos previam que ela se devia ocupar dos filhos, da casa, chegando a especificar a quantidade mínima de lã ou linho que ela deveria fiar ou tecer por semana, e onde devia, inclusive, aceitar que seu marido dividisse sua afeição com outras mulheres, fossem esposas ou concubinas, - não se pode descartar a existência do amor conjugal.
Desta forma, ao se ler a respeito de Isabel e Zacarias, conclui-se que o casal vivia a monogamia, mesmo porque, a poligamia era rara, em Israel, em primeiro lugar por razões econômicas. Embora as leis rígidas quanto à mulher, não é raro se encontrar o amor transfigurando todas as leis, bastando se leia no Antigo Testamento tantos casos de homens que amaram intensamente suas mulheres, a elas se entregando em totalidade.
É de supor, pois, que o casal Isabel e Zacarias, citados por Lucas como "justos diante de Deus, caminhando irrepreensivelmente em todos os mandamentos e preceitos do Senhor" vivia a aura do respeito, dedicação e amor mútuos.
Difícil é se imaginar qual seria a idade de ambos, tidos como avançados em anos, ao tempo em que Isabel, assinalada como estéril, veio a conceber, visto que a idade era contada de forma diversa da atual, tanto quanto considerando-se que o homem se consorciava aos 18, a mulher antes dos 13 anos.
Isabel, dias após a visita do mensageiro espiritual Gabriel a seu marido Zacarias, no Templo, concebeu. Relata ainda o Evangelista que durante 5 meses ela permaneceu escondida, crendo que sua gravidez era uma graça que recebera do Senhor, que assim a reabilitava perante os homens, em face da importância dada à geração de filhos.
Isabel é citada como prima de Maria, a mãe de Jesus, embora haja ocasiões em que simplesmente a ela se referem como parenta de Maria. Essa, tão logo recebe a notícia de que será mãe do Filho de Deus, e que sua prima igualmente concebera, encontrando-se no sexto mês de gravidez, a vai visitar.
A viagem deve ter durado de 4 a 5 dias e o Evangelista omite detalhes como Maria se deslocou até lá. O que a movia, com certeza, não era verificar se verdadeiramente estava grávida sua prima, senão o intuito de a auxiliar, naqueles meses. Igualmente, o desejo de felicitar a prima pela grande mercê que Deus lhe acabara de fazer.
À porta do jardim, Isabel é a primeira a avistar Maria e lhe corre ao encontro, de braços abertos. Prostra-se reverente aos pés de Maria e a saúda com as palavras: "Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre. E donde me provém isto a mim, que venha visitar-me a mãe do meu Senhor?"
E explica que, tão logo a voz de Maria cumprimentando-a, à distância, chegou aos seus ouvidos, o menino exultou de alegria em seu ventre. Dois detalhes importantes: Isabel estava plenamente ciente da visão do marido e aqui se permite ser a médium de manifestação espiritual.
Conforme os Evangelhos, ela ficou "cheia de um Espírito Santo" e os estudiosos afirmam que o próprio Elias que estava a se reencarnar naquele ventre, é que por ela falou.
Ele sabia de tudo o que estava ocorrendo e tinha visão espiritual ampla, mesmo porque Isabel não poderia de outra forma estar ciente da gravidez de Maria, que não tinha nem um mês, e portanto não aparecia externamente.
Esta explicação da consciência do espírito ainda no seio materno é dada por estudiosos como Orígenes, considerado um dos pais da Igreja, e mais Tertuliano, Irineu, Ambrósio e o teólogo Suarez.
Conclui Isabel, por si mesma, abençoando Maria porque nela se cumpriram as promessas antigas de Yaweh e também por que ela deu crédito ao anjo que lhe participara a notícia.
Tendo dado à luz um menino, o fato causou grande alegria e alvoroço entre a parentela e a vizinhança.
No oitavo dia, o menino foi circuncidado. O rito da circuncisão podia ser desempenhado por qualquer israelita e na residência dos pais. Em todas as localidades havia o Mohel, a pessoa habilitada para essa delicada operação no recém-nascido.
Pelo que se depreende do Evangelho de Lucas, o fato se deu em casa, porque Isabel estava presente, e conforme a Lei a mulher não podia sair à rua antes de transcorridos 40 dias do parto, se tivesse dado à luz um varão. O prazo era contado em dobro, caso o nascituro fosse do sexo feminino.
No ato da circuncisão, Isabel interfere, pois se pretende dar o nome do pai ao menino. Causa estranheza a anotação de Lucas, pois não era costume tal, entre o povo de Israel, evitando criar confusão entre pai e filho, com nome idêntico. Talvez porque Zacarias fosse idoso, imaginaram que não poderia haver tal confusão. Ele morreria, possivelmente, em breve.
Mas a mãe não é bem ouvida pelos que ali estavam. Primeiro, porque a mulher não poderia sugerir nome para o filho; segundo, porque o nome que ela sugere, João, não existia na família.
Enfim, é o pai, Zacarias que, consultado, escreve em uma tabuinha, o nome João, atendendo ao mensageiro que o visitara, no altar do Templo, há pouco mais de 9 meses.
Após a circuncisão do filho, não mais se ouve menção nominal a Isabel. Talvez estivesse inclusa entre aquelas citadas por Lucas (8, 1 ss) que seguiam Jesus: "... Maria, chamada Madalena, da qual sairam sete demônios; e Joana, mulher de Cusa, procurador de Herodes e Suzana e muitas outras que o serviam com suas fazendas."
Talvez tenha desencarnado algum tempo depois, antes mesmo do filho se tornar o Precursor do Cordeiro de Deus.
De toda forma, uma coisa é certa: como todas as grandes almas, ela serviu na humildade e, cumprida a sua tarefa, dar a luz ao menino que aplainaria as veredas do Senhor, sai de cena. Palpável é a certeza, contudo, de que, como José, Maria, Zacarias era uma grande alma, plenamente cônscia de sua missão, que cumpriu de forma integral.
Bibliografia:
01.BÍBLIA, N.T. Lucas. Português. Bíblia Sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. Rio de Janeiro: Imprensa Bíblica, 1966. cap. 1, vers. 5-25, 39-45, 57-65.
02.PASTORINO, Carlos Torres. Nascimento de João. In:___. Sabedoria do evangelho. Rio de Janeiro: Sabedoria, 1964. v. 1.
03.______. Visita a Isabel. Op. cit.
04.______. Zacarias e Isabel. Op. cit.
05.ROHDEN, Huberto. A aurora da redenção. In:___. Jesus Nazareno. 6. ed. São Paulo: União Cultural. v. I, pt. 1, cap. 2.
06.______. O anjo do deserto. Op. cit. cap. 4.
07.ROPS, Daniel. Família, "Meus ossos e minha carne". In:___. A vida quotidiana na Palestina no tempo de Jesus. São Paulo: Livros do Brasil. pt. 2, cap. 2, item 6.
08.SALGADO, Plínio. Zacarias e Isabel. In:___. Vida de Jesus. 21. ed. São Paulo: Voz do Oeste, 1978. pt. 1, cap. 4.
09.SAULNIER, Christiane; ROLLAND, Bernard. A sociedade judaica. In:___. A Palestina no tempo de Jesus. São Paulo: Paulinas, 1983. item A mulher.
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terça-feira, 30 de dezembro de 2014
O Antigo Testamento foi revogado por Jesus?
O Antigo Testamento foi revogado por Jesus?
Paulo da Silva Neto Sobrinho
Recebemos, via Internet, o seguinte questionamento:
Você fala que Jesus veio para acabar com o Velho Testamento. Verdade: não cuideis que vim destruir a lei e os profetas (como era chamado o Antigo Testamento), não vim ab-rogar, mas cumprir. MATEUS cap. 5, 17. (leia até 48). Se você ler, verá que Jesus veio explicar a lei e os profetas e explicar o que era o inferno (chamado de morte pelos profetas do AT). Portanto se Isaias (profetas) profetiza sobre Jesus e contra o Espiritismo (cap. 8, 19 e 20) e nos livros da lei como Deuteronômio também Deus fala que abomina o Espiritismo (conversa ou invocação de mortos ou supostos espíritos superiores) Jesus veio para cumprir e também ele abominava essas praticas. Jesus não colocou ai exceção (não me lembro o cap. de Deuteronômio e Levítico). Se você prestar atenção, tudo que Jesus ensinou esta na lei e nos profetas. Jesus só eliminou os rituais e sacrifícios. Saiba também que você interpretou errado a parábola do remendo e do vinho novo. Leia com atenção.
Estudaremos, logo a seguir, algumas passagens do Evangelho buscando compreender as palavras de Jesus, para deixar o mais claro possível o que realmente Ele pensava, de modo que também o nosso leitor tenha elementos suficientes para tirar suas próprias conclusões. Não deixaremos de ler Mateus 5, 17 a 48, conforme sugerido, para ver se Jesus nestas passagens realmente está explicando a Lei e os Profetas.
Lucas 10, 25-28: E eis que certo homem, intérprete da lei, se levantou com intuito de por Jesus em provas, e disse-lhe: Mestre, que farei para herdar a vida eterna? Então Jesus lhe perguntou: Que está escrito na lei? Como interpretas? A isto ele respondeu: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e amarás o teu próximo como a ti mesmo. Então Jesus lhe disse: Respondeste corretamente; faze isto, e viverás.
Se Jesus, quando disse a respeito da Lei, estivesse se referindo a todo o Pentateuco mosaico estaria em contradição com esta passagem, pois considerou como correta a resposta do intérprete da lei. Nela somente disse que está escrito na lei: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e amarás o teu próximo como a ti mesmo. Ora, na legislação de Moisés existem muitas outras coisas para se cumprir além dessas.
Lucas 16, 16-18: A lei e os profetas vigoraram até João; desde esse tempo vem sendo anunciado o evangelho do reino de Deus, e todo homem se esforça por entrar nele. E é mais fácil passar o céu e a terra, do que cair um til sequer da lei. Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério; e aquele que casa com a mulher repudiada pelo marido também comete adultério.
Se a Lei e os profetas vigoraram até João é porque depois de João está vigorando algo diferente, uma nova lei. Ela é nada mais nada menos que o Evangelho, ou seja, o Novo Testamento. A questão: de toda a lei e os profetas serem cumpridos, se refere a tudo que há neles com relação às profecias sobre a vinda de Jesus e os acontecimentos que iriam ocorrer com Ele é que seriam cumpridos e não, como querem alguns, que todas as ordenações contidas lá sejam cumpridas. Até mesmo porque, como iremos ver mais adiante, especificamente algumas delas Ele as alterou profundamente, como é o caso, por exemplo, da questão do “olho por olho”. Observar que isso não faz parte dos rituais e sacrifícios.
Lucas 24, 25-27: Ele então lhes disse: “Ó homens sem inteligência, como é lento o vosso coração para crer no que os profetas anunciaram! Não era preciso que Cristo sofresse essas coisas para entrar na glória? E partindo de Moisés começou a percorrer todos os profetas, explicando em todas as Escrituras, o que dizia a respeito a ele mesmo.
Após ressuscitar, Jesus caminha com dois discípulos e lhes explica o que nas Escrituras se dizia a respeito dele, iniciando por Moisés, percorre todos os profetas, ou seja, esclarece-lhes somente o que era importante e que deveria ser cumprido na Lei e nos Profetas. Portanto o que Ele não veio revogar ou abolir foram as profecias contidas nas Escrituras a seu respeito. Se tudo nas Escrituras fosse importante não iria se restringir só a explicar o que dizia a Seu respeito. E para provar que não estamos distorcendo os fatos vejamos a passagem seguinte.
Lucas 24, 44-45: A seguir Jesus lhes disse: São estas palavras que eu vos falei, estando ainda convosco, que importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos. Então lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras;
Vejam vocês, é perfeitamente claro o que Jesus quis dizer quanto ao cumprimento das Escrituras. Não era, portanto tudo quanto existia nas Escrituras, mas somente importava que se cumprisse tudo o que dele estava escrito nela, ou seja, sua origem da casa de Davi, sua missão, todo o seu padecimento que culminou com sua morte na cruz e sua gloriosa ressurreição. Assim não há como entender de outra forma, a não ser que as palavras de Jesus não sirvam para nada ou que as queiramos distorcer.
João 1, 17: Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.
Aqui temos uma nítida demonstração de que a Lei de Moisés não é de suma importância para os cristãos, já que a VERDADE veio por Jesus Cristo e é Ele que nós procuramos seguir e não a Moisés. Não poderemos dizer que a Lei de Moisés não teve o seu valor, é claro que teve, entretanto, como diz Jesus, somente até João. Porque, para um povo atrasado, ela foi um fator de desenvolvimento.
João 1, 45: Filipe encontrou Natanael e lhe falou: “Achamos aquele de quem escreveram Moisés na Lei e os Profetas, Jesus, filho de José de Nazaré”.
Passagem que vem a confirmar que as profecias a respeito do Messias estavam se cumprindo no momento que Jesus inicia a sua vida pública. E era justamente nisso que os hebreus esperavam ansiosamente que se cumprisse as Escrituras.
João 7, 23: Se um homem recebe a circuncisão no sábado, para cumprir a Lei de Moisés, por que vos irritais contra mim porque curei totalmente um homem no sábado?
João 8, 5-7: Na Lei, Moisés nos manda apedrejar as adúlteras; mas tu o que dizes? Perguntavam isso para tentá-lo a fim de terem do que o acusar. Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo no chão. Como insistissem em perguntar, ergueu-se e lhes disse: “Aquele de vós que estiver sem pecado, atire-lhe a primeira pedra”.
Se realmente as leis que Moisés passou ao povo hebreu fossem todas provenientes de Deus, por que nestas duas passagens não se diz: cumprir a Lei de Deus e Na lei, Deus nos manda, respectivamente. Porque eram leis de Moisés e não de Deus. Tanto é que na questão das adúlteras Jesus não disse ao povo para cumprir a Lei, antes ao contrário revoga-a demonstrando uma inteligência peculiar. Deus também nunca diria: “Não cobiçar a mulher do próximo”, mandamento que realça ser, obviamente, um produto da cultura de uma sociedade machista daquela época, nada mais que isso, sendo, portanto, da forma que está expressa, lei dos homens e não de Deus.
Atos 7, 35-37: A este Moisés eles rejeitaram, dizendo: Quem te nomeou nosso chefe e juiz? Mas Deus é que o enviou como guia e libertador, por meio do anjo que lhe apareceu na sarça. Então o anjo conduziu o povo para fora, realizando milagres e prodígios no Egito, no Mar Vermelho e no deserto por quarenta anos. Este é Moisés que disse aos filhos de Israel: Deus fará surgir dentre vossos irmãos um profeta como eu. Foi ele quem, no tempo da assembléia no deserto, foi mediador entre o anjo que lhe falava no Monte Sinai e nossos antepassados, e foi ele quem recebeu palavras de vida para nos transmitir.
Temos na Lei que Deus apareceu a Moisés no Monte Sinai, que pessoalmente conduziu o povo para fora do Egito, que realizou vários milagres, etc. Entretanto por esta passagem está se afirmando que foi um ANJO. E aí como ficamos?
Romanos 7, 5: Enquanto viviam segundo a carne, as paixões pecaminosas, estimuladas pela Lei, produziam fruto para a morte em nossos membros.
Podemos deduzir desta passagem que a Lei estimulava paixões pecaminosas? Se for isto mesmo, é porque ela, a Lei, não era a VERDADE, que veio somente com Jesus.
Romanos 7, 6: Mas agora, livres da Lei, estamos mortos para aquilo que nos conservava prisioneiros, de sorte, que podemos servir a Deus conforme um espírito novo e não segundo a letra antiga.
Livres da Lei, ou seja, que não estamos mais submissos a ela, não é claro isso? Se podemos servir a Deus conforme um espírito novo, qual seja, os ensinamentos de Jesus, por que ficar ainda apegados a Moisés (letra antiga)? O Antigo Testamento está revogado ou ainda queremos permanecer na dúvida?
Mateus 5, 17-18: Não penseis que vim revogar a lei ou os profetas; não os vim para revogar, vim para cumprir. Porque em verdade vos digo: Até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da lei, até que tudo se cumpra.
Conforme já explicamos anteriormente até que tudo se cumpra em relação a Ele, ou seja, que veio para cumprir tudo que Dele está escrito na lei e nos profetas, que nem um i ou nem um til do que ali estava deixaria de ser cumprido.
Mateus 5, 19-20: Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e assim ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino dos céus; aquele, porém, que os observar e ensinar, esse será considerado grande no reino dos céus. Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus.
Nosso quadro é: Jesus na passagem evangélica do Sermão do Monte, onde inicia dizendo novos ensinamentos que deveremos cumprir. São as verdades que Ele passa a todos nós como roteiro de vida. São os mandamentos que diz para não violar. A partir dali também é que altera e revoga a legislação de Moisés, confirmamos isso com as passagens relativas ao capítulo 5 de Mateus que serão colocadas logo a seguir.
Mateus 5, 21-22: Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e: Quem matar estará sujeito a julgamento. Eu, porém, vos digo que todo aquele que (sem motivo) se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo.
Moisés: Não matarás. Jesus: que não devemos irar nem insultar ao nosso irmão
Mateus 5, 27-28: Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: Qualquer um que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração já adulterou com ela.
Moisés: Não adulterarás. Jesus: só o fato de olhar para uma mulher com intenção impura já cometemos adultério.
Mateus 5, 31-32: Também foi dito: Aquele que repudiar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio. Eu, porém, vos digo: Qualquer que repudiar sua mulher, exceto em caso de relações sexuais ilícitas, a expõe a tornar-se adúltera; e aquele que casar com a repudiada comete adultério.
Moisés: que se poderia repudiar a mulher. Jesus: se repudiar estás expondo a mulher ao adultério.
Mateus 5, 33-37: Também ouvistes que foi dito aos antigos: Não jurarás falso, mas cumprirás rigorosamente para com o Senhor os teus juramentos. Eu, porém, vos digo: De modo algum jureis: Nem pelo céu, por ser o trono de Deus; nem pela terra, por ser estrado de seus pés; nem por Jerusalém, por ser cidade do grande Rei; nem jures pela tua cabeça, porque não podes tornar um cabelo branco ou preto. Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno.
Moisés: Não jurarás falso. Jesus: De modo algum jureis.
Mateus 5, 38-42: Ouvistes que foi dito: Olho por olho, dente por dente. Eu, porém, vos digo: Não resistais ao perverso; mas a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra; e ao que quer demandar contigo e tirar-te a túnica, deixa-lhe também a capa. Se alguém te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas. Dá a quem te pede, e não voltes as costas ao que deseja que lhe emprestes.
Moisés: Olho por olho. Jesus: Quem te ferir na face direita, volta-lhe também a outra.
Mateus 5, 43-48: Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e vir chuvas sobre justos e injustos. Porque, se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos também o mesmo? E se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os gentios também o mesmo? Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste.
Moisés: Odiarás o teu inimigo. Jesus: Amai os vossos inimigos.
Hebreus 7, 18-19: Portanto, por um lado, se revoga a anterior ordenança, por causa de sua fraqueza e inutilidade (pois a lei nunca aperfeiçoou cousa alguma) e, por outro lado, se introduz esperança superior, pela qual nos chegamos a Deus. E, visto que não é sem prestar juramento (porque aqueles, sem juramento, são feitos sacerdotes, mas este, com juramento, por aquele que lhe disse: O Senhor jurou e não se arrependerá; Tu és sacerdote para sempre); por isso mesmo Jesus se tem tornado fiador de superior aliança.
Hebreus, 8, 6-7 e 13: Agora, com efeito, obteve Jesus ministério tanto mais excelente, quanto é ele também mediador de superior aliança instituída com base em superiores promessas. Porque, se aquela primeira aliança tivesse sido sem defeito, de maneira alguma estaria sendo buscado lugar para segunda. E, de fato, repreendendo-os, diz: Eis aí vêm dias, diz o Senhor, e firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá. Quando ele diz Nova, torna antiquada a primeira. Ora, aquilo que se torna antiquado e envelhecido, está prestes a desaparecer.
Se até aqui ainda existia alguma pequena sombra de dúvida, agora foi definitivamente dissipada por estas duas narrativas da carta aos Hebreus. Poderíamos até dizer: “quem tem ouvidos que ouça”, mas diremos quem tem olhos veja: aliança anterior é fraca, inútil e com defeito, enquanto que a nova é superior a ela. Quanto ao “está prestes a desaparecer”, só não desapareceu ainda é por insistência de alguns que querem a todo custo manter viva a Legislação de Moisés contida no Antigo Testamento. Repetindo: Porque, se aquela primeira aliança tivesse sido sem defeito, de maneira alguma estaria sendo buscado lugar para segunda.
Marcos 2, 18-22: Como os discípulos de João e os fariseus estavam jejuando, foram lhe perguntar: Por que é que os discípulos de João e os discípulos dos fariseus jejuam, e os teus não? Jesus lhes respondeu: Por acaso ficaria bem que os convidados para um casamento fizessem jejum, enquanto o esposo está com eles? Enquanto está, não convém. Mas virá um tempo em que o esposo lhes será tirado. Então sim, eles vão jejuar. Ninguém costura um remendo de pano novo em roupa velha. Do contrário o remendo novo, pelo fato de encolher, estraga a roupa velha e o rasgão fica pior. Ninguém põe vinho novo em velhos recipientes de couro. Caso contrário, o vinho arrebentaria os recipientes. Ficariam perdidos os recipientes e também o vinho. Para vinho novo, recipientes novos!
Seria o mesmo que Jesus dizer: Se vocês ficarem apegados aos ensinamentos de Moisés, não conseguirão suportar nem compreender os que agora vos trago. Aonde se falava sobre os jejuns? Não é no Velho Testamento, que tanto os fariseus e os discípulos de João Batista tiravam o que seguiam? Lembram-se: a Lei e os Profetas vigoraram até João. Assim não fica claro sua revogação por Jesus? Só não o é para os que ainda insistem em seguir Moisés. Mais claro fica quanto tomamos da nota de rodapé constante do Novo Testamento, Edições Loyola o seguinte: Tanto o pano novo como o vinho novo são símbolos duma nova era (cf. At 10, 11; Hbr 1, 11; Gên 49, 11-12); os cristãos dever estar animados dum espírito novo, incompatível com antigas prescrições do judaísmo já ultrapassadas.
Concluindo nosso estudo. Provamos que Jesus não se restringiu a só revogar os rituais e sacrifícios. Provamos que não distorcemos as narrativas da Bíblia à nossa conveniência, como tanto nos acusam. São elas exatamente que nos dão uma base sólida para afirmar com absoluta certeza que:
o cumprimento da lei e dos profetas que Jesus se refere no Evangelho é com relação às profecias contidas nas Escrituras sobre Ele mesmo;
que somente tem como ser cumprido da Lei: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo.
que nunca disse para seguirmos toda a Lei, aqui entendida como todo o Pentateuco.
Agora podemos responder ao questionamento: O Antigo Testamento foi revogado por Jesus? Sim, sem nenhuma sombra de dúvida.
Por isso não nos sentimos na obrigação de cumprir nada do que consta no Antigo Testamento, até mesmo por sermos coerentes com o que pensamos.
São as conclusões que chegamos. Entretanto não há como obrigar ninguém a pensar como nós. A única coisa que pedimos é que deixem de se apegar em demasia aos velhos ensinamentos como se eles fossem verdadeiros. A Terra já não é mais o centro do Universo, visto que o homem percebendo a ignorância de tal afirmativa, finalmente, aceitou a voz da Ciência. Além do que muitas coisas não foram mudadas para que se pudesse conservar o domínio sobre o povo que as cúpulas religiosas queriam manter a todo custo. Ainda hoje encontramos as que buscam conseguir o “poder” e o “dinheiro” com os quais subjugam todos os seus profitentes.
Paulo da Silva Neto Sobrinho
Jun/2001.
Bibliografia:
- Bíblia Anotada = The Ryrie Study Bible/Texto bíblico: Versão Almeida, Revista e Atualizada, com introdução, esboço, referências laterais e notas por Charles Caldwell Ryrie; Tradução de Carlos Oswaldo Cardoso Pinto. São Paulo, Mundo Cristão, 1994.
- Bíblia Sagrada, Editora Ave Maria, São Paulo, 1989, 68ª Edição.
- Bíblia Sagrada, Editora Vozes, Petrópolis, RJ, 1989, 8ª Edição.
- Novo Testamento, LEB – Edições Loyola, São Paulo, 1984.
Nota: Na página seguinte colocamos a resposta que nos foi enviada pela pessoa que nos fez o questionamento.
A Resposta ao Texto: O Antigo Testamento foi revogado por Jesus?
Gostaria de deixar claro que espero com esse texto, bom senso e imparcialidade de religiões.
Primeiro falarei da parábola, que você interpretou errado. A parábola não fala nada de revogar o Antigo Testamento, e nada dessas interpretações absurdas que você escreve. FALA SIM QUE ENQUANTO O PRÓPRIO DEUS (Jesus é o Deus que se fez carne, o ungido de Deus, aquele a quem Deus confiou tudo, não para acabar com tudo, mas para cumprir tudo) ESTAVA COM ELES, eles tinham que ficar alegres, exultarem ao ver sua grande luz, e não afligir suas almas. E quando lhes fosse tirada a luz, então jejuariam. Ora você trata o jejum como se Jesus tivesse abolido o jejum. Nesta passagem e em Mateus 6, 16-18, Ele até ensina como o povo deve jejuar. POR FAVOR, LEIA E REFLITA. LEIA AS PALAVRAS NO CONTEXTO INTERNO E NÃO ACREDITE EM QUALQUER NOTA DE RODAPÉ.
A seguir comento suas observações:
Lucas 10, 25a 28 – Amar a Deus, não é simplesmente dizer que o ama. É cumprir em verdade e alegria, tudo o que foi mandado por Ele. Leia Mateus 19, 16 a 20, e verá que amar a Deus é seguir o que Ele disse, DEUS não proibiu à-toa o Espiritismo, você vai ver mais na frente. Numa página que aconselhei.
Lucas 16, 16a 18 – Mas uma vez você manipulou as palavras. É mentiroso o que você afirma que o Antigo Testamento serviu só para cumprir a vinda de Jesus. Me fale onde e quando Jesus quis dizer isso. Rituais e sacrifícios foram abolidos, a lei não. A lei foi explicada no seu contexto certo por Jesus. Você tem que entender que um povo que depois de ver prodígios, constrói um bezerro de ouro para o adorar, não compreenderia as palavras de Jesus. Como deus disse: atentei para este povo (Israel) e eis que era povo obstinado de coração – o que Jesus quis explicar, ele explicou, o que quis mudar mudou. Se ele não apoiou e nem comentou a comunicação com os mortos (se percebe nos cultos cristãos depois da morte de Jesus, que os apóstolos nem de longe coisas parecidas com cultos espíritas, e nem eram médiuns), e porque é abominação ao senhor.
A lei era falha, mas Jesus a completou. O que tinha que ser mudado mudou. o que tinha que ser anulado anulou. Mas não a conversa com mortos, a mediunidade (necromancia) médiuns = necromantes.
Ora, o Espiritismo fala que a revelação dos espíritos é mais importante que a Bíblia. Sai disso meu amigo Paulo. Sai disso.
Se você não acredita que Deus falou a Moisés, eu sinto muito, mas aí começou o projeto de Deus. Se foi um anjo, ou Deus eu não sei. Sei que o Espírito Santo quando eu era ateu me tocou, no que eu lesse a Bíblia que antes tinha como nojo. E ele me tocou a começar exatamente pelo AT. E eu sei que aquela lei não é perfeita, mas é a lei de Deus. E claro que não vou apedrejar ninguém, sei que Jesus a fez ficar perfeita. Por favor, entre nessa página de um ex-satanista que presenciou visões e coisas semelhantes as minhas. Se quiserdes saber minha história pergunte na resposta, mas eu só aceito resposta depois que você tiver entrado nessa página que te esclarecerá.
www.fuiumdeles.cjb.net (entre!!)
abraços
Orarei por você.
Paulo da Silva Neto Sobrinho
Recebemos, via Internet, o seguinte questionamento:
Você fala que Jesus veio para acabar com o Velho Testamento. Verdade: não cuideis que vim destruir a lei e os profetas (como era chamado o Antigo Testamento), não vim ab-rogar, mas cumprir. MATEUS cap. 5, 17. (leia até 48). Se você ler, verá que Jesus veio explicar a lei e os profetas e explicar o que era o inferno (chamado de morte pelos profetas do AT). Portanto se Isaias (profetas) profetiza sobre Jesus e contra o Espiritismo (cap. 8, 19 e 20) e nos livros da lei como Deuteronômio também Deus fala que abomina o Espiritismo (conversa ou invocação de mortos ou supostos espíritos superiores) Jesus veio para cumprir e também ele abominava essas praticas. Jesus não colocou ai exceção (não me lembro o cap. de Deuteronômio e Levítico). Se você prestar atenção, tudo que Jesus ensinou esta na lei e nos profetas. Jesus só eliminou os rituais e sacrifícios. Saiba também que você interpretou errado a parábola do remendo e do vinho novo. Leia com atenção.
Estudaremos, logo a seguir, algumas passagens do Evangelho buscando compreender as palavras de Jesus, para deixar o mais claro possível o que realmente Ele pensava, de modo que também o nosso leitor tenha elementos suficientes para tirar suas próprias conclusões. Não deixaremos de ler Mateus 5, 17 a 48, conforme sugerido, para ver se Jesus nestas passagens realmente está explicando a Lei e os Profetas.
Lucas 10, 25-28: E eis que certo homem, intérprete da lei, se levantou com intuito de por Jesus em provas, e disse-lhe: Mestre, que farei para herdar a vida eterna? Então Jesus lhe perguntou: Que está escrito na lei? Como interpretas? A isto ele respondeu: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e amarás o teu próximo como a ti mesmo. Então Jesus lhe disse: Respondeste corretamente; faze isto, e viverás.
Se Jesus, quando disse a respeito da Lei, estivesse se referindo a todo o Pentateuco mosaico estaria em contradição com esta passagem, pois considerou como correta a resposta do intérprete da lei. Nela somente disse que está escrito na lei: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e amarás o teu próximo como a ti mesmo. Ora, na legislação de Moisés existem muitas outras coisas para se cumprir além dessas.
Lucas 16, 16-18: A lei e os profetas vigoraram até João; desde esse tempo vem sendo anunciado o evangelho do reino de Deus, e todo homem se esforça por entrar nele. E é mais fácil passar o céu e a terra, do que cair um til sequer da lei. Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério; e aquele que casa com a mulher repudiada pelo marido também comete adultério.
Se a Lei e os profetas vigoraram até João é porque depois de João está vigorando algo diferente, uma nova lei. Ela é nada mais nada menos que o Evangelho, ou seja, o Novo Testamento. A questão: de toda a lei e os profetas serem cumpridos, se refere a tudo que há neles com relação às profecias sobre a vinda de Jesus e os acontecimentos que iriam ocorrer com Ele é que seriam cumpridos e não, como querem alguns, que todas as ordenações contidas lá sejam cumpridas. Até mesmo porque, como iremos ver mais adiante, especificamente algumas delas Ele as alterou profundamente, como é o caso, por exemplo, da questão do “olho por olho”. Observar que isso não faz parte dos rituais e sacrifícios.
Lucas 24, 25-27: Ele então lhes disse: “Ó homens sem inteligência, como é lento o vosso coração para crer no que os profetas anunciaram! Não era preciso que Cristo sofresse essas coisas para entrar na glória? E partindo de Moisés começou a percorrer todos os profetas, explicando em todas as Escrituras, o que dizia a respeito a ele mesmo.
Após ressuscitar, Jesus caminha com dois discípulos e lhes explica o que nas Escrituras se dizia a respeito dele, iniciando por Moisés, percorre todos os profetas, ou seja, esclarece-lhes somente o que era importante e que deveria ser cumprido na Lei e nos Profetas. Portanto o que Ele não veio revogar ou abolir foram as profecias contidas nas Escrituras a seu respeito. Se tudo nas Escrituras fosse importante não iria se restringir só a explicar o que dizia a Seu respeito. E para provar que não estamos distorcendo os fatos vejamos a passagem seguinte.
Lucas 24, 44-45: A seguir Jesus lhes disse: São estas palavras que eu vos falei, estando ainda convosco, que importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos. Então lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras;
Vejam vocês, é perfeitamente claro o que Jesus quis dizer quanto ao cumprimento das Escrituras. Não era, portanto tudo quanto existia nas Escrituras, mas somente importava que se cumprisse tudo o que dele estava escrito nela, ou seja, sua origem da casa de Davi, sua missão, todo o seu padecimento que culminou com sua morte na cruz e sua gloriosa ressurreição. Assim não há como entender de outra forma, a não ser que as palavras de Jesus não sirvam para nada ou que as queiramos distorcer.
João 1, 17: Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.
Aqui temos uma nítida demonstração de que a Lei de Moisés não é de suma importância para os cristãos, já que a VERDADE veio por Jesus Cristo e é Ele que nós procuramos seguir e não a Moisés. Não poderemos dizer que a Lei de Moisés não teve o seu valor, é claro que teve, entretanto, como diz Jesus, somente até João. Porque, para um povo atrasado, ela foi um fator de desenvolvimento.
João 1, 45: Filipe encontrou Natanael e lhe falou: “Achamos aquele de quem escreveram Moisés na Lei e os Profetas, Jesus, filho de José de Nazaré”.
Passagem que vem a confirmar que as profecias a respeito do Messias estavam se cumprindo no momento que Jesus inicia a sua vida pública. E era justamente nisso que os hebreus esperavam ansiosamente que se cumprisse as Escrituras.
João 7, 23: Se um homem recebe a circuncisão no sábado, para cumprir a Lei de Moisés, por que vos irritais contra mim porque curei totalmente um homem no sábado?
João 8, 5-7: Na Lei, Moisés nos manda apedrejar as adúlteras; mas tu o que dizes? Perguntavam isso para tentá-lo a fim de terem do que o acusar. Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo no chão. Como insistissem em perguntar, ergueu-se e lhes disse: “Aquele de vós que estiver sem pecado, atire-lhe a primeira pedra”.
Se realmente as leis que Moisés passou ao povo hebreu fossem todas provenientes de Deus, por que nestas duas passagens não se diz: cumprir a Lei de Deus e Na lei, Deus nos manda, respectivamente. Porque eram leis de Moisés e não de Deus. Tanto é que na questão das adúlteras Jesus não disse ao povo para cumprir a Lei, antes ao contrário revoga-a demonstrando uma inteligência peculiar. Deus também nunca diria: “Não cobiçar a mulher do próximo”, mandamento que realça ser, obviamente, um produto da cultura de uma sociedade machista daquela época, nada mais que isso, sendo, portanto, da forma que está expressa, lei dos homens e não de Deus.
Atos 7, 35-37: A este Moisés eles rejeitaram, dizendo: Quem te nomeou nosso chefe e juiz? Mas Deus é que o enviou como guia e libertador, por meio do anjo que lhe apareceu na sarça. Então o anjo conduziu o povo para fora, realizando milagres e prodígios no Egito, no Mar Vermelho e no deserto por quarenta anos. Este é Moisés que disse aos filhos de Israel: Deus fará surgir dentre vossos irmãos um profeta como eu. Foi ele quem, no tempo da assembléia no deserto, foi mediador entre o anjo que lhe falava no Monte Sinai e nossos antepassados, e foi ele quem recebeu palavras de vida para nos transmitir.
Temos na Lei que Deus apareceu a Moisés no Monte Sinai, que pessoalmente conduziu o povo para fora do Egito, que realizou vários milagres, etc. Entretanto por esta passagem está se afirmando que foi um ANJO. E aí como ficamos?
Romanos 7, 5: Enquanto viviam segundo a carne, as paixões pecaminosas, estimuladas pela Lei, produziam fruto para a morte em nossos membros.
Podemos deduzir desta passagem que a Lei estimulava paixões pecaminosas? Se for isto mesmo, é porque ela, a Lei, não era a VERDADE, que veio somente com Jesus.
Romanos 7, 6: Mas agora, livres da Lei, estamos mortos para aquilo que nos conservava prisioneiros, de sorte, que podemos servir a Deus conforme um espírito novo e não segundo a letra antiga.
Livres da Lei, ou seja, que não estamos mais submissos a ela, não é claro isso? Se podemos servir a Deus conforme um espírito novo, qual seja, os ensinamentos de Jesus, por que ficar ainda apegados a Moisés (letra antiga)? O Antigo Testamento está revogado ou ainda queremos permanecer na dúvida?
Mateus 5, 17-18: Não penseis que vim revogar a lei ou os profetas; não os vim para revogar, vim para cumprir. Porque em verdade vos digo: Até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da lei, até que tudo se cumpra.
Conforme já explicamos anteriormente até que tudo se cumpra em relação a Ele, ou seja, que veio para cumprir tudo que Dele está escrito na lei e nos profetas, que nem um i ou nem um til do que ali estava deixaria de ser cumprido.
Mateus 5, 19-20: Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e assim ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino dos céus; aquele, porém, que os observar e ensinar, esse será considerado grande no reino dos céus. Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus.
Nosso quadro é: Jesus na passagem evangélica do Sermão do Monte, onde inicia dizendo novos ensinamentos que deveremos cumprir. São as verdades que Ele passa a todos nós como roteiro de vida. São os mandamentos que diz para não violar. A partir dali também é que altera e revoga a legislação de Moisés, confirmamos isso com as passagens relativas ao capítulo 5 de Mateus que serão colocadas logo a seguir.
Mateus 5, 21-22: Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e: Quem matar estará sujeito a julgamento. Eu, porém, vos digo que todo aquele que (sem motivo) se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo.
Moisés: Não matarás. Jesus: que não devemos irar nem insultar ao nosso irmão
Mateus 5, 27-28: Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: Qualquer um que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração já adulterou com ela.
Moisés: Não adulterarás. Jesus: só o fato de olhar para uma mulher com intenção impura já cometemos adultério.
Mateus 5, 31-32: Também foi dito: Aquele que repudiar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio. Eu, porém, vos digo: Qualquer que repudiar sua mulher, exceto em caso de relações sexuais ilícitas, a expõe a tornar-se adúltera; e aquele que casar com a repudiada comete adultério.
Moisés: que se poderia repudiar a mulher. Jesus: se repudiar estás expondo a mulher ao adultério.
Mateus 5, 33-37: Também ouvistes que foi dito aos antigos: Não jurarás falso, mas cumprirás rigorosamente para com o Senhor os teus juramentos. Eu, porém, vos digo: De modo algum jureis: Nem pelo céu, por ser o trono de Deus; nem pela terra, por ser estrado de seus pés; nem por Jerusalém, por ser cidade do grande Rei; nem jures pela tua cabeça, porque não podes tornar um cabelo branco ou preto. Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno.
Moisés: Não jurarás falso. Jesus: De modo algum jureis.
Mateus 5, 38-42: Ouvistes que foi dito: Olho por olho, dente por dente. Eu, porém, vos digo: Não resistais ao perverso; mas a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra; e ao que quer demandar contigo e tirar-te a túnica, deixa-lhe também a capa. Se alguém te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas. Dá a quem te pede, e não voltes as costas ao que deseja que lhe emprestes.
Moisés: Olho por olho. Jesus: Quem te ferir na face direita, volta-lhe também a outra.
Mateus 5, 43-48: Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e vir chuvas sobre justos e injustos. Porque, se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos também o mesmo? E se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os gentios também o mesmo? Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste.
Moisés: Odiarás o teu inimigo. Jesus: Amai os vossos inimigos.
Hebreus 7, 18-19: Portanto, por um lado, se revoga a anterior ordenança, por causa de sua fraqueza e inutilidade (pois a lei nunca aperfeiçoou cousa alguma) e, por outro lado, se introduz esperança superior, pela qual nos chegamos a Deus. E, visto que não é sem prestar juramento (porque aqueles, sem juramento, são feitos sacerdotes, mas este, com juramento, por aquele que lhe disse: O Senhor jurou e não se arrependerá; Tu és sacerdote para sempre); por isso mesmo Jesus se tem tornado fiador de superior aliança.
Hebreus, 8, 6-7 e 13: Agora, com efeito, obteve Jesus ministério tanto mais excelente, quanto é ele também mediador de superior aliança instituída com base em superiores promessas. Porque, se aquela primeira aliança tivesse sido sem defeito, de maneira alguma estaria sendo buscado lugar para segunda. E, de fato, repreendendo-os, diz: Eis aí vêm dias, diz o Senhor, e firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá. Quando ele diz Nova, torna antiquada a primeira. Ora, aquilo que se torna antiquado e envelhecido, está prestes a desaparecer.
Se até aqui ainda existia alguma pequena sombra de dúvida, agora foi definitivamente dissipada por estas duas narrativas da carta aos Hebreus. Poderíamos até dizer: “quem tem ouvidos que ouça”, mas diremos quem tem olhos veja: aliança anterior é fraca, inútil e com defeito, enquanto que a nova é superior a ela. Quanto ao “está prestes a desaparecer”, só não desapareceu ainda é por insistência de alguns que querem a todo custo manter viva a Legislação de Moisés contida no Antigo Testamento. Repetindo: Porque, se aquela primeira aliança tivesse sido sem defeito, de maneira alguma estaria sendo buscado lugar para segunda.
Marcos 2, 18-22: Como os discípulos de João e os fariseus estavam jejuando, foram lhe perguntar: Por que é que os discípulos de João e os discípulos dos fariseus jejuam, e os teus não? Jesus lhes respondeu: Por acaso ficaria bem que os convidados para um casamento fizessem jejum, enquanto o esposo está com eles? Enquanto está, não convém. Mas virá um tempo em que o esposo lhes será tirado. Então sim, eles vão jejuar. Ninguém costura um remendo de pano novo em roupa velha. Do contrário o remendo novo, pelo fato de encolher, estraga a roupa velha e o rasgão fica pior. Ninguém põe vinho novo em velhos recipientes de couro. Caso contrário, o vinho arrebentaria os recipientes. Ficariam perdidos os recipientes e também o vinho. Para vinho novo, recipientes novos!
Seria o mesmo que Jesus dizer: Se vocês ficarem apegados aos ensinamentos de Moisés, não conseguirão suportar nem compreender os que agora vos trago. Aonde se falava sobre os jejuns? Não é no Velho Testamento, que tanto os fariseus e os discípulos de João Batista tiravam o que seguiam? Lembram-se: a Lei e os Profetas vigoraram até João. Assim não fica claro sua revogação por Jesus? Só não o é para os que ainda insistem em seguir Moisés. Mais claro fica quanto tomamos da nota de rodapé constante do Novo Testamento, Edições Loyola o seguinte: Tanto o pano novo como o vinho novo são símbolos duma nova era (cf. At 10, 11; Hbr 1, 11; Gên 49, 11-12); os cristãos dever estar animados dum espírito novo, incompatível com antigas prescrições do judaísmo já ultrapassadas.
Concluindo nosso estudo. Provamos que Jesus não se restringiu a só revogar os rituais e sacrifícios. Provamos que não distorcemos as narrativas da Bíblia à nossa conveniência, como tanto nos acusam. São elas exatamente que nos dão uma base sólida para afirmar com absoluta certeza que:
o cumprimento da lei e dos profetas que Jesus se refere no Evangelho é com relação às profecias contidas nas Escrituras sobre Ele mesmo;
que somente tem como ser cumprido da Lei: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo.
que nunca disse para seguirmos toda a Lei, aqui entendida como todo o Pentateuco.
Agora podemos responder ao questionamento: O Antigo Testamento foi revogado por Jesus? Sim, sem nenhuma sombra de dúvida.
Por isso não nos sentimos na obrigação de cumprir nada do que consta no Antigo Testamento, até mesmo por sermos coerentes com o que pensamos.
São as conclusões que chegamos. Entretanto não há como obrigar ninguém a pensar como nós. A única coisa que pedimos é que deixem de se apegar em demasia aos velhos ensinamentos como se eles fossem verdadeiros. A Terra já não é mais o centro do Universo, visto que o homem percebendo a ignorância de tal afirmativa, finalmente, aceitou a voz da Ciência. Além do que muitas coisas não foram mudadas para que se pudesse conservar o domínio sobre o povo que as cúpulas religiosas queriam manter a todo custo. Ainda hoje encontramos as que buscam conseguir o “poder” e o “dinheiro” com os quais subjugam todos os seus profitentes.
Paulo da Silva Neto Sobrinho
Jun/2001.
Bibliografia:
- Bíblia Anotada = The Ryrie Study Bible/Texto bíblico: Versão Almeida, Revista e Atualizada, com introdução, esboço, referências laterais e notas por Charles Caldwell Ryrie; Tradução de Carlos Oswaldo Cardoso Pinto. São Paulo, Mundo Cristão, 1994.
- Bíblia Sagrada, Editora Ave Maria, São Paulo, 1989, 68ª Edição.
- Bíblia Sagrada, Editora Vozes, Petrópolis, RJ, 1989, 8ª Edição.
- Novo Testamento, LEB – Edições Loyola, São Paulo, 1984.
Nota: Na página seguinte colocamos a resposta que nos foi enviada pela pessoa que nos fez o questionamento.
A Resposta ao Texto: O Antigo Testamento foi revogado por Jesus?
Gostaria de deixar claro que espero com esse texto, bom senso e imparcialidade de religiões.
Primeiro falarei da parábola, que você interpretou errado. A parábola não fala nada de revogar o Antigo Testamento, e nada dessas interpretações absurdas que você escreve. FALA SIM QUE ENQUANTO O PRÓPRIO DEUS (Jesus é o Deus que se fez carne, o ungido de Deus, aquele a quem Deus confiou tudo, não para acabar com tudo, mas para cumprir tudo) ESTAVA COM ELES, eles tinham que ficar alegres, exultarem ao ver sua grande luz, e não afligir suas almas. E quando lhes fosse tirada a luz, então jejuariam. Ora você trata o jejum como se Jesus tivesse abolido o jejum. Nesta passagem e em Mateus 6, 16-18, Ele até ensina como o povo deve jejuar. POR FAVOR, LEIA E REFLITA. LEIA AS PALAVRAS NO CONTEXTO INTERNO E NÃO ACREDITE EM QUALQUER NOTA DE RODAPÉ.
A seguir comento suas observações:
Lucas 10, 25a 28 – Amar a Deus, não é simplesmente dizer que o ama. É cumprir em verdade e alegria, tudo o que foi mandado por Ele. Leia Mateus 19, 16 a 20, e verá que amar a Deus é seguir o que Ele disse, DEUS não proibiu à-toa o Espiritismo, você vai ver mais na frente. Numa página que aconselhei.
Lucas 16, 16a 18 – Mas uma vez você manipulou as palavras. É mentiroso o que você afirma que o Antigo Testamento serviu só para cumprir a vinda de Jesus. Me fale onde e quando Jesus quis dizer isso. Rituais e sacrifícios foram abolidos, a lei não. A lei foi explicada no seu contexto certo por Jesus. Você tem que entender que um povo que depois de ver prodígios, constrói um bezerro de ouro para o adorar, não compreenderia as palavras de Jesus. Como deus disse: atentei para este povo (Israel) e eis que era povo obstinado de coração – o que Jesus quis explicar, ele explicou, o que quis mudar mudou. Se ele não apoiou e nem comentou a comunicação com os mortos (se percebe nos cultos cristãos depois da morte de Jesus, que os apóstolos nem de longe coisas parecidas com cultos espíritas, e nem eram médiuns), e porque é abominação ao senhor.
A lei era falha, mas Jesus a completou. O que tinha que ser mudado mudou. o que tinha que ser anulado anulou. Mas não a conversa com mortos, a mediunidade (necromancia) médiuns = necromantes.
Ora, o Espiritismo fala que a revelação dos espíritos é mais importante que a Bíblia. Sai disso meu amigo Paulo. Sai disso.
Se você não acredita que Deus falou a Moisés, eu sinto muito, mas aí começou o projeto de Deus. Se foi um anjo, ou Deus eu não sei. Sei que o Espírito Santo quando eu era ateu me tocou, no que eu lesse a Bíblia que antes tinha como nojo. E ele me tocou a começar exatamente pelo AT. E eu sei que aquela lei não é perfeita, mas é a lei de Deus. E claro que não vou apedrejar ninguém, sei que Jesus a fez ficar perfeita. Por favor, entre nessa página de um ex-satanista que presenciou visões e coisas semelhantes as minhas. Se quiserdes saber minha história pergunte na resposta, mas eu só aceito resposta depois que você tiver entrado nessa página que te esclarecerá.
www.fuiumdeles.cjb.net (entre!!)
abraços
Orarei por você.
Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo
“Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.”
(João; 1:17)
http://www.aeradoespirito.net/ArtigosFM/A_BOA_NOVA.html
A revelação mosaica (Velho Testamento) está separada da Boa Nova, (Novo Testamento) esculpida por Jesus, por um período de várias décadas, e sem infringi-la, Ele a amplia e lhe concede novos prismas, depurando-a, porque declarou: “Não pensais que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruí-los, mas dar-lhes cumprimento” (Mateus; 5:17).
“As traduções vulgares trazem ‘cumprir’, o que não seria nada de extraordinário, já que todos nós viemos cumprir a lei (...). Todavia o verbo plêrôsai (do grego) significa “completar”.(01)
Deu Jesus, perante Pilatos, testemunha da verdade, apanágio de qualquer revelação divina, ao declarar: “Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz.” Retruca Pilatos então: “Mas o que é a verdade?” (João; 18: 37, 38)
Revelar é descobrir, retirar os véus, e os que impediam-no de ver a verdade, que estava bem ali à sua frente, não se encontravam, entretanto, próximas ao olhar do nazareno, mas colados a seus próprios olhos. São os mesmos que, às vezes, se grudam nos nossos e como diz o adágio popular, “o pior cego é o que não quer ver”.
O evangelho de Jesus é um legado para a humanidade, um jardim de flores inesgotáveis e quanto mais nele penetrarmos, mais iremos perceber os seus aromas, os seus viços e os seus matizes.
Jesus é a nossa centelha divina, a “Luz do Mundo”, estrela-guia cujo esplendor nos alumbrou com o cintilo de suas parábolas, para irradiar as letras do Velho Pergaminho a se refletirem nos jardins de nossas vidas, e nós, espíritas, conhecedores destas palavras do Mestre, temos especial responsabilidade na interpretação e no cumprimento de seus ensinamentos, porque “a quem muito foi dado, muito será exigido.” (Lucas; 12: 47 e 48)
A primeira revelação, mosaica, foi apropriada para a época e para o povo, ao qual se destinou, desvelou, como profeta, a existência de um Deus único, promulgou a lei do Sinai e nos deu as bases da verdadeira fé.(02)
Na Boa Nova, a Segunda Revelação, efetuou Jesus o burilamento da primeira, dando-lhe “o verdadeiro sentido e adaptando-a ao grau de adiantamento dos homens.” (03)
Separa o que é divino, os Mandamentos, do que é de Moisés, sua legislação.
“A expressão ‘a lei e os profetas’ exprime o Antigo Testamento, que é o símbolo da personagem terrena; o Novo Testamento é o Reino de Deus, que é o campo da Individualidade. Moisés legislou para a personalidade terrena; Jesus para a individualidade espiritual. O reino da personalidade durou até João, que foi o maior ‘entre os filhos de mulher’, ao passo que Jesus é o ‘Filho do Homem’. (...) Até João ainda vigoravam os preceitos para a personalidade, que perderam sua razão de ser nesse nível, porque foram completados e aperfeiçoados pela vinda de Jesus, que os elevou, para aplica-los e adapta-los à individualidade. (...) A lei mosaica foi escrita para a personagem transitória, e portanto transitória ela mesma.” (04)
Recapitulemos assim, no Novo Testamento:
“Ouviste o que foi dito: olho por olho, dente por dente. Eu, porém vos digo (...) a qualquer um que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra” (...) “amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelo que vos perseguem.” (Mateus; 5: 38, 39, 43 e 44)
Materializemos isto, no episódio do apedrejamento da adúltera: “Então os escribas e fariseus lhe trouxeram uma mulher que fora surpreendida em adultério e, pondo-a de pé diante do povo, - disseram: ‘Mestre, esta mulher acaba de ser surpreendida em adultério; ora - Moisés, pela lei, ordena que se lapidem as adúlteras. Qual sobre isto a tua opinião?’ (João; 8: 3-11) A parábola é por deveras conhecida e quando Jesus pergunta: "Mulher onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? Responde ela: Ninguém Senhor. Então lhe disse Jesus: Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais" (João;8: 3-11). Fica bastante claro que Ele, nestas últimas citações, contrariou a lei mosaica e expandindo o amor, lhes deu os desfechos pertinentes à Boa Nova.
Confere, assim Jesus, novos prismas à Divindade. Descortina o Deus da Paz e nos mostra que “o Pai demonstra o desejo incondicional do bem, que é o amor, para toda a criação. Fomos criados para a felicidade, a glória e a luz; esse é o determinismo divino!” (06)
Não um Deus cruel, terrível, ciumento, vingativo e implacável, “que rega a terra com o sangue humano, que ordena o massacre e o extermínio dos povos, sem excetuar as mulheres, as crianças e os velhos, e que castiga aqueles que poupam as vítimas; já não é um Deus injusto, que pune um povo inteiro pela falta de seu chefe, que se vinga do culpado na pessoa do inocente, que fere os filhos pela falta dos pais; mas um Deus clemente, soberanamente justo e bom, cheio de mansidão e misericórdia, que perdoa o pecador arrependido e dá a cada um segundo as suas obras”. (...) Já não é o Deus que quer ser temido, mas que quer ser amado”. (02) Para o “nosso” Deus, que é “um só Deus, e Pai de todos” (Efésios; 4: 6), não há faltas irremissíveis, e Jesus não iria proclamar que perdoemos setenta vezes sete, isto é, sempre, se Deus, infinitamente bom e misericordioso não fizesse o mesmo.
A Boa Nova está toda esculpida no amor e para amplia-lo, Jesus sintetiza os dez mandamentos, em apenas dois: Amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo e acrescenta: “Destes dois mandamentos depende toda lei e os profetas.” (Mateus; 22: 37-40) Amar a Deus, se amar e amar ao próximo, eis os objetivos da segunda revelação, porque quem não se ama, não pode amar ao próximo como a si mesmo, consistindo, esta última afirmação, destacada em negrito, a regra áurea do Cristianismo.
Jesus, na escultura de seu Evangelho, também nos deu testemunho da imortalidade, da comunicabilidade e da evocação dos Espíritos, evidentes na seguinte passagem:
“(...) tomou Jesus consigo a Pedro, a Tiago e a João, e os levou em particular a um alto monte. E foi transfigurado diante deles. (...) E lhes apareceu Elias com Moisés, e estes falavam com Jesus.(...) E veio uma nuvem que os envolveu; e delas saiu uma voz dizendo: Este é meu filho dileto; ouvi-o”. (Marcos; 9: 2-8)
Este episódio no Tabor, Jesus desvelou-se; “foi o monte da comunhão espiritual no seu sentido mais elevado” (07) desenvolvendo Ele uma reunião mediúnica histórica.
“João representou os profetas; Jesus é a Graça e a Verdade, que recebeu no Tabor os testemunhos da Lei, pelo Espírito de Moisés, e da profecia, pelo Espírito de Elias”. (08)
Asseverou-nos Jesus, Governador deste planeta: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém pode ir ao Pai, senão por mim”. (João 14; 6)
Ele nos apontou o caminho, o amor; a verdade - o seu Evangelho; e, a vida; que é a conseqüência de nossa reforma íntima, a evolução moral de nosso Espírito imortal, na busca incessante da felicidade, que só será conseguida calcando-se nas premissas anteriores, e para a qual nos criou nosso Pai Amoroso.
Reafirmamos assim, que não pode haver justiça divina sem reencarnação, sendo este, um processo não punitivo, mas educativo, concedido por Deus, que nos criou simples e ignorantes, na certeza de que pela nossa evolução espiritual, através de reencarnações sucessivas neste nosso mundo e na pluralidade dos mundos habitados, todos alcançaremos a perfeição e a felicidade. Todos, porque Ele mesmo ensinou que: “das ovelhas que meu Pai me confiou, nenhuma se perderá”. (Mateus: 18:14)
Jesus refere-se à reencarnação em várias passagens de seu evangelho. Pincemos apenas duas.
“Não existe um modo mais contundente e categórico para afirmar que João Batista tem a mesma identidade espiritual de Elias. (...) Elas foram proferidas pelo próprio Jesus em duas ocasiões diferentes, e de duas maneiras também diferentes.” (09)
Falando de Elias, dizia Jesus: “Eu, porém, vos declaro que Elias já veio, e não o reconheceram, antes fizeram com ele tudo quanto quiseram. (..) Então os discípulos entenderam que lhes falara de João Batista”. (Mateus;17:10-13). E em outra passagem, referindo-se agora a João Batista: “E se o quereis reconhecer, Ele mesmo é Elias, que estava para vir. Quem tem ouvidos (para ouvir) ouça” (Mateus; 11: 7, 11-14)
No colóquio com Nicodemos Jesus testifica sobre a vida material e espiritual: “Ninguém pode ver o Reino de Deus, senão nascer de Novo. Perguntou-lhe aquele: ‘Como pode um homem nascer sendo velho? Porventura pode entrar no ventre de sua mãe e nascer?’ Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no Reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, o que é nascido do Espírito é Espírito. É vos necessário nascer de novo”. (João; 3: 1-15)
Referindo-se à Casa do Pai, qualquer pessoa pode alcançar que, Deus não seria pródigo a criar esta imensidão de astros inutilmente e, por isso, não o fez. Afinal, só na nossa Via Láctea, existem mais de cem bilhões de estrelas, e no universo visível mais de um septilhão delas, trilhões de planetas, cada um com suas características de habitabilidade, conforme a evolução dos Espíritos, que variam ao infinito e, evoluindo sempre, eles jamais serão contemplativos ou preguiçosos.(10) As moradas são a pluralidade dos mundos habitados, como afirmou Jesus: “Não se turbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim. Há muitas moradas na casa do Pai; se assim não fosse, eu vos teria dito, pois me vou para vos preparar o lugar”. (João; 14:1-3)
Jesus não só luariza a primeira revelação, mosaica, mas anuncia o que seria a terceira revelação, o Espiritismo, porque Moisés iniciou o caminho, Jesus depurou a obra, e a Doutrina Espírita lhe dá continuidade perene. “Se me amais guardai os meus mandamentos; e eu rogarei ao Pai e ele vos enviará outro Consolador, a fim de que fique eternamente convosco; O Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber porque o não vê e absolutamente o não conhece. Mas, quanto a vós, conhecê-lo-eis, porque ficará convosco e estará em vós. Porém O Consolador, que é o Santo Espírito, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará recordar tudo o que vos tenho dito.” (João; 14: 15 a 17 e 26)
Jesus nos legou a Carta Magna no Cristianismo, no “Sermão da Montanha” e como foi dito e exemplificado no seu divino evangelho, como no Gólgota, Ele vivenciou todos os ensinamentos que enunciou. Plantando nos nossos corações as sementes do amor, nos ensinou também a semear, e recordemos ainda que, como igualmente nos instrui a doutrina espírita, “a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória”.
BIBLIOGRAFIA
(01)PASTORINO, Carlos Torres. Sabedoria do Evangelho, Grupo Editorial SPIRITVS, Rio de Janeiro,1966,
vol. 2, pg. 137.
(02) KARDEC, Allan, A Gênese, Ed. FEB, Rio de Janeiro, 1980, 24ª ed., pg. 24, Rio de Janeiro.
(03) KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Ed. FEB, Rio de Janeiro, 1955,111ª ed., pg.55).
(04) PASTORINO, Carlos Torres: Sabedoria do Evangelho, Grupo Editorial SPIRITVS, Rio de Janeiro,1966,
vol. 6, pg. 32-33..
(05) FONSECA, Mauro Paiva, Amar a Deus sobre todas as coisas, Reformador, maio/2003, pg.25(183), Rio de
Janeiro.
(06) HOFFMANN, Ricardo Ronzani, Mundo Espírita, Os Três Montes. maio/2003, pg 02. Curitiba, Paraná.
(07) SCHUTEL, Caibar, Parábolas e Ensinos de Jesus, Casa Ed. “O Clarim”, Matão, SP, 13ª ed., 1993, pg. 170.
(08) CHAVES, José Reis, A Reencarnação Segundo a Bíblia e a Ciência, Ed. Martin Claret Ltda., 2ª ed., 1998,
pg.82-83.
(09) MOREIRA, Fernando Augusto, Kardec e a Fidelidade Doutrinária, Reformador, abril/2004, pg.8 (126)
(João; 1:17)
http://www.aeradoespirito.net/ArtigosFM/A_BOA_NOVA.html
A revelação mosaica (Velho Testamento) está separada da Boa Nova, (Novo Testamento) esculpida por Jesus, por um período de várias décadas, e sem infringi-la, Ele a amplia e lhe concede novos prismas, depurando-a, porque declarou: “Não pensais que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruí-los, mas dar-lhes cumprimento” (Mateus; 5:17).
“As traduções vulgares trazem ‘cumprir’, o que não seria nada de extraordinário, já que todos nós viemos cumprir a lei (...). Todavia o verbo plêrôsai (do grego) significa “completar”.(01)
Deu Jesus, perante Pilatos, testemunha da verdade, apanágio de qualquer revelação divina, ao declarar: “Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz.” Retruca Pilatos então: “Mas o que é a verdade?” (João; 18: 37, 38)
Revelar é descobrir, retirar os véus, e os que impediam-no de ver a verdade, que estava bem ali à sua frente, não se encontravam, entretanto, próximas ao olhar do nazareno, mas colados a seus próprios olhos. São os mesmos que, às vezes, se grudam nos nossos e como diz o adágio popular, “o pior cego é o que não quer ver”.
O evangelho de Jesus é um legado para a humanidade, um jardim de flores inesgotáveis e quanto mais nele penetrarmos, mais iremos perceber os seus aromas, os seus viços e os seus matizes.
Jesus é a nossa centelha divina, a “Luz do Mundo”, estrela-guia cujo esplendor nos alumbrou com o cintilo de suas parábolas, para irradiar as letras do Velho Pergaminho a se refletirem nos jardins de nossas vidas, e nós, espíritas, conhecedores destas palavras do Mestre, temos especial responsabilidade na interpretação e no cumprimento de seus ensinamentos, porque “a quem muito foi dado, muito será exigido.” (Lucas; 12: 47 e 48)
A primeira revelação, mosaica, foi apropriada para a época e para o povo, ao qual se destinou, desvelou, como profeta, a existência de um Deus único, promulgou a lei do Sinai e nos deu as bases da verdadeira fé.(02)
Na Boa Nova, a Segunda Revelação, efetuou Jesus o burilamento da primeira, dando-lhe “o verdadeiro sentido e adaptando-a ao grau de adiantamento dos homens.” (03)
Separa o que é divino, os Mandamentos, do que é de Moisés, sua legislação.
“A expressão ‘a lei e os profetas’ exprime o Antigo Testamento, que é o símbolo da personagem terrena; o Novo Testamento é o Reino de Deus, que é o campo da Individualidade. Moisés legislou para a personalidade terrena; Jesus para a individualidade espiritual. O reino da personalidade durou até João, que foi o maior ‘entre os filhos de mulher’, ao passo que Jesus é o ‘Filho do Homem’. (...) Até João ainda vigoravam os preceitos para a personalidade, que perderam sua razão de ser nesse nível, porque foram completados e aperfeiçoados pela vinda de Jesus, que os elevou, para aplica-los e adapta-los à individualidade. (...) A lei mosaica foi escrita para a personagem transitória, e portanto transitória ela mesma.” (04)
Recapitulemos assim, no Novo Testamento:
“Ouviste o que foi dito: olho por olho, dente por dente. Eu, porém vos digo (...) a qualquer um que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra” (...) “amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelo que vos perseguem.” (Mateus; 5: 38, 39, 43 e 44)
Materializemos isto, no episódio do apedrejamento da adúltera: “Então os escribas e fariseus lhe trouxeram uma mulher que fora surpreendida em adultério e, pondo-a de pé diante do povo, - disseram: ‘Mestre, esta mulher acaba de ser surpreendida em adultério; ora - Moisés, pela lei, ordena que se lapidem as adúlteras. Qual sobre isto a tua opinião?’ (João; 8: 3-11) A parábola é por deveras conhecida e quando Jesus pergunta: "Mulher onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? Responde ela: Ninguém Senhor. Então lhe disse Jesus: Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais" (João;8: 3-11). Fica bastante claro que Ele, nestas últimas citações, contrariou a lei mosaica e expandindo o amor, lhes deu os desfechos pertinentes à Boa Nova.
Confere, assim Jesus, novos prismas à Divindade. Descortina o Deus da Paz e nos mostra que “o Pai demonstra o desejo incondicional do bem, que é o amor, para toda a criação. Fomos criados para a felicidade, a glória e a luz; esse é o determinismo divino!” (06)
Não um Deus cruel, terrível, ciumento, vingativo e implacável, “que rega a terra com o sangue humano, que ordena o massacre e o extermínio dos povos, sem excetuar as mulheres, as crianças e os velhos, e que castiga aqueles que poupam as vítimas; já não é um Deus injusto, que pune um povo inteiro pela falta de seu chefe, que se vinga do culpado na pessoa do inocente, que fere os filhos pela falta dos pais; mas um Deus clemente, soberanamente justo e bom, cheio de mansidão e misericórdia, que perdoa o pecador arrependido e dá a cada um segundo as suas obras”. (...) Já não é o Deus que quer ser temido, mas que quer ser amado”. (02) Para o “nosso” Deus, que é “um só Deus, e Pai de todos” (Efésios; 4: 6), não há faltas irremissíveis, e Jesus não iria proclamar que perdoemos setenta vezes sete, isto é, sempre, se Deus, infinitamente bom e misericordioso não fizesse o mesmo.
A Boa Nova está toda esculpida no amor e para amplia-lo, Jesus sintetiza os dez mandamentos, em apenas dois: Amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo e acrescenta: “Destes dois mandamentos depende toda lei e os profetas.” (Mateus; 22: 37-40) Amar a Deus, se amar e amar ao próximo, eis os objetivos da segunda revelação, porque quem não se ama, não pode amar ao próximo como a si mesmo, consistindo, esta última afirmação, destacada em negrito, a regra áurea do Cristianismo.
Jesus, na escultura de seu Evangelho, também nos deu testemunho da imortalidade, da comunicabilidade e da evocação dos Espíritos, evidentes na seguinte passagem:
“(...) tomou Jesus consigo a Pedro, a Tiago e a João, e os levou em particular a um alto monte. E foi transfigurado diante deles. (...) E lhes apareceu Elias com Moisés, e estes falavam com Jesus.(...) E veio uma nuvem que os envolveu; e delas saiu uma voz dizendo: Este é meu filho dileto; ouvi-o”. (Marcos; 9: 2-8)
Este episódio no Tabor, Jesus desvelou-se; “foi o monte da comunhão espiritual no seu sentido mais elevado” (07) desenvolvendo Ele uma reunião mediúnica histórica.
“João representou os profetas; Jesus é a Graça e a Verdade, que recebeu no Tabor os testemunhos da Lei, pelo Espírito de Moisés, e da profecia, pelo Espírito de Elias”. (08)
Asseverou-nos Jesus, Governador deste planeta: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém pode ir ao Pai, senão por mim”. (João 14; 6)
Ele nos apontou o caminho, o amor; a verdade - o seu Evangelho; e, a vida; que é a conseqüência de nossa reforma íntima, a evolução moral de nosso Espírito imortal, na busca incessante da felicidade, que só será conseguida calcando-se nas premissas anteriores, e para a qual nos criou nosso Pai Amoroso.
Reafirmamos assim, que não pode haver justiça divina sem reencarnação, sendo este, um processo não punitivo, mas educativo, concedido por Deus, que nos criou simples e ignorantes, na certeza de que pela nossa evolução espiritual, através de reencarnações sucessivas neste nosso mundo e na pluralidade dos mundos habitados, todos alcançaremos a perfeição e a felicidade. Todos, porque Ele mesmo ensinou que: “das ovelhas que meu Pai me confiou, nenhuma se perderá”. (Mateus: 18:14)
Jesus refere-se à reencarnação em várias passagens de seu evangelho. Pincemos apenas duas.
“Não existe um modo mais contundente e categórico para afirmar que João Batista tem a mesma identidade espiritual de Elias. (...) Elas foram proferidas pelo próprio Jesus em duas ocasiões diferentes, e de duas maneiras também diferentes.” (09)
Falando de Elias, dizia Jesus: “Eu, porém, vos declaro que Elias já veio, e não o reconheceram, antes fizeram com ele tudo quanto quiseram. (..) Então os discípulos entenderam que lhes falara de João Batista”. (Mateus;17:10-13). E em outra passagem, referindo-se agora a João Batista: “E se o quereis reconhecer, Ele mesmo é Elias, que estava para vir. Quem tem ouvidos (para ouvir) ouça” (Mateus; 11: 7, 11-14)
No colóquio com Nicodemos Jesus testifica sobre a vida material e espiritual: “Ninguém pode ver o Reino de Deus, senão nascer de Novo. Perguntou-lhe aquele: ‘Como pode um homem nascer sendo velho? Porventura pode entrar no ventre de sua mãe e nascer?’ Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no Reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, o que é nascido do Espírito é Espírito. É vos necessário nascer de novo”. (João; 3: 1-15)
Referindo-se à Casa do Pai, qualquer pessoa pode alcançar que, Deus não seria pródigo a criar esta imensidão de astros inutilmente e, por isso, não o fez. Afinal, só na nossa Via Láctea, existem mais de cem bilhões de estrelas, e no universo visível mais de um septilhão delas, trilhões de planetas, cada um com suas características de habitabilidade, conforme a evolução dos Espíritos, que variam ao infinito e, evoluindo sempre, eles jamais serão contemplativos ou preguiçosos.(10) As moradas são a pluralidade dos mundos habitados, como afirmou Jesus: “Não se turbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim. Há muitas moradas na casa do Pai; se assim não fosse, eu vos teria dito, pois me vou para vos preparar o lugar”. (João; 14:1-3)
Jesus não só luariza a primeira revelação, mosaica, mas anuncia o que seria a terceira revelação, o Espiritismo, porque Moisés iniciou o caminho, Jesus depurou a obra, e a Doutrina Espírita lhe dá continuidade perene. “Se me amais guardai os meus mandamentos; e eu rogarei ao Pai e ele vos enviará outro Consolador, a fim de que fique eternamente convosco; O Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber porque o não vê e absolutamente o não conhece. Mas, quanto a vós, conhecê-lo-eis, porque ficará convosco e estará em vós. Porém O Consolador, que é o Santo Espírito, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará recordar tudo o que vos tenho dito.” (João; 14: 15 a 17 e 26)
Jesus nos legou a Carta Magna no Cristianismo, no “Sermão da Montanha” e como foi dito e exemplificado no seu divino evangelho, como no Gólgota, Ele vivenciou todos os ensinamentos que enunciou. Plantando nos nossos corações as sementes do amor, nos ensinou também a semear, e recordemos ainda que, como igualmente nos instrui a doutrina espírita, “a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória”.
BIBLIOGRAFIA
(01)PASTORINO, Carlos Torres. Sabedoria do Evangelho, Grupo Editorial SPIRITVS, Rio de Janeiro,1966,
vol. 2, pg. 137.
(02) KARDEC, Allan, A Gênese, Ed. FEB, Rio de Janeiro, 1980, 24ª ed., pg. 24, Rio de Janeiro.
(03) KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Ed. FEB, Rio de Janeiro, 1955,111ª ed., pg.55).
(04) PASTORINO, Carlos Torres: Sabedoria do Evangelho, Grupo Editorial SPIRITVS, Rio de Janeiro,1966,
vol. 6, pg. 32-33..
(05) FONSECA, Mauro Paiva, Amar a Deus sobre todas as coisas, Reformador, maio/2003, pg.25(183), Rio de
Janeiro.
(06) HOFFMANN, Ricardo Ronzani, Mundo Espírita, Os Três Montes. maio/2003, pg 02. Curitiba, Paraná.
(07) SCHUTEL, Caibar, Parábolas e Ensinos de Jesus, Casa Ed. “O Clarim”, Matão, SP, 13ª ed., 1993, pg. 170.
(08) CHAVES, José Reis, A Reencarnação Segundo a Bíblia e a Ciência, Ed. Martin Claret Ltda., 2ª ed., 1998,
pg.82-83.
(09) MOREIRA, Fernando Augusto, Kardec e a Fidelidade Doutrinária, Reformador, abril/2004, pg.8 (126)
João diz que o Verbo fez todas as coisas -
João diz que o Verbo fez todas as coisas -
“No princípio – conta João – era o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.” Após referir-se assim a Jesus, o evangelista fala de João Batista: “Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João. Este veio para testemunho, para que testificasse da luz, para que todos cressem por ele. Não era ele a luz, mas para que testificasse da luz”. (N.R.: Em seu livro A Caminho da Luz, escrito em 1938, Emmanuel atribui também a Jesus uma missão excepcional em nosso mundo. Emmanuel designa o Mestre como sendo a Luz do Princípio e diz que seu coração é a fonte da vida para toda a Humanidade da Terra. Na direção de todos os fenômenos de nosso sistema, segundo Emmanuel, existe uma Comunidade de Espíritos Puros e Eleitos pelo Senhor Supremo do Universo. Essa Comunidade, da qual Jesus é membro, apenas se reuniu nas proximidades da Terra duas vezes: a 1a, quando o orbe terrestre se desprendia da nebulosa solar; a 2a, quando se decidiu a vinda de Jesus à Terra. O Mestre, com suas legiões de trabalhadores divinos, operou a escultura geológica do orbe, estatuiu os regulamentos dos fenômenos físicos da Terra, organizou o cenário da vida e fez a pressão atmosférica adequada ao homem, estabelecendo também, sempre sob as vistas de Deus, os grandes centros de força da ionosfera e da estratosfera, além de edificar as usinas de ozone a 40 e 60 km de altitude, para que filtrassem convenientemente os raios solares. É provável que o evangelista João, médium que era, tendo a intuição de todo esse trabalho coordenado por Jesus, haja pensado que o Messias também fosse Deus, um equívoco que não tem nenhum fundamento nas Escrituras e que, segundo Léon Denis, provocou discussões durante três séculos, sendo rejeitado por três concílios, até que em 325 foi elevado a dogma pelo Concílio de Niceia, nestes termos: “A Igreja de Deus, católica e apostólica, anatematiza os que dizem que houve um tempo em que o Filho não existia, ou que não existia antes de haver sido gerado”.) (João, 1:1 a 1:8.)
“No princípio – conta João – era o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.” Após referir-se assim a Jesus, o evangelista fala de João Batista: “Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João. Este veio para testemunho, para que testificasse da luz, para que todos cressem por ele. Não era ele a luz, mas para que testificasse da luz”. (N.R.: Em seu livro A Caminho da Luz, escrito em 1938, Emmanuel atribui também a Jesus uma missão excepcional em nosso mundo. Emmanuel designa o Mestre como sendo a Luz do Princípio e diz que seu coração é a fonte da vida para toda a Humanidade da Terra. Na direção de todos os fenômenos de nosso sistema, segundo Emmanuel, existe uma Comunidade de Espíritos Puros e Eleitos pelo Senhor Supremo do Universo. Essa Comunidade, da qual Jesus é membro, apenas se reuniu nas proximidades da Terra duas vezes: a 1a, quando o orbe terrestre se desprendia da nebulosa solar; a 2a, quando se decidiu a vinda de Jesus à Terra. O Mestre, com suas legiões de trabalhadores divinos, operou a escultura geológica do orbe, estatuiu os regulamentos dos fenômenos físicos da Terra, organizou o cenário da vida e fez a pressão atmosférica adequada ao homem, estabelecendo também, sempre sob as vistas de Deus, os grandes centros de força da ionosfera e da estratosfera, além de edificar as usinas de ozone a 40 e 60 km de altitude, para que filtrassem convenientemente os raios solares. É provável que o evangelista João, médium que era, tendo a intuição de todo esse trabalho coordenado por Jesus, haja pensado que o Messias também fosse Deus, um equívoco que não tem nenhum fundamento nas Escrituras e que, segundo Léon Denis, provocou discussões durante três séculos, sendo rejeitado por três concílios, até que em 325 foi elevado a dogma pelo Concílio de Niceia, nestes termos: “A Igreja de Deus, católica e apostólica, anatematiza os que dizem que houve um tempo em que o Filho não existia, ou que não existia antes de haver sido gerado”.) (João, 1:1 a 1:8.)
O VERBO ERA DEUS E SE ENCARNOU NA HUMANIDAD E, MAS NÃO É A DIVINDADE
Divindade, na Bíblia, é um atributo exclusivo do Deus único e verdadeiro que, em grego, língua original do Novo Testamento, é “Theos”. Já Jesus Cristo em grego é “Logos”, em latim “Verbum”, e em português “Verbo”, palavra, discurso, razão.
Eu me preocupo com a correção e a clareza dos textos que escrevo, dispensando, porém, os adornos literários. Lamentavelmente, muitos teólogos escrevem propositadamente seus textos em um estilo empolado, exatamente para que deixem os leitores em dúvidas. É que, às vezes, nem eles mesmos acreditam muito no que escrevem.
“Logos”, na mitologia grega, significa também demiurgo, que quer dizer intermediário entre Deus e os homens. E o erudito autor do Quarto Evangelho, são João Evangelista, ignorava que “Logos” significava também demiurgo. Hoje, há biblistas que têm dúvidas sobre se é mesmo desse evangelista a autoria do Quarto Evangelho. Mas qualquer que seja o autor, ele era realmente muito erudito para não saber que “Logos” significava também demiurgo. E comparemos demiurgo com o que diz Paulo: “Pois existe um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus…” (1 Timóteo 2: 5). Esse texto paulino deixa bem claro que Deus é um só, o Pai, e que Jesus, por ser um homem muito especial, é o único intermediário entre Deus e nós.
Tenho dito muito, e repito-o, que Jesus e até nós também somos deuses, mas relativos (Salmo 82: 6; e João 10: 34), e que Deus absoluto é só mesmo um, ou seja, Aquele que Jesus nos ensinou a chamarmo-Lo de seu Pai e Pai também de todos nós. Diz-nos são Tomás de Aquino que todos os seres são contingentes (vindos de outros seres) e que Deus é o único Ser incontingente (que não vem de outro ser). O ensino espírita é semelhante ao desse grande filósofo e santo, pois diz que Deus é a causa primeira de todas as coisas e a Inteligência Suprema.
E vamos ao ensino bíblico do próprio Jesus: “O Pai é maior do que eu” (João 14: 28). Falando com um jovem: “Por que me chamas bom? Bom é só Deus” (Marcos 10: 18). E, na sua primeira Ressurreição ou primeira aparição a Maria Madalena: “Subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus” (João 20: 17).
Entre as verdades bíblicas e as “verdades” criadas pelos teólogos, as bíblicas são as verdadeiras. Aliás, as outras “verdades” viraram dogmas ou crenças obrigatórias, justamente porque são polêmicas, e são polêmicas exatamente porque não estão de acordo com a Bíblia. E esse é o maior problema do cristianismo, problema esse que jamais será solucionado com medidas do tipo de novos métodos de evangelização, que seriam como que analgésicos, que tiram a dor, mas não curam, porque não eliminam as causas. Sem querer agredir a Igreja, que é a Mãe das igrejas cristãs, ela é a que mais tem que se reformar, corrigindo seus erros doutrinários como, aliás, ela, por outras vezes, já o fez. E sei que muitos teólogos desejariam falar também, de público, essas coisas que digo, mas não o fazem, porque não podem, e por isso, até gostam desta coluna!
O Verbo era Deus (relativo) e estava com Deus (absoluto), pois o Verbo não era e não é a Divindade, e estava e está com Deus, a Divindade!
Com Celina Sobral e este colunista, o “Presença Espírita na Bíblia”, na TV Mundo Maior, por parabólica e internet, nas quintas-feiras, às 20h; às 16h das sextas-feiras; às 23h dos domingos; e às 4h30 das segundas-feiras. Perguntas e sugestões: presenca@tvmundo maior.com.br
Eu me preocupo com a correção e a clareza dos textos que escrevo, dispensando, porém, os adornos literários. Lamentavelmente, muitos teólogos escrevem propositadamente seus textos em um estilo empolado, exatamente para que deixem os leitores em dúvidas. É que, às vezes, nem eles mesmos acreditam muito no que escrevem.
“Logos”, na mitologia grega, significa também demiurgo, que quer dizer intermediário entre Deus e os homens. E o erudito autor do Quarto Evangelho, são João Evangelista, ignorava que “Logos” significava também demiurgo. Hoje, há biblistas que têm dúvidas sobre se é mesmo desse evangelista a autoria do Quarto Evangelho. Mas qualquer que seja o autor, ele era realmente muito erudito para não saber que “Logos” significava também demiurgo. E comparemos demiurgo com o que diz Paulo: “Pois existe um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus…” (1 Timóteo 2: 5). Esse texto paulino deixa bem claro que Deus é um só, o Pai, e que Jesus, por ser um homem muito especial, é o único intermediário entre Deus e nós.
Tenho dito muito, e repito-o, que Jesus e até nós também somos deuses, mas relativos (Salmo 82: 6; e João 10: 34), e que Deus absoluto é só mesmo um, ou seja, Aquele que Jesus nos ensinou a chamarmo-Lo de seu Pai e Pai também de todos nós. Diz-nos são Tomás de Aquino que todos os seres são contingentes (vindos de outros seres) e que Deus é o único Ser incontingente (que não vem de outro ser). O ensino espírita é semelhante ao desse grande filósofo e santo, pois diz que Deus é a causa primeira de todas as coisas e a Inteligência Suprema.
E vamos ao ensino bíblico do próprio Jesus: “O Pai é maior do que eu” (João 14: 28). Falando com um jovem: “Por que me chamas bom? Bom é só Deus” (Marcos 10: 18). E, na sua primeira Ressurreição ou primeira aparição a Maria Madalena: “Subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus” (João 20: 17).
Entre as verdades bíblicas e as “verdades” criadas pelos teólogos, as bíblicas são as verdadeiras. Aliás, as outras “verdades” viraram dogmas ou crenças obrigatórias, justamente porque são polêmicas, e são polêmicas exatamente porque não estão de acordo com a Bíblia. E esse é o maior problema do cristianismo, problema esse que jamais será solucionado com medidas do tipo de novos métodos de evangelização, que seriam como que analgésicos, que tiram a dor, mas não curam, porque não eliminam as causas. Sem querer agredir a Igreja, que é a Mãe das igrejas cristãs, ela é a que mais tem que se reformar, corrigindo seus erros doutrinários como, aliás, ela, por outras vezes, já o fez. E sei que muitos teólogos desejariam falar também, de público, essas coisas que digo, mas não o fazem, porque não podem, e por isso, até gostam desta coluna!
O Verbo era Deus (relativo) e estava com Deus (absoluto), pois o Verbo não era e não é a Divindade, e estava e está com Deus, a Divindade!
Com Celina Sobral e este colunista, o “Presença Espírita na Bíblia”, na TV Mundo Maior, por parabólica e internet, nas quintas-feiras, às 20h; às 16h das sextas-feiras; às 23h dos domingos; e às 4h30 das segundas-feiras. Perguntas e sugestões: presenca@tvmundo maior.com.br
O VERBO SE FEZ CARNE
O VERBO SE FEZ CARNE [*]
No princípio era o verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi dito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens; (JOÃO, 1: 1-4).
O Verbo se Fez Carne
João, o Evangelista, a quem Jesus se referia como o “Filho do Trovão”, irmão de Tiago (Maior), filho de Zebedeu e Salomé, era o mais jovem dos discípulos do Mestre. Foi o único apóstolo que acompanhou Jesus até o calvário e a quem o Mestre confiou sua mãe, Maria.
O seu Evangelho é considerado o da intimidade de Jesus, pois, além de haver pertencido ao Colégio Apostólico, viveu com Maria, mãe do Mestre, na cidade de Éfeso, para onde a levara fugindo das perseguições sofridas em Jerusalém e depois em Betânia.
Diferentemente dos denominados Evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas), o Evangelho de João é o que reconhece a origem divina do Mestre: “No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus”.
Allan Kardec, em “O Livro dos Espíritos”, questão n.º 113, apresenta Jesus como o modelo e guia para a humanidade e nos informa tratar-se de um espírito que já percorrera todos os graus da escala espírita e que, havendo atingido o mais elevado grau de perfeição possível, desfrutava a vida no seio de Deus (1).
O Espírito Emmanuel, na obra “A Caminho da Luz”, psicografia de Francisco Cândido Xavier, nos revela, em seu capítulo I, “A Gênese Planetária”, que “Rezam as tradições do mundo espiritual que na direção de todos os fenômenos, do nosso sistema, existe uma comunidade de espíritos puros e eleitos pelo Senhor Supremo do Universo, em cujas mãos se conservam as rédeas diretoras da vida de todas as coletividades planetárias. Essa comunidade de seres angélicos e perfeitos, da qual é Jesus um dos membros divinos, ao que nos foi dado saber, apenas já se reuniu, nas proximidades da Terra, para a solução de problemas decisivos da organização e da direção do nosso planeta, por duas vezes no curso dos milênios conhecidos. A primeira, verificou-se quando o orbe terrestre se desprendia da nebulosa solar, a fim de que se lançassem, no tempo e no espaço, as balizas do nosso sistema cosmogônico e os pródromos da vida na matéria em ignição, do planeta, e a segunda, quando se decidia a vinda do Senhor à face da terra, trazendo à família humana a lição imortal de seu Evangelho de amor e redenção” (2).
O mesmo benfeitor espiritual, mais adiante, obra citada, nos assevera que “Sim, Ele havia vencido todos os pavores das energias desencadeadas; com as suas legiões de trabalhadores divinos, lançou o escopro da sua misericórdia sobre o bloco de matéria informe, que a Sabedoria do Pai deslocara do Sol para as suas mãos augustas e compassivas. Operou a escultura geológica do orbe terreno, talhando a escola abençoada e grandiosa, na qual o seu coração haveria de expandir-se em amor, claridade e justiça. Com os seus exércitos de trabalhadores devotados, estatuiu os regulamentos dos fenômenos físicos da Terra, organizando-lhes o equilíbrio futuro na base dos corpos simples de matéria, cuja unidade substancial os espectroscópios terrenos puderam identificar por toda a parte no universo galáctico. Organizou o cenário da vida, criando, sob as vistas de Deus, o indispensável à existência dos seres do porvir. Fez a pressão atmosférica adequada ao homem, antecipando-se ao seu nascimento no mundo, no curso dos milênios; estabeleceu os grandes centros de força da ionosfera e da estratosfera, onde se harmonizam os fenômenos elétricos da existência planetária, e edificou as usinas de ozone a 40 e 60 quilômetros de altitude, para que filtrassem convenientemente os raios solares, manipulando-lhes a composição precisa à manutenção da vida organizada no orbe. Definiu todas as linhas de progresso da humanidade futura, engendrando a harmonia de todas as forças físicas que presidem ao ciclo das atividades planetárias” (3).
Ora, Ele, Jesus, no princípio estava com Deus, por ser um espírito puro e perfeito, ou seja, por já haver atingido o mais elevado grau de perfeição e alcançado o topo da escala espírita. Assim é que já desfrutava a vida espiritual junto ao Criador, daí a afirmativa de João de que “Ele estava no princípio com Deus”. “No princípio” quer significar o momento inicial de criação e formação do planeta Terra.
Outrossim, conforme nos revela Emmanuel, fora Ele, Jesus, quem pessoalmente comandou e geriu a criação e formação do obre terrestre, informação esta que corrobora o relato de João de que “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez”; fora Ele também, Jesus, quem cuidou de organizar as condições para a vida na Terra: “Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens”.
Assim é que esta passagem do Evangelho de João, analisada à luz da Doutrina Espírita, nos revela, primeiro, a grandeza e o estágio de evolução do Mestre, e, segundo, qual era e ainda é a sua missão: criar um mundo compatível com o nosso estágio evolutivo e cuidar para que ele, segundo a lei de progresso, se desenvolva, nos revelar as verdades eternas e nos conduzir a todos ao progresso espiritual.
Referências:
(1) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, tradução de Salvador Gentile. 182.ª ed. Araras: IDE, 2009, p. 65;
(2) XAVIER, Francisco Cândido. A Caminho da Luz, pelo Espírito Emmanuel. 37.ª ed. – 3.ª reimpressão – Rio de Janeiro: FEB, 2010. p. 19 e 20; e,
(3) XAVIER, Francisco Cândido. A Caminho da Luz, pelo Espírito Emmanuel. 37.ª ed. – 3.ª reimpressão – Rio de Janeiro: FEB, 2010. p. 24 e 25.
[*] José Márcio de Almeida. Semeando o Evangelho, p. 33-38, Clube de Autores/SEDDE.
No princípio era o verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi dito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens; (JOÃO, 1: 1-4).
O Verbo se Fez Carne
João, o Evangelista, a quem Jesus se referia como o “Filho do Trovão”, irmão de Tiago (Maior), filho de Zebedeu e Salomé, era o mais jovem dos discípulos do Mestre. Foi o único apóstolo que acompanhou Jesus até o calvário e a quem o Mestre confiou sua mãe, Maria.
O seu Evangelho é considerado o da intimidade de Jesus, pois, além de haver pertencido ao Colégio Apostólico, viveu com Maria, mãe do Mestre, na cidade de Éfeso, para onde a levara fugindo das perseguições sofridas em Jerusalém e depois em Betânia.
Diferentemente dos denominados Evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas), o Evangelho de João é o que reconhece a origem divina do Mestre: “No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus”.
Allan Kardec, em “O Livro dos Espíritos”, questão n.º 113, apresenta Jesus como o modelo e guia para a humanidade e nos informa tratar-se de um espírito que já percorrera todos os graus da escala espírita e que, havendo atingido o mais elevado grau de perfeição possível, desfrutava a vida no seio de Deus (1).
O Espírito Emmanuel, na obra “A Caminho da Luz”, psicografia de Francisco Cândido Xavier, nos revela, em seu capítulo I, “A Gênese Planetária”, que “Rezam as tradições do mundo espiritual que na direção de todos os fenômenos, do nosso sistema, existe uma comunidade de espíritos puros e eleitos pelo Senhor Supremo do Universo, em cujas mãos se conservam as rédeas diretoras da vida de todas as coletividades planetárias. Essa comunidade de seres angélicos e perfeitos, da qual é Jesus um dos membros divinos, ao que nos foi dado saber, apenas já se reuniu, nas proximidades da Terra, para a solução de problemas decisivos da organização e da direção do nosso planeta, por duas vezes no curso dos milênios conhecidos. A primeira, verificou-se quando o orbe terrestre se desprendia da nebulosa solar, a fim de que se lançassem, no tempo e no espaço, as balizas do nosso sistema cosmogônico e os pródromos da vida na matéria em ignição, do planeta, e a segunda, quando se decidia a vinda do Senhor à face da terra, trazendo à família humana a lição imortal de seu Evangelho de amor e redenção” (2).
O mesmo benfeitor espiritual, mais adiante, obra citada, nos assevera que “Sim, Ele havia vencido todos os pavores das energias desencadeadas; com as suas legiões de trabalhadores divinos, lançou o escopro da sua misericórdia sobre o bloco de matéria informe, que a Sabedoria do Pai deslocara do Sol para as suas mãos augustas e compassivas. Operou a escultura geológica do orbe terreno, talhando a escola abençoada e grandiosa, na qual o seu coração haveria de expandir-se em amor, claridade e justiça. Com os seus exércitos de trabalhadores devotados, estatuiu os regulamentos dos fenômenos físicos da Terra, organizando-lhes o equilíbrio futuro na base dos corpos simples de matéria, cuja unidade substancial os espectroscópios terrenos puderam identificar por toda a parte no universo galáctico. Organizou o cenário da vida, criando, sob as vistas de Deus, o indispensável à existência dos seres do porvir. Fez a pressão atmosférica adequada ao homem, antecipando-se ao seu nascimento no mundo, no curso dos milênios; estabeleceu os grandes centros de força da ionosfera e da estratosfera, onde se harmonizam os fenômenos elétricos da existência planetária, e edificou as usinas de ozone a 40 e 60 quilômetros de altitude, para que filtrassem convenientemente os raios solares, manipulando-lhes a composição precisa à manutenção da vida organizada no orbe. Definiu todas as linhas de progresso da humanidade futura, engendrando a harmonia de todas as forças físicas que presidem ao ciclo das atividades planetárias” (3).
Ora, Ele, Jesus, no princípio estava com Deus, por ser um espírito puro e perfeito, ou seja, por já haver atingido o mais elevado grau de perfeição e alcançado o topo da escala espírita. Assim é que já desfrutava a vida espiritual junto ao Criador, daí a afirmativa de João de que “Ele estava no princípio com Deus”. “No princípio” quer significar o momento inicial de criação e formação do planeta Terra.
Outrossim, conforme nos revela Emmanuel, fora Ele, Jesus, quem pessoalmente comandou e geriu a criação e formação do obre terrestre, informação esta que corrobora o relato de João de que “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez”; fora Ele também, Jesus, quem cuidou de organizar as condições para a vida na Terra: “Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens”.
Assim é que esta passagem do Evangelho de João, analisada à luz da Doutrina Espírita, nos revela, primeiro, a grandeza e o estágio de evolução do Mestre, e, segundo, qual era e ainda é a sua missão: criar um mundo compatível com o nosso estágio evolutivo e cuidar para que ele, segundo a lei de progresso, se desenvolva, nos revelar as verdades eternas e nos conduzir a todos ao progresso espiritual.
Referências:
(1) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, tradução de Salvador Gentile. 182.ª ed. Araras: IDE, 2009, p. 65;
(2) XAVIER, Francisco Cândido. A Caminho da Luz, pelo Espírito Emmanuel. 37.ª ed. – 3.ª reimpressão – Rio de Janeiro: FEB, 2010. p. 19 e 20; e,
(3) XAVIER, Francisco Cândido. A Caminho da Luz, pelo Espírito Emmanuel. 37.ª ed. – 3.ª reimpressão – Rio de Janeiro: FEB, 2010. p. 24 e 25.
[*] José Márcio de Almeida. Semeando o Evangelho, p. 33-38, Clube de Autores/SEDDE.
"No princípio era o verbo…” prova a Trindade?
"No princípio era o verbo…” prova a Trindade?
"No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus" (João 1:1)
Esse versículo é usado para provar que Jesus é Deus. Mas tem vários problemas aí. Por este versículo, os trinitaristas entendem que Jesus era o verbo e, desde que o verbo era Deus e se fez carne, Jesus é Deus. O "logos", aqui traduzido como "Verbo", seria Jesus Cristo, então por isso traduzem com "V" maiúsculo. Mas essa palavra aparece no Novo Testamento umas 300 vezes e os tradutores costumam colocar com "V" maiúsculo umas 7 vezes. Quando uma palavra aparece umas 300 vezes e em menos de 10 vezes é com letra maiúscula, é óbvio de que a decisão de quando usar ou não usar letra maiúscula é uma decisão do tradutor, baseada simplesmente na forma em que entende as escrituras e na forma que quer que os outros entendam.
A palavra "logos" tem vários significados. Uma delas é a mente e produtos da mente, como "razão" ("lógica" vem de "logos"), e também uma "palavra", "dito", etc. Na Bíblia, aparece traduzida como "explicação", "aparência", "livro", "conversa", "razão" e muito, muito mais coisa. Sendo uma palavra que define tanta coisa, qual será a melhor tradução no caso de João 1:1 ? Afinal, . "logos" significa muita coisa, mas certamente "Jesus Cristo" não é uma delas.
"Logos" em João 1:1 se refere a auto-expressão da criatividade de Deus, a Sua comunicação direta conosco, seja através da Sua criação, como em Romanos 1:19-20 ("Porquanto, o que de Deus se pode conhecer, neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Pois os seus atributos invisíveis, o seu eterno poder e divindade, são claramente vistos desde a criação do mundo, sendo percebidos mediante as coisas criadas, de modo que eles são inescusáveis;") e especialmente os céus, como em Salmos 19("Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos. (...) Sejam agradáveis as palavras da minha boca e a meditação do meu coração perante a tua face, Senhor, Rocha minha e Redentor meu!"). O "logos" se mostrou também através dos profetas e, principalmente, através de Seu filho: "Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias a nós nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e por quem fez também o mundo" (Hebreus 1:1-2)
O famoso trinitarista John Lightfoot escreveu no seu livro "St.Paul’s Epistle to the Colossians and Philemon": "A palavra logos, então, significando ao mesmo tempo, "razão" e "fala", foi um termo filosófico adotado pelo Judaísmo Alexandrino antes de São Paulo escrever, expressando a manifestação do Deus invisível na criação e no governo do mundo, o que inclui todos os modos pelos quais Ele faz ser percebido pelo homem. Como sua razão, isso significa seu projeto ou "design". Como sua fala, significa sua revelação. Professores cristãos, quando adotam este termo, exaltam e determinam seu significado ligando a ele duas idéias precisas e definitivas: (1) "O Verbo é uma Pessoa Divina" (2) "O Verbo encarnou em Jesus Cristo". É óbvio que essas duas proposições devem ter alterado materialmente o significado de todos os termos subordinados conectados a idéia do logos."
Notem que foram escritores cristãos que ligaram a idéia do "logos" a uma "pessoa divina". É certamente verdade que quando a palavra "logos" passou a ser entendida como sendo Jesus Cristo, a idéia que se tinha sobre João 1:1 foi alterada totalmente. Lightfoot sabe que a idéia de logos diz respeito a razão e discurso, não Jesus Cristo.
O "logos", que é o plano, propósito e sabedoria de Deus, "se tornou carne" (ganhou uma existência física) em Jesus Cristo. Jesus é "a imagem do Deus invisível" (Colossenses 1:15), seu chefe emissário, representante e agente. Porque Jesus obedecia perfeitamente ao Pai, era como se o próprio Pai, que é invisível, se comunicasse numa forma física. Assim Jesus poderia dizer: "Quem me viu a mim, viu o Pai;" (João 14:9) ou "E o Pai que me enviou, ele mesmo tem dado testemunho de mim. Vós nunca ouvistes a sua voz, nem vistes a sua forma; " (João 5:37).
João 7:15-18 também é muito claro nesse sentido: "Os judeus ficaram admirados e perguntaram: "Como foi que este homem adquiriu tanta instrução, sem ter estudado? Jesus respondeu: "O meu ensino não é de mim mesmo. Vem daquele que me enviou. Se alguém decidir fazer a vontade de Deus, descobrirá se o meu ensino vem de Deus ou se falo por mim mesmo. Aquele que fala por si mesmo busca a sua própria glória, mas aquele que busca a glória de quem o enviou, este é verdadeiro; não há nada de falso a seu respeito".
"Varões israelitas, escutai estas palavras: A Jesus, o nazareno, varão aprovado por Deus entre vós com milagres, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis; " (Atos 2:22)
Portanto, mais do que claro que Jesus foi enviado por Deus(o único Deus, o Pai), subordinado a ele, fazia as obras e deu ao mundo os ensinamentos de Deus e não dele mesmo.
Há outro problema para os que usam João 1:1 como prova da Trindade. A frase traduzida como "E o verbo era Deus", deveria ser "E o verbo era um Deus", pois na primeira frase (traduzida como "o verbo estava com Deus") há o artigo "o" no original grego e na segunda frase (traduzida como "o verbo era Deus") não há o artigo, e quando não existe o artigo devemos entender como artigo indefinido(“um”). Deveriam traduzir, portanto: "... o verbo estava com Deus... o verbo era um deus".
E quando ao "logo" estar "no princípio", se refere ao princípio do nosso mundo e não do Universo. Para os espíritas, Jesus colaborou na obra de nosso planeta, já sendo um espírito perfeito, tendo evoluído em encarnações em outros mundos.
No livro A Caminho da Luz, Emmanuel, através da mediunidade de Chico Xavier, narra a participação de Jesus na formação do nosso planeta:
"Sim, ele (Jesus) havia vencido todos os pavores das energias desencadeadas; com as suas legiões de trabalhadores divinos, lançou o escopro da sua misericórdia sobre o bloco da matéria informe, que a Sabedoria do Pai deslocara do Sol para as suas mãos augustas e compassivas. Operou a escultura geológica do orbe terreno, talhando a escola abençoada e grandiosa, na qual seu coração deveria expandir-se em amor, claridade e justiça. Com seus exércitos de trabalhadores devotados, estatuiu os regulamentos dos fenômenos físicos da Terra, organizando-lhes o equilíbrio futuro na base dos corpos simples da matéria, cuja unidade substancial os espectroscópios terrenos puderam identificar por toda parte no universo galáctico. Organizou o cenário da vida, criando, sob as vistas de Deus, o indispensável à existência dos seres do porvir. Fez a pressão atmosférica adequada ao homem, antecipando-se ao seu nascimento no mundo, no curso dos milênios; estabeleceu os grandes centros de força da ionosfera e da estratosfera, onde se harmonizam os fenômenos elétricos da existência planetária, e edificou as usinas de ozônio a 40 e 60 quilômetros de altitude, para que filtrassem convenientemente os raios solares, manipulando-lhes a composição precisa à manutenção da vida orgânica na orbe. Definiu todas as linhas do progresso da Humanidade futura, engendrando a harmonia de todas as forças físicas que presidem o ciclo das atividades planetárias."
"No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus" (João 1:1)
Esse versículo é usado para provar que Jesus é Deus. Mas tem vários problemas aí. Por este versículo, os trinitaristas entendem que Jesus era o verbo e, desde que o verbo era Deus e se fez carne, Jesus é Deus. O "logos", aqui traduzido como "Verbo", seria Jesus Cristo, então por isso traduzem com "V" maiúsculo. Mas essa palavra aparece no Novo Testamento umas 300 vezes e os tradutores costumam colocar com "V" maiúsculo umas 7 vezes. Quando uma palavra aparece umas 300 vezes e em menos de 10 vezes é com letra maiúscula, é óbvio de que a decisão de quando usar ou não usar letra maiúscula é uma decisão do tradutor, baseada simplesmente na forma em que entende as escrituras e na forma que quer que os outros entendam.
A palavra "logos" tem vários significados. Uma delas é a mente e produtos da mente, como "razão" ("lógica" vem de "logos"), e também uma "palavra", "dito", etc. Na Bíblia, aparece traduzida como "explicação", "aparência", "livro", "conversa", "razão" e muito, muito mais coisa. Sendo uma palavra que define tanta coisa, qual será a melhor tradução no caso de João 1:1 ? Afinal, . "logos" significa muita coisa, mas certamente "Jesus Cristo" não é uma delas.
"Logos" em João 1:1 se refere a auto-expressão da criatividade de Deus, a Sua comunicação direta conosco, seja através da Sua criação, como em Romanos 1:19-20 ("Porquanto, o que de Deus se pode conhecer, neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Pois os seus atributos invisíveis, o seu eterno poder e divindade, são claramente vistos desde a criação do mundo, sendo percebidos mediante as coisas criadas, de modo que eles são inescusáveis;") e especialmente os céus, como em Salmos 19("Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos. (...) Sejam agradáveis as palavras da minha boca e a meditação do meu coração perante a tua face, Senhor, Rocha minha e Redentor meu!"). O "logos" se mostrou também através dos profetas e, principalmente, através de Seu filho: "Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias a nós nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e por quem fez também o mundo" (Hebreus 1:1-2)
O famoso trinitarista John Lightfoot escreveu no seu livro "St.Paul’s Epistle to the Colossians and Philemon": "A palavra logos, então, significando ao mesmo tempo, "razão" e "fala", foi um termo filosófico adotado pelo Judaísmo Alexandrino antes de São Paulo escrever, expressando a manifestação do Deus invisível na criação e no governo do mundo, o que inclui todos os modos pelos quais Ele faz ser percebido pelo homem. Como sua razão, isso significa seu projeto ou "design". Como sua fala, significa sua revelação. Professores cristãos, quando adotam este termo, exaltam e determinam seu significado ligando a ele duas idéias precisas e definitivas: (1) "O Verbo é uma Pessoa Divina" (2) "O Verbo encarnou em Jesus Cristo". É óbvio que essas duas proposições devem ter alterado materialmente o significado de todos os termos subordinados conectados a idéia do logos."
Notem que foram escritores cristãos que ligaram a idéia do "logos" a uma "pessoa divina". É certamente verdade que quando a palavra "logos" passou a ser entendida como sendo Jesus Cristo, a idéia que se tinha sobre João 1:1 foi alterada totalmente. Lightfoot sabe que a idéia de logos diz respeito a razão e discurso, não Jesus Cristo.
O "logos", que é o plano, propósito e sabedoria de Deus, "se tornou carne" (ganhou uma existência física) em Jesus Cristo. Jesus é "a imagem do Deus invisível" (Colossenses 1:15), seu chefe emissário, representante e agente. Porque Jesus obedecia perfeitamente ao Pai, era como se o próprio Pai, que é invisível, se comunicasse numa forma física. Assim Jesus poderia dizer: "Quem me viu a mim, viu o Pai;" (João 14:9) ou "E o Pai que me enviou, ele mesmo tem dado testemunho de mim. Vós nunca ouvistes a sua voz, nem vistes a sua forma; " (João 5:37).
João 7:15-18 também é muito claro nesse sentido: "Os judeus ficaram admirados e perguntaram: "Como foi que este homem adquiriu tanta instrução, sem ter estudado? Jesus respondeu: "O meu ensino não é de mim mesmo. Vem daquele que me enviou. Se alguém decidir fazer a vontade de Deus, descobrirá se o meu ensino vem de Deus ou se falo por mim mesmo. Aquele que fala por si mesmo busca a sua própria glória, mas aquele que busca a glória de quem o enviou, este é verdadeiro; não há nada de falso a seu respeito".
"Varões israelitas, escutai estas palavras: A Jesus, o nazareno, varão aprovado por Deus entre vós com milagres, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis; " (Atos 2:22)
Portanto, mais do que claro que Jesus foi enviado por Deus(o único Deus, o Pai), subordinado a ele, fazia as obras e deu ao mundo os ensinamentos de Deus e não dele mesmo.
Há outro problema para os que usam João 1:1 como prova da Trindade. A frase traduzida como "E o verbo era Deus", deveria ser "E o verbo era um Deus", pois na primeira frase (traduzida como "o verbo estava com Deus") há o artigo "o" no original grego e na segunda frase (traduzida como "o verbo era Deus") não há o artigo, e quando não existe o artigo devemos entender como artigo indefinido(“um”). Deveriam traduzir, portanto: "... o verbo estava com Deus... o verbo era um deus".
E quando ao "logo" estar "no princípio", se refere ao princípio do nosso mundo e não do Universo. Para os espíritas, Jesus colaborou na obra de nosso planeta, já sendo um espírito perfeito, tendo evoluído em encarnações em outros mundos.
No livro A Caminho da Luz, Emmanuel, através da mediunidade de Chico Xavier, narra a participação de Jesus na formação do nosso planeta:
"Sim, ele (Jesus) havia vencido todos os pavores das energias desencadeadas; com as suas legiões de trabalhadores divinos, lançou o escopro da sua misericórdia sobre o bloco da matéria informe, que a Sabedoria do Pai deslocara do Sol para as suas mãos augustas e compassivas. Operou a escultura geológica do orbe terreno, talhando a escola abençoada e grandiosa, na qual seu coração deveria expandir-se em amor, claridade e justiça. Com seus exércitos de trabalhadores devotados, estatuiu os regulamentos dos fenômenos físicos da Terra, organizando-lhes o equilíbrio futuro na base dos corpos simples da matéria, cuja unidade substancial os espectroscópios terrenos puderam identificar por toda parte no universo galáctico. Organizou o cenário da vida, criando, sob as vistas de Deus, o indispensável à existência dos seres do porvir. Fez a pressão atmosférica adequada ao homem, antecipando-se ao seu nascimento no mundo, no curso dos milênios; estabeleceu os grandes centros de força da ionosfera e da estratosfera, onde se harmonizam os fenômenos elétricos da existência planetária, e edificou as usinas de ozônio a 40 e 60 quilômetros de altitude, para que filtrassem convenientemente os raios solares, manipulando-lhes a composição precisa à manutenção da vida orgânica na orbe. Definiu todas as linhas do progresso da Humanidade futura, engendrando a harmonia de todas as forças físicas que presidem o ciclo das atividades planetárias."
E o Verbo se Fez Carne
E o Verbo se Fez Carne - João, 1: 13 e 14
...os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus.
Neste verso João, o evangelista, nos informa sobre nossa origem divina. Fomos criados por Deus, viemos Dele. A primeira criação é totalmente espiritual; portanto, os espíritos originalmente não vieram do sangue nem da vontade carne aqui representando o universo material. O espírito1 não tem origem na matéria, esta é que poder ter, por um processo ainda incompreensível para nós, origem no espírito.
O princípio é o mesmo do fim. Viemos de Deus e a Ele vamos voltar através do, sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai, que está nos céus.2
Este versículo vem dar continuidade ao pensamento do autor de João exarado nos anteriores.
Nós humanos estamos em Deus como aliás toda a criação; todavia insistimos em não reconhecer nossa origem divina. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.
Se ao contrário fizermos, ou seja, se pautarmos nossa vida tendo como base a Lei de Deus e seus desígnios superiores, se analisarmos as circunstâncias de nossa vida pelo prisma do Espírito imortal, realizaremos em nós o poder de nos tornarmos filhos de Deus.
Neste versículo agora analisado fecha-se o ensinamento. Tudo isso acontece deste modo, por sermos originalmente espíritos, e nos movermos em um Universo regido pela superior Lei de Deus. Por estarmos aprisionados na matéria há milênios, criamos em nós um psiquismo material que nos ilude e confunde. Não somos um ser materializado que eventualmente deve cultivar as questões espirituais, somos sim espíritos que eventualmente se encarnam com o objetivo do progresso espiritual. Desta forma os valores do espírito devem sempre ser prioritários em nossa vida. Nosso modelo educacional deve primar por educar o Ser que continuará após o trespasse físico, e não em nos preparar para obter sucesso no mundo transitório; da mesma forma, nossa conduta deve nos projetar para conquistas espirituais e morais por serem essas definitivas, e verdadeiras conquistas do Ser imortal, conforme expressa o belíssimo texto anotado por Mateus:
Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam, nem roubam.3
Resta-nos para concluir analisar a expressão nem da vontade do varão, mas de Deus. Definido é aqui o limite de nossas possibilidades diante da grandeza do Criador. Podemos dominar no campo material vários recursos, todavia não esqueçamos ser o andamento do Universo físico determinado pelo espiritual, e a Vontade de Deus soberana em todas as situações. Podemos sim se nos ajustarmos a esta Vontade Superior alcançarmos também poder sobre as questões espirituais definido na expressão serem feitos filhos de Deus, mas jamais devemos esquecer que temos por limite a perfeição relativa à nossa posição na hierarquia cósmica, quando Deus é o Uno que se faz presente e atuante em todo o Versus.
E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.
Neste passo o evangelista fala-nos sobre a encarnação de Jesus.
Nos primeiros movimentos quando ele fala sobre o Verbo, comentamos que se tratava da Palavra Criadora, ou do Poder Criador de Deus.
Neste verso diz ele: e o verbo se fez carne.
Já comentamos, Jesus é um Cristo, um Messias divino. Devido a sua posição elevadíssima na hierarquia espiritual, Ele, que se fez perfeito, adquiriu a condição de se fazer um Plenipotenciário Divino em nosso orbe. Ele é, na linguagem dos Espíritos superiores, o Governador Espiritual do planeta. É o que André Luiz chamou de Co-criador em plano maior.
Assim, podemos dizer que ele incorporou o “poder criador” de Deus em nosso planeta. Na realidade Ele não é Criador, mas construtor de orbe.
Dito isto fica mais fácil compreender que em Jesus o verbo se fez carne. Conforme expressão de Emmanuel, relativo ao nosso orbe Ele é o Verbo do princípio.
Historicamente Jesus encarnou entre os homens de nosso mundo há dois mil anos, Ele habitou entre nós. Este é um evento possível, o da encarnação de um Espírito Puro, porém raríssimo e ainda incompreensível para nós quanto aos mecanismos deste processo encarnatório
Ao narrar este fato o Evangelista volta a dizer sobre a encarnação, mostrando-nos a oportunidade de termos entre nós um Cristo.
Sociologicamente, e mesmo no plano psíquico e moral do homem, podemos dizer que esta encarnação significa um avanço de milênios. Será que conseguimos pensar em quanto tempo levaríamos para fazer a evolução que fizemos nestes últimos dois mil anos, se Ele, Jesus, não tivesse encarnado?
Assim, podemos continuar fazendo nossas reflexões, e pensarmos: em nosso planeta Jesus encarnou, e em nosso mundo interior, será que ele já habita entre nós? Se não, quanto tempo será que ainda vai demorar esta “materialização” do Cristo em nós? É Assunto para continuarmos pensando...
E Vimos a sua Glória, como a Glória do Unigênito do Pai; Jesus nos ensinou que o Pai é glorificado no Filho:
Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai. E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. (João 14:12-13)
Aprendemos assim, que as realizações de Jesus glorificam o Pai.
O Pai, que é Deus, representa o plano irradiador, o projeto, o plano conceptual. A encarnação do Verbo é a realização do projeto, ou seja, é o plano operacional. Por isso o que o Filho faz glorifica o Pai. Compreendemos deste modo, porque vimos a Glória do Cristo. Ele é o plano operacional de Deus.
Trazendo esta conceituação para o nosso dia a dia, o que é o objetivo de estudarmos o Evangelho, dizemos que toda vez que assimilamos um pensamento-virtude do Alto e operacionalizamos em nossa vida ficando o valor em nós como virtude sublimada (conquista moral), o Verbo se faz carne em nós e sentimos Sua glória como a Glória do Unigênito.
Unigênito em português quer dizer “único gerado”. Em grego temos “monogenes” que tem duas definições importantes. A primeira diz respeito a "ser o único de seu tipo dentro de um relacionamento específico." A segunda definição diz respeito a "ser o único de sua espécie ou classe, único no gênero."
Estas definições estão em pleno acordo com o que a Doutrina Espírita nos ensina a respeito de Jesus. Ele alcançou uma evolução espiritual que em nosso planeta é unica, só ele é um Cristo em grau supremo, só Ele atingiu o ponto máximo da escala espírita se fazendo um Espírito Puro. Assim, só Ele tem um tipo de relacionamento mais íntimo com Deus, pois está em Plena Comunhão com Ele. Ele, Jesus, é o único deste gênero.
Isto é o que compreendemos como significado da expressão “Filho Unigênito” em relação a Jesus.
E o evangelista continua: cheio de graça e de verdade. Graça é uma palavra que nos diz da ”presença de Deus”. É o peso da presença dEle.
O que faz com que Deus esteja em nós? As virtudes que já alcançamos.
Portanto, neste contexto, a graça representa a soma de todas as virtudes. Jesus por ser Espírito Puro já alcançou todas as virtudes possíveis de serem compreendidas por nossa forma mental, aliás, Ele já transcendeu nosso entendimento, daí podermos dizer que Ele é cheio de graça.
Verdade; esta é outra expressão difícil de explicar, pois de acordo com nossa possibilidade evolutiva, existem várias “verdades”; porém, no plano do Espírito Puro, que é o Plano de Deus, só há uma verdade: Deus é esta Verdade, o Amor é esta Verdade, a Lei é a Verdade compreensível dentro da mecânica universal.
Jesus já se integrou em Deus, o que quer dizer que Ele já participa da Unidade Divina:
Eu e o Pai Somos um. (João, 10: 30)
Eu sou o caminho, a verdade, e a vida. (João, 14: 6)
Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. (João 17:21)
Concluímos, portanto, que Jesus já assimilou em si a própria verdade a ponto de poder dizer ser a própria verdade, o que autoriza o autor do Quarto Evangelho dizer:
Ele é cheio de graça e de verdade.
1 É preciso como fez Kardec distinguir espírito (elemento inteligente do Universo), dos espíritos (seres inteligentes da criação). A palavra é a mesma, mas o sentido é diferente.
2 Mateus, 5: 48.
3 Mateus, 6: 20
Autor:
Claudio Fajardo de Castro (Juiz de Fora/MG)
é membro da Rede Amigo Espírita
Cláudio Fajardo é bancário, escritor desde 1997, dedica-se ao estudo do Novo Testamento à luz da Doutrina. Coordenou curso de Espiritismo no Centro Espírita Amor e Caridade em Goiânia – GO, denominado de Curso de Espiritismo e Evangelho. A partir daí surgiram seus livros: O Sermão do Monte, Jesus Terapeuta I e II, O Sermão Profético e O Sermão do Cenáculo, todos publicados pela Editora Itapuã.
Blogs: http://espiritismoeevangelho.webnode.com/
e-mail: fajardo1960@gmail.com
...os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus.
Neste verso João, o evangelista, nos informa sobre nossa origem divina. Fomos criados por Deus, viemos Dele. A primeira criação é totalmente espiritual; portanto, os espíritos originalmente não vieram do sangue nem da vontade carne aqui representando o universo material. O espírito1 não tem origem na matéria, esta é que poder ter, por um processo ainda incompreensível para nós, origem no espírito.
O princípio é o mesmo do fim. Viemos de Deus e a Ele vamos voltar através do, sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai, que está nos céus.2
Este versículo vem dar continuidade ao pensamento do autor de João exarado nos anteriores.
Nós humanos estamos em Deus como aliás toda a criação; todavia insistimos em não reconhecer nossa origem divina. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.
Se ao contrário fizermos, ou seja, se pautarmos nossa vida tendo como base a Lei de Deus e seus desígnios superiores, se analisarmos as circunstâncias de nossa vida pelo prisma do Espírito imortal, realizaremos em nós o poder de nos tornarmos filhos de Deus.
Neste versículo agora analisado fecha-se o ensinamento. Tudo isso acontece deste modo, por sermos originalmente espíritos, e nos movermos em um Universo regido pela superior Lei de Deus. Por estarmos aprisionados na matéria há milênios, criamos em nós um psiquismo material que nos ilude e confunde. Não somos um ser materializado que eventualmente deve cultivar as questões espirituais, somos sim espíritos que eventualmente se encarnam com o objetivo do progresso espiritual. Desta forma os valores do espírito devem sempre ser prioritários em nossa vida. Nosso modelo educacional deve primar por educar o Ser que continuará após o trespasse físico, e não em nos preparar para obter sucesso no mundo transitório; da mesma forma, nossa conduta deve nos projetar para conquistas espirituais e morais por serem essas definitivas, e verdadeiras conquistas do Ser imortal, conforme expressa o belíssimo texto anotado por Mateus:
Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam, nem roubam.3
Resta-nos para concluir analisar a expressão nem da vontade do varão, mas de Deus. Definido é aqui o limite de nossas possibilidades diante da grandeza do Criador. Podemos dominar no campo material vários recursos, todavia não esqueçamos ser o andamento do Universo físico determinado pelo espiritual, e a Vontade de Deus soberana em todas as situações. Podemos sim se nos ajustarmos a esta Vontade Superior alcançarmos também poder sobre as questões espirituais definido na expressão serem feitos filhos de Deus, mas jamais devemos esquecer que temos por limite a perfeição relativa à nossa posição na hierarquia cósmica, quando Deus é o Uno que se faz presente e atuante em todo o Versus.
E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.
Neste passo o evangelista fala-nos sobre a encarnação de Jesus.
Nos primeiros movimentos quando ele fala sobre o Verbo, comentamos que se tratava da Palavra Criadora, ou do Poder Criador de Deus.
Neste verso diz ele: e o verbo se fez carne.
Já comentamos, Jesus é um Cristo, um Messias divino. Devido a sua posição elevadíssima na hierarquia espiritual, Ele, que se fez perfeito, adquiriu a condição de se fazer um Plenipotenciário Divino em nosso orbe. Ele é, na linguagem dos Espíritos superiores, o Governador Espiritual do planeta. É o que André Luiz chamou de Co-criador em plano maior.
Assim, podemos dizer que ele incorporou o “poder criador” de Deus em nosso planeta. Na realidade Ele não é Criador, mas construtor de orbe.
Dito isto fica mais fácil compreender que em Jesus o verbo se fez carne. Conforme expressão de Emmanuel, relativo ao nosso orbe Ele é o Verbo do princípio.
Historicamente Jesus encarnou entre os homens de nosso mundo há dois mil anos, Ele habitou entre nós. Este é um evento possível, o da encarnação de um Espírito Puro, porém raríssimo e ainda incompreensível para nós quanto aos mecanismos deste processo encarnatório
Ao narrar este fato o Evangelista volta a dizer sobre a encarnação, mostrando-nos a oportunidade de termos entre nós um Cristo.
Sociologicamente, e mesmo no plano psíquico e moral do homem, podemos dizer que esta encarnação significa um avanço de milênios. Será que conseguimos pensar em quanto tempo levaríamos para fazer a evolução que fizemos nestes últimos dois mil anos, se Ele, Jesus, não tivesse encarnado?
Assim, podemos continuar fazendo nossas reflexões, e pensarmos: em nosso planeta Jesus encarnou, e em nosso mundo interior, será que ele já habita entre nós? Se não, quanto tempo será que ainda vai demorar esta “materialização” do Cristo em nós? É Assunto para continuarmos pensando...
E Vimos a sua Glória, como a Glória do Unigênito do Pai; Jesus nos ensinou que o Pai é glorificado no Filho:
Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai. E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. (João 14:12-13)
Aprendemos assim, que as realizações de Jesus glorificam o Pai.
O Pai, que é Deus, representa o plano irradiador, o projeto, o plano conceptual. A encarnação do Verbo é a realização do projeto, ou seja, é o plano operacional. Por isso o que o Filho faz glorifica o Pai. Compreendemos deste modo, porque vimos a Glória do Cristo. Ele é o plano operacional de Deus.
Trazendo esta conceituação para o nosso dia a dia, o que é o objetivo de estudarmos o Evangelho, dizemos que toda vez que assimilamos um pensamento-virtude do Alto e operacionalizamos em nossa vida ficando o valor em nós como virtude sublimada (conquista moral), o Verbo se faz carne em nós e sentimos Sua glória como a Glória do Unigênito.
Unigênito em português quer dizer “único gerado”. Em grego temos “monogenes” que tem duas definições importantes. A primeira diz respeito a "ser o único de seu tipo dentro de um relacionamento específico." A segunda definição diz respeito a "ser o único de sua espécie ou classe, único no gênero."
Estas definições estão em pleno acordo com o que a Doutrina Espírita nos ensina a respeito de Jesus. Ele alcançou uma evolução espiritual que em nosso planeta é unica, só ele é um Cristo em grau supremo, só Ele atingiu o ponto máximo da escala espírita se fazendo um Espírito Puro. Assim, só Ele tem um tipo de relacionamento mais íntimo com Deus, pois está em Plena Comunhão com Ele. Ele, Jesus, é o único deste gênero.
Isto é o que compreendemos como significado da expressão “Filho Unigênito” em relação a Jesus.
E o evangelista continua: cheio de graça e de verdade. Graça é uma palavra que nos diz da ”presença de Deus”. É o peso da presença dEle.
O que faz com que Deus esteja em nós? As virtudes que já alcançamos.
Portanto, neste contexto, a graça representa a soma de todas as virtudes. Jesus por ser Espírito Puro já alcançou todas as virtudes possíveis de serem compreendidas por nossa forma mental, aliás, Ele já transcendeu nosso entendimento, daí podermos dizer que Ele é cheio de graça.
Verdade; esta é outra expressão difícil de explicar, pois de acordo com nossa possibilidade evolutiva, existem várias “verdades”; porém, no plano do Espírito Puro, que é o Plano de Deus, só há uma verdade: Deus é esta Verdade, o Amor é esta Verdade, a Lei é a Verdade compreensível dentro da mecânica universal.
Jesus já se integrou em Deus, o que quer dizer que Ele já participa da Unidade Divina:
Eu e o Pai Somos um. (João, 10: 30)
Eu sou o caminho, a verdade, e a vida. (João, 14: 6)
Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. (João 17:21)
Concluímos, portanto, que Jesus já assimilou em si a própria verdade a ponto de poder dizer ser a própria verdade, o que autoriza o autor do Quarto Evangelho dizer:
Ele é cheio de graça e de verdade.
1 É preciso como fez Kardec distinguir espírito (elemento inteligente do Universo), dos espíritos (seres inteligentes da criação). A palavra é a mesma, mas o sentido é diferente.
2 Mateus, 5: 48.
3 Mateus, 6: 20
Autor:
Claudio Fajardo de Castro (Juiz de Fora/MG)
é membro da Rede Amigo Espírita
Cláudio Fajardo é bancário, escritor desde 1997, dedica-se ao estudo do Novo Testamento à luz da Doutrina. Coordenou curso de Espiritismo no Centro Espírita Amor e Caridade em Goiânia – GO, denominado de Curso de Espiritismo e Evangelho. A partir daí surgiram seus livros: O Sermão do Monte, Jesus Terapeuta I e II, O Sermão Profético e O Sermão do Cenáculo, todos publicados pela Editora Itapuã.
Blogs: http://espiritismoeevangelho.webnode.com/
e-mail: fajardo1960@gmail.com
Estudo Prólogo do Evangelho de João
Estudo Prólogo do Evangelho de João:
No Princípio - João, 1: 1
“No Princípio era o Verbo...” (João, 1: 1)
Assim inicia o evangelista o quarto Evangelho. Enquanto outros iniciam apresentando-nos Jesus, a origem de sua família, seu nascimento e as ocorrências deste, o autor de João nos fala da origem profunda do Cristo. Em uma tradução mais fiel, “no princípio: o Logos”.
A expressão no princípio, em grego en arkê, em hebraico, beréshit, nos fala de uma origem; alguns analistas têm visto este princípio desvinculado de qualquer idéia de tempo, seria assim atemporal; Deus é eterno e incriado, deste modo a criação seria eterna, algo que jamais começou. Todavia podemos também entender este princípio como um momento escolhido no tempo para iniciar um relato. Dizemos assim, pois desta forma fica mais fácil a compreensão de algo que transcende o nosso entendimento: a origem de tudo.
Assim, temos o princípio de acordo com o estado evolutivo individual de cada um. Para uns a vida começa com o nascimento físico, outros aceitam com facilidade a pré-existência da alma. Entre estes últimos há os que crêem que a vida inteligente só acontece a partir do reino animal ou hominal, entretanto há aqueles que já vêem o princípio inteligente no mineral, ou até mesmo antes deste.
O evangelista escreveu em grego, todavia, pensava em hebraico, daí a importância de analisarmos este beréshit. De que princípio fala o texto, da origem do universo material? Das dimensões tempo e espaço? Ou simplesmente da fundação de nosso Orbe? Como dissemos, cabe a cada um analisar de acordo com a sua possibilidade evolutiva.
Os rabinos observam que a primeira letra do alfabeto hebraico é o “aleph”. Esta simbolizaria Deus em sua unidade; “beth”, a segunda, a inicial de beréshit representaria assim, a dualidade. Portanto, beréshit (princípio), seria a entrada do universo na dualidade, a criação do mundo corpóreo.
No princípio: o Logos. Logos é uma palavra grega que foi traduzida como verbo, ou palavra. Todavia, seu correspondente hebraico davar, significa também inteligência, informação criadora. Deste modo logos não é verbo ou palavra em seu sentido habitual, mas a palavra criadora, o poder criador. Seria o espírito de Deus manifesto na criação, o Deus imanente.
Assim podemos entender melhor o primeiro versículo deste inspirado Evangelho:
“No princípio era o Logos e o Logos estava em Deus e o Logos era Deus.”
Façamos agora uma analogia deste versículo com versículo inicial do Gênesis:
“No princípio, criou Deus os céus e a terra.” (Gn, 1: 1)
No texto original temos o nome Elohîms para designar o Deus que hoje conhecemos. Deus é único, singular, absoluto; porém Elohîms é plural. Segundo Chouraqui (1995, pág.31)[1], nas línguas semíticas, Elohîms é o termo genérico para designar o conjunto de divindades. Seriam assim, dentro da terminologia espírita, os Espíritos Puros, aqueles que segundo André Luiz realizam uma Co-Criação em plano maior. Relata-nos o autor espiritual:
“Nessa substância original, ao influxo do próprio Senhor Supremo, operam as Inteligências Divinas a Ele agregadas, em processo de comunhão indescritível…”
“(…)Essas Inteligências Gloriosas tomam o plasma divino e convertem-no em habitações cósmicas, de múltiplas expressões, radiantes ou obscuras, gaseificadas ou sólidas, obedecendo a leis predeterminadas…” (Evolução em Dois Mundos, cap. 1, 1ª parte)
Emmanuel também nos esclarece a respeito:
“Rezam as tradições do mundo espiritual que na direção de todos os fenômenos, do nosso sistema, existe uma Comunidade de Espíritos Puros e Eleitos pelo Senhor Supremo do Universo, em cujas mãos se conservam as rédeas diretoras da vida de todas as coletividades planetárias.” (À Caminho da Luz cap. 1)
Estas anotações estão em pleno acordo com o que nos ensinam os Espíritos na Codificação, em O Livro dos Espíritos encontramos:
“Deus não exerce ação direta sobre a matéria. Ele encontra agentes dedicados em todos os graus da escala dos mundos.” (Questão 536 letra b).
Portanto, quem constrói e formam os mundos físicos e materiais são os Espíritos destacados pelo Senhor Supremo para esta função, e Elohîms, Cristos, Logos, na verdade são nomes que expressam esses “agentes dedicados” que servem a Deus desde o princípio dos tempos.
A partir das ideais expostas neste texto colocamos a seguinte questão:
Informa-nos O Livro dos Espíritos na questão 17 que não é dado ao homem conhecer o princípio das coisas, que isto tudo ainda é para ele um mistério. E esta palavra repete-se por várias vezes nesta obra mostrando nossa incapacidade de compreensão. Porém, já podemos questionar algumas coisas que nos parecem claras.
Deus é Uno, sua Lei é imutável e sua criação tem um modelo único, não sendo possível que sua Lei determine que uma ocorrência aconteça ora de um jeito ora de outro.
Se assim é não podemos conceber que em sua origem o espírito tenha sido criado simples e ignorante. É preciso refletir sobre isso, e os espíritas têm de discutir esta questão. Pensamos que quando os espíritos assim disseram na questão 115 de “O Livro dos Espíritos” não estavam se referindo à origem e sim ao início de um ciclo evolutivo. A prova de que esta pode ser a realidade é que eles mesmos repetem várias vezes que o princípio das coisas ainda é para o homem um mistério.
Uma outra prova desta impossibilidade é que se os espíritos fossem criados simples e ignorantes e tivessem necessidade de passar pelo mundo material para chegarem à condição de Espíritos Puros, quem seriam os “agentes dedicados”, os Cristos, ou Construtores dos primeiros mundos físicos? E estes quando criados seriam habitados por quem? Teria Deus operado diretamente sobre a matéria no início da Criação e só depois parado de assim o fazer? Particularmente cremos que não.
Este não é um artigo de contestação, sinceramente não temos esse objetivo. Não gostamos de polêmica. A nossa proposta é simplesmente levar os Espíritas atuais a pensar sobre o assunto e ajudar-nos no eterno questionamento:
Quem somos, de onde viemos, para onde vamos?
[1] No Princípio (Gênesis).
Autor:
Claudio Fajardo de Castro (Juiz de Fora/MG)
Cláudio Fajardo é bancário, escritor desde 1997, dedica-se ao estudo do Novo Testamento à luz da Doutrina. Coordenou curso de Espiritismo no Centro Espírita Amor e Caridade em Goiânia – GO, denominado de Curso de Espiritismo e Evangelho. A partir daí surgiram seus livros: O Sermão do Monte, Jesus Terapeuta I e II, O Sermão Profético e O Sermão do Cenáculo, todos publicados pela Editora Itapuã.
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http://espiritismoeevangelho.webnode.com/evangelho%3a-como%2c-porque%2c-e-para-que-estuda-lo-%C3%A0-luz-da-doutrina-espirita/no-principio-jo%C3%A3o%2c-1%3a-1/
Veja este link e os comentários seguintes sobre o prólogo de João.
No Princípio - João, 1: 1
“No Princípio era o Verbo...” (João, 1: 1)
Assim inicia o evangelista o quarto Evangelho. Enquanto outros iniciam apresentando-nos Jesus, a origem de sua família, seu nascimento e as ocorrências deste, o autor de João nos fala da origem profunda do Cristo. Em uma tradução mais fiel, “no princípio: o Logos”.
A expressão no princípio, em grego en arkê, em hebraico, beréshit, nos fala de uma origem; alguns analistas têm visto este princípio desvinculado de qualquer idéia de tempo, seria assim atemporal; Deus é eterno e incriado, deste modo a criação seria eterna, algo que jamais começou. Todavia podemos também entender este princípio como um momento escolhido no tempo para iniciar um relato. Dizemos assim, pois desta forma fica mais fácil a compreensão de algo que transcende o nosso entendimento: a origem de tudo.
Assim, temos o princípio de acordo com o estado evolutivo individual de cada um. Para uns a vida começa com o nascimento físico, outros aceitam com facilidade a pré-existência da alma. Entre estes últimos há os que crêem que a vida inteligente só acontece a partir do reino animal ou hominal, entretanto há aqueles que já vêem o princípio inteligente no mineral, ou até mesmo antes deste.
O evangelista escreveu em grego, todavia, pensava em hebraico, daí a importância de analisarmos este beréshit. De que princípio fala o texto, da origem do universo material? Das dimensões tempo e espaço? Ou simplesmente da fundação de nosso Orbe? Como dissemos, cabe a cada um analisar de acordo com a sua possibilidade evolutiva.
Os rabinos observam que a primeira letra do alfabeto hebraico é o “aleph”. Esta simbolizaria Deus em sua unidade; “beth”, a segunda, a inicial de beréshit representaria assim, a dualidade. Portanto, beréshit (princípio), seria a entrada do universo na dualidade, a criação do mundo corpóreo.
No princípio: o Logos. Logos é uma palavra grega que foi traduzida como verbo, ou palavra. Todavia, seu correspondente hebraico davar, significa também inteligência, informação criadora. Deste modo logos não é verbo ou palavra em seu sentido habitual, mas a palavra criadora, o poder criador. Seria o espírito de Deus manifesto na criação, o Deus imanente.
Assim podemos entender melhor o primeiro versículo deste inspirado Evangelho:
“No princípio era o Logos e o Logos estava em Deus e o Logos era Deus.”
Façamos agora uma analogia deste versículo com versículo inicial do Gênesis:
“No princípio, criou Deus os céus e a terra.” (Gn, 1: 1)
No texto original temos o nome Elohîms para designar o Deus que hoje conhecemos. Deus é único, singular, absoluto; porém Elohîms é plural. Segundo Chouraqui (1995, pág.31)[1], nas línguas semíticas, Elohîms é o termo genérico para designar o conjunto de divindades. Seriam assim, dentro da terminologia espírita, os Espíritos Puros, aqueles que segundo André Luiz realizam uma Co-Criação em plano maior. Relata-nos o autor espiritual:
“Nessa substância original, ao influxo do próprio Senhor Supremo, operam as Inteligências Divinas a Ele agregadas, em processo de comunhão indescritível…”
“(…)Essas Inteligências Gloriosas tomam o plasma divino e convertem-no em habitações cósmicas, de múltiplas expressões, radiantes ou obscuras, gaseificadas ou sólidas, obedecendo a leis predeterminadas…” (Evolução em Dois Mundos, cap. 1, 1ª parte)
Emmanuel também nos esclarece a respeito:
“Rezam as tradições do mundo espiritual que na direção de todos os fenômenos, do nosso sistema, existe uma Comunidade de Espíritos Puros e Eleitos pelo Senhor Supremo do Universo, em cujas mãos se conservam as rédeas diretoras da vida de todas as coletividades planetárias.” (À Caminho da Luz cap. 1)
Estas anotações estão em pleno acordo com o que nos ensinam os Espíritos na Codificação, em O Livro dos Espíritos encontramos:
“Deus não exerce ação direta sobre a matéria. Ele encontra agentes dedicados em todos os graus da escala dos mundos.” (Questão 536 letra b).
Portanto, quem constrói e formam os mundos físicos e materiais são os Espíritos destacados pelo Senhor Supremo para esta função, e Elohîms, Cristos, Logos, na verdade são nomes que expressam esses “agentes dedicados” que servem a Deus desde o princípio dos tempos.
A partir das ideais expostas neste texto colocamos a seguinte questão:
Informa-nos O Livro dos Espíritos na questão 17 que não é dado ao homem conhecer o princípio das coisas, que isto tudo ainda é para ele um mistério. E esta palavra repete-se por várias vezes nesta obra mostrando nossa incapacidade de compreensão. Porém, já podemos questionar algumas coisas que nos parecem claras.
Deus é Uno, sua Lei é imutável e sua criação tem um modelo único, não sendo possível que sua Lei determine que uma ocorrência aconteça ora de um jeito ora de outro.
Se assim é não podemos conceber que em sua origem o espírito tenha sido criado simples e ignorante. É preciso refletir sobre isso, e os espíritas têm de discutir esta questão. Pensamos que quando os espíritos assim disseram na questão 115 de “O Livro dos Espíritos” não estavam se referindo à origem e sim ao início de um ciclo evolutivo. A prova de que esta pode ser a realidade é que eles mesmos repetem várias vezes que o princípio das coisas ainda é para o homem um mistério.
Uma outra prova desta impossibilidade é que se os espíritos fossem criados simples e ignorantes e tivessem necessidade de passar pelo mundo material para chegarem à condição de Espíritos Puros, quem seriam os “agentes dedicados”, os Cristos, ou Construtores dos primeiros mundos físicos? E estes quando criados seriam habitados por quem? Teria Deus operado diretamente sobre a matéria no início da Criação e só depois parado de assim o fazer? Particularmente cremos que não.
Este não é um artigo de contestação, sinceramente não temos esse objetivo. Não gostamos de polêmica. A nossa proposta é simplesmente levar os Espíritas atuais a pensar sobre o assunto e ajudar-nos no eterno questionamento:
Quem somos, de onde viemos, para onde vamos?
[1] No Princípio (Gênesis).
Autor:
Claudio Fajardo de Castro (Juiz de Fora/MG)
Cláudio Fajardo é bancário, escritor desde 1997, dedica-se ao estudo do Novo Testamento à luz da Doutrina. Coordenou curso de Espiritismo no Centro Espírita Amor e Caridade em Goiânia – GO, denominado de Curso de Espiritismo e Evangelho. A partir daí surgiram seus livros: O Sermão do Monte, Jesus Terapeuta I e II, O Sermão Profético e O Sermão do Cenáculo, todos publicados pela Editora Itapuã.
Blogs: http://espiritismoeevangelho.webnode.com/
e-mail: fajardo1960@gmail.com
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O Verbo se Fez Carne - Obras Póstumas
VIII. O Verbo se Fez Carne
"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
Ele estava no princípio com Deus.
Todas as coisas foram feitas por ele, e nada do que foi feito foi feito sem ele;
Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens;
E a luz resplandesceu nas trevas, mas as trevas não a compreenderam.
Houve um homem enviado por Deus, que se chamava João.
Este veio por testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos cressem por meio dele;
Ele não era a luz, mas para que desse testemunho da luz.
Era a luz verdadeira, que alumia a todo o homem, que vem a este mundo.
Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu.
Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.
Mas a todos os que o receberam deu ele poder de se fazerem filhos de Deus; aos que crêem no seu nome.
Que não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus.
E o verbo se fez carne, e habitou entre nós; e nós vimos a sua glória como Filho unigênito do Pai, cheio de graça e verdade". (S. JOÃO, I, 1 a 14).
Esta passagem dos Evangelhos é a única que, à primeira vista, parece encerrar implicitamente uma idéia de identificação entre Deus e a pessoa de Jesus; é também aquela sobre a qual se estabeleceu mais tarde a controvérsia a respeito do assunto.
A questão da divindade de Jesus foi sendo, gradualmente, suscitada. Nasceu das discussões levantadas a propósito das interpretações e alguns sobre as palavras — Verbo e Filho: mas foi somente no 4.° século que uma parte da Igreja a adotou. Este dogma, portanto, é o resultado de decisões humanas; não emana de revelação divina.
É preciso notar-se que as palavras supracitadas são de João e não de Jesus e admitindo-se que não tenham sido alteradas, não exprimem, na realidade, senão uma opinião pessoal, uma indução, onde se descobre o misticismo habitual da linguagem daquele escritor. Não podem, pois, prevalecer contra as reiteradas afirmações do próprio Jesus. Aceitando-se, porém, tais quais são, ainda assim elas não resolvem a questão no sentido da divindade, porque tanto se aplicariam a Jesus-Deus, como a Jesus-criatura de Deus.
De fato, o Verbo é Deus, porque é a palavra de Deus. Jesus, tendo recebido esta palavra diretamente de Deus, com a missão de a revelar aos homens, assimilou-a. A palavra divina que ele observou, encarnou-se nele. Ele a trouxe consigo, nascendo, e é com razão que disse: O verbo se fez carne e habitou entre nós. Jesus podia, pois, ser encarregado de transmitir a palavra de Deus, sem ser Deus, como um embaixador transmite as palavras de seu soberano, sem ser o soberano.
Segundo o dogma da divindade, é Deus quem fala; na outra hipótese, ele fala pela boca do seu enviado, o que não prejudica a autoridade das suas palavras. Quem autoriza, porém, antes esta do que a outra suposição? A única autoridade competente para cortar a questão, são as próprias palavras de Jesus, quando diz: "Eu não falo por mim; mas Aquele que me enviou, me prescreve por seu mandamento, o que devo dizer: a minha doutrina não é minha, mas sim d'Aquele que me enviou; a palavra que tendes ouvido não é minha, mas de meu Pai, que me enviou".
É impossível exprimir-se alguém com mais clareza e precisão. A qualidade de messias ou enviado, que lhe é dada em todos os
Evangelhos, implica uma posição subordinada a quem lha deu; quem obedece não pode ser igual a quem manda.
João caracteriza esta posição secundária — e, por conseguinte, estabelece a dualidade das pessoas, quando diz: nós vimos a sua glória, a sua glória como filho único, que a devia receber do Pai; porque aquele que recebe, não pode ser o que dá, nem aquele que dá a glória, pode ser igual ao que a recebe. Se Jesus é Deus, possui a glória por si mesmo e não precisa que outro lhe dê. Se Deus e Jesus são uma mesma pessoa com dois nomes diferentes, não poderia existir entre eles nem supremacia, nem subordinação. Desde pois que não há paridade absoluta de posição, é que são duas pessoas distintas.
A qualificação de Messias divino não significa igualdade entre o mandatário e o mandante, mais do que entre um rei e o seu representante a de enviado real. Jesus era um Messias divino pela dupla razão de ter recebido de Deus a sua missão, e estar em relação direta com Deus pelas suas perfeições.
"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
Ele estava no princípio com Deus.
Todas as coisas foram feitas por ele, e nada do que foi feito foi feito sem ele;
Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens;
E a luz resplandesceu nas trevas, mas as trevas não a compreenderam.
Houve um homem enviado por Deus, que se chamava João.
Este veio por testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos cressem por meio dele;
Ele não era a luz, mas para que desse testemunho da luz.
Era a luz verdadeira, que alumia a todo o homem, que vem a este mundo.
Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu.
Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.
Mas a todos os que o receberam deu ele poder de se fazerem filhos de Deus; aos que crêem no seu nome.
Que não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus.
E o verbo se fez carne, e habitou entre nós; e nós vimos a sua glória como Filho unigênito do Pai, cheio de graça e verdade". (S. JOÃO, I, 1 a 14).
Esta passagem dos Evangelhos é a única que, à primeira vista, parece encerrar implicitamente uma idéia de identificação entre Deus e a pessoa de Jesus; é também aquela sobre a qual se estabeleceu mais tarde a controvérsia a respeito do assunto.
A questão da divindade de Jesus foi sendo, gradualmente, suscitada. Nasceu das discussões levantadas a propósito das interpretações e alguns sobre as palavras — Verbo e Filho: mas foi somente no 4.° século que uma parte da Igreja a adotou. Este dogma, portanto, é o resultado de decisões humanas; não emana de revelação divina.
É preciso notar-se que as palavras supracitadas são de João e não de Jesus e admitindo-se que não tenham sido alteradas, não exprimem, na realidade, senão uma opinião pessoal, uma indução, onde se descobre o misticismo habitual da linguagem daquele escritor. Não podem, pois, prevalecer contra as reiteradas afirmações do próprio Jesus. Aceitando-se, porém, tais quais são, ainda assim elas não resolvem a questão no sentido da divindade, porque tanto se aplicariam a Jesus-Deus, como a Jesus-criatura de Deus.
De fato, o Verbo é Deus, porque é a palavra de Deus. Jesus, tendo recebido esta palavra diretamente de Deus, com a missão de a revelar aos homens, assimilou-a. A palavra divina que ele observou, encarnou-se nele. Ele a trouxe consigo, nascendo, e é com razão que disse: O verbo se fez carne e habitou entre nós. Jesus podia, pois, ser encarregado de transmitir a palavra de Deus, sem ser Deus, como um embaixador transmite as palavras de seu soberano, sem ser o soberano.
Segundo o dogma da divindade, é Deus quem fala; na outra hipótese, ele fala pela boca do seu enviado, o que não prejudica a autoridade das suas palavras. Quem autoriza, porém, antes esta do que a outra suposição? A única autoridade competente para cortar a questão, são as próprias palavras de Jesus, quando diz: "Eu não falo por mim; mas Aquele que me enviou, me prescreve por seu mandamento, o que devo dizer: a minha doutrina não é minha, mas sim d'Aquele que me enviou; a palavra que tendes ouvido não é minha, mas de meu Pai, que me enviou".
É impossível exprimir-se alguém com mais clareza e precisão. A qualidade de messias ou enviado, que lhe é dada em todos os
Evangelhos, implica uma posição subordinada a quem lha deu; quem obedece não pode ser igual a quem manda.
João caracteriza esta posição secundária — e, por conseguinte, estabelece a dualidade das pessoas, quando diz: nós vimos a sua glória, a sua glória como filho único, que a devia receber do Pai; porque aquele que recebe, não pode ser o que dá, nem aquele que dá a glória, pode ser igual ao que a recebe. Se Jesus é Deus, possui a glória por si mesmo e não precisa que outro lhe dê. Se Deus e Jesus são uma mesma pessoa com dois nomes diferentes, não poderia existir entre eles nem supremacia, nem subordinação. Desde pois que não há paridade absoluta de posição, é que são duas pessoas distintas.
A qualificação de Messias divino não significa igualdade entre o mandatário e o mandante, mais do que entre um rei e o seu representante a de enviado real. Jesus era um Messias divino pela dupla razão de ter recebido de Deus a sua missão, e estar em relação direta com Deus pelas suas perfeições.
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