Elias foi um dos profetas referidos no Velho Testamento que viveu no século IX a.C. Não há livro na Bíblia escrito por ele, mas existem referências a seu respeito em diversos autores como Terceiro Livro dos Reis (Cap. 17) e Quarto Livro dos Reis (Cap. 1), Juizes e Malaquias.
Ele viveu ao tempo do Rei Acab e da rainha Jezabel, com quem esteve em constante oposição, por causa do culto que era promovido ao deus pagão Baal.
É considerado servo intrépide do Javismo (termo que vem de Javé ou Jeová, Deus segundo os hebreus), apesar do excessivo rigor e das atrocidades que ele praticou. Dentre essas, destaca-se aquela que fez descer fogo do céu e queimar um capitão juntamente com seus cinqüenta comandados, quando este foi buscá-lo por ordem do rei Acab.
O mesmo fato se repetiu com uma segunda brigada (um capitão e mais os seus cinqüenta soldados), assim como a mortandade dos 450 sacerdotes de Baal, que os fez passar pelo fio da espada, junto ao ribeiro de Quison (3° Reis, 18:40). Tem-se no total um saldo de 552 mortos.
A volta do Profeta Elias foi prevista por Malaquias: “Eis que vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o dia grande e terrível do Senhor” (4:5).
A VIDA DE JOÃO BATISTA
João Batista era primo de Jesus, filho de Isabel e Zacarias. Levou uma vida muito austera. Abstendo-se de bens e prazeres, vivendo unicamente para o ministério do bem, convocando o povo ao arrependimento dos pecados e a se prepararem para receber o Redentor.
Chamado de “O Precursor”, vestia-se de peles e alimentava-se de mel e animais silvestres e verberava intimoratamente os atos de degradação humana, fosse em que nível fosse. Por esta razão, caiu na antipatia de Herodíades, acusada por ele pela sua união ilícita com o cunhado, o rei Herodes, irmão de Filipe (Marcos 6:17).
A REENCARNAÇÃO NA BÍBLIA
A identificação dos dois personagens como sendo o mesmo espírito está bem claro nas escrituras. O retorno de Elias foi anunciado pelo anjo Gabriel: “[...] o anjo disse-lhe: Não temas, Zacarias, porque foi ouvida a tua oração; e tua mulher Isabel te dará a luz um filho, e por-lhe-ás o nome de João. E converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus; e irá adiante dele com o espírito e a virtude de Elias, a fim de reconduzir os corações dos pais para os filhos” (Lucas 1:13).
Outra passagem que assinala a identificação do profeta como sendo o próprio João Batista é quando os apóstolos Pedro, Tiago e João perguntaram a Jesus, após a Transfiguração, sobre a volta de Elias: “Por que, pois, os escribas dizem que é preciso que Elias venha antes? Mas Jesus lhes respondeu: é verdade que Elias deve vir e restabelecer todas as coisas; mas eu vos declaro que Elias já veio, e não o conheceram, mas trataram como lhes aprouve. É assim que eles farão sofrer o Filho do Homem. Então seus discípulos compreenderam que era de João Batista que lhes havia falado”. (Mateus 17:10)
Aqui se trata da reencarnação de Elias na figura de João, explicação esta vista pelos apóstolos com muita naturalidade, justamente por estarem familiarizados com a realidade da reencarnação e esta fazer parte de sua crença religiosa, o judaísmo.
As palavras de Jesus confirmam tal fato em Mateus, referindo-se a João como o próprio Elias (espírito): “E, desde os dias de João Batista até agora, o reino dos céus adquire-se à força, e os violentos arrebatam-no. Porque todos os profetas e a lei, até João, profetizaram. E, se vós o quereis compreender, ele mesmo é o Elias que há de vir. O que tem ouvidos para ouvir, ouça” (11:12).
A violência da lei mosaica ordenava o extermínio dos infiéis para ganhar a terra prometida – Paraíso dos Hebreus, por isso a citação “o reino dos céus adquire-se à força”. No período de Jesus, a nova lei estabelecia que, para se ganhar o reino dos céus o trajeto deveria ser outro – o da caridade e da doçura.
ELIAS VOLTA COMO JOÃO BATISTA
Quando Jesus disse que Elias já teria vindo e que ninguém o reconheceu, muitos interpretam que João era inspirado por Elias e não que era o próprio profeta. Mas essa identificação dos dois personagens sendo a mesma pessoa mostra também um outro aspecto, a Lei de Causa e Efeito. Na figura de Elias, mesmo falando em nome de Deus, ele cometeu alguns excessos e violências em sua época. Posteriormente, o seu espírito veio na figura de João Batista para preparar o povo para receber as palavras do Messias. Entretanto, pelo fato de ter cometido os excessos em sua vida anterior, veio resgatar parte de seus débitos sofrendo a decapitação por ordem de Herodes, a pedido de Salomé, que o agradou numa apresentação de dança, manobrada ardilosamente pela sua mãe, Herodíades.
Note-se a analogia das circunstâncias: na ocasião em que era conhecido como Elias, enfrentou a rainha Jezabel, tendo-a vencido pelos poderes, matando os sacerdotes e suprimindo o culto ao deus Baal. Na segunda ocasião, já como João Batista, ele é morto por maquinação também de uma rainha.
O conceito de reencarnação fazia parte das crenças judaicas. Esse conhecimento dos judeus só foi ampliado no momento em que Jesus trouxe-lhes mais informações sobre o processo reencarnatório. No diálogo entre Nicodemos e o Mestre podemos observar a atenção dada ao assunto: “Mestre, sabemos que vieste da parte de Deus para nos instruir como um doutor; porque ninguém poderia fazer os milagres que fazeis, se Deus não estivesse com ele. Jesus lhe respondeu: Em verdade, em verdade vos digo: Ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo. Nicodemos lhe disse: Como pode nascer um homem que já está velho? Pode ele entrar no ventre de sua mãe, para nascer uma segunda vez? Jesus lhe respondeu: Em verdade, em verdade vos digo: Se um homem não renascer de água e de Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é Espírito. Não vos espanteis do que eu vos disse, que é preciso que nasçais de novo. O Espírito sopra onde quer, e ouvis sua voz, mas não sabeis de onde ele vem e para onde ele vai. Ocorre o mesmo com todo o homem que é nascido do Espírito. Nicodemos lhe respondeu: Como isso pode se dar? Jesus lhe disse: Que! Sois mestre em Israel e ignorais essas coisas? Em verdade, em verdade vos digo que não dizemos senão o que sabemos, e que não testemunhamos senão, o que vimos; e, entretanto, vós não recebeis nosso testemunho. Mas se não me credes quando vos fato das coisas da Terra, como me crereis quando vos falar das coisas do céu?” (João 3:2-12).
Como nota de esclarecimento, é preciso identificar o significado da palavra água no texto. O renascimento “de água” e “de espírito” é nada mais do que a retomada da experiência física, cuja constituição é eminentemente líquida. Portanto, o renascer de água é reencarnar e o renascer de espírito é evoluir, progredir moralmente.
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O mesmo tema, vários artigos, para ajudar a alguém que está preparando uma exposição ou estudando um assunto
Estudando o Espiritismo
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segunda-feira, 26 de março de 2012
Reencarnação na Bíblia - André Ariovaldo
A reencarnação é uma Lei Natural criada por Deus, onde mostra a justiça e a bondade de Deus para com os seus filhos. Ela por ser uma Lei Natural sempre existiu por toda a eternidade.
Sem ela, fica impossível de atribuir justiça e bondade à Deus, pois é impossível um espírito chegar a perfeição moral e intelectual tendo somente uma só existência corpórea. Além do mais, somente a pluralidade das existências pode explicar as desigualdades sociais, físicas e morais existentes na nossa sociedade. Por que uns nascem com tendência ao bem e outros ao mal? Por que uns nascem sãos e outros nascem doentes? Por que uns nascem em berço rico e outros na miséria? Por uns nascem superdotados enquanto outros não? Por que uns morrem em tenra idade enquanto outros vivem quase 100 anos? Por que uns nascem no Brasil, onde não há guerras, enquanto outros nascem no Oriente Médio, alvo de constante guerras? Por que uns nascem em lares fartos de comida, enquanto outros nascem na África passando fome e inanição? Por que uns nascem numa boa família enquanto outros nascem numa mal família ou nem família tem? Enfim inumeráveis perguntas que só a reencarnação, ou seja a pluralidade das existências pode responder a todas elas de forma lógica, racional e justa.
Se teríamos uma única existência, Deus seria injusto criando Anjos que são seres perfeitos e nós ainda somos imperfeitos. Deus seria parcial e privilegiaria os Anjos, e só restaria perguntar à Deus, por que nos criou imperfeito. Ainda tem mais, Deus sendo infinita sabedoria, já saberia na criação quem poderia ser “salvo” ou não tendo uma só existência. E também poderíamos culpar Deus por termos nascidos pobres, doentes, deficientes físicos ou mentais, pois enquanto tantas outras pessoas vivem no luxo, na saúde, e têm uma vida tranqüila, nós vivemos em constante tribulação e sofrimento, e não temos outra chance, pois temos somente uma vida.
Alguns religiosos afirmam que na Bíblia está a prova que temos apenas uma existência, vejamos: “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo,” (Hebreus, Cap. IX, 27). Esta frase está correta, mas não quer dizer que temos como espírito apenas uma existência física, o que Paulo quis dizer é que, por exemplo, que meu espírito tenho apenas uma existência física como José Henrique, que após o morte, meu espírito retorna à pátria espiritual e depois de algum tempo vou reencarnar como homem, como mulher, aqui no Brasil ou em outro país, enfim com outra identidade física.
Devo lembrar que todo o patrimônio moral e intelectual do espírito adquirido em todas as suas existências corpóreas anteriores jamais se perdem, e que durante a encarnação o espírito passa pelo esquecimento do passado, onde tem vagas lembranças de suas vidas passadas e de suas habilidades. Esse esquecimento se restringe apenas ao estado de vigília, ou seja durante o descanso do corpo físico(sono), o espírito recobre suas faculdades morais e intelectuais, assim como também acontece após a morte física.
Há algumas pessoas que demonstram a existência desse patrimônio adquirido, ou seja, pessoas sem nunca terem estudado, conhecem determinado assunto. Algumas crianças tocam piano, pintam quadros, mostram habilidades em tenra idade. Mas em todas as crianças já podemos perceber suas tendências boas ou más, se por um acaso a criança mostrar ciúmes ou egoísmo por um objeto ou pessoa, já demonstra o defeito moral, e é de vital importância que os pais corrijam a criança nesta fase, onde o espírito está mais apto a receber novos conceitos.
Será que podemos encontrar a prova da reencarnação na Bíblia? Sem dúvida, mas devo explicar também que a palavra “ressurreição” não significa reencarnação, como pensam muitos espíritas. Eles atribuem ao fato de os religiosos antigos terem trocado o termo reencarnação por ressurreição. Quando Jesus disse que ressuscitaria três dias após a sua morte, ele não queria dizer que reencarnaria dentro de três dias. Isso se explica pelo seguinte: Jesus era espírito puro e não precisava reencarnar novamente, a não ser em outra missão. Ele também não poderia reencarnar três dias depois, pois se ele precisava ficar mais tempo entre nós, não precisaria passar pela morte física. E o que ele queria dizer na verdade é que reapareceria(ressurgiria) três dias após a sua morte, fato esse confirmado pelas escrituras, onde ele apareceu primeiramente as mulheres e em seguida aos apóstolos.
Jó afirmou que veio nu e retornaria nu à pátria espiritual: “Então Jó se levantou, rasgou o seu manto, rapou a sua cabeça e, lançando-se em terra, adorou; e disse: Nu saí do ventre de minha mãe, e nu tornarei para lá. O Senhor deu, e o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor.” (Jó , Cap. I, 20-21)
“Tu nem as ouviste, nem as conheceste, nem tampouco há muito foi aberto o teu ouvido; porque eu sabia que procedeste muito perfidamente, e que eras chamado transgressor desde o ventre.” (Isaías, Cap. 48,
Ora, como pode um pessoa já ser transgressora, ou seja ter pecados antes do nascimento? Somente a reencarnação pode explicar este fato.
Uma prova clara da reencarnação podemos encontrar entre as semelhanças de Elias e João Batista. O próprio Jesus afirmou aos discípulos, que João Batista era o Elias. Vários fatores nos levam a crer nisso, temos então:
1) Tipo de roupa igual:
Elias: “Ele lhes perguntou: Qual era a aparência do homem que vos veio ao encontro e vos falou tais palavras? Eles lhe responderam: Era homem vestido de pêlos, com os lombos cingidos de um cinto de couro. Então, disse ele: É Elias, o tesbita.” (II Reis, Cap. I, 7-8)
2) Profecias no Velho Testamento afirmando da vinda de um profeta antes de Jesus:
“Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível Dia do SENHOR; ele converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos a seus pais, para que eu não venha e fira a terra com maldição.” (Malaquias, Cap. IV, 5-6)
Malaquias, afirmou claramente que Elias viria antes do “Dia do SENHOR”, ou seja de Jesus, e o que João Batista fez ao batizar as pessoas, era pregar o arrependimento. E com isso preparava o caminho para Jesus dar continuidade a esse trabalho.
3) Lei de causa e efeito:
Conhecemos a lei de causa e efeito, e que ninguém é imune à ela, João Batista que era a reencarnação de Elias não poderia escapar desta lei, acabou morrendo decapitado, para que se cumprisse à Lei, vejamos:
“Por aquele tempo, ouviu o tetrarca Herodes a fama de Jesus e disse aos que o serviam: Este é João Batista; ele ressuscitou dos mortos, e, por isso, nele operam forças miraculosas. Porque Herodes, havendo prendido e atado a João, o metera no cárcere, por causa de Herodias, mulher de Filipe, seu irmão; pois João lhe dizia: Não te é lícito possuí-la. E, querendo matá-lo, temia o povo, porque o tinham como profeta. Ora, tendo chegado o dia natalício de Herodes, dançou a filha de Herodias diante de todos e agradou a Herodes. Pelo que prometeu, com juramento, dar-lhe o que pedisse. Então, ela, instigada por sua mãe, disse: Dá-me, aqui, num prato, a cabeça de João Batista. Entristeceu-se o rei, mas, por causa do juramento e dos que estavam com ele à mesa, determinou que lha dessem; e deu ordens e decapitou a João no cárcere. Foi trazida a cabeça num prato e dada à jovem, que a levou a sua mãe.” (Mateus, Cap. XIV, 1-11) (Marcos, Cap. VI, 24-28)
Note também a expressão: “Este é João Batista; ele ressuscitou dos mortos.” Aqui não quer dizer que ele reencarnou dos mortos e sim reapareceu(ressurgiu) dos mortos. Prova mais do que evidente que nós podemos ressurgir dos mortos.
4) Esquecimento do passado:
Ora, quando estamos reencarnados, não lembramos de nossas vidas passadas, se nos perguntarem se somos Maria ou João, com certeza diremos: “Não somos”. Pois Deus nos deu o esquecimento do passado para preservarmos do sofrimento das faltas passadas que cometemos e também para termos mérito não boas obras futuras, que se soubéssemos o que precisaríamos fazer para progredir, faríamos por interesse pessoal e não por livre e espontânea vontade. Mas, apesar do esquecimento do passado, João Batista e também qualquer um de nós, pode ter vagas lembranças de alguns fatos do passado e de nossas missões neste mundo. João afirmou que prepararia o caminho para o Messias e que pregava o arrependimento.
5) Afirmativa de João Batista dizendo ser o precursor de Jesus:
6) Jesus afirma que João Batista era Elias:
“ Então, em partindo eles, passou Jesus a dizer ao povo a respeito de João: Que saístes a ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? Sim, que saístes a ver? Um homem vestido de roupas finas? Ora, os que vestem roupas finas assistem nos palácios reais. Mas para que saístes? Para ver um profeta? Sim, eu vos digo, e muito mais que profeta. Este é de quem está escrito: Eis aí eu envio diante da tua face o meu mensageiro, o qual preparará o teu caminho diante de ti. Em verdade vos digo: entre os nascidos de mulher, ninguém apareceu maior do que João Batista; mas o menor no reino dos céus é maior do que ele. Desde os dias de João Batista até agora, o reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele. Porque todos os Profetas e a Lei profetizaram até João. E, se o quereis reconhecer, ele mesmo é Elias, que estava para vir. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.” (Mateus Cap. XI, 7-15) (Marcos, Cap. IX, 11-13)
Prova mais evidente que essas duas afirmações de Jesus é impossível. Jesus, sendo um espírito puro poderia saber da existência anterior de João Batista e disse claramente que as pessoas fizeram o que queriam com Elias mas que não o reconheceram, e também não poderiam pois Elias estava na forma do corpo de João Batista.
Ao final deste estudo, não consigo ainda imaginar quem ainda não consegue compreender a realidade da reencarnação, sejam pelos fatos lógicos que ela encerra, seja pelas próprias escrituras que a confirmam. Basta analisarmos racionalmente nossas tendências boas ou más para termos uma idéia de quem somos. Ainda podemos ver em que áreas temos facilidade de aprendizado, confirmando que já conhecíamos o assunto.
E ainda hoje, somente não acreditarão aqueles que ainda se encontram em ignorância espiritual ou aqueles que não aceitam a tese da reencarnação por interesse pessoal ou religioso. Termino com as palavras de Jesus que soam alto aos nossos corações e que provam a existência da reencarnação: “E, se o quereis reconhecer, ele(João Batista) mesmo é Elias, que estava para vir. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.”
quinta-feira, 22 de março de 2012
terça-feira, 20 de março de 2012
Conclave de líderes espíritas
Conclave de líderes espíritas
Conforme narrado pelo espírito Ermance Dufaux no livro Reforma Íntima sem Martírio,psicografado pelo médium Wanderley Soares de Oliveira (MG), houve na dimensão espiritual, nas dependências do Hospital Esperança, situado no ambiente astral de Minas Gerais, um conclave de líderes espíritas para importantes assertivas e orientações, tendo em vista o terceiro período do Espiritismo, a iniciar-se com o novo milênio.
Para podermos repassar com mais fidelidade o que foi dito nessa reunião, vamos transcrever alguns trechos do livro acima citado:
“Faltavam apenas dez minutos para as duas horas. A madrugada revestia-se de intenso trabalho. Era a última semana do segundo milênio da era cristã. As expectativas criavam um clima psicológico na Terra de rara amplitude – uma “virada” na qual as esperanças se renovavam coroadas de júbilo e fé.
Cumprindo mais uma de nossas programações no Hospital Esperança, reunimos influente grupo encarnado de pouco mais de mil formadores de opinião no movimento espírita. Trouxemo-los para uma breve e oportuna advertência. Radialistas, unificadores, médiuns, escritores, oradores, dirigentes, apresentadores, jornalistas, expositores, diretores, estudiosos e muitos presidentes de centro espírita estavam sendo devidamente preparados há quase três dias para que pudessem cooperar com o desligamento perispiritual e ampliassem sua lucidez quanto ao tentame.
O professor Cícero Pereira foi encarregado a fazer os comentários em nome de Bezerra de Menezes e Eurípedes Barsanulfo.
Observávamos a chegada de cada um dos membros, todos em estado de emancipação e acompanhados de pelo menos três cooperadores que se revezavam em várias tarefas, junto a cada um deles. Alguns ofereciam dificuldade até para se assentarem nos lugares a eles reservados no salão, contudo, no horário previsto, tudo era calmaria e prontidão para o serviço da noite.
Aos dois para as duas horas, entraram Eurípedes e dona Maria Modesto Cravo, ladeando o amado Bezerra e o professor.”
(...) Dona Maria Modesto fez um sinal ao professor, o qual assumiu a tribuna:
- Declinarei de quaisquer detalhes que nos desaproximem do tema. Desejo que todos enriqueçam as almas nesse conclave com a paz e a esperança.
Constatamos um ascendente número de adeptos que têm desistido dos ideais de melhoria, em razão do ônus voluntário que carreiam para si mesmos ao conceberem reforma íntima como um compromisso de angelitude imediata. O momento exige autocrítica e vigilância. Além do ônus do martírio a que se impõem, ilusões lamentáveis têm povoado a mente de muitos espíritas sobre o porvir que os espera para além dos muros da morte, em razão dessa angelitude de adorno.” (Reforma Íntima sem Martírio, pág. 175, 176 e 177)
Essas palavras refletem a exata realidade, porque encontramos a cada passo companheiros muito preocupados com essa “angelitude de adorno”, ao entenderem que dirigentes, expositores, médiuns ou quaisquer trabalhadores da seara espírita precisam mostrar ao mundo que são melhores que os outros, em razão da doutrina esclarecedora que professam, ou que necessitam vestir-se com as vestes da santidade para serem recebidos nos planos superiores após a morte. Então, ouvimos nos meios espíritas frases assim: “Um espírita não pode ter raiva”; “O espírita tem que ser paciente, manso, humilde e perdoar sempre”; “O espírita não pode ter medo de morrer”; “não pode isso, não pode aquilo... tem que ser assim ou assado...” e por aí afora.
Mas será que alguém, pelo fato de ser espírita, é capaz de passar pelas injustiças que a vida muitas vezes impõe, pelas agressões, humilhações e demais situações revoltantes sem sentir raiva, embora possa controlá-la e livrar-se dela em maior ou menor espaço de tempo? Será que a maioria de nós é formada por pessoas pacientes, mansas, humildes e que sempre perdoam, sem restrições? Será que nenhum de nós sente medo de morrer?
Por que então ostentarmos qualidades que ainda não alcançamos, passando uma falsa idéia sobre nós mesmos?
Lembremos que, na codificação da Doutrina Espírita, se diz que é possível conhecer-se o verdadeiro espírita pelo esforço que faz em melhorar-se. (Item 4 do capítulo XVII de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”). E esse esforço é que deve ser a nossa bandeira, assim como os valores que já conseguimos vivenciar em profundidade.
Na verdade, as posturas delineadas para o espírita são muito difíceis de ser desenvolvidas e mantidas. Somos seres egressos de longos percursos através dos milênios, nos quais fomos aprendendo e vivenciando alguns valores positivos, mas também negativos, muitos deles completamente enraizados em nosso psiquismo. Quem cultivou a violência, o orgulho, a prepotência, o desamor, a vaidade e demais atitudes e ações negativas em suas jornadas reencarnatórias (e certamente todos nós já desenvolvemos essas culturas) precisará de muita força de vontade, esforço e persistência para transmutá-los definitivamente em valores positivos, e isto certamente demandará muito tempo, provavelmente várias encarnações. Assim, com um mínimo de reflexão, podemos perceber o quanto é utópico esse enfoque da “angelitude imediata”. No mínimo, será apenas de fachada, sem a profundidade necessária para enfrentar incólume as intempéries da vida e as situações adversas ou estimuladoras dos valores negativos enterrados no inconsciente e não completamente transmutados em positivos.
Essas posturas que foram erigidas como padrões de comportamento, conduzem muitos companheiros à acomodação, bastando-lhes aparentar as virtudes solicitadas por esses padrões para se sentirem quites com a doutrina que professam. Com isso, furtam-se às devidas avaliações de si mesmos, do que lhes vai no íntimo, perdendo valiosas oportunidades de crescimento. Essa é uma característica herdada das religiões tradicionais que se ocupam com o exterior, sem maiores compromissos com o interior, onde reside a verdade de cada um.
Nessa passarela de perfis adotados dentro da seara, além de uma “angelitude de adorno”, que agrega admiradores incautos em torno de quem a ostenta, ocorre também, com grande freqüência, o oposto, a marginalização daqueles que não conseguem dominar seus impulsos, não se adequando ao modelo que foi criado para um “verdadeiro espírita”. Quem se encontra em situação dessa natureza precisa de fraternidade e compreensão (não conivência), além do auxílio dos companheiros para não arrefecer em seus ideais, ante as dificuldades que enfrenta. Com poucas exceções, isso não acontece, ao contrário, tal pessoa vê-se logo excluída, tachada de obsediada e relegada ao abandono.
Formadores de opinião
Mas vejamos o que é um formador de opinião, tendo em vista que o conclave em referência foi realizado para os formadores de opinião espíritas. Trata-se das pessoas que desenvolvem e passam, ou repassam, idéias capazes de influenciar outras pessoas, e cujas posições ou atividades as credenciam à confiabilidade, seja esta real ou fictícia.
No contexto espírita ocorre com freqüência que um escritor, orador, ou outro formador de opinião tem uma idéia cujo conteúdo lhe parece adequado para ser inserido num livro, numa palestra ou em outro veículo, dentro da sua área de atuação. Essa idéia pode ter surgido de suas reflexões, ter-lhe sido inspirada por espíritos, ou pode ter sido ouvida ou lida em alguma parte, e ele a desenvolve de acordo com seus próprios conteúdos e/ou interesse, visando incluí-la no livro que está escrevendo, em suas palestras, em conversas habituais, ou em algo relacionado a suas atividades em prol do Espiritismo.
Acontece muito freqüentemente que aquela idéia lhe chegou (ou lhe foi enviada) visando a seu próprio enriquecimento espiritual, seu crescimento interior, mas raras vezes ela é utilizada para esse fim.
Quantos de nós que somos “passadores de idéias” estamos sempre atentos ao que nos chega, no intuito de nos apropriarmos do aproveitável, visando apenas a esse repasse, sem a preocupação de utilizá-lo em primeiro lugar para nossa própria edificação? Nosso foco está no repassar, não no apropriar. Quando nos chega alguma advertência, em vez de olharmos para nosso próprio interior à procura de identificar onde ela se encaixa, cuidamos de olhar em torno, para verificar a quem ela pode estar sendo dirigida.
Com isso perdemos as melhores oportunidades que o Alto nos dá para nossa própria edificação e, então, ao retornarmos ao mundo espiritual, a decepção e a amargura serão as nossas anfitriãs e o arrependimento tardio, o nosso companheiro de todas as horas. Tivemos sim merecimento pelo que fizemos na qualidade de formadores de opinião, mas não construímos a ponte que nos poderia elevar a planos melhores, a dimensões mais felizes. Sabemos que, para ter acesso a essas dimensões de luz, não basta o merecimento, é necessária a vivência, pois é por essa via que elevamos nossa freqüência vibratória, tornando-nos mais “leves”, ou seja, compatíveis com aquelas faixas onde a felicidade reside.
Também é importante perceber que a responsabilidade de um formador de opinião é muitíssimo maior do que a das demais pessoas, porque ele é um condutor de almas. Na seara espírita, assemelha-se ao Sacerdote, ao Pastor... É sempre responsável pelo que passa àqueles que são alcançados pelas suas palavras. Quanto maior o âmbito da sua influência ou do alcance das suas palavras, maior a sua responsabilidade.
Será que temos nós procurado refletir profundamente sobre o teor do que passamos? Ocupamo-nos, porventura, em edificar nosso interior com a argamassa dos ensinos de Jesus, a fim de podermos passar a mensagem que se desenvolve em nossas mentes, ou nos vem do Mais Alto, perfumada com o aroma da nossa realidade mais íntima? Ou será essa “nossa realidade” apenas uma aparência, um “sepulcro caiado”?
Se exercemos influência sobre outras pessoas, urge encetarmos avaliações constantes, sinceras e profundas sobre nós mesmos e retirarmos nossas máscaras, aquelas que fomos construindo ao longo dos elogios que recebemos e da admiração que possamos ter percebido nos circunstantes, porque os elogios e a admiração refletem aquilo que os outros vêem em nós, raramente a nossa realidade.
Da mesma forma, cabe-nos sempre reciclar nossos discursos, aqueles que estão nos arquivos sempre abertos da nossa mente e de onde fluem para a palestra, a conversa ou a resposta a quem que nos faz uma pergunta.
Nos meios espíritas é grande o número de formadores de opinião que sempre têm uma resposta para tudo “na ponta da língua”. Percebe-se que não refletem se aquela resposta é adequada, atual, oportuna, ou mesmo se deve ser dita. Na verdade, está-lhes faltando humildade e sabedoria: humildade para se declararem momentaneamente incapazes de responder, quando não têm certeza da resposta a ser dada, e sabedoria para dizer com acerto o que deve ser dito, ou calar o que não deve ser dito.
A reflexão constante e o constante questionamento devem fazer parte do cotidiano dos formadores de opinião, face à sua responsabilidade pelas idéias que passam ou repassam. Nos meios espíritas deparamo-nos constantemente com slogans, cujo conteúdo repassamos sem maiores avaliações sobre seu significado, como: “O silêncio é uma prece”, “Não critique, coopere” ou “O mal não merece comentário em tempo algum”. O primeiro é inverídico, porque o silêncio apenas favorece a prece. Os outros dois, interpretados de forma equivocada, têm paralisado o movimento espírita pela falta de autocrítica e de crítica construtiva. Cabe aos formadores de opinião refletir e esclarecer questões como essas, mostrando como se pode atuar construtivamente, utilizando a ferramenta da crítica com fraternidade e alteridade, sempre seguida de sugestões de melhoria. Quanto ao mal, certamente não merece comentários, quando estes nada possam acrescentar ou construir de bom, mas seremos cegos tentando conduzir outros cegos se restringirmos nossa visão apenas ao bem que encontramos em nossos caminhos.
Envergonhados e atormentados
E Cícero Pereira continua, esclarecendo:
“Aqui mesmo nesse nosocômio enfrentamos situações severas da parte de homens e mulheres, os quais foram agraciados com o conhecimento e o trabalho nos campos educativos da seara espírita e que, a despeito de suas honrosas fichas de prestação de serviços, encontram-se envergonhados uns e atormentados outros, porque descuidaram do erguimento dos valores eternos na sua intimidade. Muitos deles, aliás, não esqueceram a reforma íntima, mas não souberam edificá-la.” (Idem pág. 177)
Vemos nessas palavras um fato comum nos meios espíritas; percebe-se que não há muita clareza nas definições, misturando-se muitas vezes a idéia de merecimento com a de evolução, quando as duas refletem situações bem diversas.
Merecimento é resultado de ações exteriores e evolução é algo que se processa na intimidade da alma.
Mas se as ações meritórias são movidas pelo amor, ou seja, se são atos de amor, então são duplamente proveitosas, porque quem assim age está ganhando méritos que representam créditos para quem as pratica, e são importantes para quem as recebe. Ocorre, no entanto, que quem amealha apenas merecimentos, sem desenvolver os valores da alma, assemelha-se a um pássaro com uma só asa. Não conseguirá alçar vôo elevando-se aos altiplanos de luz, onde a felicidade habita.
Ocorre também que pelo fato de as ações exteriores que proporcionam merecimento serem bem mais fáceis e ficarem mais à vista que a construção dos valores da alma, a tendência é optar pelas primeiras, empurrando-se a segunda para um futuro qualquer, talvez para depois do retorno ao mundo espiritual, quem sabe, com a errônea idéia de que lá seja mais fácil cultivá-las.
Mas, pelo que dizem os espíritos, o número de decepcionados na dimensão espiritual é muito grande. E eles não se sentem apenas decepcionados, mas também profundamente arrependidos e amargurados por causa das oportunidades perdidas.
Maioridade do Espiritismo
Cícero Pereira continua:
“Tivemos três fases bem marcadas e entrelaçadas no movimento humano em torno das idéias espíritas: o fenômeno, a caridade seguida da difusão e agora, mais que nunca, a interiorização. Estamos no período da maioridade, preparando-nos para a aquisição de valores incorruptíveis. Nossa meta é o Espiritismo por dentro, o intercâmbio de vivências morais à luz das bases que consolidam a lógica do pensamento espírita.” (Idem pág. 178)
Esse período da maioridade do Espiritismo ao qual se refere Cícero Pereira, foi anunciado por Bezerra de Menezes num discurso que fez para mais de 5.000 espíritos desencarnados e encarnados num encontro na dimensão espiritual, ao término do Congresso Espírita Brasileiro de 1999, ocorrido em Goiânia-GO, e narrado no livro Seara Bendita, psicografado pelo médium Wanderley S. de Oliveira. Nesse discurso Bezerra informou que o Espiritismo está entrando em sua terceira fase, esclarecendo que a primeira, de 70 anos, representara a legitimação da ciência e da filosofia espírita; a segunda, com idêntica duração, fora a da proliferação do conhecimento espírita e a terceira, a iniciar-se com o novo milênio, daria lugar à maioridade das idéias espíritas. Será, conforme afirmou, o período da atitude, quando a essência da doutrina, os seus ensinamentos éticos, deverão ser vivenciados e não apenas falados.
Santificação de adorno
Cícero Pereira continua, esclarecendo:
“Inspirados em padrões de comportamentos rígidos da religião organizada, muitos discípulos da “boa nova espírita” asseveram seguir os exemplos de Jesus e de Kardec guardando cenho carregado e distância das atitudes espontâneas de alegria e afeto, alegando seguir as orientações doutrinárias como se houvesse um estilo exterior e predefinido de reconhecimento dos espíritas. A grandes malefícios tem levado essa cultura de “santificação de adorno” por impedir as criaturas a uma incursão nas profundezas de si mesmas, objetivando identificar as necessidades individuais de aprimoramento. Cada espírito tem imperfeições próprias, únicas, e, também, qualidades em diversificada intensidade e característica, não sendo útil e nem sensato a adoção de um elenco de convenções religiosas de fora para dentro para serem seguidas.” (Idem pág. 178)
“Santificação de adorno...” Reflitamos por instantes. Percebe-se que esse tipo de “santificação” está no nosso exterior, como mera vestimenta ou adorno a ser mostrado aos outros, principalmente aos companheiros da seara, por receio de sermos por eles julgados e tidos como “maus espíritas”, ou seja, de cairmos no conceito da comunidade em que estamos inseridos. Mas lembremos que Jesus enfatizou muito essa questão das aparências e a própria lógica nos diz que ela não tem qualquer consistência. Ao contrário, é muito prejudicial à nossa evolução porque nos leva, ao longo do tempo, a acreditar que realmente somos o que aparentamos, engano que nos custará muitas dores, tristezas e arrependimento após ingressarmos no reino da verdade pelas portas da desencarnação.
Então pergunto: o que é mais importante? crescer no conceito da nossa comunidade, mas sofrer no além-túmulo, carregando seqüelas para as futuras encarnações? ou conduzir-nos (nos pensamentos, atitudes, palavras, sentimentos e ações) visando tão somente buscar nosso crescimento interior, apoiando-nos, inclusive, uns nos outros, para mais facilmente podermos alcançar nossas metas, sem recear julgamentos humanos, nem mesmo discriminações?
Essa segunda opção certamente é bem mais difícil, mas de que vale caminhar por caminhos mais fáceis quando encarnados, para depois sofrer no mundo espiritual e ter de recomeçar tudo em futuras encarnações? Aqui cabe lembrar aquela conhecida exortação de Jesus: “Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta que leva à perdição”.
Gostar das pessoas
Voltemos a Cícero Pereira, que conclama:
“Motivemos os núcleos espiritistas a uma campanha de esforços pela implantação da noção de “escola do espírito”, erguendo trincheiras seguras e generosas para o entendimento mais consistente do ato de educar a si mesmo.”
(...) Nessa “escola da alma” pensemos os valores humanos como metas possíveis e não como virtudes angelicais, das quais permanecemos muito distantes da possibilidade de experimentá-las.”
(...) Mais do que práticas e instituições é necessário preparar o seguidor da doutrina para aprender a gostar de relacionamentos. Com raríssimas exceções, o espírita, assim como a maioria dos homens reencarnados, não aprendeu a gostar das pessoas com as quais convive, descobrir-lhes as virtudes, encantar-se com suas diferenças, cultivar a empatia. Muitos agem como se pudessem beneficiar-se das práticas que tanto amam sem ter que suportar o “peso” das imperfeições alheias – o que muito lhes agradaria. Ama-se muitas vezes com mais alegria o Centro, suas dependências e tarefas, que aqueles que nele transitam... Há companheiros com mais cuidado com seus livros espíritas que com os amigos de tarefa...” (Idem pág. 180)
Sentir amizade, gostar das pessoas com as quais se convive, cultivar a empatia, são conselhos extremamente importantes, e em se tratando de assim proceder na instituição espírita, tornam-se essenciais. Lembremo-nos das afirmativas do Mestre: “Meus discípulos serão conhecidos por muito se amarem”. A constante prática da afetividade, do cultivo da amizade, da empatia, mesmo de maneira forçada, como obrigação que alguém se impõe, leva essa pessoa, pouco a pouco, a desenvolver amor, a maior e mais plena das virtudes. Nos locais onde se cultiva a afetividade é possível senti-la no próprio ambiente. Quando isto ocorre num centro espírita este se torna muito mais agradável e mais propício a oferecer melhor auxílio a quem o procura, necessitado de ajuda. Torna-se também mais capacitado a mais plenas manifestações espirituais.
Quando ingressamos num local onde as pessoas desenvolvem a afetividade, podemos facilmente percebê-la pelas sensações e pelos sentimentos que passamos a nutrir. Por vezes essas sensações são tão fortes que podem até levar pessoas sensíveis às lagrimas.
Se você é dirigente espírita, ou se tem alguma influência no centro que freqüenta ou onde trabalha, pense na importância de incentivar os trabalhadores da casa, e também os freqüentadores, a desenvolverem sentimentos de amizade, de amor fraterno. Isto pode ser viabilizado pelas mais diversas formas: campanhas com a colocação de cartazes e distribuição de folhetos incentivando à vivência do afeto; criação de slogans; rápida abordagem desse tema antes e/ou após as palestras públicas; promoção de reuniões específicas visando desenvolver a afetividade, estimulando sempre os companheiros nesse sentido, e outras ações semelhantes.
Vivência
Voltemos à palestra de Cícero Pereira:
(...) O espírita passou a ser um conhecedor da vida espiritual e suas leis, mas continua ignorante sobre si mesmo, o autoconhecimento. Temos aqui mesmo no Hospital Esperança muitos devotos que detinham toda a história do Espiritismo na memória, conheciam bem todos os clássicos da Doutrina, contudo, não se esforçavam para estampar um sorriso aos companheiros de grupo.” (Idem pág. 181)
Essas palavras dão o que pensar. De que vale uma cabeça repleta de conhecimento superior sobre um coração vazio de amor?
Foi por muito refletirmos nessas questões que em nosso último livro, A TRANSIÇÃO está pedindo mudanças, sugerimos aos dirigentes espíritas algumas mudanças em algumas metodologias, como a inclusão de atividades dedicadas à vivência espírita nas reuniões de Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita – ESDE, ou de quaisquer outros modelos de estudos doutrinários. A idéia é a de intercalar estudo com vivência, ou seja, uma reunião doutrinária e outra de vivência, ou crescimento interior, porque, se não conseguimos vivenciar o que estudamos e pregamos, seremos como balões vazios que não sairão do chão, em busca das alturas. Nessas condições, como poderemos pretender melhorar o mundo, ou minimamente nosso próprio âmbito de influência? De que vale conhecermos profundamente a Doutrina Espírita, nos extasiarmos ante a perfeição das leis maiores que vamos descortinando através desse conhecimento, se em nossos espaços interiores não conseguimos desenvolver o amor, a humildade e demais valores?
Ora, se a vivência desses valores é tão difícil que preferimos relegá-la a segundo plano, ou “empurrá-la com a barriga” e, por outro lado, sendo ela o aspecto mais importante do Espiritismo..., o que nos poderia dizer o bom senso? Que faríamos se enfrentássemos situação semelhante em nossa vida material? Certamente iríamos priorizar a busca de soluções. Quando uma pessoa ou um grupo deseja real e decididamente ganhar pontos em sua evolução, saberá encontrar meios para tanto.
Refletindo sobre tudo isso, concluímos que há uma forma bem mais fácil e proveitosa para evoluir e que poderia ser adotada nos centros espíritas, como orientação primordial, tanto para os trabalhadores, quanto para os freqüentadores. Ela está num contínuo ocupar-se em desenvolver sempre em todo o ser um sentimento de fraternidade ou de amor universal, dentro de um enfoque alteritário, porque o amor, quando vivenciado junto com a alteridade, representa uma extraordinária força de crescimento em nossa evolução espiritual.
No amor estão embutidas todas as demais virtudes, e na alteridade encontramos o melhor instrumento para uma convivência fraterna e harmoniosa.
O amor inclui a solidariedade, a compreensão, o perdão, a ajuda mútua, a humildade...
O amor exclui o despeito, a maledicência, os melindres, as fofocas, as críticas negativas, as malquerenças, o orgulho, a vaidade, a ambição...
Imagine-se a seguinte situação:
“Alguém faz uma auto-avaliação e conclui que está precisando corrigir-se do melindre, da vaidade, do egoísmo, da prepotência e do rancor, entendendo que deve priorizar o combate ao egoísmo, seu valor negativo mais forte, para depois passar aos demais, cinco ao todo”.
Mesmo que fique atento, tempo integral, à determinação de liberar-se do egoísmo, quanto tempo levará para consegui-lo?
E os outros quatro valores negativos restantes?
Mas se essa pessoa se fixa em apenas uma ação constante, a de imprimir em seus sentimentos o amor pleno, com essa única ação, estará transmutando aqueles cinco valores negativos em positivos. A contínua prática desse exercício acaba transformando-se em hábito, criando raízes, implantando-se no subconsciente ou no inconsciente, passando, com o tempo, a fazer parte da personalidade. E se acrescentar a esse foco a alteridade, com essa ação dupla – imprimir em todo o ser o amor e a alteridade – estará trabalhando intensa e proveitosamente pelo ganho e fixação de valores morais e espirituais, ou seja, pela sua reforma íntima.
Os sentimentos de amor e fraternidade no âmbito físico têm o poder de relaxar, eliminar estresse e possibilitar melhor circulação de energias no organismo, além de fortalecer o sistema imunológico. Equivalem à saúde e ao bem-estar.
No âmbito espiritual, são o melhor antídoto para o orgulho, o egoísmo, a ambição, a ganância, a agressividade e tantos outros valores negativos. Predispõem à paz, à brandura, ao bom relacionamento, à compreensão, à tolerância, ao equilíbrio e a diversos outros valores positivos, abrindo caminhos para a sabedoria.
O amor é um estado de espírito. A alteridade representa um elevado nível de compreensão.
Os sentimentos fraternos e alteritários, envoltos em júbilo, refletem o esplendor das leis de Deus. Imprimi-los continuamente nas próprias emoções é caminhar nessa luz.
Esta é uma das maneiras mais fáceis de crescer interiormente. Basta querer.
Pensemos então nos extraordinários ganhos dos centros que adotarem como bandeira a exortação constante para a aplicação dessa simples fórmula: um contínuo ocupar-se em desenvolver sempre em todo o ser um sentimento de fraternidade ou de amor universal, dentro de um enfoque alteritário.
Alteridade
Para melhor compreensão sobre alteridade, vamos nos valer da explicação dada por Marcelo Henrique Pereira, Diretor de Política e Metodologias de Comunicação da Associação Brasileira de Divulgadores do Espiritismo (ABRADE), a um participante de uma das listas dessa entidade na Internet:
O “movimento alteridade na seara espírita” consiste numa proposta clara de entendimento entre os espíritas, com base no respeito recíproco.
A bandeira da alteridade vem sendo defendida por nós, da Associação Brasileira de Divulgadores do Espiritismo (ABRADE), como uma proposta de entendimento interpessoal, à luz da filosofia espírita.
A postura ou comportamento alteritário pressupõe “colocar-se no lugar do outro”, aprender com ele, com suas experiências, princípios e teorias.
Num diálogo, não devemos estar preocupados em “convencer” o outro sobre nossas verdades pessoais. Pelo contrário, é preciso aproveitar a rica ocasião do convívio para crescer enquanto pessoa e permitir o crescimento do outro.
Comumente, em diversas situações de nossa existência, quando travamos contatos, sobretudo nos ramos diversos de nossa participação na vida, temos a intenção de convencer os outros sobre nossos argumentos.
No movimento espírita – e, conseqüentemente, na vida – percebemos, nós, a necessidade de humildade e fraternidade, abrindo possibilidades de aprendizado e crescimento a partir das informações e comportamentos do outro, com quem estabelecemos relações.
Esta atitude de “desprendimento”, de “abertura”, de “conviviabilidade”, acaba sendo importantíssima para a formação do “conhecimento coletivo”, em que as soluções, as alternativas, as propostas, surgem do amadurecimento coletivo.
Evidentemente, o processo é a médio e longo prazos, pois não se trata de uma “fórmula”, uma “bula” de posicionamento, mas uma conquista, uma conscientização, paulatina e constante.
É importante, nos núcleos de filosofia espírita, que possamos exercitar a convivência e a ambiência democrática e participativa, sem nos esquecermos, é claro, das balizas que norteiam qualquer associação e/ou trabalho.
Não se trata, pois, da pregação da “anarquia”, nem da ruptura total de condicionantes e regulamentos.
É, acima de tudo, uma vivência espírita, que se torna natural na medida em que, individual e coletivamente, invistamos no processo.
Em nossa homepage (www.abrade.com.br), temos material sobre a alteridade.
Recomendamos, ainda, a leitura de alguns livros que têm sido lançados, que traduzem o pensamento e os ideais da espiritualidade e do próprio movimento espírita, para estes novos tempos.
Entre eles, citamos: “A transição está pedindo mudanças” (Saara Nousiainen, Ed. Caminhos de Harmonia/ABRADE), “Seara bendita” (Diversos Espíritos/Maria José e Wanderley Soares de Oliveira/INEDE) e “Nosso endereço de luz pede mudanças” (Saara Nousiainen, Ed. Caminhos de Harmonia).
Importante é destacar que o comprometimento dos espíritas interessados é a necessária alavanca para a construção de novas relações humanas, tanto no cenário espírita como fora dele.
Você é nosso convidado para fazer parte deste movimento.
Venha conversar conosco (abrade@abrade.com.br)!
Um novo tempo começa a ser construído.
Paz e Alteridade.”
Como vemos, alteridade pode ser assim resumida:
1 - disposição para aceitar e aprender com os que são diferentes e pensam diferente de nós;
2 - construção da fraternidade apesar das divergências, respeitando-as e procurando aprender com as diferentes opiniões, entendendo-se que vivenciar o valor da alteridade não quer dizer deixar de discutir, debater, questionar. A discussão, o debate e o questionamento são saudáveis quando se respeita a maneira de ser e de pensar do outro.
As idéias alteritárias também alicerçam a Política de Comunicação Social Espírita (PCSE) que a ABRADE vem discutindo junto ao movimento espírita, e que pode ser sintetizada em dez pontos principais:
1. Aceitar as participações para o debate, mesmo que elas sejam divergentes da maioria;
2. Valorizar o diálogo, o intercâmbio e a liberdade de pensamento;
3. Disseminar a idéia da fraternidade como relação de alteridade;
4. Valorizar a relação com outras identidades culturais;
5. Priorizar as pessoas acima da instituições;
6. Estabelecer a ética da fraternidade como critério de união inter-institucional;
7. Inserir o sujeito não espírita, em regime de diálogo, no debate espírita;
8. Gerar benefícios sociais pela participação em parcerias nas campanhas públicas;
9. Superar quaisquer barreiras discriminatórias e compreender as diferenças;
10. Reconhecer a legitimidade do outro e de sua autonomia.
Crescimento interior
Muitos espíritas entendem que o mero estudo doutrinário dará subsídios para a reforma íntima, ou crescimento interior, e que não são necessárias ações mais objetivas nesse sentido, mas a realidade nos mostra que não é assim. Essa reforma, ou crescimento, pelas imensas dificuldades que apresenta, requer esforços dirigidos, organizados e permanentes. Também não pode ser relegada ao tempo, ao crescimento natural do ser, nem mesmo aos auxílios decorrentes do estudo doutrinário. O estudo esclarece, mas para alavancar a reforma, ou o crescimento interior do ser, em razão das grandes dificuldades que apresenta, é preciso mais que esclarecimentos e conhecimento. É preciso ação, uma ação organizada, roteirizada, priorizada. E é ai que entra a responsabilidade dos dirigentes espíritas, porque tais ações dependem deles. A implantação de reuniões e/ou “oficinas” voltadas ao crescimento interior está nas mãos dos dirigentes. A viabilização de campanhas dirigidas à reforma íntima também está em suas mãos.
O dirigente espírita é alguém que detém graves responsabilidades, e uma delas é conduzir o “seu rebanho” pelos melhores e mais adequados caminhos, visando sempre a sua evolução. Assim, se você é dirigente espírita ou detém influência em qualquer área da seara que freqüenta ou na qual trabalha, pode simplesmente omitir-se, tornando-se responsável por essa omissão. Mas pode também começar a refletir detidamente sobre essas questões e, acima de tudo, arregaçar mangas, juntando-se aos que já se mobilizaram visando a essa meta.
Talvez você diga que não tem “poderes” para implementar campanhas, mudar metodologias ou promover quaisquer outras ações relacionadas ao crescimento interior do grupo, ou grupos, de que participa. Ocorre que SEMPRE é possível fazer-se algo, nem que seja assimilando idéias e passando-as adiante, conversando com uns e outros, principalmente com aqueles que detêm os “poderes” em referência. Por mais que alguém se ache insignificante, sempre poderá exercer influência, boa ou má, nos ambientes em que estagia ou por onde circula.
Fantasias
Mas voltemos a garimpar algumas valiosas pepitas da palestra de Cícero Pereira:
(...) Assim expressamos com rigor, para que não estimulem em suas fainas de formação de opinião as expectativas de angelitude após a morte corporal. Por mais nobres sejam as obras que ergamos, por mais devoção a elas ofereçamos, torna-se imperioso o desapego de fantasias de merecimento em torno de supostas honrarias no reino dos espíritos. Adotemos a condição de aprendizes e servos, pelo bem de nossa paz. Nossas atividades, por mais nobres, não passam de frutos da boa-vontade de quem está recomeçando.” (Idem pág. 181)
Qual de nós, que nos dedicamos à faina nos arraiais espíritas, pode olhar para trás, fazendo inventário de tudo que conseguiu realizar, e não nutrir a expectativa de um retorno glorioso à dimensão espiritual após sua desencarnação, ou, no mínimo, a de receber algumas honrarias, ou pelo menos louvores e agradecimentos pelo que realizou na Terra? Quantas reportagens nos chegam do outro lado da vida, através da psicografia e da psicofonia, narrando as desventuras de espíritos que partiram daqui na doce expectativa de grandiosas recepções no mundo espiritual e acabaram sofrendo terríveis decepções. Na verdade, dar o melhor de nós mesmos pela doutrina que esposamos, certamente gera merecimento, mas também reflete a oportunidade de resgates e de reajuste com as leis maiores. E mesmo que não haja erros do passado a resgatar, se o móvel de alguém, ao desenvolver atividades no âmbito espírita, é tornar-se merecedor de aplausos e honrarias, o valor da obra se esvai na vaidade. Portanto, o espírita esclarecido trabalha apenas por amor, por um impulso interior a fim de fazer o bem, entendendo que esta é a parte que lhe cabe na divina tarefa da evolução. Seu salário não será pago com qualquer tipo de honraria, nem em vantagens adicionais, mas com o júbilo que advém da própria realização e da consciência em harmonia com as leis de Deus.
Reforma íntima X policiamento
Voltemos a Cícero Pereira:
(...) Nosso apelo a todos que aqui se encontram, perante a toga da responsabilidade de serem influentes líderes da comunidade doutrinária, é a de que debrucem sobre o tema pouco devassado da conquista de si mesmos e nos auxiliem a estender um “programa de moralização dos conceitos espíritas”, promovendo a casa espírita ao ideário de ser uma autêntica “escola do espírito”. A reforma íntima, tão decantada, não tem sido devidamente aplicada.” (Idem pág. 183)
Observe, caro leitor, a importância desse apelo para os líderes da comunidade doutrinária espírita buscarem a conquista de si mesmos, a sua edificação interior, a fim de se tornar aptos a ajudar os espíritos benfeitores a desenvolverem um programa de “moralização dos conceitos espíritas”, visando transformar os centros em autênticas “escolas do espírito”, indicando que isto se faz a partir da reforma íntima.
Mas o que é exatamente uma reforma íntima? Parece-nos imperioso fazer-se uma análise mais abrangente sobre o que ela realmente significa, porque muitos a confundem com policiamento e cobrança. Há companheiros que, policiando a si próprios, ao perceberem que “resvalaram”, descumprindo algum ponto do que entendem como “conduta espírita”, passam a cobrar de si mesmos, às vezes com excessivo rigor e de forma até prejudicial. Diria mesmo que esse excesso de zelo e cobrança refletem amiúde a vaidade de quem não aceita sua condição de criatura imperfeita, em fase evolutiva não muito avançada. Essa cobrança, quando excessiva, prejudica a auto-estima e pode levar a um estado negativo de desânimo, de estagnação, ao catalogar a condição de verdadeiro espíritacomo algo inalcançável. Quando equilibrada, é fator de crescimento. Mas há também os que vivem policiando os outros, exortando-os continuamente quanto às tais normas de conduta que devem ser seguidas pelos “verdadeiros espíritas”, numa sucessão de cobranças que podem prejudicar seu livre crescimento e a alegria de ser, viver e evoluir, levando-as, conforme o caso, a desenvolverem a tal “santidade de adorno”. A cobrança, conforme Cícero Pereira, gera angústia e somente o esforço sereno leva à libertação.
Portanto, pela dificuldade em se definir o que realmente significa reforma íntima e como realizá-la, vemos a necessidade de o movimento espírita debruçar-se intensamente sobre esta questão, tornando-a tema de debates, além de desenvolver atividades destinadas a facilitar e/ou promover o crescimento interior daqueles que militam em seus arraiais.
Temos dado preferência ao termo crescimento interior, em vez de reforma interior, porque a palavra reforma indica uma ação, a de reformar e, depois, a estagnação. Já o crescimento implica em aquisição de valores em todos sentidos das necessidades humanas, não apenas das virtudes, mas também de tudo o mais que possa levar a pessoa a sentir-se plena, feliz, com equilíbrio e bem-estar, capaz de interagir de forma benéfica com tudo que o cerca, desde a comunidade em que está inserido, até a própria natureza. É uma ação contínua.
Esse crescimento pode ser natural, desenvolvendo-se no bojo do tempo e das experiências reencarnatórias. Mas também pode ser consciente, ou seja, planejado, organizado e autocomandado.
Crescer interiormente equivale a:
a) desenvolver virtudes;
b) assimilar aprendizados diversos;
c) adquirir equilíbrio mental, psíquico e emocional;
d) conquistar bom relacionamento consigo mesmo e com os outros;
e) amadurecer;
f) desenvolver maior comando consciente de si mesmo (orgânico, mental e psíquico);
g) desenvolver contentamento;
i) liberar-se de traumas, fobias, medos, ansiedades, frustrações...
Auto-suficiência espiritual
Diz ainda Ermance Dufaux que, ao final do conclave, vários trabalhadores do Hospital Esperança aproximaram-se dela e de dona Maria Modesto com perguntas. Uma delas referia-se a um certo estado de desagrado que haviam percebido em vários companheiros reencarnados, ao ouvirem certas passagens da fala de Cícero Pereira. A esta indagação D. Maria Modesto respondeu:
“São almas que lutam tenazmente com suas tendências. (...) são os mil líderes espíritas encarnados que mais padecem de um terrível mal, o qual assola a maioria das leiras do serviço do Cristo nas expressões religiosas de todos os tempos.” (...) É a doença da auto-suficiência espiritual ou o fascínio com a importância grandiosa que muitos corações supõem possuir nos serviços de Jesus. Os amigos espíritas, especialmente os mais experimentados na arte de liderar, precisam vigiar com muita cautela o encanto que têm devotado a suas “folhas de serviço”. Bastas vezes confundem quantidade de tarefas e realizações com ascensão evolutiva, como se fizessem carreira nos ofícios de sua espiritualização. (...) Temos por aqui vastos pavilhões de médiuns, divulgadores, escritores, evangelizadores da juventude, presidentes de centros espíritas, dispensadores da caridade pública, todos abençoados com as luzes da Doutrina Espírita, entretanto, sem conquistarem sua luz própria. Sufocaram-se no orgulho com a cultura e a experiência doutrinária e negligenciaram o engrandecimento moral de si mesmos através da reeducação dos hábitos e da aquisição de virtudes essenciais.” (Idem pág. 184 e 185)
Essas explicações de dona Maria Modesto certamente serão matéria para muita reflexão da parte daqueles que se interessam pela própria evolução e futuro espiritual, particularmente no que tange às agruras daqueles internos do Hospital Esperança que foram espíritas, influentes ou não, quando encarnados, e não souberam ou não quiseram encetar a maior das empreitadas, o desenvolvimento dos valores da alma. Nada nos fala tão forte quanto a mostragem da situação daqueles que jornadearam pelos caminhos por onde andamos agora.
Felizes aqueles que aprendem com as experiências alheias.
Respondendo a outra pergunta sobre quais as chances de sucesso daquele conclave, dona Maria Modesto responde:
“Apesar do êxito deste momento, as chances são muito reduzidas de que nossos irmãos aproveitem a ocasião tanto quanto necessitam. Eles já perderam o gosto de ouvir, adoram mesmo é falar muito. Seus ouvidos não estão conforme a assertiva evangélica, ouvidos de ouvir.” (Idem pág. 187)
É triste termos que concordar em que há infinito número de companheiros espíritas, particularmente formadores de opinião, que se ocupam tanto em falar, falar... sempre falar, que não assimilam o que lhes é dito. E quando alguém intenta dizer-lhes algo, é logo cortado, e mesmo que seja escutado, percebe-se claramente que o “falador”, quando ouvinte, nada apreende. Sua mente está ocupada em pensar no que irá continuar dizendo, completamente desinteressado do que ouve, como se fosse ele o dono e senhor do conhecimento e da verdade, e todos os demais nada soubessem que lhe pudesse ser de utilidade.
Dona Maria Modesto continua:
“(...) Não somente esses mil. Mas uma infinidade de homens e mulheres da direção nos arraiais espiritistas se encontram nas garras da auto-suficiência, fascinados por seus feitos e com sua bagagem, nutrindo pouca disposição para serem avaliados e criticados em suas idéias e ações. Gostam mesmo é de serem admirados e aprovados sem restrições, sendo que alguns adoram impressionar...
(...) Muitos e graves episódios de fascinação coletiva rondam a Seara Espírita em razão desse lamentável quadro de personalismo e vaidade.
(...) basta olhar os pavilhões deste hospital lotados de dirigentes que não souberam se diminuir para que o Cristo crescesse. Ajudaram muitos a se renovarem, mas não cuidaram tanto quanto careciam da mudança interior de si próprios.
(...) As almas que cristalizarem o pensamento nos redutos do preconceito ou do dogmatismo enfrentarão sofrida crise de impotência, amargando o vexame e o desânimo. É por amor aos nossos líderes espíritas que aqui os trouxemos. Mais que nunca precisarão sedimentar em seus atos a tolerância construtiva, visão futurista, empatia com o próximo e desapego de suas realizações pessoais – quesitos essenciais para formarem o clima do diálogo e do entendimento com alteridade, as únicas vias de acesso ao paradigma do século XXI que estabelece a parceria solidária e pacífica como alvo de todas as aspirações sociais e humanitárias. Se rebelarem e fixarem na condição de apaixonados por suas obras, experimentarão a falência e a angústia quando aqui aportarem. (...) Se os avisamos agora é para que não se queixem depois.” (Idem pág. 188, 189 e 190)
Será que conseguimos nos dar conta da seriedade dessas advertências?
Será que vamos continuar indiferentes, ou vamos levantar a bandeira das mudanças necessárias, começando pelas nossas próprias posturas ante a vida e o Espiritismo?
Atualização de metodologias, comportamentos, práticas e conceitos
A uma nova pergunta dona Maria Modesto responde:
(...) O Espiritismo penetra seu terceiro ciclo de setenta anos no qual se concretizará a maioridade das idéias espíritas. Nossos companheiros, se souberem adequar, serão excelentes operários de um tempo novo. Uma geração nova regressa às fileiras carnais da humanidade para arejar o panorama de todas as expressões segmentarias do orbe, interligando-as e projetando-as a ampliados patamares de utilidade. O movimento espírita não ficará fora desse contexto, sendo bafejado por um processo de atualização de metodologias, comportamentos, práticas e conceitos, o que ensejará uma cultura cujos traços serão o pluralismo e a lógica. (Idem pág. 189)
Nos últimos anos, vêm-se observando inúmeros movimentos em várias partes da Terra, visando à busca aos valores humanos, ao crescimento interior. Há a clara percepção de que os modelos atuais não são bons porque levam ao sofrimento e à destruição. Inúmeros livros têm sido e continuam a ser escritos pelos mais diversos autores, dentro e fora do âmbito espírita, através da mediunidade ostensiva ou pelas vias da inspiração ou “canalização”, como também é conhecida, desenvolvendo e aprofundando esses temas, esclarecendo e ajudando milhões de pessoas em suas dificuldades evolutivas a encontrarem meios mais adequados e mais eficazes para fazerem medrar os valores da alma. Algumas ciências, como a Psicologia, também vêm se ocupando com essas questões, procurando meios para ajudar as pessoas em seu crescimento interno, na busca dos valores humanos, reconhecendo que apenas pela vivência desses valores é possível alcançar-se o equilíbrio e o bem-estar interior.
Vemos assim como as informações de dona Maria Modesto e outros muitos Espíritos sobre essa nova geração que regressa às fileiras carnais da humanidade para arejar o panorama de todas as expressões segmentárias do orbe, vêm se concretizando. Isto vem confirmar a imperiosa e urgente necessidade de o movimento espírita começar a despertar para estas realidades e mobilizar-se para as necessárias mudanças, tanto em algumas metodologias, quanto em alguns enfoques e conceitos, visando a buscar novos caminhos para a sua própria reforma e crescimento, nos rumos da vivência do amor, da humildade e da alteridade. Estes temas são ampliados e aprofundados no já citado livro de nossa autoria A TRANSIÇÃO está pedindo mudanças.
Para os dirigentes espíritas e/ou companheiros que quiserem desenvolver atividades visando ao crescimento interior de si mesmos ou dos grupos que freqüentam, colocamos à disposição o livro de nossa autoria Crescimento Interior, que contém um roteiro para trabalhos em grupo, como oficinas, e um manual individual. Esse livro é vendido a baixo custo para que qualquer pessoa possa adquiri-lo. Para os membros dos grupos que quiserem adotá-lo, é repassado a preço de custo.
Quanto aos centros espíritas, há muitas maneiras de procurarem desenvolver, naqueles que circulam entre suas paredes, uma cultura de crescimento interior. Isto pode ser feito através de reuniões específicas, oficinas, inserção desse tema nas reuniões, distribuição de folhetos apropriados, colocação de cartazes, como: “Pense nas pessoas que estão neste ambiente e envolva-as numa vibração de afeto, confiança e alegria.” ou “Quer evoluir? Passe a desenvolver de forma contínua um estado de espírito fraterno e jubiloso”.
Se a diretoria de um centro se reúne visando a determinado fim, certamente encontrará os melhores caminhos para alcançá-lo.
Se você, amigo leitor, sintoniza-se com as idéias que aqui foram colocadas, junte-se a nós na tarefa de divulgá-las e para trabalhar a fim de que sejam aplicadas na prática.
Esses primeiros passos neste novo período do Espiritismo requerem dos espíritas conscientes mais participação e mais dedicação à causa que abraçaram.
Para finalizar, vamos transcrever um texto de Marcelo Henrique Pereira, Diretor de Política e Metodologias de Comunicação da Associação Brasileira de Divulgadores do Espiritismo (ABRADE), conforme veiculado na Home Page dessa instituição (www.abrade.com.br), que reflete importante material para reflexão e incentivo à prática da fraternidade entre companheiros de seara.
Próximos e Distantes
Pense no trabalho que você realiza na Instituição Espírita com a qual mantém laços de afinidade. Recorde todos aqueles momentos em que, desinteressadamente, você deixou seus afazeres particulares, para realizar algo em prol dos outros – e, conseqüentemente, para si mesmo. Compute todas aquelas horas que você privou seus familiares e amigos mais diletos da convivência com você, por causa desta ou daquela atividade no Centro. Ainda assim, rememore quantas vezes você deixou seu bairro, sua cidade, e até seu estado ou país, para realizar alguma atividade espírita, a bem do ideal que abraçaste...
Pois bem, foram vários os momentos de serviço, na messe do Senhor, não é mesmo?
Quanta alegria experimentada, quanta gente nova que você conheceu, quantos “amigos” você cativou, não é assim?
Tão próximos... Você e os outros... Pareciam, até, uma família!
Agora, dedique alguns minutos de sua atenção para vislumbrar o cenário que vamos reproduzir aqui. Garantimos que ele é a mais pura expressão da verdade. A semelhança deste relato com os fatos e acontecimentos da vida real não terá sido mera coincidência.
A personagem de nossa história é uma senhora idosa, 70 e poucos anos. Depois de uma vida ativa, no serviço público, no intercâmbio familiar, onde criou seus filhos e netos, e do trabalho de algumas décadas nas instituições espíritas da região, em diversificadas atividades, adoeceu. Gravemente enferma, não pode mais se dirigir ao centro, para continuar fazendo com carinho o que sempre fez, atender àqueles a quem tanto consolou e amou. Dos amigos do centro, apenas uma vaga lembrança, porque nunca recebeu uma visita, nem daqueles que lhe eram mais próximos, com os quais nutria uma maior afinidade. Abandonada, até pelos entes mais próximos, está triste, deprimida, desconsolada...
Onde estão nossas tão decantadas fraternidade e solidariedade espíritas? Onde foram parar seus “amigos”? Até que ponto nós que ombreamos lado a lado as atividades da seara espírita prezamo-nos mutuamente, de modo que, entre nós, além do coleguismo do convívio, sejam formados laços reais de amizade e companheirismo?
Ou será que eles, os colegas de trabalho e atividade espírita não perceberam que aquela senhora, de repente, não apareceu mais? Que ela possa estar doente ou necessitada? Será que ela não estará precisando de alguma coisa? Ou, transmutando a situação para nós, que estamos “no centro”, será que nunca perguntamos onde os membros do nosso grupo moram, nem nunca fomos fazer-lhe uma visita, só para saber onde eles moram? Ou, ademais, nunca os recebemos em nossa casa, porque nos falta tempo, ou porque “não queremos misturar as coisas”?
Sentimo-nos muito tristes...
Decepcionados conosco mesmos...
E, ao vermos tanta perda de tempo no movimento dos espíritas, para discutir “o sexo dos anjos”, a “pureza doutrinária”, “o que é ou o que não é espiritismo”, se “é ou não é religião”, se Cristo “foi isto ou aquilo”, se aquela casa, que realiza a atividade “x”, “é ou não é genuinamente espírita”, que deixamos de lado a “poesia” da mensagem espírita, que consola e esclarece, que levanta e acaricia, que intui e liberta, fique presa aos condicionamentos e às exterioridades dos rótulos, da presunção, da arrogância, da prepotência, da “seleção espiritual” conforme nossos requisitos (pessoais) de conveniência e oportunidade.
Choramos... Ao visitá-la, porque seu carinho para com o trabalho de imprensa espírita que realizamos, e o seu receio de que ela estivesse atrasada no pagamento da assinatura do periódico a levou a telefonar para nós, percebemos o quanto necessitamos uns dos outros, e como somos duros e rudes com nossos semelhantes...
Decepcionados – conosco e com os outros – nos vimos naquela irmã, imaginando o que nos pode acontecer daqui há algumas décadas... Será que também padeceremos do abandono, da solidão, da falta de carinho? Será que também mendigaremos uma visita, um atendimento, uma conversa, ou ficaremos, sós, à espera da morte? O que aconteceu com aquele grupo grande, com muita alegria e conversa, que se reunia semanalmente no centro? Com certeza, não sentiram a falta da velha senhora, ou porque nos achamos melhores do que os outros, ou porque ela era mais um número de nossas estatísticas, já tendo sido substituída por alguém mais jovem, mais atuante, mais risonho...
Então, meu amigo, minha amiga, o que você acha que lhe espera, daqui a alguns anos?
Tão próximos e tão distantes... Eu, você e os demais “trabalhadores” espíritas se preocupam tanto com o “caráter” do trabalho, com os “resultados”, com o “cumprimento de obrigações e regulamentos”, que esquecemos de ser gente...
Que pena!
Mas, ainda é tempo de mudar este quadro... Hoje, amanhã, na próxima vez que você voltar ao centro. Conte aos seus “colegas” esta história, e proporcione um debate e uma reflexão, no cenário da casa em que você trabalha... Mude paradigmas, empreste mais “humanidade” às tarefas, transformando o convívio maquinal e obrigatório em uma relação de sólida amizade e bem-querência...
Humanize sua Instituição!
Amanhã, poderá ser tarde, muito tarde...
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RESUMO DA AGENDA MÍNIMApara evoluir
É fácil observar o quanto, em nosso esforço evolutivo, vimos desperdiçando forças em ações esporádicas e dispersas que dificilmente conseguem levar a realizar a tão propalada reforma interior, desestimulando o candidato à evolução.
Além disso, há a questão da metodologia. Buscando nossa evolução espiritual, ou reforma interior, geralmente trabalhamo-la na superfície, procurando controlar os efeitos, ou seja, nossos pensamentos, palavras, sentimentos e ações, visando adequá-los aos ensinamentos do Evangelho. Assim, cuidamos dos efeitos e não das causas. Daí, as grandes dificuldades que encontramos, entravando nossos processos evolutivos. Com isso, podemos permanecer por “n” encarnações apenas nas tentativas de reforma e crescimento interior.
Portanto, é necessário ir à raiz, às causas.
Foi dessas reflexões que surgiu a idéia de uma agenda mínima para resumir todo o processo evolutivo em apenas poucos pontos, e de ir à raiz, ao alicerce, ou seja, priorizar a ação evolutiva a partir dos estados de espírito que são o fundamento de todos os nossos movimentos de vida.
Assim, cuidando desse “clima interior”, estaremos facilitando sobremaneira a vivência de atitudes mais condizentes com o conhecimento espiritual que já alcançamos e com o nosso momento evolutivo.
Podemos então resumir todo o processo evolutivo em apenas sete pontos, sendo quatro essenciais e três complementares.
Os quatro pontos essências são estados de espírito.
O primeiro e mais importante de todos é a afetividade. É uma expressão do amor e contempla grande número de ações e atitudes dos ensinos do Mestre.
A afetividade nos predispõe à mansidão, ao perdão, e a ver o outro com um olhar mais fraterno, mais solidário.
A presença de uma pessoa afetuosa tem o poder de transformar o ambiente onde estagia, seja no lar, no local de trabalho, ou no centro espírita. Mas para isso a afetividade precisa ser real, verdadeira, não simulada ou do tipo cultivado apenas em certos momentos e situações.
Desenvolver afetividade nos estados de espíritoé gerar transformação nas profundezas do ser.
O segundo ponto é a alteridade. Pode-se dizer que ela reflete uma leitura mais clara de uma realidade maior, nos informando de que nunca somos os “donos da verdade”, porque esta pertence ao Criador, e que sempre temos o que aprender, mesmo com aqueles que podemos considerar inferiores a nós.
Resumidamente, pode-se dizer que ela representa o respeito que devemos ter para com todos, além da disposição para aceitar e aprender com os que são e pensam diferente de nós. É também a construção da fraternidade apesar das divergências, respeitando-as e procurando aprender com as diferentes opiniões. Mas não significa deixar de discutir, debater, questionar. A discussão, o debate e o questionamento são saudáveis quando se respeita o outro, a sua maneira de ser e de pensar. É, sem dúvida, o veículo capaz de conduzir a humanidade para a tão esperada nova era.
Um estado de espírito alteritário nos ajuda a desenvolver humildade e tolerância
O terceiro dos pontos essências é a humildade, ou seja, uma percepção clara da nossa real condição. Nem para mais, nem para menos.
Se for para mais, nos levará ao orgulho, porque pensar que somos mais evoluídos do que nossa realidade, acarreta envaidecimento. Pela nossa pouca evolução, estamos ainda muito propensos a cair nessa ilusão.
Se forçarmos nossa percepção para menos, isto nos levará a uma situação irreal e à diminuição da nossa auto-estima, o que é prejudicial para nossa vida e evolução.
O quarto dos pontos essenciais é o contentamento.
É importante, é fundamental desenvolver os valores que nos tornam pessoas melhores, presenças benéficas. Mas quanto a nós? O que fica faltando para alcançarmos a plenitude? Onde ela se encontra? Certamente está no coroamento dos valores da alma, no contentamento, que é nossa vibração de vida.
Pense numa pessoa afetuosa, alteritária, que já tenha adquirido os valores da humildade, mas triste, desalentada, arrastando sua cruz vida afora. É como um pássaro de uma só asa. Como levantar vôo para novas conquistas espirituais, se falta essa seiva de vida, o contentamento?
Temos então quatro pontos essenciais, que são estados de espírito, para serem desenvolvidos continuamente, memorizando-os, trazendo-os sempre à mente e cuidando de senti-losvibrando na intimidade da alma.
Chegamos agora aos pontos complementares, que estão na mente e na vontade.
O primeiro é o equilíbrio, um dos mais importantes valores do ser, que possibilita maior número de acertos e evita muitas quedas. É irmão gêmeo da sabedoria e deve estar sempre presente em todas as nossas movimentações de vida.
Usando de equilíbrio saberemos como agir com afetividade, norteando os envolvimentos de forma a não transformá-los em algemas, ou em dependência de qualquer natureza.
Na alteridade,o equilíbrio é fundamental para orientar nossas reflexões, debates ou discussões com serenidade, isenção de ânimo e maturidade, possibilitando gerar as mais acertadas conclusões.
Na humildadeé o suporte necessário para não cairmos nos extremos, sempre prejudiciais.
No contentamentoevita exageros e falsas exibições.
Em todos os atos e passos do nosso existir o equilíbrio é valor fundamental, porque nos proporciona um alicerce necessário ao correto entendimento de tudo. Representa a maturidade despontando em quem o possui.
O segundo dos pontos complementares é o compromisso. Nos sentirmos comprometidos com as atividades participativas e/ou benfeitoras assumidas, sejam espíritas ou não; comprometidos com nossa própria evolução pessoal, priorizando-a em todos os momentos e em quaisquer situações.
Mas para que nossos propósitos evolutivos não fiquem só na teoria, é preciso que se transformem em atitudes, o último dos pontos complementares.
Assim, com estes sete pontos na mente, bem memorizados, é só começar a trazê-los para o cotidiano, procurando desenvolver continuamente estados de espírito afetivos, alteritários, de humildade e de contentamento; ter como diretriz o equilíbrio; comprometer-secom a própria evolução e com as responsabilidades assumidas, e materializar esses propósitos em atitudes.
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