- Então, uma mulher, que havia doze anos sofria de uma hemorragia; - que sofrera muito nas
mãos dos médicos e que, tendo gasto todos os seus haveres, nenhum alívio conseguira, - como ouvisse
falar de Jesus, veio com a multidão atrás dele e lhe tocou as vestes, porquanto, dizia: Se eu conseguir ao menos lhe tocar nas vestes, ficarei curada. – No mesmo instante o fluxo sanguíneo lhe cessou e ela sentiu em seu corpo que estava curada daquela enfermidade.
Logo, Jesus conhecendo em si mesmo a virtude que dele saíra, se voltou no meio da multidão
e disse: Quem me tocou as vestes? – Seus discípulos lhe disseram: Vês que a multidão te aperta de todos os lados e perguntas quem te tocou? – Ele olhava em torno de si à procura daquela que o tocara.
A mulher, que sabia o que se passara em si, tomada de medo e pavor, veio lançar-se-lhe aos
pés e lhe declarou toda a verdade. – Disse-lhe Jesus: Minha filha, tua fé te salvou; vai em paz e fica curada da tua enfermidade. (S. Marcos, cap. V, vv. 25 a 34)
- Estas palavras: conhecendo em si mesmo a virtude que dele saíra, são significativas.
Exprimem o movimento fluídico que se operara de Jesus para a doente; ambos experimentaram a ação que acabara de produzir-se. É de notar-se que o efeito não foi provocado por nenhum ato da vontade de Jesus; não houve magnetização, nem imposição das mãos. Bastou a irradiação fluídica normal para realizar a cura.
Mas, por que essa irradiação se dirigiu para aquela mulher e não para outras pessoas, uma vez
que Jesus não pensava nela e tinha a cerca-lo a multidão?
É bem simples a razão. Considerado como matéria terapêutica, o fluido tem que atingir a
matéria orgânica, a fim de repara-lo; pode então ser dirigido sobre o mal pela vontade do curador, ou
atraído pelo desejo ardente, pela confiança, numa palavra: pela fé do doente. Com relação à corrente
fluídica, o primeiro age como uma bomba calcante e o segundo como uma bomba aspirante. Algumas
vezes, é necessária a simultaneidade das duas ações; doutras, basta uma só. O segundo caso foi o que
ocorreu na circunstância de que tratamos.
Razão, pois, tinha Jesus para dizer: “Tua fé te salvou”. Compreende-se que a fé a que ele se
referia não é uma virtude mística, qual a entendem muitas pessoas, mas uma verdadeira força atrativa, de sorte que aquele que não a possui opõe à corrente fluídica uma força repulsiva, ou, pelo menos, uma força de inércia, que paralisa a ação. Assim sendo, também se compreende que, apresentando-se ao curador dois doentes da mesma enfermidade, possa um ser curado e outro não. É este um dos mais importantes princípios da mediunidade curadora e que explica certas anomalias aparentes, apontando-lhes uma causa muito natural.
O mesmo tema, vários artigos, para ajudar a alguém que está preparando uma exposição ou estudando um assunto
Estudando o Espiritismo
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segunda-feira, 20 de junho de 2011
CURA DE HEMORRAGIA - Pastorino
Mat. 9:20:22
20. Ora, uma mulher, que padecia há doze anos de hemorragia, veio por detrás dele e tocou-lhe a borla do manto.
21. porque, dizia consigo, "se lhe tocar somente o manto, ficarei curada".
22. Voltando-se Jesus e vendoa, disse: "Tem ânimo, filha, tua fé te curou". E desde aquela hora a mulher ficou sã.
Marc. 5:25-34
25. Ora, uma mulher que padecia há doze anos de um fluxo de sangue,
26. e que tinha sofrido bastante às mãos de muitos médicos, gastando tudo o que possuía sem nada aproveitar, antes ficando cada vez pior,
27. tendo ouvido falar a respeito de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocoulhe o manto,
28. porque, dizia: "se eu tocar somente sua veste, ficarei curada".
29. No mesmo instante, secou a fonte de sangue, e sentiu em seu corpo que estava curada de seu flagelo.
30. Conhecendo Jesus logo, por si mesmo, o poder que dele saíra, virando-se no meio da multidão perguntou: "Quem tocou meu manto"?
31. Responderam-lhe seus discípulos: "Vês que a multidão te comprime, e perguntas quem me tocou"?
32. Mas ele olhava ao redor para ver quem fizera isso.
33. Então a mulher, receosa e trêmula, cônscia do que nela se havia operado, veio, prostrou-se diante dele e declarou-lhe toda a verdade.
34. E Jesus disse-lhe: "Filha, a tua fé te curou; vai-te em paz e fica livre de teu mal".
Luc. 8:43-48
43. E uma mulher que por doze anos tinha um fluxo de sangue e que gastara com médicos todos os recursos vitais, tendo conseguido ser curada por nenhum,
44. chegando-se por detrás tocou-lhe a borda do manto; e imediatamente cessou
fluxo de sangue.
45. Perguntou Jesus "Quem me tocou”? negando-o todos, disse Pedro: " a multidão te comprime e sufoca, e perguntas quem tocou"?
46. Mas Jesus disse: “Alguém me tocou, que percebi que de mim um poder”.
47. Vendo a mulher que não tinha ficado despercebida, veio tremendo prostrar diante dele e declarou, na presença todo o povo, o motivo por que o havia tocado e como fora imediatamente
curada.
48. E ele lhe disse: “Filha, tua fé te curou, vai-te em paz".
Interessante observar que os três sinópticos mantiveram a mesma ordem dos fatos, colocando a cura da
hemorragia no percurso entre o local do pedido de Jairo e a casa dele.
Também aqui Mateus abrevia os fatos.
Observemos que não mais se trata de uma cura à distância (como a do servo do centurião), nem do toque intencional de Jesus (como, por exemplo, fez com a sogra de Pedro); trata-se de um contato com Sua roupa, e realizado de surpresa para Ele.
Nota-se que Marcos e Lucas, que assinalam que a filha de Jairo tinha doze anos, dão à doença da mulher, tal como Mateus, a mesma idade.
Ela consultara numerosos médico, sem obter resultado. Marcos acrescenta que "muito sofrera, gastando seus haveres e piorando cada vez mais", confirmando o que se lê na Mischna (tratado Qidduchin,
4:4) que "o melhor dos médicos é digno da geena" ... Mas Lucas, que também era médico, desculpa
seus colegas, dizendo apenas "que não obtivera a cura".
O catamênio era considerado impureza legal (Levit. 15:15) e contaminava todos os que tocassem a
enferma ou que fossem por ela tocados. Por isso a pobre mulher mantinha secreta sua enfermidade.
Seu pensamento intuitivo dizia-lhe que "se tocasse nem que fosse a borla (kr·spedon) de seu manto
(im·tion), ela ficaria curada.
YHWH ordenara (Núm. 15:37-41 e Deut. 22:12) que nos cantos do manto, os israelitas deviam pendurar borlas de fios de lã branca, com um fio azul cada uma, a fim de recordarem os mandamentos e os observarem.
Sendo esvoaçante, o manto era mais fácil de ser tocado que a túnica presa à cintura e mais aderente ao
corpo. E a enferma resolutamente abre passagem entre o povo que comprimia Jesus e toca-lhe o manto.
Imediatamente o Mestre sente que de seu corpo saiu um jato de fluidos (poderes) magnéticos curativos, atraídos (sugados) pelo ímã da fé poderosa. A fé plasma a forma mental da coisa desejada (cfr.
Hebr. 11: 1), e esta funciona como um recipiente a vácuo, que atrai a si os elementos que o encherão;
ou como um "fio-terra", que retira a eletricidade para derramá-la no solo.
Instintivamente indaga quem O tocou. Ninguém se acusa. E Pedro, temperamental, diz-lhe, quase em
tom de reprimenda: "Mestre, a multidão te aperta, e perguntas quem te tocou”? Jesus então confessa a
razão essa pergunta: sentiu a inesperada saída de fluidos curativos. Esta anotação é privativa do "médico" Lucas, não tendo Marcos ousado incluí-la. em suas anotações.
Quando a mulher, que já se refizera de sua emoção ao sentir-se curada, viu que fora descoberta (talvez
por um olhar mais penetrante de Jesus), confessou seu gesto. O Mestre não lhe faz a mínima restrição,
limitando-se a atribuir todo o mérito do ocorrido à sua fé (cfr. Jerôn., Patrol. Lat. vol. 26, col. 58).
A essa mulher a Acta Pilati ou "Evangelho de Nicodemos" (cap.7) dá o nome de Beronike e os textos
latinos "Verônica". A lenda apoderou-se dessa figura e fez que ela, no percurso de Jesus para o calvá-
rio, lhe enxugasse o rosto suado e ferido, ficando Sua Face gravada no lenço (sudário) que mais tarde
operou numerosas curas (cfr. Mors Pilati, 1; Vindicta Salvatoris, 22, 26, 27, 29 e 32, in "Los Evangelios Apócrifos", Biblioteca de Autores Cristianos, Madrid, 1956).
Observemos o que nos ensina esse fato material.
Em primeiro lugar, notemos que os três evangelistas o colocam na mesma posição: no percurso para a
casa de Jairo, entre o pedido do pai e a cura da filha.
Além disso, os três assinalaram que a mulher sofria de seu catamênio havia DOZE anos; e também que
a menina curada tinha exatamente DOZE anos.
Outros pormenores: o nome hebráico Y‚'yr (Jair, helenizado em Jairo) significa "o sexto". Ora, já vimos (vol. 2) que o número doze, no plano humano, exprime "o holocausto de si mesmo".
O simbolismo é intensificado pelo tipo da enfermidade: a perda de sangue, é a expiação da alma" (hebraico: ki-haddam hu bannephesh iakapher; grego: tò gàr haima autou anti psychês ecsilásetai; Levit. 17:11).
Realmente, o Levítico afirma, nesse local, que "a alma de toda carne é seu sangue" (vers. 11; hebraico:
ki-nephesh habbassar baddam hu; grego: hê gàr psychê pasês sarkòs haima autou esti); e repete a
mesma frase por duas vezes no versículo 14, numa das quais há pequena modificação, para que não
paire dúvida: "porque (quanto) à alma de toda carne, o sangue é por sua alma" (hebraico: ki-nephesh
kal-bassar damô benapheshô hu).
Parece, então, bem claro que a palavra "alma" (do latim ánima, porque sua função é animar o corpo)
corresponde ao que atualmente é chamado, nos meios espiritualistas, de corpo astral, que é o que vivifica e anima o corpo físico. Assim como o duplo etérico toma sua forma visível no sistema nervoso, assim o corpo astral toma sua forma visível no elemento biológico denominado sangue: o sangue é a alma de qualquer animal.
Nós sabemos, com efeito, que o sangue passa constantemente pelo coração, em cujo nó de Kait-Flake
e His está fixa, embora em outra dimensão, a Centelha Divina ou Mônada; aí o sangue capta as vibra-
ções da Vida Divina, que leva a todos os mínimos recantos do corpo para vivificá-lo: se impedirmos a
circulação sanguínea de qualquer membro, este se necrosa, porque onde não há sangue não há vida,
pois não há alma. Além de buscar vida no coração, o sangue vai apanhar nos pulmões o prana (nitrogênio), para com ele alimentar as células, por mais microscópicas que sejam. Alimento importantíssimo e vital (embora não único), bastando lembrar que, enquanto as células podem viver até dias sem comer nem beber, não conseguem manter-se vivas senão alguns minutos, se parar a respiração, que as alimenta de prana.
Mas, como tudo em a Natureza é aproveitado, o sangue serve de veículo para, enquanto fornece alimento, recolher as impurezas, levando-as ao forno crematório dos pulmões, onde o oxigênio se encarrega de queimá-las na hematose. Veículo do prana (nitrogênio) parece que são os leucócitos (segundo o biologista Dr. Jorge Andréa) que, além disso tem a tarefa de combater os micróbios por meio a fagocitose. Então verificamos que os dois principais elementos sanguíneos têm suas funções bem definidas: enquanto os leucócitos alimentam as células, lhes carreiam as impurezas e as defendem contra os invasores prejudiciais, as hemácias transportam os fluidos vitais, produzindo vida no corpo físico que, sem ele, se reduziria a simples cadáver.
Tendo, pois, o sangue essa importância vital, o máximo sacrifício que pode uma criatura fazer é derramá-lo para defender uma causa; e esse sacrifício serve de "expiação para a alma" (resgata os carmas dos erros do "espírito"). Daí o grande valor das primeiras testemunhas (mártires) do cristianismo, cujo sangue, cristãos" no dizer de Tertuliano, era "a semente de novos cristãos”.
Feito esse preâmbulo, vejamos o simbolismo desse fato material passou no plano físico.
A mulher (elemento feminino, porque representa a "alma" que se manifesta no sangue) aproxima-se de
Jesus (a individualidade) porque completara o resgate de seus erros, e já estava cansada de sofrer por
causa deles. Compreendemos que se trata disso, pelo número DOZE apresentado, simbolizando o autosacrifício voluntário, realizado conscientemente para queimar os carmas dolorosos do passado com o derramamento do próprio sangue (que faz "expiação" pelo espírito).
Nenhum médico terreno conseguira estancar o sangue, antes do final do resgate. Com efeito, por mais
sábia e santa que seja a entidade, encarnada ou desencarnada, ela não conseguirá libertar quem quer
que seja de seus resgates, se não tiver chegado o tempo: só a própria criatura poderá fazê-lo.
Chegado esse tempo, a alma vai, silenciosa e ocultamente (porque qualquer contato deve ser secreto)
em busca do Encontro com a individualidade, dizendo: "por menor que seja esse contato, por mais
rápido que seja, ficarei liberta de minhas dores". Busca então tocar (entrar em contato) com “a borla de
seu manto" (é pelas pontas que melhor se escoa o magnetismo). Aí alma crê que ao entrar na vibração
da plano da individualidade, certamente terá "estancada a fonte de sangue", ou seja, o kyklos anánke"
(ciclo fatal) do carma.
Acredita, também, que todo o seu agir permanecerá secreto, não contando com a sabedoria da individualidade. Mas sua própria fé, que forma como que um vácuo, atrai a si com força o magnetismo espiritual do Cristo Interno. Sua aspiração é satisfeita de todo, e o espírito lhe dá a paz tão desejada, esclarecendo-lhe que todo o merecimento desse Encontro rápido cabe totalmente à sua fé. No ato material, Jesus faz questão de que o ato se torne público a fim de não perder o ensejo de uma lição preciosa. Daí ter confessado que "sentiu sair de si um fluido", a fim de provocar a confissão da beneficiada, e com isso dar-nos o ensinamento.
A MULHER HEMORROÍSSA - estêvão
A - A DAMA DA FÉ.
Grande multidão o seguia, comprimindo-o. Certa mulher, que havia doze anos tinha uma hemorragia, e que havia padecido muito à mão de vários médicos, e despendido tudo o que tinha, sem contudo nada aproveitar, pelo contrário, indo a pior, ouvindo falar de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou na sua veste. Dizia ela: Se tão somente tocar nas suas vestes, sararei. Imediatamente se lhe estancou a hemorragia, e sentiu no seu corpo estar curada do flagelo. Jesus, conhecendo que de si mesmo saíra poder voltou-se na multidão, e perguntou: Quem tocou nas minhas vestes? Responderam-lhe os discípulos: Vês que a multidão te aperta, e dizes: Quem me tocou? Porém ele olhava em redor, para ver a que isto fizera. Então a mulher, que sabia o que lhe tinha acontecido, temendo e tremendo, aproximou-se, prostrou-se diante dele, e declarou-lhe toda a verdade. Ele lhe disse: Filha, a tua fé te salvou. Vai em paz, e sê sarada deste teu mal. MARCOS 5:24-34
Sua história foi uma história de sofrimento e de provações. Desde a adolescência, acostumou-se com as dores freqüentes que sentia e os incômodos de sua saúde frágil.
Sob a tutela de abnegada dama, ela soube enfrentar dolorosamente a falta da mãe, que perdera a vida anos atrás, deixando-a órfã. O pai, homem trabalhador e honesto, dedicava-se ao seu ofício, provendo assim o sustento para o lar. Após o luto e a viuvez, contraíra novas núpcias, e a filha fora adotada pela madrasta como se fora fruto de seu próprio ventre.
Desde cedo aquela jovem aprendeu o manejo do tear, fabricando belas peças de fazenda. Do linho puro, tecia mantos formosos, que vendia para auxiliar a família quanto pudesse.
Em determinada ocasião, o pai terminou por perder a vida, dando assim vitória à doença que o consumiu durante longo período. Restava-lhe agora somente as bênçãos de um casamento, que desejava fosse feliz.
Donzela, viu seus sonhos se esvaírem quando a saúde tornou-se-lhe mais delicada. Estranha hemorragia se manifestou, requerendo maiores cuidados por parte dela e da madrasta. Não podia mais trabalhar como antes, o que comprometeu severamente o orçamento doméstico. Viram-se então obrigadas a racionar os alimentos e se adaptar a uma vida ainda mais austera do que o cotidiano simples e despojado de requintes que já conheciam. Os tempos eram difíceis, e a falta de uma presença masculina, paternal, tornava as coisas bastante delicadas, em especial na sociedade machista e patriarcal em que viviam. A jovem moça era obrigada a sacrifícios extremos.
A estranha hemorragia transformou-se também em motivo de angústia, de pesar. De acordo com as leis religiosas vigentes, que pautavam toda a convivência social, a mulher com fluxo menstrual era tida como imunda. O homem era proibido até mesmo de tocar qualquer mulher em tais condições. No caso daquela jovem, a situação era ainda mais grave, pois seu fluxo de sangue era ininterrupto. O tempo havia transcorrido vagarosamente, e o sangue lhe fluía mais constante, acompanhado de dor.
O ser humano, por natureza, teme o desconhecido.
Num misto de fascinação que encanta e horror que amedronta, o desconhecido geralmente expõe a fragilidade dos conceitos humanos. Distante ou sem conexão estreita com as leis divinas, apavora-o a possibilidade de entrar em contato com o que lhe demova a aparente segurança e o faça confrontar-se com a realidade nua das verdades espirituais. A simples menção da incógnita assusta, causa temor, pavor e, dependendo do nível de desequilíbrio íntimo, pânico. Reações de violência e brutalidade são esperadas por parte do ser na infância do espírito. Advêm daí as atitudes de preconceito, discriminação e segregação, como se, banindo o desconhecido ou o diferente, o homem pudesse eximir-se dele. Vítimas das mais diversas enfermidades físicas ou psíquicas, nas mais variadas épocas e culturas, experimentaram a rejeição e o repúdio social e enfrentaram a reclusão em inúmeras circunstâncias.
Por interferência de amigos, a jovem hemorroíssa procurou por longo tempo os facultativos da época, não logrando resultados. Médicos foram consultados, porém a ciência ou a sabedoria de seu tempo não detinha condições de solucionar esse mal.
Andou a companheira desafortunada por várias cidades e vilas: se houvesse a informação da presença de algum médico ou curandeiro aqui ou ali, onde quer que fosse, lá estava a jovem. Tudo em vão. Os anos passaram, e as tentativas frustradas de socorro e tratamento esgotaram o viço de sua juventude, restando-lhe apenas a opção da convivência pacífica com a enfermidade e o seu resguardo na fé viva que alimentava dentro do peito.
Mesmo ante tantos fracassos na tentativa de curar-se, não desanimava. Sua vida transformara-se num exemplo de perseverança e fé viva. Ainda abatida, a mulher não se entregava à enfermidade nem deixava de trabalhar para seu sustento.
Passou pela vida com o desejo mal contido de ser mãe. Seus sonhos de menina-moça e, agora, de mulher não poderiam ainda ser realizados. A hemorragia persistia por longos anos, como a esgotar-lhe lentamente as forças vitais, provando-lhe a resistência espiritual. Diante da provação dolorosa, respondia como podia com a sua dedicação ao trabalho e, agora, com o cuidado extremado com a sua segunda mãe, para a qual soavam os lamentos próprios do inverno da existência.
Não desistiria jamais. Lutaria quanto pudesse; faria a sua parte. Embora por tantos e longos anos não encontrasse cura através da medicina humana, alimentava a idéia de que Deus colocaria diante dela o facultativo de que necessitasse para debelar o seu mal.
O exemplo é de persistência, de perseverança, de esperança. Quando muitos se entregavam ao desespero e ao desânimo, diante das moléstias consideradas incuráveis, ela, mesmo ciente das dificuldades da época, insistia na procura pela solução para os seus males. Desejava ardentemente a superação de si mesma e de seus próprios limites. Não se entregou à depressão ou ao azedume. Trabalhou.
Talvez, desconhecedora ainda de certas leis da vida, da reencarnação, não atinava com a origem distante de seus males. Quem sabe num passado distante não atentara contra a vida própria ou a alheia, na tentativa de aborto ou no desprezo pela vida?
São tantas as possibilidades que não convém, na hora da dor, procurar pelos motivos do mal. Isso só trará mais contrariedades. O certo é que esta mulher valorosa transformou sua vida num exemplo dignificante de trabalho e de fé no futuro.
O processo que desencadeou a sua enfermidade, no passado longínquo, perdia importância diante de sua fé num futuro em que sua alma brilharia, graças à fé viva que trazia consigo.
Foi assim que 12 anos se passaram, e aquela sombra de mulher arrastava-se pelas ruas de sua cidade, na qual ficou conhecida como a Dama da Fé.
Ouvira falar de um certo Jesus da Galiléia, filho de José, e que Ele, o galileu, era um profeta, um enviado de Deus.
O ânimo aumentou-lhe, e a fé, de uma simples chama bruxuleante, transformou-se numa claridade imorredoura, ante as novas perspectivas que se abriam diiante da existência.
Já não tinha a força da mocidade, e a fraqueza generalizada dominava seu organismo físico, minando-lhe as derradeiras reservas de vitalidade. Um dos médicos consultados não aconselhava maiores esforços, pois, segundo o conhecimento que detinham, não lhe restava muito tempo de vida.
Como enfrentar a estranha situação? E esse Jesus do qual tanto falavam? Será que não estará nele a sua esperança de melhores dias? Orou fervorosamente ao Deus de seu país. Confiava que, talvez, somente de ouvir as palavras do rabi encontraria forças para suportar o momento crítico que se avizinhava. Já estava quase desfalecendo.
No entanto, à medida que o corpo fragilizava-se, aumentava-lhe a confiança no futuro e a certeza de que fios invisíveis a conduziam, orientando o seu destino. Andava pensativa pelas ruas quando ouviu um murmúrio que aumentava lentamente. Ao longe avistou uma multidão que se aproximava. O coração palpitava, e parecia que estranha emoção a dominava. Era tarde. A tarde da história sofrida da humanidade .
A dor muitas vezes atua como grande impulso à evolução dos seres. Desejando a felicidade plena, o homem empreende recursos e luta para debelar a dor, alargando os horizontes da consciência.
Aproximava-se cada vez mais a multidão que envolvia o rabi por todos os lados. Num ímpeto de fé, a mulher arroja-se em meio ao povo, tentando abrir passagem para atingir o Mestre. Seu caminho é obstruído, no entanto, pela gente que procurava beneficiar-se com a presença de Jesus. Não conseguia romper o cerco de pessoas que acompanhavam o Senhor.
Sua fé, porém, alcançava forças desconhecidas pela multidão. O coração daquele que crê caminha bem mais longe que seus pés.
Novo impulso empreende a mulher hemorroíssa rumo a seu objetivo. "Não sou merecedora de seu olhar" pensava ela. "Contudo, sei que dele emana poder, força curadora." Neste momento a aura do Mestre expande-se, e seu pensamento entra em sintonia com o pensamento da mulher enferma. Ele continua seus passsos sem ignorar-lhe as necessidades.
Ela aproxima-se cansada, aflita, cheia de esperanças e movida por intensa fé. Num dado momento, a multidão dá-lhe passagem, e ela tenta a todo custo chegar até o profeta galileu.
Apenas um minuto a separa de seu objetivo. A hemorragia, neste exato instante, parecia aumentar em intensidade; esvaindo-se em sangue, ela se lança em direção ao Mestre, ajuntando todo o resto das forças que possuía num esforço hercúleo. Consegue apenas tocar-lhe as vestes.
É o suficiente. Imediatamente a virtude do Senhor é canalizada até ela, e uma onda de vitalidade percorre-lhe o ser.
O magnetismo divino reestrutura órgãos e células e reequilibra corpo e alma da atormentada criatura. Ela pára por um momento, pensativa. Apenas por um momento. Volta para dentro de si e faz silêncio em sua alma.
O Mestre, detendo seus passos, confabula com os seguidores mais próximos:
- Sinto que alguém me tocou.
- Mas. Senhor, são tantos os que o tocam em meio a esta multidão ... - respondem os discípulos, sem compreender as palavras do Mestre.
- Sim, mas alguém tocou-me de modo especial.
Sinto que de mim saiu virtude.
Jesus, voltando-se para a mulher, dirige a ela seu olhar.
Neste momento parece haver se realizado o casamento do Céu com a Terra. Ninguém resiste ao doce e meigo olhar de Jesus.
Naquele olhar, o Nazareno devassa-lhe a alma e esquadrinha-lhe o coração. É a hora da verdade. A verdade que jamais poderia ser declarada; em vez disso, vivida.
- Mulher, a tua fé te salvou !" - são as palavras pronunciadas pelo Senhor.
Aquele fora o momento da redenção para aquela alma valorosa. Sua vida ilibada, sua fé ardorosa e sua conformação com a vontade do Eterno a faziam merecedora das bênçãos divinas. Onde a medicina humana falhara, porque limitada, manifestava todo o seu poder a ciência divina, e o embaixador das estrelas, o divino médico das almas, mostrava-se soberano aos problemas humanos."A hemorragia cedera ante a atuação do amor. A prova da mulher cessara, e ali, no encontro com Jesus, iniciara uma nova etapa para aquela alma que provara a sua fé, cheia de esperança, na fonte divina de todo o bem. Era a vitória da luz.
O tempo escoou-se vagarosamente. O cenário agora era uma pequena cidade, uma aldeia dos samaritanos. Via-se de longe um burburinho, algumas pessoas que envolviam uma figura singela de uma madona. O lugar, um pequeno albergue erguido à beira de um riacho, com pequeno campo de flores que vicejavam formosas, como expressão da bondade soberana.
A mulher valorosa fundara um abrigo que amparasse os órfãos de qualquer procedência. Em nome do amor, ela ministrava os conceitos de vida e luz para aquelas almas em provação. O encontro com Jesus, anos antes, transformara sua vida de tal maneira que a força do amor contida em seu ser explodiu em obras de caridade e benemerência, por onde quer que passasse.
Ninguém permanece o mesmo depois de encontrar-se com Jesus. Todos que ali passavam, moços, velhos e crianças, encontravam sempre um prato de sopa e uma réstia de pão para aplacar a fome. Ensinando as donzelas a manejar o tear, provia recursos para a manutenção do lar dos necessitados. Ali, à sombra de formosa árvore, ouviam da boca da nobre senhora a velha e feliz história de um homem chamado Jesus.
Estevão
O Poder da Fé - Prof. José Raul Teixeira
W.A.Cuin
WAC – Os evangelistas narram a história da mulher que sofria de uma hemorragia ha mais de doze anos e que com um simples toque nas vestes de Jesus, curou-se. Como isso se deu?
JRT – Hoje, nós encontramos nas informações espíritas, a idéia de que a fluidoterapia é um excelente tratamento diante de diversas enfermidades que se apresentam entre nós.
O que nós encontramos nas letras evangélicas e na palavra do Messias é que a fé daquela mulher chamada hemorroíssa ou mulher do fluxo sanguíneo, foi o elemento básico para que tivesse a cura, pois quando ELE pergunta a Simão quem o tocou, provoca a indignação do apóstolo porque ele estava cercado por uma multidão que o comprimia por todos os lados, e quando Simão o questionou preocupado e de certa maneira agitado: Mas Senhor, por que me perguntas quem o tocou, se todas as pessoas o comprimem? A resposta do Mestre é formidável: Mas senti Simão, que alguém me tocou de maneira especial, porque saiu de mim uma virtude.
Isso mostra que o fato de nós irmos a instituições doutrinárias, religiosas, aos curadores, seja onde for, simplesmente por ir, não altera o quadro das aquisições, das absorções que podemos fazer. Se faz importante e necessário, que haja um processo de integração magnética que nós chamamos de fé. É a vontade-apelo associada à vontade-resposta. E foi graças a vontade-apelo daquela mulher hemorroissa ou hemorrágica, que pode se dar a vontade-resposta de Jesus atendendo-a automaticamente. “A tua fé te Salvou”, por que através daquela vinculação da fé ela conseguiu assimilar, absorver do que necessitava.
fluxo de sangue - eliseu
Conquanto Jesus possuísse excepcional força magnética, não lhe seria possível fazer voltar à vida um corpo que já estivesse morto. Depois que os laços fluídicos que ligam o espírito ao corpo se desatam, nada mais os poderá atar de novo. A rudimentar medicina dos antigos não sabia distinguir entre a morte real e a aparente, isto é, entre a morte e uma síncope. O próprio Jesus declara: “A menina não está morta, mas dorme.” Em nossos dias, feitos os exames necessários, um médico diria: “A menina teve uma síncope.” E Jesus aplicando-lhe um vigoroso passe, reanimou-a.
Quanto à mulher que tinha um fluxo de sangue, constitui um caso bem interessante. Notemos que para curar a menina foi a vontade de Jesus que agiu; ele fez com que os fluidos penetrassem no corpo da menina. Ao passo que foi a própria mulher que atraiu para si o fluido magnético que emanava do corpo de Jesus.
A cura da mulher que tinha um fluxo de sangue se explica da seguinte maneira: Todos nós irradiamos fluidos e de contínuo os recebemos. Pela nossa vontade podemos fazer com que uma determinada pessoa receba nossos fluidos. E também pela nossa vontade, podemos atrair para nós os fluidos que uma outra pessoa irradia. A mulher que tinha o fluxo de sangue, possuída do intenso desejo de se curar, desenvolveu força de vontade tamanha que, apesar das pessoas que rodeavam Jesus, conseguiu estabelecer entre ela e o Mestre a corrente fluídica magnética que a curou
Quanto à mulher que tinha um fluxo de sangue, constitui um caso bem interessante. Notemos que para curar a menina foi a vontade de Jesus que agiu; ele fez com que os fluidos penetrassem no corpo da menina. Ao passo que foi a própria mulher que atraiu para si o fluido magnético que emanava do corpo de Jesus.
A cura da mulher que tinha um fluxo de sangue se explica da seguinte maneira: Todos nós irradiamos fluidos e de contínuo os recebemos. Pela nossa vontade podemos fazer com que uma determinada pessoa receba nossos fluidos. E também pela nossa vontade, podemos atrair para nós os fluidos que uma outra pessoa irradia. A mulher que tinha o fluxo de sangue, possuída do intenso desejo de se curar, desenvolveu força de vontade tamanha que, apesar das pessoas que rodeavam Jesus, conseguiu estabelecer entre ela e o Mestre a corrente fluídica magnética que a curou
Jairo e Hemorroíssa - Saião
Ainda neste caso, o da hemorroíssa, a cura Jesus a operou, como em todos os outros, unicamente pelo poder magnético de que dispunha. Envolto sempre em fluídos vivificantes e reparadores, Ele os distribuía, sempre que oportuno, pelos que de tais fluídos necessitavam. Foi, em suma, como nos demais, um efeito de combinações fluídicas, que ainda ignoramos, porque ainda não nos achamos capazes de compreender a natureza dos fluídos, seus efeitos e suas propriedades de ação, conhecimento a que só chegaremos, mediante a nossa depuração moral.
Os efeitos curativos que a medicina obtém dos minerais e vegetais de que se utiliza, no tratamento das enfermidades humanas, são devidos aos fluídos, dotados de propriedades terapêuticas, de que se acham saturados os aludidos vegetais e minerais, fluídos idênticos aos que, como inúmeros outros, se acham espalhados na atmosfera terrena, sem que os homens lhes suspeitem a existência. Pois bem, desses mesmos fluídos é que se servia Jesus. Conhecendo-os todos, bem como as combinações de que são passíveis, ele não precisava recorrer às substâncias que os contêm. Pela ação exclusiva da sua vontade, reunia os que eram aplicáveis ao caso ocorrente, lançava-os sobre o enfermo e a cura se operava. Essa a explicação da mulher que, tocando-o, ficou livre do fluxo sangüíneo de que sofria.
Quanto à filha de Jairo, todos a tinham por morta, tanto que à porta da casa estavam flautistas a tocar os seus instrumentos, como era de uso entre os Hebreus e o é ainda nalguns lugares do nosso país, em os quais se costuma tocar música nas casas onde morreu alguém. Aquela morte, porém, era apenas aparente; tratava-se exclusivamente de um desses casos de catalepsia profunda, em que, de par com a suspensão de todos os sentidos e a cessação de todos os movimentos, há rigidez e aspecto cadavéricos, ausência absoluta de pulsações, de respiração e de calor, e tão completa insensibilidade física, que nenhuma impressão causam as mais fortes pancadas. A menina se achava, em suma, num desses estados catalépticos, que nem os mais hábeis profissionais da medicina logram distinguir da morte real. Vê-se, portanto, que era apenas aparente a sua morte. Embora fosse extremo o desprendimento do Espírito que habitava aquele corpo, ele a este se conservava ligado por um tênue cordão fluídico — o do perispírito, coisa que os homens não podem ver e que, na época, ignoravam. Sabia-o, porém, Jesus e, porque o sabia, chamou, com a suprema autoridade que lhe dava a sua excelsitude espiritual, o Espírito da suposta morta, ordenando-lhe que volvesse à sua prisão carnal.
E a menina despertou, fato que, como era natural da parte de quantos a tinham por morta, foi considerado uma ressurreição, portanto, um milagre, visto que o julgavam impossível. Como esse, foram todos os milagres que Jesus operou. Em nenhum houve mais do que um fenômeno absolutamente natural, apenas regido por leis naturais que os homens desconheciam e, na sua generalidade, ainda desconhecem, mas das quais chegarão um dia a ter conhecimento perfeito, tanto que Ele não hesitou em afirmar: Fareis as mesmas obras que eu faço e outras ainda maiores. (JOÃO, 14, 12.)
A Mulher Hemorroíssa
Para um estudo mais aprofundado sobre os processos terapêuticos disponibilizados pelo Espiritismo, queremos aproveitar os exemplos que Jesus nos legou em seu Evangelho. Discutiremos a partir deste artigo os diferentes casos de cura praticados pelo Rabi galileu ou por seus discípulos, sempre ressaltando o aspecto de maior relevância em cada um. Ao final da série de artigos, enfeixando todas as conclusões, teremos compilado um conjunto de elementos basilares para a medicina espírita.
A Mulher Hemorroíssa (Marcos 5:25 a 34)
Por doze anos padecera aquela mulher com hemorragia constante, provavelmente ginecológica, buscando médicos e despendendo todos os recursos que possuía. Nos dias de hoje, conhecemos alguns casos assim. São mulheres que desafiam os melhores recursos da medicina moderna e, a despeito dos mais eficazes tratamentos, continuam sintomáticas. A ciência nos tem esclarecido que, talvez, tais pessoas sejam portadoras de alterações bioquímicas (neuro-endócrinas), vasculares e celulares (endoteliais) sutis, comprometendo o mecanismo da coagulação e a mecânica da microcirculação.
Ao tocar-Lhe, porém, por detrás, a orla do manto, em meio a uma multidão que se aglomerava ao redor do Mestre e seus discípulos, no mesmo instante o fluxo de sangue cessou e "ela sentiu em seu corpo que estava curada daquela enfermidade". O mesmo acontecera com muitas outras pessoas, ao Lhe tocarem "a orla do manto" (Matheus 14:35) ou em qualquer outra parte do seu corpo (Marcos 3:10 e 6:56). Os mantos eram grandes capas presas ao ombro, dispostos por sobre a roupa de diferentes formas, podendo encobrir também a cabeça, comumente usadas pelo povo judeu à época.
De que poderes especiais se revestiria o tal manto? Por que razão o simples toque fez cessar a hemorragia, cuja enfermidade já perdurava 12 anos?
Estamos diante do "fluido magnético" e do fenômeno da magnetização. Allan Kardec faz um estudo interessante em Obras Póstumas, às páginas 108 a 111, edição da FEB, sobre as "atmosferas individuais" e o Magnetismo. Jesus, Espírito Puro, dotado de imenso manancial de magnetismo natural, impregnava com seu fluido magnético, automaticamente, tudo à sua volta, inclusive suas vestes, através da sua "atmosfera fluídica" ou "campo da aura", no dizer de André Luiz (Mecanismos da Mediunidade, cap. X, pg 83).
Lucas (6:19) comenta: "E toda a multidão procurava tocar-Lhe; porque saía Dele um poder que curava a todos". O manto, portanto, saturado dos fluidos restauradores do Mestre, constituía-se no objeto imantado, quais os baquets de Mesmer, mas nenhum poder possuía por si mesmo; crer em um poder próprio, inerente ao manto ou a qualquer outro objeto a Ele pertencente, seria entregar-se à crendice cega nos talismãs.
Em A Gênese, cap. XIV, itens 31 a 34, afirma o mestre lionês: "Pela identidade da sua natureza, esse fluido, condensado no perispírito, pode fornecer princípios reparadores para o corpo; o Espírito, encarnado ou desencarnado, é o agente propulsor que infiltra num corpo deteriorado uma parte da substância do seu envoltório fluídico. A cura se opera mediante a substituição de uma molécula malsã por uma molécula sã". No item 32 assevera: "Algumas vezes (a ação magnética) é lenta e reclama tratamento prolongado, como no magnetismo ordinário; doutras vezes é rápida, como uma corrente elétrica".
Kardec explica, no capítulo XV, que pela expressão do Evangelho "conhecendo em si mesmo a virtude que dele saíra", podemos entender a expressão do movimento fluídico que se operara de Jesus para a doente, ambos experimentando a ação produzida: ela porque sentira de imediato a cura e Ele porque percebera o fluxo magnético doado sem sua vontade consciente.
Neste caso, há um ponto chave: a vontade da paciente foi o fator atrativo preponderante. Ao influxo poderoso da energia magnética recebida de Jesus, as oscilações mentais da enferma, já receptivas pela confiança viva que alimentava em seu coração, se condensaram, automaticamente, na direção do trabalho restaurativo celular, conduzindo a ação magnética a um "efeito de enxurrada", em que os fluidos salutares vão removendo os deletérios, e os milhões de corpúsculos do organismo fisiopsicossomático obedeceram instintivamente às ordens recebidas, harmonizando as funções em desalinho e promovendo a cura instantânea.
Conta o Evangelho que Jesus "olhava em torno de si à procura daquela que o tocara" e que, ao encontrá-la, disse-lhe: "Minha filha, tua fé te salvou!".
Até breve!
(Artigo originalmente publicado no IPV - Informativo Peixinho Vermelho no 55 - Maio de 2003 - C.E. Seareiros de Jesus)
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Domínio da Ira
| Tão comuns se te fazem a irritabilidade e o reproche, que estás perdendo o equilíbrio, o discernimento sobre o limite das tuas forças. Habituas-te à reprimenda e à contrariedade de tal forma, que perdes o controle da emoção, deixando de lado os requisitos da urbanidade e do respeito ao próximo. Freqüentemente deixas-te arrastar pela insidiosa violência, que se te vai instalando no comportamento, passando de um estado de paz ao de guerra por motivo de somenos importância. Sem te dares conta, perdes o contato do amor e passas a ser temido, por extensão detestado. A irascibilidade gera doenças graves, responsáveis por distonias físicas e mentais de largo alcance. Da ira ao ódio o passo é breve, momentâneo, e o recuo difícil. Tem tento, e faze uma revisão dos teus atos, tornando-te mais comedido e pacificado. * Ouve quem te fala, sem idéia preconcebida. Desarma a emoção, a fim de agires com imparcialidade. A idéia preconceituosa abre espaço mental à irascibilidade. É necessário combater com ações mentais contínuas, as reações que te assomam entorpecendo-te a lucidez e fazendo-te um tresvariado. A reflexão e o reconhecimento dos próprios erros são recursos valiosos para combater a irritação sistemática. Tem a coragem de reconhecer que erras, que te comprometes, não te voltando contra os outros como efeito normal do teu insucesso. * A ira cega, enlouquece.Provocando uma vasoconstrição violenta no sistema circulatório, leva à apoplexia, ao enfarto, à morte. * Um momento de irritação, e fica destruída uma excelente Obra.O trabalho de um período demorado reduz-se a cinzas, qual ocorre com a faísca de fogo atingindo material de fácil combustão. A ira separa os indivíduos e fomenta lutas desditosas. * Estanca o passo e retrocede na viagem do desequilíbrio.Recorre à oração. Evita as pessoas maledicentes, queixosas, venenosas. Elas se te fazem estímulo constante à irritabilidade, ao armamento emocional contra os outros. * A tua vida é preciosa, e deves colocar todas as tuas forças a serviço do amor.Desde que és forte, investe na bondade, na paciência e no perdão, que são degraus de ascensão. Para baixo é fácil, sem esforço, o processo de queda. A sublimação, a subida espiritual, são o desafio para os teus valores morais. Aplica-os com sabedoria e fruirás de paz, aureolado pela simpatia que envolve e felicita a todos. Ademais, a ira é porta de acesso à obsessão, à interferência perniciosa dos Espíritos maus, enquanto o amor; a doçura e o perdão são liames de ligação com Deus, plenificando o homem. |
* * * Franco, Divaldo Pereira. Da obra: Momentos de Felicidade.Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis. Salvador, BA: LEAL, 1990. |
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Quando não estivermos nos sentindo bem com uma situação - lembremos do:
FAVOR DIVINO
Não te queixes de Deus porque dificuldades te povoem a vida.
Certamente Deus conhece todos os programas de ação que te estruturam a existência.
O parente difícil, a casa em provas, as tarefas árduas, a conquista de simpatia, o relacionamento espinhoso...
Tudo isso poderia Deus suprimir num momento.
Entretanto, sem os familiares incompreensivos, não conhecerias o amor; fora dos obstáculos domésticos, não adquiririas responsabilidade; fugindo aos encargos de sacrifício, não terias experiência; longe da procura de apoio, não praticarias fraternidade e desertando das lutas de equipe, acabarias desconhecendo o valor da cooperação.
... Convence-te de que Deus pode sanar qualquer preocupação, mas deixa-nos a cada um a bênção do trabalho, de modo a que consigamos sair da ingenuidade e da inércia, para sermos, um dia, colaboradores conscientes da Divina Sabedoria que sustenta a Criação.
Do livro: "Amizade", MEIMEI, Francisco Cândido Xavier)
Grupo de Estudo Irmão Francisco
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Uma Vida Idealizada: O Pior Efeito do Egoísmo na Vida Mental
Falamos muito em egoísmo no Espiritismo, mas nem sempre estudamos a verdade contida no que o mundo espiritual, desde o trabalho de Allan Kardec, tem ensinado sobre esse sentimento que se tornou uma doença ao longo de nossas reencarnações.
Vamos fazer algumas considerações sobre o tema.
Um dos hábitos mais enraizados que o egoísmo moldou na vida mental é o de satisfazer nossos desejos e interesses, custem o preço que custarem. Isso se chama personalismo. Eis alguns conceitos de personalismo: supervalorização de si mesmo, paixão crônica com tudo que parta de nós, vício de evidência pessoal.
Hoje, quando queremos mudar nossa forma de pensar e de ser através da reforma íntima, temos uma forte tendência consolidada que é transportada também aos ideais de renovação. É assim que se inicia uma batalha interior entre o que somos e o que queremos ser. Como não conseguimos ser quem gostaríamos, de uma hora para outra, experimentamos uma sofreguidão com o fato de ter que nos deparar com quem somos. Há uma acentuada inaceitação de si mesmo e um dilacerante clima de conflito e impaciência com nossa realidade.
Nesse contexto emociona, percebemos claramente que a renovação não poderá ser feita da mesma forma que aplicávamos aos nossos caprichos pessoais. Não há um modo de satisfazer esse desejo de mudar a preço de ilusões ou queimando etapas. Renovação exige suor e muitas vezes as lágrimas. Ainda assim, o personalismo que é uma expressão doentia do egoísmo nos causará muitas vivências dolorosas e que necessitam de orientação e ajuda para serem superadas.
Diante desse conflito interior entre quem somos e quem queremos ser, surge a idealização, e deflagra-se o choque entre EU REAL X EU IDEAL. O eu real é o que sentimos que somos e o ideal é o que pensamos que somos. É daí que surgem as chamadas máscaras com quais escondemos o que sentimos por conta do que pensamos a respeito das normas de convivência social.
O sentimento que gerencia todo esse mecanismo na vida mental é o auxiliar principal do egoísmo, chama-se orgulho, isto é, o sentimento de superioridade pessoal. O orgulho, no dizer de Ermance Dufaux, em seu livro “Mereça ser Feliz”, Editora Dufaux, é uma defesa contra a nossa milenar sensação de inferioridade. Precisamos dele para amortecer a dor que nos faz sentir não ter utilidade ou valia diante desse convite da vida, para avançar por meio da transformação interior. É esse orgulho que projeta e constrói a chamada vida idealizada.
A vida idealizada é um conjunto de ilusões que construímos a respeito de tudo que nos cerca, por exemplo: sobre como deveria ser o nosso casamento, como deveriam ser os nossos filhos e o que eles deveriam fazer, como deveria ser o nosso centro espírita, como deveria agir um determinado líder da doutrina ou um irmão de ideal, enfim, sobre como a vida e as pessoas deveriam ser. A vida idealizada é, sem dúvida, o pior efeito do egoísmo na vida mental para quem agasalha o ideal da renovação interior. Seremos magoados muitas vezes por conta dessa doença, porque ninguém e nem a vida existem para atender nossas expectativas.
Fiz uma descrição no quadro de autoconhecimento anexo sobre algumas diferenças de uma pessoa sintonizada na humildade, em clima espiritual de aceitação e naturalidade, e uma pessoa que idealiza, escrava do egoísmo. Faça uso e reflita qual a sua situação em relação às características de cada um e em qual você se enquadra.
No livro “Mereça ser Feliz – superando as ilusões do orgulho”, a autora espiritual nos oferece, no capítulo “Personalismo, a Lupa do Orgulho”, uma lista de atitudes que poderão ser um bom começo na reeducação de nossas tendências egoísticas e, por conseqüência, a diluição de uma vida idealizada. Reflitamos:
Um dos hábitos mais enraizados que o egoísmo moldou na vida mental é o de satisfazer nossos desejos e interesses, custem o preço que custarem. Isso se chama personalismo. Eis alguns conceitos de personalismo: supervalorização de si mesmo, paixão crônica com tudo que parta de nós, vício de evidência pessoal.
Hoje, quando queremos mudar nossa forma de pensar e de ser através da reforma íntima, temos uma forte tendência consolidada que é transportada também aos ideais de renovação. É assim que se inicia uma batalha interior entre o que somos e o que queremos ser. Como não conseguimos ser quem gostaríamos, de uma hora para outra, experimentamos uma sofreguidão com o fato de ter que nos deparar com quem somos. Há uma acentuada inaceitação de si mesmo e um dilacerante clima de conflito e impaciência com nossa realidade.
Nesse contexto emociona, percebemos claramente que a renovação não poderá ser feita da mesma forma que aplicávamos aos nossos caprichos pessoais. Não há um modo de satisfazer esse desejo de mudar a preço de ilusões ou queimando etapas. Renovação exige suor e muitas vezes as lágrimas. Ainda assim, o personalismo que é uma expressão doentia do egoísmo nos causará muitas vivências dolorosas e que necessitam de orientação e ajuda para serem superadas.
Diante desse conflito interior entre quem somos e quem queremos ser, surge a idealização, e deflagra-se o choque entre EU REAL X EU IDEAL. O eu real é o que sentimos que somos e o ideal é o que pensamos que somos. É daí que surgem as chamadas máscaras com quais escondemos o que sentimos por conta do que pensamos a respeito das normas de convivência social.
O sentimento que gerencia todo esse mecanismo na vida mental é o auxiliar principal do egoísmo, chama-se orgulho, isto é, o sentimento de superioridade pessoal. O orgulho, no dizer de Ermance Dufaux, em seu livro “Mereça ser Feliz”, Editora Dufaux, é uma defesa contra a nossa milenar sensação de inferioridade. Precisamos dele para amortecer a dor que nos faz sentir não ter utilidade ou valia diante desse convite da vida, para avançar por meio da transformação interior. É esse orgulho que projeta e constrói a chamada vida idealizada.
A vida idealizada é um conjunto de ilusões que construímos a respeito de tudo que nos cerca, por exemplo: sobre como deveria ser o nosso casamento, como deveriam ser os nossos filhos e o que eles deveriam fazer, como deveria ser o nosso centro espírita, como deveria agir um determinado líder da doutrina ou um irmão de ideal, enfim, sobre como a vida e as pessoas deveriam ser. A vida idealizada é, sem dúvida, o pior efeito do egoísmo na vida mental para quem agasalha o ideal da renovação interior. Seremos magoados muitas vezes por conta dessa doença, porque ninguém e nem a vida existem para atender nossas expectativas.
Fiz uma descrição no quadro de autoconhecimento anexo sobre algumas diferenças de uma pessoa sintonizada na humildade, em clima espiritual de aceitação e naturalidade, e uma pessoa que idealiza, escrava do egoísmo. Faça uso e reflita qual a sua situação em relação às características de cada um e em qual você se enquadra.
No livro “Mereça ser Feliz – superando as ilusões do orgulho”, a autora espiritual nos oferece, no capítulo “Personalismo, a Lupa do Orgulho”, uma lista de atitudes que poderão ser um bom começo na reeducação de nossas tendências egoísticas e, por conseqüência, a diluição de uma vida idealizada. Reflitamos:
- Emitir opiniões sem fixar-se obstinadamente na idéia de serem as melhores.
- Aprender a discernir os limites entre convicção e irredutibilidade nos pontos de vista.
- Ouvir a discordância alheia acerca de nossas ações sem sentimento de perda ou melindre.
- Cultivar abnegação na apresentação dos projetos nascidos no esforço pessoal, expondo-os para análise grupal.
- Evitar difundir a “folha de serviço” das realizações pessoais já concretizadas.
- Disciplinar e enobrecer o hábito de fazer comparações.
- Acreditar que a colaboração pessoal sempre poderá ser aperfeiçoada.
- Pedir desculpas quando errar.
- Ter metas sem agigantá-las na sua importância frente às incertezas do futuro.
- Aprender a ouvir opiniões para melhor discernir.
- Admitir para si os sentimentos de mágoa e inveja.
- Ser simples.
- Ter como única expectativa nas participações individuais o desejo de aprender e ser útil.
- Esforçar-se para sair do “personalismo silencioso”, o isolacionismo e a timidez.
- Delegar tarefas, mesmo que acredite que outro não dará conta de fazê-la tão bem quanto nós.
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