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O Dr. Arun Gandhi, neto de Mahatma Gandhi e fundador do Instituto M.K. Gandhi para a Vida Sem Violência, em sua palestra de 9 de junho, na Universidade de Porto Rico, compartilhou a seguinte história como exemplo da vida sem violência exemplificada por seus pais:
Eu tinha 16 anos e estava vivendo com meus pais no instituto que meu avô havia fundado, a 18 milhas da cidade de Durban, na África do Sul, em meio a plantações de cana de açúcar.
Estávamos bem no interior do país e não tínhamos vizinhos. Assim, sempre nos entusiasmava, às duas irmãs e a mim, poder ir à cidade visitar amigos ou ir ao cinema.
Certo dia, meu pai me pediu que o levasse à cidade para assistir a uma conferência que duraria o dia inteiro, e eu me apressei de imediato diante da oportunidade.
Como iria à cidade, minha mãe deu-me uma lista de coisas do supermercado, as quais necessitava, e como iria passar todo o dia na cidade, meu pai me pediu que me encarregasse de algumas tarefas pendentes, como levar o carro à oficina.
Quando me despedi de meu pai, ele me disse: 'Nós nos veremos neste local às 5 horas da tarde e retornaremos à casa juntos.'
Após, muito rapidamente, completar todas as tarefas, fui ao cinema mais próximo. Estava tão concentrado no filme, um filme duplo de John Wayne, que me esqueci do tempo. Eram 5:30 horas da tarde, quando me lembrei.
Corri à oficina, peguei o carro e corri até onde meu pai estava me esperando. Já eram quase 6 horas da tarde.
Ele me perguntou com ansiedade: 'Por que chegaste tarde?' Eu me sentia mal com o fato e não lhe podia dizer que estava assistindo um filme de John Wayne. Então, eu lhe disse que o carro não estava pronto e que tive que esperar... isto eu disse sem saber que meu pai já havia ligado para a oficina.
Quando ele se deu conta de que eu havia mentido, disse-me: 'Algo não anda bem, na maneira pela qual te tenho educado, que não te tem proporcionado confiança em dizer-me a verdade. Vou refletir sobre o que fiz de errado contigo. Vou caminhar as 18 milhas à casa e pensar sobre isto.'
Assim, vestido com seu traje e seus sapatos elegantes, começou a caminhar até a casa, por caminhos que nem estavam asfaltados nem iluminados.
Não podia deixá-lo só. Assim, dirigi por 5 horas e meia atrás dele... vendo meu pai sofrer a agonia de uma mentira estúpida que eu havia dito.
Decidi, desde aquele momento, que nunca mais iria mentir.
Muitas vezes me recordo desse episódio e penso.. Se le me tivesse castigado do modo que castigamos nossos filhos... teria eu aprendido a lição?... Não acredito... Se tivesse sofrido o castigo,
continuaria fazendo o mesmo...Mas, tal ação de não-violência foi tão forte que a tenho impressa na memória como se fosse ontem...
Este é o poder da vida sem violência.
O mesmo tema, vários artigos, para ajudar a alguém que está preparando uma exposição ou estudando um assunto
Estudando o Espiritismo
Observe os links ao lado. Eles podem ter artigos com o mesmo tema que você está pesquisando.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
sábado, 12 de junho de 2010
Proporções:
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Se fosse possível reduzir a população do mundo inteiro em uma vila de 100 pessoas,
mantendo a proporção do povo existente agora no mundo, tal vila seria composta de:
57 Asiáticos
21 Europeus
14 Americanos (Norte, Centro e Sul)
8 Africanos
52 seriam mulheres
48 homens
70 "não brancos"
30 brancos
70 não cristãos
30 seriam cristãos
89 seriam heterossexuais
11 seriam homossexuais
6 pessoas possuiriam 59% da riqueza do mundo inteiro e todos os 6 seriam dos EUA
80 viveriam em casas inabitáveis
70 seriam analfabetos
50 sofreriam de desnutrição
1 estaria para morrer
1 estaria para nascer
1 teria computador
1 (sim, apenas 1) teria formação universitária
Se o mundo for considerado sob esta perspectiva, a necessidade de aceitação, compreensão e educação torna-se evidente.
Considere ainda que se você acordou hoje mais saudável que doente, você tem mais sorte que um milhão de pessoas que não verão a próxima semana.
Se nunca experimentou o perigo de uma batalha, a solidão de uma prisão, a agonia da tortura, a dor da fome, você tem mais sorte que 500 milhões de habitantes no mundo.
Se você pode ir à igreja sem o medo de ser bombardeado, preso ou torturado, você tem mais sorte que 3 milhões de pessoas no mundo.
Se você tem comida na geladeira, roupa no armário, um teto sobre sua cabeça, um lugar para dormir, considere-se mais rico que 75% dos habitantes deste mundo.
Se tiver dinheiro no banco, na carteira ou um trocado em alguma parte, considere-se entre os 8% das pessoas com a melhor qualidade de vida no mundo.
Se seus pais estão vivos e ainda juntos, considere-se uma pessoa muito rara.
Se puder ler esta mensagem, você recebeu uma dupla benção, pois alguém pensou em você e você não está entre os 2 milhões de pessoas que não sabem ler.
Vale a pena tentar...
"Ame como se ninguém nunca o houvesse feito sofrer
Trabalhe como se não precisasse do dinheiro
Dance como se ninguém estivesse olhando
Cante como se ninguém estivesse ouvindo
Viva como se aqui fosse o paraíso."
Se fosse possível reduzir a população do mundo inteiro em uma vila de 100 pessoas,
mantendo a proporção do povo existente agora no mundo, tal vila seria composta de:
57 Asiáticos
21 Europeus
14 Americanos (Norte, Centro e Sul)
8 Africanos
52 seriam mulheres
48 homens
70 "não brancos"
30 brancos
70 não cristãos
30 seriam cristãos
89 seriam heterossexuais
11 seriam homossexuais
6 pessoas possuiriam 59% da riqueza do mundo inteiro e todos os 6 seriam dos EUA
80 viveriam em casas inabitáveis
70 seriam analfabetos
50 sofreriam de desnutrição
1 estaria para morrer
1 estaria para nascer
1 teria computador
1 (sim, apenas 1) teria formação universitária
Se o mundo for considerado sob esta perspectiva, a necessidade de aceitação, compreensão e educação torna-se evidente.
Considere ainda que se você acordou hoje mais saudável que doente, você tem mais sorte que um milhão de pessoas que não verão a próxima semana.
Se nunca experimentou o perigo de uma batalha, a solidão de uma prisão, a agonia da tortura, a dor da fome, você tem mais sorte que 500 milhões de habitantes no mundo.
Se você pode ir à igreja sem o medo de ser bombardeado, preso ou torturado, você tem mais sorte que 3 milhões de pessoas no mundo.
Se você tem comida na geladeira, roupa no armário, um teto sobre sua cabeça, um lugar para dormir, considere-se mais rico que 75% dos habitantes deste mundo.
Se tiver dinheiro no banco, na carteira ou um trocado em alguma parte, considere-se entre os 8% das pessoas com a melhor qualidade de vida no mundo.
Se seus pais estão vivos e ainda juntos, considere-se uma pessoa muito rara.
Se puder ler esta mensagem, você recebeu uma dupla benção, pois alguém pensou em você e você não está entre os 2 milhões de pessoas que não sabem ler.
Vale a pena tentar...
"Ame como se ninguém nunca o houvesse feito sofrer
Trabalhe como se não precisasse do dinheiro
Dance como se ninguém estivesse olhando
Cante como se ninguém estivesse ouvindo
Viva como se aqui fosse o paraíso."
O vestido azul
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Num bairro pobre de uma cidade distante, morava uma garotinha muito bonita.
Ela freqüentava a escola local. Sua mãe não tinha muito cuidado e a criança quase sempre se apresentava suja. Suas roupas eram muito velhas e maltratadas.
O professor ficou penalizado com a situação da menina.
"Como é que uma menina tão bonita, pode vir para a escola tão mal arrumada?".
Separou algum dinheiro do seu salário e, embora com dificuldade, resolveu lhe comprar um vestido novo. Ela ficou linda no vestido azul.
Quando a mãe viu a filha naquele lindo vestido azul, sentiu que era lamentável que sua filha, vestindo aquele traje novo, fosse tão suja para a escola. Por isso, passou a lhe dar banho todos os dias, pentear seus cabelos, cortar suas unhas.
Quando acabou a semana, o pai falou: "mulher, você não acha uma vergonha que nossa filha, sendo tão bonita e bem arrumada, more em um lugar como este, caindo aos pedaços? Que tal você ajeitar a casa? Nas horas vagas, eu vou dar uma pintura nas paredes, consertar a cerca e plantar um jardim."
Logo mais, a casa se destacava na pequena vila pela beleza das flores que enchiam o jardim, e o cuidado em todos os detalhes. Os vizinhos ficaram envergonhados por morar em barracos feios e resolveram também arrumar as suas casas, plantar flores, usar pintura e criatividade.
Em pouco tempo, o bairro todo estava transformado. Um homem, que acompanhava os esforços e as lutas daquela gente, pensou que eles bem mereciam um auxílio das autoridades. Foi ao prefeito expor suas idéias e saiu de lá com autorização para formar uma comissão para estudar os melhoramentos que seriam necessários ao bairro.
A rua de barro e lama foi substituída por asfalto e calçadas de pedra. Os esgotos a céu aberto foram canalizados e o bairro ganhou ares de cidadania.
E tudo começou com um vestido azul.
Não era intenção daquele professor consertar toda a rua, nem criar um organismo que socorresse o bairro. Ele fez o que podia, deu a sua parte. Fez o primeiro movimento que acabou fazendo que outras pessoas se motivassem a lutar por melhorias.
Será que cada um de nós está fazendo a sua parte no lugar em que vive?
Por acaso somos daqueles que somente apontamos os buracos da rua, as crianças à solta sem escola e a violência do trânsito?
Lembremos que é difícil mudar o estado total das coisas. Que é difícil limpar toda a rua, mas é fácil varrer a nossa calçada.
É difícil reconstruir um planeta, mas é possível dar um vestido azul.
Há moedas de amor que valem mais do que os tesouros bancários, quando endereçadas no momento próprio e com bondade.
Você acaba de receber um lindo vestido azul.
Faça a sua parte.
Ajude-nos a melhorar o PLANETA!
Num bairro pobre de uma cidade distante, morava uma garotinha muito bonita.
Ela freqüentava a escola local. Sua mãe não tinha muito cuidado e a criança quase sempre se apresentava suja. Suas roupas eram muito velhas e maltratadas.
O professor ficou penalizado com a situação da menina.
"Como é que uma menina tão bonita, pode vir para a escola tão mal arrumada?".
Separou algum dinheiro do seu salário e, embora com dificuldade, resolveu lhe comprar um vestido novo. Ela ficou linda no vestido azul.
Quando a mãe viu a filha naquele lindo vestido azul, sentiu que era lamentável que sua filha, vestindo aquele traje novo, fosse tão suja para a escola. Por isso, passou a lhe dar banho todos os dias, pentear seus cabelos, cortar suas unhas.
Quando acabou a semana, o pai falou: "mulher, você não acha uma vergonha que nossa filha, sendo tão bonita e bem arrumada, more em um lugar como este, caindo aos pedaços? Que tal você ajeitar a casa? Nas horas vagas, eu vou dar uma pintura nas paredes, consertar a cerca e plantar um jardim."
Logo mais, a casa se destacava na pequena vila pela beleza das flores que enchiam o jardim, e o cuidado em todos os detalhes. Os vizinhos ficaram envergonhados por morar em barracos feios e resolveram também arrumar as suas casas, plantar flores, usar pintura e criatividade.
Em pouco tempo, o bairro todo estava transformado. Um homem, que acompanhava os esforços e as lutas daquela gente, pensou que eles bem mereciam um auxílio das autoridades. Foi ao prefeito expor suas idéias e saiu de lá com autorização para formar uma comissão para estudar os melhoramentos que seriam necessários ao bairro.
A rua de barro e lama foi substituída por asfalto e calçadas de pedra. Os esgotos a céu aberto foram canalizados e o bairro ganhou ares de cidadania.
E tudo começou com um vestido azul.
Não era intenção daquele professor consertar toda a rua, nem criar um organismo que socorresse o bairro. Ele fez o que podia, deu a sua parte. Fez o primeiro movimento que acabou fazendo que outras pessoas se motivassem a lutar por melhorias.
Será que cada um de nós está fazendo a sua parte no lugar em que vive?
Por acaso somos daqueles que somente apontamos os buracos da rua, as crianças à solta sem escola e a violência do trânsito?
Lembremos que é difícil mudar o estado total das coisas. Que é difícil limpar toda a rua, mas é fácil varrer a nossa calçada.
É difícil reconstruir um planeta, mas é possível dar um vestido azul.
Há moedas de amor que valem mais do que os tesouros bancários, quando endereçadas no momento próprio e com bondade.
Você acaba de receber um lindo vestido azul.
Faça a sua parte.
Ajude-nos a melhorar o PLANETA!
A Águia - Decisão, renovação e vitória
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A águia é a ave que possui a maior longevidade da espécie. Chega a viver 70 anos. Mas para chegar a essa idade, aos 40 anos ela tem que tomar uma séria e difícil decisão.
Aos 40 anos ela está com: As unhas compridas e flexíveis, não consegue mais agarrar as suas presas das quais se alimenta. O bico alongado e pontiagudo se curva. Apontando contra o peito estão as asas, envelhecidas e pesadas em função da grossura das penas, e voar já é tão difícil!
Então, a águia só tem duas alternativas: Morrer... ou enfrentar um dolorido processo de renovação que irá durar 150 dias. Esse processo consiste em voar para o alto de uma montanha e se recolher em um ninho próximo a um paredão onde ela não necessite voar. Então, após encontrar esse lugar, a águia começa a bater com o bico em uma parede até conseguir arrancá-lo. Após arrancá-lo, espera nascer um novo bico, com o
qual vai depois arrancar suas unhas. Quando as novas unhas começam a nascer, ela passa a arrancar as velhas penas E só após cinco meses sai para o famoso vôo de renovação e para viver então mais 30 anos.
Em nossa vida, muitas vezes, temos de nos resguardar por algum tempo e começar um processo de renovação.
Para que continuemos a voar um vôo de vitória, devemos nos desprender de lembranças, costumes e outras tradições que nos causaram dor. Somente livres do peso do passado, poderemos aproveitar o resultado valioso que uma renovação sempre traz.
A águia é a ave que possui a maior longevidade da espécie. Chega a viver 70 anos. Mas para chegar a essa idade, aos 40 anos ela tem que tomar uma séria e difícil decisão.
Aos 40 anos ela está com: As unhas compridas e flexíveis, não consegue mais agarrar as suas presas das quais se alimenta. O bico alongado e pontiagudo se curva. Apontando contra o peito estão as asas, envelhecidas e pesadas em função da grossura das penas, e voar já é tão difícil!
Então, a águia só tem duas alternativas: Morrer... ou enfrentar um dolorido processo de renovação que irá durar 150 dias. Esse processo consiste em voar para o alto de uma montanha e se recolher em um ninho próximo a um paredão onde ela não necessite voar. Então, após encontrar esse lugar, a águia começa a bater com o bico em uma parede até conseguir arrancá-lo. Após arrancá-lo, espera nascer um novo bico, com o
qual vai depois arrancar suas unhas. Quando as novas unhas começam a nascer, ela passa a arrancar as velhas penas E só após cinco meses sai para o famoso vôo de renovação e para viver então mais 30 anos.
Em nossa vida, muitas vezes, temos de nos resguardar por algum tempo e começar um processo de renovação.
Para que continuemos a voar um vôo de vitória, devemos nos desprender de lembranças, costumes e outras tradições que nos causaram dor. Somente livres do peso do passado, poderemos aproveitar o resultado valioso que uma renovação sempre traz.
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Não julgue para não ser julgado
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Certa vez, em uma cidade do interior de Minas, um padeiro foi ao delegado e deu queixas do vendedor de queijos que segundo ele estava roubando, pois vendia 800 gramas de queijo e dizia estar vendendo 1 kilo.
O delegado pegou o queijo de 1 kilo e constatou que só pesava 800 gramas e mandou então prender o vendedor de queijos sob a acusação de estar fraudando a balança.
O vendedor de queijos ao ser notificado da acusação, confessou ao delegado que não tinha peso em casa e por isso, todos os dias comprava dois pães de meio kilo cada, colocava os pães em um prato da balança e o queijo em outro e quando o fiel da balança se equilibrava ele então sabia que tinha um kilo de queijo.
o delegado para tirar a prova mandou comprar dois pães na padaria do acusador e pode constatar que dois pães de meio kilo se equivaliam a um kilo de queijo. concluiu o delegado que quem estava fraudando a balança era o mesmo que estava acusando o vendedor de queijos.
Nós somos um pouco assim e muitas vezes acusamos os outros de nossos próprios vícios.
Certa vez, em uma cidade do interior de Minas, um padeiro foi ao delegado e deu queixas do vendedor de queijos que segundo ele estava roubando, pois vendia 800 gramas de queijo e dizia estar vendendo 1 kilo.
O delegado pegou o queijo de 1 kilo e constatou que só pesava 800 gramas e mandou então prender o vendedor de queijos sob a acusação de estar fraudando a balança.
O vendedor de queijos ao ser notificado da acusação, confessou ao delegado que não tinha peso em casa e por isso, todos os dias comprava dois pães de meio kilo cada, colocava os pães em um prato da balança e o queijo em outro e quando o fiel da balança se equilibrava ele então sabia que tinha um kilo de queijo.
o delegado para tirar a prova mandou comprar dois pães na padaria do acusador e pode constatar que dois pães de meio kilo se equivaliam a um kilo de queijo. concluiu o delegado que quem estava fraudando a balança era o mesmo que estava acusando o vendedor de queijos.
Nós somos um pouco assim e muitas vezes acusamos os outros de nossos próprios vícios.
O Homem: As Viagens
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O homem, bicho da Terra tão pequeno
chateia-se na Terra
lugar de muita miséria e pouca diversão,
faz um foguete, uma cápsula, um módulo
toca para a Lua
desce cauteloso na Lua
pisa na Lua
planta bandeirola na Lua
experimenta a Lua
civiliza a Lua
humaniza a Lua
Lua humanidade: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua.
Vamos para Marte - ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em Marte
pisa em Marte
experimenta
coloniza
civiliza
humaniza Marte com engenho e arte.
Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro - ; diz o engenheiro
sofisticado e dócil.
Vamos a Vênus.
O homem põe o pé em Vênus,
vê o visto ; é isto?
idem
idem
idem.
O homem funde a cuca se não for a Júpiter
proclamar justiça junto com injustiça
repetir a fossa
repetir o inquieto
repetitório.
Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira Terra-a-terra.
O homem chega ao Sol ou dá uma volta
só pra tever?
Não vê que ele inventa
roupa insiderável de viver no Sol.
Põe o pé e:
mas que chato que é o Sol, falso touro
espanho domado.
Restam outros sistema fora
do solar a colonizar.
Ao acabarem todos
só resta ao homem
(estará equipado?)
a dificílima dangerosíssima viagem
de si a si mesmo:
pôr o pé no chão
do seu coração
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
a perene, insuspeitada alegria
de conviver.
Carlos Drummond de Andrade
O homem, bicho da Terra tão pequeno
chateia-se na Terra
lugar de muita miséria e pouca diversão,
faz um foguete, uma cápsula, um módulo
toca para a Lua
desce cauteloso na Lua
pisa na Lua
planta bandeirola na Lua
experimenta a Lua
civiliza a Lua
humaniza a Lua
Lua humanidade: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua.
Vamos para Marte - ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em Marte
pisa em Marte
experimenta
coloniza
civiliza
humaniza Marte com engenho e arte.
Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro - ; diz o engenheiro
sofisticado e dócil.
Vamos a Vênus.
O homem põe o pé em Vênus,
vê o visto ; é isto?
idem
idem
idem.
O homem funde a cuca se não for a Júpiter
proclamar justiça junto com injustiça
repetir a fossa
repetir o inquieto
repetitório.
Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira Terra-a-terra.
O homem chega ao Sol ou dá uma volta
só pra tever?
Não vê que ele inventa
roupa insiderável de viver no Sol.
Põe o pé e:
mas que chato que é o Sol, falso touro
espanho domado.
Restam outros sistema fora
do solar a colonizar.
Ao acabarem todos
só resta ao homem
(estará equipado?)
a dificílima dangerosíssima viagem
de si a si mesmo:
pôr o pé no chão
do seu coração
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
a perene, insuspeitada alegria
de conviver.
Carlos Drummond de Andrade
O PODER DA LEITURA
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Nada pode enriquecer mais nossa vida do que um livro.
Por David McCullough
Um dia, em pleno inverno, Theodore Roosevelt subiu em um barco improvisado, no Rio Little Missouri, em perseguição a ladrões que haviam roubado seu precioso barco a remo.
Vários dias depois, alcançou-os e os ameaçou com sua Winchester, rendendo-os. Roosevelt então tratou de levar os ladrões para entregá-los à Justiça.
Percorreram as terras ermas e cobertas de neve até a cadeia da cidade de Dickinson, e Roosevelt caminhou os cerca de 65 quilômetros - façanha espantosa. O que torna o episódio memorável, porém, é que durante essa jornada ele conseguiu ler Anna Karenina, de Tolstoi.
Penso nisso muitas vezes quando ouço alguém dizer que não tem tempo para ler. Estima-se que o brasileiro tenha em média quatro horas por dia para assistir à TV. Dizem que a pessoa comum lê à velocidade de 250 palavras por minuto. Assim, segundo essas estatísticas, poderíamos ler em uma semana os poemas completos de T.S. Eliot, duas peças de Thornton Wilder, os poemas completos de Maya Angelou, O Som e a fúria, de Faulkner, O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald, e o Livro dos Salmos.
Mas uma semana é muito tempo pelos padrões de hoje, quando as informações podem ser obtidas ao toque de um dedo. QUEREM NOS CONVENCER DE QUE INFORMAÇÃO É APRENDIZAGEM, E ISSO É CONVERSA FIADA. Saber a superfície de um estado ou a capacidade do salto de uma pulga pode ser útil, mas não é aprendizado em si. O maior caminho para a aprendizagem - para a sabedoria, a aventura, o prazer, a compreensão da natureza humana, de nós mesmos, do mundo e de nosso lugar dentro dele - está na leitura de livros.
Leia sempre, a vida toda. Nunca inventaram nada que nos desse tanta substância, recompensas tão infinitas pelo tempo dedicado, quanto um bom livro. Leia à vontade. Deixe que um livro conduza a outro. Isso quase sempre acontece.
Escolha um grande escritor e leia toda sua obra. Leia sobre lugares onde nunca esteve. Leia os livros que mudaram a História: de seu país ou do mundo (como a autobiografia de Frederick Douglass e Primavera silenciosa, de Rachel Carson).
Leia os livros que sabe que devia Ter lido, mas que imagina enfadonhos.
Um clássico pode ser definido como um livro que é publicado por muito tempo quando é excepcional. Pôr que excluir o excepcional de sua experiência de vida? E quando ler um livro que lhe agrade - uma história que tenha ampliado sua experiência de vida, que tenha "acendido a chama" -, então espalhe isso aos quatro ventos.
Levar um livro aonde quer que vá é um conselho bom e antigo. O presidente americano John Adams aconselhou o filho John Quincy a ter sempre consigo um livro de poesias. " Você nunca estará só", explicou, tendo no bolso um poeta."
Revista Seleções Novembro 2000
Nada pode enriquecer mais nossa vida do que um livro.
Por David McCullough
Um dia, em pleno inverno, Theodore Roosevelt subiu em um barco improvisado, no Rio Little Missouri, em perseguição a ladrões que haviam roubado seu precioso barco a remo.
Vários dias depois, alcançou-os e os ameaçou com sua Winchester, rendendo-os. Roosevelt então tratou de levar os ladrões para entregá-los à Justiça.
Percorreram as terras ermas e cobertas de neve até a cadeia da cidade de Dickinson, e Roosevelt caminhou os cerca de 65 quilômetros - façanha espantosa. O que torna o episódio memorável, porém, é que durante essa jornada ele conseguiu ler Anna Karenina, de Tolstoi.
Penso nisso muitas vezes quando ouço alguém dizer que não tem tempo para ler. Estima-se que o brasileiro tenha em média quatro horas por dia para assistir à TV. Dizem que a pessoa comum lê à velocidade de 250 palavras por minuto. Assim, segundo essas estatísticas, poderíamos ler em uma semana os poemas completos de T.S. Eliot, duas peças de Thornton Wilder, os poemas completos de Maya Angelou, O Som e a fúria, de Faulkner, O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald, e o Livro dos Salmos.
Mas uma semana é muito tempo pelos padrões de hoje, quando as informações podem ser obtidas ao toque de um dedo. QUEREM NOS CONVENCER DE QUE INFORMAÇÃO É APRENDIZAGEM, E ISSO É CONVERSA FIADA. Saber a superfície de um estado ou a capacidade do salto de uma pulga pode ser útil, mas não é aprendizado em si. O maior caminho para a aprendizagem - para a sabedoria, a aventura, o prazer, a compreensão da natureza humana, de nós mesmos, do mundo e de nosso lugar dentro dele - está na leitura de livros.
Leia sempre, a vida toda. Nunca inventaram nada que nos desse tanta substância, recompensas tão infinitas pelo tempo dedicado, quanto um bom livro. Leia à vontade. Deixe que um livro conduza a outro. Isso quase sempre acontece.
Escolha um grande escritor e leia toda sua obra. Leia sobre lugares onde nunca esteve. Leia os livros que mudaram a História: de seu país ou do mundo (como a autobiografia de Frederick Douglass e Primavera silenciosa, de Rachel Carson).
Leia os livros que sabe que devia Ter lido, mas que imagina enfadonhos.
Um clássico pode ser definido como um livro que é publicado por muito tempo quando é excepcional. Pôr que excluir o excepcional de sua experiência de vida? E quando ler um livro que lhe agrade - uma história que tenha ampliado sua experiência de vida, que tenha "acendido a chama" -, então espalhe isso aos quatro ventos.
Levar um livro aonde quer que vá é um conselho bom e antigo. O presidente americano John Adams aconselhou o filho John Quincy a ter sempre consigo um livro de poesias. " Você nunca estará só", explicou, tendo no bolso um poeta."
Revista Seleções Novembro 2000
domingo, 6 de junho de 2010
AS REGRAS PARA SER HUMANO
(Desconheço o autor)
1 Você receberá um corpo.
Você pode gostar dele ou odiá-lo, mas ele será seu enquanto durar seu tempo por aqui.
2 Você fará um aprendizado.
Você está inscrito por tempo integral numa escola informal chamada Vida. A cada dia nesta escola você terá a oportunidade de aprender lições. Você pode gostar das lições ou achá-las estúpidas ou irrelevantes.
3 Não existem erros, apenas lições.
Crescer é um processo de tentativa e erro: experimentação. Os experimentos “fracassados” são parte do processo, tanto quanto o experimento que efetivamente “funciona”.
4 Uma lição será repetida até que seja aprendida.
Uma lição lhe será apresentada de formas variadas, até que você a tenha aprendido. Quando a tiver aprendido, você poderá passar à lição seguinte.
5 O aprendizado nunca termina.
Não há parte da vida que não contenha suas lições. Enquanto você estiver vivo, haverá lições a serem aprendidas.
6 “Lá” não é melhor do que “aqui”.
Quando o seu “lá” tiver se tornado um “aqui”, você simplesmente obterá outro “lá”, que novamente parecerá melhor do que “aqui”.
7 Os outros são meramente seus espelhos.
Você não pode amar ou odiar algo em outra pessoa, a menos que isso reflita algo que ama ou odeia em si mesmo.
8 O que você faz de sua vida é escolha sua.
Você possui todas as ferramentas e recursos de que precisa. O que fará com eles depende de você. A escolha é sua.
9 Suas respostas estão dentro de você.
As respostas às questões da Vida estão dentro de você. Tudo o que você precisa fazer é ver, ouvir e confiar.
10 Você se esquecerá de tudo isto.
11 Você poderá se lembrar quando quiser.
1 Você receberá um corpo.
Você pode gostar dele ou odiá-lo, mas ele será seu enquanto durar seu tempo por aqui.
2 Você fará um aprendizado.
Você está inscrito por tempo integral numa escola informal chamada Vida. A cada dia nesta escola você terá a oportunidade de aprender lições. Você pode gostar das lições ou achá-las estúpidas ou irrelevantes.
3 Não existem erros, apenas lições.
Crescer é um processo de tentativa e erro: experimentação. Os experimentos “fracassados” são parte do processo, tanto quanto o experimento que efetivamente “funciona”.
4 Uma lição será repetida até que seja aprendida.
Uma lição lhe será apresentada de formas variadas, até que você a tenha aprendido. Quando a tiver aprendido, você poderá passar à lição seguinte.
5 O aprendizado nunca termina.
Não há parte da vida que não contenha suas lições. Enquanto você estiver vivo, haverá lições a serem aprendidas.
6 “Lá” não é melhor do que “aqui”.
Quando o seu “lá” tiver se tornado um “aqui”, você simplesmente obterá outro “lá”, que novamente parecerá melhor do que “aqui”.
7 Os outros são meramente seus espelhos.
Você não pode amar ou odiar algo em outra pessoa, a menos que isso reflita algo que ama ou odeia em si mesmo.
8 O que você faz de sua vida é escolha sua.
Você possui todas as ferramentas e recursos de que precisa. O que fará com eles depende de você. A escolha é sua.
9 Suas respostas estão dentro de você.
As respostas às questões da Vida estão dentro de você. Tudo o que você precisa fazer é ver, ouvir e confiar.
10 Você se esquecerá de tudo isto.
11 Você poderá se lembrar quando quiser.
sábado, 5 de junho de 2010
Guia do Pau - O que fazer se seu computador travar? - uol
Você já sentiu vontade de quebrar o computador de tanta raiva por ele não funcionar? Se o seu micro já travou alguma vez (e com certeza já), você sabe como é essa sensação. Mas antes de se desesperar ou correr para a assistência técnica, o UOL Tecnologia preparou este guia para você sobreviver a alguns paus frequentes.
Meu computador não liga
O micro não ligou? A Internet não está funcionando? A dica pode parecer boba, mas funciona na maioria dos casos: confira se todos os cabos estão conectados e se os aparelhos estão ligados na energia elétrica. Os cabos devem estar firmes e bem conectados. Confira também se a fonte está regulada para 110 v ou 220 v.
Meu computador liga, mas reinicia sozinho logo em seguida
O problema pode ser na energia elétrica. Teste o computador em outra tomada ou com outro estabilizador.
A fonte do computador liga, mas nada aparece no monitor e ele dá apitos agudos em intervalos regulares
O problema é no encaixe da memória RAM, que é relativamente comum. Abra seu computador, retire as placas e as encaixe novamente. Saiba como trocar a memória RAM
Meu computador liga, mas o Windows não carrega
Verifique se há discos na unidade de CD-ROM, pen-drives, câmeras digitais ou MP3 players conectados à máquina. Por questões de segurança, diversos computadores são configurados para darem preferências aos CD ou dispositivos USB na inicialização. Retire-os e tente novamente
O computador diz que a memória é insuficiente para inicializar o sistema
O sistema operacional possui um limite de memória. Uma versão antiga do Windows, por exemplo, 98, 95 ou Me, suporta até 512 MB de memória. O XP e o Vista, suportam até 4 GB de memória. Saiba o que fazer se o seu sistema tem memória insuficiente
Meu computador até liga, mas nada aparece no monitor
Verifique a conexão do monitor com a energia elétrica e com a saída de vídeo do computador. Confira se o cabo está bem preso. No caso dos modelos LCD, atenção: o cabo de vídeo deve ser encaixado ao monitor da mesma maneira que é preso no computador
Windows trava na inicialização
Reinicie o computador e aperte a tecla F8 logo depois do carregamento da BIOS. Aparecerá um menu com diversas opções de inicialização do Windows. Primeiro teste a opção "Última configuração válida".
Caso o procedimento anterior não tenha dado resultado, repita o processo de apertar a tecla F8 logo depois do carregamento da BIOS, ligue o Windows no Modo de Segurança e siga os passos para a restauração de seu sistema. Durante o console de recuperação, lembre-se de selecionar a configuração salva nova, salva antes do computador começar a apresentar problemas.
Se as alterações sugeridas ainda não fizeram com que seu computador iniciasse normalmente, ligue o Windows no Modo de segurança e procure por mensagens de erro. Nesta opção, é possível se desinstalar os programas que tem apresentado defeito.
O computador trava depois de usá-lo um tempo
As principais razões para o computador travar é falta de memória ou superaquecimento. A primeira coisa a se fazer é ver se o computador travou mesmo ou só está "pensando". Tente pressionar CAPS LOCK: se a luz acender ele só está com excesso de demanda para a memória.
Então, pressione CTRL ALT DEL para entrar no Gerenciador de Tarefas do Windows. Em processos você vê o que está rodando no computador e quanta memória está exigindo. Vá em aplicativos e veja se algum programa está marcado como "Não rodando (Not running)". Clique sobre ele e, então, em finalizar. Faça isso também com os aplicativos que estão rodando em segundo plano ou com aqueles que consomem muita memória. Lembre-se, apenas, que se você fechar um programa, você pode perder tudo que estava fazendo.
O computador está lento e trava com frequência
Se o seu computador está infectado com vírus e outros malwares, o funcionamento da máquina fica comprometida. Eles ocupam memóriam e deterioram arquivos. Para se livrar das pragas, passe um antivírus
O computador travou e apareceu uma tela azul que desligou a máquina sozinha
Blue Screen of Death (BSOD) já é famoso: quando o Windows trava e precisa ser desligado automaticamente. Para escapar da temível tela azul do Windows, confira seis dicas para identificar e corrigir as causas da BSOD
Computador trava e nada dá jeito
Se você já tentou trocar a memória e o cooler, já passou antivírus, já checou todos os programas e o computador continua travando, a solução é formatar o computador e começar tudo do zero
Meu computador não liga
O micro não ligou? A Internet não está funcionando? A dica pode parecer boba, mas funciona na maioria dos casos: confira se todos os cabos estão conectados e se os aparelhos estão ligados na energia elétrica. Os cabos devem estar firmes e bem conectados. Confira também se a fonte está regulada para 110 v ou 220 v.
Meu computador liga, mas reinicia sozinho logo em seguida
O problema pode ser na energia elétrica. Teste o computador em outra tomada ou com outro estabilizador.
A fonte do computador liga, mas nada aparece no monitor e ele dá apitos agudos em intervalos regulares
O problema é no encaixe da memória RAM, que é relativamente comum. Abra seu computador, retire as placas e as encaixe novamente. Saiba como trocar a memória RAM
Meu computador liga, mas o Windows não carrega
Verifique se há discos na unidade de CD-ROM, pen-drives, câmeras digitais ou MP3 players conectados à máquina. Por questões de segurança, diversos computadores são configurados para darem preferências aos CD ou dispositivos USB na inicialização. Retire-os e tente novamente
O computador diz que a memória é insuficiente para inicializar o sistema
O sistema operacional possui um limite de memória. Uma versão antiga do Windows, por exemplo, 98, 95 ou Me, suporta até 512 MB de memória. O XP e o Vista, suportam até 4 GB de memória. Saiba o que fazer se o seu sistema tem memória insuficiente
Meu computador até liga, mas nada aparece no monitor
Verifique a conexão do monitor com a energia elétrica e com a saída de vídeo do computador. Confira se o cabo está bem preso. No caso dos modelos LCD, atenção: o cabo de vídeo deve ser encaixado ao monitor da mesma maneira que é preso no computador
Windows trava na inicialização
Reinicie o computador e aperte a tecla F8 logo depois do carregamento da BIOS. Aparecerá um menu com diversas opções de inicialização do Windows. Primeiro teste a opção "Última configuração válida".
Caso o procedimento anterior não tenha dado resultado, repita o processo de apertar a tecla F8 logo depois do carregamento da BIOS, ligue o Windows no Modo de Segurança e siga os passos para a restauração de seu sistema. Durante o console de recuperação, lembre-se de selecionar a configuração salva nova, salva antes do computador começar a apresentar problemas.
Se as alterações sugeridas ainda não fizeram com que seu computador iniciasse normalmente, ligue o Windows no Modo de segurança e procure por mensagens de erro. Nesta opção, é possível se desinstalar os programas que tem apresentado defeito.
O computador trava depois de usá-lo um tempo
As principais razões para o computador travar é falta de memória ou superaquecimento. A primeira coisa a se fazer é ver se o computador travou mesmo ou só está "pensando". Tente pressionar CAPS LOCK: se a luz acender ele só está com excesso de demanda para a memória.
Então, pressione CTRL ALT DEL para entrar no Gerenciador de Tarefas do Windows. Em processos você vê o que está rodando no computador e quanta memória está exigindo. Vá em aplicativos e veja se algum programa está marcado como "Não rodando (Not running)". Clique sobre ele e, então, em finalizar. Faça isso também com os aplicativos que estão rodando em segundo plano ou com aqueles que consomem muita memória. Lembre-se, apenas, que se você fechar um programa, você pode perder tudo que estava fazendo.
O computador está lento e trava com frequência
Se o seu computador está infectado com vírus e outros malwares, o funcionamento da máquina fica comprometida. Eles ocupam memóriam e deterioram arquivos. Para se livrar das pragas, passe um antivírus
O computador travou e apareceu uma tela azul que desligou a máquina sozinha
Blue Screen of Death (BSOD) já é famoso: quando o Windows trava e precisa ser desligado automaticamente. Para escapar da temível tela azul do Windows, confira seis dicas para identificar e corrigir as causas da BSOD
Computador trava e nada dá jeito
Se você já tentou trocar a memória e o cooler, já passou antivírus, já checou todos os programas e o computador continua travando, a solução é formatar o computador e começar tudo do zero
domingo, 30 de maio de 2010
Espiritualidade na Prática Clínica: o que o clínico deve saber?*
RESUMO
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: Estudos têm demonstrado que a espiritualidade pode promover efeitos positivos e negativos na saúde do paciente. Entretanto, os médicos possuem grande dificuldade para a abordagem deste assunto. O objetivo deste estudo foi rever o tema, focando nas necessidades dos clínicos.
CONTEÚDO: Realizou-se um apanhado geral dos conhecimentos que o clínico deve possuir sobre os aspectos espirituais do paciente, dividindo-se nas seguintes partes: introdução, contexto histórico, conceitos básicos, por que o clínico deve abordar a espiritualidade do paciente, pesquisas e bases científicas, espiritualidade no meio acadêmico, quando e como deve ser abordada a espiritualidade/religiosidade, ?*
CONCLUSÃO: O clínico deve saber o momento certo e a forma correta de se abordar essa dimensão, sem ofender ou julgar as preferências religiosas de cada paciente, de forma a exercer a Medicina de forma mais humana e integral possível.
Descritores: Clínica Médica, Espiritualidade, religião e Medicina,
INTRODUÇÃO
No dia 17 de outubro de 2009, véspera do dia do médico (escolhido por ser o dia de São Lucas, conhecido como ”médico de homens e de almas”), ocorreu no X Congresso Brasileiro de Clínica Médica a mesa redonda: “Espiritualidade na Prática Clínica”.
A iniciativa inédita da Sociedade Brasileira de Clínica Médica foi agraciada com a lotação do auditório no evento e alertou para a necessidade da abordagem deste tema nos congressos médicos e na prática clínica.
O objetivo deste estudo foi traçar um panorama do uso da espiritualidade na prática clínica e quais os conhecimentos básicos necessários para o clínico abordá-la na sua prática diária.
CONTEXTO HISTÓRICO
A ligação entre religião e Medicina faz-se desde os tempos mais remotos. Os egípcios (2000-1800 A.C.) já exorcizavam espíritos usando o nome do Deus Horus1, os cientistas gregos (500-300 A.C.) já discutiam sobre a origem da alma2 e nos tempos medievais (1000-1200 D.C) as autoridades religiosas eram as responsáveis pelas licenças para a prática da Medicina3. Entretanto, a partir da Renascença, houve uma separação entre a ciência e a religião que se manteve até o século XX4, período em que Sir William Osler, professor de Medicina da Universidade Johns Hopkins publicou no British Medical Journal o artigo: “The faith that heals” (A fé que cura)5. Finalmente na década de 1960, começaram a ser publicados diversos estudos epidemiológicos demonstrando a relação entre espiritualidade e religiosidade com a saúde do paciente4, no mesmo período que foi iniciado o Journal of Religion and Health (Jornal de Religião e Saúde) indexado até o presente momento no PubMed.
Nas décadas seguintes cresceu o conceito da chamada “Espiritualidade baseada em evidências”6, o estudo dos mecanismos pelo qual a fé levaria a esses desfechos clínicos7 e de que forma os médicos deveriam abordar esse assunto na prática clínica.
CONCEITOS BÁSICOS
Para facilitar a compreensão do assunto, inicialmente faz-se necessária discussão pormenorizada sobre os conceitos básicos de religião, religiosidade e espiritualidade. ������Segundo Koenig, Mccullough e Larson no livro “Handbook of Religion and Health”4:
• Religião é o sistema organizado de crenças, práticas, rituais e símbolos designados para facilitar o acesso ao sagrado, ao transcendente (Deus, força maior, verdade suprema ...);
• Religiosidade é o quanto um indivíduo acredita, segue e pratica uma religião. Pode ser organizacional (participação na igreja ou templo religioso) ou não organizacional (rezar, ler livros, assistir programas religiosos na televisão);
• Espiritualidade é uma busca pessoal para entender questões relacionadas ao fim da vida, ao seu sentido, sobre as relações com o sagrado ou transcendente que, pode ou não, levar ao desenvolvimento de práticas religiosas ou formações de comunidades religiosas.
Por que o clínico deve abordar a espiritualidade do paciente?
Uma das perguntas mais realizadas pelos médicos em geral é qual a razão para abordar a espiritualidade do paciente. Inicialmente vale lembrar que muitos pacientes são religiosos e suas crenças os ajudam a lidar com muitos aspectos da vida8. Além disso, as crenças pessoais dos médicos influenciam nas suas decisões, tanto por parte do paciente (tendo como exemplo o paciente que é Testemunha de Jeová que não aceita o uso de hemoderivados), como por parte dos próprios médicos (tendo como exemplo, médicos que se recusam a prescrever anticoncepcionais devido aos seus princípios religiosos)9. Mais do que isso, atividades e crenças religiosas estão relacionadas à melhor saúde e qualidade de vida10, assim como os médicos que falam sobre as necessidades espirituais não são novidades, tendo suas raízes na história e muitos pacientes gostariam que seus médicos comentassem sobre suas necessidades espirituais11. Estudos demonstram que a maioria dos pacientes gostaria que seus médicos abordassem sobre sua religião e espiritualidade12,13, e relataram que sentiriam mais empatia e confiança no médico que questionasse esses temas11, proporcionando o resgate da relação médico-paciente, com uma visão holística e mais humanizada.
Torna-se claro na prática clínica que, na grande maioria das vezes, não é possível fragmentar o paciente em várias partes como social, biológica, psíquica e espiritual, afinal todas são interligadas e podem ser responsáveis pelas comorbidades, aderência aos medicamentos, sucesso ou fracasso no tratamento.
PESQUISAS E BASES CIENTÍFICAS
As pesquisas científicas sobre o assunto são numerosas. No banco de dados da PubMed, foram relacionados 4.202 estudos à palavra “spirituality” e para a palavra “religion” 41.314. Esse número de estudos foi equivalente ao número relacionado à palavra “physical activity” na mesma data.
Os estudos têm demonstrado maior relação entre espiritualidade e religiosidade com a saúde mental, incluindo menor prevalência de depressão14, menor tempo de remissão da depressão após o tratamento15, menor prevalência de ansiedade16 e menor taxa de suicídio17. Da mesma forma, estudos demonstram uma relação da espiritualidade com melhor qualidade de vida18 e maior bem estar geral19.
Alguns desfechos clínicos também têm sido avaliados de forma consistente. Os pacientes mais religiosos tiveram menores níveis de hipertensão diastólica20, índices menores de mortalidade por causas cardiovasculares21 e menor mortalidade em geral22-24.
Autores têm relacionado ainda a espiritualidade com marcadores de imunidade, como interleucinas e marcadores de inflamação como proteína C-reativa. Recentemente, Lutgendorf e col.25 mostraram que a frequência religiosa levaria à diminuição na IL-6 e esta levaria à diminuição da mortalidade. Este estudo seria a primeira pesquisa a demonstrar uma participação de um fator imunológico mediando um fator comportamental com a mortalidade. Seguiram-se então, estudos voltados às populações específicas como no caso de mulheres com câncer de mama, em que a maior espiritualidade esteve diretamente relacionada ao número total de linfócitos, de células Natural Killer (NK) e de linfócitos T-helper e T-citotóxicos26. Quanto às pesquisas com marcadores inflamatórios, há evidências de menores níveis de proteína C-reativa27 e menores níveis de cortisol28 nos pacientes que possuem maior frequência religiosa.
Periódicos de alto impacto na literatura médica têm vinculado publicações científicas na área como é o caso do The Journal of the American Medical Association (JAMA)29, New England Journal of Medicine30 e Annals of Internal Medicine31, dentre outros.
O clínico deve ter conhecimento das evidências que suportam este campo, de forma a entender suas repercussões na saúde do paciente.
Espiritualidade no meio acadêmico
Antes renegados ao segundo plano, os cursos de espiritualidade passaram a ser vinculados na maioria das universidades norte-americanas. Em 1993, menos de cinco escolas médicas dos Estados Unidos possuíam a disciplina de religião/espiritualidade em Medicina, valor que subiu para mais de 100 nos últimos 15 anos32. Seguindo esta tendência, 59% das escolas médicas britânicas já possuem cursos relacionados à espiritualidade33.
Diversos centros universitários no mundo têm se interessado e pesquisado sobre o assunto, podendo-se citar, dentre outros: Duke University’s Center for Spirituality, Theology and Health; The George Washington Institute for Spirituality and Health; Center for Spirituality and Health – University of Florida e Center for the Study of Health, Religion and Spirituality Indiana State University.
Cursos têm sido vinculados, inclusive nos programas de residência médica interna nos Estados Unidos da América, como foi o caso de estudo publicado na conceituada revista Academic Medicine em 200234. Foi instituída na Universidade de Massachusetts, uma disciplina de Medicina e espiritualidade compulsória para os residentes do programa de Medicina interna. Por meio de aulas teóricas e práticas, o residente aprendia a reconhecer problemas espirituais, obter a história espiritual, participava de atendimentos com líderes da pastoral local e aprendia princípios básicos sobre todas as religiões. A disciplina foi tão bem sucedida que permanece no programa até hoje.
QUANDO DEVE SER ABORDADA A ESPIRITUALIDADE?
O momento certo para abordar a espiritualidade de um paciente poupa mal entendido, segundo o livro “Espiritualidade no Cuidado com o Paciente”35 escrito por Harold G. Koenig (médico da Universidade de Duke – Estados Unidos da América), o bom senso deve imperar. A abordagem em situações extremas como acidentes e eventos isquêmicos coronarianos, pode levar ao sentimento de medo no indivíduo.
Entretanto, a avaliação ambulatorial de um novo paciente, uma internação por descompensação de alguma doença, os cuidados paliativos e pacientes que serão acompanhados pelo mesmo médico podem ser momentos ideais para a obtenção da história espiritual.
Na anamnese médica, a história social, o questionamento da atividade física, os hábitos e vícios podem preceder a abordagem da espiritualidade de forma natural. Desta forma, pode-se incluir o assunto na estruturação da anamnese, no segmento que aborda os hábitos de vida e condições socioeconômicas do paciente.
Barreiras para o médico
Algumas barreiras são colocadas pelos médicos para não abordarem o tema35. Pode-se citar a falta de conhecimento sobre o assunto, falta de treinamento, falta de tempo, desconforto com o tema, medo de impor pontos de vista religiosos ao paciente, pensamento de que o conhecimento da religião não é relevante ao tratamento médico e a opinião de que isso não faz parte do papel do médico. Essas barreiras são quebradas à medida que o médico se aprofunda no tema e desvencilha-se de seus próprios medos e preconceitos.
Como deve ser abordada a espiritualidade e religiosidade
Não existe uma só forma de abordar a espiritualidade, assim como não existe uma forma correta. Muitas vezes, a sua abordagem faz-se de forma natural e tranquila, o que depende das próprias heranças culturais de cada médico.
Entretanto, pesquisadores têm criado formas de facilitar a abordagem da espiritualidade para os médicos que ainda possuem dificuldades com o tema. Esses instrumentos servem de norteador para a obtenção da história espiritual, sendo os principais instrumentos utilizados36-38 dispostos no quadro 1.
No caso de pacientes não religiosos35, ao invés de focar na espiritualidade, o médico pode perguntar como o paciente convive com a doença; o que promove um significado e propósito à sua vida e quais crenças culturais pode ter impacto no seu tratamento.
Aspectos negativos da religião
Nem todos os efeitos da religião são positivos. É importante que os médicos estejam atentos quando a religião pode desencadear problemas35 (principalmente no caso da religião punitiva em que há uma sensação de que Deus está punindo ou abandonando o paciente) e causar conflitos quanto às condutas médicas. No caso de dificuldades para lidar com relações conflitantes a figura da capelania do hospital ou do líder religioso do paciente é essencial, conjuntamente com o Serviço de Psicologia Hospitalar.
CONCLUSÃO
O clínico deve estar atento à dimensão espiritual do paciente, seja ela positiva ou negativa. O conhecimento científico e prático do assunto pode evitar conflitos na relação
Quadro 1 – Instrumentos para obtenção de história espiritual
Questionário FICA36
F – Fé / crença
• Você se considera religioso ou espiritualizado?
• Você tem crenças espirituais ou religiosas que te ajudam a lidar com problemas?
• Se não: o que te dá significado na vida?
I – Importância ou influência
• Que importância você dá para a fé ou crenças religiosas em sua vida?
• A fé ou crenças já influenciaram você a lidar com estresse ou problemas de saúde?
• Você tem alguma crença específica que pode afetar decisões médicas ou o seu tratamento?
C – Comunidade
• Você faz parte de alguma comunidade religiosa ou espiritual?
• Ela te dá suporte, como?
• Existe algum grupo de pessoas que você “realmente” ama ou que seja importante para você?
• Comunidades como igrejas, templos, centros, grupos de apoio são fontes de suporte importante?
A – Ação no tratamento
• Como você gostaria que o seu médico ou profissional da área da saúde considerasse a questão religiosidade / espiritualidade no seu tratamento?
• Indique, remeta a algum líder espiritual / religioso.
Questionário HOPE37
H - Fontes de Esperança (Hope), significância, conforto, força, paz, amor e relacionamento social.
• Quais são as suas fontes de esperança, força, conforto e paz?
• Ao que você se apega em tempos difíceis?
• O que o sustenta e o faz seguir adiante?
O – Religião organizada
• Você faz parte de uma comunidade religiosa ou espiritual? Ela o ajuda? Como?
• Em que aspectos a religião o ajuda e em quais não o ajuda muito?
P – Espiritualidade pessoal e prática
• Você tem alguma crença espiritual que é independente da sua religião organizada?
• Quais aspectos de sua espiritualidade ou prática espiritual você acha que são mais úteis à sua personalidade?
E – Efeitos no tratamento médico e assuntos terminais
• Ficar doente afetou sua habilidade de fazer coisas que o ajudam espiritualmente?
• Como médico, há algo que eu possa fazer para ajudar você a acessar os recursos que geralmente o apóiam?
• Há alguma prática ou restrição que eu deveria saber sobre seu tratamento médico?
História espiritual do ACP35
• A fé (religião/espiritualidade) é importante para você nesta doença?
• A fé tem sido importante para você em outras épocas da sua vida?
• Você tem alguém para falar sobre assuntos religiosos?
• Você gostaria de tratar de assuntos religiosos com alguém?
CSI—MEMO38
1. Suas crenças religiosas/espirituais lhe dão conforto ou são fontes de estresse?
2. Você possui algum tipo de crença espiritual que pode influenciar suas decisões médicas?
3. Você é membro de alguma comunidade espiritual ou religiosa? Ela lhe ajuda de alguma forma?
4. Você possui alguma outra necessidade espiritual que gostaria de conversar com alguém?médico-paciente, beneficiar os desfechos clínicos e facilitar o atendimento médico.
O clínico deve saber o momento certo e a forma correta de se abordar essa dimensão, sem ofender ou julgar as preferências religiosas de cada paciente, de forma a exercer a Medicina de forma mais humana e integral possível.
Giancarlo Lucchetti1, Alessandra Lamas Granero2, Rodrigo Modena Bassi3, Rafael Latorraca4, Salete Aparecida da Ponte Nacif5
*Recebido da Associação Médico-Espírita de São Paulo, SP.
ARTIGO DE REVISÃO
1. Médico Especialista em Clínica Médica pela Santa Casa de São Paulo; Doutorando em Neurologia/Neurociências pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Coordenador do Núcleo de Pesquisas da Associação Médico-Espírita de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil
2. Médica Especialista em Geriatria pelo Centro Interdisciplinar de Assistência e Pesquisa em Envelhecimento – Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais e Coordenadora do Núcleo de Inserção da Espiritualidade na Prática Clínica da Associação Médico-Espírita de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil
3. Médico Especialista em Clínica Médica pela SBCM; Especialista em Geriatria pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Presidente da Associação Médico-Espírita de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil
4. Graduando de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Coordenador do Departamento Acadêmico da Associação Médico-Espírita de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil
5. Médica Especialista em Clínica Médica pela SBCM; Assistente da Disciplina de Clínica Médica da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Membro da Associação Médico-Espírita de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil
REFERÊNCIAS
1. Prioreschi P. A History of Medicine. Omaha: Horatius; 1995.
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38. Koenig HG. An 83-year-old woman with chronic illness and strong religious beliefs. JAMA 2002;288(4):487-93.
Na íntegra:
http://lildbi.bireme.br/lildbi/docsonline/lilacs/20100400/945.pdf
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: Estudos têm demonstrado que a espiritualidade pode promover efeitos positivos e negativos na saúde do paciente. Entretanto, os médicos possuem grande dificuldade para a abordagem deste assunto. O objetivo deste estudo foi rever o tema, focando nas necessidades dos clínicos.
CONTEÚDO: Realizou-se um apanhado geral dos conhecimentos que o clínico deve possuir sobre os aspectos espirituais do paciente, dividindo-se nas seguintes partes: introdução, contexto histórico, conceitos básicos, por que o clínico deve abordar a espiritualidade do paciente, pesquisas e bases científicas, espiritualidade no meio acadêmico, quando e como deve ser abordada a espiritualidade/religiosidade, ?*
CONCLUSÃO: O clínico deve saber o momento certo e a forma correta de se abordar essa dimensão, sem ofender ou julgar as preferências religiosas de cada paciente, de forma a exercer a Medicina de forma mais humana e integral possível.
Descritores: Clínica Médica, Espiritualidade, religião e Medicina,
INTRODUÇÃO
No dia 17 de outubro de 2009, véspera do dia do médico (escolhido por ser o dia de São Lucas, conhecido como ”médico de homens e de almas”), ocorreu no X Congresso Brasileiro de Clínica Médica a mesa redonda: “Espiritualidade na Prática Clínica”.
A iniciativa inédita da Sociedade Brasileira de Clínica Médica foi agraciada com a lotação do auditório no evento e alertou para a necessidade da abordagem deste tema nos congressos médicos e na prática clínica.
O objetivo deste estudo foi traçar um panorama do uso da espiritualidade na prática clínica e quais os conhecimentos básicos necessários para o clínico abordá-la na sua prática diária.
CONTEXTO HISTÓRICO
A ligação entre religião e Medicina faz-se desde os tempos mais remotos. Os egípcios (2000-1800 A.C.) já exorcizavam espíritos usando o nome do Deus Horus1, os cientistas gregos (500-300 A.C.) já discutiam sobre a origem da alma2 e nos tempos medievais (1000-1200 D.C) as autoridades religiosas eram as responsáveis pelas licenças para a prática da Medicina3. Entretanto, a partir da Renascença, houve uma separação entre a ciência e a religião que se manteve até o século XX4, período em que Sir William Osler, professor de Medicina da Universidade Johns Hopkins publicou no British Medical Journal o artigo: “The faith that heals” (A fé que cura)5. Finalmente na década de 1960, começaram a ser publicados diversos estudos epidemiológicos demonstrando a relação entre espiritualidade e religiosidade com a saúde do paciente4, no mesmo período que foi iniciado o Journal of Religion and Health (Jornal de Religião e Saúde) indexado até o presente momento no PubMed.
Nas décadas seguintes cresceu o conceito da chamada “Espiritualidade baseada em evidências”6, o estudo dos mecanismos pelo qual a fé levaria a esses desfechos clínicos7 e de que forma os médicos deveriam abordar esse assunto na prática clínica.
CONCEITOS BÁSICOS
Para facilitar a compreensão do assunto, inicialmente faz-se necessária discussão pormenorizada sobre os conceitos básicos de religião, religiosidade e espiritualidade. ������Segundo Koenig, Mccullough e Larson no livro “Handbook of Religion and Health”4:
• Religião é o sistema organizado de crenças, práticas, rituais e símbolos designados para facilitar o acesso ao sagrado, ao transcendente (Deus, força maior, verdade suprema ...);
• Religiosidade é o quanto um indivíduo acredita, segue e pratica uma religião. Pode ser organizacional (participação na igreja ou templo religioso) ou não organizacional (rezar, ler livros, assistir programas religiosos na televisão);
• Espiritualidade é uma busca pessoal para entender questões relacionadas ao fim da vida, ao seu sentido, sobre as relações com o sagrado ou transcendente que, pode ou não, levar ao desenvolvimento de práticas religiosas ou formações de comunidades religiosas.
Por que o clínico deve abordar a espiritualidade do paciente?
Uma das perguntas mais realizadas pelos médicos em geral é qual a razão para abordar a espiritualidade do paciente. Inicialmente vale lembrar que muitos pacientes são religiosos e suas crenças os ajudam a lidar com muitos aspectos da vida8. Além disso, as crenças pessoais dos médicos influenciam nas suas decisões, tanto por parte do paciente (tendo como exemplo o paciente que é Testemunha de Jeová que não aceita o uso de hemoderivados), como por parte dos próprios médicos (tendo como exemplo, médicos que se recusam a prescrever anticoncepcionais devido aos seus princípios religiosos)9. Mais do que isso, atividades e crenças religiosas estão relacionadas à melhor saúde e qualidade de vida10, assim como os médicos que falam sobre as necessidades espirituais não são novidades, tendo suas raízes na história e muitos pacientes gostariam que seus médicos comentassem sobre suas necessidades espirituais11. Estudos demonstram que a maioria dos pacientes gostaria que seus médicos abordassem sobre sua religião e espiritualidade12,13, e relataram que sentiriam mais empatia e confiança no médico que questionasse esses temas11, proporcionando o resgate da relação médico-paciente, com uma visão holística e mais humanizada.
Torna-se claro na prática clínica que, na grande maioria das vezes, não é possível fragmentar o paciente em várias partes como social, biológica, psíquica e espiritual, afinal todas são interligadas e podem ser responsáveis pelas comorbidades, aderência aos medicamentos, sucesso ou fracasso no tratamento.
PESQUISAS E BASES CIENTÍFICAS
As pesquisas científicas sobre o assunto são numerosas. No banco de dados da PubMed, foram relacionados 4.202 estudos à palavra “spirituality” e para a palavra “religion” 41.314. Esse número de estudos foi equivalente ao número relacionado à palavra “physical activity” na mesma data.
Os estudos têm demonstrado maior relação entre espiritualidade e religiosidade com a saúde mental, incluindo menor prevalência de depressão14, menor tempo de remissão da depressão após o tratamento15, menor prevalência de ansiedade16 e menor taxa de suicídio17. Da mesma forma, estudos demonstram uma relação da espiritualidade com melhor qualidade de vida18 e maior bem estar geral19.
Alguns desfechos clínicos também têm sido avaliados de forma consistente. Os pacientes mais religiosos tiveram menores níveis de hipertensão diastólica20, índices menores de mortalidade por causas cardiovasculares21 e menor mortalidade em geral22-24.
Autores têm relacionado ainda a espiritualidade com marcadores de imunidade, como interleucinas e marcadores de inflamação como proteína C-reativa. Recentemente, Lutgendorf e col.25 mostraram que a frequência religiosa levaria à diminuição na IL-6 e esta levaria à diminuição da mortalidade. Este estudo seria a primeira pesquisa a demonstrar uma participação de um fator imunológico mediando um fator comportamental com a mortalidade. Seguiram-se então, estudos voltados às populações específicas como no caso de mulheres com câncer de mama, em que a maior espiritualidade esteve diretamente relacionada ao número total de linfócitos, de células Natural Killer (NK) e de linfócitos T-helper e T-citotóxicos26. Quanto às pesquisas com marcadores inflamatórios, há evidências de menores níveis de proteína C-reativa27 e menores níveis de cortisol28 nos pacientes que possuem maior frequência religiosa.
Periódicos de alto impacto na literatura médica têm vinculado publicações científicas na área como é o caso do The Journal of the American Medical Association (JAMA)29, New England Journal of Medicine30 e Annals of Internal Medicine31, dentre outros.
O clínico deve ter conhecimento das evidências que suportam este campo, de forma a entender suas repercussões na saúde do paciente.
Espiritualidade no meio acadêmico
Antes renegados ao segundo plano, os cursos de espiritualidade passaram a ser vinculados na maioria das universidades norte-americanas. Em 1993, menos de cinco escolas médicas dos Estados Unidos possuíam a disciplina de religião/espiritualidade em Medicina, valor que subiu para mais de 100 nos últimos 15 anos32. Seguindo esta tendência, 59% das escolas médicas britânicas já possuem cursos relacionados à espiritualidade33.
Diversos centros universitários no mundo têm se interessado e pesquisado sobre o assunto, podendo-se citar, dentre outros: Duke University’s Center for Spirituality, Theology and Health; The George Washington Institute for Spirituality and Health; Center for Spirituality and Health – University of Florida e Center for the Study of Health, Religion and Spirituality Indiana State University.
Cursos têm sido vinculados, inclusive nos programas de residência médica interna nos Estados Unidos da América, como foi o caso de estudo publicado na conceituada revista Academic Medicine em 200234. Foi instituída na Universidade de Massachusetts, uma disciplina de Medicina e espiritualidade compulsória para os residentes do programa de Medicina interna. Por meio de aulas teóricas e práticas, o residente aprendia a reconhecer problemas espirituais, obter a história espiritual, participava de atendimentos com líderes da pastoral local e aprendia princípios básicos sobre todas as religiões. A disciplina foi tão bem sucedida que permanece no programa até hoje.
QUANDO DEVE SER ABORDADA A ESPIRITUALIDADE?
O momento certo para abordar a espiritualidade de um paciente poupa mal entendido, segundo o livro “Espiritualidade no Cuidado com o Paciente”35 escrito por Harold G. Koenig (médico da Universidade de Duke – Estados Unidos da América), o bom senso deve imperar. A abordagem em situações extremas como acidentes e eventos isquêmicos coronarianos, pode levar ao sentimento de medo no indivíduo.
Entretanto, a avaliação ambulatorial de um novo paciente, uma internação por descompensação de alguma doença, os cuidados paliativos e pacientes que serão acompanhados pelo mesmo médico podem ser momentos ideais para a obtenção da história espiritual.
Na anamnese médica, a história social, o questionamento da atividade física, os hábitos e vícios podem preceder a abordagem da espiritualidade de forma natural. Desta forma, pode-se incluir o assunto na estruturação da anamnese, no segmento que aborda os hábitos de vida e condições socioeconômicas do paciente.
Barreiras para o médico
Algumas barreiras são colocadas pelos médicos para não abordarem o tema35. Pode-se citar a falta de conhecimento sobre o assunto, falta de treinamento, falta de tempo, desconforto com o tema, medo de impor pontos de vista religiosos ao paciente, pensamento de que o conhecimento da religião não é relevante ao tratamento médico e a opinião de que isso não faz parte do papel do médico. Essas barreiras são quebradas à medida que o médico se aprofunda no tema e desvencilha-se de seus próprios medos e preconceitos.
Como deve ser abordada a espiritualidade e religiosidade
Não existe uma só forma de abordar a espiritualidade, assim como não existe uma forma correta. Muitas vezes, a sua abordagem faz-se de forma natural e tranquila, o que depende das próprias heranças culturais de cada médico.
Entretanto, pesquisadores têm criado formas de facilitar a abordagem da espiritualidade para os médicos que ainda possuem dificuldades com o tema. Esses instrumentos servem de norteador para a obtenção da história espiritual, sendo os principais instrumentos utilizados36-38 dispostos no quadro 1.
No caso de pacientes não religiosos35, ao invés de focar na espiritualidade, o médico pode perguntar como o paciente convive com a doença; o que promove um significado e propósito à sua vida e quais crenças culturais pode ter impacto no seu tratamento.
Aspectos negativos da religião
Nem todos os efeitos da religião são positivos. É importante que os médicos estejam atentos quando a religião pode desencadear problemas35 (principalmente no caso da religião punitiva em que há uma sensação de que Deus está punindo ou abandonando o paciente) e causar conflitos quanto às condutas médicas. No caso de dificuldades para lidar com relações conflitantes a figura da capelania do hospital ou do líder religioso do paciente é essencial, conjuntamente com o Serviço de Psicologia Hospitalar.
CONCLUSÃO
O clínico deve estar atento à dimensão espiritual do paciente, seja ela positiva ou negativa. O conhecimento científico e prático do assunto pode evitar conflitos na relação
Quadro 1 – Instrumentos para obtenção de história espiritual
Questionário FICA36
F – Fé / crença
• Você se considera religioso ou espiritualizado?
• Você tem crenças espirituais ou religiosas que te ajudam a lidar com problemas?
• Se não: o que te dá significado na vida?
I – Importância ou influência
• Que importância você dá para a fé ou crenças religiosas em sua vida?
• A fé ou crenças já influenciaram você a lidar com estresse ou problemas de saúde?
• Você tem alguma crença específica que pode afetar decisões médicas ou o seu tratamento?
C – Comunidade
• Você faz parte de alguma comunidade religiosa ou espiritual?
• Ela te dá suporte, como?
• Existe algum grupo de pessoas que você “realmente” ama ou que seja importante para você?
• Comunidades como igrejas, templos, centros, grupos de apoio são fontes de suporte importante?
A – Ação no tratamento
• Como você gostaria que o seu médico ou profissional da área da saúde considerasse a questão religiosidade / espiritualidade no seu tratamento?
• Indique, remeta a algum líder espiritual / religioso.
Questionário HOPE37
H - Fontes de Esperança (Hope), significância, conforto, força, paz, amor e relacionamento social.
• Quais são as suas fontes de esperança, força, conforto e paz?
• Ao que você se apega em tempos difíceis?
• O que o sustenta e o faz seguir adiante?
O – Religião organizada
• Você faz parte de uma comunidade religiosa ou espiritual? Ela o ajuda? Como?
• Em que aspectos a religião o ajuda e em quais não o ajuda muito?
P – Espiritualidade pessoal e prática
• Você tem alguma crença espiritual que é independente da sua religião organizada?
• Quais aspectos de sua espiritualidade ou prática espiritual você acha que são mais úteis à sua personalidade?
E – Efeitos no tratamento médico e assuntos terminais
• Ficar doente afetou sua habilidade de fazer coisas que o ajudam espiritualmente?
• Como médico, há algo que eu possa fazer para ajudar você a acessar os recursos que geralmente o apóiam?
• Há alguma prática ou restrição que eu deveria saber sobre seu tratamento médico?
História espiritual do ACP35
• A fé (religião/espiritualidade) é importante para você nesta doença?
• A fé tem sido importante para você em outras épocas da sua vida?
• Você tem alguém para falar sobre assuntos religiosos?
• Você gostaria de tratar de assuntos religiosos com alguém?
CSI—MEMO38
1. Suas crenças religiosas/espirituais lhe dão conforto ou são fontes de estresse?
2. Você possui algum tipo de crença espiritual que pode influenciar suas decisões médicas?
3. Você é membro de alguma comunidade espiritual ou religiosa? Ela lhe ajuda de alguma forma?
4. Você possui alguma outra necessidade espiritual que gostaria de conversar com alguém?médico-paciente, beneficiar os desfechos clínicos e facilitar o atendimento médico.
O clínico deve saber o momento certo e a forma correta de se abordar essa dimensão, sem ofender ou julgar as preferências religiosas de cada paciente, de forma a exercer a Medicina de forma mais humana e integral possível.
Giancarlo Lucchetti1, Alessandra Lamas Granero2, Rodrigo Modena Bassi3, Rafael Latorraca4, Salete Aparecida da Ponte Nacif5
*Recebido da Associação Médico-Espírita de São Paulo, SP.
ARTIGO DE REVISÃO
1. Médico Especialista em Clínica Médica pela Santa Casa de São Paulo; Doutorando em Neurologia/Neurociências pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Coordenador do Núcleo de Pesquisas da Associação Médico-Espírita de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil
2. Médica Especialista em Geriatria pelo Centro Interdisciplinar de Assistência e Pesquisa em Envelhecimento – Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais e Coordenadora do Núcleo de Inserção da Espiritualidade na Prática Clínica da Associação Médico-Espírita de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil
3. Médico Especialista em Clínica Médica pela SBCM; Especialista em Geriatria pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Presidente da Associação Médico-Espírita de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil
4. Graduando de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Coordenador do Departamento Acadêmico da Associação Médico-Espírita de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil
5. Médica Especialista em Clínica Médica pela SBCM; Assistente da Disciplina de Clínica Médica da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Membro da Associação Médico-Espírita de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil
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Na íntegra:
http://lildbi.bireme.br/lildbi/docsonline/lilacs/20100400/945.pdf
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