Estudando o Espiritismo

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domingo, 2 de outubro de 2016

Parábola do Bom Samaritano

Parábola do Bom Samaritano
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A - Texto de Apoio:
Então, levantando-se, disse-lhe um doutor da lei, para o tentar: Mestre, que preciso fazer para possuir a vida eterna? - respondeu-lhe Jesus: Que é o que está escrito na lei? Que é o que lês nela? - Ele respondeu: Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, de toda a tua alma, com todas as tuas forças e de todo o teu espírito, e a teu próximo como a ti mesmo. - Disse-lhe Jesus: Respondeste muito bem; faze isso e viverás.

Mas, o homem, querendo parecer que era um justo, diz a Jesus: Quem é o meu próximo? - Jesus, tomando a palavra, lhe diz: Um homem, que descia de Jerusalém para Jericó, caiu em poder de ladrões, que o despojaram, cobriram de ferimentos e se foram, deixando-o semimorto. - Aconteceu em seguida que um sacerdote, descendo pelo mesmo caminho, o viu e passou adiante. -Um levita, que também veio àquele lugar, tendo-o observado, passou igualmente adiante. - Mas, um samaritano que viajava, chegando ao lugar onde jazia aquele homem e tendo-o visto, foi tocado de compaixão. - Aproximou-se dele, deitou-lhe óleo e vinho nas feridas e as pensou; depois, pondo-o no seu cavalo, levou-o a uma hospedaria e cuidou dele. - No dia seguinte tirou dois denários e os deu ao hospedeiro, dizendo: Trata muito bem deste homem e tudo o que despenderes a mais, eu te pagarei quando regressar.

Qual desses três te parece ter sido o próximo daquele que caíra em poder dos ladrões? - O doutor respondeu: Aquele que usou de misericórdia para com ele. - Então, vai, diz Jesus, e faze o mesmo. (S. LUCAS, cap. X, vv. 25 a 37.)

B - Questões para estudo e diálogo virtual:

1 - O que queria dizer o doutor da lei, com a expressão "possuir a vida eterna"?

2 - Por que, ao contar a parábola, Jesus escolheu o samaritano, e não o sacerdote ou o levita, para prestar auxílio ao necessitado?

3 - Que lição de vida Jesus nos oferece, com a parábola do Bom Samaritano?

Parábola do Bom Samaritano - Conclusão Voltar ao estudo

Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo
Sala Virtual Evangelho

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EESE093b - Cap. XV - Item 2
Tema: Parábola do Bom Samaritano
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A - Conclusão do Estudo:
Não são as práticas exteriores ou os rótulos religiosos que nos conduzem às situações melhores, mas os nossos atos de caridade para com o próximo, por amor a Deus. A religião apenas esclarece.

B - Questões para estudo e diálogo virtual:

1 - O que queria dizer o doutor da lei, com a expressão "possuir a vida eterna"?

Ele referia-se ao estado de bem-aventurança, que apenas os espíritos dos justos conseguem alcançar.

Estamos na Terra para nos aperfeiçoar. Por isso, é fundamental que conheçamos os caminhos que conduzem à perfeição.

2 - Por que, ao contar a parábola, Jesus escolheu o samaritano, e não o sacerdote ou o levita, para prestar auxílio ao necessitado?

A fim de deixar bem claro que praticar a caridade não é prerrogativa das pessoas religiosas, mas procedimento comum às almas nobres e compassivas, ainda que, às nossas vistas, pareçam distantes de Deus, por não possuírem religião.

"Jesus coloca o samaritano, considerado herético (homem sem fé), mas que pratica o amor ao próximo, acima do ortodoxo (observador da doutrina), mas que não pratica a caridade."

Não são os rótulos religiosos que nos conduzem à salvação, mas os atos de caridade para com o nosso próximo.

3 - Que lição de vida Jesus nos oferece, com a parábola do Bom Samaritano?

Ele nos exorta a olhar em volta e a descobrir as feridas - aparentes e secretas - de nossos irmãos; Ele nos estimula a amenizar-lhes as dores, a consolar-lhes as aflições, enfim, a sermos seus "bons samaritanos".

"Então, vai, diz Jesus, e faze o mesmo."

Façamos um exame dee consciência e vejamos quantos "feridos" deixamos desamparados na estrada da vida, por nosso egoísmo e indiferença.



1998-2015 | CVDEE - Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo

O Bom Samaritano - Marta e Maria

Estudo Dinâmico do Evangelho

Segunda edição

Amílcar Del Chiaro Filho

Capítulo XV - O Bom Samaritano - Marta e Maria

A Parábola do Bom Samaritano é privativa de Lucas, que narra no capítulo 10:25-37, é de uma beleza ímpar. A Parábola é simples e incisiva. Vejamos o que podemos entender da sua parte oculta.

Primeiro, vejamos a explicação de Pastorino sobre os doutores da lei e os escribas: eram excelentes discutidores, pois conheciam profundamente as escrituras. Costumavam fazer perguntas para embaraçar os interlocutores, e esta foi a técnica empregada pelo doutor da lei (legalista), tentando confundir Jesus. Este, muito sábio, devolve a pergunta de forma direta. Vejamos:

– Mestre, o que farei para herdar a vida eterna (imanente)?

– Na lei, como está escrito? Como lês? – pergunta Jesus.

Após a citação da lei pelo Doutor, Jesus enfatiza:

– Faze isto e viverá.

Mas o Doutor da Lei não se dá por vencido. Não podia, Era muita humilhação. Ele era um Doutor e Jesus um carpinteiro, por isso ele dispara:

– Quem é o meu próximo?

A pergunta tinha razão de ser, porque os judeus consideravam seus próximos, os pais, os filhos, os parentes, os da mesma religião, os da mesma raça, nesta ordem. Os pagãos, os samaritanos não eram próximos, mas adversários. Diante desta nova pergunta, Jesus contou a parábola. Contudo, é bom ressaltar que Jerusalém está há 800 metros acima do nível do mar. Jericó, 250 metros abaixo. Jerusalém era a capital religiosa (espiritual), Jericó a capital comercial. (interesses materiais). Podemos deduzir facilmente que subir a Jerusalém é elevar as vibrações. Descer a Jericó é abaixar as vibrações,

Terminada a parábola, é Jesus que profliga:

– Qual dos três foi o próximo daquele homem?

O Doutor da lei, para não capitular inteiramente, respondeu de forma indireta: – O que usou de misericórdia para com ele.

Jesus arrematou: – Vai também tu e faze o mesmo.

Pastorino dá uma bela explicação dizendo que aqueles assaltados pelas paixões violentas, vícios (salteadores) que lhe roubaram as qualidades positivas (saúde) e o deixaram intranqüilo, desesperançado (caído – chagado) – não são as religiões organizadas (sacerdotes) , nem os companheiros de jornada (levitas) que poderão ajudá-lo devidamente, porque, também estão adormecidos. Só alguém que já despertou para a vida maior do espírito (alma vigilante — samaritano) , é capaz de prestar-lhe socorro eficiente. Ele derramará sobre as suas feridas o óleo (bálsamo do conforto e consolação, e o vinho (explicações espirituais) e levá-lo-á à meditação ao lado de um mestre (hospedeiro) para libertar-se dos efeitos nocivos dos vícios. Aprenderá a evitar os perigosos caminhos do mundo, infestado de gozos e paixões brutais. (ladrões e salteadores).

.Outra passagem muito bonita, que é, também, privativa de Lucas, Capítulo 10:38-42 é a visita de Jesus a Betânia, para visitar Marta e Maria, irmãs de Lázaro, que mais tarde ele despertaria de um sono cataléptico. O ensinamento é bem claro, e a dicotomia, interesses materiais X interesses espirituais, é muito interessante.

Marta está na horizontalidade, fixada nos interesses materiais, de como cuidar da casa, providenciar suprimentos, preparar as refeições, trabalhar e outras coisas do gênero. (o que não tem nada de condenável quando realizado com honestidade). Maria está na verticalidade. Sua aspiração é a comunhão com a Divindade, O aprendizado superior junto ao Mestre. Ela escolheu a melhor parte e ninguém vai tirar dela. Esta sentença de Jesus é muito clara. Esta advertência deveria soar até hoje em nossos ouvidos: Marta, Marta, você corre atrás de muitas coisas é uma só necessária.

A passagem deixa a impressão que a vida contemplativa é mais importante que a vida de ação. Embora seja importante, acreditamos que o aprendizado se completa na ação. Não basta apenas ouvir o Mestre e ficar extático, é preciso praticar o que ele ensina.

Jesus aproveitou o regresso dos 72 para passar alguns ensinamentos extraordinários. Ver Mateus 11:25-30 completado em 13:16-17 — Lucas 10:17-24. Jesus dá graças ao Pai por revelar as coisas do espírito aos simples e pequeninos e ocultar aos doutos e prudentes. É preciso convir que Jesus se refere aos humildes, simples e não aos ignorantes, por que o Reino dos céus não é um reino de obtusos, mas de humildes. Os doutos e intelectuais tem dificuldades para aceitar os ensinamentos de Jesus por causa da vaidade intelectual. Logicamente, não podemos generalizar, existem muitos intelectuais profundamente ligados aos ensinamentos de Jesus, através de diferentes rótulos.

Em O Cristo Consolador – Mateus 11:28-30 – Jesus de Nazaré faz um convite aos aflitos e sobrecarregados, convidando-os a tomar sobre si o seu jugo. O convite é pleno de ternura e amor, para aqueles que sabem que são imortais que não tem dúvidas sobre a vida futura.

Allan Kardec, num comentário curto e primoroso, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, afirma que o homem que simplesmente duvida, já tem em si causa de sofrimento. A dor pesa com todo o seu peso. Diz Kardec — Todos os sofrimentos: misérias, decepções, dores físicas, perdas de entes queridos, encontram sua consolação na fé no futuro e na confiança na justiça de Deus, que o Cristo veio ensinar aos homens. ( ver Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. VI)

A respeito do jugo a que Jesus se refere, era uma expressão habitual entre os judeus, explica Pastorino. Exemplo: o jugo da Torá. O jugo dos mandamentos. O jugo da carne e do sangue. Quanto a Fardo, havia a expressão: O fardo da Lei.

Era natural que o Rabi usasse expressões comuns ao povo, como usava seus costumes e ocupações, como a vida agro-pastoril, a pesca, etc.

Da passagem do retorno dos enviados, queremos destacar que os 72 foram iniciados na Doutrina de Jesus pelos 12 discípulos do Mestre. E por sua vez, os 72 iniciariam mais 12 cada um.

Lucas 11:24-26 e Mateus 12:43-45 narram uma parábola que poderia ser intitulada Hóspede e Hospedeiro. Um hóspede (espírito obsessor) e um hospedeiro (obsedado) – que apesar de beneficiados nada fizeram para se melhorarem, mantendo-se ambos fúteis , vaidosos indiferentes, viciosos, recaíram na mesma situação.

O hóspede, expulso da casa mental por intervenção de terceiros, saiu a procura de outra pessoa para vampirizar (explorar), mas não conseguido afinidade igual, voltou para verificar a antiga moradia e viu que poderia retornar. Contudo, não querendo ser expulso novamente, trouxe consigo mais 7 obsessores piores do que ele, e todos passaram a habitar a casa mental do hospedeiro, e o último estado do homem passou a ser pior do que o primeiro.

Encontramos essa situação, muitas vezes, em centros espíritas, onde as muitas pessoas são desobsedadas, mas não modificam o seu íntimo, não corrigem os seus defeitos, resultando no retorno do obsessor, se este não se transformou também, ou de outros espíritos, por encontrar uma casa vazia, sem defesas.

Pastorino coloca que a casa varrida e adornada representa o progresso do obsedado, que reequilibrou as suas emoções, livrou-se da projeção mental do obsessor. Este, encontrando dificuldades para adentrar a casa mental do seu desafeto, vai buscar auxílio junto a espíritos piores do que ele. O obsessor prende-se aos sete por lhes ficar devendo um favor, o que será cobrado. (é a mesma situação de quem procura um macumbeiro para prejudicar alguém – o que encomenda o trabalho fica devendo ao macumbeiro e aos espíritos que o realizaram, e será cobrado oportunamente).

Outra dedução importante que podemos tirar desta passagem, é a necessidade de se tomar certos cuidados com a nossa casa mental. Assim como cuidamos da nossa residência arejando-a, varrendo-a, lavando-a, eliminando insetos nocivos, deixando o sol entrar abundantemente, precisamos cuidar da Casa do Espírito (Mente), arejando as idéias, fazendo a limpeza espiritual, livrando-nos do lixo mental, deixando o sol da prece e do estudo iluminar e aquecer o ambiente. Desta forma nenhum obsessor poderá invadir a nossa casa mental.

Na Parábola das Dez Virgens, nossa base é Huberto Rohden, de mistura com as nossa próprias observações. A explicação de Rohdem é muito interessante e não conflita com o Espiritismo, exceto num ponto fundamental que veremos mais à frente, a questão da morte do espírito.

Rohden começa por dividir a humanidade como as 10 virgens. A metade tem esse combustível misterioso, essa luz potencial, que pode a qualquer momento transformar-se em luz atual, atualizar-se. São aqueles que possuem receptividade espiritual, mesmo que pareçam estarem dormindo, porque estão espiritualmente em vigília. Estão com as suas lâmpadas cheias de óleo, prontas para serem incendiadas. A outra metade dorme física e espiritualmente, e tem as suas candeias vazias.

Rohden fala do pecado e do pecador, afirmando que o pecador, ainda cego, não percebe as suas trevas ou a consciência do seu pecado. Ao despertar a sua consciência ele está no inferno consciencial. Diz Rohden: a vinda do esposo é o momento que o pecado gostoso, passa a ser doloroso.

Rohden explica que as virgens néscias mostraram toda a sua tolice ao pedir o óleo das virgens prudentes, porque a experiência divina, a consciência cósmica, não pode ser dividida. Essas coisas são conquistas e não dádivas, por isso não podem ser usurpadas ou contrabandeadas.

Ninguém pode penetrar em regiões superiores sem estar preparado, sem ter conquistado essa condição. Aceitemos por instantes o céu e o inferno: o céu seria um inferno para os espíritos atrasados, assim como o inferno pode estar de acordo com a sua pouca evolução, seria um céu.

Rohden utiliza um exemplo simples; um homem boçal que se visse subitamente numa roda de intelectuais falando em Bethoven, Verdi, Chopin, Dante, Wagner, Mozart, Shakespeare... Quanto tempo ele suportaria esse céu intelectual. Não ficaria ardendo de vontade de retornar ao seu ambiente?

Quem busca Deus fora de si mesmo não o encontrará. Só pode receber quem tem; quem nada tem, nada poderá receber.

Ao lhes ser negado o azeite pelas virgens prudentes, as tolas foram em busca desta fabulosa experiência. Diz Rohden que ao retornarem para o esposo, o ciclo evolutivo havia terminado, e elas tiveram que esperar o início de um novo, mas aqueles que se deixarem escoar todos os ciclos e continuar na sua consciente oposição a Deus, inicia a sua trágica desintegração. ESTE É O PONTO QUE NÃO CONCORDAMOS E NOS REFERIMOS A ELE NO INÌCIO DESTA ABORDAGEM, porque nenhum espírito resistirá eternamente à sua transformação.

As virgens tolas dizem: nossas lâmpadas se apagam. Elas acendem, mas apagam. É uma chama intermitente. Quando a lâmpada da razão se enche com o óleo, a luz permanece serena, tranqüila, amiga, como um dia de verão, pleno de luz solar.

Acreditamos que podemos aproveitar os ensinamentos de Rohden que os espíritos de um determinado globo, como o nosso, que forem remanejados para mundos primitivos, estarão iniciando um novo ciclo evolutivo, que se não for aproveitado, se repetirá, muitos milênios depois, num novo remanejamento.

Outra observação que fazemos é que, quem tem as suas lamparinas cheias de azeite e acesas, não podem dar do seu azeite aos que não tem, mas pode incendiar outra lamparina. Isto é: uma chama acesa pode acender o pavio de outra lamparina, o que quer dizer que a fé, o entusiasmo (Deus dentro de si) o dinamismo, a coragem que estiverem apagados dentro do coração do outro, podem ser incendiados por nós.

A Parábola do Bom Samaritano

A Parábola do Bom Samaritano

Paulo Alves de Godoy

"Ele, porém, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o meu próximo?"
(Lucas, 10:29)

Narra o evangelista Lucas que Jesus Cristo, certa vez, procurado por um doutor da lei, este lhe perguntou: Mestre, que farei para herdar a vida eterna?

Percebendo o objetivo capcioso da indagação, ele limitou-se a indagar: O que está escrito na lei? Como lês?

A réplica do escriba não tardou: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao próximo como a ti mesmo.

Face o acerto da resposta, o Senhor lhe disse: Respondeste bem; faze isso e desfrutarás da vida eterna.

O inquiridor, entretanto, não ficou satisfeito e para justificar-se, aventurou nova pergunta: Quem é o meu próximo?

A fim de elucidar melhor a questão, o Cristo propôs-lhe uma parábola, dizendo:

Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos de salteadores, os quais, após despojá-lo de tudo, espancaram-no, deixando-o moribundo à margem da estrada.

Coincidentemente descia pelo mesmo caminho um sacerdote. Vendo-o, passou de largo.

Logo a seguir descia um levita, cujo procedimento não foi diferente daquele do sacerdote.

Entretanto, dentro em pouco surge um um samaritano que, vendo-o naquele estado deplorável, moveu-se de íntima compaixão e, descendo de sua cavalgadura, levou-o a uma hospedaria, onde continuou a cuidar dele.

Tendo que partir, no dia seguinte, deu dois dinheiros ao hospedeiro, recomendando-lhe que continuasse a dar-lhe assistência, prontificando-se a pagar, em sua volta, tudo aquilo que excedesse a importância deixada.

Após ensinar essa parábola, indagou Jesus: Qual destes três te parece que foi o próximo do homem que havia sido vítima dos salteadores, merecendo do doutor da lei a resposta: O que usou de misericórdia para com ele.

Diante desse discernimento aduziu o Senhor: Vai, e faze da mesma maneira.

O ensino propiciado por Jesus Cristo nessa edificante parábola é dos mais significativos. Nele podemos apreciar o exercício da caridade despretensiosa, incondicional, em seu sentido amplo, sem limitações.

O samaritano, considerado herege e apóstata pelos judeus ortodoxos, foi o paradigma tomado pelo Mestre para nos ensejar tão profundo ensinamento.

O grande mérito da parábola consiste em fazer evidenciar aos nossos olhos que, o indivíduo que se intitula religioso e se julga virtuoso aos olhos de Deus, nem sempre é o verdadeiro expoente de virtudes que julga possuir. Ensina aos outros como fazer caridade, mas ele nem de longe quer praticá-la.

O sacerdote que passou primeiramente, certamente atribuía a si qualidades excepcionais e se julgava zeloso cumpridor da lei e dos preceitos religiosos. Ao deparar com o moribundo, com certeza balbuciou uma prece em seu favor, mas daí até a ajuda direta a distância é enorme. O mesmo deve ter sucedido com o levita.

O samaritano, considerado desprezível pelos judeus ortodoxos, mas cumpridor dos seus deveres humanos, não se limitou a condoer-se do moribundo. Chegou-se a ele e o socorreu da melhor forma possível, levando-o em seguida a um lugar de repouso onde o assistiu melhor, recomendando-o ao hospedeiro e prontificando-se a ressarcir todos os gastos quando da sua volta.

A caridade foi ali dispensada a um desconhecido, e quem a praticou não objetivou recompensa, o que não é muito comum na Terra, onde todos aqueles que praticam atos caridosos, logo pensam nas recompensas futuras, na retribuição na a vida espiritual.

Os samaritanos eram dissidentes do sistema religioso implantado na Judéia - eram os protestantes da época. Com o fito de demonstrar a precariedade dos ensinamentos da religião oficial, Jesus Cristo figurava os samaritanos como sendo aqueles que melhormente haviam assimilado os seus ensinos, concretizando em atos tudo aquilo que aprendiam através das palavras.

Além de nos ensinar o feito generoso do samaritano da parábola, o Mestre também os tomou como paradigmas em outras circunstâncias, para ilustração reportemo-nos ao majestoso ensino sobre a Mulher Samaritana (João, 4:5-30) e o da cura de dez leprosos, dentre os quais apenas um que era samaritano lembrou-se de voltar para render graças a Deus pela cura obtida (Lucas, 17:11-19).

(Jornal Mundo Espírita de Janeiro de 1998)

A PARÁBOLA DO BOM SAMARITANO

A PARÁBOLA DO BOM SAMARITANO

http://espiritismo-piracicaba.blogspot.com.br/2013/01/a-parabola-do-bom-samaritano.html


“V. 29. O doutor da lei, porém, querendo parecer justo, perguntou a Jesus: E quem é o meu próximo? - 30. Jesus, tomando a palavra, lhe disse: Um homem, que descia de Jerusalém para Jericó, caiu nas mãos de salteadores, que o despojaram, o espancaram e se foram, deixando-o semimorto. - 31. Aconteceu que pelo mesmo caminho desceu um sacerdote, que o viu e passou de largo. - 32. Do mesmo modo, um levita, que também foi ter àquele lugar, viu o homem e igualmente passou de largo. - 33. Um samaritano, porém, seguindo o seu caminho, veio onde estava o homem e ao vê-lo se encheu de compaixão. - 34. Aproximou-se dele, pensou-lhe as feridas, deitando nelas óleo e vinho, colocou-o sobre a sua alimária e o levou para uma hospedaria, onde cuidou dele. - 35. No dia seguinte, tirou dois denários e os deu ao hospedeiro, dizendo: Trata desse homem; na minha volta te pagarei tudo quanto despenderes a mais. - 36. Qual dos três te parece que tenha sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores? - 37. Respondeu o doutor da lei: O que para com ele usou de misericórdia. Pois vai, disse-lhe Jesus, e faze o mesmo.” Lucas cap. X, vv. 29-37.

INTERPRETAÇÃO

Que as bênçãos de Jesus iluminem os vossos corações.
Aqui estamos, mais uma vez, para participar do banquete divino que Jesus prometeu a todas as criaturas que os Seus passos seguissem.
Aqui estamos, Pai, humildes para recordarmos com amor os Vossos sábios ensinamentos, dando-lhes a percepção exata do que desejastes implantar no coração da humanidade sofredora.
Naqueles dias, o sentimento de piedade, compaixão eram considerados uma fraqueza de espírito. Ao mesmo tempo, eram permitidos os assaltos, os roubos que se faziam em plena madrugada, sem deixar vestígios e os próprios encarregados de defender a população temiam esses assaltantes sem punição.
Aquele homem dirigia-se a Jericó, quando foi assaltado e despojado dos seus bens.



Que representava este homem?
Representava todos nós que na estrada da vida caminhamos sofrendo, sendo assaltados, ludibriados e assim por diante.
Os assaltantes, todos vós sabeis, continuam despejando ao seu redor a morte, a impiedade, a maldade, a satisfação dos seus sentimentos negativos. E, assim, aquele homem despojado dos seus bens, foi atirado à estrada da vida.
É bom lembrar que a sua roupa também pode representar os bens e a honra que muitos em sua peregrinação pela Terra também perdem com o descrédito, com a desonra, com a falência.
Por que o Senhor lembrou-se de colocar em primeiro lugar o sacerdote?


Porque ele representa aquele ser que devia ter o seu coração pleno de amor, de caridade, de benevolência. No entanto, ele esqueceu seus compromissos assumidos e, temendo também ser assaltado, receando atrasar-se nas suas obrigações do Templo, passou ao largo, fingindo não ver a pobre criatura.
Depois, citou o Senhor o levita, aquele que tinha condições e meios de dar toda a assistência ao necessitado. Ele também por temor, descuido, lembrou-se apenas de si e seguiu o seu caminho.



Veio depois o samaritano, aquele que para comer teria que trabalhar. Os filhos da Samaria eram trabalhadores humildes, mas eram unidos entre si. Procuravam ajudar-se mutuamente e, por serem um pouco abandonados por seus irmãos terrenos, uniam-se para, assim coesos, não sentirem o peso daqueles que os relegavam a um segundo plano.
Esqueceu-se ele do temor dos assaltos e, de coração, atendeu o pobre homem machucado.



Prestou-lhe toda a assistência e ainda tirou da sua sacola as moedas que lhe assegurariam uns dias de assistência e de comida farta naquela hospedaria, dizendo também que voltaria para, caso o dinheiro não chegasse, completar para que nada faltasse àquele homem.
Meus irmãos, minhas irmãs, analisem este ato de bondade!
Não foi ele completo?
Se o samaritano o deixasse na hospedaria e seguisse o seu caminho teria sido caridade, mas não no setor amplo como a que foi feita. Ele pensou em tudo. Preocupou-se com a recuperação do homem e quis assegurar-lhe tudo de bem.
Este senhor que se preocupa assim, que aguarda a nossa volta é o Mestre, é Aquele que nos acompanha na caminhada terrena, zela por nós, consola-nos, ampara-nos, banha com o óleo do amor, os nossos corações, cuida das nossas feridas, essas feridas da alma, que nós mesmos criamos dentro de nós e eis que Ele tudo nos dá, a todos os instantes nos consola e promete retornar esperando pela recuperação de nossas almas, pelo reconhecimento dos nossos erros, prometendo sempre àqueles que, unidos, trabalharem no seu nome, a participação no seu reino de luz.



A Terra, meus irmãos, é esta hospedaria, é este apoio com que todos nós contamos, para a elevação dos nossos espíritos.
Procuremos nos transformar nesse bom samaritano que mereceu as graças do Senhor.
Cultivemos o bem, pratiquemo-lo para que possamos contribuir para a nossa felicidade e a dos nossos irmãos que, como nós, perambulam por este plano em busca da salvação.
Não nos transformemos em dogmáticos sacerdotes que apenas decoram orações, mas que não as aceitam e não as praticam.
Não sejam também criaturas vaidosas que, inebriadas pelo poder apenas cuidam e pensam em si próprios.
Lembrai-vos de que ninguém poderá bastar-se a si próprio.
Todos necessitam de uma mão amiga para lhes amparar nos momentos difíceis.



Todos, sem exceção, um dia serão atirados das mais rudes maneiras, à margem da sociedade para que tenham a sua lição de humanidade e aprendam a dar valor a todo aquele que lhe vier em nome de Deus.
Irmãos! Meditai sobre a parábola de hoje.
Espalhai esses ensinamentos, não importa a quem.
Não vos contenteis em ser apenas o bom advogado, que tudo queria saber, aprender, mas que guardaria tudo só para si.
Não vos preocupeis com o julgamento que de vós fizerem.
É necessário ter em mente apenas servir ao Senhor, trazer aos dias de hoje aquelas palavras que removeram montanhas, sacudiram templos, atiraram criaturas indefesas às feras, mas que venceram, porque traduziam amor, porque vinham banhadas pela luz da caridade.
Nenhum empecilho as impediu de vencer os séculos e, até hoje, estão elas vivas, prontas para serem lançadas à terra virgem, do coração do homem.
Que o Senhor Onipotente vos ilumine!
Que Jesus vos transforme num samaritano do amor divino!
Graças a Deus!

(Extraído do livro: As Divinas Parábolas – Autor: Samuel (Espírito), médium: Neusa Aguiló de Souza – Centro Espírita Oriental “Antonio de Pádua”, Recife, PE – 1982, p. 46-49)
 

Julio Flávio Rosolen, é espírita, membro da diretoria e da casa Sociedade Espírita Casa do Caminho de Piracicaba, é Coronel da Reserva do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo e colabora com nosso BLOG ESPIRITA.

A Parábola do Bom Samaritano e o Planeta de Regeneração

A Parábola do Bom Samaritano e o Planeta de Regeneração

Escrito por Alan Diniz Souza

A Parábola Do Bom Samaritano E O Planeta De RegeneraçãoNa Parábola do Bom Samaritano encontramos exemplos fantásticos a nos inspirar em nossa ascensão a Deus.

Necessário se faz lembrar que em todas as parábolas constantes nos Evangelhos encontramos os mais belos exemplos para praticarmos o amor. Seus textos, são compostos de mais de 50% de parábolas, que são histórias criadas por Jesus para ilustrar ensinamentos que sempre nos colocam no caminho do amor, roteiro essencial de nossa vida.

“As parábolas do Evangelho são como as sementes divinas que desabrochariam, mais tarde, em árvores de misericórdia e de sabedoria para a Humanidade”, nos falou Emmanuel na questão 290 do Livro “O Consolador”.

Na época de Jesus se perguntava entre os judeus quem iria herdar a vida eterna? Eles acreditavam que o messias viria e iria instalar o novo mundo (regeneração), onde os justos herdariam o mundo novo e os injustos arderiam no “geol”. Quem então seriam os herdeiros? Como selecionar justos e injustos?

Um Dr. da Lei então lhe pergunta: - O que devo fazer para herdar a terra? Jesus lhe responde: - O que está escrito? - Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Jesus: - Respondeste corretamente, faze isso e viverás.

Neste momento o Dr. da Lei faz a pergunta chave da nossa parábola: - Quem é meu próximo? Jesus então conta com a Parábola do Bom Samaritano...

Quem é meu próximo? Quantas vezes nos perguntamos?

Vivemos num planeta de Provas e Expiações, naturalmente não estamos por aqui de férias ou lazer! Muitas vezes nos achamos mais importantes, demonstrando todo nosso orgulho ou egoísmo, desprezando as pessoas, achando que o mundo esta aí para nos servir. Onde queremos chegar? Quando vamos parar a roda das reencarnações? Sempre voltando ao plano espiritual carregados de situações e dívidas a resolver?

Allan Kardec no Evangelho Segundo o Espíritismo nos afirma: “Os planetas progridem nos seus aspectos materiais e morais. Materialmente, pela transformação dos elementos que os compõem. Moralmente, pela depuração dos Espíritos encarnados e desencarnados que os povoam. Esses progressos se realizam paralelamente, pois, o melhoramento da habitação acompanha, de certo modo, o aprimoramento de seus habitantes.”

“A Terra deixará, um dia, o estágio de expiação e provas e passará para a condição de mundo de regeneração, pois, este globo, como tudo na Natureza, está submetido à lei do progresso. Materialmente, a Terra tem experimentado transformações que vêm tornando-a sucessivamente habitável por seres cada vez mais aperfeiçoados, mas, para que a felicidade impere na Terra, torna-se preciso que somente a povoem Espíritos bons, que unicamente se dediquem ao bem.”

“A Terra não terá de transformar-se por meio de cataclismo que aniquile de súbito uma geração. A atual desaparecerá gradualmente e a nova lhe sucederá do mesmo modo, sem que haja mudança alguma na ordem natural das coisas. Em cada criança que nascer em vez de um Espírito atrasado e inclinado ao mal, que antes nela encarnaria, virá um Espírito mais adiantado e propenso ao bem.”

“A ascensão da Terra na hierarquia dos mundos depende essencialmente da elevação moral de seus habitantes. Portanto, é grande nossa responsabilidade nesse processo de transformação do planeta para um mundo de regeneração, onde a prevalência do bem sobre o mal atrairá para a Terra os bons Espíritos, afastando dela os maus.”

Portanto, o que estamos esperando para ser o próximo de alguém?

Parábola do Bom Samaritano


14 - Parábola do Bom Samaritano

Certa vez, estando Jesus a ensinar, "eis que se levantou um doutor da lei e lhe disse, para o experimentar: - Mestre, que hei de fazer para alcançar a vida eterna? Respondeu-lhe Jesus: - Que está escrito na lei? Como é que lês? Tornou aquele: -

"Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, com todas as tuas forças e de toda a tua mente; e a teu próximo como a ti mesmo". - Respondeste bem, disse-lhe Jesus . Faze isto, e viverás. Mas ele, querendo justificar-se, perguntou ainda: - E quem é o meu próximo? Ao que Jesus tomou a palavra e disse: Um homem descia de Jerusalém a Jerico e caiu nas mãos dos ladrões que logo o despojaram do que levava; e depois de o terem maltratado com muitas feridas, retiraram-se, deixando-o meio morto. Casualmente, descia um sacerdote pelo mesmo caminho; viu-o e passou para o outro lado. Igualmente, chegou ao lugar um levita; viu-o e também passou de largo. Mas, um samaritano, que ia seu caminho, chegou perto dele e, quando o viu, se moveu à compaixão. Aproximou-se, deitou-lhe óleo e vinho nas chagas e ligou-as; em seguida, fê-lo montar em sua cavalgadura, conduziu-o a uma hospedaria e teve cuidado dele. No dia seguinte, tirou dois denários e deu-os ao hospedeiro, dizendo: Toma cuidado dele, e o que gastares a mais, pagar-te-ei na volta. Qual destes três se houve como próximo daquele que caíra nas mãos dos ladrões? Respondeu logo o doutor: - Aquele que usou com o tal de misericórdia. Então lhe disse Jesus: - Pois vai, e faze tu o mesmo" ( Lucas, X, 25-37 ).
 
Qual o ensinamento que o Mestre aí nos dá? O de que para entrarmos na posse da vida eterna não basta memorizarmos textos da Sagrada Escritura. O que é preciso, o que é essencial, para a consecução desse objetivo, é pormos em prática, é vivermos a lei de amor e de fraternidade que ele nos veio revelar e exemplificar.
Haja vista que o seu interpelante, no episódio em tela, é um doutor em teologia, que provou ser versado em religião, visto que repetiu de cor, sem pestanejar, palavra por palavra, o conteúdo dos dois principais mandamentos divinos.
Mas, conquanto fosse um mestre religioso e nessa condição conhecesse muito bem a lei e os profetas, não estava tranqüilo com a própria consciência; sentia, lá no íntimo da alma, que algo ainda lhe faltava . Daí a sua pergunta: - "Mestre, que hei de fazer para alcançar a vida eterna?”.
Não o martirizasse uma dúvida atroz sobre se seriam suficientes os seus conhecimentos teológicos e os privilégios de sua crença para ganhar o reino do céu, e não se teria ele dirigido ao Mestre da forma como o fez.
Notemos agora que isso é de suma importância, em sua resposta, Jesus não disse, absolutamente, que havia uma "predestinação eterna", isto é, "uma providência especial”, que assegura aos eleitos graças eficazes para lhes fazer alcançar, infalivelmente, a glória eterna"; também não falou que havia uma salvação pela graça, mediante a fé; nem tampouco indicou como processo salvacionista à filiação a esta ou àquela igreja; assim como não cogitou de saber qual a idéia que o outro fazia dele, se o considerava Deus ou não.
Ante a citação feita pelo doutor da lei, daqueles dois mandamentos áureos que sintetizam todos os deveres religiosos, disse-lhe apenas: "Faze isso, e vivereis", o que equivale a dizer: - aplica toda a tua força moral, intelectual e afetiva na produção do BEM, em favor de ti mesmo e do próximo, e ganharás a vida eterna!
O tal, porém, nem sequer sabia quem era o seu próximo! Como, pois, poderia ama-lo como a si mesmo, a fim de se tornar digno do Reino?
Jesus, então, extraordinário pedagogo que era, serenamente, sem impacientar-se, conta-lhe a parábola do "bom samaritano", através da qual elucida o assunto, fazendo-o compreender que ser próximo de alguém é assisti-lo em suas aflições, é socorrê-lo em suas necessidades, sem indagar de sua crença ou nacionalidade. E após argüi-lo, vendo que ele entendera a lição, conclui, apontando-lhe o caminho do céu em meia dúzia de palavras: - "Pois vai e faze o mesmo!".
Se a salvação dos homens dependesse realmente de "opiniões teológicas" ou de "sacramentos" desta ou daquela espécie, como querem fazer crer os atuais doutores da lei, não seria essa a ocasião azada, oportuna, propícia, para que Jesus o afirmasse peremptoriamente?
Mas não! Sua doutrinação é completamente diferente disso tudo: - Toma um homem desprezível aos olhos dos judeus ortodoxos, tido e havido por eles como herege um samaritano, é incrível! Aponta-o como "modelo", como "padrão", aos que desejem penetrar nos tabernáculos eternos!
E' que aquele renegado sabia praticar boas obras, sabia amar os se s semelhantes, e, para Jesus, o que importa, o que vale, o que pesa, não são os "credos" nem os "formalismos litúrgicos", mas os "bons sentimentos", porque são eles que modelam idéias e dinamizam ações, caracterizando os verdadeiros súditos do Reino Celestial.

A PARÁBOLA DO BOM SAMARITANO E A INDIFERENÇA HUMANA


“Um homem, que descia de Jerusalém para Jericó, caiu nas mãos de ladrões que o despojaram, cobriram-no de feridas e se foram, deixando-o semimorto. Aconteceu, em seguida, que um sacerdote descia pelo mesmo caminho e tendo-o percebido passou do outro lado. Um levita, que veio também para o mesmo lugar, tendo-o considerado, passou ainda do outro lado. Mas um samaritano que viajava, chegou ao lugar onde estava esse homem, e tendo-o visto, foi tocado de compaixão por ele. Aproximou-se, pois, dele, derramou óleo e vinho em suas feridas e as enfaixou; tendo-o colocado sobre seu cavalo, conduziu-o a uma hospedaria e cuidou dele...”

Parábola do Bom Samaritano, Capítulo XV, item 2 de O Evangelho Segundo o Espiritismo.


Atualmente não sabemos o que nos choca mais: se o assassinato de pais pelos filhos ou se o do filho por um pai desesperado. Ficamos petrificados ao ouvir um grupo de rapazes de bom nível social declarar que só atearam fogo no índio pataxó, pois julgavam ser um mendigo.

Assistimos com imensa dor milhares de jovens e adultos se reduzirem a trapos humanos em virtude das drogas. Causa-nos compaixão verificar que tantos outros se transformaram em cabides e vitrines para as grifes da moda e em ouvidos e olhos, que mais parecem esponjas a absorver tudo o que vêem pela frente.

E nós, iludidos, achamos que permanecemos imunes a todo esse apelo que implica em milhares de imposições que nos são enfiadas goela abaixo no nosso cotidiano veloz e conturbado. Ledo engano!!!

Compramos um modelo de vida ideal, um sonho que poderia ser alcançado por todos, sem dores nem preços a pagar. Um casamento ideal, um emprego fantástico, filhos doces e submissos a nossos sonhos, casa, carro, saúde perene, uma alegria permanente, uma festa eterna... E assim fomos nos afastando da realidade, da vida simples, das nossas emoções, dos nossos limites humanos e principalmente da nossa proposta para a encarnação atual.

Enfrentamos um conflito permanente entre o que é viver de verdade, encarar nossos desafios conforme programado para nossa etapa reencarnatória e a “vida de sonhos” que o sistema econômico que nos abriga propõe e impõe. Talvez seja esse nosso maior desafio nesta jornada: nos mantermos íntegros e fiéis aos nossos propósitos de evolução, vencendo essa batalha, já que iludidos, buscamos o que a vida não nos pode dar.

Somos levados, em conseqüência desse conflito entre o real e o sonho, a tomarmos uma posição cada vez mais individualista, buscando alcançar nossos objetivos a qualquer preço e tendo isso como nosso único foco. Voltamo-nos apenas para nossos próprios problemas, nossas depressões, ódios, revoltas e insatisfações. Somos eternos famintos em busca da perfeita felicidade que nunca é alcançada, pois a procuramos sabe lá Deus em que lugar e, muitas vezes no caminho onde certamente ela não está. E nessa permanente e irreconhecida infelicidade, passamos a agir com indiferença diante de nossos semelhantes. Infelizmente, essa é uma tendência cada vez maior, chegando aos disparates extremos que povoam as páginas policiais.

Quanto menor a consciência, maior é o risco dessa indiferença caminhar para o alheamento, que faz com que o ser humano não reconheça o outro como um semelhante, desqualificando-o e não o respeitando na sua integridade física, psíquica, moral e até mesmo espiritual. O outro passa a ser apenas um fornecedor ou portador de objetos, valores ou desejos. Nada mais vale além disso. E esta é a real origem da violência que nos espanta, amedronta e paralisa. Se o pai é um empecilho, elimina-se. Se aparece o impulso para dar vazão à violência, incendeia-se o mendigo.

Hoje, num mau momento, podemos passar por cima de um irmão que está deitado em nosso caminho e ainda reclamar perguntando porque não se deitou em outro lugar. Todos os que nos retardam os propósitos de viver rapidamente são tratados como transtornos, adversários. Desde as atitudes menos lesivas até as mais perversas, estamos todos sendo atingidos por esse mal. A violência divulgada nos meios de comunicação nos choca, mas logo é esquecida.

Recordando-nos da parábola do Bom Samaritano, nos questionamos: se hoje Jesus fosse perguntado sobre quem poderia ser o nosso próximo, talvez dissesse que é aquele “estranho” com quem “trombamos” todos os dias, pois possui a chave da mesma casa, ou talvez nosso “adversário” de trabalho com quem medimos força e poder ou o chefe que grita, ou ainda o garoto pobre do cruzamento da avenida, os praticantes de outras crenças muitas vezes intolerantes, o companheiro da mesma fé que nos desagrada. São tantos... São todos. E nós, permanecemos alheios à sua existência como irmãos, compostos das mesmas células e por espíritos semelhantes, que como nós sofrem contingências, dores e dificuldades.

Nesse campo a impiedade impera, já que no alheamento, as pessoas não conseguem enxergar sua violência, muitas vezes disfarçada sob a capa do medo ou de desculpas escapistas. Apenas nos posicionamos diante dessa impiedade no momento em que, nos tornamos o próximo irreconhecido pela agressividade daqueles que nos vêem como meros suportes dos seus objetos de desejo, sejam eles um tênis, um Rolex, um cargo ou qualquer outra coisa. É nesse momento que clamamos por um samaritano que ainda tenha a capacidade de sentir compaixão, que nos dispense um mínimo de atenção e nos limpe as feridas, estas, hoje abertas em nossas consciências doridas.

Nestes tempos em que a materialidade e o narcisismo dita as regras de vida, nossa miséria espiritual e psíquica precisa ser sanada. Que não seja às custas de uma dor maior do que a que já sentimos por estarmos apartados da nossa essência espiritual e não termos ainda aprendido a viver como nos exortou o Espírito Protetor no capítulo VII, item 10 de O Evangelho Segundo o Espiritismo.

Temos o livre arbítrio que nos possibilita colocarmo-nos no papel do agredido ou no do samaritano, que nos fará reencontrar nossa humanidade perdida. Os dois caminhos, sem dúvida, são eficazes para o redespertar: a dor sentida na pele ou o bálsamo que estanca feridas. A escolha, como sempre, será nossa. Se voltarmos os nossos olhos para os que se encontram vivenciando a dor e colocarmos nosso coração e o trabalho de nossas mãos a serviço da caridade, que poderá nos irmanar, certamente voltaremos a enxergar o próximo como um reflexo de nós mesmos.

Lilian Approbato de Oliveira

Parábola do Bom Samaritano - links

http://www.febnet.org.br/wp-content/uploads/2013/04/EADE-Livro-II-parte1.pdf - ver p. 131

http://www.espiritoimortal.com.br/a-parabola-do-bom-samaritano-espiritismo/

http://pt.slideshare.net/igmateus/bom-samaritano-13332266

http://www.redeamigoespirita.com.br/video/par-bola-do-bom-samaritano-severino-celestino

http://www.redeamigoespirita.com.br/video/haroldo-dutra-a-par-bola-do-bom-samaritano

http://www.febtv.com.br/parabola-do-bom-samaritano-sima%CC%83o-pedro_9321009c1.html


A Parábola do Bom Samaritano

A Parábola do Bom Samaritano

Um dia, um pobre homem descia da cidade de Jerusalém para uma outra cidade, Jericó, a trinta e três quilômetros daquela capital, no vale do Rio Jordão.

A estrada era cheia de curvas. Nela havia muitos penhascos, em cujas grutas era comum se refugiarem os salteadores de estradas, que naquele tempo eram muitos e perigosos.

O pobre viajante foi assaltado pelos ladrões. Os salteadores usaram de muita maldade, pois, além de roubarem tudo o que o pobre homem trazia, ainda o espancaram com muita violência, deixando-o quase morto no caminho.

Logo depois do criminoso assalto, passou por aquele mesmo lugar um sacerdote do Templo de Salomão. Esse sacerdote vinha de Jerusalém, onde possivelmente terminara seus serviços religiosos, e se dirigia também para Jericô. Viu o pobre viajante caido na estrada, ferido, meio morto. Não se deteve, porém, para socorrê-lo. Não teve compaixão do pobre ferido, abandonado no chão da estrada. Apesar dos seus conhecimentos da Lei de Deus, era um homem de coração muito frio. Por isso, continuou sua viagem, descendo a montanha, indiferente aos sofrimentos do infeliz...

Instantes depois, passa também pelo mesmo lugar um levita. Os levitas eram auxiliares do culto religioso do Templo. Esse levita não procedeu melhor do que o sacerdote. Também conhecia a Lei de Deus, mas, na sua alma não havia bondade e ele fez o mesmo que o padre, seu chefe. Viu o ferido e passou de largo.

Uma terceira pessoa passa pelo mesmo lugar. Era um samaritano, que igualmente vinha de Jerusalém. Viu também o infeliz ferido da estrada, mas, não procedeu com: o sacerdote e o levita. O bom samaritano desceu do seu animal, aproximou-se do pobre judeu e se encheu de grande compaixão, quando o contemplou de perto, com as vestes rasgadas e sangrentas e o corpo ferido pelas pancadas que recebera.

Imediatamente, o bondoso samaritano retirou do seu saco de viagem duas pequenas vasilhas. Uma era de vinho, com ele desinfetou as feridas do pobre homem; outra, de azeite, com que lhe aliviou as dores. Atou-lhe os ferimentos e levantou o desconhecido, colocando-o no seu animal. Em seguida, conduziu-o para uma estalagem próxima e cuidou dele como carinhoso enfermeiro, durante toda a noite.

Na manhã seguinte, tendo de continuar sua viagem, chamou o dono do pequeno hotel, entregou-lhe dois denários (*) e recomendou-lhe que cuidasse bem do pobre ferido:

- Tem cuidado com o pobre homem. Se gastares alguma coisa além deste dinheiro que te deixo, eu te pagarei tudo quando voltar.

*

Jesus contou esta parábola a um doutor da lei que Lhe havia perguntado:

- Mestre, que devo fazer para possuir a Vida Eterna?

Jesus lhe respondeu que era necessário amar a Deus de todo o coração, de toda a alma, de todas as forças e de todo o entendimento; e também amar ao próximo como a si mesmo.

O doutor da lei, apesar de sua sabedoria, perguntou ao Divino Mestre quem é o próximo. Então, Jesus lhe contou a Parábola do Bom Samaritano. Terminada a história, o Senhor perguntou ao sábio judeu:

- Qual dos três (o sacerdote, o levita ou o samaritano) te parece que foi o próximo do pobre homem que caiu em poder dos ladrões?

- Foi o que usou de misericórdia para com ele -respondeu o doutor.

- Vai e faze o mesmo - disse-lhe o Divino Mestre.

*

Entendeu, filhinho, a Parábola do Bom Samaritano?

O doutor da lei queria saber quem ele deveria considerar seu próximo, a fim de amar esse mesmo próximo. Mas, Jesus lhe respondeu indiretamente àpergunta, com outra questão: "Quem foi o próximo do homem ferido?" Jesus indagou do doutor da lei quem soube ter amor no coração para o desconhecido padecente da estrada. E o doutor, que era um judeu (os judeus odiavam os samaritanos), confessou que foi o samaritano.

"Vai e faze o mesmo" - é a ordem eterna do Mestre. O nosso próximo, filhinho, é qualquer pessoa que esteja em nosso caminho; é qualquer alma necessitada de auxílio; é aquele que tem fome, que tem sede, que está desamparado, que está sofrendo na prisão ou no leito de dor...

Que você, meu filho, imite sempre o Bom Samaritano. Esteja sempre pronto para socorrer quem sofre, como o bondoso samaritano fez, sem qualquer indagação ao necessitado.

Que você faça o mesmo, como Jesus pediu. Nunca pergunte, nunca procure saber coisa alguma daquele que você pode e deve auxiliar. Não se interesse em saber se o pobre, se o doente, se o orfãozinho necessitado é espírita ou católico, se é judeu ou protestante, se é pessoa branca ou de cor. Não se interesse em saber quais as idéias que ele professa ou a politica que ele acompanha. Não cultive no coraçãozinho os odiosos preconceitos de raça, de religião ou de cor. Que você olhe apenas as feridas de quem sofre, para pensá-las. Que você enxergue somente a dor do próximo, para aliviá-la.

Imite o Bom Samaritano, filhinho. É Jesus quem pede ao seu coraçãozinho: "Vá e faça o mesmo", sempre, em toda parte, com quem quer que seja.

Este é o caminho da Vida Eterna, com Jesus.

(*) O denário era uma moeda romana, em curso na Palestina no tempo de Jesus.

TAVARES, Clóvis. Histórias que Jesus Contou. LAKE. Capítulo 2. (Lucas, capítulo 10º, versículos 25 a 37).

PARÁBOLA DO BOM SAMARITANO

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Parábola: significa narrativa curta ou apólogo, muitas vezes erroneamente definida também como fábula. Sua característica é ser protagonizada por seres humanos e possuir sempre uma razão moral que pode ser tanto implícita como explícita. Ao longo dos tempos vem sendo utilizada para ilustrar lições de ética por vias simbólicas ou indiretas. Eram as histórias geralmente extraídas da vida cotidiana utilizadas por Jesus Cristo para ensinar aos seus discípulos. Segundo Marcos 4, versos 11-12, eram utilizadas por Jesus para que somente seus discípulos as entendessem plenamente. Este gênero já era utilizado por muitos dos antigos profetas.
Sacerdote: é uma autoridade ou ministro religioso, habilitado para dirigir ou participar em rituais sagrados de uma religião em particular. Eles também têm a autoridade ou o poder de administrar os ritos religiosos, em especial, os ritos de sacrifício e expiação de uma divindade ou divindades. Seu cargo ou posição é chamado de Sacerdócio, um termo que pode também se aplicar a essas pessoas coletivamente.

Levitas: Aos que crêem nas Escrituras, é inegável que Levi tenha sido uma tribo como as outras, separada, porém por Deus para exercer o sacerdócio. Entretanto, a situação da tribo no momento em que o Pentateuco teria sido escrito, bem como sua posição na sociedade judaica após o exílio na Babilônia geram discussão entre estudiosos.
Alguns acreditam que Levi tenha sido uma das tribos que teria fugido do Egito, e ao chegar a Canaã teriam se aliado a outras tribos hebraicas autóctones, e, após a organização destas tribos e sua fusão em uma só nação, os levitas teriam sido designados ao sacerdócio.
Outra corrente acredita que os levitas teriam sido uma casta à parte do sistema tribal existente, uma elite com poderes políticos originados de sua relação de exclusividade com Deus. Essa não era uma postura incomum no Oriente Médio antigo ou em outras regiões, e observava-se a existência de classes sacerdotais rígidas na Mesopotâmia e na Índia fundamentadas no direito exclusivo destas classes em interferir junto a Deus pela ordem de suas sociedades.

Samaritanos: são um pequeno grupo étnico-religioso aparentado aos judeus que habita nas cidades de Holon e Nablus situadas em Israel e na Cisjordânia respectivamente. Designam-se a si próprios como Shamerim o que significa "os observantes" (da Lei); desde há alguns anos os Samaritanos tem vindo igualmente a usar o termo "israelita-samaritanos".
A religião dos Samaritanos baseia-se no Pentateuco, tal como o judaísmo. Contudo, ao contrário deste, o samaritanismo rejeita a importância religiosa de Jerusalém. Os samaritanos não possuem rabinos e não aceitam o Talmud (registro das discussões rabínicas que pertencem à lei, ética, costumes e história do judaísmo.) dos judeus ortodoxos.
Os samaritanos não se consideram judeus, mas descendentes dos antigos habitantes do antigo reino de Israel (ou reino da Samaria). Os judeus ortodoxos consideram-nos por sua vez descendentes de populações estrangeiras, que adotaram uma versão adulterada da religião hebraica; como tal, recusam-se a reconhecê-los como judeus ou até mesmo como descendentes dos antigos israelitas. O Estado de Israel reconhece-os como judeus.

A Parábola do Bom Samaritano

(Lucas, 10:25-37)
Narra o evangelista Lucas que Jesus Cristo, certa vez, procurado por um doutor da lei, este lhe perguntou: Mestre, que farei para herdar a vida eterna?
Percebendo o objetivo capcioso da indagação, ele limitou-se a indagar: O que está escrito na lei? Como lês?
A réplica do escriba não tardou: Amará ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao próximo como a ti mesmo.
Face o acerto da resposta, o Senhor lhe disse: Respondeste bem; faze isso e desfrutarás da vida eterna.
O inquiridor, entretanto, não ficou satisfeito e para justificar-se, aventurou nova pergunta: Quem é o meu próximo?
A fim de elucidar melhor a questão, o Cristo propôs-lhe uma parábola, dizendo:
Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos de salteadores, os quais, após despojá-lo de tudo, espancaram-no, deixando-o moribundo à margem da estrada.
Coincidentemente descia pelo mesmo caminho um sacerdote. Vendo-o, passou de largo.
Logo a seguir descia um levita, cujo procedimento não foi diferente daquele do sacerdote.
Entretanto, dentro em pouco surge um samaritano que, vendo-o naquele estado deplorável, moveu-se de íntima compaixão e, descendo de sua cavalgadura, levou-o a uma hospedaria, onde continuou a cuidar dele.
Tendo que partir, no dia seguinte, deu dois dinheiros ao hospedeiro, recomendando-lhe que continuasse a dar-lhe assistência, prontificando-se a pagar, em sua volta, tudo aquilo que excedesse a importância deixada.
Após ensinar essa parábola, indagou Jesus: Qual destes três te parece que foi o próximo do homem que havia sido vítima dos salteadores, merecendo do doutor da lei a resposta: O que usou de misericórdia para com ele.
Diante desse discernimento aduziu o Senhor: Vai, e faze da mesma maneira.

O ensino propiciado por Jesus Cristo nessa edificante parábola é dos mais significativos. Nele podemos apreciar o exercício da caridade despretensiosa, incondicional, em seu sentido amplo, sem limitações.
O samaritano, considerado herege e apóstata pelos judeus ortodoxos, foi o paradigma tomado pelo Mestre para nos ensejar tão profundo ensinamento.
O grande mérito da parábola consiste em fazer evidenciar aos nossos olhos que, o indivíduo que se intitula religioso e se julga virtuoso aos olhos de Deus, nem sempre é o verdadeiro expoente de virtudes que julga possuir. Ensina aos outros como fazer caridade, mas ele nem de longe quer praticá-la.
O sacerdote que passou primeiramente, certamente atribuía a si qualidades excepcionais e se julgava zeloso cumpridor da lei e dos preceitos religiosos. Ao deparar com o moribundo, com certeza balbuciou uma prece em seu favor, mas daí até a ajuda direta a distância é enorme. O mesmo deve ter sucedido com o levita.
O samaritano, considerado desprezível pelos judeus ortodoxos, mas cumpridor dos seus deveres humanos, não se limitou a condoer-se do moribundo. Chegou-se a ele e o socorreu da melhor forma possível, levando-o em seguida a um lugar de repouso onde o assistiu melhor, recomendando-o ao hospedeiro e prontificando-se a ressarcir todos os gastos quando da sua volta.
A caridade foi ali dispensada a um desconhecido, e quem a praticou não objetivou recompensa, o que não é muito comum na Terra, onde todos aqueles que praticam atos caridosos, logo pensam nas recompensas futuras, na retribuição na a vida espiritual.
Os samaritanos eram dissidentes do sistema religioso implantado na Judéia - eram os protestantes da época. Com o fito de demonstrar a precariedade dos ensinamentos da religião oficial, Jesus Cristo figurava os samaritanos como sendo aqueles que melhor mente havia assimilado os seus ensinos, concretizando em atos tudo aquilo que aprendiam através das palavras.
Além de nos ensinar o feito generoso do samaritano da parábola, o Mestre também os tomou como paradigmas em outras circunstâncias, para ilustração reportemo-nos ao majestoso ensino sobre a Mulher Samaritana (João, 4:5-30) e o da cura de dez leprosos, dentre os quais apenas um que era samaritano lembrou-se de voltar para render graças a Deus pela cura obtida (Lucas, 17:11-19).
(Jornal Mundo Espírita de Janeiro de 1998)
No Novo Testamento, samaritano é o nome dado aos habitantes do distrito de Samaria; mas o nome tem profundos matizes religiosos. Para os judeus, os Samaritanos eram um grupo herético e cismático e por isso, eram repudiados e odiados mais do que os pagãos A origem do cisma entre judeus e samaritanos se aprofunda na primitiva história israelita. Os judeus que se estabeleceram em Jerusalém após o Edito de Ciro (538 a.C) não consideravam a comunidade que habitava no distrito de Samaria, e antigo centro de Israel, como verdadeiros israelitas. Eles eram descendentes de uma população mista de assírios e mesopotâmicos. Essas populações tinham introduzido na terra de Israel o culto a seus próprios deuses

Samaritano era tido como herege, infiel, macumbeiro, sincretista.
O levita ou fariseu era só de fachada, tipo fanáticos sem citar denominações.
O sacerdote pode ser qualquer sacerdote de qualquer religião que coloca o ofício antes da caridade. Ser sacerdote de verdade é amar a DEUS servindo aos irmãos necessitados e não fazer pregações, cultos, giras, missas. Isto pode até ter seu valor, mas DEUS espera antes que a caridade para quem necessita venha sempre primeiro.

Foi um tapa para fanáticos e religiosos de fachada, pois Jesus usou a imagem de alguém que era tido como macumbeiro, feiticeiro, herege que era a imagem do samaritano.
Jerusalém e Jerico

Descia um homem de Jerusalém a Jericó...
Para entender isso, há que compreender que, de fato, para ir de Jerusalém a Jericó se desce, pois Jerusalém situa-se a 2.000 metros de altitude, e Jericó, junto ao mar Morto, está a 250 metros abaixo do nível do mar.

PARÁBOLA DO BOM SAMARITANO

"Levantando-se um doutor da lei experimentou-o, dizendo: Mestre, que farei para herdar a vida eterna? Respondeu-lhe Jesus: Que é o que está escrito na lei? como lês tu? Respondeu ele: Amará ao Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda a sua alma, de toda a tua força e de todo o teu entendimento e ao próximo como a ti mesmo. Replicou-lhe Jesus: Respondeste bem; faze isso e viverás. Ele, porém, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: E quem é o meu próximo? Prosseguindo Jesus disse: Um homem descia de Jerusalém a Jericó; e caiu nas mãos de salteadores que, depois de o despirem e espancarem, se retiraram, deixando-o meio morto.

Por uma coincidência descia por aquele caminho um sacerdote; e quando o viu, passou de largo. Do mesmo modo também um levita, chegando ao lugar e vendo-o, passou de largo. Um samaritano, porém, que ia de viagem, aproximou-se do homem, e, vendo-o teve compaixão dele; e chegando-se, atou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho; e pondo-o sobre seu animal, levou-o para uma hospedaria e tratou-o. No dia seguinte tirou dois denários, deu-os ao hospedeiro e disse: Trata-o, e quanto gastares de mais, na volta to pagarei.

Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores? Respondeu o doutor da lei: Aquele que usou de misericórdia para com ele. Disse-lhe Jesus: “Vai e faze tu o mesmo”.

(Lucas, X, 25-37)

Segundo nos dita CAIRBAR SCHUTEL

Se examinarmos atentamente a Doutrina de Jesus, veremos em todos os seus princípios a exaltação da humildade e a humilhação do orgulho. As personalidades mais impressionantes e significativas de suas parábolas são sempre os pequenos, os humildes, os repudiados pelas seitas dominantes, os excomungados pela fúria e ódio sacerdotal, os acusados pelos doutores da lei. pelos rabinos, pelos fariseus e escribas do povo, em suma, os chamados heréticos e descrentes! Todos estes são os preferidos de Jesus, e julgados mais dignos do Reino dos Céus que os potentados da sua época, que os sacerdotes ministradores da lei, que os grandes, os orgulhosos, os representantes da alta sociedade!

Leiam a passagem da "mulher adúltera", a Parábola do Publicano e do Fariseu, a do Filho Pródigo, a da Ovelha Perdida, a do Administrador Infiel, a do Rico e o Lázaro; veja o encontro de Jesus com Zaqueu, ou com Maria de Betânia, que lhe ungiu os pés; a Parábola do Grão de Mostarda em contra posição à frondosa Figueira sem Frutos, e a do Tesouro Escondido em contraposição à dos tesouros terrenos e das ricas pedrarias que adornavam os sacerdotes! Esta afirmação se confirma com esta sentença do Mestre aos fariseus e doutores da lei: "Em verdade vos afirmo que as meretrizes e os pecadores vos precederão no Reino dos Céus!

E para melhor testemunho desta verdade, que aparece aos olhos de todos os que penetram o Evangelho em Espírito, do que esta Parábola do Bom Samaritano? Os samaritanos eram considerados heréticos aos olhos do judeus ortodoxos; por isso mesmo eram desprezados, anatematizados e perseguidos. Pois bem, esse que, segundo a afirmação dos sacerdotes era um descrente, um condenado, foi justamente o que Jesus escolheu como figura preeminente de sua parábola. O interessante ainda, é que a referida parábola foi proposta a um doutor da lei, a um judeu da alta sociedade que, para tentar o Mestre, foi inquiri-lo a respeito da vida eterna. O judeu doutor não ignorava os mandamentos, e como os podia ignorar se era doutor! Mas, com certeza, não os praticava!

Conhecia a teoria, mas desconhecia a prática. O amor de toda a alma, de todo o coração, de todo o entendimento e de toda a força que o doutor judeu conhecia, não era ainda bastante para fazê-lo cumprir seus deveres para com Deus e o próximo. Amava, como amavam os fariseus, como os escribas amavam e como amam os sacerdotes atuais, os padres contemporâneos e os doutores da lei de nossos dias. Era um amor muito diferente e quiçá oposto ao que preconizou o Filho de Deus.

É o amor do sacerdote, que, vendo o pobre ferido, despido e espancado, quase morto, passou de largo; é o amor do levita (padre também da Tribo de Levi), que, vendo caído, ensangüentado, nu e arquejante à beira do caminho, por onde passava, um pobre homem, também se fez ao largo; é o amor dos egoístas, o amor dos que não compreenderam ainda o que é o amor; é o amor do sectário fanático que ama a abstração mas desama a realidade!

Salientando na sua parábola essas personalidades poderosas da sua época, e cujo exemplo é fielmente imitado pelo sacerdócio atual, quis Jesus fazer ver aos que lessem o seu Evangelho que a santidade dessa gente não chega ao mínimo do Reino dos Céus, ao passo que os excomungados pelas igrejas, que praticam o bem, se acham no caminho da vida eterna. De fato, quem é o meu próximo, se não o que necessita de meus serviços, de minha palavra, de meus cuidados, de minha proteção?

Não é preciso ser cristão para se saber isto que o próprio doutor da lei afirmou em resposta à interpretação de Jesus: "O próximo do ferido foi aquele que usou de misericórdia para com ele". Ao que Jesus disse, para lhe ensinar o que precisava fazer a fim de herdar a vida eterna: "Vai e faze tu a mesma coisa". O equivale a dizer: Não basta, nem é preciso ser doutor da lei, nem sacerdote, nem fariseu, nem católico, nem protestante, nem assistir a cultos ou cumprir mandamentos desta ou daquela igreja, para ter a vida eterna; basta ter coração, alma e cérebro, isto é, ter amor, porque o que verdadeiramente tem amor, há de auxiliar o seu próximo com tudo o que lhe for possível auxiliar: seja com dinheiro, seja moralmente ensinando os que não sabem, espiritualmente prodigalizando afetos e descerrando aos olhos do próximo as cortinas da vida eterna, onde o espírito sobrevive ao corpo, onde a vida sucede à morte, onde a palavra de Jesus triunfa dos preceitos e preconceitos sacerdotais!

Finalmente, a Parábola do Bom Samaritano refere-se verdadeiramente a Jesus; o viajante ferido é a Humanidade saqueada de seus bens espirituais e de sua liberdade, pelos poderosos do mundo; o sacerdote e o levita significam os padres das religiões que, em vez de tratarem dos interesses da coletividade, tratam dos interesses dogmáticos e do culto de suas igrejas; o samaritano que se aproximou e atou as feridas, deitando nelas azeite e vinho, é Jesus Cristo. O azeite é o símbolo da fé, o combustível que deve arder nessa lâmpada que dá claridade para a vida eterna - a sua doutrina; o vinho é o suco da vida, é o Espírito da sua palavra; os dois denários dados ao hospedeiro para tratar do doente, são a caridade e a sabedoria; o mais que o "enfermeiro" gastar, resume-se na abnegação, nas vigílias, na paciência, na dedicação, cujos feitos serão todos recompensados. Enfim, o hospedeiro representa os que receberam os seus ensinos e os "denários" para cuidarem do "viajante ferido e saqueado".


Qual o ensinamento que o Mestre aí nos dá?

O de que para entrarmos na posse da vida eterna não basta memorizarmos textos da Sagrada Escritura. O que é preciso, o que é essencial, para a consecução desse objetivo, é pormos em prática, é vivermos a lei de amor e de fraternidade que ele nos veio revelar e exemplificar.

Haja vista que o seu interpelante, no episódio em tela, é um doutor em teologia, que provou ser versado em religião, visto que repetiu de cor, sem pestanejar, palavra por palavra, o conteúdo dos dois principais mandamentos divinos.

Mas... conquanto fosse um mestre religioso e, nessa condição, conhecesse muito bem a lei e os profetas, não estava tranqüilo com a própria consciência; sentia, lá no íntimo da alma, que algo ainda lhe faltava. Daí a sua pergunta: "Mestre, que hei de fazer para alcançar a vida eterna?"

Não o martirizasse uma dúvida atroz sobre se seriam suficientes os seus conhecimentos teológicos e os privilégios de sua crença para ganhar o reino do céu, e não se teria ele dirigido ao Mestre da forma como o fez.

Notemos agora que - e isso é de suma importância -, em sua resposta, Jesus não disse, absolutamente, que havia uma "predestinação eterna", isto é, "uma providência especial, que assegura aos deitos graças eficazes para lhes fazer alcançar, infalivelmente a glória eterna"; também não falou que havia uma "salvação pela graça, mediante a fé; nem tão-pouco indicou como processo salvacionista a filiação a esta ou àquela igreja; assim como não cogitou de saber qual a idéia que o outro fazia dele, se o considerava Deus ou não.

Ante a citação feita pelo doutor da lei, daqueles dois mandamentos áureos que sintetizam todos os deveres religiosos, disse-lhe apenas: "Faze isso e viverás" o que equivale a dizer: aplica todas as tuas forças morais, intelectuais e afetivas na produção do BEM, em favor de ti mesmo e do próximo, e ganharás a vida eterna!

O tal, porém, nem sequer sabia quem era o seu próximo! Como, pois, poderia amá-lo conhecer a si mesmo, a fim de se tornar digno do Reino?

Jesus, então, extraordinário pedagogo que era, serenamente, sem impacientar-se, conta-lhe a parábola do "bom samaritano", através da qual elucida o assunto, fazendo-o compreender que ser próximo de alguém é assisti-lo em suas aflições, é socorrê-lo em suas necessidades, sem indagar de sua crença ou nacionalidade. E após argüi-lo, vendo que ele entendera a lição, conclui, apontando-lhe o caminho do céu em meia dúzia de palavras:

- "Pois vai e faze o mesmo."

Se a salvação dos homens dependesse realmente de "opiniões teológicas" ou de "sacramentos" desta ou daquela espécie, como querem fazer crer os atuais doutores da lei, não seria essa a ocasião azada, oportuna, propícia, para que Jesus o afirmasse peremptoriamente?

Mas não! Sua doutrinação é completamente diferente disso tudo: Toma um homem desprezível aos olhos dos judeus ortodoxos, tido e havido por eles como herege - um samaritano - e, incrível! aponta-o como "modelo", como "padrão", aos que desejem penetrar nos tabernáculos eternos!

É que aquele renegado sabia praticar boas obras, sabia amar os seus semelhantes, e para Jesus, o que importa, o que vale, o que pesa, não são os "credos" nem os "formalismos litúrgicos", mas os "bons sentimentos", porque são eles que modelam idéias e dinamizam ações, caracterizando os verdadeiros súditos do Reino Celestial.

Allan Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, diz que no quadro desta parábola é preciso separar a figura da alegoria. A homens que estavam ainda na infância da espiritualidade, Jesus precisou utilizar-se de imagens materiais, surpreendentes e capazes de impressionar. Mas ao lado dessa parte acessória e figurada do quadro, há uma idéia dominante: a da felicidade que espera o justo e da infelicidade reservada ao mau. Jesus não fala das convenções externas da religião; simplesmente quer exaltar a caridade, o único meio de salvação da alma.
É por esta razão que Jesus coloca o Samaritano, considerado herético, acima do ortodoxo que falta com a caridade.
Fora da caridade não há salvação
10. Meus filhos, na máxima: Fora da caridade não há salvação, estão encerrados os destinos dos homens, na Terra e no céu; na Terra, porque à sombra desse estandarte eles viverão em paz; no céu, porque os que a houverem praticado acharão graças diante do Senhor. Essa divisa é o facho celeste, a luminosa coluna que guia o homem no deserto da vida, encaminhando-o para a Terra da Promissão. Ela brilha no céu, como auréola santa, na fronte dos eleitos, e, na Terra, se acha gravada no coração daqueles a quem Jesus dirá: Passai à direita, benditos de meu Pai. Reconhecê-los-eis pelo perfume de caridade que espalham em torno de si Nada exprime com mais exatidão o pensamento de Jesus, nada resume tão bem os deveres do homem, como essa máxima de ordem divina. Não poderia o Espiritismo provar melhor a sua origem, do que apresentando-a como regra, por isso que é um reflexo do mais puro Cristianismo. Levando-a por guia, nunca o homem se transviará. Dedicai-vos, assim, meus amigos, a perscrutar-lhe o sentido profundo e as conseqüências, a descobrir-lhe, por vós mesmos, todas as aplicações. Submetei todas as vossas ações ao governo da caridade e a consciência vos responderá. Não só ela evitará que pratiqueis o mal, como também fará que pratiqueis o bem, porquanto uma virtude negativa não basta: é necessária uma virtude ativa. Para fazer-se o bem, mister sempre se torna a ação da vontade; para se não praticar o mal, basta as mais das vezes a inércia e a despreocupação.
Meus amigos, agradecei a Deus o haver permitido que pudésseis gozar a luz do Espiritismo. Não é que somente os que a possuem hajam de ser salvos; é que, ajudando-vos a compreender os ensinos do Cristo, ela vos faz melhores cristãos. Esforçai-vos, pois, para que os vossos irmãos, observando-vos, sejam induzidos a reconhecer que verdadeiro espírita e verdadeiro cristão são uma só e a mesma coisa, dado que todos quantos praticam a caridade são discípulos de Jesus, sem embargo da seita a que pertençam. Paulo, o apóstolo. (Paris, 1860.).
GRAÇAS A DEUS!