Estudando o Espiritismo

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quinta-feira, 12 de maio de 2016

Terapia do Perdão

http://www.viamaxi.com.br/2014/12/terapia-do-perdao/

Terapia do Perdão

Dr. Ricardo de Souza Cavalcante

Quando não perdoamos alguém, ou a nós mesmos, alimentamos inúmeros sentimentos ruins, como a mágoa, o rancor, o ódio e a vingança. Apesar de serem sentimentos fortes, não há em nenhum deles, sequer, algo que faça bem a nossa saúde física, emocional e espiritual.
São sentimentos que fazem, comprovadamente, mal ao nosso organismo, provocando e alimentando doenças, em nossa mente e em nosso corpo, incluindo o aparecimento de tumores malignos.
“Enquanto dormimos / a dor que não se dissipa / cai gota a gota sobre nosso coração / até que / em meio ao nosso desespero / e contra nossa vontade / apenas pela graça divina / vem a sabedoria”
Os versos do poeta grego Ésquilo, escritos há 25 séculos, são considerados por muitos a mais bela conclamação ao perdão jamais escrita. Bob Kennedy recorreu a ela na tarde do dia 4 de abril de 1968 para, durante um comício, consolar a multidão revoltada com a chegada da notícia do assassinato do líder pacifista Martin Luther King. Dois meses depois, o próprio Bob foi morto a tiros.
A Via Maxi, nessa edição de final de ano, quando muitos param para reavaliar atitudes e se propor aos planos de mudanças para o ano que se inicia, procuramos o médico infectologista, Ricardo de Souza Cavalcante, do Hospital das Clínicas de Botucatu e professor da faculdade de Medicina de Botucatu – UNESP, que também ministra palestras sobre a “Terapia do Perdão” para falar sobre os efeitos clínicos desses sentimentos. Em nossa 30ª edição da revista Via Maxi publicamos alguns trechos da entrevista, porém, aqui, você poderá acompanhá-la na íntegra.

Via Maxi: Como pode ser definido, de fato, o ato de perdoar?
Muitas pessoas acreditam que perdoar é esquecer a ofensa recebida. No entanto, isso é impossível, pois o fato em que ocorreu a ofensa permanecerá em nossa memória. O perdão significa compreender aquele que nos ofendeu de um modo diferente, modificando a nossa intimidade. É a verdadeira educação da alma.

VM: A mágoa tem o poder de provocar problemas físicos e psicológicos? Como ela pode desencadear doenças?
A mágoa sempre surge da raiva, emoção nata da criatura humana, quando mal conduzida. Sempre que nos sentimos ofendidos, agredidos ou acuados, a raiva surge como uma emoção natural. Ela desencadeia uma reação orgânica chamada “estresse”, em que há liberação de adrenalina e cortisol, hormônios que irão agir sobre o sistema cardiovascular e imunológico e sobre o cérebro. Quando fugaz, este fenômeno não traz danos ao organismo. O problema surge quando ocorre de maneira repetitiva. Quando não trabalhamos adequadamente a raiva que sentimos a transformamos em mágoa, e a partir deste momento, periodicamente nos lembramos daquela situação incômoda. O fato é que o nosso cérebro não consegue distinguir uma situação que está acontecendo de uma lembrança de algo que já aconteceu. A lembrança desencadeia a mesma reação de “estresse” liberando adrenalina e cortisol que cronicamente estarão agindo sobre o sistema cardiovascular a desencadear doenças como o infarto agudo do miocárdio, o acidente vascular cerebral; estarão agindo sobre o sistema imune, desmanchando nossas defesas e permitindo a ação deletéria dos agentes infecciosos e das células neoplásicas na formação dos cânceres; estarão agindo sobre o cérebro a desequilibrar os neurotransmissores abrindo portas ao desenvolvimento dos transtornos de ordem emocional como a depressão.

VM: Quem é mais prejudicado quando não perdoamos?
O grande prejudicado pela mágoa é aquele que a sente. A incapacidade de perdoar não é danosa para aquele que ofende, mas para o ofendido. É creditada a Shakespeare uma frase que vem de encontro a isso: “Não perdoar é como beber veneno desejando que o outro morra.” Quem não perdoa carrega consigo um grande fardo que trará no futuro danos físicos, psicológicos e espirituais ao portador da mágoa.

VM: Quais os problemas que a mágoa pode causar em um indivíduo?
Conforme já colocamos anteriormente, a mágoa gera danos físicos, psicológicos e espirituais. De modo geral, as doenças apresenta origem multifatorial. Isto significa que muitos fatores contribuem para a ocorrência delas. Estão bem definidas pela medicina as condições relacionadas ao desenvolvimento de doenças como o sedentarismo, tabagismo, etilismo, alimentação com quantidade excessiva de gorduras e carboidratos entre outros. Quando colocamos que a mágoa pode ser um gerador de doenças significa que este sentimento tem um importante papel na origem destas patologias. Há 2000 anos, Jesus trouxe uma série de recomendações para que pudéssemos perdoar, pois a mágoa é extremamente deletéria em nossas vidas. E este conceito foi resgatado por Allan Kardec na codificação da doutrina espírita, apontando a mágoa e outros sentimentos comuns à criatura humana como altamente deletérios a vida e gerador de doenças. Hoje, as ciências médicas têm estudado este aspecto corroborando esta ideia. Assim identificamos que a mágoa pode estar na gênese das doenças cardiovasculares como o infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral; das neoplasias como os mais diversos tipos de câncer; das doenças infecciosas; dos transtornos de ordem emocional como o transtorno de ansiedade generalizada, as fobias e mesmo a depressão. Também, na doutrina espírita, identificamos outro grande problema. Aquele que é portador de mágoa, mantem pensamentos negativos que muitas vezes atraem espíritos infelizes permitindo a influência destes sobre o indivíduo. Isto pode ser intenso o suficiente para desencadear um processo obsessivo, em que ocorre grande estado perturbação espiritual.

VM: O perdão pode curar doença físicas e mentais?
Participando a mágoa da origem de diversas doenças, certamente o perdão é um remédio salutar para estas condições. Importante lembrar que todas as recomendações indicadas pela medicina também são necessárias no tratamento das doenças. O doutor Dean Ornish, célebre cardiologista norte-americano, escreveu uma obra intitulada “Amor e sobrevivência” que conta casos atendidos por ele e que foram submetidos à terapia do perdão. Conta o dr Ornish que, certa vez, recebeu um seu consultório um homem que sofria de dores no peito. A avaliação médica apontava para um quadro grave de angina, pondo-lhe a vida em risco. Durante sua conversa, Dr. Ornish questionou tal paciente sobre como estava sua vida. Sem que ele pudesse responder, sua esposa, que o acompanhava, disse enfaticamente: “ – A vida dele vai muito mal. Há anos tornou-se uma pessoa raivosa, irritada, agressiva até mesmo com seus familiares. O convívio dentro de casa é péssimo. Eu e nossos filhos não o aguentamos mais.” Diante do desabafo, o médico questionou o paciente se algo havia ocorrido para tal mudança. A esposa, novamente se interpôs: “ – Desde que ele brigou com o rabino, líder da sinagoga que frequentamos.” Diante do fato, o paciente expôs que ele era um homem muito participativo na sinagoga que frequentava. Para quem não sabe, sinagoga é o templo religioso dos judeus. Porém, outra sinagoga foi inaugurada próxima a sua e muitos fiéis passaram a frequentar o novo templo. Sentindo uma ameaça, o paciente exigiu do rabino (líder espiritual dos judeus, assim como é o padre para a igreja católica e o pastor para as igrejas protestantes) uma posição drástica, mas este manteve sua conduta. Tomou-se então de forte raiva com o rabino, e em reunião pública no templo, pôs-se a agredi-lo verbalmente, com calúnias infundadas, para desmoralizá-lo diante de todos. Desde então, guardava uma raiva contida daquele homem, e não mais conseguiu participar, do mesmo modo, de suas atividades no templo. Assim, aos poucos, foi tornando-se esta pessoa amarga, descontente com a vida. Este paciente tinha uma indicação médica de cirurgia para revascularizar as artérias coronárias, que são aquelas que irrigam o coração. O risco de um infarto do miocárdio era grande. No entanto, Dr. Ornish optou por esperar. Apenas ofereceu-lhe um tratamento clínico, a base de medicamentos e propôs-lhe uma medida que considerava essencial ao tratamento: seu paciente deveria pedir perdão ao seu desafeto. Inicialmente, o homem relutou. Sentia vergonha, acreditava que seria um covarde se tomasse tal medida. Mas, aos poucos, com a ajuda da esposa e algumas consultas este paciente foi convencido. Ele iria pedir perdão e isso seria em público, assim como foi seu momento de ira. Conta este paciente que em uma reunião, levantou-se e pediu a palavra. Emocionado começou a dizer tudo que estava em seu coração. Pediu perdão ao rabino, e disse que muitas vezes sentia inveja do líder judaico. Abraçaram-se junto a lágrimas e soluços. Dr. Ornish relata que a melhora clínica deste paciente foi tão evidente que a medida cirúrgica foi cancelada.

VM: Os efeitos são os mesmos para quem perdoa alguém, quanto para quem se auto perdoa?
O auto perdão é o primeiro passo que devemos realizar para sermos capazes de perdoar. Antes de compreender aquele que nos ofendeu é necessário compreender a si mesmo e aceitar-se com nossas virtudes e defeitos. Sócrates, célebre filósofo grego, difundia um pensamento que leu na entrada de um oráculo “Conhece-te a ti mesmo”, nos ensinando a grande importância da auto aceitação. Jesus também trouxe esta mesma ideia. No evangelho de Mateus, capítulo 5, versículos de 25 a 26, encontramos a seguinte passagem de Jesus: “Reconciliai-vos o mais depressa possível com o vosso adversário, enquanto estais com ele a caminho, para que ele não vos entregue ao juiz, o juiz não voz entregue ao ministro da justiça e não sejais metido em prisão. – Digo-vos, em verdade, que daí não saireis, enquanto não houverdes pago o último ceitil.” Esta conhecida passagem de Jesus geralmente é interpretada como a necessidade da reconciliação com os adversários externos, aqueles indivíduos que nos causaram mal. Mas, podemos olhar estas palavras de modo mais profundo, como fez Joana de Ângelis na obra Triunfo Pessoal, psicografia de Divaldo Franco. A autora aponta que este adversário pode ser o adversário interno, os sentimentos que nos perturbam a alma, o orgulho ferido que foi o gerador da mágoa e do ressentimento. Uma importante observação deve ser feita: quem causa a mágoa em nós não é aquele que ofende, mas nós mesmos. É o modo como trabalhamos a situação que gera a mágoa. Carl Jung, psiquiatra e psicanalista suíço, fundador da psicologia analítica, propunha que todos nós temos uma sombra psíquica que contém todos os sentimentos que portamos e não aprovamos. São feridas da alma que adquirimos nesta ou em outras existências e que ficaram mal resolvidas. Quando alguém tem uma atitude conosco que faz desabrochar algum destes sentimentos escondidos, nos sentimos ofendidos. É como alguém que coloca o dedo em uma ferida na nossa pele – sentimos dor. Se o dedo é colocado na pele sã, nenhum incômodo sentimos. O mesmo acontece com a alma – se cutucada na ferida sentiremos dor. Por isso, o primeiro adversário que temos de enfrentar somos nós mesmos, os adversários internos. Foi isto que Jesus provocou na multidão que se preparava para o apedrejamento da mulher adultera. Quando questionado se a mulher deveria ou não ser apedrejada, Jesus pôs-se a desenhar na areia símbolos que representavam as faltas da criatura humana, permitindo uma reflexão daquela multidão sobre o conteúdo de sua sombra psíquica e fazendo-os ter consciência de que também possuíam faltas. A percepção da falibilidade da criatura humana que erra assim como seu semelhante é o primeiro passo para o perdão. Esta aceitação de si mesmo como criatura falível, em processo de evolução, este auto conhecimento, representa o auto perdão. Por isso, Jesus disse que deveríamos nos reconciliar com o adversário enquanto estivéssemos a caminho com ele – é na hora da ofensa que o sentimento guardado se manifesta e é nesse momento que devemos trabalhar com ele. Caso contrário, seremos entregues ao juiz e ao ministro da justiça que nada mais são do que a nossa própria consciência, pois é ela que nos julga, é nela que está escrita a lei divina. Entregues à nossa consciência, esta nos cobrará e nos sentiremos culpados – a culpa é a prisão anunciada por Jesus, da qual apenas sairemos até expiar todo o sentimento negativo. Portanto, certamente os efeitos do auto perdão são tão benéficos quanto aqueles oriundos do perdão a outrem.

VM: Quem ganha mais ao perdoar?
O maior beneficiado do perdão é aquele que perdoa. Como já apresentamos anteriormente, o indivíduo magoado sofre muitos danos pelo sentimento que carrega e, portanto, é o que mais se beneficia com o perdão. Para aquele que ofende também há benefício, em especial se foi uma ofensa intencional. Na doutrina espírita temos o conceito de que toda criatura humana tem em sua consciência as leis divinas, mesmo que momentaneamente não as perceba. Mas, no íntimo é possível discernirmos o que podemos ou não realizar na vida. Quando cometemos uma ação deletéria para alguém, nossa consciência cobrará de nós pelo ato indevido, seja nesta existência ou nas futuras. Uma das etapas para que possamos obter a paz de consciência é o reconciliamento com aqueles a quem prejudicamos em algum momento de nossa jornada. Por isso, o perdão também beneficia o perdoado.

VM: É possível perdoar alguém, mesmo estando ainda magoada com ele?
O perdão não ocorrerá enquanto houver a mágoa. É necessária uma mudança de sentimento. Por isso, dizemos que o perdão não é um ato pontual, mas um processo longo, porque deve ser construído em nossa intimidade. Em “O Livro dos Espíritos”, obra inaugural da doutrina espírita, Allan Kardec traz a seguinte questão: “Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus? R: Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.” Em geral, quando pensamos em caridade, mentalizamos o ato de doar um bem material a alguém necessitado. Esta é a caridade material, a mais simples de ser praticada, uma obrigação de nossa parte, visto que nada de material possuímos, apenas temos o direito transitório do usufruto. A única propriedade da criatura é a sua intimidade. Por isso, estamos verdadeiramente a dar quando damos a nós mesmos. É a caridade moral. Aquela que deve ser exercida para com todos, principalmente com aqueles que estão a nossa volta – familiares, amigos, companheiros de trabalho. O perdão representa o ato mais elevado da caridade, ou podemos dizer do amor incondicional que Jesus nos ensinou. Porém, para alcançá-lo antes é preciso exercer a benevolência e a indulgência. A benevolência é fazer o bem mesmo quando nos é oferecido o mal. Certa vez, na Índia ainda dominada pela cora inglesa, os indianos não podiam transitar pela mesma calçada que os ingleses. Gandhi andava pela rua, sem temer a repreensão, foi abordado por um soldado que lhe deferiu um golpe com seu cacetete, atirando no chão. Se esboçar reação agressiva, pois seu lema era a não violência, levantou-se e continuou a caminhar, quando novamente o soldado lhe agrediu derrubando-o no chão. Diante da situação e indignado com a postura de Gandhi, o soldado lhe indagou: “ – Com quem aprendeu a ser tão covarde?”. Gandhi com sua serenidade, apontou o peito do soldado e disse-lhe: “Este homem que você carrega no peito”. O soldado portava um crucifixo com a imagem de Jesus. O homem percebendo a brutalidade que fizera deu as mãos a Gandhi ajudando a levantar-se e pedindo-lhe perdão. Este é o exemplo da benevolência. É retribuir com o bem o mal que alguém lhe fez. O passo seguinte à benevolência é a indulgência. As grandes mágoas que carregamos na alma são de pessoas da nossa intimidade. Jesus nos alertou o seguinte, conforme está escrito no evangelho de Mateus, capítulo 7, versículos de 3 a 5: “Como é que vedes um argueiro no olho do vosso irmão, quando não vedes uma trave no vosso olho? – Ou, como é que dizeis ao vosso irmão: Deixa-me tirar um argueiro do teu olho, vós que tendes no vosso uma trave? – Hipócritas, tirai primeiro a trave do vosso olho e depois, então, vede como podereis tirar o argueiro do olho do vosso irmão”. Devemos ser vigilantes. Sempre que nos percebermos observando incomodados com os defeitos alheios, em especial daqueles que nos são próximos e íntimos, devemos nos lembrar que também temos defeitos que causam os mesmos incômodos nos outros. É a sombra psíquica, ensinada por Jung, a se manifestar neste momento, oportunidade que devemos aproveitar para trabalhar este sentimento em nós. Devemos nos indagar por que este defeito do outro me incomoda? Não haverá algo em mim que devo melhorar para que este defeito não me incomode mais? Somente após obtermos o auto perdão, que representa a aceitação de si próprio, exercer a benevolência e a indulgência é que conseguiremos perdoar verdadeiramente. Por isso, o perdão é um processo construído em nossa intimidade e que devemos por em prática no dia a dia.

VM: Perdoar significa necessariamente reconciliar-se com a pessoa que o perturbou?
Para aquele que verdadeiramente perdoa, a reconciliação é uma vontade presente. Estar de bem com a outra pessoa nos faz sentirmos bem. No entanto, nas relações humanas, em geral, somos ofendidos como também ofendemos. Para que ocorra a reconciliação é necessário que as duas partes estejam dispostas a isto, o que nem sempre acontece de pronto. Às vezes, uma das partes perdoa e deseja a reconciliação, mas a outra, ainda magoada não aceita. Para aquele que perdoa, os benefícios do perdão virão independentemente se outro quer ou não ser perdoado, pois os ganhos ocorrem na intimidade do ser. Nestes casos, o tempo, e as experiências sofridas, e a mudança de postura daquele que já perdoou levarão a outra parte também a perdoar.

VM: Este é um ponto de vista religioso, ou já foi confirmado pela ciência?
O conceito do perdão decorre de um ponto de vista religioso. Todas as religiões são dotadas de conteúdo moral semelhante, e a ideia do perdão é inânime entre elas. Alguns podem combater esta ideia confundindo a religião com certos religiosos radicais que ainda não compreenderam o conteúdo da doutrina que professam e comportam-se com intolerância. A ciência tem cada vez mais adentrado neste campo, pois o preconceito de que estes assuntos não fazem parte do escopo científico tem se tornado menor. Charlotte Van Oyen Witvliet, professora de psicologia do Hope College – Michigan – EUA, realizou um experimento com 71 voluntários pedindo a eles que se lembrassem de algum episódio que tenha causado grande mágoa em suas vidas. Monitorizados, foi possível detectar ao aumento da pressão arterial, da frequência cardíaca e do tônus muscular, semelhante ao que se observa durante uma crise de raiva. Quando ordenou que estes indivíduos mentalizassem o entendimento e o perdão com aqueles que os feriram, observou redução dos níveis de pressão arterial, frequência cardíaca e tônus muscular. A Dra. Charlotte Witvliet é uma grande pesquisadora dos efeitos do perdão, com diversos estudos publicados nesta área. O mesmo experimento foi repetido pela Dra. Britta Larsen, da Universidade da Califórnia – EUA, com 200 voluntários obtendo os mesmos resultados, indicando uma elevada evidência científica dos benefícios do perdão.

VM: Há alguns anos a medicina era mais cética, hoje, existem médicos que acreditam que a fé influencia diretamente na cura. Explique essa situação?
Durante muitos séculos a humanidade utilizou-se da religião como forma de interpretação da vida. Mas, no século XVIII, com o surgimento do Iluminismo, a ciência ganhou força e passou a ditar as regras da sociedade. Neste contexto, a ciência médica esqueceu-se do aspecto espiritual da vida limitando a existência humana apenas ao organismo físico de que somos feitos. Assim, a medicina encara a gênese das doenças como resultado da interação entre os estímulos do ambiente e a carga genética do indivíduo. Se alguém tem um infarto agudo do miocárdio é porque tem predisposição familiar e se expõe a fatores de risco como o sedentarismo, o tabagismo ou a alimentação inadequada. Mais recentemente na história da medicina, alguns pesquisadores começaram a perceber a importância da mente sobre o corpo. Foram identificadas alterações orgânicas em decorrência do estado mental do indivíduo. É o caso de pessoas com depressão que tem maior facilidade para adquirir doenças infecciosas, pois o estado depressivo provoca uma queda das defesas do organismo. Apesar deste aspecto, a mente ainda é vista pela ciência médica como um produto do cérebro, restrita ao comando dos neurônios e suas conexões. Este modo de encarar a vida e a natureza como obras do acaso e negar a existência de uma transcendência é o que chamamos de reducionismo. A medicina reduz o homem a um aglomerado de células que podem funcionar harmônica ou desarmonicamente (quando estamos doentes). Ocorre que esta visão não têm sido suficiente para explicar os fatos referentes à saúde das pessoas e muitos pesquisadores passaram a considerar que além do corpo deveria haver algo transcendente, uma alma. Muitas pesquisas têm sido feitas nesta área indicando que a abordagem médica não deve se restringir apenas ao cuidar do corpo, mas também compreender a espiritualidade da criatura humana, que se apresenta de modo fundamental na vida das pessoas. Esta abordagem não tem a intensão de converter ninguém à determinada religião. Ela busca utilizar a fé que o indivíduo já possui para auxiliar no seu processo terapêutico. A crença pode contribuir para a pessoa enfrentar a doença de modo mais tranquilo e ser mais proativo no seu tratamento. Também é possível contar com o apoio do líder religioso que pode contribuir para uma melhor adesão ao tratamento médico. O apoio social oferecido nas instituições religiosas também é muito importante. Considerando que os sentimentos são agentes importantes na origem das doenças, uma abordagem da espiritualidade e religiosidade do indivíduo se faz altamente impactante em seu processo de cura. Por tudo isso, é que muitos médicos têm abordado esta questão e utilizado a espiritualidade e a religiosidade de cada paciente para contribuir em sua terapia.

VM: Existem pesquisas que estudam a relação Fé / Cura?
Atualmente, existem mais de 40.000 pesquisas médicas que avaliam os efeitos benéficos da abordagem da espiritualidade e da religiosidade no processo de cura das doenças. Um destaque deve ser feito para o Dr. Harold Koenig, médico, professor de psiquiatria e medicina da Faculdade de Medicina da Universidade de Duke (Duke University Medical Center), na Carolina do Norte, Estados Unidos. O Dr. Koenig é um grande pesquisador na área de saúde e espiritualidade e já esteve em visita no Brasil. A evidência científica desta abordagem espiritual se tornou algo tão concreto que hoje já se somam 100 faculdades médicas norte-americanas que criaram uma disciplina de fé e medicina. No Brasil, ainda estamos iniciando este processo nas faculdades médicas. Mas, em termos de pesquisa, muito se tem feito por aqui. Vale destacar o geriatra Giancarlo Lucchetti e o psiquiatra Alexander Moreira Almeida que são professores da Universidade Federal de Juiz de Fora – MG e o Dr. Sérgio Felipe de Oliveira que fundou o Pineal Mind, instituto que realiza pesquisas nesta área. Estudos têm sido realizados nas principais Universidades do estado de São Paulo, como UNESP, USP, UNICAMP e UNIFESP. Em Botucatu, junto a Associação Médico-Espírita e Faculdade de Medicina de Botucatu – UNESP, temos realizado uma pesquisa com voluntários para estudar os efeitos terapêuticos do passe espírita sobre o tratamento da ansiedade. Os resultados ainda são parciais, mas observamos impressionante melhora do nível de ansiedade nas pessoas submetidas a este tratamento.

Ricardo de Souza Cavalcante é médico infectologista da Comissão de Controle de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde (CCIRAS) do Hospital das Clínicas de Botucatu; professor substituto da disciplina de Moléstias Infecciosas e Parasitárias do Departamento de Doenças Tropicais da Faculdade de Medicina de Botucatu – UNESP; coordenador do ambulatório de infecções fúngicas e vice coordenador do serviço de infecções em transplantados do Hospital das Clínicas de Botucatu; presidente da Associação Médico-Espírita de Botucatu; membro do projeto de extensão Saúde e Espiritualidade da Faculdade de Medicina de Botucatu – UNESP.

Anjo Solitário - Irmão X

Anjo Solitário

Enquanto o Mestre agonizava na cruz, rasgou-se o céu em Jerusalém e entidades angélicas, em grupos extensos, desceram sobre o Calvário doloroso...

Na poeira escura do chão, a maldade e a ignorância expeliam trevas demasiadamente compactas para que alguém pudesse divisar as manifestações sublimes.

Fios de claridade indefinível passaram a ligar o madeiro ao firmamento, embora a tempestade se anunciasse a distância...

O Cristo, de alma sedenta e opressa, contemplava a celeste paisagem, aureolado pela glória que lhe bafejava a fronte de herói, e os emissários do Paraíso chegavam, em bandos, a entoaram cânticos de amor e reconhecimento que os tímpanos humanos jamais poderiam perceber.

Os Anjos da Ternura rodearam-lhe o peito ferido como a lhe insufladores energias novas.

Os portadores da Consolação ungiram-lhe os pés sangrentos com suave bálsamo.

Os Embaixadores da Harmonia, sobraçando instrumentos delicados, formaram coroa viva, ao redor de sua atribulada cabeça, desferindo comovedoras melodias a se espalharem por bênçãos de perdão sobre a turba amotinada.

Os Emissários da Beleza teceram guirlandas de rosas e lírios sutis, adornando a cruz ingrata.

Os Distribuidores de Justiça, depois de lhe oscularem as mãos quase hirtas, iniciaram a catalogação dos culpados para chamá-los a esclarecimento a reajuste em tempo devido.

Os Doadores de Carinho, em assembléia encantadora, postaram-se à frente dele e acariciavam-lhe os cabelos empastados de sangue.

Os Enviados da Luz acenderam focos brilhante nas chagas doloridas, fazendo-lhe olvidar o sofrimento.

Trabalhavam os mensageiros do Céu, em torno do Sublime Condutor dos Homens, aliviando-o e exaltando-o, como a lhe prepararem o banquete da ressurreição, quando um anjo aureolado de intraduzível esplendor apareceu, solitário, descendo do império magnificente da Altura.

Não trazia seguidores e, em se abeirando do Senhor, beijou-lhe os pés, entre respeitoso e enternecido. Não se deteve na ociosa contemplação da tarefa que, naturalmente, cabia aos companheiros, mas procurou os olhos de Jesus, dentro de uma ansiedade que não se observara em nenhum dos outros.

Dir-se-ia que o novo representante do Pai Compassivo desejava conhecer a vontade do Mestre, antes de tudo. E, em êxtase, elevou-se do solo em que pousara, aos braços do madeiro afrontoso. Enlaçou o busto do Inesquecível Supliciado, com inexcedível carinho, e colocou, por um instante, o ouvido atento em seus lábios que balbuciavam de leve.

Jesus pronunciou algo que os demais não escutaram distintamente.

O mensageiro solitário desprendeu-se, então, do lenho duro, revelando olhos serenos e úmidos e, de imediato, desceu do monte ensolarado para as sombras que começavam a invadir Jerusalém, procurando Judas, a fim de socorrê-lo e ampará-lo.

Se os homens lhe não viram a expressão de grandeza e misericórdia, os querubins em serviço também lhe não notaram a ausência. Mas, suspenso no martírio, Jesus contemplava-o, confiante, acompanhando-lhe a excelsa missão, em silêncio.

Esse, era o anjo divino da Caridade.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

INDIVIDUAÇÃO OU INDIVIDUALISMO?


A palavra conceito quer dizer idéia que temos de algo ou alguém. Analisamos a vida e os fatos pela ótica individual de nossas conceituações. Nosso entendimento não ultrapassa esse limite.

Alguns desses conceitos resultam da vivência. Foram estruturados pelo uso de todos os nossos sentidos, adquirindo significados. Chamamo-los experiência. Outros são fruto da capacidade de pensar e adquirir conhecimento. Determinam os pensamentos predominantes na vida mental. Quando criamos fixação emocional a esse padrão do pensar, nasce o preconceito.

A experiência leva ao discernimento. O discernimento é a porta para a compreensão. A compreensão identifica a verdade.

O preconceito conduz ao julgamento. O julgamento sustenta os rótulos. Os rótulos distanciam da realidade.

A atitude construtiva na Obra da Criação depende da habilidade de relativizar. Até mesmo a experiência, por mais preciosa, necessita ser continuamente repensada, evitando a estagnação em clichês.

A vida é regida pela suprema Lei da Impermanência. Certo e errado são critérios sociais mutáveis sob a perspectiva sistêmica. Apesar disso, são referências úteis à maioria dos habitantes da Terra. Funcionam como estacas disciplinadoras. Porém, em certa etapa do amadurecimento espiritual, constituem amarras psicológicas na descoberta da realidade pessoal, cuja riqueza está nos significados únicos construídos a partir dos ditames conscienciais.

Jung chamou de individuação o processo paulatino de expressar nossa singularidade, isto é, a Marca de Deus em nós; o ato de talhar a individualidade, aquele ser distinto e único que está latente dentro de nós.

Na individuação o critério certo/errado é substituído por algumas perguntas: convém ou não? Quero ou não? Serve ou não? Necessito ou não? Questões cujas respostas vêm do coração. Somente aprendendo a linguagem dos sentimentos poderemos escutar as mensagens da alma destinadas ao ato de individuar-se. E sentimento é valor moral aferível exclusivamente por nós mesmos no átrio sagrado da intimidade consciencial.

Somos aquilo que sentimos. As máscaras não destroem essa realidade. Quando aprendemos o auto-amor, abandonamos o crítico interno que existe em nós e passamos a exercer a generosidade do autoperdão, ou seja, a aceitação incondicional da criatura ainda imperfeita que somos. Nossa integração com a verdade depende do conhecimento dessa realidade particular: escutar a alma! Ela se manifesta na consciência cujos sentimentos constituem o espelho. Através das sensações, no seu sentido mais amplo, a alma se manifesta.

Escutando a alma, conectados à sua sabedoria interior, desligamos dos padrões, normas, ambientes, pessoas filosofias contrárias à nossa felicidade e inadequadas ao caminho particular de aprimoramento.

Saber o que nos convém, saber o que é útil exige dilatado discernimento aliado ao tempo. Quando usamos os rótulos certo/errado, fomentamos a culpa e a punição. Quando sabemos o que nos convém, agimos e escolhemos com responsabilidade na condição de autores do nosso destino. Quando amadurecemos, percebemos que certo e errado se tornam formas de entender, experiências diversificadas.

O caminho de ascensão para todos nós é o mesmo, apenas muda a maneira de caminhar. Cada criatura tem seu passo, seu ritmo, sua história.

Refletindo sobre conceitos, teçamos algumas ilações para que não nos confundamos: grande distância separa o processo da individuação da atitude de individualismo.

Na individuação temos: a necessidade, a alma, a consciência, a descoberta e criatividade, o preparo e o amadurecimento, experimentamos a realização pessoal, é fruto do amor, floresce o crescimento espiritual.

No individualismo temos: a prevalência do interesse pessoal, a personalidade, o ego, a imitação e a disputa, a precipitação, a insaciedade, é a leira do egoísmo, é a sementeira do egoísmo.

O individualista também caminha em seu processo de individuação. Evidentemente, com menos consciência de suas reais necessidades, permitindo larga soma de interesses particularistas.

Do Livro: ESCUTANDO SENTIMENTOS – a atitude de amar-nos como merecemos


Wanderley de Oliveira – Espírito Ermance Dufaux

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Por que adoecemos?

Wellington Balbo

O poeta romano Juvenal discorria há séculos sobre a importância de corpo e mente saudáveis. A sua frase tornou-se célebre: ”Mens sana in corpore sano”, ou seja, mente sã em corpo são. Com o avançar da ciência a frase de Juvenal é cada vez mais levada em conta.
Muito mais do que apenas cuidar do corpo é imperioso dar atenção à alma. Cultivar pensamentos positivos, dedicar tempo à meditação e reflexão, engajar-se em trabalho voluntário, conservar o bom ânimo, manter o auto controle, ler páginas edificantes e etc., são atitudes positivas que sustentam o equilíbrio, a saúde e o bem estar.
A propósito, a leitura é um poderoso elixir para a conservação ou até o restabelecimento da saúde física e psíquica. Ler obra de boa qualidade ativa a reflexão que por conseqüência proporciona o discernimento e, naturalmente, discernir entre o acerto e o equívoco é fator fundamental para a qualidade de vida em seus mais vastos aspectos.
Abordo o assunto saúde e sua correlação com a leitura porque fui presenteado pelo amigo e escritor Orson Peter Carrara com seu mais novo livro: “Por que adoecemos”, publicado pela Mythos Books. O livro é pequeno, de bolso, mas o conteúdo é grandioso.
Escrito em linguagem didática e elegante, características marcantes nas obras do autor, “Por que adoecemos” trata da influência que as emoções e atitudes exercem no corpo físico.
São os mais variados assuntos abordados com extrema competência: mágoa, ciúme, inveja, medos e tantos outros temas que impedem a felicidade de muita gente. E, convenhamos; felicidade é sinônimo de saúde. Como pensar em ter saúde levando existência sombria, remoendo pequenas coisas, melindrando-se por nada, invejando as conquistas do outro? Impossível! A saúde está, obviamente, relacionada à forma que encaramos a vida e seus inúmeros desafios. A obra, pois, é oportuna para todos porquanto traz sugestões para vivermos com qualidade e livrarmo-nos de aborrecimentos que são, não raro, alimentados por nossa visão estreita dos objetivos da existência humana.
Sinto-me, portanto, entusiasmado a divulgar o livro do amigo de Matão para que mais e mais pessoas sejam beneficiadas pelos frutos de seus esforços.
A propósito vale destacar que Orson vem percorrendo todo território nacional com a palestra homônima ao livro. Já tive, aliás, a oportunidade de ouvi-lo palestrar sobre o palpitante tema que originou o livro e fiquei empolgado com o belo conteúdo apresentado, enriquecido pelos fabulosos recursos da tecnologia. Fica, pois, a sugestão para a palestra e a obra.
Você poderá contatar Orson pelo email: orsonpeter@yahoo.com.br e adquirir o livro “Por que adoecemos” através de nossas distribuidoras pelo país.

POR QUE ADOECEMOS?

Orson Peter Carrara
Matão/SP

Esse questionamento tem chamado muito a atenção nos tempos atuais. Há uma preocupação peculiar com a saúde, que hoje já tem um conceito bastante ampliado e não restrito apenas aos órgãos e células, mas igualmente abrangente para as questões emocionais e psicológicas e de relacionamento.

            Afinal, seria o caso de perguntarmos:

a) De dois homens da mesma idade que sofrem ataques cardíacos, por que o homem solteiro e deprimido tem maior probabilidade de falecer da doença cardíaca do que o homem que é casado e não está deprimido?

b) Se uma mulher sofre de artrite reumatóide, por que o quadro se mantém relativamente estável quando sua vida está tranquila, mas se agrava quando tem conflitos com um filho?

c) Por que pessoas com pouco poder de decisão no emprego sofrem mais ataques cardíacos e desordens intestinais que seus superiores hierárquicos na empresa?

d) E por que o isolamento social é tão prejudicial à saúde quanto o tabagismo, a obesidade e o sedentarismo?

            Claro que o assunto não se restringe apenas às questões propostas. Elas aí estão apenas como exemplos. O assunto é inesgotável e abrange muitos fatores. Entre eles estão o envelhecimento natural, inevitável, as enfermidades trazidas na bagagem e aquelas adquiridas pelos vícios de toda espécie.

            O que se deseja enfatizar aqui é que as emoções influem decisivamente na saúde física. O que pensamos, os sentimentos que alimentamos influem diretamente na saúde ou na eclosão de doenças.

            Daí pensar que não vale a pena alimentar-se de rancor, de ódio, de vingança. Guardar mágoas, ficar sentindo inveja ou ciúme só servem para destruir ou danificar as células, comprometendo o equilíbrio orgânico. A melhor postura para se ter boa saúde é alimentar pensamentos saudáveis, alegrar-se com o
dinamismo da própria vida e trabalhar incessantemente pelo próprio crescimento
e, óbvio, aplicarmo-nos igualmente ao bem coletivo em ações humanitárias e
construtivas.

            Em síntese, podemos resumir sem medo: amar! Amar a si mesmo, amar a Deus, confiar na vida, amar o semelhante, continuar trabalhando. Eis o segredo!

            O assunto é amplo, envolve múltiplas questões. O objetivo aqui é destacar a importância da alegria, do otimismo e citar o mais poderoso antibiótico que se pode usar no tratamento das doenças. Ele não tem custo financeiro, não tem efeitos colaterais e só pede o sacrifício do orgulho e do egoísmo. É o perdão!

            Tenho abordado o assunto em palestras, com ampla repercussão. É que as recomendações de Jesus à humanidade constituem o mais poderoso medicamento para nossas enfermidades, pois afinal somos os próprios autores de nossas doenças, tragédias e sofrimentos. O Evangelho é o maior e melhor compêndio de saúde já
apresentado à Humanidade. Dele derivam ensinos que preservam a saúde e trazem a
felicidade. A conquista dessa sonhada felicidade e da saúde plena é o uso e
prática desse autêntico manual de relacionamento.

            Não tenhamos medo nem receio de adotá-lo em nossa própria vida. A síntese dele é apenas respeitar a vida, respeitar a nós mesmos e entender que o próximo tem os mesmos direitos que tanto reclamamos para nós mesmos!



 Orson Peter Carra é Escritor e orador espírita. Constultor Editorial residente em Matão/SP

Porque Adoecemos

http://sites.uai.com.br/app/noticia/saudeplena/noticias/2013/08/26/noticia_saudeplena,145091/por-que-adoecemos.shtml

http://www.acasadoespiritismo.com.br/saude/porqueadoecemos1/porque%20adoecemos%20vol%20I.htm


domingo, 17 de abril de 2016

Johann Heinrich Pestalozzi - Biografia

Conheça alguns dados sobre o instrutor pedagógico de Allan kardec

Johann Pestalozzi nasceu em Zurique, Suíça, em 1746 e faleceu em 1827.

Exerceu grande influência no pensamento educacional e foi um grande adepto da educação pública.

Democratizou a educação, proclamando ser o direito absoluto de toda criança ter plenamente desenvolvidos os poderes dados por Deus. Seu entusiasmo obrigou governantes a se interessarem pela educação das crianças das classes desfavorecidas. Podemos dizer que ele psicologizou a educação, pois quando ainda não havia a estruturação de uma ciência psicológica e embora seus conhecimentos da natureza da mente humana fossem vagos, viu claramente que uma teoria e prática corretas de educação deviam ser baseada em tal tipo de conhecimentos.

Em 1782, em seu primeiro livro: Leonardo e Gertrudes, expressa suas idéias educacionais, mas, a obra não foi considerada como um tratado educativo pelas figuras importantes da época.

Pestalozzi decide ser mestre-escola, e vai então, em sua escola, procurar aplicar suas idéias educacionais. Para ele a escola deveria aproximar-se de uma casa bem organizada, pois o lar era a melhor instituição de educação, base para a formação moral, política e religiosa.
Em sua escola, mestres e alunos (meninos e adolescentes ) permaneciam juntos o dia todo, dormindo em quartos comuns.

Vídeo do método de Pestalozzi




Organização da escola:
As turmas eram formadas com os menores de oito anos, com os alunos entre oito e onze anos e outra turma com idades de onze a dezoito anos.
As atividades escolares duravam das 8:00 as 17:00 horas e eram desenvolvidas de modo flexível; os alunos rezavam, tomavam banho, faziam o desjejum, faziam as primeiras lições, havendo um curto intervalo entre elas.
Duas tardes por semana eram livres, e os alunos realizavam excursões.
Os problemas disciplinares eram discutidos à noite; ele condenava a coerção, as recompensas e punições.

Situação educacional vigente enquanto Pestalozzi introduzia suas reformas educacionais:

A igreja controlava praticamente todas as escolas e não havia preocupações com a melhoria da qualidade; as classes privilegiadas desprezavam o povo, os professores não possuíam habilitação, existiam pouquíssimos prédios escolares e a ênfase educacional era dada à memória. A revolução suíça ocorrida em 1799 havia liberado a classe desfavorecida e, segundo Pestalozzi, somente a educação poderia contribuir para que o povo conservasse os direitos conquistados, isto é, a educação poderia mudar a terrível condição de vida do povo.

Princípios Educacionais e Contribuições de Pestalozzi
O desenvolvimento é orgânico, sendo que a criança se desenvolve por leis definidas; a gradação deve ser respeitada; o método deve seguir a natureza; a impressão sensorial é fundamental e os sentidos devem estar em contato direto com os objetos; a mente é ativa; o professor é comparado ao jardineiro que providência as condições propícias para o crescimento das plantas.
Crença na educação como o meio supremo para o aperfeiçoamento individual e social.
Fundamentação da educação no desenvolvimento orgânico mais que na transmissão de idéias memorizáveis.
A educação começa com a percepção de objetos concretos e conseqüentemente com a realização de ações concretas e a experimentação de respostas emocionais reais.
O desenvolvimento é uma aquisição gradativa, cada forma de instrução deve progredir de modo lento e gradativo.
Conceituação de disciplina baseada na boa vontade recíproca e na cooperação entre aluno e professor.
Introdução de novos recursos metodológicos.
Deu impulso à formação de professores e ao estudo da educação como uma ciência.

Pestallozzi e sua equipe elaboram materiais pedagógicos, voltados a linguagem, Matemática, ciências, geografia, história e música. E assim, ele afirma: (Apud: SEE-RJ - http://www.riojaneiro.rj.gov.br/rio.html)


"A Educação se constrói numa tensão permanente entre os desejos do homem natural individual e o desenvolvimento da natureza humana universal. A educação produzirá a universalidade a partir das particularidades e da mesma forma a particularidade a partir da universalidade".

Fonte: www.centrorefeducacional.com.br

domingo, 10 de abril de 2016

Couraças Musculares

http://holisticocromocaio.blogspot.com.br/2016/04/dicas-terapeuticas-bloqueio-de-energia.html

DICAS TERAPÊUTICAS - Bloqueio de energia e de emoções - Couraças Musculares

Falando sobre a energia orgone e sobre as couraças musculares.
Acho importante termos consciência de como nossas emoções, sentimentos reprimidos, afetam nosso corpo, e , para isso, devemos entender como funciona esta energia e cada uma das couraças.



Reich, foi quem, no ocidente, identificou a topologia energética do ser humano.
Da mesma natureza do "c´hi" chinês e do prana indiano, esta energia denominada orgone, percorre o corpo no sentido longitudinal.
A energia orgone flui através da musculatura organizando nossas emoções afetivas.
O bloqueio desta energia, inscreve-se no corpo pela contração muscular que inibe sua expressão legítima.
Tais tensões se estabelecem no corpo em sentido transversal, formando anéis de couraça.
A couraça impede de sentir e de se expressar livremente. O homem torna-se semelhante a uma pedra (fria, imóvel). Reich identificou 7 anéis, conforme descrito abaixo:

1. OCULAR: complexo, compreende cérebro, audição e visão.
Os olhos como espelho da alma, traduzem o que ocorre no nosso interior e servem para estabelecer o primeiro contato que se inicia com a mãe durante a amamentação. Têm a função de contato, impressividade e expressividade.
O encouraçamento deste segmento pode se expressar como desatenção, cefaléias, fotofobia, falta de contato, disfunções do movimento ocular. Principal emoção contida: MEDO.

2. ORAL: A boca é o sistema equilibrador de todo nosso sistema energético, possibilitando o segundo ato vital do ser humano que é a sucção. Na fase oral, o contato com o seio materno serve como matriz emocional que vai se refletir em toda a vida do indivíduo. No adulto, a boca tem função nutritiva, expressiva e de vocalização.
Couraças neste segmento podem se expressar pela contração e tensão excessiva dos músculos mastigatórios como bruxismo noturno (ranger os dentes dormindo) e distúrbios da ATM (articulação têmporo-mandibular). Principal emoção contida: RAIVA

3. CERVICAL: O segmento cervical serve de ponte e ligação entre a cabeça - pensamento e consciente e o corpo -desejos e vontades - inconsciente. Inclui músculos da fala, deglutição, sustentação e movimentos da cabeça, glândula tireóide. A postura da cabeça e pescoço expressam a forma em que a pessoa se coloca no mundo: orgulho, submissão, ameaça, etc. A vocalização indica como a pessoa expressa suas emoções, relacionando-se com o ambiente. Principal emoção contida: NARCISISMO.
Sintomas e encouraçamento englobam: alteração do timbre da voz, sensação de "bolo" na garganta, tosse nervosa, dificuldade de chorar e gritar, distúrbios posturais, torcicolos, cefaléias de origem cervical, artrose cervical.Choros e gritos contidos, bem como "nãos" não ditos contribuem para o encouraçamento deste segmento.

4. TORÁCICO: Ligado à vitalidade da pessoa, ao importante processo da respiração e a órgão vitais de troca energética entre o meio interno e externo (caixa torácica e pulmões). Representa a forma em que a pessoa entra em contato com o meio externo e sociedade e sua capacidade de amar.
A respiração alterada por encouraçamento neste segmento pode ser expressa através da dificuldade para expirar (botar o ar para fora) e conseqüentes deformidades torácicas como o peito inflado, doenças respiratórias como asma. Nestes casos, o indivíduo se defende do contato com o meio externo e têm medo ou pânico de sair de sua segurança ilusória.
No caso da dificuldade de inspirar (botar o ar para dentro), o indivíduo por pena de si mesmo, tristeza ou insegurança, tem medo do contato com o meio externo, estando sujeito a distúrbios pulmonares como pneumonias e atelectasias.
Musculatura do ombro (trapézio, escaleno e ECOM) excessivamente tensa e contraída pode estar relacionada ao excesso de medo ou de pressões do cotidiano, associado geralmente a anteriorização da cabeça, pois se tem que se seguir em frente. Principal emoção contida: CHORO.
Uma pessoa com a parte anterior do tórax fechada e encurtada associada a um arqueamento exagerado das costas (hipercifose torácica ou corcunda) se relaciona, segundo Lowen, ao excesso de medo do contato e à raiva contida.
Através da respiração, exercícios visando alongar a musculatura encurtada e reequlibrar a alongada, propiciamos o desbloqueio desta couraça, abrindo seu coração e sua autoconfiança e a capacidade de amar.

5. DIAFRAGMÁTICO: Está diretamente relacionado à respiração e às emoções. Órgãos: diafragma, fígado, vesícula, estômago e duodeno.

6. ABDOMINAL: Órgãos: músculos abdominais, intestinos e rins.
Relaciona-se às emoções e sensações mais primitivas. Sintomas de encouraçamento incluem: musculatura abdominal flácida ou hipertônica, gerando quadros de dores lombares e/ou hiperlordose lombar (excesso da curvatura da coluna lombar), prisão de ventre ou diarréia, bloqueio da passagem de energia da pelve para o coração.

7. PÉLVICO: Tem a ver com a sexualidade humana e com a maneira em que se relaciona e transforma essa energia. A energia sobe pelos pés, pernas, chegando à pelve. A forma de contato dos pés e pernas com o chão indicam o grau de estabilidade, segurança e independência do indivíduo. Joelhos levemente dobrados (fletidos) e dedos em garra indicam pessoas muito terra e com dificuldades de abstrair, ousar ou criar. O contrário, ombros como se fossem ombreiras, altos, e dificuldade de colocar o calcanhar no chão refletiriam dificuldades de encarar o aqui e agora, de "aterrar".
A pelve constantemente contraída (em retroversão) estaria relacionada com a perda constante de energia sexual, implicando na falta de energia para realizações.
Já o famoso "bumbum empinado" (com a pelve em anteroversão) seria um indicativo de excesso de energia sexual não canalizada por frustrações, medo ou raiva.



"O ideal é sempre o equilíbrio".

sexta-feira, 8 de abril de 2016

O Casulo -

O Casulo - 
de: Nikos Kazantzadis

O grande escritor grego Nikos Kazantzakis conta que, quando criança, reparou num casulo preso a uma árvore, onde uma borboleta preparava-se para nascer. Esperou algum tempo, mas - como estava demorando muito - resolveu esquentar o casulo com seu hálito; a borboleta terminou saindo, mas suas asas ainda estavam presas, e morreu pouco tempo depois. "Era necessária uma paciente maturação feita pelo sol, e eu não soube esperar", diz Kazantzakis. "Aquele pequeno cadáver é, até hoje, um dos maiores pesos que tenho na consciência. Mas foi ele que me fez entender o que é um verdadeiro pecado mortal: forçar as grandes leis do universo. É preciso paciência, aguardar a hora certa, e seguir com confiança o ritmo que Deus escolheu para nossa vida".

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Roteiro do ESE - 27 a 39

28 - O que se deve entender por pobres de espírito

Bem aventurados os pobres de espírito

Bem-aventurados os pobres de espírito, porque
deles é o reino dos céus (Mateus, 5:3) - Rodolfo Calligaris

Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus, disse Jesus, iniciando o Sermão da Montanha. Situou assim, a humildade espiritual em primeiro lugar entre as virtudes que precisamos adquirir para merecermos a glória das almas redimidas.

Exegetas do Evangelho, adulterando por completo o sentido dessa máxima, pretendem que ela proclame bem-aventurados os apoucados de inteligência, os retardados mentais, os idiotas e imbecis.

Tal interpretação, todavia, é insustentável, pois, a ser verdadeira, não haveria lugar nos céus para os ricos de espírito, e o próprio Mestre, o expoente máximo da riqueza espiritual que a Terra já conheceu, ficaria de fora.

Por "pobres de espírito", na acepção em que Jesus empregou essas palavras, devem-se entender aqueles que, aspirando à perfeição e, comparando com o ideal a ser atingido e o pequenino grau de adiantamento a que chegaram, reconhecem quanto ainda são carentes de espiritualidade.

São bem-aventurados porque a noção que têm de suas fraquezas e mazelas fá-los lutar por aquilo que lhes falta, e esse redobrar de esforços leva-os realmente a conseguirem maior progresso espiritual.

Já aqueles que se acomodam a ínfimos padrões de moralidade, ou se mostram satisfeitos com seu estado, considerando-se suficientemente bons, ao contrário dos primeiros, não se incluem entre os bem-aventurados porque, seja por ignorância, seja por orgulho, permanecem estacionários, quando a vida espiritual, assim como tudo na Natureza, rege-se por um impulso constante para a frente e para o alto.

Igualmente, os que entendem não ser preciso cultivar um caráter nobre e reto, porque (segundo julgam) "o sangue do Cristo foi derramado para remir os pecados da Humanidade",também não são incluídos entre aqueles cuja atitude de espírito foi exaltada pelo Nazareno.

Malgrado a respeitabilidade de seus princípios religiosos, só vislumbrarão o reino celestial quando venham a reconhecer a pobreza de suas virtudes, e se empenhem com afinco pelas conquistas, pois todo aquele a quem o Cristo haja redimido, de fato, terá de deixar as más obras, para "apresentar-se santo e imaculado e irrepreensível diante dele". (Colossenses, 1:22)

A colocação da humildade de espírito, como a primeira das beatitudes, parece-nos, pois, não ser meramente fortuita, mas sim proposital, visto que a felicidade futura de cada indivíduo depende muito do conceito que ele faça de si mesmo.

Quem se imagina com perfeita saúde não se preocupa com ela, nem procura um médico para tratá-la. Também aquele que se presume sem defeitos, ou já se considera salvo, descuida da higidez de sua alma, e, quando menos espera, a morte o surpreenderá sem que tenha avançado um passo sequer no sentido da realização espiritual.

 NECESSITADOS DIFÍCEIS

E - Cap. XII - Item 1

 Em muitas circunstâncias na Terra, interpretamos as horas escuras como sendo
unicamente aquelas em que a aflição nos atenaza a existência, em forma de tristeza,
abandono, enfermidade, privação...
O espírita, porém, sabe que subsistem outras, piores talvez... Não ignora que aparecem
dias mascarados de felicidade aparente, em que o sentimento anestesiado pela ilusão se
rende à sombra.
Tempos em que os companheiros enganados se julgam certos...
Ocasiões em que os irmãos saciados de reconforto sentem fome de luz e não sabem
disso...
Nem sempre estarão eles na berlinda, guindados, à evidência pública ou social, sob
sentenças exprobatórias ou incenso louvaminheiro da multidão...
Às vezes, renteiam conosco em casa ou na vizinhança, no trabalho ou no estudo, no
roteiro ou no ideal... O espírita consciente reconhece que são eles os necessitados
difíceis das horas escuras. Em muitos lances da estrada vê-se obrigado a comungar-lhes
a presença, a partilhar-lhes atividade, a ouvi-los e a obedecê-los, até o ponto doméstico
lhe preceituem determinadas obrigações.
Entretanto, observa que para lhes ser útil, não lhe será lícito efetivamente aplaudi-los, à
maneira do caçador que finge ternura à frente da presa, afim de esmagá-la com mais
segurança.

°°°
Como, porém, exercer a solidariedade, diante deles? - perguntarás. Como menosprezá-
los se carecem de apoio?
Precisamos, no entanto, verificar que, em muitos requisitos do concurso real, socorrer não
será sorrir.
Todos conseguimos doar cooperação fraternal aos necessitados difíceis das horas
escuras, seja silenciando ou clareando situações, nas medidas do entendimento
evangélico, sem destruir-lhes a possibilidade de aprender, crescer, melhorar e servir,
aproveitando os talentos da vida , no encargo que desempenham e na tarefa que o
Mestre lhes confiou. Mesmo quando se nos façam adversários gratuitos, podemos auxiliá-
los...
Jesus não recomendou festejar os que nos apedrejem a consciência tranqüila e nem nos
ensinou a arrasá-los. Mas, ciente de que não nos é possível concordar com eles e nem
tampouco odiá-los, exortou-nos claramente: "amai os vossos inimigos, orai pelos que vos
perseguem e caluniam!..."

É assim que a todos os necessitados difíceis das horas escuras, aos quais não nos é
facultado estender os braços de pronto, podemos amar em espírito, amparando-lhes o
caminho, através da oração.