Estudando o Espiritismo

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terça-feira, 5 de julho de 2011

Evolução do Princípio Inteligente - Espiritismo e Evangelho

A existência do princípio espiritual  é uma realidade; do mesmo modo que podemos demonstrar a realidade da matéria, pelos efeitos demonstramos a existência do princípio espiritual, pois sem ele, o próprio  Criador não teria razão de ser. Como entender um ser superior, com atributos superiores, a governar somente sobre a matéria? Como compreender que a Inteligência Suprema, que é a própria Sabedoria, iria criar seres inteligentes, sensíveis, e depois lançá-los ao nada, após alguns anos de sofrimento sem compensações, e deleitar-se com a sua criação como faz um artista menor.
Sem a sobrevivência do ser pensante, os sofrimentos da vida seriam, da parte de Deus, uma crueldade sem objetivo.
Por ser  uma centelha divina, e possuir a imortalidade em sua intimidade, é inata no homem a idéia da perpetuidade do ser pensante, e essa perpetuidade seria inútil, não fosse a evolução. Evolução essa que fica clara na resposta dada pelos espíritos a Kardec na questão 607 de O Livro dos Espíritos. Quando questionados sobre a origem dos Espíritos, nos afirmam que antes de conquistar as faculdades inerentes ao homem atual, o Espírito estagia numa série de existências que precedem o período a que chamamos humanidade, e continuam: Já não dissemos que tudo em a natureza se encadeia e tende para a unidade? Nesses seres, cuja totalidade estais longe de conhecer, é que o princípio inteligente se elabora, e individualiza pouco a pouco e se ensaia para a vida, conforme acabamos de dizer. É de certo modo, um trabalho preparatório, como o da germinação, por efeito do qual o princípio inteligente sofre uma transformação e se torna Espírito.
Martins Peralva, no  livro O Pensamento de Emmanuel, narra, desta forma, a longa viagem feita pela mônada divina, ou princípio espiritual:
Na fase preambular, a mônada luminosa, que mais tarde será Espírito, ser inteligente, vai sendo envolvida, como energia divina, em fluidos pesados. Perde sua luminosidade, condensa-se no reino mineral.
Energia - Suas transformações
a) Condensada, na pedra;
b) Incipiente, na planta;
c) Primária nos irracionais
d) Contraditória, nos homens de mediana evolução
e) Excelsa, nas almas sublimadas
Peralva, ainda na obra citada, exibe um gráfico (figura 1), que foi transmitido ao médium Chico Xavier pelo seu mentor Emmanuel nos orientando sobre a trajetória evolutiva do ser espiritual
A palavra “estágio”, na linha horizontal, significa séculos e milênios nas faixas respectivas; a palavra “evolução”, na vertical, a marcha ascensional, a transição de uma para outra faixa evolutiva.
Assim ajustando-se às vibrações dos minerais, em cujo berço hibernam por milhões e milhões de anos, as “mônadas luminosas” são trabalhadas nos padrões da atração, preparando-se para novas conquistas, em termos de “sensação” no campo dos vegetais.
Os reinos mineral e vegetal, como institutos de recepção da onda criadora da vida, preparam as bases de onde os elementos espirituais partem para as faixas animais em que o instinto, trabalhando o seu psiquismo, os habilitam, lenta e gradativamente, para o ingresso nas trilhas da humanidade, onde, já usufruindo de “pensamento contínuo” elaboram em processo crescente, os valores da razão e da inteligência.[1]


Concluindo, deixamos a palavra com o nosso mentor André Luiz, segundo psicografia de Waldo Vieira, no livro Evolução em Dois Mundos:
É assim que dos organismos monocelulares aos organismos complexos, em que a inteligência disciplina as células, colocando-as a seu serviço, o ser viaja no rumo da elevada destinação que lhe foi traçada do Plano Superior, tecendo com os fios da experiência a túnica da exteriorização, segundo o molde mental que traz consigo, dentro das leis de ação, reação e renovação em que mecaniza as próprias aquisições, desde o estímulo nervoso à defensiva imunológica, construindo o centro coronário, no próprio cérebro, através da reflexão automática de sensações e impressões, em milhões e milhões de anos, pelo qual, com o Auxílio das Potências Sublimes que lhe orientam a marcha, configura os demais centros energéticos do mundo íntimo, fixando-os na tessitura da própria alma.
Contudo, para alcançar a idade da razão, com o título de homem, dotado de raciocínio e discernimento, o ser, automatizado em seus impulsos, na romagem para o reino angélico, despendeu para chegar aos primórdios da época quaternária, em que a civilização elementar do sílex denuncia algum primor de técnica, nada menos de um bilhão e meio de anos. Isso é perfeitamente verificável  na desintegração natural de certos elementos radioativos na massa geológica do globo. E entendendo-se que a Civilização aludida floresceu há mais ou menos duzentos mil anos, preparando o homem, com a benção do Cristo, para a responsabilidade, somos induzidos a reconhecer o caráter recente dos conhecimentos psicológicos, destinados a automatizar na constituição fisiopsicossomática do espírito humano as aquisições morais que lhe habilitarão a consciência terrestre a mais amplo degrau de ascensão à Consciência Cósmica.[2]
Gráfico da Evolução do Princípio Espiritual

Figura 1
Segundo Pitágoras, (...) a evolução material dos mundos e a evolução espiritual das almas são paralelas, concordantes, explicam-se uma pela outra. A grande alma, espalhada na Natureza, anima a substância que vibra sob seu impulso, e produz todas as formas e todos os seres. Os seres conscientes, por seus longos esforços, desprendem-se da matéria, que dominam e governam a seu turno, libertam-se e aperfeiçoam-se através das existências inumeráveis. Assim o invisível explica o visível, e o desenvolvimento das criações é a manifestação do Espírito Divino.
Conforme a ciência oficial, quando o clima da terra se amenizou, em princípios do Mioceno (uma das quatro grandes divisões da Era Terciária, isto é, o período geológico que antecedeu o atual), surgiram os primeiros seres do qual descende o homem atual. Entre estes últimos, (que conseguiram se erguer), prevaleceu um tipo, mais ou menos a 25 milhões de anos, e que era positivamente um símio.
E os tipos foram evoluindo até que, mais ou menos há um milhão e meio de anos, surgiram as espécies mais aproximadas do tipo humano.
Na Ásia, na África e na Europa foram descobertos esqueletos de antropóides (macacos semelhantes ao homem) não identificados.
Nas camadas do Pleistoceno inferior, também chamado paleolítico (período antigo da pedra lascada), e no Neolítico (era da pedra polida) vieram à luz instrumentos, objetos e restos de dentes, ossos e chifres, cada vez melhor trabalhados.
Em 1807 surgiu em Heidelberg um maxilar inferior e em Piltdow ( Inglaterra) um crânio e uma mandíbula um tanto diferentes dos tipos antropóides; até que finalmente surgiram esqueletos inteiros desses seres, permitindo melhores exames e conclusões.
Primeiramente, surgiram criaturas do tamanho de um homem, que andavam de pé, tinham cérebro pouco desenvolvidos e que foram chamadas Pitecantropos e que viveram entre 550 e 200 mil anos atrás. Em seguida surgiu o Sinantropos, ou Homem de Pekin, de cérebro também muito precário. Mais tarde surgiram tipos, de cérebro mais evoluído que viveram de 150 a 35.000 anos atrás e que foram chamados de Homens de Solo (na Polinésia); de Florisbad (na África); da Rodésia (na África) e o mais generalizado de todos, chamado de Homem de Neandertal (no centro da Europa) e cujos restos em seguida foram também encontrados nos outros continentes.
Como possuíam cérebro bem maior, foram chamados “Homos Sapiens”, conquanto tivessem ainda muitos sinais de deficiências em relação à fala, à associação de idéias e à memória.
E por fim, foram descobertos os tipos já bem desenvolvidos chamados de “Homus Sapiens sapiens”, isto é, “homens verdadeiros”.
Emmanuel, em comunicação dada em 1937, pelo médium Chico Xavier, diz que:
O processo portanto, da evolução anímica se verifica através de vidas cuja multiplicidade não se pode imaginar, nas nossas condições de personalidades relativas, vidas essas que não se circunscrevem ao reino hominal, mas que representam o transunto das várias atividades em todos os reinos da natureza.
Todos aqueles que estudaram os princípios de inteligência dos considerados absolutamente irracionais, grandes benefícios produziram, no objetivo de esclarecer esses sublimados problemas, do drama infinito do nosso progresso pessoal.
O princípio inteligente, para alcançar as cumiadas da racionalidade, teve de experimentar estágios outros de existências nos planos da vida. E os protozoários são embriões de homens, como o selvagem das regiões ainda incultas são o embrião dos seres angélicos (...)
O macaco, tão carinhosamente estudado por Darwin nas suas cogitações filosóficas e científicas, é um parente próximo das criaturas humanas, falando-se fisicamentecom seus pronunciados laivos de inteligência; mas a promoção do princípio espiritual do animal à racionalidade humana se processa fora da terra, dentro de condições e aspectos que não posso vos descrever, dada a ausência de elementos analógicos para as minhas comparações.
Como vimos anteriormente, este processo de estágio do princípio inteligente nos reinos inferiores é demorado, chegando a levar séculos e milênios para passar de uma fase a outra; sendo ainda necessário que esta “promoção” seja processada em vários planetas, que, como nos afirma Emmanuel, não podemos ainda entender, devido ao primarismo de nossa evolução espiritual.
Quando cessou o trabalho de integração de espíritos animalizados nesses corpos fluídicos e terminaram sua evolução, o planeta se encontrava nos fins de seu terceiro período geológico e já oferecia condições de vida favoráveis para seres humanos encarnados.
Iniciou-se, então, essa encarnação nos homens primitivos, que a tradição esotérica também registrou da seguinte maneira: espíritos habitando formas mais consistentes, já possuidores de mais lucidez e personalidade, porém fisicamente ainda fora dos padrões da humanidade atual.
Mas o tempo transcorreu em sua inexorável marcha e o homem, a poder de sofrimentos indizíveis  e penosíssimas experiências de toda sorte, conseguiu superar as dificuldades dessa época tormentosa.
Acentuou-se em conseqüência, o progresso da vida humana no orbe, surgindo as primeiras tribos de gerações mais aperfeiçoadas, compostas de homens de porte agigantado, cabeça melhor conformada e mais ereta, braços mais curtos e pernas mais longas, que caminhavam com mais aprumo e segurança e em cujos olhos se vislumbravam mais acentuados lampejos de entendimento.
Eram nômades; mantinham-se em lutas constantes entre si e mais que nunca predominava entre eles a força e a violência, sendo que a lei do mais forte era o que prevalecia.
Todavia formavam sociedades mais estáveis e numerosas, do ponto de vista tribal, sobre as quais denominavam sob o caráter de chefes ou patriarcas, aqueles que fisicamente houvessem conseguido vencer todas as resistências, e afastar toda a concorrência.
Do ponto de vista espiritual ou religioso essas tribos eram absolutamente ignorantes e já de alguma forma fetichistas pois adoravam, por temor ou superstição instintiva, fenômenos que não compreendiam e imagens grotescas representativas tanto de suas próprias paixões e impulsos nativos, como de forças maléficas ou benéficas que ao seu redor se manifestavam perturbadoramente.
A humanidade, nessa ocasião, estava num ponto em que uma ajuda exterior era necessária e urgente, não só para consolidar os poucos e laboriosos passos já palmilhados como, principalmente, para dar-lhe diretrizes mais seguras e mais amplas no sentido evolutivo.
Nunca em época alguma falta o auxílio do alto. A descida de Emissários divinos se fazia necessária para a evolução do homem autóctone.
Veja como Emmanuel, Espírito vinculado ao processo de evangelização do nosso orbe, narra este momento evolutivo:
Há muitos milênios, um dos orbes do Cocheiro, que guarda muitas afinidades com o globo terrestre, atingira a culminância de um dos seus extraordinários ciclos evolutivos(…)
Alguns milhões de Espíritos rebeldes lá existiam, no caminho da evolução geral, dificultando a consolidação das penosas conquistas daqueles povos cheios de piedade e de virtudes(…)[3]
E após outras considerações, acrescenta:
As Grandes Comunidades Espirituais, diretoras do Cosmo deliberaram então, localizar aquelas entidades pertinazes no crime, aqui na Terra longínqua(…)
Foi assim que Jesus recebeu, à luz do seu reino de amor e de justiça, aquela turba de seres sofredores e infelizes (…)
Aqueles seres angustiados e aflitos, que deixavam atrás de si todo um mundo de afetos, não obstante os seus corações empedernidos na prática do mal, seriam degredados na face obscura do planeta terrestre; andariam desprezados na noite dos milênios da saudade e da amargura; reencarnariam no seio das raças ignorantes e primitivas, a lembrarem o paraíso perdido nos firmamentos distantes” ( Ver Gênesis, 3: 23)
Por muitos séculos não veriam a suave luz da Capela, mas trabalhariam na Terra acariciados por Jesus e confortados na sua imensa misericórdia.
Com o auxílio desses Espíritos degredados, naquelas eras remotíssimas, as falanges do Cristo operavam ainda as últimas experiências sobre os fluidos renovadores da vida, aperfeiçoando os caracteres biológicos das raças humanas(…)[4]
Não é à-toa que alguns milênios depois, o próprio Mestre nos afirmava, Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel, como a definir sua antiga ligação com esta raça, e nos mostrar que só através da vivenciação plena do seu Evangelho, podemos quebrar as algemas que nos conduz a um círculo vicioso na nossa história evolutiva.
Conclusão
Estagiando em tipos variados na escala ascensional, o ser ingressa nos quadros hominídeos, onde alicerça, em bases de consciência desperta, os padrões intelectivos e morais que lhe assegurem empreender novas escaladas no rumo da angelitude.
Para toda essa caminhada o ser recebe recursos pela ação benfeitora do Plano Maior. Encontra terrenos preparados para o seu aprendizado a caracterizarem-se por mundos constituídos, tal qual ocorre com o reencarnante que é acolhido no lar, só dando valores aos bens que lhe forem proporcionados na infância mais à frente, quando já se capacita a raciocinar e ponderar mais claramente.
A posse da razão acarreta novas providências no processo de orientação dos seres em evolução. Aos embates e obstáculos das reencarnações, agindo de fora para dentro no esforço  de despertamento inicial, somam-se providências espirituais agora nas áreas da educação.
Atividades artesanais se instauram sob a assistência dos benfeitores espirituais. Durante o sono físico as primeiras lições são levadas a efeito quando a entidade encarnada, desdobrando-se com o seu perispírito, entra em relação com companheiros “instrutores” desencarnados, junto às frentes de trabalho que constituem objeto de suas preocupações durante a faina diária (…).
Das instruções puramente manuais partem os orientadores da humanidade nascente para os indicativos morais, trabalhando os seres primitivos no cultivo das noções de direito, de proteção, de respeito, abrindo leira para o advento, a seu tempo das grandes revelações das leis vigentes no Universo.[5]
Desta forma, temos como síntese dos pontos fundamentais do processo evolutivo, a seguinte informação:
O ser eterno, emanação divina, transforma-se em “alma vivente”, organizada para executar as obras da própria edificação (…).
No reino mineral, as leis de afinidade são manifestações primaciais do Amor-atração.
No reino vegetal, as árvores oferecem maior coeficiente de produção se colocadas entre companheiras da mesma espécie, porque o Amor-cooperação ajuda-as a produzirem mais e melhor.
Entre os seres irracionais, a ternura, as providências de alimentação e defesa e a própria formação em grupos falam-nos do Amor-solidariedade.
Entre os seres racionais, é o Amor o mais perfeito construtor da felicidade interna, na paz da consciência que se afeiçoa ao Bem.
Nas relações humanas, é o Amor o mais eficaz dissolvente da incompreensão e do ódio.
Entre os astros, famílias de mundos viajando na amplidão cósmica, em obediência às leis da mecânica celeste, indicam-nos outra singular expressão do Amor; o Amor-equilíbrio, que mantém unidos astros e planetas no fabuloso espetáculo das constelações que cintilam, ofuscantes, na abóbada infinita.[6]
Temos então o Amor como base da evolução em todos os aspectos. Desde o “Fiat lux” até o grande momento do retorno do ser ao Criador em bases de afinidade, momento em que deixamos de ser filhos de Deus, para sermos “Filhos de Deus”.
Segundo a teologia, o homem foi criado justo, feliz, e assim poderia ter-se mantido por toda a eternidade. Tentado, porém, por satanás, desobedeceu ao Criador, vindo a sofrer, em conseqüência desse grave pecado,a privação da graça, a perda do paraíso, a ignorância, a inclinação para o mal, a morte e toda sorte de misérias do corpo e da alma.
Em outras palavras, isso quer dizer que o gênero humano teria surgido na Terra perfeito, ou quase, mas depois se degradou.
A Doutrina Espírita, ao contrário, afirma que o progresso é lei natural, cuja ação se faz sentir em tudo no Universo, não sendo admissível, por conseguinte, o homem frustrá-la ou contrapor-se-lhe.
Grifamos a expressão “tudo no Universo”, para fixarmos em nosso entendimento que a lei do progresso, sendo uma lei divina, atua em toda a criação, desde o átomo até o anjo.
No capítulo VIII da 3a parte de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec estuda esta lei. Faremos a seguir um resumo deste importante capítulo:
A infância da Humanidade é o ponto de partida do desenvolvimento humano. Sendo perfectível, o homem traz em si o gérmen do seu aperfeiçoamento.
O homem não pode retrogradar ao estado inicial, tem ele que progredir incessantemente, não podendo voltar ao estado anterior.
Faz parte da lei, a necessidade daquele que é mais evoluído ajudar ao que se encontra na retaguarda.
O progresso moral vem após o progresso intelectual, porque através deste distinguimos o bem e o mal, podemos escolher o caminho a seguir, e com isso aumentando nossa responsabilidade.
O homem não pode paralisar o progresso, mas pode dificultá-lo, sendo por isso punido pela própria Lei.
Quando um povo insiste em progredir de maneira mais lenta que a esperada, o Criador o sujeita de tempos a tempos, a um abalo físico ou moral que o transforma.
O orgulho e o egoísmo são os maiores obstáculos ao progresso moral do Espírito.
Há dois tipos de progresso: o intelectual e o moral. O primeiro, como já foi dito, antecede ao segundo, apesar de este nem sempre vir imediatamente após aquele. É que a Humanidade insiste em valorizar mais o intelecto, devido ao seu alto grau de imediatismo, mas há de chegar o momento em que eles caminharão lado a lado.
Há um progresso na civilização, embora incompleto, porque sendo o homem ainda imperfeito, tudo o que é criação dele, denota instabilidade.
A civilização completa será uma conseqüência do desenvolvimento moral da Humanidade, ou seja, só poderemos dizer-nos civilizados, quando tivermos banido de nossa sociedade, os vícios, e quando vivermos como irmãos, praticando a caridade cristã.
Poderia viver o homem regido simplesmente pelas leis naturais, se ele as compreendesse. Como isso nem sempre é possível, cria ele leis humanas que por refletir suas instabilidades, evolui à medida de sua própria evolução.
Destruindo o materialismo, dando ao homem a compreensão da vida futura, fazendo vê-lo esta como um efeito da atual, e revivendo, como conseqüência deste entendimento, a moral cristã, o Espiritismo pode e contribui em muito com o progresso da Humanidade. Cabendo a nós, espíritas, o dever de ampliar o seu entendimento através da vivenciação do que já conhecemos.
A perfeição é a grande meta do Espírito.
Vimos anteriormente que passa ele por várias etapas evolutivas objetivando sempre o progresso, no afã de conquistar este estado que chamamos de perfeição.
Mas qual é a característica do homem que já atingiu este estado?
Allan Kardec, no Evangelho Segundo o Espiritismo, diz que o verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade (...)[7] e que, quando consulta sua consciência sobre seus atos, vê que fez todo o bem possível, que não se perdeu na ociosidade e que ninguém tem nada a queixar-se dele.
Tem fé em Deus, na vida futura, possuindo em si de uma maneira desenvolvida o sentimento de amor e caridade e sabe que todas as vicissitudes que enfrenta têm um valor significativo na economia da vida, passando-as por isso com resignação.
Enumera o Codificador vários outros valores que dignificam o caráter deste homem, mas deixando claro que muitos outros ele ainda os tem.
Mas como atingir este estado?
Dizem os Espíritos que a prática da virtude em detrimentos dos nossos vícios, é sem dúvida a forma mais rápida de chegarmos lá.
 Alertam ainda na questão 894, de O Livro dos Espíritos, que há virtude sempre que  resistimos ao arrastamento de nossos maus pendores, e continuam: A mais meritória é a que assenta na mais desinteressadacaridade. (grifo nosso)
E na questão 895 da obra citada, afirmam que a maior característica da imperfeição é o interesse pessoal.
Raciocinando sob estas valiosas informações, temos então que o personalismo é causa atuante da imperfeição, e se quisermos progredir moralmente, temos que bani-lo do nosso convívio.
A respeito das paixões, ainda são os Espíritos que informam que, quanto ao princípio que lhes dá origem, não é maléfica, o abuso que delas se faz é que causa o mal.[8] Visto assim, deduzimos com o Codificador que, quando dominamos a paixão, ela é útil, quando somos dominados por ela, caímos em excesso e geramos o mal.
Sobre os vícios, o próprio Codificador é quem pergunta: Dentre os vícios, qual o que se pode considerar radical? E os Espíritos respondem: Temo-lo dito muitas vezes: o egoísmo. Daí deriva todo mal. (...)[9]
Mas como vencê-lo? Sabemos que esta é das uma tarefa mais difíceis, visto ele estar enraizado em nosso psiquismo, mas nos alertam os maiores da espiritualidade que ele é sempre maior quanto maior for a influência das coisas materiais sobre nós, e como conseqüência a melhor maneira de vencê-lo é o desprendimento dos bens do mundo.
E respondendo ainda àquela pergunta de como atingirmos o estado da perfeição, Santo Agostinho nos faz lembrar a famosa frase de Sócrates: Conhece-te a ti mesmo[10], a que nós completamos com a de Jesus:
Conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará[11].


[1] Temas da Atualidade, Artigo de Honório Abreu: Evolução
[2] Evolução em Dois Mundos pg. 35 e 36
[3] A Caminho da Luz pg. 34
[4] A Caminho da Luz pg. 35 e 36
[5] Temas da Atualidade, Artigo de Honório Abreu: Evolução
[6] O Pensamento de Emmanuel pg 103
[7] Evangelho Segundo O Espiritismo pg. 284
[8] O Livro dos Espiritos Questão 907
[9] Idem, Questão 913
[10] Idem, Questão 919
[11] João, 8: 32

ENTREVISTADO: JORGE ANDRÉA DOS SANTOS TEMA: EVOLUÇÃO DO PRINCÍPIO INTELIGENTE



RCE - A resposta à questão 23 de O Livro dos Espíritos diz que o espírito é o princípio inteligente do universo. Então existe alguma coisa não inteligente no universo? O que se entende aí por inteligência, já que, na resposta à questão 25, está dito que a união do espírito e da matéria é necessária para dar inteligência à matéria?

 JAS - Hoje nós sabemos que não existem grandes diferenças entre matéria e organização espiritual, que uma é conseqüência da coagulação da outra. E, depois,  deve existir no mundo, de um modo geral,  aquilo que chamamos energias divinas, campo formador, campo cobertor, campo donde tudo se deriva, porque este campo tem condições inteligentes e porque toda causa resultante desses elementos são efeitos absolutamente inteligentes.

RCE - Então existe alguma coisa não inteligente no universo?

 JAS - Não. Porque a coisa mais simples que existe, chamada átomo, que hoje já se sabe não ser  tão simples, porque ele já vem de elementos outros chamados cordas, super cordas - que são campos vibratórios ainda não coaguláveis, ainda não organizados como átomos - esses elementos são absolutamente cheios de vida, porque estão balsamizados por esse campo de energia, daí nós não podermos dizer que há uma diferença entre matéria e espírito, mas que a matéria é uma consequência desta organização espiritual. De maneira que a resposta seria que tudo tem a sua consequência.

RCE - Fala-se hoje em “consciência do átomo”. Tem isso a ver com a presença do princípio inteligente na base mesma da estrutura material?

JAS - É que o átomo está mergulhado nesse grande campo. Se o átomo está mergulhado nesse grande campo, ele está submetido a isso.  Hoje nós vemos pesquisas notabilíssimas em que se mexe com a organização atômica; o seu par, inclusive fora de qualquer distância, repercute e dá um efeito, uma resposta precisa desse acontecimento. A essa inteligência que está localizada, ela vai se situando lentamente porque vem desse outro campo onde ela está mergulhada, onde nós vivemos, que é o mundo de totalidade. Que energia é essa? Divina. É como vemos Deus. Ele está em tudo, por quê? É o grande campo, e a menor fatia dessa vibração é inteligente.

RCE - Então isso corrobora “o nele somos, nele existimos, nele nos movemos”.

JAS – É claro!

RCE - A “inteligência” que se encontra no reino mineral aparece em níveis diferenciados nos demais reinos da criação? O surgimento da vida e suas propriedades como, por exemplo, o instinto, é indicação de evolução do princípio inteligente? Podemos dizer, no reino hominal, que a inteligência é o instinto que evoluiu?

JAS - Sem dúvida alguma que viemos desta contingência porque, se no reino mineral houve uma pequena coagulação dessas grandes energias, já em formação, que também se vê nos princípios da vida atômica dos vegetais, como é que esse elemento tem o caminho preciso para alguma coisa? Aí tem o nascimento daquilo de que precisamos, que é o processo que vai alcançar o período hominal, que seria o resultado de toda essa totalidade de vivência que se passa nos reinos da natureza, isto é, forças de coesão e atração no mineral, sensibilidade nos vegetais, instinto nos animais, e o descortinar da inteligência no hominal. 

Tem-se, porém, a considerar o seguinte: este foco inicial que vai se formando, ainda não o podemos considerar como espírito porque faz parte de uma família. É aquilo que os orientais com muita precisão chamavam “alma grupo da espécie”.
Essa alma grupo, pouco a pouco, vai começando a se diferenciar.
 É como se fosse um lençol todo cravejado de pequenas condensações e que são futuros espíritos saindo da alma grupo, e isso vai ser encontrado, na nossa natureza, nos lacertídeos, nas iguanas, quando já começa essa diferença, porque até antes deles tudo é alma grupo da espécie, a espécie funciona com a totalidade.
Mas por que isso acontece? Porque na matéria há elementos que podem já conter esse pequeno grupo, esse pequeno ponto, esse elemento inicial que seria o espírito, com instinto, etc.
E que elemento é esse na matéria que se formou? A glândula pineal, que surge sob a forma, ainda muito simples, com pequenas células chamadas “o olho pineal”, depois é que vai se formando, etc.

RCE - Esse seu conceito preciso sobre alma grupo, reportando-se aos princípios orientais, tem uma distância conceitual do que hoje alguns companheiros nossos no movimento espírita chamam de alma grupo dos cães, dos equinos...?

JAS - Eles colocam também nessa posição, que seria uma posição diversa, que seria mais ao que se poderia dizer daquele tipo de espécie; aquelas almas que estão lá, aqueles grupos espirituais que estão lá já agregados por afinidade, também podem ser chamados dessa forma.

RCE - Mas antes ainda não há essa agregação por afinidade. Ainda é aquela parte inicial em que seria uma espécie de emanação da inteligência causa primária de todas as coisas?

JAS - Exato. E tem mais o seguinte, nesses elementos, vai-se formando a afetividade, aos poucos, pelos processos instintivos, lentamente.

RCE - Podemos dizer que o limite superior da progressão evolutiva do princípio inteligente, uma vez atingido, faz surgir o espírito individualizado?

JAS - Claro que sim, porque aí vai um espírito que já está começando a tomar elementos que lhe são próprios. Para você incorporar onde? Eu gostaria de saber.
 Essa é a função nossa espiritual. Vamos dizer que o espírito já esteja na zona hominal, que é a zona com a qual convivemos, em que já estamos procurando evoluir, que já tem essa individualidade. E por que isso?
 Deve ter uma grande finalidade isso. O que representa isso dentro desse universo, dentro do desconhecido, dentro da eternidade, dentro desse infinito que não se sabe definir? Os físicos quânticos são altamente inteligentes porque colocam tudo isso em fórmulas matemáticas. Mas quando você pede a alma da fórmula matemática já fica mais difícil dizer o que é.

RCE - Somos criados simples e ignorantes. Qual o limite superior da nossa progressão evolutiva e como poderemos alcançá-lo?

JAS - Nós vamos saindo, pouco a pouco, da formação instintiva e quanto mais avançamos no processo evolutivo, esses instintos vão sendo então formados em elementos mais responsáveis e aí entra o processo do livre-arbítrio.
Quanto menos instinto por evolução, mais o livre arbítrio existe aberto para o indivíduo fazer suas escolhas.
 Isso se deve a uma grande finalidade, porque já se alcança uma individualidade, tem-se um alargamento de conhecimento, já se tem as grandes responsabilidades.
E isso nós vemos agora nessa fase de transformação humana que anda por aí dentro das coisas. Há indivíduos que estão saindo dessa faixa instintiva e caminhando para outras dimensões de conhecimento.
 Não mais as análises, os detalhes e sim a síntese do processo em que os instintos desembocam na quarta dimensão espiritual. Nessa fase mais evoluída, o indivíduo não precisa mais da análise, ele já sabe o que é, então ele está partindo para outro elemento com outras condições, buscando novas intenções desconhecidas no momento por nós. Então já se fica com dificuldade e com muitas limitações, porque já se tem o livre-arbítrio, já há essa dimensão maior. E como é que se vai adiante?

Se começamos a navegar nesses elementos que conhecemos o que é, não precisamos analisar as coisas, já sabemos o que é, apenas dizemos. Há muitos indivíduos, hoje, encarnados, alguns da fase filosófica, que, perguntado, dizem “eu não posso provar, mas eu sei que é”. Ele não precisa analisar mais, ele não sabe qual é a análise daquilo, ele vai e diz: “a verdade é essa, eu sei que é”.

RCE - Esse nível de atividade intelectual, no plano da terra atualmente, que já vimos transparecer em algumas criaturas, então seria não só o embrião, mas já a anunciação, eventualmente, e até a consubstanciação da intuição. No futuro, o homem regenerado trabalhará ao nível da intuição?

JAS - Junto da intuição vem a afetividade e o amor. Isso junto alarga o novo conhecimento da intuição, que é a próxima fase que está nos esperando. Os grandes raciocínios humanos estão no processo intuitivo e isso é comum entre os companheiros nossos. Esse negócio de “eu tive um palpite”.
Às vezes não é palpite, às vezes é intuição e, às vezes, é palpite mesmo. É preciso muito cuidado com isso. Às vezes o sujeito tem certeza do processo e está certo. Quanta coisa o nosso Kardec falou e que hoje a ciência está mostrando! Que intuição era essa dele? Um homem evoluído, um homem com outras condizências. Também pra ele ter aquela perceptibilidade e inserir aquela totalidade com aquele pouco tempo que ele teve na Terra, com aqueles elementos todos...

RCE - É próprio de uma inteligência que trabalha ao nível da síntese. Aliás, toda a codificação é uma síntese. Tanto é síntese que todas as obras subsidiárias da Doutrina, que vieram depois, são desdobramentos nobres, valorosíssimos! Não estamos usando síntese como sinônimo de resumo, mas sim como nível de capacidade intelectual, de habilidades intelectuais na estrutura do intelecto.

JAS - E esses desdobramentos podem estar num infinito fenomênico.

Fonte: Revista Cultura Espírita,  Setembro de 2010

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Princípio Inteligente e sua evolução


Os Espíritos respondem a Kardec na questão 540 do O Livro dos Espíritos "que tudo se encadeia na natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, pois ele mesmo começou pelo átomo".

Na questão 609, respondem que "há sempre anéis que ligam as extremidades das cadeias dos seres e dos acontecimentos".

Vamos encontrar na "A Gênese" cap. X, item 3, a colocação de Allan Kardec: "a formação dos primeiros seres vivos pode ser deduzida, por analogia, da mesma lei segundo a qual foram formados, e formam-se todos os dias, os corpos inorgânicos".

À medida que nos aprofundamos nas leis da natureza, vemos seu mecanismo, que a primeira vista parece tão complicado, simplificar-se e confundir-se na grande lei de unidade que preside a todas as obras da criação. Compreenderemos isto melhor quando tomarmos conhecimento da formação dos corpos inorgânicos, que é seu primeiro passo.

Dr. Jorge Andréa, em seu livro "Impulsos Criativos da Evolução", no cap. I, no item que aborda o período pré-cambrico da era arqueozóica coloca que "o mineral possui tanto a vida quanto o vegetal e o animal. O Princípio Unificador, a essência que preside as formas e o metabolismo da flora e da fauna, existe também no reino mineral, presidindo as forças de atração e repulsão em que átomos e moléculas se unificam e equilibram. No mesmo livro, no cap. II, na 9a parte, Dr. Jorge Andréa, coloca: "como fase inicial, o Princípio Inteligente estaria, como sempre,em sua específica e superior dimensão, a influenciar as organizações atômico-moleculares do reino mineral. Seria como um eixo energético "intrometido" no âmago dos átomos e moléculas, convidando-os à união. O eixo energético, como Princípio Inteligente, com suas vibrações, criaria o campo de agregação refletido nas forças de atração e coesão, a determinar a concentração das energias e respectiva condensação nos átomos e arrumações moleculares. Do simples fenômeno químico até as manifestações humanas, existe o Princípio-Unificador ou Espiritual regendo e orientando; claro que sob apresentações variáveis, abastecendo-se e ampliando-se a medida que a escala evolutiva avança. Dr. Jorge Andrea coloca no livro o depoimento da pesquisadora da NASA Lelia Coyne afirmando que a vida na Terra teria começado nos estratos de fina argila primitiva, inclusive do bioquímico Cairns Smith, que esposa a mesma opinião, foi o pioneiro quando em 1960 lançou a referida teoria. Sedimentou-se no fato de que a argila está em constantes mudanças ligadas as variações do meio ambiente, de modo a permitir condições de transmutação do inorgânico em orgânico. Para Lelia Coyne a argila, ante a análise microscópica, mostra que os cristais de sua organização muito se assemelham a de certas estruturas vivas: eles se autoduplicam, aceleram as reações químicas e servem de catalisadores.

Os primeiros seres vivos, surgidos dos minerais apresentavam-se ainda cristalizáveis, como os vírus. Em seguida surgem os primeiros seres unicelulares realmente livres, que se multiplicam na temperatura tépida dos oceanos: as amebas e as bactérias primitivas. Os seres iniciais se moviam ao longo das águas onde encontrariam o oxigênio necessário à vida. Quando ocorre a morte, a estrutura biológica se desintegra, e cada mônada espiritual retorna em outro corpo e vai adquirindo todas as propriedades biológicas fundamentais, como movimento e reprodução. Passam-se os séculos a mônada espiritual estagia em outras formas; contínuas metamorfoses se sucedem e séculos incontáveis se passam na nossa história. A vida na água nos leva aos peixes que se transformam em anfíbios. Posteriormente os répteis, as aves dentadas e os mamíferos. Mamíferos quadrúpedes e depois bípedes.

Kardec na "A Gênese" cap. X, item 24, coloca que "entre o reino vegetal e o reino animal não há delimitação nitidamente traçada. Nos extremos dos dois reinos estão os zoófitos ou animais-planta cujo nome indica que possuem algo de um e de outro reino; é o traço de união. Como os animais, as plantas nascem, crescem, nutrem-se, respiram, reproduzem-se e morrem. Como eles, para viverem têm necessidade de luz, de calor, e de água". No mesmo cap. X - gênese orgânica, itens 26 e 27- prossegue Kardec: "no ponto de vista corpóreo o Homem pertence a classe dos mamíferos dos quais só se distingue na forma exterior. Quanto ao mais possui a mesma composição química que todos os animais, os mesmos órgãos, as mesmas funções, nutrição idêntica de respiração, de secreção, de reprodução.

Nasce, vive, morre nas mesmas condições, e, quando morre, seu corpo se decompõe como o de tudo quanto vive. Não há em seu sangue, em sua carne, seus ossos, um átomo diferente dos que se encontram no corpo dos animais. Na classe dos mamíferos, o Homem pertence à ordem dos humanos. Antes dele vêm os quadrúmanos (animais de quatro mãos) ou macacos, dos quais alguns como o orangotango, o chimpanzé, tem certas atitudes humanas". Os primeiros Homens da Terra.

Voltamos à "A Gênese" e, portanto, a Allan Kardec, cap. XI, sobre as hipóteses da origem do corpo humano, da semelhança de forma exterior, entre o corpo do homem e do macaco, diz-no o mestre que alguns fisiologistas, concluíram que o primeiro é apenas uma transformação do segundo... "Sendo essa vestidura mais apropriada as suas necessidades e mais adequada ao exercício de suas faculdades, do que o corpo de qualquer outro animal". Os Espíritos respondem a Kardec nas questões 607 este tópico... "O Princípio Inteligente sofre uma transformação e se torna Espírito. Entra então no período da humanização, começando a ter consciência do seu futuro..." E a pergunta 609 uma parte da resposta... "durante algumas gerações, pode ele (Espírito) conservar vestígios mais ou menos pronunciados do estado primitivo, porquanto nada se opera na natureza por brusca transição. Há sempre anéis que ligam as extremidades da cadeia dos seres e dos acontecimentos..."

Emmanuel em "A Caminho da Luz" fala sobre "A Grande Transição". "Os séculos correram o seu velário de experiências penosas sobre a fronte dessas criaturas de braços alongados e de pêlos densos, até que um dia as hostes dos invisíveis operaram uma definitiva transição no CORPO PERISPIRITUAL pré-existente, dos homens primitivos, nas regiões siderais e em certos intervalos de suas reencarnações". Eis a resposta que a ciência buscava desde Charles Darwin, quando escreveu a famosa teoria sobre a origem das espécies; o elo perdido seria o espécime intermediário entre o macaco e o homem pithecânthropus erectus, cujos fósseis foram encontrados em Java em 1894. Ainda sobre os primeiros homens é a ciência se pronunciando: o antropólogo americano Donald Johanson achou em 1974 no deserto africano de Afar, na Etiópia, um punhado de ossos de antepassados do homem, que viveram há cerca de 3,3 milhões de anos, revolucionou todas as teses sobre a origem e a evolução da Humanidade. Johanson mostrou que o homem primeiro aprendeu a andar sobre dois pés para em seguida experimentar o progresso cerebral.

Carl Sagan, em "Os Dragões do Éden", pag. 80, afirma baseado em diversos estudos que há cerca de 3 milhões de anos existiu uma série de indivíduos bípedes, com grande variedade de volume craniano, 700 centímetros cúbicos, 200 a mais do que o chimpanzé moderno.

Em "A Gênese" cap. VI, referente a criação universal, Kardec fala sobre a formação dos Espíritos e sua adaptação a matéria: "O Espírito não chega a receber a iluminação divina que lhe dá o livre-arbítrio e a consciência, sem haver passado pela série divinamente fatal dos seres inferiores, entre os quais se elabora lentamente a obra da sua individualização".

Para completar, Emmanuel em "A Caminho da Luz" nos ensina: ... "vamos encontrar os primeiros antepassados do homem terrestre sofrendo os processos de aperfeiçoamento da natureza e os ascendentes dos símios que ainda existem no mundo, tiveram a sua evolução em pontos convergentes e daí o parentesco sorológico entre o organismo do homem moderno e o do chimpanzé da atualidade ..."

Extraordinárias experiências foram realizadas sobre os homens do sílex, do tipo de Neanderthal, até fixarem no "primata" as características aproximadas do homem futuro. Surgem os primeiros selvagens de compleição melhorada, uma transformação visceral verificara-se, como? Perguntaríamos.

Muito naturalmente. Também as crianças têm os defeitos da infância corrigidos pelos pais, sem que na maioridade elas se lembrem disso. Como prova dessa transformação, com o macaco que se transformou em humano, através dos experimentos do plano maior, temos os cientistas do campo da genética que modificam genes para auxiliar a Humanidade.

Em "A Gênese" (pág. 213 - ed. FEB) : "O espírito macaco, que não foi aniquilado, continuou a procriar, para seu uso, corpos de macaco, do mesmo modo que o fruto da árvore silvestre reproduz árvores dessa espécie...".

Dr.Ricardo Di Bernardi, no livro "Reencarnação e Evolução das Espécies" cap. IX, 5o parágrafo, cita : "ao falarmos em evolução e surgimento do "Homo sapiens", faz-se necessário colocar o pensamento de Darwin a respeito. No seu livro The Descent of Man, Darwin descreveu cuidadosamente homens e macacos como tendo evoluído separadamente a partir de um tronco comum primitivo

Centro Espírita Nosso Lar - Casas André Luiz
fev/2000 Conselho Doutrinário

Evolução do Princípio Inteligente - Reino Animal – Nematelmintos 2

 

O parasitismo espiritual ou vampirismo

Este tipo de obsessão se caracteriza pela sucção de energias vitais da vítima pelos seus obsessores. É sim, uma modalidade grave que pode reduzir o obsediado à inutilidade, afetando-lhe o cérebro e o sistema nervoso, tirando-lhe a disposição para atividades sérias, mas o processo pode ser revertido com muita disposição íntima para lutar pelos objetivos propostos, persistência, bastante esforço e muita paciência. O processo é lento, mas pode sim ser revertido.
Inúmeros infelizes, obstinados na idéia de fazerem justiça pelas próprias mãos ou confiados a vicioso apego, quando desencarnados, envolvem sutilmente aqueles que se lhe fazem objeto de calculada atenção e, auto-hipnotizados por imagens (clichês) de afetividade ou desforço, infinitamente repetidas por eles próprios, acabam em deplorável fixação monoideísta, de modo geral, lhes aceitam, mecanicamente, a influenciação, à face dos pensamentos de remorso ou arrependimento tardio, ódio voraz ou egoísmo exigente que alimentam no próprio cérebro, através de ondas mentais incessantes.
Nessas condições, o obsessor ou parasita espiritual pode ser comparado, de certo modo, à Sacculina carcini, que, provida de órgãos perfeitamente diferenciados na fase de vida livre, enraiza-se, depois, nos tecidos do crustáceo hospedador, perdendo as caracterísitcas morfológicas primitivas, para converter-se em massa celular parasitária.
No tocante à criatura humana, o obsessor passa a viver no clima pessoal da vítima, em perfeita simbiose mórbida, absorvendo-lhe as forças psíquicas, situação essa que, em muitos casos, se prolonga para além da morte física do hospedeiro, conforme a natureza e a extensão dos compromissos morais entre credor e devedor.
Existem fatores predisponentes que facilitam a aproximação dos obsessores, para descobrir o momento propício para a efetivação da sintonia completa que almejam?
Sim, os momentos de invigilância de toda a ordem.
Mas há uma diferença entre obsessão e vampirismo.
São processos diferentes, mas atendem ao mesmo princípio de simbiose que é prejudicial. Encontramos os circuitos de obsessão e vampirismo entre encarnados e desencarnados, desde as eras mais remotas, em que o Espírito humano, iluminado pela razão, foi chamado pelos princípios da Lei Divina (Lei Natural) a renunciar o egoísmo e a crueldade, a ignorância e o crime.
No entanto, rebelando-se em grande maioria, contra as benditas convocações, e , com total liberdade para escolher o próprio caminho, as criaturas humanas desencarnadas, em grande número, oprimiam os companheiros da retaguarda, disputando afeições e riquezas que ficavam na carne, ou ainda tentavam empreitadas de vingança e delinqüência, quando sofriam o processo liberatório da desencarnação em circunstâncias delituosas.
Pode um Espírito permanecer por tempo indeterminado neste estado de parasitismo?
Não, vai depender unicamente deste Espírito a delimitação deste tempo; mesmo que seja um processo difícil, extremo, haverá um dia que irá mudar de patamar vibratório.
O vampirismo cessa ou inicia um processo moroso (porque é assim que nós - os encarnados o percebemos) de regressão, no instante exato em que o obsediado passa a se reintegrar em si mesmo, na posse de sua personalidade, não aceitando sugestões ou infiltrações de vontade estranha à sua vontade pessoal e soberana.
A obsessão vampiresca é difícil de se combater, pois o obsessor e o obsedado formam uma unidade dinâmica apegada às sensações grosseiras do corpo material, mas ambos continuam tendo livre arbítrio; a liberdade de escolha está presente a todo momento.
O cadáver do obsessor se desfaz na terra, mas o corpo do obsedado socorre as exigências sensuais do desencarnado. É isso que o povo chama de encosto em uma pessoa.
Forma-se o automatismo da indução, o Espírito deseja as sensações e esse desejo se transmite ao se encarnado, que procura satisfazê-lo. Estabelecido esse ritmo de trocas, um pertence ao outro e dele depende.
Podemos observar que o vampirismo é como se fosse uma parceira sinistra, daí a necessidade de propor a Evangelização do Espírito, primeiro ao obsedado, despertando-lhe a consciência das suas responsabilidades, para que ele feche a porta de sua vontade às insinuações dos obsessores.

Bibliografia:
André Luiz / Francisco Cândido Xavier / Waldo Vieira
Evolução em Dois Mundos, cap. XV
J. Herculano Pires 2ª. Edição Edicel
Mediunidade - Cap. VIII


Elizabeth Maciel

Evolução do Princípio Inteligente - Reino Animal – Nematelmintos


Objetivo Geral: Compreender a evolução do princípio inteligente e o surgimento do Espírito; identificar e trabalhar sentimento, pensamento e comportamento como propiciadores de sofrimentos ou felicidade, comparações e paralelos entre os seres vivos, suas limitações e amplitudes mostrando-as em crescimento, onde a criatura humana faz parte de uma cadeia harmoniosa destinada a perfeição.
Objetivo Específico: Identificar as diferenças entre um filo e outro mais evoluído, através dos aspectos anatômicos e fisiológicos. Compreender que a condição de parasita não é natural. Refletir sobre, em quais atitudes e situações somos parasitas - na família, na escola, no trabalho e no grupo social. Traçar um paralelo entre o parasitismo dos reinos inferiores e o vampirismo no reino hominal.
NEMATHELMINTHES - nematos = fio / helminthes = verme
Este filo é composto por animais de corpo longo, fino e afilado nas 2 extremidades.
Como os platelmintos (filo anterior) eles tem simetria bilateral, esto é, seu corpo é formado por duas metades simétricas(que apresenta correspondência no tamanho e forma das partes).
Há uma linha lateral quer divide o corpo em região ventral (ventre) e dorsal (costas).

Na escala evolutiva, são eles os primeiros organismos a exibir estas características.
São animais triploblásticos pseudocelomados.
Triploblásticos - são animais em que o desenvolvimento do ovo leva a formação de um embrião que possui três folhetos germinativos;
0 ectoderme - forma o revestimento do corpo.
O endoderme - forma o intestino.
O mesoderme - dá origem aos sistemas muscular / reprodutor / excretor
Pseudocelomado - quando existe cavidade no corpo ( que não é o intestino) e ela é parcialmente revestida por mesoderme.
Sistema esquelético: ausente.
O corpo é revestido por uma cutícula = membrana externa endurecida.
Sistema digestivo: estes animais diferem dos outros organismos estudados, por apresentarem tubo digestivo completo:
boca, seguida de
faringe - curta, musculosa que tem a função de impulsionar o alimento para o interior do
intestino - tubo fino, mergulhado na cavidade pseudocelômica.
reto - também musculoso, que se abre para o exterior no
ânus.
Podemos notar uma diferença entre platelmintos e nematelmintos quanto à distribuição do alimento.
Platelmintos - o intestino é muito ramificado e a distribuição do alimento se faz por difusão (dispersão; espalhamento) de célula a célula.
Nematelmintos - o intestino é um tubo reto, e a distribuição do alimento é feita pela cavidade pseudocelômica O alimento, após a digestão, atravessa a parede do intestino sendo lançado no fluido que preenche a cavidade pseudocelomática. Desta maneira as substâncias nutritivas podem alcançar todas as partes do corpo.
Sistema excretor: a cavidade pseudocelomática tem também importante papel na eliminação dos resíduos. As células lançam os resíduos no fluido que preenche o pseudoceloma, e estes são retirados daí pelas células dos canais excretores, sendo eliminados para fora do corpo do animal.
Sistema respiratório ausente.
Nos animais de vida livre a respiração é aeróbica Os gases são absorvidos e eliminados por difusão em toda a superfície do corpo.
Nos parasitas a respiração é anaeróbica (que pode viver fora do ar)
Sistema circulatório: ausente
Os alimentos absorvidos pelas células do intestino caem no líquido que preenche o pseudoceloma, sendo assim distribuídos pelas demais células.
Sistema nervoso: o sistema nervoso dos nematodos, consiste de um anel nervoso que circunda a faringe lançando alguns nervos curtos para a frente e para trás. Partem também deste anel, dois cordões nervosos que percorrem as linhas laterais.
Como possuem somente musculatura longitudinal, executa apenas movimentos de flexão do corpo.
Sistema reprodutor: nos nematodos os sexos são separados - animais dióicos.
Existe dimorfismo sexual evidente, isto é, o macho e a fêmea podem ser distinguidos externamente, com relativa facilidade.
As fêmeas são sempre maiores.
Os machos apresentam a extremidade posterior mais curva que a das fêmeas.
Vimos a evolução material que houve entre o filo anterior - Platelmintos e os Nematelmintos. Mas sabemos que a matéria não evolui independente do princípio inteligente, nem este, daquela.
Do ponto de vista do princípio inteligente o que terá ocorrido?
Vimos no filo anterior (platelmintos), que a Planária possui um cordão nervoso espalhado por todo o corpo, ligado a dois gânglios cerebrais.
Embora isso não represente um cérebro em sua plenitude, podemos entendê-lo como um cérebro em potencial, visto aí se concentrar grande quantidade de células nervosas, caracterizando um processo de cefalização.
Graças a isso, a planária percebe as correntes de água, os estímulos químicos e mecânicos e as variações de intensidade luminosa. Tal cefalização iniciada nesta espécie atinge o grau máximo no homem, onde o cérebro possui a capacidade de coordenar as atividades orgânicas.
Nesse período de aprendizagem, a aventura do princípio inteligente dá um grande avanço, pois hoje está cientificamente provado que a planária tem a capacidade de aprender e memorizar experiências, passadas através de condicionamentos. O início da cefalização é sem dúvida um passo decisivo na evolução, pois o princípio inteligente manifestará a sua inteligência de maneira mais ágil, proporcional à perfeição do cérebro e ao grau de experiências vividas.
Em se tratando de efeitos inteligentes, o cérebro está para o Espírito como as asas estão para o vôo, pois, mesmo que o Espírito tenha adquirido bastante experiência, sem um cérebro aperfeiçoado para suas manifestações na matéria condensada, ele não poderá atuar ou fazer-se entender, da mesma forma que cortando as asas de um pássaro, ele não voará, embora sua vontade seja esta.
O cérebro funciona como tradutor e executor das mensagens do Espírito. Se esse tradutor for mudo, nenhuma mensagem será executada pelo corpo, a não ser aquelas que ele já adquiriu por automatismo, tais como alimentação, respiração excreção, etc. Daí a grande importância desse início de moldagem de um cérebro que possibilitará ao princípio inteligente comunicações cada vez mais aperfeiçoadas com o meio externo e com as demais espécies.
O princípio inteligente, antes associado à matéria por forte instinto de conservação, inaugura a era da inteligência exteriorizada, embora em parcelas mínimas.
A partir do conjunto cérebro - sistema nervoso, a inteligência manifesta-se mais intensamente, dando mostras da estreita relação existente entre o princípio inteligente e o seu tradutor na matéria densa.
CONTINUA...
Bibliografia:
Obsessão Desobsessão - Suely Caldas Schubert
Evolução em Dois Mundos - André Luiz
Libertação - André Luiz
O Perispírito e suas Modelações - Luiz Gonzaga Pinheiro
Mediunidade - José Herculano Pires
Biologia volume II - Amabis & Martho
Maria Sueli Bertoldi Pereira

Lei da evolução

 Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Lei da Evolução é o nome utilizado com mais freqüência hoje em dia pelos adeptos e estudiosos do espiritismo para se referir à Lei do Progresso, uma das dez "Leis Morais" a que alude Allan Kardec na Parte Terceira de O Livro dos Espíritos.

Segundo esse princípio, tudo o que existe está em contínua evolução, o Universo, os mundos e os seres, tanto os animados quanto os inanimados, isoladamente ou em conjunto.

Índice [esconder]
1 Conceituação Espírita
2 A Evolução do Espírito e a Pluralidade das Existências
3 Evolução e Causalidade
4 Evolução e as Diferentes Categorias de Mundos Habitados
4.1 Paralelos com o Budismo
5 A Evolução nos Reinos da Natureza
6 Quadro demonstrativo
7 Referências
8 Bibliografia
8.1 Geral
8.2 Evolução nos Reinos da Natureza
9 Ver também
[editar]Conceituação Espírita

"Ao mesmo tempo que todos os seres vivos progridem moralmente, progridem materialmente os mundos em que eles habitam. Quem pudesse acompanhar um mundo em suas diferentes fases, desde o instante em que se aglomeraram os primeiros átomos destinados e constituí-lo, vê-lo-ia a percorrer uma escala incessantemente progressiva, mas de degraus imperceptíveis para cada geração, e a oferecer aos seus habitantes uma morada cada vez mais agradável, à medida que eles próprios avançam na senda do progresso. Marcham assim, paralelamente, o progresso do homem, o dos animais, seus auxiliares, o dos vegetais e o da habitação, porquanto nada na Natureza permanece estacionário."[1]

A Lei da Evolução é intimamente relacionada à Lei de causa e efeito e à Lei da Reencarnação, sendo essencial o entendimento das três leis para compreensão do todo.

[editar]A Evolução do Espírito e a Pluralidade das Existências

A Doutrina Espírita chama de "Espírito" ao "princípio inteligente" após alcançar o reino hominal, isto é, após atingir a consciência moral. O mito do paraíso perdido, constante do livro bíblico "A Gênese", pode ser intepretado como a perda da ingenuidade moral.

"As almas que animavam os humanóides viviam no Éden da ingenuidade. Não tendo ainda adquirido a consciência moral, isto é, sendo incapazes de discernir entre o certo e o errado, não eram responsáveis pelos seus atos, não sendo, portanto, submetidas a expiações. Quando essas almas provaram do fruto da árvore da ciência do bem e do mal, isto é, quando sua consciência tornou-se madura e se tornaram Espíritos, elas foram expulsas do Éden da ingenuidade e passaram a comer “o pão com o suor do seu rosto”, isto é, tornaram-se responsáveis pelos seus atos, submetendo-se, a partir de então, à Lei da Causalidade".[2]

A Lei da Evolução, aplicada ao Espírito, diz que, através de sucessivas encarnações, o mesmo auto-aperfeiçoa gradativamente nas dimensões intelectual e moral, deixando sua condição inicial de "simplicidade e ignorância" para se elevar à condição de pureza espiritual.

[editar]Evolução e Causalidade

Ensina a Doutrina Espírita que "O bem é tudo o que é conforme à lei de Deus; o mal, tudo o que lhe é contrário. Assim, fazer o bem é proceder de acordo com a lei de Deus. Fazer o mal é infringi-la.".[3]

Sendo o Espírito dotado de livre-arbítrio[4] sobre suas ações e sendo ele responsável pelos seus atos, sempre que o indivíduo (espírito encarnado) pratica uma ação contra a lei de Deus, ele pratica o mal, devendo, portanto, reparar, em oportunidade futura, o mal que cometeu, o que fará tendo que repetir em piores condições experiência relacionada àquela onde ele errou, o que é chamado de expiação. Se, por outro lado, ele pratica uma ação conforme à lei de Deus, ele pratica o bem, nada tendo a reparar e credenciando-se a novas experiências que são chamadas de provas. Tal é a expressão da Lei de Causa e Efeito.

[editar]Evolução e as Diferentes Categorias de Mundos Habitados

A evolução dos mundos habitados[5] ocorre no mesmo ritmo da dos seres que habitam em cada um deles. Os mundos habitados, segundo o Espiritismo, podem ser classificados do seguinte modo:

Mundos Primitivos: destinados às primeiras encarnações do Espírito. São os mundos formados há menos tempo. Neles se encontram todos os seres nas suas fases iniciais de progresso.
Mundos de expiação e provas, onde domina o mal entre os Espíritos. Nesses mundos, algumas espécies animais já demonstram um certo grau de raciocínio e consciência. A exploração dos animais pelo ser humano e o desrespeito à natureza são preponderantes.
Mundos de regeneração, nos quais os Espíritos que ainda têm o que expiar haurem novas forças, repousando das fadigas da luta. As demais espécies de seres vivos estão mais evoluídas e poucos são os seres humanos que as exploram para o trabalho ou para deles se alimentarem. É maior, também, o respeito pela natureza em geral.
Mundos ditosos, onde o bem sobrepuja o mal. Nesses mundos a exploração das espécies animais pelo ser humano e o desrespeito pela natureza são reduzidos.
Mundos celestes ou divinos, habitações de Espíritos depurados, onde exclusivamente reina o bem. Todos os outros seres, nestes mundos, encontram-se no seu estágio final de desenvolvimento antes de passarem para o reino seguinte na escala evolutiva. Reinando somente o bem nesses mundos, a harmonia entre todos os seres é total.
A Terra pertence, ainda, à categoria de mundo de expiação e provas. É inegável, no entanto, que o mal, sob uma perspectiva histórica, vem diminuindo de forma sistemática e que já se pode dizer que as iniciativas voltadas para o bem são, pelo menos, tão numerosas quanto as voltadas para o mal. Pode-se concluir, portanto, que a Terra está entrando em uma fase de transição para mundo de regeneração. Mensagens espirituais que vem sendo recebidas no movimento espírita desde o final do século XX têm confirmado tal percepção.

[editar]Paralelos com o Budismo
Para o Budismo, há seis tipos de existência: Deuses, Semideuses, Humanos, Animais, Fantasmas famintos e Seres do Inferno; o renascimento em formas superiores ou inferiores seria determinado pelos bons ou maus atos, ou karma, produzido durante vidas anteriores.

Nas diversas vertentes do Budismo não existe a idéia de um Plano Espiritual onde vivem os espíritos desencarnados, como existe no Espiritismo. Para elas, a alma transita continuamente entre os diversos reinos acima, cada um com suas características distintas.

Outra diferença entre o Budismo e o Espiritismo é com respeito à questão da evolução entre os reinos. Para o Espiritismo, os reinos possuem fases progressivas de aprendizado. Assim, quem já reencarna como ser humano, nada mais tem a aprender como animal. Para o Budismo, por outro lado, alguns humanos podem precisar viver existências como animais em função de seu karma.

[editar]A Evolução nos Reinos da Natureza

As ciências que estudam o comportamento animal, tanto a Etologia, quanto a Psicologia Comparativa surgiram no século XX, após, portanto, Kardec ter escrito a Codificação. Assim sendo, para se ter uma melhor compreensão de como o princípio inteligente evolui através dos reinos da natureza, é recomendável um estudo das obras que constam de uma bibliografia não exaustiva sobre o assunto que consta ao final deste artigo.

É importante observar, para compreensão dessas obras, que, para o Espiritismo, a humanidade está em um reino à parte dos demais animais, reino este que é chamado de hominal, como visto mais acima, uma vez que somente o ser humano possui a consciência moral.

[editar]Quadro demonstrativo


No quadro ao lado pode-se ter uma idéia de como se procede a Evolução do Espírito, através das sucessivas reencarnações.

Por este quadro vê-se que, quando mais próximo do grau zero, menos evoluído será o indivíduo, ao passo que aquele que mais se aproximar de 10 será uma pessoa com alto grau de conhecimento e amor, ou seja, de sabedoria e, depois dele, terá atingido um grau comumente chamado de angelitude, o que na "escala espírita[6] correponde ao estágio de Espírito Puro.

Referências

↑ Item 19 do Capítulo III de O Evangelho segundo o Espiritismo
↑ Trecho do artigo Adão e Eva, que faz uma interpretação do mito sob a luz do Espiritismo.
↑ Resposta à questão 630 de O Livro dos Espíritos, que foi: "Como se pode distinguir o bem do mal?"
↑ O livre-arbítrio faz parte da Lei da Liberdade, uma das Leis Morais, sendo tratado em O Livro dos Espíritos da questão 843 à 850.
↑ A progressão dos mundos e as diferentes categorias e mundos habitados são assuntos tratados no Capítulo III de O Evangelho Segundo o Espiritismo
↑ Questões 100 a 113 do Livro 2, Capítulo I de O Livro dos Espíritos.
[editar]Bibliografia

[editar]Geral
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. FEB
id. O Evangelho Segundo o Espirtismo. FEB
id. A Gênese, os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. FEB
[editar]Evolução nos Reinos da Natureza
ANDRÉA DOS SANTOS, Jorge. Impulsos Criativos da Evolução. 3.ed. Rio de Janeiro: Societo Lorenz.
BOZZANO, Ernesto. Os Animais têm Alma? Lachâtre.
CIAMPONI, Durval. A Evolução do Princípio Inteligente. FEESP.
KHÜL, Eurípedes. Animais, Nossos Irmãos. PETIT. ISBN 8572530258
BENEDETI, Marcel. A Espiritualidade dos Animais. Mundo Maior.
MARTINS, Celso. A Alma dos Animais. DPL Editora.
NETO, Paulo. Alma dos Animais: Estágio Anterior à Alma Humana? GEEET.
PRADA, Irvênia. A Questão Espiritual dos Animais. Editora FE.
SCHUTEL, Cairbar de Souza. Gênese da Alma. Editora O Clarim.
XAVIER, Francisco Cândido e VIEIRA, Waldo. Evolução em Dois Mundos. Ditado pelo Espírito André Luiz. 13.ed. Rio de Janeiro: FEB, 1993.
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