Estudando o Espiritismo

Observe os links ao lado. Eles podem ter artigos com o mesmo tema que você está pesquisando.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

O MAIS IMPORTANTE

--------------------------------------------------------------------------------



Foi há alguns anos.



A ex-governadora do estado do Texas assistiu à mãe doente, até o seu estágio terminal. Acompanhando-a dia a dia, observando como a doença ia minando as forças físicas e preparando aquele corpo para a morte.



Ann Richards viu a drástica mudança que sua mãe sofreu.



Sua mãe era uma mulher que passou a vida inteira obcecada por cristais lapidados, baixelas de prata, toalhas de renda, porcelanas e jóias.



E colecionava com extremo cuidado.



À medida que a doença foi destruindo o seu vigor físico e falando-lhe que a morte se aproximava, tudo aquilo deixou de ser importante.



Para ela só importavam agora as visitas, a família e os amigos.



A mudança foi radical.



Depois da morte da mãe, Ann Richards resolveu se livrar de todas as antigüidades que mais de uma vez tinham feito com que ela desse mais importância aos objetos do que às pessoas.



Montou um bazar na garagem.



Ela mesma comentou que tinha uma quantidade enorme de antigüidades, que podia competir com Jaqueline Onassis.



Num só dia, tudo foi embora. Vendido.



E a ex-governadora, conclui:



"Aprendi que, para dar valor ao presente, preciso me livrar daquilo que me detém. Hoje, não hesito diante de nada. Nada é mais importante na vida do que as pessoas. As coisas têm o valor que lhes damos. E o valor muda com o tempo e as convenções sociais."



Em tempos antigos, o sal era tão precioso que se pagavam trabalhadores com ele. De onde, inclusive, surgiu a palavra salário.



Depois, os homens foram convencionando, no transcorrer do tempo a considerar este ou aquele metal mais precioso. De um modo geral, aquele mais raro naquele momento.



Hoje, a preocupação é ter carro do ano, tapetes importados, roupas de grife. E existem pessoas que fazem coleções de objetos, livros, selos, perfumes. O importante é amontoar, ter bastante para mostrar com orgulho, como se fossem troféus conseguidos à custa de grandes esforços.



No entanto, quando uma enfermidade chega, quando a solidão machuca, nenhum objeto, por mais precioso, por mais que o prezemos, conseguirá espantar a doença, diminuir a solidão.



São as pessoas com seu carinho, sua ternura, seus gestos simples, amizade, ternura, afeição que nos conferem forças para agüentar a dor e para espantar a solidão.



São as pessoas que nos dão calor com seu aperto de mão, seu abraço, sua presença, seu olhar, seu sorriso...



São as pessoas que fazem a grande diferença em nossas vidas.









Autor desconhecido ou ignorado

Milho de Pipoca

--------------------------------------------------------------------------------





A transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação por que devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. O milho de pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho de pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer.



Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre.



Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosas. Só elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser o fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder o emprego, ficar pobre. Pode ser o fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão, sofrimentos cujas causas ignoramos.



Há sempre o recurso do remédio. Apagar o fogo. Sem fogo, o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação.



Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pensa que a sua hora chegou: vai morrer. Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo a grande transformação acontece: BUM! E ela aparece como uma outra coisa completamente diferente que ela mesma nunca havia sonhado.



Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar. São aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. A sua presunção e o medo são a dura casca que não estoura. O destino delas é triste. Ficarão duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca e macia. Não vão dar alegria para ninguém.



Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo.



E você, o que é? Uma pipoca estourada ou um piruá?







Autor Rubens Alves

Suicídio: Fruto do desconhecimento

Por Lauro F. Carvalho



O suicídio é um mal individual-social que tanto choca e traumatiza, e que aumenta sobremodo nas situações de crise. O que pensar disso quando se considera que a crise econômico-financeira e político-social em que, mais uma vez, nos debatemos, em nosso País, apresenta-se, igualmente, em menor ou maior escala, pelo mundo todo?



Tem aumentado muito o número de suicídios nos últimos tempos.



Quais são as causas do suicídio? Não é difícil listar:



- Ruínas financeiras;

- Vergonha e desonra;

- Desilusões amorosas;

- Doenças surgidas, do corpo e da mente;

- Depressão, solidão;

- Medo do futuro, de fatos sabidos ou imaginados...



Mas, se analisarmos em maior profundidade essas principais razões do tresloucado gesto, veremos, também sem dificuldade, que não são fatos e ocorrências, em si, que devem ser responsabilizados pela consumação do autocídio, sim a repercussão deles na pessoa. O que leva ao desespero não é o fato desditoso, mas a maneira como a pessoa o elabora. Prova disso é que inúmeras pessoas estão, por toda parte, suportando fardos bem mais pesados que os que levam tantos ao suicídio e nem se crêem tão infelizes assim. Na verdade, correspondendo aos itens acima, que desencadeiam os atos extremos, dentre os quais o crime e o suicídio, poderíamos listar outros que se referem não aos acontecimentos externos, mas às reações subjetivas perante eles:



Orgulho pessoal, que se recusa a admitir o fracasso e a repentina ou gradual mudança do padrão de vida;



Amor próprio exacerbado, que faz acreditar que sua imagem não possa sofrer nenhum arranhão ou ferimento, que o tempo e o esforço não possam recompor;



Excessivo apego à matéria e esquecimento dos "exercícios da alma", expondo-se à sensação de derrocada, do "tudo acabado", quando um mal físico ou perda emocional cega a pessoa para os caminhos da reabilitação, ainda quando trabalhosos e longos.



Em suma, a verdadeira causa do suicídio não está nas ocorrências infelizes, mas na maneira como a pessoa capitula diante delas, por uma simples questão de livre arbítrio mal dirigido.



Dizem os Espíritos Superiores, conforme se vê no capítulo V, 14 a 17 de O Evangelho segundo o Espiritismo, que em última análise, a maior causa do suicídio vem a ser a covardia moral. De fato, a falta de coragem para enfrentar, altaneiramente, os revezes da vida é o que se vê em praticamente todos os casos de suicídio. Daí se conclui que o fator religioso, bem compreendido e exercido, constitui poderosa profilaxia do suicídio.



É preciso notar, ainda, que a ignorância quanto à vida futura é uma das razões por que tanta gente se lança ao desconhecido do além, não raro alimentando idéias distorcidas, como até mesmo de abreviar a entrada num paraíso que se julgue merecedora. O ser humano - individual e coletivamente - assume pesada responsabilidade, perante o Senhor da Vida, pelo seu marasmo em explorar e procurar conhecer, decididamente, a realidade do além-túmulo, as leis que regem o destino das almas, após a transição para esse outro plano vibratório.



É verdadeiramente incompreensível como o homem do século XXI tenha chegado a tão notável conhecimento de tudo quanto o cerca, no mundo exterior, do micro e do macrocosmo, da delicada informática às potentes tecnologias de domínio das grandes energias de que se vale, não raro irresponsavelmente e, no entanto, tenha se conservado tão ignorante quanto ao mundo exterior de si mesmo.



Salvo as honrosas exceções de alguns povos mais voltados para o espiritual, esse analfabetismo das coisas da alma e a conseqüente falta de instrução às massas, constitui, inegavelmente, uma das causas de quantos se arrojam, imprudentemente, ao poço escuro do suicídio.



A Doutrina Espírita codificada por Allan Kardec, revela com segurança a natureza espiritual do homem, demonstrando que a vida física não é mais que breve estágio de espíritos mortais, em trânsito pela matéria; explicando as condições felizes ou desditosas de nossa sobrevivência, no além, segundo os nossos atos, certamente é uma das forças que coíbem o suicídio, haja vista o pequeníssimo número de espíritas que se matam. Porque eles sabem ser o auto-extermínio um dos mais graves erros que o espírito encarnado comete, perante o grande Doador da Vida, nesta efêmera existência, que mais não é que simples capítulo, mais ou menos emocionante, da grande novela da evolução que estamos vivendo!



Fonte: Mundo Espírita junho /1997

terça-feira, 13 de julho de 2010

Suicidar-se, nunca! - Do Portal do Espírito

Orson Peter Carrara



Meu caro leitor, se você é daquelas pessoas que está enfrentando difícil fase de sua existência, com escassez de recursos financeiros, enfermidades ou complexos desafios pessoais (na vida familiar ou não) e está se sentindo muito abatido, gostaria de convidá-lo a uma grave reflexão.



Todos temos visto a ocorrência triste e dramática daqueles que se lançam ao suicídio, das mais variadas formas. A idéia infeliz surge, é alimentada pelo agravamento dos problemas do cotidiano e concretiza-se no ato infeliz do auto-extermínio.



Diante de possíveis angústias e estados depressivos, não há outro remédio senão a calma, a paciência e a confiança na vida, que sempre nos reserva o melhor ou o que temos necessidade de enfrentar para aprender. Ações precipitadas, suicídios e atos insanos são praticados devido ao desespero que atinge muitas pessoas que não conseguem enxergar os benefícios que as cercam de todos os lados.



Mas é interessante ressaltar que estes estados de alma, de desalento, de angústias, de atribulações de toda ordem, não são casos isolados. Eles integram a vida humana. Milhões de pessoas, em todo mundo, lutam com esses enigmas como alunos que quebram a cabeça tentando resolver exercícios de física ou matemática. Mas até uma criança sabe que o problema que parece insolúvel não se resolverá rasgando o caderno e fugindo da sala de aula.



Sim, a comparação é notável. Destruir o próprio corpo, a própria vida, como aparente solução é uma decisão absurda. Vejamos os problemas como autênticos desafios de aprendizado, nunca como castigos ou questões insuperáveis. Tudo tem uma solução, ainda que difícil ou demorada.



O fato, porém, é que precisamos sempre resistir aos embates do cotidiano com muita coragem e determinação. Viver é algo extraordinário. Tudo, mas tudo mesmo, passa. Para que entregar-se ao desespero? Há razões de sobra para sorrir, rir e viver...!



O suicídio é um dos maiores equívocos humanos, para não dizer o maior. A pessoa sente-se pressionada por uma quantidade variável de desafios, que julga serem problemas sem solução, e precipita-se na ilusão da morte. Sim, ilusão, porque ninguém consegue auto-exterminar-se. E o suicídio agrava as dificuldades porque aí a pessoa sente o corpo inanimado, cuja decomposição experimenta com os horrores próprios, pressionada agora pelo arrependimento, pelo remorso, sem possibilidade de retorno imediato para refazer a própria vida. Em meio a dores morais intensas, com as sensações físicas próprias, sentindo ainda a angústia dos seres queridos que com ele conviviam, o suicida torna-se um indigente do além.



Como? Sim, apenas conseqüências do ato extremo, nunca castigo. Isto tudo por uma razão muito simples: não somos o corpo, estamos no corpo. Somos espíritos reencarnados, imortais. E a vida nunca cessa, ela continua objetivando o aprimoramento moral e intelectual de todos os filhos de Deus. Suicidar-se é ilusão. Os desafios existenciais surgem exatamente para promover o progresso, convidando à conquista de virtudes e o desenvolvimento da inteligência. A oportunidade de viver e aprender é muito rica para ser desprezada. E quando alguém a descarta, surgem conseqüências naturais: o sofrimento físico, pela auto-agressão e o sofrimento moral do arrependimento e da perda de oportunidades. Muitos talvez, poderão perguntar-se: Mas de onde vem essas informações?



A Revelação Espírita trouxe essas informações. São os próprios espíritos que trouxeram as descrições do estado que se encontram depois da morte. Entre eles, também os suicidas descrevem os sofrimentos físicos e morais que experimentam. Sim porque sendo patrimônio concedido por Deus, a vida interrompida por vontade própria é transgressão à sua Lei de Amor. Como uma criança pequena que teima em não ouvir os pais e coloca os dedos na tomada elétrica.



Para os suicídios há atenuantes e agravantes, mas sempre com conseqüências dolorosas e que vão requerer longo tempo de recuperação. Deus, que é Pai bondoso e misericordioso, jamais abandona seus filhos e concede-lhes sempre novas oportunidades. Aí surge a reencarnação como caminho reparador, em existências difíceis que apresentam os sintomas e aparências do ato extremo do suicídio. Há que se pensar nos familiares, cônjuges, pais e filhos, na dor que experimentam diante do suicídio do ser querido. Há que se pensar no arrependimento inevitável que virá. Há que se ponderar no desprezo endereçado à vida. Há, mais ainda, que se buscar na confiança em Deus, na coragem, na prece sincera, nos amigos (especialmente o maior deles, Jesus), a força que se precisa para vencer quaisquer idéias que sugiram o auto-extermínio.



Meu amigo, minha amiga, pense no tesouro que é tua vida, de tua família! Jamais te deixes enganar pela ilusão do suicídio. Viva! Viva intensamente! Com alegria! Que não te perturbe nem a dificuldade, nem a enfermidade, nem a carência material. Confie, meu caro, e prossiga!

Suicídio: uma via de mão única

O suicídio é um ato que não se justifica sob nenhum ângulo observado. Movido sob a alegação de “única chance de resolver o problema”, o homem atribui a ele um lugar de honra, já que nada mais pode ser tentado.

Geralmente, a pessoa que acalenta este tipo de desejo deixa pistas que familiares e amigos não se deram conta na época. Por outro lado, deu brecha para que desencarnados em situação infeliz lhe dêem a força de que necessita para concretizar tal atitude – são os chamados “obsessores”, que anteriormente fizeram o mesmo, trilhando um caminho sem volta.

O candidato a suicida não tem noção plena do mal que pensa em praticar. Preocupado consigo mesmo, em resolver uma problemática pessoal, não se dá conta de que uma morte dessa natureza não tem implicação meramente pessoal, mas familiar e social. Trata-se de uma tragédia difícil de ser esquecida por várias gerações. E isso no campo dos encarnados.

Do ponto de vista espiritual, os danos são ainda piores. Conforme os discursos dos suicidas já em tratamento, após o resgate, o arrependimento é a tônica geral. E isso é unânime. Não existe nenhum suicida que relate uma passagem gloriosa para o além. Ao contrário disso, todos a descrevem recheada de dor, de sofrimento inenarrável – físico, psicológico, moral. São todos tomados pelo remorso e fariam qualquer negócio para retornarem à carne. A saudade dos familiares, dos amigos e afins os dilacera. A falta de coragem para enfrentar a problemática que os consumiu agora parece um deleite, se comparada à tortura da culpa. E é somente com a lembrança de Deus, somada ao arrependimento, que a ajuda chega, para o resgate sublime.

Somente no Brasil, são mais de cinco casos semanais registrados pela imprensa – dentre esses, aparecem também os homicídios de ex- esposas ou ex-namoradas, seguidos de suicídios. O que justifica entendermos este ato como um momento em que o orgulho e o egoísmo predominam. É como se existisse uma única alternativa para se resolver o maior problema que se atravessa no momento. É quando o silêncio impera e Deus é o grande desconhecido. A dissociação entre religiosidade e materialismo se verifica e vence o mais forte. É uma via de mão única, que somente se resolverá com a bênção da reencarnação.

Texto de Soraia Vasconcelos

terça-feira, 6 de julho de 2010

Anjos e Demônios

Sérgio Biagi Gregório



SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. História do Demônio. 4. A Igreja Católica e a sua Dogmática: 4.1. Hierarquia dos Anjos; 4.2. Lúcifer e Satã; 4.3. Demonologia. 5. Anjos e Demônios na Ótica Espírita: 5.1. Anjos; 5.2. Demônios; 6. O Pensamento e as Influências Espirituais: 6.1. As Idéias e o Pensamento; 6.2. As Influências Espirituais: 6.3. Decisão das Trevas. 7. Conclusão. 8. Bibliografia Consultada.



1. INTRODUÇÃO



O que se entende por anjo? E por demônio? Há diferença entre a posição católica e a espírita? Nosso objetivo é fazer um estudo comparativo, no sentido de melhor entender as relações entre esses dois temas e os seus correlatos: Satanás, Diabo e Lúcifer.



2. CONCEITO



Anjo – Ser espiritual que exerce o ofício de mensageiro entre Deus e os homens. A palavra anjo desperta geralmente a idéia da perfeição moral; não obstante, é freqüentemente aplicada a todos os seres, bons e maus, que não pertencem à Humanidade.



Demônio – 1. Nas crenças da Antiguidade e no politeísmo, gênio inspirador, bom ou mal, que presidia o caráter e o destino de cada individuo; alma, espírito. 2. Nas religiões judaicas e cristãs, anjo mau que, tendo-se rebelado contra Deus, foi precipitado no Inferno e procura a perdição da humanidade; gênio ou representação do mal; espírito maligno, espírito das trevas, Lúcifer, Satanás, Diabo. 3. Cada um dos anjos caídos ou gênios maléficos do Inferno, sujeitos a Lúcifer ou Satanás. (Dicionário Aurélio)



3. HISTÓRIA DO DEMÔNIO



A história de uma palavra mostra-nos as suas transformações ao longo do tempo. O termo demônio não fugiu à regra. Nas crenças populares gregas da antiguidade, era usada para designar os espíritos dos falecidos, que dispunham de forças sobrenaturais, intervindo de modo extraordinário na natureza e na vida dos homens, e contra os quais os homens deviam se defender através da magia. Os filósofos gregos o elevou à esfera do divino, por isso o daimon socrático. O termo demônio não é citado no AT, onde só aparece, nos últimos livros. Ele existe no Novo Testamento, onde os Evangelistas confundem os demônios com Satã. Quer dizer, o demônio só surge com a influência grega.



Na época do Novo Testamento, as almas dos mortos, assimiladas às das divindades, foram confundidas com as manes, os lares e os gênios latinos. Estas concepções penetram a Palestina. Com a vinda dos romanos, o Demônio grego transforma-se em Diabo, cujo significado passou a ser "espírito da mentira" ou "caluniador".



O Daimon grego passa a ser o Diabolus romano. Na Baixa Idade Média, o Diabolus romano ganha força. Como o Diabolus romano era um "espírito mau", passou a designar o espírito mau hebraico, Satã. Para explicar a sua presença como tentador do mundo, os padres da Igreja recorreram à lenda da revolta do anjo Azazel, dos Livros de Enoque, que eram apócrifos. (Sampaio, 1976)



4. A IGREJA CATÓLICA E A SUA DOGMÁTICA



4.1. HIERARQUIA DOS ANJOS



A fonte da angelologia medieval é o texto do Pseudo-Dionísio, o Areopagita, Sobre a Hierarquia Celeste (séc. V). A hierarquia celeste é constituída por nove ordens de anjos agrupados em disposições ternárias. A primeira é a dos Serafins, dos Querubins e dos Tronos; a segunda é a das Dominações, das Virtudes e das Potestades; a terceira, a dos Principados, dos Arcanjos e dos Anjos. Essa doutrina foi aceita por S. Tomás e adotada por Dante no Paraíso. (Abbagnano, 1970)



4.2. LÚCIFER E SATÃ



Lúcifer - o Príncipe dos Demônios - não é referendado na Bíblia (VT e NT). Apresenta-se como sinônimo de Diabo, Demônio e Satanás. Este nome surgiu na Baixa Idade Média, baseado numa divindade associada ao planeta Vênus. Os teólogos, para criar o termo, recorreram ao Livro de Enoque, considerado apócrifo, do qual restam vestígios na Bíblia, em Gênesis, 6.



"Lúcifer, produto da teologia cristã, foi associado aos "diabos" Satã, ao conceito de "demônio" dos gregos e ao princípio do dualismo Bem e Mal do Zoroatrismo, entre outras tradições".







Satã significa "o adversário", "o acusador". O termo "acusador" existia no Império Persa, cuja função era a de percorrer secretamente o reino e fiscalizar tudo o que estava sendo feito de mal no sentido de apresentar denúncias diante do Imperador, que mandava chamar os funcionários faltosos e os castigava.



Com a evolução da doutrina religiosa judaica, Satã acabou se convertendo, de um acusador dos pecados dos homens, num deus secundário, oposto a Javé.



Satã não é Lúcifer. Ele não é um anjo que se revoltou contra o Senhor. Ele é apenas um acusador., ou seja, um dos olhos do Senhor, que anda pela Terra e comparece perante o Senhor para acusar. (Sampaio, 1976)



4.3. DEMONOLOGIA



Na Idade Média surge a Demonologia, ciência dos demônios, cujo objetivo era fazer um tratado sobre os demônios.



Lúcifer-Satã-Diabo-Demônio, ao cair, levou muitos consigo. 19 anjos principais e uns 200 liderados que teriam “caído”.



A 1.ª medida da demonologia foi o recenseamento do Inferno, no sentido de estabelecer o número de demônios que ali habitavam. Foram contados 7.045.926 demônios.



Havia também movimentos políticos no inferno. Satã, o diabo grosseiro, da luxúria e da gula, dos defeitos capitais dá um golpe de estado, depondo lúcifer do comando. (Sampaio, 1976)



5. ANJOS E DEMÔNIOS NA ÓTICA ESPÍRITA



5.1. ANJOS



P.128 - Os seres que chamamos anjos, arcanjos, serafins, formam uma categoria especial, de natureza diferente da dos outros Espíritos?



- Não; são Espíritos puros: estão no mais alto grau da escala e reúnem em si todas as perfeições.

A palavra anjo desperta geralmente a idéia da perfeição moral; não obstante, é freqüentemente aplicada a todos os seres, bons e maus, que não pertencem à Humanidade. Diz-se: o bom e o mau anjo; o anjo da luz e o anjo das trevas; e nesse caso ele é sinônimo de Espírito ou de gênio. Tomamo-lo aqui na sua boa significação.



P.129 - Os anjos também percorrem todos os graus?



- Percorrem todos. Mas, como já dissemos: uns aceitaram a sua missão sem murmurar e chegaram mais depressa; outros empregaram maior ou menor tempo para chegar à perfeição.



P. 130 – Se a opinião de que há seres criados perfeitos e superiores a todos os outros é errônea, como se explica a sua presença na tradição de quase todos os povos?



- Aprende que o teu mundo não existe de toda a eternidade, e que muito antes de existir há havia Espíritos no grau supremo; homens, por isso, acreditaram que eles sempre haviam sido perfeitos.



5.2. DEMÔNIOS



P.131 - Há demônios, no sentido que se dá a essa palavra?



- Se houvesse demônios, eles seriam obra de Deus. E Deus seria justo e bom, criando seres infelizes, eternamente voltados ao mal?



A palavra demônio não implica a idéia de Espírito mau, a não ser na sua acepção moderna, porque o termo grego daimon, de que ele deriva, significa gênio, inteligência, e se aplicou aos seres incorpóreos, bons ou maus, sem distinção.

Os homens fizeram, com os demônios, o mesmo que com os anjos. Da mesma forma que acreditaram na existência de seres perfeitos, desde toda a eternidade, tomaram também os Espíritos inferiores por seres perpetuamente maus. A palavra demônio deve portanto ser entendida como referente aos Espíritos impuros, que freqüentemente não são melhores do que os designados por esse nome, mas com a diferença de ser o seu estado apenas transitório. São esses os Espíritos imperfeitos que murmuram contra as suas provações e por isso as sofrem por mais tempo, mas chegarão por sua vez à perfeição quando se dispuserem a tanto. (Kardec, 1995)



5.3. HÁ LÓGICA NA DOUTRINA DOS ANJOS DECAÍDOS?



Não. Ora, como pode um Espírito que atingiu uma luz espiritual da perfeição retrogradar e ficar numa posição de inferioridade. O progresso é uma lei natural, compulsória e inexorável, que nos impulsiona sempre para frente. Em A Gênese, Allan Kardec reporta-se ao Paraíso Perdido, em que Espíritos de outros mundos vieram reencarnar na Terra. Cita o caso dos exilados de Capela, orbe semelhante ao da Terra, situado na Constelação de Cocheiro, que estava passando por um período de transformação, semelhante ao que estamos verificando no Planeta Terra. Embora tenham reencarnado num mundo inferior, eles não perderam o progresso adquirido, não regrediram moralmente e intelectualmente, apenas tiveram que fazer as suas experiências num mundo mais hostil, justamente para se equilibrarem no campo moral.



6. O PENSAMENTO E AS INFLUÊNCIAS ESPIRITUAIS



6.1. AS IDÉIAS E O PENSAMENTO



O tema anjos e demônios leva-nos a refletir sobre a nossa condição humana, especificamente na relação que temos com o conhecimento da verdade. Em nosso dia-a-dia produzimos idéias. As idéias formam o nosso pensamento. O pensamento dirige-se à verdade das coisas. A percepção da verdade das coisas está subordinada ao nosso grau de evolução espiritual e intelectual. Por isso, diz-se que somente atingiremos a verdade quando pudermos ter um perfeito relacionamento entre o sujeito e o objeto, ou seja, somente quando o objeto refletir-se fielmente na mente do sujeito. Para que isso se dê, temos que desobstruir a nossa mente dos preconceitos e das diversas idiossincrasias automatizados em nosso subconsciente.



6.2. AS INFLUÊNCIAS ESPIRITUAIS



Os anjos e os demônios simbolizam as influências que recebemos dos Espíritos que nos acompanham. De acordo com a instrução de diversos Espíritos, somos monitorados por uma avalanche deles. Nesse sentido, há os Espíritos bons que nos incentivam ao bem e os maus que induzem ao mal. Aceitar ou não suas sugestões é um trabalho que depende de nossa vontade e de nossa perseverança. É preciso tomar cuidado, porque há sempre um primeiro momento, um primeiro convite, principalmente no que diz respeito à entrada pela porta larga da perdição. Na Revista Espírita de 1862, Voltaire faz uma mea culpa sobre os desvios que permitiu a si mesmo quando esteve encanado no século XVIII, em França. Conta-nos que tinha recebido toda as inspiração necessária para ser um dos divulgadores de idéia de Deus e do Evangelho de Jesus e perdeu-se por sua vaidade, ou seja, por querer ver o seu nome estampado nos anais de ciência e da filosofia terrena.



6.3. DECISÃO DAS TREVAS



Este é o título do capítulo 38 de Contos desta e de outra vida, pelo Espírito Irmão X. Relata-se o diálogo entre o ORGANIZADOR DE OBSESSÕES e os seus sequazes, cujo objetivo era impedir o avanço do Espiritismo, no que tange aos novos horizontes que este abria na mente humana. Eles agem como Cristo na Antiguidade: não há meio de isolá-los na prece inativa; em vez de se ajoelharem, caminham. É indispensável encontrar um meio de esmagá-los, destruí-los...



O obsessor exaltado, o obsessor violento, o malfeitor recruta, o obsessor confusionista, o malfeitor antigo e o obsessor fabricange de dúvidas dão suas sugestões, mas são rechaçadas pelo Líder. Por último, surge o VAMPIRIZADOR EXPERIENTE, que sugere: “Será fácil treinar alguns milhares de companheiros para a hipnose coletiva em larga escala e faremos que os espíritas se acreditem santos de carne e osso... Creio que, desse modo, enquanto estiverem preocupados em preservar a postura e a máscara dos santos, não disporão de tempo algum para os interesses do espírito”.



ORGANIZADOR DE OBSESSÕES – Excelente, excelente! Ponhamos mãos à obra. (Xavier, 1978)



7. CONCLUSÃO



Os anjos e os demônios, como vimos, significam respectivamente os bons e os maus Espíritos. Eles estão sempre ao nosso derredor. Saibamos elevar os nossos pensamentos através da prece e da prática da caridade para que os bons venham ao nosso encontro e os maus sejam rechaçados.



8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA



ABBAGNANO, N. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Mestre Jou, 1970.



FERREIRA, A. B. de H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, [s. d. p.]



KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed. São Paulo: Feesp, 1995.



SAMPAIO, Fernando G. A História do Demônio: da Antiguidade aos nossos Dias. Porto Alegre: Garatuja, 1976.



XAVIER, F. C. Contos Desta e Doutra Vida, pelo Espírito Irmão X. Rio de Janeiro: FEB, 1978.



São Paulo, maio de 2005

domingo, 4 de julho de 2010

Não Soube Esperar Cinco Dias

Francisco Teodoro era um próspero industrial que, nos idos de 1914, passou por uma grave crise financeira. Diante da falência iminente, e porque alguém o ameaçava com escândalos na imprensa, denunciando-o como negociante desonesto, cometeu o suicídio.




O empresário suicida, segundo o Espírito Hilário Silva, passou por pavorosos sofrimentos no mundo espiritual, em razão de ter dado cabo da sua existência física. Porém, 30 anos depois, Francisco Teodoro recuperou seu equilíbrio na vida espiritual com o apoio da Misericórdia Divina. Em razão da sua melhora espiritual, o ex-suicida desejou descer a Terra, para rever a fábrica de tecidos que tinha sido sua e que supunha estar em ruínas.



Ao visitá-la, ficou surpreso com o enorme progresso da indústria que fundara. Naquele momento, um amigo espiritual informou-lhe que, após cinco dias de seu suicídio, todo o estoque de tecidos da fábrica fora vendido por quatro mil contos de réis, ou seja, quatro vezes mais o valor da dívida contraída que o levara a tirar a sua vida física. Diante dessa informação, o industrial suicida mostrou melancólico sorriso, compreendendo que a Bondade Divina não falhara. Ele apenas não soube esperar. Apenas cinco dias...



Pois é: muitas vezes, na vida, são necessários dias, meses, anos, para resolvermos problemas ou vencermos dificuldades, mas uma coisa é certa: todos eles têm solução. A questão é saber esperar, e por piores que sejam as nossas dores físicas ou morais, devemos confiar na bondade de Deus; afinal, o Pai Celestial nunca está pobre de misericórdia!



O fato ocorrido com o industrial suicida, narrado pelo Espírito Hilário Silva, está publicado no livro Ideias e Ilustrações, psicografado por Francisco Cândido Xavier, e comentado, também, na obra de minha autoria Suicídio e Suas Consequências. Esses livros encontram-se disponíveis no CEERJ, tel.: 2224-1244, site: www.ceerj.org.br. Porém, se você está sofrendo muito e pensa em fugir deste mundo, dê uma chance à sua própria vida! Faça uma prece a Deus pedindo ajuda e desabafe ligando para o CVV – tels. 141 ou 2233-9191.







Gerson Simões Monteiro

Vice-Presidente da FUNTARSO

E-mail: gerson@radioriodejaneiro.am.br

sábado, 3 de julho de 2010

Amadurecer ou envelhecer?

--------------------------------------------------------------------------------



No primeiro dia na Universidade nosso professor se apresentou e nos pediu que procurássemos conhecer alguém que não conhecíamos ainda.



Fiquei de pé e olhei ao meu redor, quando uma mão me tocou suavemente no ombro. Era uma velhinha enrugada cujo sorriso lhe iluminava todo seu ser.



Oi gato, meu nome é Rose. Tenho oitenta e sete anos. Posso te dar um abraço?



Ri e lhe respondi com entusiasmo:



Claro que pode!



Ela me deu um abraço muito forte.



Por que a senhora está na Universidade numa idade tão jovem, tão inocente?



Perguntei-lhe.



Rindo, respondeu:



Estou aqui para encontrar um marido rico, casar-me, ter uns oito filhos, e logo me aposentar e viajar.



Eu falo sério – disse-lhe.



Queria saber o que a tinha motivado a afrontar esse desafio na sua idade. E ela disse:



Sempre sonhei em ter uma educação universitária e agora vou ter!



Depois da aula caminhamos ao edifício da associação de estudantes e compartilhamos uma batida de chocolate.



Nós nos fizemos amigos em seguida. Todos os dias durante os três meses seguintes saímos juntos da classe e falamos sem parar. Fascinava-me escutar esta " máquina do tempo". Ela compartilhava sua sabedoria e experiência comigo.



Durante esse ano Rose se fez muito popular na Universidade, fazia amizades aonde ia. Gostava de vestir-se bem e se deleitava com a atenção que recebia dos outros estudantes. Desfrutava muito.



Ao terminar o semestre convidamos Rose para falar no nosso banquete de futebol. Não esquecerei nunca o que ela nos ensinou nessa oportunidade.



Logo que chamaram seu nome ela subiu ao palco e, quando começou a pronunciar o discurso que tinha preparado de antemão, caíram no chão os cartões onde tinha os apontamentos .



Frustrada e um pouco envergonhada se inclinou sobre o microfone e disse simplesmente:



- Desculpem que eu esteja tão nervosa. Deixei de tomar cerveja pela quaresma e este whisky está me matando! Não vou poder voltar a colocar meu discurso em ordem, assim, se me permitem, simplesmente vou dizer-lhes o que sei.



Enquanto nós ríamos, ela aclarou a garganta e começou:



- Não deixamos de brincar só porque estamos velhos; ficamos velhos porque deixamos de brincar. Há só quatro segredos para manter-se jovem, ser feliz e triunfar. Temos que rir e encontrar o bom humor todos os dias. Temos que ter um ideal. Quando perdemos de vista nosso ideal, começamos a morrer. Há tantas pessoas caminhando por aí que estão mortas e nem sequer sabem!



Respirou profundamente e começou:



- Há uma grande diferença entre estar velho e amadurecer. Se vocês tem dezenove anos e ficam na cama um ano inteiro sem fazer nada produtivo se converterão em pessoas de vinte anos. Se eu tenho oitenta e sete anos e fico na cama por um ano sem fazer nada terei oitenta e oito anos. Todos podemos envelhecer. Não requer talento nem habilidade para isso. O importante é amadurecermos encontrando sempre a oportunidade na mudança. Não me arrependo de nada. Os velhos geralmente não se arrependem do que fizeram, senão do que não fizeram. Os únicos que temem a morte são os que tem remorso.



Terminou seu discurso cantando "A Rosa". Nos pediu que estudássemos a letra da canção e a colocássemos em prática em nossa vida diária.



Rose terminou seus estudos. Uma semana depois da formatura, Rose morreu, tranqüilamente enquanto dormia.



Mais de dois mil estudantes universitários assistiram às honras fúnebres para render tributo à maravilhosa mulher que lhes ensinou com seu exemplo que nunca é demasiadamente tarde para chegar a ser tudo o que se pode ser.



"Não esqueçam que ENVELHECER É OBRIGATÓRIO; AMADURECER É OPCIONAL".

Cenoura, Ovo ou Café

--------------------------------------------------------------------------------



Uma filha se queixou a seu pai sobre sua vida e de como as coisas estavam tão difíceis para ela. Ela já não sabia mais o que fazer e queria desistir.



Estava cansada de lutar e combater. Parecia que assim que um problema estava resolvido um outro surgia.



Seu pai, um "chef", levou-a até a cozinha dele. Encheu três panelas com água e colocou cada uma delas em fogo alto. Logo as panelas começaram a ferver.



Em uma ele colocou cenouras, em outra colocou ovos e, na última pó de café. Deixou que tudo fervesse, sem dizer uma palavra.



A filha deu um suspiro e esperou impacientemente, imaginando o que ele estaria fazendo. Cerca de vinte minutos depois, ele apagou as bocas de gás. Pescou as cenouras e as colocou em uma tigela. Retirou os ovos e os colocou em uma tigela. Então pegou o café com uma concha e o colocou em uma tigela.



Virando-se para ela, perguntou "Querida, o que você está vendo?"



"Cenouras, ovos e café," ela respondeu.



Ele a trouxe para mais perto e pediu-lhe para experimentar as cenouras.



Ela obedeceu e notou que as cenouras estavam macias.



Ele, então, pediu-lhe que pegasse um ovo e o quebrasse.



Ela obedeceu e depois de retirar a casca verificou que o ovo endurecera com a fervura. Finalmente, ele lhe pediu que tomasse um gole do café.



Ela sorriu ao provar seu aroma delicioso.



Ela perguntou humildemente: "O que isto significa, pai?"



Ele explicou que cada um deles havia enfrentado a mesma adversidade, água fervendo, mas que cada um reagira de maneira diferente.



A cenoura entrara forte, firme e inflexível. Mas depois de ter sido submetida à água fervendo, ela amolecera e se tornara frágil.



Os ovos eram frágeis. Sua casca fina havia protegido o líquido interior. Mas depois de terem sido colocados na água fervendo, seu interior se tornou mais rigido.



O pó de café, contudo, era incomparável. Depois que fora colocado na água fervente, ele havia mudado a água.



"Qual deles é você?" ele perguntou a sua filha. "Quando a adversidade bate a sua porta, como você responde? Você é uma cenoura, um ovo ou um pó de café?"



E você?



Você é como a cenoura que parece forte, mas com a dor e a adversidade você murcha e se torna frágil e perde sua força?



Será que você é como o ovo, que começa com um coração maleável? Você teria um espírito maleável, mas depois de alguma morte, uma falência, um divórcio ou uma demissão, você se tornou mais difícil e duro? Sua casca parece a mesma, mas você está mais amargo e obstinado, com o coração e o espírito inflexíveis?



Ou será que você é como o pó de café? Ele muda a água fervente, a coisa que está trazendo a dor, para conseguir o máximo de seu sabor, a 100 graus centígrados. Quanto mais quente estiver a água, mais gostoso se torna o café. Se você é como o pó de café, quando as coisas se tornam piores, você se torna melhor e faz com que as coisas em torno de você também se tornem melhores.



Como você lida com a adversidade?



Você é uma cenoura, um ovo ou café?

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Dualidade interior - Os Lobos

--------------------------------------------------------------------------------



O neto aproxima-se do avô cheio de raiva no coração porque seu melhor amigo havia cometido uma injustiça:

O velho diz:

- "Deixe-me contar-lhe uma história."

"Muitas vezes senti grande ódio daqueles que 'aprontaram' - especialmente quando percebia a maldade ou quando eles não se arrependiam."

"Todavia, com o tempo aprendi que o ódio nos corrói, mas não fere seu inimigo."

"É como tomar veneno ao desejar que o inimigo morra."

"Passei a lutar contra esses sentimentos".

E o experiente homem continuou:

"Tenho a sensação de que existem dois lobos dentro de mim."

"Um dos lobos é bom, só quer o bem, e não magoa ninguém.

"Esse lobo vive em harmonia com o universo ao seu redor, e não se ofende, não fica vendo, no que não entende, agressões."

"Esse lobo só luta quando é certo lutar, e quando luta, o faz da maneira correta."

"Mas, ah!, o outro lobo é cheio de raiva."

"Mesmo pequeninas coisas provocam sua ira !"

"Ele briga com todos, o tempo todo, sem motivo."

"Ele não consegue nem pensar, porque sua raiva e seu ódio são tão grandes que ocupam toda sua energia mental."

"É uma raiva inútil, porque essa raiva não mudará o mundo !"

"As vezes, é difícil conviver com os dois lobos dentro de mim, porque ambos tentam dominar meu espírito".

O garoto - atento - olhou intensamente nos olhos do Avô e carinhosamente perguntou:

"Qual deles vence, Vovô?"

O Avô sorriu e respondeu baixinho:

"Aquele que eu alimento mais freqüentemente".