Estudando o Espiritismo

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quinta-feira, 22 de julho de 2010

A latinha de leite

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Um fato real. Dois irmãozinhos maltrapilhos, provenientes da favela, um deles de cinco anos e o outro de dez, iam pedindo um pouco de comida pelas casas da rua que beira o morro. Estavam famintos 'vai trabalhar e não amole', ouvia-se detrás da porta; 'aqui não há nada moleque...', dizia outro...



As múltiplas tentativas frustradas entristeciam as crianças... Por fim, uma senhora muito atenta disse-lhes 'Vou ver se tenho alguma coisa para vocês... coitadinhos!' E voltou com uma latinha de leite.



Que festa! Ambos se sentaram na calçada. O menorzinho disse para o de dez anos 'você é mais velho, tome primeiro...' e olhava para ele com seus dentes brancos, a boca semi-aberta, mexendo a ponta da língua.



Eu, como um tolo, contemplava a cena... Se vocês vissem o mais velho olhando de lado para o pequenino! Leva a lata à boca e, fazendo gesto de beber, aperta fortemente os lábios para que por eles não penetre uma só gota de leite. Depois, estendendo a lata, diz ao irmão 'Agora é sua vez.

Só um pouco.' E o irmãozinho, dando um grande gole exclama 'como está gostoso!'



'Agora eu', diz o mais velho. E levando a latinha, já meio vazia, à boca, não bebe nada. 'Agora você', 'Agora eu', 'Agora você', 'Agora eu'..



E, depois de três, quatro, cinco ou seis goles, o menorzinho, de cabelo encaracolado, barrigudinho, com a camisa de fora, esgota o leite todo...ele sozinho.



Esse 'agora você', 'agora eu' encheram-me os olhos de lágrimas...



E então, aconteceu algo que me pareceu extraordinário. O mais velho começou a cantar, a sambar, a jogar futebol com a lata de leite. Estava radiante, o estômago vazio, mas o coração trasbordante de alegria. Pulava com a naturalidade de quem não fez nada de extraordinário, ou melhor, com a naturalidade de quem está habituado a fazer coisas extraordinárias sem dar-lhes maior importância.



Daquele moleque nós podemos aprender a grande lição, 'quem dá é mais feliz do que quem recebe.' É assim que nós temos de amar. Sacrificando-nos com tal naturalidade, com tal elegância, com tal

discrição, que os outros nem sequer possam agradecer-nos o serviço que nós lhe prestamos."

A Vaquinha

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Um mestre da sabedoria passeava por uma floresta com seu fiel discípulo, quando avistou ao longe um sítio de aparência pobre e resolveu fazer uma breve visita... Durante o percurso ele falou ao aprendiz sobre a importância das visitas e as oportunidades de aprendizado que temos, também com as pessoas que mal conhecemos.



Chegando ao sítio, constatou a pobreza do lugar: sem calçamento, casa de madeira, os moradores, um casal e três filhos, vestidos com roupas rasgadas e sujas... Então se aproximou do senhor, aparentemente o pai daquela família, e perguntou: "Neste lugar não há sinais de pontos de comércio e de trabalho. Como o senhor e a sua família sobrevivem aqui?" E o senhor calmamente respondeu: "Meu amigo, nós temos uma vaquinha que nos dá vários litros de leite todos os dias. Uma parte desse produto nós vendemos ou trocamos na cidade vizinha por outros gêneros alimentícios e a outra parte nós produzimos queijo e coalhada para o nosso consumo e assim vamos sobrevivendo."



O sábio agradeceu pela informação, contemplou o lugar por uns momentos, depois se despediu e foi embora. No meio do caminho, voltou ao seu fiel discípulo e ordenou: "Aprendiz, pegue a vaquinha, leve-a ao precipício ali à frente e empurre-a, jogue-a lá embaixo." O jovem arregalou os olhos espantado e questionou o mestre sobre o fato de a vaquinha ser o único meio de sobrevivência daquela família, mas, como percebeu o silêncio absoluto do seu mestre, foi cumprir a ordem. Assim, empurrou a vaquinha morro abaixo e a viu morrer.



Aquela cena ficou marcada na memória daquele jovem durante alguns anos, até que, um belo dia, ele resolveu largar tudo o que havia aprendido e voltar àquele mesmo lugar e contar tudo àquela família, pedir perdão e ajudá-los. E assim o fez. Quando se aproximava do local, avistou um sítio muito bonito, com árvores floridas, todo murado, com carro na garagem e algumas crianças brincando no jardim. Ficou triste e desesperado, imaginando que aquela humilde família tivera que vender o sítio para sobreviver. Apertou o passo e, chegando lá, foi logo recebido por um caseiro muito simpático e perguntou sobre a família que ali morava há uns quatro anos. O caseiro respondeu: "Continuam morando aqui." Espantado, o discípulo entrou correndo na casa e viu que era mesmo a família que visitara antes com o mestre. Elogiou o local e perguntou ao senhor (o dono da vaquinha): "Como o senhor melhorou este sítio e está tão bem de vida?" E o senhor, entusiasmado, respondeu: "Nós tínhamos uma vaquinha que caiu no precipício e morreu. Daí em diante, tivemos que fazer outras coisas e desenvolver habilidades que nem sabíamos que podíamos, assim alcançamos o sucesso que seus olhos vislumbram agora!"



Esta é uma história apenas ilustrativa, é claro que ninguém deve sair por aí empurrando a vaquinha dos outros, o sentido conotativo desta história diz que todos nós temos uma vaquinha que nos dá alguma coisa básica para sobrevivência e uma convivência com a rotina. Nós devemos expandir nossas habilidades e conhecimentos, estarmos sempre aprendendo coisas novas e se desenvolvendo para que um dia, se esta "vaquinha" cair num precipício, você tenha tantas outras vaquinhas, que a perda não lhe fará diferença.

O Acusado

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Conta uma antiga lenda que na Idade Média um homem muito religioso foi injustamente acusado de ter assassinado uma mulher.



Na verdade, o autor do crime era pessoa influente do reino e por isso, desde o primeiro momento se procurou um bode expiatório para acobertar o verdadeiro assassino.

O homem foi levado a julgamento, já temendo o resultado: a forca. Ele sabia que tudo iria ser feito para condená-lo e que teria poucas chances de sair vivo desta história.

O juiz, que também estava combinado para levar o pobre homem à morte, simulou um julgamento justo, fazendo uma proposta ao acusado que provasse sua inocência.

Disse o juiz: sou de uma profunda religiosidade e por isso vou deixar sua sorte nas mãos do senhor: vou escrever em um pedaço de papel a palavra INOCENTE e outro pedaço a palavra CULPADO. Você sortear um dos papéis e aquele que sair será o veredito.



O senhor decidirá seu destino, determinou o juiz.



Sem que o acusado percebesse, o juiz preparou os dois papéis, mas em ambos escreveu CULPADO de maneira que, naquele instante, não existia nenhuma chance do acusado se livrar da forca. Não havia saída.



Não havia alternativas para o pobre homem.



O juiz colocou os dois papéis em uma mesa e mandou o acusado escolher um.



O homem pensou alguns segundos e pressentindo uma vibração aproximou-se confiante da mesa, pegou um dos papéis e rapidamente colocou na boca e o engoliu.



Os presentes ao julgamento reagiram surpresos e indignados com a atitude do homem.



- Mas o que você fez?



E agora? Como vamos saber qual seu veredito?



- É muito fácil, respondeu o homem. - Basta olhar o outro pedaço que sobrou e saberemos que acabei engolindo o seu contrário.



Imediatamente o homem foi libertado.



MORAL DA HISTÓRIA



Por mais difícil que seja uma situação, não deixe de acreditar até o último momento. Saiba que para qualquer problema há sempre uma saída.



Não desista, não entregue os pontos, não se deixe derrotar.



Persista, vá em frente apesar de tudo e de todos. Creia que você pode conseguir.



Autor desconhecido ou ignorado

UM VELHO...

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Era uma vez um homem muito velho, quase cego e surdo, com os joelhos tremendo.

Quando se sentava à mesa para comer, mal conseguia segurar a colher.



Derramava a sopa na toalha e, quando afinal, acertava a boca, deixava sempre cair um bocado pelos cantos.



O filho e a nora dele achavam que era uma porcaria e ficavam com nojo.



Finalmente, acabaram fazendo o velho se sentar num canto atras do fogão.



Levavam comida para ele numa tigela de barro e o que era pior nem lhe davam o bastante.

O velho olhava para a mesa com os olhos compridos, muitas vezes cheios de lágrimas.



Um dia, suas mãos tremeram tanto que ele deixou a tigela cair no chão e ela se quebrou.

A mulher ralhou com ele, que não disse nada, só suspirou. Depois ela comprou uma gamela de madeira bem baratinha e era ali que ele tinha de comer.



Um dia, quando estavam todos sentados na cozinha, o neto do velho, que era um menino de quatro anos, estava brincando com uns pedaços de pau. O que é que você está fazendo? - perguntou o pai.



Estou fazendo um cocho, para papai e mamãe poderem comer quando eu crescer. - O menino respondeu.





Autor desconhecido ou ignorado

A árvore dos desejos

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Há uma famosa parábola:



Uma vez um homem estava viajando e, acidentalmente, entrou no paraíso. E no conceito indiano de paraíso existem árvores-dos-desejos.



Você simplesmente senta debaixo dela, deseja qualquer coisa e imediatamente seu desejo é realizado - não há intervalo entre o desejo e sua realização.



O homem estava cansado, e pegou no sono sob a árvore-dos-desejos.

Quando despertou estava com muita fome, então disse:

"Estou com tanta fome, desejaria poder conseguir alguma comida de algum lugar".

E imediatamente apareceu comida vinda do nada - simplesmente uma deliciosa comida flutuando no ar.



Ele estava tão faminto que não prestou atenção de onde a comida viera - quando se esta com fome, não se é filósofo.

Começou a comer imediatamente, a comida era tão deliciosa...

Depois, a fome tendo desaparecido, olhou à sua volta. Agora estava satisfeito.

Outro pensamento surgiu em sua mente: "Se ao menos pudesse conseguir algo para beber...".



E como não há proibições no paraíso, imediatamente apareceu um excelente vinho.



Bebendo o vinho relaxadamente na brisa fresca do paraíso, sob a sombra da árvore, começou a pensar:

"O que esta acontecendo?

O que esta havendo?

Estou sonhando ou existem espíritos ao redor que estão fazendo truques comigo?"...

E espíritos apareceram.

E eram ferozes, horríveis, nauseantes.

E ele começou a tremer e um pensamento surgiu em sua mente:

"Agora vou ser assassinado, com certeza...."

E ele foi assassinado.

Esta é uma antiga parábola, e de imenso significado.



Sua mente é a árvore dos desejos - o que você pensa, mais cedo ou mais tarde se realiza.



Às vezes o intervalo é tão grande que você se esquece completamente que desejou aquilo; Então não faz mais a ligação com a fonte.

Mas se você olhar profundamente, perceberá que todos os seus pensamentos estão criando você e sua vida.





Eles criam seu inferno, criam seu paraíso. Criam seu tormento, criam sua alegria. Eles criam o negativo, criam o positivo.... Todos aqui são mágicos.

E todos estão fiando e tecendo um mundo mágico ao seu redor.... e aí são apanhados.

A própria aranha é pega em sua própria teia.

Ninguém o esta torturando, a não ser você mesmo.





E uma vez que isso seja compreendido, mudanças começam a acontecer.

Então você pode dar a volta, pode mudar seu inferno em paraíso; é simplesmente uma questão de pintá-lo a partir de um ângulo diferente... a responsabilidade é toda sua.



Autor desconhecido ou ignorado

domingo, 18 de julho de 2010

ORGÃOS E CENTROS DE AJUDA

http://www.cvv.org.br/

http://www.projetocomviver.org.br/primeira2.htm#

http://www.sosdepressao.com.br/

SUICIDAR-SE, NUNCA!

Orson Peter Carrara





Meu caro leitor, se você é daquelas pessoas que está enfrentando difícil fase de sua existência, com escassez de recursos financeiros, enfermidades ou complexos desafios pessoais (na vida familiar ou não) e está se sentindo muito abatido, gostaria de convidá-lo a uma grave reflexão.

Todos temos visto a ocorrência triste e dramática daqueles que se lançam ao suicídio, das mais variadas formas. A idéia infeliz surge, é alimentada pelo agravamento dos problemas do cotidiano e concretiza-se no ato infeliz do auto-extermínio.

Diante de possíveis angústias e estados depressivos, não há outro remédio senão a calma, a paciência e a confiança na vida, que sempre nos reserva o melhor ou o que temos necessidade de enfrentar para aprender. Ações precipitadas, suicídios e atos insanos são praticados devido ao desespero que atinge muitas pessoas que não conseguem enxergar os benefícios que as cercam de todos os lados.

Mas é interessante ressaltar que estes estados de alma, de desalento, de angústias, de atribulações de toda ordem, não são casos isolados. Eles integram a vida humana. Milhões de pessoas, em todo mundo, lutam com esses enigmas como alunos que quebram a cabeça tentando resolver exercícios de física ou matemática. Mas até uma criança sabe que o problema que parece insolúvel não se resolverá rasgando o caderno e fugindo da sala de aula.

Sim, a comparação é notável. Destruir o próprio corpo, a própria vida, como aparente solução é uma decisão absurda. Vejamos os problemas como autênticos desafios de aprendizado, nunca como castigos ou questões insuperáveis. Tudo tem uma solução, ainda que difícil ou demorada.

O fato, porém, é que precisamos sempre resistir aos embates do cotidiano com muita coragem e determinação. Viver é algo extraordinário. Tudo, mas tudo mesmo, passa. Para que entregar-se ao desespero? Há razões de sobra para sorrir, rir e viver!

O suicídio é um dos maiores equívocos humanos, para não dizer o maior. A pessoa sente-se pressionada por uma quantidade variável de desafios, que julga serem problemas sem solução, e precipita-se na ilusão da morte. Sim, ilusão, porque ninguém consegue auto-exterminar-se. E o suicídio agrava as dificuldades porque aí a pessoa sente o corpo inanimado, cuja decomposição experimenta com os horrores próprios, pressionada agora pelo arrependimento, pelo remorso, sem possibilidade de retorno imediato para refazer a própria vida. Em meio a dores morais intensas, com as sensações físicas próprias, sentindo ainda a angústia dos seres queridos que com ele conviviam, o suicida torna-se um indigente do além.

Como? Sim, apenas conseqüências do ato extremo, nunca castigo. Isto tudo por uma razão muito simples: não somos o corpo, estamos no corpo. Somos espíritos reencarnados, imortais. E a vida nunca cessa, ela continua objetivando o aprimoramento moral e intelectual de todos os filhos de Deus. Suicidar-se é ilusão. Os desafios existenciais surgem exatamente para promover o progresso, convidando à conquista de virtudes e o desenvolvimento da inteligência. A oportunidade de viver e aprender é muito rica para ser desprezada. E quando alguém a descarta, surgem conseqüências naturais: o sofrimento físico, pela auto-agressão e o sofrimento moral do arrependimento e da perda de oportunidades. Muitos talvez, poderão perguntar-se: Mas de onde vem essas informações?

A Revelação Espírita trouxe essas informações. São os próprios espíritos que trouxeram as descrições do estado que se encontram depois da morte. Entre eles, também os suicidas descrevem os sofrimentos físicos e morais que experimentam. Sim porque sendo patrimônio concedido por Deus, a vida interrompida por vontade própria é transgressão à sua Lei de Amor. Como uma criança pequena que teima em não ouvir os pais e coloca os dedos na tomada elétrica.

Para os suicídios há atenuantes e agravantes, mas sempre com conseqüências dolorosas e que vão requerer longo tempo de recuperação. Deus, que é Pai bondoso e misericordioso, jamais abandona seus filhos e concede-lhes sempre novas oportunidades. Aí surge a reencarnação como caminho reparador, em existências difíceis que apresentam os sintomas e aparências do ato extremo do suicídio. Há que se pensar nos familiares, cônjuges, pais e filhos, na dor que experimentam diante do suicídio do ser querido. Há que se pensar no arrependimento inevitável que virá. Há que se ponderar no desprezo endereçado à vida. Há, mais ainda, que se buscar na confiança em Deus, na coragem, na prece sincera, nos amigos (especialmente o maior deles, Jesus), a força que se precisa para vencer quaisquer idéias que sugiram o auto-extermínio.

Meu amigo, minha amiga, pense no tesouro que é tua vida, de tua família! Jamais te deixes enganar pela ilusão do suicídio. Viva! Viva intensamente! Com alegria! Que não te perturbe nem a dificuldade, nem a enfermidade, nem a carência material. Confie, meu caro, e prossiga!

PREVENÇÃO CONTRA O SUICÍDIO

Valentim Lorenzetti





Espalham-se, atualmente, por todo o mundo, os chamados "centros-de-socorro-telefônico", destinados a dar apoio às pessoas desesperadas prestes a se suicidar. 0 trabalho pioneiro nesse setor de atividade teve início há quase vinte anos, na Inglaterra, liderado por um ministro da Igreja Anglicana, o rev. Chad Varah.

A história do primeiro centro-de-socorro-telefônico do mundo e a luta do i rev.Chad Varah, merecem ser conhecidas. Logo após o término da segunda guerra mundial, crescia espantosamente o número de suicídios na Inglaterra. Chad Varah, impressionado com essa trágica estatística, resolveu arregaçar as mangas e instituir um serviço que pudesse dar apoio moral e calor humano às pessoas desesperadas. Expôs seus planos a seus superiores hierárquicos, e estes lhe concederam, para instalar o centro de atendimento, uma velha igreja (de Santo Estevão), parcialmente destruída pelos bombardeios.

As paredes fendidas do velho templo não assustaram o reverendo. Os porões da igreja estavam praticamente intactos e, ali, decidiu ele começar o seu trabalho, instalando o que denominou "Os Samaritanos" Após estafante trabalho de arrumação no local, remoção dos escombros e higienização do ambiente, Chad Varah decide solicitar à companhia telefônica a concessão de um número de Fácil memorização para ser instalado na sede do plantão. Levanta do gancho o telefone empoeirado pelos bombardeios e chama a telefonista a quem expôs seus objetivos. Resposta do outro lado da linha:



"Sim, nós poderemos verificar o que é possível fazer. Por favor, dê-me o número de seu telefone. Nós o avisaremos assim que tivermos uma resposta".

Chad Varah limpa a poeira com a manga da sotaina, e descobre o número do telefone da igreja de Santo Estevão. Nesse instante a emoção lhe embarga a voz. Mesmo assim consegue dizer à telefonista

Começou, assim, com grande emoção, a funcionar o primeiro telefone de atendimento a desesperados de viver, no mundo: É até hoje conhecido e muito atuante "Mansion House 9000 - telefone da amizade". E Londres toda foi inundada por cartazes anunciando o funcionamento de "Os Samaritanos" ; atualmente, a organização está com filiais em vários outros bairros londrinos e em algumas das cidades mais importantes da Inglaterra. Chad Varah, o simpático ministro anglicano, continua à frente dos trabalhos. Seus plantonistas voluntários atendem por telefone e pessoalmente, iniciando geralmente o contato com o suicida em potencial por telefone e terminando com um "tête-à-tête" no plantão da organização. Inspirados nos "Samaritanos", surgiram a seguir outros centros de prevenção ao suicídio. Logo a seguir, por exemplo, os franceses fundaram, em Paris, o "SOS 1 " Amitié, que hoje tem ramificações por toda a França, atendendo somente por telefone e jamais fornecendo o endereço a quem quer que seja. É também integrado por voluntários.



NO BRASIL



Quando, há quase dez anos, o eng. Jacques Conchon, expôs em Londres, ao rev. Chad Varah, o sistema de funcionamento do recém-fundado "CVV - Centro de Valorização da Vida", o ministro anglicano afirmou:



"Veja, meu amigo, vocês lá no Brasil e nós, aqui na Inglaterra, sem nos conhecermos, pertencemos a um trabalho que funciona em moldes idênticos. Até parece que, ao fazer as normas do CVV, vocês usaram um papel-carbono sob as normas de trabalho de "Os Samaritanos Fica, assim, mais uma vez, comprovada a atuação do Alto unindo os homens em torno dos trabalhos de assistência ao próximo. Continuem com a tarefa. Deus saberá recompensar todos os sacrifícios".



E, daquele encontro até hoje, o CVV não deixou de funcionar. Os sacrifícios, os obstáculos, vão sendo vencidos aos poucos. Existindo há quase 10 anos como personalidade jurídica, o "Centro de Valorização da Vida", de São Paulo, é hoje uma entidade de Utilidade Pública Municipal e registrada em todos os órgãos de assistência médica e social do Estado e do País. Atualmente funciona em sede própria, à rua Francisca Miquelina 323, conj. 24, atendendo diariamente, inclusive domingos e feriados, pelo telefone 33.2050, das 16 às 22 horas. Não foi possível, ainda, ampliar a faixa de atendimento do plantão, por falta de pessoal habilitado, que deve .ser necessariamente espírita e voluntário; nenhum elemento do CVV é remunerado a partir dos membros de sua diretoria. 0 período das 16 às 22 horas, em que funciona o plantão, foi estabelecido consultando-se as estatísticas de suicídio e tentativas na capital de São Paulo: é a faixa onde ocorre maior número de suicídios.

Atualmente, o CVV está empenhado na construção da "Clínica de Repouso Francisca Júlia", para doentes mentais sem recursos, cuja primeira fase está sendo concluída. A Clínica localiza-se no bairro do Torrão de ouro, município de São José dos Campos,. nas margens da estrada que leva á Caraguatatuba 0 projeto final da obra é para 400 leitos; a primeira fase comportará 40 leitos. Destina-se a Clínica, a atender á pequena porcentagem (10%) de suicidas em potencial que são doentes mentais e, também, a atender a doentes mentais sem recursos do Vale do Paraíba. Será o primeiro sanatório do mundo especializado no tratamento de doentes mentais suicidas em potencial.

0 CVV é mantido pela, contribuição de associados, que, atualmente, estão se filiando em torno de um montepio - o "Montepio da Valorização", autorizado pelo Governo Federal pelo qual cada associado passa a colaborar com a mensalidade de Cr$ 14,00, e, automaticamente a formar um pecúlio para seus de dependentes, após sua morte. Trata-se de uma forma de arrecadação de fundos, que, a médio e longo prazo, deverá transformar-se no sustentáculo financeiro da instituição, e, principalmente, da "Clínica de Repouso Francisca Júlia". Atualmente a entidade luta ainda com grandes dificuldades financeiras, empenhando-se todos seus plantonistas em campanhas de arrecadação para conclusão do sanatório, onde, até fins de agosto de 1971, a entidade já havia investido quase 300 mil cruzeiros. Dessa importância, o governo do Estado colaborara somente com 35 mil cruzeiros.



RESULTADOS



Desde que começou a funcionar, em caráter experimental, até hoje, o CVV já atendeu a quase duas mil pessoas que estavam realmente dispostas a se matar. Destas infelizmente, quatro se suicidaram realmente, não tendo sido possível ao CVV recuperá-las para a vida. Entretanto, o índice de recuperação é considerado excelente pelos dirigentes da entidade, o que os anima a prosseguir na luta apesar das enormes dificuldades

Em princípios de 1971, a entidade lançou uma ramificação em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, entregando a responsabilidade do funcionamento da filial gaúcha a duas abnegadas professoras, que tiveram a iniciativa de enfrentar, no Sul, o trabalho de prevenção do suicídio. Aliás, uma das finalidades do CVV é a de instalar postos de atendimento nas principais capitais do país e nas grandes cidades do Estado de S. Paulo à medida em que forem surgindo, nessas cidades, elementos de boa-vontade, o CVV irá orientando e fornecendo todo o programa de preparação de plantonistas.

0 problema do suicídio em nossa sociedade, ainda é cercado de uma série de tabus e frases feitas. Por exemplo: : "Quem quer se matar não avisa". È uma frase-feita, repetida indefinidamente, sem qualquer fundamento em fatos. A experiência do CVV e dos demais centros de socorro telefônico instalado em outros países demonstra que o suicida em potencial dá muitos avisos. Na maioria das vezes, entretanto, tais aviso,- não são compreendidos por amigos e familiares; e a pessoa acaba se matando. Quando o indivíduo dispõe de um telefone, como o do CVV, ele se agarra realmente a esse telefone, que lhe representa a tábua lançada no oceano revolto, onde ele, náufrago da vida, poderá se agarrar. 0 plantonista do CVV oferece amizade ao suicida em potencial ; a amizade tão difícil de ser encontrada hoje em dia. Não proporciona auxílio financeiro nem o ajuda diretamente a solucionar seus problemas; proporciona-lhe o desabafo e o apoio moral, encorajando-o a enfrentar os problemas com renovada disposição. É a própria valorização da vida; superada a, crise suicida, o indivíduo não se sentirá dependente de ninguém e terá condições de enfrentar seus problemas.

"Suicídio se resolve com aumento de salário", é outra frase-feita absurda. 0 problema financeiro é o que menos pesa na decisão de suicídio de uma pessoa. Os motivos que levam realmente as pessoas a pensar em auto-destruição estão ligados, em sua esmagadora maioria, ao campo afetivo. É a chamada deterioração afetiva, que leva a pessoa, fatalmente, a sentir-se só. Um solitário no meio da multidão. Um indivíduo carente de amizade, de alguém que o considere digno de ser ouvido. E o CVV considera dignes de atenção todos que lhe batem às portas ou discam o número de seu telefone. Mesmo que o indivíduo faça a ligação telefônica para aplicar um "trote" no plantonista. Todos recebem amizade.

Atualmente o CVV conta com a colaboração de 45 plantonistas voluntários, entre homens e mulheres, atendendo a uma média de 15 casos de suicidas em potencial por mês. Seus plantonistas são indivíduos de boa-vontade que antes de ingressarem no trabalho, são obrigados a freqüentar um curso especializado. 0 atendimento é feito seguindo as normas da chamada "psicoterapia de apoio", e, quando necessário, a entidade se vale da colaboração de médicos psiquiatras, que também voluntariamente atendem às pessoas que lhes são encaminhadas. Não há doutrinação religiosa em nenhum atendimento; o CVV mantém contate com todas as religiões, e, desde que o indivíduo se mostre interessado, é encaminhado para a religião desejada.

A norma básica do atendimento, que é seguida por todo plantonista, resume-se numa frase: "Saber ouvir os problemas da pessoa". Conhecidos os problemas, usar as armas disponíveis pelo próprio indivíduo para que tais problemas sejam superados. É evidente que em tal atendimento entra a Religião como impulsionador maior: a Religião Cristã, que manda servir desinteressante.

COMO IDENTIFICAR UM SUICIDA EM POTENCIAL:

Rubens Santini de Oliveira





É preciso evitar novos suicídios!



“A Psicologia Clínica está preocupada em lidar com a tentativa de suicídio ocorrida e entendê-la para uma atuação pós-crise, desenvolvendo um acompanhamento terapêutico neste período difícil.

Alguns hospitais, como o Hospital São Paulo, já possuem um setor de atendimento psicológico para indivíduos que dão entrada no hospital por tentativa de suicídio mal-sucedido. Esta equipe especializada, objetiva prevenir novas tentativas de suicídios por parte destas pessoas e reintegrá-las ao convívio social, em vez de se preocupar apenas com a alta médica (recuperação física do interno), como ocorria até pouco tempo.

É possível tentar desenvolver um trabalho junto à família do suicida, uma vez que o suicídio se relaciona diretamente com a unidade familiar e o meio próximo ao individuo. Além disso, a família com um membro suicida encontra-se freqüentemente desamparada e impotente diante de tal situação”. “Minha querida filha, há seis meses que você dilapida seus recursos e compromete silenciosamente seus benefícios; dentro em breve seremos presas dos horrores da fome. É preferível que aquele que não serve para nada se vá; você acaba de sair para se submeter a mais algum sacrifício; quando voltar não me terá mais a sua custa”.



CVV dá ajuda por telefone



O CVV (Centro de Valorização da Vida) é um serviço telefônico grátis que atende 24 horas do dia. Recebem 4000 ligações por mês só na cidade de São Paulo.

O CVV possui alguns lemas como “somente aquele que sabe ouvir poderá ajudar” ou, o mais conhecido, “é mais fácil viver quando se tem um amigo”.

Todo o corpo de plantonistas é composto por pessoas voluntárias.

Um dos métodos de atuação do CVV é tentar entender a pessoa, sem minimizar o seu problema.

Por exemplo: a dor sentida por uma adolescente que briga com o namorado, pode ser muito grande para ela. A postura do CVV, neste caso, seria de compreensão. Jamais seria dito à jovem que procurasse um outro namorado, pois isso deve ser o que ela está ouvindo de todos.

O CVV aconselha que a atitude adotada por amigos de suicidas em potencial seja a mesma: “jamais diga para essa pessoa que seu sofrimento é uma bobagem”.

Um outro conselho do CVV é que seja permitido o desabafo, deixar a pessoa chorar, se extravasar. Quando a idéia de suicídio é exposto claramente, ou seja, quando é discutida, é mais dificil que ela se concretize. Qualquer coisa que passa pela linguagem é atenuada. Se alguém diz que tem medo de um vir a se matar, provavelmente não irá fazer isso”.



Como identificar um suicida em potencial:



Observar se a pessoa tem sintoma de :



- Depressão: Tristeza constante, ansiedade, insônia, perda de apetite, pessimismo, dificuldade de se concentrar.

- Falta de perspectiva: O que é diferente de uma tristeza temporária.

- Ficar atento a fatos importantes da vida da pessoa. Grandes perdas ou mudanças podem precipitar uma tentativa ao suicídio.

- Verificar se a pessoa já tentou se matar antes. Estas pessoas têm maior tendência a repetir a tentativa.

- Ficar atento para anúncios espontâneos de suicídio.

- Falar claramente sobre o tema. Pergunte diretamente se a pessoa pensa em se matar.



O que fazer se parente ou amigo quiser se matar:



- Ofereça ajuda médica ou psiquiátrica. Se necessário, leve-a mesmo a contragosto.

- Mantenha-a longe de armas de fogo, objetos cortantes, remédios como calmantes e de lugares altos.

- Converse sobre a situação que ela vive. Lembre-se de que a depressão tem cura e é passageira, com tratamento adequado ela acaba em duas ou três semanas. Para a pessoa deprimida, entretanto, a sensação é de que jamais haverá solução.

- Nem a deixe sozinha, nem durante a noite. Além de ter seus atos vigiados, ela se sentirá querida e estimulada.

- Trate o tema com clareza e sem preconceitos.las sombrias: - era meia dúzia de réprobos que passava enlouquecida, deixando à mostra cenas de afogamento, por arrastarem na mente conflagrada a trágica lembrança de quando se atiraram às suas águas!... Homens e mulheres transitavam desesperados: uns ensangüentados, outros estorcendo-se no suplício das dores pelo envenenamento, e, o que era pior, deixando à mostra o reflexo das entranhas carnais corroídas pelo tóxico ingerido, enquanto outros mais, incendiados, a gritarem por socorro em correrias insensatas, traziam pânico ainda maior entre os companheiros de desgraça, os quais receavam queimar-se ao seu contacto, todos possuídos de loucura coletiva! E coroando a profundeza e intensidade desses inimagináveis martírios — as penas morais: os remorsos, as saudades dos seres amados, dos quais não tinham mais notícias, os mesmos dissabores que haviam dado causa ao desespero e que persistiam em afligir!... E as penas físico-materiais: a fome, o frio, a sede, exigências fisiológicas em geral, torturantes, irritantes, desesperadoras! a fadiga, a insônia depressora, a fraqueza, o delírio!”

ALGUNS ARGUMENTOS CONTRA O SUICÍDIO

Rubens Santini de Oliveira





“O telefone toca... O plantonista atende...



Uma pessoa deseja morrer. Ingeriu comprimidos, deseja morrer conversando com alguém e espera que o plantonista possa ser esta pessoa, possa representar este outro para que não esteja só nesta passagem.

O plantonista arrisca perguntar se está certo de que‚ isto que realmente quer, se não gostaria que lhe fosse enviado socorro. A pessoa recusa, não quer voltar atrás e pede ao plantonista que fale com ela. A voz atenua-se... o telefone cai”.(*)



PARTE I



“Tentar compreender por que uma pessoa, de maneira impulsiva ou cuidadosamente planejada, escreve dizeres amorosos na sola do sapato para um namorado e se atira do viaduto do Chá; ou acomoda seu revólver numa morsa de oficina, na garagem de sua residência, coloca a cabeça diante da arma e dispara; ou amarra um cordel de náilon no teto do banheiro e se enforca; ou ingere dezenas de comprimidos de uma só vez; ou por que uma criança se joga da janela do décimo andar; ou, ainda, por que um padre acende as seis bocas do fogão na cozinha de um colégio, deitando-se sobre elas carbonizando-se, não é, absolutamente, tarefa fácil.

Foi numa tentativa de elucidar alguns fatores que possam estar em jogo na vivência destas pessoas, no momento em que decidem se matar, que este trabalho nasceu”.(**)



Por que as pessoas se matam?

O que poderá levar o homem a recorrer a esse ato tão irracional?



(1) Falta de Fé? - é a total descrença de uma outra vida após a morte. Tem a ilusão de que, provocando a própria morte, será o fim de todo o sofrimento e o início de um eterno sono profundo. É a falta de Espiritualidade e da crença nas obras do Criador.

(2) Orgulho ferido? - Pode ser considerado, também, como falta de fé, porque a fé‚ conduz à humildade, e esta é inimiga do orgulho.

(3) Tédio da vida? Muitas vezes, as pessoas não conseguem definir um objetivo em sua vida. No fundo, é ausência da fé para suportar as provas que a vida lhe impõe. As dificuldades são tantas, e não encontrando forças para sair do marasmo, a pessoa acaba se entediando. Quem tem fé não deserta da vida, pois sabe que os recursos Divinos são inesgotáveis. E a oração é o maior dos instrumentos para se conseguir que essa ajuda venha dos Planos mais Altos.

(4) Medo do fracasso? - Medo de ser humilhado, ironizado por não ter sido um vencedor. No fundo, todos os problemas que levam as pessoas ao suicídio é a falta de fé, é a fragilidade espiritual.

O nosso propósito, através desse trabalho, é fazer uma abordagem psicológica e espiritual do suicida, e quais são os motivos que o levam para tal ato.



PARTE II



“Há alguns anos, conheci Aparecida. Havia ingerido um poderoso agrotóxico e estava viva apenas graças à rapidez do socorro, uma diálise renal.

Sorria-me, sem graça, na expectativa do que ia fazer.

- O que houve Aparecida?

- Eu só ia dar um susto no meu marido. Tínhamos brigado.

- Você não sabia que poderia morrer?

- Pensei que aquilo só matava bicho sem osso...

Na sua simplicidade, Aparecida me dizia que não queria morrer. Ela tinha “ossos”, um esqueleto interno, mental, que a prendeu à vida.

Já outros suicidas têm um “esqueleto” mais frágil. E não suportam as vicissitudes da vida, mais ainda quando ela os frustra e lhes causa sofrimentos.

Existem sofrimentos que fazem parte da vida e há aqueles desnecessários. Muitos de nós não nos satisfazemos com os que já existem (e, muitas vezes, são tantos!). E procuramos outros. Como complicamos nossas vidas, como que atraídos pelo sofrer!

Não seria isto uma espécie de suicídio?”



“Nesta vida, morrer não é difícil. O difícil, é a vida e o seu oficio.”(Maiakvóski)



PARTE III



O suicídio através do tempo



“O suicidio, desde a Antiguidade, sempre foi punido severamente. Plutarco, um antigo historiador, nos conta o seguinte:



Moças passam a enforcar-se e logo apresenta uma “epidemia” de suicídio de jovens. Nenhuma medida fez com que ela cesse, até que alguém propõe que as jovens sejam condenados a terem seu cadáver levado nu, em passeata, até o cemitério. Com essa medida, a “epidemia” se extingue.”

“Em Tebas e Chipre, o morto era privado de honras fúnebres. Em Atenas, no século IV, cortava-se a mão direita daquele que cometera o suicídio. Esta era enterrada distante do resto do corpo do individuo de forma a evitar uma posterior vingança do morto. O objetivo era desmanchar seu estratagema, destituí-lo de poder, da capacidade de assassinar os vivos. Ainda no século IV, Santo Agostinho assinala que o suicídio era uma “pervesão detestável” e “demoníaca”, e que o “não matarás” estendia-se também a “não matarás a si próprio”. A Igreja utilizava todos os recursos disponíveis para a repressão ao suicídio. Outras religiões também condenavam o suicídio, como é o caso da judaica, com a prática de enterrar o corpo do suicida em sepultura à parte.”

“O suicídio do presidente Getúlio Vargas implica, não só um ato de vingança contra seus inimigos, que se sentiram culpados e responsáveis, mas principalmente, o objetivo do suicido foi a permanência de Vargas influenciando os sobreviventes, como numa vida pós-morte: “saio da vida para entrar na História”, escreve em sua carta-testamento.”

“Em novembro de l978, houve um suicídio coletivo de 913 pessoas na Guiana, seguidoras da seita Templo do Povo, do pastor americano Jim Jones. Eles se envenenaram com cianureto, enquanto seu líder deu um tiro na própria cabeça.”

“No primeiro semestre de 1986, o número de adolescentes suicidas cresceu no Japão. A policia atribuiu o fato à morte da cantora pop Yokiko Okada, então com 18 anos, que se jogou de uma altura de 7 andares. Foram registrados 30 suicídios entre adolescentes no país, após o acontecimento.”

“Personagens fictícios da literatura também inspira este tipo de gesto. Em 1774, o lançamento do livro “Werther” do poeta alemão Goethe, provocou uma onda de suicídio na Europa. Motivo: a identificação com o destino do personagem-título do livro, que se mata com um tiro por amor. A “epidemia” de suicídio foi tão longe que várias pessoas, na maioria jovens se matavam envergando casacos azuis e colete amarelo, as roupas que o personagem usava no final do livro.”

“Romeu e Julieta, da obra de Shakekspeare, assim como tantos Romeus e Julietas da vida real, se matam para vingar-se de seu ambiente e das pessoas que estão ao seu redor”

(Publicado no Boletim GEAE Número 332 de 16 de fevereiro de 1999)