Estudando o Espiritismo

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quarta-feira, 15 de março de 2017

UM ENSAIO EMOCIONAL SOBRE A COMUNIDADE ESPÍRITA.

UM ENSAIO EMOCIONAL SOBRE A COMUNIDADE ESPÍRITA.
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Pessoas que não constroem uma relação de afeto sadia consigo próprias projetam sua insatisfação interna em líderes, médiuns, oradores e pessoas influentes da comunidade espírita.
Essa projeção leva à idolatria, isto é, uma veneração, um olhar exagerado sobre as qualidades desses trabalhadores da seara.
Há uma linha divisória muito fina entre o carinho e o respeito que merecem esses tarefeiros e a doença emocional da baixa autoestima.
Quando alguém joga muita purpurina em alguém, destacando supostas qualidades espirituais e grandeza de alma, convém pensar na possibilidade de que algo não vai bem em quem joga a purpurina da vaidade, e também em quem a aceita. Existem também muitos ícones influentes na nossa comunidade viciados em aplausos e reverência, bancando a pesada prova de comunicar uma santidade que ainda não possuem.
É lamentável, mas é verdade. Por conta dessa expressiva projeção sombria em supostos "grandes santos", a comunidade espírita, com raras e meritórias exceções, se mostra uma comunidade triste e com profunda escassez de autoestima, com profundo temor ao autoamor e à formação de uma massa critica com pensamento próprio e autonomia de ação.
O equilíbrio e o bom senso no assunto poderiam tornar a nossa comunidade espírita uma das mais poderosas fontes sociais de alegria genuína e estima pessoal.

Wanderley Oliveira - Facebook

sábado, 11 de março de 2017

O Complexo de Jonas

O evangelista Mateus narra, no capítulo vinte e cinco de seu evangelho, a parábola dos talentos pronunciada pelo Senhor Jesus, descrevendo um homem, que de partida de sua terra distribuiu seus bens a três de seus servos. A um deu cinco talentos, ao outro dois talentos e ao terceiro um talento, a cada um segundo a sua capacidade.
Passado muito tempo aquele homem retorna e chama os servos para prestação de contas. O primeiro, que recebeu cinco talentos, devolveu-os e mais cinco que conquistou trabalhando com o que lhe fora confiado. O segundo, da mesma forma que o primeiro, devolveu em dobro o que recebeu. O terceiro, dizendo que sabia o quanto aquele homem era duro de coração, disse que por medo de perder o talento recebido enterrou-o e agora o estava devolvendo. O proprietário daquela terra chamou-o de servo de mau, negligente e inútil, dizendo que seria lançado em trevas onde haveria choro e ranger de dentes.
A interpretação da parábola traz interessantes ensinamentos, uma vez que o Senhor está se referindo ao que cada um dos filhos de Deus recebe para aplicar no mundo onde reencarna. Em primeiro lugar, os talentos são distribuídos conforme a capacidade pessoal de cada servo, o que podemos entender que são dados de acordo com nossas possibilidades e necessidades, que são formulados quando do planejamento reencarnatório.
Da mesma forma que na parábola, todos haveremos de prestar contas do recebido, e o próprio Senhor Jesus enfatizou isso ao dizer que “muito será pedido de quem muito recebeu”.
Para os dois que dobraram os talentos foi destinado vivenciarem a alegria do senhor da terra, o que significa vivenciarem um estado de “céu” provocado pela consciência tranquila.
Para o terceiro, que por medo de perder o talento não o usou, a reprimenda e a destinação são referentes à cobrança da própria consciência, que em desalinho, intranquiliza-se e produz sofrimento moral.
No livro Nosso Lar, ditado a Francisco Cândido Xavier por André Luiz, encontramos no capítulo quarenta e dois, interessante revelação de Narcisa para André Luiz sobre o medo:

“ – Talvez estranhe, como acontece a muita gente, a elevada porcentagem de existências humanas estranguladas simplesmente pelas vibrações destrutivas do terror, que é tão contagioso como qualquer moléstia de perigosa propagação.
Classificamos o medo como dos piores inimigos da criatura, por alojar-se na cidadela da alma, atacando as forças mais profundas.” (Grifo nosso)

Estas passagens fazem-nos lembrar de Jonas. Aquele Jonas que o Senhor Jesus se referiu dizendo que não haveria outro sinal a não ser o sinal de Jonas.
O Livro de Jonas faz parte do Velho Testamento e conta a história dele, Jonas, que tendo recebido uma ordem de Deus para pregar em Nínive, se nega e foge pegando carona em um navio para a Espanha. Uma grande tempestade envolve o navio, e ele, por ser visto como o causador da tempestade por ter desobedecido ao programa divino, é lançado ao mar e uma baleia o engole, mantendo-o no seu ventre por três dias e três noites. Por fim, em prece, louva a Deus e a baleia o vomita em uma praia.
Resolve Jonas cumprir com sua missão pessoal e prega em Nínive, convertendo seu rei e toda a população, que acabam por escapar do castigo divino. Jonas, não entendendo o plano de Deus para com todos os seus filhos, revolta-se com a mudança de planos e Deus mostra-lhe o quanto todos são importantes para Ele.
Também podemos tirar ensinamentos do Livro de Jonas, em paralelo à Parábola dos Talentos. Se Deus deu um encargo para Jonas é porque ele tinha condições de se desincumbir da tarefa executando-a, mas a fuga das responsabilidades cria uma tempestade consciencial e o comportamento pessoal reflete no ambiente em que se vive, envolvendo a todos os que respiram ao redor. É o mal que resulta do bem que não se faz.
Em prece e arrependido Jonas pediu nova oportunidade e a misericórdia divina assim concedeu.
São as oportunidades que recebemos para renovação espiritual que trazem os benefícios que poderíamos usufruir, desde longa data, se fôssemos mais determinados na execução de nossos planejamentos reencarnatórios.
O comportamento que se estabelece na fuga aos compromissos é identificado pela Psicologia Humanista como “Complexo de Jonas”, e, dessa forma, podemos nos perguntar: quanto nós poderíamos realizar em benefício do próximo, mas por esse ou aquele motivo não o fazemos? O que temos feito dos talentos que recebemos para esta reencarnação?
Se formos honestos em nossas reflexões, facilmente, identificaremos o quanto estamos impregnados do “Complexo de Jonas”.

Pensemos nisso.

Antônio Carlos Navarro

O SINAL DE JONAS

O SINAL DE JONAS

"Como afluíssem as multidões, começou a dizer: Esta é uma geração perversa; pede um sinal, e nenhum sinal se lhe dará, senão o de Jonas. Pois assim como Jonas foi um sinal para os ninivitas, assim também o Filho do Homem o será para esta geração. A rainha do Sul se levantará no juízo, juntamente com os desta geração, e os condenará; pois veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. Os ninivitas se levantarão no juízo juntamente com esta geração, e a condenarão; porque se arrependeram com a pregação de Jonas e aqui está quem é maior do que Jonas. " (Lucas, xi, 29-32)

"Chegaram os fariseus e saduceus e pediram um sinal do Céu a Jesus, para o experimentar. Mas ele respondeu: A tarde dizeis: teremos bom tempo porque o céu está avermelhado; e pela manhã: hoje teremos tempestade, porque o céu está de um vermelho sombrio. Sabeis, na verdade, discernir o aspecto do céu e não podeis discernir os sinais dos tempos? Uma geração má e adúltera pede um sinal; e nenhum sinal se lhe dará, senão o de Jonas. E deixando-os se retirou. " (Mateus, xvi, 1-4)

"Saíram os fariseus e começaram a discutir com ele, procurando obter dele um sinal do Céu, para o experimentarem. Ele, dando um profundo suspiro, em espírito, disse: Por que pede esta geração um sinal? Em verdade vos digo que a esta geração nenhum sinal será dado. E deixando-os, tornou a embarcar e foi para o outro lado. " (Marcos, VIII, 11-13) "Eles lhe perguntaram: O que devemos fazer para praticar as obras de Deus? Respondeu-lhes Jesus: A obra de Deus é esta, que creiais naquele que Ele enviou. Perguntaram-lhe, pois: Que milagres operas tu para que o vejamos e te creiamos? Que fazes tu? Nossos pais comeram o maná do deserto, como está escrito: deu-lhe a comer o pão do céu.
Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo, não foi Moisés quem vos deu o pão do Céu, mas meu Pai é quem vos dá o verdadeiro pão do Céu; porque o pão de Deus é o que desce do Céu e dá vida ao mundo. Disseram-lhe então: Senhor, dá-nos sempre desse pão. Declarou-lhes Jesus: Eu sou o pão da vida; o que vem a mim de modo nenhum terá fome; e o que crê em mim nunca, jamais, terá sede. Mas eu vos disse que vós me tendes visto e não credes. Todo o que meu Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora; porque eu desci do Céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade Daquele que me enviou. A vontade Daquele que me enviou é esta: que eu nada perca de tudo o que Ele me tem dado, mas que eu o ressuscite no último dia. Porque esta é a vontade de meu Pai, que todo o que vê o Filho do Homem e nele crê, tenha a vida eterna, e eu o ressuscite no último dia.

"Os judeus, pois, murmuravam dele porque dissera. Eu sou o pão que desci do Céu, e perguntaram: Este não é Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe nós conhecemos? Como, pois, diz agora: desci do Céu? Respondeu-lhes Jesus: Não murmureis entre vós. Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia. Está escrito nos profetas: e serão todos ensinados por Deus; todo aquele que do Pai tem ouvido e aprendido, vem a mim. Não que alguém tenha visto o Pai. Em verdade, em verdade vos digo: quem crê, tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida. Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram. Este é o pão que desce do Céu, para que o homem coma dele e não morra. Eu sou o pão vivo que desci do Céu; se alguém comer deste pão viverá eternamente; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne. Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: Como pode este homem dar-nos a comer sua carne?
Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue não tendes a vida em vós. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue verdadeira bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o meu Pai que vive, me enviou, eu também vivo pelo meu Pai; assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim. Este é o pão que desceu do Céu; não é como o pão de vossos pais, que comeram e morreram; quem come este pão, viverá eternamente. Estas coisas disse ele quando ensinava na sinagoga de Cafarnaum.
Muitos dos seus discípulos, ouvindo isto, disseram: Duro é este discurso, quem o pode ouvir? Mas Jesus, sabendo por si mesmo que seus discípulos, murmuravam das suas palavras, disse-lhes: Isto vos escandaliza? Que seria se vós vísseis o Filho do Homem subir aonde estava antes? O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e vida. " (João, vi, 29-63) A estória de Jonas acha-se contida no Antigo Testamento, no livro deste profeta, constante de quatro pequenos capítulos. Resumamo-la: Depois da morte de Elizeu, os dons proféticos explodiram em Jonas, e foi ele enviado pelo Espírito chefe de Israel a Nínive, onde o povo vivia em grande dissolução, a fim de fazer que aquela gente se arrependesse e mudasse sua norma de proceder.

Nínive, capital do Império da Assíria, vivia, de fato, mergulhada, como se observa hoje em nosso país, na impiedade e na idolatria. Jonas tinha conhecimento de tudo, e desejava mesmo, segundo se depreende do seu livro, ver Nínive arrasada. O profeta não se conformou, primeiramente, com as ordens que recebera do Alto; muito aborrecido da missão de que fora revestido, saiu de sua cidade para Tarshih, comprou passagem e embarcou. Em alto-mar fez-se um grande vento e caiu uma tempestade. Todos atribuíam aquele fenômeno a uma ação superior que tinha por motivo algum dos tripulantes ou passageiros, do barco. Lançaram sortes para ver quem era o causador daquele mal e a sorte indicou Jonas. Este, arrependido de haver contrariado as ordens que recebera, disse que desejava ser lançado ao mar. A ordem foi executada e a tempestade cessou, como por encanto. Três dias depois Jonas era atirado às praias de Nínive.

Não se sabe como, mas o profeta dizia que viera no ventre de um grande peixe; quem sabe algum bote o levou à praia? Jonas rende, então, uma sentida ação de graças pelo seu salvamento, faz uma prece muito tocante, e, novamente, ouve a voz que lhe ordena entrar em Nínive, que da praia ainda distava três dias de viagem. Novamente Jonas quer recusar obediência à Voz que lhe fala, mas a Voz é imperiosa e afinal o profeta cede, percorrendo as ruas e batendo em todas as portas clamando: "Arrependei-vos e fazei penitência porque daqui a 40 dias Nínive será arrasada; cada um deixe os seus maus caminhos; quem sabe se o Senhor não nos perdoará ainda e não nos salvará da morte?" O povo, como era costume daquele tempo, cobriu-se de cinza, cingiu-se de cilícios e retrocedeu do caminho mau em que ia. Até o rei estremeceu, fez penitência e lançou um édito para que o povo deixasse os maus caminhos.

De fato, em vista da nova atitude dos ninivitas, nada aconteceu. Jonas, que havia apregoado o arrasamento da cidade, julgando ter sido vitima de um Espírito mentiroso, ficou muito triste, saiu da cidade e ficou sob uma palhoça que levantou, e clamava pedindo a morte. Nesse ínterim, nasceu uma aboboreira, da noite para o dia, com ramaria já extensa e cheia de folhas, mas um bicho ataca-a e ela morre imediatamente! A situação melancólica de Jonas se agrava porque aquela aboboreira era a sua jóia, digamos mais, o produto de seus dons mediúnicos de materialização, pois uma aboboreira em uma só noite não nasce e lança folhas a ponto de ultrapassar a altura de um homem; Jonas irrita-se, blasfema, e a voz lhe responde: "Farás bem em te apaixonares por causa da aboboreira que não trataste e na qual não trabalhaste, nem a fizeste crescer, e que nasceu numa noite, e numa noite pereceu? " "E eu não havia de ter compaixão de Nínive, na qual se acham mais de cento e vinte mil homens que não sabem discernir entre a sua mão esquerda e a mão direita, e ainda onde há muitos animais?" (Jonas, iv, 9-11)

Feita esta exposição, digam os leitores: Qual é o sinal de Jonas? Haverá alguém que afirme lembrar ou representar ele algum dogma ou sacramento do Romanismo ou do Protestantismo? Não está peremptoriamente esclarecido ser a Pregação da Fé, para mudança de vida, para regeneração, o abandono da idolatria e dos pagodes que embriagam os sentidos e afastam os homens dos seus deveres religiosos? Não representará, também, o sinal de Jonas o mesmo sinal que Jesus deu de Vida Eterna, de Ressurreição, aparecendo depois de sua morte corporal e prosseguindo em sua missão de ensinar, como Jonas, após três dias de naufrágio, apareceu aos ninivitas para levar-lhes a salvação? Estude-se bem esse capítulo e procure-se tirar uma conclusão do que Jesus afirmou: "A esta geração adúltera não se dará outro sinal senão o do profeta Jonas."

Prossigamos na elucidação dos demais versículos que precedem à pregação de Jonas, citados por Lucas. Referindo-se à rainha do Sul, que outra não era senão a Rainha de Sabá, pois foi esta que saiu dos confins da Terra para ouvir a sabedoria de Salomão, Jesus deu a entender que o Espírito dessa mulher voltaria a encarnar-se no mundo por ocasião do julgamento daquela geração que lhe pedia sinais, e, juntamente com os espíritos dos ninivitas, condenaria tal geração. Realizar-se-ia já esta profecia? Quem seria essa mulher? Quais seriam os ninivitas? Mas não entremos nessas indagações, pois que somente nos compete realçar o Espírito do Cristianismo.

O inegável é que os condenados não podem deixar de ser outros, senão os que, pelas suas idéias e normas de proceder, não estão de acordo com os ensinamentos de Jesus, os que substituíram a glória de Deus pela glória dos homens, os que amam mais a criatura do que o Criador, os que puseram outro fundamento na religião, excluindo dela Jesus Cristo. Lendo-se com atenção e analisando-se oração por oração o capítulo VI, de João, versículos 29 a 64, fica-se inteirado do pensamento íntimo do Mestre, cuja idéia mater é a "Ressurreição e a Vida Eterna", princípio, base e fim da sua inigualável Doutrina, sendo os meios de alcançar esse objetivo, a crença em Jesus e a obediência aos seus preceitos.

No versículo 39, lê-se: "A vontade Daquele que me enviou é esta: que eu nada perca de tudo o que Ele me tem dado, mas que eu o ressuscite no último dia. No versículo 40, diz: "Porque esta é a vontade de meu Pai, que todo o que vê o Filho do Homem e nele crê, tenha a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia". No versículo 44, diz: "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou, o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia." No versículo 47, repete: "Em verdade, em verdade vos digo: Quem crê em mim, tem a vida eterna." No versículo 54: "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue, tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia." No versículo 58: "Quem come este pão, viverá eternamente".
A questão da Imortalidade e da Outra Vida é base principal da Doutrina de Jesus. Os seus discípulos haviam de ter absoluta certeza da Imortalidade, porque o Mestre, como aliás aconteceu, não deixaria de dar-lhes todas as provas de que eles necessitassem para que tivessem uma fé científica comprovada pelos fatos, de que a Imortalidade, a Vida Eterna, não era um dogma que ele impunha, mas sim um testemunho de que a sua Doutrina era de Deus, era o Pão que havia de dar às almas o alimento da crença na Vida Eterna, na Imortalidade. Bastava que cressem na sua palavra e o seguissem para observarem todos os fenômenos, todos os fatos que se desdobravam com a sua presença, fatos transcendentais, metapsíquicos, independentes de fatores físicos e que poderiam ter explicação com a aceitação da "Teoria da Vida Eterna", da "Teoria da Imortalidade", lógica e claramente proclamada por Ele em todos os seus discursos, em todas as suas manifestações espirituais, e cimentada ainda com uma vida de abnegação e sacrifícios, para que a sua Palavra de Vida Eterna não perecesse sob os dogmas farisaicos que ensombravam a religião.

As suas aparições depois da morte, constatadas por todos os Evangelistas, são letras vivas, solenes reproduções desses versículos 39, 40, 44, 47, 54, 58, que transcrevemos e não podem ter outra interpretação além da que expomos com a maior clareza e concisão. Essas figuras de que Jesus usou, como por exemplo: "quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a Vida Eterna; porque a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue verdadeira bebida" não podem ser tomadas à letra. E isto o próprio Jesus disse a seus discípulos que acharam duro o discurso e impossível de compreender. "Isto vos escandaliza? Que seria se vós vísseis o Filho do Homem subir aonde estava antes? O Espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita. As palavras que eu vos tenho dito são Espírito e vida. (João vi, 62-63)

Quem não vê nessas palavras do Filho de Deus a Doutrina pela qual Ele derramou seu próprio sangue? Quem não vê que essa carne e esse sangue não são mais do que símbolos do Verbo de Deus, que se fez carne e habitou entre nós! Quem não vê que o Corpo, representado por carne e sangue, de que Jesus falou, constitui o Corpo, o conjunto da sua Doutrina, dos seus ensinos, finalmente - o Cristianismo! Então o Critianismo não é o Corpo do Cristo? O Cristo não é o Espírito do Cristianismo? E o Verbo não é a Palavra de Deus que o Espírito de Cristo assimilou e, para que fosse compreendida na Terra, constituiu um Corpo de Doutrina, verdadeira, imaculada, inatacável pela sua pureza e pela verdade que encerra? Responda quem for capaz, mas responda com fatos, com critério, com lógica, com a razão, com o bom senso.

O que quer dizer aquela expressão do Mestre: "O espírito é que vivifica; as palavras que eu vos tenho dito são Espírito e Vida"? É consentâneo com a razão fazer dessas palavras de Jesus preceitos dogmáticos e fórmulas sacramentais, desvirtuando o pensamento do Senhor e materializando, ao mesmo tempo, "o que é Espírito", a ponto de transformá-lo numa obreia de trigo, como fazem os padres romanos, ou num pedaço de pão como fazem os pastores protestantes? E que regras gramaticais usam esses exegetas para assim analisar o Evangelho, submetendo-o a injunções arbitrárias, estreitando-o à sua teologia infantil!

Uma coisa é ver o Evangelho na sua pureza "pagã", outra é observá-lo com as "águas lustrais dos batismos sacerdotais"! O Evangelho não precisa ser "sacramentado" para viver no coração da Humanidade; por si só ele se impõe, independente de influências científicas e doutorais. Se os "filólogos" quisessem prestar-lhe um serviço, ele aceitaria antes o obséquio de serem obedecidos os seus ditames de Imortalidade e Vida Eterna, os seus parágrafos de caridade, humildade, benevolência, tolerância e amor ao próximo, porque fora desses preceitos não há salvação. Outra expressão digna de nota, nas referidas sentenças de Jesus, é a que o Mestre repete com singular insistência "Eu o ressuscitarei no último dia."
Essa promessa feita em todos esses versículos, a todos os que Nele crerem, deve ter uma significação formal de realização categórica.
O estudante do Evangelho não pode pôr à margem essas palavras, que representam a realização de um fato que tem como começo a necessidade da crença nas palavras de quem as pronunciou. O último dia da vida terrena é o dia da morte, logo, a ressurreição no último dia não pode deixar de significar o reaparecimento daquele que morreu e sua consequente posse da Vida Eterna. O texto da Vulgata diz claramente Ego resuscitabo e um "in novíssimo die", do verbo resuscitare, que quer dizer: fazer voltar à vida, tornar a aparecer, restabelecer, fazer reviver.

Não foi outro o sentido que os Evangelistas deram a essas palavras. A expressão ressurreição está intimamente ligada às aparições de Jesus, como se depara muito bem no capítulo XX de João, versículo 9: "porque não compreendiam a Escritura, que era necessário ressuscitar Ele dentre os mortos." A palavra ressurreição não tem mesmo outra significação evangélica, que voltar à vida, tornar a aparecer, restabelecer-se, reviver. Indo as santas mulheres ao sepulcro, diz Lucas, XXIV, 5, ficaram perplexas por não terem encontrado o corpo de Jesus e por aparecerem dois varões com vestes resplandecentes, que lhes disseram: "Por que buscais entre os mortos ao que vive? Ele não está aqui, mas RESSUSCITOU - sed surrexit".

Em Marcos, capítulo XVI, 8-11, diz-se: "Surgens autem mane, prima sabbati, aparuit primo Mariae Magdalenae, de qua ejecerat septem daemonia. "- "Havendo Ele ressuscitado de manhã cedo, no primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria Madalena, da qual havia expelido sete demônios." E acrescenta: "Ela foi noticiá-lo aos que haviam andado com Ele, os quais estavam em lamento e choro; estes, ouvindo dizer que Jesus estava vivo e que tinha sido visto por ela, não acreditaram." O trecho de Mateus não é menos categórico e claro. É assim que diz o Evangelista no capítulo XXVIII, 5: "O anjo disse às mulheres: Não temais vós, porque sei que procurais a Jesus, que foi crucificado; Ele não está aqui; porque ressuscitou, como disse; vinde e vede o lugar onde jazia. Ide depressa dizer aos seus discípulos que Ele ressuscitou dos mortos e vai adiante de vós para a Galiléia, e lá o vereis."

- "Et cito euntes, dicite discipulis, ejus quia surrexit et ecce proecedit vos in Galilaeam, ibi eum videbitis, ecce praedixi vobis." Paulo na I Epístola aos Coríntios, capítulo XV, é bem explícito sobre a ressurreição de Cristo e a ressurreição dos mortos, e diz claramente, para quem tiver olhos de ver, que o Evangelho por ele anunciado, Evangelho da salvação que ele recebeu e anunciou, é justamente este: "Que Cristo morreu por nossos pecados segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e que foi ressuscitado ao terceiro dia, segundo as Escrituras, e que apareceu a Cefas e então aos doze; depois apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, depois apareceu a Tiago, então a todos os apóstolos; e por último de todos, apareceu a mim também como a um abortivo."

Depois diz ele: "Se se prega que Cristo é ressuscitado dentre os mortos, como dizem alguns dentre vós que não há ressurreição de mortos? Se não há ressurreição de mortos, nem Cristo é ressuscitado, é logo vã a nossa pregação e também a nossa fé." Tão importante julga Paulo a ressurreição dos mortos, a aparição dos mortos, que chega a dizer que não se crendo nela, é vã a pregação e a fé; não tem efeito, não tem valor nenhum a fé, nem a pregação. E em todo o resto desse capítulo o Apóstolo não faz outra coisa senão demonstrar a veracidade da ressurreição, ou seja da aparição dos mortos, explicando até com que CORPOS eles aparecem, ressuscitam e vivem.
Diz que o homem não traz só a imagem do corpo terreno, mas também a imagem do corpo celestial (versículos 48-49); e é com este que aparece, que ressuscita, que revive. Conclui-se, de tudo isso, que o sinal de Jonas é a pregação do Evangelho no espírito que vivifica, e não na letra que mata. Conclui-se mais, que a Ressurreição, a Aparição, ou antes, as Aparições de Jesus, também são sinal de Jonas. Pois, assim como Jonas apareceu em Nínive depois do naufrágio, Jesus também apareceu aos discípulos e a muita gente, depois da morte. Conclui-se ainda mais que crer em Jesus não é só proferir a palavra - creio. É acompanhá-lo, segui-lo no seu Evangelho, estudar e meditar os seus ensinos.

Paulo seguia a Jesus em espírito, pois no seu tempo Jesus já se havia passado para a Vida Eterna. Entretanto não há quem conteste que a Doutrina de Paulo é a inspiração de Jesus, que não abandonava a Paulo, porque Paulo o seguia. E tão firme estava o Apóstolo da luz na sua fé de que Jesus o assistia, que afirmava peremptoriamente: "Já não sou mais eu quem vive, mas Jesus que vive em mim e faz todas as obras." Conclui-se, finalmente, que o Espiritismo é o Espírito do Cristianismo, Espírito esse encarregado por Jesus para vivificar a sua Doutrina, dar-lhe ampla expansão, explicá-la e até trazer-lhe o complemento indispensável, de acordo com o progresso dos povos, segundo disse o próprio Jesus:

"Se me amardes, guardareis os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Paracleto (Consolador, Advogado, Defensor), a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito de Verdade, que o mundo não pode receber porque não o vê nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós " (João, xiv, 15-17). Notem bem a expressão "habita convosco e estará em vós"- quiad apud vos manebit, et in vobs erit.
O Espiritismo não é, como pensam alguns, uma coleção de livros que ornamentam as bibliotecas e circulam pelo mundo. Muito mais do que isso, é o IDEAL grandioso que paira sobre nós como um corpo flutuante dos Sagrados Ensinos, sustentados pelos mais poderosos sábios e santos Espíritos de Deus. Fica, pois, prevalecendo o Sinal de Jonas, como o único milagre capaz de converter a Humanidade e estabelecer no mundo a Paz e a Fraternidade.
Cairbar Schutel
Livro: O Espírito do Cristianismo

O Sinal de Jonas (segundo Mateus)

O Sinal de Jonas (segundo Mateus)



O Sinal de Jonas

  12,38  Então, alguns escribas e fariseus tomaram a palavra: - Mestre, quiséramos  ver-Te  fazer  um  milagre.
12,39 Respondeu-lhe Jesus: “ -Esta geração adúltera e perversa pede um sinal; mas não será dado outro sinal do que aquele do profeta Jonas.
12,40  Do mesmo modo que Jonas esteve três dias e três noites no ventre do peixe, assim o filho ficará três dias e três noites no seio da terra.
12,41  No dia do juízo, os ninivitas se levantarão com esta geração, e a condenarão, porque eles se converteram pela  pregação de Jonas. E há, aqui, mais do que Jonas.
12,42 No dia do juízo, a rainha do sul se levantará com esta raça e a condenará, porque veio das extremidades da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E há, aqui, mais do que Salomão.
12,43 Quando o espírito impuro sai de um homem, vagueia por lugares áridos à procura  de  um  repouso  que  não  encontra.
12,44 Diz ele então: Voltarei para a casa de onde saí. e, voltando, encontra-a vazia, limpa e enfeitada.  
12,45 Vai, então, buscar sete outros espíritos piores que ele e entram nessa casa e se estabelecem aí; e o último estado daquele homem torna-se pior que o primeiro. Assim acontecerá com esta geração criminosa.

            Para  Mt  (12,38-45) -O Sinal de Jonas, lemos, em “Elucidações Evangélicas”, de Antônio Luiz Sayão:

            “Jonas constituíra para os Ninivitas um prodígio, um milagre, porque acreditaram, sem sombra de dúvida, que ele fora engolido por um peixe, em cujas entranhas permanecera três dias, submerso no fundo do mar.

            Do mesmo modo Jesus, que, até para os discípulos, era um homem igual aos outros, pela sua ressurreição e ascensão viria a constituir, para a geração de sua época, um prodígio, um milagre, visto que, para essa geração, tais fatos não podiam ser mais compreensíveis nem menos miraculosos, do que, para os Ninivitas, o reaparecimento de Jonas, após três dias de permanência no ventre de um peixe.

            Dar-se-á, porém, que aqueles fatos, que ontem não podiam ser explicados, nem compreendidos, que tiveram, portanto, de ser impostos como milagrosos, devam hoje ser aceitos, com o mesmo caráter, para glória de Deus, quando a Nova Revelação, que veio para substituir a fé cega pela fé raciocinada, no-los explica plena e satisfatoriamente?

            Certo que não.

            Com efeito, na ressurreição e na ascensão do Cristo, nós espíritas podemos e devemos crer, sem de nenhum modo aceitarmos, no que quer que seja, o milagre, desde que aquela Revelação nos mostra e prova, com os textos evangélicos, compreendidos em seu espírito, que Jesus só aparentemente era homem, que Ele desempenhou a sua missão como Espírito, Espírito livre, de pureza perfeita e imaculada, portanto, isento da lei da encarnação, apenas revestido de um corpo fluídico, de um perispírito tornado visível e tangível, com o qual possível e fácil lhe foi sair do sepulcro, conservando-se este fechado e selado.

            Igualmente, com relação a Jonas, ela nos faz saber que ele apenas esteve durante três dias preso a ferros a bordo de um navio, em que viajava, donde um marinheiro devotado, condoído da sua sorte, o transportara às escondidas num bote até a praia, aí deixando-o.

            A tendência que tem o homem para dar a tudo o cunho do maravilhoso e a atração que este sobre ele exerce criaram a lenda de Jonas engolido e vomitado por um peixe. Semelhante maravilha logo se impôs à imaginação humana como um “milagre” e como “milagre” foi tido e crido.

            Os Ninivitas que, aproveitando da pregação de Jonas, entraram e permaneceram nas vias do Senhor e a rainha do Meio-dia que reconheceu a grandeza de Deus e a sabedoria daquele a quem Deus fizera rei, para reinar com equidade e distribuir justiça, eram a condenação dos Judeus, que resistiam a todos os esforços de Jesus para os reconduzir ao bom caminho. Foi o que o divino Mestre acentuou, dizendo: “E há, aqui, mais do que Jonas; e há, aqui, mais do que Salomão.”

            Jonas e Salomão eram espíritos em missão, porém de ordem inferior. Citando-os, de modo algum pensou Jesus em se lhes equiparar, sendo, como era, o Cristo de Deus e, como representante do Pai, o Mestre, o Rei do nosso planeta e da humanidade terrena. Ao contrário, o que fez, lembrando os exemplos de Jonas e Salomão, foi chamar a atenção dos homens para a superioridade da sua missão, superioridade que a Nova Revelação patenteia aos nossos olhos, e chamar-lhes também a atenção para a culpabilidade dos que se rebelavam contra seus ensinos.

            Daí o dizer: “Assim como Jonas foi o sinal para os de Nínive, assim também o filho será um prodígio para esta nação.”

            Para  Mt (12,43-45) -Dever de resistir aos maus instintos - seguimos com o mesmo autor e obra:

            “Jesus, por essa forma, advertia os homens de que estivessem precavidos sempre contra as más paixões e tendências que, repelidas, a princípio, facilmente podem voltar depois mais intensas e tenazes, como acontece com as enfermidades, relativamente às quais se verifica que as recaídas são sempre mais perigosas.

            Os espíritos imundos que influenciam para o mal o homem são atraídos pelos seus maus sentimentos. Ora se o homem limpar sua alma de todas as impurezas e a adornar das virtudes opostas a tais sentimentos ocupá-la-á o seu anjo de guarda, tornando impossível àqueles espíritos fazerem morada, como antes.

            Ornemos, pois, de virtudes as nossas almas, a fim de que o Senhor as possa considerar habitações dignas dos seus mensageiros, os espíritos bons, de cuja inspiração e assistência gozaremos, então, eternamente.”  

O SINAL DE JONAS


O SINAL DE JONAS

"Maligna é esta geração; ela pede um sinal, e não lhe será dado
outro sinal senão o sinal do profeta Jonas." - (Lucas, 11:29)

Niníve, capital da antiga Assíria, situada à margem do rio Tigre, era, na Antiguidade, uma cidade muito importante, com uma população superior a 120 mil habitantes. Como ocorria com apreciável parte das grandes cidades do passado, ela vivia mergulhada na corrupção, e entre os habitantes reinavam costumes dissolutos e numerosos desregramentos.

O profeta Jonas, devidamente instruído, via mediúnica, dirigiu-se àquela cidade e ali fez com que seus habitantes se compenetrassem do erro em que estava incorrendo. Durante 40 dias, o profeta fez as suas pregações; então, suas palavras foram acolhidas e, desde o próprio rei até o mais humilde servidor, todos se decidiram a levar a sério aquelas admoestações; assim, como forma de penitência, conforme o costume da época, todos cobriram-se com sacos e se assentaram sobre a cinza.

Com essa demonstração de arrependimento, a cidade foi poupada pela Justiça Divina, evitando-se a destruição que se avizinhava. Quando Jesus desempenhava o seu Messiado, foi procurado por um grupo de escribas, fariseus e saduceus, e dentre eles alguns estrangeiros, que lhe pediram um sinal dos Céus, para que vissem e acreditassem.

A resposta do Mestre foi peremptória: "Maligna é esta geração; ela pede um sinal, e não lhe será dado outro sinal senão o sinal de Jonas." Jesus Cristo proferiu estas palavras angustiado pela incompreensão e dureza dos corações humanos. Ele havia descido à Terra, para o cumprimento da promessa sobre o advento do Messias Redentor.

No desenvolvimento de sua transcendental missão, Ele havia propiciado os mais autênticos sinais: a leprosos, restaurando a vista de cegos, levantando paralíticos e, sobretudo, trazendo uma verdade nova que vinha iluminar a mente dos homens e os horizontes sombrios do mundo. Não obstante todas essas manifestações, ali estava o segmento de um povo que se considerava "eleito de Deus", que se mantinha profundamente empedernido, "duro de cerviz e incircunciso de coração.

Aquele grupo de pessoas foi pedir-lhe um sinal dos Céus, entretanto, os sinais estavam sendo dados diuturnamente; por isso, a sua resposta foi negativa. O sinal de Jonas deveria ser o suficiente para abalar as consciências endurecidas daqueles homens. Diante da personalidade de Jesus Cristo, Jonas não passava de um profeta de projeção relativamente pequena. No entanto, dirigindo-se à população de Nínive, apregoou que a cidade seria destruída por Deus se o seu povo não mudasse de comportamento. Todos receberam as palavras do profeta e, receosos da provável destruição, mudaram radicalmente o modo de vida.

Jesus Cristo, o maior Espírito dentre os que desceram fez persistente e profusa pregação entre os homens, mostrando-lhes como seus corações estavam endurecidos; desmascarou a hipocrisia dos escribas e dos fariseus, demonstrando a precariedade dos seus ensinos e a recalcitrância em obedecer às verdades que emanavam dos Céus, através dos profetas. Não obstante, suas palavras não foram aceitas por muitos e Ele foi condenado e crucificado. Em virtude dessa obstinação e da maldade reinante nos corações desses homens, "a Jerusalém que matava os seus profetas, que apedrejava todos aqueles que lhe eram enviados, foi destruída, dela não restando pedra sobre pedra". (Lucas, 13:34-35).

Quando o Mestre asseverou que nenhum sinal seria dado àquela geração adúltera, infiel, mas apenas o sinal do profeta Jonas, Ele pretendeu dizer que, se o povo fosse mais dócil, mais humilde, mais razoável, teria recebido as suas palavras, assim como o fez o povo de Nínive.

Na realidade, o sinal de Jonas era do conhecimento de todos, pois os escribas liam para o povo o livro do profeta Jonas, e, obviamente, a atitude do povo da capital da Assíria, acatando as suas admoestação e arrependendo-se de suas faltas, era notória para todos. Amargurado diante da incompreensão do seu povo, proclamou Jesus Cristo: "A rainha do sul se levantará no dia do juízo contra os homens desta geração, e os condenará, pois dos confins da Terra ela veio para ouvir a sabedoria de Salomão; eis aqui está quem é maior do que Salomão.

Os homens de Nínive se levantarão no dia do juízo contra esta geração e a condenarão, pois se converteram com a pregação de Jonas; e aqui está quem é maior do que Jonas." (Lucas, 11:31-32)

O apego dos escribas e fariseus aos preceitos das leis antigas era apenas aparente. Eles não aceitavam o sinal de Jonas e muito menos o de Jesus. Não se preocupavam com os sinais dados pelos antigos profetas, o que levou o Mestre a exclamar muito judiciosamente: "Não cuidadeis que sou eu que vos hei de acusar diante de meu Pai. Há um que vos acusa: Moisés, em que vós esperais.

Porque, se vós crêsseis em Moisés, certamente creríeis também em mim, pois de mim escreveu ele. Mas, se não credes nos seus escritos, como crereis nas minhas palavras?" (João, 5:45 a 47). A pregação de Jesus Cristo foi feita num clima de brandura, de persuasão. Dizia Ele: "já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe a vontade do seu senhor. Mas tenho vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer." (João, 15:15) Não obstante tudo isso, Ele não era aceito, nem na aparência, nem na realidade, pelos mentores do povo de Israel.

A corroboração desta assertiva encontramo-la em (João, 12:37-38): "E ainda que Ele tendo feito tantos milagres diante deles, não criam nele, para que se cumprisse a palavra do profeta Isaías, quando disse: "Senhor, quem acreditou em vossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor?"

Da mesma forma como os Espíritos dos homens são submetidos a penosos resgates individuais, quando malbaratam o legado precioso que Deus lhes concedeu, as cidades também experimentam quedas e dores, quando não dão guarida aos ensinos que, de um modo ou de outro, são proporcionados à sua população pelos mensageiros dos Céus.

As cidades de Sodoma e Gomorra foram destruídas em consequência de seus inúmeros desregramentos; no entanto, segundo a própria expressão de Jesus Cristo, menos rigor haverá para elas, no julgamento divino, do que para Corozaim, Betsaída, Cafarnaum e Jerusalém, onde autênticos sinais foram produzidos pela interferência do Mestre, sem que houvesse acontecido o devido aproveitamento.

Paulo A. de Godoy

O sinal do profeta Jonas

https://divulgandoadoutrinaespirita.wordpress.com/2016/01/03/o-sinal-do-profeta-jonas/

Nínive, capital da antiga Assíria, situada à margem rio Tigre, era uma cidade muito importante, na qual vivia mais de 120 mil habitantes.

No livro do Profeta Jonas é descrita como uma cidade excessivamente grande. Era uma junção importante para as rotas comerciais que cruzavam o rio Tigre. Ocupando uma posição central na grande estrada entre o Mar Mediterrâneo e o Oceano Índico, assim unindo o oriente e o ocidente, recebia a riqueza que fluía de várias fontes, tornando-se logo uma das maiores cidades da região àquela época.

Társis foi uma cidade cuja localização não é bem determinada. É provável que se situasse numa região do sul da Espanha e que se tratasse de um porto fenício avançado.

O Livro de Jonas é um pequeno livro do Antigo Testamento, onde o profeta narra sua própria história. É um livro simbólico, mas de grande profundidade pelos ensinamentos que traz.

Neste livro, Jonas recebe do Pai a missão de tomar um navio e ir a Nínive converter todo o seu povo que se encontrava perdido, cheio de injustiças e totalmente descrente. Se esquivando da incumbência, Jonas toma um caminho contrário e opta por ir a Társis.

Durante a viagem de navio a Társis, ocorre grande tempestade no mar enquanto o profeta escolhe ir dormir no porão da embarcação. Em meio à fúria das águas, o capitão pede que todos orem a seus deuses e vai ao encontro de Jonas sacudindo-o e se indignando, com sua atitude omissa. Ordena que o profeta se levante e responda a vários questionamentos como: quem é?  qual sua profissão?  qual a sua gente?  Ao que Jonas responde ser judeu (de passagem, peregrino), e estar fugindo da presença do Senhor. Todos entendem que Jonas deve ser lançado ao mar para aplacar a ira divina, assim sendo feito. O mesmo é engolido por um peixe bem grande, ficando em seu ventre por três dias e três noites, quando na solidão, dirige a Deus belíssima oração de fé, esperança e louvor, sendo depois vomitado pelo peixe em terra firme, próximo a Nínive, onde consegue cumprir sua missão.

O nome Jonas vem de Iona, que significa pomba das asas aparadas, e representa toda a humanidade coberta de seres que sabem voar, mas ficam a ciscar no chão.  É o arquétipo do que renasce com uma missão e escolhe errado.  Nem sempre a tarefa do Senhor é um passeio e um deleite em festas e ações que não exigem esforço.  O navio é nossa travessia e só os ratos ficam em seu porão. Jonas era uma consciência adormecida nos porões do navio, até que o capitão (cabeça; consciência) o acorda.

No momento da tomada de consciência perguntamos quem somos nós?  a que viemos?  e entramos em crise existencial. Todos somos peregrinos e estamos de passagem nesta Terra, mas a sacudida da consciência nos lança às consequências da falta de nosso comprometimento e a mergulhar na barriga de um grande peixe, num mar profundo (nosso mergulho dentro de nós mesmos), onde na solidão e na escuridão nos conectamos ao Criador, oramos e pedimos misericórdia.  Neste momento perdemos os mapas de nossas vidas, mas não a bússola, que é a centelha de Deus em todos nós.

A alegoria de Jonas é um convite especial para este momento planetário e, sendo os discípulos mais jovens de Jesus, não devemos fugir de nossas missões e deixarmos lacunas no Universo.

É assim que Jesus, quando procurado por um grupo de fariseus, que lhe pediram um sinal dos céus, para que vissem e acreditassem, enfaticamente responde: “Maligna é esta geração; ela pede um sinal e não lhe será dado outro sinal senão o de Jonas”. E, peremptoriamente, diz: “Nenhum sinal será dado a esta geração maligna e infiel”.

O Mestre assim os responde em face da incompreensão e da dureza dos corações humanos, que simplesmente ignoravam todos os sinais que Ele já houvera dado. Afinal, curara Ele os leprosos, restaurara a visão dos cegos, levantara os paralíticos e anunciara a boa nova.

Quando asseverou que nenhum sinal seria dado àquela geração adúltera senão o sinal de Jonas, Ele queria dizer que, se o povo fosse mais dócil, mais humilde, mais razoável, teria recebido e acatado as suas advertências, assim como fizera o povo de Nínive.

O fato é que os fariseus não aceitavam os sinais de Jonas e tampouco os de Jesus, conforme se depreende no Evangelho de João: “E, ainda que tinha feito tantos sinais diante deles, não criam nele; Para que se cumprisse a palavra do profeta Isaías, que diz: Senhor, quem creu na nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor?”.

O pedido dos fariseus para que Jesus lhes desse um sinal miraculoso dos céus, desprezando todos os demais que Ele já os havia dado, representa o desejo de permanecermos em nossa zona de conforto, adiando, sempre que possível e com argumentos inconsistentes, o mergulho em nós mesmos para processarmos a reforma íntima necessária e fazer prevalecer as verdades espirituais sobre a matéria.

Jesus, nos leva a melhor compreender a misericórdia divina. O Pai está sempre à espera de nossa tomada de consciência, quando decidimos trocar nossos equívocos por acertos, optando pela porta estreita ao abraçarmos com coragem e persistência nossas missões e arcarmos com as consequências de nossos erros.

Acreditemos, pois, nos sinais e ensinamentos transmitidos por Jesus, o Divino Mestre e Amigo.

O sinal do profeta Jonas, por José Márcio de Almeida. Publicado no n.º 54 (pág. 10) do Jornal Sal da Terra.

sábado, 4 de março de 2017

HUMILDADE - Emmanuel

HUMILDADE

A humildade, por força divina, reflete-se, luminosa, em todos os domínios da Natureza, os quais expressam, efetivamente, o Trono de Deus, patrocinando o progresso e a renovação.

Magnificente, o Sol, cada dia, oscula a face do pântano sem clamar contra o insulto da lama; a flor, sem alarde, incensa a glória do céu. Filtrada na aspereza da rocha, a água se revela mais pura, e, em seguida às grandes calamidades, a colcha de erva cobre o campo, a fim de que o homem recomece a lida.

A carência de humildade, que, no fundo, é reconhecimento de nossa pequenez diante do Universo, surge na alma humana qual doentio enquistamento de sentimentos, quais sejam o orgulho e a cobiça, o egoísmo e a vaidade, que se responsabilizam pela discórdia e pela delinqüência em todas as direções.

Sem o reflexo da humildade, atributo de Deus no reino do “eu”, a criatura sente-se proprietária exclusiva dos bens que a cercam, despreocupada da sua condição real de espírito em trânsito nos carreiros evolutivos e, apropriando-se da existência em sentido particularista, converte a própria alma em cidadela de ilusão, dentro da qual se recusa ao contato com as realidades fundamentais da vida.

Sob o fascínio de semelhante negação, ergue azorragues de revolta contra todos os que lhe inclinem o espírito ao aproveitamento das horas, já que, sem o clima da humildade, não se desvencilha da trama de sombras a que ainda se vincula, no plano da animalidade que todos deixamos para trás, após a auréola da razão.

Possuída pelo espírito da posse exclusivista, a alma acolhe facilmente o desespero e o ciúme, o despeito e a intemperança, que geram a tensão psíquica, da qual se derivam perigosas síndromes na vida orgânica, a se exprimirem na depressão nervosa e no desequilíbrio emotivo, na ulceração e na disfunção celular, para não nos referirmos aos deploráveis sucessos da experiência cotidiana, em que a ausência da humildade comanda o incentivo à loucura, nos mais dolorosos conflitos passionais.

Quem retrata em si os louros dessa virtude quase desconhecida aceita sem constrangimento a obrigação de trabalhar e servir, a benefício de todos, assimilando, deste modo, a bênção do equilíbrio e substancializando a manifestação das Leis Divinas, que jamais alardeiam as próprias dádivas.

Humildade não é servidão. É, sobretudo, independência, liberdade interior que nasce das profundezas do espírito, apoiando-lhe a permanente renovação para o bem.

Cultivá-la é avançar para a frente sem prender-se, é projetar o melhor de si mesmo sobre os caminhos do mundo, é olvidar todo o mal e recomeçar alegremente a tarefa do amor, cada dia...

Refletindo-a, do Céu para a Terra, em penhor de redenção e beleza, o Cristo de Deus nasceu na palha da Manjedoura e despediu-se dos homens
pelos braços da Cruz.

EMMANUEL
(Pensamento e Vida, 24, FCXavier)

* * *

Paz interior e Acomodação

Há um limite muito tênue entre paz interior e acomodação.
Paz a gente conquista e não tem controle, nem antes e nem depois de seu surgimento.
Acomodação é um lugar íntimo que, ilusoriamente, nos assegura uma tranquilidade e que temos como usar todas as energias para controlar.
Paz é resultado.
Acomodação é um estado de gerenciamento dos nossos medos diante da evidência de que necessitamos transpor os limites.
Paz acontece e indica que estamos no caminho.
Acomodação tem tempo de validade e nos submete a tormentas interiores quando negamos avançar para novos aprendizados.
É muito fácil durante um tempo confundir paz com acomodação, mas ai vem a vida e tira de você todo o controle.
A vida espera que avancemos... Nossa escolha podemos fazer... A colheita é inevitável.
Não será exagero dizer que grande parte das dores humanas se encontra em nossa teimosia em optar pelo "falso acolhimento" proporcionado pela tentador leito da acomodação.
Quanta gente pulando igual pipoca na panela e os outros as criticando porque romperam com os modelos de viver. Muitas vezes (nem sempre é bom frisar) esses inquietos na panela da vida só estão tendo a coragem de sair da preguiçosa zona de conforto.
Uma dica? O amor verdadeiro passa por esse caminho dos inquietos e traz junto a paz merecida.

Wanderley Oliveira - Facebook

sexta-feira, 3 de março de 2017

Jesus Psicoterapeuta

Autor: Luiz Antonio de Paiva.
Psiquiatra e Vice-Presidente da Associação Médica Espírita de Goiás
Jesus conhece nossa identidade espiritual
Abstraindo-nos de qualquer sentimento religioso ou reverencial à figura histórica de Jesus, constatamos que a mensagem que nos legou possui inequívoca aplicabilidade ao homem de todas as épocas. Ela é atemporal. Jesus foi o Mestre por excelência, não só por dominar todo o conhecimento teológico e escritural judaico de sua época, mas por evidenciar em sua doutrina o Evangelho, a Boa Nova, conhecimentos que transcendem a Filosofia, a Psicologia, a Pedagogia, a Sociologia etc. de nossos tempos. Ele responde às mais pungentes indagações filosóficas, ao mesmo tempo em que desvela a natureza humana e a maneira desta ser transformada para a construção de uma sociedade feliz, composta por indivíduos felizes, realizados. “O Reino de Deus está dentro de vós.”
Revelava assim a nossa natureza crística que nos cabe conhecer ou reconhecer, num encontro profundo conosco mesmo. É a descoberta da nossa verdadeira identidade espiritual, de seres eternos em busca da perfectibilidade. Jung, notável psiquiatra suíço, criador da “Psicologia Profunda”, identificava, já há algumas décadas, o principal arquétipo do homem, a que ele chamou de Self, a instância perfeita de nossa individualidade, que irradiando a sua energia pura, conduz o aperfeiçoamento da personalidade humana em sua marcha evolutiva.
Jesus representa, de alguma forma, o psicoterapeuta do gênero humano, de todos os homens. Sua mensagem vem, sobretudo, salvar-nos de nós mesmos, que insistimos em prestigiar o nosso lado sombrio (a sombra – outro arquétipo junguiano) pela adesão a falsos valores, ao egoísmo e ao orgulho, manifestações diretas do culto ao ego. Por que a infelicidade se multiplica por toda a parte, hoje e desde o princípio da história, senão pela atitude do homem que elege o ter em detrimento do ser, optando pelo efêmero e as aparências, esquecendo o que é eterno e essencial?
Por que o brasileiro, antes considerado um povo cordial, hoje possui uma das sociedades mais violentas do mundo? A resposta está na nossa adesão ao consumismo voraz, insaciável e a um individualismo insensível. Onde estão os valores de solidariedade e afetividade dos nossos avós? Onde a amizade, a simplicidade, o respeito, a tolerância que nos caracterizavam como povo? O Brasil foi engolfado pelo pior da globalização, cuja teoria econômica repousa no capitalismo selvagem e no individualismo socialmente irresponsável, que nos faz regredir aos primitivos tempos da nossa organização social. A sua inconsistência, em todos os aspectos, fica patente por esta crise econômica mundial em que estamos submersos, se já não o fosse pela fome que acomete mais da metade do Planeta.
León Denis, iluminado filósofo espírita, antecipando-se aos tempos que vivemos, já dizia em seu livro O Problema do Ser do Destino e da Dor: “A filosofia da escola, depois de tantos séculos de estudo e de labor, é ainda uma doutrina sem luz, sem calor, sem vida. (...) Daí o desânimo precoce e o pessimismo dissolvente, moléstias das sociedades decadentes, ameaças terríveis para o futuro, a que se junta o ceticismo amargo e zombeteiro de tantos moços da nossa época; em nada mais crêem do que na riqueza, nada mais honram que o êxito.”
Jesus veio nos salvar desta opção pela infelicidade, mostrando-nos a nossa filiação divina e nossa destinação gloriosa. Ele mesmo foi o protótipo do homem realizado, conectado com o seu Self, iluminado pelo Deus interior, fagulha divina que somos todos nós. Dele falam os Evangelhos: sabia ensinar e falar “com poder e com toda autoridade”. “Ficavam todos convencidos daquilo que ele dizia” (Mc 1,22) “porque dele saia uma força que curava todos os males” (Lc 6,19). Sua terapia era a sua doutrina de amor e seu instrumento terapêutico a sua própria personalidade.
Jesus obviamente não foi um psicoterapeuta como modernamente entendemos, no sentido de tratar traumas e neuroses e transtornos de personalidade, mesmo porque não dispunha na época destes recursos conceituais. Ele o foi no sentido lato, mas profundo, pois conhecia plenamente os processos psíquicos construtivos e destrutivos da vida. Ele detinha as qualidades precípuas do terapeuta, pois quem mais senão ele atingiu a integração da personalidade, a identidade e a individuação? Jung frisa que o próprio terapeuta é o próprio método ou a própria terapia. Nenhum terapeuta pode ultrapassar a si próprio na terapia.
No Livro dos Espíritos, obra básica de Allan Kardec, este assim faz a pergunta nº 625 aos espíritos:  “Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem para lhe servir de guia e modelo?”                                                                                                                                                                 Resposta: “Jesus.”
Simples assim. Assim é que Jesus vem a ser o paradigma, o terapeuta imortal que através dos séculos temos buscado na nossa ânsia de libertação, de felicidade. Mas como tem sido mal interpretado! As interpretações dogmáticas de sua doutrina têm-se constituído em verdadeira camisa de força a desnaturá-la e limitá-la.
Em outra pergunta, a 621, indaga-se: “Onde está escrita a lei de Deus?” Resposta: “Na consciência.” Jesus vem a ser, portanto, o nosso guia para adentrarmos os caminhos do nosso interior psicológico, no processo de integração de nossa personalidade, descoberta de nossa autêntica identidade e conseqüente individuação, ou crescimento, ou evolução psicoespiritual. Isso só acontece pela vivência da lei de Deus, insculpida que está na intimidade de nossa própria consciência. E a lei de Deus, já nos ensinava o Mestre incomparável, é a vivência do amor em suas manifestações mais puras de solidariedade, cooperação, tolerância e fraternidade para com o próximo.
FONTE: OSGEFIC – Fraternidade Irmã Celina.

JESUS: TERAPEUTA DOS ENFERMOS DA ALMA

JESUS: TERAPEUTA DOS ENFERMOS DA ALMA - JESUS​​: THERAPIST OF THE SICK SOUL


JESUS: TERAPEUTA DOS ENFERMOS DA ALMA

Em 1978, uma psicóloga chamada Hanna Wolff (1910-2001), nascida na cidade de Essen, Alemanha, e que estudou Ciências Jurídicas e Sociais em Munique, Heidelberg e Berlim, Teologia em Tubingen, Psicologia Profunda em Zurique, na Suíça, tendo vivido mais de 20 anos na Índia, publicou um livro intitulado Jesus Psicoterapeuta. Antes, ela havia publicado, em 1955, o livro Jesus Universal – A imagem de Jesus no contexto da cultura hindu e, em 1975, a obra Jesus na Perspectiva da Psicologia Profunda. Neste último, destaca ser Jesus um Homem Inconfundível.
No livro Jesus Psicoterapeuta, ela declara que durante o atendimento de seus clientes no consultório citava, involuntariamente, textos evangélicos, os quais eles registravam e refletiam sobre o seu conteúdo, sobre sua proposta ética transformadora e então... melhoravam. Ao ouvir dos pacientes que eles “haviam se apegado às palavras que ela lhes dissera e de ter recebido total ajuda das mesmas”, a Dra. Hanna Wolff concluiu que os atos da vida e os ensinos de Jesus eram terapêuticos e o considerou o maior terapeuta que jamais conhecera. 1.
As palavras, os atos e a vida de Jesus têm um significado terapêutico. “É a terapia de sua própria pessoa”. É a palavra, aliada à ação (sua e do paciente). Ele sempre indagava: “Queres ficar curado?”. Era a palavra terapêutica. E o paciente respondia: “Quero!”. Era a ação da vontade do paciente, desde que livre de motivos cármicos. João (7:37-38) relata que durante a festa dos tabernáculos, em Jerusalém, Jesus falava no Templo:
Se alguém tem sede, que venha a mim e beba. Porque quem crê em mim, do seu interior fluirão rios de água viva.
Dentro desse contexto, podemos citar, também, o livro Jesus, o maior Psicólogo que já Existiu, um best-seller da chamada autoajuda, de autoria do terapeuta e psicólogo americano Mark W. Baker, que tem uma clínica na Califórnia. “Com base em sua experiência como terapeuta e no seu conhecimento da Bíblia, Baker demonstra porque a mensagem de Jesus é perfeitamente compatível com os princípios da Psicologia: ela contém a chave da saúde emocional, do bem-estar e do crescimento pessoal”. 2 O livro apresenta dezenas de lições de “como a sabedoria de Jesus pode ajudar a repensar atitudes e a praticar o perdão, a solidariedade e a lealdade, valorizando nossas vidas e nossos relacionamentos com mais amizade e amor”. 2.
Qual a técnica que Jesus utilizava? A técnica baseada na lei de causa e efeito:
Não precisava que alguém o informasse a respeito dos homens, pois sabia muito bem o que havia no coração de cada um. 3.
Era, portanto, o terapeuta da lei de causa e efeito. Essa qualificação de Jesus encontraremos nas anotações feitas por Mateus (16:27): “Pois o Filho do Homem virá [...] e, então, recompensará a cada um segundo as suas obras”. Ser terapeuta, portanto, com base na lei de causa e efeito é mergulhar nas regiões e paisagens abissais do ser humano, para identificar origens e significados de suas carências e dos seus distúrbios emocionais, como o fazia Jesus.
Pode-se observar o mecanismo da lei de causa e efeito na terceira lei de Isaac Newton (1642-1727), na Mecânica: “Toda força impulsionada numa dada direção origina outra força de igual intensidade, mas de sentido contrário”. O Espírito Manoel Philomeno de Miranda usa uma metáfora para simbolizar a lei de causa e efeito: o “efeito bumerangue”, 4 ou choque de retorno. Essa Lei do Universo, também chamada ação e reação, é o mecanismo das Leis de Deus atuando na dinâmica dos destinos humanos, em suas trajetórias evolutivas, segundo o Espiritismo. Doutrinas orientais chamam-na carma que, em sânscrito, significa o conjunto das ações dos homens e suas consequências.
Discorrer acerca da lei de causa e efeito leva-nos a examinar o postulado espírita que afirma ser “o perispírito agente da justiça divina”, 5 e que as qualidades ou distúrbios registrados nesse corpo espiritual “reaparecem no corpo físico, o qual é uma cópia daquele; e que as faltas, os abusos, as desvirtudes, os vícios e os crimes de existências passadas, gravados no perispírito, determinam enfermidades, moléstias, idiotismo, organismos incompletos e corpos disformes e sofredores, ante a reencarnação; que o Espírito ilumina-se a cada pensamento altruísta, a cada impulso de solidariedade e de amor puro”. 5.
Carlos Toledo Rizzini (1921-1992), em sua obra Evolução para o Terceiro Milênio, sintetiza que “o sofrimento é resultante de violações, erros e abusos no curso dos quais a Lei Divina é desrespeitada e os deveres negligenciados”, 6 e que “a prática do mal, a repetição de abusos, a acumulação de erros, os vícios, enfraquecem os centros de força do perispírito e geram lesões nele, que é sensível ao estado moral do Espírito”, 6 citando o Espírito André Luiz, que declara, no livro No Mundo Maior: “O espírito delinquente pode receber os mais variados gêneros, de colaboração, mas será imperiosamente o médico de si mesmo. [...]”. 7.
Quando falamos em cura vêm-nos à mente duas conexões com essa palavra: doença e saúde. Cura seria mudança de estado. Sair do estado de doença para o estado de saúde. O que é que cura as doenças? Quais são os agentes curadores das doenças? Medicamentos, cirurgia, terapias, dietas, exercícios, exames para formulação de diagnósticos etc. Isso tudo através da Medicina alopática, da Homeopatia e da chamada Medicina alternativa.
O Dr. Bernie S. Siegel, médico cirurgião em New Haven, Connecticut, EUA, relata em sua obra Amor, Medicina e Milagres 8 que os franceses Louis Pasteur (1822-1895) e Claude Bernard (1813-1878), dois gigantes da Biologia do século XIX, um dia polemizaram a respeito do fator mais importante na causa das doenças. Seria o terreno (ou seja, o organismo humano) ou seria o germe, um micro-organismo, um micróbio (vírus, bactérias, fungos)? Em seus últimos momentos de vida, Pasteur teria admitido que Bernard tinha razão ao declarar que era o terreno! Esse terreno, na visão espírita, ao invés do corpo físico, seria o corpo espiritual, o perispírito!
Entretanto, muitos observadores holísticos e espiritualistas destacam que a Medicina ortodoxa ainda se concentra na doença, enveredando por uma orientação falsa, segundo o Dr. Siegel, e que muitos profissionais da saúde “continuam procedendo como se fosse a doença que ataca as pessoas, em vez de compreenderem que as pessoas é que contraem as doenças, por se tornarem suscetíveis à sua causa, à qual todos nós sempre estamos expostos”. 8 Podemos dizer que haveria em cada um de nós uma causa dispositiva interna, que atrairia energeticamente os elementos causadores das enfermidades.
Um médico canadense, também historiador da Medicina, Sir William Osler (1849-1919), dizia que a contração da tuberculose se relaciona mais com o que se passa na mente do enfermo do que aquilo que ocorre com os seus pulmões. Ele repetia Hipócrates (460-377 a.C.), cognominado Pai da Medicina, que considerava mais fácil saber que gênero (tipo, modo de ser, estilo e espécie) de pessoa que tem determinada doença do que descobrir que gênero de doença tem determinada pessoa. 8.
Jesus, por exemplo, sabia o gênero de cada pessoa e se concentrava na alma da pessoa, porque a sua visão do ser humano era transpessoal. O Espírito Joanna de Ângelis declara no livro Jesus e o Evangelho à Luz da Psicologia Profunda que:
Jesus reconhecia no processo das múltiplas existências a causalidade dos acontecimentos na esfera física e no comportamento social. 9.
O Dr. Siegel acredita que existem dentro de nós mecanismos biológicos de vida e de morte. Pesquisas por ele realizadas convenceram-no de que existe em todos nós um estado de espírito, e que esse estado de espírito altera o estado físico. Segundo ele, a paz de espírito (o equilíbrio) envia ao corpo uma mensagem de “viva!”. Ao passo que a depressão, o medo, a culpa, o conflito, transmitem uma mensagem de “morra!”. Então, quando estamos doentes, o médico examina o estado corporal, quando deveria examinar também o estado de espírito. 10.
Quais as medidas profiláticas espíritas? Sobretudo aquelas recomendadas por Jesus, quando declarava: “Não peques mais, para que te não suceda alguma coisa pior”. 11. Ou seja, não voltar a lesar o perispírito. Podemos afirmar que Jesus foi o primeiro terapeuta do perispírito da história da medicina espiritual com base na lei de causa e efeito. Ele era, portanto, um cientista transpessoal, porquanto, no tratamento que prescrevia utilizava a maior ciência do mundo: a ciência de amar, recomendando três vertentes: Amar a si mesmo. Amar ao próximo. Amar a Deus. Hoje, centenas de livros são escritos dentro dessa dimensão, dessa proposta de apresentar Jesus como educador comportamental e como terapeuta dos enfermos da alma.
Allan Kardec, em O Evangelho segundo o Espiritismo – capítulo VI, “O Cristo Consolador” –, enfatiza que a assistência de Jesus e a felicidade que promete aos aflitos dependem da observância da lei por Ele ensinada e que essa “lei é suave, pois que apenas impõe, como dever, o amor e a caridade”. 12.


Referências:
1 WOLFF, Hanna. Jesus psicoterapeuta. Editora Paulinas, 1988. p. 11.
2 BAKER, Mark. Jesus, o maior psicólogo que já existiu. 9. ed. Rio de Janeiro: Sextante.
3 JOÃO, 2:25.
4 FRANCO, Divaldo P. Trilhas da libertação. Pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda. 10. ed. Rio de Janeiro; FEB, 2011. O calvário de Adelaide, p. 234.
5 ANDRADE, Geziel. Doenças, cura e saúde à luz do espiritismo. 12. ed. Ed. EME, 2008. p. 10.
6 RIZZINI, Carlos Toledo. Evolução para o terceiro milênio. 8. ed. (ampliada). EDICEL. p. 148-149.
7 XAVIER, Francisco C. No mundo maior. Pelo Espírito André Luiz. 26. ed. 4. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 12, p. 212.
8 SIEGEL, Bernie S. Amor, medicina e milagres. 12. ed. Editora Best Seller. p. 11.
9 FRANCO, Divaldo. Jesus e o evangelho à luz da psicologia profunda. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Salvador: LEAL. p. 201.
10 SIEGEL, Bernie S. Amor, medicina e milagres. 12. ed. Editora Best Seller. p. 12.
11 JOÃO, 5:14.
12 KARDEC, AIlan. O evangelho segundo a espiritismo. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 1. reimp. (atualizada). Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 6, it. 2.


Matéria extraída da Revista Reformador Ano 129 Fevereiro de 2012 e escrita por: Adilton Pugliese.