Estudando o Espiritismo

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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Qual é a filosofia espírita?

Qual é a filosofia espírita?

       Da compreensão geral de que o Espiritismo é ou tem uma filosofia surge a necessidade de explicitá-la. Os seus adeptos reproduzem com acerto os seus aspectos filosóficos, e os separam com habilidade adquirida pelos estudos kardequianos daqueles outros científicos e religiosos. E também o caráter filosófico de uma doutrina qualquer é sempre mais discernível e menos controverso do que um seu possível elemento científico. Estas são razões pelas quais se fala numa filosofia espírita com alguma segurança.
         Entretanto, a academia possui no que tange à filosofia não menos exigências e regras do que às que competem à prática das ciências. Afinal, então, o que é e como se sustenta a filosofia espírita? Tentaremos mais problematizar do que responder a este questionamento.
         Do ponto de vista da filosofia como especialidade, o Espiritismo apresenta-se como filosofia popular, o que equivale a dizer, como razão argumentativa, mas não fundamentadora. Esta qualificação não precisa ser pejorativa, e mesmo algumas das melhores filosofias tiveram um cunho acentuadamente popular, como em Voltaire, Rousseau e Nietzsche. É também uma visão filosófica válida e oficial a de que a razão já está desde sempre em jogo com seus problemas específicos, e não pode ou não requer fundamentação. Ainda assim, a maior parte do que se produziu sob o título de filosofia na história humana destinava-se à fundamentação do conhecimento.
         São mentes analíticas e interessadas na fundamentação das certezas a de Platão, a de Descartes, a Locke e a de Kant, alguns, portanto, dos maiores filósofos. Segundo estes a atividade filosófica não se faz propriamente sem o esforço exaustivo de sua própria crítica, de modo que qualquer filosofia digna do nome ou vai até as últimas consequências ou compra um método que já o tenha feito. Os bons filósofos populares o são por seu interesse prático (moral ou político), sem que dispensem o concurso de uma boa base metodológica. E se Kardec foi um bom filósofo popular, o que acreditamos razoável afirmar, devemos encontrar em sua prática os princípios de algum ou alguns filósofos mais analíticos, para não dizer sistemáticos (nome que à época não soava bem).
         O primeiro indício de que Kardec não é um filósofo sistemático está em ele lançar mão de múltiplos conceitos e axiomas sem os justificar. Esta atitude pode significar, como dito, tanto o descompromisso com a filosofia quanto uma adoção prévia de métodos filosóficos bem estabelecidos. E não há a mais remota dúvida de que os conceitos e axiomas pressupostos por Kardec correspondem à visão eclética do saber filosófico de princípios do século XIX. Em primeiro lugar porque todos estes pressupostos pertencem à ala ortodoxa da filosofia francesa, requerendo assim pouca ou nenhuma exposição sistemática; em segundo lugar porque estas conquistas em especial eram classificadas como conquistas da ilustração e todos os autores da época estavam habituados a assumir os elementos deste grande edifício eclético e enciclopédico como ponto de partida. Pensadores tão importantes como Benjamin Constant, Madame de Staël e Tocqueville jamais se preocupam, assim como Kardec, em fundamentar o conceito de razão, ou analisar a constituição metafísica da liberdade. Ao invés disto eles os tomam do poço da filosofia iluminista e os aplicam com habilidade de filósofos práticos aos seus interesses.
         Para elencar alguns dos pressupostos essenciais da classe ilustrada francesa e/ou européia dos anos 1800 a 1840 podemos citar resumidamente:
1-                             A fundamentação do pensamento por Descartes, com a respectiva separação entre o princípio pensante do princípio material, a constituírem os modos de ser.
2-                             A ideia platônica de que a matemática corresponderia ao modus operandi da natureza. Noção renascentista que foi solidificada por Galileu, Bruno e Descartes.
3-                             O atomismo de Diderot, que copiando Demócrito e Epicuro postulou todas as leis da física como consequências das leis que regem as partículas elementares.
4-                             A noção de liberdade como direito garantido por Deus, uma ideia cristã que se desenvolveu em séculos de teologia e filosofia, casando-se com as noções gregas de liberdade e culminando no axioma da liberdade humana conforme Locke, Voltaire e Rousseau.
5-                             A positividade da experiência como fundamento do saber, desenvolvida por Comte e imediatamente diversificada e adaptada por inúmeros pensadores e cientistas.

Poderíamos citar outros pontos, mas isto só aumentaria o volume de uma defesa que consideramos suficientemente estabelecida.
Está claro ao filósofo contemporâneo que a segurança de algumas destas pressuposições foi duramente abalada, durante o próprio século XIX e especialmente no XX. O item mais controverso hoje é o da equivalência entre matemática e natureza, ainda defendida com certa ingenuidade por muitos físicos e francamente proibida pela filosofia da ciência. O que se pode dizer hoje com sobriedade filosófica é que haja alguma correspondência entre as leis que postulamos matematicamente e o funcionamento da natureza, mas precisar a exatidão desta correspondência seria considerado uma postura dogmática.
 Basta, contudo, o conhecimento do contexto histórico para lembrar que a nova filosofia responsável por questionar as certezas iluministas é de matriz alemã, e não estava plenamente acessível aos franceses da primeira metade do século XIX. Apesar de estar entre os poucos falantes de alemão da sociedade francesa da época, Allan Kardec provavelmente compartilhava da crença geral de seu povo a respeito dos germanos: a de se tratarem de um povo grosseiro recém chegado às raias da civilidade e que ensaiava suas forças intelectuais numa filosofia prolixa, mas essencialmente infrutífera.[1]
         O posterior sucesso da filosofia alemã com todo o seu aparato crítico, a restauração da metafísica pelo Idealismo e as reviravoltas teológicas marcou para sempre a face da filosofia, um fenômeno que a vaidade francesa ainda digere com atraso.
         A filosofia sistemática viu sua tocha ser cedida da França para a Alemanha, e desta para o mundo globalizado do pós-guerra. Resta saber em que medida isto depõe contra as filosofias práticas e populares.
         Neste particular uma comparação entre Kardec e os outros filósofos populares franceses é indispensável. A maioria deles, exatamente por ser popular, sofreu minimamente com a transformação da filosofia sistemática, e a popularidade dos pensadores políticos e religiosos, dos psicólogos e moralistas franceses continuou tão irretorquível sob a luz dos sistemas alemães como quando em seu terreno natural do Iluminismo autóctone.
         Redefinidos os fundamentos dos conceitos de razão e liberdade, sobre bases mais críticas e rigorosas, continuaram a viger na esfera prática as conclusões e intuições sóbrias que a análise social e psicológica francesa ou inglesa haviam efetuado em dois ricos séculos de modernidade.
         A filosofia atual se esforça por refinar a fundamentação metafísica e epistemológica da razão, de Deus, da liberdade e da relação entre sujeito e objeto, etc., mas no campo prático e popular a maioria dos postulados iluministas continua a viger como moeda válida de interpretação dos fenômenos naturais e sociais. Em muitos aspectos, mudaram os caminhos, mas permaneceram os resultados da filosofia. É bem mais ingênuo ver algo de “errado” em Platão, por incompatibilidade de seus métodos com os recentes, do que dispensar os métodos recentes na apreciação de trabalhos filosóficos pregressos; e a história da filosofia continua a ser fonte de inspiração principal para os que pretendem reelaborá-la com vistas ao futuro.
         Qual é, então, a base filosófica do Espiritismo, se o ecletismo espiritualista francês e o positivismo que o constituíram estão agora em cheque? Precisamente a mesma base que continuou a sustentar as outras filosofias práticas e populares após a substituição da Ilustração francesa, seu ecletismo e positivismo, pela filosofia crítica alemã.
Procurai então os defensores de Pascal, Voltaire, Rousseau, Staël e Tocqueville, e achareis o caminho para sustentar em linguagem atualizada aqueles mesmos pressupostos que fomentam o método kardequiano. E os caminhos para esta revisão técnica da filosofia espírita podem ser muitos, como muitas são as correntes mais recentes.  O pragmatismo de James, a filosofia liberal e crítica de Popper e mesmo uma forma revisada da analítica existencial de Heidegger, como foi intentado por Herculano Pires, podem ser boas soluções.
            Particularmente acho que a forma mais apropriada seja a da Metafísica da Subjetividade, uma variante eclética que se apropria de praticamente todas as outras correntes contemporâneas numa forma ao mesmo tempo clássica e crítica da metafísica, permitindo a validade dos conceitos-chave de Deus, imortalidade, razão e liberdade.


[1] Veja meu texto sobre Madame de Staël e o “descobrimento” da Alemanha:  http://www.portalsophia.org/textos/stael/allemagneschubert.pdf
Postado por Humberto Schubert Coelho

Espiritismo também é filosofia

Espiritismo também é filosofia

Por Reilly Algodoal

Repetindo, a Doutrina Espírita deve ser estudada em seu tríplice aspecto: científico, filosófico e religioso.

Mas, será uma Filosofia? Vejamos:

Filosofia, etimologicamente, quer dizer amigo da sabedoria. Existe uma definição marota: “Filosofia é a ciência que, com a qual ou sem a qual, o mundo resta tal e qual”.

E tem lá sua razão de ser, pois, ao homem comum “pouco se lhe dá que a azêmola claudique, o que aspira é acicatar-lhe as ilhargas”.

Efetivamente, grande parte da Humanidade está naquele estágio evolutivo de consciência adormecida, na busca exclusiva da satisfação “insaciável” das necessidades de ordem material, que se traduzem no comer,dormir, vestir e fazer sexo. Comer não apenas um prato de comida, mas armazenar para os séculos vindouros; não apenas uma cama para dormir, mas um ou mais palacetes, alguns com maçanetas de ouro, etc.; vestir não apenas a nudez, mas abarrotar os closets com os últimos e caríssimos lançamentos da moda. Se oram, é para a satisfação destas necessidades.

Poucas pessoas começam a despertar a consciência da busca do conhecimento, visando ao enriquecimento de seu patrimônio cultural e moral. Sob o ponto de vista da Ciência, o Espiritismo investiga as leis de relação entre o mundo material e o mundo espiritual, sempre no plano existencial. No aspecto filosófico, o Espiritismo trata das questões de ordem transcendental, que estão além da percepção sensorial, v.g., a existência e atributos de

Deus; o significado da vida; os limites do livre-arbítrio e do determinismo; os problemas do ser, do destino e da dor; as origens e destinos do homem e das humanidades. Em última análise, permite-nos compreender a Justiça indefectível de Deus nas aparentes injustiças da vida.

O certo é que as diversas correntes filosóficas, notadamente as materialistas, analisam o homem pela metade, naquele percurso rápido que vai do berço ao túmulo, sem penetrar nas “causas” das diferenças individuais e sem vislumbrar a vida além da vida material.

Mas, o que é o homem? Será um corpo formado de cabeça, tronco e membros, constituído por carne, músculos, ossos, órgãos e entranhas? Será a inteligência o resultado de uma deformação acidental do córtex cerebral?

A Ciência, notadamente a Física Quântica (que trata do infinitamente pequeno), abriu novos rumos à especulação científica e filosófica, já considerado que a matéria é energia condensada e que nosso corpo é formado por centenas de trilhões de células vivas. E a Psicologia Transpessoal já constatou que o Espírito preexiste ao nascimento e sobrevive ao decesso carnal.

A Doutrina Espírita vai além. Ela diz que nosso corpo, enquanto nos serve como instrumento de manifestação no mundo material, é também o habitat onde centenas de trilhões de células nascem e morrem para renascer ainda e continuar a longa caminhada da evolução anímica; que nosso perispírito é o resultado de 1,8 bilhões de anos de evolução; que nosso espírito é o princípio inteligente do Universo, herdeiro da Eternidade, cujo nascimento se perde na noite do tempo e que fatalmente alcançará a angelitude (Vide resposta à pergunta 540 de O Livro dos Espíritos).

Assim, conforme elucida J. Herculano Pires, in: O Espírito e o Tempo, são três entidades distintas (corpo, perispírito e espírito) numa só manifestação.

Todavia, esclarece ele, “o homem trino é essencialmente uno, porque é espírito, e só este o define como ser. O perispírito e o corpo físico não são mais do que os instrumentos de sua manifestação”.

Finalmente, na introdução de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec esclarece:

“Como especialidade, O Livro dos Espíritos contém a Doutrina Espírita; como generalidade, prende-se à doutrina espiritualista, uma de cujas fases apresenta. Essa a razão por que traz no cabeçalho do seu título as palavras: Filosofia espiritualista.” (sic)

No Evangelho segundo o Espiritismo, Cap. VI, item 4, in fine, aprendemos:

“Assim, o Espiritismo realiza o que Jesus disse do Consolador prometido: conhecimento das coisas, fazendo que o homem saiba donde vem, para onde vai e por que está na Terra; atrai para os verdadeiros princípios da lei de Deus e consola pela fé e pela esperança.” (sic)

Filosofia e Espiritismo


http://www.ceismael.com.br/filosofia/filosofia-e-espiritismo.htm

http://bibliadocaminho.com/ocaminho/Tematica/EE/Estudos/EadeP2.2.htm


quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

As encarnações de Bezerra de Menezes

Adolfo Bezerra de Menezes

A Palestra teve início referindo-se a Zaqueu, a reencarnação mais antiga e conhecida de Bezerra
de Menezes. Zaqueu era um Publicano, ou seja, um coletor de impostos e era detestado tanto pelos
judeus quanto pelos romanos.
Zaqueu ansiava encontrar Jesus, até que um dia o Mestre passou por Jericó, cidade onde ele
morava e o hospedou em sua casa.
A partir desse momento, Zaqueu reparte seus bens com os seus familiares e o restante doa aos
necessitados. Passa a seguir Jesus, adotando o nome de Matias.
Matias cria a Casa De Benefícios para abrigar os desvalidos, doentes, perturbados e
abandonados do mundo. Durante as suas sucessivas reencarnações, fundou sete Casas de Benefícios.
Com exceção da última, todas foram destruídas pelos inimigos da Luz.
Para converter seu filho Taciano, reencarna-se duas vezes: uma como Quinto Varro (Irmão
Corvino) e a seguir como Quinto Celso, personagens estes narrados no Livro “AVE CRISTO”, de
Emmanuel, pela psicografia bendita de Francisco Cândido Xavier.
Posteriormente, volta à Terra como Irmão Parmênio, onde, como nas suas outras vidas, mais
uma vez é martirizado.
Finalmente, reencarna-se no Brasil como Adolfo Bezerra de Menezes, com o objetivo de
concretizar a fixação da Doutrina Espírita em terras verde-amarelas e à união de todos os espíritas,
através do Pacto Áureo, em 1949.
Em 1950, no cinquentenário de seu desencarne como Adolfo Bezerra de Menezes, é convidado
pela Mãe Santíssima a seguir para outras esferas do Universo, compatível com a sua evolução
espiritual, mas ele declina e pede à Maria para permanecer no Brasil, auxiliando, em Espírito, aos
sofredores e angustiados.
Maria concede, então, mais 50 anos a ele, autorizando-o a ficar no Planeta Terra até o ano
2000. No entanto, como podemos constatar por suas mensagens, ainda hoje ele está entre nós.

Fonte: Fronteira da Paz - http://www.fronteiradapaz.com.br/noticia.php?id=4743

O 13º apóstolo - As reencarnações de Bezerra de Menezes

O 13º apóstolo, as reencarnações de Bezerra de Menezes é um trabalho de pesquisa e dedicação intensa do
autor Jorge Damas sobre as vidas do apóstolo do Espiritismo. Retrata as reencarnações do Médico dos Pobres
como Zaqueu, Mathias, Quinto Varro, Quinto Celso e Parmênio. Um selo Novo Ser Editora.
O livro também aborda sua vida como Adolfo Bezerra de Menezes um dos mais importantes vultos do
Espiritismo no Brasil, destaca sua dedicação à medicina, ao trabalho como militante espírita e à tarefa junto à
evangelização na Pátria do Evangelho. O 13º apóstolo, as reencarnações de Bezerra de Menezes esclarece os
princípios básicos da Doutrina Espírita, com foco na reencarnação, evolução, moral evangélica, lei de causa e
efeito, mediunidade e desobsessão, dentre outros assuntos.
Autor: Jorge Damas Martins / Ano da edição: 2010 / Número de Páginas: 240 / Editora: Novo Ser

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

A REFORMA PROTESTANTE E O ESPIRITISMO

A REFORMA PRO

TESTANTE E O ESPIRITISMO



Reforma Protestante na visão Espírita

O processo das reformas religiosas teve início no século XVI em decorrência dos abusos cometidos pela Igreja Católica e uma mudança na visão de mundo, fruto do pensamento renascentista que emergia na época. A burguesia comercial estava em plena expansão e a igreja condenava os lucros do crescente capitalismo. Por outro lado, os reis europeus estavam infelizes com o Papa, que cada vez mais interferia nas decisões políticas dos países do velho mundo. A igreja estava perdendo sua identidade e acabou cedendo espaço para uma reforma que mudaria o curso da história.

No século XVI uma grande revolução eclesiástica ocorreu na Europa Ocidental, levando a mudanças consideráveis na esfera religiosa que, durante todo o período medieval, estivera sob o domínio da Igreja Católica. Essa revolução nas mentalidades teve tanto causas políticas como religiosas. Muitos monarcas estavam insatisfeitos com o enorme poder que o papa exercia no mundo, ao mesmo tempo que muitos teólogos criticavam a doutrina e as práticas da Igreja, sua atitude para com a fé e seu feitio organizacional. Ideias e razões distintas deram origem a diversas comunidades eclesiais novas. HELLEN, V., NOTAKER, H. E GAARDER, J. O Livro das religiões. Item: A reforma protestante.

Há 500 anos, novas doutrinas religiosas surgiram trazendo outras perspectivas para o cristianismo que até então era monopólio da Igreja Católica. Essas doutrinas atravessaram os séculos e permanecem vivas até hoje, com novos desafios e em plena expansão.

A Pré-reforma

A pré-reforma foi o período que antecedeu a Reforma Protestante. Teve início no final século XIII e se estendeu a meados do século XVI. Suas bases ideológicas serviram como referência para reforma de Martinho Lutero. Podemos destacar nomes como o de Pedro Valdo que se converteu ao cristianismo e viveu ajudando os pobres, tomando por base apenas os ensinamentos bíblicos. Seus seguidores ficaram conhecidos como Valdenses e se reuniam as escondidas para evitar a perseguição da igreja.

O Teólogo e professor da Universidade de Oxford John Wycliffe reivindicava o retorno da Igreja primitiva limitando o clero apenas a questões religiosas, deixando a política para o Estado. Wycliffe defendia a pobreza dos padres e os organizou em grupos para divulgar os ensinos de Cristo.

Jan Huss
Outro grande pré-reformador foi o sacerdote e intelectual da universidade de Praga Jan Huss (Ultima reencarnação de Hippolyte Léon Denizard Rivail, antes de retornar como Allan Kardec). Este lutou pela verdade cristã e contra a corrupção na Igreja. Defendia que o poder papal só podia ser obedecido se estivesse de acordo com as leis divinas e que a fé deveria ser baseada apenas nas escrituras do Novo Testamento. Seus discípulos foram denominados Hussitas, dentre eles, enfatizamos Jerônimo de Praga. Huss foi excomungado, julgado e morto na fogueira na cidade de Constança. Morreu cantando o cântico de Davi [Jesus filho de Davi tem misericórdia de mim].

Em plena época de preconceito e intolerância, Jan Huss foi considerado o 1º mártir da liberdade religiosa, dezesseis anos antes da francesa Joana d’Arc (1412-1431) ser queimada viva pelo mesmo motivo, e mais de cem anos antes do teólogo alemão Martinho Lutero apresentar suas 95 Teses, em 1517.

A Reforma

Em 31 de outubro de 1517, o sacerdote Martinho Lutero teria pregado 95 teses contra o catolicismo, em frente à igreja do castelo na cidade alemã de Wittenberg. Essas teses eram contestações às leis e dogmas da Igreja, que Lutero considerava abusivas. O monge propunha uma disputa escolástica sobre a venda de indulgências e defendia o fim do celibato, da adoração de imagens e das missas rezadas em latim.

Com o advento da imprensa gráfica na época, as ideias luteranas foram rapidamente reproduzidas e difundidas na Europa, o que evidentemente incomodou a igreja que logo se voltou contra Lutero. Inicialmente o sacerdote foi condenado por heresia e em agosto de 1518 o processo foi alterado para heresia notória. Finalmente em janeiro de 1521, Lutero foi excomungado. O monge se exilou na igreja de Wittenberg por um ano e nesse período dedicou-se a traduzir a bíblia para o idioma alemão.

As manifestações de apoio a Matinho Lutero foram imediatas. Sacerdotes de diversas localidades renunciaram ao voto de castidade, acabaram com as missas e adorações de imagens, dentre outras ações. A Igreja começou a sofrer golpes mais fortes porque alguns príncipes ambiciosos se aproveitaram do movimento das massas para confiscar bens da instituição religiosa. Numerosos camponeses empolgados pelo direito do pensamento livre iniciaram grande campanha contra a Igreja exigindo reforma agrária e social em nome do Evangelho. Esta rebelião ideológica provocou o conflito armado que ficou conhecido como a Guerra dos Camponeses (1524-1525). Em 1525 Lutero casou-se com Catarina de Bora, monja cisterciense apóstata, e teve seus filhos.

João Calvino
Alguns anos mais tarde, Ulrico Zuinglio iniciou a reforma na Suíça, posteriormente João Calvino tratou de consolidá-la surgindo o Calvinismo. Na Inglaterra a reforma foi proferida pelo monarca Henrique VIII que desejava satisfazer as suas necessidades políticas. Henrique era casado com Catarina de Aragão, que não lhe havia dado um filho homem. O imperador então solicitou ao papa Clemente VII a anulação do casamento. Perante a recusa do papado, Henrique fez-se proclamar, em 1531, protetor da Igreja inglesa. O Ato de Supremacia, votado no parlamento em novembro de 1534 colocou Henrique e os seus sucessores na liderança da igreja, nascendo assim o Anglicanismo.

Mais tarde a reforma chegou nos países baixos estendendo-se por todo o continente europeu.  Nascia naquele tempo o protestantismo com seus princípios fundamentais: Sola scriptura (Somente a Escritura), Sola gratia (Somente a Graça ou Salvação), Sola fide (Salvação Somente pela Fé) Solus Christus (Somente Cristo), Soli Deo gloria (Glória somente a Deus).

A Contrarreforma

A contrarreforma foi o movimento iniciado pela Igreja Católica a partir de 1545 em resposta a reforma protestante. Também é denominada Reforma Católica. Houve um esforço teológico, político e militar para conter a expansão do protestantismo. Seus objetivos eram espalhar a fé católica em regiões não cristianizadas; conter o avanço dos protestantes e modernizar a Igreja.

Incineração de Livros
Foi um período marcado por conflitos que envolveu metade da Europa, como a Guerra dos 30 anos (1618-1648) que demarcou territórios, fronteiras políticas e religiosas das duas vertentes do cristianismo (catolicismo e protestantismo).

A contrarreforma se destacou pela convocação do Concílio de Trento, que determinou a retomada do Tribunal do Santo Ofício (Tribunais de Inquisição), além da criação do Index Librorum Prohibitorum, uma lista que relacionava os livros proibidos pela Igreja (livros de ciências, bruxaria e, claro, literatura protestante). O Concílio reafirmou a autoridade papal, a manutenção do celibato e a confirmação da Bíblia Vulgata (em latim) como a versão oficial da Igreja. Determinou ainda o incentivo a catequese e a criação de novas ordens religiosas, dentre elas a Companhia de Jesus (os Jesuítas), fundada por Inácio de Loiola.

Neste período de contrarreforma, a Europa atravessou um tempo sombrio proporcionado pela Igreja Católica, que foi a expansão da inquisição, que já existia desde o século XIII na França, com o objetivo de combater heresias. Com a chegada dos Tribunais do Santo Ofício na Espanha e em Portugal, milhares de protestantes, judeus, muçulmanos, artistas, pensadores e cientistas, ou mesmo qualquer pessoa que fosse capaz de contestar publicamente as ideias da igreja, foram perseguidos, torturados, julgados e mortos pela Igreja.

A importância da Reforma Protestante e seus impactos políticos e religiosos.

A reforma protestante teve um impacto significativo na história, traçando os novos rumos políticos, econômicos e religiosos da humanidade. A Igreja até então, exercia um papel controlador na política, na economia, nas ciências e nas artes. O Papa era uma figura religiosa e política e opinava em diversas decisões. Após o movimento de Martinho Lutero o poder da Igreja se declinou entre as monarquias europeias. Houve um fortalecimento dos princípios sociais e econômicos da burguesia, que passaram a ser sustentados pela aprovação do lucro, que antes a Igreja combatia.

No campo religioso a reforma proporcionou o surgimento de outras vertentes do Cristianismo. A Igreja Católica na época, dividia espaço apenas com a Igreja Ortodoxa que tinha seus maiores domínios na região oriental. Com o advento do protestantismo nasceram as Igrejas Luterana, Anglicana, Presbiteriana e Batista, que se multiplicaram e se ramificaram em outras denominações. Hoje os protestantes contabilizam 40% dos cristãos em todo o mundo.

A Reforma Protestante e o Espiritismo

Os espíritas compreendem que a Reforma Protestante foi uma preparação para a chegada da Doutrina Espírita, o Consolador Prometido. Assim como o Cristo veio para cumprir a Lei professada por Moisés, a Doutrina Espírita não veio desdizer os ensinamentos do Mestre, mas desenvolvê-los, completá-los e explicá-los, sem alegorias.

A Reforma e os movimentos que se lhe seguiram vieram ao mundo com a missão especial de exumar a “letra’’ dos Evangelhos [...] a fim de que, depois da sua tarefa, pudesse o Consolador prometido, pela voz do Espiritismo cristão, ensinar aos homens o “espírito divino’’ de todas as lições de Jesus. (XAVIER, F.C. O consolador. Pelo Espírito Emmanuel. Questão 295).

O espírito Humberto de Campos através da mediunidade de Chico Xavier, em uma mensagem publicada pela revista “O Reformador” na edição de setembro de 1978, narra que o espírito de Jan Huss (1369-1415), um dos mais importantes pré-reformadores, recebeu instruções de Jesus antes de retornar ao plano físico como Allan Kardec (1804-1869), para codificar a Doutrina Espírita.

“Não serás portador de invenções novas, não te deterás no problema de comodidade material à civilização, nem receberás a mordomia do dinheiro ou da autoridade temporal, mas deponho-te nas mãos a tarefa sublime de levantar corações e consciências. É indispensável estabelecer providências que amparem a fé, preservando os tesouros religiosos da criatura. Confio-te a sublime tarefa de reacender as lâmpadas da esperança no coração da humanidade.
O Evangelho do Amor permanece eclipsado no jogo de ambições desmedidas dos homens viciosos! …. Vai, meu amigo. Abrirás novos caminhos à sagrada aspiração das almas, descerrando a pesada cortina de sombras que vem absorvendo a mente humana. Na restauração da verdade, no entanto, não esperes os louros do mundo, nem a compreensão dos teus contemporâneos. ” […]  (Jesus dirigindo-se a Jan Huss no plano espiritual, antes desse espírito reencarnar como Allan Kardec, como narra o Espírito Humberto de Campos em mensagem publicada pela revista “O Reformador” em setembro de 1978).

Allan Kardec reencarnação de Jan Huss
Traçando um paralelo entre as duas personalidades, encontramos várias semelhanças que reafirmam a doutrina da reencarnação. Jan Huss foi reformador da língua do seu país, como lexicógrafo emérito, tradutor do idioma tcheco. Já Allan Kardec, além de talentoso educador, foi também tradutor de livros para diferentes idiomas. Huss viu algumas de suas obras serem queimadas pela Igreja em praça pública, assim como Kardec teve 300 exemplares de obras espíritas incineradas em um ato que ficou conhecido como o auto da fé em Barcelona.  Observemos também o período exato de 500 anos entre a data de nascimento de Huss e a de desencarnação de Kardec. Portanto, estamos convencidos de que o mesmo espírito, em diferentes épocas, esteve comprometido com a Doutrina do Cristo, primeiro trabalhando em defesa do Novo Testamento e posteriormente na edificação do cristianismo redivivo, através da codificação da Doutrina Espírita, o que nos leva a crer que a Reforma Protestante foi necessária para o surgimento do Espiritismo.

O movimento desencadeado pelos reformadores foi a origem da retomada do cristianismo que estava sendo desvirtuado pelos representantes católicos da época, em decorrência da depravação da natureza humana. A igreja utilizava a fé como instrumento de dominação e foi capaz de cometer atrocidades em nome de Deus para manter o seu poder. Entendendo todo esse contexto, a plêiade dos espíritos de luz, sob a égide de Jesus, julgou ser necessário a divisão do cristianismo para garantir a sua expansão e mais tarde, através do espiritismo, trazer de volta a ideia principal da doutrina cristã, como nos tempos dos discípulos de Jesus. Certamente, se a Doutrina do Cristo permanecesse apenas sob os domínios da igreja romana, o pensamento cristão estaria comprometido. Eis que então, a espiritualidade organizou a vinda de missionários para restaurar o cristianismo e garantir sua propagação.

O plano invisível determina, assim, a vinda ao mundo de numerosos missionários com o objetivo de levar a efeito a renascença da religião [...]. Assim, no século XVI, aparecem as figuras veneráveis de Lutero, Calvino, Erasmo, Melanchton e outros vultos notáveis da Reforma, na Europa Central e nos Países Baixos. XAVIER, F.C. A caminho da luz. Pelo Espírito Emmanuel. Cap. 20.

Não somente no campo religioso, mas também na ciência, na política e nas artes (renascimento e iluminismo), retornavam ao plano físico, espíritos encarregados de trazer novas ideias e mudar a visão distorcida que se tinha sobre diversos assuntos. Nicolau Copérnico (1473-1543), por exemplo, foi o primeiro a contradizer a igreja ao afirmar que a Terra não era o centro do universo.  Teoria confirmada mais tarde por Galileu Galilei (1564 - 1642).

A [...] ideia da reforma não estava só na cabeça de Lutero, mas na de milhares de cabeças, de onde deveriam sair homens capazes de a sustentar. KARDEC, Allan. Revista espírita. Jornal de estudos psicológicos. Ano de 1866, agosto, p. 321

Por que mesmo após o advento do espiritismo existem tantas religiões?

O planeta Terra ainda é um mundo em desenvolvimento e por isso necessita de uma variedade de doutrinas religiosas que sejam compatíveis com a capacidade de discernimento de seus adeptos. Cada espírito compreende as leis de Deus de acordo com o seu grau de evolução e é por isso que ainda existem divergências doutrinárias. Toda religião tem a sua importância, se cumpre o objetivo de aproximar o homem a Deus. Aqueles que causam guerras em nome do Criador ou das religiões, ainda não progrediram ao ponto de compreender que a maldade é fruto da natureza humana.

Quando todos os homens estiverem convencidos de que Deus é o mesmo para todos; de que esse Deus, soberanamente justo e bom, nada pode querer de injusto; que o mal vem dos homens e não dele, todos se considerarão filhos do mesmo Pai e se estenderão as mãos uns aos outros. (KARDEC, Allan. A Gênese: os milagres e as predições segundo o Espiritismo).

Leon Denis destaca que “O espiritismo não é a religião do futuro, mas sim o futuro de todas as religiões. ” Pois chegará um tempo em que todas as doutrinas reconhecerão as verdades trazidas pelo cristianismo redivivo através da Doutrina Espírita e comungarão da mesma ideia, consolidando a harmonia e a paz fundamental para o bem universal. Nesses tempos, desfrutaremos de um mundo ditoso, onde o bem prevalecerá entre os homens.













  



REFERÊNCIAS

XAVIER, Francisco Cândido. A caminho da luz: história da civilização à luz do Espiritismo. Pelo Espírito Emmanuel, de 17 de agosto a 21 de setembro de 1938. 33. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006.

KARDEC, Allan. A Gênese: os milagres e as predições segundo o Espiritismo. Trad. de Guillon Ribeiro da 5. ed. francesa. 48. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005.

SEFFNER, Fernando. Da reforma à contra-reforma. Coleção História geral em documentos. São Paulo: Atual.

MARTINA, Giacomo. História da Igreja: de Lutero aos nossos dias. V. 1: A era da Reforma. São Paulo: Loyola, 1997.

XAVIER, Francisco Cândido. O Consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 26. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006.

JOSTEIN, Gaarder. O Livro das Religiões. Jostein, Gaarde; Hellern, Victor; Notaker, Henry. Tradução: Isa Mara Lando; Revisão Técnica e Apêndice: Flávio Antônio Pierucci. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

CHAUNU, Pierre. O tempo das reformas (1250-1550): a Reforma protestante. Lugar na História, v. 49-50, Edições 70, 1993.

 KARDEC, Allan. Revista espírita: jornal de estudos psicológicos. ano 12, n. 9, p. 372-374, set. 1869. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 3. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2009. Precursores do Espiritismo – Jan Huss.

XAVIER, Francisco C. Lembrando Allan Kardec. Pelo Espírito Humberto de Campos. Reformador, ano 96, n. 1.794, p. 25(293)-26(294), set. 1978.

O MOVIMENTO LEIGO E PAUPERISTA



3 - O MOVIMENTO LEIGO E PAU PERISTA

Começaste o despojamento, liberando-te das coisas, para poderes libertar-te de ti mesmo, a fim de te entregares a Ele por inteiro.
JoANNA DE ANGELIS

A maneira pauperista como Francisco viveu em seus anos de apostolado cristão não era algo totalmente estranho ao mundo do seu tempo. Havia ordens mendicantes nos mosteiros, submissas, penitentes, isoladas do mundo, mas a possibilidade de um grupo ter com seu líder inspirador um diálogo aberto, democrático, horizontal e viverem nas cidades como ele propôs, era algo inovador.

Se recuarmos no tempo, vamos encontrar este tipo de relação no convívio de Jesus com seus discípulos, que vale lembrar eram por Ele chamados de amigos (João, 15: 15).

Antes de Francisco, algumas pessoas tentaram pautar suas vidas na mais absoluta simplicidade, tendo apenas o necessário para a subsistência e, simultaneamente, procurando ter uma religiosidade liberta de dogmas, hierarquias, castigos e recompensas. Uma religiosidade pautada na mais absoluta fidelidade ao Evangelho, o que infelizmente ia na contramão do que a Igreja entendia como vida inspirada no Evangelho.

Uma religiosidade assim haveria de causar incômodos, temores e preocupações no poder instituído.

Ter o sentimento de religiosidade sem o rótulo religioso, isto é, ser leigo ou laico era algo visto como heresia, devendo, portanto, ser reprimido pelo perigo que representava alguém poder amar a Deus e ao seu próximo de forma livre e plena. E se as pessoas ou grupos justificassem que tal conduta era inspirada nas palavras e exemplos de Jesus, aí então era um Deus nos acuda.

A heresia será a grande preocupação da Igreja na Idade Média.

Emmanuel afirma, no capítulo XVII de A Caminho da Luz, que no século XII, no sul da França, mais precisamente em Lyon, terra do nosso querido codificador, um homem abnegado ousou promover um movimento de retorno às bases do Evangelho, propondo um modo de vida pautado na simplicidade. Embora fosse um homem de negócios, Pedro de Vaux despojou-se de todos os seus bens, revertendo-os em benefício dos pobres. Além disso, custeou a tradução dos livros sagrados, a fim de que todos pudessem ler e interpretar aquilo que até então somente era acessível aos sacerdotes católicos. Não satisfeito, promoveu pregações e estudos bíblicos, configurando um movimento que foi chamado de os pobres de Lyon ou Valdenses.

Como não poderia deixar de ser, foi excomungado e perseguido juntamente com todos os que aderiram a esse movimento.

Surgiram depois os cátaros, também no sul da França, propondo um modo de vida muito simples, semelhante ao que Jesus propôs.

Os cátaros defendiam uma livre interpretação do Evangelho, sem intermediários, mas com trocas, diálogos, em que todos pudessem se expressar, desenvolver o senso crítico, a tolerância, e neste exercício crescer intelectual e moralmente.

Segundo Hermínio C. Miranda, eram características do catarismo:1010 Os cátaros e a heresia católica, Cap. 3. (N. dos autores)

• vestimentas simples;

• alimentação frugal e não carnívora (exceto peixes);

• abstinência sexual;

• renúncia à propriedade pessoal;

• prática da não violência;

• recusa ao hábito de mentir;

• não recebiam remuneração pelo sacerdócio religioso;

• viviam do trabalho manual;

• impunham as mãos para batizar;

• eram reencarnacionistas;

• rejeitavam a divindade do Cristo, a divina trindade, o inferno e o resgate dos nossos pecados pelo sangue de Jesus, defendendo que cada um é o artífice da sua própria redenção.

O fanatismo e a intolerância religiosa não conseguiu entender, respeitar nem aceitar este movimento. Era ousadia e pretensão demais e algo muito perigoso, pois se a moda pegasse, como, aliás, começou a pegar, seria a ruína da Igreja daquela época e esta teria que rever seus postulados, reconhecendo o seu distanciamento da proposta genuinamente cristã.

Os cátaros foram perseguidos e massacrados. Afirma o Espírito Joanna de Angelis que:

(...) o intolerante, assim como o fanático, somente veem o que lhes apraz, aquilo que consideram real e, portadores de narcisismo, mantêm a veleidade pessoal de que, pelo fato de aceitarem essa conduta, todas as demais pessoas estáo equivocadas quando pensam de maneira diferente.

Desse modo, autofascinados, querem salvar os demais, impondo as suas idéias, e, quando não aceitas, não se compadecem dos males que infligem, disfarçados em mecanismos salvadores.

(...) O fanático entrega-se de tal forma à maneira de crer, que somente se felicita quando sucumbem aqueles que ele pensa ser-lhe opositores, quando, em realidade, o seu adversário é ele próprio.

Ninguém tem o direito de engessar as mentes e os sentimentos alheios nas suas fórmulas, exigindo que se pense conforme lhes é imposto.1111 Entrega-te a Deus, cap. 21. (N. dos autores)

Retomando a questão da laicidade e da pobreza ou pauperismo, quando paramos para refletir sobre a relação de Francisco com os bens materiais, constatamos quanto sua vida missionária foi marcada pelo desprendimento, pela abnegação, tanto que um dos votos que faz é o da pobreza.

Não há nesta atitude um repúdio ao mundo e àquilo que o constitui, não existe um desprezo pela matéria e uma exaltação radical ao Espírito, mas uma postura de desprendimento e de relativização do que é material. Tanto não despreza que louva tudo o que Deus criou, desde uma simples pedra ou erva daninha aos raios do Sol que brilha no infinito.

Da mesma maneira que Gandhi dizia não ser contra a violência, mas a favor da paz, não havia em Francisco o desejo de afrontar os que possuem bens, a começar por seu pai que era rico e próspero comerciante. A sua não era uma atitude contra os outros ou contra o poder político, econômico, cultural vigentes, mas uma postura a favor dos valores cristãos que trouxe em sua alma e que procurou viver com radicalidade.

Recomenda o respeito a todos os ricos que vivem uma vida na fartura e no luxo, pois são filhos de Deus e possuem uma missão neste mundo. Pede que se ote por eles, de modo que consigam cumprir bem seu papel e se compadeçam dos que possuem menos.

A pobreza nos moldes franciscanos pressupõe desapego e não desprezo, partilha e não prodigalidade, diminuição do abismo entre quem tem e quem nada possui.

É espiritual e também política num sentido mais profundo, apontando para uma cidadania maior de caráter universal, portanto, divina em seus pressupostos e fins.

Ser pobre nos moldes franciscanos não significa radicalmente não ter coisas, pois temos roupas, o corpo, o conhecimento, um nome, etc.

Ê um modo de ser em que o propósito não é dominar, controlar, submeter, mas estar com as coisas, os seres e tudo o que existe numa relação, não de dominação, mas de compartilhamento e harmonia.

A revolução buscada por Francisco é em si mesma e, simultaneamente, nos corações, nas consciências, nas almas; ela é singular e plural, pessoal e coletiva, além de existencial e espiritual, refletindo-se na organização material da sociedade.

Afinal, há famintos, doentes, pobres, marginalizados, almas aprisionadas em si mesmas, logo, se não é apenas de pão que vive o homem, é também com pão que os homens se alimentam, sendo importante reparti-lo e compartilhá--lo, procurando a liberdade e a libertação de nossas próprias mesquinharias.

Francisco assume a postura de um homem que está no mundo, mas que não se escraviza a este, sabe da sua condição transitória na Terra, entende que tudo é fugaz, impermanente e nada é mais importante do que viver o Evangelho em sua plenitude.

Trabalhava permanentemente, de início restautando ermidas, depois, e sempre cuidando dos leprosos, pedindo algo para os mendigos, pregando o Evangelho e fazendo trabalhos braçais ao alcance das suas forças.

Por isso, viveu no mundo e com o mundo, com as pessoas e para as pessoas, sem isolamento nem clausura, mas numa comunhão alegre, espontânea e fraterna com todas as criaturas.

Do mesmo jeito podemos conciliar nossas atividades no lar, no ambiente profissional em que nos situamos e no espaço religioso no qual nos inserimos.

Nenhum de nós precisa viver como algum vulto do Cristianismo tenha vivido para ter êxito na atual reencarnação, mesmo porque cada qual escreve sua própria biografia, tem sua singularidade, mas estas almas abnegadas podem e devem ser sempre uma fonte de inspiração para a nossa vida cotidiana.

Não se trata de segui-las, mas aprender com elas, e também com os nossos contemporâneos, com os anônimos, com os nossos filhos e amigos, e acima de tudo com a figura simples e amiga do Homem de Nazaré.

Para realizar seu trabalho, Francisco não precisou se tornar padre, sempre esteve com leigos e se considerava também um deles.

Por força das circunstâncias, deixa-se ordenar diácono, anos mais tarde, em franco apostolado, por existir uma bula papal proibindo os leigos (cataros, valdenses, etc.) de pregarem o Evangelho, e tendo sido questionado a este respeito, numa pregação que fez em Bolonha, solicitou semelhante ordenação apenas com este objetivo e nada mais. Mas sempre foi um laico vivendo mais a religiosidade que sentia de maneira pujante em si, do que um religioso devoto enquadrado nos cânones religiosos do Catolicismo.

As pregações ou sermões que Francisco fazia eram todos baseados no Evangelho, se assemelhavam mais a uma conversação e eram repletos de exemplos, isto é, pequenas e simples histórias inspiradas no cotidiano, todas com um fundo reflexivo e moralizante.

Seu grau de instrução, académicamente falando, era modesto. Alguns livros afirmam que sabia ler e escrever, conhecia alguns cantos litúrgicos, aritmética e algo básico da vida cristã, aprendido provavelmente em alguma escola de Assis e nas frequências à Igreja. Talvez não dominasse bem o latim, mas falava o francês que aprendera com sua mãe. Sua cultura era basicamente evangélica e isso lhe bastava. Fazia questão de se dizer iletrado e destituído de qualquer expressão intelectual mais destacada.

Numa ocasião, Frei Masseu, dirigindo-se a Francisco, perguntou-lhe de forma bem direta, incisiva e ao mesmo tempo fraterna: - Por que você? Por que é a você, Francisco, que as multidões seguem, que se fascinam com a sua palavra?

Você não é inteligente, não é letrado, não é bonito, você não tem uma grande retórica. Por que você?

Francisco ficou impactado com a pergunta, porque ele levava todas as coisas a sério. Retirou-se para pensar, depois voltou e disse: - Meu irmão, tenho uma resposta, eu descobri por que a mim. Porque Deus resolveu escolher a pessoa mais vil, a pessoa menor, mais feia e mais pecadora para revelar aos outros as maravilhas que criou e segue criando.

E sem maiores recursos, este homem singelo e simples abalou os alicerces da Idade Média, propondo uma vida baseada inteiramente no amor.

J.A.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

TODA A VIDA É DIVINA

TODA A VIDA É DIVINA

“Oh! noite que juntaste Amado com amada, amada já no Amado transformada.”
Canciones del alma – V.

Você não pode fazer grande coisa na vida se se mantém desligado de Deus. Você pode ter posses, dinheiro, sexo, poder, mas isto nada tem com a essência de sua alma... Estas coisas não lhe podem conferir uma visão do Divino. E mais, se você está desligado de Deus, não as pode dominar: elas o escravizarão.
A “busca do Reino” não é um pensamento poético; é uma necessidade indisfarçável da alma. Ninguém pode desejar menos e ser feliz.
O homem pode conquistar o prazer dos sentidos, mas prazer não é felicidade; o homem pode repousar o corpo físico, mas repouso não é felicidade; o homem pode conquistar o mundo, mas esta conquista não é felicidade. Só há felicidade em Deus.
O Reino de Deus é uma conquista interior. Se você o adquire, ele se manifesta, coisa alguma pode desestabilizá-lo. Você não é mais um joguete das circunstâncias da vida. Você adquiriu a verdadeira vida. Ninguém a adquire se não se une ao divino.
Sabe você que isto necessita disciplina, trabalho, porque o homem quer conservar as coisas materiais para levá-las consigo ao Reino. Não é possível misturar coisas tão distintas.
Você pode fazer com que toda a matéria sirva ao Divino, pode inocular o Divino em todas as coisas materiais que faça, mas não pode enganar a Deus mantendo seus próprios interesses egoísticos e ao mesmo tempo encontrá-lo.
Toda a vida é transformável em Deus. Você não pode sentir a felicidade inabalável se não se transforma em Deus. Toda a dificuldade está em lembrar-se que é preciso abandonar o tipo de vida egoísta no qual se estabeleceu, para encontrar a verdadeira vida.
Se você não se abandona sem condições nas mãos do Senhor, se não confia nele a ponto de abandonar todas as suas prisões e entregar-se a ele, se sua mente permanece presa aos valores negociáveis do mundo, você não pode ser transformado.
Se a roseira não crescesse confiante, deixando as raízes no estrume, em busca da atmosfera, se ela se perturbasse com os espinhos que a envolvem jamais poderia alcançar a beleza das rosas que a engalanam e o perfume com que delicia a vida. Não importa se você está colocado na vida terrena entre negócios, problemas, deveres profissionais; faça sua mente colocar-se nas alturas a fim de aspirar o Divino: aí já não importam os espinhos da jornada, você terá a felicidade perfeita que brilhará em sua vida. E as rosas do Divino jamais fenecem.
Você transformará toda a sua vida, miserável, egoística, em luz porque ela será também toda iluminada. A amada estará no Amado transformada.
Yogashririshnam. Divina Presença: comentários mediúnicos a João da Cruz. 2.ed. Salvador: Circulus, 2003.Cap. 1, p. 12. Psicografia e organização de Élzio Ferreira de Souza

Psicodigitação – A Psicografia na era do Computador

Psicodigitação – A Psicografia na era do Computador

Carlos Alberto Iglesia Bernardo

Recentemente o amigo Elzio Ferreira de Souza nos presenteou com um exemplar de uma nova obra mediúnica sua, de autoria do espírito Yogashririshnam, que nos surpreendeu pela apresentação na capa. Junto ao nome do Elzio, como médium, está a palavra “psicodigitação“. Lendo o prefácio e trocando idéias com ele entendemos o motivo da designação que é mais do que exata. O prefácio explica:

“As mensagens constantes deste livro foram recepcionadas durante o período de 27.11.2001 a 19.07.2002. Tínhamos concluído e publicado o livro Espiritismo em Movimento cujos capítulos tinham sido inteiramente digitados pela confreira Diana Santiago da Fonseca, quando, em novembro de 1999, o Espírito de Deolindo Amorin convidou-nos à continuação do trabalho psicográfico. Sem tempo para a recepção e posterior digitação, objetei-lhe que as inúmeras tarefas e a saúde seriam obstáculos para a continuação da parceria, tendo ele sugerido a recepção direta no computador, libertando-me do trabalho posterior à psicografia. Aventurei-me porque no trabalho anterior tinha ele datilografado dois capítulos. E foi assim que a psicodigitação se iniciou” (…) ” Depois que Deolindo terminou os trabalhos que desejava realizar, Yogashririshnam, utilizou-se do mesmo método para continuar o intercâmbio”.

O trabalho anterior mencionado, “O Espiritismo em Movimento”, já foi comentado no Boletim, mas é importante recordar que é uma obra séria e de grande valia para o estudioso da doutrina, discutindo diversos problemas e situações que lidam diretamente com a forma como seus adeptos se organizam e a praticam.. Também chegamos a comentar outra obra do Espírito Yogashririshnam, que traz – dentro da forma de parábolas e pequenos estudos – reflexões profundas sobre o ser e sua vivência da Doutrina Espírita. As origens hindus do autor espiritual de maneira alguma significam sincretismo ou a propaganda de idéias filosóficas estranhas a Doutrina, mas lhe dão uma visão bastante peculiar de seus postulados que lhe permitem ir direto a pontos que normalmente nos passam despercebidos.

A obra que me chamou a atenção para a psicodigitação traz o título “Espaço, Tempo e Causalidade” (Bahia: Circulus, 2003), que a primeira vista parece ser um tratado de física, mas que na realidade se trata de um enfoque sociológico, com explica o Elzio:

” Ao leitor poderá parecer estranho o título Espaço, Tempo e Causalidade por não se tratar de um livro que aborde as questões relativas à ciência física. Determinados termos, porém, são empregados em diversos ramos do saber com diversidade de conceituação conforme o campo do conhecimento em que se estruturam. Espaço, tempo e causalidade são alguns deles. (…) O espaço social é o universo em que se processam as relações humanas ou o campo em que se desenvolvem os processos sociais“.

Desnecessário dizer – pois Elzio é companheiro de longa data no GEAE e também tem um histórico longo de atuação no movimento espírita – que seu trabalho é de grande confiabilidade, demonstrada inclusive na forma como ele descreve o “aprendizado” do processo de psicodigitação:

“Ao recepcionar as mensagens, tomei a precaução de cobrir a tela do monitor, digitando de olhos cerrados, rapidamente. Com o passar do tempo, concluí pela desnecessidade da ocultação, continuando a digitar sem visualizá-lo”.

E bastante interessante é que o aprendizado teve que ocorrer da parte de Yogashririshnam também:

“Pudemos notar que o Deolindo deveria sentir-se mais à vontade em fazê-lo, acostumado que era, em vida, a escrever seus textos diretamente na máquina de escrever. Yogashririshnam teve que se adaptar ao processo, segundo me parece, porque inicialmente eu cometia erros de digitação quando se tratava deste Espírito, o que quase não acontecia com Deolindo”.

A surpresa que tive foi resultado de perceber que este era um desenvolvimento perfeitamente natural no processo mediúnico – considerando o uso cada vez mais intenso do computador – e ao mesmo tempo de não ter ainda visto este gênero novo ser destacado. Também me chamou a atenção o fato de que – da mesma maneira que na época de Kardec* – tenham sido os espíritos que tomaram a iniciativa de propor um novo aperfeiçoamento no processo de transmissão das mensagens mediúnicas.

Enfim, eis que temos uma palavra nova no vocabulário espírita, que com o desenvolvimento da tecnologia e da sociedade, continua a se ampliar.

Muita Paz,

Carlos Iglesia

* “O meio de correspondência era demorado e incômodo. O Espírito, e isto é ainda uma circunstância digna de nota, indicou um outro. É um desses seres invisíveis que dá o conselho de adaptar um lápis a um cesto ou a um outro objeto” Allan Kardec, Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita – IV, O Livro dos Espíritos. Tradução Salvador Gentile, São Paulo: Instituto de Difusão Espírita, 1975.

(Publicado no Boletim GEAE Número 471 de 24 de fevereiro de 2004)

OS CORPOS SUTIS NA OBRA DE KARDEC

Elzio Ferreira de Souza

Ao definir o perispírito em O Livro dos Espíritos, Kardec o descreveu como sendo um laço que liga o espírito ao corpo físico.
Afirmou ser este constituído de eletricidade, de fluido magnético animalizado, de fluido nervoso, de matéria inerte, semimaterial, “matéria elétrica ou de outra tão sutil quanto esta”. É evidente que tais palavras não são sinônimas e que Kardec procurava abarcar mais amplamente a natureza do perispírito, dando a entender a existência de uma constituição plúrima (= múltipla), como se pode deduzir da assertiva de se tratar de um fluido nervoso.

Se o perispírito também se constitui de fluido nervoso, o espírito o conduziria, quando desencarnado, para o mundo espiritual? É evidente que não, pois o espírito terá que se desvencilhar dele ao abandonar o corpo. Se o perispírito é formado também por matéria inerte, é justo pensar que esta não acompanharia o corpo físico.

Segundo o espírito Erasto, o fluido vital é um apanágio (=atributo) exclusivo do encarnado. O espírito impele e dirige o fluido vital fornecido pelo médium no fenômeno mediúnico. Se Kardec considerou essa terminologia, então, deve se entender que, de alguma forma, ele reconhecia um compósito (=composto) na natureza do perispírito enquanto encarnado ao afirmar, no item 77 de O Livro dos Médiuns, que ele é formado por fluido vital, o elemento que é apanágio do homem.

Sendo este elemento que animaliza a matéria, desfazendo-se após a morte do corpo, constituinte do perispírito e transmissível em parte entre os indivíduos, devemos identificá-lo como a substância que, exteriorizada, chamamos de ectoplasma.

O Fluido Vital
Portanto, Erasto não estava se referindo ao fluido vital no sentido empregado algumas vezes por André Luiz, ou seja, como fluido de espíritos desencarnados, pertencente ao corpo astral, de acordo com a terminologia que adota para se referir aos colaboradores mediúnicos do mundo invisível.
Atentando-se para esse elemento que nasce com o homem e desaparece logo após a morte, podemos deduzir que ele constitui o duplo etérico, ao qual os grandes magnetizadores, os teosofistas e as doutrinas orientais também se referem. Na época, não se empregava o termo duplo etérico, mas quando Kardec escreveu que o perispírito é constituído de matéria sutil, nervosa e inerte, é evidente que ele estava se referindo ao perispírito como um corpo complexo, não de natureza única.

Outro indício dessa complexidade surge quando Kardec se refere à evolução do perispírito. No capítulo IV de O Evangelho Segundo o Espiritismo, o espírito São Luiz afirma que “o próprio perispírito sofre transformações sucessivas, eterizando-se cada vez mais até a depuração completa, que constitui os espíritos puros”. Segundo o codificador, “sabemos que, quanto mais eles se depuram, mais a essência do perispírito se torna etérea, de onde se segue que a influência material diminui à medida que o espírito progride, isto é, conforme o perispírito mesmo se torna menos grosseiro”.

Em O Livro dos Médiuns, disse ainda que “sua natureza se eteriza à medida que ele se depura e eleva na hierarquia”. É claro que, para a compreensão dos textos, existem duas hipóteses: o perispírito tornar-se-ia mais leve, os fluidos ficariam menos grosseiros, porém, a natureza seria idêntica, não sendo necessária a referência a um corpo complexo; a eterização do perispírito é de tal ordem que ele abandona determinadas camadas, próprias de certas zonas invisíveis, quando é elevado na hierarquia espiritual, passando a viver em esferas mais altas. Neste caso, teríamos indicações de uma natureza complexa para o perispírito nas referências. As duas hipóteses de compreensão não se excluem, pois as mensagens espirituais que têm sido recolhidas e a própria vidência deixam claro que o perispírito se mostra mais diáfano e luminoso à medida que o espírito se eleva.
O que se coloca como questão é se o espírito conserva um corpo espiritual da mesma natureza ao se elevar para zonas mais próximas da Terra ou se realmente há uma mudança em sua estrutura, necessária para a nova ambientação, levando à admissão de uma complexidade em sua organização.

Em outras palavras, a evolução do perispírito não seria mais do que a própria modificação dos corpos espirituais.
Kardec apenas ensaiava o estudo do perispírito e, portanto, não poderia conhecer tudo o que lhe dizia respeito. Os próprios espíritos não foram muito expressivos, seja porque preferiam dosar o ensino (como, aliás, sempre advertiram), porque a linguagem humana lhes assinalava óbvias restrições ou porque faltava conhecimento mais preciso do assunto para muitos dos comunicadores, decorrente da relatividade dos próprios espíritos, conforme Kardec assinalou tantas vezes.

No entanto, devemos recordar que, no Ensaio Teórico da Sensação nos Espíritos, presente no item 257 de O Livro dos Espíritos, o codificador deu mostras de sua larga visão. Partindo da eterização do perispírito (“quanto mais eles se depuram, mais a essência do perispírito se torna etérea”), ele concluiu que as sensações do ambiente terreno seriam inacessíveis para espíritos muito elevados, o que só poderia ocorrer se sua natureza fosse completamente diferente.

DOS CORPOS ESPIRITUAIS (A VISÃO DE ANDRÉ LUIZ)


  Podemos agora tecer algumas considerações a respeito do problema dos corpos espirituais na obra de André Luiz, psicografada pelo médium Chico Xavier, procurando esclarecer alguns detalhes que parecem bastante importantes.

A partir de seu primeiro livro, Nosso Lar, no qual relata suas primeiras experiências no plano espiritual, André Luiz faz referência a vários corpos espirituais: duplo etérico, corpo astral, corpo mental e corpo causal. Inicialmente, devemos lembrar que ele utiliza o termo perispírito em sentido estrito, para significar apenas o segundo corpo após o organismo físico, que sobreviverá a este com algumas diferenças. Ele usa os termos corpo astral, corpo espiritual e psicossoma como sinônimos. Para os outros corpos, utiliza vocábulos consagrados entre os magnetizadores e espiritualistas (duplo etérico, corpo mental e corpo causal). Ele não se refere à existência de outros corpos que correspondessem aos denominados corpos moral, intuitivo e consciencial, isto é, os Aerossomas V, VI e VII da classificação de Charles Lancelin.

A divergência pode se tornar uma simples questão de palavras se encararmos o perispírito como sendo um corpo complexo, formado, por assim dizer, de “camadas”, sintetizando todos os corpos espirituais.
Para o dr. Antônio J. Freire, a concepção clássica do ternário humano não implica necessariamente a homogeneidade do perispírito. As palavras pouco importam aos espíritos, competindo ao homem formular uma linguagem que elimine controvérsias.

Duplo Etérico

No primeiro volume de Doutrina e Prática do Espiritismo, Leopoldo Cirne (1870-1941) já deduzia, das experiências de materialização, a existência de um corpo invisível no ser encarnado, distinto do perispírito, que poderia subsistir por algum tempo depois da morte física, mas que não permaneceria ligado ao espírito desencarnado. Ele o denominou como corpo etéreo, duplo astral, corpo astral, que seria responsável pela possibilidade de materialização dos espíritos. Depois, em O Homem Colaborador de Deus, publicado após sua morte, Cirne manteve seu ponto de vista sobre a existência de um corpo não-físico durante a vida.

Em Nos Domínios da Mediunidade, André Luiz diferencia o perispírito (tratado por ele também como corpo astral, corpo espiritual e psicossoma) do duplo etérico, cuja natureza ele esclarece ser “um conjunto de eflúvios vitais que asseguram o equilíbrio entre a alma e o corpo de carne, (...) formado por emanações neuropsíquicas que pertencem ao campo fisiológico e que, por isso mesmo, não conseguem maior afastamento da organização terrestre, destinando-se à desintegração, tanto quanto ocorre ao instrumento carnal por ocasião da morte renovadora”.

O duplo etérico não é mais do que o corpo vital, também denominado de corpo ódico e corpo ectoplásmico, exatamente o que cede o ectoplasma para a produção de efeitos físicos. Nas ocorrências de materialização, por exemplo, ele pode se desdobrar a partir do corpo físico, permitindo ao espírito comunicante uma sobreposição, quando a manifestação acontece com apropriação por parte daquele, ou apenas ceder o ectoplasma disforme, que possibilita ao espírito construir um corpo.

No primeiro caso, o espírito materializado guarda uma certa semelhança com o médium, proporcionando aos críticos apressados a alegação de fraude. No entanto, sua função em relação à mediunidade não se limita a esses fenômenos, dizendo respeito a toda espécie de fenômeno mediúnico.

Tendo perdido o duplo etérico ou corpo vital, constituído dos fluidos vitais aos quais Kardec se referia, ao se desligar do corpo físico pelo desencarne, o espírito dele necessita para sua ligação com o médium, modo pelo qual se recupera parcialmente o elemento perdido, possibilitando-lhe agir sobre a matéria.
Quando o médium se desdobra sem muita prática, faz com que o duplo etérico seja levado para fora do corpo físico, aparecendo ao vidente como se fosse um duplo do indivíduo, porém, com deformações.

Por isso, ele não poderá ficar mais do que cinco ou dez metros longe do corpo físico, pois a ultrapassagem desse campo causaria sua morte. Por outro lado, pode surgir ao vidente como um fantasma, com cores diferentes do lado direito e esquerdo, às vezes, também com a cor azul.
Nas experiências realizadas pelo coronel Albert de Rochas com Eusápia Paladino em estado de hipnose, a médium descreveu o surgimento de um fantasma de cor azul, de cuja substância o espírito de John se servia durante as reuniões. O fato confere com as explicações fornecidas pelo espírito Katie King e constantes no relatório de Florence Marryat, que abordavam a existência de um corpo do qual se servia, mas que lhe apresentava tamanha resistência passiva que não era possível evitar os traços de semelhança com o médium durante as materializações.

A vidente Prevorst denominou esse corpo de “espírito de nervos” ou “princípio de vitalidade nervosa”, cuja função seria permitir a ligação do espírito com o corpo.
Uma sonâmbula do reverendo Werner também se referiu a um “fluido nervoso” que seria indispensável para que a alma entrasse em relação com o corpo. Durante suas experiências de magnetização dos sensitivos, Albert de Rochas, Hector Durville, H. Baraduc e outros verificaram que estes descreviam o desdobramento de um “fantasma ódico” que tinha uma cor alaranjada à direita e azulada à esquerda, estando ligado ao corpo físico por um cordão fluídico fixado na região esplênica.

DEFORMIDADES NA EXTERIORIZAÇÃO


Descrevendo o desdobramento de um médium, André Luiz nos oferece alguns dados que permitem uma comparação. “O médium, assim desligado do veículo carnal, afastou-se dois passos, deixando ver o cordão vaporoso que o prendia ao campo somático. Enquanto o equipamento fisiológico descansava imóvel, 

Castro, tateante e assombrado, surgia junto a nós em uma cópia estranha de si mesmo, porquanto, além de maior em sua configuração exterior, apresentava-se azulada à direita e alaranjada à esquerda”. O espírito esclarece ainda que, quando foi submetido a um médium para renovar as operações magnéticas, Castro teria recuado o duplo etérico até o corpo físico, que engoliu instintivamente certas faixas de força, e se apresentado normalmente fora da matéria densa a partir desse instante.

Essa deformidade existente na exteriorização do duplo etérico foi observada por Mircea Eliade. “Eu vi o corpo do médium, não o físico, mas o fluídico. Estava sentado, porém, tinha uma grande diminuição dos membros inferiores, as pernas se apresentavam curtas e disformes, projetando-se para um lado. Era uma parte distorcida, como se visse uma sombra na parede que, ao movimentar o corpo, tomasse a forma com distorção. A cor era esbranquiçada, como um duplo do médium”, contou.
A clarividente verificou que aplicaram uma espécie de “máscara”, parecida com a utilizada em combates de esgrima, antes da tela final de proteção, algo branco que dava a impressão de ser acolchoado, tomando parte da testa até mais ou menos a boca.
Ajustada essa máscara, o duplo etérico começou a tomar proporções corretas, reajustando-se todo o corpo fluídico. Porém, é de se notar que, ao invés de uma figura maior, o médium teve os membros diminuídos. Só que em outro registro, ela anotou que viu “todo o rosto do médium ondulando como uma imagem desfocada, com coloração inicialmente esbranquiçada”.

Comparando-se a descrição de André Luiz com as referidas acima, no que tange à coloração com que se apresenta o duplo etérico, notamos a divergência com relação à localização das cores azul e laranja (ou avermelhada). Em nosso grupo de trabalho, também tinha sido observada a luminosidade avermelhada à direita e azulada à esquerda, o que não só coincidia com aquelas observações, mas também com as de Shaffica Karagulla, registradas durante as pesquisas feitas sobre os pólos do ímã com a clarividente Diana.
Segundo seu registro, o campo de energia da mão direita (avermelhada) e o pólo sul do ímã (com uma névoa de cor avermelhada) se repeliam, enquanto que, ao segurar o mesmo pólo com a mão esquerda (azulada), ocorria uma atração entre os dois campos. Com o pólo norte, que apresentava uma névoa azulada, aconteceu exatamente o contrário, criando um campo de atração com a mão direita e de repulsão com a esquerda.

As cores dos pólos do ímã correspondem à descrição feita pelo barão Reinchenbach acerca de uma experiência realizada com a senhorita Nowstuy, em abril de 1774, na cidade de Viena, Áustria: pólo sul, amarelo-avermelhado; pólo norte, azul. Correspondem também às experiências do dr. Luys. Então haveria uma contradição com a descrição de André Luiz? É bem verdade que o próprio dr. Luys apurou também que alguns dos sensitivos percebiam o lado direito com uma coloração azul (violeta nos histéricos) e o esquerdo emitindo eflúvios vermelhos, o que coincide com o registro de André Luiz.
A solução dessa aparente contradição é dada pelo próprio dr. Luys. Ele esclarece que, muitas vezes, os sensitivos invertem as colorações que atribuem aos fluídos, isto é, existem aqueles que vêem o vermelho no lado direito e o azul no esquerdo. Quando isso acontece, fazem sempre do mesmo modo, apresentando-se as cores dos pólos do íma igualmente alteradas, ou seja, invertidas.

O duplo etérico também aparece à evidência de modo distinto, como se a “pele” que o reveste fosse retirada e se pudesse enxergá-lo interiormente. Há muito tempo, tivemos a ocasião de observar, ao lado de um médium que expressava a comunicação de um espírito sofredor, um duplo formado por finos fios, com uma luminosidade semelhante a tubos de neon. Parecia uma múmia, com a particularidade de que os fios eram finíssimos. Outros médiuns também realizaram observações desse tipo. “Comecei a ver o lado direito do médium, era como se estivesse todo cheio de fios, que pareciam nervos, feitos de uma substância alva, prateada. Eu não via o médium, somente os fios”, relatou Mircea Eliade. A descrição coincide com a fornecida por Karagulla, ou seja, “para o clarividente, o corpo etérico parece uma teia luminosa de linhas finas e brilhantes”.

O PERISPÍRITO


Já destacamos o fato de que André Luiz utiliza o termo perispírito em um sentido estrito, como sinônimo de corpo astral. No livro Entre a Terra e o Céu, ele o descreve como sendo formado de matéria rarefeita, “intimamente regido por sete centros de força que se conjugam nas ramificações dos plexos e que, vibrando em sintonia uns com os outros, ao influxo do poder diretriz da mente, estabelecem, para o nosso uso, um veículo de células elétricas que podemos definir como sendo um campo eletromagnético, no qual o pensamento vibra em circuito fechado”. Em regiões destinadas à renovação espiritual, como a colônia Nosso Lar, o perispírito é o veículo de manifestação para as atividades do espírito.

Segundo André Luiz, o corpo espiritual é o “santuário vivo no qual a consciência imortal prossegue em manifestação incessante além do sepulcro, formação sutil urdida em recursos dinâmicos e extremamente porosa e plástica, em cuja tessitura as células, em outra faixa vibratória, face ao sistema de permuta visceralmente renovado, são distribuídas mais ou menos à feição das partículas colóides, com a respectiva carga elétrica, comportando-se no espaço segundo a sua condição específica e apresentando estados morfológicos conforme o campo mental a que se ajusta”. Ele possui uma estrutura eletromagnética e se encontra algo modificado em relação ao corpo físico, no que se refere a fenômenos genésicos e nutritivos, sob a direção da mente que o rodeia. Quando o espírito reencarna, desfaz dos elementos próprios do plano astral. André Luiz refere-se mesmo ao fenômeno da “segunda morte” ou morte do perispírito, que ocorreria em três situações distintas: quando os ignorantes e maus se pervertem adensando a mente e gravitando em torno de paixões infelizes (formas “ovóides, verdadeiros fetos ou amebas mentais”); quando se verificam as operações redutoras para renascimento na carne; quando os espíritos enobrecidos conquistam os planos mais altos. Para maiores informações sobre o assunto, consulte o livro Evolução em Dois Mundos.

Na segunda hipótese, quando o Espírito reencarna obrigatoriamente, o processo de restrição verifica-se em pavilhões de restringimento, sendo ele transformado em sêmen espiritual, “Reduzido a um diminuto corpo ovalado, onde estão preservados os seus centros de força”, “lembrando uma pastilha”. Segundo informação de Francisco Cândido Xavier, os despojos são enterrados num cemitério (ibidem). Na terceira hipótese, o Espírito, passando a viver em região superior, não pode levar instrumento útil na inferior – “o tipo de veículo utilizável se modifica. Utiliza-se então de outro corpo – o mental.

Corpo Mental
Ao descrever suas primeiras experiências no mundo espiritual, André Luiz permite que se deduza a existência de um outro corpo ligado ao corpo astral. Quando sua mãe o visitou, estando ele em tratamento no Ministério do Auxílio, necessário foi lhe passar pelos Gabinetes Transformatórios do Ministério da Comunicação. Por outro lado, como vivesse ela em zona superior, só pode visitá-la durante o sono, e, para tanto, teve que aproveitar o ensejo do repouso após o serviço nas Câmaras de Retificação, quando se desprendeu em outro corpo (mental), amparados por espíritos amigos: “O sonho não era propriamente qual se verifica na Terra. Eu sabia perfeitamente que deixara o veículo inferior no apartamento das Câmaras de Retificação, na colônia espiritual Nosso Lar, e tinha a absoluta consciência daquela movimentação em plano diverso”.

André Luiz faz uma referência expressa ao corpo mental em Evolução em dois Mundos, afirmando que o perispírito ou corpo espiritual “retrata a si o corpo mental que lhe preside a formação”, isto é, “o envoltório sutil da mente”. Esclareceu André Luiz que, na falta de terminologia adequada, ficava impossibilitado de defini-lo com maior amplitude de conceituação, além da que tem sido utilizada pelos pesquisadores.

Corpo Causal
André Luiz reporta-se ainda ao corpo causal, como sendo a “roupa imunda”, “tecida por nossas mãos, nas experiências anteriores “. Assim sendo, verificamos que o corpo causal é o ponto de registro, o banco divino, onde se encontram os nossos “débitos” e os nossos “créditos”, e que se, presentemente, é ainda roupa imunda. Isto ocorre por desídia nossa, pois a tarefa reencarnatória se destina a “nos purificarmos pelo esforço da lavagem”, tarefa que, na maior parte das vezes, não empreendemos. As explicações são do espírito Lísias, visitador dos serviços de saúde: “Imagine, explica Lísias, que cada um de nós, renascemos no planeta, somos portadores de um fato sujo, para lavar no tanque da vida humana. Essa roupa é o corpo causal, tecido por nossas mãos nas experiências anteriores”. Os hindus denominam-no Kâranakosha (corpo causal) ou Anandamaykosha (corpo de bem-aventurança) , o corpo de luz, naturalmente porque se reportam a ele devidamente depurado.

Essa pluralidade de corpos invisíveis corresponde ao que sabemos a respeito através de outra religiões e filosofias. A seqüencia de rarefação dos corpos torna-se compreensível, se atentarmos para a adversidade de planos espirituais , bem como para o fato de que as zonas espirituais devem ser formadas de distintas matérias e os corpos devem ser compatíveis com elas. A questão que se coloca é a de saber o motivo pelo qual André Luiz teria preferido utilizar o termo perispírito para designar só um desses corpos, sem dar um sentido amplo para o mesmo. Provavelmente, porque o que se designa por perispírito é exatamente o corpo astral que se revela nos lances da clarividência, e por ser essa matéria sutil com a qual o espírito se individualiza após a perda do corpo físico nas zonas mais próximas à Terra. Qualquer que seja a preferência na utilização da terminologia, é preciso estar atento para essa particularidade na leitura de André Luiz, bem como deixar claro o significado do termo em qualquer exposição.

CORRESPONDÊNCIAS (ENTRE OS CORPOS)

Sabemos que os fenômenos psicológicos exigem uma base física no organismo humano, isto é, eles se produzem em nosso nível de ação ancorados pelo sistema nervoso central e periférico. Do mesmo modo, existem nos vários corpos espirituais sistemas próprios equivalentes que sustentam esses fenômenos. Registrando as palavras do assistente espiritual Calderaro, André Luiz descreve: “Todo campo nervoso da criatura constitui a representação das potências perispiríticas, vagarosamente conquistadas pelo ser, através de milênios e milênios “. O sistema nervoso é o ponto de contato entre o perispírito e o corpo físico.
Ele “mais não é do que a representação de importante setor do organismo perispirítico”. É no sistema nervoso e no sistema hemático que possuímos as duas grandes âncoras do organismo perispiritual com relação ao físico. Não há de causar admiração o fato de haver, no perispírito, sistemas correspondentes aos do organismo físico, desde que, afinal, aquele é que modela este.
“(...) o nosso corpo de matéria rarefeita está intimamente regido por sete centros de força, que se conjugam nas ramificações dos plexos e que, vibrando em sintonia uns com os outros, ao influxo do poder diretriz da mente, estabelecem para nosso uso, um veículo de “células elétricas”, que podemos definir como sendo um campo eletromagnético, no qual o pensamento vibra em circuito fechado”.

André Luiz descreve o perispírito como sendo formado de matéria rarefeita, intimamente regido por sete centros de força que se conjugam nas ramificações dos plexos e que vibram em sintonia.


A concepção tríplice do Homem (Espiritismo):
Espírito – Perispírito – Corpo.
Nesta visão, o perispírito representa toda
a gama de corpos sutis (corpo astral e mental e causal)
ensinados nas demais doutrinas espiritualistas.

Para os hindus, o chacra esplênico não é considerado um dos sete principais.
É um chacra secundário.