Estudando o Espiritismo

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sexta-feira, 1 de junho de 2018

Amizade é o amor sublimado

Amizade é o amor sublimado

Nascer e morrer são duas situações que deveriam ser encaradas pelos encarnados como uma coisa normal. A pessoa, para nascer, recebe ajuda de pessoas especializadas e. na minha época. em vida, de parteiras prestimosas. era o chegar ria vida. Ali era cortado o cordão umbilical, a criança respirava pelos seus pulmõezinhos e começava mais unia etapa reencarnatória, mais experiências, mais vivências, o resgatar de débitos, o assimilar de conhecimentos e a vida era recebida, na sua grande maioria. com manifestações de alegria. Era um bebê que chegava, era uma vida nova.

Quando a pessoa desencarna, ela tem os mesmos preparativos de quando ela nasce, ela parte para o inundo espiritual‑. Assim como existe para os que nascem o cordão umbilical, existe no plano espiritual o cordão fluídico, seja qual for a forma pela qual a pessoa desencarnou, com exceção de mortes violentas ou suicídio‑ que quando .não está tempo previsto, o cordão fluídico rompe‑se com violência‑ existem os mesmos aparatos, cortar o cordão fluídico, a importância desse seccionar o cordão fluídico paia que o espírito permaneça num mundo espiritual sem aquela força vital que pode lhe trazer alguns distúrbios. É a mesma técnica para se nascer, porque se você não cortar bem o cordão umbilical, ou deixá‑lo sem cortar, a criança pode se esvair em sangue. Então, a vida material depende desse cortar do cordão, como a vida espiritual, no seu equilíbrio, depende desse cortar do cordão fluídico.

Mas o ser humano encara a vida como promessa e o desencarne como uma fatalidade. O desencarne material programado. aquele desencarne que é o cessar da prova, é visto no plano espiritual com muita alegria por aqueles que se encontram, no além. P com muita tristeza quando alguém parte por acidente, por invigilância ou por suicídio porque sabemos que aí a criatura vai esvaindo o seu fluido vital em grande sofrimento, não terá toda aquela ;reparação para se esgotar o fluido vital e ajuda: esta pessoa. então ela ficará colocada à própria sorte, porque se rebelou contra os desígnios divinos, se rebelou contra a dor que ela mesma programou para si.

Porque, se nós sofremos, se nós choramos, se passamos por testes difíceis, se o desespero nos bate à porta da alma, tudo isso foi conquistado pela nossa vontade, com nossos esforços, com as nossas opções de ‑‑ida. em decorrência das nossas decisões tomadas em vidas pretéritas.

Existem aquelas vidas em que, na própria carne, a pessoa já vai complicando o seu quadro cármico, com atitudes, com viciações, com imprevidência, com leviandade, com desonestidade, com indignidade, tudo isso são agravantes sérios para a criatura que já traz uma programação reencarnatória, dificuldades para serem superadas e tudo isso representará também agravantes seríssimos no plano espiritual para a pessoa que veio resgatar o que leva na sua bagagem, mais algumas contas para saldar. No geral do saldo ainda fica o devedor.

Sabemos o quanto é difícil enfrentar o mundo com as suas lutas, tomar as decisões certas, nos momentos mais imprevistos. Nós estamos juntos a todos vocês, sentimos a dor de todos vocês. compartilhamos desta dor e procuramos minorá‑las tanto quanto possível, mas respeitando sempre o canoa de cada urre, porque se nós não respeitarmos esse traçado cármico, nós estaremos impedindo as pessoas que amamos de crescer.

Uma criança aprende a escrever com sua própria mão, ela não aprende a escrever com a mão da mãe ou a do pai. A mãe que faz os exercícios do filho não está ajudando o seu filho, ela tem que ajudar o filho a superar as suas dificuldades, ensiná‑lo. estar presente, ter aquela voz mansa, não aquela voz traumática e agressiva, não a voz punitiva, mas a voz apoio, para que o filho aprenda. sem traumas, adquira conhecimentos de forma agradável. Mas a criança tem que fazer por ela, tem que amealhar conhecimentos. tem que incorporar em seu cérebro as informações que obtém no curse que está realizando, e, no curso da vida, as experiências naturais de todo espírito em desenvolvimento.

Por isto, fazer grandes dramas diante da morte só complica o quadro cármico daqueles que estão na terra e daqueles que partiram, porque a saudade desequilibrada, o amor desajustado, provoca sofrimentos enormes, mesmo para aqueles que já estão en5 colônias, já estão em hospitais e enfermarias. Eles passara por convulsões, espasmos violentíssimos, passam horas, dias era inconsciência, só recebendo aquelas emanações envenenadas da terra.

Por isso, em relação àqueles que partiram de uma forma violenta, desajustada ou suicídio, não .se deve pensar nas imagens negativas que eles deixaram. Deve‑se pensar nos instantes em que eles foram felizes, deve‑se pensar em momentos jubilosos. não nos instantes dolorosos, para que eles tenham força e se alimentem dessas energias lenitivas que são emitidas pelo pensamento.

Abençoado aquele que sabe orar pelos que partiram, porque nós sabemos a terapia de apoio que representa. mesmo para os que estão muito desajustados no plano espiritual. Às vezes nos encontramos com eles nos corredores, radiosos, felizes e perguntamos

‑ Porque você está tão feliz ?

‑ Recebi hoje uma prece de uma pessoa amiga. E essa notícia me foi muito prazerosa.

Ou então, quando alguém está dando uma aula, fazendo urra palestra ou recebendo uma terapia e chega aquela vibração boa, aí é projetado nos telões de prece‑ que nós chamarmos de telas de prece‑ em que é projetado o rosto da pessoa ali. Muitas vezes eles choram.

‑ Porque que esta pessoa que eu não conheço está orando por mim ? Porque não estão orando por mim meus parentes. meus filhos, meus amigos?

Naquele instante ele percebe, o ser que está recebendo a prece, que realmente a amizade não está ligada aos elos biológicos, amizade é o amor sublimado, na sua mais alta essência divina. Amizade é o sentimento mais puro que envolve a terra. Amor e paixão passam em várias experiência reencarnatórias, mas, a amizade são os companheiros de sempre, nas alegrias de sempre.


Autor: Bezerra de Menezes
Psicografia de Shyrlene Soares Campos

Amizade e compreensão



"Com leite vos criei, e não com manjar, porque ainda não podíeis, nem ainda agora podeis." - Paulo (I Coríntios, 3:2).

Muitos companheiros de luta exigem cooperadores esclarecidos para as tarefas que lhes dizem respeito, amigos valiosos que lhes entendam os propósitos e valorizem os trabalhos, esquecidos de que as afeições, quanto as plantas, reclamam cultivo adequado.

Compreensão não se improvisa. É obra de tempo, colaboração, harmonia.

O próprio Cristo, primeiramente, semeou o ideal divino no coração dos continuadores, antes de recolher-lhes o entendimento. Sofreu-lhes as negações, tolerou-lhes as fraquezas e desculpou-lhes as exigências para formar, por fim, o colégio apostólico.

Nesse particular, Paulo de Tarso fornece-nos judiciosa lição, declarando aos Coríntios que os criara "com leite". Tão pequena afirmativa transborda sabedoria vastíssima. O apóstolo generoso, gigante no conhecimento e na fé viva, edificara os companheiros de sua missão evangélica em Corinto, não com o alimento complexo das teses difíceis, mas com os ensinamentos simples da verdade e as puras demonstrações de amor em Cristo Jesus. Não lhes conquistara a confiança e a estima exibindo cultura ou impondo princípios, mas, sim, orando e servindo, trabalhando e amando.

Existe uma ciência de cultivar a amizade e construir o entendimento. Como acontece ao trigo, no campo espiritual do amor, não será possível colher sem semear.

Examina, pois, diariamente, a tua lavoura afetiva. Observa se estás exigindo flores prematuras ou frutos antecipados. Não te esqueças da atenção, do adubo, do irrigador.
Coloca-te na posição da planta em jardim alheio e, reparando os cuidados que exiges, não desdenhes resgatar as tuas dívidas de amor para com os outros.

Imita o lavrador prudente e devotado, se desejas atingir a colheita de grandes e precisos resultados.

AMIZADE, NECESSIDADE RECÍPROCA DOS HOMENS ENTRE SI


AMIZADE, NECESSIDADE RECÍPROCA DOS HOMENS ENTRE SI
“8 . – A encarnação é necessária ao duplo progresso moral e individual do Espírito: ao progresso intelectual pela atividade obrigatória do trabalho; ao progresso moral pela necessidade recíproca dos homens entre si. A vida social é a pedra de toque das boas ou más qualidades“.
                        (O Céu e O Inferno, Cap. III - Grifos nossos)

Uma pergunta para iniciar a nossa “conversa” já que tratamos da “música” da alma no artigo passado: Qual é o gosto, o tom, o cheiro, a cor, o ritmo da amizade?  Um amigo talvez seja como um jardim que nós cultivamos… nós o conhecemos, sabemos dos detalhes, mas sempre que repararmos bem, isto é, sempre que prestarmos um pouco mais de atenção, vamos notar algo que ainda não havíamos notado. Algo que já estava lá ou que apareceu a partir de uma mudança: uma nova flor, um broto que cresceu, tons diferentes. Um amigo é sempre uma novidade, ao mesmo tempo em que não cansa e nem causa ansiedade. Quantos amigos teria o leitor ?

Ora, mas um jardim necessita de quem o cuide…senão as ervas daninhas crescem e consomem toda estesia do momento de fruí-lo. Fruir. Isto é o que permite um amigo. De algum modo podemos fruir, saborear a amizade. Se ela causa ansiedade, se ela provoca aqueles vazios, quando procuramos as palavras certas com que preencher a conversa, talvez (ainda) não seja amizade! É preciso cultivar mais, isto é, prestar mais atenção e cuidar do jardim. Há no livro dos Espíritos uma pergunta sobre a criação dos Espíritos. Eis a resposta: Eles são criados simples e ignorantes. Que bela síntese! Simples, isto é, sem experiência. Ignorantes, isto é , sem conhecimento. Ora, tomemos emprestada essa idéia e façamos um paralelo com relação a um amigo novo: ignoramos quem ele seja e ainda não construímos experiências com ele.

Então, seguindo o exposto no artigo anterior (sobre os ingredientes da motivação,i.e., atividade, qualidade e felicidade), qualidade é isso: o gosto daquilo que experimentamos, daquilo que levamos na nossa exploração de um jardim que ainda não conhecíamos. Mais tecnicamente, as qualidades são os recursos empregados na ação (nosso conhecimento, nossas habilidades, tudo combinado, caracterizando o ”tamanho”, a “clareza”  da nossa percepção para captar o essencial). Então a qualidade da ação vai determinar a estreiteza ou amplidão do que “vemos”, como uma janela. Também vai permitir distinguir o nível dos detalhes, a visão de profundidade. Ela estará relacionada aos sentimentos – trata-se, lembrando Kardec, da qualidade dos fluidos que produzimos no pensar. Gosto porque se trata de pensar (ver) pequeno ou grande, mesquinho ou generoso.

Mas, então, repare o leitor que pode não ser fácil fruir a estesia de um jardim. Há que se estar em certo estado de espírito que permita captar o essencial. O coração precisa sorrir e se sentir em paz. Só assim vai encontrar aquilo que procura: o outro, isto é, alguém para amar. E isso tudo no justo momento que passa.

Pode parecer estranho ao leitor o que vamos dizer, mas o passado e o futuro só devem existir no pensamento do homem. Deus não foi e nem será. Deus é. Por isso, então, a vida que nos cabe viver não é nem a que já foi e nem a que virá. A única que pode ser vivida é a de agora. Não perca o agora, talvez cante  o refrão divino... Ele nunca mais se repetirá… E do que é feito o agora? É o espaço da nossa construção feito de momentos marcados por encontros com o outro. Daí a importância dos relacionamentos, segundo Kardec, sempre tão lúcido, a pedra de toque das qualidades…Porque de alguma forma o encontro com o outro nos mantém no aqui e agora. O outro nos solicita a atenção, levando-nos a confrontarmo-nos com as próprias qualidades na relação. Ou como diz Kardec na nossa obra de estudo:

“A bondade, a maldade, a doçura, a violência, a benevolência, a caridade, o egoísmo, a avareza, o orgulho, a humildade, a sinceridade, a franqueza, a lealdade, a má-fé, a hipocrisia, em uma palavra, tudo o que constitui o homem de bem ou o perverso tem por móvel, por alvo e por estímulo as relações do homem com os seus semelhantes.” (grifos nossos)

Não admira que tantos teimem a relação aberta e transparente: o perigo de se encontrar e (ter) de se reconhecer… E de quantas estratégias não lançamos mão para evitar esse encontro! Como dizia Mário Quintana, “quantas vezes a gente, em busca de ventura, procede  qual o avozinho infeliz: em vão, em toda parte, os óculos procura, tendo-os na ponta do nariz!” É para evitar o agora (o momento) do encontro… procurar, procurar, sofregamente, sem encontrar, para fazer o tempo passar e não deixar nunca o agora chegar.

Mas é também por isso que não podemos escolher todas as relações (encontros). Com quem vamos nos encontrar amanhã? Uma coisa só é certa: Há que progredir, crescer em sensibilidade, desenvolver a estesia na própria alma para poder enxergar(-se)! O que fazer, então? Ficar sábio, isto é, aprender a ‘con + viver’, ‘viver junto a’. E, nas palavras de Roland Barthes (professor do College de France) sobre o sentido de ficar sábio:

“Nada de poder;

Um pouquinho de saber;

E o máximo possível de sabor…”

Em outras palavras: a vida vista com uma imensa simplicidade. Não querer mandar, não se intoxicar de vaidades intelectuais. Mas buscar encontros sucessivos e inesperados com a alegria de “con + viver”, que está sempre ao alcance da mão. E note o leitor que ela, a alegria, mora no momento que passa, apenas. Nós a perdemos porque pensamos que ela virá no futuro. Depois de alguma coisa incrível que mudará nossa vida.  Ou porque algo do passado nos aprisiona (remorsos?), impedindo-nos o contato com o momento que passa!

E com isso podemos entender melhor a colocação acima em O Céu e o Inferno sobre a importância dos relacionamentos, onde é fundamental saber transformar a qualidade dos encontros no sentido da amizade. Reparemos que os próprios Espíritos nos relatam essa experiência nos romances que nos oferecem, as paixões, (i.e., relações de amor e ódio) se transformando em sólidas e profundas experiências de amizade. Isso deve nos apontar uma direção a seguir: Fazer do outro (mesmo quando um velho conhecido) um amigo novo, onde saibamos dar sabor às nossas atitudes, temperando-as pela perspectiva mais aberta com que enxergamos a importância do momento que fruímos na convivência com ele. Às vezes , para isso, é preciso desaprender, abandonar a casca velha, permitindo que a vida possa brotar de novo, fresca, renovada: nascer de novo! Abandonar aquilo que já é peso inútil, os entulhos que pesam no coração, idéias falsas como a de que a encarnação tem por motivação equilibrar uma conta tipo débito / crédito. Mas entendê-la como educação que promove a liberdade do espírito para amar, onde os atos inteligentes são sempre intencionais. E o que seria o Espiritismo nesse processo senão um bom motivo para os atos inteligentes, onde buscamos a alegria na experiência de crescer?  Nas palavras de Khalil Gibran:

“E que não haja outra finalidade na amizade a não ser o amadurecimento do espírito. (…) “

“Procurai-o (o amigo) sempre com horas para viver:

O papel do amigo é o de encher vossa necessidade, não vosso vazio.

E na doçura da amizade, que haja risos e o partilhar dos prazeres.

Pois no orvalho de pequenas coisas, o coração encontra sua manhã e sente-se refrescado.”

Horas para viver com sabor os momentos de crescer…Quantas horas reserva o leitor para viver ?

Vanderlei Luiz Daneluz Miranda
Setembro / 2002

Reflexões sobre a amizade


Por Wellington Balbo – Bauru SP

 

“O homem sente as primícias da felicidade na Terra quando se
encontra com almas que pode desfrutar uma união pura e santa”.
Pensamento de Allan Kardec que está contido em O livro dos Espíritos na questão de n 980.

Wellington Balbo - arquivo VE
Wellington Balbo – arquivo VE

O codificador está repleto de razão, se pararmos para uma observação em nossa vida constataremos que os momentos mais felizes de nossas existências foram ao lado dos amigos, sejam reais, virtuais que também são reais. Ninguém é feliz sozinho.

Temos a necessidade de compartilhar nossas alegrias, conquistas, derrotas, vitórias e, claro, fazemos isso com os amigos. Como diz o povo: Quem tem amigo não morre pagão!

E mais uma vez Kardec captou com maestria essa necessidade humana. Mas diante do número estrondoso de gente decepcionada com a outra, de gente que fala assim: “Ah, ele não era aquilo que esperava! Ou: Puxa, não sabia que você era desta forma! Ou ainda: Era um lobo que estava em pelo de cordeiro!” – Decidi fazer minha reflexão sobre a amizade, os amigos e o que podemos esperar deles. Sim, claro, porque é fundamental para uma relação saudável sabermos o que esperar dos amigos. Não posso, ou melhor, não devo considerar que os amigos podem tudo e estarão conosco para sempre. Esta ideia é que causa a decepção em relação aos outros e nos faz ficar muitas vezes sozinhos, sem ter com quem conversar, compartilhar, dividir.

Primeiro e óbvio passo é compreender que nossos amigos estão na Terra, planeta de provas e expiações. Esse conhecimento por si só elimina a ideia de que são santos, anjos e não cometerão erros. Conscientes disso já podemos entender que nossos amigos em algum momento não corresponderão às nossas expectativas, mas ainda assim serão nossos amigos. Essa concepção vai livrar-nos da desilusão e de perdermos uma boa amizade.

Depois é fundamental entendermos que estamos todos, nós e nossos amigos, evoluindo juntos, crescendo, aprendendo, progredindo, portanto, menos carga no ombro deles, mais leveza nas relações.

Por isso considero muito importante nossa reflexão sobre a amizade e os amigos até para não sermos injustos com eles. E, repito para que possamos entender: Muitas vezes colocamos uma carga pesada demais nos ombros dos amigos e eles, claro, são seres humanos, falham e o resultado é aquela velha decepção com as pessoas … Lá se vai uma boa amizade embora…


Compreendamos: Até há amigos para todas as horas, todos os momentos, mas são raros os casos, muito raros.  Penso que ainda temos uma visão muito romântica das coisas, mais ou menos assim: Esse cara não erra, é amigo pra toda hora e, portanto, viveremos  felizes para sempre…e por ai vai…

Mas não é bem assim.

Há amigos, por exemplo, que compartilham apenas as horas de alegria, outros gostam de estar na tristeza ao nosso lado… Outros são amigos que nos socorrem em dificuldades financeiras, outros não servem pra isso, mas nos dão suporte emocional… Outros são bem prestativos, mas não gostam muito de prosa, de sair, enfim…

O que quero dizer com essa conversa sobre amizade? Quero dizer que nas amizades devemos ser um pouco mais racionais e menos emocionais até para não perdermos um grande e verdadeiro amigo, mas que tem suas limitações e não estará conosco em todas as horas… Porém, nem por isso deixa de ser um bom amigo, que podemos passar horas, dias e momentos de muita felicidade ao seu lado… Menos peso nos outros, mais alegria e compreensão nas relações e desfrutaremos, como diz Kardec, de um pouco de felicidade aqui na Terra, ainda como encarnados e ao lado dos amigos.

A AMIZADE E A PRECE

Amizade: Revista Espírita, junho de 1863:

A AMIZADE E A PRECE

(Sociedade Espírita de Viena, Áustria – Traduzido do alemão)

Ao criar as almas Deus não estabeleceu diferença entre elas. Que esta igualdade de direitos entre elas sirva de princípio à amizade, que outra coisa não é senão a unidade nas tendências e nos sentimentos. A verdadeira amizade só existe entre os homens virtuosos, que se reúnem sob a proteção do Todo-Poderoso, para se encorajarem reciprocamente no cumprimento de seus deveres.

Todo coração verdadeiramente cristão possui o sentimento da amizade. Ao contrário, esta virtude encontra no egoísmo das almas viciosas o escolho que, semelhante à semente caída sobre a rocha árida, a torna infecunda para o bem.

Cercai vossa alma com o muro protetor de uma prece cheia de fé, a fim de que o inimigo, seja interno ou externo, aí não possa penetrar.

A prece eleva o Espírito do homem para Deus, liberando-o de todas as inquietudes terrenas, transportando-o para um estado de tranqüilidade, de paz, que o mundo não lhe poderia oferecer. Quanto mais confiante e fervorosa for a prece, melhor será ouvida e mais agradável a Deus.

Quando a alma do homem, inteiramente penetrada de zelo santo, eleva-se para o céu na prece íntima e ardente, os inimigos interiores, isto é, as paixões do homem, e os inimigos exteriores, isto é, os vícios do mundo, são impotentes para forçar os muros que a protegem. Homens, orai a Deus com toda confiança, do fundo do coração, com fé e verdade!

O real sentido da Amizade

O real sentido da Amizade


marcio_costa_150x150Na Evangelização do Grupo de Pais a monitora abre os trabalhos dizendo que o tema daquele dia seria a amizade. No pensamento comum dos presentes surgem breves lembranças daqueles que estão próximos. Marília relembra a amiga de infância que lhe acompanha até hoje. Gustavo mentaliza os colegas mais próximos com os quais divide algumas horas no final de semana. Augusto pensa em seu primo, como sendo o maior amigo desde a infância.

Mas para a surpresa de todos, Natália, a Evangelizadora, inicia o estudo colando na lousa e formando um círculo, palavras um pouco diferentes das vislumbradas por todos. Deixando o centro do quadro em aberto, ela insere os termos “os que te esquecem”, “os que te desprezam”, “os que te insultam”, “os que te atacam”, “o ladrão”, “o invejoso”, “o indiferente”, “o covarde”, “o censurador”, “o homicida” e pergunta: quais daqueles podem ser considerados nossos amigos.

Sem nenhuma, dúvida todos se mostram contraditórios aos conceitos apresentados sobre a amizade.

Então ela pergunta:
– Mesmo conhecendo todos os nossos defeitos mais íntimos, e mesmo sabendo da indiferença e até ódio que muitos alimentam por Ele, o que pensar da amizade que o Divino Mestre Jesus mantém conosco?
Então ela coloca o nome de Jesus no centro do círculo.

* * *

De acordo o Emmanuel, na pergunta de número 174 do livro O Consolador, psicografado por Francisco Cândido Xavier, a amizade sincera é um oásis de repouso em nossa caminhada evolutiva pelo plano terrestre.
Baseados nos sentimentos nobres que acompanham a verdadeira amizade, a alma encontra forças para continuar diante das lutas na vida. O amigo sincero é aquele que apoia, que está próximo, que auxilia, que compartilha, que entende, que se afiniza a nós, independente das condições em que nos encontramos.

O amigo verdadeiro é aquele que se torna um emissário de paz aos nossos corações mesmo que endurecidos, preenchendo-nos com a sensação de apoio, esclarecimento e amor em todos os momentos de nossas vidas.

No entanto, há uma sutil condição de transitoriedade no conceito da amizade, segundo o Espírito Emmanuel, no livro Religião dos Espíritos, também psicografado por Chico Xavier. Cada vez que avançamos na caminhada evolutiva, novos valores morais e intelectuais vislumbram à nossa frente. Diante da caminhada do progresso, passamos a enxergar maravilhas de sentimentos e entendimentos que alguns não percebem, mesmo ao nosso lado.

Dessa forma, amigos que antes estavam juntos, mas ainda se encontram míopes diante das luzes do progresso intelecto-moral, deixam de nos entender e se afastam. Alguns alegam diferenças de afinidades. Mas em verdade, optam, muitas vezes, por valores estagnados dos planos terrestres os quais não nos prendemos mais. Então, uma amizade de anos pode vir a se desfazer.

Isso ocorre em uma encarnação, mas também pode ser o resultado de várias passagens pelo plano terrestre.
Em épocas remotas podemos ter sido amigos de ladrões, de invejosos, de homicidas e com eles termos compartilhado e realizado os mesmos feitos. No decorrer das trocas de “roupa” carnal uns despertam para os verdadeiros valores e outros sucumbem. Aquele que hoje te aponta e te discrimina pode ser o amigo de ontem que não aceita, inconscientemente, a sua atual condição. Mas ainda se mantém próximo no entrelaçamento das sucessivas passagens pelo plano material.

Outro conceito de amizade está nos laços de família. Irmãos, pais, primos, dentre outros, podem revezar funções nas encarnações subsequentes. Um grande esposo, e, amigo de outras vidas pode vir a ser um amigo da família no qual se detém uma grande afinidade na atual vida. Ou seja, a amizade familiar pode ser de séculos.

Dos círculos de amizades e afinidade, surgem os Espíritos Protetores, os quais Kardec apresenta nas perguntas de número 489 em diante de O Livro dos Espíritos. Estes queridos amigos espirituais juntam-se a nós com a missão maravilhosa de nos amparar, consolar e nos guiar diante dos conflitos da vida. Tudo aquilo que muitos, encarnados, fazem pelos seus verdadeiros amigos.

Em todo este contexto, podemos perceber que os verdadeiros amigos são aqueles que aplicam a benevolência, a indulgência e o perdão pelo próximo. Na pergunta de número 886 de O Livro dos Espíritos, isto significa caridade!

Amigo é aquele que faz a caridade pelo próximo. Que é a luz de muitos que precisam de apoio. É aquele em quem podemos confiar. O amigo de hoje, será o irmão de luz no amanhã.

Voltando à Evangelização do Grupo de Pais, Jesus não poderia estar em outro lugar senão no centro de todas as amizades. Mesmo com todas as nossas faltas, continua sendo aquele que está ao nosso lado. O nosso verdadeiro amigo.

Se tivermos condições de representarmos para nossos amigos uma pequena parte do que Jesus é para conosco, já estaremos sendo amigos sinceros do próximo.

Procuremos difundir a amizade por onde passarmos e ajudar ao próximo a continuar a ser o amigo de sempre. Seguindo o exemplo do Guia e Modelo da humanidade entenderemos o verdadeiro conceito da palavra amigo.

“Jesus é o Divino Amigo da Humanidade” – Emmanuel.

Márcio Martins da Silva Costa

O Valor Inestimável da Amizade...

Diz-se que o “o homem é um ser social”. De fato, o homem é incapaz de viver em completo isolamento e solidão. Ele necessita de contato com seus semelhantes. Necessita, principalmente, de bons amigos.

A companhia de bons amigos é essencial para nós durante toda a nossa vida, porque podemos alcançar juntos um alto grau de desenvolvimento, através de mútua descoberta de qualidades, mútuo consolo nos momentos difíceis de nossa vida e mútua colaboração em todas as coisas.

E só pelo fato de sabermos que existem neste mundo pessoas que acreditam em nós, sentimo-nos repletos de coragem. O que nos estimula e faz redobrar os nossos esforços são as palavras de incentivo, o carinho e a compreensão de nossos amigos.

Ter amigos sinceros, alegres e otimistas vale para nós como verdadeiros “tesouros” colocados no nosso caminho, balsamizando assim, as nossas lutas. A alegria e o otimismo desses amigos exercem grande influência sobre nós e nos dão coragem e esperança.

Afortunados são, pois, aqueles que possuem bons amigos.

A verdadeira amizade, nobre e sincera, só é conseguida quando se abandona a atitude egoísta de procurar fazer amigos para usá-los como “trampolins” para nossa vida.

Temos de ter certeza de que, as influências espirituais que recebemos de nossos amigos passam a acompanharnos durante toda a nossa vida. A “boa influência espiritual” será nosso eterno tesouro.

O homem recebe forte influência do caráter dos amigos com quem anda. Aquele que se torna amigo de pessoas bondosas, generosas, honestas, esforçadas, recebe suas boas influências e passa a ter, também, todas essas qualidades, se quiser.

Existem pessoas que exercem sobre os outros um efeito leve e estimulante, tal como um refrigerante no verão ou um tônico no desânimo. Quando estamos em companhia dessas pessoas, sentimos um grande bem-estar, uma sensação agradável de brisa. Elas são como um oásis para nós. Ao seu lado, conseguimos ter excelentes idéias, o que não ocorre, às vezes, quando estamos sozinhos. Os bons amigos agem como um estimulante para a nossa mente, aumentando a nossa capacidade, aguçando a nossa inteligência, tornando ricas as nossas emoções, etc.

Mas existem também pessoas que exercem sobre os outros influência totalmente negativas. Estando junto dessas pessoas, sentimo-nos deprimidos, o nosso coração torna-se seco e frio, a nossa mente fica sombria e acabam desaparecendo totalmente as fontes das boas idéias e inspirações. Assim, Cairbar Schutel, nos ensina que, “Deus não fez só o claro, fez também o escuro, não fez só a luz, mas fez as trevas, para que cada um permaneça onde lhe apraz, na escuridão ou na claridade”.

Como vemos, é grande a influência dos amigos. Por isso, saber escolher bons amigos é muito mais importante do que saber escolher boas roupas ou bons móveis.

E nesse sentido, nos orienta a veneranda Joanna de Ângelis: “Aconselha-te com a prudência, antes que teu passo te leve à delinqüência”.

Quão valiosos são os bons amigos que nos ajudam a abrir completamente a porta do “tesouro” que existe dentro de nós mesmos!

Ao longo da jornada desta existência, às vezes deparamos com “situações sem saída”(aparentemente) e s e n t i m o - n o s desesperados. Nessas ocasiões, os bons conselhos e as palavras encorajadoras dos amigos sinceros levantam o nosso ânimo e ajudamnos a encontrar novas oportunidades para alcançarmos nossa evolução. Em qualquer situação, temos o seguinte a fazer, segundo nossa querida Joanna de Ângelis: “UTILIZA-TE DA SEMENTE DE QUE DISPÕE COM SABEDORIA E DISCERNIMENTO.”

Cícero, o grande orador romano, disse o seguinte: “Eliminar desta vida esse belo e nobre sentimento chamado “amizade” é o mesmo que afastar da Terra os generosos raios do sol. A amizade é uma das maiores dádivas que o homem recebeu de Deus.”

Todos nós precisamos de bons amigos. Mas não devemos querer apenas “receber” a amizade dos outros. Este mundo é um mundo de “constante circulação e intercâmbio de todas as coisas”. Assim sendo, é impossível “receber tudo, sem dar nada”. Portanto, se queremos A companhia de bonster bons amigos, primeiramente nós próprios devemos ser bons amigos, dando amor, bondade e alegria a todas as pessoas, reconhecendo as qualidades dos outros, ajudandoos a exteriorizar essas qualidades e não poupando palavras de incentivo e encorajamento.

Se queremos ser amados, devemos dar primeiramente o nosso amor; se queremos atrair boas amizades, devemos primeiramente cultivar um “caráter atraente”. Pois, a todos nós recebemos na mesma medida em que damos. Por isso, se queremos ter muitos amigos, precisamos ser generosos – precisamos ter um “grande coração” capaz de abrigar carinhosamente muitas e muitas pessoas.

Se tivermos um “coração estreito e intransigente” e vivermos apontando as falhas alheias, os bons amigos irão se afastando de nós, um por um. A retidão é essencial, mas quando é acompanhada de generosidade, ela não tem o poder de atrair as pessoas.

Se nós formos capazes de dirigir palavras bondosas aos outros não com o simples propósito de mostrarmo-nos corteses e educados, mais sim por um sincero amor ao próximo, certamente essa atitude desinteressada fará com que pessoas se aproximem de nós e se tornem bons amigos.

É pois verdadeira a afirmação de que “nos recebemos dos outros as mesmas coisas que lhe damos.

Até aqui, falamos muito sobre a importância de ser ter bons amigos, porém deixamos de explicar algo muito importante: mesmo as pessoas consideradas “ruins” podem transformarse completamente e tornar-se bons amigos, se soubermos ‘’como agir’’. E o ‘’segredo’’ não é tão difícil assim. Basta não olharmos o lado negativo e desagradável dessas pessoas, e mostrar-lhes unicamente a nossa admiração por suas qualidades e nossa confiança em sua bondade e honestidade. Essas pessoas sentir-seão imensamente felizes ao encontrarem em alguém um ‘’apoio’’ e logo ‘’transformarão nos mais sinceros e leais dos amigos. Assim nos orienta a benfeitora espiritual Joanna de Ângelis: ‘’CARIDADE DIFÍCIL É DESCULPAR O OFENSOR E TÊ-LO EM CONTA DE ENFERMO, NECESSITADO DE TUA AMIZADE E CONSIDERAÇÃO’’.

Os nossos ‘’melhores amigos’’ nem sempre são pessoas. Às vezes podem ser bons livros.

Os livros, sendo a ‘’expressão viva’’ da mente do autor, conseguem influenciar-nos tanto quanto as pessoas com quem nos relacionamos diretamente.

Sem exigir de nós mais do que um pagamento de importância relativamente pequena, os bons livros espíritas, oferecem-nos incontáveis benefícios e esperam que nós tiremos o máximo proveito deles através de uma leitura cuidadosa.

Mentalizando os ensinos contidos nos livros espíritas e colocando-os em prática, distribuiremos amor e bondade a todas as pessoas ao nosso redor.

Se nós procedermos dessa forma, passaremos a emanar de todo o nosso ser uma constante ‘’atmosfera de amor’’, e atrairemos naturalmente muitas pessoas e faremos bons amigos, com certeza.

O Consolador - 1998

Sandra Rosa e Silva

Amizade verdadeira



Você tem amigos?

Se ainda não os tem, não perca tempo. Comece hoje mesmo a conquistar amizades verdadeiras, pois a amizade é um tesouro sem o qual a vida na Terra não teria sentido.

É uma força capaz de suavizar até mesmo os momentos mais difíceis na vida das pessoas, como os da guerra, por exemplo.

Há muitas histórias comoventes a respeito de grandes amizades e a que vamos narrar é uma delas.

Conta-se que um soldado dirigiu-se ao seu superior e lhe solicitou permissão para ir buscar um amigo que não voltara do campo de batalha.

Permissão negada, respondeu o sargento.

Mas o soldado, sabendo que o amigo estava em apuros, ignorou a proibição e foi à sua procura.

Algum tempo depois retornou, mortalmente ferido, transportando o cadáver do seu amigo nos braços.

O seu superior estava furioso e o repreendeu:

Não disse para você não se arriscar? Eu sabia que a viagem seria inútil! Agora eu perdi dois homens ao invés de um.

Diga-me: valeu a pena ir lá para trazer um cadáver?

E o soldado, com o pouco de força que lhe restava, respondeu:

Claro que sim, senhor! Quando eu o encontrei ele ainda estava vivo e pôde me dizer:" Tinha certeza que você viria!"

Histórias como esta se repetirão, com outras tonalidades, enquanto existir amizade na face da Terra.

Quantos são aqueles que se dedicam, sem cobrança, a cuidar de amigos enfermos, amigos em dificuldades, amigos rebeldes.

Por tudo isso é que a amizade tem sido comparada a um tesouro de valor incalculável, pois não se compra, nem se vende, simplesmente se conquista.

E a verdadeira amizade é aquela que aceita a pessoa amiga como ela é, e não tenta moldá-la como gostaria que fosse.

A amizade respeita, compreende, perdoa, apoia, defende, enaltece.

Muitas pessoas confundem a amizade com cumplicidade interesseira, mas a amizade não é assim.

O verdadeiro amigo sabe dizer sim e sabe dizer não quando é preciso, mesmo que não seja bem compreendido.

Em nome da amizade, não se deve fazer tudo o que o amigo faz ou apoiá-lo em tudo. Isso é tolice.

A amizade fiel não é conivente com os equívocos, mas está sempre alerta para socorrer quando necessário.

Enfim, o amigo é aquele que não apenas enxuga as nossas lágrimas, mas faz de tudo para não deixá-las cair.

*   *   *

O maior exemplo de amizade que passou sobre a Terra chama-se Jesus Cristo.

Ele, um Poeta dos mundos celestes, fez-se Cantor para que a Sua sublime voz fosse escutada neste minúsculo planeta.

Príncipe dos espaços siderais, tornou-se Súdito humilde para Se aproximar dos corações sofredores.

Senhor das estrelas, converteu-se em servo para ensinar a humildade.

Nobre de origem celeste, transformou-Se em escravo por amor aos amigos-irmãos degredados na Terra.

Grandioso, hoje como ontem, é o amanhã dos que choram, sofrem, aguardam e amam.

Sua veneranda Presença paira dominadora sobre a Humanidade, que nEle encontra alento para suas dores e forças para prosseguir na escalada para Deus.

Jesus é a síntese histórica da grandeza, da perfeição, da sabedoria e, mais do que nunca, da amizade...



Redação do Momento Espírita, com base em história de
autoria ignorada e no cap. 25 do livro Perfis da vida,
pelo Espírito Guaracy Paraná Vieira, psicografia de
Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.
Em 07.06.2010.

A verdadeira amizade


Você já parou para pensar sobre o que é a verdadeira amizade?

A palavra amigo é usada de maneira muito ampla pela maioria de nós.

Apresentamos como amigos os colegas de escola ou de faculdade; os colegas de trabalho, os amigos que conosco praticam esporte, ou aqueles com quem nos relacionamos em várias atividades.

E é bom que assim seja, pois ao chamarmos de amigos, de alguma forma os aceitamos, e passamos a tentar conviver bem com eles.

Mas será que esses são os nossos verdadeiros amigos? Será que nós somos os verdadeiros amigos dessas pessoas?

Nossos verdadeiros amigos têm uma real conexão conosco. São aqueles que realmente gostam de nós e de quem nós gostamos verdadeiramente.

O verdadeiro amigo nos aceita como somos, mas não deixa de nos dar conselhos para que mudemos, sempre para melhor. E nós aceitamos esses conselhos porque sabemos que vêm de quem se importa conosco.

O verdadeiro amigo se alegra com nossas alegrias, com nossos sucessos, e torce pela realização de nossos sonhos.

O verdadeiro amigo preocupa-se quando estamos tristes e, frente a situações difíceis para nós, está sempre disposto a ajudar.

O verdadeiro amigo não precisa estar presente em nossas vidas todos os dias, mas sabemos que está ao nosso alcance quando sentirmos saudades, quando quisermos saber se ele está bem, ou quando precisarmos dele.

Distâncias não encerram amizades sólidas, em uma época onde a comunicação é tão fácil. Mas, mesmo sem um contato constante, o sentimento de afeto não se abala.

É do livro O pequeno príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, a famosa frase: Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.

Se cativamos um amigo, então somos responsáveis por essa amizade. Devemos saber retribuir as atenções e o carinho recebidos, com a mesma dedicação.

Afinal, a real amizade é como uma estrada de duas mãos: nos dois sentidos os sentimentos são semelhantes.

Com o verdadeiro amigo temos a chance de praticar o real amor para com o próximo, ainda tão difícil de praticar com todos, como Jesus recomendou.

Temos a chance de praticar o perdão, pois nosso caro amigo tem o direito de errar como qualquer ser humano o tem. E, se errar conosco, que o perdoemos, pois amanhã talvez sejamos nós a pedir perdão.

Jesus e Seus apóstolos formaram um grupo de dedicados amigos. Muitos deles, sem se conhecerem previamente, desenvolveram, naqueles curtos três anos da pregação do Mestre, uma amizade que duraria até o fim de suas vidas.

Quando, após a morte de Jesus, se viram aparentemente sozinhos, ajudaram-se mutuamente, deram forças uns aos outros para a dura missão que teriam pela frente.

Amigos são verdadeiros presentes que Deus nos dá. Muitas vezes são antigos companheiros de jornada que reencontramos, para que continuemos juntos, nos apoiando nesta nova caminhada.

Não busquemos quantidade, mas, sim, a qualidade, certos de que a verdadeira amizade deve ser cultivada e cuidada como algo de real valor em nossa vida, algo que não nos pode ser tirado, e que levaremos conosco eternamente.

      Redação do Momento Espírita.
Disponível no livro Momento Espírita, v. 8, ed. FEP.
Em 6.3.2014.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Amizade

Nilson adotou a humildade operosa como bússola para a sua vida

Por Rogério Coelho


Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a vida pelos seus amigos. Jesus (Jo. 15:13)

Preciosa conquista, a amizade é o pólen do amor, a medrar onde quer que as flores do sentimento desabrocham na árvore generosa da dignidade humana. [1]

Os sentimentos fraternos foram realçados pelo Apóstolo dos Gentios aos Tessalonicenses[2] como pré-condição aos trabalhos na Seara do Cristo ao afirmar: Quanto à caridade fraternal, não necessitaria lhes escrever, visto que estão todos instruídos por Deus de que devem amar-se uns aos outros.

Emmanuel[3] lança um questionamento direto: Que esperam os companheiros esclarecidos para serem efetivamente irmãos uns dos outros?

Ele mesmo, mui austeramente responde à própria indagação:  Muita gente se esquece de que a solidariedade legítima escasseia nos ambientes onde é reduzido o espírito de serviço e onde sobra a preocupação de criticar. Instituições notáveis são conduzidas à perturbação e ao extermínio, em vista da ausência do auxílio mútuo, no terreno da compreensão, do trabalho e da boa-vontade.

Falta de assistência? – Não!

Toda obra honesta e generosa repercute nos Planos Mais Altos conquistando cooperadores abnegados.

Quando se verifique a invasão da desarmonia nos Institutos do Bem, que os agentes humanos acusem a si mesmos pela defecção nos compromissos assumidos ou pela indiferença no ato de servir. E que ninguém peça ao Céu determinadas receitas de fraternidade, porque a fórmula sagrada imutável permanece conosco no sempiterno: “Amai-vos uns aos outros.”

Por tão bem compreender o valor desse postulado o Apóstolo Paulo escreveu[4]: Permaneça o amor fraternal.

Emmanuel[5], fiel discípulo do Doutor Tarsense, abrindo o leque de nosso entendimento, cavoucando as leiras evangélicas e extraindo de suas entranhas as gemas preciosas com o instrumental de sua irreprochável lucidez, esclarece: Este apelo evangélico de Paulo, reveste-se de imensa importância.

As afeições familiares, os laços consanguineos e, as simpatias naturais podem ser manifestações muito santas da Alma quando a criatura as eleva ao altar do sentimento superior, contudo, é razoável que o Espírito não venha a cair sob o peso das inclinações próprias.

Por demasia de cuidados, inúmeros pais prejudicam os filhos.

Por excesso de preocupações, muitos cônjuges descem às cavernas do desespero, defrontados pelos insaciáveis monstros do egoísmo e ciúme que lhes aniquilam a felicidade.

Em razão da invigilância, belas amizades terminam em abismos de sombras.

 O equilíbrio é a posição ideal.

 A fraternidade pura é o mais sublime dos sistemas de relações interpessoais.

O homem que se sente filho de Deus e sincero irmão das criaturas não é vítima dos fantasmas do despeito, da inveja, da ambição e da desconfiança. Os que se amam fraternalmente alegram-se com o júbilo dos companheiros; sentem-se felizes com a ventura que visita os semelhantes.

As afeições violentas, comumente conhecidas na Terra, passam, vulcânicas e inúteis.

 Na teia das reencarnações, os títulos afetivos modificam-se constantemente. É que o amor fraternal sublime e puro, representando o objetivo supremo do esforço de compreensão, é luz imperecível que sobreviverá no caminho eterno.

Pela Humanidade, Jesus fez tudo o que era possível em renúncia e dedicação… É impressionante a Sua imensa afeição pelas criaturas. Seu exemplo, seguido através dos séculos por abnegados discípulos, é sementeira de luz ensejando o vicejar da vera fraternidade.

Atentemos agora para o depoimento do médium fluminense J. Raul Teixeira, inserto no livro do Dr. Miguel de Jesus Sardano, intitulado: Nas Pegadas do Nazareno:

(…) a História registra, com observações curiosas e importantes, uma realidade que não se pode esquecer ou menosprezar. Todos aqueles que se destacaram, singrando mares bravios e ignotos, ou aqueles que desbravaram selvas, ou se tornaram heróis por vários motivos que os consagraram, e tantos que se santificaram no bem, não o lograram sem a participação de outra alma dedicada que os apoiou, sustentou, auxiliou…

Temos desde Sancho Panza, no famoso romance de Cervantes, personificando o bom-senso realista ao lado do extremo idealismo de Dom Quixote, até a excelente atuação de Anne Sullivan, mestra devotada da menina Hellen Keller que, aos dois anos de idade, ficara cega, surda e muda, transformando-se com a assistência de Sullivan, a “fazedora de milagre”, na expressão cinematográfica de Arthur Penn, numa mulher detentora de diversos títulos universitários, conhecida e festejada em todo o mundo.

Conhecemos dedicações como a de Frei Leão para com o “paizinho seráfico”, Francisco de Assis, até o reforço tranquilo e sem alarde de Amélie Boudet, a doce Gaby, ao gigantesco trabalho de seu esposo Allan Kardec.

Ao lado de Divaldo Pereira Franco, na condição de amigo, irmão, guardião e apoio, ergue-se uma figura que encanta pela simplicidade e amor ao trabalho, que sensibiliza por seu devotamento à Obra que, juntos, fundaram e por sua incansável versatilidade, atuando nos serviços de pedreiro ou gráfico, de carpinteiro ou eletricista, de mecânico de automóveis ou de pintor, unindo tudo isso à sua condição proeminente de pregador e doutrinador de largos recursos: Nilson de Souza Pereira.

Se não é fácil ser grande durante mais de meio século, diante de câmeras, de jornalistas, luzes, aplausos e pedradas públicos, igualmente não é simples o trabalho de firmar os alicerces, que ninguém vê, quando tantos anseiam por aparecer, por projetar-se na claridade dos outros. Não é simples, também, o empenho de aprender a ouvir atencioso, quando se sabe também falar; não é banal a grandeza de renunciar à prática mediúnica na condição de médium ostensivo, para dedicar-se ao diálogo instrutivo e emocionante com aqueles tidos como mortos, mas que cantam ou choram, bendizem ou blasfemam no Além. Pois bem, o nosso Nilson escolheu tal posição adotando a humildade operosa como bússola para a sua vida.

(…)ao levantarmos a voz para louvar a Deus pelos decênios em que Divaldo espalha luz pelas plagas distintas do mundo, não podemos silenciar quanto a esse Apóstolo silencioso que lhe prepara o suporte, mantendo na retaguarda o Grupo de trabalhadores em ação, em prece pelo amigo em contínuas viagens.

Quando conhecemos de perto a extensão e a importância da Obra de Divaldo em Salvador; quando percebemos o papel de Nilson no seu plano de atividades, já não conseguimos pensar nela sem os dois que, embora distintos, se completam, nesse compromisso fulgurante com Jesus, que se espraia por dezenas de anos, nas terras do Brasil, vitorioso e abençoado.

Ninguém tem maior amor do que este:  de dar alguém a vida pelos seus amigos.     


[1] – FRANCO, Divaldo Pereira.  Sublime Expiação. Rio [de Janeiro]: FEB, Livro 2º – cap. I.

[2] – I Tessalonicenses, 4:9.

[3] – XAVIER, Francisco Cândido. Pão Nosso.  17.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 1996, cap. 10.

[4] – Hebreus, 13:1.

[5] – XAVIER, Francisco Cândido. Pão Nosso.  17.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 1996, cap. 141.