Estudando o Espiritismo

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terça-feira, 23 de maio de 2017

ANJOS GUARDIÕES

ANJOS GUARDIÕES

Os anjos guardiões são embaixadores de Deus, mantendo acesa a chama da fé nos corações e auxiliando os enfraquecidos na luta terrestre. Quais estrelas formosas, iluminam as noites das almas e atendem-lhes as necessidades com unção e devotamento inigualáveis. Perseveram ao lado dos seus tutelados em toda circunstância, jamais se impacientando ou os abandonando, mesmo quando eles, em desequilíbrio, vociferam e atiram-se aos despenhadeiros da alucinação.

Vigilantes, utilizam-se de cada ensejo para instruir e educar, orientando com segurança na marcha de ascensão. Envolvem os pupilos em ternura incomum, mas não anuem com seus erros, admoestando com severidade quando necessário, a fim de lhes criarem hábitos saudáveis e conduta moral correta.

São sábios e evoluídos, encontrando-se em perfeita sintonia com o pensamento divino, que buscam transmitir, de modo que as criaturas se integrem psiquicamente na harmonia geral que vige no Cosmo. Trabalham infatigavelmente pelo Bem, no qual confiam com absoluta fidelidade, infundindo coragem àqueles que protegem, mantendo a assistência em qualquer circunstância, na glória ou no fracasso, nos momentos de elevação moral e naqueloutros de perturbação e vulgaridade.

Nunca censuram, porque a sua é a missão de edificar as almas no amor, preservando o livre-arbítrio de cada uma, levantando-as após a queda, e permanecendo leais até que alcancem a meta da sua evolução.

Os anjos guardiões são lições vivas de amor, que nunca se cansam, porquanto aplicam milênios do tempo terrestre auxiliando aqueles que lhes são confiados, sem se imporem nem lhes entorpecerem a liberdade de escolha. Constituem a casta dos Espíritos Nobres que cooperam para o progresso da humanidade e da Terra, trabalhando com afinco para alcançar as metas que anelam.

Cada criatura, no mundo, encontra-se vinculada a um anjo guardião, em quem pode e deve buscar inspiração, auscultando-o e deixando-se por ele conduzir em nome da Consciência Cósmica. Tem cuidado para que te não afastes psiquicamente do teu anjo guardião.

Ele jamais se aparta do seu protegido, mas este, por presunção ou ignorância, rompe os laços de ligação emocional e mental, debandando da rota libertadora. Quando erres e experimentes a solidão, refaze o passo e busca-o pelo pensamento em oração, partindo de imediato para a ação edificante.

Quando alcances as cumeadas do êxito, recorda-o, feliz com o teu sucesso, no entanto preservando-te do orgulho, dos perigos das facilidades terrestres. Na enfermidade, procura ouvi-lo interiormente sugerindo-te bom ânimo e equilíbrio. Na saúde, mantém o intercâmbio, canalizando tuas forças para as atividades enobrecedoras.

Muitas vezes sentirás a tentação de desvairar, mudando de rumo. Mantém-te atento e supera a maléfica inspiração. O teu anjo guardião não poderá impedir que os espíritos perturbadores se acerquem de ti, especialmente se atraídos pelos teus pensamentos e atos, em razão do teu passado, ou invejando as tuas realizações… Todavia te induzirão ao amor, a fim de que te eleves e os ajudes, afastando-os do mal em que se comprazem. O teu anjo guardião é o teu mestre e amigo mais próximo. Imana-te a ele.

Entre eles, os anjos guardiões e Deus, encontra-se Jesus, o Guia perfeito da humanidade. Medita nas Suas lições e busca seguir-Lhe as diretrizes, a fim de que o teu anjo guardião te conduza ao aprisco que Jesus levará ao Pai Amoroso.

Joanna de Ângelis
Do Livro: Momentos Enriquecedores
Psicografia: Divaldo Pereira Franco
Editora: Leal

sábado, 13 de maio de 2017

TRABALHO , SOLIDARIEDADE E TOLERÂNCIA


Palestra de Divaldo Pereira Franco, na Casa de Oração B.de Menezes, 08/05/98.
( Do Livreto Novos Rumos para o Centro Espírita ).
Os antigos latinos cunharam um pensamento que atravessou a história como símbolo da hegemonia do poder – Dividit et imperat (dividir para governar).
Toda vez que os romanos conquistavam um povo, criavam embaraços na política local, de forma que surgissem várias facções, naturalmente, como resultado dessa desunião, o invasor conseguia a dominação arbitrária, porquanto os adversários entre si encarregavam-se de gerar as maiores dificuldades à união do País, a conservação da democracia, ao restabelecimento da paz.Esse propósito até hoje é estabelecido como diretriz governamental em muitos povos ainda semibárbaros, autocratas e vítimas de ditaduras.
Jesus, com a Sua visão cósmica e transcendente, estabeleceu que os Seus discípulos deveriam ser unidos como um feixe de varas. Porque é muito fácil arrebentar-se uma vara ou duas; com um pouco de esforço, três ou cinco; mas é quase impossível quebrar com as mãos um feixe de varas, que constitui um bloco resistente, uma força de várias partes na conjuntura de uma unidade.
Allan Kardec, dando prosseguimento ao pensamento de Jesus, e fazendo uma panorâmica da futura divulgação da Doutrina Espírita, estabeleceu que o maior adversário à propagação do Espiritismo seria a dissenção, a desunião, convocando-nos para a preservação da tríade que ele estabeleceu como normativa de dignificação do movimento espírita: Trabalho, Solidariedade e Tolerância.
Essa admirável proposta de Allan Kardec, que serve de base para o desenvolvimento das atividades espíritas, em verdade não é de sua autoria total. Ele a auriu na escola de Yverdon, do exemplo de Pestolozzi, o admirável pai da Escola Nova, o homem que revolucionou a educação e pôde oferecer as bases para Froebel desenhar os alicerces dos Jardins de Infância.
Pestalozzi havia estabelecido que o êxito da educação é consequência de três elementos indissociáveis: o Trabalho, a Solidariedade e a Perseverança.
Através do trabalho é possível ao indivíduo administrar o conhecimento, aprofundá-lo, deixar-se penetrar por seu conteúdo libertador, que é resultado de um esforço laborioso.
A solidariedade é o passo que leva de imediato à união, porque aquele que é solitário não é solidário, mas, no momento que alcança a solidariedade deixa de ser solitário, tornando-se uma célula que vibra em consonância com o equilíbrio do organismo geral. Pestalozzi estabeleceu na perseverança a base sólida para o feliz resultado da educação, porque a educação é a formação de hábitos. No seu tempo a palavra educação tinha a característica fundamental de instrução sendo a substantivação do verbo instruir, e para instruir é necessário exercitar, repetir, volver sempre a mesma tese.
Pestalozzi abriu as perspectivas para a instrução educativa. Não apenas da informação, da transmissão dos conhecimentos, mas também daquela que é geradora de hábitos saudáveis.
A pessoa educada é aquela que possui hábitos socialmente considerados corretos, e que chega aos mesmos através do conhecimento.
Mais tarde, o Espírito de Verdade conclamaria a uma bela síntese, quando estabeleceu para os espíritas, como primeiro mandamento, que nos amemos, e logo depois, como consequência natural, que nos instruamos.
Trata-se de sábia colocação pedagógica. hoje eles diriam que nos eduquemos, que estabeleçamos diretrizes educacionais para que bem possamos viver em sociedade.
Dentro dessa colocação, Allan Kardec resolveu substituir a palavra perseverança por tolerância, já que o nosso Movimento seria o campo para limar arestas, no qual, as criaturas de variada formação cultural, de diferentes hábitos educacionais, com os seus atavismos, resultado das heranças ancestrais, teriam que conviver juntas.
Para que essa convivência pudesse ser aureolada de êxito, indispensável se tornaria a vigência de tolerância, porque, através dela, concedemos ao outros o direito de chegar a ser aquilo que consegue e não ao quanto gostaríamos que houvesse atingido, ao mesmo tempo propiciando-lhe a oportunidade de dar-nos o direito de ser como somos e não conforme ele gostaria que fôssemos.
Essa tolerância abre-nos o elenco admirável de compreensão fraternal: perceber que cada um vai até onde pode e nem sempre até onde gostaria.
Quantas vezes envidamos esforços para atingir uma meta e não a logramos?! Mas esse passo dado servirá de piloti para o outro. Degrau conquistado, meta próxima a conquistar.
Por isso mesmo, o Apóstolo Paulo se referia a que todas as coisas lhe são lícitas porém, nem todas as coisas lhe convêm. (*) Ademais, ele demonstrava que invariavelmente fazia o que não queria e deixava muitas vezes de fazer aquilo que anelava, demonstrando a relatividade do ser existencial, a fragilidade do homem e da mulher no invólucro carnal, o que de alguma forma diminui a potencialidade psíquica, impedindo os vôos mais altos na busca da realizada transpessoal.
(*) Paulo: I Coríntios – 6-12. (Nota de Divaldo Franco)
Na Casa Espírita, essa tríade kardequiana tem, naturalmente, o regime de urgência, porque aquele não é somente o lugar aonde vamos receber as luzes do conhecimento, mas uma Escola que nos equipa de informações para o encontro da plenitude; oficina de trabalho onde desenvolvemos aptidões, realizamos experiências, vivenciamos a aprendizagem para sairmos da teoria, da retórica bela e quase inútil, se não tem uma finalidade na prática para a ação. Além de ser a escola e a oficina onde trabalhamos, é, ao mesmo tempo, hospital de almas – almas enfermas que somos quase todos nós -, procurando a oportunidade de encontrar a terapia que nos liberte de nós mesmos, não das enfermidades, mas do estágio primarista no qual estão alojadas as matrizes da distonia que nos facultam a captação dos fenômenos externos, as infecções e manifestações bacteriológicas, os distúrbios da agressividade comportamental, as desarmonias psico-sociais, sócio-econômicas que nos atingem e, às vezes, nos esfacelam.
Então, esse é um lugar abençoado, o hospital onde estamos em terapia permanente e onde podemos ter recidivas, como ocorre com qualquer paciente que, no momento de ter alta, pode ser vítima de uma embolia cerebral, de uma parada cardíaca, apesar de o organismo estar aparentemente saudável; qual ocorre com qualquer máquina que pode apresentar uma falha, uma deficiência de funcionamento; mas é também o templo, o santuário, aquele lugar para a nossa elevação a Deus, onde emergimos do caos em que nos encontramos, para planarmos acima das vicissitudes, nas regiões abençoadas da harmonia, onde poderemos refazer as energias e voltar ao dia-a-dia das nossas lutas.
Naturalmente, a visão da Casa Espírita tem sido um tanto deformada, pela falta de contacto com os nossos deveres espirituais.
Um grande número de pessoas pensa que a Casa Espírita é o lugar no qual nos devemos sempre beneficiar; onde todos devem ser sorrisos, ajudar-nos, e, em cuja convivência seremos aqueles que nos beneficiaremos com a contribuição que a mesma deve dar.
Mas vale a pena considerar, que a casa, em realidade, é a construção de pedra, cimento, barro e areia de ferragem, de madeira, que o tempo vai derruir. A Casa Espírita, no entanto, é algo mais do que as suas paredes. Somos aqueles que nela mourejamos, somos a igreja viva a que se reportava o Apóstolo Paulo, somos o corpo espiritual de Jesus que ali está de uma maneira impregnadora, viva, para que todos que se acerquem do ambiente possam mimetizar-se da Sua presença, da Sua realidade transcendental.
Para que isso ocorra, é necessário que todos sejamos também partícipes, e não apenas frequentadores, beneficiários permanentes, sob a bengala psicológica da justificação injustificada – mas quem sou eu para colaborar?, eu tenho tantos problemas, tenho tantas necessidades; os meus problemas ainda não estão equacionados! – vestindo-nos de um egotismo perverso, porque sempre haverá ali alguém mais necessitado do que nós..
Talvez, ao nosso lado, entre sorrisos, esteja uma pessoa com a máscara que a oculta, com dores muito lancinantes do que as nossas, necessitando de um amigo, de uma palavra gentil, de um aperto de mão, de um sorriso, ou simplesmente da nossa presença para que se sinta gente, membro do organismo social, já que as aflições lhe esfacelaram a alegria de viver.
Se considerarmos que as nossas possibilidades são mínimas, que nada temos a oferecer e que também somos ricos de necessidades, examinemos a posição do médico. Quantas vezes, enfermo, ele vai atender a alguém que apresenta uma problemática diferente, e seu conhecimento liberta a pessoa, mesmo estando ele necessitado de terapia?!
Quantos psicólogos ajudam-nos com a técnica a sair do emaranhado de problemas, embora eles estejam também no labirinto tentando libertar-se?!
Merece, portanto, considerar que, na Casa Espírita, não somos somente frequentadores, e que, diante do Espiritismo, a nossa postura de adeptos, de simpatizantes, de quem gosta da Doutrina, abra um espaço maior para sermos membros desse organismo vivo e pulsante, que objetiva a transformação da Humanidade mediante a transformação de cada um de nós.
É muito fácil anelar por um mundo melhor, aspirar por uma sociedade justa, esperando que isso venha ocorrer de fora para dentro, em nossa direção, sem lhe oferecermos o mínimo esforço, mas a sociedade justa começa em nós, pelo critério de equanimidade, a fim de que, mediante a nossa transformação moral a humanidade do futuro seja superior a essa em que estamos, porque ao terminarmos esse ciclo iniciaremos outro, nesta humanidade do futuro pela qual anelamos.
Na semana passada, dialogando com um cavalheiro muito distinto, das finanças de Portugal, Joanna de Ângelis me disse: “- Esse senhor é alguém que acrescenta algo ao que o mundo lhe deu”, porque nós estamos em uma atividade, na qual, todos tiramos da herança que recebemos daqueles que vieram antes de nós, e é necessário que cada um agora se conscientize para contribuir, para dar algo, para acrescentar, para favorecer com o progresso e não apenas para beneficiar-se, não para tirar a sua cota como quem aproveita da oportunidade feliz para açambarcar o melhor, e deixar para as hienas e os jaguares aquilo que os próprios animais rejeitam.
É necessário, portanto, que despertemos para uma nova trilogia.
Allan Kardec nos pede o trabalho, essa solidariedade do apoio, a tolerância para compreender o outro, e Joanna de Ângelis estabeleceu para a nossa Casa, no corrente Exercício, um triângulo equilátero de responsabilidades. No vértice ela colocou o verbo espiritizar (*). Tornar realmente espírita a pessoa que moureja na Instituição, que vem à Casa Espírita para que saia da postura de adepto, passe para à de militante e se torne membro, portanto, espírita, assim desenvolvendo a atividade que acha bela nos outros e de que se beneficia.
No vértice superior do triângulo equilátero está, portanto, o impositivo da espiritização, que a pessoa vai adquirir por intermédio do estudo, da reflexão, das conferências que ouve, das meditações, das atividades de ordem mediúnica, sempre procurando aplicar para si a recomendação dos Espíritos antes que para os outros, tornando-se indispensável reflexionar em torno desse conteúdo, trabalhando as arestas morais, procurando purificar-se na medida da sua relatividade, mas com o caráter de não ceder nunca espaço para o erro, porque ser espírita é empenhar-se para ser hoje melhor do que ontem e amanhã melhor do que hoje; é encontrar-se nessa febricidade transformadora de não cessar o auto-aprimoramento, porque, da mesma forma que o poço da degradação não tem fundo, o último degrau da perfeição não está estabelecido.
A ascenção é uma viagem ininterrupta, através da qual podemos alcançar paisagens ainda não devassadas, horizontes visuais impenetrados, que iremos naturalmente percebendo e que nos irão fascinando lentamente. Daí, a espiritização ser de muita importância.
Ouvimos pessoas dizerem: “- Bem, eu estou no Espiritismo faz dez anos, mas ainda não sou espírita. Eu sou neófito”. É uma atitude desculpista porque, para ser espírita, basta adotar os postulados da Doutrina Espírita: a crença em Deus, na imortalidade da alma, na comunicabilidade do Espírito, na reencarnação, na pluralidade dos mundos habitados, aceitar o Evangelho de Jesus – eis aí o código que define a criatura espírita. Poder-se-á dizer que não é um espírita perfeito, mas, sim, espírita, por estar esforçando-se para aplicar-se as suas lições. Outros se utilizam de ardis para escamotear o desinteresse pela transformação moral e pela realização de um mundo mais justo, dizendo sempre que são apenas espiritualistas. Mas é óbvio, que sendo espírita ele é espiritualista, mas sendo espiritualista, não é, necessariamente, espírita. Naturalmente pode ser católico, protestante, budista, islamita; pode estar vinculado a qualquer corrente religiosa que aceite a imortalidade da alma, mas se moureja numa Casa Espírita e adota-lhe o conteúdo, torna-se-lhe exigível a definição, porquanto, uma atitude de comodidade das mais reprocháveis é a indefinição, que permite ao indivíduo enganar-se, na suposição de que está enganando aos outros.
O Apóstolo Paulo, com veemência, dizia: Gelado ou ardente, não morno. Hoje se diz na linguagem política: De um lado ou do outro, não em cima do muro. Aquele que fica no meio é pusilânime, que sempre adere ao vencedor. É um indivíduo neutro, negativo. Não corre riscos, mas também não progride. Não desenvolve a escala de valores éticos. Por isso, o Espiritismo nos impõe compromissos. Esses compromissos são as responsabilidades perante a consciência. É a conscientização da responsabilidade pelo comportamento adotado.
É muito comum dizer-se: “- Bem, eu ainda sou imperfeito. Eu me permito isso, porque sou imperfeito”.
(*) Há tempos que, em seus artigos, o psicólogo Jacy Regis se vem utilizando com muita propriedade do verbo espiritizar. (Nota de Divaldo Franco)
Todos o somos, e quando erramos, não temos esse mecanismo de justificação. Simplesmente nos empenharemos para limar aquela aresta, para fechar aquela brecha e para não reincidir no mesmo erro. É o autoperdão, em nossa valorização de auto-estima, que não é uma forma de tolerância para com os erros, mas uma conscientização dos erros para deles nos libertarmos.
Joanna de Ângelis, com muita veemência, teve oportunidade de nos propor a espiritização de nossa Casa, porque, se o indivíduo vai ao templo budista ali estão as suras do pensamento de Sakya Muni, o grande príncipe Sidartha Gautama. Se vai a uma Entidade protestante, encontra a presença da Bíblia. Se vai a um culto católico, submete-se aos dogmas da Igreja. Aonde quer que vá-se com uma definição. Por que a Casa Espírita deverá ser o lugar de ninguém, o recinto no qual tudo é válido, como se fosse o tour de force, para que cada qual exiba aquilo que lhe aprouver, sob a justificativa de que também crê, mas não age?
É necessário que a Casa Espírita apresente o seu organograma definido, no qual não está em oposição a nada; está sim, a favor do Bem com as suas características específicas e que aquele que a frequenta adquira a consciência da sua responsabilidade por intermédio do trabalho de doação. Já que recebe, está na hora também de oferecer.
Joanna de Ângelis propõe nesse triângulo, no qual o vértice superior que se abre em um ângulo para o Infinito, é o da espiritização, graças à qual deveremos adquirir a consciência espírita, não nos permitindo aquilo que a Doutrina nos não recomenda, e, se por acaso, nos equivocarmos, reabilitarmo-nos, para não reincidirmos na mesma falha moral.
A segunda proposta de Joanna de Ângelis é a qualificação. Para que nos tornemos espiritistas, deveremos adotar a qualidade de uma pessoa de consciência. Cabe-nos pensar em parar, ler e acabar com os mecanismos desculpistas, como: “- Os obsessores não me deixam ler; toda vez que pego num livro, me dá sono.”
Faça-o de pé, leia de joelhos.. Quando eu era católico, passava toda quinta-feira santa maior defronte do altar do S. Sacramento, diante da lâmpada acesa, que representava a Eucaristia, de joelhos; quando cochilava, batia a cabeça no altar e acordava. Permanecia bem junto, para estar na vigília, porque eu acreditava que ali estava Jesus Cristo, em corpo e alma, conforme está nos Céus. Era uma questão de coerência. Na hora em que eu deixei de acreditar nessa ingênua informação, nunca mais me ajoelhei; libertei-me.
Deveremos buscar a qualificação espírita, e tentar saber, realmente, o que é Espiritismo.
Pessoas há que frequentam uma Casa Espírita a vida inteira, e se nós perguntarmos: “- E Allan Kardec, o que você pensa dele?” “- Eu até já ouvi falar esse nome” – responderão…
Não basta ter ouvido falar nesse nome; é claro que o nome próprio de Allan Kardec é bastante complicado para o nosso idioma: Hippolyte Léon Denizard Rivail, mas o nome Allan Kardec é tão simples! Ele teve a sabedoria de escolher uma antonomásia, um pseudônimo dos mais simples, aquele com o qual codificou o Espiritismo. Muitos dizem, o fundador e até na sua tumba, no cemitério em Paris, no Pére Lachaise, está fundateur, fundador do Espiritismo. Ele não fundou, mas sim Codificou, deu um código novo às idéias sempre conhecidas e esparsas, porque sempre houve o Espiritismo, isto é, a comunicação dos Espíritos, à qual ele deu dignidade moral, evangélica.
Deveremos qualificar-nos, esforçar-nos, para poder adquirir a consciência espírita, e claro, procurar melhorar as qualidades morais, sociais, familiares, as funcionais e as de trabalhador da Casa Espírita.
Faz muito anos, esteve em moda uma colocação, mediante a qual era muito importante a boa vontade, e durante muito tempo, dizíamos: “- Trata-se de uma pessoa de boa vontade”, referindo-nos a alguém… Eu me recordo que, naquela ocasião, os Espíritos me deram um ensinamento muito interessante, afirmando-me que Goethe, o célebre poeta alemão, escrevera que nada pior do que pessoa de boa vontade sem conhecimentos. Atrapalham muito mais do que ajudam.
Os senhores já imaginaram uma porção de pessoas de boa vontade na cozinha sem saber como cozinhar?! Cada um dando um palpite… ou o mesmo grupo em qualquer outra atividade!?
A boa vontade é um elemento básico, mas não é o fator indispensável. Esse é a qualificação de quem trabalha. Ele pode até não ter boa vontade, mas tendo capacidade produz melhor. A opinião de um técnico, apesar da sua má vontade, porém portador de alta qualificação evita desastres, e enquanto a colaboração da pessoa de boa vontade, desinformada ou sem qualificação, leva a prejuízos. A qualificação é muito importante. Saber o que fazer e como realizá-lo, para executar bem é indispensável.
Isso não quer dizer que a pessoa deva ser excessivamente instruída, exageradamente técnica, mas, pelo menos, preparada.
Aqui nós temos a Creche (*), e a pessoa diz que gostaria de colaborar com as crianças mas não tem filhos, não é professora, nem pedagoga, não gosta muito de crianças, porque é portadora de distúrbio emocional, mas quer fazer caridade, para que Deus lhe dê saúde… Ora, essa pessoa está negociando com Deus.
Poderá justificar-se, que deseja trabalhar para libertar-se da doença. Não, porém, numa Creche, sem a supervisão de um terapeuta. Essa pessoa que aparenta boa vontade, mas não tem qualificação, nem saúde, dará mais trabalho do que será útil.
A qualificação é de grande importância. É a base do triângulo. É o vértice da esquerda, porém o da direita é a humanização, porque se a pessoa se espiritiza, conscientiza-se da Doutrina, qualifica-se, mas não tem sentimento de humanidade, que é a caridade iluminando o humanitarismo e o humanismo; se não tem esse ideal de ajudar, de oferecer-se, de despersonalizar-se, no sentido de se libertar do ego dominador para poder dedicar-se, torna-se apenas uma parte do triângulo. Seria qual uma mesa trípode com um pé quebrado. Para que haja harmonia é necessário que essa espiritização seja qualificada e humanizada.
Que comece pelo ardor, logo o amor, preparando-se pela qualificação para servir bem. Comece-se a sentir o problema do próximo, e a melhor maneira de senti-lo é colocar-se no seu lugar, fazendo por ele o que gostaria que lhe fosse feito. Com esse exercício nasce uma onda de ternura, um sentimento de solidariedade e, a partir daí, começa-se a dizer: “Meu Deus, eu sou gente, eu sou uma célula do organismo universal; a sociedade caminha na minha vida.” Uma grande mentalista Rosacruz, Elizabeth Laser, escreveu: “- Quanto alguém cai a humanidade cai com ele.”
Já tivemos oportunidade de referir-nos a esse, que é um pensamento muito bonito, mas que a mim me parece algo pessimista. Porque, se a humanidade cai quando alguém tomba, ela se levanta quando alguém se ergue. Toda vez que uma pessoa se alça aos cimos a sociedade ergue-se com essa pessoa.
Um grande oncologista americano, o Dr. Bernie Siegel, teve oportunidade de narrar, em um dos seus livros, que recebeu uma paciente muito original. Tratava-se de uma jovem senhora de 38 anos que teve um câncer de mama e logo uma metástase óssea. Quando chegou até ele, o tumor estava irradiado por todo o organismo. O médico não teve outra alternativa senão dizer-lhe: “- A senhora chegou um pouquinho tarde. Podemos tentar algo, mas o sofrimento que você vai ter não compensa o sacrifício, porque o tumor avançou muito.”
A paciente redarguiu: “- Qual a minha possibilidade? Eu teria uma em dez?”
Ele meneou a cabeça e informou que, em 100 seria apenas de 1%, mas do ponto de vista técnico não havia nenhuma.
Ela interrogou: “- Doutor, e em um milhão de doentes eu teria uma vez?
Bem – respondeu -, em um milhão você teria uma vez. Então, por favor, comece o tratamento. Eu sou esta pessoa do milhão.”
Ele atendeu-a e ela ficou boa. Era realmente a exceção.
Nós sempre achamos que o escolhido é o outro. Imagine-se em um milhão de pessoas! Claro que não sou eu – dirá o pessismista -. Mas se todos declaram não sou eu, claro que não será ninguém. Aparece lá alguém que diz sou eu o dono da perspectiva, então ele vai contribuir para tornar-se o exitoso, porque não tem ninguém elegido. A pessoa elege-se.
É necessário que nos elejamos a célula básica da humanidade.
Muitas vezes, uma certa euforia me invade e eu, a sós ou acompanhado, sinto uma alegria imensa, a de ser membro de uma nova sociedade, de ser uma célula, se não sadia, pelo menos reconquistando a saúde.
Assim, posso antever a humanidade do futuro, quando a Doutrina Espírita se irradiará por toda a Terra e as injustiças sociais cederão lugar à verdadeira fraternidade.
Mas isso somente será possível quando eu for justo, do ponto de vista social; quando eu for bom, para o meu empregado; quando eu veja nele, não apenas meu servidor, mas um irmão, momentaneamente em função de serviço, já que eu também sou servidor de outrem e que, por sua vez, é servidor de outrem mais, tornando-nos servidores da Vida.
O Espiritismo é a nossa Escola, a nossa oficina, é o nosso hospital, nosso santuário e também nosso lar. O lar da fraternidade universal, onde todos nos encontramos para demonstrar que é possível viver em sociedade, sem agressividade; que é possível viver-se fraternalmente, sem estarmos a ferir-nos uns aos outros, e, quando isso acontecer, a tolerância virá em nosso socorro, a humanização virá para auxiliar-nos, a qualificação nos dirá que não temos mais o direito de permitir-nos erros, e a espiritização nos alçará à condição de verdadeiros espíritas, mínimas qualidades do homem de Bem, precisamente definidas em O Evangelho Segundo o Espiritismo.
Com esses requisitos eu devo ser bom, nobre, justo, paciente, gentil, e se eu tiver algumas dessas qualidades, já terei o suficiente para ser um homem de bem, embora outras tantas ainda me faltam, mas que eu poderei conquistar através dos tempos futuros.

A SOLIDARIEDADE




     Glória a Deus e paz aos homens de boa vontade!
     O estudo do Espiritismo não deve ser vão. Para certos homens levianos, é uma diversão; para os homens sérios, deve ser sério.
     Antes de tudo refleti numa coisa. Não estais na Terra para aí viver à maneira de animais, para vegetar à maneira de gramíneas ou de árvores. As gramíneas e as árvores têm a vida orgânica e não têm vida inteligente, como os animais não têm a vida moral. Tudo vive, tudo respira na natureza: só o homem sente e se sente.
     Como são insensatos e lamentáveis aqueles que se desprezam a ponto de comparar-se a um fio de erva ou a um elefante! Não confundimos os gêneros nem as espécies. Não são grandes filósofos e grandes naturalistas que, por exemplo, veem no Espiritismo uma nova edição da metempsicose e, sobretudo, uma metempsicose absurda. A metempsicose é o sonho de um homem de imaginação e não outra coisa. Um animal, um vegetal produz o seu congênere, nem mais, nem menos. Diga-se para impedir velhas ideias falsas de serem novamente acreditadas, à sombra do Espiritismo.
     Homem, sede homem; sabei de onde vindes e para onde ides. Sois o filho amado Daquele que tudo fez e vos deu um fim, um destino que deveis realizar sem o conhecer absolutamente. Éreis necessário aos seus desígnios, à sua glória, à sua própria felicidade? Questões ociosas, porque insolúveis. Vós sois; sede reconhecidos por isto; mas ser não é tudo; é preciso ser segundo as leis do Criador, que são as vossas próprias leis. Lançado na existência, sois, ao mesmo tempo, causa e efeito. Nem como causa, nem como efeito, podeis, ao menos quanto ao presente, determinar o vosso papel, mas podereis seguir as vossas leis. Ora, a principal é esta: O homem não é um ser isolado; é um ser coletivo. O homem é solidário do homem. É em vão que procura o complemento de seu ser, isto é, a felicidade em si mesmo ou no que o rodeia isoladamente: não pode encontrá-la senão no homem ou na humanidade. Então nada fazeis para ser pessoalmente feliz, tanto que a infelicidade de um membro da humanidade, de uma parte de vós mesmo, poderá vos afligir.
     Nisto é moral que vos ensino, direis vós, ora, a moral é um velho lugar comum. Olhai em torno de vós: que há de mais ordinário, de mais comum que a sucessão periódica do dia e da noite, que a necessidade de vos alimentardes e de vos vestirdes? É para isto que tendem todos os vossos cuidados, todos os vossos esforços. E é necessário, exige-o a parte material do vosso ser. Mas a vossa natureza não é dupla, não sois mais espírito do que corpo? Então como vos é mais difícil ouvir lembrar as leis morais do que, a todo instante, aplicar as leis físicas? Se fôsseis menos preocupados e menos distraídos, essa repetição não seria tão necessária.
     Não nos afastemos do assunto: O Espiritismo bem compreendido é para a vida o que o trabalho material é para a vida do corpo. Ocupai-vos dele com este objetivo e ficai certos de que quando tiverdes feito, para o vosso melhoramento moral, a metade do que fazeis para melhorar a vossa existência material, tereis feito a humanidade dar um grande passo. (Um Espírito - Revista Espírita 1867).                                      

Mensagens sobre solidariedade

http://www.caminhosluz.com.br/pesquisa.asp?s=solidariedade

Trabalho: Solidariedade e Tolerância

Trabalho: Solidariedade e Tolerância

A vida moderna nos impõe, por toda parte, um ritmo alucinante que a todos vai levando de roldão, gerando desequilíbrios emocionais e frustrações que recaem sobre grande parte da humanidade. A impressão é de que somos, na realidade, verdadeiros degredados da felicidade, condenados em um campo de trabalhos forçados, sob permanente vigilância dos carcereiros e dos próprios companheiros, gladiadores como nós nessa frenética competição pela sobrevivência. No fim das contas, parece que a regra é: “Aqui quem não trabalha não come!”

Para abertura desta reflexão, começamos pela indagação: “Na Doutrina Espírita, ‘trabalho’ tem o mesmo conceito que encontramos no comércio, na indústria, na prestação de serviços, nos órgãos governamentais?” Como seria o tratamento desta questão vista no contexto da Lei Divina ou Natural, eterna e imutável, a lei fundamental da alma humana? Considere-se, nesse sentido, que estamos em busca de referenciais básicos para as normas da vida, presentes na consciência das pessoas, ensinadas não apenas por palavras, mas principalmente pelos atos dos conhecidos profetas, afirmadas por Jesus, guia e modelo para a humanidade, leis escritas por toda parte, como palavras de sabedoria. Tratamos aqui de conceitos que se espalharam por toda parte, preparando o terreno para que pudesse receber a “semente”, leis escritas no livro da natureza, acessíveis aos homens de todos os tempos que as quiseram procurar, proclamadas por homens de bem. Essa verdade universal teria sido explicada e desenvolvida pela palavra dos Espíritos, em resposta às perguntas de Allan Kardec, em sua missão de “abrir os olhos aos cegos, confundir os orgulhosos, desmascarar os hipócritas”.

Afinal, o trabalho é uma lei da natureza; constitui-se uma necessidade. A própria civilização aumenta sempre as necessidades e os gozos do homem. Por trabalho, devem ser entendidas não apenas as ocupações materiais, mas também as ocupações do espírito. Aos animais, o trabalho provê sua conservação sem que os conduzam ao progresso. Entretanto, ao homem abrange também o desenvolvimento da faculdade de pensar, que o eleva acima de si mesmo, ou seja, ao crescimento espiritual. O trabalho, tal como o entendemos, transforma a terra, mas não necessariamente o homem, que, no fim das contas, é o valor máximo, seu centro dinâmico. É preciso examinar o trabalho no contexto da consciência humana, matriz de todas as construções para o futuro.

Por conta da mentalidade utilitária no cotidiano das atividades humanas – comerciais, industriais e de serviços -, o trabalho, um dom divino, foi transformado de maneira a moldar-se à nossa própria mentalidade, pela luta insaciável pela posse de bens, que nos gera uma sensação de sofrimento, resultado de nossas ações. A rigor, o trabalho não é uma necessidade econômica, mas uma exigência íntima de ordem moral. Seu conceito terá que evoluir desse sentido econômico para o “trabalho-função social”, função biológica construtiva, direcionando-se para o altruísmo, a utilidade coletiva, instrumento de construção eterna, não perecível, acumulação de capacidade com vistas à eternidade, mas não ao lucro ou vantagens imediatas e de curta visão, na mera construção temporal. É preciso amar o trabalho como disciplinador do espírito, escola de ascensão, necessidade absoluta da vida, imperativo da suprema Lei, impositivo do progresso espiritual: o espírito precisa nutrir-se a cada dia a partir da atividade profícua, reconstruir-se, realizar-se pelo mundo da ação construtiva, edificar-se.

Nesse contexto, qual o sentido da frase de Jesus: “Meu Pai trabalha sempre até hoje?” Essa afirmação de Jesus, quando os doutores da lei o interpelavam por haver feito uma cura em dia de sábado, não apenas ilustra quanto à natureza do trabalho espiritual que realizava, em sua passagem na Terra, como serviu de resposta enfática aos adeptos da antiga Lei judaica. Cumpre-nos estender o entendimento quanto ao trabalho à dimensão de manifestação permanente do próprio Criador, suprema inteligência do universo e causa primária de todas as coisas, estabelecendo um paradigma do trabalho em sua dimensão espiritual, convite à atitude do homem de elevá-lo ao nível de instrumento de libertação dos hábitos humanos que levam ao sofrimento, fazendo-o deixar a ilusão do mundo material para habilitar-se à vivência no plano da verdade, realidade espiritual. “Somente a consciência da Verdade liberta o homem dos males que a inverdade instalou em suas entranhas”. Esta a dimensão excelsa do trabalho.

A partir dessas considerações, seria possível ainda encontrar resposta para a indagação: “Há relação direta entre trabalho e evolução?” Também esta questão leva a considerações profundas sobre as relações entre o trabalho e a evolução espiritual do homem. Vale recorrer às reflexões de Huberto Rohden, resgatadas na publicação póstuma de seu livro Cosmoterapia, onde se destacam as seguintes assertivas:

I. O trabalho material não conduz à integração universal, mas sim à fragmentação, frustração da realização humana em sua busca da felicidade, realização existencial do homem.

II. Na dimensão cósmica se usam todas as expressões inerentes ao espírito, permitindo harmonizá-las com a evolução, em perfeita harmonia com as necessidades do mundo.

III. As realizações universais vêm assim em reforço à evolução da criatura humana. Semelhante atrai semelhante, grandioso princípio da homeopatia.

“Não pode haver fortalecimento dos laços sociais sem solidariedade.” A solidariedade é o fundamento a partir do qual se fortalecem as relações na sociedade. A ação solitária espelha as relações naturais do fluxo universal da vida, favorecendo a expansão do campo consciencial de cada criatura, em permanente sintonia com o Universo.

“Trabalho, solidariedade e tolerância”, bandeira da doutrina espírita. “Fora da caridade não há salvação” foi a legenda adotada por Kardec, sob inspiração espiritual, para resumir o pensamento dos espíritos. Desta forma, a caridade passou a representar a visão renovada pelas revelações transmitidas a partir do mundo espiritual. Em sentido amplo, essa virtude cristã se irradiou como raiz central para a fixação do Espiritismo no mundo, como a mais elevada expressão do amor universal, estimulando a expansão da consciência, em verdadeiro mergulho interior, mantendo-se como alento para meditação dos cristãos renovados. Nesse sentido é que se integram Trabalho, Solidariedade e Tolerância como verdadeiro estandarte para a doutrina espírita.

Autor (a): Ayrton Xavier

Revista Cultura Espírita – ICEB (Instituto de Cultura Espírita do Brasil) – Ano IV – Edição nº 39 – Página: 11 – Rio de Janeiro – Junho/2012.

Livros Pesquisados:

KARDEC, Allan – O Livro dos Espíritos – Tradução de Guillon Ribeiro – Edição nº 80 – FEB (Federação Espírita Brasileira) –

Questões: 614-617 – 621-626 – 674-677 – Rio de Janeiro – 1998.

KARDEC, Allan – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Tradução de Guillon Ribeiro – Edição nº 106 – FEB (Federação Espírita Brasileira) – Questões: 614-617 – Rio de Janeiro – 1992.

UBALDI, Pietro – A Grande Síntese – Tradução de Carlos Torres Pastorino e Paulo Vieira da Silva – Edição nº 16 – Brasília – Editora Monismo Ltda,; Rio de Janeiro – Fundação Pietro Ubaldi – 1998.

Cap.: LXXIX, “a Lei do Trabalho”, página: 278

Bíblia, N.T. – João – Capítulo nº 05 – Versículo nº 17.

ROHDEN, Huberto – Cosmoterapia: A cura dos males humanos pela consciência cósmica – Edição nº 03 – Editora Martin Claret Editores – páginas: 49, 142 e 152 – São Paulo – 1988.

Solidariedade



Sob as luzes do plano espiritual superior vigoram leis de harmonia e de paz.
Essas leis refletem-se nos ensinamentos de Jesus, que merecem ser cada vez mais estudados, assimilados e vivenciados.
Nossa trajetória pela existência terrena tem a finalidade de nos ensejar a oportunidade de exercitar o sentimento de solidariedade, o que faz parte do processo de reforma íntima.
Privilegiando o âmago humilde diante de Deus, é nosso dever nos apoiarmos uns aos outros, objetivando o bem maior da caminhada de todos nós na direção de um presente e de um futuro de regeneração.
A nível ideal, nossas palavras, ideias e atitudes devem ser cultivadas como formas de comunicação harmonizada com o grau de conscientização que já possamos ter alcançado das lições cristãs do Divino Mestre, que envolvem sempre a benevolência.
O pensamento e o raciocínio constituem instrumentos de trabalho para o erguimento de caminhos que nos levarão continuamente ao aprimoramento espiritual e moral, calcadas também na modéstia e na conciliação.
A emoção e o apelo sentimental podem, algumas vezes, cegar a visão do encarnado. Buscando erguer a mente ao Alto, clamando por ajuda espiritual, tem condições de recolocar no prumo eventuais distorções porventura existentes.
A fé raciocinada é um dos maiores trunfos do ser humano para vencer seus obstáculos e trilhar, seguro, rumo ao ápice de seu desenvolvimento interior.
Pensar, refletir, meditar e construir novas elaborações intelectuais, visando a construção do progresso espiritual, são medidas apropriadas para quem pretende cultivar a reforma interior. De outra parte, exercitar o amor e os demais bons sentimentos, entre os quais a solidariedade, constitui mecanismo apto a alicerçar a substância da mudança de comportamento para melhor.
Benfeitores espirituais investiram, e continuam investindo, por todas as formas ao seu alcance, no sentido de que alcancemos satisfatoriamente o êxito em nossa presente programação reencarnatória.
Nosso livre-arbítrio e nossa força de vontade precisam estar vigilantes para que nosso espírito não se desvie da rota ideal.
No enfoque da solidariedade, eventuais desvios comportamentais de companheiros de jornada, quanto os nossos, falhas de uns e de outros, deslizes possíveis de ocorrer ao ser em desenvolvimento, devem ser cuidados com zelo e responsabilidade mas de maneira cordata, pacificadora e mansa.
Por si só, nossas estradas apresentam enormes obstáculos. Não houvesse nenhuma falha humana, as tarefas que abraçamos já seriam complexas e dificultosas. Inexistisse desarmonia entre nós, os envolvimentos menos positivos já seriam, como são, intensos, num mundo ainda de expiação e provas como o nosso.
Bastam os percalços externos para que nossa jornada seja repleta de desafios a vencer. A solidariedade deve subtrair os impulsos de revides e vinditas, entre outros.
É momento de exercitar a maior harmonia possível, em busca do avanço na tarefa, da garantia dessa paz, abrindo mão de posturas contrárias ao procedimento verdadeiramente cristão que Jesus, pela palavra e pelo exemplo legou à humanidade terráquea.
A prática da solidariedade beneficia sempre.
A indulgência e o perdão se enquadram nesse contexto. Difícil, senão impossível, ser solidário, sempre no sentido do bem, guardando no coração sentimentos que lhe são antagônicos.
Erros existem e, no estágio evolutivo em que nos encontramos, não deixam de se fazer presentes. A forma viável de superar equívocos, implementando a lei cristã é a brandura de coração, decorrente do exercício das virtudes acima citadas. Entre elas a solidariedade.
Fonte: http://www.oclarim.org/site/

A CARIDADE É EXEMPLO DE SOLIDARIEDADE HUMANA

A CARIDADE É EXEMPLO DE SOLIDARIEDADE HUMANA

A caridade, quando exercida com elevação moral, nada tem de humilhante. Constitui um modo de ajudar, de socorrer, de amparar aqueles que se encontram no infortúnio. Nem sempre a caridade se exprime pelo óbolo. Nem sempre significa esmola, ainda que a aparência induza a semelhante suposição. Ainda que a Terra fosse um planeta sem problemas econômicos, isto é, na qual todas as criaturas humanas pudessem dispor de recursos pecuniários para não passarem qualquer privação, mesmo assim a caridade teria campo para se exercer. Encontramos em “O Evangelho segundo o Espiritismo” a mensagem de “Um Espírito Protetor”, que assim se manifesta: “Amigos, de mil maneiras se faz a caridade. Podeis fazê-la por pensamentos, por palavras e por ações. Por pensamentos, orando pelos pobres abandonados, que morreram sem se acharem sequer em condições de ver a luz. Uma prece feita de coração os alivia. Por palavras, dando aos vossos companheiros de todos os dias alguns bons conselhos, dizendo aos que o desespero e as privações azedaram o ânimo e levaram a blasfemar do nome do Altíssimo: “Eu era como sois; sofria, sentia-me desgraçado, mas acreditei no Espiritismo e, vede, agora, sou feliz.” Aos velhos que vos disserem: “É inútil; estou no fim da minha jornada; morrerei como vivi”, dizei: “Deus usa de justiça igual para com todos nós; lembrai-vos dos obreiros da última hora.” Às crianças, já viciadas pelas companhias de que se cercaram e que vão pelo mundo, prestes a sucumbir às más tentações, dizei: “Deus vos vê, meus caros pequenos”, e não vos canseis de lhes repetir essas brandas palavras. Elas acabarão por lhes germinar nas inteligências infantis e em vez de vagabundos, fareis deles homens. Também isso é caridade.” Poderíamos desdobrar os conceitos relativos à caridade, seus aspectos diversos e seu grande alcance como obra de fraternidade e solidariedade. Só os países muito contaminados pelo sentimento materialista, presas do egoísmo e da ambição perniciosa, é que desprezam a caridade, reputando-a ofensiva à dignidade do homem. Assim o seria se o esmoler não for animado de sentimento verdadeiramente cristão e se aquele que recebe o óbolo faz profissão de pedinte quando poderia perfeitamente lutar pela própria subsistência.

Há quem diga que fazer caridade é dar esmola. Não é propriamente isso. Fazer caridade é pôr em ação o sentimento fraterno que há de levar a Humanidade, um dia, a alcançar toda a significação da recomendação do Mestre: “Amai-vos uns aos outros.” Se o que dá esmolas o faz por exibicionismo ou por orgulho, a fim de patentear a sua superioridade econômica, deslustra a essência e o objetivo moral da caridade. Admitir-se que pertençam a essa categoria todos os que exercem a caridade, é cometer grave injustiça. Pensar-se também que a esmola humilha a quem a recebe, é erro. Tudo depende do ânimo de quem a dá e de quem a recebe. A caridade bem exercida nunca é humilhante. Verifica-se hoje, quando o materialismo e o egoísmo estendem mais os seus tentáculos, que o exercício da caridade vai sendo apontado como antigalha. Os que a combatem, muitas vezes, mal escondem o desprazer que sentem de tirar do bolso uma moeda que não lhes faz falta à pecúnia acumulada, mas lhes deixa a impressão de um desfalque obsessivo. Quando cessarem os desequilíbrios sociais, que agravam os desequilíbrios econômicos, a esmola material poderá extinguir-se. Todavia, a esmola espiritual jamais desaparecerá da face da Terra, enquanto o nosso planeta não alcançar a redenção final.

Dizer-se que o mundo de hoje não é mais o mundo da caridade implica desconhecer a situação geral em que se debate a Humanidade. O ato de dar um auxílio seja ele material ou moral, físico ou espiritual, é um ato de solidariedade humana. Num mundo de provações, como o em que estamos vivendo, é mister compreender os imperativos da lei de causa e efeito, da lei do retorno, para se analisar melhor as razões do sofrimento e da miséria. A Terra é um mundo em franco período de depuração. É preciso, porém, que todos aqueles que já puderam conhecer os problemas da vida humana e sua relação com a vida espiritual, através da Doutrina Espírita, colaborem sistematicamente para que essa obra se acelere. A miséria é um reflexo da imperfeição humana. À medida que o homem for obtendo maior esclarecimento espiritual e procedendo de acordo com os preceitos cristãos propagados pelo Espiritismo, mais eficiente será o combate à miséria.

A religião que mais profundamente compreendeu o alcance social e moral da caridade foi o Espiritismo, ao interpretar em seu legítimo sentido a palavra do Cristo. Em vez de proclamar que “fora da Igreja não há salvação”, o Espiritismo adverte que “Fora da caridade não há salvação”, porque caridade é expressão de amor ao próximo, é definição do “Amai-vos uns aos outros”. No ambiente espírita, a caridade tem força legítima, porque os seguidores da nossa Doutrina não compreendem se deva deixar uma criatura à mingua de auxílio, para que não se presuma cobri-la de humilhação por lhe dar uma esmola! Esclarecer quem está desorientado; acalmar quem se encontra aflito; guiar quem se encontra perdido; amparar quem esteja caindo; levantar quem esteja tombado; aconselhar quem esteja em rumo incerto ou errado; abrir os olhos de quem se mostra cego à realidade, tudo isso é amor, tudo isso é caridade.

Compreender e interpretar a caridade como uma demonstração sincera de solidariedade humana, será, pois, agir em função do progresso espiritual. O Espiritismo está realizando sua grande obra fraterna, “incutindo nos homens o espírito de caridade e de fraternidade”, diz “O Evangelho segundo o Espiritismo”.   Boanerges da Rocha (Indalício Mendes) Reformador (FEB) Outubro 1958

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SOLIDARIEDADE UNIVERSAL

Se olharmos ao nosso redor, nos mínimos detalhes da natureza, do Universo, iremos perceber que tudo o que está ao nosso redor é solidário, isto é, está para servir a todos, ao bem comum. As paisagens, os aromas, as cores, o ar, enfim, os grandes recursos naturais e essenciais à vida Deus se preocupou em oferecer a todos, sem distinção alguma. Porém, nós, espíritos encarnados, ainda mergulhados nas encrustações materialistas e tendenciosas não nos damos conta desta Lei Universal. Por que então vivemos nesta disputa individualista sem fim? Onde o mais poderoso, o mais rico financeiramente, aquele com uma melhor posição social é mais admirado por todos? Por que nos deixamos levar pela pequenez das particularidades? Prestemos bastante atenção nos nossos modos de encarar o mundo meus irmãos.
Não há outro caminho para a Humanidade senão o da solidariedade. No sentido mais amplo da palavra, não apenas naquele que se refere à divisão do alimento, da moradia, dos recursos materiais, mas também a solidariedade espiritual. Somos solidários quando visitamos um enfermo e ouvimos suas lamentações, suas queixas perante as provas que suporta... Somos solidários quando temos resignação diante dos infortúnios da vida... Somos solidários quando estendemos a mão para um desconhecido... Somos solidários quando somos agredidos e oramos pelo inimigo...
Somos solidários quando não nos omitimos perante injustiças... Somos solidários quando não cruzamos os braços acomodados...
Enfim, somos solidários quando buscamos dentro de nós a nossa missão individual, estabelecida com a espiritualidade, e agimos com fé para cumprí-la até o fim... Estes pequenos gestos, na verdade não têm nada de pequenos diante da Espiritualidade. Um grande clarão se irradia a partir deste momento, melhorando a atmosfera da Terra. Tornamos o ambiente ao redor do planeta mais favorável à aproximação de espíritos mais elevados... E sem dúvida, atraímos para junto de nós amigos que passarão a nos acompanhar e nos estimular a sermos cada vez mais solidários para com a Humanidade. Lembremos, meus irmãos, de que não somos donos de nada na Terra, nem mesmo do nosso corpo. Temos apenas a sua posse. Um dia deveremos prestar conta a nossa própria consciência sobre o bom ou mau uso destas posses enquanto encarnados. Por que então corrermos o risco de atrasarmos a nossa própria evolução? A evolução da Terra? Por que dizemos que seguimos as palavras do Cristo, mas lá no nosso íntimo, agimos ao contrário? Sejamos Cristãos verdadeiros e não somente da “boca pra fora”. Não há mais tempo para deslizes infelizes como esse... A Terra passa por uma grande transformação para um mundo de Regeneração. Façamos jus para merecermos continuar fazendo parte desta grandiosa família regida por Jesus. Ele quer que ajudemos a construir este Novo Mundo de amor e solidariedade.

SOLIDARIEDADE ÀS DIFERENÇAS

SOLIDARIEDADE ÀS DIFERENÇAS


"Cada boa ação que você pratica é uma luz que você acende em torno de seus próprios passos"


Em 27-03-2014, às 17:00hs.

Hoje busquei refletir sobre a solidariedade. Comumente, a solidariedade está associada a caridade (religiosidade) ou assistencialismo (social). A solidariedade é muito maior, ela perde o seu caráter religioso assistencialista, deixando de ser "ocasional" e se constituindo em uma condição humana. A solidariedade ganha, assim, uma dimensão imensurável, tornando-se a própria essência do ser.

A solidariedade é ver as diferenças não como um problema, e, sim como pluralidade de vidas. Significa ter suficiente capacidade para refletir o mais objetivamente sobre a realidade de sofrimento e injustiça na qual vivemos e não ficar indiferente. Solidariedade significa ir de encontro com o "outro" marginalizado não somente por compreender essa realidade, mas, por compaixão ao "outro". Conduzir nossas ações em direção ao "outro" torna-nos seres mais libertos e felizes.

O homem nasceu sobre diversos pontos do globo, e em épocas diferentes, sendo um dos motivos das diferenças humanas (L. E. questão 52-54). Mas, nem por isso, devem deixar de se reconhecerem como semelhantes, pois, são todos animados pelo espírito e filhos de um mesmo Pai - Deus.  Procede que, o diferente é o que está fora dos padrões, tudo o que foge aos padrões não é bem aceito, porque é visto como mal e o mal deve ser combatido, logo, o diferente precisa ser combatido. Esta é uma questão cultural que deve ser revista, não existe superioridade de raça.

"O que nos torna iguais é que somos diferentes". É preciso entender que o ser humano é singular. O que diferencia o ser humano dos outros animais é que ele precisa do outro para se desenvolver, ou seja, ocorre aí um paradoxo: o ser humano, apesar de sua característica peculiar, ser único enquanto indivíduo, ele é um ser interdependente.

Diferente das outras espécies, o ser humano só se desenvolve em relação com o outro. A tartaruguinha, por exemplo, tem uma infância que não dura mais que alguns minutos, logo que nasce ela corre para o mar, a partir de então, desenvolve-se sozinha. Assim, outras espécies na natureza. O homem não, se deixado isolado na natureza, não aprende ao menos a falar. Destarte, o ser humano não é determinado pelo meio, ele é dependente do meio.

Muitos teóricos determinam como fase da infância no homem, o período em que se desenvolve a fala. Pela etimologia da palavra, infância significa "ausência da fala". Contudo, a infância é uma construção social, que teve maior observância no século XIX. Somente na Modernidade, a infância é estabelecida não somente pelas características biológicas e pelas variáveis ambientais (ex: comportamento dos pais) e passa a ser separada por etapas (idade) para as práticas de intervenção e regulação social. Contudo, essas etapas não são iguais em todo o mundo.

O desenvolvimento humano não se dá somente pela mente, como se fez acreditar pela filosofia de René Descartes: "Penso, logo existo".  A identidade humana, assim, fica restrita a mente humana. As mudanças não ocorrem somente nas mentes, também ocorrem nas ações. É preciso, pois, fortalecer o homem para a realização. O ser humano não pensa somente, ele sente. Contudo, o pensamento é a maior prova da existência humana.

O homem se difere dos outros animais pela inteligência. Conquanto, ser instruído não é o mesmo que ser inteligente. Bem como, conhecimento não é consciência. "A consciência é o pensamento íntimo” (L. E. questão 835). É a razão desenvolvida dentro de cada ser. A consciência é, portanto, o raciocínio lógico que só se atinge subindo o degrau da evolução. O que se há de se distinguir é conhecimento de consciência.

O conhecimento não é dado somente pela teoria, existe outro acesso ao conhecimento que é a prática. A mudança é vivencial-teórica. Bem como, educação não é só informação.  Educação é razão mais subjetividade (emoção). É através de uma visão anacrônica de mundo e pelo sistema de crenças (cultura) que se criam paradigmas. O homem passou a seguir modelos, esquecendo-se de si próprio. Apesar de a cientificidade ter buscado separar a mente do corpo, o homem é razão e emoção. E, por isso, o homem hoje precisa reaprender a ser sujeito da própria história e não mais protagonista.

O cientificismo é a crença de que a ciência é uma forma superior de pensar esquecendo o subjetivismo, a emoção. Separou o todo visto pela religião, para conhecer as partes. Agora é preciso retomar a busca do todo que a razão separou. Retornar não significa ir de busca do misticismo e do dogmatismo da religião, mas, se autoconhecer. Ninguém é só cabeça, a ciência fez isso, fez o homem olhar só do pescoço para cima. O ser humano é cabeça, tórax, barriga, sexo, emoção, é o todo.

Nada contra o conhecimento, mas, com o uso que se faz desse conhecimento. O conhecimento sem a prática é nulo. O indivíduo não é só potência, ele precisa expressar a sua potencialidade (energia). O homem cria idéias e meios para esconder o que verdadeiramente é, em essência. Busca esconder a realidade, sem perceber que a realidade é um processo, não existe uma definição para realidade. Ora, não se pode segurar um processo, processo é dinâmica, é movimento. A realidade está em movimento. Ficar preso a realidade é ficar preso a um problema, é tornar-se inerte. É mecanismos individuais, por isso, a necessidade de autoconhecimento.

Allan Kardec, na questão 818, Livro dos Espíritos, pergunta aos Benfeitores, de onde se origina a inferioridade moral da mulher em certos países. Os Espíritos respondem a Kardec: "do império injusto e cruel que o homem tomou sobre ela. É um resultado das instituições sociais e do abuso da força sobre a fraqueza. Entre os homens pouco avançados, do ponto de vista moral, a força faz o direito". Não adianta levantar bandeira contra o racismo, a homofobia, a desigualdade de gêneros e permanecer envolto numa nuvem de preconceito.

O preconceito também vem de um sistema de crenças em desacordo com a nossa época. O sistema é um mecanismo do qual o homem se utiliza para justificar as desigualdades e violências sociais contra os mais fracos. Contudo, o sistema e as instituições não pensam, são feitos por pessoas. Para o sistema mudar é preciso que as pessoas mudem as suas consciências.

A solidariedade respeita o outro. Esse é o desafio dessa Nova Era, a solidariedade com as diferenças, o despertar da consciência de que somos todos iguais em nossas diferenças. Segundo Nelson Mandela: "um dos desafios do nosso tempo, sem ser beato ou moralista, é reinstalar na consciência do nosso povo esse sentido de solidariedade humana, de estarmos no mundo uns para os outros, e por causa e por meio dos outros".

A solidariedade, assim, se constitui em um dos princípios de justiça. "Não façais aos outros, o que não quereríeis que vos fizessem" (E. S. E.). A verdadeira solidariedade começa onde não se espera nada em troca (Antonie de Saint-Exupéry).

Para realizar mudanças é necessária vontade firme. Como ensina André Luiz, "a idéia é um ser organizado por nosso espírito, a que o pensamento dá forma e ao qual a vontade imprime movimento e direção". Ter vontade firme do que se pensa realizar já é uma realização, pois, como ensina os Benfeitores Espirituais, tudo o que se realiza no campo material é antes realizado no campo energético. O pensamento é energia. Podendo ser uma energia positiva ou negativa.

Jesus ensina que para sermos cristãos é preciso mais que conhecer a teoria contida em seus ensinamentos. Muitos se consideram cristãos sem nem mesmo conhecer sobre a vida de Jesus, e, quando conhece o Evangelho não busca praticar. Ser cristão é colocar os Ensinamentos de Jesus em prática através da caridade e do amor. É ser solidário ao outro lembrando que somos todos filhos de um mesmo Pai, logo, somos semelhantes nas nossas diferenças, e, todos, sem distinção, merecemos respeito como filhos de um mesmo Pai. Se assim não conduzirmos nossas ações e pensamentos, toda a teoria do Cristo será palavras jogadas ao vento, sem fundamento em nossa existência.

Solidariedade não é somente ajudar alcançar alguma coisa ao próximo. Solidariedade é informar, é dividir o que se sabe. É compartilhar com aquelas pessoas que não tem acesso a informação, o que nós conseguimos aprender. A solidariedade não é algo que está fora do ser, à solidariedade já existe no ser. É a expressão máxima do amor, que nada pede; nada julga; nada espera; nada vê a não ser o bem do próximo.

O valor da ação está onde está o amor. Se a ação tem amor, então, ela tem valor. Conhecer Jesus não é apenas conhecer seus ensinamentos, mas, seguir junto com Ele em ação. Que Assim Seja!

 Luz e Amor!




"Ide, meus bem-amados, estudai e comentai essas palavras que vos dirijo, da parte d'Aquele que, do alto dos esplendores celestes, tem sempre os olhos voltados para vós, e continua com amor a tarefa que começou há dezoito séculos. Perdoai, pois, os vossos irmãos, como tendes necessidade de ser perdoados. Se os seus atos vos prejudicaram pessoalmente, eis um motivo a mais para serdes indulgentes, porque o mérito do perdão é proporcional à gravidade do mal, e não haveria nenhum em passar por alto os erros de vossos irmãos, se estes vos incomodassem de leve.
Espíritas, não vos olvideis de que, tanto em palavras como em atos, o perdão das injúrias nunca deve se reduzir-se a uma expressão vazia. Se vos dizeis espíritas, sede-o de fato: esquecei o mal que vos tenham feito, e pensai apenas numa coisa: no bem que possais fazer"
 (Bem-Aventurados os Misericordiosos, cap. X; 14. O Evangelho Segundo o Espiritismo).

A Solidariedade é lei da vida

http://www.verdadeluz.com.br/solidariedade-vera-jacubowski/