Estudando o Espiritismo

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sábado, 24 de setembro de 2016

A reencarnação fortalece os laços de família - links

https://evangelhoespirita.wordpress.com/capitulos-1-a-27/cap-4-ninguem-pode-ver-o-reino-de-deus-se-nao-nascer-de-novo/os-lacos-de-familia-sao-fortalecidos-pela-reencarnacao-e-rompidos-pela-unicidade-da-existencia/

http://www.authorstream.com/Presentation/igmateus-1767177-reencarna-fam-lia/

https://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=10&ved=0ahUKEwiAzZDtlajPAhUJFZAKHewwCpEQFghOMAk&url=http%3A%2F%2Fwww.forumespirita.net%2Ffe%2Festudos-mensais%2Ffamilia-35256%2F%3Faction%3Ddlattach%3Battach%3D35498&usg=AFQjCNEB-V_WhmYN_1eY-7LtbNeooaA-iQ&sig2=ANvZnEX5A_DCAQtOgAcy2w&bvm=bv.133700528,d.Y2I&cad=rja


Laços de família.

Estudo Espírita

Promovido pelo IRC-Espiritismo
http://www.irc-espiritismo.org.br
Centro Espírita Léon Denis
http://www.celd.org.br

Tema: Laços de família.

LE questões 773 a 775.

Expositor: Deise Bianchini

Amambai-MS
15/04/2006

 Exposição:

Boa noite queridos amigos. Nosso estudo de hoje corresponde às questões 773 a 775 de "O Livro dos Espíritos"  - CAPÍTULO VII - Da lei de sociedade - Laços de família

Vamos ver as questões.

773. Por que é que, entre os animais, os pais e os filhos deixam de reconhecer-se, desde que estes não mais precisam de cuidados?

“Os animais vivem vida material e não vida moral. A ternura da mãe pelos filhos
tem por princípio o instinto de conservação dos seres que ela deu à luz. Logo que esses
seres podem cuidar de si mesmos, está ela com a sua tarefa concluída; nada mais lhe exige a Natureza. Por isso é que os abandona, a fim de se ocupar com os recém-vindos.”

774. Há pessoas que, do fato de os animais ao cabo de certo tempo abandonarem suas crias, deduzem não serem os laços de família, entre os homens, mais do que resultado dos costumes sociais e não efeito de uma lei da Natureza. Que devemos pensar a esse respeito?

“Diverso do dos animais é o destino do homem. Por que, então, quererem identificá-lo com estes? Há no homem alguma coisa mais, além das necessidades físicas: há a necessidade de progredir. Os laços sociais são necessários ao progresso e os de família mais apertados tornam os primeiros. Eis por que os segundos constituem uma lei da Natureza.Quis Deus que, por essa forma, os homens aprendessem a amar-se como irmãos.” (205)

775. Qual seria, para a sociedade, o resultado do relaxamento dos laços de família?

“Uma recrudescência do egoísmo.”

A necessidade de progresso, citada na questão 774, é um dos fundamentos da reencarnação, partindo-se do princípio da justiça Divina, que nos criou simples e ignorantes, e na revelação de que todos os Espíritos tendem à perfeição e Deus lhes faculta os meios para alcançá-la, proporcionando as provações da vida corporal, onde a família é nosso cadinho redentor, onde temos oportunidade de reencontro com as pessoas com as quais contraímos débitos.

Como diz nosso texto na questão 774:
 “Há no homem alguma coisa mais, além das necessidades físicas: há a necessidade de progredir. Os laços sociais são necessários ao progresso e os de família mais apertados tornam os primeiros. Eis por que os segundos constituem uma lei da Natureza. Quis Deus que, por essa forma, os homens aprendessem a amar-se como irmãos.”

Por acreditarmos, como espíritas, na reencarnação vemos que os laços de família não são apenas carnais, as pessoas são solidárias com um passado e com um futuro e, como as suas relações se perpetuam, tanto no mundo espiritual como no corporal, a fraternidade tem por base as próprias leis da natureza; o bem tem um objetivo e o mal conseqüências inevitáveis.

Em "O Evangelho Segundo o Espiritismo", cap. IV, os espíritos nos dizem:

 A reencarnação fortalece os laços de família, ao passo que a unicidade da existência os rompe.

18. Os laços de família não sofrem destruição alguma com a reencarnação, como o
pensam certas pessoas. Ao contrário, tornam-se mais fortalecidos e apertados. O princípio oposto, sim, os destrói. No espaço, os Espíritos formam grupos ou famílias entrelaçados pela afeição, pela simpatia e pela semelhança das inclinações. Ditosos por se encontrarem juntos, esses Espíritos se buscam uns aos outros. A encarnação apenas momentaneamente os separa, porquanto, ao regressarem à erraticidade, novamente se reúnem como amigos que voltam de uma viagem. Muitas vezes, até, uns seguem a outros na encarnação, vindo aqui reunir-se numa mesma família, ou num mesmo círculo, a fim de trabalharem juntos pelo seu mútuo adiantamento. Se uns encarnam e outros não, nem por isso deixam de estar unidos pelo pensamento. Os que se conservam livres velam pelos que se acham em cativeiro. Os mais adiantados se esforçam por fazer que os retardatários progridam. Após cada existência, todos têm avançado um passo na senda do aperfeiçoamento.
Cada vez menos presos à matéria, mais viva se lhes torna a afeição recíproca, pela razão mesma de que, mais depurada, não tem a perturbá-la o egoísmo, nem as sombras das paixões.
Podem, portanto, percorrer, assim, ilimitado número de existências corpóreas, sem que nenhum golpe receba a mútua estima que os liga.
Está bem visto que aqui se trata de afeição real, de alma a alma, única que sobrevive à destruição do corpo, porquanto os seres que neste mundo se unem apenas pelos sentidos nenhum motivo têm para se procurarem no mundo dos Espíritos. Duráveis somente o são as afeições espirituais; as de natureza carnal se extinguem com a causa que lhes deu origem.
Ora, semelhante causa não subsiste no mundo dos Espíritos, enquanto a alma existe sempre.
No que concerne às pessoas que se unem exclusivamente por motivo de interesse, essas nada realmente são umas para as outras: a morte as separa na Terra e no céu.

19. A união e a afeição que existem entre pessoas parentes são um índice da simpatia anterior que as aproximou, Daí vem que, falando-se de alguém cujo caráter, gostos e pendores nenhuma semelhança apresentam com os dos seus parentes mais próximos, se costuma dizer que ela não é da família. Dizendo-se isso, enuncia-se uma verdade mais profunda do que se supõe. Deus permite que, nas famílias, ocorram essas encarnações de Espíritos antipáticos ou estranhos, com o duplo objetivo de servir de prova para uns e, para outros, de meio de progresso. Assim, os maus se melhoram pouco a pouco, ao contacto dos bons e por efeito dos cuidados que se lhes dispensam. O caráter deles se abranda, seus costumes se apuram, as antipatias se esvaem. E desse modo que se opera a fusão das diferentes categorias de Espíritos, como se dá na Terra com as raças e os povos.

23. Em resumo, quatro alternativas se apresentam ao homem, para o seu futuro de além-túmulo: 1ª, o nada, de acordo com a doutrina materialista; 2ª, a absorção no todo universal, de acordo com a doutrina panteísta; 3ª, a individualidade, com fixação definitiva da sorte, segundo a doutrina da Igreja; 4ª, a individualidade, com progressão indefinida, conforme a Doutrina Espírita. Segundo as duas primeiras, os laços de família se rompem por ocasião da morte e nenhuma esperança resta às almas de se encontrarem futuramente. Com a terceira, há para elas a possibilidade de se tornarem a ver, desde que sigam para a mesma região, que tanto pode ser o inferno como o paraíso. Com a pluralidade das existências, inseparável da progressão gradativa, há a certeza na continuidade das relações entre os que se amaram, e é isso o que constitui a verdadeira família.

Terminaremos com o exposto em “Obras Póstumas”


 “ Outro tanto se verifica hoje com relação às leis que o estudo do Espiritismo dá a conhecer. Podem aplicar-se, sem medo de errar, as leis que regem o indivíduo à família, à nação, às raças, ao conjunto dos habitantes dos mundos, os quais formam individualidades coletivas. Há as faltas do indivíduo, as da família, as da nação; e cada uma, qualquer que seja o seu caráter, se expia em virtude da mesma lei. O algoz, relativamente à sua vítima, quer indo a encontrar-se em sua presença no espaço, quer vivendo em contacto com ela numa ou em muitas existências sucessivas, até à reparação do mal praticado. O mesmo sucede quando se trata de crimes cometidos solidariamente por um certo número de pessoas. As expiações também são solidárias o que não suprime a expiação simultânea das faltas individuais.
Três caracteres há em todo homem: o do indivíduo, do ser em si mesmo; o de membro da família e, finalmente, o de cidadão. Sob cada uma dessas três faces pode ele ser criminoso e virtuoso, isto é, pode ser virtuoso como pai de família, ao mesmo tempo que criminoso como cidadão e reciprocamente. Daí as situações especiais que para si cria nas suas sucessivas existências.
Salvo alguma exceção, pode-se admitir como regra geral que todos aqueles que numa existência vêm a estar reunidos por uma tarefa comum já viveram juntos para trabalhar com o mesmo objetivo e ainda reunidos se acharão no futuro, até que hajam atingido a meta, isto é, expiado o passado, ou desempenhado a missão que aceitaram.
Graças ao Espiritismo, compreendeis agora a justiça das provações que não decorrem dos atos da vida presente, porque reconheceis que elas são o resgate das dívidas do passado. Por que não haveria de ser assim com relação às provas coletivas? Dizeis que os infortúnios de ordem geral alcançam assim o inocente, como o culpado; mas, não sabeis que o inocente de hoje pode ser o culpado de ontem? Quer ele seja atingido individualmente, quer coletivamente, é que o mereceu. Depois, como já o dissemos, há as faltas do indivíduo e as do cidadão; a expiação de umas não isenta da expiação das outras, pois que toda dívida tem que ser paga até à última moeda. “



“Convidar os pobres e estropiados”

Os ensinamentos de “Convidar os pobres e estropiados” – redação de Espiritismo, Luz, Caridade e Amor*
Posted on August 15, 2013 by luzcaridadeamor
paoOs ensinos de Jesus são o Amor. O amor que em suas diversas nuances recebe vários apelidos, sendo um deles a caridade. Que é o amor ao nosso próximo, servindo-o naturalmente, seja quem for, não dando asas ao nosso orgulho , fazer o bem da maneira que pudermos.

É indispensável que nos lembremos que todos os ensinamentos dizem respeito a nós, espíritos. Jesus nos ensina isto de reencarnação em reencarnação, buscando a sabedoria que é a chave para a felicidade. Assim, demonstra-nos a necessidade de partilhar com os necessitados do banquete espiritual. Nesta passagem o cego a que ele se refere é o que não “enxerga” a finalidade superior da vida, apegando-se a bens materiais, por não ter “olhos de ver”. O coxo e o paralítico são os que ainda não conseguem se locomover em direção à educação integral.
E os pobres?Esses mendigam o conhecimento do espírito. Buscam pelas reencarnações o alimento da alma, necessitando para que não sucumbam mais uma vez.O irmão, o amigo, o parente o vizinho e os ricos, já partilharam do banquete espiritual, já estão saciados pelo conhecimento.

Que vantagem faremos ao convidá-los para a “festa” em que se resume todo encontro com as verdades eternas. Daqui tiramos a seguinte lição, todo o serviço no bem deve ser feito sem esperar recompensa nem retribuição. Fazer o bem pelo bem. O reino de Deus é o reino dos valores espirituais, onde predomina o “tesouro que o ladrão não rouba, a traça que não corrói, a ferrugem não consome”. Estes ensinamentos para o cotidiano, faz nos lembrar de combater o nosso orgulho e vaidade. Por isso, Jesus nos aconselhou a amar os nossos semelhantes exercitando a caridade em nossa caminhada evolutiva em direção a perfeição e a felicidade. Devemos fazer o bem sempre, sem exigir ou esperar nada em troca.

*Texto explicativo sobre o capítulo XIII do Evangelho Segundo o Espiritismo, trecho “Convidar os pobres e estropiados“.

QUEM DEVEMOS CONVIDAR PARA NOSSA FESTA?

QUEM DEVEMOS CONVIDAR PARA NOSSA FESTA?



Jesus disse aos que o tinha convidado: Quando deres algum jantar ou alguma ceia, não chames nem teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem teus vizinhos que forem ricos, para que não aconteça que também eles te convidem à sua vez, e te paguem com isso; mas quando deres algum banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos; e serás bem-aventurado, porque esses não tem com que te retribuir, mas ser-te-á isso retribuído na ressurreição dos justos. Tendo ouvido estas coisas, um dos que estavam à mesa disse para Jesus: Bem-aventurado o que comer o pão no Reino de Deus. (Lucas, XIV: 12-15).

“Quando fizeres um banquete, disse Jesus, não convides os teus amigos, mas os pobres e os estropiados”. Essas palavras, absurdas, se as tomarmos ao pé da letra, são sublimes, quando procuramos entender-lhes o espírito. Jesus não poderia ter querido dizer que, em lugar dos amigos, fosse necessário reunir à mesa os mendigos da rua. Sua linguagem era quase sempre figurada, e para os homens incapazes de compreender os tons mais delicados do pensamento, precisava usar de imagem fortes, que produzissem o efeito de cores berrantes. O fundo de seu pensamento se revela por estas palavras: “E serás bem-aventurado, porque esses não têm com o que te retribuir”. O que vale dizer que não se deve fazer o bem com vistas à retribuição, mas pelo simples prazer de fazê-lo. Para tornar clara a comparação, disse: convida os pobres para o teu banquete, pois sabes que eles não podem te retribuir. E por banquete é necessário entender, não propriamente a refeição, mas a participação na abundância de que desfrutas.

Essas palavras podem também ser aplicadas em sentido mais literal. Quantos só convidam para a sua mesa os que podem, como dizem, honrá-los ou retribuir-lhes o convite. Outros, pelo contrário ficam satisfeitos de receber parentes ou amigos menos afortunados, que todos possuem. Essa é por vezes a maneira de ajudá-los disfarçadamente. Esses, sem ir buscar os cegos e os estropiados, praticam a máxima de Jesus, se o fazem por benevolência, sem ostentação, e se sabem disfarçar o benefício com sincera cordialidade.

A - Conclusão:
O convite à participação nos bens de que desfrutamos deve ser inspirado na mais pura fraternidade. Se for motivado pelo desejo de retribuição é mero comércio e demonstração de orgulho e vaidade.

B - Questões para estudo:

1 - Quem são os pobres e estropiados referidos no texto?
São os nossos irmãos mais necessitamos, que não têm condições de retribuir o nosso convite, a nossa doação, a nossa visita, enfim, as nossas atenções.
"E sereis ditosos por não terem eles meios de vô-lo retribuir..."

2 - Como deve ser a atitude do cristão, quando auxilia o irmão necessitado?
Fraterna e discreta, movida pelo sentimento da verdadeira caridade, que nos manda fazer o bem tão somente pelo prazer de o praticar, sem esperar retribuição alguma.

"... praticam a máxima de Jesus se o fazem por benevolência, sem ostentação, e sabem dissimular o benefício, por meio de uma sincera cordialidade."

3 - Como exercitar esta lição em nossa vivência diária?
Convidando para nossa mesa os irmãos, amigos e parentes menos felizes, e atendendo-os fraternalmente em suas necessidades, ao invés de buscarmos apenas o convívio daqueles que nos podem beneficiar com a retribuição de nossos favores.
Encontramos os pobres e os estropiados no seio de nossa própria família.

Convidar os pobres e os estropiados - dar sem esperar retribuição

Convidar os pobres e os
estropiados - dar sem esperar
retribuição
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A - Texto de Apoio:

Disse também àquele que o convidara: Quando derdes um jantar ou uma ceia, não convideis nem os vossos amigos, nem os vossos irmãos, nem os vossos parentes, nem os vossos vizinhos que forem ricos, para que em seguida não vos convidem a seu turno e assim retribuam o que de vós receberam. - Quando derdes um festim, convidai para ele os pobres, os estropiados, os coxos e os cegos. - E sereis ditosos por não terem eles meios de vo-lo retribuir, pois isso será retribuído na ressurreição dos justos.
Um dos que se achavam à mesa, ouvindo essas palavras, disse-lhe: Feliz do que comer do pão no reino de Deus! (S. LUCAS, cap. XIV, vv. 12 a 15.)

"Quando derdes um festim, disse Jesus, não convideis para ele os vossos amigos, mas os pobres e os estropiados." Estas palavras, absurdas, se tomadas ao pé da letra, são sublimes, se lhes buscarmos o espírito. Não é possível que Jesus haja pretendido que, em vez de seus amigos, alguém reúna à sua mesa os mendigos da rua. Sua linguagem era quase sempre figurada e, para os homens incapazes de apanhar os delicados matizes do pensamento, precisava servir-se de imagens fortes, que produzissem o efeito de um colorido vivo. O âmago do seu pensamento se revela nesta proposição: "E sereis ditosos por não terem eles meios de vo-lo retribuir." Quer dizer que não se deve fazer o bem tendo em vista uma retribuição, mas tão-só pelo prazer de o praticar. Usando de uma comparação vibrante, disse: Convidai para os vossos festins os pobres, pois sabeis que eles nada vos podem retribuir. Por festins deveis entender, não os repastos propriamente ditos, mas a participação na abundância de que desfrutais.

Todavia, aquela advertência também pode ser aplicada em sentido mais literal. Quantos não convidam para suas mesas apenas os que podem, como eles dizem, fazer-lhes honra, ou, a seu turno, convidá-los! Outros, ao contrário, encontram satisfação em receber os parentes e amigos menos felizes. Ora, quem não os conta entre os seus? Dessa forma, grande serviço, às vezes, se lhes presta, sem que o pareça. Aqueles, sem irem recrutar os cegos e os estropiados, praticam a máxima de Jesus, se o fazem por benevolência, sem ostentação, e sabem dissimular o benefício, por meio de uma sincera cordialidade.

B - Questões para estudo e diálogo virtual:

1 - Quem são os pobres e estropiados referidos no texto?

2 - Como deve ser a atitude do cristão, quando auxilia o irmão necessitado?

3 - Como exercitar esta lição em nossa vivência diária?

Convidar os pobres e os estropiados - dar sem esperar retribuição - Conclusão Voltar ao estudo

Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo
Sala Virtual Evangelho

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EESE079b - Cap. XIII - Itens 7 e 8
Tema: Convidar os pobres e os
estropiados - dar sem esperar
retribuição
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A - Conclusão do Estudo:

O convite à participação nos bens de que desfrutamos deve ser inspirado na mais pura fraternidade. Se for motivado pelo desejo de retribuição é mero comércio e demonstração de orgulho e vaidade.
B - Questões para estudo e diálogo virtual:

1 - Quem são os pobres e estropiados referidos no texto?

São os nossos irmãos mais necessitamos, que não têm condições de retribuir o nosso convite, a nossa doação, a nossa visita, enfim, as nossas atenções.

"E sereis ditosos por não terem eles meios de vô-lo retribuir..."

2 - Como deve ser a atitude do cristão, quando auxilia o irmão necessitado?

Fraterna e discreta, movida pelo sentimento da verdadeira caridade, que nos manda fazer o bem tão somente pelo prazer de o praticar, sem esperar retribuição alguma.

"... praticam a máxima de Jesus se o fazem por benevolência, sem ostentação, e sabem dissimular o benefício, por meio de uma sincera cordialidade."

3 - Como exercitar esta lição em nossa vivência diária?

Convidando para nossa mesa os irmãos, amigos e parentes menos felizes, e atendendo-os fraternalmente em suas necessidades, ao invés de buscarmos apenas o convívio daqueles que nos podem beneficiar com a retribuição de nossos favores.

Encontramos os pobres e os estropiados no seio de nossa própria família.

Convidar os pobres e estropiados - links

http://cebatuira.org.br/estudos_detalhes.asp?estudoid=484


“ CONVIDAR OS POBRES E OS ESTROPIADOS. – DAR SEM ESPERAR RETRIBUIÇÃO.”

ESTUDO ESPÍRITA


PROMOVIDO PELO IRC-ESPIRITISMO
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CENTRO ESPÍRITA LÉON DENIS
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TEMA:“ CONVIDAR OS POBRES E OS ESTROPIADOS. – DAR SEM ESPERAR RETRIBUIÇÃO.”

EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO – CAPÍTULO XIII, ITENS 7 E 8.

EXPOSITORA: NARA COELHO

 JUIZ DE FORA
 12/03/2003

Dirigente do Estudo:


Rosângela Pertille


Mensagem Introdutória:


PRECE DO PÃO

      Senhor!
      Entre aqueles que te pedem proteção, estou eu também, servo humilde a quem mandaste extinguir o flagelo da fome.
      Partilhando o movimento daqueles que te servem, fiz hoje igualmente o meu giro.
      Vi-me freqüentemente detido, em lares faustosos, cooperando nas alegrias da mesa farta, mas vi pobres mulheres que me estendiam, debalde, as mãos!...
      Vi crianças esquálidas que me olhavam ansiosas, como se estivessem fitando um tesouro perdido.
      Encontrei homens tristes, transpirando suor, que me contemplavam, agoniados, rogando, em silêncio, para que lhes socorresse os filhinhos largados ao extremo infortúnio...
      Escutei doentes que não precisavam tanto de remédio, mas de mim, para que pudessem atender ao estômago torturado!..
      Vi a penúria cansada de pranto e reparei, em muitos corações desvalidos, mudo desespero por minha causa.
      Entretanto, Senhor, quase sempre estou encarcerado por aquelas mesmas criaturas que te dizem honrar.
      Falam em teu nome, confortadas e distraídas na moldura do supérfluo, esquecendo que caminhaste, no mundo, sem reter uma pedra em que repousar a cabeça.
      Elogiam-te a bondade e exaltam-te a glória, sem perceberem, junto delas, seus próprios irmãos fatigados e desnutridos. E, muitas vezes, depois de formosas dissertações em torno de teus ensinos, aprisionam-me em gavetas e armários, quando não me trancam sob a tela colorida de vitrinas custosas ou no recinto escuro dos armazéns.
      Ensina-lhes, Senhor, nas lições da caridade, a dividir-me por amor, para que eu não seja motivo à delinqüência.
      E, se possível, multiplica-me, por misericórdia, outra vez, a fim de que eu possa aliviar todos os famintos da Terra, porque, um dia,
      Senhor, quando ensinavas o homem a orar, incluíste-me entre as necessidades mais justas da vida, suplicando também a Deus:
      - "O pão nosso de cada dia dai-nos hoje."
 Meimei
 Do Livro: O Espírito da Verdade
 Psicografia: Francisco Cândido Xavier
 Editora: FEB


Oração Inicial:


<Ioio> Senhor Jesus, bom e amado Mestre, aqui estamos mais uma vez, para podermos aprender um pouco mais sobre Sua Boa Nova. Ampara os companheiros aqui presentes para que possamos estudar com a amiga Nara. Abençoe-a para que ela oriente nossas mentes e corações para a senda do progresso. Assim em Seu nome, dos amigos espirituais, que possamos dar por iniciada o estudo da noite de hoje. Fica conosco, agora e sempre!
      Graças a Deus!


Exposição:


<Nara_Coelho> Boa noite queridos amigos!
      Que Jesus nos abençoe em mais esta oportunidade de conversar sobre as lições que Ele nos deixou como guia para que possamos encontrar a felicidade.
      O tema de hoje é "Convidar os pobres e estropiados".
Na verdade, este é um desdobramento do tema central dos ensinos de Jesus que é o Amor.
      O amor que em suas diversas nuances recebe vários apelidos, sendo um deles a caridade, que é tratada por Kardec, no cap.XIII do Evangelho Segundo o Espiritismo.  Ali o Mestre de Lyon aproxima-nos do que precisamos saber e que até então estava envolto nas nuvens do obscurantismo clerical.
      Simplesmente fazer a caridade, que é o amor ao nosso próximo, servindo-o naturalmente, seja quem for, não dando asas ao nosso orgulho para não humilha-lo; perceber o quanto necessitamos uns dos outros e desta maneira valorizar as nossas ações coroando-as com o objetivo superior de fazer o bem da maneira que pudermos.
      E Jesus nos ensina: "Quando deres algum jantar ou alguma ceia, não chames nem teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem teus vizinhos que forem ricos, para que não te aconteça que também eles te convidem à sua vez, e te paguem com isso; mas quando deres algum banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos; e serás bem-aventurado porque esses não têm com que te retribuir, mas ser-te-á isto retribuído na ressurreição dos justos. Tendo ouvido estas coisas, um dos que estavam a mesa disse para Jesus: "Bem-aventurado o que comer o pão no Reino de Deus." (Lucas, XIV:12-15)
      É indispensável que nos lembremos que todos os ensinos do Mestre dizem respeito a nós, espíritos. Jesus não fala apenas para quem tem a vida circunscrita entre o berço e o túmulo. Ele ensina para quem atravessa a eternidade, de reencarnação em reencarnação, buscando a sabedoria que é a chancela para a felicidade. Assim, demonstra-nos a necessidade de partilhar com os necessitados de todos os matizes do banquete espiritual que já conseguimos merecer.
      O alimento da alma, (Eu sou o pão da vida) a água pura e cristalina que nos dessedenta eternamente e que vem do conhecimento da verdade que Ele nos trouxe.
      O cego a que ele se refere é o que não "enxerga" a finalidade superior da vida, apegando-se ao materialismo descontrolado, por não ter "olhos de ver". O coxo e o paralítico são os que ainda não conseguem se locomover em direção à educação integral. "Marcam passo" nas esquinas da vida necessitando de mão amiga que os sustentem na caminhada.
      E os pobres?
      Ah! Esses mendigam o conhecimento do espírito. Morrem de fome! Buscam pelas reencarnações o alimento da alma, necessitando de quem o doe para que não sucumba mais uma vez.
      O irmão, o amigo, o parente o vizinho, os ricos, todos já partilharam do banquete espiritual, já estão saciados pelo conhecimento.
      Que vantagem faremos ao convida-los para a "festa" em que se resume todo encontro com as verdades eternas, da qual eles já fazem parte?  Eles se sentirão na obrigação de nos manter entre seus convidados, causando-lhes até constrangimento.
      E daqui tiramos mais uma bela lição. Todo serviço no bem deve ser feito sem esperar recompensa nem retribuição. Fazer o bem pelo bem, deve ser o nosso lema, para que o bem se fixe em torno dos nossos passos. Não é do bem que precisamos?
      Então é nele que devemos investir. Por isto a expressão "Bem-aventurado o que comer pão no reino de Deus".  O reino de Deus é o Reino dos valores espirituais, onde predomina o "tesouro que o ladrão não rouba, a traça não corrói, a ferrugem não consome".
      Quem ali come o pão, sacia-se com o entendimento superior da vida, com o alimento eterno trazido pelo conhecimento do Evangelho de Jesus, o "Pão" da vida. Enquanto que os pobres e os estropiados nada têm a nos oferecer.
      Trazendo estes ensinos para o cotidiano, no seu entendimento mais literal, podemos nos lembrar de combater o nosso orgulho e vaidade.
      Tantas vezes fazemos pouco caso de velhos conhecidos, mas que, por sua precária posição social, pensamos não serem dignos de se sentarem a nossa mesa de refeição, de partilhar de nossas festas de aniversário, formatura, casamento. Preferimos aquele outro nem tão honesto mas que tem alguma popularidade, só porque queremos fazer parte de seu círculo de amigos e ser convidados para a próxima festa.
      Tantas vezes os espíritos nos alertam para o fato de que almas luminosas habitam corpos humildes na Terra, escondidos das turbulências da vida social para progredirem em paz.
      Até quando perdermos tempo com tais cometimentos?
Os ensinos de Jesus, enfocados neste capítulo do Evangelho são de uma riqueza maravilhosa e muito oportunos para os dias em estamos vivendo, quando a futilidade pontifica, marcando a nossa contemporaneidade com cenas tristes, permitindo a vitória da iniqüidade, dando vazão a uma inversão de valores que tem causando grandes problemas a nossa sociedade.
      Cabe-nos a nós, espíritas, por tudo que temos recebido, cerrar fileiras na busca dos valores da alma, transmitindo-os pelo exemplo a todos quanto partilham do nosso círculo de relação.
      E, assim, firmando-os como sustentáculo das ações individuais, partir para a formação de uma sociedade mais feliz, porque mais justa, quando já não haverá mais pobres e estropiados; nem do corpo nem da alma.


Perguntas/Respostas:


[01] <Rafaielo> Entre os aparentemente felizes, existem também os estropiados da alma. Como identificá-los e socorrê-los?

<Nara_Coelho> Certamente, eles se darão a conhecer. Para tanto, basta que tenhamos um contato fraterno com essas criaturas, livres dos preconceitos que muitas vezes nos dizem que aquele que sorri não chora. Convivendo com as criaturas,
sabemos de suas necessidades. Por isso, Jesus nos aconselhou a amar os semelhantes. É o amor que desarma as almas, fazendo-as pedir socorro. E o ideal é que sejamos o próximo mais próximo para lhes prestar esse socorro.

[02] <Rafaielo> Há muito de preconceito, de medo, que nos separa dos miseráveis e dos esfarrapados, inda mais no mundo violento em que vivemos, embora os violentos não se distingam pela classe social. Que mecanismos, pessoas, grupos ou instituições existem que nos possa facilitar um primeiro contato no auxílio aos desvalidos?

<Nara_Coelho> O que você falou é verdade, Rafaielo! Entretanto, todos centros espíritas trabalham no sentido de diminuir a miséria, tanto a moral quanto a material. Kardec nos ensinou que "fora da caridade não há salvação". É preciso, pois, que as criaturas conscientes  se embuiam do propósito  de seguir Jesus, utilizando-se da caridade que é o amor colocado em movimento. Só este amor é capaz de acabar com a violência, pois nos ajuda a transformar o egoísmo em altruísmo,  beneficiando não apenas a nós mesmos, mas como a própria coletividade. Precisamos sair da teoria para a prática, exercitando a caridade em todas as circunstâncias de nossa vida.



Oração Final:


<Rafaielo> Vamos unir nossos pensamentos, elevando-o ao criador. Senhor e Criador do espaço infinito, de infinita perfeição, justiça, amor, bondade, misericórdia e providencialidade. Agradecendo por nossas vidas, pela nossa destinação futura de felicidade e trabalho, pela nossa encarnação neste planeta escola, guiados por Jesus e amparados por nossos espíritos protetores. Agradecendo igualmente por esta oportunidade de aprendizado e convívio fraterno. Rogamos Senhor, pelos pobres e estropiados, do corpo e da alma, por nós inclusive, que também necessitamos de correção e progresso. Que o evangelho de Jesus possa servir de norte para o trabalho que nos compete, e que possamos fazer um exercício adicional de vontade, que muito nos tem faltado. Damos-te graças Senhor.
      Que assim seja!

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

O Óbulo da Viuva e a natureza da Caridade


Estando Jesus sentado  em frente ao gazofilácio, observava de que maneira o povo ali ofertava dinheiro e viu que muitos ricos o ofertavam com abundância. Viu também uma pobre viúva que ali deixou somente duas pequenas moedas que valiam um quarto de um asse. Jesus, então, chamando seus discípulos, falou: " Em verdade vos digo que essa pobre viúva deu mais que todos aqueles que colocaram a sua oferta no gazofilácio, porque todos os outros deram do que tinham em abundância; ela, porém, ofertou do que lhe era necessário, deu mesmo tudo o que tinha, tudo o que lhe restava para viver ".
Os ensinos do Mestre se valiam de situações do dia-a-dia do povo com o qual ele convivia para exemplificar sobre comportamentos e metas que seus discípulos deveriam ter em sociedade. Tal como acontecia há 2000 anos, nos dias atuais também pouco se entende daquilo que Jesus realmente ensinava, havendo inúmeras interpretações para suas palavras.


Podemos afirmar que os equívocos de interpretação e constituem em querer materializar para a realidade dos interesses humanos aquilo que Jesus falava sobre as coisas divinas. E um dos melhores casos que podemos usar para exemplificação se trata da passagem do Óbulo da Viúva.







Há que identifique neste ensino de Jesus a justificativa do dízimo, colocando a pobre viúva na posição daquele devoto que entrega todos os bens materiais que possue, chegando mesmo a faltar o essencial para a viver. Estes que defendem tal tese se baseiam em uma possível ajuda divina para os devotos que se sacrificarem materialmente pelo seu estabelecimento religioso.


Com todo o respeito que todas as organizações religiosas sinceras merecem, porém não é possível entrar em acordo com tal tese. Necessário se faz que deixemos de nos interessar pelas coisas divinas, procurando vantagens materiais. Precisamos desmaterializar os ensinos do Cristo, procurando observar a essência espiritual da mensagem cristã.




Em "O Evangelho Segundo o Espiritismo", Kardec coloca a pobre viúva na posição daquele que faz a Caridade mesmo em situação material dificil. Muitos dentre nós, reclamam da impossibilidade de se fazer a Caridade, pelo fato de não possuir recursos financeiros que possibilitem realizar grandes obras sociais. Gostariam de ter acesso a fortunas, dizem, para que pudessem consolar os pobres e oferecer-lhes a possibilidade de suprir suas necessidades imediatas.


Contudo, a lição do Óbulo da Viúva objetiva afirmar a não-necessidade de grandes fortunas para a prática da Caridade. A Doutrina dos Espíritos coloca acima da Caridade dita material, a Caridade Moral.


A Caridade Moral é aquela que podemos praticar a qualquer hora do dia e em qualquer lugar, com qualquer pessoa. Distribuir uma palavra de consolo, ajudar aqueles que possuem o corpo enfraquecido pelo tempo, dar de comer a quem tem fome, saber lidar com a calúnia, mesmo em ambientes aonde deveriam reinar a amizade e o amor, como o Lar.


De forma muito lúcida, os Espíritos Superiores que orientaram o trabalho de Kardec colocaram a Caridade Moral como a capacidade de nos aturarmos uns aos outros.


Vejam que não se exige de nós grandes coisas. Sabendo de nossas limitações, não são impostas pretensas superioridades morais, ou algum doutorado em santidade. Nós temos somente que saber nos aturar.


O Óbulo da Viuva possui uma delicadeza que as vezes escapa a um olhar mais desatento, mas que quando percebido torna-se de uma beleza ímpar para aqueles que pretendem ingressas nas fileiras da Caridade.


A viúva, deu o pouco do que tinha, porém ela deu isto como um ato de amor, um ato de caridade para ajudar aquilo que ela considerava justo. E a Caridade é exatamente assim: A Caridade verdadeira consiste no mais das vezes, em dar aos outros a felicidade que não temos para nós mesmos.


Sem nada exigir das potências divinas, através da Caridade nós proporcionamos a alegria aos outros, quando muitas vezes nós mesmos não temos com o que sentir alegria na vida. Damos esta felicidade sem esperar dádivas do alto, mas por termos o ideal de que ajudando ao próximo, podermos encontrar a paz de espírito que nos falta na Terra.

A Esmola da Viúva

Escrito por Marcelo de Oliveira Orsini

Esclarecendo o Evangelho

Marc 12:41-44

E sentado em frente ao Tesouro, olhava como o povo jogava dinheiro no tesouro; e muitos ricos jogavam muita coisa.

E vindo uma viúva mendiga jogou dois leptas o qual vale um quadrante.

E chamando seus discípulos, disse-lhes: "Em verdade vos digo que essa viúva mendiga jogou mais do que todos os que jogaram no tesouro, pois todos jogaram do seu supérfluo, ela, porém, jogou tudo quanto tinha de sua pobreza, toda a vida dela".

Luc. 21:1-4

Erguendo os olhos, viu os ricos que jogavam no Tesouro suas ofertas;

Viu, porém, certa pobre viúva muito pobre, jogando lá dois leptas;

e disse: "Digo-vos que verdadeiramente, essa viúva mendiga jogou mais que todos;

pois todos esses jogaram como ofertas, do que lhes sobrava; esta porém, jogou da pobreza dela, toda a vida que tinha."

Jesus se achava no átrio das mulheres. Era esse um quadrado cercado de três lados por colunas, sobre as quais havia uma galeria, de onde as mulheres podiam assistir as cerimônias litúrgicas. No quarto lado estava uma larga escada semicircular, com quinze degraus que levava ao "átrio de Israel". Num desses degraus sentara-se Jesus, para breve descanso.

Daí via-se, à esquerda, o Tesouro (gazophilácio), que consistia em treze salas, cada uma das quais exteriorizava um "tronco", de gargalo estreito em cima, que alargava na parte de baixo. Aí eram lançadas as esmolas para o gasto do templo. Os exibicionistas trocavam a importância que desejavam dar em moedinhas de cobre, para terem grande número e fazerem bastante barulho ao serem lançadas, atraindo dessa forma a atenção dos demais peregrinos.

O Mestre estava a olhar aquela multidão, que tanto se avolumava nos dias de Páscoa, enquanto observava as reações dos discípulos, que se admiravam, arregalando os olhos e cutucando-se, quando algum ricaço, ruidosamente, despejava sua bolsa cheia de moedas, causando um tilintar que trazia alegria aos corações dos sacerdotes que serviam no templo.

Nisso surge uma pobre viúva, que deixa escorregar, envergonhada, dois leptas (centavos). Um sorriso fugaz dançou sub-reptício nos lábios dos discípulos, revelando compaixão por aquele gesto inútil. Ao ver o gesto da viúva (paupérrima, mendiga) e ao observar o desdém compassivo dos discípulos, o Mestre, que via além das aparências, chama-lhes atenção para o fato e explica:

- Olhem, ela deu mais que todos...

Os olhares dos discípulos se transformam em outros tantos pontos de interrogação duvidosos, até que o Mestre completa a frase:

- ... todos deram do que lhes sobrava, mas esta, deu tudo o que tinha para viver.

Todos eles abaixaram as pálpebras de seus olhos: as cenas exteriores deveriam desaparecer, para que pudesse sua visão ser preenchida pela luz que lhes nascia, na meditação a respeito de ensino tão inopinado e contundente. E não era para menos. Invertiam-se de um só golpe todos os valores até então vigentes.

Naquela época, como ainda hoje se observa, vale mais quem mais dá: nos templos, nas igrejas, nos centros espíritas, nas associações e fraternidades, e até na vida particular: o presente mais caro deve ser comprado para aquele que nos deu mais. As pessoas jurídicas dão títulos (benemérito, sócio vitalício, presidente de honra...) e medalhas. Ninguém olha com olhos espirituais para a pobrezinha que tirou do seu sustento para doar seu tostão: seu troco é um sorriso complacente, um agradecimento pró forma, e logo se esquece o gesto que tanto lhe custou.

Interpretando a passagem espiritualmente, a personagem ambiciosa, materialista e interesseira só avalia as pessoas pelos valores materiais; só ajuda se é ajudado; só dá bons ordenados a quem dá maiores lucros a organização. Os que dão pouco rendimento material, os que se dedicam doando de si mesmos, mas sem aumentar os lucros, os que se entregam de coração, esses nada valem para as instituições.

Após 2000 anos ainda não aprendemos a lição do óbolo da viúva; não conseguimos despertar da matéria para o Espírito; ainda não subimos da personagem para a individualidade; não fugimos da orientação de Mammon para a do Cristo.

Marcelo de Oliveira Orsini

O óbolo da viúva

Por Octávio Caúmo Serrano

Diz o Evangelho, que estando Jesus no templo, diante do gazofilácio, fez observação aos discípulos mostrando que os que depositavam grandes somas, doavam menos que a viúva que dava a única moeda que possuía.

Essa advertência é bastante importante, porque é comum darmos nada porque não podemos dar muito. De que serve um simples pão que eu ofereça, diante da enorme fome do mundo, indagamos muitas vezes?

Para entender a importância desse pão, lembremos Madre Teresa a benfeitora de Calcutá, que afirmou certa vez que seu trabalho não passava de uma gota no oceano. Completou, no entanto, que sem essa gota o oceano seria menor. Madre Teresa jamais foi vaidosa do seu trabalho, mas também aproveitava para ensinar sempre que tinha oportunidade.

O mesmo dizemos do pequeno pão. Não acabará com a miséria do mundo, mas, pelo menos nesse dia, uma criança passará menos fome.

Quando observamos o movimento espírita percebemos que poucas pessoas dão o óbolo da viúva. Sentem-se incompetentes para os grandes trabalhos, com medo da responsabilidade e sem disposição para o estudo e preparo para a tarefa, e, por isso ficam de braços cruzados. Sem poder executar trabalhos que julgam relevantes não se dispõem a realizar os serviços modestos.

O óbolo da viúva não precisa ser necessariamente a oferenda material. O abraço carinhoso, a palavra de estímulo, a oferta do ombro para o alívio do outro, a prece silenciosa em favor do que sofre, o auxílio ao velho que vai atravessar a rua, a educação no trânsito e o uso rotineiro do faz favor, obrigado, dá licença, desculpe.

O que dificulta o entendimento do Evangelho trazido por Jesus é o nosso exagerado apego ao mundo material, a ponto de esquecermos o significado espiritual das orientações.

Quando fazemos uma compra, se faltar um real não conseguimos pagá-la. Essa ninharia que damos sem ter convicção da sua utilidade é a migalha que falta para completar um conjunto maior. Quando tomamos um remédio, se em vez de dez gotas tomarmos nove ou oito ou sete, o remédio não fará efeito. Uma máquina para pela quebra de um minúsculo parafuso ou de um componente eletrônico imperceptível.

Temos de nos convencer que não há inutilidade e que ninguém é sem valor. Todos temos nossa parte na sociedade e, por menor que pareça, sempre é algo relevante. O soldado não tem a importância hierárquica do capitão, mas é ele que enfrenta o delinquente e corre risco de morte na defesa da população.

Seja qual for a nossa posição na vida podemos praticar algum tipo de caridade: material ou espiritual. Não percamos a oportunidade porque a recompensa é sempre grande; a mil por um.

Que Deus nos ajude!

Publicado no jornal O Clarim de julho de 2011