Estudando o Espiritismo

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quinta-feira, 11 de maio de 2017

LEI DA IGUALDADE E LEI DA LIBERDADE

LEI DA IGUALDADE E LEI DA LIBERDADE

I – LEI DA IGUALDADE


I. a- Igualdade Natural

“Todos os homens estão submetidos às mesmas leis da natureza”.

(L. E. pergunta 803).

Os espíritos afirmam que Deus não concedeu a qualquer homem, superioridade natural. Diante Dele, todos são iguais.


I. b- Desigualdades de Aptidões

Todos os espíritos são criados iguais, as diferenças entre eles se definem por experiências, vivências, tempos de existências e vontade (livre arbítrio). Essas variedades de aptidões são necessárias para o desenvolvimento geral. “... o que um não faz, outro faz” (L. E. pergunta 804). Os mundos são solidários, e espíritos elevados vêm aqui habitar, nos dando exemplo e ajudando nosso desenvolvimento.

Podemos entender em Deus a excelência de justiça, a equidade absoluta, criando todos os espíritos com um mesmo objetivo: A Perfeição. Jornada essa que teremos a desenvolver por milhares de anos, e que não partimos todos, ao mesmo tempo.

Portanto temos, na terra, espíritos, encarnados ou desencarnados, com grandes diversificações de entendimentos, vocações, inteligências, moralidades, etc.

“Há espíritos altamente cultos e intelectualizados que ressurgem na terra em situação de penúria, experimentando limitações, que os ajudarão a vencer sentimentos inferiores de ambição, orgulho, vaidade, ...”. (Richard Simonetti em “A Constituição Divina”.).

Em certas ocasiões comuns em nossos tempos, encontramos espíritos reencarnados em condições sociais/materiais de tanta penúria, que se torna impossível desenvolver aptidões, tal a falta de elementos básicos como, educação, saúde...

Não podemos considerar isso como um “castigo divino” – as dificuldades apresentadas na sociedade atual, limitam as condições para encarnações em meio adequado. A omissão da sociedade, gerada pelo espírito é de nossa responsabilidade.

“A vida é dádiva do Criador; A condução da vida é obra da criatura” (Richard Simonetti em “A Constituição Divina”).

Compreendendo que todos somos iguais, perante a Deus, passamos a ter a responsabilidade de oferecermos as mesmas oportunidades aos espíritos reencarnados.

Estabelecer uma sociedade sobre essas bases é o trabalho que devemos executar como espíritas, buscando a implantação de um mundo de regeneração.


I. c - Desigualdades Sociais

“... Essa desigualdade desaparecerá juntamente com a predominância do orgulho e egoísmo: não ficará senão a desigualdade de mérito” (L.E. pergunta 806).

As desigualdades sociais são obras do homem, com a predominância do orgulho e egoísmo, que com a evolução tenderá a se acabar. Devemos considerar que a reencarnação muito colabora para esse fim.

Na mensagem “N Terra e no Além”- no livro “Religião dos Espíritos”, psicografia de Chico Xavier, Emmanuel afirma:

“É assim que cientistas famosos, a emergirem da crueldade, rogam encarceramento idiotia;

É assim que cientistas famosos, a emergirem da crueldade, rogam encarceramento na idiotia; políticos hábeis que abusaram das coletividades a que deviam proteção e defesa, suplicam inibições celebrais que os recolham a precioso ostracismo; Administradores dos bens públicos que não hesitaram em esvaziar os cofres do povo a favor da economia particular. Solicitam raciocínio obtuso que lhes entravem a sagacidade para o furto aparentemente legal; Criminosos que brandiram armas contra os semelhantes requisitam braços mutilados, assinando afrutivas contra si mesmos; suicidas que menosprezam as concessões do Senhor atendendo a deploráveis caprichos, recorrem a organismos quebrados ou violentados no berço para repararem aas faltas cometidas contra a si mesmo;



I. d – Desigualdade das Riquezas

“A igualdade absoluta das riquezas não é possível e nunca existiu. A diversidade das faculdades e dos caracteres se opõem a isso.” (José Fleuri Queiroz em “Código de Direito Natural Espírita”).

As desigualdades de riquezas são produtos da ação dos homens. Cada um aplica seu interesse na construção do seu “bem estar”, podendo usar mais ou menos recursos, ter ou não mais necessidades, e assim produzimos diferentes estados em nossa sociedade.

Sempre temos que procurar saber a origem das riquezas e entender que o equilíbrio só será possível com a nossa transformação.

Richard Simonetti em “A Constituição Divina”, coloca que as misérias sociais só poderão ser combatidas pela “mobilização para a solidariedade”, ou seja não podemos, espíritas, nos acomodar na ideia de que a reencarnação significa que todos estamos resgatando dívidas. Não será assim que se produzirão grandes mudanças na terra, quando a distribuição das riquezas será uma ação natural do homem evoluído.

“Quando Jesus proclama que não cai uma folha da árvore sem que seja pela vontade de Deus, isto não significa que Deus derrube folhas” (Richard Simonetti em “A Constituição Divina”).

Na nossa sociedade existem grupos de trabalhos, ligados ou não, a religiões diversas, que buscam e que praticam a fraternidade, despertos às necessidades, a promoção e assistência humana, motivados pelo idealismo. Esses poucos muito produzem, como seria nossa sociedade se todos se mobilizassem?

Ainda Simonetti: “... Um dia compreenderemos que a vida vem de Deus, mas a qualidade de vida vem do Homem” e “O Cristo mostra-nos o caminho, mas não pode caminhar por nós”.


I. e – Provas da Riqueza e da Miséria

“As provas da desgraça e da riqueza são igualmente perigosas para o homem; a miséria provoca a murmuração contra a providência, a riqueza leva a todos os excessos”.

(Fleuri em “Código de Direito Natural Espírita” sobre a pergunta 815 do L.E.)

Os espíritos alertam sobre as provas da riqueza e da autoridade, pois trazem aos encarnados, maiores responsabilidades, obrigações geradas por disporem de mais meios para fazerem o Bem. Mas a riqueza e o poder geram paixões que se tornam grilhões a manter-nos presos à matéria.


I.f – Igualdade de Direitos do Homem e da Mulher

De onde se origina a inferioridade moral da mulher em certos países. “Do império injusto e cruel que o homem tomou sobre ela. É um resultado das instituições sociais e do abuso da força sobre a fraqueza. Entre os homens pouco avançados, do ponto de vista moral, a força faz o direito” (L.E. pergunta 818).

O espiritismo defende que os homens e as mulheres são iguais perante Deus e tem os mesmos direitos. Ambos tem a faculdade de entender o Bem e o Mal e de progredir.

O homem é mais forte fisicamente, mas a mulher tem maior sensibilidade e maior desprendimento, gerado pelo instinto materno.

Assim, mesmo tendo funções diferentes na sociedade, os homens e as mulheres devem ter direitos iguais; a lei humana deve ser estabelecida no primeiro princípio da justiça:

“Não façais aos outros, o que não quereis que se vos fizessem” (L.E. pergunta 822).

Ainda afirmam os espíritos, que “...a emancipação da mulher segue o progresso da civilização”.

Na sua tradução, do “Livro dos Espíritos”, Herculano Pires, em comentários de rodapé à pergunta 822, comenta:

“Marido e mulher não são senhor e escrava, mas companheiros que desempenham uma tarefa comum, com a mesma responsabilidade pela sua realização. O feminismo adquire um novo aspecto à luz deste princípio. A mulher não deve ser a limitadora e competidora do homem, mas a sua companheira de vida, ambos mutuamente se contemplando na manutenção do lar, que é a célula básica da estrutura social.”

Destacamos que em 1857, quando o “Livro dos Espíritos” foi lançado, era inconcebível o debate sobre a igualdade dos sexos. Não se articulavam movimentos feministas, não eram garantidos direitos mínimos às mulheres, como votar, exercer profissões liberais, gerir seus próprios negócios, ocupar postos de comando na sociedade e até mesmo exercitar o seu livre arbítrio. A doutrina espírita situava-se na vanguarda as ideias renovadoras para a construção de uma sociedade mais justa.

De Victor Hugo: “O homem é a mais elevada das criaturas. A mulher o mais sublime dos ideais. Deus fez para o homem um trono, para a mulher um altar. O trono exalta; o altar santifica. O homem é o cérebro; a mulher o coração. O cérebro produz a luz, o coração o amor. A luz fecunda. O amor ressuscita... O homem é a águia que voa; a mulher é o rouxinol que canta. Voar é dominar os espaços, cantar é conquistar a alma...

Enfim, o homem está onde termina a terra; a mulher onde começa o céu.”


I.g – Igualdade Perante o Túmulo.

Em resposta à pergunta 823, sobre de onde vem o desejo de se perpetuar a memória pelos movimentos fúnebres, os espíritos respondem: “último ato de orgulho”. Concluindo, dizem que muitas vezes, a suntuosidade dessas demonstrações, é a vaidade em ostentar. “Crês que a lembrança de um ser querido seja menos durável no coração do pobre, porque ele não pode colocar senão uma flor sobre a sua tumba?” (L.E. pergunta 823)

Reconhece-se a justa honra à memória dos homens de bem e a lembrança de suas ações, serão menos perecíveis. E concluindo, os espíritos afirmam “As pompas dos funerais não os lavará de suas torpezas e nem o fará subir um degrau na hierarquia espiritual (L.E. pergunta 824).



II – LEI DA LIBERDADE


II.a – Liberdade Natural

“Não há posições no mundo em que o homem possa gabar-se de gozar uma liberdade absoluta, porque todos necessitam uns dos outros, os pequenos, os grandes... Desde que haja dois homens juntos, há direitos a respeitar e não terão eles, portanto, a liberdade absoluta”. (José Fleuri Queiroz, “Código de Direito Natural Espírita”).

Temos a liberdade absoluta na nossa consciência, no nosso livre arbítrio. Quando passamos a viver em sociedade, devemos estabelecer limites, para podermos respeitar a liberdade do próximo.

Herculano Pires (“Na Era dos Espíritos”), afirma: “O princípio da liberdade é uma anseio natural do homem e constitui o fundamento de todas as realizações douradoras... Mas a liberdade é condicionada pela responsabilidade, sendo que a responsabilidade, por sua vez, não pode existir sem liberdade”...

“Da interação de liberdade e responsabilidade surge a síntese da independência, tanto em plano individual como no coletivo”.

Ao compreendermos este princípio, mais devemos aplica-lo a nós mesmos, vivendo assim, conforme a lei natural.


II.b – Escravidão

“Toda sujeição absoluta de um homem a outro homem é contrária à lei de Deus.  A escravidão é um abuso de força, desaparecerá com o progresso, como desaparecerão, pouco a pouco, todos os abusos (L.E. pergunta 829).

Em nossa sociedade atual, ainda se mantem a escravidão, tanto no trabalho como no domínio da consciência, quando nega-se o direito de educação, acesso à saúde, à dignidade.

Os espíritos, na resposta à pergunta 828-B, afirmam que os homens que tratam os seus escravos com humanidade, compreendem melhor os seus interesses.


II.c – Liberdade de Pensar

“É no pensamento que o homem goza de uma liberdade sem limites, porque não conhece entraves.”

Pode-se deter-lhe o voo, mas não o aniquilar”. (L.E. pergunta 833).

Na liberdade de pensar, encontramos a liberdade absoluta e também a responsabilidade individual diante de Deus.


II.d – Liberdade de Consciência

“A liberdade de consciência é um dos caracteres da verdadeira civilização e progresso” (L.E. pergunta 837).

A consciência é nosso pensamento íntimo, a qual só a Deus cabe julgar. As leis humanas regulam as relações de homem para homem.  As nossas relações com Deus são reguladas pela ação das leis da natureza em nossa consciência, respeitando a individualidade da liberdade de consciência. Devemos respeitar todas as crenças sinceras, que conduzem ao bem.

“Podem-se reprimir os atos, mas a crença íntima é inacessível” (L.E. – pergunta 840).

Quando depararmos com doutrinas perniciosas, devemos usar o exemplo, o bem e a fraternidade, para que a transformação seja natural.


II.e – Livre Arbítrio

843 – O Homem tem o livre arbítrio de seus atos?

“Uma vez que tem a liberdade de pensar, tem a de agir. Sem o livre arbítrio o homem seria uma máquina” (L.E. pergunta. 843).

Temos em nós, as predisposições instintivas, do nosso corpo material e do espírito antes de reencarnar, que pode nos impelir a atos repreensíveis, secundados por espíritos que por eles se simpatizem, mas não há “arrastamento irresistível”, quando se procura resistir.

Somos influenciados pela matéria, que limita as nossas manifestações, mas não é matéria que nos dá faculdades e sim o espírito. Nossa vontade é o elemento predominante, o instrumento (corpo) não dá faculdades intelectuais.

Existem condições especiais em que perdemos o nosso livre arbítrio: quando a inteligência, perturbada por condições tais, perde o domínio do pensamento. Essas alterações podem ser por toda a encarnação, por uma necessidade evolutiva. Lembramos que o espírito sofre esse constrangimento, com plena consciência.

Há outras condições que encontramos limitações do livre arbítrio, como a embriaguez (uma decisão voluntária) ou passagens involuntárias, como o coma.

No livro “O Espírito e o Tempo”, Herculano Pires, no capítulo “Determinismo e Livre Arbítrio”, afirma que o homem tem um determinismo subjetivo (a sua vontade) e um determinismo objetivo (condições de sua própria existência). “Da oposição constante dessas duas vontades, a do homem e a das coisas, resulta a liberdade relativa da sua possibilidade de opção e ação.”

No desenvolvimento, gerado pelas sucessivas encarnações, seu livre arbítrio, pouco a pouco, supera o determinismo. “A liberdade de se determinar a si próprio confere ao homem, o poder de criar”.

“Compete a cada um de nós e a todos nós em conjunto, superarmos nossa limitações, pelo nosso desenvolvimento próprio e pelo desenvolvimento da civilização.”


II.f - Fatalidade

“A fatalidade não existe senão pela escolha que fez o espírito, em se encarnando, de suportar tal ou tal prova. Escolhendo, ele faz uma espécie de destino que é a consequência mesma da posição em que encontra colocado.” (L.E. pergunta 851)

Muitas vezes nos consideramos sujeitos à fatalidades que parecem nos perseguir. Os espíritos explicam que podem ser provas, que devemos suportar, ou mais frequentemente, consequências de nossas próprias faltas.

Outras vezes, somos colocados em perigo, situações que são advertências que nos colocam no equilíbrio necessário para cumprir os desígnios de nossa encarnação. Nestes momentos, somos alertados para nossas fraquezas e fragilidades.

Kardec perguntou aos espíritos (pergunta 860), se o homem pode, por sua vontade, mudar os acontecimentos que deveriam ocorrer, e eles responderam que pode “desde que esse desvio aparente possa entrar na vida que escolheu”.

A fatalidade, na forma que entendemos, se estabelece na escolha do gênero de existência. Provas de existência de pessoas que optaram por uma vida de decepção, para desenvolver paciência e resignação.


II.g – Conhecimento do Futuro

“Se o homem conhecesse o futuro, negligenciaria o presente, e não agiria com a mesma liberdade” (L.E. pergunta 869).

Seria possível conhecer nosso futuro? Esta é uma possibilidade muito remota, pois trazemos ao nascer, certas tendências, aptidões a qualidades inatas, cujas manifestações podem dar uma imagem do nosso futuro.

Mas, no nosso momento evolutivo isso não teria proveito, pois grande parte de nossa vida não está delineada.

Algumas vezes o futuro pode ser revelado, e o tem sido. São revelações que podem favorecer a humanidade.

O espiritismo não se utiliza e nem recomenda essas práticas.


III – LEI DA LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE


No livro “Obras Póstumas, Kardec apresenta um estudo sobre a tríade liberdade, igualdade e fraternidade, as considerando por si só, todo um programa de ordem social, que nas suas palavras, realizaria o mais absoluto progresso da humanidade. Volta o assunto em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, usando” Solidariedade” no local de “Fraternidade”.

Voltando ao citado artigo, de “Obras Póstumas”, ele afirma que a Fraternidade resume todos os deveres do homem com o próximo, ela é o oposto do egoísmo, e pode ser definida como a caridade evangélica – “fazer aos outros o que nós desejamos que nos façam”.

Ele considera que para o bem estar social, a fraternidade é a base. “Sem ela não poderá existir nem igualdade nem liberdade”.

Para ele, se os homens vivessem como irmãos, com direitos iguais, seriam animados pela benevolência e praticariam entre si a justiça. Neste cenário, a liberdade caminharia ao absoluto, pois ninguém pensaria em prejudicar seu semelhante.

“Portanto os inimigos da liberdade são o egoísmo e o orgulho, comoo são também da igualdade e a fraternidade.”

Esses três princípios são solidários entre si.

Não há fraternidade, sem liberdade e igualdade, assim como essas não existira sem a fraternidade.

Os homens criaram modelos sociais, onde prevaleceram a liberdade ou a igualdade, e ambos não conseguiram criar uma sociedade justa; falta a eles o desenvolvimento da fraternidade.


Conclui Kardec:” a aspiração por uma ordem superior das coisas é indício da possibilidade de atingi-la. Cabe aos homens progressistas ativar esse momento pelo estudo e a aplicação dos meios eficazes.


Bibliografia


LIVRO DOS ESPÍRITOS – ALLAN KARDEC

EVANGELHO SEGUNDO OS ESPÍRITOS – ALLAN KARDEC

OBRAS PÓSTUMAS – ALLAN KARDEC

CÓDIGO DE DIREITO NATURAL ESPÍRITA – JOSÉ FLEURÍ QUEIROZ

A CONSTITUIÇÃO DIVINA – RICHARD SIMONETTI

O ESPÍRITO E O TEMPO – HERCULANO PIRES