Estudando o Espiritismo

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sábado, 4 de fevereiro de 2017

GENEROSIDADE - Hammed



                A criatura generosa é alguém que aprendeu a auxiliar os outros sem se ver obrigada a tomar para si os infortúnios que não lhe pertencem. Socorre os sofredores sem emaranhar-se na sua problemática emocional. Procura ser condescendentes com as aflições alheias, mas não se envolve nela. Ou melhor, não tenta carregar a cruz do mundo nas atividades que visam abrandar as dores terrenas.
                O generoso não vive dilemas, pois aprendeu que não é necessário sofrer como um mártir, mas somente ser solidário e estar disposto a cooperar com as pessoas e apoiá-las sempre em tudo o que estiver ao alcance de suas possibilidades físicas e psicológicas.
                Para auxiliar não precisamos passar todo o tempo obcecados por pessoas de quem gostamos, ou pensando de modo compulsivo na melhor maneira de ajudá-las. Há criaturas tão absorvidas nos problemas alheios que não lhes sobra tempo para perceber e solucionar os seus.
                Outras há que se tornam incapazes de viver a própria vida, sentindo-se responsáveis por todos os conflitos de parentes e amigos, não permitindo que eles se responsabilizem por seus atos. Carregam o fardo dos outros, não lhes dando a oportunidade de aprender por si mesmos a resolver as próprias dificuldades existenciais nem a compreender que, com o decorrer do tempo, a prática dessas experiências lhes proporcionaria viver com mais segurança e autonomia.
                Uma das ferramentas básicas que podemos utilizar em benefício das pessoas é manter certa distância psíquica delas. Isso não quer dizer que, ao nos distanciarmos emocionalmente, deixaremos de nos importar com elas, ou de amá-las, mas de abandonarmos a angústia de viver envolvimentos neuróticos, na ânsia de tudo resolver, decidir e compreender.
                Desligar-se ou distanciar-se não é recusar a ajuda afetuosa, nem viver uma aceitação passiva e resignada, mas evitar relacionamentos desgastantes e perturbadores. É deixarmos de nos alimentar de sentimentos e emoções desvairados e de relações patológicas que nos desviam de problemas prioritários para resolver. Cada ser humano é responsável por si mesmo; por isso, precisamos perceber os problemas que não são nossos, cuja solução não nos pertence. A ansiedade e a preocupação não ajudam em nada.
                Esse distanciamento psíquico pode ser a solução benéfica que tanto buscamos. No entanto, nem sempre nos é fácil utilizar a boa vontade desvinculada da área emocional; estamos ainda presos a antigos conceitos e velhos hábitos que nos amarram às crises e aos infortúnios de outrem.
                Essa nova conduta quase sempre nos mostra o conflito enquadrado num contexto totalmente diferente, dentro do qual é possível encontrarmos respostas surpreendentes para problemas que pareciam insolúveis.
                Ser generoso é entender que o silêncio momentâneo é, muitas vezes, a melhor ajuda. É saber confiar na ação do Poder Superior e reconhecer que as experiências da vida, certas ou erradas, são as que geram amadurecimento e crescimento espiritual. Aliás, as verdadeiras experiências são a soma dos próprios erros e desenganos que acumulamos ao longo da vida.
                Generosidade não é tão-somente uma habilidade adquirida por pessoas privilegiadas; é também uma capacidade latente em todo ser humano. Nós a desenvolvemos gradativamente, acompanhando os ritmos da vida. Um dia, a benevolência será vivenciada por toda a humanidade.
                As pessoas generosas fazem o bem espontaneamente; são criaturas que progrediram, uma vez que já lutaram outrora e triunfaram. Por isso, os bons sentimentos não lhes custam nenhum esforço, e suas ações parecem todas simples: o bem tornou-se para elas um hábito. Deve-se honrá-las, como velhos guerreiros que conquistaram suas posições.
                A generosidade é o oposto do egoísmo. Enquanto o generoso desfruta liberdade, repartindo o que pode e o que tem, o egoísta vive isolado, querendo segurar tudo e todos ao seu redor.
                Egoísmo não é viver a própria vida ao nosso modo, mas desejar que os outros vivam como nós queremos.
                O mundo onde moramos depende de nossa colaboração, há que nenhum feito, sentimento ou pensamento passam despercebidos neste sistema de humanidade interdependente do qual fazemos parte. Todos temos que contribuir; ninguém está livre do devotamento à família, amigos e desconhecidos.
                O nosso altruísmo e as atitudes de amor influenciam os atos dos outros e, por conseqüência, criamos na Terra um ambiente renovado que igualmente nos afeta – de forma mental, emocional, social e espiritual. Por outro lado, não podemos nos esquecer de que cada pessoa carrega dentro de si a solução para seus males.
                Cada um de nós tem a potencialidade de sustentar seus semelhantes na mesma caminhada evolutiva. Sempre que tivermos a atitude de nutrir alguém, esse ato terá como resultado a nossa autonutrição.
                Se o Criador nos deu uma vida social é porque, juntos, podemos amparar os passos vacilantes uns dos outros, enquanto que, sozinhos, podemos tropeçar mais facilmente diante das perigosas trilhas da jornada terrena.
                A generosidade não consiste em doar de forma abundante e descontrolada, mas em como e quando doar adequadamente.

Do livro: OS PRAZERES DA ALMA - uma reflexão sobre os potenciais humanos      
FRANCISCO DO ESPIRITO SANTO NETO/ESPÍRITO HAMMED