Estudando o Espiritismo

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domingo, 27 de novembro de 2016

Reclamar… Resolve?

Reclamar… Resolve?

Por Antônio Moris Cury

O atento observador não terá qualquer dificuldade em constatar a gigantesca quantidade de reclamações, lamúrias ou lamentações que as pessoas, em geral, proferem no dia a dia. Reclama-se de tudo. Se, eventual e muito raramente, não houver motivo para lamentar, a lamúria é dirigida ao clima, seja porque está fazendo muito calor ou muito frio, seja porque não tem chovido ou tem chovido muito etc.

Entretanto, entendemos que esse hábito (ruim, repetitivo e infeliz) precisa ser eliminado o quanto antes, uma vez que em nada ajuda e, como se não fosse suficiente, não resolve qualquer preocupação, problema ou dificuldade, como é fácil concluir pelo uso da razão, do equilíbrio e especialmente do bom senso que, no dizer da Academia Brasileira de Letras, é a capacidade de julgar o que é bom e o que é ruim; equilíbrio: o uso do bom senso ajuda as nossas escolhas (Dicionário Escolar da Língua Portuguesa, Companhia Editora Nacional, 2ª edição, 2008, página 1172).

Para os Espíritas ou simpatizantes do Espiritismo não será difícil tal empreitada pelo simples e bom motivo de que o uso dos filtros da razão, da lógica, do equilíbrio e do bom senso é de reiterado aconselhamento em O Livro dos Espíritos, a obra fundamental do Espiritismo, bem como em suas demais obras basilares, de que é exemplo a inigualável definição de fé: Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade (encontrável no frontispício de O Evangelho segundo o Espiritismo, 111ª edição FEB, 1995). Diante de sua considerável importância, cumpre também não perder de vista que Allan Kardec foi considerado o bom senso encarnado.

É curioso, por outra parte, como em geral se costuma dar ênfase aos atos negativos, que efetivamente existem, até porque vivemos em um planeta de expiações e de provas, em que ainda prevalecem o mal e a imperfeição.

Nada obstante, são incontáveis os atos positivos que acontecem na Terra, com pouquíssima divulgação, de que são exemplos mínimos os avanços da Ciência e da Tecnologia (com pesquisas, estudos e ensinamento) favorecendo a milhões de pessoas nas áreas da saúde, da instrução, da comunicação, na facilitação de trabalhos de variada ordem etc. Há, com efeito, um enorme e imensurável número de pessoas no orbe terrestre trabalhando pelo Bem, em silêncio, sem alarde, fazendo a sua parte com qualidade, com zelo, com amor.

Assim, por esta e por tantas outras razões facilmente identificáveis, é de todo conveniente que mudemos nossa postura e compostura, eliminando a reclamação, a lamúria, a lamentação, em nosso próprio favor e também em favor das pessoas com as quais nos relacionamos no dia a dia.

Lembremo-nos a esse propósito do que afirmou André Luiz, Espírito, pela psicografia do eminente médium Francisco Cândido Xavier, no excelente livro Agenda Cristã [capítulo denominado Não estrague o seu dia]: As suas reclamações, ainda mesmo afetivas, jamais acrescentarão nos outros um só grama de simpatia por você (43ª edição FEB, 2005, página 120). Para que se tenha uma ideia do tempo decorrido desse incontestável e admirável ensinamento, a edição inicial do livro Agenda Cristã foi publicada em 1948, há 64 anos, portanto.

Diante do texto antes reproduzido, cabe perguntar: se nossas reclamações, mesmo as afetivas, não acrescentam nos que nos ouvem um só grama de simpatia por nós, para que servem então? Se nem a simpatia de nosso interlocutor conseguimos, conseguiremos com elas resolver algum problema? Evidentemente que não. Mais grave ainda: com reclamações, corremos o sério risco de afastar pessoas de nosso convívio, sejam elas próximas ou não.

Nessa mesma linha de entendimento, Joanes, Espírito, através do ilustrado médium escrevente Raul Teixeira, com precisão e clareza recomenda: Dessa maneira, meu irmão ou minha irmã, evite estar se lamentando acerca dos acontecimentos da sua estrada terrena. Você já sabe onde elas deverão conduzi-lo. Você deve admitir que o próprio indivíduo é responsável, consciente ou inconscientemente, por tudo o que se desdobra em seu caminho terrestre. É a lei do merecimento em plena ação, exigindo trabalho transformador para a vida (encontrável no livro Para uso diário, 5ª edição Fráter, 2008, página 121).

Diante do exposto, conveniente relembrar que uma das bandeiras do Espiritismo é tornar melhores as pessoas que o compreendem, e para compreendê-lo é indispensável ler e estudar suas obras basilares, as quais, repetimos para enfatizar, recomendam que sempre usemos os filtros da razão, da lógica, do equilíbrio e do bom senso na tomada de nossas decisões, sejam elas simples ou complexas.

Logo, se com o brevíssimo embasamento aqui trazido a razão nos conduz à conclusão de que reclamar não adianta, que não resolve absolutamente nada e que ainda agrava a nossa situação, pela simpatia que não conquistamos de quem nos escuta, assim como pelo alto risco que corremos de afastar as pessoas e, além disso, que a lei do merecimento exige trabalho transformador para a vida, parece não haver dúvida de que o melhor mesmo é procurar impor silêncio às nossas reclamações e, por esse modo, tornarmo-nos melhores, mais agradáveis, tendo mais paciência, mais tolerância, mais compreensão, mais bondade e, principalmente, mais amor na mente e no coração, com o que seguramente seremos muito mais felizes aqui e agora.