Estudando o Espiritismo

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sexta-feira, 23 de setembro de 2016

O Óbulo da Viuva e a natureza da Caridade


Estando Jesus sentado  em frente ao gazofilácio, observava de que maneira o povo ali ofertava dinheiro e viu que muitos ricos o ofertavam com abundância. Viu também uma pobre viúva que ali deixou somente duas pequenas moedas que valiam um quarto de um asse. Jesus, então, chamando seus discípulos, falou: " Em verdade vos digo que essa pobre viúva deu mais que todos aqueles que colocaram a sua oferta no gazofilácio, porque todos os outros deram do que tinham em abundância; ela, porém, ofertou do que lhe era necessário, deu mesmo tudo o que tinha, tudo o que lhe restava para viver ".
Os ensinos do Mestre se valiam de situações do dia-a-dia do povo com o qual ele convivia para exemplificar sobre comportamentos e metas que seus discípulos deveriam ter em sociedade. Tal como acontecia há 2000 anos, nos dias atuais também pouco se entende daquilo que Jesus realmente ensinava, havendo inúmeras interpretações para suas palavras.


Podemos afirmar que os equívocos de interpretação e constituem em querer materializar para a realidade dos interesses humanos aquilo que Jesus falava sobre as coisas divinas. E um dos melhores casos que podemos usar para exemplificação se trata da passagem do Óbulo da Viúva.







Há que identifique neste ensino de Jesus a justificativa do dízimo, colocando a pobre viúva na posição daquele devoto que entrega todos os bens materiais que possue, chegando mesmo a faltar o essencial para a viver. Estes que defendem tal tese se baseiam em uma possível ajuda divina para os devotos que se sacrificarem materialmente pelo seu estabelecimento religioso.


Com todo o respeito que todas as organizações religiosas sinceras merecem, porém não é possível entrar em acordo com tal tese. Necessário se faz que deixemos de nos interessar pelas coisas divinas, procurando vantagens materiais. Precisamos desmaterializar os ensinos do Cristo, procurando observar a essência espiritual da mensagem cristã.




Em "O Evangelho Segundo o Espiritismo", Kardec coloca a pobre viúva na posição daquele que faz a Caridade mesmo em situação material dificil. Muitos dentre nós, reclamam da impossibilidade de se fazer a Caridade, pelo fato de não possuir recursos financeiros que possibilitem realizar grandes obras sociais. Gostariam de ter acesso a fortunas, dizem, para que pudessem consolar os pobres e oferecer-lhes a possibilidade de suprir suas necessidades imediatas.


Contudo, a lição do Óbulo da Viúva objetiva afirmar a não-necessidade de grandes fortunas para a prática da Caridade. A Doutrina dos Espíritos coloca acima da Caridade dita material, a Caridade Moral.


A Caridade Moral é aquela que podemos praticar a qualquer hora do dia e em qualquer lugar, com qualquer pessoa. Distribuir uma palavra de consolo, ajudar aqueles que possuem o corpo enfraquecido pelo tempo, dar de comer a quem tem fome, saber lidar com a calúnia, mesmo em ambientes aonde deveriam reinar a amizade e o amor, como o Lar.


De forma muito lúcida, os Espíritos Superiores que orientaram o trabalho de Kardec colocaram a Caridade Moral como a capacidade de nos aturarmos uns aos outros.


Vejam que não se exige de nós grandes coisas. Sabendo de nossas limitações, não são impostas pretensas superioridades morais, ou algum doutorado em santidade. Nós temos somente que saber nos aturar.


O Óbulo da Viuva possui uma delicadeza que as vezes escapa a um olhar mais desatento, mas que quando percebido torna-se de uma beleza ímpar para aqueles que pretendem ingressas nas fileiras da Caridade.


A viúva, deu o pouco do que tinha, porém ela deu isto como um ato de amor, um ato de caridade para ajudar aquilo que ela considerava justo. E a Caridade é exatamente assim: A Caridade verdadeira consiste no mais das vezes, em dar aos outros a felicidade que não temos para nós mesmos.


Sem nada exigir das potências divinas, através da Caridade nós proporcionamos a alegria aos outros, quando muitas vezes nós mesmos não temos com o que sentir alegria na vida. Damos esta felicidade sem esperar dádivas do alto, mas por termos o ideal de que ajudando ao próximo, podermos encontrar a paz de espírito que nos falta na Terra.