Estudando o Espiritismo

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sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Vingança


Objetivo: Mostrar-lhes que a vingança não traz felicidade real, não contribui para a nossa melhoria como ser humano, é contrária às leis de Deus e aos ensinamentos de Jesus.

1. Prece;

2. O que é vingança?

* Ouvir as respostas deles. Explicar que vingança é o ato de se vingar, de desforrar, punir ou castigar alguém pelo que tenha feito a nós ou a outrem.

2.1. Perguntar se já se vingaram ou têm vontade de se vingar de alguém e por quê. Ouvir e comentar respostas.

2.2. Se alguém já tiver se vingado, perguntar se a vingança trouxe felicidade.
* A vingança é sempre um mal que praticamos em "pagamento" de outro mal.
A prática do mal não pode deixar ninguém feliz de verdade, porque vai contra as leis de Deus. A felicidade que os vingadores experimentam é desequilibrada, doentia, não tem a serenidade e a paz das felicidades reais e justas.
Quando fazemos o mal, vamos contra nossa natureza, porque fomos criados por Deus num ato de amor e para o amor.

2.3. A vingança compensa? Por quê?
* Não. Em primeiro lugar, como vimos acima, ela não nos traz felicidade.
Em segundo lugar, quando nos vingamos, permanecemos ligados àquela pessoa de quem não gostamos, porque ela não ficará feliz com nossa vingança e pode desejar voltar a nos fazer mal. Além disso, a vingança não mata a raiva ou o ódio, apenas os alimenta ainda mais. Quem se vinga, por estar praticando o mal, coloca-se em posição de sofrer, porque a lei divina não deixa esquecida nenhuma maldade praticada. As pessoas que desejam vingar-se de alguém não vivem tranqüilas, ficam grande parte de seu tempo pensando naquele de quem desejam desforrar-se.
Quem gasta seu tempo pensando no mal azeda a própria vida. Não há como praticar a maldade sem sofrer no caminho.

3. Mas, em muitos casos, a vingança não é justa? Se, praticando o mal, uma pessoa coloca-se em posição de sofrê-lo e esse mal foi feito a mim, não é certo que eu puna essa pessoa?
* Antigamente, no tempo de Moisés, as pessoas eram muito injustas, vingavam-se dos seus ofensores com muita desproporção, por exemplo, matando alguém que só tinha olhado torto, ou lhes pisado no pé. Para que a sociedade fosse menos injusta, veio a idéia do "Olho por olho, dente por dente", que significa punição igual à ofensa. De acordo com essa idéia, se alguém pisa no meu pé, eu estarei certo se pisar no pé dessa pessoa de volta.
Jesus veio trazer-nos a doutrina do amor e do perdão. Ele nos disse o seguinte:
Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente.
Eu, porém, vos digo que não resistais ao homem mau; mas a qualquer que te bater na face direita, oferece- lhe também a outra.
Não resistir ao mal, nas palavras de Jesus, não é não se defender, mas não fazer o mal em troca àquele que o fez a nós. O Mestre também nos ensina a oferecer a outra face. Isto não quer dizer que, se levamos um soco do lado direito, devemos oferecer o outro lado para ser socado.
Dar a outra face é proporcionar outra oportunidade para a pessoa que nos fez o mal; também é ensinar pelo exemplo, fazendo o contrário daquilo que ela nos fez. Exemplificando: Alguém grita conosco, é grosseiro e injusto; em resposta, podemos falar baixo com a pessoa, tratá-la com educação e respeito. Pode ser que, vendo nossa forma de agir, a pessoa agressora sinta vontade de se modificar.
Pagar o mal com o mal é colocar-se no nível daquele que primeiro o praticou, é rebaixar-se. Se alguém erra conosco, passa a ter uma dívida junto às leis divinas; se nós nos vingamos, a pessoa "paga" a dívida e nós "ficamos devendo".
Deus não coloca ninguém no mundo para ser instrumento dos sofrimentos de outra pessoa. A lei divina é infinitamente sábia e tem milhões de formas de fazer com que um culpado resgate seus erros.
Jesus atualizou e aperfeiçoou os ensinamentos de Moisés. Na sua doutrina de amor, a vingança não cabe. O Espiritismo, falando-nos da reencarnação, da evolução e da busca pela perfeição, vem nos mostrar que a vingança só atrasa o indivíduo na sua marcha.

4. Vingança indireta
Muitos de nós, porém, somos chateados por alguém em quem não podemos descontar toda a nossa raiva.
Teoricamente, podemos encher de sopapos o coleguinha que nos disse uma palavra infeliz, mas não podemos fazer o mesmo com uma professora que, ao nosso ver, age conosco injustamente.
Então, o que muitos de nós fazemos? A vingança indireta. Como funciona isso?
Como eu não posso me vingar em quem me fez o mal, vingo-me no primeiro que encontrar. Assim é que a professora chateada às vezes vinga-se no aluno, que se vinga em um coleguinha menor, que se vinga no cachorro, que se vinga mordendo alguém que passa na rua, que se vinga nos seus filhos. O círculo perdura indefinidamente, até que entre em ação a única coisa que, de fato, aniquila a vingança e todos os seus malefícios: o perdão.

5. O perdão
Ele é, portanto, o melhor remédio contra o desejo de vingança.
Observar que, muitas vezes, a pessoa que nos faz o mal não está muito bem. Aconselhá-la, se for possível, mas não entrar na mesma sintonia de raiva e mal querer, porque isso não vai resolver nada, nem para a gente, nem para ela.
Além disso, enquanto tentamos nos vingar de quem nos fez o mal, continuamos envolvidos pelo mal e não enxergamos as pequenas grandes coisas da vida.
Por exemplo: pode uma pessoa, com muito ódio no coração, apreciar o sabor de uma comida bem quentinha? Uma pessoa cheia de mágoa pode aproveitar a brincadeira gostosa com os amigos? Consegue ela fruir da beleza de um livro, da emoção de uma aventura, da alegria da companhia dos seus amigos e familiares? Não pode.
Então, enquanto não perdoamos, além de podermos ferir pessoas que não têm nada a ver, permitimos que o mal que nos fizeram vá muito mais além do ato inicialmente praticado, porque aquilo vai ficar fazendo o mal para a gente até que sejamos capazes de perdoar.
Por isso é que o perdão não é uma coisa que se dá para agradar aos outros, mas uma coisa de que nós próprios precisamos, para sermos felizes e mais abertos às coisas da vida. Quem odeia muito não tem saúde, nem paz, nem alegria; e é muito difícil ter uma vida boa sem saúde, alegria e paz, mesmo que se tenha um quarto cheio de brinquedos e muitas coisas materiais.

5.1. E quando nós fazemos algo errado e nossa vítima não nos perdoa, o que devemos fazer?
* Devemos nos esforçar para pagar com bem o mal que fizemos. Não devemos, de forma alguma, entrarmos na idéia destrutiva de que o outro deve se vingar de nós. As leis divinas se encarregarão de nos fazer resgatar nossos erros, não precisamos do outro para nos levar a fazê-lo. Sendo assim, se alguém não nos perdoa, devemos buscar nos melhorar, para que, um dia, consigamos pagar com ações boas os nossos enganos. Não devemos deixar que a culpa nos aniquile.

6. Historinha da arma infalível. Fonte: Alvorada Cristã - Neio Lúciu - Chico Xavier.

A ARMA INFALÍVEL

Certo dia, um homem revoltado criou um poderoso e longo pensamento de ódio, colocou-o numa carta rude e malcriada e mandou-o para o chefe da oficina de que fora despedido.
O pensamento foi vazado em forma de ameaças cruéis. E quando o diretor do serviço leu as frases ingratas que o expressava, acolheu-o, desprevenidamente, no próprio coração, e tornou-se furioso sem saber porquê. Encontrou, quase de imediato, o sub-chefe da oficina e, a pretexto de enxergar uma pequena peça quebrada, desfechou sobre ele a bomba mental que trazia consigo.
Foi a vez do sub-chefe tornar- se neurastênico, sem dar o motivo. Abrigou a projeção maléfica no sentimento, permaneceu amuado várias horas e, no instante do almoço, ao invés de alimentar- se, descarregou na esposa o perigoso dardo intangível. Tão só por ver um sapato imperfeitamente engraxado, proferiu dezenas de palavras feias; sentiu- se aliviado e a mulher passou a asilar no peito a odienta vibração, em forma de cólera inexplicável.
Repentinamente transtornada pelo raio que a ferira e que, até ali, ninguém soubera remover, encaminhou- se para a empregada que se incumbia do serviço de calçados e desabafou. Com palavras indesejáveis inoculou- lhe no coração o estilete invisível.
Agora, era uma pobre menina quem detinha o tóxico mental. Não podendo despejá-lo nos pratos e xícaras ao alcance de suas mãos, em vista do enorme débito em dinheiro que seria compelida a aceitar, acercou-se de velho cão, dorminhoco e paciente, e transferiu-lhe o veneno imponderável, num pontapé de largas proporções.
O animal ganiu e disparou, tocado pela energia mortífera, e, para livrar-se desta, mordeu a primeira pessoa que encontrou na via pública. Era a senhora de um proprietário vizinho que, ferida na coxa, se enfureceu instantâneamente, possuída pela força maléfica.
Em gritaria desesperada, foi conduzida a certa farmácia; entretanto, deu-se pressa em transferir ao enfermeiro que a socorria a vibração amaldiçoada. Crivou-o de xingamentos e esbofeteou-lhe o rosto.
O rapaz muito prestativo, de calmo que era, converteu- se em fera verdadeira. Revidou os golpes recebidos com observações ásperas e saiu, alucinado, para a residência, onde a velha e devotada mãezinha o esperava para a refeição da tarde. Chegou e descarregou sobre ela toda a ira de que era portador.
— Estou farto! — bradou — a senhora é culpada dos aborrecimentos que me perseguem! Não suporto mais esta vida infeliz! Fuja de minha frente!...
Pronunciou nomes terríveis. Blasfemou. Gritou, colérico, qual louco. A velhinha, porém, longe de agastar- se, tomou- lhe as mãos e disse-lhe com naturalidade e brandura:
— Venha cá, meu filho! Você está cansado e doente! Sei a extensão de seus sacrifícios por mim e reconheço que tem razão para lamentar-se. No entanto, tenhamos bom ânimo! Lembremo-nos de Jesus!... Tudo passa na Terra. Não nos esqueçamos do amor que o Mestre nos legou...
Abraçou-o, comovida, e afagou-lhe os cabelos! O filho demorou-se a contemplar-lhe os olhos serenos e reconheceu que havia no c arinho materno tanto perdão e tanto entendimento que começou a chorar, pedindo- lhe desculpas.
Houve então entre os dois uma explosão de íntimas alegrias. Jantaram felizes e oraram em sinal de reconhecimento a Deus. A projeção destrutiva do ódio morrera, afinal, ali, dentro do lar humilde, diante da força infalível e sublime.

6.1 - Caso haja tempo, aprofundar a historinha, perguntando o que mais lhes chamou a atenção e questões assim. No final, levá-los a concluir que a historinha nada mais é que um exemplo prático de tudo aquilo que conversamos na aula e que coisas assim acontecem todos, todos os dias.

(enviado por Vinícius e esposa - participantes sala Evangelize CVDEE)