Estudando o Espiritismo

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segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Singularidade

Singularidade


Rose Mary Grebe

Adenáuer Novaes inicia o capítulo com este pensamento:

“A busca de um significado para a Vida sempre foi a meta do ser humano. Um sentido que lhe dê motivação e que lhe explique o porquê e para quê vive, constitui-se em sua maior aspiração.” (Psicologia do Evangelho, p. 99)

Desde o início de sua racionalidade, homem se pergunta acerca do significado da vida, embora não tenha consciência, ainda, de sua individualidade ou de sua singularidade. Porque singularidade é isto, nos reconhecermos únicos neste imenso e incontável mundo de Espíritos.

A partir do pensamento contínuo e o raciocínio lógico, as questões surgem:

Por que uns vivem mais?
Por que uns adoecem mais?
Por que uns podem gerar seus filhos e outros não?
Por que é preciso morrer?
Como alcançar a felicidade?
Surgem as mais diversas teorias e tratados, os livros de auto-ajuda, surgem as religiões dando os seus modelos buscando responder a estes questionamentos. Na maioria das vezes as respostas milagrosas estão até prontas, em alguns versículos da Bíblia, com receitinhas, como se fosse um bolo.

E nosso autor, em outro livro, Mito Pessoal e Destino Humano, diz que a maioria de nós deseja uma resposta que seja confortável a respeito do sentido da vida. Preferem levar suas vidas como se os caminhos fossem definitivos, quando se sabe que nossas rotas são perfeitamente mutáveis, eis a beleza da vida. (p.113)

Está claro para nós Espíritas que acreditamos num projeto de reencarnação, que muitas situações podem ser ajustadas, com enormes possibilidades de mudança de rota. Quando nos posicionamos como se tudo fosse definitivo, não percebemos que a vida, o Universo muda e segundo Adenáuer, se AUTO-CONSTRÓI. Neste processo de auto-construção somos o agente e o objeto. Isto quer dizer que somos todos parte integrante desta engrenagem universal.

O sentido da vida está diretamente ligado à evolução de cada um, uma vez que dependendo do estágio em que se encontra, este sentido muda.

Para alguns o sentido da vida está em satisfazer suas necessidades físicas mais imediatas.

Outros entendem que as necessidades físicas satisfeitas já não são a prioridade. Algo, além disto importa, são as necessidades éticas, morais. São a busca de valores perenes, aqueles que comumente dizemos que podemos levar junto quando desencarnamos.

Quando descobrimos nossa singularidade, um avanço importante se fez, pois neste momento entendemos que bem e mal não existem, mas a escolha do que convém ou não. Muitas coisas que se nos parecem terríveis nos dias de hoje, já praticamos como algo aceitável.

Ex: canibalismo, torturas, invasões para tomar a terra, caçadas, escravidão, etc. Inconcebível para o nosso estágio evolutivo. Mas até que isto acontecesse, quantos equívocos cometemos.

Vamos pensar um pouco sobre o sentido da vida para: Criança, Adolescente, Adulto, Idoso. O que tem significado para cada faixa etária? Mas além da classificação etária ainda poderíamos colocar em cada uma: classe social, cultura, clima, região, sexo, etc.

Como buscarmos este amadurecimento, este entendimento das melhores rotas a seguir?

Há dois mil anos Jesus nos disse:

“Portanto, sede perfeitos como perfeito é o vosso Pai Celeste.” Mateus 5:48.

Mas isto ainda nos dias de hoje é de difícil entendimento. O que sabemos de Deus e de sua perfeição? Geralmente atribuímos a Ele qualidades que julgamos que ainda precisamos adquirir, e as colocamos ao infinito. Esta é a perfeição que imaginamos que seja do Pai, está muito distante ainda de nós.

Muitas vezes acreditamos que esta perfeição deva ser alcançada em pouco tempo, uma encarnação. Isto é impossível. Quem sabe com algumas práticas religiosas, algumas barganhas com Deus. A Doutrina dos Espíritos ensina que é construção interior, solitária. As práticas, obras no bem, são conseqüência, e não precisam ser mostradas ou alardeadas.

Mas Jesus deixou outra rota:

“Tratais todos os homens como quereríeis que eles vos tratassem”. Lucas 6:31

Esta recomendação é a chave de tudo. Quando seguirmos este caminho, não necessitaremos mais de leis humanas, de juízes, promotores, advogados, conciliadores, PROCON, SERASA, SPC, etc.

Quando conseguirmos pensar um pouquinho que seja em tratarmos como gostaríamos de ser tratados, começaremos a ser felizes.



Bibliografia

1.NOVAES, Adenáuer Ferraz de. Psicologia do Evangelho. 2ed. Salvador: Fundação Lar Harmonia, 2001.

2.NOVAES, Adenáuer Ferraz de. Mito Pessoal e Destino Humano. Salvador: Fundação Lar Harmonia, 2005.